{"id":40044,"date":"2025-09-22T10:00:48","date_gmt":"2025-09-22T16:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=40044"},"modified":"2025-09-19T14:57:37","modified_gmt":"2025-09-19T20:57:37","slug":"leon-amare-migracion-costa-chica-oaxaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/leon-amare-migracion-costa-chica-oaxaca\/","title":{"rendered":"Amare: um olhar sobre a migra\u00e7\u00e3o na Costa Chica de Oaxaca a partir de uma perspectiva etnoficcional"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-drop-cap abstract\"><em>Amare<\/em> (2024) \u00e9 um curta-metragem de fic\u00e7\u00e3o do cineasta afro-mexicano, nativo da costa de Oaxaca, Balam Benjam\u00edn Nieto Toscano, conhecido por obras como <em>Romina e Ivan <\/em>(2021) y <em>Mutsk Wu\u00e4jxt\u00eb\u2019<\/em> (<em>Peque\u00f1os zorros<\/em>) (2024). Recentemente, <em>Amare<\/em> foi selecionado para a 28\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Internacional de Cinema de Guanajuato.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu filme de estreia <em>Soy Yuy\u00e9 <\/em>acaba de concluir a fase de p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, portanto, em breve poderemos apreci\u00e1-lo nas telas. No momento, o cineasta est\u00e1 trabalhando em um novo filme de fic\u00e7\u00e3o sobre a vida de sete adolescentes afro-costa-riquenhas, que mostrar\u00e1 seus anseios e desafios em um territ\u00f3rio marcado pelo machismo e pelo carnaval.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> Toscano \u00e9 formado em Cinematografia pelo Centro de Capacitaci\u00f3n Cinematogr\u00e1fica (<span class=\"small-caps\">ccc<\/span>) e recebeu v\u00e1rios pr\u00eamios e apoio.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O foco desta an\u00e1lise \u00e9 refletir sobre a import\u00e2ncia do cinema de etnofic\u00e7\u00e3o, feito dentro das comunidades.<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> para tornar vis\u00edveis as quest\u00f5es e os problemas que os preocupam, como, neste caso, a migra\u00e7\u00e3o para os Estados Unidos. Minha inten\u00e7\u00e3o ao reconhecer <em>Amare <\/em>(2024) como uma obra de etnofic\u00e7\u00e3o \u00e9 convidar o p\u00fablico a ver o filme a partir de diferentes sensibilidades oferecidas por essa obra que navega entre as linhas t\u00eanues do document\u00e1rio e da fic\u00e7\u00e3o, aproximando-nos de uma das realidades das comunidades afrodescendentes da costa de Oaxaca.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem revelar muito sobre o enredo, j\u00e1 que o filme est\u00e1 apenas come\u00e7ando sua rota de exibi\u00e7\u00e3o, o filme conta uma hist\u00f3ria sobre mulheres, arte, migra\u00e7\u00e3o e sentimentos narrados a partir da comunidade de El Tamal, Santiago Pinotepa Nacional, Oaxaca. A personagem principal \u00e9 Amare, uma mulher de uma comunidade costeira de Oaxaca; as personagens s\u00e3o principalmente mulheres, j\u00e1 que a co-protagonista \u00e9 sua irm\u00e3 Cielo, seguida por sua m\u00e3e e seu pai, que \u00e9 a figura na qual a hist\u00f3ria se baseia, mas n\u00e3o a personagem principal. A inf\u00e2ncia tamb\u00e9m est\u00e1 presente no filme.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O diretor abre e encerra o filme de forma arredondada, recuperando depoimentos reais, primeiro do ponto de vista de uma m\u00e3e e, no final, do ponto de vista de uma mulher migrante. Na hist\u00f3ria, vemos Cielo, uma professora de desenho, que trabalha com entusiasmo com seus alunos. Mais tarde, somos apresentados ao conflito da hist\u00f3ria: o pai de Cielo est\u00e1 muito doente e pergunta por algu\u00e9m que ele quer ver; Cielo responde que ele ainda n\u00e3o chegou porque est\u00e1 longe. Ap\u00f3s a morte abrupta do pai, a protagonista da hist\u00f3ria, Amare, chega \u00e0 comunidade. Sua chegada causa grande surpresa, excita\u00e7\u00e3o e movimento entre os alde\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ap\u00f3s a chegada de Amare que os temas que preocupam as personagens s\u00e3o desenvolvidos por meio das conversas entre as irm\u00e3s. O ponto nevr\u00e1lgico que Toscano apresenta \u00e9 a constante migra\u00e7\u00e3o dos habitantes das cidades da Costa Chica para os Estados Unidos, principalmente. Embora no filme os motivos sejam aparentemente econ\u00f4micos, na realidade os deslocamentos podem ter outros tipos de circunst\u00e2ncias atenuantes: persegui\u00e7\u00e3o devido \u00e0 viol\u00eancia, estigmas sociais ou \u00e9tnicos.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme <em>Amare<\/em> tem v\u00e1rias virtudes em diferentes n\u00edveis que eu gostaria de mencionar a fim de propor algumas linhas de reflex\u00e3o aos espectadores, com o objetivo de colaborar nas discuss\u00f5es e explora\u00e7\u00f5es que se seguem \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar, \u00e9 not\u00e1vel o pertencimento cultural do cineasta Balam Toscano, que consegue refletir, com uma vis\u00e3o privilegiada, n\u00e3o apenas as caracter\u00edsticas da paisagem desses vilarejos com as \u00f3timas tomadas gerais que ele nos oferece, mas tamb\u00e9m a g\u00edria, os costumes cotidianos, os ritos e uma esp\u00e9cie de experi\u00eancia est\u00e9tica da vida da Costa Chiquense.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O filme foi filmado na comunidade de El Tamal, Santiago Pinotepa Nacional, Oaxaca, uma comunidade afro-mexicana de aproximadamente 233 habitantes. O elenco do filme n\u00e3o \u00e9 formado por atores e atrizes profissionais, mas por pessoas da pr\u00f3pria comunidade que, nas palavras do cineasta, interpretaram a si mesmas. Assim, a narrativa de <em>Amare<\/em> tem uma autenticidade que lhe d\u00e1 um toque antropol\u00f3gico que pode coloc\u00e1-lo dentro do g\u00eanero da etnofic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Amare<\/em>O filme, desde o primeiro fotograma, surpreende os olhos de quem est\u00e1 acostumado a filmes filmados com equipamento digital. Ao ser filmado com uma c\u00e2mera de 35 mm, ele oferece outro aspecto na tela, dotado de uma beleza t\u00edpica do formato anal\u00f3gico. A decis\u00e3o do diretor de filmar em 35 mm tamb\u00e9m pode ser lida como uma esp\u00e9cie de resist\u00eancia \u00e0s exig\u00eancias tecnol\u00f3gicas da produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica contempor\u00e2nea. Basta imaginar o trabalho envolvido no transporte e nos cuidados com os rolos de filme para as loca\u00e7\u00f5es na Costa Chica, j\u00e1 que as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o quentes e as dist\u00e2ncias s\u00e3o muito longas.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que tamb\u00e9m \u00e9 relevante levar em conta que os povos afro-mexicanos tiveram pouco acesso a esse tipo de equipamento de filmagem. Em um presente mais otimista, parece que cada vez mais jovens que se assumem como afrodescendentes s\u00e3o incentivados a pegar uma c\u00e2mera e contar suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias, embora o formato digital seja o predominante nas obras audiovisuais. Portanto, filmar um filme de 35 mm hoje pode ser visto como uma repara\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica para aquelas hist\u00f3rias dignas e bem contadas que nunca foram registradas durante d\u00e9cadas, devido \u00e0s desigualdades estruturais vividas pelos povos afro-mexicanos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Balam Benjam\u00edn Toscano \u00e9 um dos poucos jovens de sua comunidade que conseguiu emigrar para a Cidade do M\u00e9xico para cursar o ensino superior. Isso pode parecer um fato irrelevante, mas para o cinema afro-mexicano n\u00e3o \u00e9, j\u00e1 que poucas pessoas de comunidades afrodescendentes no M\u00e9xico conseguem se envolver e se desenvolver em alguma \u00e1rea do circuito cinematogr\u00e1fico. A baixa presen\u00e7a de pessoas desses territ\u00f3rios se deve principalmente a fatores estruturais: principalmente o atraso econ\u00f4mico que dificultou a conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio e a matr\u00edcula em cursos de cinema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora Toscano sempre tenha tido uma certa sensibilidade para a fotografia, ele considera que o momento-chave em sua carreira como cineasta audiovisual aconteceu em 2016, quando participou de \"Ambulante m\u00e1s all\u00e1\".<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> Em uma entrevista pessoal, ele menciona como nessa experi\u00eancia aprendeu, de forma incipiente, a dirigir e fotografar, mas, acima de tudo, a \"olhar\" com mais sensibilidade para o que queria contar. O cineasta costarriquenho tamb\u00e9m enfatiza que a maioria de suas hist\u00f3rias \u00e9 baseada na afrodescend\u00eancia e que isso \u00e9 percebido nos filmes em diferentes \"camadas\", desde as mais \u00f3bvias, como o fen\u00f3tipo das pessoas, at\u00e9 outras camadas mais profundas, como quest\u00f5es socioculturais ou pol\u00edticas.<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Do meu ponto de vista, considero <em>Amare<\/em> uma obra de etnofic\u00e7\u00e3o, pois lembremos que, por um lado, a etnografia se preocupa em examinar e registrar quest\u00f5es socioculturais espec\u00edficas e\/ou concretas dos povos. No campo audiovisual, Paul Henley (2001) destaca que o filme etnogr\u00e1fico tem sido uma ferramenta para a antropologia, que, embora tenha nascido da mesma disciplina, ganhou for\u00e7a a partir da d\u00e9cada de 1980, quando as reviravoltas interpretativas come\u00e7aram a florescer. Em outras palavras, o v\u00ednculo entre o paradigma interpretativo e a capacidade do filme etnogr\u00e1fico de mostrar \"o particular\" nas culturas \u00e9 refor\u00e7ado (Henley, 2001: 25). Embora o filme etnogr\u00e1fico esteja intimamente ligado ao trabalho antropol\u00f3gico e, neste caso, n\u00e3o estejamos falando de um trabalho puramente etnogr\u00e1fico, mas cinematogr\u00e1fico, destaco a capacidade do filme de mostrar uma realidade com suas particularidades sociais, culturais e territoriais, bem como a figura do diretor Balam Toscano que, por ser nativo do local, \"substitui\" a figura do antrop\u00f3logo, que precisaria fazer um trabalho de campo para realizar filmes etnogr\u00e1ficos.<\/p>\n\n\n\n<p>O componente imaginativo da obra que a torna uma etno-fic\u00e7\u00e3o pode ser rastreado at\u00e9 o cinema inaugurado por Jean Rouch e a corrente do <em>cinema-verdade<\/em>. Os filmes de Rouch conseguiram desafiar os limites do lugar da c\u00e2mera entre as comunidades, bem como as linhas entre realidade e fic\u00e7\u00e3o, apresentando hist\u00f3rias fict\u00edcias, mas com os nativos das aldeias refletindo seus anseios, desejos e subjetividades nos filmes (Salvetti, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p><em>Amare <\/em>Tamb\u00e9m dialoga com outros filmes cujos diretores ousaram desafiar a fronteira simb\u00f3lica entre o document\u00e1rio (como paradigma do \"real\" no cinema) e a fic\u00e7\u00e3o. Embora me pare\u00e7a que o debate sobre a inexistente divis\u00e3o entre os dois g\u00eaneros seja uma discuss\u00e3o j\u00e1 superada e eu considere que <em>Amare <\/em>se enquadra mais na categoria de etno-fic\u00e7\u00e3o<em>,<\/em> Gostaria de recuperar um dos casos mais marcantes na genealogia do g\u00eanero docufic\u00e7\u00e3o.<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a> para ampliar o quadro.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a partir da videoarte que surgiram as primeiras tentativas de fazer filmes que misturam a fic\u00e7\u00e3o com a realidade cotidiana das pessoas. Esse foi o caso de Sarah Minter, uma pioneira da videoarte no M\u00e9xico na d\u00e9cada de 1980. Na d\u00e9cada de 1980, o crescimento do ent\u00e3o Distrito Federal e a pobreza em suas favelas tornaram-se tang\u00edveis. Durante esse per\u00edodo, surgiram gangues de jovens nas periferias, muitas delas formadas por jovens de povos ind\u00edgenas e fam\u00edlias de camponeses pobres. O grupo mais estereotipado, por causa de sua ousadia, eram os punks. Nesse contexto, Minter se aventurou em experimentos que mesclavam document\u00e1rio e fic\u00e7\u00e3o, em suas obras <em>Ningu\u00e9m \u00e9 inocente<\/em> (1985) y <em>Alma punk<\/em> (1991). Sua tentativa era uma narrativa pessoal enquadrada na linguagem audiovisual; ele esperava obter uma cumplicidade l\u00fadica com os atores e dar um car\u00e1ter independente \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o (Minter, 2008: 5).<\/p>\n\n\n\n<p>Parece que, para alguns grupos sociais que foram mais afetados pelos estere\u00f3tipos criados pelo cinema hegem\u00f4nico, \u00e9 mais importante romper a dicotomia realidade-fic\u00e7\u00e3o: romper essa dicotomia \u00e9 uma estrat\u00e9gia para aprofundar suas pr\u00f3prias representa\u00e7\u00f5es de forma mais respeitosa e menos preconceituosa. Como um grupo estereotipado negativamente, a juventude punk dos anos 1980 serve de exemplo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Maite Garbayo destaca que em <em>Ningu\u00e9m \u00e9 inocente<\/em> retrata a banda Mierdas Punks de Ciudad Nezahualc\u00f3yotl. L\u00e1, Minter conheceu um membro da gangue e se interessou pela vida dos grupos marginalizados da cidade, longe dos jovens privilegiados da classe alta. Os jovens do bairro tinham uma est\u00e9tica subalterna. Seu olhar reflete o que significa ser um chavo-banda. Minter, ao contr\u00e1rio da cren\u00e7a da m\u00eddia, patenteia uma imagem da chavo-banda distante do uso de drogas e da criminalidade. Minter humaniza os punks, mostra seus v\u00ednculos e seu futuro. Ele os insere na estrutura de suas condi\u00e7\u00f5es marginalizadas, embora n\u00e3o os torne parte dela, mas uma consequ\u00eancia. Garbayo sugere que Minter \"pacifica\" os chavos-banda, j\u00e1 que eles eram um objeto de rep\u00fadio e representavam uma amea\u00e7a para o governo e a imprensa (Garbayo, 2016: 83-84).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o caso de Sarah Minter e <em>Ningu\u00e9m \u00e9 inocente <\/em>parece muito distante de <em>Amare, <\/em>Como a cineasta Minter tinha uma vis\u00e3o de fora da comunidade que representava na tela, a inten\u00e7\u00e3o de evoc\u00e1-la nesta an\u00e1lise \u00e9 tamb\u00e9m situar uma genealogia do g\u00eanero docufic\u00e7\u00e3o no cinema e seu impacto na busca pela quebra de estere\u00f3tipos e representa\u00e7\u00f5es negativas de determinados grupos populacionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Novamente, no contexto de filmes feitos dentro das comunidades da Costa Chica, a narrativa de <em>Amare <\/em>tamb\u00e9m lembra o caso do longa-metragem <em>Eles nos fizeram passar a noite <\/em>(2021)<a class=\"anota\" id=\"anota7\" data-footnote=\"7\">7<\/a> de Antonio Hern\u00e1ndez. Esse filme, oficialmente classificado como document\u00e1rio, mostra parte da vida cotidiana da fam\u00edlia afro-mesti\u00e7a Salinas Tello. Em sua narrativa, vemos parte de seus costumes e tradi\u00e7\u00f5es na cidade costeira de San Marquitos, fundada em 1974, quando o ciclone Dolores inundou a cidade de Charco Redondo e, deslocados pelo desastre natural, alguns de seus habitantes fundaram a comunidade de San Marquitos. O g\u00eanero \"document\u00e1rio\" de <em>Eles nos fizeram passar a noite<\/em> parece mais um formalismo do que algo que define o estilo do filme. Embora seja verdade que vemos a vida cotidiana da fam\u00edlia Salinas Tello refletida no roteiro, h\u00e1 cenas ficcionais que acrescentam outros toques, seja de frescor ou de \"realismo m\u00e1gico\", mas isso n\u00e3o diminui a veracidade de seu estilo documental.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><em>Eles nos fizeram passar a noite <\/em>nos mostra parte da vis\u00e3o de mundo dos povos afro-costa-riquenhos, como a cren\u00e7a no \"tona\", as curas do \"empacho\" e a dan\u00e7a dos Diablos, que conecta esta exist\u00eancia com outros planos nos dias dos mortos. Ele se afasta dos estere\u00f3tipos do racismo, recorrentes no cinema, para contar, a partir de seu pr\u00f3prio ponto de vista, quem s\u00e3o os Salinas Tello e, portanto, quem s\u00e3o os povos afro-mexicanos da Costa Rica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o que foi dito acima, parece-me que <em>Amare <\/em>est\u00e1 inserido n\u00e3o apenas na crescente produ\u00e7\u00e3o do cinema afro-mexicano, mas tamb\u00e9m em uma narrativa de etnofic\u00e7\u00e3o que encontra sua funcionalidade na representa\u00e7\u00e3o dos povos da Costa Rica a partir de suas realidades, como seus costumes e tradi\u00e7\u00f5es, bem como de seus problemas, como a constante migra\u00e7\u00e3o para os Estados Unidos da Am\u00e9rica. Parece que a resist\u00eancia e a \"cimarronaje\" (a \"maroonagem\")<a class=\"anota\" id=\"anota8\" data-footnote=\"8\">8<\/a> no cinema tamb\u00e9m s\u00e3o praticados em desafio aos formalismos dos g\u00eaneros cinematogr\u00e1ficos impostos pela ind\u00fastria. Nesse sentido, <em>Amare <\/em>tem um duplo valor antropol\u00f3gico: por um lado, o m\u00e9rito etnogr\u00e1fico do filme que, de alguma forma, nos remete \"a um encontro com a alteridade que provoca, direta ou indiretamente, a preocupa\u00e7\u00e3o fundamental que d\u00e1 origem \u00e0 experi\u00eancia etnogr\u00e1fica\" (Ziri\u00f3n, 2015: 13); e, por outro lado, a curiosidade genu\u00edna que desperta nos especialistas no assunto para seguir os passos desses jovens cineastas afro-mexicanos, como Balam Toscano, e os recursos expressivos de que fazem uso.<\/p>\n\n\n\n<p>Como antrop\u00f3loga que trabalha com o tema audiovisual em Costa Chica, considero a relev\u00e2ncia de <em>Amare <\/em>\u00e9, no m\u00ednimo, excepcional. Al\u00e9m do enredo e dos n\u00f3s que sustentam a narrativa, h\u00e1 v\u00e1rias quest\u00f5es que merecem ser mencionadas e que, em minha opini\u00e3o, d\u00e3o valor antropol\u00f3gico \u00e0 fic\u00e7\u00e3o que o diretor mostrou. Em meu trabalho de campo, testemunhei que os problemas abordados por Balam Toscano s\u00e3o de natureza cotidiana nas comunidades afro-mexicanas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira delas diz respeito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Nas cidades nos arredores de Pinotepa Nacional (especificamente, mas tamb\u00e9m em toda a Costa Chica, em geral), h\u00e1 uma neglig\u00eancia governamental palp\u00e1vel com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. As crian\u00e7as s\u00e3o frequentemente abandonadas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Conforme mostrado em <em>Amare<\/em>As crian\u00e7as s\u00e3o ensinadas por pessoas das pr\u00f3prias comunidades. Esse \u00e9 o caso de Corralero, onde as filmagens foram realizadas. <em>A negrada<\/em><a class=\"anota\" id=\"anota9\" data-footnote=\"9\">9<\/a> (2018), de Jorge P\u00e9rez Solano. Em Corralero, pude testemunhar a iniciativa de um l\u00edder de oficina para apoiar a educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as que foram negligenciadas por seus professores designados. E, em um caso muito semelhante ao apresentado em<em> Amare<\/em>A l\u00edder do workshop, especialista em gravura, incentivou a criatividade e a imagina\u00e7\u00e3o de seus alunos adotivos por meio das artes (nesse caso, a pintura). A Balam Toscano nos aproxima de uma realidade que muitas vezes \u00e9 minimizada: os alunos n\u00e3o t\u00eam as ferramentas certas para desenvolver seus talentos individuais; \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o de terceiros que consegue aliviar o atraso educacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o das crian\u00e7as abandonadas pelos pais (conforme mencionado por Cielo e Amare em sua conversa final) tamb\u00e9m \u00e9 um dos contratempos sociais vivenciados em Costa Chica. Em v\u00e1rias entrevistas realizadas para minha pesquisa, meus interlocutores se preocuparam com o fen\u00f4meno da falta de moradia para os jovens. Devido a quest\u00f5es de migra\u00e7\u00e3o, as crian\u00e7as s\u00e3o frequentemente negligenciadas: os pais que viajam, muitas vezes ilegalmente, para os Estados Unidos, deixam seus filhos para tr\u00e1s, que, na melhor das hip\u00f3teses, s\u00e3o deixados aos cuidados dos av\u00f3s. Entretanto, muitos crescem desprotegidos e, \u00e0s vezes, caem em uma espiral que Balam Toscano menciona brevemente em seu filme: o tr\u00e1fico de drogas e seus derivados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A inseguran\u00e7a na Costa Rica n\u00e3o \u00e9 algo que possa ser ignorado. Al\u00e9m das situa\u00e7\u00f5es comuns a todas as regi\u00f5es do pa\u00eds (conflitos de vizinhan\u00e7a, acidentes, viol\u00eancia dom\u00e9stica etc.), as comunidades afrodescendentes sofrem com a incid\u00eancia do tr\u00e1fico de drogas. O crime organizado utiliza crian\u00e7as abandonadas para seus fins lucrativos: seja como clientes ou como membros de sua organiza\u00e7\u00e3o, recrutados \u00e0 for\u00e7a ou por necessidade, os cart\u00e9is pervertem os jovens da regi\u00e3o. Em uma entrevista com uma ativista de Jos\u00e9 Mar\u00eda Morelos, ela me chamou a aten\u00e7\u00e3o para o n\u00famero crescente de adolescentes integrados \u00e0s espirais criminosas: desde cedo, eles s\u00e3o induzidos a consumir drogas; mais tarde, s\u00e3o for\u00e7ados a fazer parte do tr\u00e1fico de drogas, com trabalhos perigosos e mal remunerados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o central, abordada por Balam Toscano, \u00e9, sem d\u00favida, a migra\u00e7\u00e3o. Amare n\u00e3o \u00e9 apenas uma viajante em busca de melhores oportunidades que retorna e rompe com a economia familiar (j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 mais capaz de fornecer dinheiro), mas se torna uma agente fundamental no di\u00e1logo sobre o que significa ser mulher, negra e imigrante. Essa tr\u00edade de condi\u00e7\u00f5es tende a tornar as pessoas em Costa Chica vulner\u00e1veis: as mulheres, em um pa\u00eds socialmente machista, s\u00e3o desvalorizadas e delegadas ao trabalho dom\u00e9stico; os afrodescendentes t\u00eam sofrido historicamente com um racismo que os torna invis\u00edveis e os desconsidera do projeto nacional do Estado mexicano; os migrantes e a popula\u00e7\u00e3o em tr\u00e2nsito tamb\u00e9m s\u00e3o desvalorizados e seus direitos questionados. Uma combina\u00e7\u00e3o desses fatores ocorre nos casos em que os afrodescendentes mexicanos s\u00e3o confundidos com migrantes sul-americanos e estrangeiros por meio da premissa racista de que n\u00e3o h\u00e1 afrodescendentes no M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p>Menores, mas igualmente importantes, s\u00e3o as que dizem respeito \u00e0 cosmovis\u00e3o dos povos de origem africana. Falar com a \u00e1rvore Ceiba \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o ancestral, mesmo entre os maias, que permite que os vivos se conectem com seus parentes falecidos. Os ritos f\u00fanebres do pai de Cielo e Amare est\u00e3o bem representados. Fa\u00e7o essa avalia\u00e7\u00e3o porque uma de minhas viagens de campo ocorreu no Dia dos Mortos. Com base na etnografia participativa, acho que a produ\u00e7\u00e3o da Balam Toscano cont\u00e9m muitos elementos reais da vida cotidiana das comunidades afro-mexicanas. Esse \u00e9 o ponto mais forte de <em>Amare<\/em>O filme \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o, mas est\u00e1 bem documentado e reflete realidades concretas na Costa Rica, assim como todos os problemas mencionados at\u00e9 agora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, n\u00e3o gostaria de deixar de lado os aspectos t\u00e9cnicos da <em>Amare<\/em>. Visualmente, a cinematografia \u00e9 linda e bem feita. O ponto alto \u00e9 a cena final, quando as irm\u00e3s Cielo e Amare conversam na margem de um pequeno lago. O verde da natureza ao redor contrasta com as paisagens \u00e1ridas da Costa Chica em uma determinada \u00e9poca do ano. Talvez Balam Toscano tenha nos dado essa foto com a inten\u00e7\u00e3o de demonstrar que a interlocu\u00e7\u00e3o entre as irm\u00e3s foi extremamente natural: ambas deram suas opini\u00f5es e falaram uma com a verdade que cada uma possu\u00eda. Por um lado, Cielo recrimina Amare por seu distanciamento e, por outro, Amare deseja convencer Cielo a migrar com ela. A narrativa, embora curta, \u00e9 concisa e permite que o espectador reflita sobre o que \u00e9 apresentado na tela.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, <em>Amare<\/em> \u00e9 um produto importante para o cinema mexicano por duas raz\u00f5es cruciais: ele d\u00e1 conta de uma realidade concreta em cidades esquecidas pela maioria dos habitantes (nesse caso, as comunidades afro-mexicanas da Costa Chica); e \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o do trabalho de etnofic\u00e7\u00e3o, com conota\u00e7\u00f5es antropol\u00f3gicas, raz\u00e3o pela qual sugiro categorizar o filme de Balam Toscano como etnofic\u00e7\u00e3o. Essa proposta se deve ao fato de levar em conta a vida cotidiana das comunidades, que \u00e9 narrada por um de seus membros. Sem d\u00favida, o g\u00eanero da etnofic\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de aproximar os espectadores de realidades que lhes s\u00e3o estranhas, com uma sensibilidade e profundidade poderosas que valeria a pena repensar se \u00e9 compar\u00e1vel a outros g\u00eaneros cinematogr\u00e1ficos, bem como seu escopo e suas limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Garbayo Maeztu, Maite (2016). \u201cIntersubjetividad y transferencia: apuntes para la construcci\u00f3n de un caso de estudio\u201d, <em>Nierika. Revista de Estudios de Arte, <\/em>a\u00f1o 5, n\u00fam. 9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Henley, Paul (2001). \u201cCine etnogr\u00e1fico: tecnolog\u00eda, pr\u00e1ctica y teor\u00eda antropol\u00f3gica\u201d, <em>Desacatos. Revista de Antropolog\u00eda Social<\/em>. M\u00e9xico: Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropolog\u00eda Social, n\u00fam. 8, invierno, pp. 17-36.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Minter, Sarah (2008). \u201cA vuelo de p\u00e1jaro, el video en M\u00e9xico: sus inicios y su contexto\u201d, en Laura Baigorri (ed.). <em>Video en Latinoam\u00e9rica. Una historia cr\u00edtica. <\/em>Madrid: Agencia Espa\u00f1ola de Cooperaci\u00f3n Internacional para el Desarrollo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Miranda Robles, Franklin (2011). \u201cCimarronaje cultural e identidad afrolatinoamericana. Reflexiones acerca de un proceso de autoidentificaci\u00f3n heterog\u00e9neo\u201d, <em>Revista de la Casa de las Am\u00e9ricas,<\/em> n\u00fam. 264, pp. 39-56.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Salvetti, Vivina Perla (2017). \u201cIdentidad nativa en los filmes de Jean Rouch: \u00bfetno-ficci\u00f3n o etnon fiction?\u201d. Buenos Aires: Facultad de Filosof\u00eda y Letras. Disponible en: https:\/\/www.academia.edu\/32888324\/Identidad_Nativa_en_los_filmes_de_Jean_Rouch_Etno_Ficci%C3%B3n_o_Etnon_fiction<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Walker, Sheila S. (comp.) (2013). <em>Conocimiento desde adentro. Los afrosudamericanos hablan de sus pueblos y sus historias. <\/em>Fundaci\u00f3n Pedro Andav\u00e9rez Peralta\/Afrodi\u00e1spora\/Fundaci\u00f3n Interamericana\/Organizaci\u00f3n Cat\u00f3lica Canadiense para el Desarrollo y la Paz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ziri\u00f3n, Antonio (2015). \u201cMiradas c\u00f3mplices: cine etnogr\u00e1fico, estrategias colaborativas y antropolog\u00eda visual aplicada\u201d, <em>Revista Iztapalapa<\/em>. M\u00e9xico: Universidad Aut\u00f3noma Metropolitana-Iztapalapa, vol. 36, n\u00fam. 78, pp. 45-56.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Filmografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Guzm\u00e1n, Ximena y Balam Toscano (2024). <em>Mutsk Wu\u00e4jxt\u00eb\u2019<\/em> (<em>Peque\u00f1os zorros<\/em>). Cimarr\u00f3n Audiovisual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Hern\u00e1ndez, Antonio (2021). <em>Nos hicieron noche. <\/em>Tangram Films, Ambulante, Detona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Minter, Sarah (1985). <em>Nadie es inocente. <\/em>Independiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (1991). <em>Alma punk. <\/em>Independiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">P\u00e9rez Solano, Jorge (2018) <em>La negrada. <\/em>Tirisia Cine.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Toscano, Balam (2021). <em>Romina e Iv\u00e1n. <\/em>Cimarr\u00f3n Audiovisual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (actualmente en etapa de posproducci\u00f3n). <em>Soy Yuy\u00e9<\/em>. Cimarr\u00f3n Audiovisual.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Folha de dados t\u00e9cnicos de <em>Amare<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">T\u00edtulo: <em>Amare<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">A\u00f1o: 2024<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pa\u00eds: M\u00e9xico<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">G\u00e9nero: ficci\u00f3n; drama<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Duraci\u00f3n: 23 minutos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Formato: <span class=\"small-caps\">dcp<\/span>, Color<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Direcci\u00f3n: Balam Toscano<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Direcci\u00f3n de Producci\u00f3n: Magnolia Orozco Osegueda, Carla Ascencio Barahona<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Fotograf\u00eda: Constanza Moctezuma<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Guion: Balam Toscano<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Edici\u00f3n: Balam Toscano<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Sonido: Emanuel Gerardo Guerrero, Francisco G\u00f3mez Guevara<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Dise\u00f1o Sonoro: Francisco G\u00f3mez Guevara<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">M\u00fasica original: Francisco G\u00f3mez Guevara, Constanza Moctezuma, Balam N. Toscano<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Direcci\u00f3n de Arte: Ariana P\u00e9rez Mart\u00ednez<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Compa\u00f1\u00eda productora: Centro de Capacitaci\u00f3n Cinematogr\u00e1fica, A.C.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Reparto: Nancy Bail\u00f3n, Patricia Loranca, Nidia Ramos Hernandez, Heriberto \u00c1ngel Hern\u00e1ndez, Isabel Dominga Hern\u00e1ndez Ramos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Formato de Captura: 35 mm<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Colorista: Constanza Moctezuma<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Fecha de rodaje: febrero de 2023<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Velocidad de proyecci\u00f3n: 24 fps<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Tema: Migraci\u00f3n, identidad<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Locaciones: El Tamal, Oaxaca<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Ana Isabel Le\u00f3n Fern\u00e1ndez<\/em> \u00e9 antrop\u00f3logo hist\u00f3rico pela Universidad Veracruzana; mestre em Ci\u00eancias Antropol\u00f3gicas pela Universidad Veracruzana; e um <span class=\"small-caps\">uam<\/span>-Iztapalapa. Seus interesses de pesquisa incluem p\u00fablico de cinema, representa\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas e identidades no M\u00e9xico e povos afro-mexicanos. Ela tamb\u00e9m \u00e9 gerente cultural na \u00e1rea de exibi\u00e7\u00e3o de filmes com o Colectivo Cinema Colecta (Veracruz) desde 2014; colabora na \u00e1rea de programa\u00e7\u00e3o do Festival Art\u00edstico Audiovisual Afrodescendencias. Atualmente, est\u00e1 realizando seus estudos de doutorado na P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Antropol\u00f3gicas da <span class=\"small-caps\">uam<\/span>-Iztapalapa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"notas\" id=\"notas-fixed\">\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote1\">1 Nas palavras do pr\u00f3prio cineasta.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote2\">2 A Balam Toscano fez parte da quarta gera\u00e7\u00e3o do programa \"Ambulante m\u00e1s all\u00e1\"; benefici\u00e1ria do Programa J\u00f3venes Creadores del Fondo Nacional para la Cultura y las Artes (Fundo Nacional para a Cultura e as Artes) (<span class=\"small-caps\">fonca<\/span>); o projeto para o desenvolvimento de narrativas audiovisuais organizado pela Netflix e pelo Fondo Miradas, Ambulante; bem como o <span class=\"small-caps\">ii<\/span> Laborat\u00f3rio de Desenvolvimento de Projetos Cinematogr\u00e1ficos para Cineastas Ind\u00edgenas e Afrodescendentes da Am\u00e9rica Latina, Festival Internacional de Cinema de Morelia (<span class=\"small-caps\">ficm<\/span>). Foi vencedor da se\u00e7\u00e3o Fragmentos de Oaxaca do Festival de Docs de Oaxaca (2024) por <em>Mutsk Wu\u00e4jxt\u00eb'<\/em> (<em>Peque\u00f1os zorros<\/em>) (2024) e vencedor do pr\u00eamio Silver Deer Award no Anthropological Film Festival do National Institute of Anthropology and History pelo mesmo filme.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote3\">3 Com a express\u00e3o cinema \"de dentro\", refiro-me a produ\u00e7\u00f5es audiovisuais feitas sobre e por pessoas pertencentes a uma comunidade afro-mesti\u00e7a, afro-mexicana ou afro-ind\u00edgena. Adotamos esse termo como parte do trabalho que realizamos na equipe de programa\u00e7\u00e3o do Festival de Artes Audiovisuais Afrodescendencias, dirigido pela antrop\u00f3loga Claudia Lora, do qual fa\u00e7o parte desde 2023. O termo foi cunhado pelos pesquisadores afrodescendentes Sheila S. Walker e Jes\u00fas Garc\u00eda em um trabalho coletivo na Venezuela, no qual eles \"assumiram a responsabilidade de contar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, a partir de sua pr\u00f3pria perspectiva, para atender aos interesses de sua pr\u00f3pria comunidade e tamb\u00e9m aos de outras pessoas, que querem ter uma vis\u00e3o mais complexa, completa e correta do que s\u00e3o as Am\u00e9ricas\" (Walker, 2013: 14).<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote4\">4 \"Ambulante m\u00e1s all\u00e1\" \u00e9 uma iniciativa que faz parte da Ambulante, A. C. Ela funciona como uma escola itinerante de ensino de cinema, dedicada a levar ferramentas para aprender a fazer audiovisuais a pessoas em territ\u00f3rios sem acesso a escolas formais de cinema, principalmente em comunidades ind\u00edgenas e afrodescendentes.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote5\">5 Entrevista pessoal com Balam Benjam\u00edn Toscano em 15 de junho de 2023.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote6\">6 Antonio Ziri\u00f3n (2015) nos lembra que tentar definir no\u00e7\u00f5es como \"cinema etnogr\u00e1fico\", al\u00e9m de ser dif\u00edcil, pode ser infrut\u00edfero. Nesse sentido, tamb\u00e9m n\u00e3o pretendo dar uma defini\u00e7\u00e3o de \"docufic\u00e7\u00e3o\". Uso a palavra para me referir especificamente ao trabalho de Sarah Minter, que, devido ao seu car\u00e1ter urbano, tem sido mais dif\u00edcil de associar ao etnogr\u00e1fico. No entanto, com o surgimento da antropologia urbana, pode ser mais compreens\u00edvel que a videoarte de Minter tamb\u00e9m possa ser vista como um filme com conota\u00e7\u00f5es etnogr\u00e1ficas.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote7\">7 <em>Eles nos fizeram passar a noite<\/em> \u00e9 um filme financiado com o apoio da \"Ambulante Beyond\" e da W. K. Kellogg Foundation.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote8\">8 Fa\u00e7o uma analogia com o termo \"cimarronaje\", entendido como o processo de rebeli\u00e3o e fuga de pessoas escravizadas de origem africana durante o per\u00edodo da conquista da Am\u00e9rica. Essas pessoas que escaparam da escravid\u00e3o foram chamadas de cimarronas. Sua resist\u00eancia deu origem a agrupamentos como palenques, quilombos e comunidades que garantiram a sobreviv\u00eancia f\u00edsica, social e cultural dos afrodescendentes (Miranda, 2011: 42). Atualmente, o termo \"cimarr\u00f3n\" \u00e9 redefinido dentro dos movimentos ativistas com adapta\u00e7\u00f5es como \"cimarronear\", referindo-se principalmente a atos de resist\u00eancia na vida cotidiana. Aqui fa\u00e7o uma poss\u00edvel analogia do que poder\u00edamos imaginar como o ato de cimarronaje no cinema, ou seja, uma resist\u00eancia aos c\u00e2nones hegem\u00f4nicos a partir de perspectivas e est\u00e9ticas afro-mexicanas.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote9\">9 Menciono o filme <em>A negrada<\/em> sobre filmes de fic\u00e7\u00e3o filmados em popula\u00e7\u00f5es afro-mexicanas da Costa Chica de Oaxaca. Entretanto, n\u00e3o pretendo fazer nenhum tipo de conex\u00e3o entre o trabalho do cineasta Jorge P\u00e9rez Solano e o trabalho de Balam Toscano e Antonio Hern\u00e1ndez. O filme <em>A negrada<\/em> causou um grande debate na \u00e9poca de seu lan\u00e7amento em 2018. Para quem quiser se aprofundar no impacto desse filme, consulte minha tese de mestrado \"O cinema mexicano como espa\u00e7o de configura\u00e7\u00e3o dos afrodescendentes: o caso do filme <em>A negrada<\/em> e seus p\u00fablicos. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/bindani.izt.uam.mx\/concern\/tesiuams\/zc77sq39x?locale=es\" target=\"_blank\">https:\/\/bindani.izt.uam.mx\/concern\/tesiuams\/zc77sq39x?locale=es<\/a> Acessado em 24 de fevereiro de 2025.<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O foco desta resenha \u00e9 refletir sobre a import\u00e2ncia do cinema de etnofic\u00e7\u00e3o, feito dentro das comunidades para tornar vis\u00edveis as quest\u00f5es e os problemas que as preocupam, como, neste caso, a migra\u00e7\u00e3o para os Estados Unidos. Minha inten\u00e7\u00e3o ao reconhecer Amare (2024) como uma obra de etnofic\u00e7\u00e3o \u00e9 convidar o p\u00fablico a ver o filme a partir de diferentes sensibilidades oferecidas por essa obra que navega entre as linhas t\u00eanues do document\u00e1rio e da fic\u00e7\u00e3o, aproximando-nos de uma das realidades das comunidades afrodescendentes da costa de Oaxaca.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":40045,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[1485,1486,1484,609,500],"coauthors":[551],"class_list":["post-40044","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-10","tag-cine-afromexicano","tag-comunidades-afrodescendientes","tag-costa-chica","tag-etnoficcion","tag-migracion","personas-leon-fernandez-ana-isabel","numeros-1405"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Amare: una mirada a la migraci\u00f3n en la Costa Chica de Oaxaca desde una etnoficci\u00f3n &#8211; 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