{"id":37562,"date":"2023-09-21T11:00:00","date_gmt":"2023-09-21T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=37562"},"modified":"2024-03-15T10:34:29","modified_gmt":"2024-03-15T16:34:29","slug":"gutierrez-bourdin-kindl-perspectivismo-antropologico-alteridad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/gutierrez-bourdin-kindl-perspectivismo-antropologico-alteridad\/","title":{"rendered":"Perspectivismo: uma teoria do ponto de vista da alteridade?"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-drop-cap\">Sem d\u00favida, o chamado movimento perspectivista na antropologia tem seus maiores expoentes em Philippe Descola e Eduardo Viveiros de Castro, que prop\u00f5em que esse olhar seja uma nova teoria e paradigma antropol\u00f3gico conhecido como \"perspectivista\". <em>virada ontol\u00f3gica, multinaturalismo, ecologia simb\u00f3lica, antropologia p\u00f3s-estrutural<\/em>. A abordagem principal \u00e9 o questionamento do eu, de sua natureza, que cria uma divis\u00e3o entre a natureza do ser humano e a do n\u00e3o humano, uma posi\u00e7\u00e3o que \u00e9 metodologicamente construtivista e pol\u00edtica e moralmente relativista. Ambos os pesquisadores consideram que, ao contr\u00e1rio do que sup\u00f5e a ci\u00eancia ocidental, n\u00e3o existe uma forma \u00fanica de cosmogonia ou pensamento unificado. N\u00e3o \u00e9 apenas o ser humano que pode ter um ponto de vista, mas os animais e outras formas ou seres n\u00e3o humanos tamb\u00e9m t\u00eam seus pr\u00f3prios pontos de vista, que seriam equivalentes. Portanto, \u00e9 importante conhecer esses pontos de vista sobre a realidade para integr\u00e1-los em diferentes perspectivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para alguns, o perspectivismo \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o no pensamento antropol\u00f3gico, enquanto para outros ele n\u00e3o \u00e9 uma teoria, mas est\u00e1 mais pr\u00f3ximo de uma ideologia forjada ao trazer para a arena de discuss\u00e3o paradigmas antigos, desenterrados e ultrapassados que h\u00e1 muito foram superados. Mais do que uma teoria, ela implicaria um flerte com a metaf\u00edsica, que gerou uma esp\u00e9cie de ortodoxia acad\u00eamica com seguidores ac\u00f3litos que repetem uma f\u00f3rmula sem uma base te\u00f3rica s\u00f3lida.<\/p>\n\n\n\n    <div class=\"discrepancia tres\">\n        <h2>Voc\u00ea considera o perspectivismo uma teoria ou uma continuidade de outras teorias?<\/h2>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"bourdin\">\n        <p class=\"nombre\">Gabriel Bourdin<\/p>\n        <p class=\"llamada\">O perspectivismo antropol\u00f3gico \u00e9 uma teoria por si s\u00f3, com uma s\u00f3lida base emp\u00edrica na pesquisa etnogr\u00e1fica.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"kindl\">\n        <p class=\"nombre\">Olivia Kindl<\/p>\n        <p class=\"llamada\">uma metaf\u00edsica perspectival caracteriza n\u00e3o apenas os povos amer\u00edndios da Amaz\u00f4nia, mas se estende a todo o continente.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta bourdin\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Meu conhecimento sobre o assunto se limita principalmente \u00e0 minha participa\u00e7\u00e3o no semin\u00e1rio \"Cosmology and ontology. Un enfoque antropol\u00f3gico\", ministrado por Philippe Descola (Coll\u00e8ge de France) no Instituto de Investigaciones Antropol\u00f3gicas da Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico nos dias 28 e 30 de setembro e 2 de outubro de 2009. Tamb\u00e9m tive a oportunidade de ler alguns artigos enquadrados nessa corrente e orientei algumas teses de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o que adotam a orienta\u00e7\u00e3o mencionada. Em minha opini\u00e3o, o perspectivismo antropol\u00f3gico \u00e9 uma teoria por si s\u00f3, com uma s\u00f3lida base emp\u00edrica na pesquisa etnogr\u00e1fica. Como qualquer outra teoria antropol\u00f3gica, ela cont\u00e9m elementos de continuidade com teorias anteriores e elementos de ruptura. O componente mais not\u00e1vel e novo \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o gnoseol\u00f3gica de perspectiva. Em minha opini\u00e3o, esse conceito pode ser rastreado at\u00e9 as ideias de Friedrich Nietzsche sobre a distin\u00e7\u00e3o entre, por um lado, o pensamento, a moralidade e as ci\u00eancias ocidentais, que buscam obter um conhecimento objetivo do mundo e da vida, e, por outro lado, o modo subjetivo de conhecimento, que o fil\u00f3sofo alem\u00e3o considerava mais genu\u00edno e revelador da vontade humana individual, algo que normalmente chamamos de subjetividade. Essas ideias podem ser encontradas em <em>A genealogia da moralidade<\/em> (1887) e em alguns par\u00e1grafos de seu <em>Manuscritos p\u00f3stumos<\/em> (1888). Citarei algumas frases que ilustram a no\u00e7\u00e3o nietzschiana de perspectiva, resumida da seguinte forma: n\u00e3o h\u00e1 fatos, h\u00e1 apenas interpreta\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>\"Todo conhecimento \u00e9 uma perspectiva, e h\u00e1 tantas perspectivas quanto o n\u00famero de seres humanos no mundo\" (<em>Manuscritos p\u00f3stumos<\/em>, 1887).<\/p>\n\n\n\n<p>\"A moralidade \u00e9 uma perspectiva, n\u00e3o uma verdade absoluta. Cada \u00e9poca e cultura tem sua pr\u00f3pria moralidade, e nenhuma \u00e9 universalmente v\u00e1lida\" (<em>Genealogia da moralidade<\/em>, 1887).<\/p>\n\n\n\n<p>\"Os seres humanos n\u00e3o t\u00eam acesso a uma verdade objetiva, mas s\u00f3 podem conhecer o mundo por meio de suas pr\u00f3prias perspectivas subjetivas\" (<em>Manuscritos p\u00f3stumos<\/em>, 1886).<\/p>\n\n\n\n<p>\"A verdade n\u00e3o \u00e9 algo que possa ser alcan\u00e7ado por meio de uma \u00fanica perspectiva, mas deve ser vista de v\u00e1rios \u00e2ngulos para ser totalmente compreendida\" (<em>Manuscritos p\u00f3stumos<\/em>, 1885).<\/p>\n\n\n\n<p>\"A perspectiva \u00e9 o que mant\u00e9m a vida em movimento. A mesma coisa vista de \u00e2ngulos diferentes se torna um mundo completamente diferente\" (<em>Manuscritos p\u00f3stumos<\/em>, 1886).<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p> \n      <div class=\"respuesta kindl\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Os estudos perspectivistas se destacam por sua heterogeneidade e - vale a redund\u00e2ncia - pela diversidade de perspectivas e interpreta\u00e7\u00f5es do que \u00e9 ou pode ser uma abordagem perspectivista da an\u00e1lise antropol\u00f3gica. Come\u00e7arei com a trajet\u00f3ria de seu principal representante, que \u00e9 ao mesmo tempo o fundador do perspectivismo na antropologia: o antrop\u00f3logo brasileiro Viveiros de Castro. Ele \u00e9 um especialista nos Arawet\u00e9, aos quais dedicou seus primeiros trabalhos etnogr\u00e1ficos. Eles s\u00e3o um povo de ca\u00e7adores e agricultores da floresta amaz\u00f4nica do norte do Brasil e fazem parte das sociedades amer\u00edndias da fam\u00edlia lingu\u00edstica tupi-guarani, que inclui mais de 50 l\u00ednguas diferentes faladas em grupos em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, como Argentina, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Guiana Francesa, Peru e Venezuela. Deve-se observar que o povo Arawet\u00e9 \u00e9 pouco numeroso: na \u00e9poca em que Viveiros de Castro os \"etnografou\", ele realizou censos populacionais que indicam que, entre 1981 e 1992, eles somavam entre 130 e 168 pessoas; no \u00faltimo censo realizado pela <span class=\"small-caps\">funai<\/span> Em 2023, sua demografia foi estimada em cerca de 293 pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seus estudos sobre o arawet\u00e9, Viveiros de Castro observou que, a partir de uma abordagem relacional entre sujeito e objeto, toda percep\u00e7\u00e3o do mundo implica a exist\u00eancia de um ponto de vista. Essa rela\u00e7\u00e3o entre o sujeito e o mundo pode ser ilustrada com o seguinte exemplo: o que aparece para um humano como um recipiente de sangue aparece como um pote de cerveja para um jaguar, o que tamb\u00e9m significa que quem percebe um pote de cerveja assume uma perspectiva humana, enquanto quem v\u00ea um recipiente de sangue assume a perspectiva de um jaguar (Viveiros de Castro, 1992). O modelo amaz\u00f4nico de \"multinaturalismo\" cunhado por Viveiros de Castro implica a troca paradigm\u00e1tica amaz\u00f4nica, a de perspectivas, na qual uma troca de subst\u00e2ncias est\u00e1 quase sempre impl\u00edcita. Para se distanciar do relativismo e da no\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o que ele implica, Viveiros de Castro argumenta que se percebe a partir do corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja comum que os antrop\u00f3logos estudem pequenos grupos para construir nossas interpreta\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas mais gerais, vale a pena lembrar esses aspectos do trabalho do inventor do perspectivismo, pelo menos para deixar a porta aberta para reflex\u00f5es e questionamentos sobre o alcance universal que os mitos, os rituais e a cosmologia desses povos podem ter. Como planeja Viveiros de Castro, uma metaf\u00edsica perspectivista caracteriza n\u00e3o apenas os povos amer\u00edndios da Amaz\u00f4nia, mas se estende a todo o continente e muito al\u00e9m, de tal forma que o perspectivismo eleva uma das v\u00e1rias formas de pensar o mundo encontradas em uma pequena aldeia amaz\u00f4nica a uma teoria antropol\u00f3gica de alcance universal.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de uma proposta t\u00e3o grandiosa, podemos nos perguntar como esse antrop\u00f3logo brasileiro chegou a formular tais generaliza\u00e7\u00f5es e de que tipo de forma\u00e7\u00e3o intelectual e correntes de pensamento essa abordagem universalista pode ter vindo. A esse respeito, vale lembrar que o ensino da antropologia no Brasil - como atesta o pr\u00f3prio Viveiros de Castro - est\u00e1 claramente inscrito - assim como no M\u00e9xico, ali\u00e1s - no culturalismo norte-americano e no legado de Franz Boas como fundador da antropologia norte-americana como disciplina. <em>\u00e0 part enti\u00e8re<\/em>. O antrop\u00f3logo franc\u00eas Claude L\u00e9vi-Strauss, que lecionou antropologia no Brasil durante a d\u00e9cada de 1930, era herdeiro da corrente culturalista norte-americana e boasiana. Para Viveiros de Castro, L\u00e9vi-Strauss conseguiu estabelecer pontes de pensamento entre a antropologia sociol\u00f3gica francesa (\u00c9mile Durkheim, Marcel Mauss...) e a antropologia cultural norte-americana. Dele, resgata a ideia de pensamento selvagem e o estudo das cosmologias amer\u00edndias por meio dos mitos, a busca de l\u00f3gicas de pensamento alheias \u00e0s nossas, a an\u00e1lise dos sistemas de classifica\u00e7\u00e3o ind\u00edgenas (taxonomias), com especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem e \u00e0 variedade de suas modalidades expressivas de acordo com os contextos.<\/p>\n\n\n\n<p>O perspectivismo na antropologia \u00e9 herdeiro tanto do estruturalismo l\u00e9vistraussiano quanto do p\u00f3s-estruturalismo na filosofia. Por um lado, o perspectivismo implica que a rela\u00e7\u00e3o entre um sujeito e um objeto \u00e9 mais relevante do que a defini\u00e7\u00e3o de cada termo; aqui vemos uma clara heran\u00e7a do m\u00e9todo de an\u00e1lise estruturalista L\u00e9vistraussiano. A obra de Gilles Deleuze e F\u00e9lix Guattari, intitulada <em>O Anti-\u00c9dipo. Capitalismo e esquizofrenia <\/em>(1985 [1972]), tamb\u00e9m serve de inspira\u00e7\u00e3o para Viveiros de Castro, em particular para criar a f\u00f3rmula do anti-narcisista (Viveiros de Castro, 2010:11-81), como uma cr\u00edtica \u00e0 antropologia cl\u00e1ssica com seu ponto de vista etnoc\u00eantrico e egoc\u00eantrico.<\/p>\n\n\n\n<p>Considero, ent\u00e3o, que, sem desmerecer seu car\u00e1ter original e como muitas outras teorias antropol\u00f3gicas, o perspectivismo \u00e9 o resultado de uma s\u00edntese de v\u00e1rias teorias anteriores, das quais mencionei apenas algumas.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n    <\/div>\n    \n\n\n\n    <div class=\"discrepancia tres\">\n        <h2>Como o discurso biom\u00e9dico em torno de corpos e identidades se articula com outros discursos e projetos morais?<\/h2>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"bourdin\">\n        <p class=\"nombre\">Gabriel Bourdin<\/p>\n        <p class=\"llamada\">N\u00e3o h\u00e1 uma nuance etnoc\u00eantrica na ideia de que todos os grupos humanos desenvolveram uma investiga\u00e7\u00e3o sobre o \"ser\"?<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"kindl\">\n        <p class=\"nombre\">Olivia Kindl<\/p>\n        <p class=\"llamada\">O que estamos falando, ent\u00e3o, nas obras perspectivistas \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o do outro em sua natureza profunda.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta bourdin\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Considero que a maior contribui\u00e7\u00e3o do perspectivismo na antropologia \u00e9 ter renovado, nos \u00faltimos anos, dois motivos fundamentais inerentes \u00e0 vis\u00e3o etnol\u00f3gica da realidade humana: primeiro, a unidade insepar\u00e1vel e complexa do mundo humano com os ecossistemas naturais dos quais ele faz parte. Essa vis\u00e3o ecol\u00f3gica das sociedades humanas tem suas ra\u00edzes no pensamento de Jean Jaques Rousseau, que, como enfatizou L\u00e9vi-Strauss, argumentou que, por meio de <em>La Piedad<\/em>Ou seja, por meio da identifica\u00e7\u00e3o com todos os seres da cria\u00e7\u00e3o, o pensamento humano \u00e9 capaz de alcan\u00e7ar uma compreens\u00e3o mais ampla e solid\u00e1ria do mundo e da vida. Uma segunda contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 constitu\u00edda pela firme posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o-objetivista sobre as rela\u00e7\u00f5es entre as v\u00e1rias culturas, formadas pelas sociedades humanas, e as diferentes \"naturezas\" n\u00e3o-humanas que essas culturas conceberam.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 cr\u00edtica da posi\u00e7\u00e3o perspectivista-ontologista, meu ponto de vista se baseia em uma s\u00e9rie de d\u00favidas, e n\u00e3o em obje\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas ou metodol\u00f3gicas. Enumerarei a seguir alguns aspectos da quest\u00e3o que n\u00e3o consigo entender: a no\u00e7\u00e3o de perspectiva, sem d\u00favida, condensa a vis\u00e3o subjetiva-objetiva que a antropologia cultural adotou desde seus prim\u00f3rdios. As no\u00e7\u00f5es de cultura, diversidade cultural, relatividade cultural ou vis\u00e3o de mundo fazem parte de nosso discurso como antrop\u00f3logos h\u00e1 muito tempo. A \u00e9tica da neutralidade antropol\u00f3gica invariavelmente nos leva a respeitar o conhecimento, as convic\u00e7\u00f5es e as cren\u00e7as dos \"outros\" culturais. Portanto, surgem as seguintes perguntas: com que base podemos substituir esses conceitos pela ideia de \"metaf\u00edsica ou ontologias nativas\"? Em que sentido as disciplinas gregas cl\u00e1ssicas do ser e das entidades podem nos oferecer uma melhor compreens\u00e3o dos fen\u00f4menos cognitivos e emocionais do que o estudo de sistemas classificat\u00f3rios ou da chamada etnopsicologia? Onde est\u00e1 a novidade efetiva dessa abordagem? Presumo que a inten\u00e7\u00e3o dos autores perspectivistas n\u00e3o era simplesmente substituir o termo latino \"cultura\" por outros de origem grega, como metaf\u00edsica e ontologia. Como n\u00e3o me aprofundei no assunto, essa pergunta permanece, para mim, sem resposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma segunda pergunta diz respeito \u00e0 posi\u00e7\u00e3o dos antrop\u00f3logos perspectivistas-ontologistas sobre o papel do antrop\u00f3logo em rela\u00e7\u00e3o ao pensamento cient\u00edfico. No texto introdut\u00f3rio desse question\u00e1rio, \u00e9 mencionado o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p>A principal abordagem \u00e9 o questionamento do eu, de sua natureza; eles criam uma divis\u00e3o entre a natureza do ser humano e a do n\u00e3o humano. Uma posi\u00e7\u00e3o que \u00e9 construtivista em termos metodol\u00f3gicos e relativista em termos pol\u00edticos e morais. Eles consideram que, ao contr\u00e1rio do que a ci\u00eancia ocidental sup\u00f5e, n\u00e3o existe uma forma \u00fanica de cosmogonia ou pensamento unificado.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que todos os grupos humanos desenvolveram alguma forma de reflex\u00e3o sobre no\u00e7\u00f5es t\u00e3o abstratas e idiossincr\u00e1ticas como as da antiga tradi\u00e7\u00e3o grega, baseadas principalmente na presen\u00e7a, nas l\u00ednguas indo-europeias, da c\u00f3pula do verbo Ser [\u03b5\u03af\u03bc\u03b1\u03b9, \"eimai\"]? N\u00e3o h\u00e1 uma nuance etnoc\u00eantrica na ideia de que todos os grupos humanos desenvolveram uma investiga\u00e7\u00e3o sobre \"ser\", \"entidade\" e todas as suas deriva\u00e7\u00f5es? Em meu humilde entendimento, somente a tradi\u00e7\u00e3o ocidental desenvolveu um pensamento sobre o ser. Os modos de categoriza\u00e7\u00e3o do mundo natural e humano que operam por meio do \"pensar na natureza\" s\u00e3o testemunhos dessa diversidade de maneiras de conceber o mundo. Se aceitarmos a realidade de in\u00fameras ontologias, n\u00e3o estar\u00edamos retornando da ci\u00eancia humana contempor\u00e2nea duramente conquistada para o estado anterior de um conhecimento nocional, principalmente verbalista e logoc\u00eantrico, como o da metaf\u00edsica?<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, o texto introdut\u00f3rio desse question\u00e1rio menciona o seguinte: \"N\u00e3o \u00e9 apenas o ser humano que pode ter um ponto de vista, mas os animais e outras formas ou seres n\u00e3o humanos t\u00eam seus pr\u00f3prios pontos de vista, que seriam equivalentes\". A d\u00favida, nesse ponto, \u00e9 metodol\u00f3gica: de que forma um etn\u00f3grafo poderia adquirir o ponto de vista dos animais e de outros seres n\u00e3o humanos? Como ele poderia chegar a saber que essas perspectivas s\u00e3o equivalentes? Sem negar os avan\u00e7os de disciplinas como o estudo da \"comunica\u00e7\u00e3o animal\" e da biossemi\u00f3tica, incluindo a perspectiva da ecologia profunda, acho dif\u00edcil conceber como a lacuna aparentemente intranspon\u00edvel entre o universo simb\u00f3lico das linguagens humanas (verbal, gestual etc.) e a alteridade radical do Real, que n\u00f3s, humanos, processamos, simb\u00f3lica e imaginativamente, quando constru\u00edmos diversas e inumer\u00e1veis \"naturezas\", povoando-as com signos, poderia ser superada.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta kindl\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Nos \u00faltimos vinte anos, o perspectivismo tem sido discutido e questionado por meio de v\u00e1rias abordagens cr\u00edticas, abrindo assim espa\u00e7os para reflex\u00e3o, debate e reformula\u00e7\u00e3o. Para responder \u00e0 pergunta, tentarei sintetizar as principais cr\u00edticas que t\u00eam sido feitas ao perspectivismo, destacando tanto os aspectos que considero question\u00e1veis quanto as principais contribui\u00e7\u00f5es dessa corrente do pensamento antropol\u00f3gico. Acho importante ressaltar que, embora concorde com v\u00e1rias dessas cr\u00edticas, considero que um aspecto positivo desses debates \u00e9 que eles t\u00eam estimulado reflex\u00f5es interessantes e inovadoras n\u00e3o s\u00f3 para a antropologia, mas tamb\u00e9m para outras ci\u00eancias, do ponto de vista te\u00f3rico, metodol\u00f3gico e at\u00e9 \u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Retomando a trajet\u00f3ria de seu fundador, a partir de seus primeiros trabalhos etnogr\u00e1ficos, Viveiros de Castro procurou ampliar seus horizontes e passou a desenvolver estudos comparativos em n\u00edvel regional. Essa iniciativa, sem d\u00favida, revela em filigrana o m\u00e9todo de an\u00e1lise transformacional de L\u00e9vi-Strauss. O pr\u00f3ximo n\u00edvel de an\u00e1lise consiste na busca de universais do pensamento humano para alcan\u00e7ar um n\u00edvel de reflex\u00e3o antropol\u00f3gica, seguindo a hierarquia estabelecida por L\u00e9vi-Strauss entre etnografia, etnologia e antropologia. Esse esquema epistemol\u00f3gico, que se caracteriza pelo estabelecimento de uma hierarquia entre diferentes n\u00edveis de conhecimento antropol\u00f3gico, merece ser questionado por ser muito mec\u00e2nico e discriminat\u00f3rio. No entanto, esse esquema hier\u00e1rquico ainda est\u00e1 em vigor nos estudos de muitos colegas, e \u00e9 por isso que, ao que me parece, n\u00e3o foi suficientemente criticado para provocar uma ruptura epistemol\u00f3gica completa.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, um problema crucial com esse esquema \u00e9 que ele reconhece um tra\u00e7o do s\u00e9culo XIX da grande <em>antrop\u00f3logos de poltrona<\/em> que muitas vezes levou a generaliza\u00e7\u00f5es baseadas em um caso etnogr\u00e1fico espec\u00edfico. Basta mencionar os exemplos do xam\u00e3, do mana e do tabu, entre outros conceitos ind\u00edgenas espec\u00edficos que foram aplicados a sociedades de todas as latitudes e temporalidades. A esse respeito, concordo com as reflex\u00f5es cr\u00edticas desenvolvidas por Pierre D\u00e9l\u00e9age em seu livro <em>L'Autre-mental. Figuras do antrop\u00f3logo na escrita de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/em> (2020), que reconhece afinidades entre o perspectivismo de Viveiros de Castro e o pensamento de Lucien L\u00e9vy-Bruhl sobre a \"alma primitiva\".<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo essa ordem de ideias, Viveiros de Castro desenvolveu em seus primeiros trabalhos etnogr\u00e1ficos reflex\u00f5es comparativas que abrangeram mais sociedades da regi\u00e3o, com temas como xamanismo, canibalismo, parentesco e sistemas rituais amaz\u00f4nicos. Ao ampliar seus horizontes, a postura te\u00f3rica e metodol\u00f3gica de Viveiros de Castro tamb\u00e9m dialoga com os trabalhos de Marilyn Strathern (1988) e Roy Wagner (1981 [1975]) sobre algumas sociedades da Oceania, que buscam mostrar que todo indiv\u00edduo - ou melhor, sujeito - est\u00e1 imerso em uma s\u00e9rie de redes relacionais que determinam sua posi\u00e7\u00e3o e identidade no mundo. De acordo com essa abordagem, \u00e9 por meio dessas redes relacionais que o sujeito pode ser definido. Nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 apenas a rela\u00e7\u00e3o que se estabelece entre o sujeito e o mundo que \u00e9 decisiva, mas tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es que os diferentes sujeitos mant\u00eam entre si. A partir da\u00ed, buscamos desenvolver um m\u00e9todo etnogr\u00e1fico dial\u00f3gico ou \"sim\u00e9trico\" (Latour, 1991) e focamos nosso interesse no exame dos conceitos utilizados por esse outro, que \u00e9 nosso interlocutor em um estudo antropol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>O que estamos falando ent\u00e3o nas obras perspectivistas \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o do outro em sua natureza profunda, o que Viveiros de Castro e outros autores contempor\u00e2neos chamam de \"ontologia\". Esse conceito filos\u00f3fico foi formulado h\u00e1 muito tempo por Arist\u00f3teles, que o definiu como o estudo do ser como tal (grego: ontologia). <em>para<\/em>- ser, partic\u00edpio presente do verbo \"ser\"). Desde ent\u00e3o, a aplica\u00e7\u00e3o de no\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, como a ontologia, a modos de ser e de pensar sobre a rela\u00e7\u00e3o entre os seres humanos e o mundo que s\u00e3o diferentes e alheios a essas no\u00e7\u00f5es, foi herdada de uma longa tradi\u00e7\u00e3o ocidental que n\u00e3o deixou de redefini-las e reformul\u00e1-las ao longo dos s\u00e9culos. Viveiros de Castro adaptou essa no\u00e7\u00e3o deturpada \u00e0 antropologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, quando os trabalhos sobre o perspectivismo e o multinaturalismo amaz\u00f4nico se tornaram conhecidos no M\u00e9xico, o que os antrop\u00f3logos mexicanos interessados nessa corrente (Sa\u00fal Mill\u00e1n, Johannes Neurath, entre outros) mais resgataram foi esse conceito de ontologia (Hern\u00e1ndez D\u00e1vila, \"The concept of ontology\"). <em>et al<\/em>. 2018: 71-196), que, em minha opini\u00e3o, \u00e9 a mais problem\u00e1tica por v\u00e1rios motivos. Um deles \u00e9 que existem realidades etnogr\u00e1ficas que escapam a esse esquema de pensamento, o que \u00e9 atestado por numerosos estudos, tanto no M\u00e9xico quanto no mundo todo .... Outro se deve a um problema de l\u00f3gica ou coer\u00eancia simples em termos de seu discurso cr\u00edtico sobre a antropologia cl\u00e1ssica: se o que se busca \u00e9 entender a perspectiva do outro para abranger as m\u00faltiplas formas de viver e conceber o mundo, por que usar como crit\u00e9rio de refer\u00eancia uma concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica cl\u00e1ssica da cultura ocidental cuja defini\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica do eu como uma entidade em sua ess\u00eancia dificilmente \u00e9 male\u00e1vel quando confrontada com outras formas de pensar sobre o mundo? De fato, vale a pena perguntar se as dicotomias impl\u00edcitas nos estudos de perspectivismo e ontologias, como sujeito\/objeto ou humano\/n\u00e3o humano, s\u00e3o v\u00e1lidas para as cosmologias que estamos estudando.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma abund\u00e2ncia de trabalhos antropol\u00f3gicos, tanto em sociedades amer\u00edndias no M\u00e9xico quanto em outros povos da Am\u00e9rica e em v\u00e1rias latitudes, bem como as abordagens de Alfred Gell (2016 [1998]) sobre a arte como ag\u00eancia, nas quais foi demonstrado que um objeto pode se tornar um sujeito social em determinados contextos, questionando assim a dicotomia entre sujeito e objeto. No caso de muitas sociedades que foram inclu\u00eddas na \u00e1rea mesoamericana (n\u00e3o entrarei nesse debate aqui), v\u00e1rios estudos de antrop\u00f3logos mexicanos (entre outros, os de Jacques Galinier, Dani\u00e8le Dehouve, Guti\u00e9rrez e muitos outros) conclu\u00edram que estamos diante de um sistema em que n\u00e3o apenas a distin\u00e7\u00e3o entre cultura e natureza n\u00e3o \u00e9 relevante, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a distin\u00e7\u00e3o entre humanos e n\u00e3o humanos, dadas as concep\u00e7\u00f5es antropomorfizadas da natureza e das entidades deificadas.<\/p>\n\n\n\n<p>E, no entanto, em certa antropologia mexicana, o termo \"ontologia\" passou a substituir o conceito de \"cosmovis\u00e3o\" em discursos e ensaios, e a ser usado praticamente como sin\u00f4nimo de outro termo que era comumente usado na antropologia mexicana, influenciado pelo trabalho de Alfredo L\u00f3pez-Austin, Johanna Broda e outros (2001: 47-65), focado na busca do \"n\u00facleo duro\" do pensamento mesoamericano.Foi assim que se criou um efeito de moda no M\u00e9xico h\u00e1 cerca de 20 anos, inspirado em temas que j\u00e1 haviam sido formulados e discutidos em outros lugares (principalmente no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa) desde a d\u00e9cada de 1990. Essa resposta da antropologia mexicana, tamb\u00e9m na tradi\u00e7\u00e3o culturalista, ecoa as discuss\u00f5es que v\u00eam ocorrendo desde 2008 sobre se o conceito de ontologia n\u00e3o deve ser entendido \"como apenas outra palavra para cultura\" (Carrithers <em>et al<\/em>., 2010: 152-200).<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, parece que, apesar de descrever as rela\u00e7\u00f5es interesp\u00e9cies e interculturais em toda a sua fluidez e din\u00e2mica, o conceito de ontologia parece ser um retorno a uma vis\u00e3o essencialista e est\u00e1tica dos seres, que pode ser vista como um atavismo da tradi\u00e7\u00e3o culturalista. Descola, em seu livro <em>Al\u00e9m da natureza e da cultura<\/em> (2012 [2005]), argumenta que h\u00e1 quatro ontologias no mundo: animismo, totemismo, analogismo e naturalismo, nas quais todas as sociedades do planeta est\u00e3o distribu\u00eddas. Parece-me que classificar todas as sociedades do mundo em quatro categorias amplas denota uma ambi\u00e7\u00e3o excessiva que beira a especula\u00e7\u00e3o. Especula\u00e7\u00f5es universalistas e generalizantes que haviam sido questionadas por Boas e L\u00e9vi-Strauss em suas cr\u00edticas aos evolucionistas que, vale lembrar, formularam as primeiras teorias sobre animismo e totemismo, nomes de duas das ontologias estabelecidas por Descola. Diante das cr\u00edticas que foram feitas a esse esquema totalizante, Descola admitiu mais recentemente que, em certos casos e contextos espec\u00edficos, v\u00e1rias ontologias poderiam ser combinadas entre si. No entanto, ao fazermos nosso trabalho como antrop\u00f3logos, continuamos a encontrar sujeitos e coisas no mundo - \"existentes\", diria Latour (2012) - e outras cosmologias que escapam ou v\u00e3o al\u00e9m dessas constru\u00e7\u00f5es te\u00f3rico-metodol\u00f3gicas baseadas em observa\u00e7\u00f5es feitas principalmente em sociedades amaz\u00f4nicas e oce\u00e2nicas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que tanto Viveiros de Castro quanto Descola e outros representantes do perspectivismo na antropologia t\u00eam respondido \u00e0s cr\u00edticas de seus colegas \u00e0s suas propostas iniciais, dialogando e encontrando novas bases para discuss\u00f5es frut\u00edferas (Viveiros de Castro, 2014: 161-181; Descola e Ingold, 2014). Como resultado desses interc\u00e2mbios cr\u00edticos em torno do perspectivismo e do multinaturalismo, foram desenvolvidos debates e reflex\u00f5es sobre novas quest\u00f5es, como multiesp\u00e9cies, multiversos, o antropoceno ou a cosmopol\u00edtica, ultrapassando assim os limites da disciplina antropol\u00f3gica e colocando-a em di\u00e1logo com outras \u00e1reas do conhecimento. Tamb\u00e9m foram desenvolvidas e ampliadas quest\u00f5es em torno da distin\u00e7\u00e3o entre humano e n\u00e3o humano, reconhecendo a exist\u00eancia de seres h\u00edbridos que n\u00e3o se enquadram em nenhuma dessas categorias (Latour, 1991; Houdart e Olivier, 2011). Em rela\u00e7\u00e3o ao exposto acima, fen\u00f4menos contempor\u00e2neos como \"n\u00e3o humanos tecnol\u00f3gicos\", transhumanismo ou tecnologias de intelig\u00eancia artificial tamb\u00e9m est\u00e3o sendo refletidos para repensar os limites do humano e do antropocentrismo, a partir de diferentes disciplinas. A partir das abordagens de Viveiros de Castro, Descola e Latour, pode-se dizer que surgiu uma infinidade de novas propostas antropol\u00f3gicas e interdisciplinares que questionam nossa condi\u00e7\u00e3o humana contempor\u00e2nea. Surgiram novos paradigmas de pensamento sobre o mundo ao nosso redor que transformaram profundamente a antropologia e outras ci\u00eancias e at\u00e9 mesmo os movimentos culturais, pol\u00edticos e sociais na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n    <\/div>\n    \n\n\n\n    <div class=\"discrepancia tres\">\n        <h2>Como essa tend\u00eancia influenciou seu trabalho?<\/h2>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"bourdin\">\n        <p class=\"nombre\">Gabriel Bourdin<\/p>\n        <p class=\"llamada\">essa corrente n\u00e3o influencia meu trabalho<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"kindl\">\n        <p class=\"nombre\">Olivia Kindl<\/p>\n        <p class=\"llamada\">As contribui\u00e7\u00f5es dos estudos perspectivistas tiveram um impacto em meu trabalho, bem como na antropologia em geral, ao pensar na possibilidade de uma teoria e pr\u00e1tica descolonizadoras.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><\/p>\n\n\n\n<p> \n      <div class=\"respuesta bourdin\"> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Apesar de sua relev\u00e2ncia atual, essa corrente n\u00e3o influencia meu trabalho porque minha pesquisa faz parte de outra tradi\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-metodol\u00f3gica da antropologia.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta kindl\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Quando estudei antropologia em Paris, no final dos anos 90, a corrente perspectivista e a virada ontol\u00f3gica eram predominantes, especialmente na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Escola de Estudos Avan\u00e7ados em Ci\u00eancias Sociais).<span class=\"small-caps\">ehess<\/span>), no qual ela foi inscrita para escrever um relat\u00f3rio sobre o <span class=\"small-caps\">dea<\/span> sob a dire\u00e7\u00e3o de Philippe Descola. Foi quando comecei a me familiarizar com o trabalho e as discuss\u00f5es acad\u00eamicas de v\u00e1rios pesquisadores que seguiam essa linha de pensamento, muitos deles convidados por Descola para cursos e semin\u00e1rios. Entre esses convidados, lembro-me, por exemplo, de ouvir Viveiros de Castro, Carlos Fausto, Stephen Hugue Jones e Els Lagrou. Tanto o trabalho dos pesquisadores convidados que acabei de mencionar quanto o de pesquisadores franceses que trabalham com assuntos relacionados, como Anne-Christine Taylor, Dimitri Karadimas e Jean-Pierre Chaumeil, para mencionar apenas alguns por falta de espa\u00e7o, foram fontes enriquecedoras de aprendizado, permitindo que aprend\u00eassemos e explor\u00e1ssemos t\u00f3picos como cosmologias amer\u00edndias, sistemas de pensamento nativo, taxonomias ind\u00edgenas, sistemas de parentesco, cantos xam\u00e2nicos, antropologia dos sentidos, o papel social de objetos rituais como m\u00e1scaras e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, ao desenvolver minhas reflex\u00f5es e pesquisas etnogr\u00e1ficas, percebi que em muitos casos era dif\u00edcil aplicar as teorias e os m\u00e9todos propostos pelo perspectivismo na Amaz\u00f4nia aos contextos mexicanos. Como exemplo, mencionarei algumas reflex\u00f5es que me levaram a uma an\u00e1lise da figura de Kauyumari entre os Wixaritari (Huichol), porque h\u00e1 figuras mitol\u00f3gicas e rituais que s\u00e3o \"boas de se pensar\" porque escapam de toda circunscri\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica: temos um personagem do tipo <em>trapaceiro<\/em>amb\u00edguo, contradit\u00f3rio, paradoxal, imperfeito, que nem sequer sabe se realmente existe, pois seu nome significa literalmente \"aquele que n\u00e3o conhece a si mesmo\". Em outras palavras, ele \u00e9 um ser e um n\u00e3o-ser ao mesmo tempo (Kindl, 2019: 134). Como usar o conceito de ontologia em tais casos? Este exemplo questiona tanto o conceito de ontologia de Viveiros de Castro quanto o conceito de figura\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica de Descola (2006).<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, as contribui\u00e7\u00f5es dos estudos perspectivistas tiveram um impacto em meu trabalho, bem como na antropologia em geral, para pensar sobre a possibilidade de uma teoria e pr\u00e1tica descolonizadoras dentro das ci\u00eancias sociais. Um questionamento radical da \"colonialidade do conhecimento\" aplicado \u00e0 pr\u00e1tica etnogr\u00e1fica na qual o discurso e a vis\u00e3o de mundo do nativo (Viveiros de Castro, 2016 [2002]: 29-69), ou seja, nossos interlocutores no campo, s\u00e3o \"levados a s\u00e9rio\" (Viveiros de Castro, 2016 [2002]: 29-69). As abordagens de Viveiros de Castro nos convidam a refletir se a antropologia cultural n\u00e3o deveria ser uma antropologia intercultural e perspectivista, ou seja, uma antropologia verdadeiramente intercultural e n\u00e3o simplesmente uma antropologia cultural que reflete sobre a interculturalidade. Essa parte \u00e9, em minha opini\u00e3o, a parte mais salv\u00e1vel do perspectivismo. Entretanto, do meu ponto de vista mexicano, ainda h\u00e1 muito a discutir, questionar e repensar sobre a quest\u00e3o das ontologias e dicotomias entre sujeito e objeto, humano e n\u00e3o humano.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n    <\/div>\n    \n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Broda, Johanna e F\u00e9lix Baez-Jorge (orgs.) (2001). <em>Cosmovis\u00e3o, ritual e identidade dos povos ind\u00edgenas do M\u00e9xico.<\/em> M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Carrithers, Michael, Matei Candea, Karen Sykes, Martin Holbraad e Soumhya Venkatesan (2010). \"Ontology Is Just Another Word for Culture: Motion Tabled at the 2008 Meeting of the Group for Debates in Anthropological Theory\" (Ontologia \u00e9 apenas outra palavra para cultura: mo\u00e7\u00e3o apresentada na reuni\u00e3o de 2008 do Grupo de Debates em Teoria Antropol\u00f3gica), <em>Cr\u00edtica da antropologia <\/em>30, pp. 152-200.<\/p>\n\n\n\n<p>Descola, Philippe (2012 [2005]). <em>Al\u00e9m da natureza e da cultura<\/em>. Buenos Aires: Amorrortu.<\/p>\n\n\n\n<p>__________ (2006). \"La fabrique des images, <em>Antropologia e sociedades<\/em>vol. 30, no. 3, pp. 167-182.<\/p>\n\n\n\n<p><strong> --- y&nbsp;<\/strong><a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/lectures\/16209\">Tim Ingold<\/a> (2014). \u00catre au monde. Quelle exp\u00e9rience commune? Lyon: Presses universitaires de Lyon.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e9l\u00e9age, Pierre (2020). <em>L'Autre-mental. Figuras do antrop\u00f3logo na escrita de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/em>. Paris: La D\u00e9couverte.<\/p>\n\n\n\n<p>Deleuze, Gilles e F\u00e9lix Guattari (1985 [1972]). <em>O Anti-\u00c9dipo. Capitalismo e esquizofrenia<\/em>. Barcelona: Paid\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Gell, Alfred (2016 [1998]). <em>Arte e ag\u00eancia: uma teoria antropol\u00f3gica<\/em>. Buenos Aires: <span class=\"small-caps\">sb<\/span> Editorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Hern\u00e1ndez D\u00e1vila, Carlos Arturo (coord.) (2018). \"El giro ontol\u00f3gico: un di\u00e1logo (posible) con la etnograf\u00eda mesoamericanista\", <em>Cuicuilco<\/em>. <em>Revista de Ci\u00eancias Antropol\u00f3gicas<\/em>vol. 25, no. 72, maio-agosto, pp. 71-196.<\/p>\n\n\n\n<p>Houdart, Sophie e Olivier Thiery (2011). Humains non-humains. Paris, La D\u00e9couverte.<\/p>\n\n\n\n<p>Kindl, Olivia (2019). \"Effets de pr\u00e9sence et figurations rituelles dans le 'd\u00e9sert magique' de Wirikuta. Kauyumari ou le Cerf Bleu, entre les rituels, l'art et la vie\", <em>Tra\u00e7o<\/em>76, julho, pp. 130-166 [Online]. <a href=\"http:\/\/trace.org.mx\/\">http:\/\/trace.org.mx<\/a>; DOI:&nbsp;<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.22134\/trace.76.2019.642\">http:\/\/dx.doi.org\/10.22134\/trace.76.2019.642<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Latour, Bruno (1991). Nous n'avons jamais \u00e9t\u00e9 modernes. Paris: La D\u00e9couverte.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212; (2012). <em>Enqu\u00eate sur les modes d'existence. Uma antropologia dos modernos<\/em>. Paris: La D\u00e9couverte.<\/p>\n\n\n\n<p>Nietzsche, Friedrich (1996). <em>A genealogia da moralidade<\/em>. Madri: Alianza.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212; (2004). <em>Fragmentos p\u00f3stumos<\/em>. Madri: Abada.<\/p>\n\n\n\n<p>Strathern, Marilyn (1988). The Gender of the Gift: Problems with Women and Problems with Society in Melanesia [O G\u00eanero da D\u00e1diva: Problemas com as Mulheres e Problemas com a Sociedade na Melan\u00e9sia]. Berkeley: University of California Press.<\/p>\n\n\n\n<p>Viveiros de Castro, Eduardo (1992). <em>Do ponto de vista do inimigo: Humanidade e divindade em uma sociedade amaz\u00f4nica<\/em>. Chicago: University of Chicago Press.<\/p>\n\n\n\n<p>_____________(2010 [2009]). <em>Metaf\u00edsica canibal. Linhas da antropologia p\u00f3s-estrutural<\/em>. Madri: Katz Editores.<\/p>\n\n\n\n<p>______________ (2014). \"Perspectivisme et multinaturalisme en Am\u00e9rique indig\u00e8ne, <em>Journal des Anthropologues (Jornal dos Antrop\u00f3logos)<\/em>pp. 138-139 e 161-181.<\/p>\n\n\n\n<p>______________ (2016 [2002]). \"The relative native\", <em>Av\u00e1. Revista de Antropologia<\/em>No. 29, dezembro, pp. 29-69.<\/p>\n\n\n\n<p>Wagner, Roy (1981 [1975]). <em>A inven\u00e7\u00e3o da cultura<\/em>. Chicago: University of Chicago Press.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Gabriel Bourdin<\/em> PhD em Antropologia (unam). Professor e conferencista em universidades no M\u00e9xico (enah, unam, uic, Sor Juana, entre outras), Argentina (uba, Luj\u00e1n, uner, unsm), Espanha (Universidade de Granada), Fran\u00e7a (Sorbonne-Universit\u00e9-Paris iv, Universit\u00e9 Bordeaux-Montaigne) e Bulg\u00e1ria (Universidade de Sofia). Membro do Sistema Nacional de Pesquisadores (sni-conahcyt). \u00c9 pesquisador em tempo integral no Instituto de Investigaciones Antropol\u00f3gicas de la unam. Membro pesquisador da Association Marcel Jousse, com sede em Paris. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Sua \u00e1rea de estudo \u00e9 a antropologia da linguagem. Ele publicou recentemente <em>A selva antropol\u00f3gica. Uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Anthropology of Gesture and Mimicry de Marcel Jousse.<\/em> (unam, 2019); e a primeira tradu\u00e7\u00e3o para o espanhol de <em>O estilo oral, r\u00edtmico e mnemot\u00e9cnico dos verbo-motores, por Marcel Jousse<\/em>precedido de um ensaio introdut\u00f3rio (unam, 2020). Publicou v\u00e1rios livros e artigos sobre o tema do corpo e das emo\u00e7\u00f5es na l\u00edngua maia. Coordena o Semin\u00e1rio permanente de antropologia do corpo, das emo\u00e7\u00f5es e do gesto expressivo (IIA-iia-unam). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Olivia Kindl<\/em> \u00e9 professora pesquisadora do Programa de Estudos Antropol\u00f3gicos do El Colegio de San Luis. Nascida em Paris, ela \u00e9 formada em Etnologia pela Escola Nacional de Antropologia e Hist\u00f3ria. Recebeu o Pr\u00eamio Nacional \"Fray Bernardino de Sahag\u00fan\" por sua tese \"A j\u00edcara Huichol: um microcosmo mesoamericano\". Seu doutorado em Etnologia foi concedido pela Universidade de Paris X-Nanterre. Sua pesquisa se concentrou, a partir da antropologia da arte e das teorias do ritual, na an\u00e1lise das artes visuais dos Wixaritari (Huichol), que ele comparou com as dos Coras, Tepehuanes e popula\u00e7\u00f5es das terras altas de Potosi. Mais recentemente, suas an\u00e1lises foram vinculadas \u00e0s teorias do&nbsp;<em>desempenho<\/em>&nbsp;e a antropologia das t\u00e9cnicas. Ele tamb\u00e9m se aventurou na etnoarqueologia e na antropologia hist\u00f3rica. Seus trabalhos cient\u00edficos e populares foram publicados no M\u00e9xico, na Fran\u00e7a, na Alemanha e nos Estados Unidos. Para obter mais informa\u00e7\u00f5es, consulte&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.colsan.edu.mx\/p\/nu_acad.php?str=25\">https:\/\/www.colsan.edu.mx\/p\/nu_acad.php?str=25<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Arturo Guti\u00e9rrez del \u00c1ngel<\/em> \u00e9 professor-pesquisador do Programa de Estudos Antropol\u00f3gicos do El Colegio de San Luis. Ele \u00e9 membro do Sistema Nacional de Pesquisadores (SNI) desde 2008. Sua pesquisa gira em torno de mitologia, religi\u00f5es e rituais. Especializou-se em antropologia visual, particularmente na rela\u00e7\u00e3o entre fotografia, express\u00f5es pl\u00e1sticas e culturais. Trabalhou com grupos do oeste e do norte do M\u00e9xico, como os Wixaritari e os Na'ayari. Publicou cinco livros como autor e seis livros como coautor, al\u00e9m de publica\u00e7\u00f5es em revistas nacionais e internacionais. Exp\u00f4s seu trabalho fotogr\u00e1fico em museus e galerias; tem 20 exposi\u00e7\u00f5es de fotografias relacionadas \u00e0 \u00c1sia, \"El instante de la mirada: 5 pa\u00edses de Asia\".<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para alguns, o perspectivismo \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o no pensamento antropol\u00f3gico, enquanto para outros ele n\u00e3o \u00e9 uma teoria, mas est\u00e1 mais pr\u00f3ximo de uma ideologia forjada ao trazer para a arena de discuss\u00e3o paradigmas antigos, descobertos e desatualizados que h\u00e1 muito foram superados. 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