{"id":39239,"date":"2025-03-21T13:00:00","date_gmt":"2025-03-21T19:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=39239"},"modified":"2025-03-21T13:23:22","modified_gmt":"2025-03-21T19:23:22","slug":"camargo-porraz-ruta-migrante-etnografia-chiapas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/camargo-porraz-ruta-migrante-etnografia-chiapas\/","title":{"rendered":"Etnografia da rota dos migrantes: os \"caminantes\" da estrada costeira em Chiapas, M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A experi\u00eancia de migra\u00e7\u00e3o das pessoas na regi\u00e3o de Soconusco, em Chiapas, \u00e9 heterog\u00eanea. Alguns decidem esperar na cidade de Tapachula enquanto solicitam prote\u00e7\u00e3o internacional e regulamenta\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria, outros avan\u00e7am pela rodovia costeira sob o clima inclemente da regi\u00e3o, o cerco da pol\u00edcia estadual, da Guarda Nacional, de agentes do Instituto Nacional de Migra\u00e7\u00e3o (INM) e o cerco da pol\u00edcia.<span class=\"small-caps\">im<\/span>), escrit\u00f3rios do Minist\u00e9rio P\u00fablico e agentes n\u00e3o estatais. O cen\u00e1rio est\u00e1 em constante mudan\u00e7a. Este artigo analisa esses \"viajantes\", suas formas de tr\u00e2nsito, o papel da informa\u00e7\u00e3o e a experi\u00eancia acumulada em suas jornadas, que servir\u00e3o como eixos de orienta\u00e7\u00e3o para os \"outros\". Ele tamb\u00e9m apresenta a economia migrat\u00f3ria que emerge da presen\u00e7a desses grupos de migrantes na regi\u00e3o. O texto \u00e9 baseado em registros etnogr\u00e1ficos e entrevistas com \"caminhantes\" e habitantes locais, ao longo de uma rota que vai do rio Suchiate at\u00e9 Arriaga, no estado de Chiapas, em observa\u00e7\u00f5es escalonadas de 2022 at\u00e9 o in\u00edcio de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/caminantes\/\" rel=\"tag\">caminhantes<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/etnografia\/\" rel=\"tag\">etnografia<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/frontera-sur\/\" rel=\"tag\">fronteira sul<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/migracion-en-transito\/\" rel=\"tag\">migra\u00e7\u00e3o em tr\u00e2nsito<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/movilidad-humana\/\" rel=\"tag\">mobilidade humana<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\"><span class=\"small-caps\">uma etnografia da rota dos migrantes: los<\/span><em><span class=\"small-caps\"> caminhantes<\/span><\/em><span class=\"small-caps\"> na rodovia costeira de chiapas, m\u00e9xico<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Cada imigrante que chega \u00e0 regi\u00e3o de Soconusco, em Chiapas, M\u00e9xico, tem uma experi\u00eancia diferente. Enquanto alguns decidem esperar na cidade de Tapachula enquanto d\u00e3o entrada em uma peti\u00e7\u00e3o de asilo ou status de refugiado, outros avan\u00e7am a p\u00e9 pela rodovia costeira, onde enfrentam o mau tempo e o ass\u00e9dio da pol\u00edcia estadual, da Guarda Nacional, de agentes do Instituto Nacional de Migra\u00e7\u00e3o, de promotores e de agentes n\u00e3o estatais. A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em constante evolu\u00e7\u00e3o. Este artigo analisa essas <em>caminhantes<\/em>A economia migrat\u00f3ria que surgiu em torno dessas rotas migrat\u00f3rias na regi\u00e3o \u00e9 o foco do artigo. A economia da migra\u00e7\u00e3o que surgiu em torno dessas rotas de migrantes pela regi\u00e3o \u00e9 outro foco do artigo. As descobertas resultam de observa\u00e7\u00e3o etnogr\u00e1fica e entrevistas com os caminantes e moradores locais realizadas entre 2022 e o in\u00edcio de 2024 em uma \u00e1rea que se estende do rio Suchiate at\u00e9 Arriaga, no estado de Chiapas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: etnografia, migra\u00e7\u00e3o em tr\u00e2nsito, caminantes, fronteira sul do M\u00e9xico, mobilidade humana.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">P\u00f3rtico<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">A mobilidade humana - muitas vezes negligenciada - requer, para seu funcionamento e dinamismo, os sistemas de comunica\u00e7\u00e3o e a infraestrutura de transporte nos territ\u00f3rios de deslocamento: seja a p\u00e9, por barco, trem, avi\u00e3o ou transporte p\u00fablico ou privado, a infraestrutura de comunica\u00e7\u00e3o est\u00e1, por sua vez, ligada aos processos de mobilidade da popula\u00e7\u00e3o. Embora essa rela\u00e7\u00e3o seja \u00f3bvia, n\u00e3o \u00e9 sup\u00e9rfluo analisar a infraestrutura de mobilidade que \u00e9 implantada e implementada pelos fluxos populacionais em territ\u00f3rios espec\u00edficos, uma vez que os sistemas e a infraestrutura de comunica\u00e7\u00e3o existentes determinam e condicionam os ritmos e os hor\u00e1rios em que as pessoas realizam seus movimentos migrat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0 cobertura da m\u00eddia, a imagem mais recorrente da mobilidade dos migrantes no mundo \u00e9 baseada nas canoas e balsas usadas pelas pessoas no Mediterr\u00e2neo para tentar chegar \u00e0s portas da Europa continental, ou nas viagens de trem feitas por grupos de centro-americanos na parte de tr\u00e1s do trem - a Besta - ou, mais recentemente, nas estrat\u00e9gias coletivas de mobilidade em caravanas nas quais as pessoas viajavam a p\u00e9 pelas estradas do sul e do centro do M\u00e9xico, bem como nas aglomera\u00e7\u00f5es de centenas de pessoas banhadas em umidade e lama que cruzavam a selva de Dari\u00e9n na fronteira entre a Col\u00f4mbia e o Panam\u00e1. Caminhar, ir e vir, esperar, avan\u00e7ar ou recuar fazem parte dos ritmos e padr\u00f5es migrat\u00f3rios, e s\u00e3o realizados a p\u00e9 ou em algum meio de transporte dispon\u00edvel nos locais onde indiv\u00edduos e grupos se encontram. Seu uso depender\u00e1 de v\u00e1rias circunst\u00e2ncias e contextos: solv\u00eancia econ\u00f4mica, origem nacional, densidade da rede de apoio, informa\u00e7\u00f5es, pol\u00edtica de migra\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Assim, os meios de transporte podem ser usados de forma mista, alternando entre caminhar e habilitar a infraestrutura de comunica\u00e7\u00e3o que o contexto indicar.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o e o fornecimento de infraestrutura de mobilidade nos territ\u00f3rios t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de comunicar e aproximar as regi\u00f5es e as pessoas que as habitam ou as cercam; eles tamb\u00e9m orientam a din\u00e2mica comercial e estabelecem os v\u00ednculos entre os mercados regionais e os circuitos comerciais transnacionais e globais. Assim, sua fun\u00e7\u00e3o vai do interc\u00e2mbio comercial \u00e0 din\u00e2mica social. As vias de comunica\u00e7\u00e3o facilitam os sistemas de rela\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sendo criados nos territ\u00f3rios e buscam promover a conex\u00e3o entre diferentes pontos geograficamente distantes. A implanta\u00e7\u00e3o de ferrovias, estradas ou rotas mar\u00edtimas e a\u00e9reas estabelece formas de conectar regi\u00f5es, dinamizar economias e aproximar popula\u00e7\u00f5es. As rotas migrat\u00f3rias contempor\u00e2neas s\u00e3o desenvolvidas nesses mesmos sistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso <em>Caminhando pelo mundo<\/em> foi feito principalmente a p\u00e9 ou alternando meios de transporte em rotas espec\u00edficas. Dessa forma, uma experi\u00eancia do territ\u00f3rio vivido e uma mem\u00f3ria do <em>saber<\/em> <em>ser<\/em> nos diversos locais<em>. <\/em>Como se estabelece essa necessidade de caminhar em territ\u00f3rios de tr\u00e2nsito? \u00c9 uma estrat\u00e9gia das pessoas ou um mecanismo for\u00e7ado pela governan\u00e7a migrat\u00f3ria dos pa\u00edses? Que experi\u00eancia e informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o acumuladas nessa jornada que alterna entre caminhar e usar os v\u00e1rios meios de mobilidade existentes no ambiente? Que efeito a caminhada das pessoas tem sobre os territ\u00f3rios pelos quais elas caminham? Na mobilidade humana contempor\u00e2nea - em escala continental - estamos interessados em destacar a transmiss\u00e3o da experi\u00eancia da jornada com os efeitos que a circula\u00e7\u00e3o de pessoas tem sobre os territ\u00f3rios em processos espaciais e temporais espec\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dado que a informa\u00e7\u00e3o e a experi\u00eancia s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento e a consolida\u00e7\u00e3o dos processos migrat\u00f3rios, retomamos a experi\u00eancia do grupo de pessoas de origem venezuelana que migraram para a Col\u00f4mbia e que implementaram o deslocamento a p\u00e9 para realizar seu tr\u00e2nsito migrat\u00f3rio nessa regi\u00e3o. Essa mesma modalidade de deslocamento foi replicada em outras etapas da viagem e em outras geografias, onde a informa\u00e7\u00e3o foi compartilhada com outros contingentes populacionais de nacionalidades e experi\u00eancias muito diversas; para isso, apresentamos uma s\u00e9rie de vinhetas etnogr\u00e1ficas sobre os processos de mobilidade populacional realizados por contingentes indocumentados no corredor migrat\u00f3rio da regi\u00e3o de Soconusco.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> Focamos nesse espa\u00e7o para analisar a liga\u00e7\u00e3o entre a experi\u00eancia das pessoas no reconhecimento do territ\u00f3rio percorrido, que, a p\u00e9, estabelecem a constru\u00e7\u00e3o de rotas, orientam outras pessoas e, nessa caminhada, dinamizam as economias locais. N\u00f3s nos concentramos nesse ambiente <em>delimitado<\/em> Estabelecer como a experi\u00eancia da viagem dos contingentes populacionais - em primeira inst\u00e2ncia, os de origem venezuelana - est\u00e1 levando a um ac\u00famulo de informa\u00e7\u00f5es que servir\u00e3o a outros grupos nacionais - e em outros territ\u00f3rios - para continuar sua jornada pelo sistema migrat\u00f3rio americano.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento examina primeiramente a experi\u00eancia dos \"andarilhos\" na fronteira entre a Col\u00f4mbia e a Venezuela; em seguida, analisamos como essa pr\u00e1tica foi implementada no espa\u00e7o fronteiri\u00e7o entre Chiapas e Guatemala pela popula\u00e7\u00e3o venezuelana e hondurenha ao longo da estrada costeira de Soconusco, onde outras nacionalidades se juntaram a eles; Continuamos com uma abordagem da din\u00e2mica local que foi ativada, incluindo os controles de fronteira, a transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es entre as comunidades migrantes e a economia local que foi ativada em torno dessa mobilidade tempor\u00e1ria. O artigo termina com algumas conclus\u00f5es gerais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os caminhantes na fronteira entre a Col\u00f4mbia e a Venezuela<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A migra\u00e7\u00e3o venezuelana \u00e9 uma das maiores da Am\u00e9rica Latina atualmente; de acordo com dados do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (<span class=\"small-caps\">acnur<\/span>) e a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para Migra\u00e7\u00e3o (<span class=\"small-caps\">iom<\/span>), em novembro de 2022, mais de 7,13 milh\u00f5es de pessoas deixaram a Venezuela e 80% delas est\u00e3o em diferentes pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina: \"em 2023, mais de 8 milh\u00f5es de pessoas ter\u00e3o partido. O caso da atual migra\u00e7\u00e3o venezuelana representa a maior mobilidade for\u00e7ada na hist\u00f3ria da regi\u00e3o\" (Albornoz-Arias e Santaf\u00e9-Rojas, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse panorama nos leva \u00e0s muitas hist\u00f3rias, sonhos e complexidades dessa popula\u00e7\u00e3o. Uma delas foi o deslocamento por terra de seus locais de origem para diferentes partes do territ\u00f3rio, especialmente para o pa\u00eds vizinho, a Col\u00f4mbia.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> (Albornoz-Arias, Santaf\u00e9-Rojas, 2022). De acordo com Lady Yunek Vargas Le\u00f3n, essa pr\u00e1tica era chamada de \"caminantes\", \"migrantes e refugiados que fazem sua jornada parcial ou totalmente a p\u00e9\". O termo come\u00e7ou a ser usado em 2018, quando o fen\u00f4meno dos venezuelanos que caminham dentro do pa\u00eds desde seu ponto de origem at\u00e9 as fronteiras com a Col\u00f4mbia se tornou mais vis\u00edvel\" (2023: 68).<\/p>\n\n\n\n<p>Os chamados caminantes no norte de Santander,<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> Col\u00f4mbia, bem como as chamadas caravanas no sul do M\u00e9xico, constitu\u00edram um movimento no qual foram colocadas em jogo narrativas, experi\u00eancias e imagin\u00e1rios tanto das pessoas que transitavam quanto daquelas que observavam com surpresa a passagem pelos territ\u00f3rios. Nesse sentido, Octavio, membro da equipe da Ayuda en Acci\u00f3n, uma organiza\u00e7\u00e3o que apoia migrantes venezuelanos em tr\u00e2nsito, nos disse<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Os chamados caminantes, que para alguns s\u00e3o depreciativos na regi\u00e3o, come\u00e7aram a ganhar for\u00e7a em 2018. Deve-se lembrar que, naquela \u00e9poca, a ponte Sim\u00f3n Bol\u00edvar entre esses dois pa\u00edses estava fechada; muitas pessoas estavam passando pelas chamadas trochas, que s\u00e3o esses caminhos de desvio, alguns s\u00e3o controlados pelas guerrilhas, outros por grupos paramilitares e outros. O que come\u00e7amos a ver foi que a crise na Venezuela estava se agravando, muitas fam\u00edlias inteiras, jovens e crian\u00e7as estavam entrando, ent\u00e3o criamos alguns pontos de aten\u00e7\u00e3o na rota para refugiados e migrantes, alguns abrigos foram montados para fornecer a eles alimentos, cuidados m\u00e9dicos e tamb\u00e9m informa\u00e7\u00f5es sobre o clima e o territ\u00f3rio. A rota \u00e9 de dif\u00edcil acesso por causa do clima, porque come\u00e7aram alguns sequestros de migrantes, ou para lev\u00e1-los para trabalhos for\u00e7ados, havia muitas necessidades e \u00e9 por isso que tamb\u00e9m come\u00e7amos a nos organizar para fornecer apoio ao longo dessa rota; embora n\u00e3o haja tantos viajantes como antes, eles ainda est\u00e3o presentes nesse espa\u00e7o (Comunica\u00e7\u00e3o pessoal, Los Patios, Col\u00f4mbia, janeiro de 2024).<\/p>\n\n\n\n<p>A solidariedade e a xenofobia estiveram igualmente presentes com essas popula\u00e7\u00f5es. Por um lado, a aten\u00e7\u00e3o de organismos internacionais, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, associa\u00e7\u00f5es civis e religiosas tem sido importante no atendimento a essas pessoas; no entanto, alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o se tornaram dispositivos estrat\u00e9gicos para a socializa\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio coletivo de medo em rela\u00e7\u00e3o aos migrantes venezuelanos em seu confronto com a sociedade local e fronteiri\u00e7a, um quadro que parece se repetir nesta e em outras fronteiras do mundo. Um morador local de C\u00facuta comentou sobre isso:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Agora est\u00e1 mais calmo aqui, h\u00e1 venezuelanos, mas n\u00e3o como entre 2018 e 2021, que j\u00e1 pareciam mais pessoas da Venezuela do que de C\u00facuta; eu vi que havia mais inseguran\u00e7a, prostitui\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo o com\u00e9rcio de rua deles, eles s\u00e3o bem organizados e depois s\u00e3o violentos. Dizemos que o colombiano amea\u00e7a, mas essas pessoas matam voc\u00ea, mas, como em tudo, h\u00e1 pessoas boas e ruins, era toche naqueles anos (comunica\u00e7\u00e3o pessoal, C\u00facuta, Col\u00f4mbia, janeiro de 2024).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro comentou:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">A crise na Venezuela trouxe muita gente; antes, os venezuelanos vinham aqui mais para comprar, gastavam seu dinheiro aqui, quando a situa\u00e7\u00e3o estava melhor l\u00e1, porque eles sempre vinham a C\u00facuta, mas desde a chegada de Maduro a crise est\u00e1 ruim. \u00c9 por isso que muitas pessoas v\u00eam para c\u00e1 e muitas outras v\u00e3o embora para Bogot\u00e1, Bucaramanga e outros lugares. \u00c0s vezes n\u00e3o gostam muito dos venezuelanos em certos lugares, porque s\u00e3o muito conflituosos, alguns dizem que Maduro tirou v\u00e1rios criminosos da cadeia; imagine a popula\u00e7\u00e3o que vem para c\u00e1, acho que \u00e9 essa que sobe para o M\u00e9xico e quer ir para os Estados Unidos, porque muitos j\u00e1 foram para l\u00e1 (Comunica\u00e7\u00e3o pessoal, C\u00facuta, Col\u00f4mbia, janeiro de 2024).<\/p>\n\n\n\n<p>O medo na sociedade leva \u00e0 busca de culpados e produtores do mal, que \u00e9 constru\u00edda como uma tarefa das autoridades e da m\u00eddia, que \u00e9 limitada pelo ataque aos perigos da seguran\u00e7a pessoal do dom\u00ednio da pol\u00edtica de vida operada e administrada no n\u00edvel individual (Bauman, 2013: 13).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_1-1-scaled-e1741465452699.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2981x3974\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 1: Muelle de embarque hacia el Dari\u00e9n en Necocl\u00ed, Colombia. Fuente: Alberto Hern\u00e1ndez, 2024.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_1-1-scaled-e1741465452699.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 1: Doca de carregamento para o Dari\u00e9n em Necocl\u00ed, Col\u00f4mbia. Fonte: Alberto Hern\u00e1ndez, 2024.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>As mulheres venezuelanas tamb\u00e9m foram sexualizadas e racializadas no espa\u00e7o local. Os corpos das mulheres migrantes na sociedade anfitri\u00e3 foram sexualizados e objetificados porque s\u00e3o considerados \"territ\u00f3rios sem direitos\" (T\u00e9llez, 2023: 127). As pr\u00e1ticas e sensibilidades da maioria da popula\u00e7\u00e3o migrante nas cidades fronteiri\u00e7as, que s\u00e3o t\u00edpicas de experi\u00eancias em movimento, nucleadas por fraturas, descontinuidades e rela\u00e7\u00f5es de disjun\u00e7\u00e3o que definem o mundo global como um mundo de fluxos (Appadurai, 1999), quebram as regularidades espaciais e temporais da cidade. Esse \u00e9 um corol\u00e1rio da acumula\u00e7\u00e3o global por desapropria\u00e7\u00e3o (Harvey, 2005) e do fortalecimento do Estado neoliberal que aumentou o desencanto democr\u00e1tico, gerou m\u00faltiplas formas de viol\u00eancia e desencadeou a migra\u00e7\u00e3o e o deslocamento for\u00e7ado em todo o mundo. Essa situa\u00e7\u00e3o aumentou desde a luta contra o terrorismo em 2001 pelos Estados Unidos e a externaliza\u00e7\u00e3o das fronteiras em v\u00e1rias partes do mundo, o que levou \u00e0 criminaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 racializa\u00e7\u00e3o de migrantes, refugiados e pessoas deslocadas. \u00c9 principalmente nos pa\u00edses de alta renda do norte global que a m\u00eddia e os discursos pol\u00edticos s\u00e3o atualizados, aumentando o conte\u00fado e a agressividade e estabelecendo uma governan\u00e7a para o controle global de fronteiras e popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ambiente, os migrantes e aqueles que necessitavam de prote\u00e7\u00e3o internacional come\u00e7aram a articular outros territ\u00f3rios e formas de deslocamento. Os chamados \"caminantes\" come\u00e7aram gradualmente a fazer outras travessias na Col\u00f4mbia e em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul (Peru, Chile, Argentina, Brasil, entre outros), mas tamb\u00e9m come\u00e7aram a cruzar o chamado Darien Gap, a caminhar pela Am\u00e9rica Central e a chegar ao sul do M\u00e9xico, especialmente durante o per\u00edodo pand\u00eamico e p\u00f3s-pand\u00eamico.<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, com a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas migrat\u00f3rias mais restritivas nos pa\u00edses, o fechamento das fronteiras e a crise induzida pelo sistema de refugiados na regi\u00e3o, grupos de migrantes e solicitantes de asilo come\u00e7aram a implementar estrat\u00e9gias de deslocamento mais condizentes com sua realidade. Diante da falta de recursos econ\u00f4micos e da implementa\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de controle do Estado que desgastavam as popula\u00e7\u00f5es ao prolongar os tempos de documenta\u00e7\u00e3o, as pessoas come\u00e7aram a percorrer os territ\u00f3rios, a andar em grupos, a cercar os espa\u00e7os de controle implementados e a gerar uma grande quantidade de informa\u00e7\u00f5es, que eram compartilhadas entre os diversos grupos. A experi\u00eancia \u00e9 cumulativa, embora deva ser adapt\u00e1vel ao contexto espec\u00edfico. Caminhar pela rota migrat\u00f3ria de Dari\u00e9n pode ser diferenciado do movimento realizado nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e no sul do M\u00e9xico em termos de risco e op\u00e7\u00f5es de mobilidade. Caminhar pela selva envolve riscos maiores do que caminhar no asfalto ou ter a op\u00e7\u00e3o de usar transporte motorizado.<\/p>\n\n\n\n<p>As experi\u00eancias dos caminhantes venezuelanos e de outras regi\u00f5es foram registradas em v\u00e1rias partes da Am\u00e9rica Central, mas na \u00e1rea de fronteira de Tapachula, na zona costeira do estado de Chiapas, elas se tornaram vis\u00edveis ao caminharem pela estrada costeira na regi\u00e3o de Soconusco. Pequenos grupos de venezuelanos e hondurenhos se organizaram para marchar ao longo da estrada, aos quais se juntaram outras popula\u00e7\u00f5es de diversas origens nacionais - asi\u00e1ticos, africanos, caribenhos - que come\u00e7aram a caminhar em fila no asfalto, \"contornando\" os controles migrat\u00f3rios e articulando um movimento de pessoas que se deslocam a p\u00e9 por diferentes regi\u00f5es e pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os caminhantes na fronteira M\u00e9xico-Guatemala<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A pandemia do v\u00edrus <span class=\"small-caps\">sars<\/span>-O CoV-2 definiu um ritmo de deslocamento e reestruturou as rotas e os fluxos migrat\u00f3rios em todo o continente por meio do estabelecimento do que chamamos de Governo Pand\u00eamico da Migra\u00e7\u00e3o (Garrapa e Camargo, 2021). Como resultado, o controle das fronteiras foi refor\u00e7ado, com fechamentos imediatos e a implementa\u00e7\u00e3o de medidas de conten\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o: os processos de regulamenta\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o, o sistema de asilo e o sistema de prote\u00e7\u00e3o internacional foram cancelados ou interrompidos; os processos de deten\u00e7\u00e3o e deporta\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es foram aumentados; os sistemas de prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e de atendimento \u00e0s pessoas em tr\u00e2nsito, como abrigos ou organiza\u00e7\u00f5es de solidariedade, foram enfraquecidos. Al\u00e9m disso, as redes de intermedia\u00e7\u00e3o por meio de \"coiotes\" aumentaram sua presen\u00e7a.<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a> A rota de migra\u00e7\u00e3o para os Estados Unidos ou Canad\u00e1, cruzando a selva de Darien entre a Col\u00f4mbia e o Panam\u00e1, passando pela Am\u00e9rica Central e chegando \u00e0 fronteira norte do M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Chiapas, a \u00e1rea de Soconusco, bem como a \u00e1rea de Tenosique, no estado de Tabasco, s\u00e3o paradas obrigat\u00f3rias para os migrantes que entram pela parte sul do pa\u00eds. Essa \u00e1rea abriga sistemas de transporte e meios de comunica\u00e7\u00e3o que facilitam a conex\u00e3o do M\u00e9xico com a Am\u00e9rica Central e \u00e9 uma das rotas migrat\u00f3rias mais din\u00e2micas do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2021 e 2022, a migra\u00e7\u00e3o venezuelana se tornou mais presente em Tapachula, segundo dados da Comiss\u00e3o Mexicana de Ajuda aos Refugiados (<span class=\"small-caps\">comar<\/span>) relataram que estavam entre as cinco primeiras nacionalidades a iniciar o processo de solicita\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio na cidade. Essa popula\u00e7\u00e3o se tornou mais presente nos espa\u00e7os p\u00fablicos: alguns vendiam doces, outros limpavam os para-brisas dos carros em diferentes partes da cidade, enquanto outros pediam dinheiro no Parque Miguel Hidalgo e no Parque Bicenten\u00e1rio, no centro da cidade. Muitos deles carregavam a bandeira de seu pa\u00eds e escreveram mensagens em cart\u00f5es pedindo ajuda \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local. A grande maioria das pessoas de origem venezuelana n\u00e3o tinha recursos para permanecer na cidade ou comprar alimentos, portanto, algumas buscaram ref\u00fagio em abrigos, enquanto outras passaram a noite em alguns espa\u00e7os p\u00fablicos no centro da cidade. \u00c0 noite, eles armaram suas barracas em parques e ruas do centro da cidade ou foram vistos descansando sobre papel\u00e3o sob um telhado ou do lado de fora de estabelecimentos comerciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o era muito semelhante anos antes na fronteira entre a Col\u00f4mbia e a Venezuela, \"os caminhantes precisam de assist\u00eancia principalmente para alimenta\u00e7\u00e3o, transporte e hospedagem simultaneamente, 100% dos caminhantes precisam de ajuda para comer\" (Mazuera-Arias, Albornoz-Arias e Morffe Peraza, 2022). Outra situa\u00e7\u00e3o que dificulta que muitos iniciem o processo antes de <span class=\"small-caps\">comar<\/span> foi a falta de documentos pessoais, pois alguns indicaram que tinham apenas uma carteira de identidade ou uma c\u00f3pia. O status migrat\u00f3rio da maioria dos trekkers ao cruzar a fronteira ser\u00e1 irregular, pois 98% n\u00e3o t\u00eam passaporte (Mazuera-Arias, Albornoz-Arias e Morffe Peraza, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro semestre de 2022, houve um aumento consider\u00e1vel na presen\u00e7a de venezuelanos cruzando o rio Suchiate na fronteira entre o M\u00e9xico e a Guatemala, na \u00e1rea costeira. Enquanto alguns avan\u00e7aram pouco a pouco em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade de Tapachula, outros decidiram acampar e esperar que as autoridades migrat\u00f3rias - sediadas nesse munic\u00edpio fronteiri\u00e7o - os apoiassem com documenta\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida ou fossem transferidos para outros locais para continuar sua jornada ou com seu processo de regulamenta\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria. A cidade de Tuxtla Guti\u00e9rrez - a capital do estado - foi um espa\u00e7o criado para mover a popula\u00e7\u00e3o a fim de \"limpar\" a cidade fronteiri\u00e7a para que pudessem iniciar seus procedimentos migrat\u00f3rios em outro lugar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_2_migrantes_venezolanos_acampando_en_las_orillas_del_suchiate_fuente_ivan_francisco_porraz_2022.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2048x1536\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 2: Migrantes venezolanos acampando en las orillas del Suchiate. Fuente: Iv\u00e1n Francisco Porraz, 2022.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_2_migrantes_venezolanos_acampando_en_las_orillas_del_suchiate_fuente_ivan_francisco_porraz_2022.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 2: Migrantes venezuelanos acampando nas margens do rio Suchiate. Fonte: Iv\u00e1n Francisco Porraz, 2022.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de espera nas margens do rio Suchiate e na cidade de Tapachula estava sobrecarregando a paci\u00eancia e a capacidade de espera das popula\u00e7\u00f5es. A implementa\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de desgaste por parte das autoridades, devido \u00e0s longas esperas que podiam levar meses para processar os procedimentos de migra\u00e7\u00e3o ou os pedidos de ref\u00fagio, levou as popula\u00e7\u00f5es, n\u00e3o apenas venezuelanas, mas tamb\u00e9m de outras partes do mundo, a implementar outras formas de mobilidade. Caminhar pelos territ\u00f3rios era a op\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para a grande maioria dos migrantes venezuelanos e centro-americanos que n\u00e3o tinham recursos econ\u00f4micos para continuar a viagem ou contratar um intermedi\u00e1rio, de modo que a estrat\u00e9gia de caminhar em pequenos grupos pelas estradas de Soconusco surgiu gradualmente. Juan, um migrante de Aragua, Venezuela, comenta sobre isso:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Vim com minha fam\u00edlia, minha esposa e eu temos quatro filhos; estamos esperando que eles nos levem em alguns \u00f4nibus, foi o que o guarda de migra\u00e7\u00e3o disse, mas estamos aqui h\u00e1 quatro dias e nada. Parece que eles querem dinheiro, porque \u00e0s vezes os haitianos e outras nacionalidades v\u00eam e eles os levam primeiro e nos deixam aqui novamente. Voc\u00ea pode ver que somos v\u00e1rios, h\u00e1 uma lista de espera na qual nos inscrevemos, mas ningu\u00e9m a respeita, n\u00e3o sabemos quando eles nos tirar\u00e3o deste lugar, n\u00e3o temos dinheiro, sa\u00edmos pedindo esmolas nas ruas para sobreviver. O problema s\u00e3o as crian\u00e7as, porque elas nem sempre comem, o calor aqui \u00e9 forte e as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o boas, por isso vejo que as crian\u00e7as nem sempre conseguem comer.<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a> que v\u00eam sozinhos est\u00e3o caminhando para seguir em frente (Suchiate, Chiapas, abril de 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>O desgaste e a burocracia na documenta\u00e7\u00e3o dos solicitantes de status de refugiado da popula\u00e7\u00e3o que chegava a Suchiate eram evidentes. Os grupos mais jovens de migrantes decidiram partir para Tapachula, onde as fam\u00edlias come\u00e7aram a se integrar, e foram vistos se deslocando pela estrada para Ciudad Hidalgo, passando a noite em Tapachula e continuando at\u00e9 o munic\u00edpio de Huixtla. Um morador comentou:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">No in\u00edcio, eles os pararam no posto de controle perto da ponte, saindo de Ciudad Hidalgo, mas depois n\u00e3o lhes disseram nada, eles passaram e passaram em v\u00e1rios grupos. Alguns deles pegaram o transporte que vai para Tapachula, mas l\u00e1 eles foram deixados pela Migra\u00e7\u00e3o nos postos de controle; dava para ver que o que eles queriam era que eles andassem, eu percebia isso. A verdade \u00e9 que \u00e0s vezes me do\u00eda a alma ver as mulheres avan\u00e7ando sob aquele sol, com suas malas e crian\u00e7as, porque o calor \u00e9 muito forte. Acho que levamos cerca de tr\u00eas ou quatro horas para chegar a Tapachula, mas a verdade \u00e9 que sempre se via muita gente na estrada. No in\u00edcio, alguns de n\u00f3s lhes d\u00e1vamos \"raite\", mas quando as caravanas chegavam, eles nos diziam que era melhor n\u00e3o faz\u00ea-lo, pois poderiam nos acusar de fazer parte de alguma rede de \"pollero\". \u00c9 por isso que muitas pessoas n\u00e3o lhes davam carona (Comunica\u00e7\u00e3o pessoal, Jes\u00fas, morador de Ciudad Hidalgo, maio de 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Na rota costeira da regi\u00e3o de Soconusco, h\u00e1 duas estradas principais que se conectam com as estradas para a Guatemala, a zona sudoeste, a foz do rio Suchiate e sua continua\u00e7\u00e3o em solo mexicano. As estradas que continuam at\u00e9 as duas passagens de fronteira (oficiais) que conectam a fronteira Talism\u00e1n-El Carmen e a fronteira Tec\u00fan Um\u00e1n-Ciudad Hidalgo s\u00e3o ligadas pelas pontes de fronteira Rodolfo Robles em Ciudad Hidalgo e El Carmen, respectivamente. Em ambos os casos, o sistema alfandeg\u00e1rio faz fronteira com o leito do rio Suchiate. Aqui, a continuidade da estrada esbarra na infraestrutura alfandeg\u00e1ria que limita o fluxo de pessoas, carros e mercadorias, de modo que a travessia formal \u00e9 complementada por travessias informais onde \u00e9 necess\u00e1rio alternar os meios de transporte. O ponto de passagem formal pode ser atravessado a p\u00e9, de bicicleta, motocicleta ou ve\u00edculo motorizado. A travessia depender\u00e1 dos regulamentos e da documenta\u00e7\u00e3o em vigor, raz\u00e3o pela qual os fluxos de popula\u00e7\u00e3o sem documentos n\u00e3o atravessam a fronteira por meio desses pontos de travessia formais, mas seguem a din\u00e2mica dos pontos de travessia informais que \"fazem fronteira\", coexistem e se relacionam com os pontos de travessia formais. Nesse caso, para cruzar as margens do rio fronteiri\u00e7o, eles alternam entre caminhar e atravessar o afluente por meio de balsas ou de uma tirolesa que lhes permite cruzar a fronteira. O importante, dizem os migrantes, \u00e9 n\u00e3o perder a rota e continuar seguindo em frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Os migrantes podem ter poucas certezas quando se trata de percorrer territ\u00f3rios migrat\u00f3rios e, embora n\u00e3o tenham muitas informa\u00e7\u00f5es sobre os lugares, nem certeza sobre as trajet\u00f3rias, os meios de transporte ou seus custos, um senso de orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 estabelecido com base na experi\u00eancia de outros migrantes que delineiam rotas, custos e formas de deslocamento. O \"mapa s\u00e3o os outros\", dizem Rodrigo Parrini e Edith Flores (2018), para estabelecer como os migrantes elaboram uma s\u00e9rie de mapeamentos - escritos e orais - que se expressam na experi\u00eancia de transitar pelos territ\u00f3rios e que servem como sistemas de orienta\u00e7\u00e3o para outros contingentes que v\u00eam \"atr\u00e1s\". O mapeamento de migrantes estabelece um n\u00facleo de informa\u00e7\u00f5es \u00fateis para a realiza\u00e7\u00e3o do deslocamento de migrantes, reduzindo custos e aumentando as chances de sucesso. \u00c9 uma estrat\u00e9gia de redu\u00e7\u00e3o de riscos. Como exemplo, em 2023, encontramos o seguinte mapeamento escrito em um grupo do Facebook que articulava a di\u00e1spora cubana que viajava pela estrada Soconusco.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Picture1.png\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"514x357\" data-index=\"0\" data-caption=\"Gr\u00e1fico 1: Mapeo migrante en la ruta del Soconusco-Oaxaca, 2023. Fuente: Elaboraci\u00f3n propia con base en informaci\u00f3n obtenida de un grupo de personas migrantes en Facebook.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Picture1.png\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Figura 1: Mapeamento de migrantes na rota Soconusco-Oaxaca, 2023. Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base em informa\u00e7\u00f5es obtidas de um grupo de migrantes no Facebook.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Os fluxos migrat\u00f3rios s\u00e3o sempre imprevis\u00edveis, cheios de conting\u00eancias, o que faz com que sejam suspensos, ativados, acelerados ou retra\u00eddos. \u00c0s vezes, eles s\u00e3o cheios de fervor e altamente vis\u00edveis devido ao seu impacto na m\u00eddia, mas, na maioria das vezes, s\u00e3o discretos, s\u00f3brios e, devido \u00e0 sua qualidade de n\u00e3o documenta\u00e7\u00e3o, tentam permanecer an\u00f4nimos para evitar a presen\u00e7a do Estado. Aqui, as informa\u00e7\u00f5es que servem de b\u00fassola para orienta\u00e7\u00e3o sobre o estado da estrada s\u00e3o vitais, de modo que o local, os riscos, os custos e os meios de transporte s\u00e3o vitais para a viagem. O mesmo acontece com os atores que facilitam ou limitam o movimento. Os circuitos migrat\u00f3rios conectam pelo menos quatro atores que interagem e se inter-relacionam de uma forma ou de outra: migrantes, agentes estatais, agentes intermedi\u00e1rios e popula\u00e7\u00f5es locais. Essa rede \u00e9 energizada pela infraestrutura estabelecida nos territ\u00f3rios de tr\u00e2nsito, mas tamb\u00e9m acontece que, em momentos contingentes, outras rotas s\u00e3o exploradas e outros caminhos s\u00e3o abertos, gerando novos padr\u00f5es em rotas alternativas. \u00c9 por isso que as vari\u00e1veis de tempo e lugar s\u00e3o vitais na constitui\u00e7\u00e3o dos fluxos e padr\u00f5es migrat\u00f3rios contempor\u00e2neos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rotas, caminhos e controles do tr\u00e2nsito migrat\u00f3rio atrav\u00e9s de Soconusco<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Os chamados \"caminhantes\" fazem um reconhecimento do territ\u00f3rio e estabelecem uma rela\u00e7\u00e3o com ele baseada na experi\u00eancia. Por sua vez, essa experi\u00eancia se tornar\u00e1 uma informa\u00e7\u00e3o \u00fatil para outras pessoas e grupos que percorrer\u00e3o os caminhos. Essa experi\u00eancia servir\u00e1 para contornar os v\u00e1rios obst\u00e1culos encontrados, inclusive a rede de controle estatal e a administra\u00e7\u00e3o dos fluxos populacionais. A densidade das formas de controle do fen\u00f4meno migrat\u00f3rio no continente vem aumentando nos \u00faltimos anos. No estado de Chiapas, os pontos de controle fixos foram unidos a uma rede de pontos de controle semi-fixos e m\u00f3veis nos quais atuam v\u00e1rios atores estatais, como o Instituto Nacional de Migra\u00e7\u00e3o (<span class=\"small-caps\">im<\/span>), a Guarda Nacional (<span class=\"small-caps\">gn<\/span>), pol\u00edcia de fronteira e pessoal dos minist\u00e9rios p\u00fablicos estadual e federal. Nesse deslocamento pelos territ\u00f3rios, a altern\u00e2ncia entre os meios de transporte e a caminhada faz parte das estrat\u00e9gias implementadas pelos grupos em movimento para continuar sua jornada e \u00e9 uma resposta \u00e0 din\u00e2mica de controle e dissuas\u00e3o enfrentada pelos grupos de migrantes nos territ\u00f3rios (veja o Mapa 1).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Travessia da fronteira: caminhando pelo rio<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Janeiro ainda \u00e9 a esta\u00e7\u00e3o de \u00e1guas baixas na regi\u00e3o, portanto, os rios e as curvas que des\u00e1guam no Oceano Pac\u00edfico est\u00e3o em seus n\u00edveis mais baixos. Isso tem implica\u00e7\u00f5es para as passagens de fronteira. Todas as fronteiras podem ser transgredidas e est\u00e3o em constante transforma\u00e7\u00e3o, portanto, sua qualidade din\u00e2mica e flex\u00edvel \u00e9 exaltada como parte de sua \"natureza\". Nesse momento, \u00e9 poss\u00edvel, por exemplo, atravessar o rio Suchiate a p\u00e9. As balsas continuam operando, mas de forma diferente, pois a paisagem aqu\u00e1tica \u00e9 alterada pela cria\u00e7\u00e3o de curvas no leito do rio, onde a \u00e1gua \u00e9 canalizada para locais espec\u00edficos onde as balsas podem continuar passando, e pela secagem de outras partes cujo n\u00edvel \u00e9 t\u00e3o baixo que \u00e9 poss\u00edvel faz\u00ea-lo a p\u00e9. Isso n\u00e3o significa que o custo da travessia n\u00e3o tenha que ser necessariamente arcado, mas \u00e9 poss\u00edvel fazer a travessia de balsa ou a p\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mapa_1-scaled.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"3507x2480\" data-index=\"0\" data-caption=\"Gr\u00e1fico 1: Mapeo migrante en la ruta del Soconusco-Oaxaca, 2023. Fuente: Elaboraci\u00f3n propia con base en informaci\u00f3n obtenida de un grupo de personas migrantes en Facebook.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mapa_1-scaled.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Figura 1: Mapeamento de migrantes na rota Soconusco-Oaxaca, 2023. Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base em informa\u00e7\u00f5es obtidas de um grupo de migrantes no Facebook.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Uma vez em Ciudad Hidalgo, h\u00e1 tr\u00eas maneiras de continuar na estrada para o centro urbano de Tapachula: a primeira envolve pegar os t\u00e1xis coletivos que viajam para a cidade, o que exige fazer pausas, pois nos trechos onde est\u00e3o localizados os postos de controle de migra\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso primeiro descer do ve\u00edculo e \"contorn\u00e1-los\" a p\u00e9 por estradas de terra at\u00e9 chegar \u00e0 estrada novamente. Os pontos de controle localizados em Metapa e no ponto conhecido como El Manguito s\u00e3o fixos e devem ser contornados. Ocasionalmente, mais postos de controle m\u00f3veis aparecem ao longo da estrada como forma de desestimular a movimenta\u00e7\u00e3o das pessoas, o que esgota os recursos econ\u00f4micos e a energia do corpo. Logisticamente, uma ou duas unidades coletivas podem ser articuladas de modo que a primeira des\u00e7a os passageiros, enquanto a outra espera por um tempo razo\u00e1vel enquanto as pessoas contornam o ponto de controle e, assim que o espa\u00e7o do ponto de controle for liberado, pode subi-los novamente e continuar at\u00e9 Tapachula. Nesse caso, o pagamento e o progresso s\u00e3o feitos em se\u00e7\u00f5es. Essa opera\u00e7\u00e3o pode ser repetida de acordo com o n\u00famero de postos de controle \"ativos\" instalados na estrada. Uma segunda maneira consiste em seguir as instru\u00e7\u00f5es do \"guia\", que pode articular e gerenciar uma s\u00e9rie de pessoas que usam seus carros particulares para transportar os migrantes por v\u00e1rias estradas. Nesse caso, o pre\u00e7o \u00e9 mais alto do que o dos t\u00e1xis coletivos, mas evita que eles \"contornem\" os postos de controle a p\u00e9, pois s\u00e3o os pr\u00f3prios carros que fazem os desvios pelas estradas rurais ou pelos diversos vilarejos at\u00e9 chegarem \u00e0 cidade. Uma terceira maneira envolve sair da estrada e caminhar a p\u00e9. Essa rota economiza dinheiro; no entanto, o desgaste do corpo devido \u00e0s altas temperaturas experimentadas no asfalto pode ter consequ\u00eancias para a sa\u00fade do corpo e para a economia de energia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_3_varadas_en_ciudad_hidalgo_chiapas_america_navarro_2023-scaled.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"3024x4032\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 3: Varadas en Ciudad Hidalgo, Chiapas. Fuente: Am\u00e9rica Navarro, 2023.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_3_varadas_en_ciudad_hidalgo_chiapas_america_navarro_2023-scaled.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 3: Preso em Ciudad Hidalgo, Chiapas. Fonte: Am\u00e9rica Navarro, 2023.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Deve-se observar que essas tr\u00eas formas de transporte n\u00e3o s\u00e3o mutuamente exclusivas e podem at\u00e9 mesmo se complementar. Seu uso depender\u00e1 dos recursos dispon\u00edveis, da densidade e da presen\u00e7a de \u00f3rg\u00e3os governamentais ao longo das rotas e dos acordos feitos com os atores intermedi\u00e1rios ao longo do caminho. Uma vez em Tapachula, haver\u00e1 um per\u00edodo de descanso para recuperar as for\u00e7as, obter mais informa\u00e7\u00f5es e articular a rede de apoio e intermedia\u00e7\u00e3o que possibilitar\u00e1 a continua\u00e7\u00e3o da viagem.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_4_un_grupo_de_migrantes_desciende_de_un_transporte_colectivo_para_rodear_un_puesto_de_control_en_el_tramo_de_huixtla_abbdel_camargo_2023-scaled.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"4282x3456\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 4: Un grupo de migrantes desciende de un transporte colectivo para rodear un puesto de control en el tramo de Huixtla. Fuente: Abbdel Camargo, 2023.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_4_un_grupo_de_migrantes_desciende_de_un_transporte_colectivo_para_rodear_un_puesto_de_control_en_el_tramo_de_huixtla_abbdel_camargo_2023-scaled.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_5_un_grupo_de_personas_se_sube_a_un_auto_particular_para_avanzar_un_tramo_sobre_la_carretera_costera_de_chiapas_abbdel_camargo_2024-scaled.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"4921x3280\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 5: Un grupo de personas se sube a un auto particular que las trasladar\u00e1 un tramo sobre la carretera costera de Chiapas. Fuente: Abbdel Camargo, 2024.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_5_un_grupo_de_personas_se_sube_a_un_auto_particular_para_avanzar_un_tramo_sobre_la_carretera_costera_de_chiapas_abbdel_camargo_2024-scaled.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 4: Um grupo de migrantes desembarca de um transporte coletivo para contornar um posto de controle no trecho de Huixtla. Fonte: Abbdel Camargo, 2023.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Imagem 5: Um grupo de pessoas entra em um carro particular que as levar\u00e1 pela estrada costeira em Chiapas. Fonte: Abbdel Camargo, 2024.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Caminhar e \"contornar\" os pontos de controle<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A Soconusco \u00e9 caracterizada por um ambiente tropical com altas temperaturas. Aqui, \u00e9 importante ter uma estrat\u00e9gia para garantir que a economia do corpo n\u00e3o sofra desgaste excessivo. Por esse motivo, \u00e9 importante come\u00e7ar a caminhar quando o sol ainda n\u00e3o tiver nascido. Saindo de Tapachula, o posto de controle de imigra\u00e7\u00e3o est\u00e1 localizado na ponte conhecida como Viva M\u00e9xico. Durante muito tempo, esse posto foi um espa\u00e7o de controle e conten\u00e7\u00e3o de fluxos migrat\u00f3rios, o que, por estar dentro da cidade, possibilitou a exist\u00eancia de diferentes \u00f4nibus cheios de pessoas que eram canalizadas para a Esta\u00e7\u00e3o Migrat\u00f3ria Siglo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span> dentro da mesma cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2023, detectamos que uma s\u00e9rie de postos m\u00f3veis ou semi-fixos foram gradualmente instalados ao longo da estrada costeira para dissuadir - mas n\u00e3o impedir - a forma\u00e7\u00e3o de grandes grupos que avan\u00e7am pelas estradas. Dessa forma, est\u00e1 sendo estabelecida uma pol\u00edtica para minar a energia f\u00edsica e econ\u00f4mica das pessoas, que, com o cansa\u00e7o e as doen\u00e7as acumuladas, minam sua vontade, e espera-se que elas desistam de suas tentativas de continuar na estrada.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, s\u00e3o observados pequenos grupos familiares ou nacionais, bem como contingentes que, com base na confian\u00e7a e no acompanhamento ao longo do caminho, se articulam nos territ\u00f3rios. Eles s\u00e3o vistos caminhando em fila, com apenas alguns pertences para carregar ou arrastar, fazendo pausas e descansando \u00e0 sombra das \u00e1rvores ou nos telhados dos vilarejos por onde passam.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_6_un_grupo_de_personas_provenientes_de_africa_camina_sobre_la_carretera_costera_del_soconusco_abbdel_camargo_2024-scaled.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"5092x3395\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 6: Un grupo de personas provenientes de \u00c1frica camina sobre la carretera costera del Soconusco. Fuente: Abbdel Camargo, 2024.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_6_un_grupo_de_personas_provenientes_de_africa_camina_sobre_la_carretera_costera_del_soconusco_abbdel_camargo_2024-scaled.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_7_un_grupo_de_venezolanos_caminan_sobre_la_carretera_del_soconusco_abbdel_camargo_2024-scaled.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"5184x3456\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 7: Un grupo de hombres de Venezuela caminan sobre la carretera del Soconusco. Fuente: Abbdel Camargo, 2024.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_7_un_grupo_de_venezolanos_caminan_sobre_la_carretera_del_soconusco_abbdel_camargo_2024-scaled.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 6: Um grupo de pessoas da \u00c1frica caminha ao longo da estrada costeira em Soconusco. Fonte: Abbdel Camargo, 2024.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Imagem 7: Um grupo de homens venezuelanos caminha pela estrada de Soconusco. Fonte: Abbdel Camargo, 2024.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 2024, a altern\u00e2ncia entre caminhar e usar algum tipo de transporte motorizado foi mantida. Assim, o traslado a p\u00e9 e de motocicleta ainda estava ativo. O custo desse traslado variava, mas em m\u00e9dia eram cobrados 200 pesos por pessoa para uma viagem de apenas alguns quil\u00f4metros. Deve-se observar que, naquela \u00e9poca, o contingente africano era o fluxo mais vis\u00edvel e era ele quem mais utilizava essa forma de mobilidade, embora os grupos de \"caminhantes\" fossem compostos por nacionalidades mistas. Articuladas com o mesmo objetivo - continuar a rota migrat\u00f3ria rumo ao norte -, as informa\u00e7\u00f5es sobre os obst\u00e1culos do caminho, onde descansar, comer ou usar os banheiros eram distribu\u00eddas em v\u00e1rias redes sociais ou trocadas oralmente. Como um recurso inestim\u00e1vel, essas informa\u00e7\u00f5es foram traduzidas para os v\u00e1rios idiomas que os grupos e as nacionalidades dominavam.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse processo, alguns moradores locais viram a possibilidade de fazer viagens curtas com suas pr\u00f3prias motocicletas e cobraram para \"avan\u00e7ar\" em trechos escalonados, sempre limitados pelos espa\u00e7os de controle estatal. Para isso, alguns moradores chegaram a comprar mais motocicletas, pois foi desencadeada uma economia migrat\u00f3ria que estimulou a renda local.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_8_un_grupo_de_caminantes_de_origen_africano_negocia_el_monto_de_traslado_a_un_grupo_de_motociclistas_en_la_carretera_costera_de_chiapas_abbdel_camargo_2024-scaled.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"4373x2915\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 8: Un grupo de caminantes de origen africano negocia el monto de traslado con un grupo de motociclistas en la carretera costera de Chiapas. Fuente: Abbdel Camargo, 2024.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_8_un_grupo_de_caminantes_de_origen_africano_negocia_el_monto_de_traslado_a_un_grupo_de_motociclistas_en_la_carretera_costera_de_chiapas_abbdel_camargo_2024-scaled.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 8: Um grupo de caminhantes de origem africana negocia a taxa de transfer\u00eancia com um grupo de motociclistas na estrada costeira em Chiapas. Fonte: Abbdel Camargo, 2024.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Gostar\u00edamos de enfatizar que o que caracteriza esse momento da jornada migrat\u00f3ria foi o uso de estradas secund\u00e1rias e estradas rurais para continuar a viagem. Andar pelo \"mato\" - como as pessoas mencionaram - foi a estrat\u00e9gia implementada pelas pessoas, que, devido \u00e0 intimida\u00e7\u00e3o que sofriam dos agentes do Estado, acharam necess\u00e1rio usar rotas alternativas, que, devido \u00e0 sua clandestinidade, aumentavam o risco e a vulnerabilidade dos caminhantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa pr\u00e1tica ficou evidente durante toda a visita de observa\u00e7\u00e3o, pois os grupos que descansavam sob a sombra das \u00e1rvores eram pressionados pelos agentes da Guarda Nacional a continuar andando: \"Andem para frente, andem para frente, voc\u00eas n\u00e3o podem ficar aqui\", diziam freneticamente. Assim, o que caracterizou esse momento foi a altern\u00e2ncia entre o uso de estradas secund\u00e1rias e da rodovia Pan-Americana, bem como a exacerba\u00e7\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o de ass\u00e9dio por parte dos agentes do Estado, que n\u00e3o os paravam nem pediam documenta\u00e7\u00e3o, mas apenas os intimidavam, obrigando-os a continuar caminhando para levar o cansa\u00e7o ao limite e for\u00e7\u00e1-los a concluir seu projeto migrat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa jornada, as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o recriadas, os v\u00ednculos e as cumplicidades s\u00e3o fortalecidos, mas tamb\u00e9m s\u00e3o criadas tens\u00f5es, n\u00e3o apenas entre as pessoas em movimento, mas tamb\u00e9m com aqueles com quem elas interagem ao longo do caminho. Os espa\u00e7os migrat\u00f3rios tamb\u00e9m s\u00e3o espa\u00e7os relacionais e de interc\u00e2mbio de formas de conhecer e vivenciar o mundo. O que acontece nessas inter-rela\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias entre viajantes e popula\u00e7\u00f5es locais? Que efeitos sua presen\u00e7a tem e que campos da vida cotidiana podem ser vinculados? Aqui apresentamos alguns elementos voltados para o aspecto econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Economia de migrantes na rota costeira<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A economia migrat\u00f3ria na estrada de Soconusco foi gradualmente constru\u00edda em torno do tr\u00e2nsito de migrantes. Identificamos a necessidade de \"guias\" para se deslocar pelos v\u00e1rios pa\u00edses e suas estradas, e toda a economia que \u00e9 empregada para esse fim; h\u00e1 tamb\u00e9m elementos da vida cotidiana que exigem um n\u00edvel b\u00e1sico de relacionamento e troca para serem realizados. Caminhar se torna uma fuga, mas os efeitos da externaliza\u00e7\u00e3o das fronteiras tamb\u00e9m s\u00e3o sentidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o a isso, o <em>securitiza\u00e7\u00e3o<\/em> A externaliza\u00e7\u00e3o do asilo, que est\u00e1 surgindo como uma nova t\u00e1tica e \"arma\" na constru\u00e7\u00e3o de uma fronteira hemisf\u00e9rica vertical, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o menor. Isso significa que muitos migrantes recorrem aos chamados \"coiotes\" para reduzir o risco ou qualquer eventualidade ao longo do caminho. Os guias ao longo da rota migrat\u00f3ria n\u00e3o s\u00e3o novos, mas as formas de viajar pelo espa\u00e7o da Am\u00e9rica Central e pelo sul do M\u00e9xico s\u00e3o, pois eles sabem por onde passar ou onde pode haver um posto de controle policial ou militar. Essas pessoas s\u00e3o as que t\u00eam contato face a face com os migrantes, \u00e0s vezes fazem parte de uma rede, outras s\u00e3o subcontratadas, embora tamb\u00e9m sejam as primeiras pessoas que podem ser detidas e punidas pelas autoridades, sem chegar aos \"coiotes\", que s\u00e3o localizados por meio de redes sociais, chamadas de celular ou mensagens. Esses servi\u00e7os cresceram como resultado do movimento maci\u00e7o de migrantes pela Am\u00e9rica Central e pelo sul do M\u00e9xico. Sua figura \u00e9 controversa; \u00e0s vezes s\u00e3o considerados necess\u00e1rios para adiantar a viagem, para outros t\u00eam o estigma de serem os vil\u00f5es da mobilidade humana (Porraz, 2023: 3).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos chamados \"coiotes\" e do grande neg\u00f3cio que estava crescendo deliberadamente, havia tamb\u00e9m a venda de alimentos e o uso de transporte local que era procurado na rota Huixtla-Arriaga, juntamente com os motociclistas que podiam ser vistos em alguns pontos da estrada. Uma mulher que vendia \u00e1gua e refrigerantes em Pijijiapan comentou:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">H\u00e1 muitos migrantes caminhando por essa estrada agora, e comecei a vender \u00e1gua, refrigerantes e <em>canetas<\/em> porque \u00e9 o que \u00e9 mais consumido no calor. Vimos que nas lojas de alguns vilarejos eles entraram e trouxeram muita \u00e1gua, biscoitos e refrigerantes, alguns vendem comida, mas nem sempre vendem, porque eles nem sempre comem a comida que fazemos. Os migrantes t\u00eam outras formas de se alimentar, o que n\u00e3o \u00e9 o mesmo que a forma mexicana; agora todo mundo est\u00e1 \"fazendo uma matan\u00e7a\", como dizemos aqui, porque, veja bem, as empresas de transporte n\u00e3o conseguem acompanhar, at\u00e9 mesmo alguns carros particulares v\u00eam e carregam as pessoas e as deixam diante dos postos de controle de imigra\u00e7\u00e3o ou dos militares quando chegam a Tonal\u00e1. H\u00e1 tamb\u00e9m os das motocicletas, h\u00e1 v\u00e1rios em muitos pontos, mas alguns j\u00e1 est\u00e3o abusando, cobrando a mais e \u00e0s vezes em d\u00f3lares, diz um conhecido, mas isso j\u00e1 \u00e9 muito. N\u00e3o \u00e9 justo ser abusivo com essas pessoas (comunica\u00e7\u00e3o pessoal, Escuintla, Chiapas, novembro de 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro morador do munic\u00edpio comentou:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Agora h\u00e1 muitas pessoas passando por aqui em Escuintla, voc\u00ea pode ver que muitos deles s\u00e3o migrantes e est\u00e3o comprando suas coisas para caminhar, porque, como voc\u00ea pode ver, nem todos eles trazem dinheiro, eles est\u00e3o caminhando, mas \u00e9 dif\u00edcil, o calor \u00e9 muito forte, n\u00f3s os vemos passando com crian\u00e7as e suas grandes malas. Veja, ali perto do Oxxo, naquelas lojinhas, h\u00e1 mulheres que dizem oferecer empanadas venezuelanas, e elas as compram porque s\u00e3o parecidas com as que comem em seus pa\u00edses; veja a placa delas ali. O frango assado tamb\u00e9m est\u00e1 vendendo muito, e muitas pessoas levam seu frango ou p\u00e3o para a estrada. Mas h\u00e1 muitos deles passando por aqui (Comunica\u00e7\u00e3o pessoal, Escuintla, Chiapas, dezembro de 2023).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_9_venta_de_comida_y_harina-pan_para_hacer_arepas_en_escuintla_chiapas.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1536x2048\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 9: Venta de comida y harina-pan para hacer arepas en Escuintla, Chiapas. Fuente: Iv\u00e1n Porraz, 2023.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_9_venta_de_comida_y_harina-pan_para_hacer_arepas_en_escuintla_chiapas.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_10_hacer_fila_para_el_transporte_local.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2048x1536\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 10: Hacer fila para el transporte local. Fuente: Iv\u00e1n Porraz, 2023.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/imagen_10_hacer_fila_para_el_transporte_local.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 9: Venda de alimentos e p\u00e3o de farinha para fazer arepas em Escuintla, Chiapas. Fonte: Iv\u00e1n Porraz, 2023.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Imagem 10: Fila para transporte local. Fonte: Iv\u00e1n Porraz, 2023.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>As pessoas que moravam perto da estrada come\u00e7aram a sair para vender seus produtos e, como observado acima, alguns fazendeiros da regi\u00e3o sa\u00edram com suas motocicletas para trabalhar transportando os caminhantes, j\u00e1 que o neg\u00f3cio estava em alta e havia mais dinheiro a ser ganho com isso do que indo trabalhar nos campos como diarista. No final de dezembro de 2023, o n\u00famero de migrantes estava diminuindo, assim como o n\u00famero de pessoas que abriam neg\u00f3cios ao longo da rota. O controle da migra\u00e7\u00e3o parecia estar diminuindo, mas havia outros fatores para explicar isso: a falta de funcion\u00e1rios do Instituto Nacional de Migra\u00e7\u00e3o (<span class=\"small-caps\">im<\/span>), que tinha pouco or\u00e7amento e o in\u00edcio da temporada eleitoral tanto no M\u00e9xico quanto nos Estados Unidos. A presen\u00e7a de migrantes na chamada \"economia local de migrantes\" \u00e9 contradit\u00f3ria entre a popula\u00e7\u00e3o de Soconusco, pois enquanto um setor rejeitava a presen\u00e7a dessas pessoas, outros apontavam que, com a chegada dos migrantes, principalmente os de origem cubana e africana, viram sua renda melhorar devido aos diferentes servi\u00e7os oferecidos: motoristas, aqueles que ofereciam comida, a venda de chips de celular, cart\u00f5es de mem\u00f3ria ou simplesmente aqueles que cobravam para carregar as baterias dos dispositivos m\u00f3veis. A economia dos migrantes ao longo da estrada Soconusco reflete a marca dos efeitos positivos da presen\u00e7a das pessoas nas localidades por onde passam.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pensando no tr\u00e2nsito de \"andarilhos\" em Soconusco<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Esse trabalho mostra a import\u00e2ncia de documentar o tr\u00e2nsito de \"andarilhos\", pois s\u00e3o necess\u00e1rias descri\u00e7\u00f5es etnogr\u00e1ficas mais n\u00edtidas dessa fronteira hemisf\u00e9rica vertical emergente e aparentemente cada vez mais centrada no M\u00e9xico (Kovic e Kelly, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossas vis\u00f5es sobre esses tr\u00e2nsitos por Soconusco, debatemos duas quest\u00f5es: primeiro, o significado da experi\u00eancia coletiva da mobilidade humana, a mem\u00f3ria que se constr\u00f3i dos espa\u00e7os fronteiri\u00e7os, \"da brecha\", \"da linha\" e dos sujeitos migrantes que percorrem os territ\u00f3rios; segundo, a temporalidade e os processos que ocorrem nos locais de tr\u00e2nsito e o impacto dessas pessoas na din\u00e2mica local. Parece-nos importante recuperar as imagens e as narrativas desses \"andarilhos\" que observamos na regi\u00e3o de Soconusco, em Chiapas. Quem se importa com suas vidas e suas jornadas? Uma pergunta que nos faz voltar ao debate sobre a popula\u00e7\u00e3o do Sul global e seu potencial humano produtivo e\/ou \"parasit\u00e1rio\" para o capital, que reestrutura seus padr\u00f5es de acumula\u00e7\u00e3o - por \"despossess\u00e3o\" -, como se refere David Harvey; mas tamb\u00e9m o Estado, como institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel por garantir os direitos fundamentais de sua sociedade, experimenta processos de deslegitima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e perde a soberania ao compartilhar parcelas de poder com o capital e o crime organizado, tornando-se uma institui\u00e7\u00e3o incapaz de governar sob os fundamentos formais de um Estado Constitucional Democr\u00e1tico (Garc\u00eda, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>O tr\u00e2nsito dos \"andarilhos\" pela rodovia costeira de Chiapas despertou sentimentos de solidariedade e xenofobia que surgiram com as chamadas \"caravanas de migrantes\" no inverno de 2018, ao mesmo tempo em que ativou uma economia migrat\u00f3ria dessa mobilidade humana por parte dos habitantes locais da regi\u00e3o. \u00c9 importante observar as pessoas vendendo \u00e1gua, refrigerantes, cigarros e outros suprimentos para a estrada, sitiadas pelo calor implac\u00e1vel, e relacion\u00e1-las \u00e0 s\u00e9rie de intermedi\u00e1rios que foram improvisados, como motoristas que n\u00e3o falavam o mesmo idioma, de modo que placas e o tradutor do Google serviram para fechar o neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>A gastronomia foi novamente apresentada como uma media\u00e7\u00e3o para conhecer e reconhecer os outros que chegam, pois de repente apareceu a venda de empanadas venezuelanas, que, na realidade, eram improvisadas ou mais parecidas com as consumidas na regi\u00e3o, a venda de farinha de p\u00e3o para fazer arepas, o aprendizado e a venda de \"tinticos\" sem a\u00e7\u00facar e com canela; Tudo isso far\u00e1 parte da mem\u00f3ria coletiva migrante e regional, que tamb\u00e9m fez com que a popula\u00e7\u00e3o local se lembrasse da sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria, da partida de seus filhos e parentes para os Estados Unidos h\u00e1 alguns meses ou anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, essas pr\u00e1ticas dos \"andarilhos\" tinham uma conota\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia por parte das institui\u00e7\u00f5es estatais, acentuada pela ideia de um estado policial; embora n\u00e3o fossem regularmente detidos, as press\u00f5es e extors\u00f5es sobre eles aumentaram; em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, testemunhamos extors\u00f5es por parte da pol\u00edcia estadual, de agentes da pol\u00edcia e da pol\u00edcia. <span class=\"small-caps\">im<\/span>A pol\u00edcia, agentes da promotoria p\u00fablica do estado de Chiapas e outras corpora\u00e7\u00f5es, com o argumento de sua condi\u00e7\u00e3o irregular, tiravam as pessoas do transporte p\u00fablico, pediam-lhes dinheiro para continuar a viagem ou simplesmente as obrigavam a caminhar e a gastar suas parcas economias - e at\u00e9 mesmo seus corpos - em sua jornada no calor implac\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Venezuelanos e centro-americanos iniciaram a rota dos \"caminhantes\" na estrada costeira, depois cubanos, africanos e alguns asi\u00e1ticos se juntaram a eles; entre as nacionalidades tamb\u00e9m h\u00e1 diferen\u00e7as econ\u00f4micas, culturais e de rede de apoio. Ao longo do caminho, as diferen\u00e7as e os pequenos sinais de solidariedade estavam \u00e0 mostra. Vimos algumas fam\u00edlias caminhando juntas, mulheres se apoiando mutuamente, emprestando carrinhos para transportar crian\u00e7as; mas as redes sociais tamb\u00e9m serviram para desenhar um mapa emergente, conhecer rotas, custos de transporte e at\u00e9 mesmo localizar qual posto de controle migrat\u00f3rio e\/ou policial estava extorquindo mais ou menos. V\u00e1rios animais dom\u00e9sticos, como cachorros, acompanhavam o tr\u00e2nsito, e a m\u00fasica em alto-falantes ou fones de ouvido tamb\u00e9m estava presente para apoiar a viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>A observa\u00e7\u00e3o e as entrevistas com essa popula\u00e7\u00e3o nos levaram a refletir que a etnografia n\u00e3o pode ser reduzida apenas a um n\u00edvel local, que aprender com os \"caminhantes\" que est\u00e3o constantemente em movimento implica conhecer seus mapas, suas respostas e possibilidades de a\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, Jos\u00e9 Manuel Valenzuela (2009) nos convida a pensar em uma \"biorresist\u00eancia\" ou uma \"biopol\u00edtica menor\", nos termos de Giorgio Agamben, em que localizar essas realidades do asfalto nos levou a tra\u00e7ar a circula\u00e7\u00e3o de contextos, propor l\u00f3gicas de rela\u00e7\u00f5es, olhar e comparar com outras fronteiras, na medida em que s\u00e3o necess\u00e1rias tradu\u00e7\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es entre esses locais de mobilidade e os territ\u00f3rios por onde passam.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, cabe mencionar que essa pr\u00e1tica de \"andarilhos\" pela regi\u00e3o de Soconusco vem diminuindo gradativamente; no entanto, ao encerrarmos este texto, novas formas de mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva est\u00e3o sendo ativadas para enfrentar o controle estatal e a chamada governan\u00e7a criminosa que assombra a vida de toda a regi\u00e3o fronteiri\u00e7a, com impactos que j\u00e1 podemos come\u00e7ar a registrar. No entanto, a mem\u00f3ria desse tr\u00e2nsito transfronteiri\u00e7o, onde se guardam experi\u00eancias de ajuda e de rejei\u00e7\u00e3o, desenha na incerteza das pessoas - migrantes e n\u00e3o migrantes - uma fr\u00e1gil experi\u00eancia do abrigo proporcionado pela copa das muitas ceibas que abundam na regi\u00e3o, em cuja sombra se nutrem o descanso, o devaneio e a esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\"><span class=\"small-caps\">acnur<\/span> (2020). Situaci\u00f3n en Venezuela. Informe del Alto Comisionado de la Organizaci\u00f3n de las Naciones Unidas para los Refugiados. https:\/\/www.acnur.org\/situacion-en-venezuela.html<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Appadurai, Arjun (1999). Modernity at Large: Cultural Dimensions of Globalization. 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San Crist\u00f3bal de las Casas: El Colegio de la Frontera Sur\/<span class=\"small-caps\">conahcyt<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rojas, Martha Luz y Hugo \u00c1ngeles (2023). Diagn\u00f3stico de la din\u00e1mica econ\u00f3mica, social y demogr\u00e1fica, con \u00e9nfasis en la movilidad humana en la regi\u00f3n del Soconusco, Chiapas, M\u00e9xico, y en los municipios estrictamente fronterizos. Ciudad de M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">cepal<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">T\u00e9llez C\u00e1ceres, Magda Viviana (2023). \u201cConfiguraciones culturales producidas a trav\u00e9s de la experiencia de movilidad forzada de mujeres j\u00f3venes en dos territorios transfronterizos latinoamericanos\u201d. Tesis de maestr\u00eda en Ciencias en Recursos Naturales y Desarrollo Rural. San Crist\u00f3bal de las Casas: El Colegio de la Frontera Sur.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Valenzuela Arce, Jos\u00e9 Manuel (2009). El futuro ya fue, socio-antropolog\u00eda de los j\u00f3venes en la modernidad. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">colef<\/span>\/Casa Juan Pablos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Vargas Le\u00f3n, Lady Yunek (2023). \u201cMigraci\u00f3n venezolana: los \u2018caminantes\u2019 hacia el sur de Am\u00e9rica Latina\u201d, Revista Cuadernos do <span class=\"small-caps\">ceom,<\/span> Chapec\u00f3 (<span class=\"small-caps\">sc<\/span>), 36 (58), pp. 59-74.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Abbdel Camargo Mart\u00ednez<\/em> Ph.D. em Antropologia pela Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico. 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