{"id":36622,"date":"2023-03-21T03:21:19","date_gmt":"2023-03-21T03:21:19","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=36622"},"modified":"2023-11-16T17:44:39","modified_gmt":"2023-11-16T23:44:39","slug":"reguillo-regimenes-de-visibilidad-violencias-tecnopoliticas-imaginacion-metodologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/reguillo-regimenes-de-visibilidad-violencias-tecnopoliticas-imaginacion-metodologica\/","title":{"rendered":"Ensaios sobre o Abismo: Pol\u00edtica do Olhar, Viol\u00eancia, Tecnopol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\">O ensaio incorpora tr\u00eas grandes \u00e1reas de transforma\u00e7\u00f5es que abalaram o cen\u00e1rio contempor\u00e2neo: a deteriora\u00e7\u00e3o institucional, a quebra do(s) pacto(s) social(ais) e o esgotamento dos ecossistemas biol\u00f3gicos e s\u00f3cio-pol\u00edticos. O objetivo \u00e9 refletir sobre os impactos dessas transforma\u00e7\u00f5es em nossa maneira de pensar e de abordar o trabalho cr\u00edtico na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre o mundo. O ensaio traz para o centro da discuss\u00e3o a quest\u00e3o da imagina\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica, uma express\u00e3o com a qual tenta iluminar uma franja muitas vezes opaca no trabalho acad\u00eamico. Ele aborda tr\u00eas dimens\u00f5es que marcaram o trabalho de Rossana Reguillo como pesquisadora e pensadora do contempor\u00e2neo, atrav\u00e9s do qual ela se aprofunda na compreens\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o social do sentido e da din\u00e2mica do poder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/politics-of-gaze\/\" rel=\"tag\">pol\u00edtica do olhar<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/sociocultural-studies\/\" rel=\"tag\">estudos socioculturais<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/sociodigital-analysis\/\" rel=\"tag\">an\u00e1lise sociodigital<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/technopolitics\/\" rel=\"tag\">tecnopol\u00edtica<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/violence\/\" rel=\"tag\">viol\u00eancia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><span class=\"small-caps\">Ensaios sobre o Abismo: Pol\u00edtica do Olhar, Viol\u00eancia, Tecnopol\u00edtica<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">O ensaio incorpora tr\u00eas grandes \u00e1reas de transforma\u00e7\u00f5es que abalaram a cena contempor\u00e2nea: a deteriora\u00e7\u00e3o institucional, a detona\u00e7\u00e3o do(s) pacto(s) social(ais) e o esgotamento dos ecossistemas, tanto biol\u00f3gicos quanto sociopol\u00edticos. O objetivo \u00e9 pensar sobre os impactos destas transforma\u00e7\u00f5es em nossas mentalidades e abordar o trabalho cr\u00edtico envolvido na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre o mundo. Este ensaio traz a quest\u00e3o da imagina\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica para o centro da discuss\u00e3o, numa tentativa de iluminar uma \u00e1rea que muitas vezes \u00e9 opaca no trabalho acad\u00eamico. S\u00e3o abordadas tr\u00eas dimens\u00f5es que marcaram o trabalho da ros como pesquisadora e pensadora sobre o mundo moderno, aprofundando a compreens\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o social do sentido e da din\u00e2mica do poder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: estudos socioculturais, pol\u00edtica do olhar, viol\u00eancia, tecnopol\u00edtica, an\u00e1lise sociodigital...<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-background has-accent-background-color has-accent-color is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<p class=\"abstract has-small-font-size\">Um bom relat\u00f3rio arqueol\u00f3gico n\u00e3o indica apenas as camadas das quais os artefatos foram encontrados, mas acima de tudo aquelas camadas que tiveram que ser atravessadas de antem\u00e3o.<br><em>Walter Benjamin<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Al\u00e9m das intensas transforma\u00e7\u00f5es que abalaram a cena contempor\u00e2nea, que agrupo - para fins anal\u00edticos - em tr\u00eas grandes \u00e1reas: a deteriora\u00e7\u00e3o institucional, a explos\u00e3o do(s) pacto(s) social(ais) e o esgotamento dos ecossistemas biol\u00f3gicos e sociopol\u00edticos, estou interessado em refletir neste ensaio sobre os impactos que essas transforma\u00e7\u00f5es tiveram em nossa maneira de pensar e de abordar o trabalho cr\u00edtico na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre o mundo. Em outras palavras, estou interessado em trazer para o centro da discuss\u00e3o a quest\u00e3o da imagina\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica, uma express\u00e3o com a qual tento iluminar uma franja muitas vezes opaca no trabalho acad\u00eamico que - me parece - permanece ligada a um conjunto de c\u00e2nones, procedimentos e modos que hoje se chocam com uma realidade que n\u00e3o \u00e9 de forma alguma aquela que viu surgir a etnografia ou a observa\u00e7\u00e3o participante, como a entrevista ou a pesquisa, para citar alguns m\u00e9todos que t\u00eam sido centrais para o desenvolvimento das ci\u00eancias sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desta pergunta, procuro desenvolver tr\u00eas dimens\u00f5es que t\u00eam marcado meu trabalho como pesquisador e pensador do contempor\u00e2neo: a an\u00e1lise de imagens e regimes de visibilidade; a viol\u00eancia e o atroz; e a an\u00e1lise de redes atrav\u00e9s de grandes volumes de dados. As tr\u00eas est\u00e3o intimamente relacionadas \u00e0s minhas preocupa\u00e7\u00f5es para aprofundar minha compreens\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o social de sentido e da din\u00e2mica do poder.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A pol\u00edtica do olhar: compreens\u00e3o da (in)visibilidade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\">Na cole\u00e7\u00e3o de ensaios <em> Horizontes fragmentados. El desorden global y sus figuras,<\/em> que escrevi em 2005, entre outras coisas estava interessado na quest\u00e3o do olhar e suas tecnologias, aquele olhar que procura desvendar, compreender, produzir conhecimento. Minha preocupa\u00e7\u00e3o centrou-se e continua a centrar-se no que chamarei de \"regimes de visibilidade\", que entendo como constru\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-hist\u00f3ricas complexas que se articulam nos seguintes pontos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">a) Forma\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas particulares, por exemplo: Oeste\/Leste; Europa\/Am\u00e9rica Latina; Modernidade\/Modernidade tardia; Centro\/Periferia. Isto significa que a in-visibilidade est\u00e1 sempre situada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">b) Socializa\u00e7\u00e3o e institui\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias que a moldam e modulam: a fam\u00edlia, a escola, as igrejas, os meios de comunica\u00e7\u00e3o, as ind\u00fastrias culturais. Aprende-se a ver e esta a\u00e7\u00e3o tem repercuss\u00f5es culturais e s\u00f3cio-pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">c) L\u00f3gicas de poder pol\u00edtico que se tornam poder cognitivo. Aqueles que determinam o que \u00e9 vis\u00edvel e invis\u00edvel moldam o que \u00e9 conhecido e enunci\u00e1vel no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca me fiz uma pergunta sobre as tecnologias do olhar e sua rela\u00e7\u00e3o com o que chamei de ci\u00eancias de proximidade ou dist\u00e2ncia, que se associaram com \"olhar e entender o distante\" e \"olhar e entender o pr\u00f3ximo\", uma trilha que segui atrav\u00e9s das inven\u00e7\u00f5es do telesc\u00f3pio e, pouco tempo depois, do microsc\u00f3pio. Mas esta quest\u00e3o gradualmente se tornou uma meta-reflex\u00e3o fundamentalmente ligada \u00e0s disputas sobre a representa\u00e7\u00e3o da realidade. As formas de olhar, historicamente produzidas e nunca neutras, me interessaram na medida em que me permitiram abordar o campo das lutas sociais e culturais para a defini\u00e7\u00e3o leg\u00edtima do real.<\/p>\n\n\n\n<p>No document\u00e1rio intitulado <em>Uma garota como eu<\/em>,<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> v\u00e1rias jovens afro-americanas narram sua autopercep\u00e7\u00e3o, a forma como experimentam sua identidade racializada, seu desconforto com seus cabelos, sua pele, etc. O document\u00e1rio revisita a experi\u00eancia realizada pelo Dr. Kenneth Clark nos anos 50 chamada \"o teste da boneca\", que consiste em mostrar \u00e0s crian\u00e7as afro-americanas (uma a uma) duas bonecas, uma branca e uma preta, e fazer-lhes v\u00e1rias perguntas: \"Diga-me qual boneca voc\u00ea mais gosta\", \"Diga-me qual \u00e9 a mais bonita\", \"Diga-me qual \u00e9 a mais feia\". O teste \u00e9 terr\u00edvel porque as crian\u00e7as est\u00e3o inclinadas a escolher a boneca branca como a mais bonita e a preta como a mais feia. A parte mais dram\u00e1tica do teste \u00e9 que na parte final lhes \u00e9 perguntado: \"Diga-me com quem voc\u00ea se parece\" e eles selecionam a boneca preta que foi anteriormente descrita como feia e ruim.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Uma garota como eu\" width=\"580\" height=\"435\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YWyI77Yh1Gg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A partir deste document\u00e1rio e de outros exerc\u00edcios, meu interesse pelas formas do olhar, que chamarei de \"pol\u00edtica do olhar\", cresceu. Por pol\u00edtica do olhar entendo o conjunto de t\u00e1ticas e estrat\u00e9gias que, diariamente, gerenciam o olhar, o que produz efeitos sobre a forma como percebemos e somos percebidos, o que fecha e abre outros caminhos, o que reduz ou restaura a complexidade. Pol\u00edticas da vida cotidiana que \"n\u00e3o vemos\" porque, atrav\u00e9s delas, vemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou interessado em tr\u00eas aspectos dessas pol\u00edticas. Primeiro, entender como o olhar constr\u00f3i representa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o assumidas como \"ordens naturais\", \"doxas\" como as chama Pierre Bourdieu (2002), aquelas verdades que n\u00e3o admitem refuta\u00e7\u00e3o ou questionamento. Em segundo lugar, como s\u00e3o produzidos os processos de mascaramento, de invisibilidade que tendem a domesticar uma realidade demasiado real, o slogan n\u00e3o \u00e9 apenas para n\u00e3o mostrar, n\u00e3o \u00e9 para olhar, para fechar os olhos. E, finalmente, o processo de estetiza\u00e7\u00e3o e esvaziamento do que \u00e9 olhado, para separ\u00e1-lo de seu contexto e de seu significado. Pasteurizar a imagem para deix\u00e1-la de lado ou, parafraseando Roland Barthes (1964), para consumir a imagem esteticamente e n\u00e3o politicamente. \u00c9 o olhar pol\u00edtico que me interessa.<\/p>\n\n\n\n<p>As formas de encarar a viol\u00eancia, por exemplo, como olhar para imagens do atroz, o que algu\u00e9m que olha para um corpo desmembrado intui que existe uma cena anterior de tortura. Neste sentido, estou interessado em certas imagens, cenas-limite, que perturbam o cotidiano, na medida em que produzem o que Georges Didi-Huberman (2016: 32) chama de \"conhecimento sens\u00edvel\"; trata-se da entrada do que \u00e9 olhado em uma dimens\u00e3o emocional que choca e transforma. Assim, o olhar \u00e9 um espa\u00e7o de tens\u00e3o permanente, de luta constante entre o que entra como conhecimento sens\u00edvel e o que \u00e9 bloqueado como esvaziamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Barthes (1964: 44) diz que \"em cada sociedade, s\u00e3o desenvolvidas v\u00e1rias t\u00e9cnicas para fixar a cadeia flutuante de significados, a fim de combater o terror dos sinais incertos: a mensagem ling\u00fc\u00edstica \u00e9 uma dessas t\u00e9cnicas\". No n\u00edvel da mensagem literal, a palavra responde mais ou menos diretamente, mais ou menos parcialmente, \u00e0 pergunta: o que \u00e9 isso? Barthes acrescenta, numa frase t\u00e3o l\u00facida quanto contundente, que \"no n\u00edvel da mensagem, a mensagem ling\u00fc\u00edstica orienta n\u00e3o a identifica\u00e7\u00e3o, mas a interpreta\u00e7\u00e3o, ela constitui uma esp\u00e9cie de pin\u00e7a que impede que os sentidos conotados proliferem para regi\u00f5es demasiado individuais (ou seja, limita o poder projetivo da imagem) ou para valores disf\u00f3ricos\".<\/p>\n\n\n\n<p>A partir destas duas cita\u00e7\u00f5es, estou interessado em destacar pelo menos duas id\u00e9ias centrais para discuss\u00e3o. Por um lado, o que Michel Foucault (2009) desenvolveu em grande profundidade e que alude ao poder obsessivo de controle e vigil\u00e2ncia que procura subjugar o irrupto, a anomalia, o incerto, o excesso de significado atrav\u00e9s de diferentes t\u00e9cnicas ou dispositivos, cujo objetivo - de modo geral - \u00e9 enfrentar a incerteza e estabelecer os limites precisos para o exerc\u00edcio do poder. Por outro lado, Barthes nos alerta para os artif\u00edcios da mensagem ling\u00fc\u00edstica (alfabetizada) como um dispositivo de controle da imagem, aquela \"pin\u00e7a\" que obt\u00e9m a m\u00e1quina interpretativa, atrav\u00e9s de procedimentos de normaliza\u00e7\u00e3o social e, acima de tudo, atrav\u00e9s do controle das emo\u00e7\u00f5es. Parece ent\u00e3o que a imagem \u00e9 a portadora intr\u00ednseca de uma \"intensidade emocional\" que deve ser subjugada pelos recursos da modernidade: a raz\u00e3o letrada e a conten\u00e7\u00e3o cartesiana das paix\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Com estas duas id\u00e9ias em mente, passo agora a dois exerc\u00edcios emp\u00edricos de an\u00e1lise de imagens que desenvolvi em 2007 porque acredito que, apesar da dist\u00e2ncia no tempo, eles s\u00e3o exemplos poderosos da capacidade perturbadora de certas imagens.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Primeira moldura: cena de tortura<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\">No in\u00edcio de 2004, a classe <span>cbs<\/span> rede<\/span> apresentou uma s\u00e9rie de fotografias e v\u00eddeos mostrando o tratamento que os prisioneiros iraquianos estavam recebendo no antigo centro de deten\u00e7\u00e3o de Saddam Hussein, renomeado pelo governo dos EUA como \"Camp Redemption\". As fotografias foram brutais e a indigna\u00e7\u00e3o internacional n\u00e3o demorou muito a chegar.<\/p>\n\n\n\n<p>Dezessete soldados foram implicados nos casos de tortura; entre eles Lynndie England, Sabrina Harmon, Charles Graner e Ivan Chip Frederick, sendo este \u00faltimo o sargento encarregado da pris\u00e3o, destacam-se por seu particular sadismo pornogr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal informa\u00e7\u00e3o que estes documentos fotogr\u00e1ficos nos d\u00e3o \u00e9 precisamente a do seu efeito mais esmagador, o da cumplicidade do olhar que olha e da aus\u00eancia de causalidade ou, melhor, uma causalidade grotesca porque \u00e9 absurda: os corpos torturados est\u00e3o \u00e0 merc\u00ea do torturador, e ele ou ela acaba sendo sobrinha de algu\u00e9m, filha de algu\u00e9m, marido de um dos \"n\u00f3s\". Em outras palavras, o estatuto de visibilidade prop\u00f5e um pacto de leitura: todos os presentes, mesmo os leitores de jornais ou telespectadores, est\u00e3o envolvidos na cena e s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel resistir por meio da transforma\u00e7\u00e3o do corpo torturado em uma anomalia, suspendendo qualquer possibilidade de conferir humanidade ao corpo torturado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta fotografia, a soldado Sabrina Harmon, uma das v\u00e1rias envolvidas nesta tortura, arrasta um prisioneiro nu pelo pesco\u00e7o com uma trela, como se fosse um cachorro. Os len\u00e7\u00f3is e trapos nas barras das celas indicam que eles est\u00e3o ocupados, por isso \u00e9 surpreendente que eles tamb\u00e9m estejam abertos. A pouca tens\u00e3o na corda e o olhar indiferente da mulher mostram que o prisioneiro \u00e9 d\u00f3cil, que ele n\u00e3o resiste \u00e0s manobras de sua \"amante\"; em outras palavras, a informa\u00e7\u00e3o que a foto nos d\u00e1 \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 for\u00e7a \"bruta\", e ainda assim o bra\u00e7o do prisioneiro revela um pequeno gesto no qual ele exerce for\u00e7a para segurar a cabe\u00e7a para que ela n\u00e3o chegue ao ch\u00e3o. A luz artificial torna imposs\u00edvel dizer se \u00e9 dia ou noite, enquanto os pap\u00e9is e o lixo espalhados no ch\u00e3o completam a moldura.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-01.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1478x1232\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 1: Imagen de la serie de 198 fotograf\u00edas de los abusos de los soldados contra prisioneros en la c\u00e1rcel de Abu Ghraib, hechas p\u00fablicas por el Pent\u00e1gono en 2004 por la presi\u00f3n ejercida por el Sindicato de las Libertades Civiles de Estados Unidos (ACLU, por sus siglas en ingl\u00e9s).\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-01.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 1: Imagem da s\u00e9rie de 198 fotografias do abuso de prisioneiros pelos soldados na pris\u00e3o de Abu Ghraib, tornada p\u00fablica pelo Pent\u00e1gono em 2004 sob press\u00e3o da Uni\u00e3o Americana das Liberdades Civis (ACLU).<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">Segundo Roland Barthes, poder\u00edamos dizer que nesta fotografia h\u00e1 um <em>punctum<\/em>; ou seja, esta \"chance na foto que fura\" \u00e9 \"um detalhe, um objeto parcial que desenha meu olhar, o detalhe aparece no campo do fotografado como um suplemento inevit\u00e1vel\" (Barthes, 1989: 79). Ele n\u00e3o o faz para refletir a arte do fot\u00f3grafo, mas para mostrar que ele est\u00e1 l\u00e1 e que \u00e9 nisso que consiste sua vis\u00e3o, que o leva a tomar o objeto total, sem poder separar este objeto parcial (<em>punctum<\/em>) da cena. O <em>punctum<\/em> nesta fotografia \u00e9 aquele gesto do bra\u00e7o, aquele m\u00ednimo de dor da humanidade, aquele piscar de olhos quase impercept\u00edvel de resist\u00eancia que a \"arte\" do fot\u00f3grafo n\u00e3o consegue isolar, o que por sua vez se torna uma \"informa\u00e7\u00e3o\" inc\u00f4moda. Apesar da cenografia e da aparente calma dos sujeitos fotografados, o bra\u00e7o do prisioneiro sugere que existe uma linha de fuga: a domina\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 total e isso reintroduz o sujeito dominado na rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, a anomalia n\u00e3o est\u00e1 totalmente estabelecida porque o sujeito apela, atrav\u00e9s de um gesto m\u00ednimo, para sua humanidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"abstract wp-block-heading\">Segunda moldura: o corpo quebrado e a guerra das necropsias<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Em mar\u00e7o de 2007, o pa\u00eds foi abalado pela not\u00edcia de que Do\u00f1a Ernestina Asencio, uma anci\u00e3 ind\u00edgena de Zongolica, Veracruz, havia sido brutalmente violada pelo pessoal do ex\u00e9rcito estacionado na cidade. Primeiro foi noticiado que Do\u00f1a Ernestina havia sido brutalmente violada por soldados estacionados nesta \u00e1rea rural cr\u00edtica de Veracruz. As autoridades locais atestaram o ato e realizaram uma aut\u00f3psia que indicou que Ernestina havia sido violada e que sua morte se devia a m\u00faltiplos traumatismos, o que deu origem a uma intensa \"investiga\u00e7\u00e3o\" entre as autoridades federais, na qual o papel desempenhado pela Comiss\u00e3o Nacional de Direitos Humanos (<span class=\"small-caps\">cndh<\/span>). Mas o agora ex-presidente Calder\u00f3n declarou que n\u00e3o tinha havido tal estupro e que Dona Ernestina, de 73 anos, morreu de \"gastrite cr\u00f4nica e anemia aguda causada por sangramento digestivo\" e acrescentou \"n\u00e3o h\u00e1 tra\u00e7os de que ela tivesse sido estuprada pelo ex\u00e9rcito\".<\/p>\n\n\n\n<p>A fotografia que circulou amplamente na m\u00eddia naquela \u00e9poca \u00e9 chocante:<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> consiste em uma tabela forense e um <em>fechar<\/em> O rosto de Ernestina e uma garrafa de coca\u00edna para coletar o gotejamento vermelho do sangue que sai de seu cr\u00e2nio. A desumaniza\u00e7\u00e3o da pessoa, a terr\u00edvel apropria\u00e7\u00e3o do corpo quebrado e inerte. \u00c9 sem d\u00favida uma fotografia vazada que rapidamente se tornou o centro da disputa no que eu chamo de \"guerra de necropsias\", aquela realizada pelos especialistas locais e aquela realizada mais tarde por especialistas federais e pessoal da <span class=\"small-caps\">cndh<\/span>. Os relat\u00f3rios \"t\u00e9cnicos\" s\u00e3o t\u00e3o diferentes que a raz\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 posta em quest\u00e3o, pois h\u00e1 dois discursos equivalentes em claro confronto: uns v\u00eaem gastrite, outros v\u00eaem \"presen\u00e7a de secre\u00e7\u00e3o esbranqui\u00e7ada na vagina\"; alguns v\u00eaem anemia por sangramento, outros diagnosticam \"regi\u00e3o anal com eritema, abras\u00f5es e l\u00e1grimas recentes, sangue fresco\". Estamos assim diante de um dilema grave: ou um ou outro \u00e9 absolutamente ineficiente ou mentiroso. E surge a quest\u00e3o de como um corpo inerte \u00e9 capaz de responder de forma t\u00e3o contradit\u00f3ria \u00e0s perguntas que a \"ci\u00eancia forense\" lhe faz. Com tais relatos conflitantes, n\u00e3o \u00e9 surpreendente que \"a opini\u00e3o p\u00fablica esteja dividida\" e, mais uma vez, o corpo se torne um motivo de disputa e confronto pol\u00edtico, e a v\u00edtima se fixe nesta imagem terr\u00edvel que a congela e torna sua condi\u00e7\u00e3o humana invis\u00edvel. O corpo fotografado, estudado, medido, seccionado, pesado, observado, torna-se, neste caso, o portador de pistas. No corpo quebrado \u00e9 verificada a disputa pol\u00edtica para estabelecer a pista cred\u00edvel, legitimada e confort\u00e1vel. A quest\u00e3o chave neste caso e a imagem que a representa \u00e9 que o corpo permanece vinculado \u00e0 \"verdade\" pol\u00edtica que o soberano estabelece a fim de preservar seu pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece-me que os exemplos apresentados nos permitem afirmar com Diego Lizarazo que \"a fotografia possui assim um princ\u00edpio estruturante de eventos\". O objetivo desta encena\u00e7\u00e3o \u00e9 enquadrar a interpreta\u00e7\u00e3o tanto do olhar daqueles que v\u00eaem a foto quanto daqueles que a produzem\". Os corpos torturados de Abu Ghraib e o corpo inerte de Ernestina tornam-se \"vidas que n\u00e3o importam\", que sobram, vidas que n\u00e3o podem ser lamentadas, vidas que n\u00e3o podem ser lamentadas, opera\u00e7\u00f5es de sentido atrav\u00e9s das quais o poder lan\u00e7a estes corpos no vazio interpretativo ou, melhor, os coloca para trabalhar em um registro interpretativo ancorado na normaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia exercida; estes corpos como uma superf\u00edcie de inscri\u00e7\u00e3o da anomalia que justificaria ou explicaria o que acontece com eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Encerro esta se\u00e7\u00e3o, mas voltarei ao corpo quebrado na terceira parte deste ensaio, no qual tratarei do estudo de redes, minera\u00e7\u00e3o de dados e visualiza\u00e7\u00e3o de dados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"abstract wp-block-heading\">A viol\u00eancia, o abismo da atrocidade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Em 2009, a artista Teresa Margolles e a curadora Cuauht\u00e9moc Medina apresentaram no Pavilh\u00e3o Mexicano da Bienal de Veneza a obra <em>De que mais poder\u00edamos falar?<\/em>que consistia em uma s\u00e9rie de pe\u00e7as que mostravam a atrocidade da viol\u00eancia em nosso pa\u00eds: peda\u00e7os de pano com o sangue das v\u00edtimas de execu\u00e7\u00f5es que o artista recuperou das morgues, cobertores nos quais os corpos eram entregues, pisos que eram esfregados com fluidos. Pe\u00e7as e ativa\u00e7\u00f5es que ligavam os espectadores de forma brutal com os efeitos (reais) da viol\u00eancia ligada ao tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-02.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1113x688\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 2: Tarjeta para picar coca\u00edna de Teresa Margolles.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-02.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-02-2.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"650x406\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 2: Tarjeta para picar coca\u00edna de Teresa Margolles.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-02-2.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 2: Cart\u00e3o de lanche de coca\u00edna de Teresa Margolles.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Imagem 2: Cart\u00e3o de lanche de coca\u00edna de Teresa Margolles.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>A partir desta s\u00e9rie, estou interessado no que Margolles chamou de \"Tarjeta para picar coca\u00edna\", que consistia em distribuir estes cart\u00f5es em pl\u00e1stico duro - como um cart\u00e3o banc\u00e1rio -, que de um lado mostrava o corpo de uma pessoa assassinada. Uma imagem repulsiva, mas tamb\u00e9m recorrente no sentido de que obriga o p\u00fablico a tomar consci\u00eancia de sua poss\u00edvel participa\u00e7\u00e3o na economia do sangue.<\/p>\n\n\n\n<p>Para explicar o confronto com o atroz ao qual Margolles nos convoca com esta pe\u00e7a, gostaria de me referir a esta cita\u00e7\u00e3o de Adorno: \"Numa \u00e9poca de horrores incompreens\u00edveis, talvez s\u00f3 a arte possa dar satisfa\u00e7\u00e3o \u00e0 frase de Hegel que Brecht escolheu como lema: a verdade \u00e9 concreta\" (1984: 33); a verdade \u00e9 brutal e o trabalho de Margolles e outros artistas tem sido fundamental para fazer o atroz falar em um registro que n\u00e3o \u00e9 o de espetaculariza\u00e7\u00e3o ou banaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">Gostaria de parafrasear aqui o t\u00edtulo do livro extraordin\u00e1rio de Enrique D\u00edaz \u00c1lvarez (<em>La palabra que aparece<\/em>, 2021): a verdade que aparece nesta obra de Margolles mostra todo o seu poder, a dos efeitos da viol\u00eancia ligada ao narcotr\u00e1fico \"se sobrep\u00f5e, \u00e9 lembrada, persiste\", dir\u00e1 o autor da palavra.<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta que deve ser feita \u00e9 se esta prova pode operar uma transforma\u00e7\u00e3o no <em>sensorium, <\/em>aquela sensibilidade tecno-social que interessava a Walter Benjamin estudar a rela\u00e7\u00e3o entre t\u00e9cnica e est\u00e9tica. Isto \u00e9, se a testemunha da pe\u00e7a puder produzir reflexividade sobre o que os poderes governamentais silenciam ou tornam invis\u00edvel e o que os poderes da m\u00eddia reduzem \u00e0s estat\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de muitos anos de pesquisa sobre viol\u00eancia e o que chamo em meu trabalho de \"contra-m\u00e1quinas\" (Reguillo, 2011), posso afirmar que a arte e o <em>desempenho<\/em> s\u00e3o capazes de penetrar \u00e1reas de experi\u00eancia que as abordagens jornal\u00edsticas ou acad\u00eamicas tradicionais n\u00e3o podem acessar. Estou pensando no <em>desempenho<\/em> por Violeta Luna <em>Requiem por uma terra perdida<\/em><a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> e o profundo impacto que teve sobre aqueles de n\u00f3s que perderam a condi\u00e7\u00e3o de espectadores para se tornarem testemunhas de sua poderosa reivindica\u00e7\u00e3o pelos mortos da viol\u00eancia neste pa\u00eds. Acompanhado pelo poema de Mar\u00eda Rivera, lido pela pr\u00f3pria poetisa,<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> o <em>desempenho<\/em>-rito \u00e9 a voz de uma reivindica\u00e7\u00e3o, de luto, de desespero. Ela ativa de forma brutal a dor e a ang\u00fastia diante do despeda\u00e7amento em que o M\u00e9xico se tornou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Poema &quot;Os Mortos&quot;, Marcha Nacional pela Paz 2011\" width=\"580\" height=\"435\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gYtLFMwQZhQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Luna aparece no palco, ao n\u00edvel do ch\u00e3o, rodeada por aqueles de n\u00f3s que ser\u00e3o suas testemunhas. Vestida de preto, com o cabelo amarrado para tr\u00e1s e carregando uma bolsa que diz \"M\u00e9xico 2010\", ela gradualmente retira os objetos dentro: primeiro algumas luvas, algumas garrafas brancas com o bras\u00e3o mexicano, opacas, n\u00e3o conseguimos adivinhar o conte\u00fado. Um baralho de pequenas fotografias de rostos de pessoas, uma t\u00fanica branca, cartas com n\u00fameros nelas. A solenidade com que ele se prepara, cada pequeno detalhe em que seu corpo inteiro \u00e9 ativado, \u00e9 impressionante. Primeiro ela veste o manto branco e pinta seus bra\u00e7os de branco, depois solta o cabelo e come\u00e7a a escov\u00e1-lo lentamente. Seus cabelos espalhados no ch\u00e3o se tornam a terra que acolhe os mortos, ela coloca as fotografias, fazendo da morte um tecido articulado pela dor, pela impot\u00eancia, pela raiva. E nesse momento tel\u00farico, o que Didi-Huberman chama de \"conhecimento sens\u00edvel\" (2016: 32) \u00e9 produzido; \u00e9 a entrada do que \u00e9 olhado em uma dimens\u00e3o emocional que choca e transforma. Luna esvazia duas garrafas de l\u00edquido vermelho-sangue sobre o seu cabelo emaranhado pelas fotografias. Nesse momento, os espectadores, que se tornaram testemunhas, irrompem em diferentes emo\u00e7\u00f5es: choro, murmura\u00e7\u00e3o, rostos enlouquecidos. Como diria N\u00e9stor Garc\u00eda Canclini, \"a arte deixa em suspense o que ela diz\" (2010). Uma condi\u00e7\u00e3o de suspeita \u00e9 estabelecida, a realidade da guerra encerra um profundo sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Subjetividade perturbada<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Al\u00e9m da arte, a cr\u00f4nica, o jornalismo investigativo e o trabalho documental tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de produzir - alcan\u00e7ando conhecimentos sens\u00edveis. A necessidade urgente de outras cartografias que nos permitam mapear a geografia de nossos medos, que sejam capazes de produzir outras linguagens, outras narrativas. Gram\u00e1ticas do atroz que, como os mapas medievais nos quais dem\u00f4nios, anjos, catedrais foram desenhados, aquela imagina\u00e7\u00e3o barroca que fez do mapa um lugar de representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, podem hoje nos permitir n\u00e3o s\u00f3 documentar a trag\u00e9dia e a cat\u00e1strofe, mas tamb\u00e9m nos tornar b\u00fassolas para encontrar alternativas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-03.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1366\u200ax768\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 3: Ilustraci\u00f3n de un mapa barroco. Cartograf\u00edas digitales y sus desaf\u00edos: registros y algoritmos.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-03.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 3: Ilustra\u00e7\u00e3o de um mapa barroco. Cartografias digitais e seus desafios: registros e algoritmos.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Cartografias digitais e seus desafios: registros e algoritmos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">As acelera\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que temos vivenciado nos \u00faltimos anos em um ritmo incessante e sem descanso<sup><a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a><\/sup> redefiniram praticamente todas as dimens\u00f5es da vida social, desde o conhecimento cient\u00edfico at\u00e9 a vida cotidiana. Informa\u00e7\u00e3o, conhecimento, comunica\u00e7\u00e3o, processos de ensino-aprendizagem no contexto de um mundo da vida cada vez mais conectado e a multiplica\u00e7\u00e3o exponencial de dados sobre o mundo, a regi\u00e3o, a localidade, n\u00e3o resolveram os enormes problemas que a sociedade enfrenta, mas criaram novas condi\u00e7\u00f5es de possibilidade para faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">Hoje, a evolu\u00e7\u00e3o da inform\u00e1tica, a hibridiza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua entre as ci\u00eancias de rede, a minera\u00e7\u00e3o de dados, as teorias de comunica\u00e7\u00e3o e as ci\u00eancias sociais e humanas, est\u00e3o construindo conex\u00f5es f\u00e9rteis e promissoras que mostram sua face mais clara na prolifera\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios universit\u00e1rios e cidad\u00e3os, nos quais a curiosidade, o jogo, a paix\u00e3o e o conhecimento nascido do fazer - com outros - s\u00e3o misturados. A cultura de <span class=\"small-caps\">diy<\/span> (<em>Do it yourself<\/em> (do it yourself), the <em>hacker<\/em> ethic (make it yourself), the <span class=\"small-caps\">p2p<\/span> production (<em>peer topeer<\/em>, peer-to-peer network) est\u00e1 sendo fortalecida. O conhecimento \u00e9 cada vez mais produzido em redes, na combina\u00e7\u00e3o de conhecimentos de diferentes campos, de projetos de pesquisa e dissemina\u00e7\u00e3o baseados em formas de experimenta\u00e7\u00e3o e aprendizagem colaborativa atrav\u00e9s de diferentes ferramentas tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>O surgimento de redes sociais tem sido fundamental para a reconfigura\u00e7\u00e3o da Internet e dos modos de socialidade. Entre 2007 e 2009, surgiu o MySpace, Facebook, Twitter, revolucionando o que hoje entendemos por espa\u00e7o p\u00fablico, o que entendemos por intera\u00e7\u00e3o, o que entendemos por comunica\u00e7\u00e3o e, especialmente - no meu caso - a forma como abordamos diferentes formas de produzir conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2016, Signa_Lab, o Laborat\u00f3rio de Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica e Estudos Interdisciplinares Aplicados do <span class=\"small-caps\">iteso,<\/span> iniciou suas atividades, baseando-se em tr\u00eas campos de conhecimento: cibern\u00e9tica, teoria do ator-rede e tecnopol\u00edtica. Estes campos orientam o trabalho do laborat\u00f3rio na rela\u00e7\u00e3o entre tecnologia, inova\u00e7\u00e3o e espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Da cibern\u00e9tica \u00e0 tecnopol\u00edtica em termos sociais<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Sabemos que em uma sociedade cada vez mais conectada com uma multiplica\u00e7\u00e3o exponencial de dados sobre o mundo, a regi\u00e3o, a localidade, a tecnologia e a din\u00e2mica digital n\u00e3o resolveram os enormes problemas enfrentados pela sociedade, mas criaram novas condi\u00e7\u00f5es de possibilidade para faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A teoria do ator de rede<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\">Bruno Latour, um dos soci\u00f3logos mais proeminentes da ci\u00eancia contempor\u00e2nea, prop\u00f4s nos anos 80, junto com autores como John Law e Michel Callon, a \"teoria do ator-rede\" ou <span class=\"small-caps\">tar<\/span> (<span class=\"small-caps\">ant<\/span>, por sua sigla em ingl\u00eas) que, de modo geral, prop\u00f5e que \"o social\" \u00e9 constitu\u00eddo por conjuntos tempor\u00e1rios de agentes\/ferramentas\/animais que ser\u00e3o reconfigurados, tanto por fatores internos como externos. A TAR \u00e9 proposta como uma metodologia de pesquisa que considera \"conjuntos de associa\u00e7\u00f5es\" que s\u00e3o constantemente rearticulados atrav\u00e9s de elementos vinculantes. Estes conjuntos podem ser na\u00e7\u00f5es, grupos, partidos, coletivos, movimentos que, de acordo com a tar<\/span>, s\u00e3o em si mesmos afirma\u00e7\u00f5es vazias que n\u00e3o explicam os elementos que os configuram ou modificam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">Para Latour e os praticantes da TAR, a pesquisa falha quando estas associa\u00e7\u00f5es s\u00e3o tomadas como entidades fechadas. O que se busca atrav\u00e9s desta abordagem \u00e9 produzir explica\u00e7\u00f5es, ou seja, investigar as m\u00faltiplas rela\u00e7\u00f5es que um \"conjunto de associa\u00e7\u00f5es\" tece com outros elementos com os quais interage. Assim, a pesquisa de natureza processual deixa tra\u00e7os de todos esses movimentos para entender como funciona uma rede. Esta \u00e9 a l\u00f3gica com a qual analisamos atualmente a conversa em redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Latour d\u00e1 como exemplo deste tipo de an\u00e1lise sua an\u00e1lise de um grupo de pescadores de ostras, que procura demonstrar que para entender este \"conjunto social\" \u00e9 necess\u00e1rio entender sua rela\u00e7\u00e3o com a ostra, pois isto sem d\u00favida tem repercuss\u00f5es no comportamento e na pr\u00e1tica dos pescadores. \u00c9 essencial entender que as ferramentas que eles utilizam para pescar s\u00e3o, por sua vez, o produto de outra am\u00e1lgama de redes que os produziram (empresas, distribuidores, etc.). Assim, surgem redes de rela\u00e7\u00f5es planas nas quais o grupo social \"pescadores\" estar\u00e1 ligado a ostermistas, construtores de barcos, tecel\u00f5es de redes de pesca, vendedores de mercado, etc., o que abre muito mais espa\u00e7o para influ\u00eancia e explica\u00e7\u00e3o do que de outra forma seria considerado um grupo social fechado (Latour, 2008).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">O impacto da tar<\/span> no campo das ci\u00eancias sociais, humanidades e teorias de complexidade tem sido decisivo na transi\u00e7\u00e3o de abordagens parciais, autocontidas e acabadas para um pensamento aberto e necessariamente relacional. Em seu livro <em>Reassembling the Social: An Introduction to Actor-Network Theory<\/em> (2008), Latour mostra claramente que o que chamamos de \"o social\" est\u00e1 longe de ser uma \"coisa homog\u00eanea\"; para o autor, o desafio \u00e9 reunir elementos heterog\u00eaneos a fim de enfrentar \"a face desconcertante do social\".<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Uma nova vacina \u00e9 comercializada, um novo emprego \u00e9 oferecido, um novo movimento pol\u00edtico \u00e9 criado, um novo sistema planet\u00e1rio \u00e9 descoberto, uma nova lei \u00e9 votada, uma nova cat\u00e1strofe ocorre. Em cada caso, temos que reorganizar nossas concep\u00e7\u00f5es sobre o que estava associado, porque a defini\u00e7\u00e3o anterior se tornou at\u00e9 certo ponto irrelevante (Latour, 2008: 19).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">Em outras palavras, a ess\u00eancia destas id\u00e9ias reside em assumir que a heterogeneidade de elementos supostamente irrelevantes (pessoas que colocam fotos de seus rostos, pessoas que expressam solidariedade com o povo afeg\u00e3o e as mulheres, pessoas que exibem a bandeira afeg\u00e3) \u00e9 precisamente o tema da pesquisa: a an\u00e1lise das rela\u00e7\u00f5es entre elementos: democracia, feminismo, educa\u00e7\u00e3o, aprendizagem, direitos humanos, justi\u00e7a, comunica\u00e7\u00e3o, cultura, a cidade, tecnologias, o p\u00fablico, que representam, a partir desta perspectiva, rela\u00e7\u00f5es que precisam ser remontadas a fim de produzir conhecimento situado. Segundo Latour, a tarefa do cientista n\u00e3o \u00e9 impor \"uma ordem, ensinar aos atores o que eles s\u00e3o ou acrescentar alguma reflexividade \u00e0 sua pr\u00e1tica cega\" (2008: 28). Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 seguir os atores (atores para a TAR), atender \u00e0s inova\u00e7\u00f5es e especialmente \u00e0s conex\u00f5es em uma etapa hist\u00f3rica de diversas acelera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">Gabriel Tarde, um precursor muito importante da TAR ou uma sociologia alternativa, assinalou que o erro de \u00c9mile Durkheim foi substituir a compreens\u00e3o do v\u00ednculo social por um projeto pol\u00edtico voltado \u00e0 engenharia social (Vallejos, 2012). Parafraseando Latour sobre este debate, \u00e9 importante enfatizar para os prop\u00f3sitos deste projeto que, para Tarde, n\u00e3o havia necessidade de separar \"o social\" de outras associa\u00e7\u00f5es, como organismos biol\u00f3gicos, nem de uma ruptura com a filosofia ou mesmo metaf\u00edsica. O social, n\u00e3o como um \"dom\u00ednio especial da realidade, <em>mas como um princ\u00edpio de conex\u00f5es<\/em>\".<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">No trabalho, a partir de milh\u00f5es de imagens e <em>emojis<\/em>, nos fazemos a seguinte pergunta: De que cor \u00e9 uma trag\u00e9dia? Qual \u00e9 a <em>emojis<\/em> com a qual uma id\u00e9ia, um sentimento \u00e9 acompanhado? A trag\u00e9dia tem rostos ou s\u00e3o avi\u00f5es inanimados? Pedindo dados para conex\u00f5es, o digital n\u00e3o como um dom\u00ednio especial da realidade, mas como um modelador na produ\u00e7\u00e3o social de sentido: o digital como espa\u00e7o, como objeto, como pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-04.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2400\u200ax\u200a1355\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 4: Estas visualizaciones corresponden al an\u00e1lisis realizado en torno al sismo de 2017 en la Ciudad de M\u00e9xico.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-04.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-05.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2048\u200ax1159\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 4: Estas visualizaciones corresponden al an\u00e1lisis realizado en torno al sismo de 2017 en la Ciudad de M\u00e9xico.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-05.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 4: Estas visualiza\u00e7\u00f5es correspondem \u00e0 an\u00e1lise realizada por volta do terremoto de 2017 na Cidade do M\u00e9xico.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Imagem 4: Estas visualiza\u00e7\u00f5es correspondem \u00e0 an\u00e1lise realizada por volta do terremoto de 2017 na Cidade do M\u00e9xico.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Estou interessado em destacar a mudan\u00e7a de narrativa entre os primeiros momentos da cat\u00e1strofe, onde o <em>emoji<\/em> mais freq\u00fcentemente tweetada foi a chamada \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, enquanto uma vez que o grupo #Verified19S foi ativado, a chamada \u00e0 a\u00e7\u00e3o foi fundamental. O <em>emojis<\/em> nos permitem captar as tonalidades afetivas nas conversas digitais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Tecnopol\u00edtica<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Manuel Castells antecipou este fen\u00f4meno no final do s\u00e9culo passado, quando apontou a crescente emerg\u00eancia do que ele chama de \"auto-comunica\u00e7\u00e3o de massa\" (Castells, 2009); ou seja, a transi\u00e7\u00e3o da \"comunica\u00e7\u00e3o de um para muitos\" dos meios e formas de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais para a \"transmiss\u00e3o de si mesmo\", o que fez a Web 2.0 e a prolifera\u00e7\u00e3o de redes, plataformas e aplica\u00e7\u00f5es que trabalham em favor da democratiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico, desestabilizando lugares leg\u00edtimos de enuncia\u00e7\u00e3o e mudando as regras de produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado e de circula\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O termo Web 2.0 pode ser usado para entender a possibilidade oferecida pelos novos servi\u00e7os de Internet que permitem a participa\u00e7\u00e3o ativa de seus usu\u00e1rios, que deixam de ser meros consumidores para produzir conte\u00fados que podem ser misturados entre eles. Segundo Tim O'Reilly, as plataformas Web 2.0 permitem \"construir uma rede a partir da arquitetura de participa\u00e7\u00e3o\" (O'Reilly, 2007). Neste sentido, diferentes formas de organiza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da Internet est\u00e3o se multiplicando e se difundindo, gerando novas tipologias, t\u00e9cnicas, pol\u00edticas e, especialmente, novas formas de participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro coletivo <em>Tecnopol\u00edtica, internet e r-evolu\u00e7\u00f5es. Sobre a centralidade das redes digitais em #15m<\/em> (2012), oito ativistas-intelectuais do movimento conhecido como #15<span class=\"small-caps\">m<\/span> (15 de maio, data em que a Plaza Sol de Madri foi ocupada) ou \"los indignados\" (os indignados) prop\u00f5em a seguinte defini\u00e7\u00e3o de \"tecnopol\u00edtica\":<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse translation-block\">A apropria\u00e7\u00e3o m\u00faltipla de redes sociais corporativas e a inven\u00e7\u00e3o de novas ferramentas livres, juntamente com estrat\u00e9gias de grande escala <em>hacktivistas<\/em> para fins de comunica\u00e7\u00e3o organizacional e viral-pol\u00edtica, abriram um novo campo de experimenta\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-t\u00e9cnica. Este \u00e9 o reino do que chamamos de \"Tecnopol\u00edtica\". A tecnopol\u00edtica como capacidade coletiva de apropria\u00e7\u00e3o de ferramentas digitais para a a\u00e7\u00e3o coletiva (Alcazan <em>et al<\/em>., 2012: 8).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, um princ\u00edpio orientador do trabalho do Signa_Lab \u00e9 analisar e tornar vis\u00edvel a \"apropria\u00e7\u00e3o social da tecnologia e de seus dispositivos\". Diante das opera\u00e7\u00f5es de manipula\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o nas redes, mantemos que a tecnopol\u00edtica opera como uma ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o radical nas culturas pol\u00edticas, na aprendizagem, nas formas organizacionais, na comunica\u00e7\u00e3o, que quebra o esquema emissor-mensagem-receptor, para se tornar um mapa complexo de multid\u00f5es conectadas e em constante intera\u00e7\u00e3o. Intera\u00e7\u00e3o na qual os sujeitos se tornam produtores de conte\u00fado, cr\u00edticos de informa\u00e7\u00e3o, o que favorece a conectividade e a constru\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio coletivo sobre aqueles aspectos da realidade que s\u00e3o percebidos pelos sujeitos como problemas do \"comum\", aquilo que nos convoca, nos preocupa, nos desafia tanto cognitiva quanto emocionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu mostro como exemplo destes dois casos emblem\u00e1ticos de alta densidade e viraliza\u00e7\u00e3o, o movimento #YoSoy132 e o movimento em torno dos eventos do #Ayotzinapa:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-06.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2400x2400\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 5: #YoSoy132\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-06.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-07.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2400\u200ax2400\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 6: Visualizaci\u00f3n sobre el aniversario de la desaparici\u00f3n forzada de 43 estudiantes de Ayotzinapa, que muestra la gran participaci\u00f3n que gener\u00f3 el caso en la conversaci\u00f3n digital en Twitter.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-07.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 5: #YoSoy132<\/div><div class=\"image-analysis\"><p style=\"text-align: center\">Gr\u00e1fico mostrando as intera\u00e7\u00f5es no Twitter geradas pelo Movimento #YoSoy132 no M\u00e9xico e em outros pa\u00edses e em torno dele. Ele mostra as rela\u00e7\u00f5es dos usu\u00e1rios com os hashtags. Per\u00edodo de coleta de dados: Maio-Dezembro de 2012 n\u00f3s: 429.635 bordas: 1.373.764 comunidades: 5.247<\/p>\n<\/div><div class=\"caption\">Imagem 6: Visualiza\u00e7\u00e3o do anivers\u00e1rio do desaparecimento for\u00e7ado de 43 estudantes de Ayotzinapa, mostrando o alto n\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o que o caso gerou na conversa digital no Twitter.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>A tecnopol\u00edtica \u00e9 a espinha dorsal da investiga\u00e7\u00e3o sobre as (m\u00faltiplas e complexas) formas em que disciplinas, cidad\u00e3os, jovens e adultos, estudantes e professores, especialistas e pessoas comuns, interagem hoje no espa\u00e7o da rede para tornar vis\u00edvel, discutir, aprender, criar, intervir no espa\u00e7o p\u00fablico atrav\u00e9s destas tecnologias conetivas.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 que hoje as pessoas t\u00eam (de forma diferenciada e desigual) novas possibilidades de se envolver, participar, construir espa\u00e7os de discuss\u00e3o e contrastar com per\u00edodos anteriores, nos quais a informa\u00e7\u00e3o, a possibilidade de enuncia\u00e7\u00e3o, de afirmar seu \"ponto de vista\" estavam sob o monop\u00f3lio dos guardi\u00f5es e administradores da esfera p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">Neste sentido, com a irrup\u00e7\u00e3o da Internet, a participa\u00e7\u00e3o, como mecanismo de conex\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 mais localizada e ancorada em um espa\u00e7o regulamentado, as possibilidades de participa\u00e7\u00e3o se expandem, passando de um sistema de uma \u00fanica camada para um sistema de v\u00e1rias camadas dentro do qual \"a informa\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o e o afeto s\u00e3o concentrados e canalizados gra\u00e7as a m\u00faltiplos dispositivos e camadas de comunica\u00e7\u00e3o, que est\u00e3o interligados entre si\" (Toret <em>et al<\/em>., 2013: 136). Estas rela\u00e7\u00f5es levam a que o territ\u00f3rio f\u00edsico se torne um ponto de refer\u00eancia e as conex\u00f5es digitais, juntamente com seus dispositivos, se tornem pontos de entrada para um espa\u00e7o global.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, por meio da chamada ci\u00eancia de rede (Barab\u00e1si, 2012), a <em>grandes dados<\/em> (Magoulas e Lorica, 2009), epistemologias web (Rogers, 2004), desenvolvimentos acelerados envolvendo diferentes disciplinas, aumentaram as quest\u00f5es e possibilidades de gerar conhecimento situado, aberto e reprodut\u00edvel. Nesta perspectiva, a tecnopol\u00edtica \u00e9 uma abordagem, uma forma de abordagem, uma estrat\u00e9gia e uma metodologia para produzir conhecimento, experimenta\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o sobre aspectos sens\u00edveis e chave da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Volto aqui \u00e0 an\u00e1lise que fizemos no laborat\u00f3rio do terr\u00edvel feminic\u00eddio de Ingrid Escamilla, que intitulamos, pelo que explicarei mais adiante, \"Ingrid Escamilla: extinguindo o horror\". Ingrid tinha 25 anos, e em 9 de fevereiro de 2020, quando seu parceiro a assassinou brutalmente na Cidade do M\u00e9xico, fotografias de seu corpo esfolado foram vazadas e come\u00e7aram a circular amplamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nosso monitoramento do caso (em tempo real), pudemos ver atrav\u00e9s da primeira an\u00e1lise da rede que havia duas narrativas concorrentes: uma que lutava para dignificar Ingrid e levantar seu caso como um feminic\u00eddio, e a outra que zombou e transformou sua morte em um espet\u00e1culo: \"feminic\u00eddio\" versus \"fotos\" nos alertou para o que estava acontecendo com a segunda narrativa. In\u00fameros relatos se referiam \u00e0s fotografias do corpo quebrado de Ingrid e procuravam links para v\u00ea-las. O horror.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-08.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2400\u200ax2400\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 7: An\u00e1lisis sem\u00e1ntico y visualizaci\u00f3n con nube de las palabras m\u00e1s usadas vinculadas al feminicidio de Ingrid.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-08.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 7: An\u00e1lise e visualiza\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica com nuvem de palavras das palavras mais usadas ligadas ao feminic\u00eddio de Ingrid.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Durante a manh\u00e3 de 12 de fevereiro, pudemos coletar provas emp\u00edricas digitais de que havia um interesse m\u00f3rbido e cruel neste caso espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Gostaria de mostrar abaixo uma visualiza\u00e7\u00e3o obtida atrav\u00e9s do Google Trends, uma ferramenta que permite ver, medir e analisar o que as pessoas \"buscam\" na internet atrav\u00e9s do Google, bem como o volume dessas buscas com diferentes par\u00e2metros de georreferenciamento. Esta ferramenta tamb\u00e9m mostra o conjunto de palavras e os sites mais utilizados ao realizar uma busca espec\u00edfica. O resultado n\u00e3o poderia ser mais eloquente na documenta\u00e7\u00e3o da forma como a viol\u00eancia colonizou grande parte do imagin\u00e1rio no M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">Durante as \u00faltimas horas de 11 de fevereiro e as primeiras horas de 12 de fevereiro, quando a discuss\u00e3o estava atingindo seu auge nas redes, o olhar predominante em torno do feminic\u00eddio do #Ingrid foi ancorado nas gram\u00e1ticas do horror, que eu entendo como formatos de consumo de informa\u00e7\u00e3o herdados de \"estrat\u00e9gias de m\u00eddia que tendem a atenuar a sensibilidade diante da barb\u00e1rie\", e que incitam a m\u00eddia e o p\u00fablico a se questionar sobre as formas como \"a v\u00edtima \u00e9 constru\u00edda\" (Reguillo, 2012). Neste caso espec\u00edfico: a busca de imagens do corpo de Ingrid. Fotografias vazadas pelas pr\u00f3prias autoridades da Cidade do M\u00e9xico, a exacerba\u00e7\u00e3o da brutalidade do feminic\u00eddio como eixo narrativo em palavras associadas a ele, a busca de imagens e v\u00eddeos do evento em sites dedicados ao g\u00eanero <em>gore<\/em> e algumas das palavras mais utilizadas pela m\u00eddia na cobertura (imagens, vazamentos) s\u00e3o exemplos disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Dado o forte impacto que a realiza\u00e7\u00e3o do que estava acontecendo nas redes teve sobre n\u00f3s, tomamos a decis\u00e3o coletiva de pedir a M\u00f3nica Vargas, naquela \u00e9poca a artista e curadora de conte\u00fado visual no laborat\u00f3rio, para criar uma ilustra\u00e7\u00e3o com o rosto de Ingrid para acompanhar o relat\u00f3rio que est\u00e1vamos preparando.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-09.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1264\u200ax739\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 8: An\u00e1lisis de las b\u00fasquedas en Google Trends en torno al caso de Ingrid Escamilla Fuente: Iteso, Signa_lab.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-09.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-10.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2000\u200ax1600\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 9: An\u00e1lisis de las b\u00fasquedas en Google Trends en torno al caso de Ingrid Escamilla Fuente: Iteso, Signa_lab.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-10.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-11.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2000\u200ax1600\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 10: An\u00e1lisis de las b\u00fasquedas en Google Trends en torno al caso de Ingrid Escamilla Fuente: Iteso, Signa_lab.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-11.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-12.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000\u200ax1000\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 11: Ilustraci\u00f3n de Ingrid Escamilla, realizada por M\u00f3nica Vargas para Signa_Lab.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-12.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 8: An\u00e1lise das pesquisas do Google Trends na fonte do caso Ingrid Escamilla: Iteso, Signa_lab.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Imagem 9: An\u00e1lise das pesquisas do Google Trends na fonte do caso Ingrid Escamilla: Iteso, Signa_lab.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Imagem 10: An\u00e1lise das pesquisas do Google Trends na fonte do caso Ingrid Escamilla: Iteso, Signa_lab.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Imagem 11: Ilustra\u00e7\u00e3o de Ingrid Escamilla, de M\u00f3nica Vargas para o Signa_Lab.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Esta \"id\u00e9ia\" n\u00e3o era exclusivamente nossa: a intelig\u00eancia coletiva e especialmente a de uma comunidade de afeto digital\/presencial de longa data, que procurou reverter a terr\u00edvel hist\u00f3ria de nossa viol\u00eancia, conseguiu postar e viralizar - em poucas horas - milhares de imagens de paisagens naturais, pores-do-sol, fauna viva, entre outros, com tweets que apelaram para o #IngridEscamilla. O horror foi extinto pelo brilho, em pouco tempo, cada vez que o #fotosIngridEscamilla era procurado, milhares de imagens bonitas e amorosas apareciam.<\/p>\n\n\n\n<p>Resist\u00eancia coletiva \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o do horror:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-13.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2400\u200ax679\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 12: Collage con algunas de las im\u00e1genes compartidas por las personas usuarias de Twitter para \u201capagar el horror\u201d, elaborado por Signa_Lab.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-13.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 12: Colagem com algumas das imagens compartilhadas pelos usu\u00e1rios do Twitter para \"desligar o horror\", elaborada pela Signa_Lab.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Logbooks covid-19<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A pandemia covid-19 marcou sem d\u00favida um antes e um depois no modo de fazer trabalho acad\u00eamico, pois n\u00e3o s\u00f3 afetou o que chamamos de trabalho de campo, mas tamb\u00e9m a forma como a continuidade da escola, da universidade e das redes acad\u00eamicas teve que ser resolvida, \u00e0s vezes de forma muito prec\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>De 25 de mar\u00e7o a 01 de abril de 2020, o aplicativo Zoom registrou 1,4 milh\u00f5es de downloads no Brasil e 745.700 downloads no M\u00e9xico. Foi o segundo <em>app<\/em> mais baixados depois do TikTok. De acordo com a Apptopia, entre os dez mais baixados <em>aplica\u00e7\u00f5es<\/em> a maioria das m\u00eddias baixadas (i<span class=\"small-caps\">os<\/span> e Android) no mundo todo em 2020 est\u00e3o Zoom em segundo lugar, Google Meet em quinto e Microsoft Teams em sexto. Estes n\u00fameros s\u00e3o um indicador p\u00e1lido das transforma\u00e7\u00f5es provocadas pelo confinamento no meio acad\u00eamico em particular.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia, como estrat\u00e9gia anal\u00edtica, decidimos analisar como a pandemia e seus efeitos em diferentes \u00e1reas da vida, desde as mais pessoais at\u00e9 as implica\u00e7\u00f5es para o trabalho ou a pol\u00edtica, foram discutidos em redes sociais. Decidimos abrir uma se\u00e7\u00e3o em nosso website intitulada: \"Bit_acoras Covid19\".<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para este ensaio, vou me concentrar nas dimens\u00f5es ou efeitos mobilizados no in\u00edcio da pandemia, atrav\u00e9s do acompanhamento e download de alguns termos-chave que detectamos no monitoramento di\u00e1rio realizado no Signa_Lab. Assim, o #Cuandoestoseacabe foi o <em>hashtag<\/em> utilizado por milhares de usu\u00e1rios de l\u00edngua espanhola nas primeiras semanas para expressar suas preocupa\u00e7\u00f5es e, especialmente, para dizer a outros usu\u00e1rios o que fariam quando a pandemia terminasse. A emotividade derramada nestas conversas foi articulada na express\u00e3o de desejos: visitar pais ou av\u00f3s, ir \u00e0 praia, ver colegas de trabalho, etc. Que <em>hashtag <\/em>foi ligada a outra que tamb\u00e9m mobilizou a conversa ou, em outras palavras, teve alta tra\u00e7\u00e3o, como chamamos algumas tend\u00eancias com poder mobilizador (org\u00e2nico, ou seja, n\u00e3o manipulado), a saber, #compralocal, atrav\u00e9s da qual as pessoas foram instadas a favorecer as pequenas empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na seguinte visualiza\u00e7\u00e3o - j\u00e1 vazada - 6.097 tweets exclusivos foram isolados e baixados em meados de abril.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-14.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000\u200ax1000\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 13: Grafo que visualiza el comportamiento del hashtag #cuandoestoseacabe.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-14.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Figura 13: Gr\u00e1fico visualizando o comportamento da hashtag # quando esta \u00e9 exibida.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>O passo seguinte foi seguir os termos ou palavras afetivas. Descobrimos que a conversa em torno da pandemia trouxe \u00e0 tona palavras muito eloq\u00fcentes para dar conta do que a sociedade estava passando, das preocupa\u00e7\u00f5es, do medo. A chamada \"quarentena\" tornou-se um motivo para a troca dessas preocupa\u00e7\u00f5es. \"Ins\u00f4nia\" foi uma das primeiras palavras ligadas \u00e0 pandemia: \"E voc\u00ea teve ins\u00f4nia?\" \"Sim, claro, n\u00e3o posso...\", sinalizando um estado emocionalmente perturbado.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-15.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2400\u200ax2400\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 14: Visualizaci\u00f3n de la palabra \u201cinsomnio\u201d vinculada a \u201ccuarentena\u201d.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-15.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-16.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2400\u200ax1642\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 15: Nube de palabras del t\u00e9rmino \u201cinsomnio\u201d en Twitter.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-16.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Figura 14: Visualiza\u00e7\u00e3o da palavra \"ins\u00f4nia\" ligada \u00e0 \"quarentena\".<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Figura 15: Nuvem de palavras do termo \"ins\u00f4nia\" no Twitter.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Utilizamos duas maneiras de visualizar os dados, o gr\u00e1fico e uma nuvem de palavras, que realizamos atrav\u00e9s da an\u00e1lise sem\u00e2ntica:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-17.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2400\u200ax1642\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 16: Nube de palabras con el t\u00e9rmino \u201cpesadilla\u201d vinculada a \u201ccuarentena\u201d.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-17.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Figura 16: Nuvem de palavras com o termo \"pesadelo\" ligado \u00e0 \"quarentena\".<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o apareceu a palavra \"pesadelo\", n\u00e3o apenas compartilhando pesadelos, mas descrevendo a experi\u00eancia da pandemia como um pesadelo. A morte da fam\u00edlia e dos amigos, a perda de empregos, as dificuldades de acesso \u00e0 conectividade para as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o o \"medo\" irrompeu, como uma palavra, um substantivo fundamental com o qual as pessoas estavam falando de seus pr\u00f3prios medos diante da pandemia. Pode ser visto no gr\u00e1fico como a cor azul do n\u00f3 \"medo\" agrupa v\u00e1rias comunidades ou grupos de intera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O medo \u00e9 seguido de tristeza; \u00e9 uma fase mais avan\u00e7ada da pandemia na qual a perda da fam\u00edlia e dos amigos, a contagem di\u00e1ria de casos, j\u00e1 fez sua parte no humor coletivo. A depress\u00e3o e a ansiedade foram temas relevantes. No caso da palavra \"tristeza\", \u00e9 relevante notar no gr\u00e1fico o chamado otimista para a a\u00e7\u00e3o coletiva, talvez correspondendo a um momento tecnopol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-18.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2400\u200ax1642\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 17: An\u00e1lisis sem\u00e1ntico de la conversaci\u00f3n sobre la pandemia en Twitter que vincula la palabra \u201cmiedo\u201d con \u201ccuarentena\u201d.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-18.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-19.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2400x\u200a1642\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 18: Nube de palabras, an\u00e1lisis sem\u00e1ntico. Conversaci\u00f3n sobre \u201ctristeza\u201d y \u201ccuarentena\u201d.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-19.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-20.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1740\u200a\u00d7\u200a1740\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 19: Grafo que muestra las relaciones entre hashtags en Twitter, con los t\u00e9rminos de b\u00fasqueda \u201ctristeza\u201d (comunidad verde) y \u201ccuarentena\u201d (comunidad o cl\u00faster morado).\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-20.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Figura 17: An\u00e1lise sem\u00e2ntica da conversa pand\u00eamica no Twitter ligando a palavra \"medo\" com \"quarentena\".<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Figura 18: Nuvem de palavras, an\u00e1lise sem\u00e2ntica. Conversa sobre \"tristeza\" e \"quarentena\".<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Figura 19: Gr\u00e1fico mostrando as rela\u00e7\u00f5es entre hashtags no Twitter, com os termos de busca \"tristeza\" (comunidade verde) e \"quarentena\" (comunidade p\u00farpura ou aglomerado).<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Ficamos surpresos que a palavra \"esperan\u00e7a\" n\u00e3o tenha adquirido uma preponder\u00e2ncia algor\u00edtmica na conversa. Esta quest\u00e3o me leva a afirmar que a pandemia configurou um cen\u00e1rio do que Baruch Spinoza (1977) chamaria de \"paix\u00f5es tristes\" (medo, desesperan\u00e7a, tristeza, frustra\u00e7\u00e3o), ativadas pela inseguran\u00e7a no trabalho ou pelo medo de perder o emprego, a experi\u00eancia da exclus\u00e3o, a experi\u00eancia cont\u00ednua da vulnerabilidade e, especialmente, as sombras da incerteza que paira sobre um futuro incerto e agitam o pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise de grandes volumes de dados em di\u00e1logo e tens\u00e3o produtiva com abordagens qualitativas torna poss\u00edvel apreender a realidade de outra perspectiva. As redes operam como sistemas de passagem, com trajet\u00f3rias abertas que se cruzam.<\/p>\n\n\n\n<p>A covid-19 construiu um novo \"exterior\", no sil\u00eancio das ruas, na aglomera\u00e7\u00e3o no transporte p\u00fablico daqueles que n\u00e3o podiam parar e ficar em casa, um exterior que era sustentado por empregos prec\u00e1rios e pela invisibiliza\u00e7\u00e3o do que \u00e9 necess\u00e1rio para manter esse \"exterior\" funcionando. Mas quando analisamos o que est\u00e1 acontecendo em plataformas e redes s\u00f3cio-digitais, quando descarregamos centenas de milhares de tweets, de posts no Instagram, o que emerge \u00e9 um novo \"dentro\" no qual o afeto \"nos furou como flechas\".<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Em jeito de conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\">Durante a prepara\u00e7\u00e3o e reda\u00e7\u00e3o de <em>Necrom\u00e1quina. Cuando morir no es suficiente <\/em>(2021), um conceito, premissa, id\u00e9ia se tornou uma esp\u00e9cie de mantra; com ele me referia ao trabalho de alguns cronistas e jornalistas como Sergio Gonz\u00e1lez Rodr\u00edguez, aos quais, al\u00e9m de admira\u00e7\u00e3o, estava unido por uma fecunda amizade na qual pudemos compartilhar preocupa\u00e7\u00f5es semelhantes. Devemos a formula\u00e7\u00e3o a Simon Critchley, que d\u00e1 o t\u00edtulo a seu poderoso livro <em>The Infinite Demand\". The Ethics of Engagement and the Politics of Resistance <\/em>(2010).<\/p>\n\n\n\n<p>Critchley chama de \"exig\u00eancia \u00e9tica\" o momento em que o sujeito \u00e9 confrontado com uma exig\u00eancia que n\u00e3o corresponde \u00e0 sua autonomia; em outras palavras, que o transcende e o leva a aceitar, \"aprovar\" Critchley dir\u00e1, essa exig\u00eancia, em um movimento constante que envolve o sujeito \u00e9tico em todos os momentos. N\u00e3o se trata de uma aposta \u00fanica. Atrav\u00e9s de Emmanuel Levinas, Critchley mostra o momento de assimetria que surge \"com a experi\u00eancia da exig\u00eancia infinita da face do outro e que define o sujeito \u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o a uma separa\u00e7\u00e3o entre ele e uma exig\u00eancia exorbitante que ele nunca poder\u00e1 cumprir: a exig\u00eancia de ser infinitamente respons\u00e1vel\" (2010: 59). Esta assimetria est\u00e1 presente em meu trabalho h\u00e1 muitos anos, sempre desafiado pela \"demanda infinita da face do outro\", uma posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica e acad\u00eamica, social e est\u00e9tica, que me leva a tornar-me infinitamente respons\u00e1vel por nossas dores e nossas buscas.<\/p>\n\n\n\n<p>A fim de retornar \u00e0 articula\u00e7\u00e3o prometida entre os tr\u00eas eixos de meu trabalho que selecionei para esta colabora\u00e7\u00e3o com <em>Inserts, <\/em>Apresento uma an\u00e1lise recente que fizemos no Signa_Lab sobre o assassinato da jornalista Lourdes Maldonado em Tijuana, em 23 de janeiro de 2022; Lourdes foi a terceira jornalista a ser assassinada nesses primeiros dias do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos temas centrais nas linhas de pesquisa do laborat\u00f3rio \u00e9 \"viol\u00eancia contra jornalistas e liberdade de express\u00e3o\", portanto, o monitoramento destas quest\u00f5es \u00e9 uma atividade di\u00e1ria. Para prestar uma homenagem digital e ao mesmo tempo denunciar os fatos, fizemos um mural com 283 postos Instagram que fazia refer\u00eancia \u00e0 jornalista, e montamos um mural com sua imagem (real) quando ela foi denunciar que estava sendo amea\u00e7ada durante uma das confer\u00eancias matinais do Presidente Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-21.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"2400\u200ax1452\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 20: Mosaico conformado con 238 publicaciones en Instagram que utilizaron el hashtag #LourdesMaldonado. Elaborado por Signa_Lab.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-21.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 20: Mosaico formado por 238 postes Instagram que utilizavam o hashtag #LourdesMaldonado. Criado por Signa_Lab.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>O t\u00f3pico com este mural e com informa\u00e7\u00f5es sobre viol\u00eancia contra jornalistas apareceu na lista de tweets globais top do Trendsmap (https:\/\/www.trendsmap.com\/twitter\/tweet\/1486152564923977728). Al\u00e9m do impacto alcan\u00e7ado com esta publica\u00e7\u00e3o, encerro com este t\u00f3pico porque ele me permite articular a pol\u00edtica do olhar, a viol\u00eancia e a atrocidade e a tecnicidade como laborat\u00f3rio de an\u00e1lise e de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O assassinato de Lourdes Maldonado \u00e9 atroz. Acredito que a representa\u00e7\u00e3o visual que se consegue nestes assassinatos (para fazer <em>zoom<\/em> ou aproxima\u00e7\u00f5es \u00e0s pequenas imagens que moldam esta fotografia \u00e9 fundamental), invocam uma esp\u00e9cie de \"rea\u00e7\u00e3o\", uma empatia, uma emo\u00e7\u00e3o que deriva do que dizem as muitas imagens que a comp\u00f5em, fazendo ver uma pessoa, como no caso de Maldonado; ou a representa\u00e7\u00e3o de uma pessoa, como no caso da composi\u00e7\u00e3o com a imagem de uma mulher em um hijab, quando o Talib\u00e3 entrou em Cabul em 15 de agosto de 2021, com o impacto previs\u00edvel que sua chegada teria sobre as mulheres e meninas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">Assim, a visualiza\u00e7\u00e3o da imagem 21 vem da Instagram e foi feita com 222 fotografias nas quais os usu\u00e1rios desta rede, na maioria mulheres, postaram em seus perfis para mostrar solidariedade com as mulheres afeg\u00e3s quando o Talib\u00e3 capturou Cabul e expulsou as mulheres do espa\u00e7o p\u00fablico. Ampliando o mosaico, pode-se ver rostos de mulheres veladas, mulheres com seus rostos descobertos e imagens com a bandeira afeg\u00e3. Esta n\u00e3o \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o neutra ou est\u00e9tica da conversa, mas sim - como sugere a TAR - um relato processual que deixa tra\u00e7os de como as pessoas se posicionam em face de um evento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ver e ser visto tem sido uma parte central de minhas preocupa\u00e7\u00f5es. Com estas novas ferramentas e possibilidades, novas formas de mapear problemas antigos ou novas abordagens que se cruzam com a experi\u00eancia de sujeitos cada vez mais conectados - na articula\u00e7\u00e3o do conhecimento que vai da antropologia aos algoritmos, da ci\u00eancia em rede \u00e0 semi\u00f3tica, da filosofia \u00e0 datifica\u00e7\u00e3o, da comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 matem\u00e1tica - abrem-se na articula\u00e7\u00e3o do conhecimento que vai da antropologia aos algoritmos, da ci\u00eancia em rede \u00e0 semi\u00f3tica, da filosofia \u00e0 datifica\u00e7\u00e3o, da comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 matem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Parafraseando Jacques Ranci\u00e8re, \u00e9 poss\u00edvel pensar que estes tr\u00eas universos: visualidade, atrocidade e tecnicidade, s\u00e3o estrat\u00e9gias para quebrar o mapa policial do poss\u00edvel e redesenhar as coordenadas que ter\u00e3o que ser percorridas para que o conhecimento cr\u00edtico seja desconfort\u00e1vel, sacudido e questionado.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-22.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"988\u200ax651\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 21: Mosaico con las 222 im\u00e1genes en publicaciones de Instagram mencionando #AfghanWo- men que llegaron a m\u00e1s de 500 \u201cme gusta\u201d hasta el 22 de agosto de 2021.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol6num11-multimedia\/reguillo-abismo-imagen-22.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 21: Mosaico com as 222 imagens nos postos Instagram mencionando #AfghanWo- homens que chegaram a mais de 500 \"gostos\" at\u00e9 22 de agosto de 2021.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Adorno, Theodor (1984). <em>Teor\u00eda est\u00e9tica.<\/em> Buenos Aires: Hyspam\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Alcazan <em>et al.<\/em> (2012). <em>Tecnopol\u00edtica, internet y r-evoluciones sobre la centralidad de redes digitales en el #15m. <\/em>Barcelona: Icaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Barab\u00e1si, Albert-L\u00e1szl\u00f3 (2012). <em>Network Science<\/em>. 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Disponible en http:\/\/papers.ssrn.com\/sol3\/Papers.cfm?abstract_id=1008839, consultado el 14 de diciembre de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Reguillo, Rossana (2005). <em>Horizontes fragmentados. El desorden global y sus figuras<\/em>. Guadalajara: <span class=\"small-caps\">iteso<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2011). <em>La narcom\u00e1quina y el trabajo de la violencia: apuntes para su decodificaci\u00f3n. E-misf\u00e9rica,<\/em> n\u00fam. 8.2, Hemispheric Institute. Disponible en: https:\/\/hemi.nyu.edu\/hemi\/es\/e-misferica-82<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2012). \u201cDe las violencias: caligraf\u00eda y gram\u00e1tica del horror\u201d. <em>Desacatos,<\/em> n\u00fam. 40, M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2021). <em>Necrom\u00e1quina. 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Revista de Metodolog\u00eda de las Ciencias Sociales<\/em>, n\u00fam. 23, pp. 163-199. https:\/\/doi.org\/10.5944\/empiria.23.2012.834<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Spinoza, Baruch, (1977). <em>\u00c9tica. Tratado teol\u00f3gico pol\u00edtico<\/em>. M\u00e9xico: Porr\u00faa. Primeras ediciones: <em>\u00c9tica<\/em> (1677) y <em>Tratado teol\u00f3gico pol\u00edtico <\/em>(1670).<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-background has-accent-background-color has-accent-color is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Rossana Reguillo<\/em> \u00e9 um pesquisador nacional em\u00e9rito do Sistema Nacional de Pesquisadores, membro da Academia Mexicana de Ci\u00eancias, professor-pesquisador em\u00e9rito do Departamento de Estudos Socioculturais da Universidade do M\u00e9xico e membro da Academia Mexicana de Ci\u00eancias. <span class=\"small-caps\">iteso<\/span>onde ela coordena o Laborat\u00f3rio Interdisciplinar Signa_Lab. D. em Ci\u00eancias Sociais, com especializa\u00e7\u00e3o em Antropologia Social, pelo <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>-Universidade de Guadalajara. Ela foi professora convidada em v\u00e1rias universidades da Am\u00e9rica Latina, Espanha e Estados Unidos. <em>Tinker Professor Visitante<\/em> no Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Stanford. Professor <span class=\"small-caps\">unesco<\/span> em Comunica\u00e7\u00e3o 2004, assim como na Universidade Aut\u00f4noma de Barcelona e na Universidade Javeriana em Bogot\u00e1, Col\u00f4mbia. Andr\u00e9s Bello <em>Cadeira<\/em> in Latin American Culture and Civilization, New York University, 2011. Seu livro mais recente \u00e9 <em>Necromachine. Quando se morre n\u00e3o \u00e9 suficiente<\/em>. 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