{"id":39816,"date":"2025-09-22T10:00:30","date_gmt":"2025-09-22T16:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=39816"},"modified":"2025-09-19T15:03:42","modified_gmt":"2025-09-19T21:03:42","slug":"lora-documental-danza-memoria-afromexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/lora-documental-danza-memoria-afromexico\/","title":{"rendered":"O document\u00e1rio como testemunha: Mem\u00f3rias de dan\u00e7a na Costa Chica (parte 1)"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O document\u00e1rio etnogr\u00e1fico tem sido uma das formas de registrar e mostrar as diversas dan\u00e7as afro-mexicanas da Costa Chica. O artigo argumenta que esse g\u00eanero audiovisual tamb\u00e9m pode ser usado como uma forma de investigar a mem\u00f3ria da dan\u00e7a. O texto faz uma an\u00e1lise inicial dos document\u00e1rios produzidos sobre as dan\u00e7as dessa regi\u00e3o e apresenta parte do processo de realiza\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio de longa-metragem <em>O Maybe, onde a mem\u00f3ria dan\u00e7a<\/em>dirigido pelo autor, cujo interesse principal \u00e9 contribuir para as mem\u00f3rias coletivas de um povo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/afromexico\/\" rel=\"tag\">Afrom\u00e9xico<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/danza\/\" rel=\"tag\">dan\u00e7a<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/documental\/\" rel=\"tag\">document\u00e1rio<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/memoria\/\" rel=\"tag\">mem\u00f3ria<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title abstract\"><span class=\"small-caps\">o document\u00e1rio como testemunha: mem\u00f3rias de dan\u00e7a na costa chica (parte 1)<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-text abstract\">O filme etnogr\u00e1fico tem sido uma das maneiras de documentar e mostrar as diversas dan\u00e7as afro-mexicanas da regi\u00e3o da Costa Chica. Este artigo mostra como esse g\u00eanero audiovisual tamb\u00e9m pode servir como um m\u00e9todo para investigar a mem\u00f3ria da dan\u00e7a ao apresentar os document\u00e1rios dedicados \u00e0s dan\u00e7as dessa regi\u00e3o. Em seguida, aborda um document\u00e1rio de longa-metragem dirigido pelo autor, <em>O Maybe, onde a mem\u00f3ria dan\u00e7a<\/em>que tem como objetivo contribuir para a mem\u00f3ria coletiva de uma comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: document\u00e1rio, dan\u00e7a, mem\u00f3ria, afrom\u00e9xico, M\u00e9xico negro.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Em mem\u00f3ria de Dom Hermelindo e Dom Bruno<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"small-caps\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Que document\u00e1rios etnogr\u00e1ficos foram produzidos sobre as dan\u00e7as da Costa Chica no M\u00e9xico? Como sua an\u00e1lise pode contribuir para o estudo das mem\u00f3rias das dan\u00e7as tradicionais da regi\u00e3o? Como foi concebida a realiza\u00e7\u00e3o de um document\u00e1rio que dialoga com as mem\u00f3rias de dan\u00e7a de um povo? Essas s\u00e3o as perguntas que norteiam os objetivos deste texto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio de minha carreira como etn\u00f3logo, decidi me dedicar ao estudo das dan\u00e7as afro-americanas. Isso aconteceu depois de assistir a um document\u00e1rio em uma aula de Antropologia da Dan\u00e7a que contava fragmentos da hist\u00f3ria e do presente da popula\u00e7\u00e3o afro-mexicana por meio de dan\u00e7as e m\u00fasicas da regi\u00e3o. Uma imagem ficou gravada em minha mem\u00f3ria e me impressionou: os dan\u00e7arinos do diabo dan\u00e7am na beira da praia e depois se submergem completamente. Fiz essa pergunta a mim mesmo v\u00e1rias vezes, at\u00e9 que, quando estava em Costa Chica, descobri que essa parte tinha sido uma inven\u00e7\u00e3o do diretor, porque tradicionalmente a dan\u00e7a n\u00e3o acontecia dessa forma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa experi\u00eancia me fez levantar quest\u00f5es e reflex\u00f5es durante anos e hoje percebo que ela marcou minha carreira de pelo menos duas maneiras: por um lado, comecei a questionar a delicadeza de representar o \"outro\"; tomei consci\u00eancia do poder que os cineastas e antrop\u00f3logos t\u00eam de produzir imagin\u00e1rios sobre as culturas que pesquisamos e de como a subjetividade e a fic\u00e7\u00e3o no document\u00e1rio desempenham um papel importante na representa\u00e7\u00e3o de diversas realidades. Uma vasta literatura foi escrita sobre esse assunto (Nichols, 1991, 1997; MacDougall, 1998).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Por outro lado, essas imagens eram t\u00e3o poderosas que me levaram ao local onde haviam surgido, \u00e0 Costa Chica; ali me foi revelado um mundo totalmente desconhecido, invis\u00edvel para a maioria dos mexicanos naquela \u00e9poca (2000). A partir desse momento, dediquei-me durante anos \u00e0 pesquisa e ao registro de dan\u00e7as da Afro-Am\u00e9rica (M\u00e9xico, Venezuela, Panam\u00e1, Cuba, Brasil, Peru), o que sempre gerou perguntas como as que me fiz naquele dia, relacionadas ao audiovisual e \u00e0 representa\u00e7\u00e3o da realidade social: os limites do document\u00e1rio e da fic\u00e7\u00e3o; as linguagens interdisciplinares; as mem\u00f3rias que essas grava\u00e7\u00f5es guardam consigo (Lora 2024) e, nesse sentido, o document\u00e1rio como forma de investigar as mem\u00f3rias culturais, o tema central deste artigo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como estamos na segunda D\u00e9cada Internacional para Pessoas de Ascend\u00eancia Africana - decretada pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas - a <span class=\"small-caps\">unesco <\/span>Em 2024 - e apenas alguns anos ap\u00f3s a popula\u00e7\u00e3o afro-mexicana ter obtido reconhecimento constitucional (2019) -, surgiram v\u00e1rias pesquisas e filmes relacionados a esse assunto. Al\u00e9m do meu interesse em estudar essas produ\u00e7\u00f5es e participar do esfor\u00e7o para dar visibilidade \u00e0s express\u00f5es art\u00edsticas dos povos afro-mexicanos, esta pesquisa tem como objetivo aprofundar as mem\u00f3rias de dan\u00e7a do povo de El Quiz\u00e1. Por esse motivo, desenvolvi meu primeiro document\u00e1rio de longa-metragem - ainda em p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o -, cujo tema central \u00e9 o novo grupo de Danza de Diablos em El Quiz\u00e1, Guerrero.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2019, os jovens de El Quiz\u00e1 est\u00e3o tentando consolidar um grupo contra todas as probabilidades, ou melhor, contra pandemias e furac\u00f5es. Por ter sido uma pessoa que registrou essa cidade, seus rituais e entes queridos por mais de 20 anos (com longas interrup\u00e7\u00f5es), a comunidade me permitiu fazer um segundo document\u00e1rio sobre a Danza de los Diablos. O objetivo desse trabalho foi colaborar com a revitaliza\u00e7\u00e3o da dan\u00e7a e das mem\u00f3rias relacionadas a ela. Nesse sentido, por meio de pesquisa audiovisual etnogr\u00e1fica, acompanhei e registrei os dan\u00e7arinos na busca de sua pr\u00f3pria representa\u00e7\u00e3o por meio da reativa\u00e7\u00e3o de seus repert\u00f3rios de dan\u00e7a e m\u00fasica. Com a ajuda de uma equipe de trabalho, foi gerado material audiovisual gravado entre 2020 e 2023, al\u00e9m das grava\u00e7\u00f5es que j\u00e1 haviam sido feitas entre 2000 e 2008, com as quais grande parte do document\u00e1rio foi editada.<em> El juego de los Diablos: celebra\u00e7\u00e3o dos mortos na Costa Chica de Guerrero e Oaxaca.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para iniciar essa jornada, considero necess\u00e1rio problematizar o termo \"document\u00e1rio etnogr\u00e1fico\" para, em seguida, analisar a maneira como antrop\u00f3logos e cineastas contribu\u00edram para gerar no\u00e7\u00f5es ou ideias sobre as dan\u00e7as afrodescendentes por meio do registro e da circula\u00e7\u00e3o desses produtos audiovisuais. Por outro lado, \u00e9 apresentado o processo de nosso pr\u00f3prio projeto de document\u00e1rio, que busca contribuir com a luta dos jovens para revitalizar uma dan\u00e7a que se pensava estar perdida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O document\u00e1rio etnogr\u00e1fico e o registro do repert\u00f3rio de dan\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Em termos gerais, o termo document\u00e1rio etnogr\u00e1fico refere-se a uma forma de produ\u00e7\u00e3o audiovisual.<em> n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o<\/em> (Grierson, 1932) com base na etnografia, um m\u00e9todo e abordagem de pesquisa social usado para estudar e descrever fen\u00f4menos sociais (Guber, 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 da Silva Ribeiro afirma que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Na express\u00e3o filme etnogr\u00e1fico ou filme etnogr\u00e1fico, a palavra etnogr\u00e1fico tem duas conota\u00e7\u00f5es distintas. A primeira \u00e9 o assunto - ethnos, \u03b8\u03bdo\u03c2, povo, na\u00e7\u00e3o; graphein, \u03b3\u03c1\u03c6\u03b5\u03b9\u03bd, escrita, desenho, representa\u00e7\u00e3o. O \ufb01lme etnogr\u00e1fico seria \"a representa\u00e7\u00e3o de um povo por meio de um \ufb01lme\" (Weinburger, 1994). \u00c9 aqui que os filmes <em>Nanook of the North, de Flaherty<\/em> e os ensaios sobre filme etnogr\u00e1fico de MacDougall (1975, 1978) e Timothy Asch, John Marshall, an\u00e1lises de cineastas que fotografaram ou filmaram culturas ex\u00f3ticas. A segunda conota\u00e7\u00e3o do termo etnogr\u00e1fico \u00e9 que h\u00e1 uma estrutura disciplinar espec\u00edfica dentro da qual o filme \u00e9 ou foi feito - Etnografia, Etnologia, Antropologia - (Da Silva, 2007: 9. Tradu\u00e7\u00e3o do autor).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora em seus prim\u00f3rdios a antropologia tenha se concentrado na investiga\u00e7\u00e3o de sociedades estrangeiras, atualmente, e h\u00e1 d\u00e9cadas, ela \u00e9 um m\u00e9todo que pode ser usado tanto para estudar a sociedade \u00e0 qual o pesquisador pertence quanto para abordar qualquer cultura diferente da sua. Uma de suas principais caracter\u00edsticas \u00e9 a \"observa\u00e7\u00e3o participante\", termo cunhado pelo antrop\u00f3logo Bronislaw Malinowski (1922), que se refere ao fato de o pesquisador assumir um papel ativo nas tarefas da sociedade que est\u00e1 estudando, observando cada detalhe e aprendendo com seus interlocutores. A etnografia \u00e9, portanto, uma pr\u00e1tica que, embora transformada e adaptada a um contexto, \u00e9poca e situa\u00e7\u00e3o espec\u00edficos, continua sendo o m\u00e9todo de pesquisa que caracteriza a antropologia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O termo <em>document\u00e1rio etnogr\u00e1fico<\/em> O termo etnogr\u00e1fico surge ent\u00e3o como uma forma de definir os audiovisuais feitos por etn\u00f3logos ou cineastas que usam a etnografia para registrar e descrever a cultura em estudo. Autores mais recentes, como o antrop\u00f3logo visual Antonio Ziri\u00f3n, prop\u00f5em um significado um pouco diferente para o termo etnogr\u00e1fico e, portanto, para o filme etnogr\u00e1fico:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">... parece-nos mais apropriado caracteriz\u00e1-la, em primeiro lugar, como uma forma de experi\u00eancia, uma disposi\u00e7\u00e3o, uma atitude, uma maneira de olhar, um tipo de sensibilidade que implica um constante estranhamento, espanto, curiosidade e interesse na realiza\u00e7\u00e3o da identidade, da alteridade e da diversidade cultural (Ziri\u00f3n, 2015: 53).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Essa defini\u00e7\u00e3o, que destaca elementos relacionados \u00e0 forma de intera\u00e7\u00e3o entre aquele que quer saber e aquele que permite que esse di\u00e1logo aconte\u00e7a, seja ele antrop\u00f3logo ou n\u00e3o, nos permite entender a etnografia de uma perspectiva diferente. Para Antonio Ziri\u00f3n, o filme etnogr\u00e1fico \"\u00e9 aquele que promove um di\u00e1logo intercultural, que provoca uma experi\u00eancia etnogr\u00e1fica, uma intera\u00e7\u00e3o ou transa\u00e7\u00e3o em que ambas as partes s\u00e3o transformadas\" (Ziri\u00f3n, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns pesquisadores sugeriram o termo <em>document\u00e1rio antropol\u00f3gico<\/em> para se referir a um cinema social, preocupado, em sua narrativa, n\u00e3o apenas com o descritivo, mas tamb\u00e9m com uma abordagem anal\u00edtica e propositiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A antrop\u00f3loga Karla Paniagua, em seu livro <em>O document\u00e1rio como um caldeir\u00e3o cultural<\/em> (2007) atribui ao cinema etnogr\u00e1fico uma associa\u00e7\u00e3o com culturas ex\u00f3ticas ou primitivas, o que deixaria de fora a perspectiva das produ\u00e7\u00f5es urbanas e a vis\u00e3o do pesquisador sobre sua pr\u00f3pria cultura. Ele opta pelo termo \"document\u00e1rio antropol\u00f3gico\", ao qual atribui certas caracter\u00edsticas:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Ele concentra seus argumentos na vida cultural de v\u00e1rios grupos humanos.<\/li>\n\n\n\n<li>Ele \u00e9 articulado com base em premissas concretas de pesquisa.<\/li>\n\n\n\n<li>Ele pressup\u00f5e uma teoria da cultura e, portanto, uma peneira ideol\u00f3gica.<\/li>\n\n\n\n<li>Ela envolve uma estrutura \u00e9tica herdada da antropologia, que considera a relev\u00e2ncia do consentimento informado dos atores (Paniagua, 2007: 32).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O debate que se desenvolveu em torno desses termos \u00e9 longo e complexo. Minha proposta neste artigo \u00e9 que, independentemente do nome que adote, e da disciplina ou do lugar sobre o qual estamos falando e\/ou filmando, \u00e9 extremamente necess\u00e1rio problematizar constantemente e n\u00e3o negligenciar os processos hist\u00f3ricos e atuais de um ponto de vista cr\u00edtico e comprometido, porque, como diz Silvia Rivera Cusicanqui, a sociologia da imagem deve ser problematizada em seu \"colonialismo\/elitismo inconsciente\" (Rivera Cusicanqui, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a maneira como os document\u00e1rios t\u00eam sido usados para registrar a corporeidade de outras culturas tamb\u00e9m deve ser problematizada, questionando quem, para qu\u00ea e para quem o trabalho \u00e9 feito e, por outro lado, tendo consci\u00eancia de que o material audiovisual que produzimos se tornar\u00e1 uma refer\u00eancia audiovisual das culturas retratadas.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas de origem africana ou afrodescendente t\u00eam sido historicamente associadas \u00e0 capacidade de dan\u00e7ar ritmicamente, a ponto de ser uma ideia completamente naturalizada. Frases como \"o ritmo est\u00e1 em seu sangue\" s\u00e3o comuns para descrev\u00ea-los. O pensamento capitalista colonial levou \u00e0 suposi\u00e7\u00e3o de que, geneticamente, essa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 \"feita\" ou h\u00e1bil em qualquer coisa que tenha a ver com trabalho e a\u00e7\u00f5es corporais, ao mesmo tempo em que questiona sua capacidade racional. Essa representa\u00e7\u00e3o da negritude \u00e9 alimentada por ideias de ra\u00e7a que reverberam at\u00e9 hoje e fazem parte das pol\u00edticas racistas de conquista e domina\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O cinema em geral ajudou a refor\u00e7ar esses pensamentos ao reproduzir os discursos dominantes. Isso pode ser visto mais claramente no cinema de fic\u00e7\u00e3o, onde os personagens negros desempenham o papel de criados, trabalhadores dos brancos, comediantes ou dan\u00e7arinos. Nos document\u00e1rios, o olhar colonial \u00e9 mais dif\u00edcil de observar; seu valor como registro hist\u00f3rico-cultural, bem como para divulga\u00e7\u00e3o, pode obscurecer o olhar cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o a essas produ\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A dan\u00e7a e a religi\u00e3o t\u00eam sido formas persistentes de representar os africanos ou afrodescendentes em filmes e fotografias etnogr\u00e1ficas. A dan\u00e7a e a religi\u00e3o, elementos culturais fortemente reprimidos e usados na col\u00f4nia para discriminar e criar teorias evolutivas que colocam os africanos ind\u00edgenas e escravizados no elo mais baixo, s\u00e3o referentes que, na mentalidade europeia, diferenciavam suas sociedades dos \"outros\" primitivos ou selvagens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que essas produ\u00e7\u00f5es cont\u00eam um valioso testemunho etnogr\u00e1fico, mas, por outro lado, a realidade que elas pretendem mostrar \u00e9 claramente influenciada pelo olhar euroc\u00eantrico exotizante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja importante apresentar essa quest\u00e3o, que \u00e9 fundamental para entender a representa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dessas culturas, est\u00e1 claro que nem todos os filmes s\u00e3o feitos dessa forma e que, especialmente nos \u00faltimos anos, como resultado de demandas antirracistas, feministas e culturais, uma parte da popula\u00e7\u00e3o se conscientizou das estruturas coloniais persistentes e buscou v\u00e1rias maneiras de transformar as pr\u00e1ticas e os discursos dominantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de um contexto de patrimonializa\u00e7\u00e3o, reconhecimento da afrodescend\u00eancia e necessidade de repara\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, alguns pesquisadores fazem perguntas semelhantes; um dos eixos centrais gira em torno de como contribuir para a luta pelas mem\u00f3rias culturais e a dignifica\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es afro-mexicanas e ind\u00edgenas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que na Europa esse est\u00e1gio tenha come\u00e7ado com o Cinema V\u00e9rit\u00e9, proposto por Jean Rouch depois de ter feito seus primeiros document\u00e1rios. Com uma vis\u00e3o mais consciente e em di\u00e1logo com pesquisadores como Edgar Morin, eles prop\u00f5em uma forma diferente de representa\u00e7\u00e3o, na qual a intera\u00e7\u00e3o e o consenso com os protagonistas se tornam fundamentais, argumentando que o etn\u00f3logo deve se tornar um cineasta porque: \"embora seus filmes sejam bastante inferiores ao trabalho dos profissionais, eles ter\u00e3o essa qualidade insubstitu\u00edvel de contato real e prim\u00e1rio entre a pessoa que filma e aqueles que s\u00e3o filmados\" (Rouch, 1995: 107). Outra diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao cinema etnogr\u00e1fico anterior \u00e9 que o Cinema Verit\u00e9 de Rouch e Morin mostrou a seus protagonistas a filmagem da sess\u00e3o, compartilhando suas impress\u00f5es sobre ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, o document\u00e1rio colaborativo tem se desenvolvido de diferentes maneiras e sob diferentes nomes, transformando narrativas e tentando produzir material com a participa\u00e7\u00e3o de outros. Isso apresenta desafios tanto para as ci\u00eancias sociais quanto para o pr\u00f3prio cinema, quebrando ideias e propondo novas formas de trabalhar, contar e pesquisar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os document\u00e1rios sobre as dan\u00e7as afro-mexicanas da Costa Chica&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Apesar do fato de que historicamente, e ainda hoje, as culturas africanas, ind\u00edgenas e afro-ind\u00edgenas do continente americano foram despojadas de muitos de seus patrim\u00f4nios hist\u00f3rico-culturais e territoriais, essas culturas resistiram conservando, reinventando e gerando outras formas de preservar sua mem\u00f3ria. Enrique Florescano se refere a mitos, imagens, ritos, calend\u00e1rio solar e religioso, bem como \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o oral (Florescano, 1999). A pesquisadora de desempenho Diana Taylor, por sua vez, introduz o termo <em>repert\u00f3rios <\/em>como uma contrapartida ao arquivo (privilegiado pelas epistemologias ocidentais). Os repert\u00f3rios perpetuam uma mem\u00f3ria performativa, ancorada na transmiss\u00e3o de pr\u00e1ticas corporais (Taylor, 2017). Nesse sentido, a dan\u00e7a \u00e9 um dos repert\u00f3rios mais representativos; ela faz parte de tradi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o pilares fundamentais de suas culturas, muitas delas emblemas de identidade e formas de resist\u00eancia \u00e0 mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o caso da Danza de los Diablos de la Costa Chica, de Oaxaca e Guerrero, que hoje constitui um \u00edcone da afro-mexicanidade, como bem aponta o pesquisador Itza Varela:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Ela \u00e9 apresentada como uma marca indel\u00e9vel da identidade negro-afro-mexicana e \u00e9 um dos elementos centrais da pol\u00edtica cultural que sustenta as pr\u00e1ticas dos afrodescendentes mexicanos e permite a amplia\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios caminhos de mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (Varela, 2023: 2010).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como afirmam os pr\u00f3prios habitantes da Costa Chica, \u00e9 uma dan\u00e7a que representa a for\u00e7a e a resist\u00eancia dos povos afro-mexicanos. A maneira pela qual pesquisadores, artistas e, em geral, a popula\u00e7\u00e3o interessada nesse assunto se aproximaram dele para estud\u00e1-lo e deixar um registro de sua exist\u00eancia foi por meio da escrita, da fotografia e de grava\u00e7\u00f5es em filme, v\u00eddeo e \u00e1udio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No M\u00e9xico, grande parte dos document\u00e1rios feitos sobre a regi\u00e3o da Costa Chica incorpora suas dan\u00e7as tradicionais como forma de destacar as caracter\u00edsticas culturais distintas da afro-mexicana. A tabela que apresento aqui \u00e9 uma primeira sistematiza\u00e7\u00e3o de 17 document\u00e1rios produzidos ao longo de 25 anos (1999 a 2024). O que se destaca \u00e9 que a maioria deles foi feita por antrop\u00f3logos e cineastas; quase todos foram dirigidos por pessoas da Cidade do M\u00e9xico, com exce\u00e7\u00e3o de quatro, criados em parte ou no todo no estado de Oaxaca. Pode-se observar que, dos 17 trabalhos, dez s\u00e3o dirigidos por homens e sete por mulheres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto a ser destacado \u00e9 que h\u00e1 um desenvolvimento relativamente cont\u00ednuo na produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios sobre o tema dos afrodescendentes na regi\u00e3o, dez dos quais s\u00e3o resultado de apoio financeiro governamental (proveniente de institui\u00e7\u00f5es culturais e esta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de televis\u00e3o), seis de produtoras independentes e um do mais conhecido festival de document\u00e1rios do pa\u00eds, o Ambulante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/tabla-1.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"698x766\" data-index=\"0\" data-caption=\"\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/tabla-1.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\"><\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p><em>\u00c9bano, a terceira raiz no M\u00e9xico<\/em> (1999) \u00e9 provavelmente o primeiro document\u00e1rio feito sobre a Costa Chica e Veracruz. Ele \u00e9 narrado por uma voz em <em>off<\/em> A obra apresenta uma po\u00e9tica mesclada com uma abordagem mais educativa, juntamente com as reflex\u00f5es dos entrevistados (pesquisadores, ativistas, dan\u00e7arinos, etc.), que falam sobre aspectos hist\u00f3ricos, econ\u00f4micos, geogr\u00e1ficos, \u00e9tnicos, gastron\u00f4micos e de medicina tradicional. Este primeiro trabalho apresenta a Danza de los Diablos como um emblema da tradi\u00e7\u00e3o da dan\u00e7a afro-mexicana da Costa Chica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>A raiz esquecida, a terceira raiz no M\u00e9xico <\/em>(2001), de Rafael Rebollar, dedica grande parte da obra a narrar a hist\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o africana no pa\u00eds por meio das vozes de pesquisadores mexicanos e africanos. A \u00faltima parte cont\u00e9m fragmentos de v\u00e1rias dan\u00e7as que, segundo ele, t\u00eam ascend\u00eancia africana, sendo as primeiras a aparecer a Danza del Toro e a Danza de los Diablos de la Costa Chica, com foco em um dos instrumentos chamados bote, alcuza ou tigrera, que, segundo ele, vem da \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme <em>African\u00edas<\/em> (Rebollar, 2007), que mencionei no in\u00edcio deste texto, foi o primeiro a aproximar o p\u00fablico nacional das tradi\u00e7\u00f5es de dan\u00e7a dos povos da Costa Rica. Embora as produ\u00e7\u00f5es audiovisuais dirigidas pelo autor fossem declaradamente documentais, elas apresentavam tra\u00e7os do que hoje \u00e9 conhecido como docufic\u00e7\u00e3o.&nbsp;<em>African\u00edas<\/em> cont\u00e9m cenas fict\u00edcias de rituais tradicionais, como as imagens dos dan\u00e7arinos Diablos dan\u00e7ando na praia ou os personagens da Danza de Conquista chegando em um barco. Essas cenas t\u00eam uma grande for\u00e7a simb\u00f3lica que permanece na mem\u00f3ria dos espectadores, como aconteceu comigo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2008, dois curtas-metragens foram apresentados com duas dan\u00e7as ic\u00f4nicas da Costa Chica como tema central: <em>Artesa<\/em>por Sandra Luz L\u00f3pez, e <em>El juego de los Diablos: celebra\u00e7\u00e3o dos mortos na Costa Chica de Guerrero e Oaxaca,<\/em> co-dirigido por mim e Natalia Gabayet. No primeiro, L\u00f3pez resgata a forma como o son de Artesa era dan\u00e7ado e mostra o trabalho de reativa\u00e7\u00e3o da dan\u00e7a realizado por algumas pessoas da comunidade de El Ciruelo, destacando o papel de Do\u00f1a Catalina Noyola Bruno, uma lenda do g\u00eanero, origin\u00e1ria de San Nicol\u00e1s Tolentino. Uma contribui\u00e7\u00e3o para o legado das mulheres, sua manuten\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o das dan\u00e7as afro-mexicanas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo document\u00e1rio faz parte da s\u00e9rie<em> Origens<\/em> (<span class=\"small-caps\">tv inah<\/span>), e mostra os personagens do Danza ou <em>jogo<\/em> dos Diablos explicando sua <em>desempenho<\/em> com foco no imagin\u00e1rio que a popula\u00e7\u00e3o tem em torno da figura do dem\u00f4nio. Dessa forma, n\u00e3o se trata mais de um document\u00e1rio descritivo, mas de um mergulho no tema do imagin\u00e1rio e das mem\u00f3rias coletivas relacionadas ao diabo, uma figura muito importante para os povos negros da Am\u00e9rica. A s\u00e9rie inclui uma voz em <em>off<\/em> que simula a voz dos antrop\u00f3logos, na qual eles explicam aspectos da dan\u00e7a e fazem perguntas sobre essa express\u00e3o. Vale ressaltar que ambas as produ\u00e7\u00f5es foram feitas por tr\u00eas pesquisadores treinados na mesma institui\u00e7\u00e3o, a Escola Nacional de Antropologia e Hist\u00f3ria (<span class=\"small-caps\">enah<\/span>).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2011, o coletivo de v\u00eddeo Muchitos Locos, de Oaxaca, e <span class=\"small-caps\">cdmx <\/span>faz o document\u00e1rio <em>Ruja, ao som dos dem\u00f4nios<\/em> em Lo de Soto e Chicometepec, Oaxaca, que mostra aspectos n\u00e3o abordados anteriormente. Esse material constitui uma abordagem mais pr\u00f3xima da realidade socioecon\u00f4mica da regi\u00e3o e, pela primeira vez, aborda um grupo de mulheres que dan\u00e7am a Danza de Diablos, afirmando que essa dan\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 delas e que n\u00e3o s\u00e3o apenas os homens que podem dan\u00e7\u00e1-la.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, a <em>Fandango ou<\/em> <em>Filho da Artesa<\/em>do fot\u00f3grafo Jos\u00e9 Luis Mart\u00ednez, tamb\u00e9m produzido pela <span class=\"small-caps\">inah <\/span>e o <span class=\"small-caps\">crespial <\/span>(<span class=\"small-caps\">unesco<\/span>). Um document\u00e1rio que fala sobre a hist\u00f3ria musical e de dan\u00e7a do Artesa como patrim\u00f4nio cultural, enfatizando o risco de seu desaparecimento e convidando \u00e0 sua recupera\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Pequenos dem\u00f4nios, pequenos dem\u00f4nios e pequenas almas. Dan\u00e7ando a vida e a morte<\/em> (2015) \u00e9 um curta-metragem dirigido pela antrop\u00f3loga Isis Violeta Contreras Pastrana e produzido pela Ambulante, que apresenta a tradi\u00e7\u00e3o da Danza de los Diablos em um vilarejo de Guerrero, dan\u00e7ada por um grupo de crian\u00e7as, no qual se insere o contexto de viol\u00eancia, tr\u00e1fico de drogas e inseguran\u00e7a em que vivem as crian\u00e7as.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Em 2016, o etnomusic\u00f3logo Sergio Navarrete (<span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>) est\u00e1 realizando um projeto musical em Llano Grande La Banda e, como parte desse projeto, apresenta curtas-metragens descritivos sobre a Danza de la Tortuga Danza, a Danza del Toro de Petate e a Danza de los Diablos nessa comunidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um longa-metragem que se destaca por ter uma narrativa diferente \u00e9 <em>Era uma vez<\/em>do diretor Juan Carlos Rulfo (2018), \u00e9 sobre uma garota (filha do diretor) que descobre as tradi\u00e7\u00f5es mexicanas por meio da Danza de los Voladores em Veracruz, da Danza de los Diablos de la Costa Chica e do huapango das terras altas de Guanajuato. Uma obra que pode dar origem a diversas interpreta\u00e7\u00f5es da representa\u00e7\u00e3o das identidades mexicanas. Embora sua circula\u00e7\u00e3o tenha sido limitada, ela abre a possibilidade de refletir sobre como a inf\u00e2ncia \u00e9 posicionada como um espa\u00e7o de descoberta e interse\u00e7\u00e3o entre diferentes tradi\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, v\u00e1rios document\u00e1rios curtos ou s\u00e9ries de document\u00e1rios financiados por canais de televis\u00e3o estatais mostraram o car\u00e1ter afro-mexicano da Costa Chica por meio de suas dan\u00e7as. O segundo cap\u00edtulo da s\u00e9rie <em>Afrom\u00e9xico<\/em> do Canal 11 (2019), chamado <em>A africanidade da Costa Chica, <\/em>Dirigido pela diretora Ana Cruz e produzido por Susana Harp, ele primeiro localiza a regi\u00e3o e depois fala sobre a Danza de los Diablos de Chicometepec, o mural <em>Dan\u00e7a da liberdade<\/em>de Baltazar Castellanos, bem como a dan\u00e7a de Artesa del Ciruelo e a dan\u00e7a do Toro de Ometepec. Da mesma forma, a s\u00e9rie <em>M\u00e9xico negro<\/em> (2021), dirigido por Le\u00f3n Rechy e produzido pelo Canal 14, cont\u00e9m cap\u00edtulos dedicados \u00e0 Costa Chica, que inclui a Danza de los Diablos, a Artesa e a Danza del Toro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Comaltepec: os \u00faltimos ecos do Filho de Artesa<\/em> (2022) \u00e9 o terceiro cap\u00edtulo da s\u00e9rie <em>Di\u00e1spora<\/em>produzido pelo canal once. Apresentado em preto e branco e apresentado pela artista Susana Harp. Em sua narrativa, utiliza entrevistas exclusivas com dois grandes etnomusic\u00f3logos, que explicam diversas manifesta\u00e7\u00f5es da dan\u00e7a e da m\u00fasica da Costa, n\u00e3o apenas da Artesa, como o t\u00edtulo se refere. No document\u00e1rio, vemos e ouvimos dan\u00e7arinos do Toro, Artesa e Diablos de v\u00e1rias comunidades, bem como m\u00fasicos de destaque, como Efr\u00e9n Mayr\u00e9n, origin\u00e1rio da comunidade de El Ciruelo, que fala sobre suas mem\u00f3rias relacionadas \u00e0s festividades do Artesa, e m\u00fasicos da Danza los Diablos de Comaltepec, que comentam sua participa\u00e7\u00e3o e din\u00e2mica de dan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, \u00e9 produzido o filme Santos Vaqueros, de Karina Reyes \u00c1vila e Crist\u00f3bal Jasso, que mostra a Danza de los Vaqueros ou a Danza del Toro de Petate em La Estancia, Oaxaca, destacando a rela\u00e7\u00e3o entre as dan\u00e7as, o Dia dos Mortos, a coes\u00e3o social e a identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, o poderoso curta-metragem <em>O cavaleiro e a tartaruga <\/em>(2024), de Balam Toscano, da Costa Rica, traz uma narrativa nova e inovadora na forma de um ensaio cinematogr\u00e1fico. Por meio de belas imagens de crian\u00e7as e jovens dan\u00e7arinos de El Ciruelo e da voz subjetiva de uma adolescente, a obra reflete poeticamente sobre o lugar de homens e mulheres na Danza del Toro (e na comunidade em geral), levantando quest\u00f5es culturais e afirma\u00e7\u00f5es profundas. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em todas essas obras audiovisuais, a dan\u00e7a \u00e9 um elemento que as atravessa. O meu tamb\u00e9m est\u00e1 entre eles, <em>O Maybe, onde a mem\u00f3ria dan\u00e7a,<\/em> que, como um trabalho independente, aguarda uma oportunidade de financiamento para sua p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 interessante ver como o caminho do document\u00e1rio dedicado ao tema das dan\u00e7as da Costa Chica foi tra\u00e7ado, certamente por cineastas, mas tamb\u00e9m por antrop\u00f3logos, em sua maioria mulheres pesquisadoras interessadas nas culturas afro-mexicanas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, com exce\u00e7\u00e3o de uma, todas as produ\u00e7\u00f5es foram dirigidas por n\u00e3o afrodescendentes, um assunto que merece uma investiga\u00e7\u00e3o minuciosa, pois, embora existam atualmente e cada vez mais cineastas afro-mexicanos, os temas sobre os quais eles trabalham s\u00e3o outros: artes contempor\u00e2neas, g\u00eanero, migra\u00e7\u00e3o, racismo, territ\u00f3rio, esporte etc. Por outro lado, devemos considerar que os filmes s\u00e3o o resultado de um trabalho coletivo e, portanto, muitas vezes s\u00e3o uma cria\u00e7\u00e3o intercultural. Nesse sentido, as pessoas das comunidades ou dos vilarejos onde s\u00e3o filmados, al\u00e9m de serem entrevistadas, tamb\u00e9m colaboram na produ\u00e7\u00e3o, na organiza\u00e7\u00e3o etc., aspectos que devem ser mais refletidos e levados em conta nos cr\u00e9ditos e na remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos tamb\u00e9m que muitas das produ\u00e7\u00f5es s\u00e3o document\u00e1rios descritivos, que explicam, para um p\u00fablico leigo, a din\u00e2mica das dan\u00e7as e da m\u00fasica: personagens, festividades, intera\u00e7\u00f5es etc. Essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o bem conhecidas pela maioria dos moradores, pois a inten\u00e7\u00e3o desses trabalhos \u00e9 divulg\u00e1-los em outros territ\u00f3rios mexicanos e internacionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, h\u00e1 aspectos de extrema import\u00e2ncia para as popula\u00e7\u00f5es, como os aspectos hist\u00f3ricos que s\u00e3o descritos e que, muitas vezes, s\u00e3o comunicados por especialistas acad\u00eamicos e por pessoas espec\u00edficas das comunidades que se encarregaram de pesquisar, preservar e transmitir o conhecimento da dan\u00e7a e da m\u00fasica. As vozes que narram as informa\u00e7\u00f5es sobre a din\u00e2mica da dan\u00e7a e os contextos festivos tradicionais s\u00e3o, em sua maioria, aquelas que fazem ou fizeram parte do coletivo de dan\u00e7arinos e dos m\u00fasicos que os acompanham. Nesse sentido, podemos dizer que, independentemente da narrativa, essas obras guardam mem\u00f3rias comunit\u00e1rias, embora outras tamb\u00e9m sejam geradas, constru\u00eddas com a equipe de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Igualmente importantes s\u00e3o as imagens e os sons dos dan\u00e7arinos e m\u00fasicos dan\u00e7ando e tocando; embora essas cenas n\u00e3o se comuniquem com um discurso falado, elas o fazem com sua corporeidade dan\u00e7ante, com seus passos, sua brincadeira, seus movimentos da cabe\u00e7a aos p\u00e9s, seu deslocamento espacial e temporal, suas m\u00e1scaras e figurinos, e assim por diante. Essa mem\u00f3ria \u00e9 a que mais me interessou e \u00e0 qual dediquei minha pesquisa: a <em>repert\u00f3rios corporais, <\/em>atrav\u00e9s do qual grande parte da mem\u00f3ria coletiva dos povos negros e ind\u00edgenas do M\u00e9xico e do continente foi transmitida. \u00c9 tamb\u00e9m essa mem\u00f3ria que os dan\u00e7arinos investigam, voltando-se para os dan\u00e7arinos mais antigos. Hoje em dia, uma forma de pesquisar suas dan\u00e7as \u00e9 por meio de v\u00eddeos, usados para lembrar e repetir movimentos, ouvir mestres da dan\u00e7a e da m\u00fasica que j\u00e1 faleceram, reviver espa\u00e7os, jogos, sons etc.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora fosse necess\u00e1rio mencionar muitos outros aspectos narrativos, os elementos apresentados aqui nos d\u00e3o uma ideia do conte\u00fado desses audiovisuais, que s\u00e3o significativos para as popula\u00e7\u00f5es afro-mexicanas onde o material audiovisual foi gravado. A anedota a seguir mostra esse senso de pertencimento das comunidades: em uma ocasi\u00e3o, entrevistei um grupo de dan\u00e7arinos Diablos, com quem fui \u00e0 Cineteca para assistir ao document\u00e1rio de Juan Rulfo, e eles me confessaram que, al\u00e9m da narrativa ou das hist\u00f3rias, o que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o deles foram os lugares e as pessoas que recriaram o material; assistir ao filme fez com que sentissem saudades de sua terra, sua cultura e \"seu povo\".&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De volta \u00e0 origem: o document\u00e1rio etnogr\u00e1fico como um processo de lembran\u00e7a em El Quiz\u00e1, Guerrero<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">As linhas seguintes s\u00e3o dedicadas ao desenvolvimento do processo de realiza\u00e7\u00e3o de um document\u00e1rio que integra registros antigos e novos de dan\u00e7a nos dois per\u00edodos trabalhados, meu in\u00edcio como antrop\u00f3logo e os \u00faltimos anos de p\u00f3s-doutorado (2000-2008 e 2020-2024).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo \u00e9 apresentar o processo do meu primeiro longa-metragem e a tentativa de trabalhar de forma colaborativa com pessoas da comunidade e com uma equipe de filmagem, algo que n\u00e3o havia acontecido antes nos locais onde trabalhei em pesquisas de longo prazo, pois sempre filmei sozinho e com equipamentos muito b\u00e1sicos. Anteriormente (2001-2008), eu havia gravado com inten\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e, mais tarde, pela oportunidade de divulgar essa express\u00e3o de dan\u00e7a da Costa Chica. Nesse novo projeto, h\u00e1 uma ideia consciente de que o filme deve ser para a comunidade de El Quiz\u00e1. Um trabalho que cont\u00e9m materiais gravados h\u00e1 20 anos, misturados com outros novos, registrados por profissionais do campo cinematogr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image001-1.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1190x600\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 1. Fotograma del documental. Fotograf\u00eda de Venancio L\u00f3pez, 2022.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image001-1.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 1. Imagem do document\u00e1rio. Fotografia de Venancio L\u00f3pez, 2022.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Este longa-metragem foi concebido para contribuir com a mem\u00f3ria coletiva de uma comunidade \u00e0 qual cheguei h\u00e1 25 anos, com uma inoc\u00eancia alheia ao poder da imagem e do som, mas que hoje adquire uma urg\u00eancia crucial como um lugar de mem\u00f3rias para as antigas e novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio que recentemente renomeei como&nbsp;<em>O Maybe, onde a mem\u00f3ria dan\u00e7a<\/em>filmado entre 2020 e 2023 e atualmente aguardando a pr\u00f3xima etapa de p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, representou, em primeiro lugar, um longo processo etnogr\u00e1fico e art\u00edstico. A grande diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grava\u00e7\u00f5es anteriores em El Quiz\u00e1 e outras aldeias afro-americanas foi que, desta vez, a produ\u00e7\u00e3o foi realizada com uma pequena equipe de cineastas que me acompanhou intermitentemente: o fot\u00f3grafo Venancio L\u00f3pez (Tlaxcala\/<span class=\"small-caps\">cdmx<\/span>) e o engenheiro de som Clemen Villamizar (Acapulco\/<span class=\"small-caps\">cdmx<\/span>), neta de um dos fundadores do El Quiz\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Parte das filmagens foi feita em uma pandemia, com as devidas prote\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, sem or\u00e7amento para o projeto, mas com muito entusiasmo por parte da equipe. Desde o in\u00edcio, pedi permiss\u00e3o \u00e0 comunidade e, especialmente, ao grupo de jovens e crian\u00e7as dos Diablos Quizade\u00f1os Nueva Generaci\u00f3n; perguntei-lhes se estavam interessados em fazer um document\u00e1rio sobre essa etapa da reativa\u00e7\u00e3o de sua dan\u00e7a, e eles aceitaram com grande entusiasmo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conversar depois de tanto tempo com pessoas que eu j\u00e1 conhecia me permitiu fazer o trabalho de campo com bastante conforto e calma. Isso me fez entender algumas das quest\u00f5es relacionadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da dan\u00e7a e os fatores que determinaram de forma crucial a ocorr\u00eancia desse processo. No primeiro ano, gravei com um set-up muito curto.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu queria fazer um trabalho mais autoetnogr\u00e1fico sobre o que significava para mim voltar \u00e0 Costa Rica depois de mais de dez anos. Foi assim que me expressei para Venancio (o fot\u00f3grafo do projeto), que registrou a viagem de carro, minha chegada, os abra\u00e7os de boas-vindas e todas as a\u00e7\u00f5es emocionais que surgiram durante os reencontros com cada uma das pessoas que conheci.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image003-2.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"868x494\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 2. La autora con Dalia, su ahijada y comadre. Fotograf\u00eda de Venancio L\u00f3pez. El Quiz\u00e1, 2021.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image003-2.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">A autora com Dalia, sua afilhada e comadre. Fotografia de Venancio L\u00f3pez. El Quiz\u00e1, 2021.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Eu me vi na situa\u00e7\u00e3o particular em que Dom Bruno Morgan, um m\u00fasico da <em>flauta,<\/em> o harm\u00f4nico, que organizou o baile ano ap\u00f3s ano durante d\u00e9cadas, n\u00e3o estava mais vivo. Sua partida significou que a dan\u00e7a havia cessado por muitos anos na aldeia. Portanto, eu estava interessado em saber o que significava a aus\u00eancia de Don Bruno e como uma nova gera\u00e7\u00e3o de dan\u00e7arinos havia se organizado em meio a uma pandemia. Conduzi entrevistas com algumas pessoas e decidi voltar, mais preparado, no ano seguinte. Na segunda parte da filmagem, fui acompanhado pelo cineasta Clemen Villamizar, respons\u00e1vel pelo som. Na c\u00e2mera, Venancio L\u00f3pez, um colega do curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em cinema documental da <span class=\"small-caps\">unam<\/span>. Naquela \u00e9poca, tudo o que eu sabia era que o fio condutor do document\u00e1rio seria Don Bruno, mas que o foco seria nas novas gera\u00e7\u00f5es de \"dem\u00f4nios\".&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Retratando a aus\u00eancia de Don Bruno&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Como retratar Don Bruno se ele n\u00e3o estivesse mais l\u00e1? Essa pergunta assombrou minha mente durante o segundo ano de grava\u00e7\u00e3o, acompanhada de um sentimento de nostalgia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na maioria das vezes, eu filmava sem uma lista definida, capturando o que me parecia interessante e organizando as entrevistas em um curto espa\u00e7o de tempo. Minhas grava\u00e7\u00f5es seguiam uma metodologia antropol\u00f3gica em vez de uma metodologia cinematogr\u00e1fica, pois eu n\u00e3o planejava tanto o que queria destacar em termos visuais e sonoros. Dessa vez, cheguei com ideias mais claras, levando em conta o que havia aprendido nas aulas de cinema no <span class=\"small-caps\">enac <\/span>(<span class=\"small-caps\">unam<\/span>); o esbo\u00e7o n\u00e3o estava finalizado, mas a equipe de produ\u00e7\u00e3o o exigiu com urg\u00eancia, ent\u00e3o eu o terminei enquanto estava l\u00e1. Eu sabia que o importante era falar sobre Don Bruno com imagens e sons po\u00e9ticos que evocassem sua presen\u00e7a e aus\u00eancia ao mesmo tempo, para que, ao v\u00ea-los ou ouvi-los, a comunidade entendesse de quem eu estava falando. Foram tiradas fotos e feitas grava\u00e7\u00f5es de \u00e1udio relacionadas a esse personagem; sua casa, uma gaita, sons e imagens que aqueles que o conheciam puderam localizar. Tamb\u00e9m gravamos pessoas que o conheciam e que nos falaram sobre ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image005-2.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"883x606\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 3. Fotograma del documental. Don Bruno. El Quiz\u00e1, 2001.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image005-2.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 3: Imagem do document\u00e1rio. Don Bruno. El Quiz\u00e1, 2001.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>E como a natureza do D\u00eda de Muertos \u00e9 po\u00e9tica, coisas inesperadas come\u00e7aram a acontecer, como sua fam\u00edlia come\u00e7ar a revitalizar espa\u00e7os anteriormente vazios, colocando um altar para ele no Dia dos Mortos, pintando a casa onde ele morava etc. O grupo de Diablos planejou dan\u00e7ar em frente ao altar de sua casa, um momento muito bonito e memor\u00e1vel. Dessa forma, entre sua fam\u00edlia, a comunidade e n\u00f3s que est\u00e1vamos gravando, criamos uma atmosfera em que sua presen\u00e7a foi sentida e, ao mesmo tempo, criamos lembran\u00e7as para a posteridade que ficaram gravadas em nossas mem\u00f3rias, mas tamb\u00e9m na mem\u00f3ria audiovisual; as c\u00e2meras e os microfones estavam cheios de don Bruno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas mem\u00f3rias armazenadas de sons e imagens foram posteriormente escolhidas e editadas em termos de uma narrativa de mem\u00f3ria, em cujo desenvolvimento a participa\u00e7\u00e3o do cineasta Juli\u00e1n Sacrist\u00e1n foi essencial. A organiza\u00e7\u00e3o e a edi\u00e7\u00e3o desse material foram fundamentais para gerar a atmosfera adequada. Escolher e buscar os momentos que foram gravados h\u00e1 tantos anos com don Bruno representou, em sua primeira fase, um \u00e1rduo trabalho de digitaliza\u00e7\u00e3o das fitas cassete gravadas em hi8 e, em uma segunda fase, de sele\u00e7\u00e3o do material em que encontramos v\u00e1rios takes usados no filme. Montar um quebra-cabe\u00e7a com uma pessoa t\u00e3o querida e lembrada no vilarejo, que tamb\u00e9m era m\u00fasico, ajudou a trabalhar o projeto por meio do som como uma met\u00e1fora que nos aproximou dele em cada sequ\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O som tornou-se uma pe\u00e7a-chave na reconstru\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de Don Bruno. Foi por meio da respira\u00e7\u00e3o mel\u00f3dica de seu <em>flauta<\/em> -como \u00e9 chamada a gaita na Costa Rica-, alegre por natureza, mas tingido de melancolia em sua aus\u00eancia, voltamos a habitar sua casa vazia. Em algumas cenas, aquele som gravado h\u00e1 mais de vinte anos, quando ele acompanhava com entusiasmo os dan\u00e7arinos Diablos, \u00e9 entrela\u00e7ado com as imagens, preenchendo o sil\u00eancio do presente com ecos do passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora durante os dias de filmagem tenhamos conseguido gravar, junto com o sonoplasta Clemen Villamizar, cada um dos m\u00fasicos com seus instrumentos, foi especialmente emocionante registrar Dom Hermelindo, que tocava o bote com uma dedica\u00e7\u00e3o e energia que sustentavam o ritmo coletivo. Sua morte, no ano passado, fez com que a edi\u00e7\u00e3o desse document\u00e1rio assumisse outra camada de nostalgia: n\u00e3o apenas por don Bruno, mas tamb\u00e9m por don Hermelindo. O que come\u00e7ou como um registro tornou-se tamb\u00e9m uma despedida, lembran\u00e7as sonoras que hoje permanecem sustentadas pela mem\u00f3ria de uma comunidade que n\u00e3o esquece.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image007-2.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1473x793\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 4. Fotograma de los Diablos frente a casa de don Bruno. Fotograf\u00eda Venancio L\u00f3pez. El Quiz\u00e1, 2023.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image007-2.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 4: Ainda com os Diablos em frente \u00e0 casa de Don Bruno. Fotografia de Venancio L\u00f3pez. El Quiz\u00e1, 2023.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>A edi\u00e7\u00e3o do som foi uma das etapas mais complexas: entre a emo\u00e7\u00e3o da perda e a falta de recursos para trabalhar com um designer de som, essa dimens\u00e3o continua sendo uma tarefa pendente. O som, como um fio invis\u00edvel da mem\u00f3ria, ainda est\u00e1 esperando para ser tecido com mais tempo e cuidado, para fazer justi\u00e7a \u00e0queles que, com sua m\u00fasica, mantiveram viva a Danza de los Diablos de El Quiz\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Grava\u00e7\u00e3o no Dia dos Mortos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Gravar no Dia dos Mortos, durante o per\u00edodo da pandemia, foi uma experi\u00eancia incomum. Em todo o pa\u00eds, era proibido entrar nos cemit\u00e9rios, e El Quiz\u00e1 n\u00e3o era exce\u00e7\u00e3o:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">- N\u00e3o podemos ir ao cemit\u00e9rio, eles n\u00e3o nos deixam, v\u00e3o fechar os cemit\u00e9rios, porque muitas pessoas morreram, dizem eles, mas n\u00e3o aqui em El Quiz\u00e1.&nbsp;<br>- Como podemos n\u00e3o dan\u00e7ar no pante\u00e3o dos mortos?\" (Danzantes de Diablos, El Quiz\u00e1, conversa com o autor, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Por fim, a comunidade decidiu dan\u00e7ar todos os dias de Todos os Santos, incluindo 2 de novembro, o dia tradicional para dan\u00e7ar no cemit\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Don Hermelindo, o m\u00fasico mais antigo, que tocava o barco e que infelizmente faleceu em setembro de 2024, recordou naquela \u00e9poca: \"o diabo nunca foi para a cruz, porque o diabo tem medo dele, mas agora n\u00e3o, agora eles v\u00e3o para o cemit\u00e9rio onde h\u00e1 muitas cruzes, voc\u00ea v\u00ea, e agora eles v\u00e3o para o cemit\u00e9rio\" (Don Hermelindo, conversa com o autor, 2020).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image009-1.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1470x683\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 5. Fotograma de Diablos en el pante\u00f3n del El Quiz\u00e1. Fotograf\u00eda Venancio L\u00f3pez. El Quiz\u00e1, 2022.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image009-1.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 5: Imagem de Diablos en el pante\u00f3n del El Quiz\u00e1. Fotografia de Venancio L\u00f3pez. El Quiz\u00e1, 2022.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>As lembran\u00e7as das pessoas mais velhas se misturaram com a determina\u00e7\u00e3o dos jovens dan\u00e7arinos. Essas duas partes, sempre em di\u00e1logo e em tens\u00e3o, tentaram ser colocadas no document\u00e1rio para mostrar as complexidades envolvidas na revitaliza\u00e7\u00e3o de uma dan\u00e7a tradicional como essa, registrando entrevistas ou conversas abertas, mas tamb\u00e9m filmando a dan\u00e7a no pante\u00e3o em frente \u00e0s cruzes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dois dias anteriores, uma senhora realizou um evento pelo terceiro anivers\u00e1rio da morte de seu filho, que tamb\u00e9m havia sido dan\u00e7arino do Diablos em sua vida. Naquele dia, foram distribu\u00eddas camisetas com a foto do jovem, de quem todos se lembravam, comeram tamales e barbacoa e dan\u00e7aram muito em frente ao altar. Poucas pessoas puderam ver a dan\u00e7a em frente ao altar, mas o cinegrafista e eu tivemos a sorte de testemunhar um evento t\u00e3o comovente e emocionante. <em>desempenho<\/em> dos dan\u00e7arinos que dan\u00e7avam e cantavam versos para o falecido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outros lugares onde era dan\u00e7ado eram nas casas de pessoas que tinham acabado de chegar \"do norte\" (Estados Unidos), porque queriam que fosse dan\u00e7ado em seus altares, como eles ou seus falecidos gostavam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo ano, fui convidado para ser prefeito, uma decis\u00e3o dif\u00edcil porque n\u00e3o havia essa tradi\u00e7\u00e3o na aldeia, embora houvesse na comunidade de Lo de Soto, a cidade de onde vem a maioria dos quizade\u00f1os\/as. Aceitei depois de entender que eles viam isso como uma maneira de colaborar para que as crian\u00e7as do grupo adquirissem mais responsabilidade. Tive ent\u00e3o que fazer tamales e comprar bebidas para o primeiro Dia dos Mortos e assumir a responsabilidade de dar a eles \u00e1gua aromatizada todos os dias dos ensaios.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele mesmo ano, o Festival Ra\u00edces, de Coatepec, Veracruz, pediu-me para contatar um grupo de Diablos do litoral para dan\u00e7ar em seu festival, naquela ocasi\u00e3o apresentado em formato virtual. Sem pensar, falei para os membros do Grupo de Diablos de El Quiz\u00e1 Nueva Generaci\u00f3n, que aceitaram. Naquela \u00e9poca, minha equipe de grava\u00e7\u00e3o ajudou na grava\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o do material. Vale ressaltar que o dinheiro recebido foi pago diretamente aos dan\u00e7arinos e uma pequena porcentagem foi para o fot\u00f3grafo e o editor do material.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como parte do trabalho autoetnogr\u00e1fico, senti que era importante registrar a experi\u00eancia de ser um mordomo, portanto, no filme, voc\u00ea ver\u00e1 imagens minhas fazendo tamales, perguntando por que fui escolhido e tamb\u00e9m participando do jogo de dan\u00e7a facial.<em> manchado,<\/em> O \u00faltimo \u00e9 uma pr\u00e1tica tradicional dos dem\u00f4nios da regi\u00e3o que n\u00e3o era realizada h\u00e1 alguns anos, mas este ano eles quiseram revitalizar a pr\u00e1tica, que consiste em perseguir o p\u00fablico participante para pintar o rosto com tizne.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No terceiro ano, em 2022, voltei sozinho, embora um colega psic\u00f3logo social tenha comparecido em um dos dias. Naquele ano, foi minha vez de apoiar o prefeito, que era Dom Luis Morgan, filho do falecido Bruno Morgan. Eu preparava a \u00e1gua aromatizada para os Diablos durante os ensaios e nos dias de Todos os Santos. Esse ano tamb\u00e9m foi muito emocionante, porque a fam\u00edlia de Dom Bruno chegou \u00e0 cidade depois de muitos anos e fez uma festa coletiva com m\u00fasica ao vivo em homenagem a seu pai.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Locais de mem\u00f3ria de grava\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Os lugares registrados eram, antes de tudo, lugares de mem\u00f3ria, lugares que lembravam a todos as pessoas, situa\u00e7\u00f5es e momentos em que havia uma forte presen\u00e7a dos Diablos. A casa de Don Bruno, o cemit\u00e9rio, outras casas onde moravam pessoas que n\u00e3o est\u00e3o mais l\u00e1. Quando revisei o material, percebi que n\u00e3o retratava apenas a aus\u00eancia de Don Bruno, mas tamb\u00e9m a aus\u00eancia deixada pela morte. Por qu\u00ea? Porque esse \u00e9 o contexto da Danza de los Diablos; os Dias dos Mortos s\u00e3o dias para lembrar a aus\u00eancia de entes queridos. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que a dan\u00e7a representativa dessa regi\u00e3o seja a Danza de los Diablos, uma dan\u00e7a ligada \u00e0 \u00c1frica e que \u00e9 dan\u00e7ada no Dia dos Mortos para lembrar os ancestrais e as pessoas que n\u00e3o est\u00e3o mais conosco. Don Hermelindo sempre se lembra da origem da dan\u00e7a naqueles dias de evoca\u00e7\u00f5es, em 2020 ele mencionou o seguinte: \"Dizem que essa dan\u00e7a veio da \u00e1rea ao redor do Farol, n\u00e3o \u00e9 Oaxaca, \u00e9 Guerrero, e l\u00e1 aquele navio afundou e alguns negros sa\u00edram e foi assim que eles dan\u00e7aram essa dan\u00e7a, e ent\u00e3o come\u00e7ou em Cuajinicuilapa, era uma cuadrilla\". No ano seguinte, ele mencionou algo semelhante novamente: \"Essa dan\u00e7a \u00e9 africana, esses dem\u00f4nios, um navio afundou em Punta Maldonado e alguns negros africanos sa\u00edram, foi assim\" (Don Hermelindo, conversa com o autor, 2021).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na mem\u00f3ria coletiva, a dan\u00e7a e o povo da Costa Chica v\u00eam da \u00c1frica e, para explicar isso simbolicamente, os lugares pr\u00f3ximos com a presen\u00e7a do mar est\u00e3o localizados, porque, na imagina\u00e7\u00e3o, foi l\u00e1 que os navios de onde eles vieram encalharam. Como menciona a pesquisadora Laura A. Lewis menciona: \"Em diferentes n\u00edveis, navios e santos significam mem\u00f3rias comunit\u00e1rias e sentimentos de pertencimento\" (Lewis, 2020: 81).<\/p>\n\n\n\n<p>As hist\u00f3rias orais contadas por Hermelindo, e tamb\u00e9m contadas por don Bruno h\u00e1 20 anos, que se referem ao mito fundador da dan\u00e7a, nos fizeram ir a Punta Maldonado, mais conhecida como El Faro, e registrar esse lugar de mem\u00f3ria, registrando o vasto mar pelo qual os africanos escravizados chegaram ao que hoje \u00e9 a Costa Chica de Guerrero e Oaxaca. Na d\u00e9cada de 1980, o historiador Pierre Nora prop\u00f4s o termo lugares de mem\u00f3ria, relacionando-os \u00e0 mem\u00f3ria coletiva francesa e sua rela\u00e7\u00e3o com a hist\u00f3ria. Ele o definiu como \"o conjunto de lugares onde a mem\u00f3ria coletiva \u00e9 ancorada, condensada, cristalizada, abrigada e expressa\".<em>\"<\/em>O mais interessante \u00e9 que ele n\u00e3o se reduz a monumentos hist\u00f3ricos, ao material, mas tamb\u00e9m ao simb\u00f3lico e funcional (Nora, 2001).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image011-1.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1191x606\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 6. Fotograma de don Hermelindo. Fotograf\u00eda Venancio L\u00f3pez. El Quiz\u00e1, 2023.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image011-1.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 6: Fotograma de Don Hermelindo. Fotografia de Venancio L\u00f3pez. El Quiz\u00e1, 2023.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>A fil\u00f3sofa Eugenia Allier escreveu, em rela\u00e7\u00e3o aos estudos de Nora, um crit\u00e9rio que \u00e9 revelador para o meu trabalho:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">[...] n\u00e3o \u00e9 qualquer lugar que \u00e9 lembrado, mas o lugar onde a mem\u00f3ria atua; n\u00e3o \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o, mas seu laborat\u00f3rio. Portanto, o que torna um lugar um lugar de mem\u00f3ria \u00e9 tanto sua condi\u00e7\u00e3o de encruzilhada onde diferentes caminhos de mem\u00f3ria se cruzam quanto sua capacidade de perdurar e ser incessantemente remodelado, reaproximado e revisitado. Um lugar de mem\u00f3ria abandonado \u00e9, na melhor das hip\u00f3teses, nada mais do que a mem\u00f3ria de um lugar (Allier Monta\u00f1o, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Foi exatamente isso que os Diablos Quizade\u00f1os Nueva Generaci\u00f3n fizeram: reformular, revisitar e reaproximar a dan\u00e7a a partir de sua perspectiva. Quer\u00edamos acompanh\u00e1-los nessa transi\u00e7\u00e3o, mostrando seus <em>laborat\u00f3rio<\/em>Nas palavras do autor, ou seja, seu lugar de ensaio, onde aprendem, lembram e recriam; acompanhando-os aos lugares de mem\u00f3ria coletiva, aqueles lugares onde viveram jovens de sua gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e3o mais entre eles, ou velhos que mal conheceram, mas que a comunidade lembra com carinho. Dan\u00e7ar n\u00e3o \u00e9 apenas dan\u00e7ar, \u00e9 reelaborar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e mem\u00f3ria por meio do corpo individual e coletivo, percorrendo os caminhos de seus antepassados ou onde eles se encontram hoje.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pesquisando a mem\u00f3ria da dan\u00e7a por meio de document\u00e1rios etnogr\u00e1ficos&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Ap\u00f3s uma revis\u00e3o de tudo o que foi discutido neste artigo, pode-se concluir que os document\u00e1rios etnogr\u00e1ficos sobre dan\u00e7as africanas e afro-americanas acompanharam o desenvolvimento da antropologia desde seus prim\u00f3rdios. No M\u00e9xico n\u00e3o tem sido diferente; como podemos ver, sete das produ\u00e7\u00f5es documentais sobre a Costa Chica foram feitas por antrop\u00f3logos\/soci\u00f3logos, e o restante por cineastas e comunic\u00f3logos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A forma como s\u00e3o feitos tem variado e, portanto, podemos encontrar diferentes maneiras de narrar e colaborar com as comunidades nas quais estamos interessados, pois, como diz o antrop\u00f3logo Antonio Ziri\u00f3n: \"Os document\u00e1rios mostram a realidade que retratam, bem como a perspectiva subjetiva e as condi\u00e7\u00f5es sociais de seus autores, e s\u00e3o inevitavelmente um produto do momento hist\u00f3rico em que s\u00e3o produzidos\" (Ziri\u00f3n, 2021: 46).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como equipe de produ\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, ficamos emocionados com o processo de revitaliza\u00e7\u00e3o da Danza de los Diablos e com as mem\u00f3rias relacionadas, como a m\u00fasica, os movimentos de dan\u00e7a e os figurinos, mas tamb\u00e9m com esses <em>lugares de mem\u00f3ria<\/em> por onde os dan\u00e7arinos passam, em uma jornada f\u00edsica, mental e emocional: as casas de pessoas falecidas, os lugares coletivos onde a dan\u00e7a surgiu e sua pr\u00f3pria di\u00e1spora.  O objetivo \u00e9 criar uma proposta de document\u00e1rio etnogr\u00e1fico que, como j\u00e1 mencionei, fortale\u00e7a a mem\u00f3ria e a resist\u00eancia desses povos. Que, neste caso, registre o trabalho de jovens para revitalizar uma dan\u00e7a que se pensava estar perdida, em busca de identidade, significado e est\u00edmulo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O document\u00e1rio em processo se baseia no fato de que a pesquisa prop\u00f5e um di\u00e1logo com a mem\u00f3ria de um povo, ciente de que o resultado gerar\u00e1 outras mem\u00f3rias criadas n\u00e3o apenas por mim, como diretor, mas tamb\u00e9m pela equipe de trabalho e pela pr\u00f3pria comunidade (como o momento em que o primeiro corte do longa-metragem foi apresentado em El Quiz\u00e1 no <span class=\"small-caps\">iv<\/span> Afro-descendant Film Festival). Nesse sentido, tentei articular um discurso baseado na experi\u00eancia etnogr\u00e1fica, nas conversas com o grupo de dan\u00e7a e com a comunidade em geral - que me confiaram suas ideias, preocupa\u00e7\u00f5es e desejos - e na an\u00e1lise antropol\u00f3gica e audiovisual coletiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O filme surge como uma possibilidade de preservar fragmentos ef\u00eameros da vida, como uma mem\u00f3ria que pode ser consultada e apreciada posteriormente. Esse processo implica uma sele\u00e7\u00e3o no momento da grava\u00e7\u00e3o, e acho que h\u00e1 um ponto aqui que sugere as seguintes perguntas: o que \u00e9 selecionado para grava\u00e7\u00e3o? Quem faz isso? Para qu\u00ea? Para quem? Podemos usar essas perguntas para diferenciar a forma de filmar nos prim\u00f3rdios do document\u00e1rio e o chamado document\u00e1rio colaborativo ou participativo, que, do meu ponto de vista, n\u00e3o \u00e9 um, mas muitos com a mesma inten\u00e7\u00e3o, para contribuir com as culturas, comunidades e\/ou pessoas com as quais trabalhamos a partir de um lugar cr\u00edtico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O document\u00e1rio etnogr\u00e1fico como um recipiente de mem\u00f3rias audiovisuais da comunidade \u00e9 uma ferramenta profundamente necess\u00e1ria para trabalhar e discutir. Esperamos que nossos resultados e as perguntas que ainda nos acompanham sejam um ponto de partida para a elabora\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o e compartilhamento de experi\u00eancias e desafios com pesquisadores, artistas e membros das culturas com as quais colaboramos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Allier Monta\u00f1o, Eugenia (2012). Los <em>Lieux de m\u00e9moire<\/em>: una propuesta historiogr\u00e1fica para el an\u00e1lisis de la memoria, <em>Historia y Graf\u00eda<\/em>. M\u00e9xico: Departamento de Historia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Colombres, Adolfo (1985). <em>Cine, antropolog\u00eda y colonialismo<\/em>. Buenos Aires: Ediciones del Sol\/<span class=\"small-caps\">clacso<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Da Silva Ribeiro, Jos\u00e9 (2007). <em>Doc On-line<\/em>, n\u00fam. 03, diciembre, www.doc.ubi.pt, pp. 6-54. Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Florescano, Enrique (1999). <em>Memoria ind\u00edgena.<\/em> M\u00e9xico: Taurus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Guber, Rosana (2011). <em>La etnograf\u00eda. M\u00e9todo, campo y reflexividad<\/em>. Buenos Aires: Siglo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Grierson, John (1932). \u201cFirst Principles of Documentary\u201d<em>,<\/em> en Forsyth Hardy (ed.). <em>Grierson on Documentary<\/em>. Berkeley y Los \u00c1ngeles: University of California Press, pp. 145-156.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Malinowski, Bronislaw (1922\/2001). <em>Los argonautas del Pac\u00edfico occidental<\/em>. Barcelona: Pen\u00ednsula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lora Krstulovic, Rosa Claudia (2024). \u201cReflexiones en torno al documental y la memoria social\u201d, en Cristian Cal\u00f3nico Lucio y Rodrigo Gerardo Mart\u00ednez Vargas (coords.). <em>Cine: discurso y est\u00e9tica 2. Reflexiones desde las cinematograf\u00edas contrahegem\u00f3nicas<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">procine<\/span>\/<span class=\"small-caps\">uacm,<\/span> pp. 209-215.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">MacDougall, David (1998). <em>Transcultural Cinema<\/em>. Princeton: Princeton University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Nichols, Bill (1991). <em>La representaci\u00f3n de la realidad. Cuestiones y conceptos del documental<\/em>. Barcelona: Paid\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Paniagua, Karla (2007). <em>El documental como crisol. An\u00e1lisis de tres cl\u00e1sicos para una antropolog\u00eda de la imagen<\/em>. M\u00e9xico: Publicaciones de la Casa Chata, <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rivera Cusicanqui, Silvia (2018). <em>Sociolog\u00eda de la imagen. Miradas ch\u2019ixi desde la historia andina<\/em>. La Paz: Plural Editores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rouch, Jean (1995) \u201cEl hombre y la c\u00e1mara\u201d (1973), en Elisenda Ard\u00e9vol y Luis P\u00e9rez-Tol\u00f3n (eds.). <em>Imagen y cultura. Perspectivas del cine etnogr\u00e1fico<\/em>. Granada: Diputaci\u00f3n Provincial de Granada, pp. 95-121.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Taylor, Diana (2013). <em>O arquivo e o repert\u00f3rio: Performance e mem\u00f3ria cultural nas Am\u00e9ricas.<\/em> Belo Horizonte: <span class=\"small-caps\">ufmg<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Varela, Itza (2023). <em>Tiempo de diablos<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Weinberger, Eliot (1994). \u201cThe Camera People\u201d, en Lucien Taylor (ed.). <em>Visualizing Theory, Selected Essays from V.A.R<\/em>. 1990-1994. Nueva York y Londres: Routledge, pp. 3-26.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ziri\u00f3n P\u00e9rez, Antonio (2015). \u201cMiradas c\u00f3mplices, cine etnogr\u00e1fico, estrategias colaborativas y antropolog\u00eda visual aplicada\u201d, <em>Revista de Ciencias Sociales y Humanidades<\/em>. M\u00e9xico: Universidad Aut\u00f3noma Metropolitana Unidad Iztapalapa, n\u00fam. 78, pp. 1-18.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (coord.) (2021). <em>Redescubriendo el archivo etnogr\u00e1fico audiovisual<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">uam<\/span>\/Elefanta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Filmografia&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Documental <em>African\u00edas<\/em> (1992). Rafael Rebollar. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">cna<\/span>.&nbsp;Recuperado de: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=QGnHoimDAQE&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Documental <em>Son de Artesa<\/em> (2008). Dir. Sandra Luz L\u00f3pez. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">uacm<\/span>. https:\/\/vimeo.com\/65174725?fbclid=IwAR389wh8BUAm3OgtDRS7OK50xpFWYqELAJ67xDdRzibaXNGRq0ITz1mnq9U&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Documental <em>El juego de los Diablos<\/em> (2008). Claudia Lora y Natalia Gabayet. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">tv inah<\/span>. https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wdcOQBEVOwU&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Teaser<em> Diablitas, diablitos y almitas<\/em> (2015). Dir. Isis Violeta Contreras. M\u00e9xico: Ambulante. https:\/\/www.ambulante.org\/documentales\/diablitas-diablitos-almitas-danzando-la-vida-la-muerte\/&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Serie <em>Afrom\u00e9xico<\/em> (2019). Dir. Ana Cruz. M\u00e9xico: Canal 11.&nbsp;https:\/\/canalonce.mx\/programas\/afromexico#:~:text=Sinopsis,de%20\u00c1frica%20trasladados%20a%20M\u00e9xico&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Serie <em>M\u00e9xico negro<\/em> (2021). Dir. Le\u00f3n Rechy. M\u00e9xico: Canal 14. https:\/\/www.canalcatorce.tv\/?c=Programas&amp;p=1853&amp;a=Det&amp;t=3634&amp;ci=16985&amp;b=ciencia&amp;m2=5&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Documental <em>Ruja al Son de los Diablos<\/em> (2011). M\u00e9xico: Colectivo Muchitos Audiovusual.&nbsp;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=94HNDEopqMY&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Grupo de informaci\u00f3n en reproducci\u00f3n elegida (<span class=\"small-caps\">gire<\/span>) (2021). Teaser <em>Presentaci\u00f3n de los Diablos Quizade\u00f1os Nueva Generaci\u00f3n<\/em> (2021). Festival Ra\u00edces, Coatepec Veracruz, M\u00e9xico.&nbsp;Recuperado de: https:\/\/www.facebook.com\/raices.colectivomaiznegro\/videos\/1569249276847309\/<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Rosa Claudia Lora Krstulovic<\/em> \u00e9 etn\u00f3loga, documentarista e dan\u00e7arina. Ela pesquisa dan\u00e7as afro-diasp\u00f3ricas na Am\u00e9rica Latina, concentrando-se h\u00e1 v\u00e1rios anos no estudo das dan\u00e7as dos diabos e das dan\u00e7as de roda. Suas \u00e1reas de interesse s\u00e3o mem\u00f3ria, transmiss\u00e3o cultural, document\u00e1rio e patrim\u00f4nio. Realizou document\u00e1rios etnogr\u00e1ficos e pesquisas antropol\u00f3gicas para document\u00e1rios independentes e s\u00e9ries de document\u00e1rios da <span class=\"small-caps\">inah<\/span>. Atualmente, ela dirige o Festival de Artes Afrodescendentes e \u00e9 pesquisadora de p\u00f3s-doutorado na <span class=\"small-caps\">ciesas-cdmx<\/span> com o tema \"Estrat\u00e9gias colaborativas para a continuidade das dan\u00e7as afro-mexicanas da Costa Chica\".<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O document\u00e1rio etnogr\u00e1fico tem sido uma das formas de registrar e mostrar as diversas dan\u00e7as afro-mexicanas da Costa Chica, e o artigo argumenta que esse g\u00eanero audiovisual tamb\u00e9m pode ser usado como uma forma de investigar a mem\u00f3ria da dan\u00e7a. O texto faz uma an\u00e1lise inicial dos document\u00e1rios produzidos sobre as dan\u00e7as dessa regi\u00e3o e apresenta parte do processo de realiza\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio de longa-metragem El Quiz\u00e1, donde la memoria danza, dirigido pelo autor, cujo principal interesse \u00e9 contribuir para as mem\u00f3rias coletivas de um povo.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":39810,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[279],"tags":[1426,1237,350,322],"coauthors":[551],"class_list":["post-39816","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-279","tag-afromexico","tag-danza","tag-documental","tag-memoria","personas-lora-krstulovic-rosa-claudia","numeros-1405"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>El Documental como Testigo: Memorias danzarias en la Costa Chica (parte 1) &#8211; 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