{"id":36095,"date":"2022-09-21T06:46:50","date_gmt":"2022-09-21T06:46:50","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=36095"},"modified":"2023-11-17T17:50:38","modified_gmt":"2023-11-17T23:50:38","slug":"curiel-amaranto-alimento-indigena-patrimonio-activismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/curiel-amaranto-alimento-indigena-patrimonio-activismo\/","title":{"rendered":"Amaranto como alimento ind\u00edgena: produ\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a e ativismo alimentar"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Este texto analisa a patrimonializa\u00e7\u00e3o dos alimentos como um processo social que produz indigeneidade atrav\u00e9s do ativismo alimentar. Apresenta o caso do Grupo Enlace para la Promoci\u00f3n del Amaranto en M\u00e9xico, um ator na discuss\u00e3o sobre a soberania alimentar, que promove a produ\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o e consumo deste gr\u00e3o. Ela ilustra suas a\u00e7\u00f5es, pr\u00e1ticas organizacionais e as narrativas que dotaram o amaranto de uma s\u00e9rie de valores associados ao seu lugar na dieta mesoamericana, que, atualizada como alimento ind\u00edgena e ancestral, levou \u00e0 sua designa\u00e7\u00e3o como patrim\u00f4nio intang\u00edvel da Cidade do M\u00e9xico. A relev\u00e2ncia deste tipo de ativismo para a produ\u00e7\u00e3o da indigeneidade no campo do patrim\u00f4nio alimentar \u00e9 demonstrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/activismo-alimentario\/\" rel=\"tag\">ativismo alimentar<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/alimento-indigena\/\" rel=\"tag\">comida ind\u00edgena<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/amaranto\/\" rel=\"tag\">amaranto<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/indigeneidad\/\" rel=\"tag\">indigeneidade<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/patrimonio\/\" rel=\"tag\">patrim\u00f4nio<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\">amaranto como alimento ind\u00edgena: produ\u00e7\u00e3o de heran\u00e7a e ativismo alimentar<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Resumo: Este texto analisa como a transforma\u00e7\u00e3o de alimentos em patrim\u00f4nio \u00e9 um processo social que produz indigeneidade atrav\u00e9s do ativismo alimentar. Ela apresenta o caso do Grupo Enlace para a Promo\u00e7\u00e3o do Amaranto no M\u00e9xico, um ator na discuss\u00e3o sobre a soberania alimentar, que impulsiona a produ\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o e consumo deste gr\u00e3o. Ilustra seus eventos alimentares, pr\u00e1ticas organizacionais e as narrativas que proporcionaram ao amaranto uma s\u00e9rie de valores relacionados com seu lugar na dieta mesoamericana, que, atualizada como alimento ind\u00edgena e ancestral, ajudou-o a tornar-se conhecido como patrim\u00f4nio intang\u00edvel da Cidade do M\u00e9xico (<span class=\"small-caps\">cdmx<\/span>). Mostramos a relev\u00e2ncia deste tipo de ativismo para a produ\u00e7\u00e3o da indigeneidade no \u00e2mbito do patrim\u00f4nio alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: patrim\u00f4nio, ativismo alimentar, amaranto, comida ind\u00edgena, indigeneidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">Como parte da patrimonializa\u00e7\u00e3o<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> atividades culturais promovidas pela <span class=\"small-caps\">unesco<\/span> em 2003,<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> a cria\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio alimentar tem como objetivo salvaguardar as cozinhas ou produtos considerados \"tradicionais\",<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> local e pouco conhecido. \"De cima\" visa promover o desenvolvimento econ\u00f4mico, os interesses da ind\u00fastria gastron\u00f4mica e do turismo (Bessi\u00e9re, 1998; Matta, 2013). \"De baixo\", contribui para a constru\u00e7\u00e3o discursiva de lugar, identidade e cultura (Littaye, 2016) e em \"processos de etnog\u00eanese, defesa da identidade e do territ\u00f3rio\" (Guzm\u00e1n Ch\u00e1vez, 2019: 12) quando as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas encontram uma oportunidade de negociar visibilidade e reconhecimento \u00e9tnico perante organismos nacionais e internacionais (Bak-Geller Corona, 2019). Em ambos os casos, ela afeta diretamente as comunidades, as rela\u00e7\u00f5es sociais e interpessoais e os processos mais amplos de negocia\u00e7\u00e3o do que tais culin\u00e1rias, alimentos culturalmente apropriados e 'alimentos aut\u00eanticos' s\u00e3o e s\u00e3o considerados (Stanford, 2012), e interroga criticamente a din\u00e2mica da globaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 luz das pr\u00e1ticas e intera\u00e7\u00f5es locais, regionais, nacionais e transnacionais. Embora as iniciativas mais conhecidas sejam as promovidas por governos e organismos internacionais, o que estudos recentes mostram \u00e9 que o patrim\u00f4nio alimentar \u00e9 tornado poss\u00edvel, compreendido e valorizado no cotidiano e nas pr\u00e1ticas dos atores comunit\u00e1rios (P\u00e9rez Ruiz e Machuca, 2017; Suremain, 2017, 2019a; Bak-Geller Corona, 2017).<em> et al<\/em>., 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, iniciativas patrimoniais surgiram como resultado da organiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios atores em torno da soberania alimentar, do direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e da valoriza\u00e7\u00e3o da culin\u00e1ria e dos produtos locais (Reba\u00ef<em> et al<\/em>., 2021), diante dos efeitos do agroneg\u00f3cio e das r\u00e1pidas mudan\u00e7as nas dietas, padr\u00f5es alimentares e h\u00e1bitos alimentares. Uma consequ\u00eancia deste processo \u00e9 \"a revitaliza\u00e7\u00e3o dos ingredientes tradicionais reconhecidos por seus valores nutricionais, vantagens agr\u00edcolas ou sua sustentabilidade com respeito \u00e0 seguran\u00e7a alimentar\" (S\u00e9bastia, 2017: 7).<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa sobre o patrim\u00f4nio leva em conta \"os processos institucionais, econ\u00f4micos, pol\u00edticos, sociais, culturais e de valoriza\u00e7\u00e3o da agrodiversidade, da alimenta\u00e7\u00e3o e da gastronomia baseados na identidade\" (Reba\u00ef <em>et al<\/em>., 2021: 15). Eles analisam as mudan\u00e7as nas culturas e nas formas de cozinhar e comer diante da expans\u00e3o dos mercados, das pol\u00edticas agr\u00edcolas, da dissemina\u00e7\u00e3o da m\u00eddia e da informa\u00e7\u00e3o (Reba\u00ef, 2021: 15). <em>et al<\/em>2021), a emerg\u00eancia de uma base de consumidores em busca de autenticidade (Littaye, 2016) e \"a valoriza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica das ra\u00edzes ind\u00edgenas da culin\u00e1ria local\" (Suremain, 2017: 175).<\/p>\n\n\n\n<p>A heran\u00e7a opera como \"um marcador de identidade e um elemento distintivo do grupo social\" que \"proporciona profundidade hist\u00f3rica e padr\u00e3o permanente em um mundo em constante mudan\u00e7a\"; como um elo temporal \u00e9 indistingu\u00edvel da tradi\u00e7\u00e3o e \u00e9 considerado um \"reservat\u00f3rio de significado necess\u00e1rio para compreender o mundo\" (Bessi\u00e9re, 1998: 26). Cri\u00e1-lo implica debater no\u00e7\u00f5es de ancestralidade, legitimidade e autenticidade em certas pr\u00e1ticas culturais (Guzm\u00e1n Ch\u00e1vez, 2019), discutindo como a cultura \"pr\u00f3pria\" \u00e9 colocada a servi\u00e7o de interesses espec\u00edficos (Bak-Geller Corona <em>et al<\/em>., 2019) e ponderar a interven\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os oficiais que \"ativam\" a iniciativa do patrim\u00f4nio (Medina, 2017). A patrimonializa\u00e7\u00e3o \u00e9 expressa como \"uma a\u00e7\u00e3o exercida por sujeitos sobre algo que antes n\u00e3o era patrim\u00f4nio e que se pretende que venha a s\u00ea-lo\" (P\u00e9rez Ru\u00edz e Machuca, 2017: 5).<\/p>\n\n\n\n<p>Este processo gera uma tens\u00e3o entre a \"patrimonializa\u00e7\u00e3o comum\" - um tipo de pr\u00e1tica social que escapa do campo formal das institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es que entendemos ser caracter\u00edstica das \"configura\u00e7\u00f5es do patrim\u00f4nio alimentar\" - e a \"patrimonializa\u00e7\u00e3o comum\" - um tipo de pr\u00e1tica social que escapa do campo formal das institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es que entendemos ser caracter\u00edstica das \"configura\u00e7\u00f5es do patrim\u00f4nio alimentar\".<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> (Suremain, 2019b: 12) - e patrim\u00f4nio institucional: \"o processo de sele\u00e7\u00e3o do que merece ser valorizado pode ser duplamente problem\u00e1tico, por causa do perfil daqueles que decidem e por causa dos pr\u00f3prios crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o\". Pode ent\u00e3o levar a uma reinven\u00e7\u00e3o do \"ancestral\" - um termo que s\u00f3 recentemente surgiu - do \"t\u00edpico\" ou do \"tradicional\" (Hobsbawm e Ranger, 1983)... e que corresponde a um processo de cataloga\u00e7\u00e3o que implica um interesse \"objetivador\" (Reba\u00ef <em>et al<\/em>., 2021: 16).<\/p>\n\n\n\n<p>Em todo o continente observamos como este processo de cataloga\u00e7\u00e3o fornece um arsenal de no\u00e7\u00f5es para definir iniciativas patrimoniais, tais como \"produto cultural argentino\" (\u00c1lvarez e Sammartino, 2009), \"comida ind\u00edgena comunit\u00e1ria\" na Bol\u00edvia (Suremain, 2019b) ou \"rotas gastron\u00f4micas\" (Suremain, 2017), e <em>superalimentos<\/em> no M\u00e9xico (Katz e Lazos, 2017). Como assinala Ayora-D\u00edaz, \"todas estas afirma\u00e7\u00f5es, declara\u00e7\u00f5es, certifica\u00e7\u00f5es do car\u00e1ter patrimonial das formas alimentares, das pr\u00e1ticas e t\u00e9cnicas de elabora\u00e7\u00e3o de alimentos, dos sistemas culin\u00e1rios e do patrim\u00f4nio cultural do pa\u00eds\" (Ayora-D\u00edaz e Lazos, 2017).<em>&#8211;<\/em>A tradi\u00e7\u00e3o gastron\u00f4mica, no entanto, tem um fundo pol\u00edtico e de negocia\u00e7\u00e3o de vis\u00f5es do mundo habitado por grupos sociais, e a legitima\u00e7\u00e3o de suas narrativas do passado e do presente\" (2019: 212).<\/p>\n\n\n\n<p>A fim de contribuir para an\u00e1lises sobre a produ\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio alimentar, que analisem os atores, sua organiza\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas (Bak-Geller Corona <em>et al.<\/em>2019; Reba\u00ef <em>et al<\/em>., 2021), bem como na negocia\u00e7\u00e3o dos elementos ind\u00edgenas que entram no circuito global na era do \"ressurgimento \u00e9tnico\" (Matta, 2013), neste texto apresentamos o \"ativismo alimentar\" (Siniscalchi e Counihan, 2014; Counihan, 2014b) do Grupo Enlace para a Promo\u00e7\u00e3o do Amaranto no M\u00e9xico (<span class=\"small-caps\">gepam<\/span>). O monitoramento que come\u00e7amos a prestar contas da aus\u00eancia e emerg\u00eancia do amaranto e da organiza\u00e7\u00e3o social em torno dele (Curiel, 2016) nos levou a observar as pr\u00e1ticas e discursos que o Grupo empregou em v\u00e1rios eventos p\u00fablicos. Neste texto, perguntamos qual o papel do ativismo alimentar na produ\u00e7\u00e3o de um \"alimento ind\u00edgena\". E entendendo o patrim\u00f4nio como uma produ\u00e7\u00e3o material e simb\u00f3lica que envolve a observa\u00e7\u00e3o da descontextualiza\u00e7\u00e3o e posterior recontextualiza\u00e7\u00e3o de certos elementos (Frigol\u00e9, 2010), olhamos para os aspectos simb\u00f3licos, discursivos e objetos materiais que este ativismo utilizou para conseguir a nomea\u00e7\u00e3o do amaranto como patrim\u00f4nio da Cidade do M\u00e9xico (Frigol\u00e9, 2010).<span class=\"small-caps\">cdmx<\/span>) e sua inclus\u00e3o na cesta b\u00e1sica.<\/p>\n\n\n\n<p>Abordamos estas quest\u00f5es atrav\u00e9s do conceito de indigeneidade elaborado como \"processos hist\u00f3ricos, sociais, pol\u00edticos atrav\u00e9s dos quais certas pessoas, grupos, pr\u00e1ticas, objetos podem ser identificados e\/ou podem reivindicar ser ind\u00edgenas\" (L\u00f3pez Caballero, 2016: 10), que questionam tanto a id\u00e9ia de \"nossa origem comum\", situada no passado pr\u00e9-hisp\u00e2nico, quanto a legitima\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas contempor\u00e2neos por sua \"liga\u00e7\u00e3o indissol\u00favel e transhistorica com esse passado\" (L\u00f3pez Caballero, 2010: 137).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a exclus\u00e3o do \u00edndio e dos ind\u00edgenas tenha caracterizado o discurso das cozinhas do s\u00e9culo 20, n\u00e3o foi a primeira vez que o <span class=\"small-caps\">xix<\/span> (Bak-Geller Corona, 2019), pesquisas recentes no campo do patrim\u00f4nio alimentar revelam o valor agregado<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a> que aparece nos alimentos identificados como ind\u00edgenas em um contexto \"caracterizado pela l\u00f3gica neoliberal e mercantilista que transforma a cultura em um bem de consumo\" (Bak-Geller Corona, 2019: 44) quando produz alimentos que \"carimbados como \u00edndios, est\u00e3o na moda [como s\u00e3o representados] como alimentos aut\u00eanticos, verdadeiros ou puros\" (Suremain, 2017: 174). Um exemplo \u00e9 a rota do \"chocolate maia\" (Suremain, 2019a). Procedemos a apresentar a discuss\u00e3o sobre produ\u00e7\u00e3o patrimonial, ativismo alimentar e indigeneidade, e, posteriormente, o aumento do <span class=\"small-caps\">gepam<\/span>. Inclu\u00edmos um breve hist\u00f3rico de amaranto a fim de localizar a relev\u00e2ncia que ele adquiriu nos \u00faltimos anos como alimento e cultura. Os eventos aliment\u00edcios s\u00e3o ilustrados com base em informa\u00e7\u00f5es coletadas a partir de notas de campo tomadas entre 2016 e 2018, observa\u00e7\u00e3o dos participantes, conversas informais e acompanhamento de jornais. Na \u00faltima se\u00e7\u00e3o, concentramos as anota\u00e7\u00f5es finais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Patrim\u00f4nio, ativismo alimentar e alimentos ind\u00edgenas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O patrim\u00f4nio alimentar \u00e9 definido como \"o conjunto de elementos tang\u00edveis e intang\u00edveis das culturas alimentares consideradas por uma sociedade ou grupo como uma heran\u00e7a compartilhada, como um bem comum\" (Bak-Geller Corona <em>et al<\/em>., 2019: 19). Sua cria\u00e7\u00e3o responde em parte \u00e0s exig\u00eancias do mercado tur\u00edstico (Bessi\u00e9re, 1998, 2013), caracterizado por uma tend\u00eancia de \"voltar para o local\". Sua din\u00e2mica recupera alimentos marginalizados atrav\u00e9s de complexos processos de negocia\u00e7\u00e3o, representa\u00e7\u00e3o (Stanford, 2012), tens\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es em torno do que deve ser inclu\u00eddo e promovido como uma iniciativa patrimonial (Matta, 2013). Como Reba\u00ef aponta <em>et al.<\/em>,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">se o patrim\u00f4nio e a patrimonializa\u00e7\u00e3o podem se tornar ferramentas pragm\u00e1ticas para o reconhecimento das popula\u00e7\u00f5es exclu\u00eddas dos grandes processos de globaliza\u00e7\u00e3o, a patrimonializa\u00e7\u00e3o pode, no entanto, levar \u00e0 san\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os (Cormier-Salem <em>et al<\/em>2002) ou provocar, em certos contextos, a fixa\u00e7\u00e3o ou folcloriza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas e conhecimentos (Dhaher 2012; Cornuel, 2017) (Reba\u00ef <em>et al<\/em>., 2021: 16).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Como pr\u00e1tica hist\u00f3rica, o patrim\u00f4nio exige um discurso sobre o passado - selecionado, manipulado - desde que uma de suas concep\u00e7\u00f5es e usos se refira \u00e0s origens de certas entidades (Frigol\u00e9, 2010). Em \"uma sociedade preocupada com a perda de seus pr\u00f3prios tra\u00e7os\" (Bessi\u00e8re, 1998: 28) e necessitada de \"situar refer\u00eancias socioculturais e identit\u00e1rias em rela\u00e7\u00e3o a suas pr\u00f3prias concep\u00e7\u00f5es de tempo e espa\u00e7o\" (Medina, 2017: 107), s\u00e3o produzidos la\u00e7os entre pr\u00e1ticas culturais consideradas \"tradicionais\" ou \"ancestrais\" e popula\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas, a fim de \"justificar o presente atrav\u00e9s do uso de um passado mais ou menos fict\u00edcio\" (Bak-Geller Corona <em>et al<\/em>., 2019: 23).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora marginais no \u00e2mbito da heran\u00e7a alimentar, os produtos locais ou a culin\u00e1ria ind\u00edgena s\u00e3o percebidos como \"ambientalmente amig\u00e1veis, inerentemente saud\u00e1veis, representativos de uma identidade ou como reflexos complexos de sabores aut\u00eanticos\", refrescando-os conceitualmente de no\u00e7\u00f5es de localidade e historicidade (Finnis, 2012: 5-6). Consideradas como heran\u00e7a, elas funcionam como um meio de afirmar que no presente certas popula\u00e7\u00f5es mant\u00eam pr\u00e1ticas ancestrais, pr\u00e9-hisp\u00e2nicas, aut\u00f3ctones, milenares, tradicionais e aut\u00eanticas, ou seja, ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>A reivindica\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio tamb\u00e9m \u00e9 perseguida por atores locais que promovem sua entrada ativa no mercado (Finnis, 2012; Counihan, 2014a), que, em alguns casos, elaboram representa\u00e7\u00f5es de alimentos como tradi\u00e7\u00f5es localizadas espec\u00edficas das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas (Littaye, 2016). Foi documentado que as pessoas \"recuperam\" pr\u00e1ticas alimentares a fim de repensar suas identidades, represent\u00e1-las estrategicamente para um p\u00fablico mais amplo, ganhar legitimidade e gerar renda econ\u00f4mica (Di Giovani e Brulotte, 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Este 'renascimento \u00e9tnico' pode ser visto como uma celebra\u00e7\u00e3o da culin\u00e1ria do 'outro', como uma fonte de entretenimento ou capital cultural, pois envolve adapta\u00e7\u00f5es, reapropria\u00e7\u00f5es e tradu\u00e7\u00f5es (Matta, 2013), que em alguns casos produzem 'anacronismos patrimoniais' (Suremain, 2019a). Estes s\u00e3o o resultado da interven\u00e7\u00e3o de agentes estatais, internacionais e acad\u00eamicos com experi\u00eancia e poder suficientes para produzi-los, bem como de agentes da sociedade civil que impulsionam iniciativas patrimoniais atrav\u00e9s de seu ativismo, mesmo que necessitem de \u00f3rg\u00e3os oficiais para seu reconhecimento social (Medina, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a comida mexicana tenha gozado de boa reputa\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o internacional desde o s\u00e9culo passado (Pilcher, 2008), n\u00e3o foi at\u00e9 2010 que o governo conseguiu seu reconhecimento como patrim\u00f4nio cultural intang\u00edvel antes do <span class=\"small-caps\">unesco<\/span> (Stanford, 2012; Santilli, 2015). Desde ent\u00e3o, o n\u00famero de restaurantes tem aumentado,<em> chefs<\/em> e eventos que defendem o \"resgate e preserva\u00e7\u00e3o\" da cozinha \"tradicional\" e da \"gastronomia pr\u00e9-hisp\u00e2nica\" (Escofet Torres, 2013), bem como a promo\u00e7\u00e3o de programas para apoi\u00e1-los. Os \u00f3rg\u00e3os governamentais locais e federais encorajam algumas mulheres a apresentar suas cozinhas \"ind\u00edgenas\" como \"arte culin\u00e1ria tradicional\" em feiras de turismo, colocando-as no centro de uma tend\u00eancia gastron\u00f4mica global e moderna na qual alimentos end\u00eamicos e alimentos s\u00e3o reimaginados e representados, mas tamb\u00e9m aqueles que os fazem (Hryciuk, 2019; Suremain, 2019b; Jaramillo Navarro, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo 20 <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>A \"id\u00e9ia de heran\u00e7a pr\u00e9-hisp\u00e2nica\" \u00e9 recorrente em muitos dos aspectos que comp\u00f5em nossa id\u00e9ia de na\u00e7\u00e3o (L\u00f3pez Caballero, 2010), incluindo a alimenta\u00e7\u00e3o. Bak-Geller Corona ressalta que hoje em dia \"o comer de pratos <em>povos ind\u00edgenas <\/em>\u00e9 visto como um recurso eficaz para o processo de Indianiza\u00e7\u00e3o, no qual o sujeito assimila mais do que apenas as propriedades nutricionais do alimento; ele ou ela est\u00e1 incorporando em suas entranhas os valores de pureza, autenticidade e enraizamento que caracterizam o <em>ethos <\/em>ind\u00edgena\" (2019: 40).<\/p>\n\n\n\n<p>Foi documentado como o governo mexicano, a ind\u00fastria gastron\u00f4mica e os \u00f3rg\u00e3os de turismo fazem uso desta narrativa para promover a culin\u00e1ria ou certos alimentos que est\u00e3o associados com \"mexicanos\", \"ind\u00edgenas\" ou \"pr\u00e9-hisp\u00e2nicos\" (Stanford, 2012; Brulotte e Starkman, 2014; Suremain, 2017, 2019a, 2019b; Hryciuk, 2019; Jaramillo Navarro, 2020). Mas o papel do ativismo alimentar nestas din\u00e2micas tem sido menos abordado.<\/p>\n\n\n\n<p>Siniscalchi e Counihan (2014) apontam que o ativismo alimentar \u00e9 um esfor\u00e7o para promover a justi\u00e7a social e econ\u00f4mica em um sistema alimentar diferente, longe do paradigma do agroneg\u00f3cio. Segundo os autores, tal ativismo inclui \"discursos e a\u00e7\u00f5es das pessoas para tornar o sistema alimentar, ou partes dele, mais democr\u00e1tico, sustent\u00e1vel, saud\u00e1vel, \u00e9tico, culturalmente apropriado e de melhor qualidade\".<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o para melhorar os alimentos e a defesa dos produtos end\u00eamicos tem sido estudada nas Redes de Alimentos Alternativos, que promovem a agricultura limpa, a distribui\u00e7\u00e3o de alimentos org\u00e2nicos e a socializa\u00e7\u00e3o das dietas com produtos frescos (Gravante, 2018); tamb\u00e9m no movimento social organizado em defesa do milho nativo e contra a introdu\u00e7\u00e3o de variedades transg\u00eanicas no M\u00e9xico (Garc\u00eda L\u00f3pez e Giraldo, 2021). Recorremos ao conceito de ativismo alimentar para explicar a organiza\u00e7\u00e3o social, os compromissos e os interesses que o <span class=\"small-caps\">gepam<\/span> tem como uma assembl\u00e9ia de atores que promove a soberania alimentar, a economia social e as dietas locais para a melhoria da sa\u00fade alimentar, o que influencia a gera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e o discurso que produziu o amaranto como um alimento \"ind\u00edgena\". Na pr\u00e1tica, observamos tal ativismo em reuni\u00f5es, publica\u00e7\u00f5es, gerenciamento de redes sociais e eventos p\u00fablicos onde os elementos discursivos e perform\u00e1ticos e a \"politiza\u00e7\u00e3o\" que nos relacionamos com sua estrutura\u00e7\u00e3o no aspecto organizacional s\u00e3o implantados (Gravante, 2018).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Breve hist\u00f3ria do amaranto<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A Mesoam\u00e9rica \u00e9 uma das \u00e1reas de origem da agricultura onde diferentes esp\u00e9cies de piment\u00e3o, ab\u00f3bora, milho e amaranto (Le\u00f3n, 1994: 8) -huauhtli em Nahuatl- foram domesticadas e eram gr\u00e3os b\u00e1sicos nos mundos pr\u00e9-hisp\u00e2nico Mesoamericano e Inca cultivados h\u00e1 mais de 6.000 anos (Iturbide e Gispert, 1994). No Vale do M\u00e9xico, Zimatl\u00e1n em Oaxaca e Tehuac\u00e1n, Puebla, h\u00e1 refer\u00eancias hist\u00f3ricas e arqueol\u00f3gicas sobre sua import\u00e2ncia na vida di\u00e1ria e ritual (Reyes Equiguas, 2009; Velasco Lozano, 2001).<\/p>\n\n\n\n<p>A chegada da coloniza\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia alterou a rela\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es mesoamericanas com o amaranto, ao ponto de marginaliz\u00e1-lo para pequenas parcelas onde foi abandonado devido \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da agricultura tradicional de subsist\u00eancia em agricultura comercial, o uso da terra para cria\u00e7\u00e3o de gado e a substitui\u00e7\u00e3o de culturas, entre outros fatores (Le\u00f3n, 1994).<\/p>\n\n\n\n<p>Desde os anos 50, o amaranto recuperou o interesse cient\u00edfico:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Em 1967, o especialista Jonathan D. Sauer postulou que as tr\u00eas esp\u00e9cies mais importantes economicamente eram domesticadas em diferentes regi\u00f5es: <em>Amaranthus caudatus <\/em>na Am\u00e9rica do Sul; <em>A. hipocondr\u00edaco <\/em>no centro do M\u00e9xico, e <em>A. Cruentus <\/em>no sul do M\u00e9xico e Guatemala, exatamente onde os Incas, os Astecas e os Maias, as tr\u00eas civiliza\u00e7\u00f5es pr\u00e9-hisp\u00e2nicas mais proeminentes das Am\u00e9ricas, floresceram (Ibarra-Morales <em>et al<\/em>., 2021: 8).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Em 1972, o fisiologista bot\u00e2nico John Downton descobriu que a semente de amaranto cont\u00e9m o dobro de lisina que o trigo, tr\u00eas vezes mais que o milho e, de fato, tanto quanto \u00e9 encontrado no leite. Durante os anos 80, a NASA considerou o amaranto \"o melhor e mais completo alimento de origem vegetal para consumo humano\". O primeiro astronauta mexicano, Rodolfo Neri Vela, carregou amaranto em uma nave espacial para germinar e florescer durante um v\u00f4o orbital, e desde ent\u00e3o se popularizou como \"o <em>planta sagrada<\/em> os astronautas comem\" (<em>Clar\u00edn<\/em>, 2013). Em setembro de 1991, foi realizado o Primeiro Congresso Mundial de Amaranto em Oaxtepec, Morelos, com especialistas da Argentina, Bol\u00edvia, China, Cuba, Equador, Guatemala, \u00cdndia, Jap\u00e3o, Qu\u00eania, M\u00e9xico, Peru, Estados Unidos e Venezuela nas \u00e1reas de biologia, bot\u00e2nica, nutri\u00e7\u00e3o e ci\u00eancias agr\u00edcolas. Foram escritos relat\u00f3rios, relat\u00f3rios, um livro de mem\u00f3rias e v\u00e1rios artigos de pesquisa, que promoveram maior interesse entre os acad\u00eamicos da Unam, da Universidade de Chapingo e do Colegio de Posgraduados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00cdndia e China s\u00e3o os principais produtores, seguidos por Qu\u00eania, Nepal, Peru, R\u00fassia e M\u00e9xico, enquanto Israel, Estados Unidos e Holanda t\u00eam empresas desenvolvendo variedades de sementes para venda a pa\u00edses que produzem e exportam amaranto como flor cortada. Embora n\u00e3o concorrendo com trigo, arroz ou milho, os amarantos desfrutam de uma distribui\u00e7\u00e3o cosmopolita (Lloyd De Shield, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>No M\u00e9xico, o amaranto \u00e9 produzido atualmente em Tlaxcala, Puebla, Hidalgo, Morelos, Estado e Cidade do M\u00e9xico, San Luis Potos\u00ed e Oaxaca; tamb\u00e9m \u00e9 processado em cooperativas ou pequenas empresas que fazem doces, horchata e farinha para fazer biscoitos, churritos, wafers e outros produtos para os mercados locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Santiago Tulyehualco,<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a> por exemplo, tem sido semeado desde o final do s\u00e9culo 20. <span class=\"small-caps\">xix<\/span> e sua popula\u00e7\u00e3o a reivindica como uma cultura \"tradicional\", associada \u00e0 identidade comunit\u00e1ria e camponesa (Ram\u00edrez-Meza <em>et al<\/em>2017; Contreras<em> et al<\/em>. 2017; Herrera Castro, 2018). Desde os anos 70, a Feria de la Alegr\u00eda y el Olivo, um evento alimentar que nos \u00faltimos anos tem envolvido atores da sociedade civil, do setor privado e do governo mexicano, tem sido descrito como uma \"extravag\u00e2ncia de amaranto\" (Suremain, 2019b). A pesquisa bot\u00e2nica e nutricional e a experimenta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no M\u00e9xico geraram amplo conhecimento sobre esta planta, incluindo estrat\u00e9gias para fortalecer sua cadeia de valor, monitorar o aumento dos hectares dedicados ao seu cultivo, documentar as t\u00e9cnicas que s\u00e3o preservadas para sua produ\u00e7\u00e3o, analisar seu lugar nos sistemas agroalimentares locais, enfatizar sua import\u00e2ncia como cultura e alimento estrat\u00e9gico para avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o a modelos alimentares saud\u00e1veis e sua adaptabilidade diante da mudan\u00e7a clim\u00e1tica (Espitia-Rangel, 2012; S\u00e1nchez-Olarte <em>et al<\/em>2015; Ayala Garay <em>et al.<\/em>2014; Sanchez e Navarrete, 2018; Ibarra-Morales<em> et al<\/em>., 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>O registro em 2010 da \"Culin\u00e1ria tradicional mexicana, viva, coletiva e ancestral\" na Lista Representativa do Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial da Humanidade, cujo dossi\u00ea justificava a riqueza e diversidade da comida da milpa (Suremain, 2017), promoveu entre diversos setores - campon\u00eas, acad\u00eamico, gastron\u00f4mico - a revaloriza\u00e7\u00e3o dos alimentos \"tradicionais\" associados \u00e0s dietas mesoamericanas, como o cacau (Suremain 2019a), pulque, insetos e amaranto (Katz e Lazos, 2017), que em 2016 foi inclu\u00eddo na lista do <em>superalimentos<\/em> por suas qualidades nutricionais, sua origem pr\u00e9-hisp\u00e2nica e sua \"ancestralidade\" (Curiel, 2016).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Grupo de Liga\u00e7\u00e3o para a Promo\u00e7\u00e3o de Amaranto no M\u00e9xico<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O <span class=\"small-caps\">gepam<\/span> nasceu no final de 2013 na Universidade Obrera na Cidade do M\u00e9xico, em um encontro entre pessoas que estudam agronomia, desnutri\u00e7\u00e3o e doen\u00e7as degenerativas cr\u00f4nicas, e membros de associa\u00e7\u00f5es civis que procuram melhorar as condi\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o camponesa atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o e consumo de amaranto.<\/p>\n\n\n\n<p>Um coordenador geral do Grupo foi nomeado pela academia e uma agenda de trabalho foi planejada, que foi inaugurada em 2014 com a realiza\u00e7\u00e3o do Primeiro Congresso Nacional de Amaranto na Universidade de Chapingo, com a participa\u00e7\u00e3o de setores cient\u00edficos e acad\u00eamicos do M\u00e9xico e de outros pa\u00edses. O Grupo foi formalizado com \"Estradas de Amaranto\", uma s\u00e9rie de passeios por diferentes estados para aprender como este gr\u00e3o \u00e9 cultivado, colhido, processado e vendido, e os desafios enfrentados pelo setor.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 2015, foi organizado o Primeiro Encontro de Produtores de Amaranto, com o apoio do delegado de <span class=\"small-caps\">sagarpa<\/span><a class=\"anota\" id=\"anota7\" data-footnote=\"7\">7<\/a> no estado de Puebla. Durante dois dias, mais de 300 membros do setor produtivo reuniram-se em um espa\u00e7o de di\u00e1logo, reflex\u00e3o e troca de experi\u00eancias. Os membros da academia facilitaram, escutaram e contribu\u00edram para o registro da reuni\u00e3o, mas n\u00e3o deram suas opini\u00f5es. As origens daqueles que participaram - diferentes estados, comunidades e popula\u00e7\u00f5es etno-lingu\u00edsticas - permitiram \"um di\u00e1logo entre essas diversidades para encontrar resson\u00e2ncias entre os produtores\",<a class=\"anota\" id=\"anota8\" data-footnote=\"8\">8<\/a> que enfatizou as experi\u00eancias compartilhadas a fim de valoriz\u00e1-las como \"conhecimento pr\u00f3prio\" daqueles que produzem e se relacionam com o amaranto, segundo um membro entusiasta do grupo, que garantiu que o encontro garantiu uma \"ecologia do conhecimento\".<a class=\"anota\" id=\"anota9\" data-footnote=\"9\">9<\/a> Neste evento, foram acordadas a\u00e7\u00f5es para posicionar o amaranto como cultura e alimento estrat\u00e9gico, e para fortalecer os la\u00e7os entre as organiza\u00e7\u00f5es de cultivo do amaranto. Em 2016, a coordena\u00e7\u00e3o geral do Grupo passou para um membro de uma associa\u00e7\u00e3o civil, que se voltou para a gera\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as com outras organiza\u00e7\u00f5es que procuram neutralizar os efeitos negativos \u00e0 sa\u00fade do consumo de produtos industrializados, tais como a Alianza por la Salud Alimentaria, El Poder del Consumidor, Alianza por Nuestra Tortilla e a Red de Sistemas Agroalimentarios Localizados.<span class=\"small-caps\">sial<\/span>) do <span class=\"small-caps\">unam<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol5num10-multimedia\/curiel-amaranto-tabla-01.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1503x596\" data-index=\"0\" data-caption=\"Tabla 1. Instituciones integrantes del . Fuente: Elaboraci\u00f3n propia.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/vol5num10-multimedia\/curiel-amaranto-tabla-01.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Tabela 1. As institui\u00e7\u00f5es que fazem parte do <span class=\"small-caps\">gepam<\/span>. Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">No mesmo ano, com o apoio financeiro do governo local, o Grupo organizou o primeiro Dia Nacional do Amaranto, no Monumento a la Revoluci\u00f3n, no <span class=\"small-caps\">cdmx<\/span>O projeto foi apoiado por \u00f3rg\u00e3os governamentais locais e pela participa\u00e7\u00e3o de produtores, processadores, promotores e membros da academia.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo as ag\u00eancias encarregadas de promover pol\u00edticas p\u00fablicas para o desenvolvimento rural e a melhoria da alimenta\u00e7\u00e3o reconheceram o Grupo como interlocutor, o que facilitou a tarefa de tr\u00eas deputados federais de Morena,<a class=\"anota\" id=\"anota10\" data-footnote=\"10\">10<\/a> representantes dos estados onde o amaranto \u00e9 produzido, forneceram recursos e infra-estrutura em fevereiro de 2017 a fim de realizar o Segundo Congresso Nacional de Amaranto, intitulado \"Gerando pol\u00edticas p\u00fablicas\", em um audit\u00f3rio do Pal\u00e1cio Legislativo de San Lazaro. Mais de 350 pessoas participaram, incluindo produtores, processadores e promotores de amaranto de diferentes estados, acad\u00eamicos e ativistas, que discutiram a import\u00e2ncia de inovar a cadeia de valor do amaranto e a\u00e7\u00f5es para promover seu cultivo e consumo. Na declara\u00e7\u00e3o redigida pelas institui\u00e7\u00f5es convocadoras e assistentes, eles designaram o amaranto como um \"ativo biocultural\" e estabeleceram seu compromisso de reivindic\u00e1-lo \"como um gr\u00e3o estrat\u00e9gico para fortalecer a soberania alimentar no M\u00e9xico\". Alguns dias depois, o suplemento do jornal nacional dedicado ao campo <em>La Jornada<\/em> publicou sua 113\u00aa edi\u00e7\u00e3o<a class=\"anota\" id=\"anota11\" data-footnote=\"11\">11<\/a> com o t\u00edtulo <em>Amarra\u00e7\u00f5es<\/em> (aquilo que n\u00e3o murcha, aquilo que n\u00e3o morre), com 24 contribui\u00e7\u00f5es, das quais doze foram escritas por membros da comunidade acad\u00eamica e o restante por membros de organiza\u00e7\u00f5es civis e jornalistas. O conte\u00fado destaca 1) a import\u00e2ncia do amaranto nos tempos pr\u00e9-hisp\u00e2nicos e sua marginaliza\u00e7\u00e3o durante o processo de coloniza\u00e7\u00e3o espanhola, e 2) a urg\u00eancia de diversificar a produ\u00e7\u00e3o rural, o consumo de alimentos e melhorar as economias locais e a sa\u00fade, a fim de promover a soberania alimentar. Greve \u00e9 o uso repetido de adjetivos, tais como <em>sagrado, milenar, ancestral, pr\u00e9-hisp\u00e2nico, asteca <\/em>e<em> primordial<\/em> para caracterizar o amaranto, assim como explica\u00e7\u00f5es sobre sua import\u00e2ncia na vis\u00e3o de mundo dos povos mesoamericanos, ligados \u00e0 vida espiritual e \u00e0 venera\u00e7\u00e3o de seus deuses (Dimas Gonz\u00e1lez, 2017). Embora n\u00e3o haja registro hist\u00f3rico mostrando que o amaranto foi proibido por decreto durante a col\u00f4nia (Velasco Lozano, 2017), sua suposta proibi\u00e7\u00e3o \u00e9 mencionada v\u00e1rias vezes. Depois de 1 de julho de 2018, o Grupo teve abordagens com o diretor de <span class=\"small-caps\">segalmex<\/span><a class=\"anota\" id=\"anota12\" data-footnote=\"12\">12<\/a> para discutir a inclus\u00e3o do amaranto como cultura e alimento estrat\u00e9gico na Lei de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e na cesta b\u00e1sica de alimentos. Em outubro, foi realizado o Congresso Mundial de Amaranto no estado de Puebla, que recebeu quase 700 participantes de v\u00e1rios pa\u00edses e estados da Rep\u00fablica, organizado pelo Grupo e coordenado com institui\u00e7\u00f5es governamentais, organiza\u00e7\u00f5es civis e associa\u00e7\u00f5es, universidades e uma alian\u00e7a binacional com \u00f3rg\u00e3os acad\u00eamicos chilenos, o que contribuiu para o financiamento do evento. Em cinco anos o <span class=\"small-caps\">gepam<\/span> conseguiu posicionar o amaranto como uma op\u00e7\u00e3o alimentar produtiva e saud\u00e1vel, estabelecendo uma liga\u00e7\u00e3o com \"diferentes alimentos e pr\u00e1ticas culin\u00e1rias que est\u00e3o associadas a popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas, n\u00e3o elites e grupos culturais como os povos ind\u00edgenas\" (Finnis, 2012: 1). Seu ativismo foi empreendido \"a partir dos espa\u00e7os sociais e por atores que t\u00eam capacidade, poder, legalidade e legitimidade social para faz\u00ea-lo\" (P\u00e9rez Ru\u00edz e Machuca, 2017: 6). Os eventos aliment\u00edcios funcionaram como espa\u00e7os onde as pr\u00e1ticas foram negociadas e as narrativas que promoviam sua patrimonializa\u00e7\u00e3o foram reativadas no <span class=\"small-caps\">cmdx<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Eventos aliment\u00edcios<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Nesta se\u00e7\u00e3o, ilustramos a performatividade e a politiza\u00e7\u00e3o do <span class=\"small-caps\">gepam<\/span> atrav\u00e9s de seus eventos aliment\u00edcios. Estes s\u00e3o \"festivais e concursos de culin\u00e1ria, livros de receitas, linhas de produtos e marcas, restaurantes, projetos de turismo gastron\u00f4mico, museus comunit\u00e1rios, entre outros\" (Bak-Geller Corona <em>et al<\/em>2019: 21), bem como sua presen\u00e7a na m\u00eddia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O patrim\u00f4nio cultural intang\u00edvel da Cidade do M\u00e9xico<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Durante a inaugura\u00e7\u00e3o do <span class=\"small-caps\">iii<\/span> Fiesta de las Culturas Ind\u00edgenas, Pueblos y Barrios Originarios de la Ciudad de M\u00e9xico, o ent\u00e3o chefe de governo indicou que era um festival cultural para mostrar a riqueza de um pa\u00eds \"multicultural e multi\u00e9tnico\" como o M\u00e9xico. Entre 27 de agosto e 4 de setembro de 2016, o p\u00fablico circulou pelo Z\u00f3calo entre barracas de artesanato, vestu\u00e1rio, t\u00eaxteis, produtos aliment\u00edcios, alimentos preparados e desfrutou de um programa art\u00edstico e cultural de dan\u00e7as folcl\u00f3ricas e m\u00fasica tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo dia, o chefe de governo realizou o ato protocolar para conceder \u00e0 alegr\u00eda de Santiago Tulyehualco a designa\u00e7\u00e3o como \"patrim\u00f4nio intang\u00edvel da Cidade do M\u00e9xico\". Numa atmosfera de j\u00fabilo, v\u00e1rios atores da pol\u00edtica local e da academia se congratularam por este reconhecimento n\u00e3o apenas \"do amaranto e do alegr\u00eda como objetos, mas tamb\u00e9m de toda a cultura por tr\u00e1s deles, assim como o conhecimento que o povo tem de como transformar o amaranto em um doce requintado\". Um promotor da iniciativa - um membro do <span class=\"small-caps\">gepam<\/span>-Em entrevista \u00e0 imprensa, ele destacou que \"este conhecimento ancestral \u00e9 \u00fanico para esta comunidade, pois somente neste lugar existem chinampas de onde s\u00e3o obtidas as mudas e depois levadas para as encostas do morro para terminar de crescer, um processo que leva cerca de seis meses\" (<em>Milenio Digital<\/em>, 2016). O representante do Sistema de Produtos Amaranto da Cidade do M\u00e9xico tamb\u00e9m declarou: \"Colhemos o ouro amarelo para transform\u00e1-lo em ouro branco e fazemos v\u00e1rios pratos, sobremesas, \u00e1guas, tamales e at\u00f3is. <em>Huautli <\/em>vem da l\u00edngua Nahuatl e se traduz como a menor part\u00edcula, o doador da vida. O Amaranto \u00e9 um alimento prodigioso do passado que renasce no presente e que prevalecer\u00e1 no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dias depois, um notici\u00e1rio televisivo aberto transmitiu uma reportagem para divulgar o novo patrim\u00f4nio da capital mexicana. Com m\u00fasica de carac\u00f3is e chocalhos e imagens de pe\u00e7as arqueol\u00f3gicas como a pedra do sol, a voz do apresentador indicou que \"o amaranto faz parte do alimento do centro do pa\u00eds h\u00e1 mais de cinco s\u00e9culos devido a suas propriedades nutricionais extremamente elevadas\".<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a um campo de plantas coloridas, um produtor entrevistado em Tulyehualco apontou que o amaranto \u00e9 usado em tamales, at\u00f3is, biscoitos e \"a tradicional alegr\u00eda\". O apresentador ressaltou que o amaranto era t\u00e3o valorizado nos \"tempos pr\u00e9-hisp\u00e2nicos\" que era pago como tributo aos \"astecas\". Outro produtor assinalou que naquela \u00e9poca era consumido por guerreiros, aos quais deu for\u00e7a, raz\u00e3o pela qual os espanh\u00f3is a proibiram, temendo que perdessem os confrontos durante o processo de coloniza\u00e7\u00e3o. Ele explicou que foi na parte alta de Xochimilco onde o amaranto conseguiu ser preservado ao longo do tempo e concluiu mostrando uma planta de amaranto em sua m\u00e3o: \"reservado para reis, sacerdotes e guerreiros, ele gradualmente recupera o n\u00edvel alcan\u00e7ado antes da chegada dos europeus\" (Azteca Noticias, 2016). Um ano depois, durante um fim de semana em agosto de 2017, foi organizada uma Feira de Amaranto no final ocidental do monumento \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o, organizada pela <span class=\"small-caps\">gepam<\/span>o Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Rural e Equidade para as Comunidades (<span class=\"small-caps\">sederec<\/span>) do <span class=\"small-caps\">cdmx<\/span> e o Sistema de Produtos Amaranto.<\/p>\n\n\n\n<p>Esp\u00e9cimes lil\u00e1s, amarelos e laranjas da planta de amaranto enfeitaram as barracas oferecendo v\u00e1rios alimentos feitos de amaranto. No meio da feira havia v\u00e1rias fileiras de cadeiras e um estande coberto por uma enorme lona. Atr\u00e1s do estande, uma lona impressa com uma grande fotografia de um campo plantado com amaranto anunciou o evento \"A Maior Alegria do Mundo na Cidade do M\u00e9xico\". \u00c0s 11h, um grupo de representantes do governo, produtores e membros do Grupo inaugurou o evento, saudando a celebra\u00e7\u00e3o do \"gr\u00e3o ancestral saud\u00e1vel, parte da dieta de nossos antepassados e o orgulho da Cidade do M\u00e9xico\". Os membros do comit\u00ea organizador correram de lugar em lugar, deram entrevistas ou pararam para cumprimentar os convidados. No primeiro dia da feira, um grupo de alunos de uma escola de culin\u00e1ria fez \"La alegr\u00eda m\u00e1s grande del mundo\" (A maior alegria do mundo) com amaranto estourado e mel. Enquanto o p\u00fablico - a maioria fam\u00edlias - vagueava entre as barracas para comer<a class=\"anota\" id=\"anota13\" data-footnote=\"13\">13<\/a> ou comprar produtos feitos a partir da semente,<a class=\"anota\" id=\"anota14\" data-footnote=\"14\">14<\/a> de agricultores e processadores do sul do pa\u00eds. <span class=\"small-caps\">cdmx<\/span> e outros estados. Com a participa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas acad\u00eamicos, dois produtores e um membro de uma organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil, houve apresenta\u00e7\u00f5es em pain\u00e9is sobre os desafios enfrentados pelo campo mexicano, a semeadura do amaranto sob a perspectiva do pequeno produtor e sua transforma\u00e7\u00e3o dentro da cadeia de valor, e o grande problema de sa\u00fade p\u00fablica decorrente do consumo de produtos ultra-processados. No final dos pain\u00e9is, grupos de dan\u00e7arinos folcl\u00f3ricos e bandas do centro do M\u00e9xico se apresentaram.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O decreto para estabelecer um Dia Nacional do Amaranto<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Em 11 de outubro de 2017, no \u00e2mbito do <span class=\"small-caps\">xxii<\/span> Feira Nacional de Cultura Rural organizada pela Universidade de Chapingo, o ent\u00e3o coordenador geral da <span class=\"small-caps\">gepam<\/span> divulgou \u00e0 imprensa local um documento assinado por representantes de institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, organiza\u00e7\u00f5es de produtores e associa\u00e7\u00f5es civis que afirmava:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">O acordo estabelecendo o dia 15 de outubro como Dia Nacional do Amaranto, com o objetivo de reconhecer sua import\u00e2ncia cultural, ecol\u00f3gica, social, agr\u00edcola e alimentar, j\u00e1 que tem sido a base fundamental do desenvolvimento campon\u00eas desde os tempos pr\u00e9-hisp\u00e2nicos e \u00e9 de grande import\u00e2ncia para o futuro da nutri\u00e7\u00e3o no M\u00e9xico e no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Rodeado por membros deste grupo, ele prop\u00f4s uma grande campanha para promover a produ\u00e7\u00e3o e o consumo do gr\u00e3o e expressou seu desejo de que no futuro ele seja semeado em todo o pa\u00eds, para que seja consumido sobretudo pelas comunidades produtoras. Ao mesmo tempo, um grupo de pessoas moldou um mapa do M\u00e9xico com sementes de amaranto estouradas sobre uma mesa com uma figura emulando um mon\u00f3lito pr\u00e9-hisp\u00e2nico. Um produtor de amaranto, falando \u00e0 imprensa, enfatizou que o amaranto \u00e9 um \"alimento do passado que data de 10.000 anos atr\u00e1s\", e pediu para \"voltar \u00e0s nossas ra\u00edzes\".<\/p>\n\n\n\n<p>Outra mulher, membro de uma associa\u00e7\u00e3o civil, levou o microfone para explicar que o mapa foi elaborado para pensar no M\u00e9xico de hoje, que eles pretendiam \"encher com sementes de 10.000 anos atr\u00e1s e com mel e caramelo, a espiritualidade que tamb\u00e9m est\u00e1 faltando em nosso pa\u00eds\". Como sua colega produtora, ela destacou a import\u00e2ncia de \"voltar \u00e0s nossas ra\u00edzes\" e terminou seu discurso dizendo enfaticamente: \"Estou t\u00e3o orgulhosa de ser mexicana\". Posteriormente, um professor da Universidade de Chapingo indicou que v\u00e1rias inst\u00e2ncias daquela institui\u00e7\u00e3o se juntaram \u00e0 campanha para \"revalorizar o amaranto no M\u00e9xico e no mundo\", afirmando que o que estava acontecendo naquele dia \"ficar\u00e1 para a hist\u00f3ria\" e que ele esperava que a cada 15 de outubro fosse um dia para celebrar a f\u00e1brica, em benef\u00edcio daqueles que \"a produzem, da sociedade e do mundo inteiro\".<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\"400 anos de esquecimento terminam hoje\": a inclus\u00e3o do amaranto na cesta b\u00e1sica de alimentos<\/h3>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas meses depois, foi realizado um evento p\u00fablico em Cedral, San Luis Potos\u00ed, para anunciar uma expans\u00e3o da cesta b\u00e1sica de alimentos de 23 para 40 produtos. Nas aproxima\u00e7\u00f5es ao <span class=\"small-caps\">segalmex<\/span> o Grupo havia concordado com a inclus\u00e3o do amaranto em cinco apresenta\u00e7\u00f5es: farinha de gr\u00e3o popped, farinha de gr\u00e3o integral, granola, churros de amaranto fortificado e semente.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele dia, o presidente do M\u00e9xico, o governador do estado, os chefes dos minist\u00e9rios do bem-estar, agricultura e desenvolvimento rural, e o diretor do <span class=\"small-caps\">segalmex<\/span>Ele enumerou os 17 novos produtos, entre os quais mencionou amaranto e chia, os \u00fanicos que mereceram alguns aplausos do p\u00fablico. Ele disse:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Vale a pena para aqueles que n\u00e3o sabem que quando mencionamos que amaranto e chia est\u00e3o inclu\u00eddos na cesta b\u00e1sica, \u00e9 porque s\u00e3o dois produtos de grande riqueza nutricional, nativos do M\u00e9xico e produzidos em oito estados do pa\u00eds. Quando falamos de alimentos b\u00e1sicos mexicanos, geralmente mencionamos nosso milho e feij\u00e3o sagrados, mas devemos lembrar que os mexicanos originais que povoaram nosso territ\u00f3rio tamb\u00e9m tinham amaranto e chia como alimento di\u00e1rio, como ingredientes saud\u00e1veis em sua dieta. Hoje, no sistema Diconsa, por instru\u00e7\u00f5es presidenciais, estamos vindicando e fortalecendo esta antiga tradi\u00e7\u00e3o de nosso povo, 400 anos de esquecimento est\u00e3o chegando ao fim hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Mais aplausos puderam ser ouvidos pelos produtores de amaranto, membros do <span class=\"small-caps\">gepam<\/span>Os participantes, que conseguiram sentar-se nas filas da frente e colocar um cartaz que dizia em letras grandes \"La fuerza amarantera\" (a for\u00e7a amaranto). Uma prateleira no palco exibia embalagens dos novos produtos inclu\u00eddos na cesta b\u00e1sica e um saco de amaranto carregado por um produtor. O evento continuou por mais 40 minutos com discursos de funcion\u00e1rios, cujos discursos inclu\u00edram men\u00e7\u00f5es de seu interesse em alcan\u00e7ar a auto-sufici\u00eancia alimentar no pa\u00eds, produzir alimentos nas regi\u00f5es e melhorar o acesso aos alimentos. O presidente da rep\u00fablica prometeu a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento rural, apoio aos pequenos produtores e pagamentos porque \"queremos que o que produzimos seja consumido no M\u00e9xico\". E com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inclus\u00e3o do amaranto e da chia, ele concluiu dizendo que seu objetivo \u00e9 \"enraizar os mexicanos em suas terras, em suas culturas\".<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto nas feiras como no programa de televis\u00e3o em an\u00e1lise, observamos a circula\u00e7\u00e3o de uma narrativa constru\u00edda em torno do amaranto a respeito da liga\u00e7\u00e3o entre as pr\u00e1ticas \"ancestrais\" e contempor\u00e2neas de produ\u00e7\u00e3o, e uma reivindica\u00e7\u00e3o de seu valor associado ao patrim\u00f4nio que os produtores de Tulyehualco mant\u00eam como um \"recurso para a diversidade cultural\".<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como para o <span class=\"small-caps\">unesco<\/span> f\u00f3runs internacionais \"t\u00eam sido os cen\u00e1rios privilegiados para a emerg\u00eancia e circula\u00e7\u00e3o discursiva de novas figuras e defini\u00e7\u00f5es do patrim\u00f4nio como recurso para a diversidade cultural, a democratiza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e a promo\u00e7\u00e3o de diferentes grupos sociais\" (\u00c1lvarez, em Medina, 2017: 108), para a <span class=\"small-caps\">gepam<\/span> Estes tipos de eventos aliment\u00edcios operam da mesma forma. Aqueles que participaram como palestrantes mencionaram a relev\u00e2ncia do amaranto na dieta mesoamericana, sua suposta proibi\u00e7\u00e3o durante a \u00e9poca colonial, e sua import\u00e2ncia atual para as pessoas que o produzem para \"fortalecer sua identidade\", \"n\u00e3o perder suas ra\u00edzes\" e manter sua rela\u00e7\u00e3o com esta \"cultura ancestral\". Esta narrativa, que circula entre promotores de alimentos, produtores rurais, acad\u00eamicos e at\u00e9 consumidores, ilustra que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Em termos de sua identifica\u00e7\u00e3o e controle, o patrim\u00f4nio cultural \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social da mem\u00f3ria coletiva e, acima de tudo, uma tomada de posi\u00e7\u00e3o com respeito \u00e0 <em>outro<\/em>as express\u00f5es culturais refletem valores associados, por um lado, \u00e0 identidade pela qual uma popula\u00e7\u00e3o se reconhece (Bak-Geller Corona <em>et al<\/em>., 2019: 18).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Na era da \"efervesc\u00eancia patrimonial\" (Bak-Geller Corona <em>et al<\/em>., 2019) esses eventos e o conte\u00fado da m\u00eddia que produziu o amaranto como alimento ind\u00edgena mostram que \"a din\u00e2mica da constru\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio consiste em atualizar, adaptar e reinterpretar elementos do passado de um determinado grupo; em outras palavras, combinar conserva\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, estabilidade e dinamismo, reprodu\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o\" (Bessi\u00eare, 1998: 27; ver Matta, 2013). Mas isso tamb\u00e9m refor\u00e7a a id\u00e9ia de que aqueles de n\u00f3s nascidos neste pa\u00eds t\u00eam uma origem pr\u00e9-hisp\u00e2nica comum (L\u00f3pez Caballero, 2010) e essa \"certeza\" \u00e9 confirmada no consumo de alimentos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre amaranto e \"culturas pr\u00e9-hisp\u00e2nicas\" foi estabelecida em eventos que inclu\u00edam grupos de dan\u00e7arinos e m\u00fasica \"pr\u00e9-hisp\u00e2nica\" (conchas, guizos e tambores), linhas de pessoas a serem raspadas com copal, limpeza com ervas, cenografias com imita\u00e7\u00f5es de pe\u00e7as arqueol\u00f3gicas, altares com velas e comida \"tradicional\". <br>-e discursos enfatizando o car\u00e1ter \"ancestral\" e \"milenar\" do amaranto que \"nossos antepassados comeram\".<\/p>\n\n\n\n<p>Em v\u00e1rios desses eventos, foram oferecidos os seguintes <em>tzoalli<\/em>um doce feito com massa de amaranto e mel, coberto com amendoim mo\u00eddo, pouco consumido hoje em dia, que nestes cen\u00e1rios \u00e9 identificado com pr\u00e1ticas rituais pr\u00e9-hisp\u00e2nicas bem documentadas (Velasco Lozano, 2001) e com a elabora\u00e7\u00e3o de figuras semelhantes que ainda fazem parte do ritual nas comunidades Nahua, Mixtec e Tlapanec de Alto Balsas e Monta\u00f1a de Guerrero (Broda e Mont\u00fafar L\u00f3pez, 2013).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ativismo alimentar na produ\u00e7\u00e3o de alimentos ind\u00edgenas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Neste documento, nos propusemos a mostrar a relev\u00e2ncia do ativismo alimentar na ativa\u00e7\u00e3o de iniciativas patrimoniais. Os eventos aliment\u00edcios mostraram os aspectos simb\u00f3licos e discursivos e os objetos materiais que encenaram a encena\u00e7\u00e3o de uma narrativa do passado e do presente que produziu um alimento \"ind\u00edgena\". A produ\u00e7\u00e3o de amaranto como um alimento ind\u00edgena aconteceu escolhendo, adaptando, reinterpretando e descontextualizando aspectos de produ\u00e7\u00e3o de heran\u00e7as materializados em eventos aliment\u00edcios e conte\u00fado de m\u00eddia.<\/p>\n\n\n\n<p>No processo, o <span class=\"small-caps\">gepam<\/span> enfatizou o valor patrimonial do amaranto devido a sua ancestralidade e a legitimidade das pr\u00e1ticas culturais (Guzm\u00e1n Ch\u00e1vez, 2019) de produ\u00e7\u00e3o e consumo associadas \u00e0queles que o produzem, transformam e consomem, e isto o tornou \"sua \u00fanica fonte v\u00e1lida de pertencimento e a principal fronteira entre eles e n\u00f3s\" (L\u00f3pez Caballero, 2016: 13); isto \u00e9, entre aqueles que pertencem aos povos ind\u00edgenas ou origin\u00e1rios e aqueles que n\u00e3o pertencem. O ativismo do Grupo reafirma que a heran\u00e7a alimentar \u00e9 um dos elementos envolvidos nos processos contempor\u00e2neos de produ\u00e7\u00e3o da indigeneidade (Bak-Geller Corona, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Sem fazer reivindica\u00e7\u00f5es de identidade ou territoriais, o Grupo tornou vis\u00edveis os problemas enfrentados pelos produtores de amaranto, introduziu a cultura no mercado com melhores condi\u00e7\u00f5es de venda e \"recuperou\" um produto considerado tradicional, ao mesmo tempo em que promoveu a luta contra a pobreza alimentar. Suas a\u00e7\u00f5es geraram alian\u00e7as entre produtores rurais, ativistas da soberania alimentar, membros da academia, membros do funcionalismo p\u00fablico do <span class=\"small-caps\">cdmx<\/span> e a C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso aqui apresentado faz parte da tend\u00eancia global de produzir \"ancestralidade\" para alguns alimentos que entram em um tipo de consumo orientado \u00e0 \"busca de autenticidade\", \"retorno ao local\" (Littaye, 2016) ou, como dizem alguns promotores de amaranto, \"retorno \u00e0s ra\u00edzes\". Observamos que a produ\u00e7\u00e3o de indigeneidade na esfera alimentar atrav\u00e9s da \"representa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas sociais, culturais, pol\u00edticas e comerciais ou <em>performances<\/em> de consumo\" implica recuperar certos alimentos e cozinhas considerados marginalizados para coloc\u00e1-los em espa\u00e7os simb\u00f3licos e pol\u00edticos centrais e inclu\u00ed-los em comportamentos alimentares locais e nacionais (Finnis, 2012: 2) ou, em outras palavras, para negociar os elementos \"ind\u00edgenas\" que entram no circuito global na era do ressurgimento \u00e9tnico (Matta 2013). \u00c9 comum que alguns alimentos end\u00eamicos de nosso continente e abandonados durante os processos de coloniza\u00e7\u00e3o estejam sendo recuperados nos \u00faltimos anos como heran\u00e7a, com valores como \"pr\u00e9-hisp\u00e2nicos\", \"astecas\", \"milenares\", \"ancestrais\", e que devido a sua \"autoctonia\" tornam-se parte da lista de alimentos \"ind\u00edgenas\" (Matta 2013).<em>superalimentos<\/em>\".<a class=\"anota\" id=\"anota15\" data-footnote=\"15\">15<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Este processo s\u00f3cio-cultural define quem e o que \u00e9 considerado ind\u00edgena, atrav\u00e9s da reivindica\u00e7\u00e3o de um alimento baseado em aspectos que s\u00e3o assumidos como essenciais e n\u00e3o \"valores\", um produto da organiza\u00e7\u00e3o dos envolvidos em iniciativas, alian\u00e7as e eventos patrimoniais organizados para coincidir com um mercado alimentar que exige \"autenticidade\" e os interesses pol\u00edticos dos atores institucionais e de mercado. Como uma escolha social contempor\u00e2nea feita de acordo com os valores particulares dos membros de um grupo social (Bessi\u00e8re, 1998), a produ\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio alimentar no M\u00e9xico chama a aten\u00e7\u00e3o para a recorr\u00eancia da narrativa do patrim\u00f4nio comum do passado pr\u00e9-hisp\u00e2nico (L\u00f3pez Caballero, 2010); um mecanismo que opera em nossas concep\u00e7\u00f5es de identidade, comunidade, na\u00e7\u00e3o, povo e territ\u00f3rio, contribuindo para \"uma produ\u00e7\u00e3o cultural no presente que recorre ao passado\" (Kirshenblatt-Gimblett, em Frigol\u00e9, 2010:13).<\/p>\n\n\n\n<p>O ativismo do <span class=\"small-caps\">gepam<\/span> e a iniciativa que encabe\u00e7ou provou ser coerente com os processos de reimagina\u00e7\u00e3o de algumas cozinhas e alimentos que criam anacronismos patrimoniais enquadrados na tend\u00eancia global de patrimonializa\u00e7\u00e3o. Ele trouxe em jogo \"a estrat\u00e9gia de certos setores da sociedade para reivindicar certos tra\u00e7os e atributos culturais, que continuam a moldar modelos e normas, discursos e pr\u00e1ticas homogeneizadoras\" (Guzm\u00e1n Ch\u00e1vez, 2019: 12), e contribuiu para as formas pelas quais \"o multiculturalismo neoliberal observa a etnicidade como fonte de capital social e cultural, e a diversidade cultural como um bem econ\u00f4mico ou mercadoria no mercado global\" (Kymlicka, em Hryciuk, 2019: 95). Na mesma linha, foi destacado que, para o caso de alimentos e cozinhas, \"h\u00e1 uma semelhan\u00e7a entre a patrimonializa\u00e7\u00e3o e a mercantiliza\u00e7\u00e3o do aut\u00eantico, pois o valor do passado \u00e9 a base dos valores que moldam os elementos patrimoniais e tamb\u00e9m o valor dos elementos que s\u00e3o mercantilizados como aut\u00eanticos\" (Frigol\u00e9, 2010: 16).<\/p>\n\n\n\n<p>Ayora-D\u00edaz ressalta que a declara\u00e7\u00e3o de uma iniciativa patrimonial tem efeitos estruturais, pois h\u00e1 uma \"fractaliza\u00e7\u00e3o do aparato burocr\u00e1tico normativo cujas decis\u00f5es e a\u00e7\u00f5es t\u00eam conseq\u00fc\u00eancias para os diferentes grupos envolvidos, seja porque s\u00e3o parte ativa do processo ou porque foram exclu\u00eddos e deixados sem representa\u00e7\u00e3o\" (2019: 215). Ser\u00e1 uma quest\u00e3o de pesquisa adicional para analisar os efeitos da nomea\u00e7\u00e3o do amaranto como um patrim\u00f4nio mundial. <span class=\"small-caps\">cdmx<\/span> e sua inclus\u00e3o na cesta b\u00e1sica de alimentos nos diferentes setores envolvidos no <span class=\"small-caps\">gepam<\/span>O projeto tamb\u00e9m trata da negocia\u00e7\u00e3o em que est\u00e3o atualmente empenhados para atingir seus objetivos e a din\u00e2mica que seu ativismo alimentar tomou para continuar a promover o amaranto como cultura e alimento estrat\u00e9gico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u00c1lvarez, Marcelo y Gloria Sammartino (2009). \u201cPatrimonio alimentario y turismo en la Quebrada de Humahuaca, Argentina\u201d. <em>Estudios y Perspectivas en Turismo<\/em>, n\u00fam. 18, pp. 161-175.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ayala Garay, Alma V., Patricia Rivas-Valencia, Lorena Cort\u00e9s Espinoza, Micaela de la O Ol\u00e1n, Diana Escobedo-L\u00f3pez y Eduardo Espitia-Rangel (2014). \u201cLa rentabilidad del cultivo de Amaranto (Amaranthus spp.) en la regi\u00f3n central de M\u00e9xico\u201d, <em>ciencia ergo-sum<\/em>, vol. 21, n\u00fam. 1, pp. 47-54.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ayora-D\u00edaz Igor (2019). \u201cPosfacio. 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La utilizaci\u00f3n del amaranto en el ritual mexica\u201d, en Y\u00f3lotl Gonz\u00e1lez Torres (coord.), <em>Animales y plantas en la cosmovisi\u00f3n mesoamericana. <\/em>M\u00e9xico: conaculta \/ inah \/ Plaza y Vald\u00e9s, pp. 39-63.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">(2017). \u201cEl amaranto, recurso alimenticio de larga duraci\u00f3n. Patrimonio cultural intangible de la ciudad de M\u00e9xico\u201d. <em>Bolet\u00edn del Colegio de Etn\u00f3logos y Antrop\u00f3logos Sociales<\/em>, n\u00fam. 41, pp. 65-74.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Charlynne Curiel<\/em> \u00e9 formada em hist\u00f3ria pela Universidade Aut\u00f4noma de Baja California. Ela fez mestrado em antropologia social na <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>-Sua pesquisa atual se concentra no campo da antropologia da alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o convencional, nas rela\u00e7\u00f5es das mulheres com a cozinha e a comida em Oaxaca e na produ\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio alimentar. Seus interesses de pesquisa atuais est\u00e3o no campo da antropologia de alimentos n\u00e3o convencionais, rela\u00e7\u00f5es das mulheres com cozinhas e alimentos em Oaxaca e a produ\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio alimentar. Ela leciona no Bacharelado em Antropologia Social e no Mestrado em Sociologia no Instituto de Investiga\u00e7\u00f5es Sociol\u00f3gicas da Universidade Aut\u00f4noma Benito Ju\u00e1rez de Oaxaca (UABJO).<span class=\"small-caps\">iiis-uabjo<\/span>).<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto analisa a patrimonializa\u00e7\u00e3o dos alimentos como um processo social que produz indigeneidade atrav\u00e9s do ativismo alimentar. 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