{"id":39083,"date":"2024-09-20T10:49:00","date_gmt":"2024-09-20T16:49:00","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=39083"},"modified":"2024-09-25T14:14:08","modified_gmt":"2024-09-25T20:14:08","slug":"camurca-lanna-menezes-debatepertinencia-ensayo-sobre-el-don","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/camurca-lanna-menezes-debatepertinencia-ensayo-sobre-el-don\/","title":{"rendered":"A relev\u00e2ncia do ensaio de Marcel Mauss sobre o presente"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">2022 marcou o 150\u00ba anivers\u00e1rio do nascimento de Marcel Mauss. Ao lado dele, sua obra \u00e9 reconhecida como fonte e inspira\u00e7\u00e3o para in\u00fameros trabalhos antropol\u00f3gicos contempor\u00e2neos. Seus escritos favoreceram m\u00faltiplas correntes te\u00f3ricas e influenciaram dezenas de antrop\u00f3logos: do estruturalismo de Claude L\u00e9vi-Strauss a Marcel Griaule, Maurice Leenhardt, Louis Dumont e Roger Bastide, entre outros. De fato, podemos ver em Mauss um dos pais fundadores da antropologia moderna, pois, embora tenha sido membro ativo e continuador da Escola Sociol\u00f3gica Francesa de \u00c9mile Durkheim, ao defender a primazia do social como constituinte da realidade, ele se distanciou de seu tio mestre ao enfatizar a centralidade da antropologia na incorpora\u00e7\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o nativa \u00e0 objetividade da an\u00e1lise sociol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu trabalho mais importante foi o <em>Ensaio sobre o presente <\/em>(Mauss, 1923), escrito em 1925. Nele, ele demonstra - por meio da etnografia malinowskiana do kula entre os trobriandeses - que os presentes dados e retribu\u00eddos de maneira aparentemente volunt\u00e1ria e gratuita t\u00eam uma obriga\u00e7\u00e3o subjacente. No entanto, ele n\u00e3o v\u00ea nesse processo de troca de bens simb\u00f3licos apenas um caso particular dos trobriandeses, mas extrai dele a exist\u00eancia de uma din\u00e2mica universal de reciprocidade. Com base em uma extensa antropologia comparativa, na qual ele re\u00fane diversos dados etnogr\u00e1ficos de v\u00e1rias outras sociedades (potlatch e kulas), ele constr\u00f3i um conceito geral de troca de presentes. Sua ideia mais original \u00e9 a de um \"fato social total\", uma vez que essa forma coletiva de produ\u00e7\u00e3o, consumo e distribui\u00e7\u00e3o de bens cont\u00e9m v\u00e1rias dimens\u00f5es da vida social: religiosa, legal, moral, pol\u00edtica, familiar e econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um mundo moderno caracterizado pela l\u00f3gica econ\u00f4mica do mercado, dos juros, do consumo e do lucro, uma revis\u00e3o do trabalho de Mauss, como a realizada pelo Anti-utilitarian Movement in the Social Sciences (<span class=\"small-caps\">mauss<\/span>) de Alain Caill\u00e9 (2000), pode significar redescobertas relevantes nas sociedades contempor\u00e2neas de outras l\u00f3gicas ocultas que envolvem reciprocidades impulsionadas pelo simb\u00f3lico.<\/p>\n\n\n\n    <div class=\"discrepancia dos\">\n        <h2>Qual \u00e9 a atualidade da teoria da d\u00e1diva de Marcel Mauss?<\/h2>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"lanna\">\n        <p class=\"nombre\">Marcos Lanna<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Mauss ressalta que algo do doador sempre acompanha o que \u00e9 dado<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"castro-menezes\">\n        <p class=\"nombre\">Renata de Castro Menezes<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Gera\u00e7\u00f5es sucessivas de cientistas sociais buscaram inspira\u00e7\u00e3o no Essay on the Gift.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta lanna\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">A teoria da d\u00e1diva de Mauss \u00e9 altamente atual. Para entender o porqu\u00ea, \u00e9 necess\u00e1rio explicar o que \u00e9 a d\u00e1diva para Mauss e em que consiste sua teoria. Para Mauss, a d\u00e1diva engloba in\u00fameros fen\u00f4menos, mas, mais do que um fen\u00f4meno, ele a considera uma rela\u00e7\u00e3o. S\u00e3o bens, palavras, pessoas, visitas, festas, m\u00fasicas, gestos, viol\u00eancias, sinais, entre outras realidades significativas, que podem ou n\u00e3o circular como mercadorias, das quais, uma vez dadas, emanam algumas formas de retribui\u00e7\u00e3o; s\u00e3o \"obriga\u00e7\u00f5es\", diz Mauss.<\/p>\n\n\n\n<p>A retribui\u00e7\u00e3o pode ser um presente do mesmo tipo ou n\u00e3o, imediato ou n\u00e3o, equivalente ou n\u00e3o. Um bom dia pode ser retribu\u00eddo com outro bom dia ou com um sorriso, mas para ser um presente, ele deve ser recebido. Dar, quando existe, j\u00e1 \u00e9 receber, como diz a ep\u00edgrafe do <em>Ensaio sobre o presente<\/em>. Nesse sentido, receber j\u00e1 \u00e9 dar de volta. Por defini\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, um presente gera algum tipo de retribui\u00e7\u00e3o, que pode n\u00e3o ser material, mas moral. Em todos os casos, isso implica reciprocidade, mas tamb\u00e9m d\u00edvida - \u00e0s vezes essa d\u00edvida assume um significado pol\u00edtico radical, servid\u00e3o, embora sempre haja algum tipo de v\u00ednculo assim\u00e9trico e hier\u00e1rquico.<\/p>\n\n\n\n<p>O \"bom dia\" que \u00e9 dado, mesmo que seja retribu\u00eddo com outro \"bom dia\", difere do que vem depois por causa da posi\u00e7\u00e3o entre aquele que toma a iniciativa de dar (emitir) a mensagem e aquele que a recebe. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, na etiqueta da corte, \u00e9 o superior que toma a iniciativa de cumprimentar. Mauss ressalta que algo do doador sempre acompanha o que \u00e9 dado; essa inalienabilidade do doador na transmiss\u00e3o do presente a um determinado destinat\u00e1rio pode ser maior ou menor, dependendo do contexto, mas significa que o bem que \u00e9 dado est\u00e1 vinculado \u00e0 figura do doador. Por exemplo, um sobrenome geralmente circula menos do que um nome pr\u00f3prio e carrega algo mais, distinto deste \u00faltimo, algo ligado \u00e0 fam\u00edlia do doador. A antropologia observou que muitos bens inalien\u00e1veis, que circulam pouco, s\u00e3o valiosos porque s\u00e3o emblemas, meton\u00edmias de poder, como uma coroa.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da diferen\u00e7a entre as posi\u00e7\u00f5es dos trocadores, uma segunda forma de diferen\u00e7a inerente ao presente \u00e9 aquela que reside na subst\u00e2ncia do que \u00e9 dado e do que \u00e9 recebido; no exemplo acima, um bom dia pode ser retribu\u00eddo n\u00e3o com as mesmas palavras, mas com um sorriso. Uma terceira forma de diferen\u00e7a est\u00e1 no tempo entre o que \u00e9 dado e o que \u00e9 retribu\u00eddo - n\u00e3o o que \u00e9 recebido, mas o que \u00e9 retribu\u00eddo. Esse \u00e9 o caso da retribui\u00e7\u00e3o porque, se for uma quest\u00e3o de receber, o presente tamb\u00e9m circula unilateralmente. Portanto, n\u00e3o vejo como dissociar um dom de uma d\u00edvida, nem a reciprocidade da hierarquia; e o estudo dessas d\u00edvidas (pessoais, nacionais, coletivas) \u00e9 absolutamente fundamental para as ci\u00eancias humanas.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta castro-menezes\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">A teoria da d\u00e1diva de Marcel Mauss tem uma dimens\u00e3o geradora de conhecimento que produz novos conhecimentos e pode ser aplicada em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es. Gera\u00e7\u00f5es sucessivas de cientistas sociais t\u00eam olhado para a <em>Ensaio sobre o presente<\/em> e encontraram nele inspira\u00e7\u00e3o para debates econ\u00f4micos, legais, morais, religiosos, feministas, pol\u00edticos e at\u00e9 mesmo p\u00f3s-coloniais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa capacidade de atualiza\u00e7\u00e3o constante \u00e9 garantida, em minha opini\u00e3o, por duas caracter\u00edsticas da obra. Em primeiro lugar, seu car\u00e1ter ensa\u00edstico, que combina a etnografia de uma \u00e9poca com conceitos \u00eamicos e um modelo te\u00f3rico aberto a descobertas futuras. Em segundo lugar, por causa das perguntas que ela \u00e9 capaz de articular. Se pensarmos que, em torno da d\u00e1diva, Mauss articula quest\u00f5es sobre \"como o v\u00ednculo social \u00e9 criado e mantido por meio da circula\u00e7\u00e3o de coisas\"; \"como a indefini\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica entre coisas e pessoas pode ser exemplificada etnograficamente\" e \"quais s\u00e3o as tens\u00f5es entre interesse e desinteresse na doa\u00e7\u00e3o de presentes\", quest\u00f5es muito significativas, podemos ver seu potencial de evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n    <\/div>\n    \n\n\n\n    <div class=\"discrepancia dos\">\n        <h2>Em que casos ela pode ser aplicada para analisar fen\u00f4menos sociais na Am\u00e9rica Latina e no Brasil?<\/h2>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"lanna\">\n        <p class=\"nombre\">Marcos Lanna<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Qualquer estudo de gastos p\u00fablicos (...) \u00e9 um estudo de presentes.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"castro-menezes\">\n        <p class=\"nombre\">Renata de Castro Menezes<\/p>\n        <p class=\"llamada\">A teoria das doa\u00e7\u00f5es refere-se \u00e0 l\u00f3gica dos grupos em torno da troca de coisas e das coisas trocadas.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta lanna\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Em in\u00fameros casos. Desde a mobiliza\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o para fazer doa\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias (alimentos, rem\u00e9dios, abrigo) no caso de uma cat\u00e1strofe clim\u00e1tica, at\u00e9 uma reforma tribut\u00e1ria, em qualquer lugar do planeta. Mauss, seguindo Bronis\u0142aw Malinowski - e mais tarde Karl Polanyi - chamou os pagamentos aos chefes da Melan\u00e9sia (entre outros) de \"tributos\". Qualquer estudo de gastos p\u00fablicos, inclusive intragovernamentais (de minist\u00e9rios a parlamentares, por exemplo), \u00e9 um estudo de presentes e, em todos eles, Mauss nos ensina que a reciprocidade est\u00e1 presente, ordenando-os. Meu livro <em>A d\u00edvida divina <\/em>(Lanna, 1995) descreve um munic\u00edpio no nordeste do Brasil com base em uma etnografia de trocas, na qual o prefeito funciona como um centralizador de reciprocidades. Aqui enfatizo o conceito de reciprocidade hier\u00e1rquica. As rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero tamb\u00e9m s\u00e3o permeadas por presentes e contra-presentes que constituem as esferas dom\u00e9sticas. Mauss demonstrou que as unidades que L\u00e9vi-Strauss passou a chamar de \"fam\u00edlias\", sejam elas polin\u00e9sias ou do noroeste americano, e at\u00e9 mesmo as fam\u00edlias reais da Europa, s\u00e3o constitu\u00eddas por presentes.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta castro-menezes\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Acho que seria importante aplic\u00e1-la a dois conjuntos de fen\u00f4menos: 1. No campo da economia e da pol\u00edtica, us\u00e1-la para entender a moralidade das trocas, ou seja, reconhecer os valores sociais e culturais que regulam as trocas entre grupos sociais e que muitas vezes aparecem como um comportamento il\u00f3gico, retr\u00f3grado ou pouco racional. A teoria da d\u00e1diva refere-se \u00e0 l\u00f3gica dos grupos em torno da troca de coisas e das coisas trocadas, o que abre a possibilidade de diferentes caminhos para a vida social. 2. a rela\u00e7\u00e3o entre pessoas e coisas, que envolve considerar sua constitui\u00e7\u00e3o m\u00fatua. Na rela\u00e7\u00e3o com objetos religiosos, por exemplo, o apelo de Mauss para que se considerem as concep\u00e7\u00f5es <em>emic<\/em> da \"alma das coisas\", levando-as a s\u00e9rio, \u00e9 muito importante para ampliar nossa compreens\u00e3o da ag\u00eancia das formas materiais.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n    <\/div>\n    \n\n\n\n    <div class=\"discrepancia dos\">\n        <h2>H\u00e1 mudan\u00e7as te\u00f3ricas ou emp\u00edricas que atualizam essa teoria?<\/h2>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"lanna\">\n        <p class=\"nombre\">Marcos Lanna<\/p>\n        <p class=\"llamada\">O trabalho de L\u00e9vi-Strauss \u00e9 sempre sobre trocas, mensagens e comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"castro-menezes\">\n        <p class=\"nombre\">Renata de Castro Menezes<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Uma nova fase do capitalismo (...) tamb\u00e9m est\u00e1 contribuindo para a atualiza\u00e7\u00e3o do dom<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta lanna\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">\u00c9 claro que \u00e9. Existem v\u00e1rias teorias, cada uma propondo atualiza\u00e7\u00f5es diferentes, mas entre elas eu destacaria a que considero mais importante, a <em>Mitol\u00f3gico <\/em>de L\u00e9vi-Strauss,<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> reconhecido como um dos trabalhos cient\u00edficos fundamentais do s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xx<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <em>As estruturas elementares de parentesco<\/em>,<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> de 1949, L\u00e9vi-Strauss faz com que a reciprocidade <em>a<\/em> princ\u00edpio\" e prop\u00f5e que a proibi\u00e7\u00e3o do incesto seja um \"princ\u00edpio\". <em>a<\/em> (\u00fanica) passagem da natureza para a cultura; algumas das trocas matrimoniais derivadas dela, entre primos cruzados, poderiam constituir - em certos contextos - um tipo de linguagem. L\u00e9vi-Strauss nunca negou essa teoria, que ele aceitou como o desenvolvimento mais importante da teoria da d\u00e1diva de Mauss, mas ela foi criticada por seu funcionalismo por Louis Dumont em 1971, por David Schneider e James Boon em 1974 e, ainda mais tarde, por Eduardo Viveiros de Castro. Se esse funcionalismo existe - al\u00e9m disso, o livro de 1949 mostra que certas formas de casamento se tornam linguagem -, ele funda o estruturalismo e torna poss\u00edvel entender a linguagem n\u00e3o mais como uma mera superestrutura, mas com uma capacidade de gerar vida social, como a dos presentes. Afinal de contas, a linguagem \u00e9 feita de presentes, da circula\u00e7\u00e3o de mensagens.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 1964, em <em>Mitologias, <\/em>L\u00e9vi-Strauss mostra que, al\u00e9m da proibi\u00e7\u00e3o do incesto, h\u00e1 outras passagens da \"natureza\" para a \"cultura\"; estas deixam de ser termos anal\u00edticos e passam a ser entendidas como categorias nativas. Essas m\u00faltiplas passagens n\u00e3o est\u00e3o mais necessariamente ligadas apenas \u00e0 troca de pessoas (c\u00f4njuges) concebidas como signos, como em 1949, mas agora incluem trocas de signos de outros tipos. Longe de negar a teoria de 1949 de que existe uma linguagem do casamento em algumas partes do planeta (especialmente na Oceania e no Sudeste Asi\u00e1tico), no volume 1 L\u00e9vi-Strauss analisa os mitos amer\u00edndios como uma linguagem pr\u00f3xima \u00e0 musical, e nos volumes 2 (1966) e 3 (1967) ele escreve sobre como a culin\u00e1ria pode ser constru\u00edda como uma linguagem. Em todos os quatro volumes, os mitos amer\u00edndios e as vis\u00f5es de mundo s\u00e3o entendidos como compostos de \"c\u00f3digos\", estruturados como uma linguagem. Assim, o trabalho de L\u00e9vi-Strauss \u00e9 sempre sobre trocas, mensagens e comunica\u00e7\u00e3o. Se h\u00e1 v\u00e1rias e n\u00e3o mais uma \u00fanica passagem da natureza para a cultura, a linguagem continua sendo a base de todas elas. Nesse sentido, o casamento est\u00e1 pr\u00f3ximo do mito e pode ser entendido como linguagem e at\u00e9 mesmo como narra\u00e7\u00e3o. As infraestruturas tamb\u00e9m s\u00e3o superestruturas, tanto nas an\u00e1lises de parentesco quanto nas de mitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na p\u00e1gina 713 do \"Postface\" da edi\u00e7\u00e3o 154-155 da revista <em>L\u2019Homme <\/em>2000, L\u00e9vi-Strauss afirma:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Fico impressionado com a inquieta\u00e7\u00e3o que surge hoje em torno da quest\u00e3o do interc\u00e2mbio. Ou a troca de mulheres aparece como uma verdade evidente, e a express\u00e3o n\u00e3o implica nenhum coment\u00e1rio, a ponto de parecer pertencer \u00e0 linguagem comum da profiss\u00e3o, ou essa no\u00e7\u00e3o \u00e9 rejeitada, \u00e0s vezes com veem\u00eancia. Um fato curioso: acontece que o mesmo artigo oscila entre essas duas posi\u00e7\u00f5es. De uma p\u00e1gina para outra, as parcerias s\u00e3o descritas em termos de troca, como se isso fosse evidente, e a no\u00e7\u00e3o que acabou de ser usada \u00e9 rejeitada.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e9vi-Strauss aproveita a oportunidade para esclarecer seu pensamento sobre a troca de presentes e para defender as teses de seu livro de 1949. Ele explica que os casos em que o casamento \u00e9 definido por proibi\u00e7\u00f5es, ou por rapto, n\u00e3o excluem a troca; em outros, ele assume a forma de parceria, e em outros, a exist\u00eancia de unidades de troca nem seria necess\u00e1ria. Ele tamb\u00e9m aponta que os termos que constitu\u00edam o \"\u00e1tomo do parentesco\" (como \"pai\" ou \"tio materno\") podem n\u00e3o estar mais presentes na pr\u00e1tica, mas nunca deixam de existir virtualmente; e que entre os \"tipos\" de troca analisados em 1949 haveria rela\u00e7\u00f5es transformacionais. Em outras palavras, em seus modelos conscientes, alguns antrop\u00f3logos negam a troca, mas isso s\u00f3 seria poss\u00edvel retoricamente e \u00e0s custas da qualidade da antropologia no planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Reflex\u00f5es sobre parentesco, al\u00e9m daquela que mencionei em 2000, como a no\u00e7\u00e3o de \"sociedades dom\u00e9sticas\" cunhada em seus cursos oferecidos entre 1976 e 1982 sob o t\u00edtulo \"sociedades cogn\u00e9ticas\", bem como as pr\u00f3prias mitologias, mostram que o estudo das cosmologias e da cosmopol\u00edtica n\u00e3o exclui, mas pressup\u00f5e, o das trocas. O \"Posf\u00e1cio\" tamb\u00e9m deixa claro que a troca n\u00e3o \u00e9 necessariamente de mulheres, homens ou pessoas, mas de signos. Como vimos, n\u00e3o se trata apenas de \"troca\" em si, mas, como Mauss demonstrou, da circula\u00e7\u00e3o de presentes.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta castro-menezes\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Uma maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 intera\u00e7\u00e3o entre pessoas e coisas e uma ci\u00eancia social que favorece o movimento, a imprecis\u00e3o e as passagens trazem uma nova vitalidade \u00e0 teoria dos presentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma nova fase do capitalismo, na qual o valor \u00e9 dado n\u00e3o tanto pela produ\u00e7\u00e3o em massa, mas por investimentos financeiros (n\u00e3o materiais, em certo sentido), bens de luxo, processos violentos de exclus\u00e3o, tamb\u00e9m est\u00e1 contribuindo para uma atualiza\u00e7\u00e3o da d\u00e1diva, cuja conclus\u00e3o moral apela para a mutualidade e a coopera\u00e7\u00e3o, em oposi\u00e7\u00e3o a uma sociedade organizada com base no interesse individual e na competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n    <\/div>\n    \n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Caill\u00e9, Alain (2000). <em>Antropolog\u00eda del don: el tercer paradigma<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lanna, Marcos (1995). <em>A d\u00edvida divina: troca e patronagem no nordeste brasileiro<\/em>. Campinas: Ed. da <span class=\"small-caps\">unicamp<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">L\u00e9vi-Strauss, Claude (1968). <em>Lo crudo y lo cocido. Mitol\u00f3gicas 1<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">fce<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (1985). <em>Las estructuras elementales del parentesco. Vol. 1<\/em>. M\u00e9xico: Planeta-De Agostini.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2000). \u201cPostface\u201d, <em>L\u2019Homme<\/em>, vols. 154-155, abril\/septiembre, pp. 713-720<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mauss, Marcel. (1923). \u201cEssai sur le don. Forme et raison de l\u2019\u00e9change dans les soci\u00e9t\u00e9s archa\u00efques\u201d, <em>L\u2019Ann\u00e9e Sociologique<\/em> (1896\/1897-1924\/1925), 1, pp. 30-186.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Marcos P. D. Lanna<\/em> Possui gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela Universidade de S\u00e3o Paulo (1982), mestrado em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (1987), doutorado em Antropologia pela Universidade de Chicago (1991) e p\u00f3s-doutorado em Antropologia pela Universidade de S\u00e3o Paulo (2006) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2017, este \u00faltimo com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico).<span class=\"small-caps\">cnp<\/span>q, onde foi bolsista de produtividade de 2003 a 2013). Foi professor associado da Universidade Federal do Paran\u00e1 (1995-2006) e, desde 2006, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos. Possui trabalhos etnogr\u00e1ficos no Nordeste brasileiro. Tem focado sua pesquisa na teoria antropol\u00f3gica, especialmente nos trabalhos de Claude L\u00e9vi-Strauss e Louis Dumont, na antropologia das sociedades complexas, na antropologia do Brasil e na teoria da troca. Foi coordenador do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social da <span class=\"small-caps\">ufpr<\/span> (1995-2000), Director de Anpocs (2003-2004), jefe del Departamento de Ciencias Sociales de la <span class=\"small-caps\">ufs<\/span>Car (2008-2010 e 2019-2022). Ele coordena o Centro de Estudos de Hierarquia e Valor (<span class=\"small-caps\">nehv<\/span>). Foi professor visitante na Universidad Iberoamericana na Cidade do M\u00e9xico (2004) e no Laboratoire d'Anthropologie Sociale do Coll\u00e8ge de France (2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Renata de Castro Menezes<\/em> \u00e9 professor titular e curador do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisador do <span class=\"small-caps\">cnp<\/span>q e Cientista da Faperj do Nosso Estado para a Faperj. No Museu Nacional, ela coordena o Laborat\u00f3rio Ludens de Antropologia do L\u00fadico e do Sagrado e \u00e9 professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social. <span class=\"small-caps\">ppgas\/mn\/ufrj<\/span>. Ela \u00e9 bacharel em Hist\u00f3ria, mestre e doutora em Antropologia Social. Realizou um est\u00e1gio de doutorado na <span class=\"small-caps\">ehess<\/span>\/Paris (2011-2012) e \u00e9 membro do Centre d'\u00c9tudes en Sciences Sociales du Religieux-C\u00e9Sor. Ela foi pesquisadora visitante na Universidade de Nova York (2015-2016) e na Fondation Maison des Sciences de l'Homme, Paris (2019). Suas publica\u00e7\u00f5es incluem a tese \"The Dynamics of the Sacred\" (2004) e o trabalho coletivo <em>Antropologia e religi\u00e3o: autores e temas<\/em>com Faustino Teixeira (2023). Organizou a exposi\u00e7\u00e3o \"Doces Santos\" (2020) e o m\u00f3dulo \"Quem sabe, samba\", na exposi\u00e7\u00e3o \"Um museu de descobertas\", no Museu Nacional (2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Marcelo Camur\u00e7a<\/em> \u00e9 antrop\u00f3logo, professor titular do Departamento de Ci\u00eancias da Religi\u00e3o e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o da Universidade Federal de Juiz de Fora\/Brasil. \u00c9 pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (<span class=\"small-caps\">cnp<\/span>(q) do Brasil. Foi professor visitante na Universidade Estadual do Cear\u00e1 (2018) e na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (2019-2022). \u00c9 membro do Laborat\u00f3rio de Antropologia das Religi\u00f5es (Unicamp). \u00c9 membro associado no exterior do Laboratoire Groupe Soci\u00e9t\u00e9s, Religions, La\u00efcit\u00e9s (<span class=\"small-caps\">gsrl<\/span>) da \u00c9cole Pratique des Hautes \u00c9tudes (<span class=\"small-caps\">ephe<\/span>) e do <span class=\"small-caps\">cnrs<\/span>. Ele \u00e9 membro do Conselho Editorial da revista <em>B\u00fassola Social<\/em> da Soci\u00e9t\u00e9 Internationale de Sociologie des Religions\/Sociedade Internacional de Sociologia da Religi\u00e3o (<span class=\"small-caps\">sisr\/issr<\/span>). Foi membro do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Cientistas Sociais das Religi\u00f5es do Mercosul (<span class=\"small-caps\">acsrm<\/span>) de 2005 a 2009 e de 2013 a 2014. Foi membro da Comiss\u00e3o de Avalia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de Teologia e Ci\u00eancias da Religi\u00e3o da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (<span class=\"small-caps\">capas<\/span>), \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o\/Brasil, em 2004-2009 e 2016-2017. Publica\u00e7\u00f5es: <em>Ci\u00eancias sociais e ci\u00eancias religiosas: controv\u00e9rsias e interlocu\u00e7\u00f5es<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2008; <em>Espiritualismo e a Nova Era: Desafios ao Cristianismo Hist\u00f3rico<\/em>. Aparecida: Santu\u00e1rio, 2014; <em>Espiritualismo em sete li\u00e7\u00f5es<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2022; e em coautoria com Brenda Carranza e Cec\u00edlia Mariz. <em>Novas comunidades cat\u00f3licas: em busca de um espa\u00e7o p\u00f3s-moderno<\/em>. Aparecida: Ideias &amp; Letras, 2009.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Mauss, a d\u00e1diva engloba in\u00fameros fen\u00f4menos, mas, mais do que um fen\u00f4meno, ele a considera uma rela\u00e7\u00e3o. S\u00e3o bens, palavras, pessoas, visitas, festas, m\u00fasicas, gestos, viol\u00eancia, sinais, entre outras realidades significativas, que podem ou n\u00e3o circular como mercadorias, das quais, uma vez dadas, emanam algumas formas de retribui\u00e7\u00e3o; s\u00e3o \"obriga\u00e7\u00f5es\", diz Mauss.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":39087,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[28,1317,1318],"coauthors":[551],"class_list":["post-39083","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-1","tag-antropologia","tag-don","tag-mauss","personas-carmuca-marcelo","personas-lanna-marcos-p-d","personas-de-castro-menezes-renata","numeros-1267"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>La pertinencia del ensayo sobre el don de Marcel Mauss &#8211; 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