{"id":40693,"date":"2026-09-21T15:00:00","date_gmt":"2026-09-21T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=40693"},"modified":"2026-09-21T14:02:56","modified_gmt":"2026-09-21T20:02:56","slug":"delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/","title":{"rendered":"Do div\u00e3 ao confession\u00e1rio: entrevista com Fernando M. Gonz\u00e1lez"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Entrevista com Fernando M. Gonz\u00e1lez | Do div\u00e3 ao confession\u00e1rio.\" width=\"580\" height=\"326\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yh9S42Ujfps?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">A entrevista com Fernando M. Gonz\u00e1lez \u00e9 o resultado de um di\u00e1logo sempre presente, mas que nunca se concretizou, entre um psicanalista e um padre-antrop\u00f3logo. Tudo come\u00e7ou h\u00e1 muitos anos, quando o padre, te\u00f3logo e antrop\u00f3logo Enrique Marroqu\u00edn conversou com o psicanalista, historiador e soci\u00f3logo durante um congresso realizado em Cuernavaca, Morelos, na d\u00e9cada de 1990. Entre uma cerveja e outra, Enrique Marroqu\u00edn comentou com Fernando como seria interessante escrever um artigo baseado em sua experi\u00eancia como confessor em duas comunidades t\u00e3o distantes quanto diferentes. Ele se referia a uma comunidade ind\u00edgena de Oaxaca e aos moradores da par\u00f3quia localizada bem em frente \u00e0 Plaza del Sol, um shopping center situado em uma \u00e1rea residencial de classe m\u00e9dia alta da cidade de Guadalajara.<\/p>\n\n\n\n<p>Enrique conversou com Fernando sobre os contrastes na percep\u00e7\u00e3o do que era considerado pecado, j\u00e1 que havia muitas diferen\u00e7as quanto ao que era necess\u00e1rio confessar ao padre em cada lugar; mas tamb\u00e9m quanto \u00e0 ideia de pecar ou n\u00e3o pecar entre homens e mulheres. Essa conversa informal levou \u00e0 ideia de que Enrique publicasse um artigo sobre o tema, desde que fossem respeitadas as mesmas regras \u00e9ticas que regem a produ\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o do trabalho acad\u00eamico: o anonimato. Fernando, que j\u00e1 fazia parte do Instituto de Pesquisas Sociais da Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico (<span class=\"small-caps\">(iis-unam)<\/span>, recomendou que ele publicasse o artigo na revista acad\u00eamica daquela institui\u00e7\u00e3o, revisasse o texto com anteced\u00eancia e se ofereceu para atuar como mediador.<\/p>\n\n\n\n<p>Enrique assumiu a tarefa e aplicou seus conhecimentos como antrop\u00f3logo \u00e0 sua experi\u00eancia como padre-confessor para construir narrativas de comunh\u00e3o a partir de estudos de caso de interesse, devido ao seu valor comparativo em termos de representa\u00e7\u00f5es culturais estruturadas por diferentes condi\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas, econ\u00f4micas, culturais, geracionais e de g\u00eanero. O artigo foi escrito e entregue \u00e0 <em>Revista Mexicana de Sociologia<\/em>, mas foi rejeitado pelo comit\u00ea editorial com o argumento de que consideravam pouco \u00e9tico publicar material proveniente do confession\u00e1rio. Infelizmente, n\u00e3o temos acesso ao artigo porque ningu\u00e9m possui uma c\u00f3pia dele; no entanto, podemos recorrer \u00e0 mem\u00f3ria para reconstruir seu valor heur\u00edstico e refletir tanto sobre o pr\u00f3prio caso quanto sobre as complexas rela\u00e7\u00f5es de diferencia\u00e7\u00e3o do conhecimento no \u00e2mbito acad\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 f\u00e1cil imaginar o dilema que esses h\u00edbridos geram, sobretudo em sociedades acad\u00eamicas como as mexicanas, que se desenvolvem em contextos de laicidade, nos quais \u201co religioso\u201d \u00e9 considerado um pensamento \u201csuspeito\u201d ou, pelo menos, pouco s\u00e9rio em meio \u00e0s exig\u00eancias do rigor cient\u00edfico. Al\u00e9m disso, tratava-se de um artigo cuja interseccionalidade gerava um produto \u201cintermedi\u00e1rio\u201d, ou seja, um produto h\u00edbrido, dif\u00edcil de classificar e, portanto, de valorizar e avaliar. Retomando Homi Bhabha, considero que reconstruir nesta entrevista o artigo que nunca foi publicado \u00e9 um exerc\u00edcio para refletir sobre o limite entre a cultura religiosa e a acad\u00eamica como um problema de enuncia\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de diferen\u00e7a cultural concentra-se no problema da ambival\u00eancia da autoridade cultural: a tentativa de dominar em nome de uma supremacia cultural que s\u00f3 se produz a si mesma no momento da diferencia\u00e7\u00e3o, e a pr\u00f3pria autoridade da cultura como conhecimento da verdade referencial est\u00e1 em jogo no conceito e no momento da enuncia\u00e7\u00e3o (Bhabha, 2002: 35).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O artigo que nunca foi publicado, mas deu origem a um di\u00e1logo interessante<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Em 2025, um grupo de acad\u00eamicos de Guadalajara se reuniu para organizar um col\u00f3quio que teria como tema central as contribui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e teol\u00f3gicas na obra e na trajet\u00f3ria de Enrique Marroqu\u00edn Zaleta, ao qual demos o t\u00edtulo de \u201cInterse\u00e7\u00f5es na obra de Enrique Marroqu\u00edn\u201d.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> Para este evento, foram convidados diversos acad\u00eamicos a refletir em voz alta sobre o desafio das interse\u00e7\u00f5es em seus trabalhos, tanto na converg\u00eancia entre diferentes campos acad\u00eamicos \u2013 como a filosofia da ci\u00eancia, a psicologia, a etnografia, a hist\u00f3ria, a educa\u00e7\u00e3o e a sociologia\u2014 quanto na encruzilhada entre o saber e o acreditar, nas interse\u00e7\u00f5es entre mundos culturalmente distantes e na compara\u00e7\u00e3o entre atividades especializadas \u2014como a terapia psicanal\u00edtica e o ato de confessar\u2014. Foi nessa \u00faltima conflu\u00eancia que a entrevista com Fernando Gonz\u00e1lez, que publicamos nesta edi\u00e7\u00e3o da revista, fez sentido <em>Encartes<\/em>. Como, infelizmente, ele n\u00e3o p\u00f4de estar presente no evento, foi realizada uma atividade na qual foi exibido o v\u00eddeo da entrevista com Fernando Gonz\u00e1lez e, em seguida, Enrique Marroqu\u00edn (que estava presente) retomou o tema abordado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender a import\u00e2ncia desse di\u00e1logo, \u00e9 preciso apresentar os dois. Fernando Gonz\u00e1lez \u00e9 psicanalista e historiador de institui\u00e7\u00f5es religiosas; fez seu doutorado em an\u00e1lise institucional sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor Ren\u00e9 Loureau na Universidade de Paris. Atualmente, \u00e9 pesquisador titular do <span class=\"small-caps\">iis-unam <\/span>e membro em\u00e9rito do Sistema Nacional de Pesquisadoras e Pesquisadores (Secretaria de Ci\u00eancia, Humanidades, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, Secihti). \u00c9 autor de diversos livros que, ao longo de sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica, revelaram sil\u00eancios guardados pela institui\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica e que abordam temas delicados, inclusive aqueles considerados tabus. Alguns dos t\u00edtulos de seus livros s\u00e3o os seguintes:&nbsp;<em>Una historia sencilla<\/em>: <em>a morte acidental de um cardeal<\/em>&nbsp;(1996), que aborda o assassinato do cardeal Juan Jes\u00fas Posadas, arcebispo de Guadalajara, caso no qual a Igreja foi associada ao tr\u00e1fico de drogas. <em>De matar y morir por Cristo Rey<\/em>&nbsp;(2001), um texto que desmistifica a imagem dos cristeros como v\u00edtimas da hist\u00f3ria, mostrando o lado oposto do mart\u00edrio: a disposi\u00e7\u00e3o para matar. <em>Marcial Maciel. Os Legion\u00e1rios de Cristo: depoimentos e documentos in\u00e9ditos<\/em>&nbsp;(2006). Este livro foi um marco, pois analisa o perfil criminoso do padre Maciel com base nos depoimentos daqueles que sofreram abusos sexuais por parte de seu orientador religioso. <em>A Igreja do sil\u00eancio: sobre m\u00e1rtires e ped\u00f3filos<\/em>&nbsp;(2009), um texto que traz \u00e0 tona documentos que o Vaticano mantinha sobre o caso de abuso sexual infantil envolvendo o padre Maciel e que revela a cumplicidade da Igreja que o protegeu por v\u00e1rias d\u00e9cadas. Em <em>Crise de f\u00e9. Psican\u00e1lise no Mosteiro de Santa Maria da Ressurrei\u00e7\u00e3o, 1961-1968 <\/em>(2011), Gonz\u00e1lez apresenta um caso extremamente interessante em que a psican\u00e1lise promovida por Iv\u00e1n Illich leva uma congrega\u00e7\u00e3o religiosa \u00e0 crise. Por fim, <em>Cuando un futuro se disuelve: de identidades trastocadas y radicalizaciones no previstas<\/em> (M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">iis-unam<\/span>, (2023) \u00e9 um livro que aborda o tema dos movimentos secretos do radicalismo crist\u00e3o e sua alian\u00e7a com a guerrilha dos anos 70. Em suma, Fernando \u00e9 um estudioso perspicaz que busca fazer a hist\u00f3ria falar por meio de temas controversos ou, como ele mesmo definiu, \u201cpensando onde d\u00f3i\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, Enrique Marroqu\u00edn \u00e9 um religioso da ordem claretiana que, do ponto de vista teol\u00f3gico, ultrapassou as fronteiras mission\u00e1rias. Um de seus livros mais famosos, que chegou a se tornar um texto de refer\u00eancia, \u00e9 <em>A contracultura como forma de protesto<\/em>, em que a miss\u00e3o crist\u00e3 do claretiano levou ao acompanhamento de movimentos contraculturais, como o movimento hippie mexicano, por ele denominado <em>jipiteca <\/em>para diferenci\u00e1-los dos hippies americanos, ressaltando que os <em>jipitecas<\/em> eram uma hibridiza\u00e7\u00e3o cultural que buscava encontrar sentido nas tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas<em>. <\/em>O <em>rocha<\/em>, a medita\u00e7\u00e3o transcendental e o consumo de plantas sagradas n\u00e3o eram incompat\u00edveis com a experi\u00eancia m\u00edstica que ele promovia. Incentivado pelas mudan\u00e7as do Conc\u00edlio Vaticano <span class=\"small-caps\">ii<\/span>, Enrique mantinha contato com intelectuais e artistas da contracultura no M\u00e9xico. Ele incorporou o <em>rocha<\/em> \u00e0 Eucaristia, e suas prega\u00e7\u00f5es misturavam mensagens crist\u00e3s com temas pr\u00f3prios da contracultura.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, Enrique passou a se envolver com o movimento da teologia da liberta\u00e7\u00e3o, trabalhando em estreita colabora\u00e7\u00e3o com comunidades de base em bairros e vilarejos do estado de Puebla. Al\u00e9m disso, escreveu livros nos quais o tema da incultura\u00e7\u00e3o \u00e9 central, como foi o caso de <em>A cruz messi\u00e2nica: abordagens ao sincretismo de Oaxaca<\/em> (1986) e outros, nos quais ele desenvolvia as implica\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas, apostando na constru\u00e7\u00e3o social de um mundo com valores, conforme se l\u00ea em<em> Outro mundo \u00e9 poss\u00edvel: justi\u00e7a, paz e integridade na cria\u00e7\u00e3o e na vida consagrada <\/em>(2006)<em>. <\/em>Enrique tamb\u00e9m foi pioneiro em romper as fronteiras entre o conhecimento cient\u00edfico, human\u00edstico e teol\u00f3gico. Embora fosse um padre ordenado, sua pr\u00e1tica combinava a de um agente religioso com a de um antrop\u00f3logo. Em 1980, estudou Antropologia na Benem\u00e9rita Universidade Aut\u00f4noma de Puebla (<span class=\"small-caps\">buap<\/span>) e, posteriormente, concluiu seu doutorado na Universidade Aut\u00f4noma Metropolitana (<span class=\"small-caps\">uam<\/span>)-Xochimilco. Por um lado, o meio acad\u00eamico exigia dele um puritanismo cognitivo, no qual os professores defendiam a objetividade como um conhecimento livre de cren\u00e7as. Naquela \u00e9poca, a religi\u00e3o era considerada uma ideologia, e esperava-se que a pesquisa de campo e sua an\u00e1lise n\u00e3o fossem influenciadas por cren\u00e7as. Sua tese de doutorado abordou o tema de <em>O conflito religioso em Oaxaca, 1976-1992, <\/em>um estudo pioneiro e \u00fanico no campo da antropologia do religioso no M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perguntas que orientaram o di\u00e1logo: dilemas morais entre o meio acad\u00eamico e a religi\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Antes de iniciar as perguntas, convidei ambos a refletir sobre os dilemas \u00e9ticos de publicar resultados de estudos de casos cl\u00ednicos em psican\u00e1lise e das confiss\u00f5es feitas dentro de um templo. Embora ambos respeitassem o princ\u00edpio \u00e9tico de proteger a identidade dos informantes, publicando sob o sigilo do anonimato, esse aspecto n\u00e3o era o \u00fanico ponto de conflito \u00e9tico que obscurecia ou questionava o que seria pass\u00edvel de publica\u00e7\u00e3o. O artigo foi rejeitado sob o argumento de falta de \u00e9tica, pois os casos decorriam do ato da confiss\u00e3o, embora muitas revistas publiquem artigos psicanal\u00edticos cujos casos foram conduzidos em contextos terap\u00eauticos e n\u00e3o sejam frutos de entrevistas acad\u00eamicas. Por isso, achei interessante refletir sobre o que faz com que o primeiro n\u00e3o seja considerado v\u00e1lido no mundo \u201cacad\u00eamico\u201d, enquanto o segundo, sim.<\/p>\n\n\n\n<p>Considero que o que aconteceu com este artigo in\u00e9dito representa uma oportunidade para dar in\u00edcio a uma reflex\u00e3o no campo das ci\u00eancias sociais e sobre as raz\u00f5es (representa\u00e7\u00f5es ou <em>habitus,<\/em> (como diria Pierre Bourdieu) pelas quais uma revista acad\u00eamica rejeita um trabalho e aceita outros. Perguntei se seria o caso de, nesse campo, ainda influenciar uma mentalidade jacobina ou, ao contr\u00e1rio, uma concep\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica do segredo de confiss\u00e3o que se estende ao meio acad\u00eamico, levando a consider\u00e1-lo uma quest\u00e3o anti\u00e9tica. A primeira parte da entrevista girou em torno dos dilemas e da recusa \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do texto, relembrando quais foram os argumentos para n\u00e3o public\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na entrevista, s\u00e3o retomadas v\u00e1rias quest\u00f5es que me pareceram fundamentais para compreender as tens\u00f5es entre a interse\u00e7\u00e3o de um objeto de estudo pouco abordado e subvalorizado, como o pecado e a confiss\u00e3o, buscando explorar \u2014 al\u00e9m da mera anedota, que por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 interessante \u2014 as tens\u00f5es estruturadas entre os campos. Por que se decidiu n\u00e3o publicar em uma revista acad\u00eamica material proveniente do campo religioso? Por que o pecado quase nunca \u00e9 considerado um objeto de estudo? Por que ele pode ser menosprezado?<\/p>\n\n\n\n<p>Gostaria de propor a import\u00e2ncia de estudar de forma cr\u00edtica e comparativa os conte\u00fados socialmente situados das narrativas sobre o pecado, uma vez que isso poderia levar \u00e0 sua desuniversaliza\u00e7\u00e3o, introduzindo o reconhecimento e a an\u00e1lise situacional das concep\u00e7\u00f5es heterog\u00eaneas dos pecados de acordo com diferentes culturas. Por outro lado, o artigo poderia desconstruir o pecado como algo absoluto, mostrando gradua\u00e7\u00f5es do ato de pecar, pois h\u00e1 pecados que t\u00eam mais peso do que outros: alguns merecem ser punidos e outros n\u00e3o; alguns merecem ser confessados e outros n\u00e3o. Quais s\u00e3o as tens\u00f5es que se apresentam entre a moral do pecado e a moral do delito, que nem sempre aparecem como sin\u00f4nimos e que, inclusive, podem apresentar pontos de tens\u00e3o ou de conflito?<\/p>\n\n\n\n<p>Essas reflex\u00f5es e as perguntas que serviram de base para o di\u00e1logo foram enviadas previamente tanto a Fernando Gonz\u00e1lez quanto a Enrique Marroqu\u00edn. Entrei em contato com Fernando e nos reunimos para gravar a entrevista em uma sala do <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span> Ocidente. Em uma conversa informal, a entrevista seguiu seu curso. Come\u00e7ou com a reconstitui\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es do artigo, tentando reconstruir o encontro entre Enrique Marroqu\u00edn e Fernando, o conte\u00fado e a contribui\u00e7\u00e3o do artigo escrito e a trajet\u00f3ria de sua rejei\u00e7\u00e3o editorial. Um dos temas abordados foi o conceito de \u201cpecado\u201d, no qual Fernando explica como a proposta do artigo de Marroqu\u00edn relativizava a universalidade do pecado ao enfocar sua concep\u00e7\u00e3o social, que se manifesta de maneiras diferentes de acordo com g\u00eanero, etnia, classe social e idade. A economia pol\u00edtica do pecado \u00e9 um tema muito importante que tem sido pouco abordado. A conversa tamb\u00e9m abordou os contrastes entre a confiss\u00e3o e a terapia psicanal\u00edtica, levando em conta as diferen\u00e7as no espa\u00e7o (confesional\/div\u00e3) e as posturas corporais nesses espa\u00e7os (ajoelhado\/deitado).<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, Enrique Marroqu\u00edn me enviou por correio um texto com suas reflex\u00f5es sobre o artigo que nunca foi publicado e sobre os dilemas morais do di\u00e1logo entre um psicanalista e um confessor. Esse texto foi lido pelo pr\u00f3prio autor durante o evento. Voltarei a esse ponto <span class=\"small-caps\">iii:<\/span> \u201cMinhas confiss\u00f5es em Morelia\u201d e citarei apenas um trecho do livro para contextualizar a entrevista nesta troca de ideias:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">A partir de um \u201crelativismo cultural\u201d mal interpretado,<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> E, ao n\u00e3o aceitarem que a Igreja Cat\u00f3lica se reserve o direito de decidir sobre a moral de toda a sociedade, os pesquisadores sociais t\u00eam dado pouca aten\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura moral. Mas, por n\u00e3o conhecerem a pr\u00e1tica moral realmente existente no local em que pretendem atuar, muitas atitudes e comportamentos culturais lhes escapam.<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> A moral se entrela\u00e7a com outras disciplinas, tais como a \u00e9tica filos\u00f3fica, a psican\u00e1lise (sentimento de culpa), as teologias morais ou as religi\u00f5es comparadas. No M\u00e9xico e em outros pa\u00edses de maioria crist\u00e3, a moralidade proclamada costuma ser aquela pregada pelas igrejas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por uma quest\u00e3o de espa\u00e7o, farei uma s\u00edntese de algumas das ideias desenvolvidas em seu texto, j\u00e1 que este ultrapassa dez folhas. Vou me concentrar em fazer refer\u00eancia \u00e0 parte em que Enrique aborda a hist\u00f3ria do artigo nunca publicado e a compara\u00e7\u00e3o entre um confessor e um psicanalista.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do texto, ele explica que a ideia do di\u00e1logo com seu amigo e colega Fernando Gonz\u00e1lez surgiu h\u00e1 alguns anos. Ele lembra que, naquela \u00e9poca, Enrique havia realizado tr\u00eas amostragens sociom\u00e9tricas de suas confiss\u00f5es: uma na cidade de Oaxaca, outra em um vilarejo daquele estado e a \u00faltima em Guadalajara. Ele compartilhou seu trabalho com Fernando, que sugeriu estabelecer um di\u00e1logo entre um psicanalista e um confessor. A ideia acordada por ambos foi come\u00e7ar pelos pr\u00f3prios dispositivos cenogr\u00e1ficos: o div\u00e3 e o confession\u00e1rio antigo. Segundo Enrique, eles elaboraram juntos o artigo e o enviaram para a <em>Revista Mexicana de Sociolog\u00eda, <\/em>que n\u00e3o o publicou, alegando que o tema n\u00e3o era de compet\u00eancia da sociologia e argumentando que seria melhor que aquele padre se dedicasse a confessar e n\u00e3o a bancar o soci\u00f3logo. Enrique lamenta que j\u00e1 n\u00e3o seja poss\u00edvel recuperar o artigo porque ele se perdeu, mas se oferece para tentar novamente, analisando uma amostra de confiss\u00f5es da par\u00f3quia em Morelia, onde atualmente exerce o minist\u00e9rio sacerdotal.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto apresenta uma compara\u00e7\u00e3o entre confessores e psicanalistas. Sobre os primeiros, afirma que s\u00e3o padres e que \u201cn\u00e3o gostam de confessar\u201d, principalmente quando s\u00e3o padres jovens. Descreve que, atualmente, faltam confessores na Igreja e que, na maioria das situa\u00e7\u00f5es, \u201ca confiss\u00e3o em nossas par\u00f3quias \u00e9 desagrad\u00e1vel e tediosa; h\u00e1 uma grande fila de penitentes aguardando, sem permitir que o confessor sequer se levante\u201d. Em contrapartida, considera que \u201co psicanalista cobra caro e \u00e9 procurado pelas classes abastadas\u201d e comenta que desconhece como s\u00e3o avaliadas as experi\u00eancias de psican\u00e1lise em grupo. Ele ressalta que \u201co confessor precisa ser um pouco terapeuta, te\u00f3logo, fil\u00f3sofo \u00e9tico e acompanhante\u201d; acrescenta que tamb\u00e9m deve ser resiliente, pois \u201cdeve saber ouvir, dar ao penitente <em>o tempo <\/em>\u201do que ele realmente precisa\u201c, ao contr\u00e1rio do psicanalista, que \u201dtem sua sess\u00e3o com hor\u00e1rio marcado, com dura\u00e7\u00e3o definida e cobrada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele reconhece que \u201co confessor tem pouca prepara\u00e7\u00e3o\u201d, pois nos semin\u00e1rios os alunos geralmente n\u00e3o s\u00e3o bem instru\u00eddos nessa pr\u00e1tica. Ele lembra que antigamente era diferente, pois os padres atendiam mensalmente em suas comunidades um \u201ccaso de moral\u201d, que era representado por personagens fict\u00edcios e, em grupo, discutia-se o julgamento moral e a resposta adequada do confessor. Ele lamenta que essa pr\u00e1tica tenha ca\u00eddo em desuso, em parte devido \u00e0 falta de voca\u00e7\u00f5es. Por outro lado, ele considera que, atualmente, o psican\u00e1lise \u00e9 uma \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o formalmente reconhecida no \u00e2mbito acad\u00eamico e at\u00e9 mesmo cl\u00ednico.<\/p>\n\n\n\n<p>No texto, Enrique incluiu um novo exerc\u00edcio para o estudo das representa\u00e7\u00f5es do pecado; no entanto, por quest\u00f5es de extens\u00e3o e autoria, limitarei-me a mencionar que espero que o exerc\u00edcio reflexivo \u2014 que permite elaborar um cat\u00e1logo comparativo do que os fi\u00e9is de uma par\u00f3quia localizada em um bairro de classe m\u00e9dia em Morelia costumam confessar (presume-se que se deva confessar aquilo que \u00e9 considerado pecado grave) seja publicado em breve; mas tamb\u00e9m que seja abordado o tema dos pecados que s\u00e3o ignorados em certos grupos e setores sociais. A compara\u00e7\u00e3o mostra que os diferentes <em>habitus<\/em><a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> determinados por estruturas de g\u00eanero, classe social e idade, moldam e hierarquizam as no\u00e7\u00f5es morais do que, para os cat\u00f3licos, \u00e9 ou n\u00e3o considerado pecado \u2014 e isso n\u00e3o \u00e9 o mesmo para homens e mulheres, nem para aqueles que ocupam certos pap\u00e9is de autoridade na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Convidamos voc\u00eas a assistir e ouvir a entrevista com Fernando Gonz\u00e1lez na se\u00e7\u00e3o multim\u00eddia do <em>Encartes<\/em>, e esperamos poder publicar em breve o texto \u201cConfiss\u00f5es em Morelia\u201d, de Enrique Marroqu\u00edn.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Bhabha, Homi (2002). <em> El lugar de la cultura.<\/em> Buenos Aires: Manantial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Bourdieu, Pierre (1990). <em>Sociolog\u00eda de la cultura.<\/em> M\u00e9xico: Grijalbo\/Conaculta<span class=\"small-caps\">.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Gonz\u00e1lez, Fernando M. (1996).<em> Una historia sencilla<\/em>:&nbsp;<em>la muerte accidental&nbsp;de un cardenal. <\/em>M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">unam<\/span>\/Plaza y Vald\u00e9s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2001). <em>De matar y morir por Cristo Rey<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">unam<\/span>\/Plaza y Vald\u00e9s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2006). <em>Marcial Maciel. Los legionarios de Cristo: testimonios y documentos&nbsp;in\u00e9ditos.<\/em> M\u00e9xico: Tusquets.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2011).<em> Crisis&nbsp;de fe. Psicoan\u00e1lisis en el Monasterio de Santa Mar\u00eda de la Resurrecci\u00f3n 1961-1968. <\/em>Ciudad de M\u00e9xico: Tusquets.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2009). <em>La Iglesia del silencio: de m\u00e1rtires a pederastas<\/em>. M\u00e9xico: Tusquets.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2023).<em> Cuando un futuro se disuelve: de identidades trastocadas y radicalizaciones no previstas<\/em>. Ciudad de M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">iis-unam<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Ren\u00e9e de la Torre Castellanos<\/em> \u00e9 doutora em Antropologia Social pelo Centro de Pesquisas e Estudos Superiores em Antropologia Social (<span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>) e a Universidade de Guadalajara. Membro do <span class=\"small-caps\">snii<\/span> n\u00edvel <span class=\"small-caps\">iii<\/span> e da Academia Nacional de Ci\u00eancias. Professora pesquisadora do <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span> Ocidente. Cofundadora da Rede de Pesquisadores do Fen\u00f4meno Religioso no M\u00e9xico (<span class=\"small-caps\">rifrem<\/span>). Durante sua carreira de pesquisador, ele se dedicou ao estudo da diversidade religiosa no M\u00e9xico; ao estudo de novos movimentos religiosos; ao surgimento de espiritualidades alternativas, como a <em>nova era<\/em> e a \u201cneomexicanidade\u201d; mais recentemente, tem investigado as din\u00e2micas de transnacionaliza\u00e7\u00e3o das dan\u00e7as rituais astecas e da religiosidade popular. Realizou mais de uma dezena de exposi\u00e7\u00f5es de fotografia etnogr\u00e1fica. Entre suas publica\u00e7\u00f5es mais recentes, destaca-se o livro <em>Varia\u00e7\u00f5es latino-americanas do new age<\/em>. M\u00e9xico:<span class=\"small-caps\"> ciesas<\/span>, 2013; publicado em ingl\u00eas <em>Nova Era na Am\u00e9rica Latina. Varia\u00e7\u00f5es populares e apropria\u00e7\u00f5es de etnias<\/em>, 2016. Autora de \u201cCatolicismo ultrabarroco: imagens multiplicadas e s\u00edmbolos religiosos descentrados\u201d, <em>B\u00fassola Social<\/em> (2016); coautora dos seguintes artigos: \u201cRoutes et sens postcoloniaux de la transnationalisation religieuse\u201d, <em>N\u00edvel Mundial<\/em> (2016); Estudos religiosos na Am\u00e9rica Latina, <em>Revis\u00e3o Anual de Sociologia<\/em> (2016); \"The temazcal: a pre-Hispanic ritual transculturalised by alternative spiritual networks\" [O temazcal: um ritual pr\u00e9-hisp\u00e2nico transculturalizado por redes espirituais alternativas], <em>Ci\u00eancias Sociais e Religi\u00e3o<\/em> (2016) e \"Religion and Rescaling: How Santo Toribio Put Santa Ana on the Global Religious Map\" (Religi\u00e3o e redimensionamento: como Santo Toribio colocou Santa Ana no mapa religioso global), <em>Sociologia atual<\/em> (2016). https:\/\/orcid.org\/0000-0003-3914-4805<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista de Ren\u00e9e de la Torre com o psicanalista Fernando M. Gonz\u00e1lez sobre um artigo in\u00e9dito, rejeitado por motivos \u00e9ticos, que comparava a confiss\u00e3o cat\u00f3lica com a terapia psicanal\u00edtica. A conversa explora as tens\u00f5es entre religi\u00e3o e meio acad\u00eamico e as narrativas culturais sobre o pecado.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":40708,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"coauthors":[551],"class_list":["post-40693","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-12","personas-gonzalez-gonzalez-fernando-manuel","personas-torre-castellanos-renee-de-la","numeros-1554"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Desde el div\u00e1n al confesionario: entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez sobre psicoan\u00e1lisis, confesi\u00f3n y un art\u00edculo in\u00e9dito escrito con Enrique Marroqu\u00edn.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Desde el div\u00e1n al confesionario: entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez &#8211; Encartes\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez sobre psicoan\u00e1lisis, confesi\u00f3n y un art\u00edculo in\u00e9dito escrito con Enrique Marroqu\u00edn.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Encartes\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/RevistaEncartes\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-09-21T21:00:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-09-21T20:02:56+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maxresdefault.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1280\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"720\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"15 minutos\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label3\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data3\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/\"},\"author\":{\"name\":\"Arthur Ventura\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef\"},\"headline\":\"Desde el div\u00e1n al confesionario: entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez\",\"datePublished\":\"2026-09-21T21:00:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-09-21T20:02:56+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/\"},\"wordCount\":3588,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maxresdefault.jpg\",\"articleSection\":[\"Entrevistas\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/\",\"name\":\"Desde el div\u00e1n al confesionario: entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez &#8211; Encartes\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maxresdefault.jpg\",\"datePublished\":\"2026-09-21T21:00:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-09-21T20:02:56+00:00\",\"description\":\"Entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez sobre psicoan\u00e1lisis, confesi\u00f3n y un art\u00edculo in\u00e9dito escrito con Enrique Marroqu\u00edn.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maxresdefault.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maxresdefault.jpg\",\"width\":1280,\"height\":720},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/encartes.mx\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Desde el div\u00e1n al confesionario: entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#website\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/\",\"name\":\"Encartes\",\"description\":\"Revista digital multimedia\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/encartes.mx\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#organization\",\"name\":\"Revist Encartes\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/cropped-logo-nuevo-ama-202506.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/cropped-logo-nuevo-ama-202506.png\",\"width\":512,\"height\":512,\"caption\":\"Revist Encartes\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/RevistaEncartes\/\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef\",\"name\":\"Arthur Ventura\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/image\/8a45818ea77a67a00c058d294424a6f6\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g\",\"caption\":\"Arthur Ventura\"}}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Desde el div\u00e1n al confesionario: entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez &#8211; Encartes","description":"Entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez sobre psicoan\u00e1lisis, confesi\u00f3n y un art\u00edculo in\u00e9dito escrito con Enrique Marroqu\u00edn.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Desde el div\u00e1n al confesionario: entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez &#8211; Encartes","og_description":"Entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez sobre psicoan\u00e1lisis, confesi\u00f3n y un art\u00edculo in\u00e9dito escrito con Enrique Marroqu\u00edn.","og_url":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/","og_site_name":"Encartes","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/RevistaEncartes\/","article_published_time":"2026-09-21T21:00:00+00:00","article_modified_time":"2026-09-21T20:02:56+00:00","og_image":[{"width":1280,"height":720,"url":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maxresdefault.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Arthur Ventura","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Arthur Ventura","Est. tempo de leitura":"15 minutos","Written by":"Arthur Ventura"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/"},"author":{"name":"Arthur Ventura","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef"},"headline":"Desde el div\u00e1n al confesionario: entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez","datePublished":"2026-09-21T21:00:00+00:00","dateModified":"2026-09-21T20:02:56+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/"},"wordCount":3588,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maxresdefault.jpg","articleSection":["Entrevistas"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/","url":"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/","name":"Desde el div\u00e1n al confesionario: entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez &#8211; Encartes","isPartOf":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maxresdefault.jpg","datePublished":"2026-09-21T21:00:00+00:00","dateModified":"2026-09-21T20:02:56+00:00","description":"Entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez sobre psicoan\u00e1lisis, confesi\u00f3n y un art\u00edculo in\u00e9dito escrito con Enrique Marroqu\u00edn.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#primaryimage","url":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maxresdefault.jpg","contentUrl":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maxresdefault.jpg","width":1280,"height":720},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/encartes.mx\/delatorre-entrevista-fernando-gonzalez-divan\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/encartes.mx\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Desde el div\u00e1n al confesionario: entrevista con Fernando M. Gonz\u00e1lez"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#website","url":"https:\/\/encartes.mx\/","name":"Encartes","description":"Revista multim\u00eddia digital","publisher":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/encartes.mx\/?s={search_term_string}"},"query-input":"required name=search_term_string"}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#organization","name":"Revist Encartes","url":"https:\/\/encartes.mx\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/cropped-logo-nuevo-ama-202506.png","contentUrl":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/cropped-logo-nuevo-ama-202506.png","width":512,"height":512,"caption":"Revist Encartes"},"image":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/RevistaEncartes\/"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef","name":"Arthur Ventura","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/image\/8a45818ea77a67a00c058d294424a6f6","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g","caption":"Arthur Ventura"}}]}},"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maxresdefault.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40693","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40693"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40693\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40795,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40693\/revisions\/40795"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40693"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=40693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}