{"id":40034,"date":"2025-09-22T10:00:47","date_gmt":"2025-09-22T16:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=40034"},"modified":"2025-09-26T15:25:31","modified_gmt":"2025-09-26T21:25:31","slug":"sanchez-subjetividades-femenina-transgeneras-contrastadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/sanchez-subjetividades-femenina-transgeneras-contrastadas\/","title":{"rendered":"Subjetividades femininas transg\u00eanero contrastantes (urbanas e rurais) em duas narrativas cinematogr\u00e1ficas brasileiras: Laerte-se e Paloma (2017)"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Que percep\u00e7\u00f5es antropol\u00f3gicas podem ser derivadas da maneira como duas narrativas cinematogr\u00e1ficas retratam as mulheres transg\u00eaneros, particularmente no que diz respeito a como elas conseguem sobreviver em um contexto social no qual o padr\u00e3o heterossexual predomina e \u00e9 frequentemente adverso a elas? Este artigo analisa criticamente dois filmes brasileiros, o document\u00e1rio <em>Laerte-se<\/em> (Barbosa da Silva e Brum, 2017) e o longa-metragem de fic\u00e7\u00e3o <em>Paloma<\/em> (Gomes, 2022). Ambos os filmes tratam de mulheres adultas transg\u00eanero, ou seja, seres humanos que nasceram como homens e assumiram uma identidade feminina. Embora ambos sejam brasileiros, cada um retrata um contexto e situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o praticamente ant\u00edpodas do outro. Laerte Coutinho, a protagonista de <em>Laerte-se<\/em>Laerte \u00e9 um artista e cartunista que vive em S\u00e3o Paulo, um ambiente claramente urbano, enquanto Paloma \u00e9 uma trabalhadora agr\u00edcola que vive em uma vila rural em Sert\u00e3o, uma regi\u00e3o no nordeste do Brasil. No entanto, tanto Laerte quanto Paloma, embora tenham personalidades diferentes, como veremos, n\u00e3o apenas vivem claramente sua identidade transg\u00eanero, mas s\u00e3o totalmente aceitas pelas pessoas ao seu redor no trabalho, em casa e na vizinhan\u00e7a. Em outras palavras: elas s\u00e3o simplesmente algu\u00e9m para essas pessoas pr\u00f3ximas, nada mais. De certa forma, elas constru\u00edram ordens interpessoais e intersociais espec\u00edficas que permitem que cada uma delas seja ela mesma, sem muitos questionamentos e - o que \u00e9 muito importante no caso das pessoas transg\u00eaneras - sem viol\u00eancia, como cr\u00edticas, rejei\u00e7\u00e3o ou agress\u00e3o f\u00edsica. Este texto examina alguns dos fatores socioculturais que contribuem para isso, bem como as maneiras pelas quais Laerte e Paloma interagem com ambientes mais amplos, onde n\u00e3o necessariamente desfrutam da mesma aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas sociedades contempor\u00e2neas, o reconhecimento da diversidade de identidades sexuais est\u00e1 se tornando uma quest\u00e3o de fronteira que irrompe mais claramente no cen\u00e1rio p\u00fablico e coletivo, apesar de ser, como uma quest\u00e3o coletiva em disputa, certamente muito antiga. O padr\u00e3o hegem\u00f4nico, que Judith Butler (2020) chama apropriadamente de imperativo heterossexual, tende a se sentir desafiado por essa diversidade de identidades sexo-gen\u00e9ricas agrupadas sob o acr\u00f4nimo <span class=\"small-caps\">lgbttiq+.<\/span> Assim, o padr\u00e3o hegem\u00f4nico geralmente responde com todos os tipos de atitudes discriminat\u00f3rias: desde preconceito e zombaria at\u00e9 viol\u00eancia e difama\u00e7\u00e3o. Portanto, a constru\u00e7\u00e3o de esferas de intera\u00e7\u00e3o interpessoal pelos indiv\u00edduos <span class=\"small-caps\">lgbttiq+, <\/span> As duas mulheres transg\u00eaneros, uma urbana e outra rural, n\u00e3o s\u00e3o apenas fundamentais para sua sobreviv\u00eancia e tranquilidade, mas tamb\u00e9m como uma express\u00e3o de modos de vida tolerantes e pac\u00edficos, que podem dissipar proativamente o clima negativo que elas possam enfrentar. Aqui est\u00e1 uma discuss\u00e3o sobre como essas duas mulheres transg\u00eaneros, uma urbana e uma rural, constroem esses ambientes e como cada uma delas confronta o imperativo heterossexual dominante. \u00c0 sua maneira, cada filme apresenta uma vis\u00e3o desse limite e, da mesma forma, nos permite refletir sobre os desafios enfrentados pela quest\u00e3o do eventual reconhecimento da rela\u00e7\u00e3o entre identidades alternativas de sexo e g\u00eanero na sociedade convencional.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, se o termo cinema trans agrupa obras em que um personagem de determinado g\u00eanero assume permanente ou temporariamente a identidade de outro g\u00eanero, ent\u00e3o esse aspecto do filme \u00e9 relativamente antigo.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> e incluiria situa\u00e7\u00f5es como a de um homem se passando por uma mulher (ou o contr\u00e1rio). De fato, a forma como a trans \u00e9 apresentada no cinema evoluiu. No in\u00edcio, ela era tratada como uma caricatura e o ator ou atriz n\u00e3o era trans (Borrull, 2023). J\u00e1 no final do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xx<\/span>atores\/atrizes heterossexuais retrataram pessoas transg\u00eanero<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> e, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, s\u00e3o os atores ou atrizes trans que retratam personagens trans, muitas vezes em hist\u00f3rias que buscam fazer com que o p\u00fablico tenha empatia com a hist\u00f3ria do personagem em quest\u00e3o (como \u00e9 o caso em <em>Laerte-se<\/em> a partir de <em>Paloma<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, o cinema trans tem um antecedente em <em>O lugar sem limites <\/em>de Arturo Ripstein (1978) (<em>Cinema 23<\/em>(n.d.), mas talvez o <em>tour de force<\/em> no assunto causa isso <em>Uma mulher fant\u00e1stica<\/em> do chileno Sebasti\u00e1n Lelio (2017), estrelado pela atriz trans Daniela Vega, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Atualmente, filmes trans est\u00e3o sendo feitos em diferentes pa\u00edses da regi\u00e3o.<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> e h\u00e1 s\u00e9ries e filmes com quest\u00f5es trans presentes nos diferentes canais comerciais de distribui\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o.<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> e independentes; entre esses \u00faltimos, h\u00e1 nichos espec\u00edficos dedicados a quest\u00f5es de g\u00eanero, como o Playa del Carmen International Queer Film Festival.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena agora levantar as ideias que orientam a presente discuss\u00e3o. Para come\u00e7ar, cada filme \u00e9 entendido como um tipo de narrativa que conta uma hist\u00f3ria (Bruner, 2003) por meio de um enredo e de uma mise-en-sc\u00e8ne. Como uma hist\u00f3ria, um filme \u00e9 um produto hist\u00f3rico-cultural que, embora seja inspirado em realidades, tamb\u00e9m tem um impacto sobre a realidade, contribuindo para refletir sobre valores e comportamentos (Bruner, 2003). Em outras palavras, ele pode cumprir, em um sentido amplo e problematizador, um papel pedag\u00f3gico (S\u00e1nchez \u00c1lvarez, 2023). Como os enredos de <em>Laertes-se<\/em> e <em>Paloma<\/em> s\u00e3o marcados pela tens\u00e3o entre dois paradigmas (um termo que explicarei daqui a pouco): o imperativo heterossexual e a diversidade de identidades de sexo e g\u00eanero, ent\u00e3o podemos dizer que estamos lidando com um drama social, de acordo com a teoria da a\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de Victor Turner (1974). De acordo com Turner, um ator social guia suas a\u00e7\u00f5es por uma met\u00e1fora sobre o que ele considera ser viver bem, estabelecendo-a em uma s\u00e9rie de normas e comportamentos (que constituem um paradigma), que ele procura incorporar ao construir e interagir em diferentes esferas ou campos - casa, trabalho, vizinhan\u00e7a, celebra\u00e7\u00e3o -. Nesse caso, esses campos de intera\u00e7\u00e3o pessoal est\u00e3o localizados em um n\u00edvel microssocial (Bronfenbrenner, 1987); enquanto que, devido \u00e0 sua hegemonia, o imperativo heterossexual est\u00e1 localizado em um n\u00edvel macrossocial (Bronfenbrenner, 1987). Os campos podem ser entendidos, ent\u00e3o, como ordens socioculturais relacionais e simb\u00f3licas por meio das quais organizamos o mundo e pelas quais incorporamos e interagimos nele, como parte do que pode ser chamado de estrat\u00e9gia homeost\u00e1tica (Douglas, 1970, 1992).<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a> Vamos agora abordar o cerne da quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>Laerte-se<\/em>: o encontro consigo mesmo, apesar das d\u00favidas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">De acordo com o document\u00e1rio, Laerte Coutinho era um homem casado e com filhos, al\u00e9m de um conhecido artista e cartunista, cujos pais ainda estavam vivos quando ele decidiu optar por uma identidade feminina. N\u00e3o foi uma transi\u00e7\u00e3o f\u00e1cil, com muitas d\u00favidas, e no presente ele ainda mostra tra\u00e7os de sua identidade masculina anterior. Seus pais, ambos profissionais, n\u00e3o aceitaram a mudan\u00e7a facilmente. A m\u00e3e, que \u00e9 bi\u00f3loga, apresentou um argumento bem conhecido nos estudos de g\u00eanero: seu filho nasceu homem e \u00e9 simplesmente um homem. Sem que lhe dissessem como ou por que, algo a fez mudar. O fato \u00e9 que, por exemplo, no casamento da filha de Laerte, em que ela a entrega junto com a m\u00e3e da mo\u00e7a (ou seja: duas mulheres entregam a noiva), os pais de Laerte parecem felizes e carinhosos com ela. Voltando \u00e0 transi\u00e7\u00e3o de Laerte do masculino para o feminino, acontece que seu filho Rafael continua chamando-a de papai, e o filho de Rafael trata Laerte como av\u00f4, n\u00e3o como av\u00f3, porque o menino tem v\u00e1rias av\u00f3s, mas nenhum outro av\u00f4. E nada disso \u00e9 problem\u00e1tico ou conflituoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Laerte, a ambiguidade de sua identidade tamb\u00e9m \u00e9 revelada na maneira como ela mesma enfrenta o que parece ser um processo cont\u00ednuo de transforma\u00e7\u00e3o pessoal (especialmente f\u00edsica) e tamb\u00e9m em sua pr\u00e1tica como artista e caricaturista. Em uma das v\u00e1rias entrevistas com a jornalista e codiretora do document\u00e1rio, Eliane Brum, Laerte relata o dilema de seu desejo de fazer implantes mam\u00e1rios. Embora n\u00e3o esteja totalmente certa de que deseja realizar o procedimento, n\u00f3s a vemos visitar o consult\u00f3rio de um especialista, n\u00e3o para perguntar sobre suas d\u00favidas, mas quase para agendar a interven\u00e7\u00e3o. Essa visita revela um aspecto da abordagem de Laerte ao seu processo de transforma\u00e7\u00e3o sexog\u00eanica: com d\u00favidas sobre o pr\u00f3ximo passo, como se o estado de liminaridade turneriano fosse algo persistente. E \u00e9 no plano art\u00edstico profissional que ela incorpora, \u00e0 maneira de um desdobramento, tanto certezas quanto incertezas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma passagem da hist\u00f3ria, vemos Laerte delinear, primeiro com l\u00e1pis e depois com tinta preta, uma mulher transg\u00eanero, muito parecida com ela mesma, o que pode ser entendido como um ato de reafirma\u00e7\u00e3o. Em outros momentos, o document\u00e1rio nos apresenta uma caricatura feita por Laerte, referindo-se justamente a uma mulher transg\u00eanero que sonha em fazer implantes mam\u00e1rios e procede dessa forma; mas acontece que, ao negligenciar as indica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, os seios explodem repentina e comicamente como um par de bombas. A ambival\u00eancia parece acompanhar os sentimentos e as a\u00e7\u00f5es de Laerte, mas ela a assume sem culpa ou remorso, como algo inerente a si mesma e, portanto, como parte do processo de constru\u00e7\u00e3o de sua identidade pessoal e de g\u00eanero sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, quando Laerte aparece no palco p\u00fablico, suas d\u00favidas de identidade permanecem entre par\u00eanteses, como se fossem apenas dela. N\u00f3s a vemos em uma Parada do Orgulho <span class=\"small-caps\">lgbttiq+ <\/span>desfilando com os demais participantes, vestida com uma blusa dourada brilhante e uma minissaia; ou apresentando, com grande honra e alegria, uma exposi\u00e7\u00e3o de desenhos e pinturas muito concorrida, na qual ela d\u00e1 aut\u00f3grafos e tira seu retrato em uma sala de cinema. <em>selfies<\/em> com estranhos e com os seus pr\u00f3prios. Al\u00e9m disso, ela participa de um programa de televis\u00e3o no qual expressa que uma de suas preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 como as pessoas trans tratam umas \u00e0s outras. Como se passar por uma cirurgia - ou seja, fazer a transi\u00e7\u00e3o de transg\u00eanero para transexual - fosse, perdoe a redund\u00e2ncia, a \u00fanica transi\u00e7\u00e3o leg\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se dizer que o tom amb\u00edguo desaparece completamente quando Laerte \u00e9 vista em sua vida di\u00e1ria, interagindo com o filho e\/ou neto, bem como com vizinhos e trabalhadores que est\u00e3o consertando a casa e o casamento da filha. Em todos esses ambientes microssociais, ela parece relaxada, calma e confort\u00e1vel. Est\u00e1 claro que ela desfruta de total aceita\u00e7\u00e3o, embora, por outro lado, muitos dos relacionamentos que estruturam esses campos - como o relacionamento com o filho, a filha e o neto e, possivelmente, com os colegas - datam de antes da transi\u00e7\u00e3o e, portanto, perduraram e se fortaleceram com o tempo. Em outras palavras: para Laerte, nem tudo \u00e9 definido por sua identidade de g\u00eanero e sexo, por mais importante que isso seja.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>Paloma<\/em>A certeza da bolha<\/h2>\n\n\n\n<p>Passamos para o caso de Paloma, come\u00e7ando com uma esp\u00e9cie de autorretrato:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Meu nome \u00e9 Paloma. Eu moro e trabalho aqui em Salo\u00e1 como agricultora e, \u00e0s vezes, como cabeleireira. Moro [...] com meu marido Z\u00e9. Com ele, crio minha filha Jennifer, o maior presente que Deus me deu. Eu nasci homem, mas sou mulher.<br>Cometi muitos erros, mas depois de conhecer o Z\u00e9, vivo uma vida decente e digna como qualquer outra mulher. Eu me considero uma falha de Deus, como qualquer outra pessoa.<br>Agora, o que tenho de fazer \u00e9 realizar meu maior sonho [...] que \u00e9 me casar na igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa autodescri\u00e7\u00e3o, que nos permite abordar tanto a personagem quanto a iniciativa que ela toma e que rege o enredo do filme, vem de uma carta que Paloma dita a um amigo, endere\u00e7ada ao Papa, na qual ela pede que ele autorize seu casamento com Z\u00e9, seu companheiro. Claramente, esse pedido, se realizado, constituiria uma transgress\u00e3o tanto religiosa quanto \u00e9tica. O catolicismo - em quest\u00f5es de identidade de g\u00eanero - s\u00f3 reconhece a distin\u00e7\u00e3o homem\/mulher, que considera ser a ordem natural das coisas e, portanto, em quest\u00f5es de alian\u00e7a conjugal, s\u00f3 promove e consagra o padr\u00e3o heterossexual, mas tamb\u00e9m como um v\u00ednculo indissol\u00favel. Uma posi\u00e7\u00e3o que, apesar da separa\u00e7\u00e3o entre o religioso e o estatal em sociedades seculares como o Brasil, fez com que o padr\u00e3o heterossexual fosse reconhecido e estabelecido civilmente por muito tempo. Essa posi\u00e7\u00e3o, por sua vez, significa que \u00e9 comum que os cidad\u00e3os vejam esse padr\u00e3o n\u00e3o apenas como normal, mas tamb\u00e9m como o \u00fanico poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, como afirma a carta ao papa, Paloma vive com seu companheiro, que, como m\u00e3e e pai, respectivamente, criam uma filha, Jennifer; em outras palavras, ela vive como uma fam\u00edlia. Essa situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 acontecendo \u00e0 vista de todos em Salo\u00e1, sem que ningu\u00e9m diga nada, assim como ningu\u00e9m diz nada na empresa agr\u00edcola onde Paloma trabalha como diarista, colhendo frutas, como parte de um grupo de mulheres diaristas. Paloma construiu uma ordem diferente e alternativa ao padr\u00e3o predominante em termos de identidade de g\u00eanero, relacionamentos de casal, organiza\u00e7\u00e3o familiar, vizinhan\u00e7a e trabalho. No entanto, como crente fervorosa, ela quer dar um passo adiante em termos de reconhecimento e direitos: que essa ordem, constru\u00edda com base em sua identidade transg\u00eanero, seja reconhecida pela maior autoridade de todas: Deus por meio de sua Igreja. Se ela for bem-sucedida, alcan\u00e7ar\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o existencial e social.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo no in\u00edcio, o filme nos avisa que o pedido de Paloma tem tra\u00e7os de uma bolha. \u00c9 Z\u00e9, seu parceiro, que, ao saber desse desejo, comenta que ele \u00e9 uma tolice, embora nunca se oponha abertamente \u00e0 ideia de se casar. Em seguida, em um curto per\u00edodo de f\u00e9rias em um resort \u00e0 beira-mar, Paloma e sua fam\u00edlia s\u00e3o discriminados por uma m\u00e3e, que parece consider\u00e1-los ral\u00e9 (ou seja, exercendo a exclus\u00e3o de classe) e pro\u00edbe a filha de brincar com Jennifer na piscina.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Paloma, talvez convencida da bondade de suas inten\u00e7\u00f5es (e do mundo), segue em frente com seu empreendimento. \u00c0 medida que ela prossegue, a bolha revela outros pontos fracos. Uma delas \u00e9, de certa forma, a pr\u00f3pria Paloma, que, em uma visita a um santu\u00e1rio onde vai para cumprir uma promessa, cede \u00e0s aten\u00e7\u00f5es do motorista que a conduziu com um grupo de amigos. Em outras palavras: pode-se dizer que sua atitude sacralizadora em rela\u00e7\u00e3o ao v\u00ednculo com Z\u00e9 (que ela professa na carta) tem suas armadilhas. Outro ponto fraco \u00e9 Z\u00e9, que simplesmente acompanha Paloma, apesar de discordar da ideia de se casar.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta oficial do Vaticano chega e, \u00e9 claro, \u00e9 um n\u00e3o. O padre local transmite a decis\u00e3o, argumentando que existe uma ordem natural baseada na biologia. O padre local transmite a decis\u00e3o, argumentando que existe uma ordem natural baseada na biologia. Mas, paradoxalmente, ele tamb\u00e9m a informa que h\u00e1 um ex-padre cat\u00f3lico que fundou uma nova igreja e que ele poderia se casar com ela. Nem tola nem pregui\u00e7osa, liderada por um relutante Z\u00e9, Paloma vai at\u00e9 esse padre, que concorda sem problemas e a cerim\u00f4nia acontece em Salo\u00e1, com os noivos vestidos a rigor, mas apenas na presen\u00e7a dos amigos de Paloma. O evento, no entanto, \u00e9 ampliado quando um cinegrafista registra a celebra\u00e7\u00e3o e o v\u00eddeo aparece no notici\u00e1rio da televis\u00e3o regional. A bolha estourou: o que antes era uma situa\u00e7\u00e3o aceit\u00e1vel aos olhos dos outros n\u00e3o \u00e9 mais aceit\u00e1vel. Depois de sofrer o opr\u00f3brio de sua m\u00e3e por telefone, Z\u00e9 abandona o relacionamento no meio da lua de mel. Paloma, de volta a Salo\u00e1, abandona seu emprego e sua casa, coloca Jennifer temporariamente com a mulher com quem deu \u00e0 luz a crian\u00e7a e procura uma nova vida fora da cidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fechamento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Quais s\u00e3o as preocupa\u00e7\u00f5es que eles nos deixam? <em>Laerte-se <\/em>e <em>Paloma<\/em>? A mais \u00f3bvia, que \u00e9 um bom ponto de discuss\u00e3o, \u00e9 que a constru\u00e7\u00e3o de uma vida digna para uma mulher transg\u00eanero ainda est\u00e1 em um n\u00edvel microssocial, ou seja, em esferas e intera\u00e7\u00f5es pessoais; enquanto no n\u00edvel macrossocial essa possibilidade \u00e9, na melhor das hip\u00f3teses, amb\u00edgua, como \u00e9 o caso de Laerte. Como claramente demonstrado por <em>Paloma<\/em>A dignifica\u00e7\u00e3o das pessoas transg\u00eanero no n\u00edvel macrossocial envolve muito mais do que processos e a\u00e7\u00f5es de aceita\u00e7\u00e3o (embora estes sejam indispens\u00e1veis). O imperativo heterossexual est\u00e1 profundamente arraigado na cultura de sociedades como a brasileira e a latino-americana em geral, desde a religi\u00e3o - para muitos ela se coloca como a grande ju\u00edza do mundo -, passando pela nomenclatura dos banheiros, at\u00e9 o universo de representa\u00e7\u00f5es de g\u00eanero com que se deparam diariamente: na publicidade onipresente e nos curr\u00edculos do sistema educacional, por exemplo. \u00c9 importante registrar que nas sociedades contempor\u00e2neas ainda h\u00e1 viol\u00eancia f\u00edsica e simb\u00f3lica ostensiva contra pessoas trans, situa\u00e7\u00e3o particularmente grave no caso do Brasil (que serve de cen\u00e1rio para os dois filmes), pa\u00eds onde mais se mata pessoas trans no mundo (Ribeiro, Neves Riani e Antunes-Rocha, 2019).<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a> Esse panorama indica que a quest\u00e3o da aceita\u00e7\u00e3o da diversidade das identidades de sexo e g\u00eanero tem um longo caminho pela frente, nada f\u00e1cil, de muito questionamento, discuss\u00e3o, reflex\u00e3o e resili\u00eancia. Em outras palavras: um caminho incerto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 para esse grande f\u00f3rum que filmes como <em>Laerte-se<\/em> e <em>Paloma<\/em> Eles contribuem com seu gr\u00e3o de areia. Ao se colocarem nas fronteiras para tratar de uma quest\u00e3o humana aparentemente peculiar, eles destacam o cotidiano e a normalidade de seus personagens e de seu mundo imediato. Com essa proposta, buscam conquistar nossa empatia. \u00c9, sim, muito sugestivo que Laerte seja mostrado em carne e osso, cheio de d\u00favidas e ambiguidades (e, portanto, de flexibilidades e negocia\u00e7\u00f5es pessoais, interpessoais e sociais); enquanto Paloma \u00e9 retratada com muito orgulho e teimosia, cheia de confian\u00e7a, que parece derivar de um excesso de confian\u00e7a. Por outro lado, como mostram as duas proje\u00e7\u00f5es, a sociedade em que elas se movem, ao contr\u00e1rio, tende a ver o surgimento dessas novas identidades com certa desconfian\u00e7a - e tamb\u00e9m com viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Barbosa da Silva, Lygia y Eliane Brum (2017). <em>Laerte-se<\/em>. Singapur, Netflix.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Borrull, Mariona (2023). \u201cLas 30 mejores pel\u00edculas sobre personas trans de la historia del cine\u201d, <em>Fotogramas.<\/em> (https:\/\/www.fotogramas.es\/famosos-celebrities\/g8053979\/la-transexualidad-en-10-peliculas\/ Consultado el 25 y 29 de noviembre de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Bronfenbrenner, Urie (1987). <em>La ecolog\u00eda del desarrollo humano<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Bruner, Jerome (2003). <em>La f\u00e1brica de sue\u00f1os<\/em>.<em> Derecho, literatura, vida<\/em>. Buenos Aires: <span class=\"small-caps\">fce<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Butler, Judith (2020). <em>Sin miedo<\/em>. M\u00e9xico: Random House.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Cinema 23 (s.f.) \u201cLa diversidad sexual en el cine iberoamericano\u201d, <em>Cinema 23<\/em>. https:\/\/cinema23.com\/en\/blog\/foco\/la-diversidad-sexual-en-el-cine-iberoamericano\/ Consultado el 29 de noviembre de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Douglas, Mary (1975). <em>La naturaleza de las cosas<\/em>. Barcelona: Anagrama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (1992). <em>Risk and Blame<\/em>. Londres: Routledge.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Gomes, Marcelo (2022). <em>Paloma<\/em>. Brasil-Portugal, Carnaval Filmes, Misti Filmes, Ukbar Filmes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Radi\u00f3nica (2023). \u201cM\u00e1s all\u00e1 de las etiquetas: explorando la vida trans en Am\u00e9rica Latina\u201d. https:\/\/www.radionica.rocks\/cine\/mas-alla-de-las-etiquetas-explorando-la-vida-trans-en-america-latina Consultado el 29 de noviembre de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ribeiro, Luiz Paulo, Sergio Rosa Neves Riani y Mar\u00eda Isabel Antunes Rocha (2019). \u201cRepresentaciones sociales de personas transg\u00e9nero (transexuales y travestis) de la violencia\u201d, <em>Revista de Psicolog\u00eda<\/em>. Lima, vol. 37, n\u00fam. 2 http:\/\/www.scielo.org.pe\/scielo.php?pid=S0254-92472019000200007&amp;script=sci_arttext&amp;tlng=en<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">S\u00e1nchez \u00c1lvarez, Mauricio (2023) \u201cProducci\u00f3n audiovisual y pedagog\u00eda social intercultural: el caso de la serie <em>Historias de San Francisco<\/em>\u201d, en Irving Samadhi Aguilar Rocha y Mar\u00eda Guadalupe Huerta Rocha (coords.). <em>Interculturalidad: diversidad de diversidades<\/em>. M\u00e9xico: Universidad Aut\u00f3noma de Morelos, pp. 105-124.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Turner, Victor (1974). <em>Dramas, Fields and Metaphors<\/em>. Ithaca: Cornell University Press.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Mauricio S\u00e1nchez \u00c1lvarez <\/em>\u00e9 um antrop\u00f3logo, fot\u00f3grafo e tradutor colombiano-mexicano. \u00c9 PhD em Antropologia pela Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico. H\u00e1 mais de 40 anos pesquisa nos campos de estudos humano-ambientais, educa\u00e7\u00e3o intercultural e antropologia audiovisual, dos quais tem publica\u00e7\u00f5es e proje\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas e est\u00e9ticas. Lecionou no Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropolog\u00eda Social, na Escuela Nacional de Antropolog\u00eda e Historia, na Universidad Aut\u00f3noma Metropolitana-Unidad Iztapalapa, na Universidad Aut\u00f3noma del Estado de Morelos e na Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico. Trabalhou como consultor para a Secretar\u00eda de Educaci\u00f3n P\u00fablica, coordenador do Laboratorio Audiovisual del <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span> e tradutor de textos do cientista pol\u00edtico americano Jonathan Fox (<span class=\"small-caps\">ucsc<\/span> e American University) e o Violence Policy Center. Atualmente, est\u00e1 desenvolvendo projetos relacionados ao ensino de produ\u00e7\u00e3o audiovisual em antropologia. \u00c9 membro da Academia de Ci\u00eancias Sociais e Humanas do Estado de Morelos, da Red de Estudios Sociales sobre el Medio Ambiente (<span class=\"small-caps\">resma<\/span>) e a Rede de Pesquisa Audiovisual da <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span> (<span class=\"small-caps\">riav<\/span>).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"notas\" id=\"notas-fixed\">\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote1\">1 Por exemplo: <em>N\u00e3o quero ser um homem<\/em> de Ernst Lubitsch (1918) (Borrull, 2023).<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote2\">2 Por exemplo: <em>Meninos n\u00e3o choram<\/em> de Kimberly Peirce (1999) (Borrull, 2023).<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote3\">3 Veja <a href=\"https:\/\/www.radionica.rocks\/cine\/mas-alla-de-las-etiquetas-explorando-la-vida-trans-en-america-latina\" target=\"_blank\">Radi\u00f4nica (2023)<\/a><\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote4\">4 Por exemplo: a Netflix exibiu a s\u00e9rie <em>Historias de San Francisco<\/em> e <em>Pose,<\/em> bem como o document\u00e1rio <em>Laerte-se<\/em>.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote5\">5 \"Todo universo deve ser entendido como um todo, engendrado com um tipo especial de experi\u00eancia social. Pode-se fazer a obje\u00e7\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel imaginar um n\u00famero t\u00e3o infinito de qualifica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis da natureza operando dentro de uma variedade t\u00e3o grande de rela\u00e7\u00f5es sociais que n\u00e3o faz sentido falar de universos entendidos como um todo. Mas o tipo de totalidade que nos interessa est\u00e1 no conjunto finito de padr\u00f5es usados para conceituar a realidade [...]\" (Douglas, 1975: 45). \"Estamos, como no in\u00edcio, com nosso mundo familiar dividido por suas categorias estabelecidas e ativado pelos princ\u00edpios que conhecemos. Esse mundo continua sendo nosso ponto de refer\u00eancia est\u00e1vel para considerar todos os outros mundos como peculiares e outros tipos de conhecimento como deficientes. A tradu\u00e7\u00e3o prospera onde a experi\u00eancia coincide\" (Douglas, 1975: 37).<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote6\">6 A pesquisa de Ribeiro, Neves Riani e Antunes-Rocha (2019) entre a popula\u00e7\u00e3o transg\u00eanero de Belo Horizonte indica que a viol\u00eancia \u00e9 exercida contra essas pessoas em diferentes n\u00edveis institucionais da sociedade: desde a rejei\u00e7\u00e3o familiar at\u00e9 a neglig\u00eancia em institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e o <em>bullying<\/em> nas escolas, criando um clima realmente t\u00f3xico.<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o Que reflex\u00f5es antropol\u00f3gicas podem ser derivadas da forma como duas narrativas cinematogr\u00e1ficas retratam as mulheres transg\u00eaneros, em especial no que diz respeito a como elas conseguem sobreviver em um contexto social em que predomina o padr\u00e3o heterossexual e que muitas vezes lhes \u00e9 adverso? 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