{"id":39940,"date":"2025-09-22T10:00:30","date_gmt":"2025-09-22T16:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=39940"},"modified":"2025-09-19T17:01:50","modified_gmt":"2025-09-19T23:01:50","slug":"juarez-autorrepresentacion-identidad-afrodescendencia-yucatan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/juarez-autorrepresentacion-identidad-afrodescendencia-yucatan\/","title":{"rendered":"Curadorias do eu. Afro-descend\u00eancia em quest\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Por meio de fotografias, entrevistas, hist\u00f3rias de vida e uma metodologia dial\u00f3gica baseada na horizontalidade, essa etnografia visual reconstr\u00f3i v\u00e1rias formas de identifica\u00e7\u00e3o e autorrepresenta\u00e7\u00e3o que se referem, de diferentes maneiras, \u00e0 afrodescend\u00eancia e suas supostas marcas som\u00e1ticas. Tudo isso est\u00e1 situado em um contexto regional, urbano e contempor\u00e2neo, historicamente associado aos maias como uma alteridade dominante e como um componente fundamental da identidade local. O objetivo \u00e9 entender, a partir das experi\u00eancias e perspectivas de uma mulher iucateca, como as marcas de pertencimento e identidade operam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s hierarquias sociais e \u00e0 autorrepresenta\u00e7\u00e3o, bem como os processos envolvidos na apropria\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o das categorias associadas a essas marcas.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/afrodescendencia\/\" rel=\"tag\">Afrodescendentes<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/autorrepresentacion\/\" rel=\"tag\">auto-representa\u00e7\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/foto-elicitacion\/\" rel=\"tag\">fot\u00f4metro<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/identidad\/\" rel=\"tag\">identidade<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/yucatan\/\" rel=\"tag\">Yucatan<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-text en-title\"><span class=\"small-caps\">curadoria do eu: representando a ascend\u00eancia africana <\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-text abstract\">Essa etnografia visual reconstr\u00f3i v\u00e1rias formas de identifica\u00e7\u00e3o e autorrepresenta\u00e7\u00e3o que evocam a ascend\u00eancia africana e seus supostos marcadores som\u00e1ticos de diversas maneiras por meio de fotografias, entrevistas, hist\u00f3rias de vida e uma an\u00e1lise dial\u00f3gica baseada em rela\u00e7\u00f5es horizontais. No contexto regional, urbano e contempor\u00e2neo deste estudo etnogr\u00e1fico, o maia tem servido historicamente como o \"outro\" predominante e um componente fundamental da identidade local. Com base nas experi\u00eancias e perspectivas de uma mulher iucateca, o artigo explora como os marcadores de pertencimento e identidade operam dentro das hierarquias sociais e da autorrepresenta\u00e7\u00e3o, bem como os processos envolvidos na apropria\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o de categorias associadas a esses marcadores.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-text abstract\">Palavras-chave: autorrepresenta\u00e7\u00e3o, identidade, ascend\u00eancia africana, Yucat\u00e1n, foto-elicita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/ensayos-fotograficos\/afrodescendencia-rosma-garduza\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"967\" height=\"544\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/naha-image22-edited.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40002\" srcset=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/naha-image22-edited.jpg 967w, https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/naha-image22-edited-300x169.jpg 300w, https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/naha-image22-edited-768x432.jpg 768w, https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/naha-image22-edited-18x10.jpg 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 967px) 100vw, 967px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Clique aqui para acessar o ensaio fotogr\u00e1fico<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pontos de partida<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Rosma Garduza nasceu h\u00e1 46 anos em Valladolid, Yucat\u00e1n, uma cidade agora reconhecida pelo governo federal como uma cidade m\u00e1gica. Desde os nove anos de idade, ela cresceu em M\u00e9rida, a capital do estado, com sua m\u00e3e e seu irm\u00e3o mais novo. Atualmente, ela mora com seus dois filhos e o pai de seu segundo filho em uma casa alugada a uma rua do corredor gastron\u00f4mico de M\u00e9rida, parte do projeto de renova\u00e7\u00e3o do centro hist\u00f3rico que visa promover o turismo e a economia local. Esse local \u00e9 estrat\u00e9gico para a exposi\u00e7\u00e3o e venda de suas joias, que s\u00e3o a principal fonte de renda de sua fam\u00edlia. Rosma estudou Antropologia com especializa\u00e7\u00e3o em Literatura e Lingu\u00edstica na Universidade Aut\u00f4noma de Yucat\u00e1n (<span class=\"small-caps\">uady<\/span>),<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> e foi reconhecida no mundo do design mexicano por seu talento art\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p>Conheci Rosma h\u00e1 14 anos, em M\u00e9rida, durante uma exposi\u00e7\u00e3o de arte. Desde ent\u00e3o, temos compartilhado um relacionamento baseado em um di\u00e1logo aberto e franco. Ao longo de nossas conversas e reflex\u00f5es compartilhadas, Rosma me relatou v\u00e1rias experi\u00eancias em que sua presen\u00e7a provoca recorrentemente coment\u00e1rios que a racializam e exotizam, aludindo \u00e0s suas marcas som\u00e1ticas. Esses coment\u00e1rios geralmente revelam uma disson\u00e2ncia entre as percep\u00e7\u00f5es que os outros t\u00eam dela e as representa\u00e7\u00f5es sociais de mexicanidade, yucatecnia e alteridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde sua inf\u00e2ncia, seus apelidos eram marcados pela cor de sua pele: \"Negra\", \"Sorulla\",<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a> \"Mem\u00edn Pingu\u00edn,<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a> \"Somali\", denomina\u00e7\u00f5es que ele considerou denegridoras. Mais tarde, em sua intera\u00e7\u00e3o com estrangeiros em M\u00e9rida, ele ficou fascinado com seu suposto \"perfil maia\".<a class=\"anota\" id=\"anota7\" data-footnote=\"7\">7<\/a> Em uma ocasi\u00e3o, um homem haitiano a parou na rua, intrigado com sua apar\u00eancia, e disse: \"Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 muito mexicana.<a class=\"anota\" id=\"anota8\" data-footnote=\"8\">8<\/a> Em uma reuni\u00e3o da qual ela participou sem conhecer os outros convidados, um deles pediu que ela lhe servisse caf\u00e9, presumindo erroneamente que ela fosse uma empregada dom\u00e9stica. Em outra situa\u00e7\u00e3o, durante uma sess\u00e3o de aconselhamento com seu professor idoso, os animadores do restaurante onde estavam comendo fizeram coment\u00e1rios \"jocosos\" insinuando que Rosma era uma prostituta cubana que estava \"providenciando\" seu status de imigra\u00e7\u00e3o. H\u00e1 alguns anos, uma fotografia de seu rosto foi inclu\u00edda em uma exposi\u00e7\u00e3o sobre afrodescendentes em Yucat\u00e1n, embora ela n\u00e3o tenha se identificado como tal at\u00e9 o momento da entrevista (imagem 19).<\/p>\n\n\n\n<p>Que fatores entram em jogo para que Rosma n\u00e3o seja reconhecida - nos termos de Caballero (2019: <span class=\"small-caps\">xx<\/span>) - como um t\u00edpico sujeito \"regional\"? Como essa percep\u00e7\u00e3o afeta sua autorrepresenta\u00e7\u00e3o e identidade? Como a autorrepresenta\u00e7\u00e3o de Rosma se apresenta como um contraponto \u00e0s narrativas dominantes da identidade local e aos ideais de beleza que ela incorpora?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\"O qu\u00ea?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Essa etnografia visual, juntamente com a curadoria resultante (veja as 21 imagens no PowerPoint), busca refletir - a partir da dimens\u00e3o \u00edntima do sujeito - sobre as formas de identifica\u00e7\u00e3o e autorrepresenta\u00e7\u00e3o que se referem, de diferentes maneiras, \u00e0 afrodescend\u00eancia.<a class=\"anota\" id=\"anota9\" data-footnote=\"9\">9<\/a> e suas supostas marcas som\u00e1ticas. Essa reflex\u00e3o est\u00e1 situada em um contexto regional, urbano e contempor\u00e2neo, historicamente associado aos maias como uma alteridade dominante e como um componente fundamental da identidade local em Yucat\u00e1n.<a class=\"anota\" id=\"anota10\" data-footnote=\"10\">10<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Com base nas fotografias, bem como nas experi\u00eancias e reflex\u00f5es compartilhadas com Rosma, o objetivo deste texto \u00e9 entender como as marcas de pertencimento e identidade operam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s hierarquias sociais e \u00e0 autorrepresenta\u00e7\u00e3o, bem como os processos envolvidos na apropria\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o das categorias associadas a essas marcas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\"O como<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Rosma n\u00e3o nasceu em uma comunidade ou fam\u00edlia que se declarasse negra ou afro-mexicana. Foi a partir da adolesc\u00eancia que come\u00e7aram a surgir questionamentos sobre seu fen\u00f3tipo e sua representa\u00e7\u00e3o, ligados a caracter\u00edsticas som\u00e1ticas comumente associadas a popula\u00e7\u00f5es negras ou \"afro\". Essas preocupa\u00e7\u00f5es surgiram \u00e0 luz de olhares externos e de suas pr\u00f3prias experi\u00eancias, influenciando profundamente sua autorrepresenta\u00e7\u00e3o e identidade, esta \u00faltima entendida nos termos propostos por Stuart Hall:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Vale a pena dizer que, de uma maneira diretamente contr\u00e1ria ao que parece ser sua carreira sem\u00e2ntica preestabelecida, esse conceito de identidade <em>n\u00e3o aponta para esse n\u00facleo est\u00e1vel do eu<\/em> O \"eu\" \u00e9 o \"eu\" [\u00eanfase adicionada] que, do come\u00e7o ao fim, se desdobra inalterado em todas as vicissitudes da hist\u00f3ria; o fragmento do \"eu\" que j\u00e1 \u00e9 e sempre permanece \"o mesmo\", id\u00eantico a si mesmo ao longo do tempo. Tampouco \u00e9 - se transferirmos essa concep\u00e7\u00e3o essencialista para o cen\u00e1rio da identidade cultural - aquele \"eu coletivo ou verdadeiro que est\u00e1 oculto dentro de muitos outros 'eus' mais superficiais ou artificialmente impostos que um povo com hist\u00f3ria e ancestralidade compartilhadas tem em comum\" [Hall, 1990] e que pode estabilizar, fixar ou garantir uma \"singularidade\" ou pertencimento cultural imut\u00e1vel, subjacente a todas as outras diferen\u00e7as superficiais. O conceito aceita que as identidades nunca s\u00e3o unificadas e, no final dos tempos modernos, est\u00e3o cada vez mais fragmentadas e fraturadas; elas nunca s\u00e3o singulares, mas constru\u00eddas de v\u00e1rias maneiras por meio de discursos, pr\u00e1ticas e posi\u00e7\u00f5es diferentes, muitas vezes interseccionadas e antag\u00f4nicas (Hall, 2003: 17).<\/p>\n\n\n\n<p>A no\u00e7\u00e3o de autorrepresenta\u00e7\u00e3o que orienta este artigo tamb\u00e9m est\u00e1 pr\u00f3xima da proposta de Jos\u00e9 Mela, que vincula a identidade a uma \"pr\u00e1tica de autorrepresenta\u00e7\u00e3o\" baseada na capacidade de ag\u00eancia e na elabora\u00e7\u00e3o de autoimagens. Essas, argumenta ele, podem funcionar como um dispositivo para implantar outras leituras da alteridade racializada e subordinada, \"mais distantes da legitimidade dos discursos institucionalizados e muito mais pr\u00f3ximas do ponto de vista daqueles que vivem a experi\u00eancia da identidade e observam a si mesmos\" (Mela, 2021: 65).<\/p>\n\n\n\n<p>Para reconstruir a narrativa das \"ra\u00edzes e rotas\" do processo de identidade de Rosma, parto de suas experi\u00eancias, de seu olhar e de suas viv\u00eancias. Para isso, escolhi a foto-elicita\u00e7\u00e3o como uma ferramenta metodol\u00f3gica f\u00e9rtil devido \u00e0 sua capacidade de ativar a subjetividade e o di\u00e1logo, permitindo-me, assim, reconstruir momentos, situa\u00e7\u00f5es e eventos, mas tamb\u00e9m as experi\u00eancias \u00edntimas de minha entrevistada. Essa abordagem metodol\u00f3gica possibilita o emprego de uma dimens\u00e3o sensorial que enriquece a narrativa e aprimora a troca reflexiva (Collier e Collier, 1986).<a class=\"anota\" id=\"anota11\" data-footnote=\"11\">11<\/a> Trata-se, portanto, de um exerc\u00edcio etnogr\u00e1fico din\u00e2mico e, em muitos aspectos, experimental, pois as fotografias \"n\u00e3o t\u00eam uma narrativa previamente atribu\u00edda\" (Londo\u00f1o, 2013: 55). As mem\u00f3rias que elas evocam s\u00e3o m\u00faltiplas e nunca definitivas. O tempo decorrido entre a captura de uma imagem e o momento de sua interpreta\u00e7\u00e3o, atravessado pela perspectiva pessoal e sua temporalidade espec\u00edfica, organiza a experi\u00eancia e a mem\u00f3ria de forma din\u00e2mica e n\u00e3o linear. Como Gemma Orobitg nos lembra, o uso de fotografias como parte de entrevistas pode se tornar \"um meio de produ\u00e7\u00e3o de dados por meio de negocia\u00e7\u00e3o e reflexividade\" (2004: 34).<\/p>\n\n\n\n<p>A fotografia, nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 apenas uma ferramenta metodol\u00f3gica, mas tamb\u00e9m uma fonte: um ve\u00edculo para materializar o tempo, construir e reconstruir a mem\u00f3ria, a identidade e a representa\u00e7\u00e3o da realidade. Assim, ela se torna o que Agustina Triquell (2015: 122) chama de \"um ponto de partida epistemol\u00f3gico\" e uma parte substancial do trabalho etnogr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedi a Rosma que escolhesse algumas fotografias significativas a partir das quais pud\u00e9ssemos identificar momentos importantes de sua vida relacionados, de alguma forma, a essa \"raiz afro\": \u00e0s vezes suspensa, \u00e0s vezes dilu\u00edda, \u00e0s vezes incorporada e quase nunca assumida. Algumas dessas imagens s\u00e3o do \u00e1lbum de fam\u00edlia que sua m\u00e3e guardava e que gentilmente concordou em compartilhar conosco em uma tarde. Outras foram tiradas por fot\u00f3grafos conhecidos de Rosma, e as demais correspondem a suas pr\u00f3prias selfies. A selfi \u00e9 entendida aqui, nos termos de Guti\u00e9rrez Miranda (2023), como um \"dispositivo performativo de constru\u00e7\u00e3o de identidade\":<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">O indiv\u00edduo se \"autoconstr\u00f3i\" por meio dela, ou pode refletir uma imagem igual ou completamente diferente daquela capturada, uma imagem p\u00fablica, ou revelar uma esfera mais pessoal ou privada. Pode, ent\u00e3o, mostrar - como o autorretrato tradicional originalmente fazia - uma imagem perform\u00e1tica do \"eu\" acompanhada por elementos ou s\u00edmbolos que permitem que ela seja revelada ou complementada (Guit\u00e9rrez Miranda, 2023: 120-121).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que nossas conversas avan\u00e7avam, a sele\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica se transformava. Come\u00e7amos com cinco imagens, mas \u00e0 medida que o di\u00e1logo se aprofundava, a sele\u00e7\u00e3o aumentava. \u00c0s fotos inicialmente escolhidas por Rosma, acrescentamos algumas sugeridas por mim, pois elas acrescentavam nuances e contextualizavam sua hist\u00f3ria de vida. No total, s\u00e3o 21 imagens. Foi, portanto, uma curadoria colaborativa que funcionou como uma interface para seus m\u00faltiplos \"eus\", sua pessoa e a reflexividade de sua autorrepresenta\u00e7\u00e3o.<a class=\"anota\" id=\"anota12\" data-footnote=\"12\">12<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena perguntar, como faz Duv\u00e1n Londo\u00f1o: \"Como a fotografia pode ser abordada indo al\u00e9m do conte\u00fado mais \u00f3bvio que ela cont\u00e9m, de modo que um conte\u00fado mais etnogr\u00e1fico possa emergir?\" (Londo\u00f1o, 2013: 55). Minha abordagem metodol\u00f3gica foi baseada no princ\u00edpio da horizontalidade como eixo central do processo de pesquisa, buscando deslocar a l\u00f3gica que divide os sujeitos que \"sabem\" daqueles que \"n\u00e3o sabem\". Em vez disso, optei, nos termos de Mailsa Pinto e Rita Ribes, pela negocia\u00e7\u00e3o do conhecimento e pelo \"emaranhado de ideias e possibilidades\" (2012) por meio de uma dialogicidade com meu entrevistado, que \"n\u00e3o ocorre apenas na rela\u00e7\u00e3o que se estabelece em uma determinada ordem de perguntas e respostas, mas no momento em que os sujeitos se encontram para narrar suas pr\u00e1ticas e hist\u00f3rias [...]\" (2012: 168-171).<\/p>\n\n\n\n<p>As reuni\u00f5es e entrevistas com Rosma ocorreram em diferentes espa\u00e7os: na casa de sua m\u00e3e - onde tive acesso ao \u00e1lbum de fam\u00edlia -, em sua oficina criativa, em v\u00e1rios caf\u00e9s e em espa\u00e7os p\u00fablicos de lazer. Essa colabora\u00e7\u00e3o foi refor\u00e7ada por uma amizade de mais de dez anos, tecida a partir da confian\u00e7a e da cumplicidade, o que alimentou significativamente a abordagem dial\u00f3gica dessa etnografia e da curadoria visual. Por essa raz\u00e3o, optei por uma metodologia horizontal que promoveu, nos termos de Sarah Corona, \"a autonomia do pr\u00f3prio olhar\", entendida como \"o fato dial\u00f3gico que ocorre entre o pesquisador e o pesquisado, no qual o ouvinte e o falante se revezam e traduzem o seu pr\u00f3prio conhecimento e o do outro para construir o seu pr\u00f3prio conhecimento e o conhecimento sobre o outro\" (2012: 92). Em resumo, o objetivo n\u00e3o era apenas descobrir como Rosma se autodenomina, mas tamb\u00e9m entender como ela se representa e como quer ser representada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Heran\u00e7as, rastros e buscas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">\u00c9 por meio de sua linhagem paterna que Rosma identifica a textura e o formato de seu cabelo, bem como a cor de sua pele. Essa caracter\u00edstica som\u00e1tica tem tido um peso consider\u00e1vel tanto na maneira como os outros a nomeiam quanto em sua pr\u00f3pria autorrepresenta\u00e7\u00e3o (veja as imagens 1 a 11 na curadoria visual). Durante nossa visita \u00e0 casa de sua m\u00e3e para rever as fotografias do \u00e1lbum de fam\u00edlia, Rosma fez v\u00e1rias revela\u00e7\u00f5es. De uma imagem em particular - uma fotografia de grupo tirada na bas\u00edlica da Cidade do M\u00e9xico - ela tirou uma foto com seu celular. Isso lhe deu <em>zoom<\/em> ao rosto de sua av\u00f3 paterna, uma mulher que viveu em Veracruz e com quem ele teve pouco contato, mas cuja figura deixou uma forte marca em sua mem\u00f3ria e na constru\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria identidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">\u00c9 a \u00fanica foto que tenho de minha av\u00f3 paterna. Foi da\u00ed que tirei o cabelo e o cabelo escuro. Eu tamb\u00e9m n\u00e3o me lembro muito dela... Eu me lembro de coisas... Eu a vi at\u00e9 os sete, oito anos de idade. Tenho algumas lembran\u00e7as dela. Minha m\u00e3e me ajudou a moldar a personalidade da minha av\u00f3, porque ela era uma mulher forte, forte... Minha m\u00e3e diz que eu pegava os charutos e a cerveja dela, ela sempre bebia e fumava, e ela dizia: \"Vou fumar como a minha av\u00f3\". E minha m\u00e3e odiava isso! [risos]. Minha m\u00e3e nunca fumou. Eu me lembro dela, ela sempre, sempre fumou. Eu me lembro que ela era uma mulher forte, uma mulher decidida, uma mulher que... ela j\u00e1 era velha, embora nunca tenha sido velha de cabelos brancos, porque olha o cabelo dela ali... Nessa foto eu estou nela, mas eu queria ver o rosto dela [...] \u00c9 uma foto de corpo inteiro, e tem minha m\u00e3e, eu, minha tia e ela. Eu s\u00f3 dei a ela <em>zoom<\/em> para o rosto dele porque eu queria saber como era o rosto dele [...].<\/p>\n\n\n\n<p>O pai desta av\u00f3 era origin\u00e1rio de Loma Bonita, Oaxaca. Sua fam\u00edlia migrou para Veracruz quando ele era crian\u00e7a. Ele se tornou pescador e, depois de ficar vi\u00favo, casou-se com uma mulher juchiteca que criou sua filha. Rosma encontra nessa heran\u00e7a uma explica\u00e7\u00e3o para o car\u00e1ter forte e determinado de sua av\u00f3, com quem se identifica totalmente e em quem reconhece tra\u00e7os essenciais de sua personalidade e elementos que marcaram sua hist\u00f3ria de vida: \"Lembrando de certos cap\u00edtulos ou fases da minha vida, todas as pessoas que tiveram um impacto sobre mim, s\u00e3o mulheres muito fortes... aquelas mulheres que falavam com voz alta e firme, e tamb\u00e9m com palavras rudes, eu adorava, n\u00e3o \u00e9? [risos]\".<\/p>\n\n\n\n<p>Mulheres juchitecas,<a class=\"anota\" id=\"anota13\" data-footnote=\"13\">13<\/a> Marinella Miano explica, s\u00e3o reconhecidas no Istmo de Tehuantepec por sua for\u00e7a, presen\u00e7a e autonomia, e foram descritas como \"mulheres opulentas, com um porte orgulhoso, a cabe\u00e7a erguida, o olhar altivo [...]\" (Miano, 1994: 72). Assim, o recorte e o close-up de Rosma do rosto de sua av\u00f3 (veja a imagem 1 na curadoria visual) fazem parte de um processo introspectivo de busca, de reconstru\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria pessoa e da inscri\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de uma origem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A beleza<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O contraste crom\u00e1tico da fotografia mencionada na imagem 12 tamb\u00e9m representa um contraste de temporalidades. Ele nos permite visualizar algumas das diferentes representa\u00e7\u00f5es e autorrepresenta\u00e7\u00f5es que configuram o eu social, cultural e identit\u00e1rio de Rosma. As fotografias de sua inf\u00e2ncia contrastam com a silhueta de corpo inteiro que aparece em outra imagem correspondente \u00e0 sua adolesc\u00eancia. Nessa imagem, uma est\u00e9tica diferente \u00e9 delineada, uma figura que talvez se refira, inconscientemente, a um \"querer ser\". \u00c9 a fotografia de uma modelo famosa, que projeta beleza, eleg\u00e2ncia e um certo ar sonhador. Essa imagem n\u00e3o fazia parte do \u00e1lbum original, mas estava colada na parede de seu quarto, e ela decidiu mant\u00ea-la por causa da beleza que, segundo ela, essa modelo lhe evoca. Esse prot\u00f3tipo de beleza n\u00e3o dialoga com os padr\u00f5es dominantes no M\u00e9xico, onde historicamente prevalece uma est\u00e9tica baseada no branqueamento. Nesse contexto, o negro foi deixado de fora da narrativa nacional<a class=\"anota\" id=\"anota14\" data-footnote=\"14\">14<\/a> como regional e do ideal de beleza. Para Rosma, o reconhecimento de sua beleza - e de uma poss\u00edvel raiz n\u00e3o imaginada anteriormente - surgiu como parte de um processo dial\u00f3gico e interativo que lhe permitiu apropriar-se de par\u00e2metros n\u00e3o convencionais de beleza e valoriz\u00e1-los \u00e0 luz de sua pr\u00f3pria identidade e autorrepresenta\u00e7\u00e3o (veja as imagens 12 a 15 e 17).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\"You Say You're Dominican\": Mem\u00f3rias, beleza e racializa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Bem... estou tentando me lembrar de quando comecei a olhar para as mulheres negras, porque eu me sentia mais pr\u00f3xima delas. Obviamente, porque sou parda... e porque eu as via como belas. Tamb\u00e9m n\u00e3o havia representa\u00e7\u00e3o de mulheres ind\u00edgenas ou mexicanas com essa beleza marrom. Lembro-me de uma modelo chamada Paloma, quando eu tinha uns 16 anos... ela era linda, mexicana, n\u00e3o iucateca. Em algum momento ela apareceu na televis\u00e3o. Fiquei fascinada com aquela mulher, porque ela era muito bonita, muito morena, mas com cabelos muito lisos....<br>Eu conheci Dami\u00e1n Alc\u00e1zar... uma beleza de homem! Outro homem que me fascinou desde muito jovem foi Roberto Sosa. Ent\u00e3o, eu sempre gostei de homens morenos, n\u00e3o \u00e9? Nunca me senti atra\u00edda pelo \"outro\", aquele que \u00e9 imposto a voc\u00ea... o branco, o loiro, o estilizado.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Rosma destaca como a identifica\u00e7\u00e3o com certas refer\u00eancias n\u00e3o-normativas de beleza ocorreu em tens\u00e3o com os modelos hegem\u00f4nicos que privilegiavam a brancura e a mesti\u00e7agem, \u00e9 claro, como os ideais est\u00e9ticos dominantes. A admira\u00e7\u00e3o por figuras pardas e negras - tanto femininas quanto masculinas - aparece aqui n\u00e3o apenas como um gosto pessoal, mas tamb\u00e9m como uma forma de questionar o c\u00e2none branqueado que prevalece no imagin\u00e1rio nacional e regional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Quando eu tinha uns 14 anos, tinha uma amiga, seu nome era Lupita... ela costumava me dizer: \"Veja! Voc\u00ea \u00e9 linda! Ela arrumava meu cabelo de uma forma que eu n\u00e3o fazia... ela apertava meu cabelo com <em>mousse<\/em>E tenho algumas fotos em que pare\u00e7o supercacheada porque ela costumava colocar coisas em mim.<br>Ele me dizia: \"N\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o... voc\u00ea diz que \u00e9 dominicano. N\u00e3o diga que \u00e9 yucateca. Vou dizer a todos que voc\u00ea \u00e9 dominicano [risos]\".<br>Para ela, foi muito <em>legal<\/em> que eu era moreno. Ela viu em mim aquele tra\u00e7o afrodescendente que eu n\u00e3o via naquela \u00e9poca, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Eu lhe perguntava: \"Por que dominicana? E ela dizia: \"Porque voc\u00ea parece uma mulher negra\". E eu, tipo, com uma cara de... isso \u00e9 bom ou ruim? Ele disse: \"Voc\u00ea parece uma mulher negra, mas voc\u00ea est\u00e1 melhor na Rep\u00fablica Dominicana. Belize, n\u00e3o... Rep\u00fablica Dominicana\".<br>De fato, h\u00e1 cerca de dois anos, algu\u00e9m me disse: \"Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 da Rep\u00fablica Dominicana? E eu respondi: \"N\u00e3o, sou de Yucat\u00e1n\".<br>E ele: \"N\u00e3o sei por que sempre achei que voc\u00ea fosse dominicano\".<br>E eu pensei: \"Eu sei por que... tenho certeza de que foi essa vadia [risos]\".<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Identidade, orgulho e visibilidade: o processo de se aceitar a si mesmo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Para Rosma, a hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia, o tempo que passou estudando antropologia e as experi\u00eancias derivadas de sua intera\u00e7\u00e3o com os setores ricos de M\u00e9rida - especialmente por meio de seu trabalho como designer de joias - foram aspectos fundamentais na constru\u00e7\u00e3o de sua identidade. Esses elementos a levaram a se assumir e se reconhecer com orgulho como uma mulher parda, nascida em Valladolid.<a class=\"anota\" id=\"anota15\" data-footnote=\"15\">15<\/a> e a partir do n\u00edvel de base:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Admito que, quando minha identidade precisa ser revelada, tenho muito orgulho de dizer que sou de Valladolid. Durante muito tempo, nunca disse isso. N\u00e3o sei por qu\u00ea. Na verdade, quando estudava na Faculdade de Antropologia, muitas coisas mudaram em rela\u00e7\u00e3o a mim, sobre o que me orgulhava, sobre minha hist\u00f3ria [...] porque a sociedade pressiona muito para que eu sinta vergonha!<\/p>\n\n\n\n<p>Outro momento decisivo em seu processo de identidade ocorreu em um espa\u00e7o comercial com alto poder aquisitivo, localizado na parte norte de M\u00e9rida, onde suas joias s\u00e3o vendidas. O relato de Rosma revela como as rela\u00e7\u00f5es de classe e a racializa\u00e7\u00e3o se cruzam na forma como ela \u00e9 percebida e como ela reage a essas opini\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Naquela loja, o propriet\u00e1rio e um funcion\u00e1rio me disseram que, quando as pessoas perguntavam sobre minhas joias, diziam: \"Ah, essa designer \u00e9 de Yucat\u00e1n\", e ent\u00e3o as pessoas perguntavam: \"De que fam\u00edlia ela \u00e9? Ent\u00e3o eu sentia algo como: \"Ah, bem, n\u00e3o... de nenhuma fam\u00edlia! Tenho certeza de que eles pensavam: \"Pobre e marrom\", como o \"povo fresa\" costuma se expressar.<a class=\"anota\" id=\"anota16\" data-footnote=\"16\">16<\/a> Mas, bem, acho que moldei bastante essa identidade ao destacar essas caracter\u00edsticas que s\u00e3o percept\u00edveis. Sim, sou marrom; sim, sou da esfera popular; sim, sou de Valladolid. Isso se tornou uma bandeira de for\u00e7a em vez de vergonha. No entanto, faz parte de minha hist\u00f3ria sentir, em primeiro lugar, a necessidade de esconder o ineg\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse testemunho deixa claro que as identidades s\u00e3o sempre um processo cont\u00ednuo e que \"[...] elas s\u00e3o mais um produto da marca\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a e da exclus\u00e3o do que um sinal de uma unidade id\u00eantica e naturalmente constru\u00edda [...]\" (Hall, 2003: 18).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Afros\"\/\"negros\" na rep\u00fablica irm\u00e3?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Em contraste com outros contextos, como a Costa Chica de Guerrero e Oaxaca<a class=\"anota\" id=\"anota17\" data-footnote=\"17\">17<\/a> -Provavelmente o mais pesquisado em termos de popula\u00e7\u00f5es afrodescendentes no M\u00e9xico, os estudos sobre esse t\u00f3pico em Yucat\u00e1n permanecem limitados, especialmente a partir de uma perspectiva antropol\u00f3gica, que tem sido menos desenvolvida em compara\u00e7\u00e3o com a historiogr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos hist\u00f3ricos documentaram a presen\u00e7a de negros na pen\u00ednsula de Yucat\u00e1n desde os tempos coloniais e de escravid\u00e3o (Victoria e Canto, 2006; Guti\u00e9rrez, 2021). O historiador Matthew Restall, por exemplo, refere-se a essa presen\u00e7a como parte integrante da diversidade social da regi\u00e3o, cunhando o termo \"afro-yucatecanos\" e descrevendo a cidade colonial como \"Afro-M\u00e9rida\" (Restall, 2020). Por sua vez, Gonzalo Aguirre Beltr\u00e1n (1989: 222) destaca que, no s\u00e9culo XX <span class=\"small-caps\">xviii<\/span>Os \"Afromestizos\" constitu\u00edam o segundo grupo mais importante em termos demogr\u00e1ficos na pen\u00ednsula.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o processo de independ\u00eancia e a constru\u00e7\u00e3o de uma cidadania comum, as categorias coloniais usadas para nomear essa popula\u00e7\u00e3o - como preto, pardo e mulato - foram oficialmente abolidas. No entanto, os preconceitos s\u00f3cio-raciais que sustentavam essas distin\u00e7\u00f5es persistiram, dando origem a uma cidadania pol\u00edtica diferenciada e desigual para a popula\u00e7\u00e3o afrodescendente (Campos, 2005; Can, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>No final do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xix<\/span> e na primeira metade do <span class=\"small-caps\">xx<\/span>A presen\u00e7a di\u00e1ria de afrodescendentes contradizia a narrativa dominante sobre mesti\u00e7agem e identidade iucateca, que tornava essa alteridade invis\u00edvel ou a assimilava, negando-lhe um lugar social relevante (Cunin, 2009; Garc\u00eda Yeladaqui, 2019);<a class=\"anota\" id=\"anota18\" data-footnote=\"18\">18<\/a> Campos, 2005; Victoria Ojeda, 2024). Essa narrativa enfatizou uma mesti\u00e7agem bin\u00e1ria, resultado do encontro entre maias e espanh\u00f3is,<a class=\"anota\" id=\"anota19\" data-footnote=\"19\">19<\/a> enquadrado em um forte regionalismo que exalta o passado separatista do estado e sua singularidade cultural. Nesse contexto, a negritude \"aparece e desaparece\" em pesquisas hist\u00f3ricas, fontes visuais, manifesta\u00e7\u00f5es culturais e art\u00edsticas, mas sua presen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 percebida como familiar nem legitimada como parte inerente da regi\u00e3o. Ela \u00e9 frequentemente representada como algo estranho ou estrangeiro, deslocada da narrativa da identidade regional (Cunin e Ju\u00e1rez-Huet, 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio explica a sensa\u00e7\u00e3o de estranheza com que pessoas como Rosma s\u00e3o percebidas: por meio de exotiza\u00e7\u00e3o, suspeita ou nega\u00e7\u00e3o de pertencimento, porque, em Yucat\u00e1n, a afrodescend\u00eancia continua a ser uma alteridade hier\u00e1rquica, historicamente configurada a partir de uma posi\u00e7\u00e3o subordinada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Caminhos para discuss\u00f5es adicionais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Abordar e reconstruir visualmente uma hist\u00f3ria de vida que cont\u00e9m experi\u00eancias de racializa\u00e7\u00e3o, exotiza\u00e7\u00e3o ou as feridas familiares deixadas pela aus\u00eancia de um pai n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Essa hist\u00f3ria tamb\u00e9m \u00e9 marcada por marcas som\u00e1ticas que, em um contexto social mais amplo, remetem a estere\u00f3tipos e representa\u00e7\u00f5es denegridoras, muitas vezes expressas por meio de \"piadas\", ditos e insultos, conforme ilustrado pelo depoimento do meu entrevistado no in\u00edcio deste texto. O uso da fotografia, como um dispositivo de mem\u00f3ria, torna-se uma ferramenta fundamental para aprimorar a hist\u00f3ria de vida, permitindo-nos apreender sensibilidades e experi\u00eancias encontradas nela.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da curadoria visual da qual este texto faz parte foi poss\u00edvel gra\u00e7as a uma estreita colabora\u00e7\u00e3o e a uma metodologia horizontal que me permitiu mergulhar no processo de como uma identidade \u00e9 incorporada ou n\u00e3o, e como o sujeito se cruza com a estrutura social (Mallimaci e Gim\u00e9nez, 2006: 190). A sugest\u00e3o dada a Rosma para que escolhesse as fotos que fossem significativas para ela, com foco em suas ra\u00edzes afrodescendentes flutuantes, buscou partir de seu ponto de vista e do que \u00e9 relevante para ela em sua jornada de vida, bem como de como ela \u00e9 e deseja ser representada. Essa abordagem aumentou a horizontalidade e a reflexividade de sua autorrepresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos e an\u00e1lises sobre os afrodescendentes no M\u00e9xico n\u00e3o s\u00e3o uma quest\u00e3o menor. Uma das experi\u00eancias transversais desses povos tem sido a viv\u00eancia cotidiana da discrimina\u00e7\u00e3o, da desigualdade, da exotiza\u00e7\u00e3o e do racismo. A partir da foto-elicita\u00e7\u00e3o, a escala \u00edntima do assunto oferece nuances que enriquecem a interpreta\u00e7\u00e3o situada dessas experi\u00eancias. \u00c9 importante observar que as categorias \u00e9tnicas e\/ou de identidade s\u00e3o contextuais, n\u00e3o s\u00e3o fixas e variam regionalmente. Afro-mexicano \u00e9, na realidade, uma categoria abrangente de uma diversidade de refer\u00eancias de identidade ancoradas em contextos locais (Ju\u00e1rez Huet e Rinaudo, 2017). As pessoas que s\u00e3o identificadas por seus tra\u00e7os som\u00e1ticos como \"negras\" ou com uma \"identidade afrodescendente\/afro-mexicana\" nem sempre se reconhecem como tal - afinal, quem decide o que se \u00e9, quem \u00e9 [afro] mexicano e quem n\u00e3o \u00e9? Esse fen\u00f4meno destaca os imagin\u00e1rios sociais em jogo, a necessidade de n\u00e3o reduzir a identidade a uma cor de pele e o exerc\u00edcio indispens\u00e1vel de conhecer a pr\u00f3pria leitura de quem est\u00e1 vivendo uma determinada experi\u00eancia de identidade. Isso deve levar em conta sua multidimensionalidade e o significado que os sujeitos atribuem a ela, apesar das in\u00e9rcias das racializa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o profundamente imbricadas nas din\u00e2micas hist\u00f3ricas de inclus\u00e3o\/exclus\u00e3o dentro das narrativas de identidade nacional\/regional em nosso pa\u00eds. Essas din\u00e2micas geraram uma desigualdade hist\u00f3rica que naturaliza a subordina\u00e7\u00e3o de um \"outro\", no caso, o \"negro\/afrodescendente\".<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Blinn, Lynn y Amanda W. 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M\u00e9rida: <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Hall, Stuart (2003). \u201cIntroducci\u00f3n: \u00bfQui\u00e9n necesita \u2018identidad\u2019?\u201d, en Stuart Hall y Paul Du Gay (coords.). <em>Cuestiones de identidad cultural<\/em>. Buenos Aires: Amorrortu, pp. 13-39.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Hoffmann, Odile (2007). \u201cLas narrativas de la diferencia \u00e9tnico-racial en la Costa Chica, M\u00e9xico. Una perspectiva geogr\u00e1fica, en Odile Hoffmann y Teresa Mar\u00eda Rodr\u00edguez (eds.). <em>Los retos de la diferencia. Los actores de la multiculturalidad entre M\u00e9xico y Colombia.<\/em> M\u00e9xico: Centro de Estudios Mexicanos y Centroamericanos\/<span class=\"small-caps\">ciesas\/<\/span>\/Instituto Colombiano de Antropolog\u00eda e Historia\/Institut de Recherche pour le D\u00e9veloppement, pp. 363\u2013397<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Iturriaga, Eugenia (2016). <em>Las \u00e9lites de la ciudad blanca: discursos racistas sobre la otredad<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">unam.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ju\u00e1rez Huet, Nahayeilli y Christian Rinaudo (2017). \u201cExpresiones \u2018afro\u2019: circulaciones y relocalizaciones\u201d, <em>Desacatos. Revista de Ciencias Sociales<\/em>, (53), pp. 8-19.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Londo\u00f1o Villada, D. A. (2013). \u201cFotograf\u00edas familiares: reconstrucci\u00f3n de las memorias alrededor de la violencia en el barrio Villa Niza en la ciudad de Medell\u00edn-Colombia\u201d. Tesis de maestr\u00eda. Quito: <span class=\"small-caps\">flacso.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">L\u00f3pez Caballero, Paula (2019). \u201cIntroducci\u00f3n. Los reg\u00edmenes nacionales de alteridad: contextos, posicionamientos e interacciones en la constituci\u00f3n de la identificaci\u00f3n como \u2018ind\u00edgena\u2019\u201d, en Paula L\u00f3pez Caballero y Christophe Giudicelli (eds.). <em>Reg\u00edmenes de alteridad: Estados-naci\u00f3n y alteridades ind\u00edgenas en Am\u00e9rica Latina, 1810-1950<\/em> . M\u00e9xico: Universidad de los Andes\/Universidad Nacional de Villa Mar\u00eda\/<span class=\"small-caps\">unam<\/span>, pp. <span class=\"small-caps\">xvii-xxxviii<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Llanes Salazar, Rodrigo (2018). \u201cEtnicidad maya en Yucat\u00e1n: balances y nuevas rutas de investigaci\u00f3n\u201d, <em>Estudios de Cultura Maya<\/em>, <span class=\"small-caps\">li<\/span>, pp. 257-282.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mallimaci, Fortunato y Ver\u00f3nica Gim\u00e9nez B\u00e9liveau (2006). \u201cHistorias de vida y m\u00e9todo biogr\u00e1fico\u201d, en <em>Estrategias de investigaci\u00f3n cualitativa.<\/em> Barcelona: Gedisa, pp. 175-212.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mela Contreras, Jos\u00e9 Israel (2021). \u201cAutorrepresentaci\u00f3n identitaria a trav\u00e9s de las artes visuales: la experiencia del Taller de Fotograf\u00eda Infantil Mapuche\u201d, en <em>Cuadernos de M\u00fasica, Artes Visuales y Artes Esc\u00e9nicas<\/em>, 16(2). Bogot\u00e1: Pontificia Universidad Javeriana, pp. 60-75.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Miano, Marinella (1994). \u201cG\u00e9nero y etnicidad: mujeres zapotecas, el enigma del matriarcado\u201d, <em>Historia y Fuente Oral<\/em>, (11), pp. 67-81.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Orobitg Canal, Gemma (2004). \u201cPhotography in the Field: Word and Image in Ethnographic Research\u201d, en Ana Isabel Alfonso, Laszlo Kurti y Sarah Pink. <em>Working Images Visual Research and Representation in Ethnography<\/em>. Londres: Routledge, pp. 28-42.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pinto Passos, Carla Mailsa y Rita Marisa Ribes Pereira (2012). \u201cSobre encuentros, amistades y caminos en la investigaci\u00f3n en ciencias humanas y sociales\u201d, en Sara Corona Berkin y Olaf Kaltmeier (coords.). <em>En di\u00e1logo. Metodolog\u00edas horizontales en ciencias sociales y culturales<\/em>. Barcelona: Gedisa, pp. 168-171.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ram\u00edrez Carrillo, Luis Alfonso (2012). <em>De c\u00f3mo los libaneses conquistaron la pen\u00ednsula de Yucat\u00e1n: migraci\u00f3n, identidad \u00e9tnica y cultura empresarial<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">unam<\/span>\/Centro Peninsular en Humanidades y Ciencias Sociales.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Restall, Matthew (2020). <em>Entre mayas y espa\u00f1oles: africanos en el Yucat\u00e1n colonial<\/em>. Ciudad de M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">fce.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Triquell, Agustina (2015). \u201cHacer (lo) visible: la imagen fotogr\u00e1fica en la investigaci\u00f3n social\u201d, <em>Reflexiones<\/em>, 94(2), pp. 121-132.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Valero, Silvia (2011). \u201cFiguraciones de \u2018lo afro\u2019 y \u2018lo negro\u2019 en las producciones culturales cubanas contempor\u00e1neas\u201d, <em>Orbis Tertius<\/em>, 16(17).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Vel\u00e1zquez, Mar\u00eda Elisa y Odile Hoffmann (2007). \u201cInvestigaciones sobre africanos y afrodescendientes en M\u00e9xico: acuerdos y consideraciones desde la historia y la antropolog\u00eda\u201d, <em>Diario de Campo<\/em>, (91), pp. 60-68. Recuperado de https:\/\/revistas.inah.gob.mx\/index.php\/diariodecampo\/article\/view\/7992<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Victoria Ojeda, Jorge y Jorge Canto Alcocer (2006). \u201cSan Fernando Ak\u00e9: microhistoria de una comunidad afroamericana en Yucat\u00e1n\u201d, <em>Revista de Ciencias Sociales de la Universidad Aut\u00f3noma de Yucat\u00e1n<\/em>, 24. M\u00e9rida: Universidad Aut\u00f3noma de Yucat\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2024). \u201cRetratos de afrodescendientes en M\u00e9rida en los siglos <span class=\"small-caps\">xix<\/span> e <span class=\"small-caps\">xx<\/span>\u201d, <em>Alquimia<\/em>, (77), pp. 38-59.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Nahayeilli B. Ju\u00e1rez Huet<\/em> \u00e9 professor pesquisador do Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropolog\u00eda Social (<span class=\"small-caps\">ciesas),<\/span> quartel-general peninsular e membro do <span class=\"small-caps\">snii<\/span>. Sua pesquisa se concentra em tr\u00eas \u00e1reas principais: diversidade religiosa no M\u00e9xico, afrodescendentes e as diferentes manifesta\u00e7\u00f5es do racismo. Ela foi correspons\u00e1vel acad\u00eamica pela C\u00e1tedra <span class=\"small-caps\">unesco\/inah\/ciesas<\/span>Foi coordenadora acad\u00eamica dos workshops sobre o uso de ferramentas visuais para pesquisa social no M\u00e9xico e na Am\u00e9rica Central: \"Afrodescendentes no M\u00e9xico e na Am\u00e9rica Central: reconhecimento, express\u00f5es e diversidade cultural\" (2017-2021); desde 2016 \u00e9 coordenadora acad\u00eamica dos workshops sobre o uso de ferramentas visuais para pesquisa social no M\u00e9xico e na Am\u00e9rica Central: reconhecimento, express\u00f5es e diversidade cultural (2017-2021). <span class=\"small-caps\">ciesas,<\/span> Peninsular, onde promove o trabalho colaborativo e a experimenta\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica em antropologia visual. Ele \u00e9 membro da Rede de Pesquisadores sobre o Fen\u00f4meno Religioso no M\u00e9xico (<span class=\"small-caps\">rifrem<\/span>) e a Rede de Pesquisa em Antropologia Audiovisual, Laborat\u00f3rio Audiovisual (<span class=\"small-caps\">riav<\/span>) do <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"notas\" id=\"notas-fixed\">\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote1\">1 Esta etnografia fotogr\u00e1fica faz parte de um projeto de pesquisa maior e em andamento sobre disson\u00e2ncias, identidades e autorrepresenta\u00e7\u00e3o do \"afro-mexicano\". Por meio de narrativas de vida e imagens de autorrepresenta\u00e7\u00e3o, analiso como as fronteiras da diferen\u00e7a s\u00e3o constru\u00eddas com base em marcadores som\u00e1ticos e como elas s\u00e3o articuladas com outras l\u00f3gicas de exclus\u00e3o e inclus\u00e3o, bem como com as narrativas nacionais que se sobrep\u00f5em a elas.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote2\">2 Esta etnografia fotogr\u00e1fica faz parte de um projeto de pesquisa mais amplo e cont\u00ednuo sobre disson\u00e2ncias, identidades e autorrepresenta\u00e7\u00e3o a partir da perspectiva dos \"afro-mexicanos\". Uma das experi\u00eancias transversais desses povos tem sido a experi\u00eancia cotidiana de discrimina\u00e7\u00e3o, desigualdades, exotiza\u00e7\u00e3o e racismo. A partir da foto-elicita\u00e7\u00e3o, a escala \u00edntima do assunto oferece nuances que enriquecem a interpreta\u00e7\u00e3o situada dessas experi\u00eancias. \u00c9 importante observar que as categorias \u00e9tnicas e\/ou de identidade s\u00e3o contextuais, n\u00e3o s\u00e3o fixas e variam regionalmente. Afro-mexicano \u00e9, na realidade, uma categoria abrangente de uma diversidade de refer\u00eancias de identidade ancoradas em contextos locais (Ju\u00e1rez Huet e Rinaudo, 2017). As pessoas que s\u00e3o identificadas por seus tra\u00e7os som\u00e1ticos como \"negras\" ou com uma \"identidade afrodescendente\/afro-mexicana\" nem sempre se reconhecem como tal - ou quem decide o que se \u00e9, quem \u00e9 [afro] mexicano e quem n\u00e3o \u00e9? Esse fen\u00f4meno destaca os imagin\u00e1rios sociais em jogo, a necessidade de n\u00e3o reduzir a identidade a uma cor de pele e o exerc\u00edcio indispens\u00e1vel de conhecer a pr\u00f3pria leitura de quem est\u00e1 vivendo uma determinada experi\u00eancia de identidade. Isso deve levar em conta sua multidimensionalidade e o significado que os sujeitos atribuem a ela, apesar das in\u00e9rcias das racializa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o profundamente imbricadas nas din\u00e2micas hist\u00f3ricas de inclus\u00e3o\/exclus\u00e3o dentro das narrativas de identidade nacional\/regional em nosso pa\u00eds. Essas din\u00e2micas geraram uma desigualdade hist\u00f3rica que naturaliza a subordina\u00e7\u00e3o de um \"outro\", no caso, o \"negro\/afrodescendente\".<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote3\">3 Os nomes usados aqui s\u00e3o nomes reais e a permiss\u00e3o para us\u00e1-los foi dada com o total consentimento do entrevistado.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote4\">4 Rosma estudou Antropologia com especializa\u00e7\u00e3o em Literatura e Lingu\u00edstica na Universidade Aut\u00f4noma de Yucat\u00e1n (Universidad Aut\u00f3noma de Yucat\u00e1n).<span class=\"small-caps\">uady<\/span>).<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote5\">5 Sobre a metodologia de pesquisa dial\u00f3gica, consulte Corona Berkin (2012), Mallimaci e Gim\u00e9nez (2006), Miano (1994), Collier e Collier (1986), Orobitg Canal (2004) e Triquell (2015).<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote6\">6 Para obter mais informa\u00e7\u00f5es sobre a cole\u00e7\u00e3o de imagens que comp\u00f5em essa curadoria visual, consulte <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/juarez-autorrepresentacion-identidad-afrodescendencia-yucatan\/\" target=\"_blank\">https:\/\/encartes.mx\/juarez-autorrepresentacion-identidad-afrodescendencia-yucatan<\/a><\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote7\">7 Para uma discuss\u00e3o sobre a constru\u00e7\u00e3o de metodologias horizontais a partir da pesquisa social, consulte Corona Berkin (2012) e Pinto Passos e Ribes Pereira (2012).<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote8\">8 Para uma reflex\u00e3o mais ampla sobre a autorrepresenta\u00e7\u00e3o da identidade a partir das artes visuais, consulte Mela Contreras (2021).<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote9\">9 O termo \"afrodescendente\" ganhou legitimidade ap\u00f3s sua ado\u00e7\u00e3o na Confer\u00eancia Mundial de 2001 contra o Racismo, Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, Xenofobia e Intoler\u00e2ncia Correlata e uma \"revaloriza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e cultural\" da di\u00e1spora africana nas Am\u00e9ricas (Valero, 2011). Para os fins desta an\u00e1lise, uso o termo \"afrodescendentes\". Isso se refere a uma raiz africana m\u00faltipla e diversa, atravessada por localismos que nem sempre carregam uma conota\u00e7\u00e3o \u00e9tnica expl\u00edcita. \u00c9 uma origem marcada por uma di\u00e1spora, na qual as denomina\u00e7\u00f5es relacionadas a \"afro\" est\u00e3o ancoradas em din\u00e2micas pol\u00edticas, sociais e culturais espec\u00edficas, tanto regionais quanto nacionais, e em diversos processos de identidade (ver Hoffman, 2007).<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote10\">10 Para uma perspectiva cr\u00edtica sobre a etnia maia em Yucat\u00e1n, consulte Llanes Salazar (2018).<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote11\">11 Veja tamb\u00e9m Lynn Blinn e Amanda Harrist (1991), que exploram o uso combinado de fotografia instant\u00e2nea e foto-elicita\u00e7\u00e3o em seus entrevistados como uma ferramenta metodol\u00f3gica para acessar significados subjetivos.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote12\">12 A curadoria visual mencionada \u00e9 composta por esse texto e 21 imagens acompanhadas de suas respectivas narrativas etnogr\u00e1ficas, que podem ser visualizadas na apresenta\u00e7\u00e3o em PowerPoint.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote13\">13 Juchiteca \u00e9 um gent\u00edlico feminino que se refere a uma mulher origin\u00e1ria de Juchit\u00e1n de Zaragoza, uma cidade localizada no estado de Oaxaca, M\u00e9xico, na regi\u00e3o do Istmo de Tehuantepec.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote14\">14 Em agosto de 2019, foi publicado no <em>Jornal Oficial da Federa\u00e7\u00e3o<\/em> a reforma do Artigo 2 da Constitui\u00e7\u00e3o Mexicana, que reconhece os povos e as comunidades afro-mexicanas - independentemente de sua autodenomina\u00e7\u00e3o - como parte da composi\u00e7\u00e3o pluricultural da na\u00e7\u00e3o. Entretanto, esse reconhecimento legal n\u00e3o eliminou a persistente falta de reconhecimento social: os afro-mexicanos ainda s\u00e3o vistos como estrangeiros, como \u00e9 o caso do estado de Yucat\u00e1n.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote15\">15 Gentilicio de Valladolid, Yucat\u00e1n.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote16\">16 No M\u00e9xico, o termo \"gente fresa\" \u00e9 usado coloquialmente para descrever pessoas que pertencem a estratos econ\u00f4micos elevados ou que fingem ser assim. Elas t\u00eam atitudes fr\u00edvolas e presun\u00e7osas e gostos ambiciosos. Elas t\u00eam um sotaque que pretende diferenci\u00e1-las dos sotaques mexicanos e regionais em quest\u00e3o. Na Am\u00e9rica Latina, ele tem seus equivalentes: cuica, cheto, peluc\u00f3n, gomelo, etc. Para uma an\u00e1lise dos discursos racistas das elites de M\u00e9rida, consulte Eugenia Iturriaga (2016).<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote17\">17 A Costa Chica \u00e9 uma regi\u00e3o localizada ao longo da costa sul do Pac\u00edfico do M\u00e9xico, abrangendo parte dos estados de Guerrero e Oaxaca. \u00c9 o lar de algumas das popula\u00e7\u00f5es afro-mexicanas mais estudadas do pa\u00eds. Essas comunidades t\u00eam sido fundamentais na mobiliza\u00e7\u00e3o para o reconhecimento constitucional do povo afro-mexicano como parte da composi\u00e7\u00e3o pluricultural da na\u00e7\u00e3o mexicana. Veja, a esse respeito, Hoffmann e Vel\u00e1zquez (2007) e D\u00edaz Casas e Vel\u00e1zquez (2017).<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote18\">18 Consulte o artigo de Luisangel Garc\u00eda Yeladaqui neste dossi\u00ea.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote19\">19 Ou \u00e0 sua \"casta bedu\u00edna\". Esse termo se refere \u00e0 migra\u00e7\u00e3o libanesa em Yucat\u00e1n (e no M\u00e9xico), cuja presen\u00e7a remonta ao s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xix<\/span>. Luis Alfonso Ram\u00edrez analisa os processos pelos quais essa comunidade conseguiu se adaptar e se integrar com sucesso \u00e0 sociedade yucateca, alcan\u00e7ando uma excelente mobilidade pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social na esfera local (Ram\u00edrez Carrillo, 2012).<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por meio de fotografias, entrevistas, hist\u00f3rias de vida e uma metodologia dial\u00f3gica baseada na horizontalidade, essa etnografia visual reconstr\u00f3i v\u00e1rias formas de identifica\u00e7\u00e3o e autorrepresenta\u00e7\u00e3o que se referem, de diferentes maneiras, \u00e0 afrodescend\u00eancia e suas supostas marcas som\u00e1ticas. Tudo isso est\u00e1 situado em um contexto regional, urbano e contempor\u00e2neo, historicamente associado aos maias como uma alteridade dominante e como um componente fundamental da identidade local. O objetivo \u00e9 entender, a partir das experi\u00eancias e perspectivas de uma mulher iucateca, como as marcas de pertencimento e identidade operam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s hierarquias sociais e \u00e0 autorrepresenta\u00e7\u00e3o, bem como os processos envolvidos na apropria\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o das categorias associadas a essas marcas.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":39963,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[1457,1455,1458,300,1456],"coauthors":[551],"class_list":["post-39940","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-11","tag-afrodescendencia","tag-autorrepresentacion","tag-foto-elicitacion","tag-identidad","tag-yucatan","personas-juarez-huet-nahayeilli","numeros-1405"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Curadur\u00edas del yo. 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