{"id":35012,"date":"2021-09-17T21:14:48","date_gmt":"2021-09-17T21:14:48","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=35012"},"modified":"2023-11-17T18:10:20","modified_gmt":"2023-11-18T00:10:20","slug":"del-palacio-torres-memoria-grafitti-desapariciones-orizaba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/del-palacio-torres-memoria-grafitti-desapariciones-orizaba\/","title":{"rendered":"\"Seus olhares em nossa mem\u00f3ria\". O grafite como estrat\u00e9gia discursiva em face dos desaparecimentos for\u00e7ados na regi\u00e3o de C\u00f3rdoba-Orizaba."},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Este artigo tem como objetivo apresentar os murais sobre os jovens desaparecidos na regi\u00e3o de Orizaba-C\u00f3rdoba, no estado de Veracruz, onde o desaparecimento for\u00e7ado tem sido um problema s\u00e9rio h\u00e1 anos. Ele analisa o trabalho produzido pelo artista Aldo Daniel Hern\u00e1ndez, <em>Fise<\/em>como um ato de resist\u00eancia das m\u00e3es do Colectivo, como uma luta contra o esquecimento e a impunidade, situando-o em seu contexto e analisando as rea\u00e7\u00f5es das autoridades e da sociedade. A an\u00e1lise baseia-se na estrutura te\u00f3rica da sociologia da arte proposta por Garc\u00eda Canclini (2006) e retomada por Salazar (2011) para os murais em Ciudad Ju\u00e1rez, concentrando-se no processo organizacional para a cria\u00e7\u00e3o dessas obras, na estrutura ideol\u00f3gica que pode t\u00ea-las condicionado e nas estrat\u00e9gias discursivas visuais aplicadas. Uma luta discursiva se torna vis\u00edvel entre as v\u00edtimas que buscam tornar a injusti\u00e7a vis\u00edvel e preservar a mem\u00f3ria e outros atores que buscam silenci\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/arte-callejero\/\" rel=\"tag\">arte de rua<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/desaparicion-forzada\/\" rel=\"tag\">desaparecimento for\u00e7ado<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/luchas-por-la-memoria\/\" rel=\"tag\">luta pela mem\u00f3ria<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/resistencia\/\" rel=\"tag\">resist\u00eancia<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/violencia-en-veracruz\/\" rel=\"tag\">viol\u00eancia em Veracruz<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"en-title wp-block-heading\"><span class=\"small-caps\">\"seus olhares em nossa mem\u00f3ria\". o grafite como estrat\u00e9gia discursiva em resposta aos desaparecimentos for\u00e7ados na regi\u00e3o de c\u00f3rdoba-orizaba<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Este artigo analisa os murais de jovens desaparecidos na regi\u00e3o de Orizaba-C\u00f3rdoba, no estado de Veracruz, onde os desaparecimentos for\u00e7ados t\u00eam sido um problema s\u00e9rio h\u00e1 anos. Analisamos a obra \"Fise\", do artista Aldo Daniel Hern\u00e1ndez, como um ato de resist\u00eancia das m\u00e3es, membros do coletivo de v\u00edtimas, como uma luta contra o esquecimento e a impunidade, situando-os em seu contexto e analisando as rea\u00e7\u00f5es das autoridades e da sociedade. Essa abordagem \u00e9 realizada com a estrutura te\u00f3rica da sociologia da arte aplicada por Salazar (2011) nos murais de Ciudad Ju\u00e1rez, inspirada na estrutura original de Garc\u00eda Canclini (2006). Ele se concentra no processo de organiza\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o dessas obras de arte, na estrutura ideol\u00f3gica que permitiu as condi\u00e7\u00f5es para sua cria\u00e7\u00e3o e nas estrat\u00e9gias discursivas visuais aplicadas. Uma luta discursiva se torna vis\u00edvel entre as v\u00edtimas que pretendem chamar a aten\u00e7\u00e3o para a injusti\u00e7a que sofrem e para a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, e outros atores pol\u00edticos e sociais que tentam silenci\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: viol\u00eancia em Veracruz, desaparecimento for\u00e7ado, arte de rua, resist\u00eancia, luta pela mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap abstract\">O estado de Veracruz tem sofrido historicamente conflitos que foram resolvidos de forma violenta por v\u00e1rias d\u00e9cadas (Vel\u00e1zquez, 1985), e atualmente est\u00e1 passando por uma onda de viol\u00eancia que come\u00e7ou em 2006 com a luta de grupos criminosos por territ\u00f3rio (Olvera, Zavaleta e Andrade, 2012 e 2013).<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse panorama, artistas, ativistas, acad\u00eamicos, lutadores sociais e membros de coletivos de v\u00e1rios tipos realizaram trabalhos art\u00edsticos dentro e fora do estado para tornar vis\u00edvel o que est\u00e1 acontecendo em Veracruz, reivindicar suas lutas, repreender as autoridades e conscientizar uma grande parte da sociedade que, na maioria das vezes, \u00e9 indolente. Embora essas manifesta\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia por meio da arte no contexto de viol\u00eancia e desigualdade social que prevalece em Veracruz sejam numerosas, apenas algumas foram analisadas no meio acad\u00eamico. A m\u00fasica e as letras do jaranero e rapper Josu\u00e9 Bernardo Marcial Santos, <em>Tio Mau<\/em>no sul do estado, foram abordados sob a perspectiva da luta pela preserva\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o por Juan Carlos L\u00f3pez (2016). O experimento de teatro social realizado em Amatl\u00e1n, uma cidade onde o grupo de mulheres conhecido internacionalmente como Las Patronas tem sido um apoio constante para os migrantes que viajam no trem chamado <em>a Besta <\/em>da fronteira com a Guatemala at\u00e9 a Cidade do M\u00e9xico, atravessando o estado de Veracruz, foi analisada por Flores Valencia e Ram\u00edrez Arriola (2016). As interven\u00e7\u00f5es virtuais em edif\u00edcios no porto de Veracruz realizadas por Bruno Ferreira em seu <em>Cart\u00f5es postais do inferno de Jarocho<\/em> foram analisados por Villarreal (2016). Mas h\u00e1 outros que ainda n\u00e3o foram abordados pelo meio acad\u00eamico, como os murais com os rostos de jovens desaparecidos em Orizaba, o tema deste artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo tem como objetivo analisar uma express\u00e3o art\u00edstica por meio da qual s\u00e3o transmitidas demandas pol\u00edticas e sociais no estado. No caso dos murais pintados em Orizaba, o artista <em>Fise<\/em>O evento, a pedido do Colectivo de Familiares de Desaparecidos Orizaba-C\u00f3rdoba, teve como objetivo aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o grave problema do desaparecimento for\u00e7ado na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como hip\u00f3tese, propomos que esses murais s\u00e3o um artefato para a constru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria que os membros do Coletivo mant\u00eam e reconstroem sobre seus entes queridos e, como obra de arte, podem conscientizar pessoas que n\u00e3o est\u00e3o familiarizadas com o problema. O sil\u00eancio \u00e9 um elemento fundamental que \u00e9 imposto \u00e0s pessoas que sofreram essas experi\u00eancias de viol\u00eancia, buscando o esquecimento pessoal e social dessas injusti\u00e7as. A arte, especialmente a arte p\u00fablica, tem um papel fundamental na quebra do sil\u00eancio e no desbloqueio dessa imposi\u00e7\u00e3o de esquecimento. Tamb\u00e9m \u00e9 importante observar que, ao organizar a confec\u00e7\u00e3o de um mural na cidade e nas proximidades dos locais onde os atos criminosos foram cometidos, as m\u00e3es est\u00e3o estabelecendo um discurso contra-hegem\u00f4nico em um espa\u00e7o de contesta\u00e7\u00e3o de significado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estrutura te\u00f3rica e ferramentas metodol\u00f3gicas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Os murais s\u00e3o concebidos como uma ferramenta pedag\u00f3gica cr\u00edtica, como potencializadores de esperan\u00e7a com relev\u00e2ncia emancipat\u00f3ria em contextos violentos ou com profundas desigualdades sociais (Salazar, 2011). Com uma tradi\u00e7\u00e3o de longa data, o mural colocado em um espa\u00e7o p\u00fablico pode ter diferentes inten\u00e7\u00f5es, sejam elas pedag\u00f3gicas ou de cr\u00edtica social, e suas inten\u00e7\u00f5es dependem de quem os faz, de quem os encomenda, de quem paga por eles. Todas as caracter\u00edsticas de produ\u00e7\u00e3o dessas obras influenciam a inten\u00e7\u00e3o e o conte\u00fado. Basta contar brevemente os murais de Diego Rivera, Orozco ou Siqueiros, que buscavam promover o nacionalismo p\u00f3s-revolucion\u00e1rio, financiado pelo novo regime pol\u00edtico (Feria e Lince Campillo, 2010; Ram\u00edrez Rodr\u00edguez, 2013).<\/p>\n\n\n\n<p>El<em> graffiti<\/em>Por outro lado, tem merecido m\u00faltiplas interpreta\u00e7\u00f5es (Castelman, 2012; Bansky, 2005; G\u00e1ndara, 2007) como uma estrat\u00e9gia de interven\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o p\u00fablico por parte (principalmente) de jovens que, por meio dessas narrativas textuais e visuais, pretendem se comunicar, se conectar e transmutar, muitas vezes contendo demandas \u00e9tnicas, de classe, nacionalistas ou outras (Valenzuela, 2012), a fim de oferecer reflex\u00f5es por meio da arte que tendem a transformar o espectador (Banksy, 2005).<\/p>\n\n\n\n<p>O autor dos murais que ser\u00e3o discutidos aqui, Aldo Hern\u00e1ndez, <em>Fise<\/em>se considera um artista do grafite e, assim, consolidou sua carreira. Argumentamos que os murais que ser\u00e3o analisados cont\u00eam v\u00e1rias caracter\u00edsticas dessa forma de express\u00e3o art\u00edstica: foram feitos, como aponta G\u00e1ndara (2007), em um espa\u00e7o que foi tomado - pelo menos um deles -, um espa\u00e7o n\u00e3o dedicado a esse fim, que, embora inicialmente tivesse a autoriza\u00e7\u00e3o de seus administradores, seria posteriormente apagado por n\u00e3o ser considerado conveniente. Trata-se tamb\u00e9m de um contra-discurso dirigido a um \"n\u00e3o-consumidor\". \u00c9 verdade que n\u00e3o se tratava de uma atividade clandestina, mas deve-se observar que o <em>graffiti<\/em> Em alguns lugares do M\u00e9xico, ele tem sido realizado com o apoio das autoridades em espa\u00e7os fornecidos por elas. Embora alguns grafiteiros considerem isso indigno, isso n\u00e3o elimina as outras caracter\u00edsticas que mostram seu car\u00e1ter pol\u00eamico e transgressor (Anaya, 2002; Hern\u00e1ndez S\u00e1nchez, 2003).<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro entre o ef\u00eamero e o permanente est\u00e1 presente nos murais analisados. Nesse caso, o pr\u00f3prio nome que as fam\u00edlias dos desaparecidos deram aos murais, e que \u00e9 retomado aqui no t\u00edtulo, \u00e9 significativo: o olhar de seus filhos desaparecidos pretende se tornar permanente e questionar os transeuntes. G\u00e1ndara (2007) tamb\u00e9m aponta a proximidade dessa forma de express\u00e3o com movimentos sociais, como o que est\u00e1 sendo estudado aqui, como uma esp\u00e9cie de rea\u00e7\u00e3o a governos autorit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso se torna particularmente importante em um contexto de inseguran\u00e7a, viol\u00eancia e medo, como era e continua sendo o estado de Veracruz. Os <em>graffiti<\/em> deve ser visto como um ato de rebeli\u00e3o e resist\u00eancia a outras estrat\u00e9gias visuais implementadas pelos detentores do poder, como outdoors produzidos e pagos pelos governos, artigos de jornal que espetacularizam a viol\u00eancia e boletins governamentais que criminalizam e revitimizam as pessoas desaparecidas e suas fam\u00edlias (Aracely Salcedo, entrevista em novembro de 2018; Del Palacio, 2018 e 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Pelas raz\u00f5es acima, al\u00e9m dos materiais usados (aeross\u00f3is), que s\u00e3o reconhecidos como materiais para <em>graffiti<\/em>Voltamos a esse conceito, mesmo que as m\u00e3es os tenham chamado de \"murais\". De fato, <em>graffiti<\/em> e mural n\u00e3o devem ser vistos como uma dicotomia exclusiva (Gar\u00ed, 1995).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante enfatizar que n\u00e3o abordaremos essa forma de arte a partir dos modelos semi\u00f3ticos que levam a uma an\u00e1lise da obra em si, nem daqueles que se concentram nas caracter\u00edsticas est\u00e9ticas. Baseamo-nos na proposta te\u00f3rica sobre a sociologia da arte de Garc\u00eda Canclini (2006), retomada por Salazar (2011), pois ele a utiliza especificamente para estudar os murais de rua em Ciudad Ju\u00e1rez, um local atingido pela viol\u00eancia criminal. Trata-se de um objeto de estudo muito pr\u00f3ximo ao analisado neste artigo. Essa proposta privilegia o contexto e as rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem na elabora\u00e7\u00e3o das produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. Ela \u00e9 composta pelos seguintes elementos de an\u00e1lise: 1) os meios de produ\u00e7\u00e3o: recursos e materiais que possibilitam a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, procedimentos para ger\u00e1-la e os espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o, divulga\u00e7\u00e3o e consumo; 2) as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, que envolvem \"as m\u00faltiplas localiza\u00e7\u00f5es que se estabelecem entre os atores que participam do complexo processo de produ\u00e7\u00e3o-divulga\u00e7\u00e3o-consumo da obra art\u00edstica\" (Salazar, 2011: 270): artistas, p\u00fablico e m\u00eddia; 3) o quadro ideol\u00f3gico que \"condiciona a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica aos sistemas de representa\u00e7\u00e3o estabelecidos\" (Salazar, 2011: 270); e 4) as estrat\u00e9gias discursivas: as pr\u00e1ticas e narrativas a partir das quais os atores - artistas e p\u00fablico - \"ressignificam a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica negociando, opondo-se, apropriando-se, a partir de posi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, das regras provenientes do n\u00edvel da forma\u00e7\u00e3o discursiva e do jogo estabelecido nos campos da discursividade\" (Salazar, 2011: 271). N\u00f3s o usaremos explicitamente no texto, conforme indicado no par\u00e1grafo a seguir e tornado vis\u00edvel ao longo do artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas p\u00e1ginas seguintes, procuramos responder \u00e0s seguintes perguntas: Como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o dos murais? Como essas duas obras inter-relacionadas representam o problema dos desaparecimentos na \u00e1rea de C\u00f3rdoba-Orizaba? Quais foram as respostas das autoridades e dos cidad\u00e3os? Para isso, seguindo a estrat\u00e9gia te\u00f3rica proposta, elaboraremos uma an\u00e1lise 1) da organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o dos murais: as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, 2) dos meios de produ\u00e7\u00e3o, 3) do marco ideol\u00f3gico que condicionou a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e 4) das estrat\u00e9gias discursivas a partir das quais os atores e o p\u00fablico ressignificam esse produto art\u00edstico (Salazar, 2011: 270-271). Apesar de o consumo ser um dos elementos levantados na proposta te\u00f3rica acima mencionada, n\u00e3o foi poss\u00edvel realizar uma abordagem etnogr\u00e1fica da recep\u00e7\u00e3o da obra na via p\u00fablica porque, quando este artigo foi escrito, os murais j\u00e1 haviam sido apagados h\u00e1 algum tempo e a viol\u00eancia e a pandemia de <span class=\"small-caps\">covid<\/span>-A falta de informa\u00e7\u00e3o sobre os murais de Orizaba, que foram apagados, impediu que ele retornasse a Orizaba para fazer perguntas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Um estudo sobre a recep\u00e7\u00e3o desses murais pelos habitantes de Orizaba e at\u00e9 mesmo por alguns dos atores, por exemplo, que insistiram em apag\u00e1-los, ainda est\u00e1 pendente. Esses s\u00e3o os mesmos motivos pelos quais n\u00e3o tiramos as fotos n\u00f3s mesmos, mas confiamos na cole\u00e7\u00e3o de Aracely Salcedo, que documentou todo o processo. Limitamo-nos aqui a coletar depoimentos sobre as estrat\u00e9gias discursivas usadas pelos atores que pudemos entrevistar para ressignificar os murais e o que eles nos disseram sobre a recep\u00e7\u00e3o deles pelo p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 objetivo deste artigo se aprofundar na est\u00e9tica dos murais ou nos poss\u00edveis significados das cores ou na forma como as figuras foram representadas, al\u00e9m do meramente descritivo. Este artigo n\u00e3o se refere \u00e0 an\u00e1lise da arte em si, mas sim \u00e0 necessidade de as fam\u00edlias das v\u00edtimas usarem essa express\u00e3o para tornar vis\u00edvel sua trag\u00e9dia e conscientizar o p\u00fablico sobre ela, bem como as rela\u00e7\u00f5es que foram estabelecidas para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, para responder \u00e0s perguntas feitas com a estrutura te\u00f3rica proposta, analisamos as entrevistas realizadas anteriormente em outubro de 2018 e julho de 2020 com alguns dos atores diretamente envolvidos nesse processo: o artista visual<em> Fise <\/em>e a coordenadora do Colectivo de Familias de Desaparecidos Orizaba-C\u00f3rdoba, Aracely Salcedo, bem como a advogada Ana\u00efs Palacios, e entrevistas com v\u00e1rios membros do Colectivo por Soto em 2018. Tamb\u00e9m foram levadas em conta notas jornal\u00edsticas publicadas sobre o assunto, bem como fotografias dos murais analisados, algumas delas publicadas pela m\u00eddia e outras fornecidas pela pr\u00f3pria Aracely Salcedo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Contexto pol\u00edtico e social de Veracruz.<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">As pessoas desaparecidas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Veracruz \u00e9 um estado mexicano na costa do Golfo do M\u00e9xico, com uma \u00e1rea de 71.826 quil\u00f4metros quadrados, equivalente a 3,7% da superf\u00edcie do pa\u00eds, com 8,1 milh\u00f5es de habitantes, o que o torna o terceiro estado mais populoso do M\u00e9xico. Possui 212 munic\u00edpios e cinco cidades com mais de 200.000 habitantes. 58% da popula\u00e7\u00e3o vive na pobreza e 17,2% na pobreza extrema. A taxa de analfabetismo \u00e9 de 9%, e 55% da popula\u00e7\u00e3o tem apenas o ensino fundamental completo (<span class=\"small-caps\">inegi<\/span>, 2016). Veracruz foi governada por 88 anos pelo Partido Revolucion\u00e1rio Institucional (Partido Revolucion\u00e1rio Institucional) (<span class=\"small-caps\">pri<\/span>). O \u00faltimo dos governos do PRI, presidido por Javier Duarte de Ochoa (2010-2016), caracterizou-se pela corrup\u00e7\u00e3o generalizada, pelo silenciamento de jornalistas (20 dos quais foram assassinados) e pelo crescimento da viol\u00eancia devido \u00e0 luta por territ\u00f3rio entre v\u00e1rios grupos do crime organizado (Del Palacio, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o per\u00edodo do governador Fidel Herrera Beltr\u00e1n (2004-2010), antecessor direto de Duarte, os Zetas, um dos mais sangrentos grupos do crime organizado, originado no estado de Tamaulipas como um bra\u00e7o armado do Cartel do Golfo (Correa-Cabrera, 2018), estabeleceu-se no territ\u00f3rio de Veracruz e gerou n\u00edveis crescentes de viol\u00eancia criminosa sob um pacto com o governo e diferentes for\u00e7as policiais locais. Durante a administra\u00e7\u00e3o do governo de Javier Duarte de Ochoa, o governo federal permitiu a entrada do Cartel de Jalisco New Generation, uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa que surgiu em 2007 como resultado da divis\u00e3o do Cartel de Sinaloa, liderado por Joaqu\u00edn Guzm\u00e1n Loera, <em>El Chapo<\/em>Isso desencadeou um conflito interno com um aumento not\u00e1vel da viol\u00eancia criminal e uma crise humanit\u00e1ria que continua at\u00e9 hoje, conforme evidenciado por v\u00e1rios estudos sobre a regi\u00e3o, incluindo Olvera (2018: 48-49) e Olvera, Zavaleta e Andrade (2012 e 2013). Essa explica\u00e7\u00e3o m\u00ednima sobre a presen\u00e7a de grupos criminosos e seu conluio com os governos estaduais \u00e9 fundamental para entender o fen\u00f4meno do desaparecimento for\u00e7ado no estado e a falta de mobiliza\u00e7\u00e3o das autoridades no per\u00edodo estudado, o que levou as fam\u00edlias a buscar mecanismos alternativos de visibilidade e justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel neste artigo dar uma vis\u00e3o geral, ainda que breve, da situa\u00e7\u00e3o do desaparecimento for\u00e7ado no M\u00e9xico, suas causas e seu crescimento nos \u00faltimos anos. Podemos destacar que esse fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 novo; ele se tornou relevante durante a chamada Guerra Suja na d\u00e9cada de 1970, quando foi realizado com maior intensidade nas \u00e1reas rurais do estado de Guerrero como parte das a\u00e7\u00f5es de contrainsurg\u00eancia do ex\u00e9rcito contra grupos rebeldes armados (Ovalle, 2019; Gonz\u00e1lez Villareal, 2012). Posteriormente, ressurgiu ap\u00f3s o levante do Ex\u00e9rcito Zapatista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional em 1994 em Chiapas e, desde a declara\u00e7\u00e3o de guerra \u00e0s drogas pelo ent\u00e3o presidente Felipe Calder\u00f3n em 2006, esse fen\u00f4meno se espalhou por todo o pa\u00eds (Gonz\u00e1lez Villarreal, 2012; Guevara Berm\u00fadez e Ch\u00e1vez Vargas, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de desaparecidos em Veracruz varia de uma fonte para outra. De acordo com o <span class=\"small-caps\">cenapi<\/span><a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a><span class=\"small-caps\"><\/span> 1 164 pessoas desaparecidas foram registradas entre 2006 e 2018; o <span class=\"small-caps\">rnpd<\/span><a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a><span class=\"small-caps\"><\/span> registra 726 casos entre dezembro de 2006 e janeiro de 2018 e o <span class=\"small-caps\">rppd<\/span><a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a><span class=\"small-caps\"><\/span> afirma que 2.433 pessoas desapareceram entre janeiro de 2006 e dezembro de 2016 (Soto, 2018). Esses n\u00fameros s\u00e3o questionados por coletivos de fam\u00edlias de v\u00edtimas existentes no estado, que estimam um n\u00famero muito maior (<span class=\"small-caps\">imdhd<\/span>, 2019).<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> As causas desse n\u00famero negro s\u00e3o v\u00e1rias: em 2017 e 2018, o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o forneceu dados sobre pessoas desaparecidas em Veracruz (Soto, 2018) e, por outro lado, h\u00e1 o fato de que muitas fam\u00edlias preferiram n\u00e3o denunciar, por medo n\u00e3o apenas dos criminosos, mas tamb\u00e9m por medo de serem criminalizadas pelas autoridades.<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nos munic\u00edpios que cercam as \u00e1reas urbanas de C\u00f3rdoba e Orizaba, as mesmas fontes registram os seguintes casos: <span class=\"small-caps\">cenapi<\/span>, 76 (<span class=\"small-caps\">imdhd<\/span>, 2019); <span class=\"small-caps\">rnped<\/span>direito comum, 73; <span class=\"small-caps\">rnped<\/span>jurisdi\u00e7\u00e3o federal, 24; e <span class=\"small-caps\">rppd<\/span>261 (Soto, 2018), embora essa informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o coincida com os registros do Colectivo de Familias de Desaparecidos Orizaba-C\u00f3rdoba, que at\u00e9 o momento apoia mais de 370 fam\u00edlias na regi\u00e3o (entrevista com Aracely Salcedo, outubro de 2018). N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o territ\u00f3rio entre C\u00f3rdoba, Xalapa e Veracruz foi chamado de \"Tri\u00e2ngulo de Bermudez\", uma refer\u00eancia ao \"Tri\u00e2ngulo das Bermudas\", uma \u00e1rea m\u00e1gica onde se diz que avi\u00f5es e navios desaparecem. O nome deriva do sobrenome do ent\u00e3o Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Estado, Arturo Berm\u00fadez Zurita (Andr\u00e9s Timoteo em Siscar, 2014), acusado de ser respons\u00e1vel ou c\u00famplice em muitos dos casos de v\u00edtimas desaparecidas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-1.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"895x510\" data-index=\"0\" data-caption=\"Mapa 1. M\u00e9xico, zona centro del estado de Veracruz, regi\u00f3n C\u00f3rdoba-Orizaba. Fuente: INEGI. Mapa base: Sat\u00e9lite de Google.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-1.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Mapa 1: M\u00e9xico, zona central do estado de Veracruz, regi\u00e3o de C\u00f3rdoba-Orizaba. Fonte: INEGI. Mapa base: sat\u00e9lite do Google.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Os casos pelos quais o Colectivo \u00e9 respons\u00e1vel n\u00e3o abrangem apenas os munic\u00edpios de Orizaba e C\u00f3rdoba, mas tamb\u00e9m v\u00e1rios nas altas montanhas e at\u00e9 mesmo na \u00e1rea metropolitana do porto de Veracruz. Essa regi\u00e3o tem sido historicamente marcada pelo movimento de mercadorias legais e ilegais entre a costa e o centro do pa\u00eds. \u00c9 tamb\u00e9m uma passagem obrigat\u00f3ria para migrantes sem documentos a caminho dos Estados Unidos. Nos \u00faltimos anos, as gangues criminosas que ainda se abrigam nas \u00e1reas montanhosas e operam ao longo das fronteiras entre Veracruz, Puebla e Oaxaca foram identificadas como respons\u00e1veis por roubos de rodovias, huachicoleo (extra\u00e7\u00e3o de gasolina de oleodutos e sua venda ilegal) e tr\u00e1fico de armas, drogas e pessoas, bem como sequestros e extors\u00e3o, entre outros crimes (Soto, 2018; Siscar, 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse ambiente criminoso \u00e9 uma continuidade e uma extens\u00e3o da forma como os conflitos sociais e pol\u00edticos foram resolvidos por meio da viol\u00eancia na regi\u00e3o. A hist\u00f3ria local se refere a conflitos de terra e confrontos entre caciques nas zonas de cana-de-a\u00e7\u00facar da regi\u00e3o, bem como a cont\u00ednuas disputas intra e inter-sindicais na ind\u00fastria t\u00eaxtil do vale de Orizaba, que quase desapareceu atualmente (Vel\u00e1zquez, 1985). A presen\u00e7a de gangues criminosas dedicadas ao roubo de mercadorias e ao tr\u00e1fico de pessoas tamb\u00e9m tem uma longa hist\u00f3ria (Olvera, Zavaleta e Andrade, 2012 e 2013). A impunidade dos criminosos \u00e9 uma caracter\u00edstica da hist\u00f3ria regional e de Veracruz, como provam repetidamente os trabalhos citados acima (Vel\u00e1zquez, 1985; Olvera, Zavaleta e Andrade, 2012 e 2013) e muitos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>As a\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia dos primeiros coletivos de v\u00edtimas no pa\u00eds, que surgiram da marcha hist\u00f3rica do poeta Javier Sicilia em 2011, foram respondidas pelo Estado com a cria\u00e7\u00e3o de leis e institui\u00e7\u00f5es que eram disfuncionais desde o in\u00edcio, como pode ser visto nas vicissitudes de seu estabelecimento. Uma Lei Geral de V\u00edtimas (2013, reformada em 2017) foi aprovada em n\u00edvel federal e uma Lei de V\u00edtimas para o Estado de Veracruz (emitida em 2014 e depois uma nova em 2017). Essa \u00faltima determinou a cria\u00e7\u00e3o de um Sistema Estadual de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0s V\u00edtimas, que n\u00e3o foi formalmente instalado at\u00e9 junho de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A Comiss\u00e3o Executiva Estadual de Aten\u00e7\u00e3o Integral \u00e0s V\u00edtimas (<span class=\"small-caps\">ceeaiv<\/span>) no estado de Veracruz foi criado em 2017, em meio a controv\u00e9rsias. Como Aracely Salcedo - uma figura-chave para entender a rela\u00e7\u00e3o entre os coletivos e o governo estadual como l\u00edder do movimento - afirma em seus depoimentos (entrevista com Aracely Salcedo, outubro de 2018), a Comiss\u00e3o mal tinha recursos para atender \u00e0s necessidades mais urgentes. Em 2017, foi promulgada a Lei sobre Desaparecimento For\u00e7ado de Pessoas, Desaparecimento Cometido por Particulares e o Sistema Nacional de Busca de Pessoas. Ela foi instalada em novembro de 2018 e reconhece, no papel, uma s\u00e9rie de direitos para as v\u00edtimas e suas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m em fevereiro de 2018, as Promotorias Especializadas em Desaparecimentos For\u00e7ados foram estabelecidas em n\u00edvel federal, mas um ano ap\u00f3s sua cria\u00e7\u00e3o, a Promotoria n\u00e3o havia registrado um \u00fanico caso, ou seja, 100% de impunidade permaneceram (del Palacio, 2020). Em Veracruz, a Lei Especializada sobre o Desaparecimento de Pessoas foi promulgada em 2018. Ela previa a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Estadual de Busca, do Conselho Estadual do Cidad\u00e3o, do Fundo Estadual para V\u00edtimas de Desaparecimentos, da Promotoria Especializada em Desaparecimentos e do Mecanismo de Acesso a Dados, que permaneceu no papel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao assumir o cargo de governador de Veracruz em 1\u00ba de dezembro de 2018, Cuitl\u00e1huac Garc\u00eda declarou estado de emerg\u00eancia humanit\u00e1ria, reconhecendo a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. Isso levou ao Programa de Emerg\u00eancia para Viola\u00e7\u00f5es Graves de Direitos Humanos na \u00c1rea de Desaparecimento de Pessoas, que deve colocar em opera\u00e7\u00e3o toda a legisla\u00e7\u00e3o mencionada, fornecendo recursos e pessoal para as novas institui\u00e7\u00f5es criadas ou a serem criadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Conselho Cidad\u00e3o do Estado e a Comiss\u00e3o de Busca do Estado foram criados em fevereiro de 2019, mas esta \u00faltima, at\u00e9 novembro de 2020, \u00e9 chefiada por uma pessoa encarregada do cargo ap\u00f3s a ren\u00fancia de seu chefe dois meses depois de assumir o cargo. Na mesma data, a Diretoria de Cultura de Paz e Direitos Humanos tamb\u00e9m foi criada dentro do Minist\u00e9rio do Governo e a Lei de Declara\u00e7\u00e3o Especial de Aus\u00eancia por Desaparecimento de Pessoas entrou em vigor (Entrevista com Ana\u00efs Palacios, agosto de 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Todos esses regulamentos e institui\u00e7\u00f5es t\u00eam sido claramente insuficientes, de acordo com os testemunhos pessoais das fam\u00edlias dos desaparecidos. At\u00e9 o momento, prevalecem defici\u00eancias no Sistema Estadual de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0s V\u00edtimas, que impedem o acompanhamento adequado dos casos. Essa situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica j\u00e1 est\u00e1 sendo agravada por cortes no or\u00e7amento da Comiss\u00e3o Executiva de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0s V\u00edtimas, o que est\u00e1 deixando as fam\u00edlias ainda mais indefesas (Del Palacio, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto m\u00ednimo que devemos situar o esfor\u00e7o de mem\u00f3ria e resist\u00eancia que os murais estudados constituem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O projeto<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Consideramos a mem\u00f3ria coletiva como o processo de reconstru\u00e7\u00e3o de um passado vivido por um grupo ou sociedade (Halbwachs, 2004), de modo que os murais a serem analisados podem ser entendidos como um artefato de constru\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria que os membros do Colectivo de Familias de Desaparecidos Orizaba-C\u00f3rdoba mant\u00eam e reconstroem sobre seus entes queridos.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto<em> Seus olhares em nossa mem\u00f3ria<\/em> foi lan\u00e7ado em setembro de 2016 como parte das muitas estrat\u00e9gias de visibilidade realizadas pelo Colectivo. A ideia central consistia em capturar 55 rostos dos desaparecidos das fam\u00edlias do Colectivo em determinados pontos da regi\u00e3o metropolitana. Para isso, o Colectivo entrou em contato e estabeleceu um relacionamento com Aldo Daniel Hern\u00e1ndez, <em>Fise<\/em>que, com a ajuda de membros do Colectivo, pintou dois murais no centro da cidade de Orizaba.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">1) A organiza\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o dos murais: as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e os atores<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Aldo Daniel Hern\u00e1ndez, <em>Fise<\/em>\u00e9 um artista de grafite nascido em Michoac\u00e1n, mas radicado em Rafael Delgado, Veracruz, que colabora com o Colectivo de Familias de Desaparecidos Orizaba-C\u00f3rdoba na pintura de murais. Antes de estabelecer um relacionamento com o Colectivo, <em>Fise<\/em> havia desenvolvido trabalhos visuais sobre a reivindica\u00e7\u00e3o de identidade e outras lutas pol\u00edticas e sociais, como parte de um projeto maior dentro de um coletivo de arte chamado X Familia, formado por artistas de diferentes partes da rep\u00fablica (entrevista com Aldo Hern\u00e1ndez, outubro de 2018). Depois de sofrer agress\u00e3o verbal quando crian\u00e7a por pertencer ao grupo \u00e9tnico Nahua, <em>Fise<\/em> tentou desenvolver um orgulho em sua identidade, que ele expressou em algumas de suas obras de arte e se envolveu em lutas sociais. \"Isso me levou ao coletivo dos desaparecidos... Fiquei muito envolvido em quest\u00f5es de murais como forma de protesto\" (entrevista com Aldo Hern\u00e1ndez, outubro de 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Como assinala Jim\u00e9nez, um dos aspectos fundamentais desse tipo de processos art\u00edsticos \u00e9 que eles atuam a partir do terreno da subjetividade e da mem\u00f3ria, da identidade, e instalam capacidades para compreender a diversidade e encontrar em si mesmo capacidades e recursos insubstitu\u00edveis (Jim\u00e9nez, 2016b: 23). Certas express\u00f5es art\u00edsticas \"s\u00e3o capazes de despertar os recursos mais \u00edntimos e inconfess\u00e1veis, despertar emo\u00e7\u00f5es traumatizantes ou nos comover diante do que vimos com nossos olhos ou com os movimentos da rotina\" (Jim\u00e9nez, 2016b: 32). A arte tem a capacidade de gerar sensibilidade nas rela\u00e7\u00f5es sociais e sua mensagem se torna ainda mais poderosa se ousar romper com as condi\u00e7\u00f5es do que \u00e9 socialmente estabelecido e aceito (Jim\u00e9nez, 2016b: 30). <em>Fise <\/em>encontrou uma forma de desenvolvimento pessoal por meio da arte, nesse caso na <em>graffiti<\/em>O objetivo \u00e9 construir uma vis\u00e3o cr\u00edtica dos diferentes tipos de viol\u00eancia que v\u00eam ocorrendo na \u00e1rea de C\u00f3rdoba-Orizaba h\u00e1 anos e sua posi\u00e7\u00e3o pessoal nesse contexto:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Comecei a conhecer mais<em> graffiti<\/em> de outros estados, em revistas que eu n\u00e3o conhecia, e a partir da\u00ed comecei a me distanciar dos problemas que existiam em minha cidade, que sempre sofreu at\u00e9 hoje, com a depend\u00eancia de drogas e as gangues, e passei a me dedicar \u00e0 pintura. <em>graffiti <\/em>aqui em Orizaba, e sinto que a pintura mudou muito meu modo de vida, porque me afastou dos problemas que existiam, e eu tamb\u00e9m era parte do problema, porque estava machucando outras pessoas, e me afastou disso, e comecei a conhecer mais pessoas, comecei a fazer viagens, a pintar em exposi\u00e7\u00f5es e comecei a pintar nas ruas de Orizaba. <em>graffiti <\/em>em outros estados, e isso come\u00e7ou a abrir mais portas para mim (entrevista com Aldo Hern\u00e1ndez, outubro de 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Jim\u00e9nez explica que a educa\u00e7\u00e3o nas artes pode gerar habilidades \u00e9ticas, disciplinares, de trabalho em equipe e de tomada de decis\u00f5es, em um processo que pode ser transferido para a pr\u00f3pria vida (2016b: 23), em um processo como o que <em>Fise<\/em> experimentado em seu relacionamento com os membros do Coletivo, especialmente com as m\u00e3es. Como argumenta Rend\u00f3n, essas interven\u00e7\u00f5es por meio da arte \"permitem que os membros de uma determinada comunidade convivam, compartilhem experi\u00eancias, identifiquem pontos de encontro e direcionem seus esfor\u00e7os para o que consideram ser o bem comum, estabelecendo la\u00e7os de confian\u00e7a e, assim, desencadeando a a\u00e7\u00e3o coletiva\" (Rend\u00f3n, 2016: 277). Nesse sentido,<em> Fise<\/em> coment\u00e1rios que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">O que eu fiz foi... mudar minha perspectiva, a vis\u00e3o que eu tinha do trabalho; isso mudou minha vida, ...comecei a ver os problemas, a verdadeira realidade social, o que realmente estava acontecendo... Decidi fazer isso tamb\u00e9m, porque h\u00e1 algum tempo tenho a ideia de que, se n\u00e3o ajudarmos uns aos outros, quem vai nos ajudar? E, como sempre, eu tamb\u00e9m estava envolvida em muitos movimentos em favor da identidade, do meio ambiente, tudo isso; eu tamb\u00e9m gostava de apoi\u00e1-los, e foi por isso que decidi apoiar o coletivo dos desaparecidos..., mas isso me ensinou a abrir um pouco mais minhas possibilidades, e ver as senhoras lutando ou lutando por algo que elas amam, isso me motivou a continuar ajudando-as, eu me envolvi mais com elas e at\u00e9 mesmo agora eu as chamo de aunts....\u00c9 algo surpreendente e admir\u00e1vel, porque elas n\u00e3o est\u00e3o mais fazendo isso por si mesmas, mas est\u00e3o lutando por uma causa que para mim \u00e9 muito importante, a seguran\u00e7a das fam\u00edlias, e tamb\u00e9m para que elas n\u00e3o passem por essa situa\u00e7\u00e3o, que eu acho muito dif\u00edcil (entrevista com Aldo Hern\u00e1ndez, outubro de 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Rend\u00f3n aponta que esse tipo de atividade por meio das artes facilita a externaliza\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias e sentimentos dif\u00edceis de serem comunicados por meio de palavras, possibilitando dar sentido ao que aconteceu, expressando e liberando emo\u00e7\u00f5es, atribuindo significado a elas e estabelecendo bases destinadas a fortalecer a coes\u00e3o social e a resili\u00eancia (2016: 277). Parte de tudo isso est\u00e1 refletida nos murais que<em> Fise <\/em>constru\u00eddo de forma colaborativa com os membros dos coletivos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Coletivo de Familiares de Desaparecidos de Orizaba-C\u00f3rdoba - o segundo ator principal - foi formado em 2012 por iniciativa de Aracely Salcedo Jim\u00e9nez, que, ap\u00f3s o desaparecimento de sua filha Fernanda Rub\u00ed, iniciou uma luta, a princ\u00edpio solit\u00e1ria, para encontr\u00e1-la. Ela reuniu outras m\u00e3es que tamb\u00e9m estavam em busca de seus filhos desaparecidos e que tamb\u00e9m n\u00e3o encontraram apoio das autoridades. Em 2020, esse grupo era composto por mais de 370 fam\u00edlias da regi\u00e3o (Del Palacio, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>No Coletivo, as fam\u00edlias encontram acompanhamento jur\u00eddico e apoio solid\u00e1rio e, quando necess\u00e1rio, at\u00e9 mesmo assist\u00eancia financeira. Os membros do Coletivo realizam buscas em sepulturas clandestinas; fazem buscas em pres\u00eddios, centros de reabilita\u00e7\u00e3o e abrigos para moradores de rua; realizam acompanhamento jur\u00eddico e aumentam a visibilidade dos casos (por meio de exposi\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas, passeatas ou os murais que s\u00e3o o tema deste artigo), realizam cursos e oficinas e, \u00e0s vezes, fornecem apoio psicol\u00f3gico e emocional (entrevista com Aracely Salcedo, outubro de 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00eddia local e regional - o terceiro ator principal - quase sempre foi aliada das fam\u00edlias dos desaparecidos, tornando seus casos vis\u00edveis e, muitas vezes, acompanhando-os.<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a> Jornalistas de Veracruz, como No\u00e9 Zavaleta, Oliver Coronado, Miguel Le\u00f3n, Violeta Santiago e Ignacio Carvajal, tentaram se aproximar do lado mais humano dessa trag\u00e9dia, contando as hist\u00f3rias de dor em in\u00fameros artigos, cr\u00f4nicas e at\u00e9 mesmo em alguns livros (Olmos, \"The tragedy of the death of the victims\").<em> et al<\/em>. 2018; Santiago, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas reportagens, cr\u00f4nicas e entrevistas de jornalistas e ativistas estrangeiros sobre a quest\u00e3o ajudaram a tornar a situa\u00e7\u00e3o vis\u00edvel muito al\u00e9m das fronteiras do pa\u00eds (Siscar, 2014; Garc\u00eda, 2014; Roitstein e Thompson, 2018). No caso dos murais, foi Miguel Le\u00f3n, um jovem jornalista da regi\u00e3o que publica na m\u00eddia estadual e nacional, que deu maior visibilidade ao projeto, como veremos a seguir (Le\u00f3n, 2016). No entanto, ele passou despercebido pela maior parte da m\u00eddia do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao p\u00fablico - outro dos atores a serem analisados -, como ser\u00e1 visto na pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o, as pessoas se envolveram de diferentes maneiras: os transeuntes cooperaram com uma moeda, os pais da escola ofereceram comida, enquanto alguns estranhos atacaram os murais e as autoridades da escola, a princ\u00edpio solid\u00e1rias, decidiram apagar o mural correspondente (entrevistas com Aldo Hern\u00e1ndez e Aracely Salcedo, outubro de 2018). Discutiremos essas lutas simb\u00f3licas mais detalhadamente na terceira se\u00e7\u00e3o deste artigo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">2) Meios de produ\u00e7\u00e3o: recursos, processos, espa\u00e7os<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o dos murais, Soto (2018) comenta que a ideia de realizar essa estrat\u00e9gia de visibilidade surgiu para Aracely Salcedo, l\u00edder do coletivo, quando ela observou que os atos de protesto e as manifesta\u00e7\u00f5es que estavam ocorrendo naquele momento n\u00e3o se traduziam em maior acesso \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 verdade para as fam\u00edlias. Eu tinha a expectativa de que uma obra de arte grande e colorida em uma parede onde muitas pessoas passavam poderia ser mais \u00fatil como estrat\u00e9gia de visibilidade e conscientiza\u00e7\u00e3o para despertar empatia em um p\u00fablico farto de marchas e manifesta\u00e7\u00f5es que obstru\u00edam as ruas. Portanto, por meio de um amigo em comum, Aracely Salcedo estabeleceu um di\u00e1logo para os murais com Aldo Hern\u00e1ndez, que concordou em realizar o trabalho sem cobrar por ele e com a \u00fanica condi\u00e7\u00e3o de que lhe fossem fornecidos os materiais, as refei\u00e7\u00f5es e as passagens necess\u00e1rias (entrevista com Aldo Hern\u00e1ndez, outubro de 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira tarefa foi arrecadar o dinheiro para os materiais, que s\u00f3 poderiam ser obtidos na Cidade do M\u00e9xico. Para isso, os membros do Colectivo realizaram rifas de telefones celulares, t\u00eanis de marca e eletrodom\u00e9sticos, al\u00e9m de buscar doa\u00e7\u00f5es, incluindo o <em>boteo<\/em><a class=\"anota\" id=\"anota7\" data-footnote=\"7\">7<\/a> nas ruas (Soto, 2018: 219) e, \u00e9 claro, a explora\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os dispon\u00edveis. Sobre esse \u00faltimo ponto, <em>Fise<\/em> Ele comenta que, em uma ocasi\u00e3o, eles chegaram com todo o material, prontos para come\u00e7ar a pintar, em uma escola que j\u00e1 havia aceitado a proposta de pintura,<a class=\"anota\" id=\"anota8\" data-footnote=\"8\">8<\/a> mas, quando estavam l\u00e1, foram informados de que n\u00e3o poderiam fazer o mural, alegando um mal-entendido entre a ger\u00eancia dos turnos da manh\u00e3 e da tarde para a concess\u00e3o da permiss\u00e3o (entrevista com Aldo Hern\u00e1ndez, outubro de 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de resolver uma s\u00e9rie de problemas, os espa\u00e7os selecionados foram os muros das ruas Oriente 5 e Norte 38, de propriedade de Beatriz Torres Beristain, que tem um bom relacionamento com o coletivo de busca e que declarou: \"em nenhum momento hesitei em participar desse projeto. \u00c9 importante que a popula\u00e7\u00e3o esteja ciente de que as coisas acontecem em Orizaba\" (Le\u00f3n, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse espa\u00e7o \u00e9 emblem\u00e1tico, pois \"em um per\u00edmetro de 500 metros, houve pelo menos tr\u00eas eventos que resultaram em tr\u00eas assassinatos e um sequestro\" (Le\u00f3n, 2016): a quatro ruas de dist\u00e2ncia est\u00e1 a boate Pitbull, onde Fernanda Rub\u00ed Salcedo, filha de Aracely, foi privada de sua liberdade em 7 de setembro de 2012; quatro anos depois, no mesmo local de entretenimento, V\u00edctor Osorio Santa Cruz, vulgo <em>a Pantera<\/em> foi morto junto com outras pessoas. Na boate Shine, n\u00e3o muito longe dali, em setembro de 2016, outros seis jovens foram alvejados; um deles morreu. Portanto, \u00e9 importante a inten\u00e7\u00e3o de se apropriar desse espa\u00e7o, ressignific\u00e1-lo com imagens dos jovens desaparecidos e outros emblemas da paz, como ser\u00e1 visto a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>O outro mural foi pintado na parede da escola prim\u00e1ria Agustina Ram\u00edrez, no Oriente 8 e Oriente 10, onde o diretor inicialmente apoiou a causa (Soto, 2018: 218-219; Le\u00f3n, 2016). A conveni\u00eancia do local estava relacionada \u00e0 facilidade de usar a parede, \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o central e ao grande n\u00famero de pessoas que poderiam v\u00ea-la.<a class=\"anota\" id=\"anota9\" data-footnote=\"9\">9<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Quando os murais estavam sendo pintados, as tarefas e atividades dos envolvidos eram diversas. Os dias come\u00e7avam cedo pela manh\u00e3 e, dependendo das atividades de cada um dos membros do Coletivo, alguns sa\u00edam ou participavam da pintura. Os membros do Coletivo ajudavam limpando e pintando as paredes (ou seja, pintando a cor de fundo) para que as paredes pudessem ser pintadas por cima. <em>Fise<\/em> Eles prepararam e levaram comida para os que estavam l\u00e1 na \u00e9poca; e continuaram a coletar recursos, pedindo dinheiro aos motoristas que passavam, bem como as rifas e outras atividades mencionadas anteriormente (Soto, 2018: 219).<\/p>\n\n\n\n<p>Os materiais para um trabalho dessa natureza s\u00e3o caros: Aldo Daniel Hern\u00e1ndez comentou que o custo de cada aerossol \u00e9 de cerca de 50 pesos (aproximadamente 2,50 d\u00f3lares) e que at\u00e9 20 caixas de 12 aeross\u00f3is podem ser usadas para criar um bom mural. Isso resulta em aproximadamente 12.000 pesos (600 d\u00f3lares na taxa de c\u00e2mbio de novembro de 2020) somente em latas, sem contar o custo de compra de v\u00e1lvulas, rolos, pinc\u00e9is e baldes de tinta para preencher as paredes, entre outros materiais e despesas (entrevista com Aldo Hern\u00e1ndez, outubro de 2018). \u00c9 por isso que as atividades de arrecada\u00e7\u00e3o de fundos s\u00e3o muito importantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se observar que nem todos os membros do Coletivo de Familiares de Desaparecidos de Orizaba-C\u00f3rdoba estavam envolvidos no projeto. As opini\u00f5es sobre o projeto variaram, embora a maioria concordasse com ele e o considerasse uma boa estrat\u00e9gia para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o problema:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">O que foi mais significativo para mim [foi] o grafite dos rostos de nossos desaparecidos, porque... eles s\u00e3o mais vis\u00edveis (Cecilia in Soto, 2018: 219). Eu sa\u00eda e minha filha chegava, ela ia com o beb\u00ea dela, ela estava l\u00e1, n\u00f3s est\u00e1vamos l\u00e1, est\u00e1vamos l\u00e1 em tudo que eles pediam, apoiando eles. Na primeira cerca, na primeira, ...onde est\u00e1 Rub\u00ed, meu filho \u00e9 quem est\u00e1 at\u00e9 a esquina (Laura, em Soto, 2018: 219). Eu n\u00e3o queria que pintassem meu irm\u00e3o, porque eu disse: as pessoas v\u00e3o passar e podem arranh\u00e1-lo, podem... E eu vou me sentir ainda mais feia, quer dizer, n\u00e3o posso (Nora, em Soto, 2018: 220).<\/p>\n\n\n\n<p>Para Soto, o medo no \u00faltimo exemplo \u00e9 totalmente justificado, pois em alguns casos pessoas desconhecidas escreveram a carta Z<a class=\"anota\" id=\"anota10\" data-footnote=\"10\">10<\/a> nos murais, o que se torna uma dupla queixa, como uma amea\u00e7a e um ato de intimida\u00e7\u00e3o, e como a reprodu\u00e7\u00e3o de um estigma que assombra muitos dos parentes dos desaparecidos (Soto, 2018: 220). Esse ponto \u00e9 digno de an\u00e1lise, pois a visibiliza\u00e7\u00e3o desejada foi percebida (e sofrida) por algumas das fam\u00edlias como uma exposi\u00e7\u00e3o indesejada, o que mostra que a obra de arte tamb\u00e9m pode ter efeitos inesperados.<\/p>\n\n\n\n<p>Consideramos que esses murais constituem um discurso contra-hegem\u00f4nico criado para substituir a falta de aten\u00e7\u00e3o das autoridades ao problema do desaparecimento for\u00e7ado. Quando sua filha Fernanda Rub\u00ed desapareceu, Aracely Salcedo pediu ao Presidente Municipal Hugo Chah\u00edn Maluli que lhe concedesse um espa\u00e7o no outdoor municipal, pedido que foi negado. A m\u00e3e desesperada foi informada de que, se quisesse anunciar ali, teria de pagar uma taxa de 1.000 pesos por m\u00eas (cerca de US$ 50). Quando ela quis distribuir panfletos na rua e afix\u00e1-los na via p\u00fablica, descobriu que a pol\u00edcia estava atr\u00e1s dela, removendo os panfletos assim que ela os afixou (entrevista com Aracely Salcedo, outubro de 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o munic\u00edpio tenha acesso a 14 an\u00fancios \"espetaculares\" (an\u00fancios de grande formato, outdoors, <em>outdoors<\/em>) em 19 sites diferentes para causas sociais, nenhum deles \u00e9 usado para fazer alus\u00e3o aos desaparecimentos. A \u00fanica possibilidade de publicidade que as fam\u00edlias t\u00eam s\u00e3o as 50 c\u00f3pias das fotografias dos desaparecidos que lhes s\u00e3o solicitadas no escrit\u00f3rio do Minist\u00e9rio P\u00fablico, que s\u00e3o distribu\u00eddas nos escrit\u00f3rios de outros munic\u00edpios, bem como os cartazes que a Procuradoria Geral do Estado faz para distribuir em outros escrit\u00f3rios do Minist\u00e9rio P\u00fablico. Havia tamb\u00e9m, naquela \u00e9poca, o programa de recompensas oferecido pela Procuradoria Geral, que consistia em anunciar essas recompensas em espa\u00e7os p\u00fablicos, como outdoors e at\u00e9 mesmo em \u00f4nibus urbanos nas regi\u00f5es onde as pessoas desapareceram, mas, de acordo com Aracely Salcedo, at\u00e9 2016, apenas 4% dos desaparecidos haviam sido aceitos no programa (Le\u00f3n, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as \u00e0s entrevistas que os rep\u00f3rteres de Veracruz realizaram sistematicamente com as m\u00e3es, foi poss\u00edvel obter alguma visibilidade p\u00fablica al\u00e9m dos limites do munic\u00edpio. A outra ferramenta de visibilidade \u00e9 a p\u00e1gina do Coletivo no Facebook e sua presen\u00e7a em outras redes nacionais e internacionais. Entretanto, \u00e9 importante enfatizar a inten\u00e7\u00e3o das m\u00e3es de lutar por um espa\u00e7o de visibilidade na pr\u00f3pria cidade de Orizaba, mesmo nas proximidades de onde alguns atos de viol\u00eancia foram cometidos. Em outras palavras, entrar em uma luta pela mem\u00f3ria nos espa\u00e7os de disputa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3) Estrutura ideol\u00f3gica e estrat\u00e9gias discursivas<a class=\"anota\" id=\"anota11\" data-footnote=\"11\">11<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 dentro dessa estrutura e por meio dessas estrat\u00e9gias que diferentes concep\u00e7\u00f5es e vis\u00f5es de mundo s\u00e3o negociadas, se op\u00f5em e entram em conflito entre os produtores da express\u00e3o art\u00edstica e a popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os murais tenham sido originalmente planejados para retratar os 55 desaparecidos cujas fam\u00edlias compunham o Colectivo na \u00e9poca e que estavam dispostos a participar (Le\u00f3n, 2016), devido a restri\u00e7\u00f5es de recursos, apenas alguns deles puderam ser retratados. O primeiro mural, localizado na esquina da Oriente 5 com a Norte 38, nas paredes dos propriet\u00e1rios Beatriz e Jordi, \u00e9 composto de duas partes. A do Oriente 5 tem um fundo amarelo com sete rostos, duas mulheres - Fernanda Rub\u00ed Salcedo e Sayda Anaid Aguilar Arce - e cinco homens. As mulheres est\u00e3o no centro e, no meio delas, h\u00e1 v\u00e1rios elementos visuais, incluindo o seguinte: o logotipo da organiza\u00e7\u00e3o Serapaz;<a class=\"anota\" id=\"anota12\" data-footnote=\"12\">12<\/a> uma imagem, no centro, usada pelo Movement for Our Disappeared no M\u00e9xico;<a class=\"anota\" id=\"anota13\" data-footnote=\"13\">13<\/a> em <em>hashtag<\/em> #SinLasFamiliasNo; o logotipo da organiza\u00e7\u00e3o Cauce Ciudadano, que por algum tempo colaborou com o Colectivo;<a class=\"anota\" id=\"anota14\" data-footnote=\"14\">14<\/a> o logotipo com o qual o coletivo de busca foi identificado na \u00e9poca, que, por raz\u00f5es desconhecidas para n\u00f3s, n\u00e3o est\u00e1 mais em uso hoje, bem como a frase que mais o identifica: \"Porque a luta por uma crian\u00e7a n\u00e3o termina e uma m\u00e3e nunca esquece\", de Aracely Salcedo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a cerca da Norte 38 tem um fundo azul com tons de roxo e a imagem \u00e9 composta por oito rostos, sete de homens e um de mulher. Os elementos ic\u00f4nicos incluem uma pomba e - mais uma vez - o logotipo com o qual o Coletivo foi identificado. Em nenhuma das duas partes do mural est\u00e1 escrito o nome da pessoa retratada, o que pode ter sido uma forma de prote\u00e7\u00e3o para os jovens e suas fam\u00edlias, embora eles apare\u00e7am em esfor\u00e7os posteriores para torn\u00e1-los vis\u00edveis. Os tra\u00e7os s\u00e3o suaves, os rostos dos desaparecidos s\u00e3o aqueles que normalmente s\u00e3o vistos nos formul\u00e1rios de busca em redes sociais, p\u00f4steres, camisetas ou outros suportes visuais.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo mural tamb\u00e9m \u00e9 dividido em duas partes. O segmento da Rua Oriente 8, em um fundo laranja, inclui os rostos de seis pessoas, entre elas novamente Fernanda Rub\u00ed, dessa vez com cabelos pretos. Nesse caso, diferentemente dos murais da Oriente 5 e da Norte 38, os rostos s\u00e3o acompanhados pelo nome e por uma pomba branca, s\u00edmbolo da paz. Aqui, o logotipo com o qual o Coletivo se identificava aparece novamente, e na parte inferior do mural, na forma de uma faixa de cabe\u00e7a, pode-se ler a express\u00e3o: \"Nem perdoar nem esquecer\". Na outra parede, localizada no Oriente 10, em um fundo roxo, podem ser vistos os rostos de cinco homens e uma mulher com seus respectivos nomes. Abaixo, tamb\u00e9m na forma de um cocar, pode-se ler a frase: \"Verdade, mem\u00f3ria e justi\u00e7a\", em uma tipografia representativa do estilo <em>graffiti<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-2.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"499x280\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 1.Mural Oriente 5. Los primeros rostros.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-2.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-3.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"401x225\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 2. Mural Oriente 5. Una madre nunca olvida\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-3.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Mural Oriente 5. As primeiras faces.<\/div><div class=\"image-analysis\"><p>Fonte: Arquivo Aracely Salcedo Recuperado da p\u00e1gina do Facebook do Colectivo de Familias de Desaparecidos Orizaba-C\u00f3rdoba: https:\/\/www.facebook.com\/218804322025217\/photos\/a.218807822024867\/218807755358207\/?type=3&amp;theater, acessado em 21 de junho de 2021.<\/p>\n<\/div><div class=\"caption\">Uma m\u00e3e nunca esquece.<\/div><div class=\"image-analysis\"><p>Fonte: Arquivo Aracely Salcedo Recuperado da p\u00e1gina do Facebook do Colectivo de Familias de Desaparecidos Orizaba-C\u00f3rdoba: https:\/\/www.facebook.com\/218804322025217\/photos\/a.218807822024867\/218807755358207\/?type=3&amp;theater, acessado em 21 de junho de 2021.<\/p>\n<\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>As pinceladas nesse mural tamb\u00e9m s\u00e3o suaves e os rostos expressam sentimentos de calma e felicidade, mas, diferentemente do exemplo anterior das bardas dos propriet\u00e1rios Jordi e Bea, aqui duas grandes demandas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria - o tema principal do projeto - bem como a demanda por verdade e justi\u00e7a foram expressas de forma mais expl\u00edcita. As duas se\u00e7\u00f5es desse mural na escola prim\u00e1ria Agustina Ram\u00edrez foram apagadas. As vers\u00f5es diferem, mas \u00e9 poss\u00edvel que tenha havido fatores internos e externos em rela\u00e7\u00e3o ao conselho de pais, \u00e0 inspetoria escolar e a outros atores pol\u00edticos. Aracely Salcedo apontou esse fato em 2018:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-4.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"404x227\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 3. Mural Oriente 10. Verdad, memoria y justicia. Fuente: Diario digital Al Calor Pol\u00edtico.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-4.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-5.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"388x218\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 4. Mural Oriente 8. Ni perd\u00f3n, ni olvido. Fuente: Diario digital E-Consulta.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-5.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Mural Oriente 10 - Verdade, mem\u00f3ria e justi\u00e7a. Fonte: Jornal digital Al Calor Pol\u00edtico.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Mural Oriente 8: Nem perdoar nem esquecer. Fonte: Jornal digital E-Consulta.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Tenho sentimentos contradit\u00f3rios. Minhas m\u00e3es, muito tristes, est\u00e3o me enviando mensagens. Acreditem, passar por aqueles murais e ver os rostos de seus filhos e filhas pintados ali, me trouxe uma lembran\u00e7a di\u00e1ria de saber que nessa luta eles ainda estavam defendendo cada um deles, e hoje, vendo tudo azul, vendo tudo azul sem aqueles olhos que pedem justi\u00e7a, sem aqueles olhares que pedem que as autoridades e que pedem que n\u00f3s mesmos como sociedade avancemos nessas quest\u00f5es, hoje eles n\u00e3o est\u00e3o mais ali.... Embora possa ter sido por causa disso, n\u00e3o descartamos outras situa\u00e7\u00f5es que temos vivido no contexto com o munic\u00edpio, porque acho muito estranho que o diretor n\u00e3o tenha falado comigo ou se comunicado conosco, j\u00e1 que quando est\u00e1vamos pintando os murais, ele at\u00e9 nos deu algumas faixas que diziam: \"doe para a cria\u00e7\u00e3o dos murais: doe para a cria\u00e7\u00e3o de <em>Seus olhares em nossa mem\u00f3ria<\/em>Isso demonstra a sensibilidade do diretor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o (<em>O mundo de Orizaba<\/em>, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma conversa posterior, Aracely Salcedo compartilhou que o mural havia sido apagado \"porque n\u00e3o dava uma boa imagem, eles se esconderam atr\u00e1s do fato de que, de acordo com isso, os pais n\u00e3o concordavam que as crian\u00e7as deveriam ver que h\u00e1 pessoas perdidas. Acho que n\u00e3o \u00e9 justo, al\u00e9m disso, os pais nos ajudaram, eles nos ajudaram, h\u00e1 pessoas que nos trouxeram um taco quando est\u00e1vamos pintando\" (conversa pessoal com Aracely Salcedo, 29 de julho de 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Se o simples ato de apagar o mural j\u00e1 transmite a sensa\u00e7\u00e3o de uma concep\u00e7\u00e3o diferente, se n\u00e3o oposta, do entendimento do coletivo sobre a luta e a quest\u00e3o dos desaparecimentos na regi\u00e3o, isso se torna ainda mais evidente quando ele n\u00e3o \u00e9 apagado completamente e um dos elementos que a obra continha \u00e9 usado: uma \u00fanica pomba branca dentre todas as que podiam ser vistas no mural. A pomba branca que foi preservada voou no mural original sob um slogan que dizia: \"Quando algu\u00e9m morre, deve ser pranteado, quando desaparece, deve ser trazido de volta\".<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-6.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"785x523\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 5. Trabajos previos. Las madres del Colectivo fondeando las paredes. Fuente: Archivo de Aracely Salcedo.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-6.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-7.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"785x513\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 6. Recaudando fondos. \u201c\u2026A m\u00ed me falta mi hijo que est\u00e1 desaparecido\u201d. Fuente: Archivo de Aracely Salcedo.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-7.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 5. Trabalho anterior. M\u00e3es do Coletivo ancorando as paredes. Fonte: Arquivo de Aracely Salcedo.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Imagem 6: Arrecada\u00e7\u00e3o de fundos. \"...Estou sentindo falta do meu filho que est\u00e1 desaparecido\". Fonte: Arquivo de Aracely Salcedo.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Essa mensagem, que declara o objetivo principal do Collective e a for\u00e7a com que pretendem realiz\u00e1-lo, foi exclu\u00edda e substitu\u00edda por uma que agora diz: \"A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 nosso passaporte para o futuro, porque o amanh\u00e3 pertence \u00e0s pessoas que se preparam para o hoje\". O logotipo do Coletivo tamb\u00e9m foi substitu\u00eddo pelo bras\u00e3o da escola. Nessa mensagem, \u00e9 poss\u00edvel ver uma resposta clara e uma posi\u00e7\u00e3o expressa por parte dos atores que decidiram apagar o mural. Ela tamb\u00e9m deixa claro que a luta simb\u00f3lica por espa\u00e7o \u00e9 forte e que os discursos contra-hegem\u00f4nicos encontram resist\u00eancia significativa por parte de atores que, embora n\u00e3o fa\u00e7am parte do governo, se assumem como defensores do discurso oficial.<\/p>\n\n\n\n<p>A alus\u00e3o ao \"amanh\u00e3\" e ao \"hoje\" \u00e9 impressionante, refor\u00e7ando a tentativa de apagar o \"ontem\", o passado, a mem\u00f3ria, o ato violento de desaparecimento, representado pelos rostos daqueles que n\u00e3o est\u00e3o com suas fam\u00edlias no \"hoje\" e que talvez nunca estejam com elas no \"amanh\u00e3\".<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-8.jpeg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"785x441\" data-index=\"0\" data-caption=\"Imagen 7. Mural intervenido. \u201cPasaporte para el futuro\u201d. Fuente: Google Maps.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/enc-8-multimedia\/del_palacio_torres-sus_miradas-img-8.jpeg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Imagem 7. mural com interven\u00e7\u00f5es. \"Passaporte para o futuro\". Fonte: Google Maps.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Como aponta Soto, a estrat\u00e9gia de visibiliza\u00e7\u00e3o empregada pelo Colectivo por meio da pintura de murais foi uma das mais poderosas e bem-sucedidas, pois permitiu que os rostos dos desaparecidos deixassem os altares do lar para se afirmarem no espa\u00e7o p\u00fablico e, no processo, expor parte da realidade dos eventos violentos na regi\u00e3o, questionar a responsabilidade das autoridades e construir um espa\u00e7o de mem\u00f3ria e luta pela verdade (Soto, 2018: 221).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, n\u00e3o podemos perder de vista que, ao serem expostas no espa\u00e7o p\u00fablico, essas imagens est\u00e3o vulner\u00e1veis a rea\u00e7\u00f5es indesejadas e inesperadas, como a sensa\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00e3o e maior vulnerabilidade por parte de algumas m\u00e3es; outras, inclusive violentas, por parte de atores com diferentes marcos ideol\u00f3gicos, que buscaram criminalizar os jovens representados ou preservar discursos oficiais e o sil\u00eancio, em um processo em que ressignifica\u00e7\u00f5es e reapropria\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas a partir de posi\u00e7\u00f5es e regras espec\u00edficas em um jogo estabelecido no campo da discursividade (Salazar, 2011: 271). Como Jim\u00e9nez aponta, \u00e9 muito necess\u00e1rio desenvolver capacidades sociais e interculturais que andam de m\u00e3os dadas com os processos art\u00edsticos, que nos levam a ser tolerantes com pessoas que pensam de forma diferente, bem como a desenvolver empatia e solidariedade (Jim\u00e9nez, 2016b: 19).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reflex\u00f5es finais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Atualmente, algumas iniciativas e estrat\u00e9gias ganharam for\u00e7a e visibilidade por meio de linguagens art\u00edsticas que buscam gerar experi\u00eancias transformadoras para as pessoas e seus ambientes com base no reconhecimento da arte como construtora do autoconhecimento e do meio ambiente (Jim\u00e9nez, 2016a: 10). Nesse sentido, Veracruz n\u00e3o fica de fora. No estado, h\u00e1 in\u00fameras express\u00f5es art\u00edsticas que, \u00e0s vezes, buscam criticar e combater certas formas de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de <em>Fise<\/em>No caso dos artistas, a colabora\u00e7\u00e3o em redes ou o pertencimento a um coletivo art\u00edstico os ajudou a desenvolver certos aprendizados e uma consci\u00eancia cr\u00edtica de sua realidade e contexto espec\u00edficos, bem como uma avalia\u00e7\u00e3o positiva de sua identidade individual e coletiva. Por outro lado, pode-se observar uma rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria por parte de alguns atores opositores que n\u00e3o podem ser claramente identificados.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro ponto, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 import\u00e2ncia atribu\u00edda \u00e0 identidade individual e coletiva, \u00e9 importante refletir sobre o papel pol\u00edtico e cultural do artista como um ator social indispens\u00e1vel que tem o poder de decompor, recriar, interpretar, transgredir ou reinventar outros mundos poss\u00edveis e, nesse ato, pode dizer o que o sil\u00eancio de um povo guarda (Jim\u00e9nez, em L. L\u00f3pez, 2016: 151).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho em redes ou por meio de coletivos espec\u00edficos, como o X Familia e o Colectivo de Familias de Desaparecidos Orizaba-C\u00f3rdoba no caso de <em>Fise<\/em>destaca o poder das artes e da cultura para desenvolver novas capacidades cognitivas, afetivas e expressivas por meio do trabalho colaborativo, proporcionando a oportunidade de se envolver com outros atores, aprender com suas experi\u00eancias e combinar o desejo com a consci\u00eancia e a intimidade como fonte de conhecimento (Jim\u00e9nez, 2016a: 12).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de <em>Fise<\/em>O fato de ele mesmo mencionar as oportunidades que encontrou na <em>graffiti<\/em> e como a arte abriu oportunidades para que ela se realizasse fora de certos contextos violentos em que se encontrava. Como argumenta L\u00f3pez, o envolvimento em uma atividade art\u00edstica pode ajudar os indiv\u00edduos a entrar em contato consigo mesmos e com suas emo\u00e7\u00f5es e, dessa forma, contribuir para afast\u00e1-los de estados afetivos negativos e contextos adversos (L. L\u00f3pez, 2016: 149-150).<\/p>\n\n\n\n<p>Os murais constituem um ato de resist\u00eancia contra o sil\u00eancio, contra a impunidade, apresentando os rostos dos jovens desaparecidos nas ruas do centro de Orizaba, que em 2016 e nos anos seguintes queria se apresentar como um \"Pueblo m\u00e1gico\" para atrair turismo e investimento. Os eventos violentos relacionados ao desaparecimento for\u00e7ado mostrados em um mural aparentemente inofensivo foram um tapa na cara dessa vers\u00e3o adocicada da cidade progressista, pac\u00edfica e m\u00e1gica. Isso \u00e9 evidenciado pelos testemunhos das m\u00e3es, que, como j\u00e1 mencionado, n\u00e3o tiveram permiss\u00e3o para exibir seus cartazes em espa\u00e7os p\u00fablicos para procurar seus filhos, e a pol\u00edcia at\u00e9 mesmo rasgou os panfletos que elas estavam colando.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 surpreendente, portanto, observar uma rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria e oposicionista por parte de certos atores com diferentes esquemas ideol\u00f3gicos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 obra e ao trabalho do artista e do Coletivo. Isso pode ser visto claramente nas marca\u00e7\u00f5es da letra Z nos murais que ele pintou. <em>Fise<\/em>que mostra a criminaliza\u00e7\u00e3o dos desaparecidos, bem como na a\u00e7\u00e3o de apagar o mural da escola prim\u00e1ria Agustina Ram\u00edrez sem qualquer aviso. O fato de usar um elemento do mesmo mural, apropriando-se dele, ressignificando-o, para transmitir uma mensagem totalmente diferente da original, com a inten\u00e7\u00e3o de apagar a mem\u00f3ria, \u00e9 profundamente agressivo: um contragolpe na arena p\u00fablica na luta pelas mem\u00f3rias coletivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Concordamos com Anne Huffschmid que nenhum espa\u00e7o urbano \u00e9 natural, mas \u00e9 social, constitu\u00eddo discursivamente e, como tal, um produto de conflito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">A mem\u00f3ria tornada p\u00fablica est\u00e1 dividida entre experi\u00eancia \u00edntima e coletiva, entre oficial e dissidente, entre aberta e restrita... n\u00e3o h\u00e1 nada estabilizado ou garantido para sempre, mas negocia\u00e7\u00e3o ou conflito e uma multiplicidade de maneiras de marcar e simplificar o passado no presente (Huffschmid, 2012: 11).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 exatamente o que est\u00e1 acontecendo com os murais dos jovens desaparecidos em Orizaba, um conflito constante sobre a mem\u00f3ria do que deve ser lembrado: os jovens desaparecidos de quem o amanh\u00e3 foi tirado ou a fantasia do futuro nas crian\u00e7as que estudam para forjar um amanh\u00e3 para si mesmas.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo Miranda Cano (2016), concorda-se que a arte pode ser um elemento-chave na preven\u00e7\u00e3o e permitir a constru\u00e7\u00e3o de novas culturas baseadas na ordena\u00e7\u00e3o do mundo interno e no reconhecimento do outro. Trata-se, portanto, de assumir a alteridade e respeit\u00e1-la, de desenvolver a empatia por meio da reflex\u00e3o cont\u00ednua, de tentar n\u00e3o ficar alheio \u00e0 dor do outro. Trata-se de sentir e pensar sobre a viol\u00eancia que nos cerca. Essas s\u00e3o ideias distantes, mas necess\u00e1rias. Embora o mural tenha sido apagado e ressignificado, \u00e9 importante destacar a luta simb\u00f3lica que ocorreu naquele espa\u00e7o como o in\u00edcio de um processo de apropria\u00e7\u00e3o, com seus altos e baixos, que n\u00e3o vai parar. As lutas pela mem\u00f3ria no espa\u00e7o p\u00fablico continuar\u00e3o e \u00e9 necess\u00e1rio continuar analisando os esfor\u00e7os de todos os atores para se apropriar e\/ou ressignificar o passado, bem como entender como as cidades se lembram, considerando a mem\u00f3ria como um fato social (Connerton, 2010), o que dever\u00e1 ser deixado pendente para estudos posteriores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Anaya, Ricardo (2002). <em>El <\/em>graffiti<em> en M\u00e9xico, \u00bfarte o desastre?<\/em> Quer\u00e9taro: Universidad Aut\u00f3noma de Quer\u00e9taro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Banksy (2005).<em> Wall and Piece<\/em>. Londres: Random House.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Castelman, Craig (2012). <em>Getting up. 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Buenos Aires: Eudeba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Garc\u00eda, Jacobo (2014, 26 de junio). \u201cLas cinco cruces de do\u00f1a Berta en el pueblo de las fosas\u201d. <em>Diario El Mundo<\/em>. Recuperado de https:\/\/www.elmundo.es\/cronica\/2014\/06\/29\/53ae87ffe2704eba3e8b456d.html, consultado el 11 de junio de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Garc\u00eda Canclini, N\u00e9stor (2006). <em>La producci\u00f3n simb\u00f3lica. Teor\u00eda y m\u00e9todo en sociolog\u00eda del arte<\/em>. M\u00e9xico: Siglo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Gar\u00ed, Joan (1995). <em>La conversaci\u00f3n mural. Apuntes para una historia del <\/em>graffiti. Madrid: Fudesco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Gil Olmos, Jos\u00e9, <em>et al.<\/em> (2018). <em>Los buscadores<\/em>. M\u00e9xico: Ediciones Proceso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Gonz\u00e1lez Villarreal, Roberto (2012). <em>Historia de la desaparici\u00f3n, nacimiento de una tecnolog\u00eda represiva<\/em>. M\u00e9xico: Terracota.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Guevara Berm\u00fadez, Jos\u00e9 Antonio y Guadalupe Ch\u00e1vez Vargas (2018). \u201cLa impunidad en el contexto de la desaparici\u00f3n forzada en M\u00e9xico\u201d. <em>Eunom\u00eda. Revista en Cultura de la Legalidad<\/em>, n\u00fam. 14, pp.162-174. https:\/\/doi.org\/10.20318\/eunomia.2018.4161.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Halbwachs, Maurice (2004). <em>La memoria colectiva<\/em>. Zaragoza: Prensas Universitarias de Zaragoza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Hern\u00e1ndez S\u00e1nchez, Pablo (2003). <em>La historia del <\/em>graffiti<em> en M\u00e9xico<\/em>. M\u00e9xico: Radio Neza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Huffschmid, Anne (2012). \u201cTopograf\u00edas en conflicto\u201d, en Anne Huffschmidt y Valeria Dur\u00e1n (eds.), <em>Topograf\u00edas conflictivas. Memorias, espacios y ciudades en disputa<\/em>. Buenos Aires: Trilce, pp. 11-20.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Instituto Mexicano de Derechos Humanos y Democracia (2019). <em>Dignificando la memoria. La desaparici\u00f3n de personas en Veracruz.<\/em> M\u00e9xico: Comisi\u00f3n Ejecutiva de Atenci\u00f3n a V\u00edctimas &#8211; Instituto Mexicano de Derechos Humanos y Democracia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Instituto Nacional de Estad\u00edstica y Geograf\u00eda (2016). <em>Anuario estad\u00edstico y geogr\u00e1fico de Veracruz<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">inegi<\/span>. Recuperado de https:\/\/books.google.com.mx\/books?id=ayDZDwAAQBAJ, consultado el 21 de junio de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Jim\u00e9nez, Lucina (2016a). \u201cIntroducci\u00f3n\u201d, en Lucina Jim\u00e9nez (ed.), <em>Arte para la convivencia y educaci\u00f3n para la paz<\/em>. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica \/ Secretar\u00eda de Cultura, pp. 9-17.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Jim\u00e9nez, Lucina (2016b). \u201cEducar en artes y cultura para la convivencia y la paz\u201d, en Lucina Jim\u00e9nez (ed.), <em>Arte para la convivencia y educaci\u00f3n para la paz<\/em>. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica \/ Secretar\u00eda de Cultura, pp. 19-33.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Le\u00f3n, Miguel \u00c1ngel (2016, 25 de septiembre). \u201cLa ciudad tapizada con rostros de secuestrados\u201d. <em>BlogExpedienteMx<\/em>. Recuperado de http:\/\/periodicodeveracruz.com\/nota\/21582\/periodico-de-veracruz-portal-de-noticias-veracruz\/la-ciudad-tapizada-con-rostros-de-secuestrados, consultado el 11 de junio de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">L\u00f3pez, Juan Carlos (2016). <em>Nuestra lucha es salvar tradiciones. Actores y agencias \u00e9tnicas en Sayula de Alem\u00e1n, Veracruz.<\/em> Tesis de maestr\u00eda, <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>-Golfo. Recuperado de http:\/\/repositorio.ciesas.edu.mx\/bitstream\/handle\/123456789\/381\/M676.pdf, consultado el 21 de junio de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">L\u00f3pez, Laura Iveth (2016). \u201cLos proyectos culturales como herramienta para reinventarnos\u201d, en Lucina Jim\u00e9nez (ed.), <em>Arte para la convivencia y educaci\u00f3n para la paz<\/em>. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica\u2013Secretar\u00eda de Cultura, pp. 144-160.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Miranda Cano, Leonardo (2016). \u201cLos artistas de Ju\u00e1rez y la reconstrucci\u00f3n de la paz\u201d, en Lucina Jim\u00e9nez (ed.), <em>Arte para la convivencia y educaci\u00f3n para la paz<\/em>. Ciudad de M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica-Secretar\u00eda de Cultura, pp. 106-126.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Olvera, Alberto Javier, Alfredo Zavaleta y V\u00edctor Andrade (2012). <em>Veracruz en crisis<\/em>. Xalapa: Universidad Veracruzana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Olvera, Alberto Javier, Alfredo Zavaleta y V\u00edctor Andrade (2013). <em>Diagn\u00f3stico de la violencia, la inseguridad y la justicia en Veracruz<\/em>. Xalapa: Universidad Veracruzana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Olvera, Alberto Javier (2018). \u201cLos reg\u00edmenes autoritarios subnacionales en la regi\u00f3n golfo-sur de M\u00e9xico\u201d, en Jos\u00e9 Alfredo Zavaleta y Arturo Alvarado (ed.), <em>Interregnos subnacionales. La implementaci\u00f3n de la Reforma de Justicia Penal en M\u00e9xico. El caso de la regi\u00f3n golfo-sureste.<\/em> M\u00e9xico: Colof\u00f3n \/ Universidad Aut\u00f3noma de Ciudad Ju\u00e1rez, pp. 39-60.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ovalle, Camilo Vicente (2019). <em>Tiempo suspendido. Una historia de la desaparici\u00f3n forzada en M\u00e9xico 1940-1980<\/em>. M\u00e9xico: Bonilla Artigas Editores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Palacio, Celia del (2018). <em>Callar o morir en Veracruz. Violencia y medios de comunicaci\u00f3n en el sexenio de Javier Duarte (2010-2016)<\/em>. M\u00e9xico: Juan Pablos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Palacio, Celia del (2020). <em>Porque la lucha por un hijo no termina\u2026 Testimonios de familiares del Colectivo Orizaba-C\u00f3rdoba<\/em>. Xalapa: Universidad Veracruzana \/ Fundaci\u00f3n Heinrich B\u00f6ll.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ram\u00edrez Rodr\u00edguez, Rodolfo (2013). \u201cDiego Rivera y las im\u00e1genes de lo popular en el nacionalismo cultural\u201d. <em>Revista Tramas<\/em>, n\u00fam. 40, pp. 319-350. Recuperado de https:\/\/tramas.xoc.uam.mx\/index.php\/tramas\/article\/view\/675, consultado el 13 de junio de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rend\u00f3n, Eunice (2016). \u201cEl arte, la cultura y la prevenci\u00f3n social de la violencia: una perspectiva pr\u00e1ctica\u201d, en Lucina Jim\u00e9nez (ed.), <em>Arte para la convivencia y educaci\u00f3n para la paz<\/em>. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica \/ Secretar\u00eda de Cultura, pp. 276-299.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Roitstein, Florencia y Andr\u00e9s Thompson (2018). <em>La rebeli\u00f3n de lo cotidiano. Mujeres generosas que cambian Am\u00e9rica Latina<\/em>. Buenos Aires: Biblos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">RompevientoTV (2015, 29 de noviembre).<em> Serapaz \u201309 de noviembre 2015\u2013 Programa sobre desaparici\u00f3n forzada y desaparici\u00f3n por particulares <\/em>(video). Recuperado de https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rR4Qk9Y0fS8, consultado el 13 de junio de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Salazar, Salvador (2011). \u201cIm\u00e1genes ocultas en la ciudad fronteriza. La simulaci\u00f3n de la producci\u00f3n art\u00edstica como relato clandestino\u201d. <em>Frontera Norte<\/em>, vol. 23, n\u00fam. 45, pp. 257-285. Recuperado de http:\/\/www.scielo.org.mx\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0187-73722011000100009, consultado el 21 de junio de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Santiago, Violeta (2019). <em>Guerracruz. Rinconcito donde hacen su nido las hordas del mal.<\/em> M\u00e9xico: Aguilar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Siscar, Majo (2014, 3 de noviembre). \u201cLos 20 desaparecidos en Veracruz que no est\u00e1n ni en las estad\u00edsticas\u201d. <em>Animal Pol\u00edtico.<\/em> Recuperado de https:\/\/www.animalpolitico.com\/2014\/11\/los-20-desaparecidos-en-veracruz-que-aparecen-ni-en-las-estadisticas\/, consultado el 13 de junio de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Soto, Jos\u00e9 Luis (2018). <em>Colectivo Familias de Desaparecidos Orizaba-C\u00f3rdoba: Acci\u00f3n colectiva, identidad y comunidades de duelo<\/em>. Tesis de maestr\u00eda, Instituto de Investigaciones Dr. Jos\u00e9 Mar\u00eda Luis Mora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Valenzuela, Jos\u00e9 Manuel (2012). <em>Welcome amigos to Tijuana. El <\/em>graffiti<em> en la frontera<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">conaculta<\/span> \/ <span class=\"small-caps\">colef \/ <\/span>Editorial <span class=\"small-caps\">rm<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Vel\u00e1zquez, Luis (1985). <em>Bamba violenta<\/em>. M\u00e9xico: Oc\u00e9ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Villarreal, Carlos (2016). \u201cPostales desde el infierno jarocho. T\u00e1cticas ret\u00f3ricas gr\u00e1ficas en la obra de Bruno Ferreira\u201d. <em>Revista Balaj\u00fa<\/em>, n\u00fam. 5, pp. 114-135.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Villarreal, Teresa (2014). \u201cLa desaparici\u00f3n de personas en Veracruz\u201d. <em>Clivajes. Revista de Ciencias Sociales<\/em>, n\u00fam. 5, pp. 1-29.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Villarreal, Teresa (2016). \u201cLos colectivos de familiares de personas desaparecidas y la procuraci\u00f3n de justicia\u201d. <em>Intersticios Sociales<\/em>, n\u00fam. 11, pp. 1-28.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Entrevistas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Conversaci\u00f3n personal con Aracely Salcedo, 29 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Entrevista a la Lic. Ana\u00efs Palacios, agosto de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Aracely Salcedo, entrevista noviembre de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Entrevista con Aldo Hern\u00e1ndez, octubre de 2018.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>Celia del Palacio Montiel<\/em> tem doutorado em hist\u00f3ria pela <span class=\"small-caps\">unam<\/span>Membro do Sistema Nacional de Pesquisadores n\u00edvel 3, membro da Academia Mexicana de Ci\u00eancias, membro do Pen Club M\u00e9xico. Pesquisadora e professora em tempo integral no Centro de Estudos da Cultura e da Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Veracruzana, do qual foi coordenadora-fundadora (2009-2018). Seus t\u00f3picos de pesquisa t\u00eam sido: viol\u00eancia contra jornalistas e representa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia na imprensa subnacional atual; jornalismo regional s\u00e9culos atr\u00e1s; e o papel da m\u00eddia na m\u00eddia. <span class=\"small-caps\">xix<\/span> e <span class=\"small-caps\">xx<\/span>Sua produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica est\u00e1 contida em artigos indexados, bem como em cap\u00edtulos de obras coletivas e livros: nove como autora \u00fanica e dez como coordenadora. Sua produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica est\u00e1 contida em artigos indexados, bem como em artigos de divulga\u00e7\u00e3o e populariza\u00e7\u00e3o; em cap\u00edtulos de obras coletivas; e em livros: nove como autora \u00fanica e dez como coordenadora. Publicou quatro romances hist\u00f3ricos sobre mulheres e um livro de contos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><em>David Torres Garc\u00eda<\/em> \u00e9 formado em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o e mestre em Estudos de Cultura e Comunica\u00e7\u00e3o pela Universidad Veracruzana. \u00c9 aluno de doutorado em Ci\u00eancias Sociais na mesma universidade. Seu projeto de tese \u00e9 intitulado \"Ag\u00eancia e a\u00e7\u00e3o coletiva ao p\u00e9 da cova. Las b\u00fasquedas del Colectivo Solecito, Colectivo de Familias de Desaparecidos Orizaba-C\u00f3rdoba y Buscando a Nuestros Desaparecidos y Desaparecidas Veracruz\".<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo tem como objetivo apresentar os murais sobre os jovens desaparecidos na regi\u00e3o de Orizaba-C\u00f3rdoba, no estado de Veracruz, onde o desaparecimento for\u00e7ado tem sido um problema s\u00e9rio h\u00e1 anos. A obra produzida pelo artista Aldo Daniel Hern\u00e1ndez, Fise, \u00e9 analisada como um ato de resist\u00eancia das m\u00e3es do Colectivo, como uma luta contra o esquecimento e a impunidade, inserindo-a no contexto e analisando as rea\u00e7\u00f5es das autoridades e da sociedade. A an\u00e1lise se baseia na estrutura te\u00f3rica da sociologia da arte proposta por Garc\u00eda Canclini (2006) e retomada por Salazar (2011) para os murais em Ciudad Ju\u00e1rez, concentrando-se no processo organizacional para a cria\u00e7\u00e3o dessas obras, na estrutura ideol\u00f3gica que pode t\u00ea-las condicionado e nas estrat\u00e9gias discursivas visuais aplicadas. Uma luta discursiva se torna vis\u00edvel entre as v\u00edtimas que buscam tornar a injusti\u00e7a vis\u00edvel e preservar a mem\u00f3ria e outros atores que buscam silenci\u00e1-las.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":35021,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[839,366,840,61,838],"coauthors":[551],"class_list":["post-35012","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-9","tag-arte-callejero","tag-desaparicion-forzada","tag-luchas-por-la-memoria","tag-resistencia","tag-violencia-en-veracruz","personas-del-palacio-montiel-celia","personas-torres-garcia-david","numeros-793"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>El graffiti y las desapariciones forzadas en Veracruz &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Este art\u00edculo se ocupa de presentar los murales de graffiti sobre los j\u00f3venes desaparecidos en la regi\u00f3n Orizaba-C\u00f3rdoba del, Veracruz.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/del-palacio-torres-memoria-grafitti-desapariciones-orizaba\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"El graffiti y las desapariciones forzadas en Veracruz &#8211; Encartes\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Este art\u00edculo se ocupa de presentar los murales de graffiti sobre los j\u00f3venes desaparecidos en la regi\u00f3n Orizaba-C\u00f3rdoba del, Veracruz.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/del-palacio-torres-memoria-grafitti-desapariciones-orizaba\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Encartes\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-09-17T21:14:48+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2023-11-18T00:10:20+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/word-image-34.jpeg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"401\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"226\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"45 minutos\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label3\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data3\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/en\/del-palacio-torres-memoria-grafitti-desapariciones-orizaba\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/en\/del-palacio-torres-memoria-grafitti-desapariciones-orizaba\/\"},\"author\":{\"name\":\"Arthur Ventura\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef\"},\"headline\":\"&#8220;Sus miradas en nuestra memoria&#8221;. 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