Resistência às imagens: regimes de visibilidade e outras paisagens possíveis

Em novembro passado, anunciamos o vii Concurso de Fotografia da Encartes para refletir sobre as relações entre imagem, poder e resistência. O convite surgiu de uma preocupação urgente e fundamental: como interferir na saturação visual e na circulação vertiginosa de imagens violentas que, de alguma forma, colonizam nosso cotidiano e nossa imaginação. Vivemos em uma época em que as imagens circulam com intensidade avassaladora. Longe de garantir, por si só, uma ampliação de nossa compreensão do mundo, sua proliferação muitas vezes produz o efeito oposto: saturação, fadiga perceptiva, dispersão afetiva e incapacidade de entender o que vemos.

A chamada pós-verdade não se refere apenas a certos grupos de poder que mentem ou manipulam; nem a certos meios de comunicação que excluem ou escondem; nem, além disso, a nós, como indivíduos, que preferimos olhar apenas para o que confirma nossos preconceitos. Carlos Bravo Regidor argumenta - e nós concordamos com ele - que o que está em jogo é uma crise da verdade em um contexto no qual as mudanças tecnológicas, marcadas pelo imediatismo acelerado da informação e pela saturação avassaladora, bem como as mudanças sociais, caracterizadas pela proliferação do ódio, do medo, da radicalização do autoritarismo e da perda de confiança nas instituições, dificultam a compreensão do que vemos e do que isso produz em nós.

A violência se tornou um dos objetos privilegiados dessa economia visual. Ela é mostrada, repetida e distribuída até se tornar uma presença constante no cenário da mídia. Mas essa presença não equivale necessariamente a uma compreensão profunda de suas causas, seus enredos e seus efeitos. Muitas vezes, a abundância de imagens de dor acaba por esvaziá-las de sua profundidade histórica e política. É nesse momento que se torna apropriado falar de regimes de visibilidade. Toda cultura organiza o visível e o invisível, hierarquiza o que merece atenção e gerencia as distâncias entre proximidade e afastamento que estabelecemos com o que é visto. Ela também constrói estruturas de inteligibilidade a partir das quais certas vidas, como argumentou Judith Butler, parecem dignas de luto, cuidado ou memória, enquanto outras são relegadas ao ruído de fundo. Um regime de visibilidade não se refere apenas a um conjunto de imagens, mas a uma distribuição de visualidade: uma pedagogia sensível que modela o que podemos perceber e também como devemos interpretar o que vemos e quais afetos são legítimos diante disso. Nesse sentido, as imagens vão além de representar o mundo: elas participam ativamente de sua ordenação.

A partir dessa perspectiva, seguindo Georges Didi-Huberman, é possível fazer uma distinção entre imagens de poder e imagens de poder. A primeira não é apenas a imagem produzida pelo Estado, pela mídia ou por uma instituição dominante; ela é, de forma mais ampla, a imagem que fecha o campo de significado, fixa uma leitura e captura a atenção dentro de uma determinada estrutura. É uma imagem que extrai da cena sua complexidade e, ao fazê-lo, normaliza uma relação dócil com a violência. A imagem do poder não necessariamente oculta; ela geralmente exibe. Sua operação não é censurar, mas também expor, a fim de impor um modo de ver no qual o choque substitui a compreensão e a choque desloca a reflexão.

Pelo contrário, uma imagem de poder interrompe as formas usuais de representação. É uma imagem que abre uma pausa na inércia visual, força-nos a olhar as coisas de forma diferente e restaura uma densidade ética, afetiva e histórica à experiência. Não se trata de imagens “belas”, mas de imagens capazes de interromper a gramática do que chamei de MÍDIA AO REDOR; Em outras palavras, uma operação comunicativa que simplifica ou consome muito rapidamente. São imagens que não esgotam seu significado na denúncia imediata, pois também trabalham com o gesto mínimo, a dica, o cuidado, o cotidiano ou a persistência do lugar-comum.

Esse ponto é decisivo em um momento marcado pela crise da verdade. Não porque simplesmente entramos em uma época de falsidade absoluta, mas porque o próprio status da imagem como prova se tornou instável. Pensemos, por exemplo, na notícias falsas. A circulação acelerada, a edição infinita, a fragmentação do contexto e a competição pela atenção corroem a confiança de que ver é igual a saber. A verdade de uma imagem não pode mais se basear apenas em sua aparência de evidência. Ela requer mediações, inscrição histórica, estruturas de leitura e relações entre o visível e o decifrável. Nesse cenário, o problema não é discernir se uma imagem é verdadeira ou falsa, mas entender que regime de verdade sustenta sua circulação, que interesses ela organiza, que mundo ela confirma e que formas de sensibilidade ela produz.

A espetacularização da violência está inscrita exatamente nesse terreno. Quando o horror se torna espetáculo, a imagem deixa de ser um espaço de elaboração e se torna uma mercadoria afetiva: ela capta a atenção, intensifica o impacto, mas empobrece a experiência. O resultado, parece-me, é um movimento duplo: por um lado, a repetição anestesia; por outro, a espetacularidade imobiliza. Vemos muito, mas entendemos pouco. Sentimos um choque momentâneo, embora ele não necessariamente ative uma relação mais complexa com a memória, a responsabilidade ou a ação.

Assim, podemos entender o cerco da mídia como uma forma de sitiar a percepção, pois ela opera não apenas silenciando, mas também direcionando, saturando, reiterando e administrando a sensibilidade. O cerco organiza as condições nas quais o visível já foi capturado por uma gramática dominante. Com esse regime, a violência deixa de aparecer como um campo de forças - como propõe Martin Jay - ou seja, como um conjunto de processos e formas históricas que exigem leitura, posicionamento e trabalho crítico do olhar. Portanto, desmantelar o cerco da mídia não é simplesmente uma questão de “mostrar outras imagens”, mas de alterar a gramática a partir da qual olhamos para o horror. Nesse sentido, politizar o olhar envolve mudá-lo do consumo de cenas para a interrogação das condições de seu aparecimento. Isso envolve perguntar o que permanece fora do quadro, quais vidas não alcançam visibilidade, quais formas de presença sobrevivem nas margens e quais gestos, objetos, paisagens ou vínculos podem desarticular a gramática dominante do horror.

É exatamente aqui que o concurso fotográfico lançado pela Encartes. Recebemos 90 fotografias. A convocação pedia imagens que não reproduzissem o sofrimento de forma grosseira, mas que explorassem formas de olhar a partir da resistência, do cuidado, da memória e da vida cotidiana. Também buscávamos fotografias capazes de questionar os limites do visível e de devolver à imagem seu poder de invenção, memória e persistência. Em vez de reunir um repertório temático, o que estava em jogo aqui era uma disputa pelo olhar em si: uma busca por imagens que resistissem à espetacularização, à banalização ou à reprodução de hierarquias sociais sem questioná-las.

Sob essa perspectiva, as fotografias finalistas podem ser lidas tanto pelo que mostram quanto pela operação de contra-visualidade que realizam. A questão não é apenas o que elas representam, mas de que maneira elas deslocam o campo do que é dado como legítimo, que relação estabelecem com a fragilidade ou a persistência e como produzem uma experiência do olhar que, em vez de reiterar o cerco da mídia, abre uma fenda nele. Nesse contexto, o corpus do concurso pode ser entendido como um conjunto heterogêneo de tentativas de devolver à imagem a capacidade de pensar, afetar e politizar a sensibilidade sem cair na reprodução do espetáculo da violência.

Réquiem para a autonomia, de Francisco de Parres, é uma fotografia que mostra dois corpos dançando. Um deles é o de Lukas Avendaño, artista muxe; o outro, um membro da comunidade zapatista. A cena brinca com a ambiguidade e a tensão entre os regimes hegemônicos que regulam os corpos e suas relações com as sexodisidências. Ela transborda de ironia, prazer e performatividade. De um lado, uma figura encapuzada, vestida de preto, parece acompanhar ou conduzir a cena. A fotografia trabalha com uma tensão extraordinária entre espetáculo, ritual, desejo, ameaça e comunidade. Seu poder reside no fato de que ela desmonta uma leitura linear. Ela não se permite ser reduzida ao documento de uma celebração popular ou a uma denúncia unívoca. Em vez disso, produz uma cena em que o arquivo festivo, a teatralidade do gênero, a mascarada, a violência e a resistência política se esfregam uns nos outros sem serem totalmente resolvidos. Essa irresolução é uma de suas maiores virtudes. Em vez de dar ao espectador uma certeza fechada, ela o força a permanecer no desconforto de uma cena em que alegria e ameaça coexistem. A imagem não mostra o horror; ela exibe algo mais complexo: a fragilidade de uma liberdade incorporada que só pode ser afirmada ao atravessar o exterior.

Maré verde, de Domênica Salas, trabalha com outra lógica visual: não a saturação, mas a condensação simbólica. Vemos um monumento equestre interceptado por enormes tecidos verdes que envolvem e transbordam o corpo do cavaleiro e parte do cavalo. Na base, quase diminuta em comparação com a massa escultural, uma pessoa em escala reduzida ajusta ou segura o tecido. O contraste entre a monumentalidade da escultura, a fragilidade do corpo envolvido e a mobilidade do tecido gera uma imagem de enorme precisão política. Aqui a disputa pela visualidade aparece como um ato de desconsumentalização. A estátua representa a história oficial, a soberania patriarcal e a permanência monumental do poder no espaço público. É uma figura de Francisco Villa. O pano verde - inequivocamente associado às lutas feministas e pró-escolha na América Latina - não destrói o monumento, mas o bagunça, reescreve e profana no melhor sentido: tira sua suposta neutralidade histórica. A imagem captura o instante em que um símbolo sedimentado de poder é coberto por outro signo, móvel, macio, coletivo e contemporâneo. Esse tecido vai além da cobertura: ele desloca o significado da estátua; ele a transforma em outra coisa e a força a falar a partir de uma nova cena. Nesse gesto, a imagem torna visível uma das operações políticas mais relevantes dos movimentos contemporâneos: intervir nas estruturas de memória e autoridade que organizam o espaço comum.

Na estrutura da competição, Maré verde se destaca porque não retrata a violência diretamente nem a reduz a uma cena de confronto espetacular. Em vez disso, sua força está em mostrar como a intervenção feminista transforma o espaço público ao contestar os símbolos da história oficial. A violência aparece aqui não como uma ferida visível ou como uma devastação explícita, mas como uma sedimentação patriarcal na memória monumental, em narrativas legitimadas e nas formas de autoridade que ocupam a cidade. É por isso que o poder da imagem não se limita a registrar uma ação de protesto: ela mostra o gesto preciso pelo qual um corpo coletivo reescreve o significado de um monumento e o arranca, ainda que momentaneamente, da gramática do poder. Sua força está em tornar visível que a transformação política também ocorre no nível dos sinais, da memória e das formas de aparição em comum.

São Judas e a crucificação, de Ximena Torres, elabora outro registro: o da marcha, da busca e da persistência pública diante do desaparecimento forçado. No centro, uma mulher caminha pela rua usando uma máscara, segurando uma grande tela na qual estão sobrepostas a imagem religiosa de São Judas Tadeu, flores, uma oração e o retrato de um homem ausente. Atrás dele, outros cartazes de busca confirmam que não se trata de um caso isolado, mas de uma trama coletiva de desaparecimento e da exigência de seu retorno. A composição reúne várias linguagens visuais ao mesmo tempo: religiosidade popular, cultura impressa, protesto de rua, retrato de família e documento de busca. A força dessa fotografia está em sua capacidade de condensar a prática da busca: a mistura entre oração e denúncia, entre fé e reivindicação, entre imagem devocional e demanda política. A tela funciona como um altar portátil, um arquivo afetivo e um estandarte. A imagem de St. Jude não substitui a pessoa ausente; ela acompanha e sustenta o ato de procurá-la. Assim, a fotografia registra um aspecto fundamental nos contextos de desaparecimento no México: a busca não é organizada apenas a partir da linguagem legal ou institucional, mas também a partir de economias morais, afetivas e espirituais que nos permitem resistir ao abandono.

Formalmente, a imagem é muito eloquente por causa de sua frontalidade. O corpo da mulher está quase coberto pelo pôster, o que produz um efeito muito significativo: ela carrega a imagem, mas também se torna o suporte dessa memória. Sua caminhada incorpora uma forma de luto ativo, de denúncia encarnada. A sombra projetada na calçada intensifica essa presença, como se o corpo estivesse espalhando outro rastro da busca no chão. A imagem não transforma a dor em choque Ela a traz de volta como uma prática sustentada, como uma marcha, como uma exibição pública do elo rompido. Ao fazer isso, ela desarma a cobertura da mídia que geralmente reserva a atenção para o momento mais sensacional de violência e deixa de fora a duração exaustiva da busca. Aqui, o político não está na cena excepcional, mas na repetição obstinada de sair às ruas com o nome, o rosto e a esperança de retorno.

No corpus como um todo, essa imagem contribui com uma poderosa dimensão ética: ela nos lembra que olhar também implica acompanhar a maneira pela qual uma ausência se torna uma presença social por meio dos corpos que a carregam, a nomeiam e a exibem. Seu poder está em mostrar que a imagem, em contextos de desaparecimento, além de documentar uma demanda, pode funcionar como um suporte para a memória, a fé, a comunidade e a demanda por justiça.

Esse concurso fotográfico conseguiu reunir uma rede de imagens em que se reconhecem processos coletivos que resgatam a vida cotidiana em espaços públicos abandonados pelas instituições, mas recuperados por meio de cuidados e gestos de afeto. Outras imagens acompanham ritos sociais tendo como pano de fundo a violência e seu turbilhão; religiosidades heterogêneas que sustentam a esperança e garantem proteção; abordagens íntimas de acompanhamento em processos de resistência.

Alina Peña

Réquiem por la autonomía

Primeiro lugar

Réquiem para a autonomia

Francisco De Parres Gómez

2019 - Chiapas

Lukas Avendaño (muxe) com um membro das comunidades zapatistas.
A cena tensiona os regimes hegemônicos de visibilidade ao situar o corpo, a memória e a autonomia como uma paisagem política insurgente. A imagem contesta o direito de aparecer. Um gesto performativo que resiste ao apagamento em um festival de dança no território autônomo zapatista.


Segundo lugar

Maré Verde

Domênica Salas Santos

2020 - Chihuhua, Chihuahua, México.

A estátua vilipendiada de Pancho Villa foi coberta pela maré verde durante a marcha de 8 de março de 2020. O evento simbolizou a demanda pelo direito ao aborto e a livre escolha das mulheres sobre seus corpos.

Marea Verde

San Judas y la crucifixión

Terceiro lugar

São Judas e a crucificação

Ximena Torres

2023 - Guadalajara, Jalisco, México.

Desde 2023, Francisco Javier é uma das milhares de pessoas desaparecidas em Jalisco. Em uma passeata, a sombra de seu parente e a lona que ela carrega reproduzem a crucificação de Jesus e emulam a dor da ausência.


Homem vestido como uma representação do mal

Alejandro Cepeda

2022

Um homem pinta seu corpo com lama branca e uma arma feita de madeira para representar o mal em seu tempo atual: o homem branco e as armas que afetam seu território.


Coroa para o invisível

Aurora Villalobos

2025 - Centro cultural ProyectoVeta, Morelia, Michoacán, México.

A drag e a imagem reescrevem o corpo estigmatizado como um território de soberania. A cena não exibe a diferença, mas a celebra como um arquivo vivo da resistência queer.


Taller con niños ódame de Baborigame

Workshop com crianças ódame da Baborigame

David Lauer

Esta imagem faz parte de uma seleção derivada de meu trabalho ao longo dos anos em Chihuahua, acompanhando a Consultoría Técnica Comunitaria, A.C. e outras organizações de direitos humanos, bem como projetos pessoais relacionados à floresta de Sierra Tarahumara.


Não somos um, não somos três, conte-nos bem?

Domênica Salas Santos

2020 - Chihuhua, Chihuahua, México.

Milhares de mulheres ocuparam a praça, transformando-a em um eco de resistência. Sua voz coletiva denunciou a violência que, durante séculos, restringiu seus direitos e a livre decisão sobre seus corpos.

No somos una, no somos tres, cuéntanos bien...

El Paisaje Prestado: La Construcción de un Hogar Simbólico.

The Borrowed Landscape: The Construction of a Symbolic Home (A paisagem emprestada: a construção de um lar simbólico).

Eduardo Javier Badillo Lozada

2025 - Cidade do México, México.

Essa imagem desafia a representação convencional da exclusão social, concentrando-se na criação de um espaço de intimidade na esfera pública. A pintura pendurada na cerca funciona como uma ‘janela’ simbólica para um lar imaginário, uma forma discreta de resistência que tenta reconstruir um senso de pertencimento e dignidade. O cachorro, em sua vigília, personifica o cuidado e o companheirismo, transformando uma cena de falta em um testemunho de companheirismo e afeto.


Treinadores

Fernando Domínguez

2026 - Congresso de Nuevo León, México.

Em frente ao Congresso de Nuevo León, faixas com referências legais aos direitos trans cercam os treinadores de um membro da manifestação transgênero sob vigilância policial.

Zapatillas

Activista del plantón

Ativista de sit-in

Fernando Domínguez

2026 - Congresso de Nuevo León, México.

Na entrada do Congresso de Nuevo León, uma ativista trans do sit-in trans usa um alto-falante sob vigilância policial durante o diálogo sobre transfeminicídio.


Memória da comunidade

Juan Diego Andrango

2018 - Kisapincha, Equador.

Entre fazendas e neblina, o som atravessa a paisagem como um ato de cuidado, anúncio e pertencimento coletivo.

Memoria comunitaria

Otra dignidad de habitar

Outra dignidade de habitar

Julio González

2025 - Guadalajara, Jalisco, México.

É a tarde de setembro de 2025, a dignidade se organiza para percorrer as ruas de Guadalajara. À frente, cegos despojados de seus lares, com os olhos no horizonte e o cheiro das ruas como referência geográfica, caminham gritando “O que está acontecendo, o que está acontecendo, não temos um lar!.


Os fundamentos da nação

Leonardo Cassiel Hernández Valdespino

2023 - Bordo de Xochiaca

O México é um país de violência, e aqueles de nós que cresceram aqui sabem como é florescer em meio aos cacos.


Memória têxtil coletiva

Lizeth Hernández Millán

2024 - Cidade do México, México.

Como resultado do primeiro círculo de bordado no Museu da Cidade do México, foi feita uma manta têxtil coletiva para ser levada à marcha de 8 de março na Cidade do México.

Memoria textil colectiva

Comuneros bajo la sombra del drenaje transversal

Communards sob a sombra da drenagem da cruz

Marco Ernesto Blanco López

2024 - Comunidade de Guadalupe Victoria e sua anexa La Cruz, município de Mexquitic de Carmona, San Luis Potosí, México.

Membros da comunidade descansam em um túnel de drenagem durante uma pesquisa antropológica contra a desapropriação territorial, transformando infraestruturas em espaços de memória compartilhada.


sin título

sem título

Naomi Greene Ortiz

2013 - Glorieta de Los Niños Héroes, agora chamada de “Glorieta de las y los desaparecidos”. Guadalajara, Jalisco, 2023.

A rebatizada Glorieta de Las y Los Desaparecidos de Jalisco, o estado com o maior número de desaparecimentos forçados em todo o país, exibe uma série de rostos empilhados; alguns em lonas, outros em pôsteres, muitos outros em azulejos embutidos para evitar que sejam removidos à noite. Bem-vindo a Guadalajara!”


Alfaro sí sabía (vigilia por el rancho Izaguirre)

Alfaro sabia (vigília na fazenda Izaguirre)

Pilar Aranda Moncivaiz

2025 - Palácio do Governo, Guadalajara, Jalisco, México.


Procurando por mamãe

Pilar Aranda Moncivaiz

2025 - Palácio do Governo, Guadaljara, Jalisco, México.

Mamá buscadora

Daniela tu mamá sigue en la lucha

Daniela, sua mãe ainda está na luta

Pilar Aranda Moncivaiz

2025 - Guadalajara, Jalisco, México.


Primeira batucada infantil feminista

Pilar Aranda Moncivaiz

2025 - Guadalajara, Jalisco, México.

Primer batucada infantil feminista

Flor Alentejana

Flor Alentejana

Rodolfo Oliveros

2025 - Lisboa, Portugal.

Os coros alentejanos cantam a luta pela liberdade e a recuperação da terra; honram também a memória de Catarina Eufémia, uma camponesa comunista assassinada pela ditadura.


Don Lucas e sua coleção de arte resgatada do lixo

Santiago Hoyos

2025 - Barrio de la Araña, Álvaro Obregón, CDMX.

Conheci Don Lucas durante um trabalho pago pela Alcaldía Álvaro Obregón no bairro de La Araña. Ele nos mostrou sua extensa coleção de arte resgatada dos depósitos de lixo nas barrancas e como ele a utiliza como forma de resistência ao excesso de desperdício observado na sociedade mexicana atual. Aqui ele está posando com sua coleção.

Don Lucas y su colección de arte rescatado de la basura

Rostros renovados en la Glorieta

Rostos renovados na Glorieta

Ximena Torres

2025 - Guadalajara, Jalisco, México.

A Glorieta de las y los desaparecidos é o local de memória mais importante para as famílias de Guadalajara que estão procurando, que desenvolveram estratégias para manter os cartões de busca de desaparecidos no monumento.


sem título

Yllich Escamilla Santiago

2025 - Basílica de Guadalupe, Cidade do México, México.

Todo mês de dezembro, a Basílica de Guadalupe também se torna um espaço de protesto, memória e esperança. É lá que os pais dos 43 normalistas desaparecidos ocupam o espaço para tornar sua luta visível.

sin título

Bibliografia

Bravo Regidor, Carlos (2025). Mar de dúvidas. Cidade do México: Grano de Sal/ Gatopardo.

Butler, Judith (2010). Frames of War: Lives Mourned (Vidas enlutadas). Barcelona: Paidós.

Canal Encuentro (2017, 26 de janeiro). Georges Didi-Huberman: a imagem poderosa. YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=6uvGhCgupq0

Jay, Martin (2003). Campos de força: entre a história intelectual e a crítica cultural. Buenos Aires: Paidós.

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