{"id":33941,"date":"2021-03-22T19:35:23","date_gmt":"2021-03-22T19:35:23","guid":{"rendered":"https:\/\/encartes.mx\/?p=33941"},"modified":"2023-11-17T18:20:40","modified_gmt":"2023-11-18T00:20:40","slug":"medor-resistencia-trabajo-asalariado-guadalajara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/medor-resistencia-trabajo-asalariado-guadalajara\/","title":{"rendered":"\u00c0 margem da sociedade do trabalho. A resist\u00eancia ao emprego e o futuro dos indiv\u00edduos antitrabalho."},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Este artigo documenta outra forma de pensar e lidar com a incerteza e o gerenciamento do futuro a partir de formas de relacionamento com o trabalho situadas \"\u00e0 margem\" da sociedade do trabalho. Trata-se de uma investiga\u00e7\u00e3o empiricamente constru\u00edda a partir de entrevistas semiestruturadas com profissionais que resistem ao trabalho e que mostra que, para essa categoria de indiv\u00edduos, a incerteza implica assumir nossa vulnerabilidade comum sem muita preocupa\u00e7\u00e3o com o que pode acontecer amanh\u00e3, e implica uma forma ativa e aut\u00f4noma de apropria\u00e7\u00e3o de suas vidas e de reavalia\u00e7\u00e3o das formas de constru\u00e7\u00e3o da solidariedade baseadas na gratuidade. Em suma, \u00e9 uma forma de construir materialmente a vida e o futuro em uma ruptura com a sociedade do trabalho e do consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/apropiacion-de-si\/\" rel=\"tag\">apropria\u00e7\u00e3o de si mesmo<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/asimiento-del-futuro\/\" rel=\"tag\">compreens\u00e3o do futuro<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/dogma-del-trabajo\/\" rel=\"tag\">dogma do trabalho<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/incertidumbre\/\" rel=\"tag\">incerteza<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/resistencia-al-trabajo\/\" rel=\"tag\">resist\u00eancia ao trabalho<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/sociedad-del-trabajo\/\" rel=\"tag\">sociedade do trabalho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title abstract\">\u00c0 margem de uma sociedade trabalhista. Resistance to Employment and Seizing the Future of Individuals Against Waged Work (Resist\u00eancia ao emprego e conquista do futuro dos indiv\u00edduos contra o trabalho assalariado).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Este artigo documenta outra maneira de pensar e enfrentar a incerteza e gerenciar o futuro a partir de uma forma de se relacionar com o trabalho que est\u00e1 \u00e0 \"margem\" de uma sociedade do trabalho. Uma investiga\u00e7\u00e3o constru\u00edda empiricamente, com base em entrevistas semiestruturadas a profissionais que resistem ao trabalho, mostra que, para essa categoria de indiv\u00edduos, a incerteza implica assumir nossa vulnerabilidade comum sem se preocupar muito com o que o futuro reserva, levando a uma apropria\u00e7\u00e3o ativa e aut\u00f4noma de suas vidas e reavaliando formas de construir solidariedade a partir da gratuidade. Em suma, \u00e9 uma forma de construir materialmente uma vida e o futuro, rompendo com uma sociedade de trabalho e consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: sociedade do trabalho, dogma do trabalho, resist\u00eancia ao trabalho, apropria\u00e7\u00e3o de si mesmo, incerteza, aproveitamento do futuro.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap no-indent\">Este artigo aborda a quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com o trabalho e com o futuro de um grupo de indiv\u00edduos que se declara resistente ao trabalho. A ideia filos\u00f3fica da rejei\u00e7\u00e3o do trabalho est\u00e1 presente em textos de diversos autores quase desde o surgimento do capitalismo industrial fundado no trabalho. Figuras como Thoreau, Dewey, Morris, Russell, entre muitos outros, dedicaram p\u00e1ginas memor\u00e1veis para criticar com acrim\u00f4nia a coloniza\u00e7\u00e3o da vida pelo trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o momento, a sociologia do trabalho praticamente n\u00e3o abordou essa quest\u00e3o sob a perspectiva dos trabalhadores, embora ela reflita um conjunto de pr\u00e1ticas e ideias \u00e0s quais cada vez mais atores aderem. A presen\u00e7a limitada desse t\u00f3pico nos estudos do trabalho talvez esteja ligada \u00e0 preval\u00eancia, mesmo no meio acad\u00eamico, da cren\u00e7a social amplamente compartilhada na natureza autoevidente e ineg\u00e1vel do trabalho como meio de vida desej\u00e1vel para todo indiv\u00edduo adulto (Frayne, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui vale a pena evitar um poss\u00edvel mal-entendido que poderia levar o leitor a uma leitura infeliz de todo o texto. Em primeiro lugar, as pr\u00e1ticas de resist\u00eancia e as cr\u00edticas ao trabalho t\u00eam acompanhado o capitalismo industrial desde seus prim\u00f3rdios (ver Thompson, 1994; Federici, 2010; Castro, 1999; D\u00edez, 2014; Rifkin, 1996, entre outros). \u00c9 um tru\u00edsmo que muitos camponeses e comerciantes, entre outros, preferem ser \"seu pr\u00f3prio patr\u00e3o\" e que, acima de um certo n\u00edvel de renda, as pessoas preferem trocar horas de trabalho por horas de lazer ou prazer (Rifkin, 1996: 41). Mas, sujeito ao detalhamento de seu perfil na segunda parte deste texto, os sujeitos com os quais me preocupo aqui s\u00e3o quase todos com forma\u00e7\u00e3o profissional e v\u00eam de fam\u00edlias mexicanas de classe m\u00e9dia. Bourdieu (1979) nos ensinou que essa categoria social tende a investir pesadamente na escolaridade de seus filhos para garantir-lhes um futuro profissional e de trabalho bem-sucedido, principalmente como funcion\u00e1rios de uma grande empresa ou de uma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou privada.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dos sujeitos em quest\u00e3o s\u00e3o filhos e filhas de indiv\u00edduos que forjaram uma vida articulada em torno do trabalho e desejavam um destino pelo menos semelhante para seus filhos. Tento mostrar neste texto que, em momentos diferentes, todos eles romperam com essas expectativas e assumiram uma postura de oposi\u00e7\u00e3o aberta ao \"dogma do trabalho\", despertando assim a raiva ou o descontentamento de mais de um membro de sua fam\u00edlia de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>Como demonstrou Frayne (2017), h\u00e1 uma propens\u00e3o social generalizada a considerar as pessoas como malucas ou como <em>hippies<\/em> (um termo bastante pejorativo) para pessoas que optam por se recusar a passar grande parte de suas vidas \"trancadas\" em um escrit\u00f3rio,<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> sob a vigil\u00e2ncia de um chefe ou empregador. Por n\u00e3o estarem inseridos no polo normativo do mundo do trabalho ou, nas palavras de Kurz, Trenkle e Lohoff, por resistirem a \"empenhar a maior parte de sua energia vital em um fim absoluto e estranho\" (2004: 120), presume-se que eles sejam dominados pela incerteza contra a qual, em teoria, o trabalho os protege.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, vamos admitir que as margens da sociedade do trabalho s\u00e3o marcadas pela incerteza e pela dificuldade de compreender o futuro. Mas, como Sennett (2005), entre muitos outros, demonstrou, essa mesma situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m prevalece entre aqueles que est\u00e3o totalmente integrados a essa sociedade. N\u00e3o nego que existam pessoas felizes no trabalho, mas isso n\u00e3o significa, de forma alguma, que somente com a ades\u00e3o a essa condi\u00e7\u00e3o de trabalho \u00e9 poss\u00edvel construir uma vida boa. Como se ver\u00e1 nas narrativas dos entrevistados, \u00e9 poss\u00edvel construir uma vida plena sem estar empregado em uma institui\u00e7\u00e3o ou empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, ouso tomar a liberdade de dizer que a concep\u00e7\u00e3o de trabalho que herdamos do s\u00e9culo passado <span class=\"small-caps\">xix<\/span> colonizou nossas mentes de tal forma que nos tornou incapazes de sequer fazer um esfor\u00e7o para entender e aceitar a exist\u00eancia de outra forma de rela\u00e7\u00e3o com o trabalho. Assim, neste texto, tento defender o seguinte argumento: os indiv\u00edduos que vivem em resist\u00eancia, se n\u00e3o em rejei\u00e7\u00e3o, ao trabalho s\u00e3o habitados por um ideal de vida que n\u00e3o se coaduna com a ren\u00fancia de sua autonomia, de sua criatividade e da melhor parte de seu tempo em troca de f\u00e9rias que, nas palavras de um entrevistado, \"s\u00f3 servem para reproduzir a for\u00e7a de trabalho\", e de um sal\u00e1rio que d\u00e1 acesso ao consumo de objetos que eles n\u00e3o t\u00eam tempo para desfrutar. Mostrarei que o engajamento no que Flichy (2017) chama de \"o outro trabalho\" implica uma concep\u00e7\u00e3o diferente de incerteza que, por sua vez, implica enfrent\u00e1-la de uma maneira diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>O desenvolvimento desta tese se desdobra nas quatro se\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em o texto. A primeira cont\u00e9m uma estrutura de an\u00e1lise que serve para dar sentido \u00e0s narrativas dos entrevistados sobre sua percep\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o com o trabalho. Ela fornece uma estrutura para entender a recusa ao trabalho. Em seguida, h\u00e1 considera\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas que oferecem um vislumbre de como procedi para construir e analisar os dados emp\u00edricos que sustentam este artigo. Nas se\u00e7\u00f5es tr\u00eas e quatro, relato as narrativas dos indiv\u00edduos sobre o significado de sua resist\u00eancia ao trabalho e como eles concebem e lidam com a incerteza associada ao seu \"n\u00e3o\" ao trabalho. Concluo com uma reflex\u00e3o sobre a mensagem \u00e9tica e pol\u00edtica impl\u00edcita na rela\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia ao trabalho desses indiv\u00edduos e o que se pode ganhar ao dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sua cr\u00edtica e resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estrutura para entender a recusa ao trabalho<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">H\u00e1 v\u00e1rios sinais de que os indiv\u00edduos de hoje t\u00eam rela\u00e7\u00f5es muito amb\u00edguas ou at\u00e9 mesmo contradit\u00f3rias com o trabalho. Na Fran\u00e7a, por exemplo, a maioria relata estar feliz com seu trabalho, mas apenas metade se considera satisfeita com ele (Flichy, 2017). Os soci\u00f3logos explicam essa ambiguidade fazendo uma distin\u00e7\u00e3o entre o significado ou conte\u00fado e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho. O primeiro diz respeito \u00e0 utilidade ou ao objetivo da atividade de trabalho, enquanto o segundo aponta, entre outras coisas, para os meios e a autonomia para decidir sobre o processo de trabalho. Os indiv\u00edduos estariam satisfeitos com o escopo de suas atividades na dimens\u00e3o de contribuir para algo coletivo e pela oportunidade de se mostrarem capazes ou competentes, mas estariam muito menos satisfeitos com \"as novas formas de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, que exigem mais envolvimento pessoal do trabalhador..., aumentam o estresse, pois implicam uma intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho. Se h\u00e1 um certo prazer no trabalho, ele \u00e9 frequentemente acompanhado de sofrimento\" (Flichy, 2017: 96). Os dados e an\u00e1lises fornecidos por Pfeffer (2018) para os Estados Unidos e outros pa\u00edses s\u00e3o consistentes com o que foi observado na Fran\u00e7a. Em geral, os indiv\u00edduos encontram algum prazer em realizar suas atividades, pelas quais sentem algum apego, mas, ao mesmo tempo, a estrutura em que as realizam gera muito sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao M\u00e9xico, a<em> World Happiness Report<\/em> (<span class=\"small-caps\">whr<\/span>O \u00edndice de satisfa\u00e7\u00e3o com a principal atividade ou ocupa\u00e7\u00e3o dos mexicanos pesquisados em 2018, em uma escala de 0 a 10, foi de 8,8. Somente os relacionamentos pessoais tiveram pontua\u00e7\u00e3o mais alta do que a ocupa\u00e7\u00e3o. Enquanto os acad\u00eamicos falam repetidamente, com certa dose de pesar, da informalidade e da inseguran\u00e7a no trabalho, os trabalhadores fazem uma avalia\u00e7\u00e3o subjetiva bastante positiva de sua atividade. Entretanto, h\u00e1 ind\u00edcios de que a situa\u00e7\u00e3o de sofrimento, exaust\u00e3o ou <em>esgotamento<\/em> descrito para outras sociedades tamb\u00e9m ocorre nessas latitudes. Em 2017, a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho relatou que 40% dos funcion\u00e1rios mexicanos sofriam de estresse relacionado ao trabalho devido, em parte, \u00e0 press\u00e3o no ambiente de trabalho; no mesmo ano, o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Mexicana de Psiquiatria observou que \"hoje os trabalhadores est\u00e3o sujeitos a cargas de estresse que excedem os n\u00edveis normais que um indiv\u00edduo em uma posi\u00e7\u00e3o que representa responsabilidades pode suportar\" (Poy Solano, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro sinal do desgosto das pessoas com as atuais condi\u00e7\u00f5es de trabalho \u00e9 o grande n\u00famero de memes sarc\u00e1sticos e zombeteiros, muitas vezes autorreferenciais, que circulam sobre os trabalhadores de escrit\u00f3rio. O grupo do Facebook \"Godinez World\", que tem pouco menos de dois milh\u00f5es de seguidores, oferece in\u00fameras imagens, acompanhadas de milhares de coment\u00e1rios, que fornecem uma vis\u00e3o limitada, mas valiosa, dada a espontaneidade dos coment\u00e1rios, da percep\u00e7\u00e3o e da avalia\u00e7\u00e3o desses trabalhadores sobre as formas atuais de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho (assalariado). As imagens e os coment\u00e1rios geralmente apontam para os \"infort\u00fanios\" que s\u00e3o como os <em>shibboleth<\/em> da vida no escrit\u00f3rio: a falta de autonomia, as restri\u00e7\u00f5es de hor\u00e1rios, a vigil\u00e2ncia, a <em>esgotamento<\/em>o <em>furo<\/em>etc. Essas situa\u00e7\u00f5es envolvem uma forma de precariedade que Linhart (2009) descreve como subjetiva, que pode ser mais perniciosa do que a forma (objetiva) de precariedade de que se fala muito nos estudos do trabalho.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Diversos autores atribuem a atual degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho ao surgimento da ideologia gerencial da administra\u00e7\u00e3o (<em>gerenciamento<\/em>) na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho (Thoemmes, Kanzari e Escarboutel, 2011; Marzano, 2011; Gaulejac, 2008; Berm\u00fadez, 2017), o que imp\u00f5e exig\u00eancias contradit\u00f3rias aos funcion\u00e1rios para que sejam aut\u00f4nomos sob ordens ou para que sigam determinados padr\u00f5es de excel\u00eancia e sucesso que s\u00e3o contr\u00e1rios ou estranhos \u00e0s suas pr\u00f3prias perspectivas de bom desempenho e bem-estar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio da cren\u00e7a popular, a t\u00e3o propalada flexibilidade da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho na era p\u00f3s-fordista n\u00e3o significa, de forma alguma, menos vigil\u00e2ncia ou mais autonomia na execu\u00e7\u00e3o das tarefas. Como algumas pesquisas demonstraram (Boltanski e Chiapelo, 1999; Marzano, 2011), a autonomia prometida no p\u00f3s-fordismo nada mais \u00e9 do que uma isca que serviu para levar a um envolvimento ou comprometimento muito maior dos funcion\u00e1rios, em detrimento de sua vida pessoal e familiar (Thoemmes, Kanzari e Escarboutel, 2011; Marzano, 2011) e de sua integridade psicol\u00f3gica (Aubert e Gaulejac, 1993).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso levou Linhart (2016) a ver no p\u00f3s-fordismo uma radicaliza\u00e7\u00e3o de certas pr\u00e1ticas nodais do taylorismo, como a vigil\u00e2ncia por meio de novas ferramentas tecnol\u00f3gicas e a coloniza\u00e7\u00e3o da vida pelo trabalho. Como \u00e9 sabido, muitos funcion\u00e1rios nos n\u00edveis mais altos de responsabilidade t\u00eam jornadas de trabalho muito longas e precisam estar dispon\u00edveis o tempo todo para poss\u00edveis solicita\u00e7\u00f5es de neg\u00f3cios ou de clientes (Thoemmes, Kanzari e Escarboutel, 2011; Reid, 2015; Laillier e Stenger, 2017). Com a aspereza que caracteriza sua prosa, Kurz, Trenkle e Lohoff descrevem essa realidade:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">A vida acontece em outro lugar, ou em lugar nenhum, porque o ritmo do trabalho domina tudo. As crian\u00e7as s\u00e3o treinadas para o tempo, para que mais tarde estejam \"prontas para o trabalho\". As f\u00e9rias servem apenas para reproduzir a \"for\u00e7a de trabalho\". E mesmo quando comemos, sa\u00edmos \u00e0 noite ou amamos, o rel\u00f3gio est\u00e1 correndo ao fundo (2004: 112).<\/p>\n\n\n\n<p>No taylorismo, o trabalho tomava conta dos corpos dos trabalhadores, mas n\u00e3o de suas mentes, que podiam mergulhar em devaneios id\u00edlicos enquanto realizavam suas tarefas; no p\u00f3s-fordismo, por outro lado, o trabalho os acompanha em todos os lugares, o tempo todo (Marzano, 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a tend\u00eancia dominante, ontem e hoje, de perder a vida no esfor\u00e7o n\u00e3o \u00e9 inerente \u00e0 natureza humana. N\u00e3o faz parte da constitui\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica ou evolutiva do animal humano, como talvez de qualquer outro, amar o esfor\u00e7o extenuante ou uma vida de dedica\u00e7\u00e3o absoluta ao trabalho incans\u00e1vel (Bohler, 2019). A cultura atual de esfor\u00e7o f\u00edsico e emocional, quanto mais dif\u00edcil, melhor, \u00e9 o resultado de quase dois s\u00e9culos de constru\u00e7\u00e3o consp\u00edcua da \u00e9tica do trabalho e sua deriva\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, a sociedade do trabalho (Graeber, 2018; Bauman, 2000).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que a busca por<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Para banir, por bem ou por mal, ...o h\u00e1bito generalizado que eles viam como o principal obst\u00e1culo ao espl\u00eandido mundo novo que estavam tentando construir: a tend\u00eancia generalizada de evitar, tanto quanto poss\u00edvel, as aparentes b\u00ean\u00e7\u00e3os oferecidas pelo trabalho na f\u00e1brica e de resistir ao ritmo de vida estabelecido pelo capataz, pelo rel\u00f3gio e pela m\u00e1quina (Bauman, 2000: 18).<\/p>\n\n\n\n<p>A f\u00e9 nas virtudes \u00e9ticas e c\u00edvicas do emprego transcende as clivagens pol\u00edticas tradicionais, e a promo\u00e7\u00e3o do emprego tornou-se a obsess\u00e3o de qualquer governante ou candidato que leve a s\u00e9rio seu sucesso e popularidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Como v\u00e1rios autores demonstraram (Frayne, 2017; Polanyi, 2003; M\u00e9da, 2001), o v\u00ednculo entre trabalho, senso c\u00edvico e consci\u00eancia de autoestima \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o historicamente datada, cujo surgimento implicou a aniquila\u00e7\u00e3o ou invisibiliza\u00e7\u00e3o de outras formas mais antigas de construir a vida e o senso de seu pr\u00f3prio valor em torno de outros referentes que n\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o de trabalho subordinado. A afirma\u00e7\u00e3o dessas outras formas de rela\u00e7\u00e3o com o trabalho exige que se pense no trabalho em outros termos que n\u00e3o os de \"valor\" de troca, \"lucro\", \"acumula\u00e7\u00e3o\" etc. (Panoff, 1977). Isso leva a formular a tese em torno da qual este texto se articula: fazer a vida \"\u00e0 margem\" da sociedade do trabalho ou resistir a ela \u00e9 outra forma de se fazer, de se assumir de forma aut\u00f4noma e de ser socialmente \u00fatil de outra maneira.<\/p>\n\n\n\n<p>As considera\u00e7\u00f5es acima s\u00e3o relevantes na medida em que a posi\u00e7\u00e3o dos entrevistados em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho, que explicarei a seguir, \u00e9 em grande parte uma rea\u00e7\u00e3o contra a situa\u00e7\u00e3o de esgotamento profissional, porque mais de alguns deles sofreram com isso em seu passado como funcion\u00e1rios, ou contra o imperativo de fazer do trabalho a base da vida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pesquisando as margens da sociedade do trabalho: considera\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Flichy (2017) distingue duas perspectivas metodol\u00f3gicas no estudo do trabalho: a primeira \u00e9 a mais tradicional e se concentra no estudo do trabalho em si, ou seja, concentra-se em vari\u00e1veis bastante objetivas relacionadas a trabalhadores e empresas. Essa abordagem est\u00e1 interessada na din\u00e2mica geral do mundo do trabalho. A segunda perspectiva est\u00e1 interessada na atividade dos trabalhadores. Seu foco \u00e9 o que os indiv\u00edduos fazem diariamente, que pode ser m\u00faltiplas ocupa\u00e7\u00f5es, os poss\u00edveis v\u00ednculos entre uma atividade e outra e, acima de tudo, a maneira pela qual eles vinculam sua atividade ou atividades de trabalho a outras dimens\u00f5es de suas vidas. Em outras palavras, o foco est\u00e1 no conte\u00fado do que os indiv\u00edduos fazem e no significado que d\u00e3o a isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa abordagem est\u00e1 preocupada em \"fazer\" (<em>fazer<\/em>) (na heran\u00e7a de Dewey) e assume o ser humano como um criador de objetos, um \"fabricante de ferramentas\" (Renault, 2012: 127); assim, o \"fazer\" torna-se constitutivo da vida de todo ser humano. Al\u00e9m do espectro do emprego, a vida de muitos indiv\u00edduos \u00e9 passada em uma bricolagem constante na qual o esfor\u00e7o, a fadiga, o prazer e a satisfa\u00e7\u00e3o se entrela\u00e7am. Como mostra Flichy (2017), muitos assalariados encontram no \"fazer\" o espa\u00e7o para a criatividade, a sociabilidade e o florescimento humano que lhes \u00e9 negado em seus empregos. Essa \u00e9 a perspectiva que adoto na pesquisa na qual este texto se baseia; nele, tento documentar as formas atuais de relacionamento com o trabalho que, no discurso e na pr\u00e1tica, rompem, ou pelo menos tentam romper, com o paradigma (simbolicamente) dominante de engajamento com o mundo do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Dewey (1998, 2008) distingue e op\u00f5e \"trabalho\" a \"labor\". Para ele, o trabalho \u00e9 compar\u00e1vel ao jogo e \u00e0 arte, pois envolve experimentar, criar, expressar-se como um ser livre e \u00fanico; al\u00e9m disso, e mais importante, o objetivo do trabalho \u00e9 intr\u00ednseco, \u00e9 o pr\u00f3prio prazer de realiz\u00e1-lo, <em>em bom<\/em>\u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o do trabalhador como criador ou gerador. O resultado do \"fazer\/trabalhar\" \u00e9 um tipo de gratifica\u00e7\u00e3o interior, uma afirma\u00e7\u00e3o do eu em sua singularidade. Por outro lado, ele chama de \"trabalho\" a atividade pesada cujo fim \u00e9 extr\u00ednseco e alheio aos fins pessoais do indiv\u00edduo. O capitalismo industrial articulou e exaltou o \"trabalho\" em detrimento do \"trabalho\" ou do \"fazer\".<\/p>\n\n\n\n<p>Quando falo de rejei\u00e7\u00e3o ou resist\u00eancia ao trabalho por parte dos sujeitos de minha pesquisa, isso deve ser lido como uma rejei\u00e7\u00e3o do \"trabalho\" no sentido de Dewey; e essa negatividade implica uma defesa do trabalho entendido como \"fazer\". S\u00e3o indiv\u00edduos que t\u00eam um discurso sobre o trabalho que se assemelha aos estudados por Frayne (2017) no Reino Unido; ou seja, eles rejeitam o trabalho ou resistem a ele por v\u00e1rios motivos e tentam formas mais aut\u00f4nomas, l\u00fadicas, criativas e, em alguns casos, solid\u00e1rias de se ocupar e gerar recursos ou bens. Dessa forma, a maioria deles permanece distante da vulgaridade que envolve o empreendedorismo. Embora compartilhem alguns tra\u00e7os com os empreendedores (especialmente os do mundo da <em>startups<\/em>), acho que diferem deles em termos do significado ou do objetivo do trabalho. Em geral, os primeiros est\u00e3o totalmente inseridos na l\u00f3gica do novo capitalismo, enquanto a maioria dos meus entrevistados \u00e9 bastante cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base em entrevistas realizadas com indiv\u00edduos que se declaram explicitamente contr\u00e1rios ou resistentes ao trabalho, ofere\u00e7o neste texto uma abordagem de sua maneira de perceber o futuro, de conviver com a incerteza e as poss\u00edveis preocupa\u00e7\u00f5es que os habitam nesses aspectos. Este artigo refere-se a entrevistas com 19 deles, nove mulheres e dez homens. Eles estudaram pelo menos at\u00e9 o n\u00edvel de bacharelado, com exce\u00e7\u00e3o de dois cuja resist\u00eancia ao trabalho levou \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o da universidade. Comecei entrevistando conhecidos cujas cr\u00edticas ao trabalho j\u00e1 eram conhecidas por mim; eles mesmos me colocaram em contato com amigos com quem compartilhavam essas disposi\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, ao compartilhar uma breve descri\u00e7\u00e3o do estudo e do tipo de perfil que eu estava interessado em entrevistar, v\u00e1rios colegas me colocaram em contato com colaboradores em potencial que tamb\u00e9m entrevistei. As entrevistas duraram de uma hora e meia a duas horas e meia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos os casos, pelo menos um dos pais tem forma\u00e7\u00e3o profissional e est\u00e1 trabalhando como profissional. Portanto, esses indiv\u00edduos s\u00e3o bem dotados de capital cultural e pertencem \u00e0 classe m\u00e9dia. \u00c9 bem sabido que, na Am\u00e9rica Latina, o surgimento e a expans\u00e3o da classe m\u00e9dia est\u00e3o diretamente ligados \u00e0s a\u00e7\u00f5es de desenvolvimento do Estado (Bertaccini, 2009; Escobar e Pedraza, 2010, Wortman, 2010; Le\u00f3n, Esp\u00edndola e S\u00e9mbler, 2010). Essa categoria social se beneficiou da moderniza\u00e7\u00e3o, da urbaniza\u00e7\u00e3o e da expans\u00e3o do Estado, que criou milh\u00f5es de empregos e \"condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis em termos de pre\u00e7os, servi\u00e7os sociais e urbanos e cr\u00e9dito, o que facilitou o acesso a um padr\u00e3o de vida mais alto para os trabalhadores urbanos formais\" (Escobar e Pedraza, 2010: 358). Em outras palavras, essa classe social \u00e9 filha da industrializa\u00e7\u00e3o, da democratiza\u00e7\u00e3o educacional ou da cria\u00e7\u00e3o da economia de servi\u00e7os, tudo isso de m\u00e3os dadas com o Estado na Am\u00e9rica Latina. Assim, Bertaccini (2009) descreve a moderna classe m\u00e9dia mexicana como uma constru\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico, que come\u00e7ou no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1940.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado da mobilidade social ascendente promovida pelo estado desenvolvimentista, a classe m\u00e9dia tem uma rela\u00e7\u00e3o especial com o trabalho e o imagin\u00e1rio que a sustenta. Bourdieu (1979) faz dessa categoria social a portadora da \"boa vontade cultural\", ou seja, ela faz do investimento em educa\u00e7\u00e3o e da apropria\u00e7\u00e3o de bens culturais o principal ativo para a preserva\u00e7\u00e3o de sua posi\u00e7\u00e3o na sociedade. O que \u00e9 legado aos filhos, a fim de preservar essa posi\u00e7\u00e3o, \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o profissional superior e o zelo pelo trabalho. Assim, a recusa ao trabalho tem algo de ruptura com uma heran\u00e7a familiar, o que n\u00e3o deixa de suscitar discord\u00e2ncia, suspeita, incompreens\u00e3o ou cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os entrevistados est\u00e3o envolvidos em uma ampla variedade de ocupa\u00e7\u00f5es. Entre eles est\u00e3o os que fabricam cerveja artesanal, os que traduzem e interpretam, dois que fazem p\u00e3o e carpintaria e outros of\u00edcios, os que ensinam ioga, dan\u00e7a e terapias alternativas, os que fazem tatuagens, os que escrevem, traduzem e est\u00e3o fundando uma pequena editora, e assim por diante. Uma caracter\u00edstica comum \u00e0 maioria deles \u00e9 o fato de abominarem o tipo de \"nobreza ocupacional\" \u00e0 qual a posse de um diploma universit\u00e1rio \u00e9 frequentemente associada (Crawford, 2010); ou seja, eles n\u00e3o t\u00eam escr\u00fapulos em se envolver em qualquer atividade (socialmente \u00fatil e sancionada).<\/p>\n\n\n\n<p>Pela mesma raz\u00e3o, eles professam um certo gosto pelo artesanato e pelo trabalho manual (\"aprender a fazer coisas com as m\u00e3os\" \u00e9 o que uma entrevistada considera ter crescido desde que deixou de viver para trabalhar). Nesse ponto, eles se relacionam com os <em>fabricantes <\/em>e com o <em>hackers<\/em> (Berrebi-Hoffman, Bureau e Lallement, 2018), com os indiv\u00edduos antitrabalho estudados por Frayne (2017) e os funcion\u00e1rios apaixonados por bricolagem e por ter espa\u00e7os para \"outro trabalho\", para \"fazer\", observados por Flichy (2017). Eles tamb\u00e9m est\u00e3o de pleno acordo com as posi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas de escritores contempor\u00e2neos, como Smart (2004), Abenshushan (2013), Weeks (2011), entre muitos outros, em rela\u00e7\u00e3o ao culto ao trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Os entrevistados concordam que o fato de estarem \"\u00e0 margem\" da sociedade do trabalho assalariado exige que eles se envolvam em diferentes atividades por causa disso e da necessidade existencial de faz\u00ea-lo. Para os fins deste texto, analisei as entrevistas concentrando-me na parte das narrativas que diz respeito \u00e0s formas de apreender o futuro e de se projetar nele, de lidar com a incerteza e de significar sua rela\u00e7\u00e3o particular com o trabalho, esfor\u00e7ando-se para \"entender\" (Bourdieu, 1993) as raz\u00f5es pelas quais cada um constr\u00f3i uma rela\u00e7\u00e3o de relativa dist\u00e2ncia ou de resist\u00eancia aberta em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho. Pressupor que algu\u00e9m pode ter motivos suficientes para n\u00e3o gostar da rela\u00e7\u00e3o de trabalho entre empregador e empregado (como pode haver para estar relativamente bem nela) \u00e9 um bom ant\u00eddoto contra o risco de impor inconscientemente aos entrevistados perguntas descontroladas, espontaneamente extra\u00eddas de fic\u00e7\u00f5es socialmente compartilhadas sobre a rela\u00e7\u00e3o leg\u00edtima com o trabalho ou do meu pr\u00f3prio status como funcion\u00e1rio da universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma not\u00e1vel coincid\u00eancia no discurso desses indiv\u00edduos no que diz respeito aos motivos do afastamento do trabalho, \u00e0 apreens\u00e3o da incerteza, \u00e0 forma de encarar o futuro, entre outras quest\u00f5es. Nesse aspecto, vari\u00e1veis como g\u00eanero, idade, estado civil, ter ou n\u00e3o filhos, escolaridade e local de resid\u00eancia n\u00e3o fazem diferen\u00e7a. Pelo mesmo motivo, os trechos citados desta ou daquela entrevista s\u00e3o relativamente representativos da opini\u00e3o de todos sobre o assunto em quest\u00e3o. Isso n\u00e3o significa que a amostra seja homog\u00eanea; pelo contr\u00e1rio, tentei torn\u00e1-la o mais homog\u00eanea poss\u00edvel em quest\u00f5es como forma\u00e7\u00e3o educacional e socioprofissional, mas essas vari\u00e1veis n\u00e3o contribuem com nenhuma varia\u00e7\u00e3o em termos da percep\u00e7\u00e3o do lugar que o trabalho deve ocupar na vida.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal elemento de varia\u00e7\u00e3o entre os posicionamentos \u00e9 ideol\u00f3gico, com alguns se posicionando como \"para baixo e para a esquerda\" e com certas afinidades com o anarquismo e o anticapitalismo, enquanto outros se descrevem como indiferentes ou distantes da pol\u00edtica; al\u00e9m dessas diferen\u00e7as, h\u00e1 certa converg\u00eancia sobre a falta de sentido de dedicar a vida ao trabalho e se envolver em atividades de pouco interesse e utilidade social.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\"<em>Ilus\u00f5es perdidas<\/em>\"ou da vida prometida e sonhada que nunca existiu e nunca existir\u00e1.<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">A sociedade que foi constru\u00edda em torno do sal\u00e1rio caracterizou-se pela entrega da autonomia do trabalhador ao empregador em troca de estabilidade no emprego e seguran\u00e7a material (Castel, 1995). A isso se somou, como terceira caracter\u00edstica, a promessa de uma capacidade de consumo cada vez maior (Rifkin, 1996). Em um mundo em que a fabrica\u00e7\u00e3o de objetos aumentava a uma velocidade vertiginosa, a viabilidade do capitalismo dependia do incentivo irrestrito ao consumo e da promo\u00e7\u00e3o da devo\u00e7\u00e3o ass\u00eddua ao trabalho como meio de acesso \u00e0 \"felicidade\" de uma vida saturada de objetos manufaturados. N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que o sucesso do capitalismo fordista se baseava no ajuste entre trabalho e consumo por meio do cr\u00e9dito (Rifkin, 1996). O trabalho foi constru\u00eddo como constitutivo do valor individual e do pertencimento social, enquanto o consumo foi erigido como uma medida de sucesso individual. Uma ideologia duradoura subjacente a essa organiza\u00e7\u00e3o social, fortemente articulada em torno do trabalho, \u00e9 a firme cren\u00e7a em uma vida de riqueza como resultado inevit\u00e1vel da dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho. Por cerca de quatro d\u00e9cadas ou mais, a realidade do mundo do trabalho tem se movido na dire\u00e7\u00e3o oposta a essa cren\u00e7a, que, paradoxalmente, continua a alimentar as vis\u00f5es e expectativas de muitas pessoas sobre o trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Liliana, que \u00e9 formada em comunica\u00e7\u00e3o social e p\u00f3s-graduada em desenvolvimento urbano e tem quase 25 anos de experi\u00eancia profissional em diferentes meios de comunica\u00e7\u00e3o, foi levada por seus pais e professores a acreditar que, trabalhando com dedica\u00e7\u00e3o e seriedade, teria uma vida materialmente digna e que seu bem-estar futuro estaria garantido. Durante anos, ele acreditou nisso; negligenciou sua vida pessoal, sua fam\u00edlia, seus amigos e outras atividades de interesse para concretizar essa promessa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma primeira conversa, ele refletiu:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Venderam-me a ideia de que, trabalhando desde jovem e com afinco, eu certamente teria uma vida confort\u00e1vel. At\u00e9 agora, tenho feito isso, mas nada do que foi prometido aconteceu. Pelo contr\u00e1rio, trabalho cada vez mais, mas os resultados s\u00e3o cada vez menores (entrevista com Liliana, 46 anos, m\u00e3e de dois filhos, julho de 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Sua vis\u00e3o do trabalho corresponde aos dois princ\u00edpios mencionados acima, com os quais Graeber (2018) caracteriza os empregos de nossos tempos modernos. Nossa sociedade faz com que o valor e a dignidade das pessoas dependam de sua rela\u00e7\u00e3o com o trabalho, mas, ao mesmo tempo, o trabalho se tornou abomin\u00e1vel. Em outras palavras, o trabalho se tornou um fim em si mesmo e tem de ser prejudicial \u00e0 vida das pessoas. De acordo com Graeber, \"\u00e9 por ser horr\u00edvel que o trabalho moderno tende a ser visto como um fim em si mesmo... Em outras palavras, os trabalhadores obt\u00eam sentimentos de dignidade e autoestima <em>porque<\/em> odeiam seus empregos\" (2018: 242).<\/p>\n\n\n\n<p>Liliana sente que tem perseguido a realidade dos sonhos de viver bem do trabalho, mas essa realidade sempre a iludiu; quanto mais ela a persegue, mais distante, fugidia, fugidia ela se torna. Ela chegou a um ponto em que percebeu que, quanto mais trabalha, mais dif\u00edcil \u00e9 conseguir sobreviver com um pouco de dinheiro. Categ\u00f3rica, ela termina sua reflex\u00e3o com esta afirma\u00e7\u00e3o: \"N\u00e3o quero mais nada disso\". Sua resist\u00eancia \u00e0 sociedade do trabalho se baseia em um certo despertar para o princ\u00edpio da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma segunda reuni\u00e3o, ele reiterou suas reflex\u00f5es sobre sua experi\u00eancia de trabalho no jornalismo e ofereceu sua vis\u00e3o do trabalho:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Quando sa\u00ed da universidade, queria trabalhar, j\u00e1 estava trabalhando, adorava trabalhar, mas comecei a desconfiar muito cedo que o que eu adorava fazer, jornalismo, havia empresas que se aproveitavam do amor que eu tinha por aquele trabalho para me explorar. Por exemplo, trabalhei em um jornal por cinco anos, \u00e9ramos muitos, na verdade, em cinco anos ningu\u00e9m recebeu um aumento, nunca. Em outras palavras, trabalhamos por cinco anos sem aumento. E como eles estavam come\u00e7ando a demitir e cortar, cortar, cortar, cortar, cortar, cortar e cortar, havia cada vez menos pessoas e n\u00f3s t\u00ednhamos cada vez mais empregos. E como eu lhe disse: antes, havia dois outros empregos al\u00e9m do jornal. Ent\u00e3o, chegou um momento em que at\u00e9 mesmo o corpo das pessoas come\u00e7ou a se deteriorar: sua sa\u00fade, suas emo\u00e7\u00f5es, sua vida como casal; no meu ambiente de trabalho, no ambiente em que trabalhei, as pessoas se divorciam duas, tr\u00eas, quatro vezes e, \u00e9 claro, h\u00e1 muitos fatores que levam ao div\u00f3rcio, mas um muito importante no caso da minha \u00e1rea \u00e9 a falta de tempo. As pessoas n\u00e3o t\u00eam tempo para ficar com ningu\u00e9m al\u00e9m de seus colegas de trabalho... Ou as pessoas ficam muito b\u00eabadas... Ent\u00e3o, para mim, o que o trabalho \u00e9 neste momento da minha hist\u00f3ria... bem, \u00e9 algo terr\u00edvel, \u00e9 algo que est\u00e1 gerando explora\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o permite que as pessoas vivam felizes ou com qualidade de vida; se voc\u00ea quiser usar um adjetivo n\u00e3o emocional que possa ser medido: que voc\u00ea n\u00e3o pode ver seus filhos, que voc\u00ea ainda n\u00e3o pode passar f\u00e9rias em uma pequena cidade em Jalisco, que voc\u00ea nunca tem dinheiro, que voc\u00ea n\u00e3o tem tempo e que voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o pode, mesmo se quisesse, criar seus filhos ou estar com seu parceiro, etc. ... As pessoas est\u00e3o sempre pensando que v\u00e3o ser demitidas, na minha percep\u00e7\u00e3o, em troca de nada, em troca de um sal\u00e1rio miser\u00e1vel que n\u00e3o permite nem que voc\u00ea pague as contas (entrevista com Liliana).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 coerente com a ideia de o trabalho se tornar um fim em si mesmo, mesmo \u00e0s custas da sustentabilidade da vida dos trabalhadores. Uma vez que se tenha erigido a devo\u00e7\u00e3o ao trabalho como uma cifra para uma vida plena, a pessoa se torna incapaz de reconhecer e dar import\u00e2ncia \u00e0s in\u00fameras outras coisas que d\u00e3o conte\u00fado a uma vida humana. Frayne (2017) fala da coloniza\u00e7\u00e3o da vida pelo trabalho quando a pessoa vive sob o imperativo de submeter toda a sua exist\u00eancia \u00e0 tirania de um rel\u00f3gio de escrit\u00f3rio ou de estar sempre dispon\u00edvel para \"o que quer que seja oferecido\". A resist\u00eancia de Liliana \u00e9 contra essa tirania e coloniza\u00e7\u00e3o da vida pelo imp\u00e9rio do trabalho. \u00c9 assim que ela se expressa:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Parece-me que o trabalho se tornou algo... desde que eu estava no jornal, digamos, h\u00e1 um sistema que faz voc\u00ea pensar e acreditar que, se n\u00e3o estiver l\u00e1 o tempo todo, voc\u00ea \u00e9 menos produtivo, seu trabalho vale menos ou voc\u00ea \u00e9 apenas um pregui\u00e7oso. E eu sempre questiono... o fato de algu\u00e9m ter que trabalhar das 9h \u00e0s 14h e das 16h \u00e0s 19h. Isso significa sair de casa \u00e0s 8h e voltar \u00e0s 20h; em outras palavras, s\u00e3o 12 horas reais de trabalho fora de casa. Acho que o trabalho \u00e9 algo muito importante, mas deve ser algo agrad\u00e1vel, social, socialmente \u00fatil, e n\u00e3o deve implicar que voc\u00ea tenha que dar sua vida ou deix\u00e1-la apenas em um escrit\u00f3rio. Ou seja, uma pessoa tem diferentes momentos, diferentes necessidades al\u00e9m do trabalho... Quero dizer, mesmo que voc\u00ea n\u00e3o tenha filhos, voc\u00ea tem um parceiro, voc\u00ea quer ir ao cinema, voc\u00ea quer ir a um show, ouvir m\u00fasica, ver seus amigos, blablablabl\u00e1 (entrevista com Liliana).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Liliana, os outros parceiros de pesquisa concordam que o trabalho deve ser uma fonte de alegria, de progresso pessoal, de manifesta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do potencial dos indiv\u00edduos. O que eles rejeitam \u00e9 a tend\u00eancia dominante atual de impor o trabalho como a \"\u00fanica alegria verdadeira\". J\u00e1 no in\u00edcio do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xx<\/span> Houve vislumbres disso, e \u00e9 por isso que Robert Walser dedicou v\u00e1rias p\u00e1ginas de s\u00e1tira mordaz a ela, mas ele nunca imaginou que, um s\u00e9culo depois, a obra se tornaria, nas palavras de Liliana, \"uma sanguessuga\" que causa s\u00e9rios estragos na vida de um n\u00famero cada vez maior de pessoas em todo o mundo (Pfeffer, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Macrina tamb\u00e9m viveu, por um tempo, com a convic\u00e7\u00e3o de que o trabalho d\u00e1 acesso aos bens que, por sua vez, levam a uma vida plena. Formada em servi\u00e7o social, ela trabalhou por cinco anos em uma empresa de telecomunica\u00e7\u00f5es, o que lhe permitiu obter os bens que acreditava serem essenciais para sua vida; mas, ao faz\u00ea-lo, percebeu que a plenitude de sua vida n\u00e3o vinha do fato de ter esse emprego ou de adquirir os bens com os quais ele \u00e9 normalmente associado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Passar um ano inteiro com um hor\u00e1rio das 8h \u00e0s 20h todos os dias, n\u00e3o, n\u00e3o fa\u00e7o mais isso. Eu costumava fazer isso porque tinha um objetivo. Meu objetivo era ganhar dinheiro para viajar. Em outras palavras, eu tinha aquele emprego porque sabia que em algum momento sairia dele, eu tinha objetivos. Um deles era comprar a van para viajar, outro era o carro, o outro era ganhar dinheiro para viajar, sabe? Mas quando comecei a ter todo aquele dinheiro e tudo mais, n\u00e3o gostei disso. N\u00e3o. N\u00e3o acho que seja saud\u00e1vel para ningu\u00e9m. Os seres humanos n\u00e3o vieram para c\u00e1 para trabalhar. Ele veio aqui para desfrutar e compartilhar. E h\u00e1 trabalho para todos, de modo que todo ser humano poderia trabalhar quatro horas por dia, todo mundo poderia trabalhar, sabe? Todo mundo poderia ter seu monte de dinheiro, todo mundo poderia ser feliz, ter um emprego e ter [viabilidade]. Mas o sistema nos quer presos, o sistema nos quer escravos. Eu n\u00e3o quero mais fazer parte desse sistema (entrevista com Macrina, 37 anos, solteira, junho de 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>O que ele chama de sistema \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o da vida em torno do trabalho incessante e do consumo nos fins de semana como forma de compensar ou esquecer a vida que n\u00e3o existe nos longos dias de trabalho (o motor do capitalismo). Essa \u00e9 outra maneira de dizer que o trabalho coloniza nossa imagina\u00e7\u00e3o de tal forma que \u00e9 impens\u00e1vel construirmos a vida de outra maneira que n\u00e3o seja trabalhando e trabalhando duro (Russell, 2017) \"em coisas que n\u00e3o s\u00e3o especialmente [apreciadas]\", de acordo com Graeber (2018), e comprando coisas que s\u00e3o sup\u00e9rfluas ou que n\u00e3o temos tempo para apreciar (Frayne, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, na opini\u00e3o de Mariana (33 anos, mestrado em tradu\u00e7\u00e3o, solteira, julho de 2019), a vida da maioria das pessoas pode ser resumida em \"voc\u00ea nasce, cresce, trabalha, trabalha... e morre\". E ela acredita que aqueles que se submetem a essa forma min\u00fascula de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade e da vida o fazem porque n\u00e3o conhecem outra maneira de moldar e conduzir a vida a n\u00e3o ser trabalhando. Os participantes desta pesquisa, por v\u00e1rias raz\u00f5es, despertaram, a seu modo, desse \"sonho dogm\u00e1tico\" chamado \"viver para trabalhar ou trabalhar para viver\" e procuram forjar uma vida para si mesmos de in\u00fameras maneiras, das quais o trabalho \u00e9 apenas mais uma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De outra forma de construir o futuro e lidar com a incerteza<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">A sociedade industrial (ou a pr\u00f3pria modernidade) retirou dos indiv\u00edduos a possibilidade de construir seu mundo e moldar suas vidas usando seus pr\u00f3prios recursos materiais e imaginativos. Ao transform\u00e1-los em trabalhadores ou oper\u00e1rios de f\u00e1bricas, cujo prop\u00f3sito lhes era estranho, ela desarticulou seus mundos de vida e os destituiu de suas capacidades instituintes (Polanyi, 2003). Os arranjos do estado de bem-estar social que deram a esses trabalhadores certos meios para diminuir as incertezas da vida e enfrentar o futuro com um certo senso de \"seguran\u00e7a\" na verdade os tornaram \"fr\u00e1geis\". Essa considera\u00e7\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 cren\u00e7a comum que associa seguran\u00e7a ou certeza ao status de emprego em um contrato por tempo indeterminado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nassim Taleb (2013) cunhou o termo \"antifragilidade\" para se referir a uma propriedade de indiv\u00edduos e outros sistemas complexos que os faz se beneficiar ou prosperar na adversidade e os torna \u00e1geis diante do risco e da incerteza. Seguindo seu racioc\u00ednio, argumento que a sociedade do trabalho que, no final do s\u00e9culo passado <span class=\"small-caps\">xix<\/span> e nas primeiras d\u00e9cadas da <span class=\"small-caps\">xx<\/span> A forma como foi constru\u00edda levou \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos fr\u00e1geis e sem recursos para lidar com crises como o fechamento de uma f\u00e1brica ou uma demiss\u00e3o. A leitura de Cole (2007) do drama do desemprego masculino em Marienthal, que ficou famoso por Jahoda e colegas, est\u00e1 de acordo com essa proposi\u00e7\u00e3o. Cole mostra que a instala\u00e7\u00e3o nessa comunidade austr\u00edaca da empresa cujo fechamento deixou centenas de homens desempregados destruiu as antigas formas de sociabilidade, de controle sobre o tempo, de relacionamento com o futuro, de constru\u00e7\u00e3o de significado em suas vidas; e essa transforma\u00e7\u00e3o no modo de fazer a vida, que os tornou absolutamente dependentes do trabalho na f\u00e1brica, tornou-os fr\u00e1geis, incapazes de enfrentar as vicissitudes com coragem e de conceber outras formas de dar conte\u00fado e forjar suas vidas. Como Thoreau (1983) afirmou, a sociedade do trabalho, ao impor o trabalho como a \u00fanica forma de vida, suprimiu todas as outras formas de construir uma vida e fazer a sociedade. Ela privou os indiv\u00edduos de um senso de utilidade e de um verdadeiro impulso para a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na percep\u00e7\u00e3o de Taleb (2013), os sistemas que tendem a eliminar a aleatoriedade e a variabilidade (esp\u00e9cies de \"leitos procrustes\") na vida s\u00e3o eles pr\u00f3prios fr\u00e1geis e levam \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos fr\u00e1geis. Assim, ele argumenta que um motorista de t\u00e1xi com uma renda altamente vari\u00e1vel \u00e9 muito menos fr\u00e1gil (ou mais \"antifr\u00e1gil\") do que qualquer empregado em tempo integral e com prazo indeterminado. Consequentemente, acho que estar \u00e0 margem da sociedade do trabalho implica uma condi\u00e7\u00e3o de \"antifragilidade\" que torna a incerteza positiva e nos permite imaginar o futuro como possibilidades e n\u00e3o como amea\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso explica, em parte, a rejei\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos desta pesquisa \u00e0 ideia de passar a vida dentro de quatro paredes, realizando tarefas mon\u00f3tonas definidas por outros, em um hor\u00e1rio r\u00edgido. Eu disse que todos eles est\u00e3o envolvidos em uma variedade de coisas que fazem em diferentes espa\u00e7os, em hor\u00e1rios flex\u00edveis e em ritmos definidos de forma aut\u00f4noma. Rejeitar o trabalho leva a (ou vem de) apostar na antifragilidade de viver na aleatoriedade e na diversifica\u00e7\u00e3o das formas de trabalhar, de estar no tempo, de consumir e de viver.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Tom\u00e1s, que abandonou tr\u00eas gradua\u00e7\u00f5es e se op\u00f5e a qualquer forma de estrutura vertical de subordina\u00e7\u00e3o no estilo da escola e das empresas, a incerteza \u00e9 mais caracter\u00edstica daqueles que trabalham por um sal\u00e1rio, porque s\u00e3o eles que est\u00e3o pensando no futuro. Quanto a ele, j\u00e1 sabe qual ser\u00e1 seu futuro: anarquia como escritor e editor, o of\u00edcio de padeiro, al\u00e9m de alguma(s) outra(s) coisa(s) deixada(s) ao acaso de sua exist\u00eancia. Aqui est\u00e1 sua posi\u00e7\u00e3o sobre a incerteza e o futuro:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Tom\u00e1s: N\u00e3o, essas s\u00e3o coisas em que as pessoas que trabalham pensam (risos). Porque essas pessoas s\u00e3o as que pensam sobre a certeza ou a incerteza no futuro.<br><br>Entrevistador: No seu caso, por que voc\u00ea n\u00e3o pensa nisso?<br><br>Porque... por que pensar nisso (risos). Digamos que at\u00e9 agora nunca me faltou nada, tudo me foi dado. Ent\u00e3o, por que me preocupar, por que pensar em coisas que poderiam me preocupar se, desde que tomei essa decis\u00e3o, sempre saiu algo dela, mesmo quando assim... sem dinheiro e sem nada; quero dizer, de repente a carpintaria saiu, n\u00e3o foi, eu me diverti muito? E depois as tradu\u00e7\u00f5es e depois o p\u00e3o, sempre saiu algo que me manteve \u00e0 tona. E, claro, quero dizer, sim, h\u00e1 momentos em que, porra, agora sim, faz um m\u00eas que nada aconteceu, minhas economias est\u00e3o indo embora. Tem momentos assim, n\u00e3o sei, depois de 15 anos assim eu j\u00e1 estou um pouco cansado e digo: vai aparecer alguma coisa. E sempre aparece alguma coisa. Ent\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o tem incerteza nenhuma (entrevista com Tom\u00e1s, 37 anos, solteiro, v\u00e1rios of\u00edcios, 19 de setembro de 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Para esses indiv\u00edduos, a certeza do trabalho \u00e9 uma fraqueza (ou uma fragilidade), pois sufoca a criatividade e os mant\u00e9m longe de problemas e desafios. \u00c9 claro que, quando eles tiveram a experi\u00eancia de ter uma renda fixa no final do m\u00eas e, al\u00e9m disso, foram educados durante anos para assumir que esse \u00e9 um desejo leg\u00edtimo, o medo permanece diante dos caprichos da exist\u00eancia, mesmo quando houve uma rejei\u00e7\u00e3o firme e fundamentada de uma vida de dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho. De qualquer forma, a vida profissional, com seus enfeites incertos de seguran\u00e7a, instila mais medo. Liliana reflete:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">[N\u00e3o ter uma renda fixa] me assusta um pouco, mas me assusta ainda mais ter os benef\u00edcios de uma vida profissional insegura, como \u00e9 o caso, em troca de estar em um escrit\u00f3rio, por mais agrad\u00e1vel que seja, por mais dourado que seja... E, acima de tudo, perder o contato com o que est\u00e1 l\u00e1 fora. Eu tenho pavor dessa possibilidade, tenho pavor da possibilidade de n\u00e3o poder ir ao centro da cidade em um dia de semana para ver como a cidade funciona, de n\u00e3o poder pegar um \u00f4nibus urbano, de n\u00e3o poder... Em outras palavras, essas coisas que dever\u00edamos, todos n\u00f3s dever\u00edamos ter a possibilidade de fazer, na realidade, poucas pessoas s\u00e3o capazes de faz\u00ea-las. Isso me assusta muito. Ou eu quero fazer outras coisas al\u00e9m de trabalhar, certo? Ent\u00e3o, agora eu quero fazer arte, outras coisas al\u00e9m de trabalhar. N\u00e3o sei como vou fazer isso, mas estou pensando (entrevista com Liliana).<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos dos participantes da pesquisa desistiram de empregos \"est\u00e1veis\" e bem remunerados porque n\u00e3o era assim que queriam viver. Nas palavras de uma delas, ela sempre teve a possibilidade de trabalhar mais e ganhar mais, inserindo-se assim em uma espiral de trabalho e consumo sem sentido. Por causa da coragem que tiveram de abrir m\u00e3o, mesmo a contragosto de seu c\u00edrculo pr\u00f3ximo, elas tendem a se projetar no futuro, confiantes de que, se surgir uma dificuldade, como vimos com Tom\u00e1s, elas ser\u00e3o capazes de resolv\u00ea-la como t\u00eam sido capazes de fazer at\u00e9 agora. O mesmo acontece com Macrina:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">a palavra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 preocupar-se antes da hora. Portanto, tudo tem uma solu\u00e7\u00e3o, tudo \u00e9 perfeito. Voc\u00ea n\u00e3o precisa se preocupar com nada (risos). Eu sou louco, ei! \u00c9 isso que as pessoas pensam quando me ouvem. Mas sim, talvez eu seja louca, mas estou feliz, apenas sendo louca (entrevista com Macrina).<\/p>\n\n\n\n<p>Ela projeta um futuro n\u00f4made para si mesma e vem viajando pelo mundo h\u00e1 v\u00e1rios anos. Gra\u00e7as \u00e0s v\u00e1rias habilidades que possui (aulas de ioga, massagem, reiki, etc.), onde quer que tenha ido, ela conseguiu encontrar os recursos para se sustentar e continuar viajando. Ao longo do caminho, ela aprendeu a superar o medo do que poderia acontecer e a confiar que, aconte\u00e7a o que acontecer, tudo dar\u00e1 certo no final. Ela conta sobre o in\u00edcio de sua \u00faltima viagem \u00e0 Argentina, onde foi visitar um amigo que conheceu em outra viagem e onde tamb\u00e9m fez v\u00e1rios novos amigos,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">O que me esperava era o que aconteceria comigo, o que aconteceria se eu n\u00e3o encontrasse um lugar, se n\u00e3o encontrasse dinheiro e assim por diante. E sempre encontrei; sempre, sempre no momento em que eu precisava de alguma coisa, essa coisa aparecia. E o \u00faltimo medo que tive foi: \"se eu ficar sem as economias que tenho, e se eu ficar sem poder sacar dinheiro...\". E, aqui agora neste \u00faltimo m\u00eas, fomos viajar com alguns amigos e fiquei sem dinheiro porque meu cart\u00e3o n\u00e3o funcionou aqui na [regi\u00e3o], n\u00e3o pude sacar dinheiro, fiquei sem um peso, n\u00e3o tinha um peso no bolso. E tudo, tudo aconteceu. N\u00e3o me faltava comida, n\u00e3o me faltava... apareceram alguns amigos que eram anjos, que estavam ao meu lado e me ajudaram o m\u00e1ximo que puderam e tamb\u00e9m faziam m\u00fasica e me ensinaram que fazendo m\u00fasica e malabarismo voc\u00ea poderia ganhar mais dinheiro e conseguir viver. Ent\u00e3o, foi a\u00ed que perdi o medo de tudo, porque voc\u00ea pode fazer isso e essa ... magia existe. O \u00faltimo medo era esse, e acho que o criei, manifestei-o, porque era do tipo \"o que aconteceria se meu cart\u00e3o n\u00e3o funcionasse e se eu n\u00e3o pudesse sacar dinheiro e assim por diante\", e aconteceu. Eu manifestei isso e aconteceu. Acho que o universo manifestou isso para me mostrar que nada acontece, que tudo continua igual. Agora n\u00e3o tenho nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o, nenhuma. Perdi o \u00faltimo medo que ainda tinha (entrevista com Macrina).<\/p>\n\n\n\n<p>Fiz alus\u00e3o \u00e0 ren\u00fancia que a maioria desses indiv\u00edduos consentiu; ela corresponde a um compromisso com uma vida de sobriedade. Eles consideram que n\u00e3o precisavam abrir m\u00e3o da possibilidade de adquirir certos bens materiais porque eram coisas que j\u00e1 haviam considerado n\u00e3o essenciais para suas vidas, coisas que n\u00e3o queriam de qualquer maneira. Para v\u00e1rios deles, isso est\u00e1 de acordo com uma certa preocupa\u00e7\u00e3o com as urg\u00eancias clim\u00e1ticas atuais e uma posi\u00e7\u00e3o contra o consumismo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reflex\u00f5es finais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Neste artigo, tentei descrever a maneira pela qual um grupo de indiv\u00edduos est\u00e1 tentando experimentar outra forma de moldar suas vidas e se afiliar \u00e0 sociedade, colocando-se, na medida do poss\u00edvel, \"fora\" da organiza\u00e7\u00e3o de trabalho fordista ou p\u00f3s-fordista. Na realidade, esses indiv\u00edduos n\u00e3o expressam uma rejei\u00e7\u00e3o do trabalho como tal ou em sua dimens\u00e3o de \"fazer\"; como eu disse, a maioria deles est\u00e1 envolvida em pelo menos um tipo de atividade regular e muitos se definem como \"polivalentes\". O que eles est\u00e3o resistindo ou \"rejeitando\" \u00e9 o \"trabalho\" t\u00edpico da sociedade do trabalho que emergiu do fordismo, que \u00e9 predominante na maioria das grandes empresas e organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e \u00e9 caracterizado, para uma propor\u00e7\u00e3o de trabalhadores altamente qualificados, por uma absor\u00e7\u00e3o total do tempo do indiv\u00edduo, falta de autonomia, exaust\u00e3o mental, estresse e falta de significado ou utilidade social das tarefas a serem executadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqueles que, no mundo de hoje, relutam em se submeter \u00e0 regra do trabalho, cujos efeitos delet\u00e9rios sobre a vida talvez sejam mais graves hoje do que h\u00e1 um s\u00e9culo, procuram se envolver em atividades que lhes permitam ter uma vida muito alinhada com o ideal \u00e9tico deweyano. Sua concep\u00e7\u00e3o de trabalho e a maneira como procuram se ocupar correspondem ao que esse fil\u00f3sofo conceituou como \"fazer\". Esse conceito refere-se a um tipo de trabalho cuja utilidade como meio de conex\u00e3o com os outros e de florescimento pessoal precede a dimens\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se recusarem a dedicar suas vidas ao trabalho, esses indiv\u00edduos tamb\u00e9m optam por priorizar muitas outras coisas que uma vida de trabalho geralmente marginaliza. Isso abre caminho para o envolvimento em uma variedade de atividades nas quais as diferentes propriedades e habilidades antropol\u00f3gicas de cada indiv\u00edduo s\u00e3o colocadas em pr\u00e1tica. Em minha opini\u00e3o, o que \u00e9 decisivo \u00e9 que, em sua rela\u00e7\u00e3o com o trabalho, eles subordinam tudo ao seu bem-estar, subordinam a produ\u00e7\u00e3o de objetos ou a gera\u00e7\u00e3o de recursos \u00e0 sua integridade f\u00edsica, mental e emocional e \u00e0 sustentabilidade de suas rela\u00e7\u00f5es humanas e, em alguns casos, ambientais. Hoje, como no passado, \u00e9 uma categoria de indiv\u00edduos minorit\u00e1rios e, em alguns aspectos, privilegiados, que optam por questionar a redu\u00e7\u00e3o da vida ao trabalho e buscam outras maneiras de fazer do trabalho uma dimens\u00e3o existencial adicional. No entanto, a for\u00e7a de sua resist\u00eancia est\u00e1 em seu poss\u00edvel escopo simb\u00f3lico, a saber: h\u00e1 possibilidades de construir uma vida (melhor) apostatando da religi\u00e3o do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Abenshushan, Vivi\u00e1n (2013). <em>Escritos para desocupados<\/em>. 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Realizou pesquisas sobre a din\u00e2mica socioecon\u00f4mica de fam\u00edlias monoparentais, graduados universit\u00e1rios e inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, profissionais aut\u00f4nomos e empreendedores e sua rela\u00e7\u00e3o com o trabalho e pr\u00e1ticas de resist\u00eancia ao trabalho assalariado. Suas \u00e1reas de interesse s\u00e3o trabalho, educa\u00e7\u00e3o, g\u00eanero e subjetiva\u00e7\u00e3o.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo documenta outra forma de pensar e lidar com a incerteza e o gerenciamento do futuro a partir de formas de relacionamento com o trabalho situadas \"\u00e0 margem\" da sociedade do trabalho. 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