{"id":38940,"date":"2024-09-20T10:50:01","date_gmt":"2024-09-20T16:50:01","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=38940"},"modified":"2024-10-07T13:33:42","modified_gmt":"2024-10-07T19:33:42","slug":"delazkar-utopias-cotidianas-certezas-fragmentacion-autonomia-comunidad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/delazkar-utopias-cotidianas-certezas-fragmentacion-autonomia-comunidad\/","title":{"rendered":"Composi\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o da utopia comunit\u00e1ria. Vivendo a autonomia entre sonhos e decep\u00e7\u00f5es."},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O objetivo deste texto \u00e9 discutir pr\u00e1ticas, regras, horizontes de esperan\u00e7a e desencanto na composi\u00e7\u00e3o da autonomia comunit\u00e1ria em San Isidro de la Libertad, Chiapas, com base em minha experi\u00eancia etnogr\u00e1fica e nas experi\u00eancias de tr\u00eas jovens membros da comunidade. Certas pr\u00e1ticas locais conferem poder pol\u00edtico ao projeto de autonomia: fazer milpa, celebrar santos, realizar assembl\u00e9ias, comer juntos como uma fam\u00edlia, entre outras. A ressignifica\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas em uma narrativa coletiva do passado, presente e futuro da localidade \u00e9 um processo inacabado que chamo de \"utopiza\u00e7\u00e3o da vida tradicional\". Por sua vez, essas pr\u00e1ticas moldam o sujeito ideal de sua utopia comunit\u00e1ria, que incorpora a esperan\u00e7a, mas tamb\u00e9m reflete, gera e deriva de m\u00faltiplas fragmenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/autonomia\/\" rel=\"tag\">autonomia<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/certezas\/\" rel=\"tag\">certezas<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/comunidad\/\" rel=\"tag\">comunidade<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/fragmentacion\/\" rel=\"tag\">fragmenta\u00e7\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/utopias-cotidianas\/\" rel=\"tag\">utopias cotidianas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\"><span class=\"small-caps\">criando e desfazendo utopias comunit\u00e1rias: os sonhos e as desilus\u00f5es da autonomia<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-text abstract\">O objetivo deste artigo \u00e9 discutir as pr\u00e1ticas, regras, esperan\u00e7as e retrocessos associados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da autonomia comunit\u00e1ria em San Isidro de la Libertad, Chiapas, com base em minha pr\u00f3pria experi\u00eancia etnogr\u00e1fica e na de tr\u00eas jovens membros da comunidade. Certas pr\u00e1ticas locais conferem poder pol\u00edtico ao projeto de autonomia, incluindo o cultivo de milpa, celebra\u00e7\u00f5es de santos, assembleias de cidad\u00e3os e refei\u00e7\u00f5es familiares compartilhadas. A redefini\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas em uma narrativa coletiva do passado, presente e futuro da cidade \u00e9 um processo cont\u00ednuo ao qual me refiro como a \"utopiza\u00e7\u00e3o da vida tradicional\". Essas pr\u00e1ticas, por sua vez, d\u00e3o forma ao sujeito ideal da utopia comunit\u00e1ria, aquele que incorpora a esperan\u00e7a, mas tamb\u00e9m reflete, provoca e vem de m\u00faltiplas fragmenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: utopias cotidianas, certezas, fragmenta\u00e7\u00e3o, autonomia, comunidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Neste texto, n\u00e3o abordo a comunidade como um exerc\u00edcio an\u00e1rquico radical, nem sigo a ideia de prefigura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica como o basti\u00e3o ontol\u00f3gico totalmente unificado do futuro local previsto, mais discutido a partir de novos estudos de movimentos sociais ou decolonialidade. Tamb\u00e9m n\u00e3o discutirei as v\u00e1rias tipologias de autonomias para definir um novo tipo de organiza\u00e7\u00e3o. Em vez disso, discutirei a esperan\u00e7a e o desespero incorporados no exerc\u00edcio singular de uma autonomia associada ao zapatismo e por ele alimentada,<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> mas que encontra legitima\u00e7\u00e3o em sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia para viver um presente e um futuro distanciados da opress\u00e3o do governo e do controle do partido. Por fim, minha atitude met\u00f3dica me levou a considerar as emo\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es dos membros da comunidade como um processo aberto e inconclusivo, um produto de sonhos coletivos passados e experi\u00eancias de fragmenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo apresenta os resultados do meu estudo de doutorado realizado antes da pandemia em um pequeno vale no munic\u00edpio de Zinacant\u00e1n, Chiapas, na comunidade aut\u00f4noma de San Isidro de la Libertad (<span class=\"small-caps\">sil<\/span>). Baseio-me em minha experi\u00eancia etnogr\u00e1fica, na observa\u00e7\u00e3o e no acompanhamento das atividades da pr\u00f3pria comunidade que definem, em grande parte, o exerc\u00edcio de sua autonomia: sua religiosidade cat\u00f3lica, o tequio agr\u00edcola (por meio de sua pr\u00f3pria cooperativa), o compromisso individual com o coletivo, a educa\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, as assembleias comunit\u00e1rias, a forma\u00e7\u00e3o familiar. Todas essas atividades s\u00e3o pr\u00e1ticas de seu modo de vida (Wittgenstein, 1999), as caracter\u00edsticas particulares de seu \"ser aut\u00f4nomo\", que, quando embaladas na vida cotidiana, tornam-se certezas, estruturas seguras para enfrentar as incertezas do futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de <em>ser aut\u00f4nomo<\/em> n\u00e3o se esgota na demanda p\u00fablica para receber o reconhecimento do Estado - em uma base legal e constituinte (Gonz\u00e1lez, 2002), requer uma politiza\u00e7\u00e3o da vida cotidiana (Gravante, 2023).<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> Nesse caso espec\u00edfico, a vida cotidiana e o passado s\u00e3o reavaliados como recursos pol\u00edticos e narrativos para distinguir que <em>ser,<\/em> e suas respectivas pr\u00e1ticas, de outras popula\u00e7\u00f5es, at\u00e9 mesmo de parentes e coabitantes da localidade, em termos ideol\u00f3gicos, \u00e9ticos e pol\u00edticos. Aqui, o pessoal \u00e9 pol\u00edtico precisamente porque um bom ponto de partida foi a pr\u00f3pria vida cotidiana, que eles valorizam como uma forma de rebeli\u00e3o ou protesto (Federici, 2019). Pela minha experi\u00eancia com a comunidade, em vez de ter uma proposta de mudan\u00e7a social radical, em <span class=\"small-caps\">sil<\/span> Mudan\u00e7a significa preservar e reproduzir certas pr\u00e1ticas cotidianas que s\u00e3o politizadas ou ut\u00f3picas, sem fugir das nuances e contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 o objetivo dessa reavalia\u00e7\u00e3o de suas vidas di\u00e1rias? Ao contr\u00e1rio de <em>esperar por<\/em> para um dia alcan\u00e7ar a utopia comunit\u00e1ria, acredito que atribuir um valor pol\u00edtico e cultural a essas pr\u00e1ticas facilita a utopiza\u00e7\u00e3o da vida cotidiana ou a cotidianiza\u00e7\u00e3o da utopia, o que lhes permite situar historicamente sua utopia, sua esperan\u00e7a de mudan\u00e7a no presente, para viv\u00ea-la na vida cotidiana: \u00e9 uma autonomia que s\u00f3 funciona se for incorporada, o que representa uma demanda p\u00fablica e coletiva para demonstrar o compromisso de todos os seus membros.<\/p>\n\n\n\n<p>Visualizo as utopias funcionando em diferentes escalas: como um horizonte de esperan\u00e7a para a comunidade; de fato, \"a fun\u00e7\u00e3o ut\u00f3pica da esperan\u00e7a\" \u00e9 repensar a maneira como se vive e se relaciona com o tempo e moldar o (im)poss\u00edvel (Dinerstein <em>et al<\/em>., 2013: 170); um motivador constante para melhorar suas condi\u00e7\u00f5es de vida individual e coletivamente; uma mudan\u00e7a em movimento que j\u00e1 existe em germe em seu presente (Bloch, 1977); uma esperan\u00e7a incorporada no presente (Bloch, 1977); uma esperan\u00e7a no futuro (Bloch, 2013: 170); uma esperan\u00e7a no futuro (Bloch, 2013: 170).<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> que exige e nos motiva a manter uma disposi\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia pol\u00edticas ativas e a continuar aspirando e antecipando o futuro desejado. Tamb\u00e9m entendo as utopias como um recurso cultural (Appadurai, 2013) que tem sua pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica local, fundamentada nas experi\u00eancias de uni\u00f5es coletivas, acordos e desuni\u00f5es, e nas estruturas de modelagem do grupo, ou seja, em suas certezas de vida, que fornecem os valores ideais e as a\u00e7\u00f5es esperadas do sujeito comunit\u00e1rio aut\u00f4nomo. Por fim, sugiro ver que essa autonomia \u00e9 sustentada em uma comunidade com fragmenta\u00e7\u00f5es e que requer uma utopiza\u00e7\u00e3o da vida cotidiana para superar a tens\u00e3o din\u00e2mica que existe entre inconformidades individuais, regras e certezas comunit\u00e1rias, esperan\u00e7as coletivas, d\u00favidas e decis\u00f5es cotidianas na forma\u00e7\u00e3o desse projeto ut\u00f3pico.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha conviv\u00eancia cont\u00ednua por mais de tr\u00eas anos com os moradores do vilarejo de <span class=\"small-caps\">sil<\/span> me permitiu ver como o ut\u00f3pico era vivido nas pr\u00e1ticas cotidianas, em sua dimens\u00e3o como um horizonte de ser comunit\u00e1rio, no di\u00e1logo e na negocia\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo e o coletivo. Henri Lefebvre (1991) considera que a vida cotidiana \u00e9 um <em>local de possibilidades ut\u00f3picas <\/em>porque est\u00e1 repleto de a\u00e7\u00f5es que podem significar diferentes maneiras de resistir ao sistema global. Lefebvre v\u00ea a vida cotidiana como o espa\u00e7o definitivo do n\u00e3o-saber, ao passo que Ludwig Wittgenstein mostra que essa no\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-saber \u00e9 mais um <em>dobradi\u00e7a<\/em>a <em>n\u00e3o conhecimento,<\/em> uma certeza da pr\u00e1tica di\u00e1ria, algo que \"sabemos\" ser verdadeiro, que permite, embora oculto, que todos os dias sejamos capazes de ser magnetizados pela\/com a realidade sem a necessidade de question\u00e1-la.<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nessas articula\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o tidas como certas, que as pessoas da comunidade distinguiram o valor de sua vida tradicional para sua pr\u00f3pria luta aut\u00f4noma. A\u00ed est\u00e3o os valores que eles agora destacam como fundamentais para sua exist\u00eancia, resist\u00eancia e continuidade. O problema de visualizar essas certezas, como veremos mais adiante, \u00e9 que elas tamb\u00e9m se abrem para o p\u00fablico, para o questionamento do tradicional, para o questionamento interno do pr\u00f3prio modo de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>As informa\u00e7\u00f5es que apresento neste artigo s\u00e3o uma s\u00edntese de dezenas de conversas informais, de conviv\u00eancia di\u00e1ria, de comemora\u00e7\u00f5es anuais e circunstanciais, bem como de entrevistas pontuais e organizadas. Portanto, vou me limitar a mostrar alguns relatos e hist\u00f3rias de vida de personagens da comunidade que demonstram os futuros desejados, as esperan\u00e7as, as dificuldades e as fragmenta\u00e7\u00f5es da utopia comunit\u00e1ria. Nessas hist\u00f3rias, h\u00e1 pr\u00e1ticas cotidianas que nos alertam para uma forma de utopiza\u00e7\u00e3o da vida tradicional da comunidade e servem para pensar e refletir sobre o futuro do sujeito comunit\u00e1rio, que tomo como uma exist\u00eancia intersubjetiva em constante di\u00e1logo entre o ideal (estrutural), o real (pr\u00e1ticas cotidianas) e o sentido (experiencial),<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a> que n\u00e3o define o sujeito, mas o comp\u00f5e, aprendendo a ser voc\u00ea mesmo com os outros (Das, Jackson, Kleinman e Singh Bhrigupati, 2014: 114).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A composi\u00e7\u00e3o da comunidade aut\u00f4noma<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Os moradores de <span class=\"small-caps\">sil<\/span> Eles afirmam ser \"uma comunidade aut\u00f4noma e independente\", com forma\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica dentro do zapatismo, mas nunca se tornaram uma base de apoio para o Ex\u00e9rcito Zapatista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (EZLN).<span class=\"small-caps\">ezln<\/span>). Eles mantiveram uma rela\u00e7\u00e3o de obedi\u00eancia e tens\u00e3o com as decis\u00f5es das Juntas de Buen Gobierno e, posteriormente, com o Congresso Nacional Ind\u00edgena. Trata-se de uma autonomia sem permiss\u00e3o do Estado, como Miguel Gonz\u00e1lez (2002) chamou as comunidades zapatistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a autonomia comunal proposta por v\u00e1rios autores, a maioria deles oaxaquenhos, se reflete no exerc\u00edcio do autogoverno, na gest\u00e3o de seus pr\u00f3prios recursos e na conserva\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio ancestral (Velasco Cruz, 2003), em <span class=\"small-caps\">sil<\/span> atendem aos dois primeiros crit\u00e9rios. Entretanto, a territorialidade geogr\u00e1fica em <span class=\"small-caps\">sil<\/span> n\u00e3o \u00e9 exclusiva nem defendida como tal, pois h\u00e1 duas outras comunidades que ocupam o mesmo espa\u00e7o geogr\u00e1fico, Chactoj e San Isidro. Seu exerc\u00edcio de autonomia \u00e9 inspirado na liberdade de culto cat\u00f3lico (teologia ind\u00edgena), reproduzindo as demandas zapatistas por livre autodetermina\u00e7\u00e3o (aqui eles acrescentam sua etnia e idioma como crit\u00e9rios para uma autonomia particular), produ\u00e7\u00e3o coletiva de alimentos e recursos (milpa, culin\u00e1ria, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, poupan\u00e7a, tecelagem), resolu\u00e7\u00e3o de conflitos internos por meio de assembleias comunit\u00e1rias e pelo desejo cat\u00f3lico de manter as fam\u00edlias unidas. Essas pr\u00e1ticas cotidianas s\u00e3o as mais importantes a serem preservadas e lembradas, as que se tornam refer\u00eancias do que s\u00e3o - sem ainda serem -, as que s\u00e3o utopizadas; e s\u00e3o as que mais regulam.<\/p>\n\n\n\n<p>Ver a autonomia como um processo inacabado e aberto \u00e9 tanto uma perspectiva de an\u00e1lise (Dinerstein <em>et al<\/em>., 2013) como um exerc\u00edcio real na comunidade, e nessa din\u00e2mica di\u00e1ria fluem as contradi\u00e7\u00f5es, as discuss\u00f5es internas, os medos, as expectativas, os orgulhos e as necessidades dos co-munit\u00e1rios. \u00c9 nesse espa\u00e7o que as pessoas da comunidade se movem e, como aponta Mariana Mora, a identidade pol\u00edtica coletiva anticapitalista \u00e9 constru\u00edda (Gonz\u00e1lez, Burguete Cal y Mayor e Ortiz-T., 2010), embora, como mostro no texto, ela n\u00e3o seja necessariamente unificada, linear e absoluta, pois cont\u00e9m suas respectivas fragmenta\u00e7\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As \"novas propostas revolucion\u00e1rias\", como a luta pelos direitos das mulheres e a conserva\u00e7\u00e3o ambiental, ainda s\u00e3o elusivas na pr\u00e1tica para essa comunidade, embora sirvam como uma narrativa pol\u00edtica coletiva do que desejam alcan\u00e7ar e para se distanciar das mesmas pr\u00e1ticas tradicionais que ainda geram tens\u00f5es e apegos: machismo, destrui\u00e7\u00e3o ambiental, autoritarismo, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>A origem da maioria dos habitantes desse lugar vem de um vilarejo pr\u00f3ximo (a cerca de cinco quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia) com mais de 90 anos de exist\u00eancia, Elan vo'.<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a> Os habitantes de Elan vo', assim como os outros vilarejos de Zinacant\u00e1n (centro municipal) e as terras altas de Chiapas, seriam \"benefici\u00e1rios indiretos\" do projeto assimilacionista e integracionista do Instituto Nacional Indigenista (<span class=\"small-caps\">ini<\/span>), com seu Centro Coordenador em Chiapas, projetos etnogr\u00e1ficos e a cria\u00e7\u00e3o de promotores culturais a partir de meados do s\u00e9culo passado (Lewis, 2020: 62); al\u00e9m disso, havia a promessa de modernidade estatal materializada na forma de escolas, escrit\u00f3rios governamentais, igrejas cat\u00f3licas e rodovias - especialmente a Rodovia Pan-Americana em 1947 (Cancian, 1992: 108), como uma continuidade dos experimentos sociais do M\u00e9xico p\u00f3s-revolucion\u00e1rio para resolver \"o problema ind\u00edgena\", que era o problema rural produtivo (Calder\u00f3n M\u00f3lgora, 2018: 155).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Cancian (1992), a grande maioria dos <em>aldeias<\/em> (vilarejos) em Zinacant\u00e1n foram envolvidos durante as d\u00e9cadas de 1960 e 1970 em uma onda de reformas administrativas modernistas, um processo de institucionaliza\u00e7\u00e3o do Estado por meio da reforma agr\u00e1ria e a expans\u00e3o do sistema de carga: novos centros pol\u00edticos, novas cargas, impostos e acompanhados por figuras pol\u00edticas e educacionais que serviam como intermedi\u00e1rios entre \"os dois mundos\". A demanda por novos escrit\u00f3rios, diz Cancian, era quase irrecorr\u00edvel e gerava tens\u00e3o entre seus usu\u00e1rios, principalmente entre aqueles que n\u00e3o eram politicamente ativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas tens\u00f5es se acumularam durante a d\u00e9cada de 1970 e resultaram em rupturas administrativas, econ\u00f4micas e geogr\u00e1ficas entre as pequenas aldeias e as grandes cidades. Nessa l\u00f3gica de descentraliza\u00e7\u00e3o administrativa (1992: 114-115), est\u00e3o os requerentes de terras de Elan vo', carregando a experi\u00eancia da reorganiza\u00e7\u00e3o, que se estabeleceram em Chactoj naquela d\u00e9cada,<a class=\"anota\" id=\"anota7\" data-footnote=\"7\">7<\/a> um vilarejo fora dos registros oficiais na d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio considerar que, antes do levante zapatista, o contexto religioso da teologia da liberta\u00e7\u00e3o j\u00e1 servia como for\u00e7a e apoio para as comunidades interessadas em autonomias.<a class=\"anota\" id=\"anota8\" data-footnote=\"8\">8<\/a> De fato, em 1975, Chactoj teve o primeiro catequista ind\u00edgena em todo o Zinacant\u00e1n, que assumiu a nova orienta\u00e7\u00e3o da diocese - op\u00e7\u00e3o pelos pobres - e \"apoiou a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de sua comunidade\", nas palavras do Ir. Dominico Iribarren.<a class=\"anota\" id=\"anota9\" data-footnote=\"9\">9<\/a> O catequista representava o am\u00e1lgama de interesses entre a religiosidade local - entre os vest\u00edgios rituais maias e o catolicismo tradicional e institucional - e a demanda por educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e, especialmente, pela posse das terras do ejido, base para a autonomia da comunidade sem abusos do Estado, como foi demonstrado pelo Primeiro Congresso Ind\u00edgena em 1974 (S\u00e1nchez Mart\u00ednez, Parra V\u00e1zquez e Zamora Lomel\u00ed, 2022: 104), a partir do qual, al\u00e9m disso, foi gerada uma educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica comunit\u00e1ria privilegiada (Harvey, 2000).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o levante zapatista finalmente ocorreu em 1994, a institui\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica j\u00e1 havia germinado entre os habitantes locais.<a class=\"anota\" id=\"anota10\" data-footnote=\"10\">10<\/a> os preceitos da teologia da liberta\u00e7\u00e3o, a autonomia e a busca por uma vida melhor. Ap\u00f3s um ano de cont\u00ednua disc\u00f3rdia religiosa e diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas, nasceu San Isidro, um momento considerado localmente como o in\u00edcio da luta pela autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>As divis\u00f5es pol\u00edticas e religiosas n\u00e3o eram novidade nessas comunidades, e tanto o Estado quanto a Igreja Cat\u00f3lica faziam parte da reorganiza\u00e7\u00e3o das aldeias em Zinacant\u00e1n (Cancian, 1992: 202), mas a separa\u00e7\u00e3o interna geralmente decorria de conflitos partid\u00e1rios ou familiares ou de discord\u00e2ncias pol\u00edticas com o governo da \u00e9poca, predominantemente o Partido Revolucion\u00e1rio Institucional (PRI).<span class=\"small-caps\">pri)<\/span>sem considerar a independ\u00eancia ou autonomia local. Foi somente ap\u00f3s a revolta zapatista que muitas fam\u00edlias e vilarejos inteiros apoiaram o reconhecimento de sua autonomia. <em>agentes<\/em> (l\u00edderes locais que serviam de ponte entre os governantes municipais e a localidade) e exigiam autonomia em rela\u00e7\u00e3o ao governo, \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica - at\u00e9 certo n\u00edvel - como no caso de San Isidro.<a class=\"anota\" id=\"anota11\" data-footnote=\"11\">11<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, apesar do crescente distanciamento da <span class=\"small-caps\">ezln<\/span> com os partidos pol\u00edticos, o Partido da Revolu\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica (<span class=\"small-caps\">prd<\/span>) ainda contava com forte apoio da sociedade civil e camponesa em meados da d\u00e9cada de 1990, como a principal oposi\u00e7\u00e3o ao <span class=\"small-caps\">pri<\/span>. De fato, algumas fam\u00edlias em San Isidro continuaram a se beneficiar das alian\u00e7as partid\u00e1rias - com o <span class=\"small-caps\">prd<\/span> e outros. Em n\u00edvel regional, a transi\u00e7\u00e3o governamental estava passando do dom\u00ednio quase absoluto do <span class=\"small-caps\">pri<\/span> a um processo crescente de pluripartidarismo e democratiza\u00e7\u00e3o eleitoral nas Terras Altas, tamb\u00e9m impulsionado pelo levante zapatista (Viqueira e Sonnleitner, 2000: 163).<\/p>\n\n\n\n<p>No final da d\u00e9cada de 1990 e no in\u00edcio do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>As diverg\u00eancias entre seguir os mandatos do <span class=\"small-caps\">ezln<\/span> para receber o \"apoio\" do governo.<a class=\"anota\" id=\"anota12\" data-footnote=\"12\">12<\/a> A presen\u00e7a de um grupo de pessoas que se opunham \u00e0 comunidade e de outras partes levou a novos atritos e desigualdades entre os dois lados claros. Apesar disso, a administra\u00e7\u00e3o cotidiana da comunidade era resolvida em conjunto: limpeza de po\u00e7os, organiza\u00e7\u00e3o de festivais de santos padroeiros, para dar exemplos; al\u00e9m disso, as duas fac\u00e7\u00f5es, apesar da desuni\u00e3o ideol\u00f3gica, eram aliadas em algumas demandas em rela\u00e7\u00e3o ao governo, como o n\u00e3o pagamento de eletricidade. No entanto, surgiram novos conflitos sobre o uso dos recursos h\u00eddricos na comunidade, que haviam sido ofuscados pelas diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova fragmenta\u00e7\u00e3o da comunidade veio com um aumento nos conflitos sobre a gest\u00e3o da \u00e1gua em 2003: quando os jovens do acampamento zapatista na comunidade (San Isidro) treinaram no <span class=\"small-caps\">cideci<\/span><a class=\"anota\" id=\"anota13\" data-footnote=\"13\">13<\/a> Eles vieram para disputar um peda\u00e7o de terra com jovens do outro lado, n\u00e3o zapatista. Os primeiros haviam se comprometido a dar tudo de si pela comunidade, garantiu-me Ciro,<a class=\"anota\" id=\"anota14\" data-footnote=\"14\">14<\/a> mas \"eram apenas mentiras, porque assim que conseguiam o que queriam\", eles os abandonavam. Essa juventude, vista como a gera\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a de manter as fam\u00edlias unidas sob o zapatismo, quebrou a confian\u00e7a no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios relat\u00f3rios de jornais,<a class=\"anota\" id=\"anota15\" data-footnote=\"15\">15<\/a> relat\u00f3rios do Centro de Direitos Humanos Fray Bartolom\u00e9 de Las Casas<a class=\"anota\" id=\"anota16\" data-footnote=\"16\">16<\/a> e at\u00e9 mesmo comunicados zapatistas por meio de <em>La Jornada<\/em>,<a class=\"anota\" id=\"anota17\" data-footnote=\"17\">17<\/a> O relat\u00f3rio apresenta um relato dos conflitos internos sobre \u00e1gua e eletricidade entre as comunidades vizinhas zapatistas e n\u00e3o zapatistas em Zinacant\u00e1n. \u00c9 a continuidade de uma tradi\u00e7\u00e3o social de desuni\u00e3o social e pol\u00edtica, \u00e9 a comunidade fragmentada (Crehan, 1998), tanto por causa do empobrecimento estrutural e da manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica quanto por causa de discord\u00e2ncias internas, g\u00eanero, classe e at\u00e9 mesmo express\u00f5es de compromisso social; e, ainda assim, conectada por rela\u00e7\u00f5es de parentesco, um passado relativamente comum e, eu poderia acrescentar, a nostalgia de uma esperan\u00e7a comunit\u00e1ria unida, de um fazer comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Os \"perredistas\", \"priistas\" ou apoiadores do povo \"entero\" (Chactoj) gradualmente se tornaram a alteridade, apesar de compartilharem a hist\u00f3ria, a geografia, a fam\u00edlia, a religi\u00e3o e a etnia. Esses conflitos foram o pano de fundo imediato para que um grupo de 30 fam\u00edlias decidisse \"tornar-se independente\" de San Isidro, fundando sua pr\u00f3pria \"comunidade\" e batizando-a de San Isidro de la Libertad em 2003. O nome vincula o exerc\u00edcio da autonomia e o modo de vida comunit\u00e1rio com a a\u00e7\u00e3o de um Jesus revolucion\u00e1rio, o Jesus dos oprimidos, os povos ind\u00edgenas. Para essas fam\u00edlias, seguir suas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e de vida significava viver com dignidade e liberdade. Um primeiro mandato, portanto, foi rejeitar a intoler\u00e2ncia local e os autoritarismos partid\u00e1rios e substitu\u00ed-los por exerc\u00edcios de di\u00e1logo mais assembleares e menos impositivos. As fam\u00edlias n\u00e3o migrariam para uma \"terra prometida\" ou mudariam de geografia nessa fragmenta\u00e7\u00e3o, elas permaneceriam em suas casas, mas agora unidas pelo n\u00facleo da cooperativa Vientos del Norte al Sur,<a class=\"anota\" id=\"anota18\" data-footnote=\"18\">18<\/a> a partir do qual s\u00e3o organizados tequios agr\u00edcolas, coleta coletiva de sementes, comercializa\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e outras atividades coletivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, a cooperativa representa a plataforma formal para esse grupo de fam\u00edlias viverem <em>em<\/em> uma nova comunidade. <span class=\"small-caps\">sil<\/span> n\u00e3o \u00e9 um ejido com seu pr\u00f3prio pol\u00edgono, nem tem geografia ou hist\u00f3ria individual; existe como uma comunidade no n\u00edvel conceitual e nas pr\u00e1ticas e redes de seus membros. Embora Chactoj<a class=\"anota\" id=\"anota19\" data-footnote=\"19\">19<\/a> e San Isidro continuam sendo a rede heur\u00edstica que os une (devido aos elementos que compartilham), <span class=\"small-caps\">sil<\/span>como um coletivo, desenvolveu um <em>distin\u00e7\u00e3o subjetiva<\/em> que permite que seus membros ressignifiquem suas atividades di\u00e1rias como dignas de um patrim\u00f4nio a ser defendido e reproduzido. Em minha opini\u00e3o, ela n\u00e3o chega a ser uma nova ontologia porque at\u00e9 mesmo sua <em>ser<\/em> comunidade e ancestral <em>\u00e9<\/em> parte da quase alteridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o processo de autonomia do <span class=\"small-caps\">sil<\/span> tem um hist\u00f3rico administrativo estatal, impulsos familiares e locais motivados pela teologia da liberta\u00e7\u00e3o nas comunidades e pelo levante zapatista de 1994. Sua autonomia \u00e9 uma continuidade de outros processos de luta social nos n\u00edveis econ\u00f4mico e sociopol\u00edtico. A divis\u00e3o de Chactoj em tr\u00eas comunidades \u00e9 uma pr\u00e1tica em Los Altos que podemos relacionar \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o ou \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e administrativa, mas que n\u00e3o alcan\u00e7a a autonomia comunit\u00e1ria em suas dimens\u00f5es ideais, nem econ\u00f4mica nem socialmente. Em outras palavras, a autonomiza\u00e7\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, uma pr\u00e1tica ut\u00f3pica, pois aspira a n\u00edveis de emancipa\u00e7\u00e3o que s\u00e3o (im)poss\u00edveis nas condi\u00e7\u00f5es atuais (sem saber se elas melhorar\u00e3o ou n\u00e3o no futuro), e acredito que ela exige pelo menos dois esfor\u00e7os no presente: associar mais pr\u00e1ticas cotidianas que legitimem esse processo e continuar cortando os la\u00e7os econ\u00f4micos e educacionais com institui\u00e7\u00f5es e plataformas de poder governamental.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Permanecerem sozinhos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Quando passei pela casa de Jos\u00e9,<a class=\"anota\" id=\"anota20\" data-footnote=\"20\">20<\/a> Por volta das sete horas da manh\u00e3, ele gentilmente me perguntou se eu havia tomado caf\u00e9 da manh\u00e3. Ele e Maria,<a class=\"anota\" id=\"anota21\" data-footnote=\"21\">21<\/a> seu parceiro, estavam a caminho de Chenalh\u00f3. Perguntei a ele se n\u00e3o ir\u00edamos mais realizar a reuni\u00e3o no centro comunit\u00e1rio. Com seu \"n\u00e3o\" brusco, entendi que eles haviam se esquecido do nosso encontro novamente, ent\u00e3o aceitei sua oferta.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentamos em pequenas cadeiras de madeira ao redor de uma pequena mesa perto do fog\u00e3o. Maria serviu a comida, mas comeu seu prato em p\u00e9 enquanto continuava a cozinhar. Jos\u00e9 me disse que eles n\u00e3o estavam muito acostumados com estrangeiros; que alguns volunt\u00e1rios haviam chegado,<a class=\"anota\" id=\"anota22\" data-footnote=\"22\">22<\/a> mas n\u00e3o tantos. Ele sorriu ao contar as piadas sobre pimentas que compartilhou com alguns deles, mostrando a intimidade desses relacionamentos. No entanto, ele disse que agora n\u00e3o <em>o<\/em> O fato de que a comunidade n\u00e3o \u00e9 um lugar onde se pode deixar entrar \"muita gente\" porque \"eles s\u00f3 v\u00eam para tirar vantagem, para obter informa\u00e7\u00f5es\". Isso soou como uma rejei\u00e7\u00e3o de minha pr\u00f3pria exist\u00eancia. Talvez seja por isso que eles evitaram entrevistas formais. Achei que era um ponto delicado e, como eu tamb\u00e9m concordava, disse que sim e entendi por que n\u00e3o. <em>n\u00f3s<\/em> Eu aceitei muito. Aceitei, ali\u00e1s, a alteridade em que fui colocado.<\/p>\n\n\n\n<p>Discutimos a educa\u00e7\u00e3o das duas \u00fanicas alunas da escola secund\u00e1ria aut\u00f4noma.<a class=\"anota\" id=\"anota23\" data-footnote=\"23\">23<\/a> Na verdade, pareceu-me que est\u00e1vamos falando sobre os mecanismos internos de coes\u00e3o social, estrat\u00e9gias para manter ou \"acordar\" as pessoas na comunidade. Eu disse a Maria que as meninas eram motivadas e inteligentes, mas muito t\u00edmidas; elas quase n\u00e3o me faziam perguntas na aula. Jos\u00e9 respondeu que era bom eu vir e ajudar, que minha tarefa como educador era \"melhorar o que elas j\u00e1 t\u00eam\", mas que seria bom eu dizer a elas - \"dizer a elas como uma recomenda\u00e7\u00e3o\", Maria interveio com confian\u00e7a e seriedade imperd\u00edveis - que n\u00e3o se esque\u00e7am de suas ra\u00edzes, sua cultura, seu idioma, de onde vieram. Seu rosto era o de uma autoridade inegavelmente comprometida em evitar que as duas meninas se interessassem demais pela alteridade; pela minha cultura, por exemplo. Ele me disse que n\u00e3o era bom que elas \"pensassem demais em si mesmas\", que n\u00e3o havia problema em aprenderem mais sobre como falar espanhol, que isso as ajudaria mais tarde, quando fossem mais profissionais. Mas me alertou, sem perder a pontualidade, para lembr\u00e1-los da import\u00e2ncia de \"continuarem a ser eles mesmos\", \"tsotsiles\", e n\u00e3o pensarem em si mesmos como <em>kaxlanes<\/em> (branco, mesti\u00e7o, ladino, n\u00e3o ind\u00edgena).<\/p>\n\n\n\n<p>Maria mexia a sopa que estava esquentando na panela, banhando-se na fuma\u00e7a que emanava do fog\u00e3o. Ela estava sempre atenta ao que diz\u00edamos. Tanto que foi ela quem terminou as palavras da companheira alertando as meninas para que n\u00e3o parassem de falar em seu idioma umas com as outras ou com outras pessoas, para que n\u00e3o ficassem envergonhadas agora que sabiam espanhol. O aviso n\u00e3o era para reproduzi-lo nos ouvidos das meninas, mas para que eu tamb\u00e9m agisse de acordo com esse princ\u00edpio \u00e9tico e pol\u00edtico, esse dever do sujeito aut\u00f4nomo.<\/p>\n\n\n\n<p>Senti que todas as recomenda\u00e7\u00f5es eram um pedido definitivo: que eles mantivessem sua identidade Tsotsil, e eu n\u00e3o deveria sugerir o contr\u00e1rio. Uma estrat\u00e9gia clara para lembrar ou desenvolver um estado de consci\u00eancia pr\u00f3pria e coletiva. Jos\u00e9 observou que meu papel era fornecer um guia para o que eles j\u00e1 sabiam, porque o despertar da consci\u00eancia, a politiza\u00e7\u00e3o do sujeito comunit\u00e1rio, est\u00e1 associado ao compromisso com as regras de autonomia, ao exerc\u00edcio di\u00e1rio da identidade, como manter a l\u00edngua materna diante do outro, \u00e0 <em>kaxlan<\/em> particularmente; um exerc\u00edcio de resist\u00eancia e defesa daquela alteridade que \u00e9 vista como perigosa, e at\u00e9 mesmo daquela alteridade que n\u00e3o \u00e9 vista como suspeita, mas que ainda precisa ser observada. Nesse sentido, uma boa comunidade deve seguir esses princ\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Determinado a morrer<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Quando sa\u00edmos do centro comunit\u00e1rio em <span class=\"small-caps\">sil<\/span> No caminho para a quadra de basquete, localizada em San Isidro (talvez a 500 m de dist\u00e2ncia), onde tamb\u00e9m est\u00e1 localizada a escola aut\u00f4noma, perguntei a Esteban quantas fam\u00edlias faziam parte da autonomia. Em um tom seco, ele me disse que, h\u00e1 quatro ou cinco anos, havia de 30 a 32 fam\u00edlias, mas agora havia cerca de 25 a 26.<a class=\"anota\" id=\"anota24\" data-footnote=\"24\">24<\/a> Ele me confessou com certa amargura: \"v\u00e1rias fam\u00edlias foram embora... est\u00e3o procurando dinheiro; est\u00e3o indo para Chactoj, com o governo\". Outros membros da comunidade me disseram a mesma coisa, com um tom semelhante, em algum lugar entre o desprezo e o desespero.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no campo, ele me revelou, durante alguns drinques de <em>var\u00edola<\/em> Ele disse que queria continuar a luta pela autonomia, que n\u00e3o iria embora, que mesmo que continuasse pobre, iria morrer pobre, mas em resist\u00eancia. Aos 21 anos de idade, a convic\u00e7\u00e3o de suas palavras foi uma das mais encorajadoras e apaixonadas que j\u00e1 ouvi para continuar \"o processo de luta\", apesar das dificuldades econ\u00f4micas, de trabalho e de sa\u00fade. Seu alcoolismo n\u00e3o desmotivou, em minha opini\u00e3o, seu genu\u00edno senso de pertencimento e lealdade \u00e0 autonomia como um projeto coletivo; mas tamb\u00e9m n\u00e3o o favoreceu muito, considerando que o consumo de \u00e1lcool \u00e9 sancionado, e ainda pior para ele, que naquele ano ocupava um cargo p\u00fablico (membro do comit\u00ea de educa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Seu nome \u00e9 Esteban G\u00f3mez. Durante anos, eu o vi participar de todos os eventos da comunidade: assembleias, peregrina\u00e7\u00f5es, tequio, agricultura, festas, entre outros, mas sempre imitando os demais, sem se destacar.<\/p>\n\n\n\n<p>Jogamos basquete por um tempo, sozinhos, felizes, com uma bola vazia, sem seguir nenhuma regra \"oficial\". Perguntei se ele iria mandar sua filha de dois anos para uma escola independente e ele disse que sim. Sua resposta positiva foi acompanhada de algo que me surpreendeu: ele disse que queria \"aprender mais\", queria aprender a tocar viol\u00e3o, estudar espanhol, falar \"muito bem\"; queria continuar estudando na escola, terminar o ensino fundamental. A grande barreira que ele me apontou foi: \"mas com uma esposa e um filho voc\u00ea n\u00e3o pode fazer isso\".<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o notei nenhuma tristeza em rela\u00e7\u00e3o a isso, mas notei uma vontade de n\u00e3o ficar exclusivamente no trabalho; ele me repetiu algumas vezes que queria continuar aprendendo mais: queria tocar viol\u00e3o, dan\u00e7ar, ir a festas, beber, estudar. Ele tinha 15 anos de idade e sua esposa tinha cerca de 11 ou 12 quando se casaram. Seis anos de casados e com apenas uma filha. Perguntei sobre seu trabalho e ele me disse que estava indo bem \u00e0s vezes, \u00e0s vezes n\u00e3o, mas que j\u00e1 tinha tudo, esposa, filho, mas queria mais... e repetia seus anseios.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns meses depois, ele me confessou que havia pensado em emigrar \"para o norte\" (Estados Unidos da Am\u00e9rica), mas seu pai n\u00e3o o deixou ir. Anos depois, ele n\u00e3o pensa mais nisso, mas acredita que l\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel ganhar muito dinheiro, desde que se evite \"bebida e mulheres\", caso contr\u00e1rio \"a gente volta pobre\". Sua autorregula\u00e7\u00e3o encontra apoio nesses valores comunit\u00e1rios em <span class=\"small-caps\">sil<\/span>O projeto tem uma clara forma\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, que promove a vida familiar e o papel do pai como provedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas pequenas hist\u00f3rias me levaram a ver que ele e outros membros da comunidade de <span class=\"small-caps\">sil<\/span> n\u00e3o absolutizam sua vida ao trabalho pol\u00edtico, nem que sua \u00fanica e mais forte motiva\u00e7\u00e3o na vida \u00e9 a luta pela autonomia. Esteban refletiu um sujeito aut\u00f4nomo mais realista, que permanece leal ao coletivo, mas sabe quais s\u00e3o as pr\u00e1ticas n\u00e3o ideais de autonomia (receber dinheiro do governo, beber \u00e1lcool, desintegrar a fam\u00edlia), alguns referentes da antiutopia (seguir o \"mau governo\", trair a comunidade, aliar-se a partidos pol\u00edticos) e ideais do sujeito -jovem- aut\u00f4nomo, trair a comunidade, aliar-se a partidos pol\u00edticos) e ideais do sujeito jovem aut\u00f4nomo (encontrar dignidade na vida mesmo sofrendo com a pobreza, confiar na educa\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, ter esperan\u00e7a e convic\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria fam\u00edlia, na autonomia, mesmo com desamparo e incerteza).<\/p>\n\n\n\n<p>Os anseios de Esteban, al\u00e9m da milit\u00e2ncia at\u00e9 a morte, est\u00e3o ligados ao seu passado e \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o que o marca, essa condi\u00e7\u00e3o inexor\u00e1vel de um homem adulto respons\u00e1vel que aprende a rejeitar os desejos individuais \"juvenis\" e assume uma paternidade econ\u00f4mica com a fam\u00edlia e uma simb\u00f3lica com a autonomia. No entanto, a pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o oferece uma seguran\u00e7a conceitual para o desejo de Esteban de \"aprender mais\", que tamb\u00e9m \u00e9 apresentado como uma nostalgia da outra vida: \u00e9 a certeza de que a vida em comunidade \u00e9 uma vida com significado. No final, essa express\u00e3o aut\u00eantica de inconformidade com suas responsabilidades coletivas se submete ao papel que favorece o sentido da vida comunit\u00e1ria para ter \"tudo\".<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de seu entusiasmo e dedica\u00e7\u00e3o ao presente e ao futuro da autonomia, as esperan\u00e7as de mudan\u00e7a geracional n\u00e3o foram depositadas em Esteban. N\u00e3o sei se foi por causa de sua \"presen\u00e7a passiva\" em p\u00fablico, mas a figura ideal para a nova gera\u00e7\u00e3o era um de seus irm\u00e3os, que tinha uma distin\u00e7\u00e3o social favor\u00e1vel \u00e0 autonomia: o carisma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O l\u00edder que n\u00e3o era<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Quando o motorista do \"vocho\" (Volkswagen) desceu, notei algo incomum em seu comportamento: seria seu andar, seu sorriso nada t\u00edmido, seu dom\u00ednio do espa\u00e7o? Desde o in\u00edcio, ele foi hil\u00e1rio com aqueles que estavam esperando por ele, seu professor de catequese, dois catequistas da comunidade de Vochojvo (ambos com idade entre 20 e 25 anos) e eu. Ele nos cumprimentou com encorajamento, especialmente a mim, que sou estrangeiro, brincou. Ele estava alegre, entusiasmado e, depois de pedir s\u00e9rias desculpas ao seu professor, que n\u00e3o gostou do atraso, partimos para a viagem at\u00e9 <span class=\"small-caps\">sil<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>JXun \u00e9 um personagem e tanto! Durante a viagem, ele estava inquieto, jovial e falante; ao contr\u00e1rio de seus colegas de classe, que permaneceram em sil\u00eancio durante a maior parte da viagem e quase n\u00e3o disseram uma palavra para mim (n\u00f3s tr\u00eas est\u00e1vamos no banco de tr\u00e1s). jXun, ao contr\u00e1rio, n\u00e3o parava de falar, animado por compartilhar situa\u00e7\u00f5es cotidianas, sem nenhuma mensagem espec\u00edfica, ao que me pareceu. Definitivamente diferente de seus companheiros. A catequista n\u00e3o se divertia muito com a com\u00e9dia dele, mas parecia toler\u00e1-la. De minha parte, eu estava ficando fascinado por sua maneira peculiar de entreter e socializar.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, jXun parecia ser um interlocutor t\u00edpico de sua comunidade. Seus pais nasceram em Chactoj, mas seu av\u00f4 veio de outra comunidade pr\u00f3xima. jXun era casado com uma mo\u00e7a local, mais jovem do que ele, com quem teve tr\u00eas filhos. Quando o conheci, ele tinha 24 anos de idade. Ele era catequista em <span class=\"small-caps\">sil<\/span> e foi o promotor de educa\u00e7\u00e3o da escola aut\u00f4noma por cinco anos. Embora soubesse cultivar sua milpa, como a maioria de seus vizinhos da comunidade, outros of\u00edcios ocupavam a maior parte de seu tempo e forneciam a maior parte de sua renda. Em sua oralidade, mantinha um discurso sobre a import\u00e2ncia da autonomia, falava tsotsil e era cat\u00f3lico. At\u00e9 o momento, algumas caracter\u00edsticas de lideran\u00e7a e peculiaridade se destacaram, embora seu perfil fosse tradicional, muito semelhante ao de outros membros da comunidade.<a class=\"anota\" id=\"anota25\" data-footnote=\"25\">25<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Naquele mesmo dia, na viagem de volta - no mesmo vocho - ele me contou sobre sua vida. Ele havia trabalhado como tradutor, educador, farmac\u00eautico aprendiz de homeopata, preparando misturas e vendendo-as, m\u00fasico cantor e compositor em uma banda nas ruas de San Crist\u00f3bal, tocando em bares locais, gar\u00e7om em restaurantes, trabalhador nos campos de Tierra Caliente e Los Altos, entre outros. Ele me contou sobre seus diferentes casos amorosos, suas conquistas e seu primeiro casamento, bem como os problemas de seu primeiro casamento e a separa\u00e7\u00e3o de sua primeira filha; descreveu com s\u00e9ria com\u00e9dia a maneira como comprou o carro, entre d\u00edvidas, d\u00favidas e malabarismos para pag\u00e1-lo; e seus \"problemas com o \u00e1lcool\", bem como algumas consequ\u00eancias infelizes no vocho (acidentes). Durante a turn\u00ea, ele me contou com entusiasmo sobre a paix\u00e3o que colocava em cada trabalho que fazia, os erros que admitia ter cometido em suas rela\u00e7\u00f5es sociais e de trabalho, seus novos projetos, as pessoas que conheceu, suas viagens e at\u00e9 mesmo seu desgosto de viver onde vive, em <span class=\"small-caps\">sil<\/span>. Tudo isso em meia hora de palestra.<\/p>\n\n\n\n<p>Os diferentes empregos que ele teve e suas viagens por Chiapas e outros estados do pa\u00eds mostraram seus dons art\u00edsticos e interesses pessoais, seu dom\u00ednio do espanhol e sua vontade de aprender mais idiomas estrangeiros eram dignos de uma disciplina estudantil. Em sua narrativa, jXun era o personagem principal, o her\u00f3i, embora parecesse ser mais um anti-her\u00f3i em recupera\u00e7\u00e3o, pois reconhecia ter tomado decis\u00f5es impr\u00f3prias de um catequista, de uma figura p\u00fablica em sua comunidade. Entretanto, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que ele atribu\u00eda a si mesmo o maior n\u00famero poss\u00edvel de virtudes. Ouvi com muita aten\u00e7\u00e3o suas hist\u00f3rias, que um ter\u00e7o poderia ser exagerado, um ter\u00e7o poderia n\u00e3o ser dele e um ter\u00e7o poderia ser motivado por seu ego exposto a uma pessoa de fora; mas n\u00e3o meditei sobre a veracidade ou n\u00e3o das hist\u00f3rias, mas sobre a narrativa que ele construiu de sua pr\u00f3pria vida, refletindo como ele desejava <em>ser<\/em> visto, diferente dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Sa\u00ed do carro e me despedi. Seria a \u00faltima vez que eu falaria com ele por muito tempo.<a class=\"anota\" id=\"anota26\" data-footnote=\"26\">26<\/a> Ap\u00f3s o encerramento do ano letivo de 2016, ao qual ele n\u00e3o compareceu, jXun se tornaria um personagem esquivo na vida p\u00fablica da comunidade, assumindo seu papel de catequista, mas se distanciando cada vez mais das assembleias comunit\u00e1rias. Sua presen\u00e7a, bem como a de sua esposa e filhos, tornou-se mais ausente. No ano seguinte, ele deixaria a comunidade aut\u00f4noma definitivamente, juntando-se a San Isidro como o principal catequista. Em 2018, fiquei sabendo por um membro da comunidade que ele nem estava mais em Chiapas, mas tinha ido para Guerrero para trabalhar, de acordo com o que eu tinha ouvido nas reuni\u00f5es paroquiais em Zinacant\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora ningu\u00e9m o mencionasse abertamente, quando se falava de jXun havia uma certa dose de suspeita e pesar. N\u00e3o era de se admirar, pois ele era um dos exemplos mais carism\u00e1ticos da comunidade e, como bem diz o irm\u00e3o Iribarren, as esperan\u00e7as de uma renova\u00e7\u00e3o geracional estavam depositadas nele: \"Ele tinha for\u00e7a em quest\u00f5es religiosas, sociais, pol\u00edticas e educacionais, era como o animador [...] N\u00e3o sei se em algum momento quiseram baixar sua guarda e ent\u00e3o ele se rebelou\" (irm\u00e3o Pablo, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>A sa\u00edda de jXun, embora gradual e processual, foi poderosa para o estado de esp\u00edrito da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o foi apenas a sa\u00edda de um l\u00edder em potencial, mas sua sa\u00edda foi associada a um enfraquecimento de sua consci\u00eancia, com a trai\u00e7\u00e3o do coletivo para satisfazer necessidades econ\u00f4micas, que ele tinha. Al\u00e9m disso, ele se vinculou a partidos pol\u00edticos, o que os membros da comunidade interpretaram como \"trabalho de contra-insurg\u00eancia\". O que foi pior, de acordo com um coment\u00e1rio de Gregorio, outro membro da comunidade, \u00e9 que ele \"se deixou enganar\" por ser catequista, aceitando a oferta dos \"partidos pol\u00edticos\" (ou seja, aceitando ser benefici\u00e1rio de projetos sociais do governo) e convencendo outro catequista a fazer o mesmo (Gregorio, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa ideia de \"deixar-se enganar\" est\u00e1 totalmente relacionada a v\u00e1rios elementos que expus acima com rela\u00e7\u00e3o a pr\u00e1ticas que colocam em um horizonte de desesperan\u00e7a ou antiutopia: aquelas pr\u00e1ticas que desencorajam a <em>pr\u00eamio<\/em> de sua comunidade. O golpe emocional foi duplo devido a quem saiu e como saiu. N\u00e3o houve repreens\u00e3o pela sa\u00edda dos dois alunos; a pol\u00edtica interna n\u00e3o \u00e9 exigir perman\u00eancia, mas recomend\u00e1-la. Mas uma vez que a decis\u00e3o foi tomada, n\u00e3o havia como voltar atr\u00e1s. Ambos se tornaram o outro.<\/p>\n\n\n\n<p>jXun representava um jovem nascido e criado na luta pela autonomia; ele era um jovem que havia presenciado os conflitos internos entre as comunidades, um jovem que vinha de uma fam\u00edlia politicamente ativa. Ele era visto como um l\u00edder interessado em sua comunidade, formado por um grupo de jovens que se dedicavam \u00e0 luta pela autonomia. <em>para<\/em> sua comunidade: catequista, educador, tsotsil, carism\u00e1tico. O desespero provocado por sua partida marcou uma severa observa\u00e7\u00e3o para a pessoa que o substituiria em seu trabalho educacional: Carmela.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O sucessor<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Minha irm\u00e3 foi a primeira a querer ir para a escola prim\u00e1ria quando era pequena e eu n\u00e3o queria ir. Quando eu fui sozinha, fui com ela [para acompanh\u00e1-la] e ela parou de estudar e eu fiquei [na escola prim\u00e1ria]. Sim, eu gosto muito [de aprender], a \u00fanica coisa que eu n\u00e3o quero parar \u00e9 de estudar [ela diz isso rindo e sorrindo] (Carmela, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Ele \u00e9 bem conceituado em <span class=\"small-caps\">sil<\/span> O desejo mais concreto \u00e9 que as crian\u00e7as frequentem a escola - muitos dos jovens entre 15 e 30 anos, inclusive Carmela, cursaram o ensino fundamental em escolas oficiais -, mas o desejo mais concreto \u00e9 que recebam uma educa\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, apesar de a administra\u00e7\u00e3o e o planejamento dessa educa\u00e7\u00e3o reca\u00edrem principalmente sobre os estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com as autoridades naqueles anos, o estudo formal n\u00e3o favorece o aprendizado significativo, pois associam a educa\u00e7\u00e3o estatal \u00e0 viol\u00eancia. Como Maria comentou comigo na atividade de encerramento do ano letivo em 2017, os professores das escolas formais s\u00e3o violentos com os alunos ind\u00edgenas e n\u00e3o se importam se as crian\u00e7as aprendem bem o espanhol ou n\u00e3o. Foi por isso que um \"professor\" local, jXun, foi escolhido e, quando ele saiu, essa mesma l\u00f3gica continuou com Carmela.<\/p>\n\n\n\n<p>Carmela parecia ser a sucessora perfeita por causa de seu carisma e atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 autonomia. Na casa de seus pais, seu pai falava com ela em espanhol e sobre seu trabalho fora da comunidade; na casa de sua av\u00f3 materna, tudo era tradicional e em tsotsil. Sua curiosidade a levou a aprender sobre o mundo exterior e o mundo interior, ela me disse. De fato, ela era uma das poucas mulheres - e mulheres jovens - que afirmava querer continuar estudando al\u00e9m da escola prim\u00e1ria, ver as pir\u00e2mides em Chiapas, caminhar em San Crist\u00f3bal e, ao mesmo tempo, atender \u00e0s expectativas de g\u00eanero da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da diferencia\u00e7\u00e3o que ela mesma enxerga e estabelece com seus desejos, o cotidiano de Carmela n\u00e3o se distancia das pr\u00e1ticas e dos pap\u00e9is que ela tem como membro dessa comunidade e como mulher: levantar \u00e0s cinco ou seis da manh\u00e3, preparar a comida, tecer, limpar, cuidar dos irm\u00e3os, dos animais, lavar suas roupas e as dos irm\u00e3os, tecer, ir para a ro\u00e7a de milho e repetir (Carmela, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>O evento da inf\u00e2ncia de Carmela (ep\u00edgrafe) foi um <em>ponto de inflex\u00e3o <\/em>para ela: ela criou uma nova possibilidade de vida, uma linha de vida alternativa. N\u00e3o \u00e9 por acaso que ela conta a hist\u00f3ria (rehistoriza\u00e7\u00e3o), orgulhosa e feliz, refletindo o compromisso significativo que tem com a educa\u00e7\u00e3o.<a class=\"anota\" id=\"anota27\" data-footnote=\"27\">27<\/a> Isso sempre a diferenciaria do restante de seus companheiros e tamb\u00e9m promoveria um senso cr\u00edtico das regras que a limitavam na busca de seus desejos. Sua vida cotidiana, como ela descreveu, a associa mais ao papel ideal esperado dela como mulher jovem. A submiss\u00e3o ao papel, ao contr\u00e1rio de Esteban, nesse sentido, \u00e9 mais forte do que o distanciamento do papel quando ela critica as autoridades (Goffman, 1961). Por exemplo, quando n\u00e3o lhe \u00e9 permitido estabelecer rela\u00e7\u00f5es com agentes externos ou propor suas pr\u00f3prias ideias para ministrar as aulas, ou quando ela se recusa a participar das reuni\u00f5es de treinamento. <span class=\"small-caps\">cideci<\/span>,<a class=\"anota\" id=\"anota28\" data-footnote=\"28\">28<\/a> entre outras decis\u00f5es consideradas individualistas (como batom ou tintura de cabelo).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, perguntei a Carmela qual era seu plano para o futuro. Ela me contou as duas possibilidades que via: \"O que estou pensando, se devo continuar na escola ou se devo me casar? A segunda possibilidade \u00e9 a usual de <span class=\"small-caps\">sil<\/span> e outras comunidades rurais de Chiapas: as meninas param de estudar quando \"ficam juntas\". Para ela, aos 18 anos de idade, n\u00e3o havia d\u00favidas sobre seu plano: continuar estudando. Entretanto, dois elementos pesavam sobre ela: a tradi\u00e7\u00e3o e o desejo de permanecer aut\u00f4noma. Basta dizer que, durante seus dois anos como promotora de educa\u00e7\u00e3o, ela foi criticada in\u00fameras vezes por suas escolhas \"individualistas\" na maneira de ser, falar, vestir e interagir com estranhos na comunidade. Ela n\u00e3o estava respondendo ao dever de ser da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu maior desejo, ela me confessou um dia, era estudar direito, mas ela n\u00e3o tinha a menor no\u00e7\u00e3o de como funcionava o sistema de ensino m\u00e9dio, de ensino secund\u00e1rio ou de diplomas universit\u00e1rios. Seus pais apoiavam o fato de ela continuar estudando e lecionando na escola charter, mas as tens\u00f5es internas e a ang\u00fastia pessoal estavam aumentando. No final de 2018, sua fam\u00edlia se tornou mais uma fam\u00edlia a deixar o projeto de autonomia. Eles n\u00e3o se mudaram, n\u00e3o se dispersaram, n\u00e3o venderam suas terras, n\u00e3o deixaram de acreditar no zapatismo. Eles simplesmente sa\u00edram de <span class=\"small-caps\">sil<\/span>. O conceito, as alian\u00e7as e as regras.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O fechamento. As fissuras do futuro<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Quando perguntei a Mariano, que na \u00e9poca era um dos l\u00edderes da <span class=\"small-caps\">sil<\/span>O que significava comunidade em seu idioma, ele me disse: \"[...] Comunidade significa que as fam\u00edlias est\u00e3o sempre unidas; [...] significa <em>lek<\/em> <em>svoloj baik, <\/em>o que eles fazem <em>fazer<\/em> em comum\" (Mariano, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de que \"as fam\u00edlias est\u00e3o sempre unidas\" \u00e9 tanto um ideal quanto uma <em>leitmotiv<\/em> para legitimar a import\u00e2ncia do trabalho coletivo e comunit\u00e1rio. Sem esse princ\u00edpio ou regra, a legitimidade de viver em autonomia, de fazer coisas em comum, perderia seu poder ut\u00f3pico. Considerando as experi\u00eancias de desuni\u00e3o, contrainsurg\u00eancia, empobrecimento e tens\u00f5es territoriais, os par\u00e2metros de participa\u00e7\u00e3o\/compromisso com a autonomia s\u00e3o r\u00edgidos. Esse \u00e9 o desafio de ressignificar a vida em autonomia, de viver sob regras comunit\u00e1rias dotadas desse sentido particular de vida, em constante tens\u00e3o entre o ideal zapatista de horizontalidade e as profundas ra\u00edzes hier\u00e1rquicas locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Considero que essas concep\u00e7\u00f5es (autonomia, comunidade, fam\u00edlia) s\u00e3o dial\u00f3gicas no modo de vida de <span class=\"small-caps\">sil<\/span>Elas s\u00e3o expressas como uma simbiose em constante defini\u00e7\u00e3o, n\u00e3o por representarem o passado ou o presente, a tradi\u00e7\u00e3o ou a modernidade, mas pelo poder ut\u00f3pico com que atuam na vida dessas pessoas. Seguir essas narrativas ou concep\u00e7\u00f5es nos fala do devir do sujeito comunit\u00e1rio (<em>tornando-se<\/em>), da utopiza\u00e7\u00e3o da vida cotidiana como uma plataforma para legitimar a autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <em>Lutas \"muito diferentes<\/em>Diferentes autores se referem \u00e0 autonomia como a unidade entre as vontades pessoais e os interesses coletivos. Por exemplo, Stahler-Sholk fala da autonomia zapatista como aquela que \"reivindica princ\u00edpios \u00e9ticos e o direito de tomar suas pr\u00f3prias decis\u00f5es quanto \u00e0s rela\u00e7\u00f5es que s\u00e3o estabelecidas com cada inst\u00e2ncia e grupo\" (Baronnet, Stahler-Sholk e Mora Bayo, 2011: 412). Esses estratos devem ser postos \u00e0 prova em suas particularidades. Em <span class=\"small-caps\">sil<\/span>Como mostram as hist\u00f3rias que compartilhei, os interesses e as decis\u00f5es dos tr\u00eas jovens foram assimilados e reduzidos a emo\u00e7\u00f5es individuais que n\u00e3o favoreceram as necessidades coletivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sonhos de Esteban, jXun ou Carmela, seus desejos, seus horizontes de mudan\u00e7a e de parada, sempre estiveram em di\u00e1logo com os ideais do ser aut\u00f4nomo. Ao reconhecerem suas ren\u00fancias individuais para continuar vivendo a utopia comunit\u00e1ria, eles exp\u00f5em as certezas ou as regras assumidas de sua sociedade: s\u00e3o as dobradi\u00e7as wittgenstenianas expostas ao questionamento, \u00e9 a fronteira do n\u00e3o conhecimento, a fissura que mostra o que n\u00e3o precisava ser perguntado porque era dado como certo, sem a necessidade de estar ciente disso. Lembremos que o exerc\u00edcio da autonomia coletiva \u00e9 pessoal e isso implica reconhecer a posi\u00e7\u00e3o social de cada indiv\u00edduo na comunidade, pois ele vive em uma matriz de estruturas sociais que se cruzam, uma interseccionalidade que tamb\u00e9m molda e afeta sua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (Raekstad e Gradin, 2020: 160).<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os tr\u00eas passaram por lutas internas, debatendo suas emo\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao que se esperava que eles entregassem em prol da autonomia. Enquanto Esteban optou - e ainda opta - por colocar suas pr\u00e1ticas a servi\u00e7o da realiza\u00e7\u00e3o cotidiana da utopia comunit\u00e1ria, jXun e Carmela, ao seguirem seu pr\u00f3prio ritmo, tornaram-se desesperan\u00e7a, tornaram-se o medo da fragmenta\u00e7\u00e3o, a alteridade fora do horizonte desejado de autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os valores da autonomia: o trabalho coletivo (cooperativa), a tomada de decis\u00f5es comunit\u00e1rias (assembleia), a valoriza\u00e7\u00e3o positiva de um legado ancestral Tsotsil, a pr\u00e1tica do catolicismo \u00e0 sua maneira, o distanciamento de partidos pol\u00edticos ou de projetos governamentais, a elei\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias autoridades sejam os exerc\u00edcios di\u00e1rios de seu modo de vida atual, eles tamb\u00e9m s\u00e3o as bases fundamentais para considerar que eles vivem a autonomia, sua utopia, no presente; portanto, permanecer fiel a essas pr\u00e1ticas di\u00e1rias \u00e9 dar corpo \u00e0 esperan\u00e7a e ao sujeito aut\u00f4nomo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Appadurai, Arjun (2013). 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Cambridge: Polity Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">S\u00e1nchez Mart\u00ednez, Luvia M.; Manuel R. Parra V\u00e1zquez y Carla B. Zamora Lomel\u00ed (2022). \u201cAutonom\u00eda de los pueblos ind\u00edgenas latinoamericanos. Estudios de caso comparativo entre Chil\u00f3n (M\u00e9xico) y Charagua (Bolivia)\u201d, Latinoam\u00e9rica, 75, pp. 93-121.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Velasco Cruz, Sa\u00fal (2003). \u201cLa autonom\u00eda ind\u00edgena en M\u00e9xico. Una revisi\u00f3n del debate de las propuestas para su aplicaci\u00f3n pr\u00e1ctica\u201d, Perspectivas Te\u00f3ricas, pp. 71-99.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Viqueira, Juan Pedro y Willibald Sonnleitner, (2000). Democracia en tierras indigenas: elecciones en los Altos de Chiapas, 1991-1998. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">colmex<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Wittgenstein, Ludwig (1999). Investigaciones filos\u00f3ficas. Barcelona: Altaya.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Del\u00e1zkar Noel Rizo Guti\u00e9rrez<\/em>. Nicaraguense. PhD em Antropologia Social pela <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>-Sudeste (2019). Vinculado \u00e0 Universidad Aut\u00f3noma Chapingo, filial de Chiapas. Candidato a <span class=\"small-caps\">sni<\/span>p\u00f3s-doutorando no <span class=\"small-caps\">unam<\/span> (2020-2022); bolsista de p\u00f3s-doutorado por <span class=\"small-caps\">conahcyt<\/span> (2022-2024). Linhas de interesse: etnografia, futuros, utopias, narrativas ambientais; temporalidades, \u00e9tica, humor. Membro de grupos de trabalho e semin\u00e1rios: Rede de Estudos sobre Comunidades, Utopias e Futuros (<span class=\"small-caps\">riocomun<\/span>), Grupo de Trabalho da Associa\u00e7\u00e3o Antropol\u00f3gica Latino-Americana; Semin\u00e1rio sobre Antropologia do Espa\u00e7o Exterior; Grupo de Trabalho sobre Humor, Riso e Hierarquias.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O objetivo deste texto \u00e9 discutir pr\u00e1ticas, regras, horizontes de esperan\u00e7a e desencanto na composi\u00e7\u00e3o da autonomia comunit\u00e1ria em San Isidro de la Libertad, Chiapas, com base em minha experi\u00eancia etnogr\u00e1fica e nas experi\u00eancias de tr\u00eas jovens membros da comunidade. Certas pr\u00e1ticas locais conferem poder pol\u00edtico ao projeto de autonomia: fazer milpa, celebrar santos, realizar assembl\u00e9ias, comer juntos como uma fam\u00edlia, entre outras. A ressignifica\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas em uma narrativa coletiva do passado, presente e futuro da localidade \u00e9 um processo inacabado que chamo de \"utopiza\u00e7\u00e3o da vida tradicional\". Por sua vez, essas pr\u00e1ticas moldam o sujeito ideal de sua utopia comunit\u00e1ria, que incorpora a esperan\u00e7a, mas tamb\u00e9m reflete, gera e deriva de m\u00faltiplas fragmenta\u00e7\u00f5es.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[279],"tags":[1269,1285,1259,1284,1286],"coauthors":[551],"class_list":["post-38940","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-279","tag-autonomia","tag-certezas","tag-comunidad","tag-fragmentacion","tag-utopias-cotidianas","personas-rizo-gutierrez-delazkar-noel","numeros-1267"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Componer y fragmentar la utop\u00eda comunitaria &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Este texto es discute pr\u00e1cticas, reglas y horizontes en la composici\u00f3n de la autonom\u00eda comunitaria de San Isidro de la Libertad, Chiapas.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/delazkar-utopias-cotidianas-certezas-fragmentacion-autonomia-comunidad\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Componer y fragmentar la utop\u00eda comunitaria &#8211; Encartes\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Este texto es discute pr\u00e1cticas, reglas y horizontes en la composici\u00f3n de la autonom\u00eda comunitaria de San Isidro de la Libertad, Chiapas.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/delazkar-utopias-cotidianas-certezas-fragmentacion-autonomia-comunidad\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Encartes\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-09-20T16:50:01+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-10-07T19:33:42+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/delazkar-utopias-cotidianas-certezas-fragmentacion-autonomia-comunidad\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/delazkar-utopias-cotidianas-certezas-fragmentacion-autonomia-comunidad\/\"},\"author\":{\"name\":\"Arthur Ventura\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef\"},\"headline\":\"Componer y fragmentar la utop\u00eda comunitaria. 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