{"id":37310,"date":"2023-09-21T11:00:00","date_gmt":"2023-09-21T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=37310"},"modified":"2023-11-16T17:24:48","modified_gmt":"2023-11-16T23:24:48","slug":"esquit-identidades-politicas-autonomia-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/esquit-identidades-politicas-autonomia-democracia\/","title":{"rendered":"Identidades pol\u00edticas e democracia de comunidades ind\u00edgenas, contribui\u00e7\u00f5es para uma discuss\u00e3o sobre heterogeneidade."},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O artigo traz a hist\u00f3ria das comunidades ind\u00edgenas para a discuss\u00e3o a fim de apresentar diferentes perspectivas sobre a justi\u00e7a social no sentido universalista. Em vez de enfatizar apenas as identidades culturais, o artigo argumenta que \u00e9 essencial abrir a discuss\u00e3o sobre a forma\u00e7\u00e3o de identidades pol\u00edticas desenvolvidas pelas comunidades e povos ind\u00edgenas. Enfatiza-se que a democracia na Am\u00e9rica Latina pode ser pensada com base na heterogeneidade das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas adotadas pelos povos e comunidades ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/autonomy\/\" rel=\"tag\">autonomia<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/cultural-identities\/\" rel=\"tag\">identidades culturais<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/democracy\/\" rel=\"tag\">democracia<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/history\/\" rel=\"tag\">hist\u00f3rico<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/political-identities\/\" rel=\"tag\">identidades pol\u00edticas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\"><span class=\"small-caps\">identidades pol\u00edticas e democracia de comunidades ind\u00edgenas, contribui\u00e7\u00f5es para uma discuss\u00e3o sobre heterogeneidade<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Este texto discute a hist\u00f3ria das comunidades ind\u00edgenas com o objetivo de oferecer outras perspectivas para a discuss\u00e3o da justi\u00e7a social no sentido universalista. Em vez de enfatizar apenas as identidades culturais, considera-se indispens\u00e1vel abrir a discuss\u00e3o sobre a forma\u00e7\u00e3o de identidades pol\u00edticas desenvolvidas pelas comunidades e povos ind\u00edgenas, com o objetivo de abrir novas formas de pensar a democracia na Am\u00e9rica Latina, que enfatizem a heterogeneidade das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: hist\u00f3ria, identidades pol\u00edticas, identidades culturais, autonomia, democracia.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Ao longo dos s\u00e9culos <span class=\"small-caps\">xix<\/span> e <span class=\"small-caps\">xx<\/span>Muitas comunidades ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina enfrentaram os sistemas de domina\u00e7\u00e3o republicana colonial por meio de revoltas armadas e se manifestaram por meio dos chamados movimentos ind\u00edgenas. As perspectivas hist\u00f3ricas mostram que as comunidades ind\u00edgenas, em vez de enfatizarem as identidades culturais (conforme definido pelas teorias de etnia), manobraram em identidades pol\u00edticas por meio das quais buscaram autonomia e formas de autogoverno (Mallon, 2003; Grandin, 2007). Argumenta-se que, durante a segunda parte do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xx<\/span>Na Am\u00e9rica Latina, a antropologia introduziu no\u00e7\u00f5es como \"identidade cultural\" e \"grupo \u00e9tnico\" para definir as comunidades ind\u00edgenas, no\u00e7\u00f5es que as reduziram a minorias culturais. Mesmo na <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>Essa perspectiva prevalece em muitas an\u00e1lises dos movimentos ind\u00edgenas, resultando em uma simplifica\u00e7\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es assumidas pelos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, a forma\u00e7\u00e3o de identidades pol\u00edticas ind\u00edgenas, que s\u00e3o definidas dentro de uma estrutura de posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas heterog\u00eaneas, contribui para a vis\u00e3o geral da democracia. Observa-se que o reconhecimento das identidades pol\u00edticas ind\u00edgenas implica uma transforma\u00e7\u00e3o das ideias atuais de democracia liberal, limitada \u00e0 representa\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos, predominante nas democracias latino-americanas. Em contrapartida, uma perspectiva heterog\u00eanea implica o reconhecimento dos sujeitos coletivos ind\u00edgenas como atores que contribuem por meio de suas a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ou da constru\u00e7\u00e3o de seus mundos comunit\u00e1rios. Argumenta-se que essa perspectiva, visualizada como a <em>constru\u00e7\u00e3o heterog\u00eanea da democracia<\/em>teria que ser colocado em um plano vis\u00edvel, como se prop\u00f5e fazer com o chamado <em>justi\u00e7a social universalista<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo come\u00e7a descrevendo os argumentos de David Lehmann sobre justi\u00e7a social a partir de um ponto de vista universalista e os usos dados aos conceitos de \"identidades culturais\" ou \"identidades \u00e9tnicas\". Aponta a influ\u00eancia da antropologia na constru\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o que minoriza os povos e comunidades ind\u00edgenas na Am\u00e9rica Latina. S\u00e3o apresentados alguns casos de revoltas ind\u00edgenas, que resumem a forma\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ind\u00edgenas em uma regi\u00e3o espec\u00edfica da Am\u00e9rica Latina ao longo dos s\u00e9culos. <span class=\"small-caps\">xix<\/span> e <span class=\"small-caps\">xx<\/span>. Por fim, a constru\u00e7\u00e3o heterog\u00eanea da democracia \u00e9 examinada com \u00eanfase nas contribui\u00e7\u00f5es dos movimentos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Justi\u00e7a social universalista<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O artigo de David Lehmann tem como objetivo encontrar rotas para a justi\u00e7a social universalista, pois o chamado universalismo \u00e9 visto como uma forma acess\u00edvel de alcan\u00e7\u00e1-la. Para Lehmann, parece importante trabalhar com conceitualiza\u00e7\u00f5es ligadas a estruturas de rela\u00e7\u00f5es baseadas em caracter\u00edsticas impessoais, objetivas ou concretas, necessariamente pr\u00f3ximas das bases institucionais definidas por Estados e organiza\u00e7\u00f5es internacionais. Para defender seu argumento, o autor critica posi\u00e7\u00f5es que, para ele, promovem ou se baseiam em dicotomias e separatismo. De acordo com Lehmann, os estudiosos decoloniais desprezam essas perspectivas universalistas, incluindo os direitos humanos, definindo-os como dispositivos de domina\u00e7\u00e3o emergentes do Ocidente (Lehmann, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>A rigor, Lehmann destaca em seu artigo que a justi\u00e7a social universal deve envolver o foco na \"redistribui\u00e7\u00e3o material\" e na redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza com base em crit\u00e9rios socioecon\u00f4micos reconhecidos, como status socioecon\u00f4mico, renda, idade, g\u00eanero, local de resid\u00eancia e n\u00edvel educacional. Ele acredita que o foco da a\u00e7\u00e3o deve levar em conta categorias universais, como classe e g\u00eanero, em contraste com as defini\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais que s\u00e3o subjetivas e pouco n\u00edtidas, pois surgem da autoidentifica\u00e7\u00e3o. Em sua opini\u00e3o, o sistema jur\u00eddico deve operar com base nesses conte\u00fados, por exemplo, uma resposta universalista ao racismo \u00e9 a puni\u00e7\u00e3o criminal. No entanto, \u00e9 certo que as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas continuar\u00e3o a fazer reivindica\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es como identidade, educa\u00e7\u00e3o intercultural, restitui\u00e7\u00e3o de terras e autogovernan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o autor, as reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas dos ind\u00edgenas ganham esse lugar (secund\u00e1rio, em minha avalia\u00e7\u00e3o) porque \u00e9 imposs\u00edvel definir claramente os limites das popula\u00e7\u00f5es raciais e \u00e9tnicas. Argumenta-se que as identidades de negro, branco, \u00edndio, cholo, mesti\u00e7o s\u00e3o muito perme\u00e1veis ou elusivas e, portanto, imposs\u00edveis de serem usadas para distribui\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, o fornecimento de recursos com base em status socioecon\u00f4mico, g\u00eanero, idade ou regi\u00e3o tem menos probabilidade de ser contestado, pois s\u00e3o quest\u00f5es concretas que n\u00e3o podem ser manipuladas. A no\u00e7\u00e3o de universalismo de Lehmann, como ele mesmo argumenta, contrasta com as pol\u00edticas autonomistas que, na verdade, s\u00e3o limitadas em quest\u00f5es de repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A perspectiva da etnia como uma defini\u00e7\u00e3o de minorias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Na discuss\u00e3o de Lehmann, os conceitos de \"etnia\" e \"identidade cultural\" s\u00e3o de grande import\u00e2ncia. Eles s\u00e3o usados para escrever sobre o posicionamento de pesquisadores decoloniais e movimentos ind\u00edgenas que, de acordo com esse autor, concentram-se na reivindica\u00e7\u00e3o de direitos culturais. Essa ideia postula que a teoria decolonial desenvolve argumentos que aprofundam as divis\u00f5es \u00e9tnicas, embora, na realidade, muitas das abordagens ind\u00edgenas acabem sendo demandas de inclus\u00e3o. Nesse sentido, de acordo com Lehmann, os pr\u00f3prios movimentos ind\u00edgenas est\u00e3o demonstrando a falsidade dos argumentos decoloniais. Como o movimento ind\u00edgena na Am\u00e9rica Latina \u00e9 diversificado, suas abordagens variam desde aqueles que falam de \"inclus\u00e3o\" at\u00e9 aqueles que prop\u00f5em projetos aut\u00f4nomos, como professores ind\u00edgenas que consideram importante uma educa\u00e7\u00e3o \"alternativa\" para os povos ind\u00edgenas (Bonfil-Batalla, 1989).<\/p>\n\n\n\n<p>A vis\u00e3o antropol\u00f3gica das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas na Am\u00e9rica Latina tem utilizado profusamente o conceito de \"etnia\" para diferenciar essa popula\u00e7\u00e3o, levando em conta suas particularidades culturais. Desde o in\u00edcio, o conceito tem sido usado para definir os povos ind\u00edgenas como minorias culturais que est\u00e3o inseridas nos Estados constitu\u00eddos no s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xix<\/span> (Stavenhagen, 2010). D\u00edaz-Polanco (1981), por exemplo, v\u00ea a etnia como uma dimens\u00e3o das classes sociais: os povos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina, segundo ele, baseiam-se em formas b\u00e1sicas de identidade \u00e9tnica, embora sejam membros do campesinato. Da mesma forma, nos discursos e pol\u00edticas do Estado, a etnia foi aplicada como uma forma de <br>O Comit\u00ea gostaria de ver uma popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se encaixa totalmente na categoria de \"popula\u00e7\u00e3o\". <br>A maioria dos governos, inclusive os da Guatemala e da Bol\u00edvia, conseguiu definir os povos ind\u00edgenas como popula\u00e7\u00f5es menores, tanto do ponto de vista estat\u00edstico quanto cultural. Por meio de sistemas estat\u00edsticos concretos, a maioria dos governos, inclusive os da Guatemala e da Bol\u00edvia, conseguiu definir os povos ind\u00edgenas como popula\u00e7\u00f5es menores, tanto do ponto de vista estat\u00edstico quanto cultural. Esse uso de dados concretos se encaixa bem na defini\u00e7\u00e3o universalista de Lehmann, que defende o uso de categorias concretas na distribui\u00e7\u00e3o de excedentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse fato, a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena minorit\u00e1ria ocupa um lugar secund\u00e1rio de enuncia\u00e7\u00e3o e, na melhor das hip\u00f3teses, \u00e9 objeto de pol\u00edticas p\u00fablicas definidas pelas estruturas pol\u00edticas e culturais dominantes ou controladas pelo Estado e pelas elites econ\u00f4micas, pol\u00edticas e acad\u00eamicas. No in\u00edcio do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xxi,<\/span> Essas pol\u00edticas estavam centradas em propostas multiculturalistas e interculturalistas. De qualquer forma, durante a segunda parte do s\u00e9culo XX, a <span class=\"small-caps\">xx<\/span>Os chamados grupos \u00e9tnicos foram for\u00e7ados a se integrar \u00e0 \"cultura nacional\" e t\u00eam sido objeto de pol\u00edticas educacionais destinadas a \"civiliz\u00e1-los\" por meio de uma infinidade de dispositivos e programas (Bonfil-Batalla, 1989; Taracena, 2004). O que essas pol\u00edticas conseguiram at\u00e9 agora foi a concess\u00e3o de uma cidadania de \"segunda classe\" a alguns povos ind\u00edgenas e o refor\u00e7o de seu papel como intermedi\u00e1rios; os demais permanecem como <em>servidores<\/em> na hierarquia s\u00f3cio-racial definida pela pol\u00edtica real das elites latino-americanas. As pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o estavam na ordem do dia na maioria dos pa\u00edses do subcontinente: desde as declara\u00e7\u00f5es do Primeiro Congresso Indigenista de P\u00e1tzcuaro, Michoac\u00e1n, em 1940, at\u00e9 o final do s\u00e9culo XX, as pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o estavam na ordem do dia na maioria dos pa\u00edses do subcontinente. <span class=\"small-caps\">xx<\/span>quando surgiram as pol\u00edticas interculturais. De qualquer forma, o interculturalismo como pol\u00edtica de Estado nada mais foi do que um neoindigenismo revestido de discursos sobre o pluralismo; sob o conceito intercultural, foi delineado o conceito de grupos \u00e9tnicos, que obviamente manteve a defini\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas como minorias demogr\u00e1ficas e culturais. O racismo estrutural foi delineado por meio desses conceitos, que normalizaram ou normatizaram o lugar de cada pessoa na pol\u00edtica, na economia e nas propostas de desenvolvimento (Gonz\u00e1lez, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>As no\u00e7\u00f5es de multiculturalismo e interculturalismo foram aceitas por muitas organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas em toda a Am\u00e9rica Latina. Um exemplo nesse sentido s\u00e3o as universidades interculturais no M\u00e9xico, algumas delas analisadas por Lehmann, ou as pol\u00edticas afirmativas, que tamb\u00e9m s\u00e3o destacadas no artigo em discuss\u00e3o. A maioria desses sistemas, como era de se esperar, foi direcionada \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas, por exemplo, tentando reformar e fortalecer os programas de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue ou fundando universidades ind\u00edgenas controladas, em \u00faltima inst\u00e2ncia, pelas elites mesti\u00e7as que dirigem os estados nessa regi\u00e3o do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas dessas pol\u00edticas tamb\u00e9m abriram espa\u00e7os para a recupera\u00e7\u00e3o cultural, a regulamenta\u00e7\u00e3o do uso da terra comunal e a lei comunal, e at\u00e9 mesmo governos locais ind\u00edgenas. V\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e alguns acad\u00eamicos estavam interessados e esperan\u00e7osos em rela\u00e7\u00e3o a essas pol\u00edticas interculturais, pois acreditavam que elas abririam mais direitos para os povos ind\u00edgenas. Obviamente, as organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas tamb\u00e9m usaram a legisla\u00e7\u00e3o estadual e as conven\u00e7\u00f5es internacionais para buscar oportunidades que as beneficiassem (Dietz, 2016; Leuman, 2016). <em>et al<\/em>., 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>O que se pode perceber com esse relato \u00e9 que a etniza\u00e7\u00e3o foi inicialmente um projeto das elites pol\u00edticas e acad\u00eamicas do Estado, que definiram os povos ind\u00edgenas com base em categorias que contrastavam com a modernidade que eles buscavam ou imaginavam. Como ser\u00e1 visto a seguir, as lutas ind\u00edgenas n\u00e3o se concentraram apenas na diferen\u00e7a cultural, mas muitas delas buscaram desmantelar o forte entrela\u00e7amento de servid\u00e3o, desapropria\u00e7\u00e3o e racismo que as comunidades haviam suportado ao longo dos s\u00e9culos. <span class=\"small-caps\">xix<\/span> e <span class=\"small-caps\">xx<\/span> (e at\u00e9 agora neste s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>) sob estados administrados por propriet\u00e1rios de terras, propriet\u00e1rios de terras e militares.<\/p>\n\n\n\n<p>As classifica\u00e7\u00f5es baseadas na cultura feitas pelos Estados foram adotadas por alguns movimentos ind\u00edgenas, mas foram adaptadas (como foi feito com o liberalismo no in\u00edcio do s\u00e9culo XX) \u00e0s necessidades dos povos ind\u00edgenas. <span class=\"small-caps\">xx<\/span>) para sustentar a preocupa\u00e7\u00e3o central das comunidades ind\u00edgenas, ou seja, opor-se \u00e0 tr\u00edade de servid\u00e3o, desapropria\u00e7\u00e3o e racismo. Os ind\u00edgenas n\u00e3o adotaram o conceito de \"cultura\" em si, mas ele teve um uso estrat\u00e9gico, pois foi vinculado como uma palavra e uma posi\u00e7\u00e3o que se opunha ao racismo estrutural e cotidiano. Sobre esse dilema, Rodolfo Stavenhagen afirma que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Os povos oprimidos, explorados e discriminados que reivindicam seus direitos culturais e coletivos n\u00e3o o fazem para celebrar a diferen\u00e7a - que, em si, n\u00e3o \u00e9 boa nem ruim -, mas para garantir seus direitos humanos e obter um m\u00ednimo de poder na polis, permitindo que participem em igualdade de condi\u00e7\u00f5es na governan\u00e7a democr\u00e1tica (2010: 82).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A vis\u00e3o hist\u00f3rica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A sofisticada pol\u00edtica integracionista, criada no in\u00edcio do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>A hist\u00f3ria dos povos ind\u00edgenas \u00e9 ignorada. Diante dessa condi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica atual, \u00e9 importante dizer que, durante o que a historiografia chama de \"per\u00edodo colonial\", houve dezenas de \"revoltas ind\u00edgenas\" em diferentes partes das Am\u00e9ricas. A maioria dessas insurrei\u00e7\u00f5es tinha base comunit\u00e1ria, questionava a economia colonial e identificava inimigos, desde autoridades ind\u00edgenas locais at\u00e9 encomenderos, governadores ou agentes coloniais. Durante os s\u00e9culos <span class=\"small-caps\">xix<\/span> e <span class=\"small-caps\">xx<\/span>Enquanto as rep\u00fablicas estavam sendo fundadas e consolidadas, houve tamb\u00e9m v\u00e1rias revoltas ind\u00edgenas em diferentes partes da Mesoam\u00e9rica e da regi\u00e3o andina. Muitas dessas insurrei\u00e7\u00f5es surgiram como desafios \u00e0 forma que o capitalismo assumiu em v\u00e1rias regi\u00f5es. Foram lutas contra o racismo que, em \u00faltima an\u00e1lise, buscavam formas de autogoverno em uma base comunit\u00e1ria, mas sem perder de vista os processos pol\u00edticos, econ\u00f4micos e sociais regionais e at\u00e9 mesmo globais.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois exemplos importantes s\u00e3o a chamada Guerra das Castas em Yucat\u00e1n (Dumond, 2005) e o levante zapatista em Chiapas (Harvey, 2000), ambos ocorridos no sudeste do M\u00e9xico. De acordo com Piedad Peniche (2004: 149), a Guerra das Castas (1847-1901) teve muito a ver com os conflitos agr\u00e1rios enfrentados por v\u00e1rias popula\u00e7\u00f5es maias da fronteira devido \u00e0 reforma agr\u00e1ria, um processo liderado pelo governo de Yucat\u00e1n em meados do s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xix<\/span>. Argumenta-se que o julgamento dos \"bald\u00edos\" na \u00e9poca beneficiou empres\u00e1rios, militares e sacerdotes (tr\u00eas importantes agentes da coloniza\u00e7\u00e3o naquele s\u00e9culo em muitas partes das Am\u00e9ricas). O governo de Yucat\u00e1n promoveu o \"esp\u00edrito empresarial\" por meio de leis que favoreciam os colonos que promoviam o capitalismo agr\u00e1rio (Peniche, 2004: 149). Naquela \u00e9poca, muitas comunidades maias participavam de uma economia regional baseada no cultivo e na venda de milho, como fornecedores de m\u00e3o de obra na arrier\u00eda ou na venda de aguardiente na col\u00f4nia brit\u00e2nica de Belize. Peniche argumenta que essa sociedade rural buscava op\u00e7\u00f5es na agricultura e na pol\u00edtica, mas as oportunidades n\u00e3o eram para todos, nem mesmo para as elites maias, muito menos para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena (2004: 150).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora esses eventos tenham girado em torno de quest\u00f5es agr\u00e1rias, os l\u00edderes da Guerra das Castas nunca afirmaram que sua revolta estava ligada a conflitos de terra, mas exigiam a aboli\u00e7\u00e3o de impostos e eram contra os \"abusos\" (racismo estrutural) do Estado e da Igreja. Peniche enfatiza que a Guerra das Castas foi o fim de uma longa luta contra a tributa\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xix<\/span>. O autor afirma que os camponeses maias aprenderam a se revoltar com a \"causa dos impostos\" e que essa era a linguagem \"codificada\" que usavam para expressar qualquer descontentamento. Al\u00e9m disso, os l\u00edderes maias, os <em>batab<\/em>Os maias foram deslocados no novo mundo colonial que estava tomando forma. Ao mesmo tempo, as chamadas \"popula\u00e7\u00f5es ocultas\", que eram assentamentos formados por maias que haviam migrado para \u00e1reas despovoadas no sul de Yucat\u00e1n para fugir dos impostos, estavam formando grupos praticamente aut\u00f4nomos de aldeias. Peniche sugere que a <em>batab<\/em> se comunicava com essas comunidades (Peniche, 2004: 158-160).<\/p>\n\n\n\n<p>O autor conclui que os emigrados acabaram participando da guerra, a <em>cruzob<\/em> lutaram com seus l\u00edderes, os <em>batab<\/em>at\u00e9 que optassem por manter suas comunidades (Peniche, 2004: 160). Essa escolha pelas comunidades levou alguns l\u00edderes a fundar pequenas aldeias aut\u00f4nomas no atual territ\u00f3rio de Quintana Roo (ou um <em>Na\u00e7\u00e3o maia<\/em>), cuja capital era Chan Santa Cruz, que tinha sua pr\u00f3pria forma de governo, hierarquias, religi\u00e3o, economia, rela\u00e7\u00f5es regionais e organiza\u00e7\u00e3o cultural. Essa entidade manteve, por muito tempo, sua independ\u00eancia da <em>dzules<\/em> (Ramirez, 2016), mas n\u00e3o foi isolado.<\/p>\n\n\n\n<p>O levante zapatista teve uma breve fase de luta armada em janeiro de 1994. Logo as a\u00e7\u00f5es se voltaram para o n\u00edvel pol\u00edtico com as negocia\u00e7\u00f5es de paz. Nesse sentido, as a\u00e7\u00f5es militares deram lugar \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas relacionadas \u00e0s comunidades que apoiavam o movimento. Em dezembro de 1994, 38 munic\u00edpios rebeldes zapatistas aut\u00f4nomos foram declarados, rejeitando formas de governo local apoiadas pelo Estado. Em 2003, outro n\u00edvel de governo aut\u00f4nomo conhecido como Caracoles foi revelado, o que, de acordo com alguns, sinalizou um momento de autodetermina\u00e7\u00e3o das comunidades em rela\u00e7\u00e3o a diferentes atores e ao governo mexicano. Para os analistas, esse evento marcou uma etapa no amadurecimento da autonomia que havia come\u00e7ado anos antes (Baronnet <em>et al<\/em>., 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>Observa-se que as comunidades zapatistas n\u00e3o formam um territ\u00f3rio ou grupos fechados, mas s\u00e3o definidas por a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas volunt\u00e1rias e regidas por regras de autogoverno. As formas de governo e os servi\u00e7os nas comunidades podem ser usados por indiv\u00edduos e grupos fora do movimento zapatista. Muitos membros da base tamb\u00e9m est\u00e3o intimamente ligados a organiza\u00e7\u00f5es de camponeses e at\u00e9 mesmo a partidos pol\u00edticos. As a\u00e7\u00f5es em prol da autonomia, que t\u00eam estado no centro das atividades pol\u00edticas e sociais dessas comunidades, ocorrem na vida cotidiana. Essas opera\u00e7\u00f5es ocorrem no contexto de um Estado mexicano que se recusa a reconhecer seus direitos como povos e comunidades em face de uma guerra de desgaste e da \"territorializa\u00e7\u00e3o de novas l\u00f3gicas do capital\" (Baronnet <em>et al<\/em>., 2011: 27).<\/p>\n\n\n\n<p>O que se nota nesses processos em comunidades aut\u00f4nomas \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de novas formas de identidades pol\u00edticas. Nesse sentido, as comunidades, ao produzirem formas de vida, organiza\u00e7\u00e3o, novos sujeitos pol\u00edticos, significados, subjetividades e conhecimento, o fazem em um espa\u00e7o fortemente politizado, definindo o poder de dar vida pr\u00f3pria a si mesmas e tentando reformar as rela\u00e7\u00f5es com advers\u00e1rios e aliados (Baronnet <em>et al<\/em>., 2011). As pr\u00e1ticas democr\u00e1ticas que surgem nesses processos contribuem para a vida das comunidades, mas tamb\u00e9m influenciam o Estado mexicano de diferentes maneiras. Mallon (2003) demonstrou como as pr\u00e1ticas e posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de grupos subalternos influenciam a forma\u00e7\u00e3o do Estado. De fato, os zapatistas desenvolveram comunidades aut\u00f4nomas quase sempre diante do fato de o Estado mexicano negar-lhes a possibilidade de uma vida e de uma pol\u00edtica pr\u00f3prias. Assim, argumenta-se que, \u00e0 medida que as comunidades aut\u00f4nomas geram novos sistemas de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, justi\u00e7a, interc\u00e2mbio, produ\u00e7\u00e3o, novas rela\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas s\u00e3o desenvolvidas (Baronnet <em>et al<\/em>., 2011: 29).<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda parte do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xx<\/span>Na Guatemala, mas principalmente na d\u00e9cada de 1970, houve uma forte mobiliza\u00e7\u00e3o das comunidades ind\u00edgenas. Com uma longa hist\u00f3ria de pol\u00edtica comunal e municipal, os maias dessa parte da Mesoam\u00e9rica implementaram uma s\u00e9rie de organiza\u00e7\u00f5es locais e regionais que logo se confrontaram com organiza\u00e7\u00f5es guerrilheiras lideradas principalmente por ladinos de classe m\u00e9dia da capital. Essa conflu\u00eancia teve per\u00edodos de tens\u00e3o, mas em outros momentos foram forjadas alian\u00e7as. As organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas que surgiram das comunidades estavam ligadas a ideias de autogoverno (embora nunca se tenha falado em autonomia), questionavam o racismo e tinham um forte discurso de defesa da igualdade. Outras organiza\u00e7\u00f5es camponesas e comunit\u00e1rias, como o Comit\u00ea de Unidad Campesina (<span class=\"small-caps\">cuc<\/span>), lutaram por terras, por uma mudan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho nas fazendas e fizeram reivindica\u00e7\u00f5es em torno de queixas hist\u00f3ricas. Para v\u00e1rios autores, a posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos maias naquela \u00e9poca era uma clara rebeli\u00e3o ou revolu\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e camponesa (Vela, 2011; Foster, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o per\u00edodo da rebeli\u00e3o, muitas comunidades tiveram lapsos de autogoverno, mas essas a\u00e7\u00f5es logo foram violentamente reprimidas pelo ex\u00e9rcito guatemalteco. As identidades pol\u00edticas desenvolvidas pelos maias durante a segunda parte do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xx<\/span> foram atacados com genoc\u00eddio na d\u00e9cada de 1980 e terminaram com o interculturalismo oficial com a assinatura dos Acordos de Paz em 1996. As posi\u00e7\u00f5es culturalistas adotadas por algumas organiza\u00e7\u00f5es maias na d\u00e9cada de 1970 foram consideradas como uma forma de enfrentar o racismo. Na d\u00e9cada de 1990, no entanto, por meio de uma linguagem de direitos, o Estado implementou pol\u00edticas interculturais que supostamente resolveram as queixas hist\u00f3ricas, a desigualdade e os direitos culturais ind\u00edgenas, mas que, na realidade, criaram dispositivos de controle sobre as popula\u00e7\u00f5es maias. \u00c9 digno de nota o fato de que os maias, protagonistas da rebeli\u00e3o de 1980, foram colocados em segundo plano pelo Estado durante a assinatura dos Acordos de Paz entre o governo e os guerrilheiros liderados por Ladino. Assim, suas propostas de mudan\u00e7a foram definidas como culturais durante o processo de negocia\u00e7\u00e3o. Com uma linguagem de direitos culturais e uma s\u00e9rie de acordos a serem legislados, as identidades pol\u00edticas que os povos ind\u00edgenas haviam desenvolvido entre 1944 e 1980 foram apagadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o: Democracia em um mundo heterog\u00eaneo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Usando argumentos hist\u00f3ricos, este artigo argumenta que os povos ind\u00edgenas, al\u00e9m de enfatizarem uma linguagem de identidade cultural, priorizam uma identidade pol\u00edtica (Stavenhagen, 2010). Da mesma forma, observa-se que uma posi\u00e7\u00e3o autonomista prevalece ou \u00e9 antecipada nas lutas ind\u00edgenas e camponesas. O que se destaca \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de identidades pol\u00edticas intimamente ligadas \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o da vida comunit\u00e1ria (descrita pela antropologia e pelas vis\u00f5es dominantes como \"identidade cultural\", \"cosmovis\u00e3o\" ou \"etnia\"). Como a etniza\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas leva \u00e0 sua minoriza\u00e7\u00e3o, os analistas rapidamente passam a considerar essas lutas ind\u00edgenas como \"particularistas\" (n\u00e3o \"universais\") e, portanto, secund\u00e1rias em uma forma\u00e7\u00e3o estatal ou no mundo. Nesse sentido, considera-se que a posi\u00e7\u00e3o de desvantagem dos povos ind\u00edgenas pode ser resolvida por meio das prioridades anal\u00edticas que o pensamento europeu define usando ideias sobre universalismo (classe social, nesse caso) como \u00fanico paradigma, e n\u00e3o com a hist\u00f3ria que os povos ind\u00edgenas apresentam, ou seja, a do dom\u00ednio colonial. Nesse sentido, Bonfil-Batalla (1989: 235) afirma que \u00e9 importante mudar a forma como o Ocidente implanta no M\u00e9xico (ou na Am\u00e9rica Latina) sua condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, essa posi\u00e7\u00e3o que contradiz as possibilidades do pluralismo; esse etn\u00f3logo prop\u00f5e, pela primeira vez, que devemos \"dirigir o Ocidente\".<\/p>\n\n\n\n<p>Os usos da cultura n\u00e3o podem ser vistos como posicionamentos que buscam uma oposi\u00e7\u00e3o radical ou uma exacerba\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as, pelo menos na maioria dos movimentos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina. Nas palavras de Peniche (2004), conscientes de seu lugar atual no mundo, pode-se dizer que muitos movimentos ind\u00edgenas usam a \"cultura\" como uma linguagem \"codificada\" para falar sobre sua hist\u00f3ria e sua pol\u00edtica autonomista. \u00c9 sabido que cultura e pol\u00edtica s\u00e3o conceitos dif\u00edceis de separar e que est\u00e3o fortemente entrela\u00e7ados nas posi\u00e7\u00f5es adotadas por subalternos, ind\u00edgenas, camponeses, negros, mulheres ou quem quer que seja, e que o importante \u00e9 especificar os conte\u00fados hist\u00f3ricos e pol\u00edticos dessas abordagens, bem como as possibilidades de vincul\u00e1-las. Os usos ind\u00edgenas de conceitos como \"cultura\", \"ci\u00eancia maia\", \"modelos mapuches de sa\u00fade intercultural\" (Cuyul, 2012), etc., delineiam posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas em momentos hist\u00f3ricos espec\u00edficos em rela\u00e7\u00e3o a advers\u00e1rios identificados. As vis\u00f5es ind\u00edgenas sobre universidades interculturais, por exemplo, s\u00e3o momentos de um imagin\u00e1rio pol\u00edtico duradouro em um campo social, no qual buscam influenciar institui\u00e7\u00f5es e atores e concorrentes espec\u00edficos; mas, ao mesmo tempo, buscam conquistar espa\u00e7os para construir uma vida pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 esse momento, o ideal democr\u00e1tico predominante na Am\u00e9rica Latina esteve ligado ao liberalismo e, em outros casos, ao socialismo. As lideran\u00e7as ind\u00edgenas e a pol\u00edtica que emergiu das comunidades ao longo do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xix<\/span> e <span class=\"small-caps\">xx<\/span>A hist\u00f3ria da Guerra das Castas, entretanto, tem sido vista com frequ\u00eancia como pr\u00e9-pol\u00edtica e secund\u00e1ria \u00e0 luz da hist\u00f3ria; no entanto, o foco teria de ser mudado. O historiador Arturo Taracena afirma que, alguns anos antes do in\u00edcio da Guerra das Castas, Santiago Im\u00e1n - um l\u00edder mesti\u00e7o em meados do s\u00e9culo, um homem de ra\u00e7a mista e um l\u00edder mesti\u00e7o em meados do s\u00e9culo XIX - foi o primeiro a ser morto na Guerra das Castas. <span class=\"small-caps\">xix<\/span> em Yucat\u00e1n - defendia um discurso de identidade regional baseado no \"di\u00e1logo inter\u00e9tnico\", liderando um ex\u00e9rcito \"multi\u00e9tnico\". Assim, esse l\u00edder, em v\u00e1rios sentidos, se op\u00f4s ao discurso regionalista da elite yucateca, que alimentava a ideia de um pa\u00eds e uma rep\u00fablica para os n\u00e3o ind\u00edgenas (Taracena, 2015: 14).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o historiador Greg Grandin (2007) afirma que, no final do s\u00e9culo XX, a <span class=\"small-caps\">xix<\/span> As elites quich\u00e9s da cidade de Quetzaltenango, com o discurso da regenera\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a, criaram uma identidade pol\u00edtica \"alternativa\" que ligava o nacional ao cultural, refor\u00e7ando o poder das elites quich\u00e9s e recriando um \"nacionalismo \u00e9tnico\". O historiador argumenta que a palavra \"regenera\u00e7\u00e3o\" tinha um significado diferente para a elite quich\u00e9 e para os ladinos. Para os primeiros, significava um \"renascimento \u00e9tnico\"; para os \u00faltimos, significava a assimila\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas na cultura ladina (Grandin, 2007: 208, 221).<\/p>\n\n\n\n<p>No calor das revoltas ind\u00edgenas da d\u00e9cada de 1980 na Guatemala, os maias propuseram a cria\u00e7\u00e3o de um estado socialista federado. De acordo com sua vis\u00e3o hist\u00f3rica e sociol\u00f3gica, os autores desse projeto imaginavam um Estado igualit\u00e1rio no qual os maias, como sujeitos coletivos, tivessem um lugar na arena pol\u00edtica (Movimiento Indio Tojil-Mayas, 2016). Todas essas posi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas na Mesoam\u00e9rica demonstram que a forma\u00e7\u00e3o de identidades pol\u00edticas individuais e coletivas, ao longo do tempo e do espa\u00e7o, tem sido fundamental e molda a hist\u00f3ria. Na segunda parte do <span class=\"small-caps\">xx,<\/span> Os Estados latino-americanos, apoiados pela antropologia e seu aparato conceitual, definiram os povos ind\u00edgenas como seres culturais, destituindo-os de qualquer identidade pol\u00edtica. A cr\u00edtica a essa posi\u00e7\u00e3o criou, nos \u00faltimos anos do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xx<\/span> e cedo <span class=\"small-caps\">xxi,<\/span> uma nova linguagem: o interculturalismo, e um sistema de direitos controlado pelo Estado, uma vis\u00e3o hegem\u00f4nica que basicamente reproduzia um neoindigenismo ou \"pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o\" reproduzidas de forma muito mais sofisticada e que tinham como objetivo final estabilizar e criar o contexto favor\u00e1vel para as pol\u00edticas neoliberais (Hale, 2005). Essa perspectiva n\u00e3o nega o fato de que outros movimentos sociais tamb\u00e9m apresentaram suas pr\u00f3prias perspectivas sobre a interculturalidade, \u00e0s quais deram novos significados (Dietz, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Lehmann segue teorias de \"identidades \u00e9tnicas\" para identificar as lutas ind\u00edgenas como lutas culturais e posiciona os movimentos como a\u00e7\u00f5es de minorias em estados estabelecidos; entretanto, ele tamb\u00e9m argumenta que os movimentos ind\u00edgenas tendem \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o. O que poderia ser dito nesse sentido \u00e9 que, juntamente com o trabalho para sustentar a <em>justi\u00e7a social universalista<\/em>Para conseguir isso, \u00e9 essencial fortalecer a <em>lutas heterog\u00eaneas pela democracia<\/em>. Como \u00e9 sabido, a democracia \u00e9 um discurso e um ideal importante nos Estados e na sociedade civil da Am\u00e9rica Latina. Ao longo do s\u00e9culo<span class=\"small-caps\"> xx<\/span> Nos \u00faltimos anos, surgiram a\u00e7\u00f5es sociais contundentes que a buscaram, principalmente em face dos governos militares, das ditaduras, da Guerra Fria e do imperialismo norte-americano. A democracia tem sido um discurso importante para os governos, apesar de estar limitada a um sistema eleitoral, \u00e0 representa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os e aos direitos constitucionais definidos com base nos interesses das elites econ\u00f4micas e militares.<\/p>\n\n\n\n<p>Da segunda metade do s\u00e9culo XX em diante <span class=\"small-caps\">xx<\/span>Ainda mais cedo, os povos ind\u00edgenas tamb\u00e9m participaram, de uma forma ou de outra, dos processos de luta por democracia e direitos, embora raramente tenham sido visualizados como tal em estudos sobre forma\u00e7\u00f5es estatais. N\u00e3o se dir\u00e1 que as a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, como a Guerra das Castas, tamb\u00e9m foram democratizantes; no entanto, \u00e9 vis\u00edvel que os l\u00edderes desses movimentos do s\u00e9culo XIX tinham no\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas da heterogeneidade do mundo em que viviam, queriam oportunidades e v\u00ednculos com esses mundos, mas tamb\u00e9m queriam transform\u00e1-los de forma contundente. Nesse sentido, os ideais de democracia que surgiram de diferentes hist\u00f3rias e lugares podem ser um importante ponto de liga\u00e7\u00e3o para tecer v\u00e1rios projetos, inclusive os que est\u00e3o sendo implementados pelos povos e comunidades ind\u00edgenas neste momento. Diante desse processo, \u00e9 \u00f3bvio que Lehmann n\u00e3o est\u00e1 errado ao argumentar que os movimentos ind\u00edgenas contribuem para a democracia nos estados em que est\u00e3o presentes. O importante, por\u00e9m, \u00e9 reconhecer que essas lutas ocorrem sob a influ\u00eancia do mundo heterog\u00eaneo do qual n\u00e3o podemos escapar e ao qual, \u00e0s vezes, queremos impor vis\u00f5es un\u00edvocas ou deixar em segundo plano.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso significa que \u00e9 preciso trabalhar para pensar sobre a democracia de outras maneiras. Pensadores como Jacques Derrida argumentam que a democracia deve sempre ser vista como algo que est\u00e1 por vir, n\u00e3o como algo existente, ou seja, como um objeto pronto. Ele mesmo argumenta que a democracia \u00e9 algo que existe e surgiu em alguns lugares, mas em outros termos \u00e9 importante considerar que \"\u00e9 um conceito que carrega consigo uma promessa\". Isso porque \"a democracia n\u00e3o se encaixa, n\u00e3o pode se encaixar em sua promessa, no presente, em seu conceito\". Ele acredita que, se um parte da singularidade do outro, o que resta \u00e9 um desafio para que a democracia n\u00e3o seja vista como uma coisa ou uma subst\u00e2ncia, mas como algo perfect\u00edvel. Nesse sentido, as no\u00e7\u00f5es ou os sinais que existem sobre a democracia devem ser pontos de partida para pensar e trabalhar no que est\u00e1 por vir (Derrida, 1994).<\/p>\n\n\n\n<p>No momento, a palavra democracia na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o corresponde a uma situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica reconhec\u00edvel. Assim, a justi\u00e7a e a democracia no subcontinente implicam pensar no outro (mas isso n\u00e3o se refere apenas \u00e0s elites que governam at\u00e9 agora, mas a \"todos\"), aquele outro que \u00e9 irredut\u00edvel em sua representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e moral (Derrida, 1994). De uma perspectiva individualista radical, pode-se dizer que pensar no outro \u00e9 um sentimento louv\u00e1vel, mas que carece de concretude, \u00e9 irrealiz\u00e1vel e, portanto, descart\u00e1vel. De qualquer forma, as institui\u00e7\u00f5es dominantes geralmente invocam uma \u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o ao outro para continuar funcionando, e assim o fazem. As posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas das comunidades ind\u00edgenas na Am\u00e9rica Latina podem ser vistas a partir da historicidade da democracia e n\u00e3o do individualismo imposto pelas institui\u00e7\u00f5es dominantes. De qualquer forma, as pessoas, a natureza e a comunidade est\u00e3o entrela\u00e7adas, mesmo que se feche os olhos para essa realidade concreta. Essa situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m implica pensar na justi\u00e7a como algo comprometido com a hist\u00f3ria de todos e como algo \u00fatil, poss\u00edvel e necess\u00e1rio para a vida de todos e na constru\u00e7\u00e3o do pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Os movimentos ind\u00edgenas tentam construir a democracia a partir da vida cotidiana (como os zapatistas) ou a partir do Estado, como no caso de Evo Morales (mesmo que ele possa ser acusado de ser um populista), mostrando um campo frut\u00edfero, embora tamb\u00e9m contradit\u00f3rio, em outros momentos. Em todo caso, a \"contribui\u00e7\u00e3o\" dos movimentos ind\u00edgenas e sociais nesse sentido \u00e9 imensa e n\u00e3o deve ser colocada em um plano secund\u00e1rio. O que a \"nova democracia\" nos convida a fazer \u00e9 levar em conta a heterogeneidade das identidades pol\u00edticas ind\u00edgenas - e de muitas outras - que lutam por um lugar no mundo heterog\u00eaneo; nesse sentido, os povos ind\u00edgenas n\u00e3o contribuem apenas para a democracia liberal, limitada \u00e0 representa\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Se os Estados latino-americanos defendem a democracia e os movimentos sociais defendem a heterogeneidade, ent\u00e3o \u00e9 essencial nutrir essas perspectivas com as m\u00faltiplas hist\u00f3rias de diversos atores individuais e coletivos. Ao mesmo tempo, as lutas pela democracia est\u00e3o ligadas a a\u00e7\u00f5es por direitos e justi\u00e7a como paradigmas poss\u00edveis e desej\u00e1veis no s\u00e9culo XXI. <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, acho que a cr\u00edtica dos pensadores decoloniais que, em muitos pontos, idealizam a chamada \"identidade cultural\" dos povos e comunidades ind\u00edgenas \u00e9 adequada. De muitas maneiras, como argumenta Aura Cumes (2017), esse deslocamento acontece por causa da autoridade concedida a eles, no privil\u00e9gio da chamada academia do primeiro mundo e nas universidades controladas pelas elites crioulas na Am\u00e9rica Latina, muitas vezes reproduzindo a domina\u00e7\u00e3o colonial e subordinando as lutas dos pr\u00f3prios povos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todo esse processo, n\u00e3o h\u00e1 um di\u00e1logo s\u00e9rio e permanente entre suas perspectivas latino-americanas ou planet\u00e1rias com as propostas pol\u00edticas e te\u00f3ricas dos povos ind\u00edgenas que habitam o mesmo territ\u00f3rio. Trata-se de uma perspectiva que precisa examinar mais de perto os m\u00faltiplos espa\u00e7os nebulosos nas rela\u00e7\u00f5es entre colonizadores e colonizados, a fim de compreender as possibilidades e os limites oferecidos por essas hist\u00f3rias. No entanto, tamb\u00e9m \u00e9 importante observar que a cr\u00edtica decolonial, bem como o p\u00f3s-colonialismo e o subalternismo, ofereceram uma cr\u00edtica convincente e aud\u00edvel ao eurocentrismo, ao antropocentrismo e ao patriarcado; essa contesta\u00e7\u00e3o e muitas outras s\u00e3o importantes e fundamentais para pensar sobre a heterogeneidade do mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Baronnet, Bruno, Mariana Mora Bayo y Richard Stahler-Sholk (coords.) (2011). <em>Luchas \u201cmuy otras\u201d zapatismo y autonom\u00eda en las comunidades ind\u00edgenas de Chiapas<\/em>. M\u00e9xico: Universidad Aut\u00f3noma Metropolitana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Bonfil-Batalla, Guillermo (1989). <em>M\u00e9xico<\/em> <em>profundo, una civilizaci\u00f3n negada<\/em>. M\u00e9xico: Grijalbo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Cumes, Aura (2017). \u201cConversaci\u00f3n sobre epistemolog\u00eda maya, teor\u00eda poscolonial y procesos de lucha identitaria con Aura Cumes\u201d, <em>Re-visiones<\/em>, n\u00fam. 7. Disponible en: https:\/\/dialnet.unirioja.es\/servlet\/articulo?codigo=6854432 (consultado el 13 de julio de 2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Cuyul, Andr\u00e9s (2012). \u201cSalud intercultural y la patrimonializaci\u00f3n de la salud mapuche en Chile\u201d, en H\u00e9ctor Nahuelpan Moreno <em>et al<\/em>. <em>Ta i\u00f1 fijte xipa rakizuameluw\u00fcn. Historia, colonialismo y resistencia desde el pa\u00eds mapuche.<\/em> Chile: Comunidad de Historia Mapuche, pp. 263-284.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Derrida, Jacques (1994). \u201cLa democracia como promesa\u201d, <em>Jornal de Letras Artes e Ideas<\/em>. 12 de octubre, pp. 9-10. Edici\u00f3n digital de entrevista a Derrida en castellano. Recuperado de: https:\/\/redaprenderycambiar.com.ar\/derrida\/textos\/democracia.htm (consultado el 1 de julio de 2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">D\u00edaz-Polanco, H\u00e9ctor (1981). \u201cEtnia, clase y cuesti\u00f3n nacional\u201d, <em>Cuadernos Pol\u00edticos<\/em>, n\u00fam. 30, Era, octubre-diciembre, pp. 53-65. Recuperado de: http:\/\/www.cuadernospoliticos.unam.mx\/cuadernos\/contenido\/CP.30\/30.6HectorDiaz.pdf (consultado el 10 de julio de 2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Dietz, Gunther (2016). <em>Multiculturalismo, interculturalidad y diversidad en educaci\u00f3n, una aproximaci\u00f3n antropol\u00f3gica<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">fce<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Dumond, Don (2005). <em>El machete y la cruz. La sublevaci\u00f3n de campesinos en Yucat\u00e1n<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">unam<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Foster, Sindy (2012). <em>La revoluci\u00f3n ind\u00edgena y campesina en Guatemala 1970 a 2000<\/em>. Guatemala: Editorial Universitaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Gonz\u00e1lez, Ram\u00f3n (2006). \u201cNo somos iguales, la cultura finquera y el lugar de cada quien en sociedad en Guatemala\u201d, <em>Istor,<\/em> n\u00fam. 24, <span class=\"small-caps\">cide<\/span>, pp. 43-66.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Grandin, Greg (2007). <em>La sangre de Guatemala, raza y naci\u00f3n en Quetzaltenango 1750-1954<\/em>. Guatemala: Editorial Universitaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Hale, Charles (2005). \u201cNeoliberal Multiculturalism: The Remaking of Cultural Rights in Racial Dominance in Central America\u201d, <em>Po<span class=\"small-caps\">lar<\/span> <\/em>(<em>Political and Legal Anthropology Review<\/em>)<em>,<\/em> n\u00fam. 28, pp. 10-28.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Harvey, Neil (2000). <em>La rebeli\u00f3n de Chiapas. La lucha por la tierra y la democracia. <\/em>M\u00e9xico: Era.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lehmann, David (2022). <em>After the Decolonial, Ethnicity, Gender and Social Justice in Latin America<\/em>. Cambridge: Polity Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Leuman, Miguel, Claudia Briones, Lorena Ca\u00f1uqueo y Laura Kropff (2007). \u201cEscenas del multiculturalismo neoliberal, una proyecci\u00f3n desde el Sur\u201d, en Alejandro Grimson (comp.). <em>Cultura y neoliberalismo<\/em>. Buenos Aires: <span class=\"small-caps\">clacso<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mallon, Florencia (2003). <em>Campesino y naci\u00f3n, la construcci\u00f3n de M\u00e9xico y Per\u00fa poscoloniales.<\/em> M\u00e9xico: El Colegio de San Luis\/El Colegio de Michoac\u00e1n\/<span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Movimiento Indio Tojil-Mayas (2016). \u201cGuatemala: De la Rep\u00fablica Burguesa Centralista a la Rep\u00fablica Popular Federal\u201d, <em>Eutop\u00eda, Revista de Investigaci\u00f3n y Proyecci\u00f3n<\/em>, a\u00f1o 1, n\u00fam. 1, pp. 179-214.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Peniche, Piedad (2004). \u201cOponi\u00e9ndose al capitalismo en Yucat\u00e1n, la causa de los rebeldes de la Guerra de Castas (1847-1850)\u201d, <em>Desacatos,<\/em> n\u00fam. 9, pp. 148-160.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ram\u00edrez, Luis (2016). \u201cRese\u00f1a del libro <em>La Guerra de Castas en Yucat\u00e1n<\/em> de Francisco Jos\u00e9 Paoli Bolio\u201d. <em>Revista de la Universidad Aut\u00f3noma de Yucat\u00e1n<\/em>, n\u00fam. 268, enero\/junio, pp. 66-74.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Stavenhagen, Rodolfo (2010). <em>Los pueblos originarios: el debate necesario<\/em>. Buenos Aires: <span class=\"small-caps\">clacso<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Taracena, Arturo (2004). <em>Etnicidad, Estado y naci\u00f3n en Guatemala, 1944-1985.<\/em> Guatemala: Centro de Investigaciones Regionales de Mesoam\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2015). <em>De h\u00e9roes olvidados Santiago Im\u00e1n, los huites y los antecedentes b\u00e9licos de la Guerra de Castas<\/em>. M\u00e9rida: <span class=\"small-caps\">unam<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Vela, Manolo (coord.) (2011). <em>Guatemala, la infinita historia de las resistencias.<\/em> Guatemala: Secretar\u00eda de la Paz de la Presidencia de la Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Edgar Esquit<\/em> \u00e9 pesquisador do Instituto de Estudos Inter\u00e9tnicos e dos Povos Ind\u00edgenas da Universidade de San Carlos da Guatemala. Ele \u00e9 PhD em Ci\u00eancias Sociais pelo El Colegio de Michoac\u00e1n e mestre em Antropologia Social pela Universidade de San Carlos da Guatemala. <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>-Oeste. Sua linha de trabalho se concentra na pesquisa sobre a hist\u00f3ria dos povos ind\u00edgenas. Ele \u00e9 autor de v\u00e1rios artigos e livros, entre eles <em>Comunidade e estado na revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, Tujaal Ediciones, 2019.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artigo traz a hist\u00f3ria das comunidades ind\u00edgenas para a discuss\u00e3o a fim de apresentar diferentes perspectivas sobre a justi\u00e7a social no sentido universalista. Em vez de enfatizar apenas as identidades culturais, o artigo argumenta que \u00e9 essencial abrir a discuss\u00e3o sobre a forma\u00e7\u00e3o de identidades pol\u00edticas desenvolvidas pelas comunidades e povos ind\u00edgenas. Enfatiza-se que a democracia na Am\u00e9rica Latina pode ser pensada com base na heterogeneidade das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas adotadas pelos povos e comunidades ind\u00edgenas.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[1121,1123,1124,1122,1120],"coauthors":[551],"class_list":["post-37310","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-34","tag-autonomy","tag-cultural-identities","tag-democracy","tag-history","tag-political-identities","personas-esquirt-edgar","numeros-1094"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Identidades pol\u00edticas y democracia desde las comunidades ind\u00edgenas, aportes a una discusi\u00f3n en la heterogeneidad &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/esquit-identidades-politicas-autonomia-democracia\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Identidades pol\u00edticas y democracia desde las comunidades ind\u00edgenas, aportes a una discusi\u00f3n en la heterogeneidad &#8211; Encartes\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"El escrito trae a la discusi\u00f3n la historia de las comunidades ind\u00edgenas con el fin de dar a conocer unas perspectivas diferentes con relaci\u00f3n a la justicia social en el sentido universalista. 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