{"id":39510,"date":"2025-03-21T13:00:00","date_gmt":"2025-03-21T19:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=39510"},"modified":"2025-03-21T19:22:03","modified_gmt":"2025-03-22T01:22:03","slug":"medina-garduno-hernandez-carranza-panotto-setton-perspectiva-latinoamericana-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/medina-garduno-hernandez-carranza-panotto-setton-perspectiva-latinoamericana-palestina\/","title":{"rendered":"A Palestina vista da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Historicamente, a Palestina tem sido atravessada por din\u00e2micas colonialistas: expansionismo, viol\u00eancia sistem\u00e1tica, ideologia sionista e epistemic\u00eddio. Essas din\u00e2micas foram acompanhadas por uma rede de pr\u00e1ticas que buscam se sustentar em discursos que combinam os interesses pol\u00edticos das hegemonias ocidentais com conota\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas e religiosas. A divis\u00e3o da Palestina em 1947, como uma resolu\u00e7\u00e3o para o povo judeu ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, mas como uma imposi\u00e7\u00e3o ao povo palestino, foi constru\u00edda com a ocupa\u00e7\u00e3o de 56% parte do territ\u00f3rio para o nascente Estado de Israel. Essa coloniza\u00e7\u00e3o foi gradualmente justificada por ideias como a de Theodor Herzl (2004) em seu livro <em>El Estado jud\u00edo<\/em>no qual ele prop\u00f5e que a Palestina, sendo a terra b\u00edblica, \u00e9 o territ\u00f3rio destinado ao povo judeu. Soma-se a isso o esp\u00edrito de protecionismo em rela\u00e7\u00e3o aos judeus, vistos como v\u00edtimas do Holocausto, que paradoxalmente desenvolveu atitudes sionistas, ou seja, atitudes etnoculturais nacionalistas que promovem e incentivam a legitima\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. Isso tamb\u00e9m permitiu a justificativa do avan\u00e7o territorial do Estado de Israel, de modo que no in\u00edcio do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span> A ocupa\u00e7\u00e3o atingiu 85% do territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resposta a isso, a resist\u00eancia palestina n\u00e3o est\u00e1 apenas dentro do territ\u00f3rio ocupado, mas tamb\u00e9m fora dele, onde h\u00e1 uma cont\u00ednua <em>palestinidade<\/em> como s\u00edmbolo de uma rejei\u00e7\u00e3o generalizada \u00e0 colonialidade e \u00e0 opress\u00e3o dos povos. Nos \u00faltimos meses, mais precisamente desde outubro de 2023, ap\u00f3s o avan\u00e7o territorial das for\u00e7as armadas israelenses no que resta do territ\u00f3rio palestino, temos visto in\u00fameras mobiliza\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o p\u00fablico e nas redes sociais sobre a situa\u00e7\u00e3o na Palestina, seja a favor do povo palestino ou contra ele, intensificando no\u00e7\u00f5es pr\u00f3-palestinas, sionistas, antissemitas e at\u00e9 islamof\u00f3bicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas mobiliza\u00e7\u00f5es destacam o uso da ideologia pol\u00edtica que moldou o sionismo, um instrumento colonizador para a coloniza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio da Palestina hist\u00f3rica, que resultou na limpeza \u00e9tnica desse povo e em um discurso de \u00f3dio. Essa ideologia est\u00e1 cristalizada, por exemplo, no sionismo crist\u00e3o e em pr\u00e1ticas pol\u00edticas em diferentes pa\u00edses, bem como em mobiliza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, acad\u00eamicos organizados e grupos religiosos que podem ser a favor ou contra essa ideologia.<\/p>\n\n\n\n<p>A Am\u00e9rica Latina n\u00e3o ficou de fora da diversidade de a\u00e7\u00f5es e pronunciamentos. Enquanto alguns pa\u00edses latino-americanos - Cuba com Miguel D\u00edaz Canel, Brasil com Lula da Silva, Bol\u00edvia com Luis Arce, Chile com Gabriel Boric, Col\u00f4mbia com Gustavo Petro e Venezuela com Nicol\u00e1s Maduro - se manifestaram veementemente contra e alguns tomaram medidas diplom\u00e1ticas, como a desaprova\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o da Palestina, os demais pa\u00edses apenas pediram um cessar-fogo, condenando inicialmente as a\u00e7\u00f5es iniciais do Hamas e alguns at\u00e9 apoiaram Israel. Foi a popula\u00e7\u00e3o civil: estudantes, professores, grupos religiosos, como os mu\u00e7ulmanos, que se organizaram para ir \u00e0s ruas, universidades e redes sociais para exigir o direito humanit\u00e1rio, para se manifestar contra as a\u00e7\u00f5es genocidas de Israel e para incentivar as universidades a romper rela\u00e7\u00f5es com Israel. A isso se soma a diminui\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a dos Estados latino-americanos com uma s\u00e9rie de declara\u00e7\u00f5es nas redes sociais diante da escalada militar, do deslocamento de fam\u00edlias e da viola\u00e7\u00e3o do direito internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Para obter algumas perspectivas da Am\u00e9rica Latina, esta edi\u00e7\u00e3o re\u00fane especialistas do M\u00e9xico, Brasil, Chile e Argentina para refletir sobre a situa\u00e7\u00e3o atual da ocupa\u00e7\u00e3o israelense da Palestina e o desdobramento de a\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n    <div class=\"discrepancia tres\">\n        <h2>Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o atual entre Israel e Palestina vista da Am\u00e9rica Latina?<\/h2>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"garduno-hernandez\">\n        <p class=\"nombre\">Mois\u00e9s Gardu\u00f1o e Marlene Hern\u00e1ndez Mor\u00e1n<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Acreditamos que a opini\u00e3o sobre a ocupa\u00e7\u00e3o israelense da Palestina na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o tem sido heterog\u00eanea.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"carranza\">\n        <p class=\"nombre\">Brenda Carranza<\/p>\n        <p class=\"llamada\">O ataque do Hamas n\u00e3o deixou nenhum pa\u00eds intocado<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"panotto\">\n        <p class=\"nombre\">Nicolas Panotto<\/p>\n        <p class=\"llamada\">A situa\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio simboliza o sintoma perverso da l\u00f3gica colonial moderna.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"setton\">\n        <p class=\"nombre\">Damian Setton<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Considero importante mencionar como a atual escalada da guerra est\u00e1 ocorrendo em um contexto de constru\u00e7\u00e3o de novas identidades pol\u00edticas na Argentina.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta garduno-hernandez\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Acreditamos que a opini\u00e3o sobre a ocupa\u00e7\u00e3o israelense da Palestina na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o tem sido heterog\u00eanea, mas varia de acordo com os grupos sociais e pol\u00edticos envolvidos. Embora na Am\u00e9rica Latina consumamos produtos culturais norte-americanos e europeus que podem produzir narrativas pr\u00f3-sionistas, alguns pa\u00edses, como a Col\u00f4mbia e o Brasil, adotaram uma vis\u00e3o cr\u00edtica da ocupa\u00e7\u00e3o e solidariedade com o povo palestino. Isso provavelmente se deve ao fato de que na \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina passamos por processos de coloniza\u00e7\u00e3o que resultaram em massacres, desapropria\u00e7\u00e3o de terras, marginaliza\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o de pessoas com base em sua etnia e cor da pele. Esse passado comum, bem como um interesse crescente em aprender sobre a situa\u00e7\u00e3o na Palestina, fez com que, entre outras coisas, as pessoas decidissem apoiar e demonstrar solidariedade \u00e0 luta palestina. Em n\u00edvel popular, Axios (2024) relatou que \"40% da popula\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina apoiou a Palestina, enquanto apenas 16% disseram que os Estados Unidos deveriam continuar a apoiar Israel\".<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, tamb\u00e9m pensamos que, a partir do Sul Global, j\u00e1 come\u00e7amos a abordar \"o poder de representar\" a partir de outra forma de fazer academia e consci\u00eancia, em que o poder das armas e as interven\u00e7\u00f5es militares enfrentam n\u00e3o apenas a resist\u00eancia armada de grupos palestinos, mas tamb\u00e9m o \"poder de narrar\" esses cen\u00e1rios de uma forma alternativa \u00e0 da m\u00eddia conservadora. Essa multidirecionalidade da capacidade de narrar \u00e9 o que nos permite construir gram\u00e1ticas e semi\u00f3ticas que rompem o bin\u00e1rio e mostram diferentes maneiras de descrever e entender o mundo al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da demoniza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia em suas v\u00e1rias formas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando ocorreu a chamada \"Primavera \u00c1rabe\", muitos latino-americanos a observaram como um per\u00edodo muito semelhante ao que a Am\u00e9rica Latina viveu na d\u00e9cada de 1990, quando as ditaduras estavam desmoronando e seu fim poderia estar passando por mudan\u00e7as pol\u00edticas. Agora sabemos que isso n\u00e3o aconteceu e que estamos enfrentando mais formas de viol\u00eancia global, nas quais a Palestina \u00e9 vista como um s\u00edmbolo global de injusti\u00e7a e nas quais a Am\u00e9rica Latina, sem intermedi\u00e1rios, est\u00e1 se solidarizando com essa injusti\u00e7a global.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta carranza\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">O ataque do Hamas n\u00e3o deixou nenhum pa\u00eds indiferente. Na \u00e9poca, declara\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e grupos organizados da sociedade civil condenaram unanimemente o horror humanit\u00e1rio, e alguns apoiaram o direito leg\u00edtimo do Estado de Israel de se defender. No entanto, ao longo de um ano de conflito crescente, essas posi\u00e7\u00f5es evolu\u00edram do apoio inicial para cr\u00edticas severas, embora algumas na\u00e7\u00f5es continuem aliadas ao governo de extrema direita de Netanyahu - veja a milit\u00e2ncia pr\u00f3-Israel da Guatemala, de El Salvador e do governo de Milei, por exemplo. Por outro lado, alguns pa\u00edses endureceram sua posi\u00e7\u00e3o, aceitando cada vez mais que a situa\u00e7\u00e3o mudou de defesa para vingan\u00e7a, puni\u00e7\u00e3o coletiva e genoc\u00eddio; a Col\u00f4mbia e o Brasil sofreram as consequ\u00eancias, comercial e diplomaticamente, como resultado. Essa diverg\u00eancia de posi\u00e7\u00f5es evidencia, por um lado, os diferentes graus de influ\u00eancia da pol\u00edtica externa israelense em alguns pa\u00edses, bem como a interfer\u00eancia decisiva das comunidades judaica e palestina, embora esta \u00faltima tenha uma maior assimetria de incid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, as posi\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas de apoio a Israel s\u00e3o ecoadas por setores do cristianismo (Mori, 2023) que utilizam a hermen\u00eautica b\u00edblica para exortar a sociedade a orar pelo povo judeu, sempre vitimado, e que legitimam, em nome da defesa da terra de Jesus, as a\u00e7\u00f5es do governo israelense (De Comunica\u00e7\u00e3o Conic, s.d.). Essa postura \u00e9 comum no meio religioso brasileiro, que d\u00e1 menos \u00eanfase \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o causada pela ocupa\u00e7\u00e3o militar israelense e ao sofrimento do povo palestino. Obviamente, vozes dissonantes emergem entre os crist\u00e3os progressistas que reconhecem a complexidade hist\u00f3rica do projeto de coloniza\u00e7\u00e3o israelense que, desde 1948, impossibilitou um Estado palestino (que nasceu morto) e impediu a paz na regi\u00e3o (Paiva, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta panotto\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">A situa\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio simboliza o sintoma perverso da l\u00f3gica colonial moderna. Ela evoca uma s\u00e9rie de termos que se pensava terem sido superados ap\u00f3s as dolorosas experi\u00eancias do s\u00e9culo passado. <span class=\"small-caps\">xx<\/span>genoc\u00eddio, invas\u00e3o, colonialismo, campos de concentra\u00e7\u00e3o, assassinato em massa. Gaza representa hoje \"o retorno do reprimido\" na modernidade, o exemplo perverso de como esses efeitos retornam, mas agora a partir do paradoxo mais contradit\u00f3rio: como atos necess\u00e1rios para a defesa e a constru\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios ocidentais que, na \u00e9poca, foram erguidos como rea\u00e7\u00e3o a esses mesmos eventos em meio a um contexto de guerra e genoc\u00eddio, como o vivido em meados do s\u00e9culo passado. Aqui a ideia de \"dano colateral\" est\u00e1 completamente ultrapassada e anulada: Em Gaza, a matan\u00e7a de inocentes deixou de ser uma consequ\u00eancia acidental e passou a fazer parte de um mecanismo intencional (limpeza \u00e9tnica), motivado por uma interse\u00e7\u00e3o teol\u00f3gico-religiosa-pol\u00edtica que mistura ancestralidade e modernidade, com base em uma pureza vernacular - como reivindicada pelo sionismo - que se tornou o ponto de origem do que entendemos hoje como os princ\u00edpios fundadores da pol\u00edtica e da cultura modernas (Slavodsky, 2014: 39-66).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, como diz o fil\u00f3sofo chileno Rodrigo Karmy, \"tudo \u00e9 Gaza\" (Karmy, 2024). A situa\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio faz parte de uma genealogia colonial e geopol\u00edtica, que tem suas ra\u00edzes na regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina (Panotto, 2024). Esse contexto faz parte de uma engenharia geopol\u00edtica que vem se desenrolando h\u00e1 d\u00e9cadas e que interv\u00e9m diretamente nos \u00f3rg\u00e3os decis\u00f3rios, tanto em n\u00edvel nacional quanto regional. A defesa das a\u00e7\u00f5es do Estado de Israel (n\u00e3o apenas desde 7 de outubro de 2023, mas h\u00e1 muito tempo) \u00e9 o s\u00edmbolo por excel\u00eancia da legitima\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica excludente, colonial e racista, que hoje faz parte do cen\u00e1rio pol\u00edtico latino-americano (Rabinovich, 2024; Hurd, 2025). Vemos isso nos casos muito concretos de l\u00edderes como Javier Milei na Argentina, Jair Bolsonaro no Brasil e Donald Trump nos Estados Unidos, presidentes que assumiram a bandeira sionista para enquadrar agendas locais e internacionais. Mas tamb\u00e9m em amplas redes de <em>lobby<\/em> Em outras palavras, a dissemina\u00e7\u00e3o do conservadorismo pol\u00edtico atual na regi\u00e3o tem v\u00ednculos org\u00e2nicos, tanto em termos ideol\u00f3gicos quanto institucionais, com organiza\u00e7\u00f5es, redes, \u00f3rg\u00e3os pol\u00edticos e diplom\u00e1ticos de tend\u00eancia sionista, quer promovam essa agenda ou sejam financiados por fundos sionistas para a organiza\u00e7\u00e3o de eventos e a publica\u00e7\u00e3o de materiais. Em outras palavras, a dissemina\u00e7\u00e3o do atual conservadorismo pol\u00edtico na regi\u00e3o tem v\u00ednculos org\u00e2nicos, tanto ideol\u00f3gicos quanto institucionais, com organiza\u00e7\u00f5es, redes e \u00f3rg\u00e3os pol\u00edticos e diplom\u00e1ticos sionistas.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta setton\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Al\u00e9m de minhas opini\u00f5es sobre o conflito e suas causas imediatas e de longo prazo, considero importante fazer refer\u00eancias a como a atual escalada da guerra ocorre em um contexto de constru\u00e7\u00e3o de novas identidades pol\u00edticas na Argentina, j\u00e1 que esses processos est\u00e3o inter-relacionados com os eventos no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>O conflito palestino-israelense \u00e9 projetado, na Argentina, em um contexto marcado por profundas transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em que Israel e o juda\u00edsmo fazem parte do tecido simb\u00f3lico e sem\u00e2ntico do projeto libert\u00e1rio de direita. O atual presidente, Javier Milei, exibiu o simbolismo judaico durante sua campanha presidencial (nesse sentido, \u00e9 poss\u00edvel ver o paralelo com express\u00f5es do sionismo crist\u00e3o em outros pa\u00edses latino-americanos), buscou identificar-se com o juda\u00edsmo, chegando a afirmar sua inten\u00e7\u00e3o de se converter a essa religi\u00e3o, mostrou-se pr\u00f3ximo de importantes organiza\u00e7\u00f5es judaicas e expressou apoio incondicional ao Estado de Israel, sustentando que a Argentina abandonaria sua posi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de neutralidade no conflito do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena observar que essa politiza\u00e7\u00e3o do juda\u00edsmo n\u00e3o \u00e9 totalmente perturbadora. Ap\u00f3s os atentados \u00e0 embaixada israelense e \u00e0 <span class=\"small-caps\">amia<\/span> Na d\u00e9cada de 1990, o juda\u00edsmo irrompeu na arena p\u00fablica e tornou-se um fato pol\u00edtico. A pol\u00edtica e o juda\u00edsmo n\u00e3o podiam mais seguir caminhos separados. Vale a pena observar que, embora Milei tenha usado o s\u00edmbolo do shofar em sua campanha presidencial, esse s\u00edmbolo j\u00e1 havia sido colocado na arena p\u00fablica por meio das reuni\u00f5es destinadas a exigir justi\u00e7a pelo ataque ao <span class=\"small-caps\">amia<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>O libertarianismo se tornou um projeto de identidade que visa a construir novas subjetividades. \u00c9 um projeto complexo, certamente, no qual o liberalismo econ\u00f4mico coexiste e est\u00e1 em tens\u00e3o com o conservadorismo social. Para essa direita em constru\u00e7\u00e3o, Israel \u00e9 um foco de identifica\u00e7\u00e3o; assim, ela amplia o alcance de suas a\u00e7\u00f5es para a escala global, propondo-se como a vanguarda de uma batalha cultural contra o que ela define como \"progressismo\" ou \"comunismo cultural\". Assim, ele percebe os eventos no Oriente M\u00e9dio em termos dessa mesma batalha civilizacional, cultural e pr\u00f3-ocidental. Nessa estrutura, Israel \u00e9 admirado tanto por sua capacidade militar quanto por sua <em>desempenho<\/em> no campo da tecnologia avan\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se observar que, no campo libert\u00e1rio global, n\u00e3o h\u00e1 um consenso estabelecido sobre como interpretar a escalada da viol\u00eancia na Palestina-Israel. Enquanto Futerman e Block (2024) argumentam que a exist\u00eancia de Israel e seu \"direito \u00e0 autodefesa\" est\u00e3o de acordo com os princ\u00edpios do libertarianismo, Hans-Hermann Hoppe (2 de janeiro de 2024) tem a vis\u00e3o oposta, criticando o pr\u00f3prio Milei por sua pol\u00edtica externa.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n    <\/div>\n    \n\n\n\n    <div class=\"discrepancia tres\">\n        <h2>Como voc\u00ea observa as a\u00e7\u00f5es ou rea\u00e7\u00f5es da sociedade civil organizada, dos grupos religiosos ou do sionismo-crist\u00e3o?<\/h2>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"garduno-hernandez\">\n        <p class=\"nombre\">Mois\u00e9s Gardu\u00f1o e Marlene Hern\u00e1ndez Mor\u00e1n<\/p>\n        <p class=\"llamada\">As a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es da sociedade civil organizada foram diversas<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"carranza\">\n        <p class=\"nombre\">Brenda Carranza<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Observamos que as rea\u00e7\u00f5es variam desde a justificativa do governo israelense at\u00e9 a indigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"panotto\">\n        <p class=\"nombre\">Nicolas Panotto<\/p>\n        <p class=\"llamada\">O impacto do sionismo crist\u00e3o vem sendo monitorado h\u00e1 muito tempo na regi\u00e3o.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"setton\">\n        <p class=\"nombre\">Damian Setton<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Dos pa\u00edses latino-americanos, a Argentina tem o maior n\u00famero de cidad\u00e3os judeus.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta garduno-hernandez\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">As a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es da sociedade civil organizada, bem como as de grupos religiosos e do sionismo-crist\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o entre a Palestina e Israel, t\u00eam sido igualmente diversas e multifacetadas. Por um lado, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina se manifestaram em apoio ao povo palestino contra a ocupa\u00e7\u00e3o e o genoc\u00eddio israelense, por exemplo, a Alian\u00e7a Internacional de Solidariedade com a Palestina, a Rede de Solidariedade com a Palestina, entre outras. No caso do M\u00e9xico, temos o Comit\u00ea Mexicano de Solidariedade com a Palestina e o Grupo Acad\u00eamico para a Palestina, que funciona como uma rede de professores dedicados a organizar atividades de solidariedade com o povo palestino. Os grupos religiosos que condenaram a ocupa\u00e7\u00e3o, incluindo as comunidades judaicas, tamb\u00e9m devem ser acompanhados. Vale a pena observar que o apoio \u00e0 Palestina tem sido expresso de v\u00e1rias maneiras, desde manifesta\u00e7\u00f5es e marchas; organiza\u00e7\u00e3o de eventos culturais e campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o; colabora\u00e7\u00e3o com o movimento de boicote, desinvestimento e san\u00e7\u00f5es contra Israel (<span class=\"small-caps\">bds<\/span>) e trabalho conjunto com organiza\u00e7\u00f5es internacionais, como a Anistia Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, s\u00e3o principalmente os grupos religiosos evang\u00e9licos e sionistas-crist\u00e3os que t\u00eam demonstrado apoio a Israel, como a Federa\u00e7\u00e3o Sionista da Argentina e a Associa\u00e7\u00e3o Israelita do Chile. Esses grupos se baseiam em perspectivas teol\u00f3gicas, justificando as a\u00e7\u00f5es de Israel ao promover a ideia de que o estabelecimento do Estado de Israel faz parte de um plano divino e que aqueles que o comp\u00f5em s\u00e3o o povo escolhido. As atividades da sociedade civil t\u00eam sido diversas, mostrando que h\u00e1 interesse e di\u00e1logo cont\u00ednuo sobre a situa\u00e7\u00e3o na Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta carranza\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Observamos que as rea\u00e7\u00f5es variam desde a justificativa do direito de autodefesa do governo israelense at\u00e9 a indigna\u00e7\u00e3o com a resposta desproporcional, que transformou uma guerra em genoc\u00eddio. A primeira \u00e9 apoiada por pol\u00edticos e l\u00edderes religiosos conservadores de direita e de extrema direita, e a segunda por movimentos sociais e grupos pol\u00edticos de esquerda. As manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3-palestinos nas cidades brasileiras ampliam as coaliz\u00f5es antissionistas, estabelecem v\u00ednculos com outros grupos semelhantes na Am\u00e9rica Latina e denunciam as diversas persegui\u00e7\u00f5es sofridas por seus ativistas nas redes sociais (Campos Lima, 2024). A m\u00eddia religiosa conservadora no Brasil adota dispositivos teol\u00f3gicos que promovem a import\u00e2ncia de Israel como a terra prometida e o povo judeu como o povo escolhido por Deus. Entretanto, os crentes n\u00e3o fazem distin\u00e7\u00e3o entre o Israel b\u00edblico, o Israel secular moderno e o governo israelense. \u00c9 por isso que muitos evang\u00e9licos apoiam n\u00e3o apenas o povo judeu, mas tamb\u00e9m as a\u00e7\u00f5es da extrema direita representada por Netanyahu. S\u00e3o esses crentes que repercutem em suas redes sociais fake news sobre as dimens\u00f5es do conflito (Cass\u00e9te, 2023), deturpa\u00e7\u00f5es das posi\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas do governo brasileiro (Cass\u00e9te, 2023b), condena\u00e7\u00f5es de antissemitismo contra quem critica as pol\u00edticas do governo israelense, suspeitas de que a defesa do povo palestino \u00e9 antissionista e, portanto, anticrist\u00e3 (Capobianco, 2023) e mentiras sobre os massacres na Faixa de Gaza. Assim, o sionismo crist\u00e3o, como estrat\u00e9gia pol\u00edtica de apoio ao Estado de Israel, encontra um importante aliado na m\u00eddia religiosa e no setor evang\u00e9lico, que vem crescendo significativamente no pa\u00eds (Diniz, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta panotto\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Meu campo de trabalho s\u00e3o os grupos evang\u00e9licos latino-americanos. O impacto do sionismo crist\u00e3o foi detectado na regi\u00e3o h\u00e1 algum tempo (Carranza, Campos Machado, Mariz, 2023); a rea\u00e7\u00e3o de algumas de suas express\u00f5es conservadoras n\u00e3o foi diferente do que vimos em outras ocasi\u00f5es, em situa\u00e7\u00f5es de charneira ou momentos de crise no Oriente M\u00e9dio. Imediatamente, alarmes milenaristas foram disparados, colocando os eventos p\u00f3s-7 de outubro na estrutura de uma escatologia predestinada baseada em uma leitura err\u00f4nea do texto b\u00edblico, funcional \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o onto-teol\u00f3gica do colonialismo ocidental em sua vers\u00e3o moderna e norte-americana (o chamado \"destino manifesto\"). Talvez \u00fanicos nesse contexto sejam os efeitos de algumas estruturas teol\u00f3gicas que intervieram fortemente na igreja evang\u00e9lica latino-americana durante a d\u00e9cada de 1990, como a chamada missiologia da janela 10\/40, a \"guerra espiritual\" ou a chamada \"teologia do dom\u00ednio\". Essas teologias, muito em voga em algumas megaigrejas conservadoras durante a d\u00e9cada de 1990, prepararam o terreno para o apoio pol\u00edtico-teol\u00f3gico ao Estado de Israel por muitos grupos evang\u00e9licos conservadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro elemento singular desse contexto est\u00e1 relacionado \u00e0 mudan\u00e7a no tipo de defesa de alguns grupos evang\u00e9licos. Diferentemente da d\u00e9cada de 1990, quando se observava uma atua\u00e7\u00e3o mais ligada a l\u00edderes e pastores de igrejas em prol do reconhecimento p\u00fablico das igrejas, hoje se observa um desdobramento muito mais amplo de tipos de institucionalismo e interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica articulados com organiza\u00e7\u00f5es sionistas. Assim, quando falamos de apoio evang\u00e9lico a essas agendas, n\u00e3o estamos nos referindo apenas a igrejas, pastores ou denomina\u00e7\u00f5es, mas a redes regionais e organiza\u00e7\u00f5es religiosas compostas por profissionais ligados ao campo evang\u00e9lico, mas n\u00e3o necessariamente a uma igreja em particular, com agendas pol\u00edticas muito espec\u00edficas. Da mesma forma, n\u00e3o respondem a um trabalho relacionado \u00e0 visibilidade dos espa\u00e7os eclesiais, mas sim a um compromisso de tornar p\u00fablica sua voz da f\u00e9 com rela\u00e7\u00e3o a essas quest\u00f5es geopol\u00edticas espec\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta setton\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Dos pa\u00edses latino-americanos, a Argentina tem o maior n\u00famero de cidad\u00e3os judeus. O sionismo foi um marco definitivo na constru\u00e7\u00e3o da identidade desses cidad\u00e3os (Elkin Laikin, 2014). No entanto, a ades\u00e3o ao sionismo n\u00e3o implicou em um descompromisso com as realidades locais ou regionais. Nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970, por exemplo, houve uma din\u00e2mica interessante de relacionamento entre o sionismo, a Nova Esquerda e a identifica\u00e7\u00e3o com as causas de liberta\u00e7\u00e3o nacional na regi\u00e3o (Brodsky, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a causa \u00e1rabe, palestina e antissionista era frequentemente mobilizada por setores da direita cat\u00f3lica, nacionalista e antissemita, em conjunto com representantes da Liga \u00c1rabe (Senkman, 1986: 51-56). Aqueles que alertavam sobre a amea\u00e7a sionista na regi\u00e3o e simpatizavam com as causas \u00e1rabes nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960 tamb\u00e9m denunciavam a penetra\u00e7\u00e3o comunista e castrista no pa\u00eds e defendiam os valores crist\u00e3os que consideravam amea\u00e7ados pela ma\u00e7onaria e pelo juda\u00edsmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os imigrantes palestinos constitu\u00edam uma porcentagem min\u00fascula em rela\u00e7\u00e3o aos imigrantes s\u00edrio-libaneses, de modo que a causa palestina era defendida por associa\u00e7\u00f5es definidas como \u00e1rabes. Se falarmos da di\u00e1spora palestina na Argentina, ela foi formada em torno da Federaci\u00f3n de Entidades Argentino-Palestinas, fundada apenas na d\u00e9cada de 1980 por exilados chileno-palestinos. A Federa\u00e7\u00e3o participa de uma esp\u00e9cie de constela\u00e7\u00e3o da causa palestina que inclui organiza\u00e7\u00f5es mu\u00e7ulmanas, partidos pol\u00edticos de esquerda e associa\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente \u00e0 esquerdiza\u00e7\u00e3o da causa palestina, h\u00e1 uma tend\u00eancia \u00e0 direitiza\u00e7\u00e3o da causa sionista. No final do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xx<\/span>Os movimentos sionistas de esquerda j\u00e1 estavam perdendo relev\u00e2ncia. Ao mesmo tempo, as organiza\u00e7\u00f5es religiosas ortodoxas, simp\u00e1ticas \u00e0s pol\u00edticas do partido Likud, estavam ganhando visibilidade. Ao mesmo tempo, um movimento sionista de direita como o Betar, que havia passado por um per\u00edodo de profunda crise no pa\u00eds, ressurgiu e hoje constitui um espa\u00e7o de socializa\u00e7\u00e3o para um grupo de jovens judeus argentinos que se definem como de direita.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma defini\u00e7\u00e3o do conflito israelense-palestino \u00e9 investida, na Argentina, de identidades pol\u00edticas. A direita conservadora e libert\u00e1ria, atualmente no governo, mobiliza um discurso pr\u00f3-israelense irrestrito. A esquerda, por sua vez, volta-se para a defesa da causa palestina, chegando ao ponto de atribuir a ela uma linguagem religiosa que, em teoria, n\u00e3o faria parte de seu arcabou\u00e7o sem\u00e2ntico. \u00c9 impressionante ouvir militantes trotskistas pedindo um Estado palestino secular, mas com sua capital em Jerusal\u00e9m, atribuindo assim uma perspectiva religiosa \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio do Estado, o que faz com que muitos judeus que compartilham as lutas da esquerda e que se sentem abandonados por ela se encolham.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n    <\/div>\n    \n\n\n\n    <div class=\"discrepancia tres\">\n        <h2>Como podemos interpretar a organiza\u00e7\u00e3o estudantil pr\u00f3-palestina e as rea\u00e7\u00f5es das universidades, dos estudantes e da interven\u00e7\u00e3o estatal (policial)?<\/h2>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"garduno-hernandez\">\n        <p class=\"nombre\">Mois\u00e9s Gardu\u00f1o e Marlene Hern\u00e1ndez Mor\u00e1n<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Diversas universidades da Am\u00e9rica Latina demonstraram abertamente seu compromisso com a<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"carranza\">\n        <p class=\"nombre\">Brenda Carranza<\/p>\n        <p class=\"llamada\">A onda de protestos estudantis pr\u00f3-Palestina que come\u00e7ou nos Estados Unidos tamb\u00e9m se espalhou pela Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"setton\">\n        <p class=\"nombre\">Damian Setton<\/p>\n        <p class=\"llamada\">N\u00e3o foram observadas interven\u00e7\u00f5es estudantis na escala das observadas em outros pa\u00edses.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"panotto\">\n        <p class=\"nombre\">Nicolas Panotto<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Todos os fatores que entram em jogo precisam ser considerados<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta garduno-hernandez\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Diversas organiza\u00e7\u00f5es estudantis pr\u00f3-palestinas em diferentes universidades da Am\u00e9rica Latina e do mundo t\u00eam demonstrado abertamente seu compromisso pol\u00edtico e social com a resist\u00eancia e a luta do povo palestino, com foco na defesa dos direitos humanos, da justi\u00e7a social e do processo de descoloniza\u00e7\u00e3o. A\u00e7\u00f5es estudantis, como manifesta\u00e7\u00f5es, campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o, acampamentos, exig\u00eancias de rompimento de acordos com institui\u00e7\u00f5es israelenses, entre outras a\u00e7\u00f5es, levaram institui\u00e7\u00f5es de todo o mundo a questionar e\/ou romper acordos com institui\u00e7\u00f5es israelenses. Por exemplo, a Universidade Central da Venezuela suspendeu os conv\u00eanios com essas institui\u00e7\u00f5es, e outras est\u00e3o revendo seus conv\u00eanios, como o El Colegio de M\u00e9xico e a <span class=\"small-caps\">unam<\/span>al\u00e9m de incentivar discursos acad\u00eamicos livres que v\u00e3o desde a busca de um cessar-fogo e a implementa\u00e7\u00e3o de leis internacionais at\u00e9 boicotes.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos argumentos que se destacam no debate sobre o rompimento das rela\u00e7\u00f5es com Israel \u00e9 que a ind\u00fastria b\u00e9lica israelense est\u00e1 ligada ao setor educacional. Nesse sentido, a Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m n\u00e3o apenas apoia deliberadamente as For\u00e7as de Defesa de Israel, mas tamb\u00e9m tem programas acad\u00eamicos voltados para esse setor, como Talpiot, Havatzalot, Tzameret, etc., que educam e treinam os futuros ativos, al\u00e9m de usar os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos para o setor militar (Taraki, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, embora tenha havido universidades e <span class=\"small-caps\">ngo<\/span> Os estudantes israelenses que incentivam o di\u00e1logo e ajudam a documentar as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos palestinos t\u00eam pouco impacto sobre o fim das interven\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es repressivas das for\u00e7as policiais dentro e fora da Cisjord\u00e2nia. Apesar disso, as organiza\u00e7\u00f5es estudantis demonstraram sua convic\u00e7\u00e3o em se solidarizar com o povo palestino e construir pontes com o Sul Global nesse caminho.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta carranza\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">A onda de protestos estudantis pr\u00f3-palestinos que come\u00e7ou nos EUA tamb\u00e9m se espalhou pela Am\u00e9rica Latina, caracterizada por ativismo digital, acampamentos em campus, ocupa\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios, organiza\u00e7\u00e3o de eventos, confer\u00eancias e marchas, assinatura de peti\u00e7\u00f5es e mo\u00e7\u00f5es aos parlamentos como estrat\u00e9gias de lobby. O <em>leitmotiv<\/em> das manifesta\u00e7\u00f5es \u00e9 a den\u00fancia da ocupa\u00e7\u00e3o militar de Gaza, do car\u00e1ter genocida dessa interven\u00e7\u00e3o e da <em>apartheid<\/em> Israel. As reivindica\u00e7\u00f5es dos estudantes pediam a suspens\u00e3o dos projetos tecnol\u00f3gicos e das rela\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas com Israel, um embargo nas rela\u00e7\u00f5es comerciais e o rompimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, al\u00e9m da suspens\u00e3o do financiamento da guerra. Observamos como as autoridades universit\u00e1rias lutavam entre limitar a liberdade de express\u00e3o, impedir invas\u00f5es ao campus, solicitar a interven\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia para impedir o \"vandalismo\" ou negociar as demandas. No entanto, as administra\u00e7\u00f5es cederam a alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o e pol\u00edticos locais e nacionais, que pediram medidas profil\u00e1ticas, sob o clamor de n\u00e3o permitir que o discurso de \u00f3dio e o antissemitismo se espalhassem nas universidades e delas para a sociedade. Assim, a contra\u00e7\u00e3o foi imposta: acabar com os tumultos imediatamente, cumprir os regulamentos da universidade, proteger os pr\u00e9dios, garantir a seguran\u00e7a dos estudantes judeus, prender e intimidar os estudantes. Em outras palavras: criminalizar o movimento estudantil. Isso justificou o mecanismo narrativo que \"legitima\" a interven\u00e7\u00e3o policial, com seu aparato de repress\u00e3o, contra ativistas estudantis acusados de antissemitismo, antissistema, extremismo e dissemina\u00e7\u00e3o de \u00f3dio. A m\u00eddia religiosa brasileira contribuiu ao interpretar os protestos como uma batalha espiritual contra o povo de Deus, alertando que um discurso de \u00f3dio e antissemitismo dominava os estudantes e oferecia uma vis\u00e3o positiva para o governo de Israel (Souza, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta setton\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">N\u00e3o houve interven\u00e7\u00f5es estudantis na escala das observadas em outros pa\u00edses. Certamente, grupos universit\u00e1rios de esquerda participaram de manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3-palestinas e foram realizadas atividades em solidariedade aos estudantes norte-americanos. A Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires (<span class=\"small-caps\">uba<\/span>), onde funciona a C\u00e1tedra Libre de Estudios Palestinos, foi um dos locais centrais para essas manifesta\u00e7\u00f5es, que tamb\u00e9m foram definidas como anticapitalistas. No entanto, os eventos relacionados ao conflito no Oriente M\u00e9dio geraram discuss\u00f5es e controv\u00e9rsias. As manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3-palestinas, em muitos casos, n\u00e3o reconhecem a legitimidade da exist\u00eancia do Estado de Israel. Os apelos incluem mapas de toda a Palestina do Mandato Brit\u00e2nico cobertos com as cores nacionais palestinas, acompanhados da legenda \"Free Palestine from the river to the sea\" (Palestina livre do rio ao mar). O uso do conceito de \"genoc\u00eddio\" nos c\u00edrculos acad\u00eamicos gerou debate. A apresenta\u00e7\u00e3o do livro <em>Palestina: anatom\u00eda de un genocidio<\/em>O evento, realizado na Universidade Nacional de Ros\u00e1rio e com a participa\u00e7\u00e3o de atores da sociedade civil judaica, foi criticado por outros estudantes, que tamb\u00e9m eram judeus. Por outro lado, muitas atividades voltadas para a solidariedade com a causa palestina incluem a presen\u00e7a de l\u00edderes religiosos mu\u00e7ulmanos, inserindo assim uma perspectiva religiosa no espa\u00e7o universit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta panotto\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Para entender o impacto das mobiliza\u00e7\u00f5es estudantis pr\u00f3-Palestina, \u00e9 necess\u00e1rio considerar todos os fatores que entram em jogo. As demandas que eles articulam s\u00e3o muito variadas: a exig\u00eancia de um cessar-fogo, a cr\u00edtica \u00e0 geopol\u00edtica colonial e imperialista, a den\u00fancia da cumplicidade entre o financiamento e o terrorismo, a luta contra a viol\u00eancia e a viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o. <em>lobby<\/em> sionista, entre outros. Em outras palavras, as mobiliza\u00e7\u00f5es assumem a situa\u00e7\u00e3o em Gaza como um evento que n\u00e3o se limita a uma conting\u00eancia da geopol\u00edtica atual, mas circunscreve elementos da pol\u00edtica dom\u00e9stica e local.<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que h\u00e1 quatro elementos cr\u00edticos que deram origem a fortes debates nesse cen\u00e1rio: amea\u00e7as \u00e0 liberdade de express\u00e3o, a instrumentaliza\u00e7\u00e3o do antissemitismo como narrativa condenat\u00f3ria, abusos de poder por parte das universidades para punir alunos e professores e a interven\u00e7\u00e3o das for\u00e7as da lei e da ordem em casos de protesto. Esses quatro elementos est\u00e3o entrela\u00e7ados em uma espiral muito preocupante em um contexto democr\u00e1tico. A rea\u00e7\u00e3o desproporcional e polarizada de algumas autoridades universit\u00e1rias \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es pr\u00f3-palestinas mostrou claramente o preconceito em torno dessa quest\u00e3o. Por que exigir o silenciamento dessa quest\u00e3o e dar liberdade para lidar com outras que s\u00e3o igualmente conflitantes para a sociedade? Aqui vemos a sensibilidade particular a esse evento, os sentimentos e posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e religiosas que ele desperta, que n\u00e3o podem ser comparados a outros casos. Abusou-se da acusa\u00e7\u00e3o de antissemitismo, confundindo de forma tendenciosa e superficial a cr\u00edtica ao Estado sionista de ultradireita em Israel por suas a\u00e7\u00f5es genocidas (inclusive reconhecidas por seus pr\u00f3prios funcion\u00e1rios em v\u00e1rias declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas), com uma cr\u00edtica ao povo judeu como segmento religioso (Romero, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n    <\/div>\n    \n\n\n\n    <div class=\"discrepancia tres\">\n        <h2>Nessa din\u00e2mica, voc\u00ea j\u00e1 observou a implanta\u00e7\u00e3o dessas mobiliza\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es em seu pa\u00eds? Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre elas?<\/h2>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"garduno-hernandez\">\n        <p class=\"nombre\">Mois\u00e9s Gardu\u00f1o e Marlene Hern\u00e1ndez Mor\u00e1n<\/p>\n        <p class=\"llamada\">V\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es e marchas foram organizadas no M\u00e9xico.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"carranza\">\n        <p class=\"nombre\">Brenda Carranza<\/p>\n        <p class=\"llamada\">O conflito Israel-Hamas-Palestina parece estar repercutindo nos pa\u00edses latino-americanos.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"setton\">\n        <p class=\"nombre\">Damian Setton<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Todos t\u00eam o direito de se expressar<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"panotto\">\n        <p class=\"nombre\">Nicolas Panotto<\/p>\n        <p class=\"llamada\">No Chile, onde moro, houve importantes mobiliza\u00e7\u00f5es pr\u00f3-palestinas.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta garduno-hernandez\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">In\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es e marchas foram organizadas no M\u00e9xico, n\u00e3o apenas em resposta aos bombardeios na Faixa de Gaza no ano passado, mas tamb\u00e9m porque essas a\u00e7\u00f5es j\u00e1 haviam ocorrido anteriormente. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma tend\u00eancia pr\u00f3-palestina em importantes institui\u00e7\u00f5es mexicanas - na Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico, no El Colegio de M\u00e9xico, na Universidade Aut\u00f4noma de Puebla, na Universidade Aut\u00f4noma Metropolitana, entre outras. Essa tend\u00eancia tamb\u00e9m pode ser vislumbrada em institui\u00e7\u00f5es como o Museu Nacional de Culturas do Mundo, a Casa da Cultura da Cidade do M\u00e9xico e o Museu Universit\u00e1rio de Arte Contempor\u00e2nea, onde atividades culturais, confer\u00eancias e exposi\u00e7\u00f5es foram organizadas para promover a discuss\u00e3o sobre a ocupa\u00e7\u00e3o israelense da Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as a\u00e7\u00f5es acima, e aquelas que provavelmente n\u00e3o estou mencionando, refletem um compromisso com a defesa dos direitos humanos e da justi\u00e7a social em um contexto em que um povo do Sul Global sofre as consequ\u00eancias de um sistema de domina\u00e7\u00e3o colonial. Al\u00e9m disso, esses espa\u00e7os e a\u00e7\u00f5es demonstram que, no M\u00e9xico, diferentemente de pa\u00edses como Estados Unidos, Fran\u00e7a e Alemanha, h\u00e1 maior liberdade de express\u00e3o, pois enquanto nesses pa\u00edses os atos repressivos contra grupos pr\u00f3-palestinos foram mais violentos, no M\u00e9xico, embora tenha havido casos de repress\u00e3o, houve maior liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta carranza\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">O conflito Israel-Hamas-Palestina parece ressoar nos pa\u00edses latino-americanos como uma hist\u00f3ria feita de peda\u00e7os e sem sentido, misturando narrativas b\u00edblicas judaico-crist\u00e3s e guerras cont\u00ednuas desde 1948. O conhecimento hist\u00f3rico deficiente e a desinforma\u00e7\u00e3o desencadeiam paix\u00f5es e posi\u00e7\u00f5es polarizadas, reduzindo a complexidade do conflito a posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas de confronto. Essas tens\u00f5es s\u00e3o agravadas pela distor\u00e7\u00e3o conceitual de entender o antissemitismo como oposi\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica ao atual governo israelense de ultradireita, ou o antissionismo como uma categoria acusat\u00f3ria por defender o povo palestino do exterm\u00ednio iminente. Essa din\u00e2mica polarizada e desqualificadora de persegui\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o foi vivenciada pelo grupo de pesquisa \"Crescimento do Sionismo Crist\u00e3o na Am\u00e9rica Latina\", do qual o autor deste texto faz parte, e evidenciou a grande dificuldade de discutir o tema acad\u00eamica e publicamente. Organizamos um semin\u00e1rio para compartilhar os resultados da compara\u00e7\u00e3o entre o sionismo crist\u00e3o brasileiro e o guatemalteco, mas, quando foi divulgado, a tara desenfreada nas redes sociais e as amea\u00e7as aos organizadores desqualificaram o evento, acusando os participantes de serem defensores da geopol\u00edtica do atual Estado de Israel, ou de serem pr\u00f3-Hamas e terroristas. Diante desse mal-entendido, do contexto de intoler\u00e2ncia no pa\u00eds e da dificuldade de \"desarmar esp\u00edritos\", a equipe n\u00e3o conseguiu organizar o semin\u00e1rio at\u00e9 o momento. No entanto, surgiram sinais positivos, como a cria\u00e7\u00e3o do Centro de Estudos Palestinos (<span class=\"small-caps\">eclac<\/span>) na Universidade de S\u00e3o Paulo. No final das contas, enquanto os esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos caem em uma ret\u00f3rica dissonante entre criticar publicamente as atrocidades em Gaza e manter la\u00e7os militares e econ\u00f4micos com Israel, a solidariedade do ativismo pr\u00f3-palestino se esfor\u00e7a para fazer com que a voz da Am\u00e9rica Latina seja ouvida ao exigir para a Palestina o direito de um povo de existir.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta setton\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">N\u00e3o tenho uma opini\u00e3o sobre as manifesta\u00e7\u00f5es. A liberdade de express\u00e3o \u00e9 um pilar da democracia e todos t\u00eam o direito de se expressar. Como em qualquer processo pol\u00edtico, diferentes atores produzem estruturas de entendimento que destacam determinados aspectos da realidade e deixam de lado outros. Em uma mobiliza\u00e7\u00e3o pr\u00f3-Palestina, encontraremos ativistas que se definem como palestinos ou \u00e1rabes e, portanto, t\u00eam um v\u00ednculo pr\u00f3ximo, talvez existencial, com a situa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m h\u00e1 mu\u00e7ulmanos, muitos dos quais s\u00e3o convertidos e n\u00e3o t\u00eam v\u00ednculo \u00e9tnico com os palestinos, mas cuja mu\u00e7ulmanidade \u00e9 constru\u00edda em torno da solidariedade com a Palestina. Ao mesmo tempo, \u00e9 poss\u00edvel encontrar ativistas de organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que tomam a causa palestina como refer\u00eancia de identidade e postulam solu\u00e7\u00f5es que existem, infelizmente, em sua imagina\u00e7\u00e3o. O slogan de uma Palestina secular, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista pode ser bonito, mas n\u00e3o h\u00e1 nenhum ator social relevante no local que esteja propondo isso.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta panotto\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">No Chile, onde moro, houve importantes mobiliza\u00e7\u00f5es pr\u00f3-palestinas. A pr\u00f3pria Comunidade Palestina do Chile, a maior da Am\u00e9rica Latina, tem desempenhado um papel fundamental. Entre as institui\u00e7\u00f5es educacionais, o Comit\u00ea de Solidariedade com a Palestina da Universidade do Chile tem sido um n\u00facleo fundamental de mobiliza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de organizar espa\u00e7os de di\u00e1logo e reflex\u00e3o. Por fim, vale a pena destacar uma prol\u00edfica produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica durante esse per\u00edodo, na qual uma das refer\u00eancias mais importantes \u00e9 o fil\u00f3sofo Rodrigo Karmy, juntamente com um importante grupo de acad\u00eamicos tanto no Chile quanto na regi\u00e3o (Karmy, 2024; Zer\u00e1n, Karmy e Slachevsky, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p>Ligado a isso, um elemento espec\u00edfico do contexto chileno tem sido a conhecida posi\u00e7\u00e3o do atual governo do Presidente Boric sobre a situa\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio. Desde o in\u00edcio, seu governo tem mantido uma posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao Estado de Israel, o que levou a momentos de tens\u00e3o pol\u00edtica e at\u00e9 mesmo diplom\u00e1tica. Essa posi\u00e7\u00e3o se aprofundou desde os acontecimentos em Gaza, seguindo a linha adotada pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas. A partir de 7 de outubro, houve uma condena\u00e7\u00e3o do ataque terrorista do Hamas e um pedido para que Israel respondesse de forma proporcional. No entanto, \u00e0 medida que o conflito se intensificou e os abusos do ataque israelense come\u00e7aram a ficar evidentes, o governo aprofundou suas cr\u00edticas, a ponto de participar ativamente da a\u00e7\u00e3o judicial contra Israel perante a Corte Internacional e do pedido de Boric para excluir Israel da Feira Internacional do Ar e do Espa\u00e7o (IAF).<span class=\"small-caps\">fidae<\/span>) este ano.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n    <\/div>\n    \n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Axios (2024). &#8220;40% of Latinos Support Ceasefire in Israel-Hamas War, Poll Finds&#8221;, 9 de abril. https:\/\/www.axios.com\/2024\/04\/09\/ceasefire-israel-hamas-support-latinos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Brodsky, Adriana (2015). &#8220;Argentine Sephardi Youth: Between Aliyah and Activism, 1960-1970&#8221;, <em>Journal of Jewish Identities<\/em>, 8(2): 113-135.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Campos Lima, Eduardo (24 de abril 2024). &#8220;Como judeus anti-sionistas da Am\u00e9rica Latina se posicionam na guerra&#8221;, <em>Opera Mundi<\/em>. https:\/\/operamundi.uol.com.br\/guerra-israel-x-palestina\/como-judeus-anti-sionistas-da-america-latina-se-posicionam-contra-a-guerra-de-israel-na-palestina\/<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Capobianco, Jo\u00e3o Pedro (23 de octubre 2023). &#8220;Como express\u00f5es sionistas crist\u00e3s no Brasil desinformam sobre o que ocorre no Oriente M\u00e9dio&#8221;, <em>Coletivo Bereia<\/em>. https:\/\/coletivobereia.com.br\/como-expressoes-sionistas-cristas-no-brasil-desinformam-sobre-o-que-ocorre-no-oriente-medio\/<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Carranza, Brenda, Mar\u00eda das Dores Campos Machado y Cecilia Mariz (2023). &#8220;Introducci\u00f3n. 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Buenos Aires: Organizaci\u00f3n Sionista Argentina, Departamento de Hagsham\u00e1 y Departamento de Actividades Sionistas de la Organizaci\u00f3n Sionista Mundial<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Hoppe, Hans-Hermann (2 de enero de 2024). <em>An Open Letter to Walter E. Block<\/em>. Mises Institute https:\/\/mises.org\/mises-wire\/open-letter-walter-e-block<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Hurd, Elizabeth Shakman (2025). <em>American Border Religion<\/em>. Chicago: University of Chicago Press. Utilizado con permiso de la autora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Karmy, R. (2024). <em>Todo es Gaza &#8211; La voz de los que sobran<\/em>. 8 de abril. https:\/\/lavozdelosquesobran.cl\/opinion\/todo-es-gaza\/08042024<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mori, L. (2023). &#8220;Conflito Israel-Ham\u00e1s: \u00bfpor que tantos evang\u00e9licos defendem Israel?&#8221;, <span class=\"small-caps\">bbc<\/span>. 10 de octubre. https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/clkjxpvjxjgo<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Paiva, A. (2024). &#8220;&#8216;\u00c9 imposs\u00edvel ser Crist\u00e3o e defender o genoc\u00eddio de Israel contra o povo Palestino&#8217;, diz ativista Francisco Panthio&#8221;. Acre in Foco &#8211; Not\u00edcias do Acre. 11 de marzo. https:\/\/acreinfoco.com\/2024\/03\/e-impossivel-ser-cristao-e-defender-o-genocidio-de-israel-contra-o-povo-palestino-diz-ativista-francisco-panthio\/<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Panotto, Nicol\u00e1s (2024). &#8220;Christian Zionism and the Captivity of Utopias. A Latin American Perspective&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rabinovich, Silvana (2024). &#8220;Palestina. Anatom\u00eda de un genocidio: la dura cerviz de Israel&#8221;, en Faride Eran, Rodrigo Karmy y Paulo Slachevsky (eds.). <em>Palestina: anatom\u00eda de un genocidio<\/em>. Santiago de Chile: <span class=\"small-caps\">lom<\/span>, pp. 30-37.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Romero, Gina (2024) &#8220;Universities Must Respect Peaceful Activism and Revise Repressive Policies Targeting Pro-Palestine Solidarity Movement: <span class=\"small-caps\">un<\/span> expert&#8221;. https:\/\/www.ohchr.org\/en\/statements\/2024\/10\/universities-must-respect-peaceful-activism-and-revise-repressive-policies<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Senkman, Leonardo (1986). <em>El antisemitismo en la Argentina<\/em> (tomo 1). Buenos Aires: <span class=\"small-caps\">ceal<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Slabodsky, Santiago (2014). <em>Decolonial Judaism: Triumphal Failures of Barbaric Thinking<\/em>. Nueva York: Palgrave MacMillan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Souza, V. C. E. S. (2024). <em>Sites religiosos desinformam sobre protestos pr\u00f3-Palestina em universidades<\/em>. Coletivo Bereia. 25 de junio. https:\/\/coletivobereia.com.br\/sites-religiosos-desinformam-sobre-protestos-pro-palestina-em-universidades\/<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Taraki, Lisa (2015). &#8220;The Complicity of the Israeli Academy in the Structures of Domination and State Violence&#8221;, en Bill V. Mullen y Ashley Dawson (eds). <em>Against Apartheid: The case for Boycottig Israeli Universities<\/em>. San Francisco: Haymarket Books.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Mois\u00e9s Gardu\u00f1o<\/em> \u00e9 formado em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Faculdade de Ci\u00eancias Pol\u00edticas e Sociais da Universidade de S\u00e3o Paulo. <span class=\"small-caps\">unam<\/span>D. em Estudos Asi\u00e1ticos e Africanos pelo El Colegio de M\u00e9xico e Ph.D. em Estudos Africanos e Asi\u00e1ticos pelo El Colegio de M\u00e9xico. <em>cum laude<\/em> pela Universidad Aut\u00f3noma de Madrid. Como pesquisador convidado, concluiu um p\u00f3s-doutorado no Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropolog\u00eda Social (<span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>), com sede no Ocidente, e \u00e9 membro da <span class=\"small-caps\">sni<\/span> no n\u00edvel <span class=\"small-caps\">ii<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Marlene Hern\u00e1ndez Mor\u00e1n<\/em> \u00e9 formado em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Faculdade de Ci\u00eancias Pol\u00edticas e Sociais da Universidade de S\u00e3o Paulo. <span class=\"small-caps\">unam<\/span>Mestre em Estudos Asi\u00e1ticos e Africanos com especializa\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio pelo El Colegio de M\u00e9xico. Suas publica\u00e7\u00f5es recentes incluem o artigo \"The strengthening of authoritarianism in Saudi Arabia: the logic of two-level games under the de facto neopatrimonial rule of Muhammad bin Salman\" na revista <em>Prateleira de estudos \u00e1rabes<\/em>. Seus interesses de pesquisa incluem a arte popular palestina, a diplomacia cultural e a economia criativa no Oriente M\u00e9dio e as lutas das mulheres na Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Brenda Carranza<\/em> Doutor em Ci\u00eancias Sociais, professor-pesquisador do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brasil.<span class=\"small-caps\">pgcs\/unicamp<\/span>Conselheiro do Coletivo Bereia, monitorando a m\u00eddia religiosa. Projetos de pesquisa atuais: Expans\u00e3o do sionismo crist\u00e3o no Sul Global; Obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, direitos reprodutivos e profissionais de sa\u00fade; publica\u00e7\u00f5es sobre sionismo crist\u00e3o: Sionismo crist\u00e3o na Am\u00e9rica Latina e suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es (Ci\u00eancias Sociais e Religi\u00e3o\/2023); Sionismo crist\u00e3o -verbete (<span class=\"small-caps\">iser<\/span>\/2023); Genealogia do sionismo evang\u00e9lico no Brasil (Religi\u00e3o&amp;Sociedade\/2022); Articulaciones pol\u00edtico-religiosas entre Brasil-.<span class=\"small-caps\">uso<\/span>Christian Right and Zionism (Ci\u00eancias Sociais e Religi\u00e3o\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Nicolas Panotto<\/em> possui um doutorado em Ci\u00eancias Sociais (<span class=\"small-caps\">flacso<\/span>Argentina). Pesquisador de p\u00f3s-doutorado na Universidade Arturo Prat, Chile. Diretor da Otros Cruces.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Damian Setton<\/em> \u00e9 soci\u00f3logo formado pela Universidade de Buenos Aires, com mestrado em Ci\u00eancias Sociais e doutorado em Ci\u00eancias Sociais pela mesma universidade. Ele trabalha como pesquisador no <span class=\"small-caps\">conicet<\/span>. Leciona na Universidad de Buenos Aires e na Universidad del Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Marlene Hern\u00e1ndez Mor\u00e1n<\/em> \u00e9 formado em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Faculdade de Ci\u00eancias Pol\u00edticas e Sociais da Universidade de S\u00e3o Paulo. <span class=\"small-caps\">unam<\/span>Mestre em Estudos Asi\u00e1ticos e Africanos com especializa\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio pelo El Colegio de M\u00e9xico. Suas publica\u00e7\u00f5es recentes incluem o artigo \"The strengthening of authoritarianism in Saudi Arabia: the logic of two-level games under the de facto neopatrimonial rule of Muhammad bin Salman\" na revista <em>Prateleira de estudos \u00e1rabes<\/em>. Seus interesses de pesquisa incluem a arte popular palestina, a diplomacia cultural e a economia criativa no Oriente M\u00e9dio e as lutas das mulheres na Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Arely Medina<\/em> \u00e9 formada em Filosofia pela Universidade de Guadalajara. Tem mestrado em Estudos Regionais e doutorado em Ci\u00eancias Sociais, ambos pelo El Colegio de Jalisco. Como pesquisadora convidada, fez um p\u00f3s-doutorado no Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropolog\u00eda Social (Centro de Investiga\u00e7\u00f5es e Estudos Superiores em Antropologia Social) (<span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>), com sede no Ocidente, e \u00e9 membro da <span class=\"small-caps\">sni<\/span> n\u00edvel <span class=\"small-caps\">i<\/span>. Atualmente, \u00e9 professora de pesquisa no Departamento de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e Administrativas da Universidade de Guadalajara.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o Historicamente, a Palestina tem sido atravessada por din\u00e2micas colonialistas: expansionismo, viol\u00eancia sistem\u00e1tica, ideologia sionista e epistemic\u00eddio. 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