{"id":39100,"date":"2024-09-20T10:48:47","date_gmt":"2024-09-20T16:48:47","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=39100"},"modified":"2024-09-25T14:15:13","modified_gmt":"2024-09-25T20:15:13","slug":"braconnier-posguerra-guatemala-identidades-formacion-de-sujetos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/braconnier-posguerra-guatemala-identidades-formacion-de-sujetos\/","title":{"rendered":"Diane M. Nelson acerta contas com a Guatemala"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-drop-cap abstract\">O livro <em>Saldando cuentas. Guatemala, el fin y los fines de la guerra<\/em> de Diane M. Nelson (\u2020) nos leva ao momento \"p\u00f3s-guerra\" na Guatemala. Quando termina a guerra e quando come\u00e7a o per\u00edodo p\u00f3s-guerra? Nelson n\u00e3o nos d\u00e1 uma resposta fixa porque \u00e9 imposs\u00edvel \"separar\" a guerra da paz quando ela escreve esse livro em sua primeira edi\u00e7\u00e3o. Entretanto, ao longo do texto, ela prop\u00f5e uma maneira de entender esse per\u00edodo caracterizado por sua ambival\u00eancia e complexidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que o fim da guerra est\u00e1 associado \u00e0 chegada ao poder do primeiro governo civil em 1985, aos Acordos de Paz assinados em 1996 e, acima de tudo, aos processos de investiga\u00e7\u00e3o de abusos de direitos humanos e aos dois relat\u00f3rios publicados: o Relat\u00f3rio do Projeto Interdiocesano de Recupera\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria Hist\u00f3rica (Proyecto Interdiocesano de Recuperaci\u00f3n de la Memoria Hist\u00f3rica),<em> Guatemala: nunca mais<\/em> (1998), e o da Comiss\u00e3o de Esclarecimento Hist\u00f3rico,<em> Guatemala: mem\u00f3ria do sil\u00eancio<\/em> (1999). Para ler esse livro, precisamos voltar a 2009, quando ele foi publicado em sua vers\u00e3o original em ingl\u00eas com o nome de <em>Reckoning: Os fins da guerra na Guatemala<\/em>publicado pela Duke University Press. Hoje, s\u00e3o as Ediciones del Pensativo, com sede em Antigua Guatemala, que nos trazem essa rica tradu\u00e7\u00e3o para a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca em que Diane publicou esse livro, os governos de Alfonso Portillo, do partido Frente Republicana da Guatemala (<span class=\"small-caps\">frg<\/span>), de \u00d3scar Berger, da Grande Alian\u00e7a Nacional (<span class=\"small-caps\">ganhar<\/span>) e \u00c1lvaro Colom tinha acabado de entrar com a Unidade Nacional de Esperan\u00e7a (<span class=\"small-caps\">desigual<\/span>). Houve tamb\u00e9m um di\u00e1logo sobre o multiculturalismo e os direitos espec\u00edficos dos povos ind\u00edgenas (consulta pr\u00e9via e autodetermina\u00e7\u00e3o por meio do fortalecimento das autoridades ancestrais). Foi o grande momento do Programa Nacional de Repara\u00e7\u00f5es, que tentou acertar as contas do passado com sua pol\u00edtica p\u00fablica de justi\u00e7a transicional. Foi tamb\u00e9m o momento do Plano Puebla Panam\u00e1 (<span class=\"small-caps\">ppp<\/span>), as pol\u00edticas da Mano Dura contra as gangues, as execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais pela pol\u00edcia civil nacional, bem como os relatos incessantes de linchamentos na Cidade da Guatemala e em outros munic\u00edpios do pa\u00eds. Quando Nelson escreveu <em>Ajuste de contas<\/em>Foram esses eventos - e muitos outros - que comp\u00f5em o livro e o per\u00edodo comumente chamado de p\u00f3s-guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro tem nove cap\u00edtulos que se aprofundam em diferentes aspectos de seu argumento principal com uma descri\u00e7\u00e3o completa de sua etnografia. Seus m\u00e9todos s\u00e3o variados e muito criativos. Ela se baseia em observa\u00e7\u00e3o participante, anota\u00e7\u00f5es de campo, hist\u00f3rias de vida e an\u00e1lise de filmes (especialmente de filmes de terror), e se passa principalmente em Joyabaj, Zacualpa e Cidade da Guatemala. Sua escrita envolve o leitor e questiona sua posi\u00e7\u00e3o como cientista social comprometido com as lutas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Organizo esta resenha em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es que acredito serem os argumentos e conceitos transversais do livro: o engano generalizado na guerra e no p\u00f3s-guerra; a hist\u00f3ria das \"duas faces\" e o processo de identifica\u00e7\u00e3o; e a teoria do \"p\u00f3s-guerra em a\u00e7\u00e3o\".<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Decep\u00e7\u00e3o: sobreviv\u00eancias, despossess\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Como a guerra funcionou? Nelson come\u00e7a sua an\u00e1lise explorando o conceito de engano. Foi por meio do engano, da suspeita, do sigilo, dos segredos e da trai\u00e7\u00e3o que a guerra na Guatemala foi travada. As pessoas \"babavam\" umas nas outras, n\u00f3s nos sent\u00edamos babados quando sab\u00edamos que algu\u00e9m estava deste ou daquele lado. A engana\u00e7\u00e3o e todos os mecanismos da guerra estavam impregnados nas subjetividades e nas rela\u00e7\u00f5es sociais; desde o n\u00edvel individual\/pessoal (por exemplo, ele nos conta como o campon\u00eas ind\u00edgena recrutado pelo ex\u00e9rcito para formar os grupos paramilitares, as Patrulhas de Autodefesa Civil, se sentia enganado) at\u00e9 o n\u00edvel mais estrutural (como quando um dos entrevistados repete que o Estado nos engana e que s\u00f3 podemos exigir justi\u00e7a de Deus). Enganar e ser enganado foi uma forma de sobreviver \u00e0 viol\u00eancia e atualmente \u00e9 a forma de navegar pela vida diante da fraude da democracia e do neoliberalismo. No final, o que resta no per\u00edodo p\u00f3s-guerra \u00e9 a desconfian\u00e7a e a desapropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nelson fala de \"posse\" e \"desapropria\u00e7\u00e3o\" em v\u00e1rios sentidos, com base em suas entrevistas. Ela observou que quando ex-membros de patrulhas paramilitares comentavam sobre sua participa\u00e7\u00e3o nos grupos paramilitares, eles falavam de si mesmos como se tivessem sido \"possu\u00eddos\" por uma for\u00e7a externa. N\u00e3o eram eles que estavam patrulhando, era alguma outra entidade estranha e alheia. Essa desapropria\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estava presente nas ideologias das pessoas que escolheram o caminho da luta de guerrilha. Essas pessoas pegaram em armas contra a \"desapropria\u00e7\u00e3o por acumula\u00e7\u00e3o\" (referindo-se ao conceito de David Harvey).<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m traz \u00e0 tona o fato de que o movimento maia nos lembra constantemente que o engano n\u00e3o vem apenas da guerra, mas da invas\u00e3o e sua viol\u00eancia, estupro e genoc\u00eddio. Os conceitos de posse e desapropria\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais para a compreens\u00e3o do movimento maia. <em>ag\u00eancias<\/em> (e suas contrapartes, como a hist\u00f3ria do barco de patrulha possu\u00eddo por for\u00e7as externas) durante a guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>A clandestinidade protegeu a vida durante a guerra, mas tamb\u00e9m alimentou o engano e a doen\u00e7a. \u00c9 outra forma de desapropria\u00e7\u00e3o que \u00e9 vivenciada por meio dos corpos, expressa na depress\u00e3o e em tantas outras ansiedades. As mulheres maias nos ensinam hoje que a cura pode vir por meio de m\u00e9todos mais corporais e afetivos. \"A mem\u00f3ria vem depois do golpe\", nos diz Nelson (2022: 168). Processamos e transformamos o golpe; a mem\u00f3ria \u00e9 necess\u00e1ria para a sa\u00fade mental, \u00e9 pol\u00edtica e cria subjetividades e identifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O que o engano produz, e o que est\u00e1 instalado no cora\u00e7\u00e3o das sociedades e comunidades, \u00e9 que vemos o rosto de algu\u00e9m, mas por tr\u00e1s desse rosto outra pessoa pode estar se escondendo, \u00e9 o que Nelson desenvolve no livro como uma hist\u00f3ria de \"duas faces\".<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A hist\u00f3ria de \"duas faces\": dualidades e identifica\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Esse \u00e9 o segundo conceito desenvolvido ao longo do livro. Nelson nos conta uma hist\u00f3ria permanente de identifica\u00e7\u00f5es. Ela entende essas identifica\u00e7\u00f5es como \"duas faces\": as \"duas faces\" das pessoas, das organiza\u00e7\u00f5es, das institui\u00e7\u00f5es estatais; tudo \u00e9 atravessado por uma dupla face, uma face que vemos e outra que est\u00e1 oculta, atr\u00e1s do palco p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele exemplifica essas duplas faces por meio de hist\u00f3rias de vida e an\u00e1lise situacional. Refere-se \u00e0s hist\u00f3rias de vida de pessoas conhecidas publicamente: a antrop\u00f3loga Myrna Mack; a defensora de direitos e ganhadora do Pr\u00eamio Nobel da Paz Rigoberta Mench\u00fa Tum; o pol\u00edtico cr\u00edtico \u00c9dgar Guti\u00e9rrez; e as hist\u00f3rias de pessoas das comunidades Joyabaj e Zacualpa. Essas trajet\u00f3rias de vida, que \u00e0s vezes podem parecer dicot\u00f4micas, contradit\u00f3rias e at\u00e9 enganosas, mostram muito mais complexidade. Por exemplo, ela nos conta como Edgar Guti\u00e9rrez, que era a \"jovem promessa da esquerda\", liderou a equipe do relat\u00f3rio mencionado anteriormente da <span class=\"small-caps\">rehmi<\/span>depois se tornou funcion\u00e1rio p\u00fablico do governo da <span class=\"small-caps\">frg<\/span> de Alfonso Portillo e Efra\u00edn R\u00edos Montt, e assinou a lei que criou a famosa Comiss\u00e3o Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (<span class=\"small-caps\">cicig<\/span>), parece ser um personagem obscuro que enganou o movimento de esquerda por ter trabalhado com o <span class=\"small-caps\">frg<\/span>. No entanto, ao se aprofundar nas subjetividades e identifica\u00e7\u00f5es, sua hist\u00f3ria revela como funcionam essas \"duas faces\" presentes em todos os momentos do per\u00edodo p\u00f3s-guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base na psican\u00e1lise e na sociologia de \u00c9mile Durkheim, Nelson nos oferece uma interpreta\u00e7\u00e3o desse processo de identifica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 composto de tr\u00eas partes:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">[...] voc\u00ea vive <em>post-facto<\/em>por meio de um \"nascimento da consci\u00eancia\". O que era familiar se torna estranho, o que havia sido estabelecido pessoalmente como verdadeiro, como a maneira como o mundo funciona, se torna uma identidade falsa, que, por sua vez, abre caminho para o que aparentemente \u00e9 percebido como um senso mais aut\u00eantico de si mesmo, que pode ser a possibilidade de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (2022: 96).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse processo, h\u00e1 tr\u00eas maneiras de entender a identidade e sua ordem \u00e9 importante (p. 90):<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"abstract wp-block-list\">\n<li>A identidade come\u00e7a com o que Nelson chama de \"pressuposto\". Em outras palavras, <em>\u00e9 assim que as coisas s\u00e3o e o mundo como eu aprendi a conhec\u00ea-lo<\/em>.<\/li>\n\n\n\n<li>No segundo momento, a identidade \u00e9 \"assumida\": <em>Era assim que eu entendia as coisas at\u00e9 que aconteceu algo que me fez perceber que eu havia sido enganado.<\/em>.<\/li>\n\n\n\n<li>Isso d\u00e1 lugar ao terceiro momento, a identidade do \"verdadeiro eu\": <em>Agora que sei e entendo o que aconteceu e acontece, sinto-me mais aut\u00eantico, desperto e transformado em um sujeito.<\/em>. Aqui ela retoma o trabalho de Judith Butler.<\/li>\n\n\n\n<li>E assim por diante, a cada momento transcendental.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Os processos de identidade na guerra e no p\u00f3s-guerra n\u00e3o s\u00e3o duais, nem simples, nem lineares, nos diz Nelson. Ela nos convida a \"pensar\" nos meios intermedi\u00e1rios. Esses processos s\u00e3o marcados por muitas emo\u00e7\u00f5es e interesses. Nesses contextos de guerra e p\u00f3s-guerra, a identifica\u00e7\u00e3o geralmente est\u00e1 enraizada no trauma, no sentimento de decep\u00e7\u00e3o, na ignor\u00e2ncia e no engano. Portanto, as identidades n\u00e3o podem ser reduzidas a prot\u00f3tipos, como proposto atualmente para ler melhor a alteridade e incorporado em estruturas jur\u00eddicas e pol\u00edticas p\u00fablicas. Refiro-me aqui diretamente ao direito internacional dos povos ind\u00edgenas ou \u00e0s pol\u00edticas de repara\u00e7\u00f5es para ex-membros das Patrulhas Civis de Autodefesa: se uma pessoa ou um coletivo responde a crit\u00e9rios definidos de identidade, \u00e9 mais f\u00e1cil se encaixar no prot\u00f3tipo e, assim, receber este ou aquele servi\u00e7o. Nelson tamb\u00e9m nos lembra que \"a solidariedade precisa da hist\u00f3ria bin\u00e1ria para agir\" (2022: 221).<\/p>\n\n\n\n<p>As identidades s\u00e3o constru\u00eddas e constitu\u00eddas por relacionamentos, que s\u00e3o sempre rela\u00e7\u00f5es de poder assim\u00e9tricas, por interesses que motivam as pessoas a entenderem umas \u00e0s outras e o mundo de tais maneiras. Tudo isso funciona (ou n\u00e3o funciona ou funciona apenas pela metade) em redes, em engrenagens, em conjuntos, desde o mais local at\u00e9 o mais global. Aqui eu me conecto com o terceiro conceito central do livro, no qual Nelson oferece uma teoria do per\u00edodo p\u00f3s-guerra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma teoria do \"p\u00f3s-guerra em a\u00e7\u00e3o\": montagens e acertos de contas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Nelson o chama de \"p\u00f3s-guerra-em-a\u00e7\u00e3o\" para fazer refer\u00eancia direta ao trabalho de Bruno Latour, que escreve com base na teoria do ator-rede e que, por sua vez, se baseia nas propostas de Gilles Deleuze sobre rizomas e filosofia p\u00f3s-moderna. O \"p\u00f3s-guerra-em-a\u00e7\u00e3o\" \u00e9 um conjunto de n\u00f3s e redes que tenta \"articular ou simultaneamente fazer sentido e estabelecer conex\u00f5es\" (2022: 431). \u00c9 um laborat\u00f3rio, um campo de batalha para dar significados e para querer saber e saber: se a guerra foi para instalar condi\u00e7\u00f5es para melhorar a vida, se foi uma guerra de \"ra\u00e7a\" ou de \"classe\", quem foi enganado e quem n\u00e3o foi, quem foi possu\u00eddo e quem n\u00e3o foi, quem finge saber e saber, quem finge saber e saber? \u00c9 um campo de batalha entre as faces da repress\u00e3o e da viol\u00eancia, bem como entre as faces do reconhecimento e o que somos levados a acreditar e o que acreditamos que aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio p\u00f3s-guerra em a\u00e7\u00e3o ocorre no que Mike Davis chama de \"ecologia do medo\" (2022: 325), em que as t\u00e1ticas de terror continuam a prevalecer em uma \"hermen\u00eautica contra-insurgente\" global. Os atores continuam sendo o ex\u00e9rcito, as oligarquias, as diferentes institui\u00e7\u00f5es do Estado, os grupos criminosos: os corpos ilegais e os aparatos clandestinos de seguran\u00e7a (Cuerpos Ilegales y Aparatos Clandestinos de Seguridad (<span class=\"small-caps\">ciacs<\/span>). Agora h\u00e1 tamb\u00e9m o <span class=\"small-caps\">ngo<\/span>A Comiss\u00e3o Internacional contra a Impunidade na Guatemala (Comisi\u00f3n Internacional contra la Impunidad en Guatemala - CICIG) estava l\u00e1.<span class=\"small-caps\">cicig<\/span>), o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e muitas outras institui\u00e7\u00f5es de geopol\u00edtica e economia globalizada. H\u00e1 a pr\u00f3pria academia e as universidades. As din\u00e2micas dentro desse conjunto s\u00e3o muitas: linchamentos, exuma\u00e7\u00f5es, repara\u00e7\u00f5es, delinqu\u00eancia, neoliberalismo, tr\u00e1fico de drogas, servid\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o e remessas, mesas de di\u00e1logo e assim por diante. Todos s\u00e3o marcados por identidades de ra\u00e7a, classe e g\u00eanero; pelo colonialismo e pela contra-insurg\u00eancia. Nelson nos diz que todos eles t\u00eam suas \"duas faces\", agendas ocultas, gerenciadas por ag\u00eancias de financiamento e coopera\u00e7\u00e3o. \"Eles continuam babando em n\u00f3s e n\u00f3s continuamos babando em outras pessoas\".<em>, <\/em>como se diz coloquialmente na Guatemala. A conspira\u00e7\u00e3o est\u00e1 impl\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p>O que toda essa assembleia re\u00fane s\u00e3o promessas de transpar\u00eancia, de equil\u00edbrio, de \"acerto de contas\" do passado e do presente. O que \u00e9 acerto de contas? \u00c9 um exerc\u00edcio de contabilidade, uma auditoria, o ato num\u00e9rico de contar. No per\u00edodo p\u00f3s-guerra, tentamos contar as perdas, dar valor a essas perdas. Mas quando h\u00e1 guerra e genoc\u00eddio, \u00e9 imposs\u00edvel contar as perdas; a desapropria\u00e7\u00e3o \u00e9 imensur\u00e1vel. E os movimentos maias nos lembraram que, em face de 500 anos de colonialismo, a desapropria\u00e7\u00e3o \u00e9 inerentemente imensur\u00e1vel. Mas Nelson escreve que contar \u00e9 mais do que o fato dos n\u00fameros. Quando contamos, tamb\u00e9m narramos e tornamos vis\u00edveis os procedimentos. E \u00e9 aqui que o autor encontra a esperan\u00e7a que reside no p\u00f3s-guerra em a\u00e7\u00e3o: \"As redes [transnacionais] s\u00e3o uma uni\u00e3o de for\u00e7as que pode traduzir uma gama de interesses para fazer com que certos n\u00fameros 'contem' e, assim, tornar uma causa mais poderosa\" (2022: 413).<\/p>\n\n\n\n<p>Para concluir, este livro nos lembra que o que foi ensinado na antropologia mais tradicional sobre os processos formativos de identifica\u00e7\u00e3o e subjetiva\u00e7\u00e3o \u00e9 mais complicado do que parece. Em contextos de guerra e p\u00f3s-guerra, as identidades e as forma\u00e7\u00f5es de sujeitos s\u00e3o intimamente marcadas por choques e interesses que produzem consci\u00eancia, mobiliza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o. O autor nos convida a ir al\u00e9m do presumido e a olhar para o que est\u00e1 no meio. Trata-se de uma antropologia das emo\u00e7\u00f5es aplicada aos estudos do fato pol\u00edtico. Este livro \u00e9 um exemplo s\u00f3lido, em espanhol, do que veio a ser chamado nos Estados Unidos de <em>Teoria dos afetos<\/em> (uma teoria do afeto), que \u00e9 o estudo das emo\u00e7\u00f5es e o que elas podem produzir em termos de intera\u00e7\u00f5es sociais e experi\u00eancias de habitar o mundo. Por fim, como Nelson escreve: \"Este livro explora as experi\u00eancias de posse, duplicidade e a esperan\u00e7a de saber que fazem parte da vida cotidiana guatemalteca. (2022: 88). De fato, este livro lan\u00e7a luz sobre essa esperan\u00e7a de nos entendermos, n\u00e3o apenas na Guatemala, mas em qualquer territ\u00f3rio que tenha compartilhado condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s abordadas aqui.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Comisi\u00f3n para el Esclarecimiento Hist\u00f3rico (1999).<em> Guatemala: Memoria del silencio. <\/em>Guatemala: <span class=\"small-caps\">ceh<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Nelson, Diane M. (2009). <em>Reckoning:&nbsp;The Ends of War in Guatemala<\/em>. Durham: Duke University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2022). <em>Saldando cuentas. Guatemala, el fin y los fines de la guerra<\/em>. Antigua Guatemala: Ediciones del Pensativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Oficina de Derechos Humanos del Arzobispado de Guatemala (1998). <em>Guatemala: nunca m\u00e1s. Informe del Proyecto Interdiocesano de Recuperaci\u00f3n de la Memoria Hist\u00f3rica<\/em>. Guatemala: <span class=\"small-caps\">odhag<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Ana Braconnier De Le\u00f3n<\/em> \u00e9 atualmente um pesquisador de p\u00f3s-doutorado na <span class=\"small-caps\">ciesas <\/span>Cidade do M\u00e9xico. Ela \u00e9 bolsista do projeto de pesquisa \"PluriLand: Theorizing Conflict and Contestation in Plural Land Rights Regimes\", dirigido pela Dra. Rachel Sieder. Ana tem doutorado em Estudos Latino-Americanos pela Universidade do Texas em Austin (2021) e mestrado e bacharelado em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pelo Institut d'Etudes Politiques de Paris (2009). Ela trabalha com quest\u00f5es de pol\u00edtica judicial, redes de poder em contextos coloniais-extrativistas e direitos dos povos ind\u00edgenas usando m\u00e9todos qualitativos e etnogr\u00e1ficos. Ela faz parte do grupo interdisciplinar de Estudos Emp\u00edricos do Direito, patrocinado pelo Instituto de Pesquisa Jur\u00eddica da Universidade de Barcelona (2009). <span class=\"small-caps\">unam<\/span>. Ela foi professora da Faculdade de Ci\u00eancias Pol\u00edticas da Universidade Rafael Land\u00edvar, na Guatemala, e colaborou com organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil em consultorias sobre quest\u00f5es de justi\u00e7a transicional e pluralismo jur\u00eddico no judici\u00e1rio guatemalteco.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando termina a guerra e quando come\u00e7a o per\u00edodo p\u00f3s-guerra? 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