{"id":38893,"date":"2024-09-20T10:50:42","date_gmt":"2024-09-20T16:50:42","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=38893"},"modified":"2024-09-25T14:02:00","modified_gmt":"2024-09-25T20:02:00","slug":"rizo-distintas-utopias-comunidades-futuros-posibles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/rizo-distintas-utopias-comunidades-futuros-posibles\/","title":{"rendered":"A cria\u00e7\u00e3o da utopia comunit\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-drop-cap abstract\">Os pesquisadores que fazem parte desse dossi\u00ea s\u00e3o membros do Grupo de Trabalho sobre Antropologia de Comunidades, Futuros e Utopias na Am\u00e9rica Latina, afiliado \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Latino-Americana de Antropologia (Asociaci\u00f3n Latinoamericana de Antropolog\u00eda (<span class=\"small-caps\">ala<\/span>), e a Rede de Pesquisa sobre Comunidades, Utopias e Futuros (<span class=\"small-caps\">riocomun<\/span>). Os estudos e as reflex\u00f5es nele contidos s\u00e3o alimentados pelas discuss\u00f5es provocadas por reuni\u00f5es e di\u00e1logos que v\u00eam ocorrendo h\u00e1 mais de tr\u00eas anos na web. Os textos que foram reunidos para esta edi\u00e7\u00e3o de <em>Encartes<\/em> mostram diferentes contextos hist\u00f3ricos e culturais em diferentes estados do pa\u00eds e no exterior: Baja California, Jalisco, Michoac\u00e1n, Veracruz, Chiapas; bem como na regi\u00e3o da Norpatag\u00f4nia, na Argentina. Essa heterogeneidade demonstra o interesse do grupo em expor possibilidades diferentes, talvez nem sempre novas, de visualizar utopias e futuros comunit\u00e1rios. Embora compartilhemos refer\u00eancias te\u00f3ricas e conceituais, n\u00e3o h\u00e1 homogeneidade ou vis\u00e3o \u00fanica em nossos estudos. Essa diversidade, acreditamos, favorece a continuidade da discuss\u00e3o sobre a relev\u00e2ncia do uso de categorias como esperan\u00e7a, comunidade e utopias para uma compreens\u00e3o mais profunda da realidade da Am\u00e9rica Latina. <\/p>\n\n\n\n<p>Esta breve apresenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o pretende indicar o caminho indiscut\u00edvel para a realiza\u00e7\u00e3o de qualquer utopia ou futuro desejado, mas estabelecer crit\u00e9rios para a discuss\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o detalhada e cotidiana entre comunidades, utopias e futuros. Na primeira parte, fa\u00e7o uma breve revis\u00e3o da presen\u00e7a do g\u00eanero ut\u00f3pico nessa regi\u00e3o do mundo; na segunda, apresento cinco n\u00f3s problem\u00e1ticos para refletir sobre utopias e as possibilidades de mudan\u00e7a social; na terceira, apresento cada artigo do dossi\u00ea. Vamos come\u00e7ar. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A comunidade sempre foi <em>o<\/em> utopia?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A proposta liter\u00e1ria de Thomas More em 1516 (2010) nos leva ao sim. Nesse n\u00e3o lugar (do grego -<em>ou<\/em> y -<em>topia<\/em>As regras, a justi\u00e7a, o governo de todos, a administra\u00e7\u00e3o dos recursos e a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza funcionam porque s\u00e3o regidas por um compromisso com o bem comum, para ser uma sociedade \"verdadeiramente humana\", como Ernst Bloch diria alguns s\u00e9culos depois. Aspirar a esse modelo de vida quase harmonioso (Moro n\u00e3o eliminou a escravid\u00e3o nem a desigualdade social) tornou-se a utopia (com sobrenome europeu) sonhada pelos cinco s\u00e9culos seguintes.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> A partir de ent\u00e3o, esse n\u00e3o-lugar inexistente come\u00e7ou a ser localizado, n\u00e3o apenas de forma imaginativa, mas tamb\u00e9m geograficamente, nas terras concretas do mundo, nas ilhas do Caribe ou nas \u00cdndias Ocidentais, nas florestas tropicais da Am\u00e9rica Latina, nas grandes cidades pr\u00e9-hisp\u00e2nicas ou nos projetos de comuna ou ejido do s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xix<\/span> e <span class=\"small-caps\">xx<\/span>. De acordo com o essencialismo com o qual ela foi - e ainda \u00e9 - observada, a utopia existia e estava em algum lugar nas Am\u00e9ricas, nas sociedades nativas dessa parte do mundo. <\/p>\n\n\n\n<p>Na Ilha da Utopia de Moro, \"os valores ou princ\u00edpios que regem a conviv\u00eancia social nunca s\u00e3o algo preexistente, natural e imut\u00e1vel, mas sempre o resultado de uma escolha coletiva e, portanto, modific\u00e1vel\" (Krotz, 2020: 92). A utopia, em seu sentido liter\u00e1rio e como poder de mudan\u00e7a social hist\u00f3rica (Ainsa, 1999), n\u00e3o nasceu como uma flor end\u00eamica no meio da selva, \u00e9 uma paisagem socialmente formada, \u00e9 um territ\u00f3rio em execu\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>E, como territ\u00f3rio, tem um sujeito espec\u00edfico que o ocupa, que o sente, que d\u00e1 sentido e pr\u00e1ticas em torno do modo de vida associado ao espa\u00e7o, \u00e0 sua hist\u00f3ria ou, melhor dizendo, \u00e0 sua mem\u00f3ria. Esteban Krotz aponta, no mesmo texto citado acima, que \"a mem\u00f3ria tamb\u00e9m pode tra\u00e7ar o caminho para a sociedade humana mesmo atrav\u00e9s dos fracassos\" (2020: 94), e aqui \u00e9 essencial resgatar dois desses par\u00e2metros da utopia: a mem\u00f3ria e os fracassos. A primeira, pelo menos, tem dois rios hist\u00f3ricos para se alimentar: as utopias que floresceram no imagin\u00e1rio liter\u00e1rio do s\u00e9culo XX <span class=\"small-caps\">xv<\/span> e mais tarde, viajando do pensamento europeu para o latino-americano: <em>Rep\u00fablica<\/em> de Plat\u00e3o; <em>Utopia<\/em> de Thomas More; <em>A Cidade do Sol<\/em> por Tommaso Campanella; <em>Not\u00edcias de lugar nenhum<\/em> por William Morris; <em>Na terra dos sonhos do ideal<\/em> por Pierre Quiroule; <em>Nossa Am\u00e9rica<\/em> de Jos\u00e9 Mart\u00ed ou <em>A corrida c\u00f3smica<\/em> por Jos\u00e9 Vasconcelos.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> Al\u00e9m disso, haveria os consequentes experimentos sociais ut\u00f3picos nos s\u00e9culos seguintes (socialismos ut\u00f3picos e anarquistas, europeus, norte-americanos e latino-americanos). <\/p>\n\n\n\n<p>Krotz (2020) chama esse segundo rio de \"lampejos ut\u00f3picos\" na Am\u00e9rica Latina (p. 95). 95), nos quais encontramos uma mem\u00f3ria de luta - de domina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m - e um exerc\u00edcio de demanda pol\u00edtica para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena durante e ap\u00f3s a coloniza\u00e7\u00e3o (menciono brevemente a Ciudad-hospital de Horacio Vasco de Quiroga; Verapaz de Bartolom\u00e9 de las Casas em Chiapas; Col\u00f4nia Socialista Cec\u00edlia de Juan Rossi no Paran\u00e1; a revolu\u00e7\u00e3o sandinista na Nicar\u00e1gua ou o levante zapatista no M\u00e9xico).  <\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as correntes serviram para pensar em formas de vida alternativas \u00e0s atuais, especialmente para confrontar as pol\u00edticas de gest\u00e3o, isolamento, invisibiliza\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o dos sistemas colonialistas e dos Estados independentes na Am\u00e9rica Latina.<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> A boa maneira de viver ou viver bem, como proposta intelectual e comunit\u00e1ria, segue essa dire\u00e7\u00e3o libertadora contempor\u00e2nea, na qual, em vez de viajar e se deslocar geograficamente para alcan\u00e7ar a utopia, trata-se de uma jornada interna e temporal, reivindicando pr\u00e1ticas passadas e locais, com um eixo de identidade \u00e9tnica e pol\u00edtica, que desafia a continuidade cultural do mercado de capital global. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse retorno \u00e0 comunidade faz parte da mem\u00f3ria gerada pelas elites urbanas, locais e internacionais, que viam as Am\u00e9ricas como uma terra f\u00e9rtil para a implementa\u00e7\u00e3o de projetos ut\u00f3picos; viajar para as Am\u00e9ricas era \"uma viagem no tempo, uma viagem ao futuro que cada um gostaria de construir individual ou coletivamente. Logo, o 'Novo Mundo' tamb\u00e9m era o lugar para imaginar um novo come\u00e7o para construir cidades perfeitas, reinos iluminados, comunidades alternativas de inspira\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou religiosa\" (Pro, 2024). Essa refer\u00eancia \u00e0 viagem no tempo \u00e9 um crit\u00e9rio da pr\u00f3pria utopia, seguindo Erick Palomares: \u00e9 sua dimens\u00e3o temporal, n\u00e3o tanto geogr\u00e1fica (Pro, Breni\u0161\u00ednov\u00e1 e Ans\u00f3tegui, 2021) e, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, continua sendo um vi\u00e9s da mem\u00f3ria, algo como um regime cronol\u00f3gico para ler e viver a hist\u00f3ria humana (como aludido por Reinhart Koselleck), o que demonstra em sua natureza, em sua qualidade de germe ut\u00f3pico como mal-estar cr\u00f4nico. <\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, a viagem foi uma viagem para o futuro, como diz Juan Pro, uma viagem para o que poderia ser, para o espa\u00e7o sonhado, para a terra perfeita para criar essa sociedade humana sem os \"erros\" do passado. Por outro lado, a viagem para as Am\u00e9ricas foi vivenciada como uma viagem ao passado, ainda mais nos s\u00e9culos seguintes. <span class=\"small-caps\">xix<\/span>, <span class=\"small-caps\">xx<\/span> e mesmo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>Quando se ia para as comunidades ind\u00edgenas, da selva, das montanhas e dos planaltos, era como viajar para aquele passado id\u00edlico, para aquele lugar onde ainda se vivia com boas pr\u00e1ticas comunit\u00e1rias, com aquela solidariedade mec\u00e2nica de que falava \u00c9mile Durkheim. <\/p>\n\n\n\n<p>Como veremos, a mem\u00f3ria, tanto imagin\u00e1ria quanto corporal, \u00e9 misturada ao longo do tempo e influencia a maneira como os sujeitos se relacionam com seus territ\u00f3rios. Essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1tica e conflituosa condiciona o futuro e a territorialidade \u00e0 medida que as pessoas enfrentam diferentes rupturas ou atritos com sua comunidade e, nesse sentido, com a utopia que est\u00e3o criando. Portanto, vale a pena observar que toda utopia traz consigo seu pr\u00f3prio germe dist\u00f3pico, um cen\u00e1rio que, ao contr\u00e1rio da utopia como fantasia e inexist\u00eancia, tamb\u00e9m faz parte das pr\u00e1ticas da vida cotidiana. <\/p>\n\n\n\n<p>Fracassos. Fracassar \u00e9 atapetar o caminho para o futuro desejado. Fracassar, em termos de produtividade, para alcan\u00e7ar o objetivo final n\u00e3o \u00e9 um desperd\u00edcio hist\u00f3rico ou social. A quest\u00e3o de ter tentado produz uma experi\u00eancia que cont\u00e9m, como Bloch anunciou, o germe da mudan\u00e7a. Vale a pena lembrar aqui a ilustre frase de Gaston Bachelard sobre alquimia e experi\u00eancia: \"A consci\u00eancia viva da esperan\u00e7a \u00e9 em si mesma um sucesso\" (Bachelard, 2000: 58). As utopias se alimentam dos fracassos do passado, ou seja, os futuros poss\u00edveis s\u00e3o moldados pelo que aconteceu no passado, lembrado como mem\u00f3ria oficial ou hist\u00f3ria, bem como pelo que n\u00e3o aconteceu e n\u00e3o existiu (futuros passados). Nesse sentido, as utopias na Am\u00e9rica Latina continuam a ser reconstitutivas de experimentos passados que buscaram modificar a realidade, os quais, al\u00e9m de serem casos isolados ou \"flashes\", s\u00e3o marcos obscuros valiosos que oferecem toda uma gama de experimentos ut\u00f3picos espec\u00edficos de uma regi\u00e3o do mundo. Vale ressaltar que essas realidades que buscam transformar t\u00eam como pano de fundo - sem ser uma g\u00eanese homog\u00eanea, mas compartilhando estruturas e pol\u00edticas intercontinentais - a coloniza\u00e7\u00e3o estrutural das liberdades de m\u00faltiplos povos e comunidades, especialmente ind\u00edgenas. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, portanto, que neste dossi\u00ea a maioria dos casos apresentados seja de comunidades ind\u00edgenas em di\u00e1logo (ou desconsiderando-o) com o Estado, lidando com desigualdades estruturais hist\u00f3ricas e com vest\u00edgios de pol\u00edticas indigenistas p\u00f3s-revolucion\u00e1rias. <\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a comunidade <em>\u00e9<\/em> utopia. De duas maneiras, esse tema parece bastante atraente como modelo de vida e como proposta epist\u00eamica. Por um lado, viver em comunidade se torna aquele lugar id\u00edlico, a utopia (o n\u00e3o-lugar) para a qual \"retornaremos\" como humanidade para voltar \u00e0s pr\u00e1ticas harmoniosas do passado, para reconfigurar nossas rela\u00e7\u00f5es centradas no mercantil e no pol\u00edtico para posicion\u00e1-las em reciprocidade, solidariedade e amor. Em seu segundo aspecto, a comunidade como proposta ontol\u00f3gico-epist\u00eamica n\u00e3o \u00e9 apenas um instrumento te\u00f3rico-metodol\u00f3gico para pensar em formas alternativas de conviv\u00eancia social, mas tamb\u00e9m um horizonte de expectativas que coincidiria com as experi\u00eancias atuais das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas que viveram essas experi\u00eancias a partir de uma mem\u00f3ria corporal, ou seja, fortemente vinculada a indiv\u00edduos pr\u00f3ximos \u00e0s gera\u00e7\u00f5es atuais (bisav\u00f3s, av\u00f3s, pais, m\u00e3es etc.). <\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, esse axioma universalizante deve ser criticado. Se a comunidade \u00e9 utopia (com sobrenome decolonial) no contexto hist\u00f3rico da globaliza\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica do capitalismo, ent\u00e3o ela tamb\u00e9m traz consigo uma distopia em seu germe modernista, um dispositivo ou gene que \u00e9 ativado quando as decis\u00f5es dos sujeitos, individuais e coletivas, passam a ser associadas e preferem decis\u00f5es que os distanciam da utopia. Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 surpreendente, pois os atritos, as fragmenta\u00e7\u00f5es e os desacordos no n\u00edvel interno de qualquer comunidade fazem parte do seu cotidiano (Celentiano, 2005). Portanto, se a comunidade \u00e9 a utopia moderna, mesmo que tenha como pano de fundo uma vida pr\u00e9-moderna, ela tem essa dualidade que n\u00e3o \u00e9 facilmente resolvida: por um lado, ela se sustenta por ser uma cr\u00edtica e resist\u00eancia ao sistema capitalista e, ao mesmo tempo, por ser um sonho distante, uma idealiza\u00e7\u00e3o de um modo de vida que, para sobreviver, requer tanto aspira\u00e7\u00e3o quanto a negocia\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es e identidades. <\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, como alcan\u00e7ar a utopia em tempo real? \u00c9 uma tarefa dif\u00edcil e, mesmo assim, n\u00e3o faltam na humanidade tentativas de alcan\u00e7ar esses \"n\u00e3o-lugares\", esses para\u00edsos terrestres, pol\u00edticos, econ\u00f4micos e sociais que mostrariam a maneira correta de viver para toda a humanidade. Tra\u00e7ar a utopia, como consideramos neste dossi\u00ea, implica trabalho di\u00e1rio em vez de um horizonte distante a ser alcan\u00e7ado, \u00e9 um esfor\u00e7o coletivo e n\u00e3o individual, embora paradoxalmente exija a sustenta\u00e7\u00e3o de uma base de direitos civis e pol\u00edticos liberais para o indiv\u00edduo; \u00e9 uma jornada aberta, n\u00e3o linear e n\u00e3o homog\u00eanea, na qual os atritos internos s\u00e3o tanto uma necessidade de romper com as pr\u00f3prias desigualdades quanto uma reivindica\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e da luta geracional. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Damian Webb afirma que a categoria de utopia est\u00e1 cada vez mais domesticada, no sentido de que foi redefinida como \"aberta, parcial, provis\u00f3ria, localizada\" (Webb, 2020: <span class=\"small-caps\">d<\/span>7-<span class=\"small-caps\">d<\/span>8), em uma tentativa de distanciar o conceito de qualquer totalitarismo associado \u00e0s utopias pol\u00edticas do s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xx<\/span>. O erro ao fazer isso, de acordo com Webb e outros autores, como Emmanuel L\u00e9vinas, \u00e9 esquecer o poder pol\u00edtico da transforma\u00e7\u00e3o global e reduzi-lo \u00e0 utilidade \u00fanica de um pequeno grupo de pessoas; ou mesmo supor que a protopia<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> \u00e9 o caminho mais adequado, porque o progresso \u00e9 gradual ou processual, embora minucioso. Neste dossi\u00ea, queremos mostrar que, mesmo nessa domestica\u00e7\u00e3o, o poder ut\u00f3pico local est\u00e1 encontrando conectores em novos espa\u00e7os e reformulando as defici\u00eancias ou fragilidades de um projeto ut\u00f3pico em dire\u00e7\u00e3o a pontos fortes ou, pelo menos, a mudan\u00e7as de perspectiva, o que, na verdade, j\u00e1 \u00e9 uma conquista social. <\/p>\n\n\n\n<p>\n  Portanto, nosso primeiro n\u00f3 a ser levado em conta \u00e9 que a domestica\u00e7\u00e3o das utopias n\u00e3o \u00e9 uma perda total por causa de seu aparente distanciamento da globalidade, mas pode derivar em uma apropria\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcios comunit\u00e1rios para encontrar novas estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o, em um n\u00edvel pol\u00edtico, mas tamb\u00e9m em um n\u00edvel ontol\u00f3gico, reconsiderando sua posi\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o do mundo. Embora muitos desses projetos n\u00e3o decolem do n\u00edvel local e representem \"um vislumbre na escurid\u00e3o\" (Webb, 2020: <span class=\"small-caps\">d<\/span>9), essa esperan\u00e7a como poder de mudan\u00e7a e maquinaria do cotidiano gera um efeito t\u00e3o merit\u00f3rio na pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o que sua resson\u00e2ncia em outros n\u00e3o demora a aparecer. Alguns textos, como voc\u00ea ver\u00e1, discutem problemas globais e de longa data, como a migra\u00e7\u00e3o rural-urbana e suas consequ\u00eancias identit\u00e1rias (Serrano, 2024) ou a luta pelo reconhecimento pol\u00edtico e a utopia da autonomia comunit\u00e1ria (Z\u00e1rate, 2024), o que nos lembra que o di\u00e1logo entre as estrat\u00e9gias e capacidades culturais de uma popula\u00e7\u00e3o com os diferentes programas sociais do Estado (dota\u00e7\u00e3o de terras do ejido, educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue, cooperativas familiares) exp\u00f5e mecanismos epistemol\u00f3gicos <em>in situ<\/em> de grande valor para a an\u00e1lise social.\n<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa segunda aposta tem a ver com os valores internos da utopia como uma categoria filos\u00f3fica e pol\u00edtica: o bem interno da utopia ou da pr\u00e1tica ut\u00f3pica, seguindo Alasdair McIntyre (2004), tem for\u00e7a n\u00e3o apenas porque a pr\u00f3pria comunidade o deseja, mas por causa da heterogeneidade de insumos que a comunidade recebe de fora (bens externos); as comunidades n\u00e3o s\u00e3o fechadas ou isoladas, pois vivem na geopol\u00edtica regional, nacional e global, ainda mais quando os recursos s\u00e3o limitados ou preciosos para algum mercado consumidor global. N\u00e3o existe aqui uma dicotomia competitiva entre dentro e fora, mas um fluxo de bens, capital e pessoas que constituem a morfologia da utopia. Voc\u00ea ver\u00e1 nos exemplos contidos neste dossi\u00ea que cada comunidade sustenta seus projetos n\u00e3o sem conviver com tens\u00f5es, regras, expectativas e outros acordos e desacordos entre seus membros. Afinal, que utopia n\u00e3o exige algum sacrif\u00edcio ou compromisso moral de seus membros? <\/p>\n\n\n\n<p>\n  O fracasso absoluto das condi\u00e7\u00f5es \u00e0s quais uma sociedade aspira, o fracasso das pr\u00e1ticas aspiracionais, o fim da esperan\u00e7a e das certezas da vida (Lear, 2007) seria a principal distopia de qualquer uma das comunidades descritas neste dossi\u00ea. Essa quest\u00e3o nos leva ao nosso terceiro n\u00f3: as distopias s\u00e3o uma parte inerente do poder ut\u00f3pico, s\u00e3o uma for\u00e7a contr\u00e1ria, um contrapeso que se mobiliza em dire\u00e7\u00e3o ao horizonte da antiutopia, que deve ser evitada, regulada e at\u00e9 mesmo negociada na vida cotidiana. Vistas dessa forma, as distopias comunit\u00e1rias n\u00e3o emergem espontaneamente ou se situam em um futuro incerto, abstrato e especulativo - como a maioria das fic\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias ou cinematogr\u00e1ficas as posiciona -, mas existem de forma latente, parafraseando as palavras de Bloch: elas s\u00e3o uma escurid\u00e3o presente que regula a pr\u00f3pria aposta na utopia comunit\u00e1ria (2006).\n<\/p>\n\n\n\n<p>As impossibilidades de alcan\u00e7ar o desejado, o momento de enfrentar a parede econ\u00f4mica ou pol\u00edtica para administrar a mudan\u00e7a, seja ela conceitual ou pr\u00e1tica, s\u00e3o moment\u00e2neas, mas necess\u00e1rias para que a consci\u00eancia de uma determinada crise se torne um motivador para todo o coletivo. Esse \u00e9 o nosso quarto n\u00f3: n\u00e3o existe um momento \u00fanico ou exclusivo para alcan\u00e7ar a utopia, mas a hist\u00f3ria ou o tempo est\u00e1 repleto de eventos que possibilitam a mudan\u00e7a do futuro desejado, n\u00e3o sem seus contratempos. \"Na realidade, n\u00e3o h\u00e1 um instante que n\u00e3o traga consigo sua oportunidade revolucion\u00e1ria\", como declarou Walter Benjamin em <em>O conceito de hist\u00f3ria<\/em> (2008). Dessa forma, pensamos em utopias e distopias como algo que se mistura em seu desenvolvimento, pois ambas ocorrem, em diferentes graus e emerg\u00eancias, nos mesmos momentos hist\u00f3ricos, mas caber\u00e1 a cada coletivo ou comunidade escolher qual momento privilegiar e perseguir em seu projeto. <\/p>\n\n\n\n<p>Tanto a utopia quanto a distopia s\u00e3o filhas da modernidade, do pensamento racionalista que nos aponta para um sujeito que sempre decide (<em>escolha racional<\/em>) e que, de alguma forma, est\u00e1 no controle de seu destino ou finalidade: que \u00e9 a sua vontade que o levar\u00e1 \u00e0 utopia ou \u00e0 distopia. Os exerc\u00edcios de mudan\u00e7a que mostramos neste dossi\u00ea confrontam essa leitura ao posicionar as utopias como um exerc\u00edcio que n\u00e3o funcionar\u00e1 sem o sujeito coletivo, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o sempre exerc\u00edcios reacion\u00e1rios e racionalizados, pois s\u00e3o manejos emocionais, corporais e territoriais que incluem v\u00e1rias d\u00e9cadas, decep\u00e7\u00f5es, medos e recome\u00e7os. Vale ressaltar que, muitas vezes, como nos lembra Patr\u00edcia Vieira, esse futuro almejado tamb\u00e9m corre o risco de ser destru\u00eddo tanto por for\u00e7as externas quanto por n\u00f3s mesmos. Nessa circunst\u00e2ncia, o futuro visto como o fim dos tempos \u00e9 um reflexo de um ego coletivo presentista, pois pressup\u00f5e que a pior crise poss\u00edvel \u00e9 vivida no presente, deixando as do passado como crises menos graves (Vieira, 2020: 366). <\/p>\n\n\n\n<p>Um quinto n\u00f3 importante a ser exposto, e que surge constantemente em pesquisas dessa escala, \u00e9 o futuro e os tempos. Como sugere Ashis Nandy, a perspectiva dos estudos do futuro \u00e9 gerar a sensibilidade de imaginar o futuro e\/ou desvincular-se do passado objetivo: \"Diz-se que nossas op\u00e7\u00f5es no futuro s\u00e3o limitadas pelo nosso passado, mas na verdade s\u00e3o limitadas pelo nosso passado autoconstru\u00eddo\" (Ramos, 2005: 434). As utopias, assim como as distopias, est\u00e3o intrinsecamente relacionadas ao futuro imaginado, no sentido de que s\u00e3o horizontes de mudan\u00e7a ou capacidades aspiracionais para realizar as mudan\u00e7as desejadas. <\/p>\n\n\n\n<p>\"A capacidade de aspirar a criar horizontes cr\u00edveis de esperan\u00e7a e desejos\", dir\u00e1 Appadurai (2013: 193), \u00e9 um poder coletivo para negociar esse futuro, \u00e9 uma metacapacidade cultural de se relacionar com os outros e cuidar uns dos outros. Ela d\u00e1 aos sujeitos um horizonte \u00e9tico para criar significados, fundamentar pr\u00e1ticas, passar da ilus\u00e3o ao desejo reflexivo. <\/p>\n\n\n\n<p>A utopia de Moro, assim como as seguintes na hist\u00f3ria da Europa, navegou em dire\u00e7\u00e3o ao imposs\u00edvel com propostas para a administra\u00e7\u00e3o do bem comum, um governo justo e acess\u00edvel, uma economia local e solid\u00e1ria. Elas se concentraram no gerenciamento adequado dos recursos naturais e sociais. Utopias na Am\u00e9rica Latina <em>est\u00e3o indo para<\/em> Encontramos cada vez mais exerc\u00edcios comunit\u00e1rios que tamb\u00e9m est\u00e3o pressionando pelo gerenciamento adequado dos recursos naturais e sociais, mas agora enfatizando a emancipa\u00e7\u00e3o do Estado, exigindo o reconhecimento de ancestrais e identidades invis\u00edveis na hist\u00f3ria oficial, tendo o mercado internacional e os governos centralistas como inimigos ou concorrentes diretos para alcan\u00e7ar a autodetermina\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, \u00e9 relevante lembrar que as \"novas utopias latino-americanas\" est\u00e3o envolvidas nas discuss\u00f5es atuais sobre a decolonialidade do pensamento (Mignolo, 2007; Said, 2008; De Sousa Santos, 2009), a abertura dos feminismos e da territorialidade (Varea e Zaragocin, 2017), a demanda por autonomias pol\u00edticas ou reconhecimentos de plurinacionalidade e plurietnicidade (De la Cadena e Starn, 2010); Rivera Cusicanqui, 1996) e tamb\u00e9m nas utopias associadas \u00e0 soberania alimentar e \u00e0 gest\u00e3o dos recursos naturais pelas pr\u00f3prias comunidades agr\u00e1rias e ind\u00edgenas (Giraldo, 2014; Leff, 2014). Na maioria dessas discuss\u00f5es, as propostas do buen vivir\/viver bem s\u00e3o situadas como o modelo ontol\u00f3gico e epist\u00eamico para alcan\u00e7ar essa \"sociedade correta\", a partir das pr\u00f3prias concep\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. A pluralidade e a heterogeneidade de pr\u00e1ticas, tradi\u00e7\u00f5es e perspectivas sobre o viver bem s\u00e3o enormes em toda a Am\u00e9rica Latina e mostram a necessidade de pensar criticamente sobre como elas operam em seus contextos e al\u00e9m deles (por exemplo, no caso das pr\u00f3prias concep\u00e7\u00f5es de viver bem dos povos ind\u00edgenas): <em>Sumak Kawsay, <\/em>no Equador; <em>Lekil Kuxlejal<\/em> em Chiapas; <em>Guendabiani<\/em>em Oaxaca; <em>Suma qama\u00f1a<\/em> e <em>\u00d1andereko<\/em> no Peru, entre muitos outros). <\/p>\n\n\n\n<p>As etnografias deste dossi\u00ea mostram os atritos, as diferen\u00e7as e at\u00e9 mesmo as contradi\u00e7\u00f5es na din\u00e2mica cultural quando se re\u00fanem as formas tradicionais de organizar a vida, o desejo de recuperar o passado e mant\u00ea-lo vivo, as regras sociais internas, os princ\u00edpios morais, as demandas e as aspira\u00e7\u00f5es das gera\u00e7\u00f5es mais jovens, as propostas intelectuais externas e internas, o aprendizado de organizar lutas pol\u00edticas e di\u00e1logos com o Estado, a influ\u00eancia dos mercados, as pol\u00edticas nacionais e os m\u00faltiplos caminhos para alcan\u00e7ar os futuros desejados. Se h\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o que vale a pena lembrar das propostas ut\u00f3picas dos \u00faltimos s\u00e9culos, \u00e9 que o tema da mudan\u00e7a exige que a coletividade desenvolva sua capacidade de ag\u00eancia em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a, em dire\u00e7\u00e3o ao horizonte sonhado. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Os t\u00f3picos abordados neste dossi\u00ea navegam por uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es te\u00f3ricas e metodol\u00f3gicas sobre a abordagem do tema da comunidade, a morfologia das utopias comunit\u00e1rias, o futuro da vida comunit\u00e1ria e seus horizontes futuros. A compila\u00e7\u00e3o \u00e9 variada em suas incurs\u00f5es disciplinares e, embora a maioria seja de etnografias que apresentamos, as reflex\u00f5es s\u00e3o feitas a partir de um conjunto heterog\u00eaneo de reflex\u00f5es, o que acreditamos nutrir a discuss\u00e3o de forma expansiva em vez de limit\u00e1-la. As categorias constantes de an\u00e1lise s\u00e3o utopias, comunidades e futuros, e todas cont\u00eam suas dificuldades e propostas divergentes. <\/p>\n\n\n\n<p>Eduardo Z\u00e1rate (2024) tra\u00e7a a hist\u00f3ria do movimento Purh\u00e9pecha em sua luta para recuperar a autonomia, o governo local e a organiza\u00e7\u00e3o social, bem como a identidade \u00e9tnica. Z\u00e1rate usa a utopia como um <em>embreagem<\/em> \u00c9 um processo pelo qual ele analisa as possibilidades futuras dos habitantes, os imagin\u00e1rios do futuro desej\u00e1vel, no qual ele encontra debates internos entre os poderes locais e as press\u00f5es institucionais do Estado, nem sempre a favor das demandas \u00e9tnicas. A pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o Purh\u00e9pecha \u00e9, em si mesma, um movimento ut\u00f3pico em muitos aspectos, pois se prop\u00f5e a alcan\u00e7ar uma sociedade Purh\u00e9pecha harmoniosa e aut\u00f4noma, reivindicando tradi\u00e7\u00f5es antigas e formulando novas, administrando seus recursos naturais e estabelecendo fronteiras pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas com o Estado mexicano, deixando de propor uma sociedade inexistente para propor uma sociedade concreta. <\/p>\n\n\n\n<p>Com o segundo artigo, passamos \u00e0 an\u00e1lise de Carlos Casas (2024) sobre a produ\u00e7\u00e3o de literatura nahua na Sierra de Zongolica, em Veracruz, onde professores bil\u00edngues nahua de dois grupos diferentes combinam experi\u00eancias, imagin\u00e1rios, especula\u00e7\u00f5es e realidades atuais para pensar sobre sua utopia lingu\u00edstico-comunit\u00e1ria. Ao contr\u00e1rio do texto anterior, Casas se concentra no exerc\u00edcio art\u00edstico da comunidade como uma mistura entre as condi\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e educacionais do presente e a for\u00e7a das tradi\u00e7\u00f5es (oralidade, mem\u00f3ria, identidade) para continuar sendo sujeitos da comunidade, e o analisa por meio do que ele chama de: pr\u00e1ticas do futuro. Ao evitar cair na falsa dicotomia ancestralidade-modernidade, Casas v\u00ea que ser nahua e ser artista n\u00e3o se fundem como entidades contradit\u00f3rias para criar uma nova figura, mas, em vez disso, ele destaca a pluralidade de voca\u00e7\u00f5es de <em>os Nahua<\/em> no mundo contempor\u00e2neo. <\/p>\n\n\n\n<p>O texto de Javier Serrano (2024):  <em>O futuro em comum. Comunidades ind\u00edgenas nas cidades do baixo Rio Negro, Norpatag\u00f4nia, Argentina.<\/em>demonstra a fragilidade das ess\u00eancias em categorias como comunidade, ancestralidade ou identidade, analisando a hist\u00f3ria dos mapuches em seu processo migrat\u00f3rio do campo para a cidade. Em vez de ansiar pela \"identidade perdida\", Serrano prop\u00f5e pensar na comunidade, nos arranjos comunit\u00e1rios, como projetos para um futuro compartilhado, o que permite - metodol\u00f3gica e conceitualmente - pensar e observar a comunidade Mapuche-Tehuelche como um sujeito coletivo que n\u00e3o est\u00e1 isento de contradi\u00e7\u00f5es, limita\u00e7\u00f5es organizacionais ou debates ontol\u00f3gicos com seus coterr\u00e1neos; ao mesmo tempo, destaca as aspira\u00e7\u00f5es sociais individuais e coletivas que surgem das novas condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas e organizacionais para uma popula\u00e7\u00e3o \u00e9tnica. A esperan\u00e7a de mudan\u00e7a, talvez mais associada \u00e0 utopia modernista de desenvolvimento, pode ser encontrada nos mercados urbanos das cidades, nas possibilidades de alcan\u00e7ar mobilidade social ascendente, de transformar materialmente suas condi\u00e7\u00f5es de vida, sem comprometer o v\u00ednculo territorial com a comunidade ou a pr\u00f3pria identidade em um contexto estrangeiro. <\/p>\n\n\n\n<p>O pen\u00faltimo texto, de Rogelio Ruiz (2024), \u00e9 um estudo interdisciplinar entre antropologia e hist\u00f3ria que apresenta as transforma\u00e7\u00f5es territoriais hist\u00f3ricas e as experi\u00eancias coletivas e individuais do ejido El Porvenir, na Baixa Calif\u00f3rnia. Ruiz expressa a conforma\u00e7\u00e3o do ejido por meio da justaposi\u00e7\u00e3o entre mem\u00f3ria e hist\u00f3ria, entre mem\u00f3rias locais e registros oficiais. Seu estudo est\u00e1 situado nas utopias p\u00f3s-revolucion\u00e1rias de um M\u00e9xico que quer ser um estado-na\u00e7\u00e3o soberano, prometendo modernidade para todos os seus cidad\u00e3os e, especialmente, para o setor rural, o controle e a posse da terra que eles trabalham com a institui\u00e7\u00e3o de El Ejido. Nesse sentido, Ruiz evoca a nostalgia de uma comunidade que tem um nome encorajador para sua exist\u00eancia social, que recorre a essa antiga promessa estatal com suas pr\u00f3prias ferramentas sociais, a mem\u00f3ria. Nesse caso, o que eles desejam n\u00e3o \u00e9 retropia (voltar ao passado agr\u00edcola) ou uma utopia com vistas ao futuro, mas juntar-se a um trecho esquecido de um passado que n\u00e3o viveram, o da entrega dos t\u00edtulos do ejido. Assim, El Porvenir quer realizar uma utopia que, fora de sua comunidade, \u00e9 mais uma realidade do passado. <\/p>\n\n\n\n<p> O texto de Del\u00e1zkar Rizo (2024) explora a vida cotidiana de uma pequena aldeia aut\u00f4noma em Zinacant\u00e1n, Chiapas. A posi\u00e7\u00e3o de Rizo \u00e9 ver certas pr\u00e1ticas cotidianas como pr\u00e1ticas ut\u00f3picas que moldam a hist\u00f3ria da aldeia ou do coletivo, definem uma narrativa do sujeito da comunidade, um horizonte do futuro e estabelecem novas regras de comportamento como membros de um coletivo aut\u00f4nomo, zapatista e cat\u00f3lico. <em>sui generis<\/em>. Este texto n\u00e3o aborda a dimens\u00e3o ut\u00f3pica do projeto aut\u00f4nomo, mas sim as fragmenta\u00e7\u00f5es da evolu\u00e7\u00e3o de seu projeto coletivo por meio das experi\u00eancias de tr\u00eas jovens, principalmente em seus encontros e desencontros com as regras que devem assumir como membros da comunidade aut\u00f4noma. A distopia aparece aqui como um exerc\u00edcio de contracorrente, como um horizonte sem esperan\u00e7a que s\u00f3 o tempo mostrar\u00e1 se fortaleceu o coletivo ou o fragmentou a ponto de entrar em colapso. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"small-caps\">Bibliografia<\/span>\n<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">A\u00ednsa, Fernando (1999). <em>La reconstrucci\u00f3n de la utop\u00eda<\/em>. Buenos Aires: Ediciones del Sol\/Unesco. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Appadurai, Arjun (2013). <em>The Future as Cultural Fact. Essays on the Global Condition<\/em> (1a. ed.). Londres: Verso. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Bachelard, Gaston (2000). <em>La formaci\u00f3n del esp\u00edritu cient\u00edfico<\/em> (23a. ed.). 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Nicaraguense. PhD em Antropologia Social pela <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>-Sudeste (2019). Vinculado \u00e0 Universidad Aut\u00f3noma Chapingo, filial de Chiapas. Candidato ao <span class=\"small-caps\">sni<\/span>p\u00f3s-doutorando no <span class=\"small-caps\">unam<\/span> (2020-2022); bolsista de p\u00f3s-doutorado por <span class=\"small-caps\">conahcyt<\/span> (2022-2024). Linhas de interesse: etnografia, futuros, utopias, narrativas ambientais; temporalidades, \u00e9tica, humor. 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