{"id":40049,"date":"2025-09-22T10:00:49","date_gmt":"2025-09-22T16:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=40049"},"modified":"2025-09-19T15:00:57","modified_gmt":"2025-09-19T21:00:57","slug":"apipilhuasco-bisagra-fenomeno-religioso-diversidad-mexico-contemporaneo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/apipilhuasco-bisagra-fenomeno-religioso-diversidad-mexico-contemporaneo\/","title":{"rendered":"A dobradi\u00e7a no fen\u00f4meno religioso: a diversidade do sagrado no M\u00e9xico contempor\u00e2neo"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">Sou grato ao Programa de Bolsas de P\u00f3s-Doutorado do <span class=\"small-caps\">unam<\/span>e ao meu orientador, Dr. David de \u00c1ngel Garc\u00eda, por seu apoio.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\"><em>Da religiosidade vivida \u00e0 religiosidade de dobradi\u00e7a. Experi\u00eancias do sagrado no M\u00e9xico contempor\u00e2neo.<\/em> Nahayeilli Ju\u00e1rez Huet, Ren\u00e9e de la Torre, Cristina Guti\u00e9rrez Z\u00fa\u00f1iga (coordenadoras). Cidade do M\u00e9xico: Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropolog\u00eda Social, 2023, 809 pp. <span class=\"small-caps\">isbn<\/span>: 978-607-486-677-3<\/p>\n\n\n\n<p>No livro <em>Da religiosidade vivida \u00e0 religiosidade de base<\/em>A autora, a Ph.D. e as coordenadoras Nahayeilli Ju\u00e1rez, Ren\u00e9e de la Torre e Cristina Guti\u00e9rrez compartilham conosco uma pesquisa de longo alcance - de \u00e2mbito nacional e dimens\u00e3o plural - sobre a subjetividade da vida religiosa e sua diversidade no M\u00e9xico contempor\u00e2neo, na qual elementos quantitativos e m\u00e9todos qualitativos s\u00e3o usados para fornecer uma an\u00e1lise poderosa para entender a pluralidade religiosa por meio de dois conceitos e metodologias fundamentais: religiosidade vivida e religiosidade de charneira. Esses conceitos tamb\u00e9m s\u00e3o aplicados e analisados por 21 pesquisadores com experi\u00eancia em diferentes religi\u00f5es, cujo trabalho, juntamente com o dos coordenadores, comp\u00f5e o corpo do livro.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro como um todo desafia o leitor de v\u00e1rias maneiras, desde a esfera existencial (que considera a <em>homo religiosus<\/em> O primeiro \u00e9 como pesquisadores no que diz respeito \u00e0s suas pr\u00f3prias metodologias, \u00e0s formas como se relacionam com seus interlocutores e \u00e0 sua voz no trabalho etnogr\u00e1fico; e o segundo \u00e9 como uma proposta relevante nos estudos religiosos - principalmente sociol\u00f3gicos e antropol\u00f3gicos - que traz para a mesa a discuss\u00e3o nas ci\u00eancias sociais sobre estrutura e ag\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Dada a complexidade e a extens\u00e3o do texto, esta resenha est\u00e1 dividida em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es: a primeira se\u00e7\u00e3o apresenta a proposta geral dos coordenadores; a segunda apresenta como o livro \u00e9 articulado em seus 27 cap\u00edtulos; e, por fim, a terceira se\u00e7\u00e3o exp\u00f5e algumas resson\u00e2ncias da proposta te\u00f3rica da dobradi\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a conceitos de inspira\u00e7\u00e3o latouriana, como n\u00f3 e incerteza ontol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pesquisa extraordin\u00e1ria<\/h2>\n\n\n\n<p>Em termos gerais, este livro \u00e9 o resultado do trabalho de pesquisa anterior dos coordenadores.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> Desde 2017, eles t\u00eam estudado a diversidade religiosa no M\u00e9xico com base em fontes quantitativas, como os censos do Instituto Nacional de Estat\u00edstica, Geografia e Inform\u00e1tica (<span class=\"small-caps\">inegi<\/span>) e a Pesquisa Nacional de Cren\u00e7as e Pr\u00e1ticas Religiosas (Encreer, 2016), com base nos quais eles exp\u00f5em a reconfigura\u00e7\u00e3o do campo religioso no M\u00e9xico como um processo lento, mas sustentado (p. 21). Seu interesse \u00e9 explicar as \"diferentes formas de viver a religiosidade no M\u00e9xico, em que a religiosidade \u00e9 diversa e representa estruturas de diferencia\u00e7\u00e3o cultural\" (p. 21). Um de seus objetivos \u00e9 contribuir para uma cultura de aceita\u00e7\u00e3o, aprecia\u00e7\u00e3o e respeito pela diversidade religiosa (p. 21).<\/p>\n\n\n\n<p>Os coordenadores est\u00e3o interessados em saber como as pessoas vivem sua religiosidade e o sagrado, a partir da vida cotidiana e da materialidade, como a constroem a partir de diferentes l\u00f3gicas culturais e religiosas e as decis\u00f5es que tomam a partir de sua hist\u00f3ria biogr\u00e1fica e como sujeitos situados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 classe social, ao g\u00eanero e \u00e0 faixa et\u00e1ria, entre outros. Portanto, eles enfatizam a experi\u00eancia do sujeito que est\u00e1 dentro da estrutura ou \u00e0 margem da religi\u00e3o em termos da institui\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o a determina. Aqui, a estrutura ou o sistema religioso n\u00e3o atua como um marco interpretativo para a a\u00e7\u00e3o dos atores religiosos, mas permite que os atores orientem e mostrem as m\u00faltiplas formas de construir o religioso a partir de sua experi\u00eancia de vida (encruzilhadas, crises, adversidades, posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, dissid\u00eancias, cr\u00edticas, entre outras) e como isso n\u00e3o \u00e9 vivido no abstrato, mas a partir da materialidade (objetos, lugares, espa\u00e7os, o corpo, ora\u00e7\u00f5es, rezas, entre outros). Essa proposta n\u00e3o implica individualizar a an\u00e1lise e deix\u00e1-la como casos isolados, mas situar as hist\u00f3rias dos sujeitos em seu contexto social mais amplo (p. 719).<\/p>\n\n\n\n<p>Os coordenadores discutem a forma como o fen\u00f4meno religioso \u00e9 normalmente estudado, principalmente a partir de uma perspectiva institucional e censit\u00e1ria, e prop\u00f5em uma metodologia fenomenol\u00f3gica baseada no conceito de religi\u00e3o cotidiana ou religi\u00e3o vivida, que leva em conta como os sujeitos constroem suas estruturas interpretativas para ser e estar no mundo com base em sua religiosidade. Essas estruturas n\u00e3o surgem do nada, mas de um contexto social que envolve a posi\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo em termos familiares, de vizinhan\u00e7a, locais e nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, destacam-se a reflexividade dos sujeitos, suas condi\u00e7\u00f5es, possibilidades e dinamismo no campo religioso (mobilidades religiosas) que geram pertencimentos e identidades din\u00e2micos, posicionamentos pol\u00edticos (feminismos ou pr\u00e1ticas ambientais) e modos de subsist\u00eancia econ\u00f4mica ao longo da vida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O equipamento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Ju\u00e1rez, De la Torre e Guti\u00e9rrez reuniram um grupo de pesquisadores com experi\u00eancia em v\u00e1rias religi\u00f5es e religiosidades no M\u00e9xico para empregar explicitamente a metodologia da religiosidade vivida. O foco desse grupo foi a implementa\u00e7\u00e3o de um guia de entrevistas e o registro de materialidades (inclu\u00eddos nos anexos do livro), que cada um complementou com outras ferramentas etnogr\u00e1ficas. Embora tivessem uma diretriz muito marcada: a entrevista e a an\u00e1lise, bem como as discuss\u00f5es coletivas, cada autor colocou sua pr\u00f3pria marca no trabalho; alguns tinham uma rela\u00e7\u00e3o anterior de v\u00e1rios anos com os entrevistados, o que \u00e9 evidente na profundidade de sua an\u00e1lise, como o trabalho de David de \u00c1ngel, Gabriela Gil, Antonio Higuera e Cristina Mazariegos. Assim, h\u00e1 descri\u00e7\u00f5es ricas que colocam o leitor no espa\u00e7o da entrevista e descri\u00e7\u00f5es dos entrevistados que fazem o leitor se arrepiar com rela\u00e7\u00e3o a suas experi\u00eancias e sentimentos. H\u00e1 tamb\u00e9m vozes que n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o convencidas da metodologia, mas que exp\u00f5em suas possibilidades e limita\u00e7\u00f5es, e aquelas que at\u00e9 se questionam com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s perguntas e observa\u00e7\u00f5es que elaboram a partir de uma ontologia logoc\u00eantrica, epistemoc\u00eantrica ou ocidental, como \u00e9 o caso de Cristina Guti\u00e9rrez e Gabriela Gil. Nos cap\u00edtulos, podemos encontrar a experi\u00eancia das autoras com rela\u00e7\u00e3o ao sistema religioso no qual os atores est\u00e3o inseridos ou s\u00e3o confundidos. \u00c9 muito importante destacar que cada pesquisador exp\u00f5e o que entende por materialidade, em alguns casos tematizando-a a partir de latitudes como as ontologias, as diversas formas de ser dos objetos e suas rela\u00e7\u00f5es com os seres humanos (ver Ren\u00e9e de la Torre, Gabriela Gil, Olga Lidia Olivas, Cristina Guti\u00e9rrez, Arely Medina e Adri\u00e1n Yllescas).<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura do livro leva em considera\u00e7\u00e3o dois elementos-chave: as tend\u00eancias estat\u00edsticas sobre a recomposi\u00e7\u00e3o do campo religioso no M\u00e9xico e como isso \u00e9 vivenciado na vida cotidiana das pessoas (p. 22). Portanto, os casos apresentados foram escolhidos de forma a representar a diversidade religiosa atual e exemplificar as diferentes regi\u00f5es e vari\u00e1veis sociodemogr\u00e1ficas - idade, etnia, g\u00eanero, n\u00edvel socioecon\u00f4mico e n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o (p. 22). Assim, o livro consiste em uma introdu\u00e7\u00e3o geral, 27 cap\u00edtulos e conclus\u00f5es gerais. Desde a primeira p\u00e1gina, \u00e9 evidente o cuidado dos coordenadores com o rigor, o di\u00e1logo com os autores dos cap\u00edtulos e, sobretudo, a voz dos interlocutores.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro est\u00e1 dividido em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es, cujos objetivos s\u00e3o apresentar um relato da diversidade religiosa, mesmo dentro de religi\u00f5es aparentemente bem delineadas e estruturadas, como o catolicismo e os evang\u00e9licos ou crist\u00e3os. A primeira se\u00e7\u00e3o, \"Catholics\" (Cat\u00f3licos) - com sete cap\u00edtulos - foi coordenada e apresentada por Cristina Guti\u00e9rrez, que apresenta um relato da diversidade regional e \u00e9tnica do catolicismo mexicano, uma religi\u00e3o atualmente professada por 77% da popula\u00e7\u00e3o, de acordo com o censo de 2020 (p. 64). A \u00eanfase \u00e9 colocada em mostrar a diferencia\u00e7\u00e3o interna do catolicismo, o que implica um modelo de regionaliza\u00e7\u00e3o baseado em sua configura\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e sua diversidade \u00e9tnica dos grupos ind\u00edgenas em termos de sincretismo (p. 64 e 65). Assim, podemos ler os testemunhos de uma cat\u00f3lica cr\u00edtica e liberacionista de Cuernavaca, Morelos (Cecilia Delgado-Molina), uma \"garota Ibero\" do Opus Dei da Cidade do M\u00e9xico (Gabriela Garc\u00eda), uma jovem cat\u00f3lica de Guadalajara, Jalisco (Anel Victoria Salas), uma cat\u00f3lica n\u00e3o praticante de Guadalajara, Jalisco (Ren\u00e9e de la Torre de la Torre), uma jovem cat\u00f3lica de Guadalajara, Jalisco (Anel Victoria Salas) e uma cat\u00f3lica n\u00e3o praticante de Guadalajara, Jalisco (Ren\u00e9e de la Torre), Jalisco (Ren\u00e9e de la Torre), um cat\u00f3lico maia de Nunkin\u00ed, Campeche (David de \u00c1ngel Garc\u00eda), um cat\u00f3lico Rar\u00e1muri com seus costumes tradicionais do alto Tarahumara, em Chihuahua (Gabriela Gil), e a experi\u00eancia carism\u00e1tica de uma mulher migrante Tseltal em San Crist\u00f3bal de las Casas, Chiapas (Gabriela Robledo).<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda se\u00e7\u00e3o corresponde a \"Crist\u00e3os\" - com nove cap\u00edtulos -, coordenada e introduzida por Ren\u00e9e de la Torre, na qual \u00e9 feito um relato da pluralidade de crist\u00e3os ou evang\u00e9licos que hoje constituem 11,2% da popula\u00e7\u00e3o mexicana (<span class=\"small-caps\">inegi <\/span>2020). Aqui se mostra como as particularidades dos casos geram culturas que exigem adapta\u00e7\u00f5es religiosas, cujas trajet\u00f3rias de mobilidade religiosa m\u00faltipla envolvem constantes negocia\u00e7\u00f5es, articula\u00e7\u00f5es e integra\u00e7\u00f5es (p. 248). Destaca-se tamb\u00e9m a abordagem da materialidade na vida cotidiana dos interlocutores, que passa dos objetos sagrados convencionais para o corpo, os espa\u00e7os dom\u00e9sticos ou \u00edntimos e a ora\u00e7\u00e3o, entre outros.  Ibarra), um homossexual de identidade evang\u00e9lica dissidente da Cidade do M\u00e9xico (Karina B\u00e1rcenas), uma mulher adventista em San Crist\u00f3bal de las Casas, Chiapas (Minerva Yoimy Casta\u00f1eda), um imigrante Testemunha de Jeov\u00e1 em Chetumal, Quintana Roo (Antonio Higuera) e uma mulher m\u00f3rmon de Aguascalientes (Genaro Zalpa).<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima se\u00e7\u00e3o intitula-se \"Sin religi\u00f3n y religiones minoritarias\" - com onze cap\u00edtulos -, coordenada e introduzida por Nahayeilli Ju\u00e1rez, que engloba as experi\u00eancias de pessoas n\u00e3o afiliadas e n\u00e3o afiliadas que explicitamente n\u00e3o pertencem a uma institui\u00e7\u00e3o religiosa ou eclesi\u00e1stica (p. 453); em uma \u00fanica se\u00e7\u00e3o, agrupa pessoas com seu pr\u00f3prio caminho espiritual (p. 454) e pessoas de religi\u00f5es minorit\u00e1rias no pa\u00eds. Assim, nessa se\u00e7\u00e3o podemos encontrar uma sacerdotisa t\u00e2ntrica da Cidade do M\u00e9xico (Mar\u00eda del Rosario Ram\u00edrez), uma autodenominada doutora espiritual em literatura com uma cosmovis\u00e3o Wix\u00e1rika de Guadalajara, Jalisco (Ren\u00e9e de la Torre), uma seguidora de Krishnamurti em Guadalajara, Jalisco (Cristina Guti\u00e9rrez), uma leiga zen em M\u00e9rida, Yucat\u00e1n (Nahaye de la Torre), e uma leiga zen em M\u00e9rida, Yucat\u00e1n (Nahaye de la Torre), que \u00e9 seguidora de Krishnamurti em Guadalajara, Jalisco (Cristina Guti\u00e9rrez), Yucat\u00e1n (Nahayeilli Ju\u00e1rez), uma praticante do caminho mexicano-lakota em Tijuana, Baja California (Olga Lidia Olivas), uma ma\u00e7onaria homossexual em Aguascalientes (Mar\u00eda Eugenia Pati\u00f1o), uma mu\u00e7ulmana em Guadalajara, Jalisco (Arely Medina), uma judia em Guadalajara, Jalisco (Cristina Guti\u00e9rrez), uma espiritualista mariana trinit\u00e1ria em Veracruz (Gabriela Castillo), uma santeriana e uma <em>treinador<\/em> l\u00edder espiritual em M\u00e9rida, Yucat\u00e1n (Nahayeilli Ju\u00e1rez), e um devoto de Santa Muerte na Cidade do M\u00e9xico (Adri\u00e1n Yllescas).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante enfatizar que o livro como um todo e a metodologia empregada levam a s\u00e9rio a palavra, o sentimento e a materialidade do outro (ali\u00e1s, com belas e cuidadosamente escolhidas fotografias), em um \u00fanico termo: sua experi\u00eancia no mundo, sem limit\u00e1-la, classific\u00e1-la ou simplific\u00e1-la, mas sim levando em conta seu escopo, suas limita\u00e7\u00f5es, suas complexidades e, acima de tudo, a reflexividade de sujeitos com ag\u00eancia, capazes de decidir e interpretar - dentro de determinadas estruturas - seu ser e agir.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, encontramos agentes que comunicam sua necessidade de acreditar em algo, ou em algu\u00e9m, de forma reflexiva e cr\u00edtica, bem como a materializa\u00e7\u00e3o de suas cren\u00e7as, suas transi\u00e7\u00f5es entre diferentes religi\u00f5es, suas constru\u00e7\u00f5es sobre o sagrado, sobre o corpo, sobre a fam\u00edlia, sobre a pessoa, sobre o g\u00eanero, sobre a morte e o significado de sua exist\u00eancia por meio da sacraliza\u00e7\u00e3o ou contempla\u00e7\u00e3o de sua vida cotidiana e de sua rela\u00e7\u00e3o com os outros e com o meio ambiente. Isso \u00e9 vislumbrado de forma diversa e heterog\u00eanea, mas como uma constante em todos os cap\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas conclus\u00f5es da obra, os coordenadores comparam e analisam os cap\u00edtulos como um todo e compartilham sua contribui\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-metodol\u00f3gica: religiosidade de charneira, a partir de uma abordagem fenomenol\u00f3gica e materialista, que implica compreender o fen\u00f4meno religioso a partir da experi\u00eancia concreta situada como um processo e n\u00e3o como classifica\u00e7\u00f5es preconcebidas (p. 723), que n\u00e3o se deve apenas a uma l\u00f3gica religiosa institucionalizada, mas \u00e0 montagem que cada sujeito faz a partir de sua experi\u00eancia de vida. A religiosidade de charneira \u00e9, ent\u00e3o, uma perspectiva relacional, uma articula\u00e7\u00e3o de ancoragem e dinamismo, que s\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">pontos de articula\u00e7\u00e3o em que as expectativas individuais s\u00e3o negociadas com o sistema de normas e valores institucionais, a adequa\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es e a validade da f\u00e9 em esferas seculares [...] oferece a possibilidade de imaginar conceitos n\u00e3o baseados em oposi\u00e7\u00f5es, mas em interse\u00e7\u00f5es e complementaridades colocadas em movimento pela religiosidade cotidiana (p. 726).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a partir dessa abordagem, o fen\u00f4meno religioso pode ser entendido como um conceito polif\u00f4nico composto de diferentes melodias, que v\u00e3o desde a experi\u00eancia reflexiva dos indiv\u00edduos at\u00e9 as normas institucionais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resson\u00e2ncia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Por fim, a contribui\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-fenomenol\u00f3gica dos coordenadores para o campo religioso ecoa com alguns elementos de perspectivas pragm\u00e1ticas, como a <em>Teoria do ator-rede<\/em> (<span class=\"small-caps\">alcatr\u00e3o<\/span>). Os coordenadores passam da religiosidade vivida para a dobradi\u00e7a, obscurecendo classifica\u00e7\u00f5es e no\u00e7\u00f5es aparentemente dicot\u00f4micas ou bin\u00e1rias e colocando a materialidade no centro de sua an\u00e1lise. A utilidade da dobradi\u00e7a est\u00e1 em \"nomear processos intersticiais que articulam diferentes tradi\u00e7\u00f5es religiosas e que ocorrem simultaneamente no mesmo evento\" (p. 728); \u00e9, portanto, um ponto de contato \"onde diferentes correntes, escalas ou conte\u00fados s\u00e3o articulados e as dobradi\u00e7as funcionam como \u00e2ncoras, onde religiosidades emergentes interagem com as tradicionais\" (p. 728). Essa mobilidade de classifica\u00e7\u00f5es e articula\u00e7\u00f5es est\u00e1 em sintonia com duas no\u00e7\u00f5es latourianas que apontam para a contribui\u00e7\u00e3o dos autores.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro \u00e9 o princ\u00edpio da incerteza ontol\u00f3gica que, no estudo das pr\u00e1ticas, implica n\u00e3o estabelecer ag\u00eancia. <em>a priori<\/em>O objetivo \u00e9 ser guiado pelo princ\u00edpio da incerteza, ou seja, ter uma falta de certeza dos objetivos nas intera\u00e7\u00f5es sociais a fim de rastrear a a\u00e7\u00e3o de todos os atores envolvidos. Portanto, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer ess\u00eancias de sujeitos e objetos, nem criar fixidades ou metas em torno deles (Latour, 1994). Isso coincide com os coordenadores ao considerarem que a religiosidade de dobradi\u00e7a implica adapta\u00e7\u00f5es dos sujeitos - por meio de suas experi\u00eancias - \u00e0 diversidade religiosa, de modo que a \u00eanfase est\u00e1 na din\u00e2mica da identifica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o em identidades puras ou fechadas que proporcionam a fixidez da religi\u00e3o em termos institucionais (p. 732). A segunda \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o de n\u00f3 inspirada em Bruno Latour, entendida como uma articula\u00e7\u00e3o em que muitos conjuntos de ag\u00eancias convergem e agem simultaneamente (Apipilhuasco, 2021: 5). Embora o n\u00f3 para Latour se afaste da ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o que planeja o n\u00f3 como uma articula\u00e7\u00e3o (cfr. Latour, 2008), \u00e9 vi\u00e1vel repens\u00e1-lo como tal, em termos metodol\u00f3gicos, conectando-se com o que ele considera: \"a a\u00e7\u00e3o deve ser entendida como um n\u00f3, um n\u00f3 e um conglomerado de muitos conjuntos surpreendentes de ag\u00eancias que devem ser lentamente desvendados\" (Latour, 2008: 70), n\u00e3o tem estrutura definida, n\u00e3o tem car\u00e1ter estrat\u00e9gico, n\u00e3o \u00e9 fixa e tem tantas dimens\u00f5es quanto conex\u00f5es (Latour, 1996: 369 e 370). Caracterizar a a\u00e7\u00e3o, os eventos e at\u00e9 mesmo a materialidade como um n\u00f3 \u00e9 pensar nele metaforicamente como um lugar onde as conex\u00f5es s\u00e3o feitas e por onde transitam diversos conjuntos de a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o fixas nem estabelecidas, elas est\u00e3o em constante dinamismo, dependendo de todos os atores humanos e n\u00e3o humanos envolvidos nelas (Apipilhuasco, 2021). Isso se refere \u00e0 dobradi\u00e7a como o espa\u00e7o de articula\u00e7\u00e3o onde diversas religi\u00f5es interagem, \"resultando em produtos sincr\u00e9ticos e h\u00edbridos derivados de bens e significados religiosos\" (p. 728).<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a dobradi\u00e7a, juntamente com a incerteza ontol\u00f3gica e o n\u00f3, podem ser no\u00e7\u00f5es que ajudam na investiga\u00e7\u00e3o do campo religioso, como elementos que nos permitem gerar metodologias que partem de uma perspectiva <em>emic<\/em> -O principal objetivo do estudo \u00e9 compreender a mobilidade, a diversidade e o dinamismo das identidades religiosas - enquadradas em um amplo contexto social.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Apipilhuasco, Mar\u00eda Fernanda (2021). \u201c\u00d1atitas. Producci\u00f3n, agencia y ritualidad de los cr\u00e1neos en La Paz, Bolivia\u201d. Tesis de doctorado. Zamora: El Colegio de Michoac\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Latour, Bruno (1994). \u201cOn Technical Mediation: Philosophy, Sociology, Genealogy\u201d, <em>Common Knowledge<\/em>, vol. 3, n\u00fam. 2, pp. 29\u201364. Recuperado de https:\/\/philpapers.org\/rec\/<span class=\"small-caps\">latotm<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (1996). \u201cOn Actor-Network Theory: A Few Clarifications\u201d, <em>Soziale Welt<\/em>, vol. 47, n\u00fam. 4, pp. 369-381. Recuperado de http:\/\/www.jstor.org\/stable\/40878163<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2008). <em>Reensamblar lo social: una introducci\u00f3n a la Teor\u00eda del Actor-Red<\/em>. Buenos Aires: Manantial.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Mar\u00eda Fernanda Apipilhuasco Miranda<\/em> Ele tem um Ph.D. em Antropologia Social pelo El Colegio de Michoac\u00e1n e \u00e9 formado em Sociologia pela Faculdade de Ci\u00eancias Pol\u00edticas e Sociais da Universidade de Michoac\u00e1n. <span class=\"small-caps\">unam<\/span>. Ele conduziu projetos de pesquisa em Janitzio, Michoac\u00e1n, La Paz, Bol\u00edvia e Pomuch, Campeche. Seus t\u00f3picos de pesquisa s\u00e3o sociologia e antropologia da religi\u00e3o, mito, antropologia da morte, indigeneidade, patrimonializa\u00e7\u00e3o e ontologias dos Andes Centrais. Atualmente, ela est\u00e1 em seu segundo ano de p\u00f3s-doutorado no Centro Peninsular de Humanidades e Ci\u00eancias Sociais da Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"notas\" id=\"notas-fixed\">\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote1\">1 Projeto \"Religion and society in Mexico: re-compositions of religiosities in Mexico\", patrocinado pela <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>A primeira fase come\u00e7ou em 2017; a segunda fase corresponde aos resultados deste livro.<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta resenha analisa o livro \"De la religiosidad vivida a la religiosidad bisagra. Experiences of the Sacred in Contemporary Mexico\", coordenado por Nahayeilli Ju\u00e1rez Huet, Ren\u00e9e de la Torre e Cristina Guti\u00e9rrez Z\u00fa\u00f1iga. O trabalho apresenta uma investiga\u00e7\u00e3o de \u00e2mbito nacional sobre a subjetividade da vida religiosa e sua diversidade no M\u00e9xico, usando os conceitos de religiosidade vivida e religiosidade de charneira. 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