{"id":33988,"date":"2021-03-22T20:10:47","date_gmt":"2021-03-22T20:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=33988"},"modified":"2024-04-24T13:52:19","modified_gmt":"2024-04-24T19:52:19","slug":"ayora-nacionalismo-cronicas-taco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/ayora-nacionalismo-cronicas-taco\/","title":{"rendered":"Nostalgia, nacionalismo e colonialismo cultural: as cr\u00f4nicas do taco"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-drop-cap no-indent\">No mesmo dia, 17 de dezembro do fat\u00eddico ano de 2020, a m\u00eddia anunciou que o <span class=\"small-caps\">unesco<\/span> incluiu a comida de rua de Cingapura em sua lista de Patrim\u00f4nio Cultural Intang\u00edvel, e que o governo da Cidade do M\u00e9xico, em vista do n\u00famero alarmante de pessoas infectadas e hospitalizadas por <span class=\"small-caps\">sars<\/span>-CoV-2, n\u00e3o permitir\u00e1 a venda de comida de rua em 200 col\u00f4nias da cidade at\u00e9 20 de dezembro (<em>Heraldo do M\u00e9xico<\/em>2020; Lin, 2020). Muitas pessoas nas m\u00eddias sociais comentaram negativamente sobre essa decis\u00e3o da prefeitura, comparando-a com o hor\u00e1rio de funcionamento, que, embora limitado, permitiu a abertura de <em>fast food<\/em> da cidade. Embora tacos e comida de rua n\u00e3o sejam equivalentes, no espa\u00e7o p\u00fablico e nas narrativas afetivas cotidianas eles encontram pontos de coincid\u00eancia. De fato, em diferentes espa\u00e7os, \u00e9 atribu\u00eddo a ambos um valor de identidade significativo. Nesta revis\u00e3o, discuto o papel instrumental desempenhado pelo discurso televisivo sobre o nacionalismo culin\u00e1rio e suas formas de colonialismo cultural na sociedade contempor\u00e2nea; ou seja, ao mesmo tempo em que contribui para a imagina\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o no sentido proposto por Benedict Anderson (1983), produz um efeito de assimila\u00e7\u00e3o, apropria\u00e7\u00e3o e, portanto, obscurecimento das pr\u00e1ticas gastron\u00f4micas distintas das regi\u00f5es (Ayora-Diaz, 2012). Nesse sentido, argumentei em outro lugar que a culin\u00e1ria mexicana n\u00e3o \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o, um conceito ou um conjunto monol\u00edtico de pr\u00e1ticas, mas um conjunto caracterizado por sua diversidade, pois a ideologia de uma culin\u00e1ria nacional unificada, enraizada no passado ind\u00edgena, contrasta com a hibridiza\u00e7\u00e3o das culin\u00e1rias locais, \u00e9tnicas e regionais encontradas no pa\u00eds (Ayora-Diaz, 2019: 1). Esse ponto j\u00e1 havia sido argumentado anteriormente para o caso dos EUA (Mintz, 1996: 104). Para considerar o papel desempenhado por s\u00e9ries de televis\u00e3o como. <em>Cr\u00f4nicas do Taco<\/em>A s\u00e9rie, analisada neste texto, precisar\u00e1 fornecer uma descri\u00e7\u00e3o sint\u00e9tica da s\u00e9rie e de seu conte\u00fado, tanto para quem n\u00e3o tem o servi\u00e7o da Netflix quanto para que esses coment\u00e1rios sejam compreens\u00edveis, mesmo que sejam lidos depois de os epis\u00f3dios terem sido retirados do cat\u00e1logo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"As Cr\u00f4nicas do Taco - Trailer Oficial - Netflix\" width=\"580\" height=\"326\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k2qist_IxZI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Trailer oficial da s\u00e9rie de document\u00e1rios The Taco Chronicles<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\"><em>Conte\u00fado dos epis\u00f3dios<\/em>. Essa s\u00e9rie consiste em dois \"volumes\" transmitidos em 2019 e 2020. A primeira temporada consiste em seis e a segunda em sete epis\u00f3dios, cada um com cerca de 30 minutos. Os 13 epis\u00f3dios constituem uma amostra ampla, mas n\u00e3o completa, da diversidade de tacos na Rep\u00fablica do M\u00e9xico (em ordem de exibi\u00e7\u00e3o): durante a temporada ou \"volume\" 1, Tacos al pastor (Cidade do M\u00e9xico), de carnitas (Michoac\u00e1n), de canasta (Cidade do M\u00e9xico), de carne asada (Sonora, Tijuana, Los Angeles), de Barbacoa (Hidalgo, Cidade do M\u00e9xico) e de guisados (Cidade do M\u00e9xico, Los Angeles). Durante a segunda temporada: de suadero (Cidade do M\u00e9xico, Austin), de cochinita (M\u00e9rida, Sucil\u00e1 e Tixkokob em Yucat\u00e1n, e Tulum em Quintana Roo), de cabrito (Saltillo, Coahuila e Santiago, Nuevo Le\u00f3n), o \"American Taco\" (San Bernardino e Los Angeles, Calif\u00f3rnia, e San Antonio, Texas), burritos (Ciudad Ju\u00e1rez, Coahuila; Santa Ana, Calif\u00f3rnia; Santa Rosa, Jalisco; Hermosillo, Sonora; e o <span class=\"small-caps\">NASA<\/span>); birria (Guadalajara, Aguascalientes e Tijuana) e peixe (Ensenada, La Paz, Playa Cerritos, na pen\u00ednsula da Baixa Calif\u00f3rnia, e T\u00f3quio, Jap\u00e3o). Embora n\u00e3o haja not\u00edcias de uma terceira temporada, est\u00e1 claro que os estados do sul (Chiapas, Guerrero e Oaxaca) e o Golfo do M\u00e9xico (Tabasco, Tamaulipas e Veracruz) foram deixados pendentes ou exclu\u00eddos. Da pen\u00ednsula de Yucat\u00e1n, apenas o estado de Yucat\u00e1n est\u00e1 representado, pois Campeche n\u00e3o aparece e Tulum, em Quintana Roo, aparece brevemente no cap\u00edtulo sobre cochinita, representado (de forma question\u00e1vel) como parte da \"tradi\u00e7\u00e3o\" maia peninsular. V\u00e1rios estados no centro do pa\u00eds tamb\u00e9m n\u00e3o merecem men\u00e7\u00e3o na s\u00e9rie. Como n\u00e3o se trata de um livro nem de um document\u00e1rio acad\u00eamico, os produtores n\u00e3o explicam por que o que \u00e9 mostrado foi inclu\u00eddo, ou o que n\u00e3o \u00e9 mostrado foi exclu\u00eddo. No entanto, a inclus\u00e3o de diferentes cidades nos Estados Unidos, no Jap\u00e3o e na Esta\u00e7\u00e3o Espacial serve para sugerir que a deixa n\u00e3o \u00e9 apenas global, mas gal\u00e1ctica.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura dos 13 cap\u00edtulos \u00e9 a mesma, o que torna um pouco cansativo para os espectadores. Todos os cap\u00edtulos come\u00e7am com uma narra\u00e7\u00e3o em <em>off <\/em>que se sup\u00f5e ser o pr\u00f3prio taco ao qual o epis\u00f3dio corresponde, narrando como ele \u00e9 produzido, consumido e sua import\u00e2ncia para a culin\u00e1ria mexicana. Seguem-se os cr\u00e9ditos e, ao final deles, s\u00e3o mostradas as taquerias, a voz \u00e9 dada aos cozinheiros, taqueros e, muitas vezes, taqueras, que narram a cr\u00f4nica de seus estabelecimentos, a import\u00e2ncia dos mercados populares, destacam a qualidade dos ingredientes, os sabores dos pratos e o trabalho cont\u00ednuo, elaborado e pesado que envolve a produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de tacos. Os produtores da s\u00e9rie, no entanto, conferem a autoridade para falar sobre a import\u00e2ncia e o significado desses pratos a<em> chefs<\/em>Os autores do livro s\u00e3o escritores de gastronomia, guias culturais e um \u00fanico antrop\u00f3logo. Entre eles, h\u00e1 vozes de grande autoridade: a antrop\u00f3loga Miriam Beltr\u00e1n trabalhou com comida de rua e culin\u00e1ria popular, principalmente na capital do M\u00e9xico; o <em>cozinheiro<\/em> Ricardo Mu\u00f1oz Zurita publicou algumas enciclop\u00e9dias sobre a culin\u00e1ria mexicana, e Gustavo Arellano \u00e9 um jornalista que publicou sobre a import\u00e2ncia dos tacos na culin\u00e1ria mexicana. <span class=\"small-caps\">EUA<\/span>. Cada epis\u00f3dio apresenta <em>chefs <\/em>e uma variedade de restaurantes e barracas de comida locais e regionais. Em um primeiro momento, o cat\u00e1logo de epis\u00f3dios transmitidos \u00e9 apresentado como um \"In Praise of the Mexican Taco\". Entretanto, seus efeitos s\u00e3o mais complexos do que simplesmente alimentar o orgulho nacional por meio de um prato nacional unificador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\"><em>A pol\u00edtica do taco<\/em>. O contexto contempor\u00e2neo \u00e9 o da globaliza\u00e7\u00e3o. Esse n\u00e3o \u00e9 um processo linear. J\u00e1 na d\u00e9cada de 1990, Roland Robertson (1992) apontou que a globaliza\u00e7\u00e3o, especialmente em sua dimens\u00e3o cultural, compreende processos simult\u00e2neos de homogeneiza\u00e7\u00e3o e heterogeneiza\u00e7\u00e3o: embora haja tend\u00eancias \u00e0 homogeneiza\u00e7\u00e3o, em cada lugar os processos ocorrem de maneiras diferentes, afastando-nos da odiada homogeneiza\u00e7\u00e3o. Entretanto, em sua complexidade, a globaliza\u00e7\u00e3o teve como um de seus efeitos a relativiza\u00e7\u00e3o e a desestabiliza\u00e7\u00e3o de essencialismos de identidade, como o nacionalismo. No M\u00e9xico, isso foi enfrentado por meio da revitaliza\u00e7\u00e3o do simbolismo nacionalista. O nacionalismo culin\u00e1rio foi adotado, por exemplo, pelo Observatorio de la Cultura Gastron\u00f3mica Mexicana para sustentar o poder simb\u00f3lico da tr\u00edade de milho, feij\u00e3o e piment\u00e3o e seu papel fundamental na culin\u00e1ria nacional, tornando o reconhecimento do paradigma de Michoac\u00e1n sinecdochic da culin\u00e1ria nacional (Ayora-Diaz, 2020). Embora esse Observat\u00f3rio busque unificar a culin\u00e1ria mexicana sob a \u00e9gide dos tr\u00eas ingredientes pr\u00e9-hisp\u00e2nicos, a no\u00e7\u00e3o de \"taco\" pode ser vista como isom\u00f3rfica, ou seja, n\u00e3o \u00e9 id\u00eantica, mas seus efeitos simb\u00f3licos s\u00e3o os mesmos. Quando comecei a trabalhar com alimentos em 2000, ainda era comum fazer uma distin\u00e7\u00e3o entre a tortilla de milho e a tortilla de trigo, negando o car\u00e1ter mexicano da \u00faltima e assimilando-a \u00e0 cultura americana. Esse n\u00e3o \u00e9 mais o caso e, embora os ecos dessa distin\u00e7\u00e3o sejam ouvidos em alguns epis\u00f3dios desses <em>Cr\u00f4nicas<\/em>Em geral, a s\u00e9rie busca elimin\u00e1-la. O que importa \u00e9 o taco, \"aquela m\u00e3e que nos abra\u00e7a\" para todos os mexicanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os epis\u00f3dios desta s\u00e9rie n\u00e3o t\u00eam o objetivo de estabelecer a origem do taco. Gustavo Arellano reconhece isso: \"\u00e9 uma hist\u00f3ria complexa\". Do ponto de vista do discurso nacionalista mexicano, trata-se de uma inven\u00e7\u00e3o mexicana, e os tacos de <em>casca dura<\/em> s\u00e3o uma inven\u00e7\u00e3o \"gringa\". No entanto, tanto Jeffrey Pilcher quanto Gustavo Arellano sugerem que o taco <em>poderia ser<\/em> uma inven\u00e7\u00e3o recente, talvez por mineiros no norte do M\u00e9xico ou por braceros migrantes mexicanos no sul da Calif\u00f3rnia. De acordo com Arellano, no epis\u00f3dio sobre \"American tacos\", nos Estados Unidos, os primeiros card\u00e1pios da d\u00e9cada de 1930 que apresentavam \"tacos\" eram descritos como tortilla chips, e n\u00e3o soft tortilla chips (consulte Arellano, 2012; Pilcher, 2008, 2012). No entanto, todos os epis\u00f3dios procuram estabelecer o car\u00e1ter mexicano dos tacos e daqueles que os comem. Assim, por exemplo, no epis\u00f3dio 4 da segunda temporada, Gustavo Arellano afirma: \"<em>um mexicano sem um taco! \u00c9 melhor voc\u00ea se matar!<\/em>\"(um mexicano sem tacos... \u00e9 melhor voc\u00ea se matar!); no epis\u00f3dio 6, um cozinheiro afirma: \"para os mexicanos, taco e comida s\u00e3o exatamente a mesma coisa\", e no epis\u00f3dio 7 da mesma temporada o <em>cozinheiro<\/em> Solange Muris diz: \"quem \u00e9 mexicano e n\u00e3o gosta de tacos, [eu] duvidaria da origem de seus pais\". A s\u00e9rie est\u00e1 repleta de express\u00f5es semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora essa estreita rela\u00e7\u00e3o entre o taco e a identidade mexicana possa ser vista como uma estrat\u00e9gia fundamental diante do questionamento das identidades nacionais, al\u00e9m de outras (como a inclus\u00e3o da culin\u00e1ria mexicana na lista do Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial da Humanidade), tamb\u00e9m \u00e9 uma estrat\u00e9gia usada para promover a identidade mexicana. <span class=\"small-caps\">unesco<\/span>), fica evidente nesta s\u00e9rie, ao ouvir as declara\u00e7\u00f5es de toda a gama de pessoas que falam sobre tacos, que o tempo \u00e9 um ponto de refer\u00eancia comum em todos os epis\u00f3dios. Em alguns, como o do cabrito, somos informados sobre seu consumo ancestral, j\u00e1 que h\u00e1 12.000 anos, no Ir\u00e3 e no L\u00edbano, depois na Espanha e, mais tarde, no M\u00e9xico, esse animal era consumido sobre as brasas. De fato, essa forma de cozinhar era comumente invocada por escritores na Sardenha, It\u00e1lia, durante minha pesquisa de campo, para apoiar o alocronismo que colocava os pastores na antiguidade (\"cerca de 2.000 anos atr\u00e1s\"). Parece ser necess\u00e1rio atribuir certas caracter\u00edsticas aos tacos para demonstrar sua import\u00e2ncia para a identidade nacional. Frequentemente, sua antiguidade \u00e9 invocada: os tacos eram consumidos antes dos espanh\u00f3is; o taco de cochinita \u00e9 derivado de uma cultura maia ancestral; a barbacoa \u00e9 um desenvolvimento no norte do M\u00e9xico, onde se apropriaram do <em>PIB<\/em> Maia. A receita de carnitas michoacanas tem 500 anos, os produtores de tortilhas (em Tacos de canasta) s\u00e3o guardi\u00f5es e guerreiros da terra do milho, a carne assada \u00e9 um \"sabor b\u00e1sico e ancestral\" e muitas outras refer\u00eancias a pr\u00e1ticas, sabores e gostos do passado, \u00e0s quais se somam afirma\u00e7\u00f5es como \"os taqueros s\u00e3o guerreiros, os cozinheiros tradicionais s\u00e3o m\u00e1gicos e os ensopados s\u00e3o m\u00e1gicos ou sagrados, ou as t\u00e9cnicas e tecnologias usadas s\u00e3o tradicionais\", entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>A nostalgia do passado tamb\u00e9m \u00e9 abundante. Assim, alguns clientes dizem que a birria de Tijuana \u00e9 melhor do que a de Jalisco, apesar de ter sido l\u00e1 que sua produ\u00e7\u00e3o come\u00e7ou. Ou a carne assada re\u00fane a fam\u00edlia e fazer um churrasco \u00e9 um momento de conv\u00edvio; o churrasco \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o; no epis\u00f3dio 6 da primeira temporada, somos informados, com rela\u00e7\u00e3o aos ensopados: \"a nostalgia \u00e9 o ingrediente que nos une a todos\" e que \"em um \u00fanico taco convergem diferentes culturas, diferentes classes sociais... tudo gira em torno de um \u00fanico alimento, que \u00e9 o taco\"; ou, em epis\u00f3dios subsequentes, conhecemos o chef iucateca que explica que seu restaurante \"nasceu como um sonho, para resgatar as tradi\u00e7\u00f5es que est\u00e3o se perdendo\"; o cabrito cria comunidade, fam\u00edlia, nos relaciona com os ancestrais que nos deixaram o guisado como legado; \"essa embalagem de papel amarelo [do <em>tacos folhados<\/em>\u00e9 nostalgia\". Em suma, os tacos consumidos por mexicanos e n\u00e3o mexicanos, seja no territ\u00f3rio nacional ou nos Estados Unidos, s\u00e3o um elo entre a comida e os mexicanos que funda a identidade nacional. A figura do taco permite que as diferen\u00e7as entre as diferentes tradi\u00e7\u00f5es gastron\u00f4micas e culin\u00e1rias regionais e locais sejam silenciadas. Se desde 2010 o milho, o feij\u00e3o e o chilli do Paradigma de Michoac\u00e1n permitiram que todas as diferen\u00e7as regionais fossem assimiladas em uma \u00fanica culin\u00e1ria mexicana nacional, o taco agora compartilha essa miss\u00e3o. Como sugere David Berliner:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">\u00c9 esse clima atual de [que estamos] perdendo tudo que uniu as no\u00e7\u00f5es de cultura, patrim\u00f4nio e autenticidade - a grande obsess\u00e3o dos modernos - em um triunvirato indissol\u00favel, transformando-as em justificativas morais em si mesmas, envoltas em uma aura de evid\u00eancia e autoridade (2020: 5).<\/p>\n\n\n\n<p>O passado ancestral, a nostalgia da fam\u00edlia e as r\u00e1pidas mudan\u00e7as nas formas de conviv\u00eancia, a perda de ensopados ou seu deslocamento por outras culin\u00e1rias (como a competi\u00e7\u00e3o com o <em>fast food<\/em>) justificam a busca por elementos que permitam a afirma\u00e7\u00e3o das identidades nacionais. Por outro lado, eles reduzem a diversidade regional a um elemento unificador da \"tradi\u00e7\u00e3o\" culin\u00e1ria. Assim, paradoxalmente, o taco \u00e9 convertido, ao longo desses treze epis\u00f3dios, no elemento redutor da diversidade regional; ou seja, s\u00e3o mostrados pratos ic\u00f4nicos de diferentes regi\u00f5es, mas o taco \u00e9 o unificador total da mexicanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentes epis\u00f3dios mostram como o taco se tornou globalizado. No entanto, eles enfatizam sua mexicaniza\u00e7\u00e3o: os ensopados envoltos em tortilhas podem ter sido importados de outras culturas, mas no M\u00e9xico eles adquirem outra identidade, a mexicana. Se o taco al pastor veio do Oriente M\u00e9dio, ou o cabrito da Mesopot\u00e2mia via \u00e1rabes e espanh\u00f3is, ou o peixe empanado (como tempura) do Extremo Oriente, hoje o taco mexicano afirma sua nacionalidade em outro lugar. Al\u00e9m disso, descobrimos, embora com uma ambival\u00eancia acentuada, que diferentes <em>chefs<\/em>Seja no M\u00e9xico ou nos Estados Unidos e no Jap\u00e3o, eles fizeram fus\u00f5es culin\u00e1rias ou integraram elementos estranhos \u00e0 culin\u00e1ria mexicana, mas ainda assim s\u00e3o mexicanos. Como um <em>cozinheiro <\/em>de origem mexicana que vive nos Estados Unidos: \"sim, os ingredientes s\u00e3o diferentes, mas eu sou mexicano e, portanto, meus tacos s\u00e3o mexicanos\".<\/p>\n\n\n\n<p>Concluindo, \u00e9 dif\u00edcil fazer justi\u00e7a a treze epis\u00f3dios (sete horas e meia de filmagem) em um curto espa\u00e7o. No entanto, acredito que os espectadores devem abordar esses programas com um olhar cr\u00edtico. Muitos deles, especialmente na primeira temporada, concentram-se na produ\u00e7\u00e3o e no consumo de tacos na capital mexicana e enfatizam sua natureza \"chilanga\". Nesse sentido, h\u00e1 uma mexicanidade chilanga que se confunde com uma mexicanidade nacionalista representada como uma tend\u00eancia a reduzir a complexidade culin\u00e1ria regional, local e \u00e9tnica ao que \u00e9 apenas um ve\u00edculo de alimenta\u00e7\u00e3o: o taco. Os discursos sobre sua autenticidade, sua antiguidade, seu car\u00e1ter popular (\u00e9 a comida \"do povo\") sustentam uma vis\u00e3o nost\u00e1lgica e rom\u00e2ntica do passado, que, por sua vez, apresenta uma \u00fanica identidade nacional e nacionalista que obscurece a percep\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a. Parece-me necess\u00e1rio refletir sobre essas estrat\u00e9gias discursivas e de representa\u00e7\u00e3o e seus poss\u00edveis efeitos como pr\u00e1ticas de colonialismo cultural interno que privilegiam o uno em detrimento do m\u00faltiplo e que prometem reestabilizar o que a globaliza\u00e7\u00e3o cultural desestabilizou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Anderson, Benedict (1983) Imagined Communities. Reflections on the Origin and Spread of Nationalism. Londres: Verso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Arellano, Gustavo (2012) Taco USA: How Mexican Food Conquered America. Nueva York: Scribner.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ayora-Diaz, Steffan Igor (2012). Foodscapes, Foodfields and Identities in Yucat\u00e1n. \u00c1msterdam y Nueva York: <span class=\"small-caps\">cedla<\/span> y Berghahn.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2019) \u201cIntroduction: Matters of Taste. The Politics of Food and Identity in Mexican Cuisines\u201d, en Steffan Igor Ayora-Diaz (ed.), Taste, Politics, and Identities in Mexican Food. Londres: Bloomsbury Academic, pp. 1-18. https:\/\/doi.org\/10.5040\/9781350066700.ch-001<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2020). \u201c\u00bfpapadzules o enchiladas? Globalizaci\u00f3n, translocalidad y colonialismo culinario\u201d, en Guillermo de la Pe\u00f1a y Ricardo \u00c1vila (ed.), Alimentarse: perspectivas antropol\u00f3gicas e hist\u00f3ricas de un hecho cultural total. Lagos de Moreno: Universidad de Guadalajara, pp. 117-140.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Berliner, David (2020). Losing Culture: Nostalgia, Heritage, and Our Accelerated Times. New Brunswick: Rutgers University Press. https:\/\/doi.org\/10.36019\/9781978815391<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lin, Chen (2020, 16 de diciembre). \u201cSingapore\u2019s foodie \u2018hawker\u2019 culture given <span class=\"small-caps\">unesco<\/span> recognition\u201d. Reuters, version en l\u00ednea. Recuperado de https:\/\/www.reuters.com\/article\/us-singapore-food-unesco\/singapores-foodie-hawker-culture-given-unesco-recognition-idUSKBN28R097, consultado el 23 de febrero de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Heraldo de M\u00e9xico (2020, 14 de diciembre). \u201c\u00a1Adi\u00f3s a los tacos! Cierran comercios de comida callejera en la <span class=\"small-caps\">cdmx<\/span>\u201d. El Heraldo de M\u00e9xico, versi\u00f3n en l\u00ednea. Recuperado de https:\/\/heraldodemexico.com.mx\/nacional\/2020\/12\/14\/adios-los-tacos-cierran-comercios-de-comida-callejera-en-la-cdmx-235450.html, consultado el 23 de febrero de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mintz, Sidney (1996). Tasting Food, Tasting Freedom. Excursions into Eating, Culture, and the Past. Boston: Beacon Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pilcher, Jeffrey M. (2008). \u201cWas the Taco Invented in Southern California?\u201d Gastronomica, vol. 8, n\u00fam. 1, pp. 26-38. https:\/\/doi.org\/10.1525\/gfc.2008.8.1.26<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pilcher, Jeffrey M. (2012). Planet Taco: A Global History of Mexican Food. Oxford: Oxford University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Robertson, Roland (1992). Globalization. Social Theory and Global Culture. Londres: Sage.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\"><em>Steffan Igor Ayora Diaz<\/em> \u00e9 PhD pela Universidade McGill (1993). Ele \u00e9 professor de pesquisa em tempo integral na Universidad Aut\u00f3noma de Yucat\u00e1n e na <span class=\"small-caps\">sni ii<\/span>. Realiza pesquisas sobre as rela\u00e7\u00f5es entre cozinha, comida e identidade, tecnologias e culin\u00e1ria, e sobre os aspectos culturais e pol\u00edticos do gosto, em Yucat\u00e1n desde 2000, e em Sevilha, Espanha, desde 2016. Publicou a monografia <em>Foodscapes, Foodfields and Identities in Yucat\u00e1n (Paisagens alimentares, campos de alimentos e identidades em Yucat\u00e1n)<\/em> (<span class=\"small-caps\">cedla<\/span> e Berghahn, 2012), em coautoria com G. Vargas Cetina e F. Fern\u00e1ndez Repetto, <em>Culin\u00e1ria, m\u00fasica e comunica\u00e7\u00e3o. Tecnologias e Est\u00e9tica no Yucat\u00e1n Contempor\u00e2neo<\/em> (<span class=\"small-caps\">uady<\/span>, 2016). Ele editou oito livros, incluindo <em>Tecnologia de cozinha. Transforma\u00e7\u00f5es na pr\u00e1tica culin\u00e1ria no M\u00e9xico e na Am\u00e9rica Latina. <\/em>(2016), <em>Taste, Politics and Identities in Mexican Food (Gosto, pol\u00edtica e identidades na comida mexicana)<\/em> (2019) y <em>Food, Taste and the Politics of Identity (Comida, Gosto e Pol\u00edtica de Identidade). Abordagens globais<\/em> (2021), todos os tr\u00eas pela Bloomsbury Academic.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acho que os espectadores devem abordar esses programas com um olhar cr\u00edtico. Muitos deles, especialmente na primeira temporada, concentram-se na produ\u00e7\u00e3o e no consumo de tacos na capital mexicana e enfatizam sua natureza \"chilanga\". Nesse sentido, h\u00e1 uma mexicanidade chilanga que se confunde com uma mexicanidade nacionalista representada como uma tend\u00eancia a reduzir a complexidade culin\u00e1ria regional, local e \u00e9tnica ao que \u00e9 apenas um ve\u00edculo para a comida: o taco. Os discursos sobre sua autenticidade, sua antiguidade, seu car\u00e1ter popular (\u00e9 a comida \"do povo\") sustentam uma vis\u00e3o nost\u00e1lgica e rom\u00e2ntica do passado, que, por sua vez, apresenta uma \u00fanica identidade nacional e nacionalista que obscurece a percep\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"coauthors":[551],"class_list":["post-33988","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-10","personas-ayura-diaz-steffan-igor","numeros-705"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Nostalgia, Nacionalismo, y Colonialismo Cultural: Las Cr\u00f3nicas del Taco<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Hay una mexicanidad 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