{"id":40738,"date":"2026-09-21T15:00:00","date_gmt":"2026-09-21T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=40738"},"modified":"2026-09-21T14:01:03","modified_gmt":"2026-09-21T20:01:03","slug":"mata-resena-ensenar-aprender-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/mata-resena-ensenar-aprender-historia\/","title":{"rendered":"Como ensinar ou como aprender hist\u00f3ria?"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-drop-cap abstract\">O tema central do livro que estou resenhando \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o e como ensinar sobre o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural \u00e0 popula\u00e7\u00e3o; por isso, ele \u00e9 voltado principalmente para professores de hist\u00f3ria e disciplinas relacionadas ao patrim\u00f4nio cultural e hist\u00f3rico. Esta obra enfoca tanto o ensino formal, com o objetivo de \u201cproporcionar aos professores dos diversos n\u00edveis educacionais op\u00e7\u00f5es de ferramentas, conte\u00fados e m\u00e9todos para fazer uma interpreta\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural no M\u00e9xico\u201d (p. 15); quanto na forma\u00e7\u00e3o extraescolar, para destacar as tradi\u00e7\u00f5es culturais e divulgar espa\u00e7os como os museus, a fim de enriquecer as experi\u00eancias e valorizar esse patrim\u00f4nio, \u201cabordando temas como a mem\u00f3ria coletiva, a identidade, a valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade cultural, a educa\u00e7\u00e3o para a cidadania e a interculturalidade, entre outros\u201d (p. 15).<\/p>\n\n\n\n<p><em>Educa\u00e7\u00e3o, patrim\u00f4nio e hist\u00f3ria: reflex\u00f5es sobre a interpreta\u00e7\u00e3o, o ensino da cultura e do passado<\/em> foi coordenado por dois especialistas em educa\u00e7\u00e3o, professores da Universidade Pedag\u00f3gica Nacional (<span class=\"small-caps\">upn<\/span>), com ampla experi\u00eancia em processos de forma\u00e7\u00e3o, especialmente no ensino de hist\u00f3ria. A obra conta com onze cap\u00edtulos e contou com a participa\u00e7\u00e3o de quatorze autores com ampla experi\u00eancia nas \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o, hist\u00f3ria e patrim\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto est\u00e1 organizado em duas partes: \u201cInterpretar e educar com o patrim\u00f4nio: reflex\u00f5es sobre o ensino da cultura e do passado\u201d \u00e9 a primeira e \u00e9 composta por sete cap\u00edtulos, permitindo que o leitor mergulhe em diversas experi\u00eancias e contextos para ensinar hist\u00f3ria e patrim\u00f4nio cultural. O cap\u00edtulo inicial, escrito por Joan Santacana I. Mestre e Tania Mart\u00ednez Gil, intitula-se \u201cFazendo hist\u00f3ria com os objetos\u201d. Os autores seguem a did\u00e1tica do objeto como metodologia orientadora desenvolvida para decodificar diversos objetos presentes nos museus, o que eles chamam de \u201caprendizagem por descoberta\u201d (p. 24). Por meio de v\u00e1rios exemplos, eles ilustram como os objetos permitem conhecer e aprender sobre o passado; por isso, \u00e9 importante observ\u00e1-los, aprender a interpret\u00e1-los e a compreender seus significados para auxiliar na compreens\u00e3o e no ensino da hist\u00f3ria. Para que isso aconte\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio que o patrim\u00f4nio seja valorizado e conservado, seja nas m\u00e3os de particulares ou em institui\u00e7\u00f5es abertas ao p\u00fablico, como os museus.<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo cap\u00edtulo, \u201cFun\u00e7\u00e3o educativa do patrim\u00f4nio: uma perspectiva da psicologia educacional. Interpreta\u00e7\u00e3o no Museu Nacional das Culturas do Mundo\u201d, Florentino Trejo Navarrete nos aproxima das quest\u00f5es relacionadas ao patrim\u00f4nio cultural com o apoio da psicologia educacional; essa perspectiva serve para a interpreta\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio como estrat\u00e9gia que possibilita seu uso de maneira formal ou informal. O autor prop\u00f5e que se leve em considera\u00e7\u00e3o o ponto de vista do aluno para aproxim\u00e1-lo da hist\u00f3ria do museu e, com isso, despertar seu interesse pela import\u00e2ncia do espa\u00e7o hist\u00f3rico. Ao relacionar a vida no passado, os objetos que eram utilizados e a liga\u00e7\u00e3o que eles t\u00eam com o presente, o visitante \u00e9 convidado a viajar no tempo e a imaginar como viviam as pessoas antigamente, comparando isso com a vida atual. Destaca-se a import\u00e2ncia de contar com espa\u00e7os que re\u00fanam cole\u00e7\u00f5es valiosas, al\u00e9m de gerenci\u00e1-los e zelar por seu bom funcionamento e, acima de tudo, promover que os moradores se apropriem deles.<\/p>\n\n\n\n<p>No terceiro cap\u00edtulo, \u201cQuem foram e quem somos? Um olhar sobre a sociedade da regi\u00e3o norte do estado de Guerrero a partir da tradi\u00e7\u00e3o dos t\u00famulos e oferendas do Dia dos Mortos\u201d, Pedro Ortiz Oropeza e Alba Mart\u00ednez Carmona abordam o sentimento dos moradores das comunidades da regi\u00e3o norte do estado de Guerrero em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s oferendas e t\u00famulos dedicados aos falecidos. O trabalho \u00e9 enriquecido pelos depoimentos orais de cidad\u00e3os envolvidos no projeto e na cria\u00e7\u00e3o de t\u00famulos ou altares em homenagem aos falecidos da regi\u00e3o, em cidades como Iguala, Teloloapan e Ixcateopan de Cuauht\u00e9moc. A exibi\u00e7\u00e3o dos t\u00famulos ou oferendas \u00e9 valiosa para o setor educacional, pois \u201ca contempla\u00e7\u00e3o, a valoriza\u00e7\u00e3o e o estudo do patrim\u00f4nio favorecem a compreens\u00e3o dos cidad\u00e3os tanto de seu ambiente quanto das mudan\u00e7as e continuidades das atividades humanas ao longo do tempo\u201d (p. 56).<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu texto \u201cA representa\u00e7\u00e3o da batalha de 5 de maio como patrim\u00f4nio vivo da Cidade do M\u00e9xico: patrim\u00f4nio imaterial e aprendizado do passado\u201d, Am\u00edlcar Carpio P\u00e9rez analisa como se realiza a representa\u00e7\u00e3o da batalha de 5 de maio no bairro Pe\u00f1\u00f3n de los Ba\u00f1os e na vila de San Juan de Arag\u00f3n, na Cidade do M\u00e9xico. O autor destaca o car\u00e1ter espont\u00e2neo da tradi\u00e7\u00e3o, uma vez que os moradores dessas localidades n\u00e3o participaram do confronto contra o ex\u00e9rcito franc\u00eas em 1862. No entanto, ele mostra a import\u00e2ncia que os moradores atribuem \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de sua identidade mexicana, bem como \u00e0 aprendizagem da hist\u00f3ria fora do ambiente escolar. Al\u00e9m disso, apresenta uma proposta did\u00e1tica para uma melhor compreens\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o como objeto patrimonial. Carpio P\u00e9rez destaca a import\u00e2ncia das atividades que envolvem a participa\u00e7\u00e3o ativa dos moradores, por meio de diversas comiss\u00f5es ou encarregamentos \u2014 atividades que os enchem de orgulho, pois representam um fato hist\u00f3rico que lhes confere um senso de pertencimento ao seu passado, seu presente e seu futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>No cap\u00edtulo escrito por Rosa Neli Serna Ram\u00edrez, intitulado \u201cPatrim\u00f4nio e identidade: o papel da festa popular no ensino da hist\u00f3ria\u201d, aborda-se o uso do patrim\u00f4nio como fonte para o ensino da hist\u00f3ria no ensino m\u00e9dio. Ela faz uma an\u00e1lise da festa em homenagem a Cuauht\u00e9moc em Ixcateopan, Guerrero, com o objetivo de que os alunos da regi\u00e3o conhe\u00e7am a import\u00e2ncia dos eventos culturais pr\u00f3ximos \u00e0 sua localidade, se identifiquem com eles e contribuam para a constru\u00e7\u00e3o de sua identidade como parte da comunidade. A autora destaca a import\u00e2ncia de inovar na forma de ministrar essa disciplina nesse n\u00edvel; sua proposta visa orientar o aluno a encontrar seu papel na sociedade por meio da constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos com os quais ele possa se identificar em seu contexto. Assim, o patrim\u00f4nio \u00e9 considerado uma sele\u00e7\u00e3o de bens e valores de uma cultura que faz parte da propriedade simb\u00f3lica ou real de determinados coletivos. Al\u00e9m disso, familiarizar-se, por meio do contato com aspectos que fazem parte da festa, confere-lhe valor e sentido, tornando-a um evento do qual participa um grande n\u00famero de pessoas, tanto daquela localidade quanto de locais vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>No cap\u00edtulo \u201cAs fotografias escolares como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e seus usos did\u00e1ticos no ensino superior\u201d, Norma Ramos Escobar e Armando Ren\u00e9 Espinosa Hern\u00e1ndez destacam a import\u00e2ncia do material escolar como patrim\u00f4nio das institui\u00e7\u00f5es. Eles se referem, especificamente, ao acervo fotogr\u00e1fico recuperado por funcion\u00e1rios do Sistema Educativo Estatal Regular, cujo conte\u00fado pode servir como suporte documental para diversos trabalhos de pesquisa sobre diferentes aspectos da educa\u00e7\u00e3o escolarizada no estado de San Luis Potos\u00ed, abrangendo quest\u00f5es de infraestrutura, sociais, pedag\u00f3gicas, entre outras. Os autores apresentam alguns exemplos do que \u00e9 poss\u00edvel realizar e do car\u00e1ter did\u00e1tico que esses materiais podem adquirir se forem utilizados na forma\u00e7\u00e3o de professores ou profissionais da educa\u00e7\u00e3o. O patrim\u00f4nio, como algo vivo, permite interpreta\u00e7\u00f5es sob diferentes \u00e2ngulos: como catalisadores da mem\u00f3ria, fontes para a hist\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o e como recursos did\u00e1ticos. Essas interpreta\u00e7\u00f5es, entre muitas outras que podem ser feitas a partir do acervo gr\u00e1fico da escola, transformam o patrim\u00f4nio educacional em um elemento valioso para recuperar a mem\u00f3ria pedag\u00f3gica das escolas e a maneira como professores e alunos abordam seus usos de forma cr\u00edtica e anal\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3ximo cap\u00edtulo, \u201cRumo a uma did\u00e1tica do patrim\u00f4nio fotogr\u00e1fico: abordagem de problemas a partir da hist\u00f3ria cultural\u201d, escrito por Carlos Enrique Torres Monroy, enfoca o car\u00e1ter patrimonial das fotografias selecionadas e documentadas em diversos arquivos, como o da Escola Nacional de Antropologia e Hist\u00f3ria (<span class=\"small-caps\">enah<\/span>). Torres analisa os arquivos familiares, dada a quantidade de informa\u00e7\u00f5es que pode ser obtida a partir dos registros fotogr\u00e1ficos. Suas abordagens, muito bem fundamentadas, favorecem a compreens\u00e3o das formas de entender o patrim\u00f4nio cultural fotogr\u00e1fico, as possibilidades de realizar leituras de fotografias a partir de uma hist\u00f3ria cultural, bem como da problematiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, por meio da an\u00e1lise de fotografias. O trabalho conclui com a integra\u00e7\u00e3o desses elementos em uma proposta did\u00e1tica para a forma\u00e7\u00e3o de historiadores ou de quem pretende lecionar a disciplina de hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dois \u00faltimos cap\u00edtulos convidam a explorar o passado por meio das fotografias para compreender o cotidiano das escolas. A imagem apresenta o espa\u00e7o educacional; seus personagens: professores e alunos; as atividades que se desenrolam: assistindo \u00e0 aula, participando de uma exposi\u00e7\u00e3o, entre outras atividades do ambiente escolar. Nas fotografias, percebe-se o aspecto f\u00edsico retratado: a sala de aula, os professores e seus alunos. Conforme apontam os autores, os temas decorrentes da an\u00e1lise de cada um dos elementos refletidos na imagem fornecem informa\u00e7\u00f5es valiosas para dar visibilidade ao espa\u00e7o e \u00e0 din\u00e2mica escolar em um determinado momento. Como leitora, este cap\u00edtulo reafirmou a import\u00e2ncia de preservar as fotografias como parte do patrim\u00f4nio cultural. Mais do que apenas observar as fotografias, suas caracter\u00edsticas e a riqueza de informa\u00e7\u00f5es, isso permite que o leitor construa uma imagem visual do passado e compreenda o cotidiano nas escolas em um momento espec\u00edfico, bem como a continuidade ou as mudan\u00e7as ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda parte do livro intitula-se \u201cReflex\u00f5es cr\u00edticas: para compreender o patrim\u00f4nio e a cultura\u201d e \u00e9 composta por quatro cap\u00edtulos. A apropria\u00e7\u00e3o \u00e9 um aspecto indispens\u00e1vel para valorizar o patrim\u00f4nio. Tamb\u00e9m aqui se d\u00e1 \u00eanfase \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 identidade, pois aquilo de que nos lembramos nos confere identidade; lembramos aquilo que tem valor tanto pessoal quanto coletivo. D\u00e1-se \u00eanfase ao papel do Estado na cria\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es para conservar e divulgar o valor documental; ao papel do professor, que \u00e9 respons\u00e1vel por transmitir os conte\u00fados ao aluno, e a este \u00faltimo, por gerar seu pr\u00f3prio conhecimento, o que facilita a significa\u00e7\u00e3o e a ressignifica\u00e7\u00e3o subjetivas entre os diferentes atores.<\/p>\n\n\n\n<p>No cap\u00edtulo \u201cReflex\u00f5es para pensar e investigar o patrim\u00f4nio\u201d, Ariel Corpus apresenta v\u00e1rios argumentos que convidam a uma reflex\u00e3o aprofundada sobre as diferentes propostas de defini\u00e7\u00e3o do conceito de patrim\u00f4nio e suas implica\u00e7\u00f5es para a pesquisa e o ensino da hist\u00f3ria por meio dos objetos patrimoniais como fontes prim\u00e1rias de informa\u00e7\u00e3o. O texto gira em torno de dois eixos de an\u00e1lise: a constru\u00e7\u00e3o de uma perspectiva a partir da qual se possa compreender o patrim\u00f4nio cultural e hist\u00f3rico, que n\u00e3o se limite aos \u00e2mbitos institucionais e centralizados, mas que tome como refer\u00eancia a problem\u00e1tica da mem\u00f3ria e da identidade; o segundo remete \u00e0 considera\u00e7\u00e3o de uma abordagem para estudar o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico por meio de um m\u00e9todo dial\u00f3gico entre o pesquisador, as narrativas hegem\u00f4nicas e os sujeitos que interagem com o objeto patrimonial (p. 150).<\/p>\n\n\n\n<p>Esta se\u00e7\u00e3o continua com o texto de Mar\u00eda de los \u00c1ngeles G\u00f3mez Gallegos, intitulado \u201cA teoria descolonial como abordagem. Tr\u00eas refer\u00eancias para a pr\u00e1tica pedag\u00f3gica\u201d, no qual se aborda o tema do patrim\u00f4nio a partir das teorias descoloniais. Este texto considera a necessidade urgente de romper esquemas sociais opressivos para estudar as necessidades sociais atuais a partir das reivindica\u00e7\u00f5es de ruptura da ordem global imposta a partir das coloniza\u00e7\u00f5es e por elas. Parte-se do pressuposto de que a ideia de patrim\u00f4nio hist\u00f3rico \u00e9 um ponto de intersec\u00e7\u00e3o das tr\u00eas linhas da matriz colonial: o poder, o saber e o ser. Prop\u00f5e-se uma reflex\u00e3o sobre a pr\u00e1tica docente: o que os professores fazem e como conduzem os alunos a um ambiente de saber e ser, e n\u00e3o apenas de poder e saber? A autora apresenta diferentes propostas anticoloniais e descoloniais com o objetivo de se reapropriar dos paradigmas do saber herdados e, a partir deles, refletir criticamente tanto sobre a sala de aula e os conte\u00fados, quanto sobre o contexto social e as institui\u00e7\u00f5es, bem como sobre os aspectos objetivos e subjetivos dos atores \u2013 professores e alunos \u2013 diante desses conte\u00fados.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, Alejandro Cornejo Oviedo, em \u201cA inclus\u00e3o educacional e as habilidades transversais em uma pesquisa de campo na disciplina de Antropologia\u201d <span class=\"small-caps\">i<\/span> e <span class=\"small-caps\">ii<\/span> do ensino m\u00e9dio do <span class=\"small-caps\">cch<\/span>: \u201dA defesa e a preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural na minha cidade\u201d, apresenta uma an\u00e1lise conceitual do patrim\u00f4nio cultural, material e imaterial, para, em seguida, fazer algumas reflex\u00f5es sobre as capacidades e habilidades demonstradas pelos alunos rec\u00e9m-ingressados nas Faculdades de Ci\u00eancias e Humanidades (<span class=\"small-caps\">cch<\/span>) da Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico (<span class=\"small-caps\">unam<\/span>). Al\u00e9m disso, descreve como foi realizado um trabalho de pesquisa sobre a preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio local das comunidades de origem dos alunos. Os exemplos servem como meio de divulga\u00e7\u00e3o das conquistas e para retomar a iniciativa, fazer ajustes e replic\u00e1-la em outros contextos escolares.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro encerra com o texto de Washington Maciel da Silva, no qual ele exp\u00f5e a situa\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio no Brasil em \u201cOs Direitos Culturais e o Ensino de Hist\u00f3ria no Brasil ap\u00f3s 1988: o(s) caminho(s) das pol\u00edticas de patrim\u00f4nio hist\u00f3rico-cultural e da cidadania\u201d. Neste cap\u00edtulo, s\u00e3o ilustradas as etapas de consolida\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas que regem o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico-cultural e sua rela\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. O texto destaca que a pol\u00edtica de patrim\u00f4nio cultural no Brasil foi impregnada pela identidade nacional promovida pelos diversos projetos republicanos. Para o autor, o ensino de hist\u00f3ria confere aos alunos a capacidade de analisar o processo hist\u00f3rico do patrim\u00f4nio. Por isso, considera relevante a pluralidade interpretativa para o ensino de diferentes objetos, temas, metodologias, temporalidades e especialidades que reflitam as realidades sociais cotidianas, atendendo \u00e0s particularidades hist\u00f3rico-sociais em n\u00edvel regional, local ou situacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores dos diferentes cap\u00edtulos, cada um com seu estilo, apresentam diversas estrat\u00e9gias que adotaram para o ensino da hist\u00f3ria, com o objetivo de que essa seja uma aprendizagem para toda a vida; de que conhecer o passado para compreender o presente e construir o futuro proporcione um senso de pertencimento. O texto \u00e9 um convite para analisar o tema a partir de diferentes perspectivas: como cidad\u00e3o que vive, convive, protege e preserva o patrim\u00f4nio; como estudante de hist\u00f3ria e o valor atribu\u00eddo aos objetos, monumentos, manifesta\u00e7\u00f5es culturais e at\u00e9 mesmo \u00e0s personalidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, nesse sentido, o livro estimula o leitor a refletir sobre como aprendeu e como deve continuar aprendendo sobre hist\u00f3ria e patrim\u00f4nio. Como professor de Hist\u00f3ria, considero que se trata de um convite para conhecer as estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas e os aspectos que entram em jogo na sala de aula para que os alunos aprendam sobre hist\u00f3ria e patrim\u00f4nio e, com isso, contribuam para o reconhecimento do patrim\u00f4nio material e imaterial.<\/p>\n\n\n\n<p>O leitor encontrar\u00e1 exemplos para aproximar os alunos da aprendizagem do patrim\u00f4nio cultural; o que, consequentemente, permite que os alunos aprendam a valorizar e respeitar o patrim\u00f4nio de suas comunidades. Prop\u00f5e-se que, por meio do patrim\u00f4nio cultural, os professores encontrem a possibilidade de refor\u00e7ar sua forma\u00e7\u00e3o e consigam ampliar sua participa\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o de atividades de aprendizagem em torno de dois eixos principais: a cultura e o passado. Como professor, seja no ensino fundamental, m\u00e9dio ou superior, <em>Educa\u00e7\u00e3o, patrim\u00f4nio e hist\u00f3ria: reflex\u00f5es sobre a interpreta\u00e7\u00e3o, o ensino da cultura e do passado<\/em> convida \u00e0 reflex\u00e3o sobre o ensino da hist\u00f3ria, os conte\u00fados e as estrat\u00e9gias que s\u00e3o colocadas em pr\u00e1tica; al\u00e9m de divulgar recursos adicionais que incorporam em suas atividades pedag\u00f3gicas com os alunos e suas estrat\u00e9gias, para que sejam tomados como exemplo e adaptados \u00e0s necessidades espec\u00edficas de cada contexto.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao patrim\u00f4nio cultural, em cada um dos cap\u00edtulos, os autores apresentam sua defini\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio material e imaterial. S\u00e3o apresentados exemplos desse patrim\u00f4nio, enfatizando que ele pertence a cada um dos habitantes daquele territ\u00f3rio, sendo o que lhe confere identidade, como \u00e9 o caso dos monumentos, eventos hist\u00f3ricos e festas patronais. Todos contribuem para criar esse patrim\u00f4nio e valoriz\u00e1-lo; por isso, \u00e9 importante preserv\u00e1-lo e poder apreci\u00e1-lo nos monumentos, nas reprodu\u00e7\u00f5es que temos nos museus ou nas imagens que foram registradas em diferentes suportes. Um aspecto que contribuiria muito seria incluir exemplos de outras regi\u00f5es da Rep\u00fablica Mexicana, j\u00e1 que os cap\u00edtulos se concentram nas manifesta\u00e7\u00f5es culturais do centro e do sul do nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, ao longo do livro tamb\u00e9m se fala sobre aqueles que preservam o patrim\u00f4nio e se faz alus\u00e3o ao arquivo e aos respons\u00e1veis por esses documentos, pois s\u00e3o eles que decidem o que fica e o que n\u00e3o fica, ou seja, o que vai perdurar ao longo do tempo. \u00c9 gra\u00e7as ao interesse de algumas pessoas em preservar os documentos que hoje temos bibliotecas com livros antigos, arquivos hist\u00f3ricos, museus e cole\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas, entre outras institui\u00e7\u00f5es, para registrar e salvaguardar esse patrim\u00f4nio. Institui\u00e7\u00f5es e documentos \u2014 sejam manuscritos, impressos, fotografias, filmes ou grava\u00e7\u00f5es sonoras \u2014 que tamb\u00e9m fazem parte do patrim\u00f4nio natural, bem como do arquitet\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo \u00e9 que os alunos identifiquem, explorem e reconhe\u00e7am o patrim\u00f4nio do nosso pa\u00eds para que, por sua vez, o valorizem e o conservem em arquivos, bibliotecas, fototecas e qualquer institui\u00e7\u00e3o especializada em patrim\u00f4nio. Todos esses documentos s\u00e3o muito valiosos, pois tamb\u00e9m incentivam o estudo de outros temas. Ali\u00e1s, mencionam-se as fotografias, mas existem outros suportes que s\u00e3o testemunhos da atividade educacional ao longo do tempo. As fotografias de locais que j\u00e1 n\u00e3o existem ou que mudaram com o passar do tempo, assim como os monumentos, s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia, pois, para quem viveu naquela \u00e9poca, relembrar \u00e9 reviver; para quem n\u00e3o viveu, como muitos dos que agora leem este texto, v\u00ea-los em fotografias permite constatar como a cidade, nossas escolas e, at\u00e9 mesmo, n\u00f3s mesmos mudamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa mesma linha, considero importante refletir sobre o patrim\u00f4nio digital: em muitos casos, temos fotografias porque elas eram impressas, mas hoje em dia as imagens s\u00e3o digitais: o que devemos fazer para preserv\u00e1-las e garantir que, daqui a cem anos, algu\u00e9m possa v\u00ea-las? Uma das tarefas \u00e9 evitar que elas desapare\u00e7am por causa dos suportes que a tecnologia torna obsoletos em pouco tempo. Essa preocupa\u00e7\u00e3o se relaciona com a acessibilidade ao patrim\u00f4nio: o que estamos deixando para as futuras gera\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas publica\u00e7\u00f5es de hoje?<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Adriana Mata Puente<\/em> \u00e9 doutora em Biblioteconomia e Estudos da Informa\u00e7\u00e3o pela Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico (<span class=\"small-caps\">unam<\/span>). \u00c9 reconhecida como professora em tempo integral com Perfil Desej\u00e1vel. Faz parte do Sistema Nacional de Pesquisadoras e Pesquisadores, 2022. Desde 2005, \u00e9 professora pesquisadora na Faculdade de Ci\u00eancias da Informa\u00e7\u00e3o da Universidade Aut\u00f4noma de San Luis Potos\u00ed (<span class=\"small-caps\">uaslp<\/span>). Sua pesquisa se concentra na leitura e nas bibliotecas p\u00fablicas e escolares, tanto no presente quanto no passado. Participou da coordena\u00e7\u00e3o de tr\u00eas livros (2019, 2021, 2022); \u00e9 coautora de um livro (2024), publicou oito artigos em revistas especializadas e 15 cap\u00edtulos de livros. Al\u00e9m disso, apresentou os avan\u00e7os de sua pesquisa em mais de 40 eventos nacionais e internacionais. Na \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos, orientou seis teses de mestrado e gradua\u00e7\u00e3o e ministrou disciplinas em cursos de mestrado e gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rese\u00f1a cr\u00edtica de una obra colectiva sobre educaci\u00f3n patrimonial: once cap\u00edtulos y catorce autores abordan c\u00f3mo ense\u00f1ar historia y patrimonio cultural mediante objetos, museos, fotograf\u00edas, memoria, identidad y enfoques decoloniales.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":40731,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[1602,1601,1603,926],"coauthors":[551],"class_list":["post-40738","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-10","tag-educacion-patrimonial","tag-ensenanza-de-la-historia","tag-museos","tag-patrimonio-cultural","personas-mata-puente-adriana","numeros-1554"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u00bfC\u00f3mo ense\u00f1ar o c\u00f3mo aprender historia? 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