{"id":37061,"date":"2023-03-21T03:36:07","date_gmt":"2023-03-21T03:36:07","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=37061"},"modified":"2024-04-24T09:55:09","modified_gmt":"2024-04-24T15:55:09","slug":"saumade-territorialidad-compartida-wixarika-antropologia-etnografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/saumade-territorialidad-compartida-wixarika-antropologia-etnografia\/","title":{"rendered":"Territorialidade de Wix\u00e1rika, entre a geografia sagrada e as recomposi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-drop-cap abstract\">Numa \u00e9poca em que certos promotores da moda perspectivista, depois de terem dado autoridade etnogr\u00e1fica \u00e0s on\u00e7as-pintadas, gostariam de fazer a fus\u00e3o <em>nova era<\/em> do antrop\u00f3logo e do xam\u00e3, da antropologia e da psicodelia,<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> a parte racionalista de n\u00f3s que resiste apesar de tudo experimenta um certo consolo ao ler uma monografia dos Huichols do M\u00e9xico (Wixaritari, Wix\u00e1rika no singular, etn\u00f4nimo vernacular) que escapa ao pathos alucinat\u00f3rio. Dividido entre antropologia hist\u00f3rica e etnografia extensiva, este pequeno livro enfoca um problema espec\u00edfico para esclarecer, ao inv\u00e9s de confundir, o significado pol\u00edtico de uma cultura xam\u00e2nica e de um complexo m\u00edtico-ritual baseado em uma rela\u00e7\u00e3o cosmoc\u00eantrica com o territ\u00f3rio e a conseq\u00fcente dial\u00e9tica de identidade e alteridade. Instalados na Serra Madre Ocidental, os Huichols, juntamente com os Tarahumara (Rar\u00e1muri), s\u00e3o um dos dois grupos \u00e9tnicos que colocaram as vis\u00f5es provocadas pelo peiote no centro de seu aparato ritual, orquestrado por poderosos xam\u00e3s. Estamos bem conscientes do fasc\u00ednio que esta \"tribo de artistas\", como Robert M. Zingg os chamou nos anos 30, foi capaz de provocar nos etn\u00f3logos que os freq\u00fcentavam, \u00e0s vezes ao ponto de arrast\u00e1-los para uma exalta\u00e7\u00e3o psicod\u00e9lica desenfreada, ignorando todo o rigor cient\u00edfico. Foi o caso, por exemplo, dos verdadeiros especialistas do Huichol, Barbara Myerhoff e Peter T. Furst, que promoveram \u00e0s custas do Wixaritari uma das maiores vigarices da hist\u00f3ria da disciplina: a de Carlos Castaneda, concordando em alimentar as p\u00e1ginas que iriam conduzir o plagiador pelo caminho do sucesso editorial e, por fim, \u00e0 deriva sect\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro de H\u00e9ctor Medina Miranda, felizmente, \u00e9 parte da saud\u00e1vel rea\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica que caracteriza uma abundante etnologia regional contempor\u00e2nea, agora ansiosa para se distanciar da \"lenda negra\" castanedista. Ele evita considerar o simbolismo Huichol, apesar de seus ineg\u00e1veis atributos est\u00e9ticos, como uma ess\u00eancia cativante, mas sim como um mediador das complexas rela\u00e7\u00f5es entre as diferentes comunidades Wixaritari (definidas por uma identidade territorial fundamentalmente inst\u00e1vel) e o mundo exterior, o do <em>teiwarixi<\/em> (singular <em>teiwari<\/em>Os \"vizinhos\", isto \u00e9, mesti\u00e7os, brancos, etn\u00f3logos e obviamente turistas).<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> Mas o que distingue a abordagem de Medina Miranda - assim como a de outros autores, como Cristina Aguilar Ros ou S\u00e9verine Durin - \u00e9 um interesse inovador em grupos Huichol geograficamente decentes por processos migrat\u00f3rios, que teimam em manter o sistema simb\u00f3lico de sua cultura, em meio a uma vida social condicionada pelo contato com o mundo exterior. Durin e Aguilar Ros estavam interessados nos Huichols que se haviam tornado urbanos e na explora\u00e7\u00e3o tur\u00edstica das comunidades,<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> Medina Miranda concentra-se no caso das comunidades que ficam para tr\u00e1s no planalto, nos estados de Durango e Nayarit, mas nas margens de uma \u00e1rea geogr\u00e1fica classicamente Huichol, limitada ao extremo norte do estado de Jalisco, em torno das tr\u00eas comunidades: San Andr\u00e9s Cohamiata (Tateikie), San Sebasti\u00e1n Teponahuastl\u00e1n (Huaut\u0268a) e Santa Catarina Cuexcomatitl\u00e1n (Tuapurie). Entretanto, longe de constitu\u00edrem unidades urbanas homog\u00eaneas, estas tr\u00eas comunidades, que est\u00e3o sob a supervis\u00e3o administrativa do munic\u00edpio mesti\u00e7o de Mezquitic, distribuem seu habitat entre uma aldeia agrupada em torno da igreja, a casa real do governo tradicional, o centro cerimonial (<em>tukipa<\/em>), e as casas designadas para os diferentes escrit\u00f3rios rituais e para as principais aldeias (rancheiras, <em>kiekari<\/em>) dependente da comunidade, caracter\u00edstica do habitat disperso de Wix\u00e1rika, prop\u00edcio aos efeitos da excis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso autor se compromete a revelar, ao lado dessas comunidades \"can\u00f4nicas\" de Jalisco, o enorme interesse etnogr\u00e1fico dos grupos muito menos conhecidos nos estados de Durango e Nayarit, de fazendeiros formados por fam\u00edlias deslocadas, que com o tempo se tornaram verdadeiros vilarejos, como Bancos de Cal\u00edtique, Guadalupe Ocot\u00e1n, Santa Rosa, ou mesmo - casos not\u00e1veis, em nossa opini\u00e3o, voltaremos a isso mais tarde - as novas comunidades recompostas nas margens do lago artificial criado pela barragem de Aguamilpa, inaugurada em 1993. Assim, ela se distancia de uma corrente etnogr\u00e1fica que tenderia a manter, diante da \"mesti\u00e7agem\" estigmatizante destas neocomunidades, um ideal purista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s de Jalisco, que s\u00e3o mais antigas e portanto consideradas as mais \"aut\u00eanticas\" em termos de tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com bom m\u00e9todo, Medina Miranda reconstr\u00f3i pacientemente, com base na documenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica consultada em bibliotecas e arquivos, os princ\u00edpios din\u00e2micos que operaram em uma serra que foi objeto, durante a \u00e9poca colonial, de miss\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o e evangeliza\u00e7\u00e3o, em um clima de viol\u00eancia do qual a guerra de Mixt\u00f3n (1541) foi o cl\u00edmax. O autor analisa a constitui\u00e7\u00e3o progressiva da rela\u00e7\u00e3o com a etnia Wix\u00e1rika dentro de um territ\u00f3rio compartilhado, de certa forma, com outros grupos, geralmente hostis, como os Coras, os Tepehuanes e os mexicanos (descendentes de Nahua dos auxiliares Tlaxcalan, alistados pelo ex\u00e9rcito espanhol para derrubar a revolta de 1541).<\/p>\n\n\n\n<p>Neste processo, o autor considera o papel das autoridades civis e religiosas hisp\u00e2nicas e, posteriormente, mexicanas, e da oposi\u00e7\u00e3o interna territorializada entre os agricultores indianos - longe de uma suposta homogeneidade sociol\u00f3gica -, as tend\u00eancias estruturais para rivalidades de vizinhan\u00e7a e divis\u00f5es comunit\u00e1rias. Entre estes grupos, a princ\u00edpio indiscriminadamente confundidos entre si pelas autoridades coloniais com o termo gen\u00e9rico pejorativo de Chichimecas (\"b\u00e1rbaros\") de origem nahua, tamb\u00e9m parece dif\u00edcil reconhecer o Huichol (um ex\u00f4nimo hisp\u00e2nico), exceto pelos diferentes nomes, cada um t\u00e3o incerto quanto o outro, usado pelos cronistas nos s\u00e9culos da coloniza\u00e7\u00e3o espanhola do M\u00e9xico. <span class=\"small-caps\">xvii<\/span> e <span class=\"small-caps\">xviii<\/span>tais como os Guachichiles, Vizuritas, Guisares, Bisoritas, Hueitzolmes, Huitzoles ou G\u00fcicholes (p. 54). Entretanto, em um documento de 1745, encontra-se uma das primeiras men\u00e7\u00f5es da comunidade de San Andr\u00e9s Cohamiata. Embora esta seja considerada hoje como uma das tr\u00eas mais \"autenticamente indianas\", o simples fato de ter sido fundada pelos franciscanos indica que \u00e9 o resultado de um agrupamento autorit\u00e1rio de fam\u00edlias que eles pretendiam, como em outros lugares, sedentarizar e, na infame express\u00e3o colonial, \"pacificar\". Medina Miranda conclui com raz\u00e3o que \"Do ponto de vista ind\u00edgena, a regi\u00e3o Wix\u00e1rika n\u00e3o \u00e9 pensada como uma \u00e1rea exclusiva e homog\u00eanea, mas como um produto e recipiente de rela\u00e7\u00f5es sociais com diferentes outras testemunhas\" (p. 56).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">Apesar de uma base simb\u00f3lica notavelmente consensual e do cosmocentrismo obsessivo encontrado em cada uma das comunidades hoje, a cultura Wix\u00e1rika caracteriza-se, tanto na sociologia como nos mitos e ritos, por uma rela\u00e7\u00e3o altamente amb\u00edgua com a alteridade, a come\u00e7ar pela dos <em>teiwarixi<\/em>, os \"vizinhos\", os colonos, os invasores, os usurpadores, que tamb\u00e9m s\u00e3o personagens cujo poder transformador confina com a dimens\u00e3o divina: \"Transforma\u00e7\u00e3o\", escreve Medina Miranda apropriadamente, \"\u00e9 parte, inelutavelmente, da tradi\u00e7\u00e3o\" (p. 63). Assim, a obra mission\u00e1ria provocou, como a etnografia dos Huichols n\u00e3o deixa de demonstrar, uma exibi\u00e7\u00e3o de proje\u00e7\u00f5es especulares de figuras crist\u00e3s, integradas num aparato ritual prop\u00edcio ao \"intelectual <em>bricolage<\/em>\" L\u00e9vi-Straussiano. Aqui encontramos pistas emocionantes para abordar a complexidade de um dos rituais mais estudados pelos etn\u00f3grafos, a celebra\u00e7\u00e3o da Semana Santa, que incorpora um Santo Cristo <em>Teiwari<\/em> (\"Santo Cristo, o pr\u00f3ximo\"), dividido em duas figuras crucificadas: Tatata (masculino) e Tanana (feminino), seguindo a cl\u00e1ssica cosmologia dualista mesoamericana, a quem dedicam - assim como a outras divindades semi-crist\u00e3s (o santo padroeiro) e semi-ind\u00edgenas (os pais m\u00edticos) - o sangue de v\u00e1rias dezenas de cabe\u00e7as de gado bovino. Em rela\u00e7\u00e3o a este animal de origem colonial, que os Huichols integraram tanto em sua economia quanto em seu sistema simb\u00f3lico, deve-se notar que, em outras publica\u00e7\u00f5es, Medina Miranda compartilha com a autora destas linhas a preocupa\u00e7\u00e3o de destacar sua import\u00e2ncia cardinal, geralmente subestimada por autores comprometidos com a preserva\u00e7\u00e3o, na etnografia dos Wixaritari, de uma suposta pureza tradicional imperme\u00e1vel a <em>teiwarixi<\/em> influ\u00eancias.<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\" target=\"_self\">5<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A este respeito, Medina Miranda oferece uma exegese dos antigos mitos Huichol, na qual ele mostra o quanto este \u00faltimo se alimentava do cristianismo para absorv\u00ea-lo, para \"canibaliz\u00e1-lo\", se quisermos fazer uma concess\u00e3o \u00e0 moda perspectivista. Entre os textos dos primeiros cronistas religiosos da serra, como Alfonso de la Mota y Escobar (1940 [1605]) e outros mais recentes (Tello 1891 [1653]), ele encontra o vest\u00edgio de uma lenda ind\u00edgena de gigantes que morreram tentando escapar do dil\u00favio universal. Ele pensa que pode ser uma mitologia compartilhada das origens do contato, onde a refer\u00eancia b\u00edblica s\u00f3 real\u00e7a uma hist\u00f3ria ind\u00edgena das origens. Aqui, antepassados gigantes emergem do mar e da inunda\u00e7\u00e3o causada pela av\u00f3 do crescimento (<em>Tatutsi Nakawe<\/em>) para formar os riachos da montanha, ou seja, os caminhos originais de peregrina\u00e7\u00e3o (p\u00e1g. 59 e seguintes). Estes cursos de \u00e1gua, que correm atrav\u00e9s das gargantas profundas de uma paisagem de beleza \u00e1rida, aparecem como marcadores territoriais em torno dos quais as comunidades se formam e se distinguem. Assim, a conflu\u00eancia dos tr\u00eas grandes rios: o rio Jes\u00fas Mar\u00eda (associado ao Coras), o rio Grande de Santiago (ligado aos \"brancos\"), <em>teiwari<\/em>O rio Chapalagana (do lago sagrado de Chapala, do rio Lerma, cuja nascente est\u00e1 no Altiplano do Estado do M\u00e9xico) e o rio Chapalagana (correspondente ao Huichol), formam um lugar sagrado para os povos ind\u00edgenas. Na mitologia Huichol (p. 78-80), os rios celebram o casamento poliandrous dos dois grupos ind\u00edgenas inimigos e da bela mulher branca, um ser multidimensional que \u00e9, por sua vez, um fant\u00e1stico objeto de desejo sexual, a Virgem de Guadalupe, emblema do mesti\u00e7o M\u00e9xico, e Tanana, o Cristo feminino cujo sangue sacrificial, ao coagular, produz dinheiro, uma subst\u00e2ncia <em>teiwari<\/em> que se tornou vital, especialmente para a manuten\u00e7\u00e3o de um aparelho ritual com tend\u00eancias sumptu\u00e1rias.<meta http-equiv=\"content-type\" content=\"text\/html; charset=utf-8\"><a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A serpente emplumada \u00e9 o indicador mitol\u00f3gico do choque de alteridades nesta geografia compartilhada (p. 76), um ser h\u00edbrido cuja natureza transformacional, como os ancestrais gigantes de onde prov\u00e9m, sintetiza e adapta as contribui\u00e7\u00f5es ex\u00f3genas facilmente male\u00e1veis do cristianismo. Entretanto, em sua brilhante an\u00e1lise de um territ\u00f3rio cuja dimens\u00e3o mitol\u00f3gica \u00e9 sistematicamente refor\u00e7ada pela rela\u00e7\u00e3o fundamental da Wixaritari com a alteridade branca, podemos lamentar que Medina Miranda n\u00e3o se expanda mais no estudo de caso da hidrel\u00e9trica de Aguamilpa, constru\u00edda pelo estado federal justamente na conflu\u00eancia dos tr\u00eas rios sagrados, onde se localizam os orat\u00f3rios e dep\u00f3sitos de oferendas que foram inevitavelmente inundados. Ao redor deste grande corpo de \u00e1gua, localizado no territ\u00f3rio do Tepic (estado de Nayarit), comunidades se estabeleceram, vivendo da pesca e desenvolvendo o turismo rural e \u00e9tnico, conhecido como \"ecoturismo\", combinado com a venda do famoso artesanato Huichol, e mantendo a celebra\u00e7\u00e3o de seus ritos. Mas como o lago recebe do rio Lerma (\"a bela mulher branca\") toda a polui\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e industrial dos assentamentos industriais urbanos pelos quais corre desde a Cidade do M\u00e9xico, estas comunidades recompostas enfrentam uma grave crise ambiental. Este \u00faltimo fato importante n\u00e3o \u00e9 mencionado por Medina Miranda, enquanto se pode imaginar o quanto uma an\u00e1lise antropol\u00f3gica desta quest\u00e3o lhe teria permitido fortalecer ainda mais sua defesa das comunidades marginalizadas Huichol de Nayarit e Durango, mas ele provavelmente pensar\u00e1 sobre isso para suas futuras publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>De uma perspectiva din\u00e2mica, Medina Miranda destaca, atrav\u00e9s de dados hist\u00f3ricos e etnogr\u00e1ficos, o car\u00e1ter estrutural de assentamento disperso, migra\u00e7\u00f5es sazonais e contato. Ele se op\u00f5e tanto ao idealismo purista ahist\u00f3rico de Peter Furst, quanto \u00e0 rigidez dos distritos administrativos com os quais Phil Weigand (1992) e seu disc\u00edpulo V\u00edctor T\u00e9llez (2011) unem as comunidades Huichol em termos de inspira\u00e7\u00e3o conservadora, e \u00e0 proje\u00e7\u00e3o do conceito l\u00e9vi-estraussiano de \"casa\" em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade e ao centro cerimonial (<em>tukipa<\/em>) por Johannes Neurath (2000). Para Medina Miranda (p. 138), o <em>tukipa<\/em> \u00e9 uma pessoa moral que n\u00e3o imp\u00f5e a unidade territorial, em um sistema de parentesco bilateral que permite aos indiv\u00edduos escolher para qual <em>tukipa<\/em> preferem aderir (p. 147).<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m refuta a an\u00e1lise de Paul Liffman (2012) que, impactado pelo poder do <em>mara'akate<\/em> (xam\u00e3s) e devido ao car\u00e1ter tir\u00e2nico do sistema ritual do qual eles s\u00e3o os garantes, ele v\u00ea nos centros cerimoniais uma estrutura estatal miniaturizada, \"estado m\u00edtico, estado sacrificial\", <em>estado sombra ind\u00edgena<\/em>\"(Liffman, 2012: 148). Neste sentido, Medina Miranda prefere juntar-se a Neurath, que detecta no modelo pol\u00edtico Huichol um exemplo de \"sociedade contra o Estado\". Na verdade, o <em>mara'akate<\/em> mais influentes (<em>kawiterutsixi<\/em>Os \"omniscientes\"), que se re\u00fanem anualmente em um conselho para renovar as varas de lideran\u00e7a e nomear os novos titulares de cargos governamentais tradicionais, seguem um princ\u00edpio particularmente arbitr\u00e1rio que chamar\u00edamos de \"onirocracia\": eles trocam seus sonhos para tomar suas decis\u00f5es. Isto levou Denis Lemaistre (2003: 204) a falar sobre a \"manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos sonhos\". Mas os \"governantes\" assim designados, que possuem t\u00edtulos herdados da administra\u00e7\u00e3o colonial (governador, promotor p\u00fablico, tenente, topil, juiz, etc.), exercem um poder essencialmente simb\u00f3lico, de ordem ritual, sem nenhuma outra for\u00e7a coercitiva al\u00e9m daquela que eles mesmos sofrem da sociedade: a obriga\u00e7\u00e3o de endividar-se at\u00e9 a ru\u00edna para cumprir com dignidade seus deveres durante um ano inteiro, oferecendo muitos sacrif\u00edcios, banquetes, peregrina\u00e7\u00f5es e outros presentes rituais. Este caminho de an\u00e1lise nos parece pessoalmente mais pertinente, em vista desta concep\u00e7\u00e3o peculiar da pol\u00edtica dos habitantes de San Andr\u00e9s Cohamiata Tateikie, onde notei a profundidade da famosa tese de Pierre Clastres (1974), apesar de todas as cr\u00edticas, muitas vezes justificadas, que ele pode ter recebido em outro lugar por seu idealismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura segmentar da sociedade Wix\u00e1rika, baseada em uma din\u00e2mica de conflitos com os mesti\u00e7os invasores e entre os pr\u00f3prios Huichol (al\u00e9m das rivalidades tradicionais, alguns se convertem ao protestantismo, recusando-se a realizar ritos tradicionais e deveres correspondentes; eles s\u00e3o exclu\u00eddos e reformam comunidades em outros lugares), n\u00e3o \u00e9 apenas uma reminisc\u00eancia de <em>Sociedade contra o Estado<\/em> A refer\u00eancia retomada por Medina Miranda - e ao campo dos estudos americanistas - mas tamb\u00e9m, al\u00e9m disso, \u00e0s monografias cl\u00e1ssicas de Edward Evans-Pritchard sobre o Nuer (1940) e Edmund Ronald Leach's sobre o Kachin da Birm\u00e2nia (1954). Aqui, neste caso, o sistema do centro cerimonial e do governo tradicional, mais o das delega\u00e7\u00f5es administrativas civis que organizam o trabalho de interesse geral, cujos titulares desempenham o papel de mediadores que regularmente tentam apaziguar conflitos sem poder exercer controle sobre um determinado setor territorial (p. 148), facilitam as reivindica\u00e7\u00f5es de autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>Medina Miranda fala a este respeito de \"Wix\u00e1rika multi-territorialidade\" (p. 152), que se refere simultaneamente a uma \"geografia sagrada\" universalmente reconhecida, que \u00e9 o fundamento da cardinalidade Huichol descrita por todos os etn\u00f3grafos, desde o explorador noruegu\u00eas Carl Lumholtz at\u00e9 os dias de hoje,<a class=\"anota\" id=\"anota7\" data-footnote=\"7\">7<\/a> e espa\u00e7o comunit\u00e1rio que pode ser recomposto por divis\u00f5es, mesmo dentro de cidades ou vilas mesti\u00e7as. Como ele observa, a press\u00e3o exercida sobre as comunidades recentes, grandes ranchos que se dotaram de seu pr\u00f3prio espa\u00e7o de <em>tukipa<\/em> e seu governo tradicional, a fim de obter independ\u00eancia da comunidade de onde v\u00eam, \u00e0s vezes cria s\u00e9rios problemas para esta \u00faltima, particularmente quando seu territ\u00f3rio perde um local sagrado ou um grande centro cerimonial. O caso mais marcante a este respeito \u00e9 o de Santa Rosa (Nayarit) e seu anexo Santa B\u00e1rbara, onde existe um <em>tukipa<\/em> considerado um dos cinco templos originais, que dependia, at\u00e9 a cis\u00e3o, da comunidade \"can\u00f4nica\" de San Andr\u00e9s Cohamiata (Tateikie) (pp. 163, 165). Este <em>tukipa<\/em> \u00e9 chamado Tatutsi Witse Teiwari (\"Av\u00f4 Falc\u00e3o, o Vizinho\"), e aqui s\u00f3 podemos lamentar que Medina Miranda se contente em fazer nossa boca regar por n\u00e3o aprofundar sua an\u00e1lise, pois esta designa\u00e7\u00e3o, que combina na nomenclatura cl\u00e1ssica de parentesco de seres sagrados, a ave de rapina e o inevit\u00e1vel vizinho mesti\u00e7o branco, cont\u00e9m dentro de si todos os paradoxos de um universo Huichol de natureza ampla e abrangente. Mas, mais uma vez, parece claro que este livro apela para outros, como a abordagem de uma sociedade que se distinguiu etnograficamente por sua originalidade e cuja pesquisa merece ser prolongada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"small-caps\">Bibliografia<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Durin, S\u00e9verine y Alejandra Aguilar Ros (2008). \u201cRegios en b\u00fasqueda de ra\u00edces y Wixaritari ecultur\u00edsticos\u201d, en S\u00e9verine Durin (dir.). <em>Entre luces y sombras. Miradas sobre los ind\u00edgenas en el \u00c1rea Metropolitana de Monterrey<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">ciesas\/cdi<\/span>, pp. 255-297.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Clastres, Pierre (1974). <em>La soci\u00e9t\u00e9 contre l\u2019\u00c9tat. Recherches d\u2019anthropologie politique.<\/em> Par\u00eds: \u00c9ditions de Minuit.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Evans-Pritchard, Edward Evan (1940). <em>The Nuer. A Description of the Modes of Livelihood and Political Institutions of a Nilotic People<\/em>. Oxford: Clarendon Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Leach, Edmund R. (1954). <em>Political Systems of Highland Burma. A Study of Kachin Social Structure<\/em>. Londres: London School of Economics and Political Science\/G. Bell and Sons.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lemaistre, Denis (2003). <em>Le chamane et son chant. Relations ethnographiques d\u2019une exp\u00e9rience parmi les Huicholes du Mexique<\/em>. Par\u00eds: L\u2019Harmattan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Liffman, Paul (2012). <em>La territorialidad wix\u00e1rika y el espacio nacional. Reinvindicaci\u00f3n ind\u00edgena en el occidente de M\u00e9xico<\/em>. Zamora: Colmich<span class=\"small-caps\">\/ciesas<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mar\u00edn Garc\u00eda, Jorge Luis (2014). \u201cTransformaci\u00f3n de la imagen de los wixaritari (huicholes) en el imaginario <em>teiwari<\/em> (mestizo, for\u00e1neo)\u201d, <em>Campos<\/em>, 15 (2), pp. 121-146. https:\/\/doi.org\/10.5380\/campos.v15i2.50444<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Medina Miranda, H\u00e9ctor (2006). \u201cEl ancestro transgresor: la figura del charro en la mitolog\u00eda de los huicholes de Durango\u201d, en \u00c1ngel B. Espina Barrio (dir.). <em>Conocimiento local, comunicaci\u00f3n e interculturalidad. Antropolog\u00eda en Castilla y Le\u00f3n e Iberoam\u00e9rica<\/em>, <span class=\"small-caps\">ix<\/span>. Pernambuco: Fundaci\u00f3n Joaquim\/Editorial Massangana\/Instituto de Investigaciones Antropolo\u0301gicas de Castilla y Leo\u0301n, pp. 271-276.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mota y Escobar, Alonso de la (1940 [1605]). <em>Descripci\u00f3n geogr\u00e1fica de los reinos de Nueva Galicia<\/em>. M\u00e9xico: Editorial Pedro Robredo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Neurath, Johannes (2000). \u201cLa maison de L\u00e9vi-Strauss y la Casa Grande wix\u00e1rika\u201d, <em>Journal de la Soci\u00e9t\u00e9 des Am\u00e9ricanistes<\/em>, 86, pp. 113-127. https:\/\/doi.org\/10.3406\/jsa.2000.1809<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">T\u00e9llez, V\u00edctor (2011). <em>Xatsitsarie. Territorio, gobierno local y ritual en una comunidad huichola<\/em>. Zamora: Colmich.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Tello, Antonio (1891 [1653]). <em>Libro segundo de la cr\u00f3nica miscel\u00e1nea, en que se trata de la conquista espiritual y temporal de la Santa Provincia de Xalisco en el Nuevo Reino de la Galicia y Nueva Vizcaya y descubrimiento del Nuevo M\u00e9xico<\/em>. Guadalajara: Imprenta de la Rep\u00fablica Literaria de C. L. de Guevara y Ca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Saumade, Fr\u00e9d\u00e9ric (2009). \u201cTaureau, cerf, ma\u00efs, peyotl : le quadrant de la culture wix\u00e1rika (huichol)\u201d, <em>L\u2019Homme<\/em>, 189, pp. 191-228. https:\/\/doi.org\/10.4000\/lhomme.22035<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2013). \u201cDe la sangre al oro: la transubstanciaci\u00f3n del cristianismo y del capitalismo en la comida ritual de la Semana Santa huichol (M\u00e9xico)\u201d, <em>Am\u00e9rique Latine Histoire et M\u00e9moire. Les Cahiers <span class=\"small-caps\">alhim<\/span><\/em> [en l\u00ednea], 25 (Actas de la Mesa redonda <em>Del altar al fog\u00f3n: comida ritual ind\u00edgena<\/em>, Aline H\u00e9mond y Leopoldo Trejo [dirs.], 54 Congr\u00e8s International des Am\u00e9ricanistes [Viena, Austria, 15-20 de julio de 2012]). https:\/\/doi.org\/10.4000\/alhim.4618<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2013) \u201cToro, venado, ma\u00edz, peyote: el cuadrante de la cultura wixarika\u201d, <em>La Revista de el Colegio de San Luis<\/em>, <span class=\"small-caps\">iii<\/span>, 5, pp. 16-54. (versi\u00f3n revisada en espa\u00f1ol).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Weigand, Phil (1992). <em>Ensayos sobre el Gran Nayar: entre coras, huicholes y tepehuanos.<\/em> M\u00e9xico: Centro de Estudios Mexicanos y Centroamericanos\/Instituto Nacional Indigenista\/Colmich.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-background has-accent-background-color has-accent-color is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Fr\u00e9d\u00e9ric Saumade<\/em> \u00e9 Professor de Antropologia Social na Universidade de Aix-Marseille e membro do Instituto de Etnologia Mediterr\u00e2nica, Europ\u00e9ia e Comparada (<span class=\"small-caps\">idemec<\/span>) de Aix-en-Provence. Sua pesquisa se concentra nas pr\u00e1ticas de touros, touradas e gado na Camargue, Espanha, Portugal, M\u00e9xico e Estados Unidos, bem como nos ritos e representa\u00e7\u00f5es de touros entre v\u00e1rias popula\u00e7\u00f5es amer\u00edndias. No M\u00e9xico, tem realizado trabalhos de campo entre os povos Nahua-Mestizo, Otomi e Huichol (<em>wixaritari<\/em>), e publicou v\u00e1rios artigos em espanhol sobre o assunto. Ele \u00e9 autor de uma d\u00fazia de obras, incluindo duas no continente americano (M\u00e9xico e Calif\u00f3rnia), <em>Ma\u00e7atl<\/em>. <em>A transforma\u00e7\u00e3o dos jogos de toureio no M\u00e9xico<\/em> (Bordeaux : Prensas Universitaires de Bordeaux, 2008) e <em>Cowboys, palha\u00e7os e toureiros. L'Am\u00e9rique revers\u00edvel<\/em> (Paris: Berg International, 2014, com a colabora\u00e7\u00e3o de Jean-Baptiste Maudet). Ele tamb\u00e9m publicou trabalhos sobre epistemologia e hist\u00f3ria da antropologia, e sobre percuss\u00e3o e cultura material em m\u00fasica mesti\u00e7a e ind\u00edgena nos Estados Unidos, seu campo de estudo atual.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma \u00e9poca em que certos promotores da moda perspectivista, depois de terem dado autoridade etnogr\u00e1fica \u00e0s on\u00e7as, gostariam de realizar a fus\u00e3o new age de antrop\u00f3logo e xam\u00e3, de antropologia e psicodelia, a parte racionalista de n\u00f3s que resiste, apesar de tudo, encontra um certo conforto em [...].<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":37076,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"coauthors":[551],"class_list":["post-37061","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-10","personas-saumade-frederic","numeros-1038"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>La territorialidad wix\u00e1rika &#8211; 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