{"id":38619,"date":"2024-03-21T11:01:08","date_gmt":"2024-03-21T17:01:08","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=38619"},"modified":"2024-03-21T11:01:08","modified_gmt":"2024-03-21T17:01:08","slug":"vargas-ensayo-etnografico-busqueda-fosas-clandestinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/vargas-ensayo-etnografico-busqueda-fosas-clandestinas\/","title":{"rendered":"A busca. Seguindo rastros metaf\u00f3ricos em uma margem urbana."},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Em 2006, o ent\u00e3o presidente Felipe Calder\u00f3n lan\u00e7ou a guerra contra as drogas como uma estrat\u00e9gia para desmantelar grandes redes criminosas voltadas para o tr\u00e1fico de drogas. No entanto, a guerra custou a vida de milhares de pessoas, muitas delas encontradas em valas clandestinas. Ao se concentrar em um dia de busca de v\u00edtimas de desaparecimento for\u00e7ado, este ensaio etnogr\u00e1fico descreve e analisa uma das grandes marcas de brutalidade deixadas por essa mesma estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a. Um ponto focal ao longo das p\u00e1ginas \u00e9 a reflex\u00e3o sobre as diferentes maneiras pelas quais, e n\u00e3o como, os atores reivindicam a propriedade dos corpos sem vida localizados nos t\u00famulos. Desde as m\u00e3es que cavam a terra para encontrar os corpos dos mortos <em>tesouros<\/em> para o aparato estatal que tenta controlar o processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/busqueda\/\" rel=\"tag\">pesquisa<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/cuerpos\/\" rel=\"tag\">organismos<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/desaparecidos\/\" rel=\"tag\">pessoas desaparecidas<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/fosas-clandestinas\/\" rel=\"tag\">sepulturas clandestinas<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/mexico\/\" rel=\"tag\">M\u00e9xico<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\"><span class=\"small-caps\">a busca: seguindo pegadas metaf\u00f3ricas nas margens de uma cidade<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-text abstract\">O ex-presidente mexicano Felipe Calder\u00f3n lan\u00e7ou a guerra contra as drogas em 2006 como uma estrat\u00e9gia para desmantelar as vastas redes de tr\u00e1fico de drogas. Essa guerra custou a vida de milhares de pessoas, muitas das quais est\u00e3o enterradas em valas comuns. Ao se concentrar em um \u00fanico dia de busca de corpos, esta etnografia descreve e analisa um dos efeitos colaterais brutais dessa estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a. Um dos principais t\u00f3picos s\u00e3o as diferentes maneiras pelas quais os atores reivindicam os direitos dos corpos sem vida nessas valas, desde as m\u00e3es que cavam a terra para encontrar <em>tesouros<\/em> (tesouros) para o aparato estatal que tenta controlar o processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: desaparecidos, busca, valas comuns secretas, corpos, M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Prel\u00fadio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Este ensaio etnogr\u00e1fico analisa, a partir de uma abordagem antropol\u00f3gica, uma jornada de busca em um pa\u00eds com mais de 100.000 desaparecidos e um desastre forense, entendido como a superlota\u00e7\u00e3o dos necrot\u00e9rios nacionais com mais de 52.000 corpos aguardando identifica\u00e7\u00e3o. Acompanhando uma equipe formada por m\u00e3es buscadoras,<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> autoridades estatais e ativistas, entraremos em uma das periferias urbanas de Guadalajara considerada uma \"zona de risco\", mas onde, paradoxalmente, h\u00e1 esperan\u00e7a para as fam\u00edlias de pessoas desaparecidas, pois, de acordo com as informa\u00e7\u00f5es recebidas, pode haver sepulturas clandestinas no local. \u00c0 medida que vasculhamos o territ\u00f3rio e seguimos os rastros metaf\u00f3ricos dos ausentes (detalharei esse conceito mais adiante), s\u00e3o reveladas v\u00e1rias intera\u00e7\u00f5es que envolvem registros de soberania que demonstram como as formas de se relacionar e reivindicar os corpos das v\u00edtimas emergem da diversidade de atores que participam da busca, que colaboram ou entram em conflito em alguns momentos. Assim, esse documento \u00e9 apresentado como um momento etnogr\u00e1fico que condensa as rela\u00e7\u00f5es tecidas pela viol\u00eancia da guerra \u00e0s drogas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">No dia anterior, hav\u00edamos combinado que nosso ponto de encontro seria na entrada do escrit\u00f3rio da Comiss\u00e3o de Busca do Estado de Jalisco (Comisi\u00f3n de B\u00fasqueda de Personas del Estado de Jalisco, de agora em diante Comiss\u00e3o de Busca), cujo pr\u00e9dio est\u00e1 localizado ao lado de um grande parque que, durante o s\u00e9culo XX, foi constru\u00eddo em uma \u00e1rea de aproximadamente 1.000 metros quadrados. <span class=\"small-caps\">xx<\/span> era um dos centros recreativos mais populares da cidade: o Parque Agua Azul. Hoje ainda \u00e9 um lugar onde algumas fam\u00edlias v\u00e3o nos fins de semana para fazer piqueniques e deitar na grama sob a sombra das copas das grandes \u00e1rvores. Desde suas origens, essa \u00e1rea foi estigmatizada por estar localizada na avenida constru\u00edda sobre o rio San Juan de Dios, a Calzada Independencia, considerada uma esp\u00e9cie de fronteira que dividia a cidade em duas: a leste estavam os bairros de artes\u00e3os e trabalhadores. A oeste, o centro da cidade, estabelecido desde sua funda\u00e7\u00e3o, era o local de resid\u00eancia das elites governantes e econ\u00f4micas, embora o enorme crescimento da cidade tenha gradualmente dilu\u00eddo essa percep\u00e7\u00e3o. Com o passar do tempo, a cidade transbordou, rompendo e criando novas fronteiras, outros centros e mais periferias que compartimentam o territ\u00f3rio. Prova disso \u00e9 que foram encontradas valas clandestinas em v\u00e1rios bairros da regi\u00e3o metropolitana, embora quase sempre em \u00e1reas classificadas como violentas ou, no m\u00ednimo, \"dif\u00edceis\". Hoje iremos em busca de sepulturas em um im\u00f3vel localizado bem pr\u00f3ximo a bairros que, na perspectiva de Veena Das e Deborah Poole (2004), poderiam ser descritos como margens, entendidas como bordas que separam uma pessoa ou um espa\u00e7o de um centro, que pode ser racial, pol\u00edtico, econ\u00f4mico e\/ou geogr\u00e1fico. A margem, portanto, refere-se a um processo de segrega\u00e7\u00e3o constante que delimita simb\u00f3lica e literalmente os sujeitos, colocando-os na borda, no limite da legalidade e do que \u00e9 moralmente aceit\u00e1vel. Esse processo de exclus\u00e3o precisa do territ\u00f3rio para expulsar as pessoas que s\u00e3o relegadas do centro de uma determinada sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de sair, um funcion\u00e1rio da Comiss\u00e3o de Busca se aproxima da porta-voz do coletivo que est\u00e1 organizando essa busca para lhe dizer que ela precisa falar conosco, pois \u00e9 imperativo apresentar o contexto do local para onde estamos indo. Eles querem nos apresentar um documento que resume os elementos que caracterizam esses bairros, juntamente com um detalhamento dos graus de marginaliza\u00e7\u00e3o e o registro de gangues que foram detectadas na \u00e1rea circundante. O funcion\u00e1rio repete que essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes. Algumas m\u00e3es ficam irritadas porque a reuni\u00e3o vai tomar tempo da busca; al\u00e9m disso, com a chegada do inverno, escurece mais cedo. Um pouco nervoso, o palestrante fala sobre os \u00edndices de criminalidade, os baixos n\u00edveis de escolaridade e at\u00e9 mesmo a falta de acesso \u00e0 Internet nesses bairros. Os rostos de algumas das mulheres que buscam ajuda parecem dizer que essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes para entender o que est\u00e1 acontecendo l\u00e1, mas pouco contribuem para o que planejamos. Uma das mulheres ressalta que, embora tudo isso pare\u00e7a ser muito relevante, n\u00e3o podemos demorar mais: \"Isso deveria ter sido feito antes, porque eles est\u00e3o nos tirando tempo\", diz Mirna. O palestrante fala de maneira apressada e pede alguns minutos para mencionar apenas a parte final, que \u00e9 fundamental para hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Iremos a uma grande propriedade localizada em uma col\u00f4nia que \u00e9 cercada por uma das represas mais polu\u00eddas de todo o M\u00e9xico. Recomenda-se levar \u00f3culos especiais e m\u00e1scaras, algo que n\u00e3o sab\u00edamos. \"Da\u00ed a import\u00e2ncia de realizar essas reuni\u00f5es com anteced\u00eancia\", diz a porta-voz do coletivo. Mais tarde, descobri que a equipe de trabalho \u00e9 nova e que a an\u00e1lise de contexto que eles est\u00e3o nos apresentando \u00e9 a primeira que fizeram. No futuro, a ideia \u00e9 fazer essas apresenta\u00e7\u00f5es pelo menos tr\u00eas dias antes das buscas. Devido \u00e0s taxas de contamina\u00e7\u00e3o, o expositor nos informa sobre as ferramentas necess\u00e1rias para nos mantermos seguros. Os protetores bucais est\u00e3o prontamente dispon\u00edveis, na verdade eles fazem parte do kit de ferramentas de busca das m\u00e3es, mas n\u00e3o os \u00f3culos de prote\u00e7\u00e3o, que se assemelham aos \u00f3culos que os esquiadores usam para cobrir os olhos na neve. A represa que visitaremos se chama El Ahogado e, de acordo com a pesquisa da Universidade de Guadalajara, \"8 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de esgoto produzidos em toda a parte sul da Zona Metropolitana s\u00e3o armazenados l\u00e1, que depois s\u00e3o despejados, sem nenhum tratamento, no Rio Santiago\" (Universidade de Guadalajara, 2009). \u00c9 nesse contexto que o palestrante nos alerta sobre a necessidade de proteger nossa pele da polui\u00e7\u00e3o e da dengue, que se tornou um dos principais problemas de sa\u00fade p\u00fablica da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Romina, um membro do coletivo, interrompe para dizer que n\u00e3o podemos esperar mais e que precisamos ir para a represa. Colocamos picaretas, p\u00e1s, luvas, \u00e1gua e algumas latas de Coca Cola no porta-malas. Uma vez na van, conversamos sobre o calor da cidade, as obras que atrapalham o tr\u00e2nsito e o fato de termos esquecido de comprar um kit de primeiros socorros, sem saber que precisar\u00edamos dele mais tarde. Em meio \u00e0 agita\u00e7\u00e3o dentro da van, algu\u00e9m comenta que \u00e9 anivers\u00e1rio da Lourdes e come\u00e7amos a cantar em coro para parabeniz\u00e1-la. Batemos palmas, brincamos, mas Lilia diz que se sente culpada s\u00f3 por estar rindo. O sil\u00eancio cobre um momento ef\u00eamero de alegria em meio \u00e0 incerteza.<\/p>\n\n\n\n<p>De todos eles, Carolina \u00e9 a mais quieta. A busca de hoje est\u00e1 concentrada em seu caso. Seu filho Mariano est\u00e1 prestes a comemorar tr\u00eas anos de seu desaparecimento. Quero enfatizar que h\u00e1 uma estreita liga\u00e7\u00e3o entre os desaparecimentos e o desastre forense, j\u00e1 que muitas vezes entre os corpos encontrados em valas clandestinas ou aguardando identifica\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os forenses est\u00e3o algumas das pessoas anteriormente dadas como desaparecidas (<span class=\"small-caps\">mndm<\/span>, 2021: 13). A guerra, segundo nos disseram, era uma estrat\u00e9gia para conter a expans\u00e3o de grupos criminosos dedicados ao tr\u00e1fico de drogas. Mais de quinze anos depois e com o resultado oposto, que ceifou a vida de milhares de pessoas, alguns pesquisadores, como Oswaldo Zavala (2022), propuseram uma hip\u00f3tese alternativa para entender a guerra. Zavala argumenta veementemente que os chamados cart\u00e9is \"n\u00e3o existem\" e que, na realidade, essa narrativa serviu para justificar a ascens\u00e3o de um regime militarizado de direita e proibicionista. Em grande medida, diferentes pensadores, como Federico Mastrogiovanni (2019) e Guadalupe Correa-Cabrera (2017), apontam que a guerra \u00e0s drogas esconde um modelo de desapropria\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, da natureza e da pr\u00f3pria vida. Um modelo extrativista que n\u00e3o apenas fabrica drogas, mas tamb\u00e9m explora minas e outros \"recursos\" em todo o nosso territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Como vincular a desapropria\u00e7\u00e3o ao desaparecimento? De acordo com Johan Rubin (2015: 9), o desaparecimento \u00e9 uma categoria forense que nasceu na d\u00e9cada de 1970, quando estudiosos de v\u00e1rias disciplinas tentaram encontrar uma maneira de incluir em uma \u00fanica defini\u00e7\u00e3o legal os casos de viol\u00eancia contra civis. Portanto, essa categoria se aplica a corpos desaparecidos. Em outras palavras, o desaparecimento \u00e9, em si, uma liminaridade em que as pessoas foram exclu\u00eddas da ordem dos vivos, mas ainda n\u00e3o podem ser inclu\u00eddas na ordem dos mortos, pois s\u00e3o relegadas a um limbo, uma inexist\u00eancia marcada pela incerteza. Rubin (2015: 10) destaca que o desaparecimento, seja ele cometido por outros civis ou em cumplicidade com as autoridades, n\u00e3o \u00e9 um objetivo, \"mas uma t\u00e1tica a servi\u00e7o de v\u00e1rias estrat\u00e9gias com diferentes objetivos, como o controle social ou o genoc\u00eddio\". Como Sayak Valencia (2010) postulou anteriormente, a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a reserva humana que o modelo extrativista precisa para se alimentar, para se manter vivo. Carolina n\u00e3o sabe ao certo por que ou como seu filho desapareceu, mas culpa a guerra e o governo; no entanto, a \u00fanica coisa que importa no momento \u00e9 que lhe disseram que seu filho est\u00e1 perto da represa. \u00c9 comum entre esses coletivos receber informa\u00e7\u00f5es an\u00f4nimas na forma de mensagens ou liga\u00e7\u00f5es sobre a localiza\u00e7\u00e3o de t\u00famulos ou o prov\u00e1vel paradeiro de pessoas desaparecidas, o que gera ilus\u00f5es, esperan\u00e7a e expectativas, mas tamb\u00e9m medo. Como Adriana, uma das m\u00e3es, me disse: \"N\u00e3o sabemos se \u00e9 verdade, se \u00e9 uma armadilha para nos emboscar. Mas, acima de tudo, muitas das refer\u00eancias que eles nos d\u00e3o s\u00e3o de corpos sem vida, ent\u00e3o voc\u00ea espera que n\u00e3o seja seu filho, mas tamb\u00e9m espera que seja, para acabar com esse mart\u00edrio\".<\/p>\n\n\n\n<p>O que me interessa aqui \u00e9 que s\u00e3o exatamente essas indica\u00e7\u00f5es de informa\u00e7\u00f5es, em termos do conhecimento que elas analisam, que s\u00e3o um dos principais incentivos para que meus interlocutores se desloquem constantemente pelo territ\u00f3rio enquanto seguem os rastros metaf\u00f3ricos de seus entes queridos. Por rastros metaf\u00f3ricos, refiro-me a rumores, conversas, informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelas autoridades, bem como not\u00edcias que iluminam o caminho e apontam poss\u00edveis dire\u00e7\u00f5es para encontrar as pessoas desaparecidas. Embora esses rastros metaf\u00f3ricos muitas vezes se contradigam, pois os rumores e as fontes oficiais nem sempre coincidem, invoco a met\u00e1fora como um entrela\u00e7amento entre o real e o irreal, entre a certeza e a d\u00favida. Nos dados que recebem, h\u00e1 graus de abstra\u00e7\u00e3o que exigem um trabalho de interpreta\u00e7\u00e3o de sua parte. Lorena diz que eles esperam encontrar algo com os dados que t\u00eam. Nesse sentido, de uma perspectiva antropol\u00f3gica, podemos desvendar a ideia de tra\u00e7os metaf\u00f3ricos por meio das lentes do <em>desempenho<\/em>mas situado no contexto mexicano. Como um conjunto de a\u00e7\u00f5es ou um ato de cria\u00e7\u00e3o - nesse caso, o rastreamento de t\u00famulos -, o <em>desempenho<\/em> Seguir as pegadas metaf\u00f3ricas \u00e9, acima de tudo, um momento de ag\u00eancia que se desdobra a cada passo como uma experi\u00eancia incorporada que nutre e produz conhecimento coletivo baseado em rumores, intui\u00e7\u00f5es, not\u00edcias e pesquisas. Seguir os rastros metaf\u00f3ricos \u00e9, acima de tudo, um momento de ag\u00eancia que se desdobra a cada passo como uma experi\u00eancia incorporada que \u00e9 alimentada e produz conhecimento coletivo baseado em rumores, intui\u00e7\u00f5es, not\u00edcias e investiga\u00e7\u00f5es governamentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos <em>desempenho<\/em> requer uma audi\u00eancia, nesse caso s\u00e3o os pr\u00f3prios agentes que representam o Estado que est\u00e3o sendo questionados por sua falta de coopera\u00e7\u00e3o e omiss\u00e3o em n\u00e3o trazer de volta os ausentes. Mas se formos al\u00e9m desse momento e entendermos a busca como um processo, a popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m faz parte da plateia: \"Aqui estamos n\u00f3s, diante da indiferen\u00e7a de todos\", disse-me Sandra durante uma busca em uma sepultura uma semana antes. \"Todo mundo\" como aquele corpo coletivo indiferente que eles invocam durante seus protestos. \"Voc\u00ea que est\u00e1 assistindo, junte-se a n\u00f3s\", essas mulheres costumam gritar ao fecharem ruas em todo o pa\u00eds, ao chamarem os transeuntes. Um p\u00fablico que tamb\u00e9m \u00e9 atingido pelas publica\u00e7\u00f5es feitas nas redes sociais pelos coletivos e pelos programas de not\u00edcias que enviam seus jornalistas para cobrir cada vez que uma sepultura \u00e9 encontrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 outro tipo de espectador, aparentemente silencioso, que as m\u00e3es convocam por meio de ora\u00e7\u00f5es, choro e remo\u00e7\u00e3o da terra. Como explica Isaias Rojas-Perez (2017: 109), o choro \u00e9 uma regi\u00e3o de linguagem, um chamado que testemunha e reivindica a impossibilidade de reaparecimento. Assim, no rastreamento de t\u00famulos, s\u00e3o conjugados elementos que invocam o ausente para emergir da terra. E, embora eles n\u00e3o consigam se articular, as m\u00e3es pedem que eles respondam de alguma forma para escavar e permitir que eles eventualmente voltem para casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao seguir os passos metaf\u00f3ricos deixados pelos ausentes, as m\u00e3es entram em uma experi\u00eancia de grupo multissensorial que combina o emocional, o expressivo e todos os seus sentidos. De acordo com Esther Langdon (2006), um <em>desempenho<\/em> A busca por sepulturas exige, embora \u00e0s vezes, a participa\u00e7\u00e3o de todos os presentes no mesmo espa\u00e7o para atingir um objetivo comum: encontrar seus entes queridos. O que estou interessado em destacar nestas linhas \u00e9 que, durante a busca por sepulturas, h\u00e1 um retalhamento coletivo de v\u00e1rias fontes de informa\u00e7\u00e3o que gera conhecimento a cada passo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, a no\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os metaf\u00f3ricos destaca o papel do corpo, a maneira como a busca \u00e9 incorporada por meio de dados que nos dizem onde os desaparecidos estavam ou poderiam estar. Especialmente se levarmos em conta, como bem diz Daniela Rea (2021), que o desaparecimento n\u00e3o \u00e9 apenas uma categoria forense, mas tamb\u00e9m um lugar, e aqueles que buscam ativam um territ\u00f3rio quando percorrem caminhos, brechas, campos e outros lugares geralmente in\u00f3spitos. Seguir as pegadas metaf\u00f3ricas \u00e9 uma jornada geogr\u00e1fica na qual as emo\u00e7\u00f5es est\u00e3o presentes e a paisagem se torna tanto testemunha quanto participante da busca - um ponto ao qual retornarei mais tarde. Por enquanto, e seguindo a reflex\u00e3o de Gast\u00f3n Gordillo (2014) sobre os vest\u00edgios deixados pelas ondas de viol\u00eancia, parece-me importante destacar que o que os rastros revelam \u00e9 uma paisagem de destrui\u00e7\u00e3o, uma geografia de guerra sobre a qual se sobrep\u00f5em os rastros deixados pelas m\u00e3es dos desaparecidos, que em sua intera\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o produzem sua pr\u00f3pria geografia de esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, metodologicamente, a ideia de tra\u00e7os metaf\u00f3ricos est\u00e1 ligada \u00e0 proposta de George Marcus (2001) de uma etnografia multissituada, pois \u00e9 uma ferramenta que nos permite navegar entre espa\u00e7os inter-relacionados por nossos interlocutores e realizar a observa\u00e7\u00e3o participante nesses espa\u00e7os. Dessa forma, podemos apreender as rela\u00e7\u00f5es que justamente interconectam os espa\u00e7os que percorremos como etn\u00f3grafos. Em particular, quando guiado pela no\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os metaf\u00f3ricos, tento enfatizar que muitos dos meus interlocutores est\u00e3o em constante movimento pelo territ\u00f3rio, e parte do meu trabalho tem sido justamente acompanh\u00e1-los em seus processos de busca. N\u00e3o menos importante, parece-me, \u00e9 a \u00eanfase de Marcus na import\u00e2ncia de situar nossa aten\u00e7\u00e3o no movimento, no corpo que tra\u00e7a rotas e at\u00e9 cria comunidades como resultado de sua presen\u00e7a nos espa\u00e7os que atravessa diariamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Seguindo os passos metaf\u00f3ricos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O mapa no celular indica que estamos prestes a chegar. Entramos em uma col\u00f4nia n\u00e3o pavimentada, com buracos profundos e nuvens de sujeira que se formam \u00e0 medida que nosso comboio passa. \"Eles j\u00e1 sabem que estamos aqui\", diz Carolina, enquanto uma das senhoras responde com uma pergunta: \"Quem j\u00e1 sabe que estamos aqui?\". Essa \u00e9 uma \u00e1rea, de acordo com a an\u00e1lise preparada pela Comiss\u00e3o de Busca, onde h\u00e1 gangues em conflito. Percebemos que o deslocamento das vans e das patrulhas que nos acompanham gera barulho na \u00e1rea. Ramona, que est\u00e1 ao meu lado, me diz que nunca pensou que estaria nesses bairros para onde as buscas os levaram. Em meio \u00e0 guerra, essa cidade se tornou uma testemunha, uma v\u00edtima e um cen\u00e1rio de horror. Com base em sua experi\u00eancia em Tijuana, para Humberto F\u00e9lix (2011), um dos resultados do aumento da viol\u00eancia \u00e9 a ressignifica\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os. Portanto, n\u00e3o se trata apenas da maneira como o medo se espalha geograficamente, mas das formas como os espa\u00e7os adquirem uma dimens\u00e3o espec\u00edfica na narrativa social ligada a epis\u00f3dios de viol\u00eancia (Strickland, 2019; Aceves, De la Torre e Safa, 2004). \"\u00c9 preciso ter muito cuidado nesses lugares\", afirma Ramona. As palavras da m\u00e3e de Luis me remetem ao argumento de Andrea Boscoboinik (2014: 10), \"o medo \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o causada pela amea\u00e7a de perigo, dor ou dano\". Uma emo\u00e7\u00e3o, de fato, compartilhada por v\u00e1rios dos buscadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguir as pegadas metaf\u00f3ricas confronta as m\u00e3es com o desconhecido, especialmente quando elas v\u00e3o a bairros que exacerbaram seu status de fronteiras e margens como resultado da guerra contra as drogas, porque \u00e9 l\u00e1 que ocorrem as atrocidades causadas por uma estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a fracassada. S\u00e3o essas col\u00f4nias que alimentam as hist\u00f3rias estetizadas nos enredos de produ\u00e7\u00f5es televisivas internacionais, como <em>Narcos<\/em> na Netflix e <em>Zero Zero Zero Zero Zero<\/em> na Amazon. Enquanto isso, a vida cotidiana aqui \u00e9 vivida com medo, incerteza e escassez. A mensagem que Carolina recebeu dizia para ela ter cuidado. Podemos nos machucar porque estamos em um territ\u00f3rio desconhecido. Embora, em vez de estranhos, sejamos vistos como inimigos ou, pelo menos, como intrusos. Ficamos surpresos com o fato de apenas tr\u00eas policiais nos acompanharem. Os respons\u00e1veis pela Comiss\u00e3o de Busca dizem que em uma hora chegar\u00e3o elementos da Guarda Nacional para nos proteger. Na realidade, eles chegar\u00e3o tr\u00eas horas depois. Claudio Lomnitz (2023) aponta que territ\u00f3rios como essas margens urbanas s\u00e3o zonas de sil\u00eancio porque a guerra silenciou a din\u00e2mica da vida cotidiana. Embora o autor concentre sua aten\u00e7\u00e3o nos riscos envolvidos na pr\u00e1tica do jornalismo, defendo que sua proposta pode ser expandida para al\u00e9m das vulnerabilidades enfrentadas por aqueles que trabalham como jornalistas no M\u00e9xico. Lomnitz enfatiza o boato que mobiliza os corpos diante do medo como uma estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia em meio \u00e0 incerteza. Um exemplo disso s\u00e3o os rastros metaf\u00f3ricos que s\u00e3o tra\u00e7ados, apesar dos riscos, por meio de uma leitura da paisagem para encontrar os desaparecidos. Aqui, os membros dos coletivos usam seus corpos junto com o cora\u00e7\u00e3o - entendido como a interse\u00e7\u00e3o de amor, afeto e esperan\u00e7a - como uma ferramenta de busca em tempos de viol\u00eancia em massa.<\/p>\n\n\n\n<p>Colocamos nossas luvas, pegamos nossos bast\u00f5es e fazemos uma ora\u00e7\u00e3o. Ouvimos o barulho de motores de caminh\u00e3o vindo de uma estrada pr\u00f3xima. Desse ponto, podemos ver os avi\u00f5es indo e vindo; o aeroporto internacional fica a apenas alguns minutos de dist\u00e2ncia de onde estamos. Entramos em uma \u00e1rea mais arborizada, repleta de exuberantes \u00e1rvores de mesquite que criam um belo cart\u00e3o postal. Mas, embaixo dessa terra, pode haver corpos sem vida. As mesquitas s\u00e3o nossa refer\u00eancia: Carolina foi informada de que o corpo de Mariano (e n\u00e3o apenas o dele) poderia estar entre essas \u00e1rvores. No entanto, quanto mais voc\u00ea abre os olhos, mais v\u00ea pilhas de entulho por toda parte. H\u00e1 at\u00e9 algumas casas em constru\u00e7\u00e3o a poucos passos de dist\u00e2ncia. Os pedreiros nos observam curiosos, intrigados com nossa presen\u00e7a. \"Tudo isso costumava ser uma represa, mas nos \u00faltimos anos come\u00e7aram a ench\u00ea-la de terra para que pudessem construir mais casas. Ao lado fica a represa e achamos que eles jogam corpos l\u00e1. A verdade \u00e9 que a coisa ficou muito feia na regi\u00e3o\", diz Carmen, que cresceu muito perto dessa col\u00f4nia, dessa margem que agora se estende ainda mais, devorando a si mesma (Imagem 1).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/vargas-foto-1.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2560x2560\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 1. Foto tomada por el autor. Noviembre de 2022.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/vargas-foto-1.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 1. Foto tirada pelo autor. Novembro de 2022.<\/div><div class=\"image-analysis\"><p>\u00a0 O que antes era uma represa agora est\u00e1 coberto pelo solo. Novas casas ser\u00e3o constru\u00eddas sobre res\u00edduos industriais. Os rec\u00e9m-chegados respirar\u00e3o o ar sujo que emana da \u00e1gua polu\u00edda todos os dias. \u00a0<\/p>\n<\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Montagem na \u00e1rea de abate<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Seguimos os rastros metaf\u00f3ricos. Todos esses rastros que s\u00e3o pistas. Conhecimento colocado em pr\u00e1tica. Encontramos escombros, peda\u00e7os de roupas e animais mortos. Vasculhamos a \u00e1rea, mas nosso ponto-chave s\u00e3o sempre as mesquitas, porque ali, dizem os boatos confessados a Carolina: h\u00e1 corpos que precisam voltar para casa. Encontramos um grupo de ossos que logo s\u00e3o descartados pelas m\u00e3es e pelos membros da Comiss\u00e3o de Busca como restos de animais. Cavamos os gravetos na terra. \"Tem cheiro de gasolina\", diz Luisa, mas provavelmente \u00e9 a \u00e1gua que est\u00e1 embaixo de n\u00f3s. Aquela \u00e1gua que \u00e9 extra\u00edda do subsolo e faz parte dos res\u00edduos dos parques industriais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para analisar essa se\u00e7\u00e3o, gostaria de citar Jane Bennett (2022), que fala sobre a vitalidade da mat\u00e9ria, bem como sua liga\u00e7\u00e3o com a vida, mas tamb\u00e9m sobre uma simbiose entre mat\u00e9ria e morte que d\u00e1 origem a conjuntos dos quais todos n\u00f3s fazemos parte. Um conjunto entendido como a uni\u00e3o de v\u00e1rios elementos que se inter-relacionam entre si, dando origem a v\u00e1rias consequ\u00eancias. Bennett diz que essas s\u00e3o coletividades funcionais. Nessa ocasi\u00e3o, por exemplo, sentimos o cheiro das hastes tentando distinguir entre o cheiro de esgoto e o cheiro de morte que se une sob a terra. N\u00e3o muito longe, a vegeta\u00e7\u00e3o rasteira se move entre o ar e a caminhada dos roedores. Estamos cercados pelo que Bruno Latour (2005) chama de actantes, entendidos como uma fonte de a\u00e7\u00e3o que pode ser humana ou n\u00e3o humana; aquilo que possui energia, que \u00e9 capaz de fazer coisas, que \u00e9 coerente o suficiente para fazer a diferen\u00e7a, produzir efeitos ou alterar o curso dos eventos. Os atores s\u00e3o a fonte de vitalidade das montagens. N\u00f3s nos perguntamos sobre a possibilidade de os corpos estarem contaminados pela \u00e1gua da represa que se infiltra no subsolo. H\u00e1 todo um ecossistema do qual eles j\u00e1 fazem parte. Desde as minhocas sob a camada superficial do solo at\u00e9 o pasto que cresceu nessa \u00e1rea. Nesse conjunto, h\u00e1 tamb\u00e9m uma predomin\u00e2ncia de entulho das casas em constru\u00e7\u00e3o. O aparentemente descart\u00e1vel encontra seu lugar aqui e cria uma nova ordem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma ordem que gera uma energia espec\u00edfica composta, de acordo com Bennett, de diversas materialidades que colidem, sofrem muta\u00e7\u00e3o, desintegram-se e produzem efeitos. Como bem disse Nora: \"H\u00e1 uma vibra\u00e7\u00e3o estranha\". Aqui, eu argumento, h\u00e1 processos intersubjetivos que s\u00e3o produzidos com e nesse conjunto composto de afetos, as condi\u00e7\u00f5es do terreno, os ru\u00eddos, o contexto da \u00e1rea, o lixo que nos rodeia, o entulho que fica ao lado das \u00e1rvores, os ratos que correm ao longe assustados com a nossa presen\u00e7a e, de repente, tamb\u00e9m com um altar de bruxaria que aparece em nossa rota. \u00c9 uma esp\u00e9cie de amarra\u00e7\u00e3o. Uma vela amarrada por uma fita preta com roupas femininas ao redor. \"N\u00e3o toque nela\", \"n\u00e3o deixe ningu\u00e9m toc\u00e1-la\", repetimos entre incr\u00e9dulos e crentes. Come\u00e7amos a enterrar os gravetos bem na circunfer\u00eancia do altar. Quando colocamos as p\u00e1s, ao longe algu\u00e9m grita: \"Encontramos ossos\". Todos n\u00f3s vamos at\u00e9 o local e, de fato, uma pessoa da Comiss\u00e3o de Busca diz que s\u00e3o ossos humanos. Formamos um c\u00edrculo e come\u00e7amos a cavar. Perto dali, mais mulheres continuam a cheirar a terra.<\/p>\n\n\n\n<p>O som de motocicletas rondando nas proximidades, talvez de olho em n\u00f3s. \"Espero que a noite n\u00e3o nos pegue, porque aqui \u00e9 muito ruim\", diz Leonora, m\u00e3e de Diego, que desapareceu em 2015. O barulho das p\u00e1s que continuam cavando se intensifica. Mais ossos s\u00e3o descobertos, embrulhados em len\u00e7\u00f3is. Um p\u00e9 \u00e9 o primeiro a ser visto. S\u00e3o fragmentos, n\u00e3o corpos inteiros. Carolina come\u00e7a a tremer e fecha os olhos. Ela desmaia bem ao lado da cova. H\u00e1 uma chance de que um desses corpos seja seu filho. Em um epis\u00f3dio semelhante presenciado com as m\u00e3es dos desaparecidos no Peru, Rojas-Perez (2017) reflete sobre esse momento por meio da ideia de trauma. O desmaio como um ato traum\u00e1tico e uma rea\u00e7\u00e3o ao testemunho do terror. Uma experi\u00eancia que excede o que pode ser assimilado. Rapidamente, as senhoras come\u00e7am a orar ao redor dela. Carolina abre os olhos e diz: \"Olhem para as \u00e1rvores, as \u00e1rvores!\" As copas frondosas ao lado do po\u00e7o se movem de um lado para o outro como se houvesse uma grande corrente de ar. Para essas mulheres, essa manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 um indicativo da presen\u00e7a da divindade na busca: \u00e9 uma mensagem das energias que s\u00e3o liberadas quando os corpos s\u00e3o retirados das entranhas da terra. \"Almas que podem voar\", diz Luc\u00eda. Uma montagem que se intercomunica completamente entre todos os seus componentes. Um conjunto no qual at\u00e9 mesmo a divindade est\u00e1 sempre latente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto mais cavamos, o cheiro dos ossos, de seus fragmentos, aumenta \u00e0 medida que as moscas chegam, mas tamb\u00e9m lindas borboletas brancas, amarelas e marrons esvoa\u00e7am entre n\u00f3s. Os atores convergem exatamente no momento em que a vida e a morte se unem. Um dos policiais nos diz para isolar a \u00e1rea. Assim, de repente, esse espa\u00e7o se tornou uma \u00e1rea que o Estado deve vigiar, intervir e processar. Esses corpos est\u00e3o prestes a ser nomeados como prova. As m\u00e3es interrompem porque primeiro precisam rezar novamente ao lado dos corpos. O policial se afasta. Damos as m\u00e3os e nos reunimos ao redor do t\u00famulo para formar um c\u00edrculo. Oramos pelas almas desses corpos, por seu descanso eterno e pelo retorno \u00e0s suas fam\u00edlias. O sil\u00eancio toma conta do momento. Ouvimos apenas solu\u00e7os e a passagem de carretas na estrada. A Sra. Rosaura pede que encerremos com um Pai Nosso para honrar os corpos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que foi confessado a Carolina a fez seguir alguns passos metaf\u00f3ricos at\u00e9 esse ponto da cidade, nesse conjunto que bem poder\u00edamos chamar de margem ou periferia urbana. Como um corpo coletivo, as m\u00e3es t\u00eam cheirado, visto e sentido a terra. Guiadas pelas \u00e1rvores, desviando da vegeta\u00e7\u00e3o rasteira, observando atentamente os escombros. O que acontece aqui \u00e9 uma conjun\u00e7\u00e3o de encontros entre vida e morte, entre energias e temporalidades que s\u00e3o marcadores de soberanias. Soberania entendida como a maneira pela qual diferentes atores reivindicam corpos sem vida. Dessa forma, a temporalidade dos criminosos que tentam esconder as evid\u00eancias de sua brutalidade para sempre sob o solo; a temporalidade de um Estado omisso que permite e incentiva essas mulheres a procurar as v\u00edtimas da guerra; e a temporalidade das m\u00e3es que tentam reverter o sil\u00eancio e a omiss\u00e3o, tentando desmascarar a destrui\u00e7\u00e3o da guerra. Sem esquecer as temporalidades dos outros atores que vivem ao lado da represa e sob a terra. Todas essas temporalidades n\u00e3o apenas se entrela\u00e7am, mas \u00e0s vezes colidem, produzem intimidades, conting\u00eancias e tamb\u00e9m o inesperado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os restos mortais que acabamos de encontrar s\u00e3o, em sua maioria, esqueletos. \u00c9 imposs\u00edvel saber se s\u00e3o do filho de Carolina. Mas, com seu desmaio, penso no que Jo\u00e3o Biehl e Peter Locke (2017) argumentam sobre os legados da viol\u00eancia quando afirmam que a descoberta de uma sepultura \u00e9 uma experi\u00eancia traum\u00e1tica na medida em que \u00e9 a cristaliza\u00e7\u00e3o da morte. Quando um corpo ou fragmentos de um ente querido s\u00e3o encontrados, h\u00e1 uma interrup\u00e7\u00e3o no desejo de encontr\u00e1-lo vivo. Cada um desses esqueletos ou corpos encontrados \u00e9 conhecido como um <em>tesouro <\/em>por parte de meus interlocutores. O ato de cavar \u00e9 sempre acompanhado de c\u00e2nticos e ora\u00e7\u00f5es. Durante esse <em>desempenho<\/em>Se n\u00e3o houver autoridades para fazer o trabalho forense, as m\u00e3es recuperam do solo o corpo, os ossos ou os fragmentos encontrados, bem como os objetos do falecido, quando dispon\u00edveis. Lilia Schwarcz (2017) postula que tanto os ossos quanto os objetos est\u00e3o inscritos em m\u00faltiplos sistemas de significa\u00e7\u00e3o e podem nos contar diferentes hist\u00f3rias sobre seus propriet\u00e1rios, pois est\u00e3o imbu\u00eddos de significados \u00e0s vezes contradit\u00f3rios. Com Mariano, por exemplo, no caso de estar nessa sepultura, falamos dele como um tesouro, mas ao mesmo tempo como uma v\u00edtima da guerra. Por outro lado, a energia que emana desse momento de encontrar, chorar, abra\u00e7ar e invocar Deus por meio de ora\u00e7\u00f5es sugere que as m\u00e3es encontram um poder na carne como rel\u00edquias do que est\u00e1 ausente em tempos de guerra. Rel\u00edquias como partes do corpo, pele, ossos, sangue ou outros objetos pessoais que s\u00e3o ve\u00edculos e reposit\u00f3rios de significado com uma certa for\u00e7a sociopol\u00edtica, como explica Kristin Norget ao falar sobre os restos mortais dos santos (2021: 359). A for\u00e7a sociopol\u00edtica aqui reside no fato de que as m\u00e3es tratam esses objetos com dignidade.<em> rel\u00edquias <\/em>que outros veem como resqu\u00edcios dos \"danos colaterais\" deixados pela estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a. As v\u00edtimas como rel\u00edquias s\u00e3o um lembrete de que essas mulheres fazem o trabalho que o Estado deixou de fazer, especialmente por serem guiadas por seus sentidos, divindade e cora\u00e7\u00e3o, seguindo as pegadas metaf\u00f3ricas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/vargas-foto-2-rotated.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2560x2560\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 2. Fotograf\u00eda tomada por el autor. Noviembre de 2022.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/vargas-foto-2-rotated.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 2: Fotografia tirada pelo autor. Novembro de 2022.<\/div><div class=\"image-analysis\"><p>No caminho de busca que segue os rastros metaf\u00f3ricos. \u00a0<\/p>\n<\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A chegada do Estado<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Depois que terminamos de orar, o policial nos diz que \u00e9 hora de isolar a \u00e1rea com a cl\u00e1ssica fita de proibi\u00e7\u00e3o de invas\u00e3o. Os membros da Comiss\u00e3o de Busca ligam para o Instituto Forense, mas s\u00e3o informados de que demorar\u00e1 a chegar devido \u00e0 sobrecarga de trabalho. Ao longe, vemos algumas vans indo em dire\u00e7\u00e3o ao local onde estamos. N\u00f3s nos viramos para olhar uns para os outros. \u00c9 um comboio da Comiss\u00e3o de Busca com o diretor da institui\u00e7\u00e3o. Eles est\u00e3o voltando de uma cidade no norte do estado, onde foram realizar uma opera\u00e7\u00e3o, mas ela foi cancelada devido a um confronto entre grupos criminosos. Ao descerem dos ve\u00edculos, eles nos cumprimentam e entram na \u00e1rea isolada. A pol\u00edcia e a Guarda Nacional parecem cansadas depois de v\u00e1rias horas em p\u00e9. \u00c9 hora de comer. As m\u00e3es e alguns membros da Comiss\u00e3o de Busca se re\u00fanem em um c\u00edrculo. Conversamos sobre a jornada do dia, embora \u00e0s vezes as palavras sejam sup\u00e9rfluas. O terreno brilha com a luz do entardecer e as borboletas esvoa\u00e7am entre n\u00f3s. Rosaura diz que devemos continuar procurando porque certamente haver\u00e1 mais corpos. Falo com o chefe da Comiss\u00e3o e ele me diz que \u00e9 dif\u00edcil saber quantos corpos est\u00e3o na cova, pois foram enterrados de uma forma muito estranha. Ele liga novamente para o Instituto Forense, pois n\u00e3o quer que escure\u00e7a porque essa \u00e9 uma \"zona quente\", ou seja, uma col\u00f4nia perigosa. Quando o sol d\u00e1 lugar \u00e0 noite, s\u00e3o ouvidos tiros nas proximidades.<\/p>\n\n\n\n<p>As motocicletas rugem \u00e0 dist\u00e2ncia. Elas v\u00eam e v\u00e3o. Os pedreiros n\u00e3o pararam de trabalhar, aproveitando os \u00faltimos raios de sol. Algumas garotas muito jovens aparecem do nada e se sentam \u00e0 dist\u00e2ncia, observando-nos. \"Elas est\u00e3o nos observando?\", pergunta-se a Sra. Romina em voz alta. Talvez as mo\u00e7as estejam nos observando, talvez tenham sido atra\u00eddas por esse corpo coletivo que se movimenta para c\u00e1 e para l\u00e1, com senhoras protegidas por policiais portando armas de alto calibre, com grandes jipes e carros de patrulha estacionados ao nosso lado. No momento em que Romina estava se fazendo essa pergunta, uma nova sepultura foi encontrada. O chefe da institui\u00e7\u00e3o nos disse que \"com certeza haver\u00e1 mais, esta \u00e9 a \u00e1rea perfeita porque est\u00e1 escondida entre tantas \u00e1rvores, filhos da puta! Foi ele quem fez isso\". A equipe da institui\u00e7\u00e3o pede \u00e0s m\u00e3es que parem, pois \u00e9 ineg\u00e1vel que haver\u00e1 mais corpos, a melhor coisa a fazer \u00e9 esperar pelo pessoal forense para que eles possam esperar por elas enquanto os corpos s\u00e3o encontrados. <em>especialistas<\/em> s\u00e3o os que est\u00e3o trabalhando nos po\u00e7os. Mas os especialistas j\u00e1 est\u00e3o cerca de tr\u00eas horas atrasados desde que foram chamados.<\/p>\n\n\n\n<p>As m\u00e3es, embora parem de cavar, continuam a vasculhar o terreno. Outras se sentam em um c\u00edrculo, cansadas do longo dia que tivemos. Ao longe, ouvimos risadas e conversas dos membros da Comiss\u00e3o de Busca. Uma das senhoras me diz: \"\u00c9 bom que eles tenham vontade de rir, porque eu s\u00f3 tenho vontade de chorar\", enquanto seus olhos se enchem de l\u00e1grimas. \"Como \u00e9 poss\u00edvel tudo o que est\u00e1 acontecendo, tudo o que estamos vivendo neste pa\u00eds? Ela diz que o que estamos vivenciando no M\u00e9xico \u00e9 destrui\u00e7\u00e3o. \"O que o governo est\u00e1 fazendo \u00e9 exterminar a popula\u00e7\u00e3o e us\u00e1-la para seu pr\u00f3prio benef\u00edcio. Em uma frase, Lorena condensa n\u00e3o apenas d\u00favidas, mas tamb\u00e9m abre aquele arquivo obscuro de segredos p\u00fablicos para expor que, al\u00e9m da omiss\u00e3o, o governo, como entidade abstrata, tem participa\u00e7\u00e3o direta na guerra. Seu filho foi convidado a trabalhar por um policial e, alguns dias depois, desapareceu. Ela amaldi\u00e7oa os policiais que est\u00e3o conosco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 dist\u00e2ncia, eles continuam suas rondas, bocejando, conversando, rindo. Um dos policiais municipais nos olha com um olhar que me deixa desconfort\u00e1vel. \"N\u00e3o h\u00e1 paz, nunca haver\u00e1 paz em nossa sociedade\", diz outra senhora. As m\u00e3es come\u00e7am a conversar entre si, mas cada uma com seu pr\u00f3prio assunto. Em vez de responder \u00e0s perguntas umas das outras, o que a assistente social e eu testemunhamos s\u00e3o mon\u00f3logos cheios de dor. \"Porque estamos doentes e nunca vamos nos curar\", diz Laura. \"Mesmo que encontremos nossos filhos, nunca ficaremos bem\", parece responder Sofia. \"Encontrei um de meus irm\u00e3os, mas ainda tenho muitas perguntas, ainda me faltam respostas. H\u00e1 um buraco em meu cora\u00e7\u00e3o que nunca conseguirei fechar\", Maria verbaliza enquanto os gritos interrompem o momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra sepultura foi encontrada nesse campo minado. A terceira hoje. Ao ouvir a not\u00edcia, Paola come\u00e7a a ter convuls\u00f5es. Seus olhos se reviram na cabe\u00e7a e ela diz coisas que n\u00e3o conseguimos entender, mas as m\u00e3es nos asseguram que o que estamos testemunhando \u00e9 uma possess\u00e3o espiritual. Rosaura come\u00e7a a rezar em latim. Elas pedem que o esp\u00edrito deixe o corpo de Paola, gritam para que ele v\u00e1 embora. Vejo pelo canto do olho que um dos policiais est\u00e1 registrando o momento. Paola retorna pouco a pouco. Algumas das mulheres se abra\u00e7am e come\u00e7am a chorar, mais tiros s\u00e3o ouvidos nas proximidades enquanto o sol se p\u00f5e. Finalmente a van do Instituto Forense chega, mas apenas uma pessoa vem sem o equipamento necess\u00e1rio para fazer o trabalho. As m\u00e3es ficam furiosas. Elas v\u00e3o e reclamam, pedindo que o trabalho nos t\u00famulos comece imediatamente. O perito forense que chega com o perito forense afirma que primeiro eles t\u00eam que preencher alguns pap\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p>As m\u00e3es se organizam para que possam estar perto dos t\u00famulos e fazer a cadeia de cust\u00f3dia, o que significa sentar-se ao redor dos locais de sepultamento para garantir que os protocolos adequados sejam seguidos pelo pessoal forense e pela promotoria. \"Porque depois eles escondem os ossos ou n\u00e3o removem tudo, e n\u00e3o tratam bem os corpos\", diz Fatima. Eles pedem que os mortos sejam tratados com dignidade diante da indiferen\u00e7a. Aqueles que falam com os corpos, que rezam para eles, que cantam para eles, n\u00e3o entendem o tratamento que as v\u00edtimas da guerra recebem. \"Sabe o que me faz pensar, que quase todos os t\u00famulos est\u00e3o perto de pneus, ao que parece\", Ramona compartilha comigo. N\u00f3s olhamos e h\u00e1 outros pneus perto de n\u00f3s, espalhados: um est\u00e1 a cerca de 50 metros de dist\u00e2ncia, outro um pouco mais distante est\u00e1 colocado a cerca de 120 metros de dist\u00e2ncia, cercado por vegeta\u00e7\u00e3o rasteira. Eles fazem parte dos escombros ou foram colocados por um grupo criminoso para identificar os locais de sepultamento? Esse conjunto, na verdade, parece ser um campo de guerra. Entre as m\u00e3es, elas discutem se os pneus podem ser uma esp\u00e9cie de placa de sinaliza\u00e7\u00e3o para marcar os t\u00famulos. O conhecimento come\u00e7a a ser desfeito por essas mulheres, que caminham no escuro pelo ch\u00e3o para afundar as hastes novamente onde h\u00e1 pneus.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/vargas-foto-3.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2560x2560\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 3. Fotograf\u00eda tomada por el autor. Noviembre de 2022.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/vargas-foto-3.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 3: Fotografia tirada pelo autor. Novembro de 2022.<\/div><div class=\"image-analysis\"><p>L\u00e1 dentro est\u00e3o o funcion\u00e1rio do instituto forense, o perito do Minist\u00e9rio P\u00fablico, os membros da Comiss\u00e3o de Busca e um policial, atores que representam o Estado, legitimados para estar naquele espa\u00e7o, reivindicando a lideran\u00e7a do desentranhamento e dos processos que se seguir\u00e3o. As m\u00e3es que fizeram grande parte do trabalho de base agora s\u00e3o uma simbiose entre o p\u00fablico e a cadeia de cust\u00f3dia. Devido \u00e0 pouca luz, v\u00e1rias m\u00e3es decidem entrar na \u00e1rea isolada para vigiar de perto. Algumas autoridades n\u00e3o se sentem \u00e0 vontade, mas a Constitui\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica protege o direito delas como coadjuvantes nos processos de busca e investiga\u00e7\u00e3o. \u00a0<\/p>\n<\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Acho revelador como as m\u00e3es participam do trabalho de rastreamento e escava\u00e7\u00e3o com o apoio de membros da Comiss\u00e3o de Busca. Entretanto, assim que os corpos come\u00e7am a aparecer, a pol\u00edcia pede que elas parem e isola o local. Rojas, em seu estudo sobre a guerra suja no Peru, observa que \"o local da escava\u00e7\u00e3o se torna uma cena de crime, um espa\u00e7o definido (quase literalmente) pelo que est\u00e1 dentro e pelo que est\u00e1 fora da lei, onde somente aqueles legalmente autorizados podem participar plenamente do jogo de estabelecer uma verdade legal\" (2017: 80). Isso pode ser extrapolado para o caso mexicano, pois as m\u00e3es s\u00e3o usadas como uma esp\u00e9cie de for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Os corpos, que s\u00e3o chamados de tesouros, tornam-se evid\u00eancias quando o Estado \u00e9 implantado na \u00e1rea. O conhecimento proveniente dos vest\u00edgios metaf\u00f3ricos, cuja fonte \u00e9 em parte um boato, assume um car\u00e1ter diferente quando as autoridades come\u00e7am a preencher a papelada de seus dossi\u00eas. A partir de sua legitimidade concedida pelo aparato estatal, as autoridades se apresentam como observadores treinados, capazes de ler pistas deixadas pelo passado e acessar verdades que, de outra forma, seriam inacess\u00edveis. Assim, o passado e a morte tornam-se objetos do conhecimento oficial, que se baseia precisamente no conhecimento interpretado e rastreado pelas m\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que mais interessa a essas mulheres \u00e9 que todos os corpos sejam desenterrados de maneira digna. \u00c9 por isso que elas t\u00eam uma cadeia de cust\u00f3dia. \"Temos que ser vigilantes porque n\u00e3o sabemos\", diz Ramona. Suas palavras s\u00e3o prova das d\u00favidas que cercam as autoridades presentes. Sem d\u00favida, o trabalho tanto dos investigadores da Fiscal\u00eda quanto dos t\u00e9cnicos forenses pode esclarecer os casos e contribuir para a identifica\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas, mas tamb\u00e9m pode funcionar ao contr\u00e1rio, para ocultar evid\u00eancias, destru\u00ed-las ou arquiv\u00e1-las. Os corpos e seus ossos podem, de fato, ser provas, mas s\u00e3o, acima de tudo, aos olhos de meus interlocutores, pessoas que merecem ser tratadas com respeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Os v\u00ednculos que as m\u00e3es, como cuidadoras, t\u00eam com seus filhos surgem durante a busca. Estou pensando especialmente no momento em que as mulheres come\u00e7aram a narrar em um c\u00edrculo como se sentiram ao ver os policiais rindo enquanto elas descansavam. Suas hist\u00f3rias orais surgiram ali como narrativas que armazenavam amor, resist\u00eancia, experi\u00eancia e conhecimento sobre a viol\u00eancia da guerra. Palavras que descrevem efeitos negativos. Palavras que s\u00e3o usadas para tentar expressar dor, medo, \u00f3dio, mas tamb\u00e9m desesperan\u00e7a. Eles tecem sua pr\u00f3pria linguagem. Eles est\u00e3o aqui buscando, resistindo, sentindo. Romina me disse em um determinado momento: \"Minha pele est\u00e1 arrepiada, sinto que encontraremos mais ossos. Estou com um grande buraco no est\u00f4mago\". O corpo como int\u00e9rprete. O corpo expressando o que sente ao imergir nesse lugar tamb\u00e9m me faz lembrar do que Das (2000) se refere quando fala de \"conhecimento envenenado\" para refletir sobre como algumas mulheres habitam o mundo depois de terem passado por eventos de viol\u00eancia extraordin\u00e1ria. O que Das escreve est\u00e1 intimamente relacionado \u00e0s experi\u00eancias de minhas interlocutoras, que se tornaram pesquisadoras e adquiriram e geraram conhecimento forense, entendem a l\u00f3gica de exterm\u00ednio usada por grupos criminosos e conhecem os protocolos legais. Em outras palavras, o conhecimento deles \u00e9 envenenado n\u00e3o apenas pela linguagem e pelas a\u00e7\u00f5es que empregam para voltar a habitar o mundo ap\u00f3s o desaparecimento de seus entes queridos, mas tamb\u00e9m porque o conhecimento listado acima \u00e9 envenenado desde o in\u00edcio, j\u00e1 que sua pr\u00f3pria natureza \u00e9 a guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 est\u00e1 escuro e as borboletas deram lugar a centenas de mosquitos que se re\u00fanem ao nosso redor. Aqueles que t\u00eam repelente come\u00e7am a tir\u00e1-lo de suas mochilas para compartilhar um pouco conosco. O chefe da Comiss\u00e3o de Busca pede que as luzes dos jipes sejam acesas, n\u00e3o apenas para espantar os mosquitos, mas tamb\u00e9m para iluminar a \u00e1rea. O t\u00e9cnico do necrot\u00e9rio trouxe apenas uma l\u00e2mpada. Na aus\u00eancia de mais funcion\u00e1rios, alguns dos membros da Comiss\u00e3o vestem seus cl\u00e1ssicos ternos brancos para ajudar a remover os fragmentos. Algumas senhoras est\u00e3o desconfort\u00e1veis porque quanto mais tarde fica, mais riscos corremos. H\u00e1 um inimigo \u00e0 espreita na escurid\u00e3o; no entanto, \u00e9 apenas o som dele que nos faz estremecer: as balas que n\u00e3o pararam de ser ouvidas devido aos confrontos que ocorrem nas proximidades. Ao longe, as motocicletas n\u00e3o param de rondar, talvez como parte da rede de tr\u00e1fico de drogas em constante movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu me aproximo dos membros da Comiss\u00e3o de Busca para ouvir. O l\u00edder da equipe me diz que \u00e9 melhor irmos embora logo por causa dos riscos que corremos. Mas um grupo de senhoras diz que n\u00e3o ir\u00e1 embora, nem que tenha de ficar de guarda a manh\u00e3 toda. \"N\u00e3o sairemos at\u00e9 que o \u00faltimo osso seja removido, porque assim que sairmos as autoridades ir\u00e3o embora ou \u00e0 noite os bastardos (os criminosos) vir\u00e3o e os remover\u00e3o, ou um cachorro pode levar os ossos, como eles podem nos pedir para sair? A verdade \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e a pouca luz mal nos permite ver o que h\u00e1 nas sepulturas. A luz que irradia dos jipes n\u00e3o \u00e9 suficiente, mas sim um foco de atra\u00e7\u00e3o para centenas de mosquitos. As mulheres fazem uma fogueira para afugent\u00e1-los. A equipe da Comiss\u00e3o de Busca prop\u00f5e mudar o plano e se separar. Elas ficar\u00e3o e trabalhar\u00e3o acompanhadas pela Guarda Nacional e n\u00f3s seremos escoltados por dois policiais. As senhoras que se recusam a sair v\u00e3o para a maior sepultura, onde o trabalho continua, insistindo que querem receber um relat\u00f3rio de progresso. Elas come\u00e7am a carregar os ossos da primeira cova para a van do instituto forense. N\u00e3o demora muito para que o rel\u00f3gio marque dez horas da noite.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">As senhoras concordam que \u00e9 hora de partir. A van que nos transporta vai na frente do comboio, a pol\u00edcia segue atr\u00e1s. O motivo \u00e9 que, se o carro de patrulha fosse na frente, levantaria suspeitas ou rea\u00e7\u00f5es entre os habitantes da col\u00f4nia. Seguimos lentamente pela estrada esburacada. Recebemos alguns olhares dos vizinhos que est\u00e3o do lado de fora de suas casas. O perito forense, os membros da Comiss\u00e3o de Busca, os representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico e a Guarda Nacional permanecem na propriedade. Em casa, depois das onze horas da noite, recebo uma mensagem de texto: \"Todos tiveram que deixar o local porque n\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es de continuar trabalhando\". No dia seguinte, eles retornar\u00e3o para continuar com o desenterro, \"deixaram os corpos \u00e0 merc\u00ea de Deus\", escreveu-me a Sra. Rosana. Nessa rela\u00e7\u00e3o amb\u00edgua de soberanias, h\u00e1 uma que hoje acabou ditando os hor\u00e1rios da busca, uma soberania que nos afastou com o som de balas e diante da qual a pr\u00f3pria Guarda Nacional decretou que n\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es ideais para continuar. Na manh\u00e3 seguinte, um dos telejornais matinais da cidade anunciou a descoberta dos t\u00famulos. Em uma breve liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica, a Sra. Carolina me diz que est\u00e1 se sentindo melhor e que um grupo de m\u00e3es est\u00e1 retornando \u00e0 \u00e1rea para continuar o trabalho. \"Para continuar com a cadeia de cust\u00f3dia. Continuar colocando em pr\u00e1tica seu conhecimento envenenado.<\/p>\n\n\n\n<p>O apresentador do programa de not\u00edcias diz que a \u00e1rea \u00e9 complicada, \"n\u00e3o \u00e9 de se admirar que tenham sido encontradas sepulturas\". \"N\u00e3o \u00e9 de se admirar\" n\u00e3o \u00e9 suficiente para descrever o fato de ter estado l\u00e1 na noite anterior, naquele conjunto formado por elementos t\u00e3o diversos do qual as m\u00e3es faziam parte, criando uma busca que, \u00e0s vezes, desafiava a soberania do crime \u00e0 qual o Estado tinha que ceder. O motorista se refere \u00e0 represa El Ahogado como uma \u00e1rea \"tomada pelos cart\u00e9is\". H\u00e1 uma men\u00e7\u00e3o m\u00ednima ao trabalho realizado pelas m\u00e3es. As palavras desse homem contribuem para o ac\u00famulo de uma genealogia da morte e do exterm\u00ednio, de comunidades marcadas pelos eventos da guerra, de corpos vistos como sujeitos descart\u00e1veis por causa de sua origem geogr\u00e1fica. Elas secretam processos de identidade que s\u00e3o impostos a essas col\u00f4nias que se tornaram parte das hist\u00f3rias de medo que circulam na cidade.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/vargas-foto-4.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2560x2560\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 4. Fotograf\u00eda tomada por el autor. Noviembre de 2022.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/vargas-foto-4.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 4: Fotografia tirada pelo autor. Novembro de 2022.<\/div><div class=\"image-analysis\"><p>Da terra emergem os mortos e as borboletas esvoa\u00e7am entre os mortos. Os solu\u00e7os est\u00e3o se derramando. Estamos cercados de vida nessa paisagem pedregosa. O sol quente de inverno brilha sobre n\u00f3s e atrav\u00e9s das \u00e1rvores que testemunharam o horror, mas hoje tamb\u00e9m testemunham a esperan\u00e7a que emana dos ossos. \u00c9 o poss\u00edvel retorno ao lar dos desaparecidos ap\u00f3s o rastreamento de pegadas metaf\u00f3ricas. Essa guerra nos destruiu. Fragmentados. Mas eles, eles tra\u00e7am rotas de busca em meio \u00e0 desola\u00e7\u00e3o. Eles, um vislumbre de luz na escurid\u00e3o. \u00a0<\/p>\n<\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>\u00c0 noite, recebi uma mensagem de Carolina me dizendo que ele j\u00e1 estava em casa. No dia seguinte, eu iria ao necrot\u00e9rio para iniciar o processo de identifica\u00e7\u00e3o. \"Porque um deles poderia ser Mariano. Esse \u00e9 apenas o in\u00edcio de um processo burocr\u00e1tico no qual as fam\u00edlias devem mergulhar para reivindicar o corpo sem vida de seus entes queridos. Assim, este texto colocou em pauta uma parte do processo: a da busca em campo, com \u00eanfase em todos os recursos informacionais que as m\u00e3es sintetizam para tra\u00e7ar suas buscas. Aqui defini esse momento como o de seguir as pegadas metaf\u00f3ricas, pois \u00e9 o tra\u00e7ado de rotas criadas a partir de pistas sobre o paradeiro das pessoas ausentes. Essas rotas s\u00e3o sempre marcadas pela incerteza, pois as pistas se contradizem ou v\u00eam de fontes nas quais meus interlocutores n\u00e3o confiam. A met\u00e1fora como uma representa\u00e7\u00e3o de qu\u00e3o abstratas podem ser as informa\u00e7\u00f5es que eles recebem e da interpreta\u00e7\u00e3o que precisam fazer. At\u00e9 mesmo figuras de linguagem ret\u00f3ricas, pois \u00e0s vezes as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o alteradas. Quando se fala em met\u00e1fora, geralmente se explica que ela \u00e9 usada para embelezar uma descri\u00e7\u00e3o. Nesse caso, algumas palavras s\u00e3o trocadas por outras devido \u00e0 viol\u00eancia que enquadra o contexto no qual o processo comunicativo de compartilhamento de not\u00edcias ou rumores est\u00e1 inserido.<\/p>\n\n\n\n<p>Carolina, por exemplo, foi informada de que seu filho havia sido visto vagando v\u00e1rias vezes na \u00e1rea de algaroba, quando na verdade seu filho, j\u00e1 morto, pode ter sido levado para l\u00e1 para ser enterrado em uma cova. E ao seguir esses rastros, que geralmente as levam a lugares denominados como fronteiras ou margens urbanas, as m\u00e3es produzem sua pr\u00f3pria geografia da esperan\u00e7a, que d\u00e1 origem a rela\u00e7\u00f5es entre atores (humanos ou n\u00e3o) envolvidos em cada busca que exp\u00f5e algo fundamental: as soberanias que est\u00e3o ligadas na guerra \u00e0s drogas, como entidades que reivindicam os corpos sem vida a partir de l\u00f3gicas diversas, nem sempre violentas. Esse \u00e9 o caso das m\u00e3es ca\u00e7adoras de tesouros que interpretam todas as refer\u00eancias que t\u00eam para encontrar o paradeiro de seus entes queridos, como no caso de Carolina e seu \"Flaco\".<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Aceves, Jorge, Ren\u00e9e de la Torre y Patricia Safa (2004).&nbsp;\u201cFragmentos urbanos de una misma ciudad: Guadalajara\u201d, <em>Espiral. Estudios sobre Estado y Sociedad<\/em> 11, pp. 277- 320.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Bennett, Jane (2022). <em>Materia vibrante. Una ecolog\u00eda pol\u00edtica de las cosas<\/em>. Buenos Aires: Caja Negra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Biehl, Jo\u00e3o y Peter Locke (2017). \u201cIntroduction\u201d, en Jo\u00e3o Biehl and Peter Locke (eds.). <em>Unfinished:The Anthropology of Becoming<\/em>. Durham: Duke University Press, pp. 1-38.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Boscoboinik, Andrea (2014). \u201cIntroduction. Risks and Fears from an Anthropological Viewpoint,\u201d en Andrea Boscoboinik y Hanna Horakova (eds.). <em>The Anthropology of Fear: Cultures Beyond Emotions<\/em>. M\u00fcnster: Lit Verlag, pp. 9-26.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Correa-Cabrera, Guadalupe (2017). <em>Los Zetas Inc<\/em>. Austin: University of Texas Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Das, Veena (2000). \u201cThe Act of Witnessing: Violence, Poisonous Knowledge, and Subjectivity\u201d, en Veena Das, Arthur Kleinman, Mamphele Ramphele y Pamela Reynolds (eds.). <em>Violence and Subjectivity<\/em>. 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M\u00e9xico: De Bolsillo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Movimiento por Nuestros Desaparecidos en M\u00e9xico (2021). <em>La crisis forense en M\u00e9xico: m\u00e1s de 52,000 personas fallecidas sin identificar.<\/em> M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">mndm<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Norget, Kristin (2021). \u201cBones, Blood, Wax, and Papal Potencies: Neo-Baroque Relics in Mexico\u201d, <em>Material Religion,<\/em> n\u00fam. 17,&nbsp;pp. 355-380.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rea, Daniela (2021). \u201cDesaparecido es un lugar\u201d, en <em>Pie de P\u00e1gina<\/em>, 26 de agosto de 2021. Recuperado de: https:\/\/piedepagina.mx\/desaparecido-es-un-lugar\/<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rodr\u00edguez, Manuela (2009). \u201cEntre ritual y espect\u00e1culo, reflexividad corporizada en el candombe\u201d,&nbsp;<em>Revista Av\u00e1<\/em>, n\u00fam. 14, pp. 145-161.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rojas-Perez, Isaias (2017). <em>Mourning Remains. State Atrocity, Exhumations, and Governing the Disappeared in Peru\u2019s Postwar Andes<\/em>. Stanford: Stanford University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rubin, Johan (2015). \u201cUna aproximaci\u00f3n al concepto de desaparecido: reflexiones sobre El Salvador y Espa\u00f1a\u201d, <em>Alteridades<\/em>, n\u00fam. 25, pp. 9-24.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Schwarcz, Lilia (2017). \u201cI Was Cannibalized by an Artist:&nbsp;Adriana Varej\u00e3o, or Art as Flux\u201d, en Jo\u00e3o Biehl y Peter Locke (eds.). <em>Unfinished:The Anthropology of Becoming<\/em>. Durham: Duke University Press, pp. 173-196.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Strickland, Danielle (2019). <em>J\u00f3venes, violencia y miedo, la (in)seguridad en el Cerro del Cuatro<\/em>. 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Ele tamb\u00e9m colabora como pesquisador para o Programa de Pol\u00edtica de Drogas da Universidade de Toronto. <span class=\"small-caps\">cide<\/span> Regi\u00e3o Central, onde coordena a pesquisa sobre os arquivos da militariza\u00e7\u00e3o. Ele tamb\u00e9m \u00e9 coprodutor do projeto audiovisual \"Gloss\u00e1rio da guerra \u00e0s drogas\" (<span class=\"small-caps\">cide<\/span>Junho de 2023). Ele tem mestrado em Antropologia Social pelo El Colegio de Michoac\u00e1n; sua tese trata da busca por pessoas desaparecidas em Jalisco.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2006, o ent\u00e3o presidente Felipe Calder\u00f3n lan\u00e7ou a guerra contra as drogas como uma estrat\u00e9gia para desmantelar grandes redes criminosas voltadas para o tr\u00e1fico de drogas. No entanto, a guerra custou a vida de milhares de pessoas, muitas delas encontradas em valas clandestinas. Ao se concentrar em um dia de busca de v\u00edtimas de desaparecimento for\u00e7ado, este ensaio etnogr\u00e1fico descreve e analisa uma das grandes marcas de brutalidade deixadas por essa mesma estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a. Um ponto focal ao longo das p\u00e1ginas \u00e9 a reflex\u00e3o sobre as diferentes maneiras pelas quais, e n\u00e3o como, os atores reivindicam a propriedade dos corpos sem vida localizados nos t\u00famulos. 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