{"id":39938,"date":"2025-09-22T10:00:50","date_gmt":"2025-09-22T16:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=39938"},"modified":"2025-09-29T13:48:21","modified_gmt":"2025-09-29T19:48:21","slug":"juarez-lora-machuca-imagen-audiovisual-investigacion-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/juarez-lora-machuca-imagen-audiovisual-investigacion-social\/","title":{"rendered":"Imagem, mem\u00f3ria e representa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-drop-cap abstract\">Nesta edi\u00e7\u00e3o de <em>Encartes<\/em> apresentamos uma sele\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es mais recentes da Rede de Pesquisa Audiovisual (<span class=\"small-caps\">riav<\/span>) do <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>,<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> bem como pesquisadores vinculados a ela por meio de v\u00e1rios programas e projetos colaborativos e de diferentes latitudes e campos de a\u00e7\u00e3o. Algumas dessas contribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o o resultado de anos de pesquisa, enquanto outras fazem parte de projetos atualmente em desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste dossi\u00ea, por meio da fotografia e de v\u00e1rios formatos de imagens e audiovisuais, entrela\u00e7amos visualidades hist\u00f3ricas e contempor\u00e2neas que problematizam a constru\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o, os discursos visuais da modernidade, a racializa\u00e7\u00e3o do corpo, a performatividade do g\u00eanero e as narrativas identit\u00e1rias e dissidentes. O dossi\u00ea d\u00e1 \u00eanfase especial \u00e0 diversidade de abordagens metodol\u00f3gicas que, sobretudo a partir de perspectivas antropol\u00f3gicas e hist\u00f3ricas, nos permitem dar conta das possibilidades oferecidas pela imagem e pelo audiovisual para a pesquisa social, como formas poderosas de refletir sobre a produ\u00e7\u00e3o de sentido, a configura\u00e7\u00e3o de subjetividades e as narrativas hist\u00f3ricas e identit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Como quest\u00f5es transversais para o dossi\u00ea, propusemos: como as imagens e as obras audiovisuais s\u00e3o constru\u00eddas como fontes de conhecimento e ferramentas metodol\u00f3gicas e de que forma elas s\u00e3o articuladas, complementadas ou aprimoradas por outras fontes n\u00e3o visuais na pesquisa social? Como os registros audiovisuais funcionam como formas de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento na pesquisa social?<\/p>\n\n\n\n<p>Com a revolu\u00e7\u00e3o das tecnologias visuais no s\u00e9culo XXI, a <span class=\"small-caps\">xix<\/span>Nos prim\u00f3rdios da antropologia, ocorreu uma virada hist\u00f3rica nas formas de registrar a \"realidade\" e representar a alteridade (Pezzat, 2023: 119). A antropologia come\u00e7ou a usar c\u00e2meras fotogr\u00e1ficas, filmadoras e gravadores como ferramentas para o trabalho de campo. Inicialmente, o objetivo era documentar, arquivar e exibir diferentes fen\u00f3tipos, idiomas e pr\u00e1ticas culturais em contextos coloniais. Foi somente na segunda metade do s\u00e9culo XX que a <span class=\"small-caps\">xx <\/span>quando o valor das t\u00e9cnicas audiovisuais for plenamente reconhecido n\u00e3o apenas como meios de representa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m como ferramentas metodol\u00f3gicas fundamentais para a pesquisa, tanto na antropologia quanto nas ci\u00eancias sociais em geral (Grau, 2012: 162).<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, embora nem sempre seja suficientemente reconhecido, o audiovisual continua com um enorme potencial como meio e ferramenta metodol\u00f3gica para compreender aspectos essenciais de nosso ambiente e as m\u00faltiplas formas de conceber o mundo, tanto no passado quanto no presente. Apesar de sua presen\u00e7a persistente, as narrativas escritas e os discursos orais t\u00eam sido historicamente supervalorizados em rela\u00e7\u00e3o a outras formas de express\u00e3o ou formatos de sa\u00edda para pesquisa. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, entretanto, os estudos imag\u00edsticos e audiovisuais v\u00eam ganhando reconhecimento como formas leg\u00edtimas de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e apresenta\u00e7\u00e3o de resultados, cada vez mais caracterizados por abordagens colaborativas e horizontais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Chaves para a leitura<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">As contribui\u00e7\u00f5es do <span class=\"small-caps\">riav<\/span> para esta edi\u00e7\u00e3o da <em>Encartes <\/em>consistem em dez documentos que abrangem os sete artigos da se\u00e7\u00e3o de <em>Tem\u00e1ticas<\/em>um na se\u00e7\u00e3o sobre <em>Realidades s\u00f3cio-culturais<\/em>um ao lado de <em>Multim\u00eddia<\/em> e duas resenhas. Propomos uma leitura desses trabalhos em diferentes chaves transversais:<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Auto\/representa\u00e7\u00f5es, racializa\u00e7\u00e3o\/racismo e narrativas de identidade<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Neste dossi\u00ea, a racializa\u00e7\u00e3o do corpo (o ind\u00edgena, o negro e o vermelho), bem como as tens\u00f5es entre exotiza\u00e7\u00e3o, marginaliza\u00e7\u00e3o e ag\u00eancia, s\u00e3o temas-chave nas obras de Paulina Pezzat, Luis\u00e1ngel Garc\u00eda Yeladaqui, Itza Varela e Nahayeilli Ju\u00e1rez Huet. Esses autores problematizam como a imagem tem sido (e pode ser) usada para fixar ou resistir a estigmas raciais e de g\u00eanero sexual. As resenhas de Mauricio S\u00e1nchez e Ana Isabel Le\u00f3n, por sua vez, convergem em seu interesse em apresentar exemplos do cinema latino-americano feito a partir de territ\u00f3rios e comunidades historicamente marginalizados e racializados, desafiando tamb\u00e9m os discursos hegem\u00f4nicos sobre g\u00eanero e ra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu trabalho, Pezzat se baseia na no\u00e7\u00e3o de economia visual de Deborah Poole (1997) para desvendar as desigualdades e as rela\u00e7\u00f5es de poder na produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e consumo de imagens. Assim, a autora analisa como a fotografia de imprensa e a ind\u00fastria gr\u00e1fica participaram ativamente da constru\u00e7\u00e3o de um paradigma racial na Guatemala no final do s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xix <\/span>e cedo <span class=\"small-caps\">xx<\/span>. Um dos desafios dessa pesquisa foi a an\u00e1lise dos tipos fotogr\u00e1ficos e a estrutura formal que os define. A proposta metodol\u00f3gica da autora envolveu a organiza\u00e7\u00e3o e a classifica\u00e7\u00e3o de um vasto corpus de imagens em corpos documentais, o que lhe permitiu situ\u00e1-las em um discurso visual transnacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse mesmo per\u00edodo de an\u00e1lise, mas em outra latitude geogr\u00e1fica, Garc\u00eda Yeladaqui reconstr\u00f3i e analisa as representa\u00e7\u00f5es do negro e do mulato no teatro regional de Yucatecan.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> Tudo isso est\u00e1 enquadrado em processos de ampla circula\u00e7\u00e3o de pessoas e representa\u00e7\u00f5es da \"negritude\" entre o M\u00e9xico e o Caribe. Dessa forma, o autor pergunta at\u00e9 que ponto essas representa\u00e7\u00f5es podem nos oferecer pistas para esclarecer os processos envolvidos no fato de que a popula\u00e7\u00e3o afrodescendente, presente em Yucat\u00e1n desde os tempos coloniais, foi exclu\u00edda da narrativa de identidade local (yucateca) e, em seu lugar, \"o negro\" se consolidou como estrangeiro, mais especificamente cubano. Com essa an\u00e1lise, podemos ver, como no caso analisado por Pezzat, o papel nodal que as imagens podem desempenhar nas representa\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas, exotizadas e racializadas da alteridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, duas colabora\u00e7\u00f5es exploram a autorrepresenta\u00e7\u00e3o em contextos contempor\u00e2neos. Em uma delas, Nahayeilli Ju\u00e1rez Huet reconstr\u00f3i uma etnografia visual com base na narrativa de identidade de uma mulher de Yucatecan. Para isso, ela recorre \u00e0 foto-elicita\u00e7\u00e3o com material fotogr\u00e1fico de seu \u00e1lbum de fam\u00edlia e selfies. A no\u00e7\u00e3o de autorrepresenta\u00e7\u00e3o que orienta seu trabalho vincula a identidade a uma \"pr\u00e1tica de autorrepresenta\u00e7\u00e3o\" a partir da qual s\u00e3o articuladas novas leituras da alteridade racializada (Mela, 2021: 65), mas tamb\u00e9m poss\u00edveis contranarrativas sobre a identidade local e os ideais de beleza; processos que s\u00e3o transversais ao trabalho de Itza Varela Huerta, que articula autorrepresenta\u00e7\u00e3o, arte <span class=\"small-caps\">lgbttiq+<\/span> e a constru\u00e7\u00e3o do privado no M\u00e9xico. Seu trabalho discute a \"contra-miscigena\u00e7\u00e3o\" e as lutas anti-racistas, nas quais convergem diversas formas de domina\u00e7\u00e3o relacionadas \u00e0 classe social, \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual e \u00e0s identidades de g\u00eanero dissidentes. A partir dessa perspectiva, a experi\u00eancia do desviante \u00e9 irredut\u00edvel a uma no\u00e7\u00e3o biologicista de ra\u00e7a e se apresenta como uma subjetiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica por meio da arte; uma express\u00e3o est\u00e9tica que questiona modelos hegem\u00f4nicos de beleza, discursos visuais de miscigena\u00e7\u00e3o e busca dignificar a representa\u00e7\u00e3o do que \u00e9 considerado \"desviante\".<\/p>\n\n\n\n<p>As experi\u00eancias dessas identidades dissidentes de g\u00eanero sexual, mas em outros espa\u00e7os territoriais e culturais, s\u00e3o tratadas na revis\u00e3o proposta por Mauricio S\u00e1nchez \u00c1lvarez em <em>Laerte-se<\/em> e <em>Paloma<\/em>dois filmes brasileiros - um document\u00e1rio e uma fic\u00e7\u00e3o -. Essas produ\u00e7\u00f5es mostram as experi\u00eancias de mulheres transg\u00eanero em territ\u00f3rios profundamente contrastantes: a cidade de S\u00e3o Paulo e o sert\u00e3o rural. A partir de suas narrativas cinematogr\u00e1ficas, a autora examina as tens\u00f5es entre as identidades trans e a ordem heteronormativa hegem\u00f4nica, destacando as formas pelas quais suas protagonistas constroem redes de aceita\u00e7\u00e3o e reconhecimento. A an\u00e1lise nos permite refletir sobre os limites e as possibilidades do reconhecimento social e identit\u00e1rio da diversidade de sexos e g\u00eaneros na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a resenha escrita por Ana Isabel Leon apresenta <em>Amare<\/em> (2024), um curta-metragem do cineasta afro-mexicano Balam Toscano, como um valioso trabalho de \"etnofic\u00e7\u00e3o\", concebido a partir das comunidades da regi\u00e3o da Costa Chica e para elas. Filmado em formato 35 mm, o filme trata de quest\u00f5es como migra\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, identidade e g\u00eanero com grande sensibilidade. Le\u00f3n destaca a abordagem antropol\u00f3gica do cineasta, ao tornar vis\u00edveis problemas reais que afetam a vida cotidiana das comunidades. Ele tamb\u00e9m reconhece sua contribui\u00e7\u00e3o para o cinema afro-mexicano, pois \u00e9 constru\u00eddo a partir de uma perspectiva interna e comprometida.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Nostalgia, mem\u00f3ria e patrim\u00f4nio<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Em tempos em que a imagem se tornou um campo de disputa pol\u00edtica, afetiva e epist\u00eamica, o audiovisual na antropologia deixa de ser um mero recurso ilustrativo para se tornar uma linguagem sentimentalizante (Walsh, 2005) e transformadora (Walsh, 2005). As propostas de Claudia Lora e Sergio Navarrete dialogam a partir dos territ\u00f3rios de Guerrero e Oaxaca por meio de linguagens espec\u00edficas: dan\u00e7a, m\u00fasica e audiovisual. Ambas compartilham um n\u00facleo metodol\u00f3gico: exploram formas colaborativas de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento etnogr\u00e1fico, nas quais o corpo, o arquivo e a imagem em movimento desempenham um papel central na reconstru\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias culturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Navarrete coordena um projeto coletivo de larga escala que sistematiza o conhecimento musical com o objetivo de influenciar pol\u00edticas p\u00fablicas, e Lora apresenta um processo de acompanhamento comunit\u00e1rio em torno da dan\u00e7a dos Diablos, ambos os trabalhos buscam fortalecer e revitalizar repert\u00f3rios musicais e de dan\u00e7a. Elas tamb\u00e9m coincidem em considerar o audiovisual n\u00e3o como um simples suporte, mas como uma ferramenta epistemol\u00f3gica capaz de registrar, interpretar e ativar o patrim\u00f4nio art\u00edstico e as mem\u00f3rias coletivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, um conceito que perpassa v\u00e1rios artigos \u00e9 o de nostalgia, que pode ser entendido como uma emo\u00e7\u00e3o agridoce em rela\u00e7\u00e3o ao passado, ou como um \"sofrimento (<em>souffrance<\/em>) provocada pela consci\u00eancia da perda inelut\u00e1vel de um lugar e de um momento\" (Chauliac, 2022: 3), que n\u00e3o \u00e9 apenas individual, mas se estende \u00e0 mem\u00f3ria de um grupo social, o que pode ajudar a reconstruir ou recuperar os processos que se pensava terem sido perdidos. Daniel Murillo afirma que, sem a nostalgia, ele n\u00e3o teria sido capaz de reconstruir uma s\u00e9rie de fotos do Sistema de Comunica\u00e7\u00e3o Rural do Instituto Mexicano de Tecnologia da \u00c1gua (Instituto Mexicano de Tecnolog\u00eda del Agua (<span class=\"small-caps\">imta<\/span>), onde trabalhou por v\u00e1rios anos. Laura Machuca, por exemplo, mergulha em um carnaval de M\u00e9rida do passado, o de 1913, quando as elites de M\u00e9rida exibiam sua riqueza e o carnaval estava em todo o seu esplendor e n\u00e3o tinha sido relegado \u00e0 periferia de M\u00e9rida; Claudia Lora, por sua vez, relata seus sentimentos sobre a morte de um dos personagens-chave na realiza\u00e7\u00e3o de seu document\u00e1rio e a maneira como ela vai em busca de lugares e pessoas para encontr\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como a nostalgia foi uma for\u00e7a motriz por tr\u00e1s da reda\u00e7\u00e3o de alguns dos artigos, outro processo muito pr\u00f3ximo foi o da busca e constru\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias e o papel que as cole\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas e audiovisuais podem desempenhar nesse processo. Claudia Lora nos conta sobre o processo de realiza\u00e7\u00e3o de seu document\u00e1rio sobre uma dan\u00e7a no vilarejo de El Quiz\u00e1, em Guerrero, um processo que levou v\u00e1rios anos de conviv\u00eancia com a comunidade. Ela diz que, ao recriar a dan\u00e7a dos Diablos, o que ela reativa \u00e9 uma mem\u00f3ria de dan\u00e7a, esse capital imaterial das pessoas no qual elas recriam parte de sua hist\u00f3ria, seu presente e seu futuro. Essas reflex\u00f5es a levam a analisar o significado de \"document\u00e1rio etnogr\u00e1fico\"; para ela, o que conta \u00e9 a problematiza\u00e7\u00e3o das formas de representa\u00e7\u00e3o colonial, a consci\u00eancia de que o trabalho visual realizado \u00e9 tamb\u00e9m uma pr\u00e1tica cr\u00edtica e comprometida, que pode ser um ponto de refer\u00eancia para os povos filmados e, assim, contribuir para sua mem\u00f3ria cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Daniel Murillo, por sua vez, trabalhou por muitos anos no Instituto Mexicano de Tecnologia da \u00c1gua, em uma unidade chamada Sistema de Comunica\u00e7\u00e3o Rural (<span class=\"small-caps\">scr<\/span>), que funcionou intensamente entre 1978 e 1996, e cujo objetivo era tentar ver como as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas das comunidades rurais em \u00e1reas marginalizadas do Tr\u00f3pico \u00damido mexicano poderiam ser melhoradas. Para isso, eles precisavam primeiro documentar visualmente as condi\u00e7\u00f5es de vida dessas comunidades, recorrendo a estrat\u00e9gias que inclu\u00edam o uso de materiais audiovisuais, oficinas participativas e metodologias de treinamento e diagn\u00f3stico, para as quais fot\u00f3grafos, documentaristas e comunicadores sociais foram contratados para produzir uma enorme cole\u00e7\u00e3o de fotografias, v\u00eddeos e materiais gr\u00e1ficos. Algumas dessas evid\u00eancias foram mantidas por mais de trinta anos. As fotos, encontradas por acaso em uma caixa de sapatos, s\u00e3o guardi\u00e3s de todo um processo institucional que teve impacto em vilarejos distantes e remotos do M\u00e9xico. O autor descreve o procedimento que seguiu para ordenar o arquivo - cujas imagens correspondem aos anos 80 e 90 - no qual aparentemente n\u00e3o havia nenhuma ordem anterior, e a partir do qual ele construiu uma metodologia de sistematiza\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00e3o que lhe permitiu agrupar o material visual por sequ\u00eancia, lugares, personagens e a\u00e7\u00f5es. Dessa forma, ele conseguiu dar sentido \u00e0 sua cole\u00e7\u00e3o, transformando-a em uma ferramenta de mem\u00f3ria, pesquisa social e an\u00e1lise das pol\u00edticas de desenvolvimento rural e suas formas de representa\u00e7\u00e3o visual.<\/p>\n\n\n\n<p>As fotografias mantidas em um \u00e1lbum pessoal tamb\u00e9m desencadeiam processos de recorda\u00e7\u00e3o, como o que se refere \u00e0 forma como os carnavais eram realizados em M\u00e9rida. Laura Machuca analisa as fotografias tiradas pelo alem\u00e3o Wilhem Schirp durante sua visita a M\u00e9rida no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xx <\/span>-e, especificamente, as do carnaval de 1913, que formam um arquivo visual. Essas imagens nos permitem analisar criticamente a maneira pela qual a sociedade iucateca foi representada durante o boom do henequen. Al\u00e9m do registro de uma festa popular, as imagens analisadas pelo autor mostram a encena\u00e7\u00e3o de poder e distin\u00e7\u00e3o social, na qual a elite da pen\u00ednsula projetou seu dom\u00ednio simb\u00f3lico e est\u00e9tico sobre o p\u00fablico. Assim, o registro torna-se um testemunho de estruturas sociais desiguais e disputas simb\u00f3licas, bem como uma ferramenta para reconstruir a representa\u00e7\u00e3o e o patrim\u00f4nio cultural de Yucat\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse testemunho fotogr\u00e1fico e audiovisual nos permite repensar o carnaval, a dan\u00e7a e a m\u00fasica como lugares de mem\u00f3ria coletiva. Ao revisitar os materiais nos dias de hoje, entendemos que a nostalgia n\u00e3o atua apenas como um sentimento, mas tamb\u00e9m como uma forma de interrogar o passado e seus vest\u00edgios na vida social contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Tecnologias de imagem, registros f\u00edlmicos e narrativas visuais da modernidade<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">No in\u00edcio do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xx<\/span>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, as tecnologias de registro de imagens desempenharam um papel fundamental na transforma\u00e7\u00e3o da cultura visual em escala global, possibilitando a reprodu\u00e7\u00e3o em massa de imagens e, assim, permitindo uma circula\u00e7\u00e3o de alcance sem precedentes (Poole, 1997). Os registros tornaram-se mais precisos gra\u00e7as \u00e0s c\u00e2meras port\u00e1teis e aos processos gr\u00e1ficos mais sofisticados. Ao mesmo tempo, a m\u00eddia impressa se multiplicou (jornais, revistas, livros, imprensa ilustrada, p\u00f4steres, publicidade, cart\u00f5es postais etc.), o que permitiu uma circula\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de representa\u00e7\u00f5es visuais do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Paulina Pezzat, por exemplo, documenta para a Guatemala a maneira pela qual a fotogravura possibilitou uma reprodu\u00e7\u00e3o exponencial de imagens, incorporando-as ao mercado de impress\u00e3o e, assim, atingindo um p\u00fablico muito maior. Marisol Dom\u00ednguez, por sua vez, mostra a import\u00e2ncia da fotografia nas exposi\u00e7\u00f5es universais do s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xix<\/span>A exposi\u00e7\u00e3o mexicana foi realizada em Madri em 1892, onde o M\u00e9xico apresentou um corpus de 768 fotografias. Algumas dessas imagens inclu\u00edam retratos e fotografias da diversidade das popula\u00e7\u00f5es \"ind\u00edgenas\". O M\u00e9xico, ao contr\u00e1rio da Guatemala, celebrava os ind\u00edgenas e seu monumental legado arqueol\u00f3gico como parte de um passado glorioso, embora as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas contempor\u00e2neas ainda precisassem ser \"redimidas\" por meio da educa\u00e7\u00e3o e da \"assimila\u00e7\u00e3o\". Essas imagens implicam uma linguagem visual atravessada por diferen\u00e7as de classe, \"ra\u00e7a\" e g\u00eanero, na qual fica claro como a fotografia foi fundamental para as produ\u00e7\u00f5es e cole\u00e7\u00f5es dos chamados \"tipos raciais\", derivados do interesse da antropologia nascente e do enraizamento do paradigma racial do s\u00e9culo XX, e como ela foi um fator fundamental no desenvolvimento dos \"tipos raciais\". <span class=\"small-caps\">xix<\/span>. Dom\u00ednguez nos mostra como, no caso do M\u00e9xico, o cat\u00e1logo derivado da exposi\u00e7\u00e3o de 1892 ser\u00e1 \"reciclado\" como parte das publica\u00e7\u00f5es da se\u00e7\u00e3o de antropologia do Museu Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>As obras de ambos os autores tamb\u00e9m demonstram que as fotogravuras e fotografias ocupavam um lugar central em um discurso visual de alcance internacional, em sintonia com as no\u00e7\u00f5es de progresso e modernidade promovidas pelo mundo ocidental. Esse discurso visual tamb\u00e9m foi apreciado no \u00e2mbito do cinema. Como mostra Gabriela Zamorano, que relata o papel desempenhado pelo cinema nesse processo. Em seu trabalho, ela analisa as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, as qualidades tecnol\u00f3gicas e a circula\u00e7\u00e3o material de filmes e registros audiovisuais sobre um s\u00edmbolo ic\u00f4nico: a ferrovia. Dessa forma, por meio do caso da Ferrovia do Istmo de Tehuantepec - tanto do in\u00edcio do s\u00e9culo XX quanto do in\u00edcio do s\u00e9culo XX -, ela examina as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, as qualidades tecnol\u00f3gicas e a circula\u00e7\u00e3o material de registros cinematogr\u00e1ficos e audiovisuais sobre um s\u00edmbolo ic\u00f4nico: a ferrovia. <span class=\"small-caps\">xx <\/span>a partir do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>- demonstra como esses materiais serviram para promover diferentes promessas de desenvolvimento, com significados pol\u00edticos atuais. O autor argumenta que esses registros funcionam como \"ve\u00edculos est\u00e9ticos\" que amplificam imagens de progresso, destacam figuras presidenciais e projetam ideias de modernidade, mobilidade, pertencimento nacional e interconex\u00e3o global.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhos apresentados aqui s\u00e3o, portanto, uma pequena amostra do trabalho colaborativo no <span class=\"small-caps\">ciesas <\/span>e sua Rede Audiovisual, em uma linha de especializa\u00e7\u00e3o que busca se consolidar ainda mais. Est\u00e1 claro que, no mundo atual, n\u00e3o podemos ignorar a multiplica\u00e7\u00e3o dos usos sociais das imagens e dos audiovisuais, bem como das tecnologias digitais. Nosso objetivo \u00e9 continuar integrando esses elementos \u00e0 pesquisa social e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o coletiva de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Barthes, Roland (1989). <em>La c\u00e1mara l\u00facida. Nota sobre la fotograf\u00eda<\/em> [1a ed. 1980]. Barcelona: Paid\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Chauliac, Marina (2022). \u201cNostalgie et m\u00e9moire collective. Quelques r\u00e9flexions sur les usages du terme nostalgie en Sciences Sociales\u201d, <em>HAL<\/em>. ff10.1007\/978-3-658-26593-9_88-1ff. ffhal-03935951<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Giordano, Mariana (2012). \u201cFotograf\u00eda, testimonio oral y memoria. Representaciones de ind\u00edgenas e inmigrantes del Chaco (Argentina), <em>Memoria Americana, <\/em>20 (2), julio-diciembre, pp. 295-321.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Grau Rebollo, Jorge (2012). \u201cAntropolog\u00eda audiovisual: reflexiones te\u00f3ricas\u201d, en <em>Alteridades<\/em>, 22 (43), pp. 161-175.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Halbwachs, Maurice (2004). <em>La memoria colectiva <\/em>(1a ed. 1968). Zaragoza: Prensas Universitarias de Zaragoza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Le Goff, Jacques (1977).<em> El orden de la memoria: el tiempo como imaginario<\/em>. Barcelona: Paid\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mela Contreras, Jos\u00e9 (2021). \u201cAutorrepresentaci\u00f3n identitaria a trav\u00e9s de las artes visuales: la experiencia del Taller de Fotograf\u00eda Infantil Mapuche\u201d, <em>Cuadernos de M\u00fasica, Artes Visuales y Artes Esc\u00e9nicas<\/em>, vol. 16, n\u00fam. 2. Bogot\u00e1: Pontificia Universidad Javeriana, pp. 60-75<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pezzat, Paulina (2023). \u201cDibujar con luz siluetas femeninas. Fotograf\u00eda y econom\u00eda visual de mujeres ind\u00edgenas de Guatemala durante los gobiernos liberales. 1870-1920\u201d. Tesis de doctorado en Historia. M\u00e9rida: <span class=\"small-caps\">ciesas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Poole, Deborah (1997). <em>Vision, Race, and Modernity. A Visual Economy of the Andean Image World<\/em>. Nueva Jersey: Princeton University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Walsh, Catherine (2005). \u201cInterculturalidad y colonialidad del poder: un pensamiento y posicionamiento \u2018otro\u2019 desde la diferencia colonial\u201d, en Edgardo Lander (ed.).<em> La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Perspectivas latinoamericanas<\/em>. <span class=\"small-caps\">clacso<\/span>. Disponible en l\u00ednea: <a href=\"https:\/\/www.clacso.org.ar\/libros\/lander\/\">https:\/\/www.clacso.org.ar\/libros\/lander\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<div class=\"notas\" id=\"notas-fixed\">\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote1\">1 O Centro de Pesquisa e Estudos Superiores em Antropologia Social (<span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>) possui um valioso patrim\u00f4nio audiovisual, produto do trabalho de seus pesquisadores, bem como dos alunos de seus programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em praticamente todos os seus centros. Essa produ\u00e7\u00e3o audiovisual resulta de projetos nos quais as m\u00eddias e ferramentas visuais foram usadas como parte da pesquisa social, do ensino, de metodologias colaborativas ou participativas e da divulga\u00e7\u00e3o dos resultados da pesquisa. Tamb\u00e9m \u00e9 resultado do trabalho do Laborat\u00f3rio Audiovisual Institucional, fundado em 2005, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Ricardo P\u00e9rez Monfort. No contexto da pandemia, a Rede de Pesquisa Audiovisual (<span class=\"small-caps\">riav<\/span>) do <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>atualmente composto por 16 pesquisadores nas sete unidades da institui\u00e7\u00e3o. Seu objetivo \u00e9 fortalecer o uso de ferramentas visuais para pesquisa e defesa social, bem como divulgar a produ\u00e7\u00e3o audiovisual da <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>. Tamb\u00e9m busca fomentar espa\u00e7os colaborativos que promovam o interc\u00e2mbio e a reflex\u00e3o sobre as diferentes formas de comunicar o trabalho cient\u00edfico por meio de materiais imagin\u00e1rios.<\/div>\n<div class=\"nota invisible\" id=\"footnote2\">2 A palavra \"Yucatecan\" refere-se a tudo relacionado ao estado mexicano de Yucatan.<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o da Encartes, apresentamos uma sele\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es mais recentes da Rede de Pesquisa Audiovisual (RIAV) do CIESAS, bem como de pesquisadores que estiveram ligados a ela por meio de v\u00e1rios programas e projetos colaborativos e de diferentes latitudes e campos de a\u00e7\u00e3o. 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