{"id":35771,"date":"2022-03-21T20:40:02","date_gmt":"2022-03-21T20:40:02","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=35771"},"modified":"2024-04-23T19:11:16","modified_gmt":"2024-04-24T01:11:16","slug":"de-la-peza-resena-rompan-todo-rock-latinoamericano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/de-la-peza-resena-rompan-todo-rock-latinoamericano\/","title":{"rendered":"Rompan Todo: uma das muitas hist\u00f3rias poss\u00edveis do rock latino-americano"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-drop-cap no-indent translation-block\"><em>They Break Everything<\/em> \u00e9 uma s\u00e9rie de document\u00e1rios<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\" target=\"_self\">1<\/a> no g\u00eanero hist\u00f3rico,<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\" target=\"_self\">2<\/a> participativa<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\" target=\"_self\">3<\/a> e testemunhal<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\" target=\"_self\">4<\/a> distribu\u00edda pela Netflix. Ele \u00e9 composto de seis cap\u00edtulos, cada um com dura\u00e7\u00e3o aproximada de uma hora. Os cap\u00edtulos apresentam cronologicamente o desenvolvimento do rock na Am\u00e9rica Latina, cada um cobrindo um per\u00edodo de aproximadamente 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Break It All : Trailer Oficial : Netflix\" width=\"580\" height=\"326\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CWprHs86xao?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">A hist\u00f3ria do rock \u00e9 desenvolvida por meio das vozes de alguns de seus protagonistas\/narradores\/testemunhas que contam suas experi\u00eancias pessoais.<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\" target=\"_self\">5<\/a> L\u00edderes de bandas de rock ou produtores de discos de diferentes pa\u00edses de l\u00edngua espanhola: Col\u00f4mbia, Chile, Uruguai e Espanha, embora predominem relatos de testemunhas da Argentina e do M\u00e9xico. A narrativa se desenvolve nos espa\u00e7os privados dos narradores: a sala de estar de suas casas, seus est\u00fadios de m\u00fasica ou o jardim. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma abund\u00e2ncia de planos m\u00e9dios dos entrevistados olhando para a c\u00e2mera. Em alguns casos, os membros da banda de rock aparecem no palco conversando entre si. As imagens mostram as condi\u00e7\u00f5es de vida satisfat\u00f3rias e financeiramente bem-sucedidas dos roqueiros entrevistados. A maioria dos narradores, exceto no \u00faltimo cap\u00edtulo, est\u00e1 na casa dos 50 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie \u00e9 estruturada por meio da narra\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias singulares articuladas em torno de uma origem e um objetivo comuns. Entre os relatos dos interlocutores, h\u00e1 sequ\u00eancias de material de arquivo, que d\u00e3o conta do contexto pol\u00edtico e econ\u00f4mico em que o rock se desenvolveu em cada pa\u00eds. O desfecho da s\u00e9rie refere-se ao decl\u00ednio do rock na segunda d\u00e9cada do novo s\u00e9culo; no entanto, conclui com uma express\u00e3o de desejo de um novo renascimento do rock, na esperan\u00e7a de que \"o rock nunca morra\".<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro cap\u00edtulo, intitulado \"A Rebeli\u00e3o\", o document\u00e1rio tra\u00e7a as origens do rock na Am\u00e9rica Latina no final dos anos 50 e 60 e conclui com o surgimento de bandas de rock locais que come\u00e7am a criar suas pr\u00f3prias m\u00fasicas e letras no contexto dos estados nacionais patriarcais, autorit\u00e1rios e repressivos da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">O M\u00e9xico surgiu como a porta de entrada para o rock que vinha dos Estados Unidos e de onde se espalhou para o resto da Am\u00e9rica Latina por meio da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de discos e filmes, al\u00e9m de turn\u00eas art\u00edsticas das estrelas do momento. Os grupos de <em>rock and roll<\/em> no M\u00e9xico come\u00e7aram a fazer <em>covers<\/em> com tradu\u00e7\u00f5es \"livres\" para o espanhol de m\u00fasicas em ingl\u00eas. Imagens de arquivo mostram diferentes grupos tocando e cantando em turn\u00eas, casas noturnas e transmiss\u00f5es de r\u00e1dio, filmes e programas de televis\u00e3o. O rock, at\u00e9 ent\u00e3o considerado inofensivo, surge como uma mercadoria das ind\u00fastrias culturais para o consumo das novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A chegada dos Beatles marcou uma nova era. A Beatlemania se espalha entre os jovens latino-americanos que come\u00e7am a formar bandas de rock e a tocar em festas, reuni\u00f5es, caf\u00e9s e espa\u00e7os p\u00fablicos, criando sua pr\u00f3pria m\u00fasica, fora das ind\u00fastrias culturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">Na Argentina, apesar de viver sob o regime militar de Ongan\u00eda, muitas bandas de rock surgiram com forte influ\u00eancia das ideias hippie e existencialistas. Algumas faziam experi\u00eancias com subst\u00e2ncias e psicodelia, outras com as ideias renovadas da religi\u00e3o. A cria\u00e7\u00e3o da gravadora Mandioca: la madre de los chicos (Mandioca: a m\u00e3e dos meninos) deu origem ao rock nacional argentino.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro cap\u00edtulo termina com cenas do movimento estudantil de 1968 no M\u00e9xico. Jovens conscientes se organizaram e exigiram liberdade e democracia, exig\u00eancias \u00e0s quais o governo do Presidente D\u00edaz Ordaz respondeu violentamente com repress\u00e3o, o massacre de Tlatelolco e a pris\u00e3o de l\u00edderes estudantis. As imagens de arquivo em preto e branco das manifesta\u00e7\u00f5es estudantis, a entrada do ex\u00e9rcito na universidade e os disparos militares contra a popula\u00e7\u00e3o estudantil na pra\u00e7a Tlatelolco mostram graficamente a viol\u00eancia do Estado contra os jovens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">No segundo cap\u00edtulo, \"Repress\u00e3o\", os entrevistados narram as condi\u00e7\u00f5es adversas pelas quais o rock passou no contexto da ascens\u00e3o do autoritarismo em regimes militares e antidemocr\u00e1ticos durante os anos 1970, uma d\u00e9cada de enorme turbul\u00eancia pol\u00edtica na Am\u00e9rica Latina. O cap\u00edtulo come\u00e7a com o festival de rock de Av\u00e1ndaro, realizado em 11 de setembro de 1971, no qual a juventude mexicana do rock estourou na cena p\u00fablica. Os jovens mexicanos se expressaram e exigiram liberdade sob o slogan sexo, drogas e <em>rock and roll<\/em>. As imagens contrastam cenas do show com manchetes de jornais que o descreveram como uma \"orgia nojenta\", na qual circulavam \u00e1lcool e maconha, \"a erva do diabo\", e condenaram os jovens do rock como irrespons\u00e1veis e depravados. A resposta do governo do presidente Luis Echeverr\u00eda foi a repress\u00e3o e a proibi\u00e7\u00e3o do rock em espa\u00e7os p\u00fablicos e na m\u00eddia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">O rock mexicano se refugiou, cresceu e se desenvolveu nos <em>hoyos funky<\/em>, espa\u00e7os insalubres e inadequados para reuni\u00f5es clandestinas de roqueiros perseguidos pela extors\u00e3o policial. As vozes dos agentes do Estado contrastam com as cenas alegres e festivas dos shows de rock em Av\u00e1ndaro e nos <em>hoyos funky<\/em> interrompidos por batidas policiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o governo da Unidade Popular triunfou no Chile em 1970. Salvador Allende tornou-se presidente acompanhado pela nova m\u00fasica chilena. Em uma entrevista de arquivo, V\u00edctor Jara declara que \"chega de m\u00fasica estrangeira\" e que a nova m\u00fasica \"busca promover a cria\u00e7\u00e3o do novo homem\", em apoio \u00e0 pol\u00edtica educacional do governo da Unidade Popular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">Em 11 de setembro de 1973, o ex\u00e9rcito chileno, sob o comando de Augusto Pinochet, deu o golpe de Estado contra o governo de Salvador Allende. O document\u00e1rio apresenta imagens de arquivo do ex\u00e9rcito nas ruas e da Casa de la Moneda em meio \u00e0 fuma\u00e7a de estilha\u00e7os. Em <em>off<\/em>, a voz do presidente Salvador Allende \u00e9 ouvida dirigindo suas \u00faltimas palavras ao povo chileno: \"N\u00e3o vou renunciar. Pagarei com minha vida pela lealdade do povo\". Jorge Gonz\u00e1lez, do grupo Prisioneros, conta como V\u00edctor Jara foi preso, torturado e assassinado no est\u00e1dio de futebol naquele mesmo dia. Los Jaibas, um dos grupos de canto novo, conta como tiveram que emigrar, primeiro para a Argentina e depois para o M\u00e9xico, para continuar fazendo sua m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a democracia ca\u00eda no Chile, a democracia retornava na Argentina por um curto per\u00edodo, com a chegada de Per\u00f3n \u00e0 presid\u00eancia. A morte de Per\u00f3n no ano seguinte (1974) significou o retorno da repress\u00e3o e o golpe militar em 1976. Os governos militares do Cone Sul e os governos autorit\u00e1rios (como o do M\u00e9xico) justificaram a viol\u00eancia do Estado, os desaparecimentos for\u00e7ados e a repress\u00e3o aos jovens do rock e da universidade sob o pretexto de \"restabelecer a paz social\" e acabar com a \"delinqu\u00eancia subversiva\", express\u00f5es usadas pelo General Videla em seu discurso \u00e0 na\u00e7\u00e3o quando assumiu o poder, como mostra o material cinematogr\u00e1fico apresentado.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da viol\u00eancia do Estado contra os jovens, os roqueiros (criadores e espectadores) desenvolveram estrat\u00e9gias de resist\u00eancia para continuar criando, compondo, tocando, cantando e dan\u00e7ando, de acordo com os entrevistados. Entretanto, diante do perigo da repress\u00e3o e da amea\u00e7a de pris\u00e3o e desaparecimento, muitos roqueiros tiveram de deixar o pa\u00eds. Santaolalla emigrou para os Estados Unidos e Charly Garc\u00eda para o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro cap\u00edtulo, \"Music in Colour\", trata do florescimento do rock e da psicodelia. O contexto de repress\u00e3o da d\u00e9cada de 1980 foi um ambiente favor\u00e1vel ao desenvolvimento do punk; alguns grupos de rock formados por mulheres tamb\u00e9m floresceram com temas pol\u00eamicos, como aborto e machismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Guerra das Malvinas significou o fim da ditadura e uma situa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel para o rock local. Com a derrota do ex\u00e9rcito argentino para o ex\u00e9rcito brit\u00e2nico, a junta militar proibiu o rock em ingl\u00eas e as esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio e televis\u00e3o foram obrigadas a promover grupos de rock em espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, no M\u00e9xico, o rock sobreviveu por meio da troca de m\u00fasicas no mercado Chopo, os pr\u00f3prios roqueiros abriram locais de m\u00fasica ao vivo e foi criada a primeira gravadora de rock em espanhol: ComRock. O terremoto de 1985 foi um marco para o rock mexicano; as bandas de rock mostraram sua solidariedade com as v\u00edtimas e tocaram em acampamentos, escolas de ensino m\u00e9dio e universidades. Javier Batis, Sergio Arau e Rocco lembram-se de Rockdrigo, sua m\u00fasica e sua tr\u00e1gica morte quando o pr\u00e9dio em que morava desabou.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, os empres\u00e1rios de shows reconheceram o potencial econ\u00f4mico do rock e come\u00e7aram a organizar festivais e shows nas capitais latino-americanas com bandas de rock em espanhol. Grandes locais, como o Auditorio Nacional na Cidade do M\u00e9xico, o festival Vi\u00f1a del Mar no Chile e o Luna Park em Buenos Aires, apresentaram grupos espanh\u00f3is e latino-americanos com grande sucesso. A ind\u00fastria fonogr\u00e1fica transnacional decidiu promover o rock em espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p>O quarto cap\u00edtulo, \"Rock en tu idioma\", mostra como o final da d\u00e9cada de 1980 foi marcado pela ascens\u00e3o do neoliberalismo, a chegada de Menem \u00e0 presid\u00eancia da Argentina e de Carlos Salinas de Gortari \u00e0 presid\u00eancia do M\u00e9xico, como resultado de uma not\u00f3ria fraude eleitoral. O rock en espa\u00f1ol mostrou sua capacidade de encher est\u00e1dios e vender milh\u00f5es de discos em todos os pa\u00edses de l\u00edngua espanhola. Nesse contexto, o produtor musical argentino Oscar L\u00f3pez chegou ao M\u00e9xico em busca de grupos de rock espanhol para promov\u00ea-los. O cap\u00edtulo termina com a chegada de Carlos Salinas de Gortari \u00e0 presid\u00eancia em 1988, documentada com cenas da grande manifesta\u00e7\u00e3o em apoio a Cuauht\u00e9moc C\u00e1rdenas no Z\u00f3calo da capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">O cap\u00edtulo cinco, \"Un continente\" (Um continente), argumenta que a cria\u00e7\u00e3o do canal de televis\u00e3o a cabo <span class=\"small-caps\">mtv<\/span> significou a expans\u00e3o do rock em espanhol em escala continental e a cria\u00e7\u00e3o de uma comunidade de rock latino-americana. A primeira parte da d\u00e9cada de 1990 anunciou a entrada do M\u00e9xico no primeiro mundo, enquanto a Argentina estava experimentando os primeiros estragos do modelo neoliberal imposto por Menem. A abertura dos mercados e a globaliza\u00e7\u00e3o significaram um boom econ\u00f4mico no M\u00e9xico e na Argentina e a queda do regime de Pinochet no Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da crise econ\u00f4mica e da desigualdade causada pelas pol\u00edticas neoliberais, o rock latino-americano se torna um grande neg\u00f3cio e transita de espa\u00e7os alternativos para grandes audit\u00f3rios, festivais massivos e promo\u00e7\u00e3o comercial em escala internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\"A New Era\" \u00e9 o t\u00edtulo do sexto e \u00faltimo epis\u00f3dio. A fase narrada nesse epis\u00f3dio da s\u00e9rie foi caracterizada pela crise pol\u00edtica no M\u00e9xico: a ascens\u00e3o do zapatismo, o assassinato de Colosio como candidato \u00e0 presid\u00eancia e a crise econ\u00f4mica com a mudan\u00e7a de governo. Rock demonstra solidariedade ao movimento zapatista e apoio \u00e0s comunidades ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise econ\u00f4mica na Argentina terminou com a fal\u00eancia dos bancos, com a popula\u00e7\u00e3o saindo \u00e0s ruas e com a ren\u00fancia do presidente De la R\u00faa em 21 de dezembro de 2001. A decomposi\u00e7\u00e3o da burocracia e a corrup\u00e7\u00e3o do governo se materializaram na trag\u00e9dia de Croma\u00f1\u00f3n, um grande concerto realizado em um espa\u00e7o inadequado que deixou 200 jovens queimados at\u00e9 a morte. O document\u00e1rio apresenta o \u00faltimo show de Cerati e a emocionante despedida do povo argentino no dia de sua morte, um pren\u00fancio do fim de uma era de rock como espet\u00e1culo de massa e produ\u00e7\u00e3o industrial de discos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">A expans\u00e3o da tecnologia digital, da Internet e das redes sociais transformou o cen\u00e1rio musical. O acesso a novas tecnologias e a cria\u00e7\u00e3o de redes sociais como My Space, Napster e <span class=\"small-caps\">mp3<\/span> permitiram que as bandas de rock produzissem, divulgassem e comercializassem suas pr\u00f3prias m\u00fasicas, uma transforma\u00e7\u00e3o que significou o colapso do setor musical transnacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie termina com uma pergunta: qual ser\u00e1 o futuro do rock? E vislumbra algumas possibilidades animadoras com a crescente participa\u00e7\u00e3o das mulheres no cen\u00e1rio do rock e a esperan\u00e7a de que o rock nunca morra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">A primeira parte do t\u00edtulo da s\u00e9rie <em>Rompan Todo. A hist\u00f3ria do rock na Am\u00e9rica Latina<\/em> se refere a um \"chamado\" \u00e0 viol\u00eancia feito pelo p\u00fablico em um grande show no Luna Park, na Argentina, em 1973. O grito \u00e9 atribu\u00eddo a Billy Bond, roqueiro e promotor de grupos de rock e um dos interlocutores do di\u00e1logo. Essa express\u00e3o descreve metaforicamente o car\u00e1ter disruptivo do rock como um fen\u00f4meno musical e sociocultural da segunda metade do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da pretens\u00e3o de universalidade anunciada no subt\u00edtulo da s\u00e9rie, prevalece o ponto de vista particular de seu produtor, o principal enunciador do document\u00e1rio e um dos participantes do di\u00e1logo. O document\u00e1rio \u00e9 uma ode a Gustavo Santaolalla, que fez carreira na ind\u00fastria da m\u00fasica e promoveu v\u00e1rios grupos de rock nos quais descobriu valores est\u00e9ticos, propostas originais e potencial econ\u00f4mico como produto de consumo popular. Um ponto de vista compartilhado pelos roqueiros que participaram da s\u00e9rie, na qual as disputas e controv\u00e9rsias internas inerentes ao cen\u00e1rio do rock latino-americano s\u00e3o dilu\u00eddas ou diretamente exclu\u00eddas, resultando em uma hist\u00f3ria linear e evolutiva do rock.<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">A trilha sonora do document\u00e1rio sintetiza a <em>trilha sonora<\/em> de duas gera\u00e7\u00f5es de jovens mexicanos, argentinos e latino-americanos de classe m\u00e9dia, aqueles que cresceram nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970 e seus filhos nascidos nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, que s\u00e3o o p\u00fablico-alvo da s\u00e9rie da Netflix.<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie despertou uma rea\u00e7\u00e3o forte e at\u00e9 mesmo raivosa nas diferentes m\u00eddias de rock mexicanas e argentinas, algumas a favor, outras contra, um sinal irrefut\u00e1vel do interesse coletivo e da relev\u00e2ncia do assunto. A rea\u00e7\u00e3o excessiva e a demanda exorbitante de exaustividade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 s\u00e9rie documental, embora compreens\u00edveis, s\u00e3o, por si s\u00f3, imposs\u00edveis de serem cumpridas, de acordo com os objetivos, o escopo e as possibilidades de uma s\u00e9rie de televis\u00e3o. H\u00e1 muitos motivos para isso, mas o mais importante \u00e9 a prolifera\u00e7\u00e3o de bandas de rock entre os jovens de diferentes pa\u00edses e gera\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos 70 anos. Milhares de grupos nasceram, cresceram e desapareceram em todo o continente, dos quais apenas alguns sobreviveram e alcan\u00e7aram perman\u00eancia, visibilidade p\u00fablica e sucesso econ\u00f4mico suficientes para transcender o grupo de amigos, o bairro, a cidade, o pa\u00eds e o continente.<\/p>\n\n\n\n<p>A defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 e do que n\u00e3o \u00e9 o rock \u00e9 outra exig\u00eancia imposs\u00edvel de ser cumprida. Toda classifica\u00e7\u00e3o se baseia no ponto de vista a partir do qual o fen\u00f4meno \u00e9 definido: se estritamente musical, como um fen\u00f4meno cultural, pol\u00edtico ou social; como um produto das ind\u00fastrias culturais ou de acordo com a maneira como os pr\u00f3prios atores (m\u00fasicos e espectadores) se definem e, finalmente, como o resultado da complexa intera\u00e7\u00e3o de todos os pontos de vista mencionados acima.<\/p>\n\n\n\n<p>O princ\u00edpio de classifica\u00e7\u00e3o e a forma como a s\u00e9rie \u00e9 dividida \u00e9 geogr\u00e1fica, cultural e econ\u00f4mica; coincide com o usado pelas ind\u00fastrias culturais na d\u00e9cada de 1980 e est\u00e1 cristalizado no slogan \"rock en tu idioma\", um nicho de mercado que inclu\u00eda o rock produzido na Espanha e exclu\u00eda as manifesta\u00e7\u00f5es de rock em l\u00edngua portuguesa do Brasil e de Portugal, e o rock produzido em l\u00ednguas ind\u00edgenas. As fronteiras do fen\u00f4meno do rock est\u00e3o mudando e se confundindo n\u00e3o apenas como g\u00eanero musical, fen\u00f4meno social, cultural ou pol\u00edtico, mas tamb\u00e9m em termos de sua localiza\u00e7\u00e3o espacial e temporal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">Uma virtude que torna a s\u00e9rie um importante documento hist\u00f3rico \u00e9 a refer\u00eancia permanente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas em que o rock surgiu como forma de express\u00e3o para as novas gera\u00e7\u00f5es.<a class=\"anota\" id=\"anota7\" data-footnote=\"7\" target=\"_self\">7<\/a> O document\u00e1rio justap\u00f5e a hist\u00f3ria do rock e a hist\u00f3ria pol\u00edtica dos diferentes pa\u00edses como pano de fundo, mostrando como o contexto sociopol\u00edtico, econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico influenciou o desenvolvimento do rock como espa\u00e7o privilegiado de cria\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos jovens roqueiros. O document\u00e1rio torna vis\u00edveis e d\u00e1 conta dos atos repressivos dos governos e das diferentes formas de viol\u00eancia e exclus\u00e3o do Estado contra os jovens, bem como de algumas estrat\u00e9gias de resist\u00eancia, den\u00fancia, subvers\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica empregadas pelos jovens por meio da m\u00fasica, na maioria das vezes sem consci\u00eancia pr\u00f3pria e sem qualquer premedita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" translation-block\">As artes c\u00eanicas e o rock latino-americano s\u00e3o espa\u00e7os de cria\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica nos quais a voz das novas gera\u00e7\u00f5es emerge, intervindo publicamente e produzindo mudan\u00e7as significativas na expans\u00e3o dos direitos e liberdades das mulheres, dos <span class=\"small-caps\">lgbti<\/span>, etc. O rock \u00e9 um espa\u00e7o privilegiado para a delibera\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica conjunta.<\/p>\n\n\n\n<p>As imagens de arquivo servem como testemunho e den\u00fancia da viol\u00eancia do poder estatal contra a popula\u00e7\u00e3o jovem e da for\u00e7a criativa e de protesto das novas gera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o por meio da viol\u00eancia, mas por meio da cria\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e da express\u00e3o de ideias e valores no espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Jelin, Elisabeth (2002). <em>Los trabajos de la memoria.<\/em> Buenos Aires: Siglo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Nichols, Bill (2013). <em>Introducci\u00f3n al documental. <\/em>M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">unam<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"no-indent translation-block\"><em>Ma. del Carmen de la Peza Casares<\/em> \u00e9 graduada em Ci\u00eancias e T\u00e9cnicas da Informa\u00e7\u00e3o pela Universidad Iberoamericana (M\u00e9xico), doutora em Filosofia pela Loughborough University (Reino Unido) no Departamento de Ci\u00eancias Sociais e na \u00e1rea de Comunica\u00e7\u00e3o e Estudos Culturais. Professor distinto da Universidad Aut\u00f3noma Metropolitana-Xochimilco desde 2013; membro do Sistema Nacional de Pesquisadores desde 1998, atualmente no n\u00edvel <span class=\"small-caps\"><span class=\"small-caps\"><span class=\"small-caps\">iii<\/span><\/span><\/span><\/span>. Membro fundador da <span class=\"small-caps\"><span class=\"small-caps\">amic<\/span><\/span><\/span> (Associa\u00e7\u00e3o Mexicana de Pesquisadores em Comunica\u00e7\u00e3o) desde 1979. Suas publica\u00e7\u00f5es incluem tr\u00eas livros de autoria pr\u00f3pria, 40 cap\u00edtulos de livros, 30 artigos em revistas especializadas e coordenadora de seis trabalhos coletivos. Foi Diretora Adjunta de Desenvolvimento Cient\u00edfico do Conacyt 2018-2020. Atualmente, est\u00e1 trabalhando em quest\u00f5es de m\u00fasica, cultura e pol\u00edtica, pol\u00edtica lingu\u00edstica no M\u00e9xico e metodologias de pesquisa qualitativa e an\u00e1lise de discurso.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rompan todo \u00e9 uma s\u00e9rie documental do g\u00eanero hist\u00f3rico, participativo e testemunhal distribu\u00edda pela Netflix. Ela \u00e9 composta de seis cap\u00edtulos, cada um com dura\u00e7\u00e3o aproximada de uma hora. 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