{"id":36244,"date":"2022-09-16T23:21:42","date_gmt":"2022-09-16T23:21:42","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=36244"},"modified":"2024-04-23T19:55:30","modified_gmt":"2024-04-24T01:55:30","slug":"villagomez-ciudadania-organizacioncrisis-ambiental-documental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/villagomez-ciudadania-organizacioncrisis-ambiental-documental\/","title":{"rendered":"Cidadania e organiza\u00e7\u00e3o em face da crise ambiental global"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-drop-cap abstract\">As quest\u00f5es ambientais j\u00e1 est\u00e3o afetando todo o planeta, independentemente do pa\u00eds, da cultura, do continente ou da classe social. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica devido \u00e0s emiss\u00f5es de gases de efeito estufa est\u00e1 tendo um claro impacto nas sociedades urbanas e rurais em diferentes partes do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da atual crise ambiental que \"emerge das profundezas do esquecimento da natureza\", como aponta Enrique Leff (2014), existem, no entanto, algumas alternativas vi\u00e1veis. A linguagem visual \u00e9 uma ferramenta poderosa para disseminar as experi\u00eancias que est\u00e3o sendo apresentadas hoje como op\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis, o que pode ser visto no document\u00e1rio <em>O mundo de amanh\u00e3<\/em>. Mostra alguns exemplos em que s\u00e3o enfrentados desafios t\u00e9cnicos e respostas \u00e0 crescente desumaniza\u00e7\u00e3o da vida cotidiana nas cidades. Al\u00e9m disso, s\u00e3o apresentadas as op\u00e7\u00f5es produtivas do mundo rural, bem como alguns projetos que transformam as rela\u00e7\u00f5es sociais em exemplos a serem seguidos em um mundo que oscila entre o pessimismo, o desespero e a desilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Le monde de demain. O mundo de amanh\u00e3 (Espanhol SUB)\" width=\"580\" height=\"326\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OoBBHSbMnRM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Esse document\u00e1rio se refere a diferentes contextos urbanos e rurais que t\u00eam em comum a rea\u00e7\u00e3o de grupos sociais tradicionalmente vulner\u00e1veis, a maioria na sociedade ocidental, diante da precariedade, da necessidade de imagina\u00e7\u00e3o para improvisar meios e tecnologia ou para realizar projetos de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel que gerem alguma renda econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>O document\u00e1rio aborda quest\u00f5es da crise ambiental global e algumas experi\u00eancias que pretendem ser uma resposta a ela em contextos de vida urbana em locais de <span class=\"small-caps\">eua<\/span>Canad\u00e1, Fran\u00e7a e \u00cdndia. As entrevistas combinam os problemas de grupos humanos marginalizados em condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade social que vivem nas cidades e as estrat\u00e9gias que eles t\u00eam de desenvolver para otimizar os recursos de espa\u00e7o, moradia e trabalho, a fim de reciclar e inventar t\u00e9cnicas que lhes permitam obter uma renda m\u00ednima para sobreviver. H\u00e1 tamb\u00e9m casos de \u00e1reas rurais, nos quais reflex\u00f5es filos\u00f3ficas s\u00e3o intercaladas para mostrar como iniciar uma mudan\u00e7a de mentalidade e decidir agir como indiv\u00edduo para evitar a falta de resposta social ou institucional ao que j\u00e1 se apresenta como o agravamento de uma cat\u00e1strofe ambiental global. Os casos apresentados s\u00e3o exemplos da maneira pela qual diversos grupos humanos se organizam para<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">constru\u00e7\u00e3o dessa filosofia ambiental e a defesa de modelos locais que n\u00e3o separem a natureza da cultura. Esses modelos podem ser econ\u00f4mica, ecol\u00f3gica e culturalmente diferentes e podem constituir projetos de modernidade alternativa ou alternativas \u00e0 modernidade (Escobar, 2012: 25).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">S\u00e3o experi\u00eancias de vida nas grandes cidades e nas \u00e1reas rurais que nos permitem observar e ouvir como \u00e9 resolvido o esfor\u00e7o para mudar os h\u00e1bitos de consumo, os h\u00e1bitos alimentares, o uso do tempo de trabalho no campo, o tempo livre e a fam\u00edlia. Esses exemplos s\u00e3o uma abordagem e uma maneira diferente de fazer as coisas em rela\u00e7\u00e3o ao modelo urbano; em outras palavras, trata-se de promover outra maneira de pensar sobre os seres humanos, a fam\u00edlia, os parentes e a rela\u00e7\u00e3o de todos eles com o ambiente natural. Isso nos permite entender o valor dos produtos artesanais e tamb\u00e9m nos convida a refletir sobre a necessidade de viver n\u00e3o apenas para ganhar dinheiro, mas tamb\u00e9m para nos organizarmos com nossos vizinhos, com as pessoas pr\u00f3ximas a n\u00f3s, e para realizar outras atividades igualmente importantes, como conviver ou trabalhar pelo bem comum, que s\u00e3o aspectos que ajudam a melhorar a qualidade de vida e a fortalecer o tecido social. Nessa perspectiva, a sugest\u00e3o de Arturo Escobar est\u00e1 correta quando ele diz que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">o ponto de partida para transformar a realidade atual caracterizada pela crise ambiental e que deve nos levar \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do objetivo de uma filosofia ambiental \u00e9 pensar em como transformar a rela\u00e7\u00e3o entre natureza e cultura estabelecida pela modernidade dominante (Escobar, 2012: 15).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">E o que \u00e9 melhor quando se pode ver a import\u00e2ncia desses modelos locais como espa\u00e7os privilegiados na constru\u00e7\u00e3o dessa filosofia ambiental em que a natureza n\u00e3o est\u00e1 separada da cultura?<\/p>\n\n\n\n<p>Os casos de unidades produtivas rurais lucrativas s\u00e3o uma op\u00e7\u00e3o que contradiz a ideia atual de que o campo n\u00e3o \u00e9 mais economicamente vi\u00e1vel. Pelo menos \u00e9 isso que as pessoas t\u00eam sido levadas a acreditar. Acredita-se tamb\u00e9m que a unidade de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola rural se op\u00f5e \u00e0 modernidade da sociedade contempor\u00e2nea. O document\u00e1rio, ao contr\u00e1rio, mostra como a agricultura familiar e o trabalho artesanal conferem aos processos da vida moderna um componente de qualidade, que permite revalorizar a atividade produtiva agr\u00edcola e os la\u00e7os de solidariedade, compartilhar compromissos, viver coletivamente e, sobretudo, deixar para tr\u00e1s o estilo de vida urbano. Adotar um estilo diferente do estilo de vida urbano implica, antes de tudo, uma mudan\u00e7a de perspectiva ampla, \u00e0 qual \u00e9 preciso saber se adaptar coletivamente, para que se possa encontrar a motiva\u00e7\u00e3o, o interesse e, sobretudo, o compromisso coletivo que permitir\u00e1 a continuidade a m\u00e9dio e longo prazo. Um aspecto importante do document\u00e1rio \u00e9 a entrevista com Cyril Dion, fundador de um importante movimento ambientalista na Fran\u00e7a que busca mobilizar as pessoas em torno de determinadas quest\u00f5es ambientais e tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a aspectos educacionais e econ\u00f4micos, mostrando que tudo est\u00e1 interligado. Ele fez um filme intitulado <em>Amanh\u00e3<\/em> que ganhou um pr\u00eamio C\u00e9sar na Fran\u00e7a (equivalente ao Oscar dos EUA). O filme foi exibido no <span class=\"small-caps\">cop21<\/span>O Acordo de Paris de 2015, que se baseia em tr\u00eas pontos: conter o aquecimento global, melhorar a capacidade das sociedades humanas de se adaptarem \u00e0s mudan\u00e7as que j\u00e1 s\u00e3o irrevers\u00edveis e, por fim, criar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que os fluxos financeiros sejam coerentes com os objetivos dos dois pontos anteriores. O filme mostra ao p\u00fablico que \u00e9 poss\u00edvel criar as condi\u00e7\u00f5es para criar um outro mundo e que, para isso, cada um pode contribuir \u00e0 sua maneira para constru\u00ed-lo. Sua milit\u00e2ncia ecol\u00f3gica critica o modelo de vida urbano, o desperd\u00edcio de alimentos, bem como a polui\u00e7\u00e3o de metade do territ\u00f3rio franc\u00eas devido aos nitratos usados na agricultura, o que significa que 93% dos cursos de \u00e1gua cont\u00eam pesticidas. Essa \u00e9 uma realidade que, a longo prazo, afetar\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o que vive perto dessas fontes de \u00e1gua e que trabalha no campo. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, diz ele, que algumas empresas multinacionais decidam e determinem o que temos de comer, em vez de o cidad\u00e3o escolher o que prefere. Isso \u00e9 um sinal da antidemocracia que est\u00e1 sendo vivenciada atualmente em escala planet\u00e1ria. Nesse sentido, o document\u00e1rio nos remete \u00e0 discuss\u00e3o atual na Europa sobre o futuro das organiza\u00e7\u00f5es e movimentos ambientais e sua constante intera\u00e7\u00e3o com outras for\u00e7as pol\u00edticas que determinam a dire\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas que regulam a produ\u00e7\u00e3o de alimentos de boa qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao exposto acima, \u00e9 necess\u00e1rio destacar o fen\u00f4meno social refletido nos \"neo-ruralistas\" franceses, que s\u00e3o apresentados no document\u00e1rio como pessoas sem v\u00ednculos com a vida rural, ou seja, n\u00e3o s\u00e3o \"agro-descendentes\", mas vivem em uma fazenda coletiva e em seu discurso reivindicam um retorno ao modelo de vida familiar camponesa. Trata-se de um modelo que utiliza produtos frescos cultivados com t\u00e9cnicas agroecol\u00f3gicas e em pequena escala, e onde, al\u00e9m disso, s\u00e3o criados animais criados ao ar livre e s\u00e3o produzidos produtos artesanais, como geleias, p\u00e3es, queijos etc., o que tem a vantagem de promover uma rela\u00e7\u00e3o direta entre produtor e consumidor. Isso elimina o intermedi\u00e1rio, que basicamente torna os produtos mais caros, e permite a venda de alimentos artesanais de qualidade a um pre\u00e7o razo\u00e1vel. Todo esse processo foi amplamente descrito por Bernard Kayser em seu livro <em>O renascimento rural<\/em>. <em>Sociologia do campo no mundo ocidental<\/em> (2020), no qual ele relata o deslocamento de popula\u00e7\u00f5es urbanas e periurbanas para \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o rural como consequ\u00eancia do crescente processo de urbaniza\u00e7\u00e3o iniciado na d\u00e9cada de 1970 nos pa\u00edses industrializados. Embora a Fran\u00e7a seja um pa\u00eds com uma longa hist\u00f3ria de vida camponesa ao longo de s\u00e9culos de hist\u00f3ria social, ainda h\u00e1 tra\u00e7os de vida rural em diferentes \u00e1reas que, sob a perspectiva da modernidade urbanizada do p\u00f3s-guerra, resistiram \u00e0s tentativas de desaparecimento de grandes setores ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e ao controle produtivo de grandes empresas agr\u00edcolas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro movimento interessante, embora aparentemente mais radical, \u00e9 o <em>fora da rede<\/em>O \"unplugged\" nos Estados Unidos \u00e9 um acampamento \"selvagem\", frequentado por pessoas que deixam temporariamente o conforto de um apartamento ou de uma casa na cidade e tentam viver em um acampamento sem eletricidade, \u00e1gua corrente, telefones celulares ou <span class=\"small-caps\">TV<\/span> sem aparelhos el\u00e9tricos. Eles vivem em barracas e organizam coletivamente o fornecimento de alimentos, o acesso a banheiros, a lavanderia e participam de v\u00e1rias oficinas. \u00c9 um tipo de experimento social baseado em princ\u00edpios b\u00e1sicos de conviv\u00eancia com certas regras que toda a comunidade respeita, como evitar o consumo de drogas ou \u00e1lcool ou gerar lixo desnecess\u00e1rio. Em suma, trata-se de colocar em pr\u00e1tica, de forma coletiva, uma vida oposta ao individualismo e \u00e0 vida atomizada do ambiente urbano, cujo objetivo \u00e9 se adaptar aprendendo t\u00e9cnicas de sobreviv\u00eancia na floresta por meio de um reencontro com a natureza. A experi\u00eancia de viver alguns dias dessa forma permite comparar e avaliar esse contato com o campo para, posteriormente, se necess\u00e1rio, mudar o modo de vida e criar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para se estabelecer em um local longe do estresse urbano e da aglomera\u00e7\u00e3o das cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Um aspecto que \u00e9 repetidamente destacado nessa parte do document\u00e1rio diz respeito \u00e0 renda que os casais entrevistados dizem ter. Parece que o valor de sua renda n\u00e3o ultrapassa 500 euros por m\u00eas, ou seja, eles conseguem viver com um ter\u00e7o do que teoricamente precisariam para viver na cidade, o que \u00e9 um sintoma de duas coisas: que h\u00e1 uma maneira de economizar em servi\u00e7os como \u00e1gua, que n\u00e3o \u00e9 paga porque \u00e9 \u00e1gua que vem das montanhas, ou aluguel de moradia, que geralmente \u00e9 mais barato no campo, de modo que a renda \u00e9 usada principalmente para pagar por servi\u00e7os, como faz Jim, um ambientalista que vive no meio da floresta em uma cabana \"confort\u00e1vel\", na qual pain\u00e9is solares s\u00e3o usados para fornecer eletricidade a todos os c\u00f4modos da casa. Ele acha que a <span class=\"small-caps\">eua<\/span> s\u00e3o uma cat\u00e1strofe para o planeta em termos ambientais, por isso \u00e9 necess\u00e1rio mudar a mentalidade dos cidad\u00e3os e consumidores, n\u00e3o dizendo a eles o que fazer, mas mostrando-lhes, pelo exemplo, o que pode ser feito para aliviar a press\u00e3o sobre o planeta e reduzir o uso de energia, evitando o aquecimento global e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois outros exemplos mostram como o tecido social pode ser fortalecido por meio da solidariedade, da responsabilidade compartilhada e do pensamento em comum acordo com os outros; o primeiro \u00e9 uma serraria com 25 funcion\u00e1rios, que opera como uma cooperativa e onde n\u00e3o h\u00e1 chefes ou hierarquias. Os trabalhadores mant\u00eam a empresa funcionando, o que gera renda suficiente para todos com o mesmo sal\u00e1rio. Decis\u00f5es importantes s\u00e3o tomadas coletivamente, e alguns trabalhadores fazem trabalho volunt\u00e1rio n\u00e3o remunerado na vila onde moram, por exemplo, limpando as \u00e1reas comuns, o que, ao mesmo tempo, permite que eles se comuniquem com os outros habitantes e fortale\u00e7am os la\u00e7os de coopera\u00e7\u00e3o coletiva, cordialidade e boas rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a. Isso e a atividade da serraria levaram a um aumento no n\u00famero de habitantes permanentes na localidade, o que evitou o \u00eaxodo que caracterizou essa regi\u00e3o francesa na d\u00e9cada de 1970. Esse tipo de experi\u00eancia mostra, como ressalta Wallerstein (1999), que existem alternativas \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o social gerada pelo sistema capitalista quando comparado com os sistemas econ\u00f4micos anteriores que existiram na hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Um caso talvez mais contrastante com os anteriores ocorre na \u00cdndia, onde em favelas como a chamada Dharavi, em Bombaim, ou outras em Calcut\u00e1 ou Nova D\u00e9lhi, s\u00e3o geradas estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia em que a engenhosidade determina a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o eficiente a situa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias. V\u00e1rios exemplos mostram como tudo pode ser reciclado e como trabalhar com materiais para gerar renda.<\/p>\n\n\n\n<p>A palavra que designa essa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 \"jugaad\", que \u00e9 sin\u00f4nimo de improvisa\u00e7\u00e3o, de criatividade diante de uma realidade social de escassez e precariedade. A capacidade de improvisar \u00e9 importante, pois nos permite encontrar solu\u00e7\u00f5es para problemas com poucos recursos. Um estudante de engenharia fabrica uma bateria de celular com maior capacidade de energia e mais barata do que as dispon\u00edveis no mercado. Na engenharia espacial, foi usada tela de galinheiro para construir antenas parab\u00f3licas, substituindo o alum\u00ednio, que \u00e9 um material muito caro. No setor automotivo, foi criado um prot\u00f3tipo de um carro de \"baixo custo\", o <span class=\"small-caps\">kwid<\/span>da Renault. Os hospitais tamb\u00e9m est\u00e3o economizando custos com cirurgias card\u00edacas, geralmente caras para as fam\u00edlias dos pacientes. A redu\u00e7\u00e3o de custos foi tamanha que os cirurgi\u00f5es indianos realizaram as mesmas cirurgias bem-sucedidas que as realizadas nos Estados Unidos, mas a um custo dez vezes menor. Tamb\u00e9m na \u00cdndia, um funcion\u00e1rio do governo respons\u00e1vel por ci\u00eancia e tecnologia acredita que as sementes dos futuros cientistas do pa\u00eds se encontram nas comunidades mais remotas e mais pobres, pois ele acredita que \u00e9 l\u00e1 que a engenhosidade das crian\u00e7as se desenvolve mais cedo, como resultado das dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es de vida que enfrentam, e s\u00e3o essas crian\u00e7as que devem ser recrutadas para a educa\u00e7\u00e3o e receber condi\u00e7\u00f5es materiais de vida (boa moradia, alimenta\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o) para desenvolver suas capacidades e realizar com efici\u00eancia suas contribui\u00e7\u00f5es para a ci\u00eancia e a tecnologia do pa\u00eds. Ele est\u00e1 convencido de que n\u00e3o s\u00e3o as grandes universidades nas capitais regionais, com infraestrutura cara e alto n\u00famero de matr\u00edculas, que necessariamente produzir\u00e3o os cientistas de amanh\u00e3. Tampouco os cientistas do futuro vir\u00e3o necessariamente de fam\u00edlias abastadas que tiveram as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a necess\u00e1rias para uma educa\u00e7\u00e3o adequada desde a inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro cen\u00e1rio de intera\u00e7\u00e3o social s\u00e3o as unidades habitacionais na periferia urbana das grandes cidades, onde uma sala multiuso se torna o local de conviv\u00eancia da vizinhan\u00e7a e onde s\u00e3o organizadas atividades coletivas, ou uma horta urbana onde todos colaboram e cujas hortali\u00e7as s\u00e3o distribu\u00eddas entre os jardineiros e os demais moradores da unidade habitacional. Esse trabalho e uma oficina de culin\u00e1ria permitem momentos de conviv\u00eancia entre os vizinhos, de intera\u00e7\u00e3o em que a ajuda m\u00fatua aparece para resolver situa\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas, como cuidar de crian\u00e7as, cuidar de animais de estima\u00e7\u00e3o, monitorar as atividades de limpeza e a manuten\u00e7\u00e3o geral dos espa\u00e7os comuns, a seguran\u00e7a dos vizinhos ou a organiza\u00e7\u00e3o de atividades recreativas ou a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade ou do esporte. Tudo isso permite dar um toque positivo \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a, contrabalan\u00e7ando a indiferen\u00e7a e a atomiza\u00e7\u00e3o social habituais.<\/p>\n\n\n\n<p>Um cen\u00e1rio final apresentado no document\u00e1rio tem a ver com um festival para 500 participantes cujo lema era \"Ouse viver junto\", no qual foram realizadas sess\u00f5es de medita\u00e7\u00e3o e palestras sobre como \"viver melhor\". Foram discutidas energias alternativas e pr\u00e1ticas ecol\u00f3gicas, para que os participantes dos workshops pudessem reconhecer sua capacidade de integra\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o em alguma tarefa ou exerc\u00edcio. Durante quatro dias, foram exploradas atividades com valores diferentes daqueles do mundo urbano fragmentado e individualista. Em outras palavras, foi criada uma esp\u00e9cie de bolha que abstrai os participantes do que est\u00e1 acontecendo l\u00e1 fora, na sociedade, onde h\u00e1 uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o estranhas ao que est\u00e1 acontecendo aqui, com outros tipos de objetivos, valores e comportamentos. Trata-se de fazer com que os participantes reajam para desenvolver capacidades como comunica\u00e7\u00e3o, sentimento, compartilhamento e colabora\u00e7\u00e3o e para oferecer um n\u00edvel de coexist\u00eancia e fraternidade para atingir um objetivo espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos entrevistados reflete sobre o fato de que \u00e9 poss\u00edvel trabalhar em bio-cooperativas ganhando um sal\u00e1rio baixo, mas comendo de forma saud\u00e1vel todos os dias. Aqui entramos na discuss\u00e3o sobre para que serve o dinheiro: para comer de forma saud\u00e1vel, ou voc\u00ea pode comer de forma saud\u00e1vel de maneira barata e acess\u00edvel? O que deve ser priorizado? Aparentemente, \u00e9 preciso ganhar milhares de euros para viver bem, mas na realidade n\u00e3o \u00e9 esse o caso. A frase \"dinheiro n\u00e3o \u00e9 felicidade\" \u00e9 entendida no sentido de que voc\u00ea n\u00e3o pode comer dinheiro, mas pode comprar produtos saud\u00e1veis e baratos se procurar os produtores certos, aqueles que n\u00e3o usam agrot\u00f3xicos, pesticidas ou sementes transg\u00eanicas. Em v\u00e1rias das entrevistas, fica claro que h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o s\u00e9ria em investir tempo em outras coisas e n\u00e3o no trabalho, porque, no final das contas, n\u00e3o \u00e9 preciso ter muito dinheiro para viver bem. Nesse sentido, \u00e9 gerada uma reflex\u00e3o segundo a qual o tempo e o trabalho investidos na produ\u00e7\u00e3o de algo nutritivo e de qualidade s\u00e3o mais valiosos do que pensar em uma renda monet\u00e1ria significativa que permita mais consumo. Em outras palavras, consumir o qu\u00ea, alimentos industrializados ou alimentos saud\u00e1veis?<\/p>\n\n\n\n<p>As experi\u00eancias aqui relatadas comp\u00f5em um mosaico de formas de pensar e agir que v\u00e3o contra o que se considera estabelecido, tanto nas cidades quanto no campo, raz\u00e3o pela qual \u00e9 importante divulgar esse tipo de document\u00e1rio. Para a pesquisa sobre quest\u00f5es ambientais, a capacidade de organiza\u00e7\u00e3o dos grupos humanos, das culturas, dos habitantes das cidades e das \u00e1reas rurais \u00e9 importante, pois dela dependem as respostas desses coletivos organizados \u00e0 crise ambiental global. Muitas experi\u00eancias demonstraram sua viabilidade e o que \u00e9 comum a todas elas \u00e9 a necessidade de interagir, chegar a acordos e coordenar a a\u00e7\u00e3o social que pode ser realizada para alcan\u00e7ar objetivos de interesse comum. Este document\u00e1rio representa um material de apoio para cursos e atividades extracurriculares em comunidades e grupos de cidad\u00e3os organizados interessados em promover projetos de agroecologia em escolas, hortas urbanas e periurbanas, comunidades de pequenos produtores rurais, entre outros. Por isso, \u00e9 importante divulg\u00e1-lo e aproveitar o fato de ter legendas em espanhol.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Escobar, Arturo (2012). <em>M\u00e1s all\u00e1 del tercer mundo. Globalizaci\u00f3n y diferencia<\/em>. Bogot\u00e1: Instituto Colombiano de Antropolog\u00eda e Historia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Kayser, Bernard (2020). <em>El renacimiento rural. Sociolog\u00eda del campo en el mundo occidental<\/em>. Zamora: El Colegio de Michoac\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Leff, Enrique (2014). <em>La apuesta por la vida. Imaginaci\u00f3n sociol\u00f3gica e imaginarios sociales en los territorios ambientales del sur<\/em>. M\u00e9xico: Siglo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span> Editores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Wallerstein, Immanuel (1999).<em> El capitalismo \u00bfqu\u00e9 es? Un problema de conceptualizaci\u00f3n<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">unam.<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Yanga Villag\u00f3mez Vel\u00e1zquez<\/em> \u00e9 formado pela <span class=\"small-caps\">fcp<\/span>e<span class=\"small-caps\">s<\/span> do <span class=\"small-caps\">unam<\/span> em Sociologia. Doutorado em Estudos Latino-Americanos, <span class=\"small-caps\">ipealt<\/span>da Universidade de Toulouse, Fran\u00e7a. Membro do Sistema Nacional de Pesquisadores da <span class=\"small-caps\">conacyt<\/span> desde 1998. Professor pesquisador do Centro de Estudos Rurais, El Colegio de Michoac\u00e1n, desde 2005. H\u00e1 30 anos trabalha com quest\u00f5es relacionadas \u00e0 gest\u00e3o de recursos naturais em comunidades rurais, camponesas e ind\u00edgenas e seu trabalho foi publicado em revistas de prest\u00edgio nos Estados Unidos, na Fran\u00e7a, na Espanha e em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Ele teve estadias acad\u00eamicas na Universidade de Toulouse, na Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa B\u00e1rbara e na Universidade Mayor de San Sim\u00f3n em Cochabamba. Seus cursos tratam da hist\u00f3ria do M\u00e9xico agr\u00e1rio contempor\u00e2neo, da ecologia pol\u00edtica e do gerenciamento de cole\u00e7\u00f5es de arquivos para a prepara\u00e7\u00e3o de teses de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As quest\u00f5es ambientais j\u00e1 est\u00e3o afetando todo o planeta, independentemente do pa\u00eds, da cultura, do continente ou da classe social. 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