{"id":37282,"date":"2023-09-21T11:00:00","date_gmt":"2023-09-21T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=37282"},"modified":"2023-11-16T17:22:12","modified_gmt":"2023-11-16T23:22:12","slug":"martinez-decolonialidad-america-latina-educacion-intercultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/martinez-decolonialidad-america-latina-educacion-intercultural\/","title":{"rendered":"Para a cria\u00e7\u00e3o de novos paradigmas de pesquisa sobre diversidades na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Este texto aborda a discuss\u00e3o sobre decolonialidade nos estudos sociais sobre a Am\u00e9rica Latina a partir de diferentes experi\u00eancias de pesquisa que buscam problematizar o conceito e mostrar que nem toda pesquisa realizada no chamado Sul Global \u00e9 decolonial. Apresenta tamb\u00e9m cen\u00e1rios em que o trabalho acad\u00eamico tem justificado a reprodu\u00e7\u00e3o das desigualdades na Am\u00e9rica Latina, bem como a discrimina\u00e7\u00e3o que afeta a regi\u00e3o e impede o acesso a modelos de justi\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/america-latina\/\" rel=\"tag\">Am\u00e9rica Latina<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/desigualdad\/\" rel=\"tag\">desigualdade<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/discriminacion\/\" rel=\"tag\">discrimina\u00e7\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/educacion-intercultural\/\" rel=\"tag\">educa\u00e7\u00e3o intercultural<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/etnicidad\/\" rel=\"tag\">etnia<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/raza\/\" rel=\"tag\">corrida<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\"><span class=\"small-caps\">para a cria\u00e7\u00e3o de novos paradigmas de pesquisa sobre diversidade<\/span> <span class=\"small-caps\">por universidades latino-americanas<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-text abstract\">Este texto aborda o debate sobre a decolonialidade nos estudos sociais latino-americanos a partir de diferentes experi\u00eancias de pesquisa que buscam problematizar o conceito e mostrar que nem toda pesquisa realizada sobre o chamado Sul Global \u00e9 decolonial. Tamb\u00e9m levanta cen\u00e1rios em que trabalhos acad\u00eamicos t\u00eam justificado a reprodu\u00e7\u00e3o das desigualdades na Am\u00e9rica Latina, bem como a discrimina\u00e7\u00e3o que afeta a regi\u00e3o e que impede o acesso a modelos de justi\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: desigualdade, discrimina\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o intercultural, Am\u00e9rica Latina, etnia e ra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">A leitura do texto apresentado por David Lehmann sobre algumas mudan\u00e7as nas perspectivas da pesquisa social na Am\u00e9rica Latina \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o para a reflex\u00e3o sobre a forma como temos abordado diferentes cen\u00e1rios na regi\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Parece-me importante destacar uma primeira distin\u00e7\u00e3o que tem a ver com o olhar dos estudiosos que abordam a Am\u00e9rica Latina a partir dos pa\u00edses hegem\u00f4nicos e daqueles que o fazem a partir dos chamados <em>Sul Global<\/em>. Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental, pois justifica parte da argumenta\u00e7\u00e3o sobre a perspectiva decolonial e questiona seu impacto sobre a justi\u00e7a social; no entanto, vou detalhar isso mais tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>O outro ponto no qual gostaria de focar meu texto est\u00e1 inscrito na crescente preocupa\u00e7\u00e3o que, a partir das ci\u00eancias sociais, tem tido o estudo dos diferentes fatores que condicionam a desigualdade nessa regi\u00e3o historicamente excludente - e muitas vezes exclu\u00edda - e o peso espec\u00edfico que alguns desses fatores podem ter. Em particular, desenvolverei alguns temas que foram deixados \"na tinta\" em um dos trabalhos citados por Lehmann como exemplo dos novos paradigmas da pesquisa social na Am\u00e9rica Latina, n\u00e3o s\u00f3 porque tive o enorme privil\u00e9gio de fazer parte da equipe de pesquisa do Projeto Etnia e Ra\u00e7a na Am\u00e9rica Latina (mais conhecido como <span class=\"small-caps\">p\u00e9rola<\/span>), mas por causa da crescente preocupa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o e no mundo sobre o impacto muito prejudicial da discrimina\u00e7\u00e3o e os grandes riscos de documentar a diversidade - \u00e9tnica, de g\u00eanero e outras - sem enfatizar como ela muitas vezes justifica v\u00e1rias formas de exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, gostaria tamb\u00e9m de abordar uma quest\u00e3o pouco esbo\u00e7ada no texto de Lehmann, mas de import\u00e2ncia crescente nas publica\u00e7\u00f5es sobre a Am\u00e9rica Latina e sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo, que analisa o papel dos discursos de \u00f3dio disseminados pela m\u00eddia e pelas redes sociodigitais, que inclusive utilizam os resultados de algumas pesquisas acad\u00eamicas para justificar a discrimina\u00e7\u00e3o e o racismo. N\u00f3s, que trabalhamos com rigor cient\u00edfico nessas quest\u00f5es, \u00e0s vezes vemos nossas pesquisas serem usadas para desqualificar pessoas que pertencem a grupos historicamente discriminados (Abel, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Deixarei de lado quest\u00f5es que sei de antem\u00e3o que s\u00e3o centrais para essa discuss\u00e3o, como as que t\u00eam a ver com o impacto da diversidade religiosa ou com an\u00e1lises de diferentes orienta\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, mas tentarei abordar outras quest\u00f5es abordadas por Lehmann para discutir com ele a constru\u00e7\u00e3o social das diversidades na Am\u00e9rica Latina e o que significa fazer isso a partir da pr\u00f3pria perspectiva - que acredito que muitas vezes n\u00e3o \u00e9 decolonial - e do olhar externo. Para esse exerc\u00edcio, tamb\u00e9m recuperarei parte de minha experi\u00eancia no treinamento de colegas de diferentes povos ind\u00edgenas no M\u00e9xico e na Am\u00e9rica Latina, com os quais tenho uma enorme d\u00edvida em termos epistemol\u00f3gicos e tamb\u00e9m em termos de sua capacidade de combinar diferentes perspectivas. <em>etic <\/em>e <em>emic, <\/em>para retomar a tradi\u00e7\u00e3o da antropologia lingu\u00edstica (Duranti, 2000), para pensar de forma diferente sobre o escopo da decolonialidade e para relativizar a universalidade de alguns valores que grande parte dos acad\u00eamicos latino-americanistas considera como certos. Em particular, vou me concentrar naquele que aborda a tens\u00e3o entre os valores universais - por exemplo, aqueles que s\u00e3o reconhecidos como direitos humanos - e as preocupa\u00e7\u00f5es de parte da comunidade acad\u00eamica sobre os direitos espec\u00edficos das popula\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias (cf. Lehmann, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo das diversidades na Am\u00e9rica Latina tem se concentrado, durante grande parte do s\u00e9culo passado, na documenta\u00e7\u00e3o da diversidade \u00e9tnico-racial, que geralmente se refere \u00e0 diferencia\u00e7\u00e3o entre povos nativos, povos afrodescendentes e pessoas que habitam a regi\u00e3o e v\u00eam de outras partes do mundo. Essa \u00eanfase foi motivada pela pr\u00f3pria origem de disciplinas como a antropologia em pa\u00edses como o M\u00e9xico e sua tradi\u00e7\u00e3o Boasiana (De la Pe\u00f1a, 1996). A preocupa\u00e7\u00e3o dos fundadores da antropologia mexicana com a gera\u00e7\u00e3o de categorias de identidade (muitas delas de heteroidentifica\u00e7\u00e3o)<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> coincide com os esfor\u00e7os em n\u00edvel regional para fortalecer as identidades nacionais com base na incorpora\u00e7\u00e3o de todas as pessoas nascidas em um pa\u00eds como parte de uma narrativa nacionalista. Tais narrativas t\u00eam sido notavelmente bem-sucedidas em pa\u00edses como o Brasil e o M\u00e9xico, que contam com v\u00e1rios cientistas sociais desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX treinados na antropologia culturalista norte-americana (Mart\u00ednez Casas, Sald\u00edvar, Flores e Sue, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das diferen\u00e7as entre as categorias de identidade propostas por antrop\u00f3logos como Manuel Gamio ou Paulo Freire e as novas perspectivas analisadas no texto de Lehmann est\u00e1 na finalidade para a qual essas categorias foram criadas. Se as identifica\u00e7\u00f5es buscam gerar projetos nacionais que apagam artificialmente a diversidade, estamos diante do que autores como Stavenhagen chamaram sem rodeios de <em>colonialismo interno<\/em>O desafio n\u00e3o \u00e9 documentar o valor da diversidade, mas alcan\u00e7ar a homogeneiza\u00e7\u00e3o nacional (Stavenhagen, 2001). Em muitos casos, as inten\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram ruins; as jovens na\u00e7\u00f5es latino-americanas da primeira metade do s\u00e9culo XX exigiam a\u00e7\u00f5es agressivas para mitigar as enormes desigualdades sociais. O problema - ou um dos problemas - \u00e9 que os pr\u00f3prios setores discriminados foram responsabilizados por sua exclus\u00e3o. Os povos ind\u00edgenas s\u00e3o pobres por causa de sua <em>falta de educa\u00e7\u00e3o<\/em>porque eles n\u00e3o falam <em>bem<\/em> espanh\u00f3is ou porque vivem em regi\u00f5es rurais. Seu destino \u00e9, quase inevitavelmente, deixar suas origens para tr\u00e1s e se juntar \u00e0 <em>desenvolvimento nacional<\/em> (consulte Telles e Mart\u00ednez Casas, 2019). Ser\u00e3o outros - acad\u00eamicos, funcion\u00e1rios do governo, \u00f3rg\u00e3os internacionais - que projetar\u00e3o a melhor rota para seus <em>reden\u00e7\u00e3o<\/em>. As an\u00e1lises de Stavenhagen mostram como o uso dessas categorias de identifica\u00e7\u00e3o deu origem a projetos que n\u00e3o apenas violam os direitos culturais das minorias \u00e9tnicas, mas tamb\u00e9m justificam seu deslocamento para fins de incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade. <em>desenvolvimento nacional<\/em> e outras formas de desapropria\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios e modos de vida. Essa preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 de acordo com o texto de Lehmann em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aspira\u00e7\u00e3o regional de alcan\u00e7ar a verdadeira justi\u00e7a social em benef\u00edcio dos setores historicamente discriminados.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra diferen\u00e7a no uso desses tipos de categorias de identifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 na mudan\u00e7a que come\u00e7ou a ocorrer em meados do s\u00e9culo XX e que desencadeou uma s\u00e9rie de demandas pelos direitos dos povos ind\u00edgenas e afrodescendentes \u00e0 sua identidade, \u00e0 sua l\u00edngua e \u00e0 gest\u00e3o de seu territ\u00f3rio. Tais propostas mudaram os paradigmas para o estabelecimento de identidades - especificamente identidades \u00e9tnico-raciais - para permitir que as pessoas se apropriassem dessas categorias e as tornassem suas. Um dos efeitos dessa mudan\u00e7a pode ser visto no aumento da autodescri\u00e7\u00e3o \u00e9tnica na maioria dos censos latino-americanos no s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xxi<\/span> (Barbary e Mart\u00ednez Casas, 2015). Entretanto, isso n\u00e3o garante uma vis\u00e3o decolonial da mudan\u00e7a de rumo. Embora seja ineg\u00e1vel a visibiliza\u00e7\u00e3o de muitas demandas de grupos sociais exclu\u00eddos, a desigualdade na regi\u00e3o n\u00e3o foi igualmente mitigada. Propostas comuns para o uso de etn\u00f4nimos que permitem que as pessoas usem r\u00f3tulos que s\u00e3o de uso cotidiano em suas regi\u00f5es e que frequentemente incluem termos nos diferentes idiomas falados no pa\u00eds surgem com frequ\u00eancia; no entanto, seu uso por institui\u00e7\u00f5es governamentais e muitos acad\u00eamicos ainda \u00e9 muito limitado (<span class=\"small-caps\">inpi<\/span>, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m gostaria de refletir sobre a experi\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o intercultural, especialmente em institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, e os esfor\u00e7os no espa\u00e7o em que desenvolvi grande parte do meu trabalho acad\u00eamico. Lehmann analisa a experi\u00eancia das universidades interculturais no M\u00e9xico e recupera as an\u00e1lises de autores como Dietz e Mateos (2020), mas n\u00e3o analisa o projeto de forma\u00e7\u00e3o de linguistas da <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>. O pequeno tamanho do programa provavelmente faz com que seu impacto seja pouco conhecido, mas ele permitiu que trezentos jovens falantes de l\u00ednguas ind\u00edgenas no M\u00e9xico e na Am\u00e9rica Latina estudassem as l\u00ednguas das comunidades de onde vieram e influenciassem as pol\u00edticas p\u00fablicas, n\u00e3o apenas na esfera educacional, mas tamb\u00e9m em v\u00e1rios espa\u00e7os p\u00fablicos, bem como em um grande n\u00famero de comunidades que buscam fortalecer seu patrim\u00f4nio lingu\u00edstico e cultural (Mart\u00ednez Casas, 2011). Os linguistas que se formaram no curso de Etnolingu\u00edstica (1979-1985) e no curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Lingu\u00edstica Indo-Americana, que come\u00e7ou em 1991 e ainda est\u00e1 em funcionamento, s\u00e3o um bom exemplo dos esfor\u00e7os que foram feitos para formar, com uma aspira\u00e7\u00e3o decolonial, acad\u00eamicos que deveriam ter um impacto maior do que outros na inclus\u00e3o da diversidade cultural na pesquisa em ci\u00eancias sociais e humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a realidade \u00e9 que apenas alguns dos formandos do curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Lingu\u00edstica Indo-Americana conseguem transitar confortavelmente entre o mundo acad\u00eamico e a vida comunit\u00e1ria em suas localidades de origem. As press\u00f5es dos coletivos de colegas os colocam em posi\u00e7\u00f5es que oscilam entre a subordina\u00e7\u00e3o aos especialistas e a desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua origem e pertencimento. Isso \u00e9 particularmente grave para as mulheres, que enfrentam s\u00e9rios obst\u00e1culos para conciliar a vida familiar e comunit\u00e1ria com as exig\u00eancias da vida universit\u00e1ria. A maioria dos meus colegas que se formaram no curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Lingu\u00edstica Indo-Americana s\u00e3o solteiros e n\u00e3o t\u00eam filhos, e a decis\u00e3o quase nunca \u00e9 deles. Mais de um s\u00e9culo atr\u00e1s, Du Bois j\u00e1 havia analisado o fen\u00f4meno que ele chamou de <em>dupla consci\u00eancia<\/em> e que for\u00e7a as pessoas racializadas a se afastarem de seus grupos prim\u00e1rios de pertencimento (Rabaka, 2009). Esse fen\u00f4meno explica a dificuldade de tornar alguns dos esfor\u00e7os de profissionaliza\u00e7\u00e3o de grupos minorit\u00e1rios verdadeiramente decoloniais; no entanto, Rabaka - com base em Du Bois - mostra a import\u00e2ncia da a\u00e7\u00e3o afirmativa para o surgimento de uma nova teoria social constru\u00edda a partir da perspectiva das pessoas racializadas. <em>diferente<\/em> e se distancia da academia hegem\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Consequentemente, isso n\u00e3o diminui os m\u00e9ritos das propostas de forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica que buscam reduzir as lacunas de forma\u00e7\u00e3o e emprego dos povos ind\u00edgenas, especialmente das mulheres; no entanto, suas propostas ainda n\u00e3o foram suficientemente convincentes para serem verdadeiramente decoloniais, n\u00e3o apenas em termos epistemol\u00f3gicos, mas tamb\u00e9m em termos de sua capacidade de impacto social. N\u00e3o basta propor um modelo acad\u00eamico participativo com e a partir de grupos historicamente exclu\u00eddos; \u00e9 necess\u00e1rio, como Lehmann argumenta em seu texto, continuar propondo estrat\u00e9gias que articulem melhor a pesquisa social com as demandas de pessoas que sofreram imemorialmente discrimina\u00e7\u00e3o e que genuinamente aspiram a uma sociedade mais justa. Isso tamb\u00e9m foi abordado em outras pesquisas sobre as trajet\u00f3rias educacionais de estudantes ind\u00edgenas e as barreiras que eles frequentemente enfrentam para conseguir uma boa inser\u00e7\u00e3o tanto no mundo acad\u00eamico quanto no mercado de trabalho (Czarny, 2008).<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, pretendo abordar uma quest\u00e3o que \u00e9 tratada sob uma luz diferente por Lehmann no artigo com o qual estamos dialogando: as identidades e desigualdades na era digital s\u00e3o expressas de maneiras muito diferentes de como se manifestavam durante o s\u00e9culo XX, ou seja, que as identidades e desigualdades na era digital s\u00e3o expressas de maneiras muito diferentes de como se manifestavam durante o s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xx<\/span> (Castells, 2001). N\u00e3o apenas a pandemia de covid-19 nos for\u00e7ou a mediar praticamente todas as \u00e1reas da vida das pessoas, mas, alguns anos antes, as redes sociodigitais j\u00e1 haviam se tornado um meio de express\u00e3o para diferentes formas de entender os processos decoloniais, mas tamb\u00e9m encontraram caixas de resson\u00e2ncia que amplificam as express\u00f5es de rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 diversidade (Cfr. Abel, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Como salientei no in\u00edcio deste texto, as novas formas de fazer pesquisa social e human\u00edstica na Am\u00e9rica Latina tiveram a enorme vantagem de poder disseminar maci\u00e7amente muitos dos resultados do trabalho acad\u00eamico e nos for\u00e7aram a nos comunicar com p\u00fablicos n\u00e3o especializados. H\u00e1 tamb\u00e9m diferentes formas - e desses diferentes p\u00fablicos - de usos sem precedentes dos resultados da pesquisa sobre diversidades. O apoio e a cr\u00edtica n\u00e3o v\u00eam mais apenas da comunidade acad\u00eamica; agora \u00e9 muito comum encontrar alus\u00f5es a trabalhos de pesquisa que, em vez de produzir os efeitos esperados na busca de uma sociedade mais inclusiva e respeitosa, s\u00e3o usados para justificar express\u00f5es racistas ou xen\u00f3fobas. Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova; Huntington - o her\u00f3i e a inspira\u00e7\u00e3o de personagens como Donald Trump - come\u00e7ou seu trabalho sobre a identidade americana e a indesejabilidade da migra\u00e7\u00e3o hisp\u00e2nica citando acad\u00eamicos e escritores mexicanos (Huntington, 2004). Essa e outras de suas obras foram adotadas por movimentos supremacistas e nacionalistas que est\u00e3o crescendo cada vez mais n\u00e3o apenas nos Estados Unidos, onde se originaram, mas tamb\u00e9m em muitos outros pa\u00edses da regi\u00e3o latino-americana. As den\u00fancias desse tipo de nacionalismo excludente tiveram uma manifesta\u00e7\u00e3o importante em movimentos como o <em>A vida dos negros \u00e9 importante<\/em> (<span class=\"small-caps\">civicus<\/span>2021) e ainda est\u00e3o presentes em muitas express\u00f5es p\u00fablicas de atores pol\u00edticos com influ\u00eancia global.<\/p>\n\n\n\n<p>E com esse tema gostaria de encerrar meu di\u00e1logo com o trabalho de David Lehmann, o olhar decolonial n\u00e3o \u00e9 un\u00edvoco nem infal\u00edvel e est\u00e1 em processo de constru\u00e7\u00e3o tanto por colegas latino-americanistas que trabalham em institui\u00e7\u00f5es de pa\u00edses hegem\u00f4nicos quanto por n\u00f3s que o fazemos a partir de posi\u00e7\u00f5es menos vis\u00edveis e, cada vez mais, por pesquisadores que v\u00eam de setores historicamente exclu\u00eddos. N\u00e3o tenho uma receita para garantir o sucesso desse importante desafio epistemol\u00f3gico, mas aspiro - como muitos de meus colegas - a garantir que o trabalho de pesquisa social melhore as condi\u00e7\u00f5es de vida daqueles de n\u00f3s que vivem em uma das regi\u00f5es mais desiguais do mundo. O convite de Letimann para repensar como definimos categorias anal\u00edticas como g\u00eanero, ra\u00e7a e etnia nos obriga a dar voz \u00e0s pessoas racializadas e exclu\u00eddas e a incorpor\u00e1-las no trabalho acad\u00eamico, bem como nos espa\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o dos resultados da pesquisa e na busca pela cria\u00e7\u00e3o de agendas que realmente tenham impacto na justi\u00e7a social. O caminho proposto em seu texto \u00e9 claro e pode nos ajudar a construir uma agenda melhor nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Abel, Sarah (2023, 30 de marzo) Tom\u00e1ndole la medida al racismo: las tecnolog\u00edas de color de piel y sus efectos, de las encuestas socioecon\u00f3micas a los discursos sociales. [Ponencia] Ciclo de presentaciones \u201cInvestigaci\u00f3n y un cafecito\u201d, <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span> Ciudad de M\u00e9xico. https:\/\/www.facebook.com\/watch\/live\/?ref=watch_permalink&amp;v=23916659848356<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Barbary, Olivier y Regina Mart\u00ednez Casas (2015). \u201cL\u2019explosi\u00f3n d\u2019autod\u00e9claration indig\u00e8ne entre les recensements mexicains de 2000 et 2010\u201d. Autrepart, 74-75(2), pp. 215-240. https:\/\/doi.org\/10.3917\/autr.074.0215<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Castells, Manuel (2001). La era de la informaci\u00f3n. Vol. <span class=\"small-caps\">ii<\/span>. El poder de la identidad. M\u00e9xico: Siglo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Instituto Nacional de los Pueblos Ind\u00edgenas (2023). Cat\u00e1logo de Pueblos y comunidades ind\u00edgenas y afrodescendientes. Disponible en: http:\/\/georeferencia.inpi.gob.mx\/inpi\/ (consultado el 6 de julio de 2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Czarny, Gabriel (2008). Pasar por la escuela. Ind\u00edgenas y procesos de escolarizaci\u00f3n en la Ciudad de M\u00e9xico. M\u00e9xico: Universidad Pedag\u00f3gica Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">De la Pe\u00f1a, Guillermo (1996). \u201cNacionales y extranjeros en la historia de la antropolog\u00eda mexicana\u201d, en Metchild Rutsch (ed.). La historia de la Antropolog\u00eda en M\u00e9xico. Fuentes y transmisi\u00f3n. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">uia<\/span>\/Plaza y Vald\u00e9s\/Instituto Nacional Indigenista, pp. 41-81.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Dietz, Gunther y Laura Selene Mateos (2020). \u201cLa Universidad Veracruzana Intercultural (<span class=\"small-caps\">uvi<\/span>): un caso de interculturalizaci\u00f3n de la educaci\u00f3n superior mexicana, en Luis Alberto Delf\u00edn Beltr\u00e1n, Ra\u00fal Manuel Arano Ch\u00e1vez y Jes\u00fas Escudero Macluf (coords.). M\u00e9todo del caso: una opci\u00f3n de formaci\u00f3n para la investigaci\u00f3n. Xalapa: Red Iberoamericana de Academias de Investigaci\u00f3n, pp. 77-99.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Duranti, Alessandro (2000). Linguistic Anthropology. Cambridge: Cambridge University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Huntington, Samuel (2004) Who Are We? The Challenges to America\u2019s National Identity. Nueva York: Simon &amp; Sch\u00fcster.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\"><span class=\"small-caps\">civicus<\/span> (2021) Parte 1. La lucha social por la justicia racial, en Informe sobre el estado de la sociedad civil. Disponible en: https:\/\/civicus.org\/state-of-civil-society-report-2021\/es\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/SOCS2021Part1_es.pdf.pdf (consultado el 6 de julio de 2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lehmann, David (2022). After the Decolonial. Ethnicity, Gender and Social Justice in Latin America. Cambridge: Polity Press<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mart\u00ednez Casas, Regina (2011). \u201cLa formaci\u00f3n de profesionistas biling\u00fces en el M\u00e9xico contempor\u00e1neo\u201d. Perfiles Educativos, vol. <span class=\"small-caps\">xxxiii<\/span>, <br>pp. 250-252.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 \u00c9miko Sald\u00edvar, Ren\u00e9 Flores y Christina Sue (2019). \u201cLas diferentes caras del mestizaje: etnicidad y raza en M\u00e9xico\u201d, en Edward Telles y Regina Mart\u00ednez Casas (eds.). Pigmentocracias. Color, etnicidad y raza en Am\u00e9rica Latina. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rabaka, Reiland (2009). Du Bois\u00b4 Dialectics: Black Radical Politics and the Reconstruction of Critical Social Theory. Lexington: Lexington Books.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Stavenhagen, Rodolfo (2001). La cuesti\u00f3n \u00e9tnica. M\u00e9xico: El Colegio de M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Telles, Edward y Regina Mart\u00ednez Casas (eds.) (2019). Pigmentocracias. Color, etnicidad y raza en Am\u00e9rica Latina. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Regina Mart\u00ednez Casas<\/em> \u00e9 linguista e antrop\u00f3loga. Ela \u00e9 pesquisadora da <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span> desde 2002 e membro da <span class=\"small-caps\">sni<\/span> n\u00edvel <span class=\"small-caps\">ii<\/span> e da Academia Mexicana de Ci\u00eancias. Ela \u00e9 especialista em pol\u00edticas lingu\u00edsticas e educacionais no M\u00e9xico e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e trabalhou na forma\u00e7\u00e3o de linguistas que falam l\u00ednguas ind\u00edgenas nacionais, tanto em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o quanto com grupos de professores bil\u00edngues de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Coordenou v\u00e1rios grupos de pesquisa sobre o impacto dos megaprojetos sobre os povos ind\u00edgenas, pol\u00edticas sociais para povos ind\u00edgenas em contextos de mobilidade, crian\u00e7as ind\u00edgenas em escolas urbanas, povos ind\u00edgenas na pris\u00e3o, a regi\u00e3o transfronteiri\u00e7a M\u00e9xico-Guatemala e a din\u00e2mica \u00e9tnico-racial no M\u00e9xico e seu impacto sobre a discrimina\u00e7\u00e3o e a desigualdade.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo Este texto aborda a discuss\u00e3o sobre decolonialidade nos estudos sociais latino-americanos a partir de diferentes experi\u00eancias de pesquisa que buscam problematizar o conceito e mostrar que nem toda pesquisa realizada no chamado Sul Global \u00e9 decolonial. 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