{"id":33762,"date":"2021-03-18T20:16:02","date_gmt":"2021-03-18T20:16:02","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=33762"},"modified":"2023-11-17T18:21:14","modified_gmt":"2023-11-18T00:21:14","slug":"chaparro-paredo-economia-alternativa-guadalajara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/chaparro-paredo-economia-alternativa-guadalajara\/","title":{"rendered":"Alternativas econ\u00f4micas para a constru\u00e7\u00e3o de outros mundos poss\u00edveis. Um mapeamento do cen\u00e1rio local em Guadalajara"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sum\u00e1rio <\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O contexto de crise estrutural que se agravou em escala global nas \u00faltimas tr\u00eas ou quatro d\u00e9cadas levou ao surgimento de pr\u00e1ticas e organiza\u00e7\u00f5es sociais dedicadas a administrar a satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades fora dos mercados convencionais, em uma tentativa de gerar comunidade e autonomia por meio da recupera\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais, do meio ambiente e da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, aspectos cada vez mais afetados pelo modelo de produ\u00e7\u00e3o e consumo em massa atualmente dominante. A recente prolifera\u00e7\u00e3o de mercados alternativos, cooperativas de consumo, hortas comunit\u00e1rias, clubes de troca e outras propostas que surgiram em cidades como Guadalajara mostram as maneiras pelas quais a utopia de um mundo melhor \u00e9 constru\u00edda diariamente, com base nas decis\u00f5es de consumo, troca e autoprovisionamento. Com base em um exerc\u00edcio de mapeamento dos atores das economias alternativas da cidade, foi poss\u00edvel identificar a configura\u00e7\u00e3o de uma rede de espa\u00e7os onde essas pr\u00e1ticas s\u00e3o promovidas, bem como os horizontes em que seu significado est\u00e1 ancorado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/economias-alternativas\/\" rel=\"tag\">economias alternativas<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/guadalajara\/\" rel=\"tag\">Guadalajara<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/mapeo\/\" rel=\"tag\">mapeamento<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/red-local\/\" rel=\"tag\">rede local<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\"><span class=\"small-caps\">Economias alternativas para construir outro mundo poss\u00edvel, mapeando o cen\u00e1rio local em Guadalajara<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">O contexto de crise estrutural, que foi exacerbado globalmente nas \u00faltimas tr\u00eas ou quatro d\u00e9cadas, levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas e organiza\u00e7\u00f5es sociais dedicadas \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades fora dos mercados convencionais, em uma tentativa de criar um senso de comunidade e autonomia, recuperando as rela\u00e7\u00f5es sociais, o meio ambiente e a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, todos afetados pelo modelo de produ\u00e7\u00e3o e consumo em massa atualmente dominante. A recente prolifera\u00e7\u00e3o de mercados alternativos, cooperativas de consumo, hortas comunit\u00e1rias, clubes de troca e outras propostas que surgiram em cidades de todo o mundo, como Guadalajara, mostram como a utopia de um mundo melhor \u00e9 constru\u00edda diariamente a partir de decis\u00f5es de consumo, troca e autossufici\u00eancia. Ao mapear os atores das economias alternativas da cidade, conseguimos identificar a configura\u00e7\u00e3o de uma rede de espa\u00e7os em que essas pr\u00e1ticas foram promovidas, bem como os horizontes em que seu significado est\u00e1 ancorado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Palavras-chave: economias alternativas, mapeamento, outros mundos poss\u00edveis, rede local.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alternativas econ\u00f4micas para outro mundo poss\u00edvel<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap no-indent\">Cada vez mais pessoas est\u00e3o perdendo o acesso a um ambiente de vida seguro, a trabalho e moradia decentes, a servi\u00e7os de sa\u00fade e assist\u00eancia, a alimenta\u00e7\u00e3o adequada ou a infraestrutura e servi\u00e7os urbanos de qualidade. O desencanto com a aus\u00eancia do estado de bem-estar social, com a desigualdade na din\u00e2mica macroecon\u00f4mica ou com a insustentabilidade do modelo de produ\u00e7\u00e3o e consumo em massa levou ao surgimento de organiza\u00e7\u00f5es que buscam contribuir com elementos para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo onde imperem l\u00f3gicas que favore\u00e7am a vida e beneficiem a todos de forma justa e equitativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentes propostas s\u00e3o recuperadas para esse fim, incluindo a economia social e solid\u00e1ria, a economia do bem comum, a economia colaborativa, a d\u00e1diva e outras que compartilham princ\u00edpios e objetivos destinados a melhorar a qualidade de vida das pessoas, fortalecer a coes\u00e3o social e manter a sustentabilidade ambiental (Moreno Izquierdo, 2014); <span class=\"small-caps\">seri<\/span>, 2012). Todas elas se manifestam de diferentes maneiras e buscam transformar diferentes elementos da realidade, mas pode-se dizer que compartilham a mesma base filos\u00f3fica e axiol\u00f3gica, na qual a economia \u00e9 entendida de forma hol\u00edstica e diversificada, imbricada na vida social, moral e pol\u00edtica das pessoas, orientada para seu pr\u00f3prio servi\u00e7o e para a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas propostas inspiraram modelos organizacionais e pr\u00e1ticas econ\u00f4micas em diversas frentes e escalas, que formam um rico ecossistema de espa\u00e7os e atividades dedicados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, ao consumo, \u00e0 troca, \u00e0 doa\u00e7\u00e3o e ao autoprovisionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00e1reas rurais e periurbanas, os camponeses e agricultores j\u00e1 est\u00e3o se organizando para recuperar modelos agr\u00edcolas baseados em t\u00e9cnicas e conhecimentos tradicionais, aos quais tamb\u00e9m est\u00e3o incorporando cada vez mais ecotecnologias para a gera\u00e7\u00e3o de energia limpa, materiais de bioconstru\u00e7\u00e3o, coleta de \u00e1gua, recupera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos, etc. Em Jalisco, grupos de agricultores promovem o cultivo agroecol\u00f3gico de alimentos em v\u00e1rias regi\u00f5es, como as costas sul e norte, a Sierra de Manantl\u00e1n, a Ci\u00e9nega e a regi\u00e3o sul do estado, enquanto em cidades como Guadalajara, as feiras de produtores est\u00e3o se tornando cada vez mais comuns, assim como grupos de consumidores, hortas comunit\u00e1rias e clubes de troca. Uma gama de propostas foi aberta durante as duas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo. <span class=\"small-caps\">xxi<\/span> como escambo, agricultura urbana, com\u00e9rcio justo, consumo local e moedas comunit\u00e1rias se tornaram populares.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora essas formas tenham acompanhado a humanidade durante grande parte de sua hist\u00f3ria, agora elas podem ser consideradas alternativas, pois surgem em um tempo e espa\u00e7o determinados pelo consumismo e pela produ\u00e7\u00e3o em massa, onde h\u00e1 pouco espa\u00e7o para atividades que n\u00e3o respondam a essas l\u00f3gicas. A disponibilidade de uma diversidade dessas alternativas em um determinado territ\u00f3rio possibilitaria a incorpora\u00e7\u00e3o de diferentes meios e mecanismos de consumo, troca e produ\u00e7\u00e3o na vida cotidiana, o que poderia ter um impacto positivo na vida di\u00e1ria e no bem-estar dos indiv\u00edduos, de seus lares e de suas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>A alteridade dessas propostas reside principalmente em sua cr\u00edtica ao racionalismo econ\u00f4mico, \u00e0 especula\u00e7\u00e3o ou \u00e0 ideia de desenvolvimento, bem como \u00e0 fetichiza\u00e7\u00e3o do dinheiro, \u00e0 desigualdade social e \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ambiental que elas provocaram. Essas cr\u00edticas, em di\u00e1logo com outras perspectivas de g\u00eanero, etnia, territ\u00f3rio, etc., definem o discurso e as pr\u00e1ticas nas iniciativas apresentadas aqui e entre seus participantes, que fazem parte de um movimento maior e de um projeto de identidade que parte de imagin\u00e1rios capitalistas e s\u00f3 \u00e9 compreendido dentro deles (Maurer, 2005: 8). A atual ascens\u00e3o de economias alternativas, sociais ou transformadoras responde ao contexto acentuado de crise estrutural que evidencia a necessidade de desenvolver um movimento pol\u00edtico de resist\u00eancia econ\u00f4mica que nos permita pensar em outros cen\u00e1rios futuros (Healy, 2008; Moreno Izquierdo, 2014; Reygadas, 2014). <em>et al<\/em>. 2014, Eusko Ikaskunta, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, ap\u00f3s tomar conhecimento da expropria\u00e7\u00e3o de terras, da explora\u00e7\u00e3o do trabalho campon\u00eas e da polui\u00e7\u00e3o inerente ao sistema alimentar atual, Carolina (engenheira ambiental h\u00e1 30 anos) dedicou-se \u00e0 gest\u00e3o e \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de hortas comunit\u00e1rias, florestas comest\u00edveis e outros projetos agroalimentares. Ela decidiu passar do protesto \u00e0 a\u00e7\u00e3o porque acredita nas possibilidades de mudan\u00e7a e comenta: \"\u00e9 melhor olhar para o outro lado e explorar formas alternativas de vida\". No seu caso, isso significa participar de organiza\u00e7\u00f5es e atividades que buscam justi\u00e7a econ\u00f4mica, sustentabilidade ambiental, autonomia e seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Mariana - fot\u00f3grafa e m\u00e3e de 43 anos -, o escambo de bens e servi\u00e7os representa uma oportunidade de pensar e se relacionar de forma diferente e, embora n\u00e3o tenha muito tempo para ativismo ou milit\u00e2ncia, ela costuma participar de sess\u00f5es de escambo e recorre a esse tipo de troca para obter bens e servi\u00e7os; \"Enfim, acredito que isso \u00e9 algo muito tang\u00edvel com o qual se poderia realmente viver, de certa forma, fora do sistema capitalista\", diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Em espa\u00e7os como o F\u00f3rum para Economias Transformadoras, o F\u00f3rum para uma Nova Economia e Inova\u00e7\u00e3o Social e, principalmente, o F\u00f3rum Social Mundial, membros de diferentes organiza\u00e7\u00f5es e ativistas t\u00eam promovido a articula\u00e7\u00e3o do movimento, dos discursos e das posi\u00e7\u00f5es em escala global, em prol de uma agenda conjunta e de um projeto comum. Enquanto isso, na esfera acad\u00eamica, a quest\u00e3o vem sendo cada vez mais abordada e discutida a partir de diferentes disciplinas, entre as quais a geografia se destaca por suas contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e conceituais relevantes, especialmente aquelas relacionadas ao papel do territ\u00f3rio e \u00e0 configura\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o na constru\u00e7\u00e3o de alternativas econ\u00f4micas. Autores como Stephen Healy, Katherine Gibson ou Hans-Martin Zademach chamaram a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de identificar, mapear e analisar espa\u00e7os dedicados \u00e0 diversidade, \u00e0 diferen\u00e7a e \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica; somente assim \u00e9 poss\u00edvel reconhecer e apreciar a diversidade de manifesta\u00e7\u00f5es e, ao mesmo tempo, explorar suas propriedades emergentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma comunidade particularmente interessada em abordar a quest\u00e3o foi formada por especialistas em geografia econ\u00f4mica - David Harvey, Eathan Miller, entre outros - que enfatizam o papel do espa\u00e7o, do territ\u00f3rio e dos recursos na configura\u00e7\u00e3o dos processos sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos. Juntamente com um n\u00famero crescente de antrop\u00f3logos, soci\u00f3logos e economistas, eles est\u00e3o unindo for\u00e7as para identificar, analisar e georreferenciar casos de formas e organiza\u00e7\u00f5es consideradas manifesta\u00e7\u00f5es de economias alternativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este texto mostra o que \u00e9 considerado uma rede emergente de atores, pr\u00e1ticas e rela\u00e7\u00f5es alternativas de produ\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio, troca e consumo na cidade de Guadalajara e em outros munic\u00edpios pr\u00f3ximos. Ele busca oferecer uma vis\u00e3o geral da manifesta\u00e7\u00e3o local de um fen\u00f4meno global e mostrar o que os participantes entendem como esse outro mundo poss\u00edvel que d\u00e1 sentido \u00e0s suas pr\u00e1ticas; assim, elas podem ser entendidas dentro de certos horizontes que indicam para onde esses esfor\u00e7os poderiam ser direcionados e onde eles est\u00e3o agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo faz parte de um projeto de pesquisa de doutorado que analisa a incorpora\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas econ\u00f4micas alternativas na vi- <br>A pesquisa foi concebida como um estudo fenomenol\u00f3gico de pr\u00e1ticas econ\u00f4micas consideradas alternativas, que, por meio de uma abordagem etnogr\u00e1fica, buscou compreender as diversas manifesta\u00e7\u00f5es do fen\u00f4meno, os atores envolvidos, os espa\u00e7os, as din\u00e2micas e as A pesquisa foi concebida como um estudo fenomenol\u00f3gico de pr\u00e1ticas econ\u00f4micas consideradas alternativas, que, por meio de uma abordagem etnogr\u00e1fica, buscou compreender as diversas manifesta\u00e7\u00f5es do fen\u00f4meno, os atores envolvidos, os espa\u00e7os, as din\u00e2micas e as rela\u00e7\u00f5es entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das visitas e da participa\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os e de suas atividades presenciais, foram monitorados continuamente os sites on-line gerenciados pelas diferentes iniciativas, suas publica\u00e7\u00f5es e agendas nas p\u00e1ginas, grupos e perfis do Facebook, Twitter e WhatsApp. Vale a pena destacar o volume de atividade que ocorre nesses espa\u00e7os virtuais onde convergem ativistas, organizadores, consumidores e interessados em geral, que fazem publica\u00e7\u00f5es, compartilham informa\u00e7\u00f5es e escrevem coment\u00e1rios, o que nos permite reunir informa\u00e7\u00f5es relevantes sobre elementos significativos do discurso e das pr\u00e1ticas econ\u00f4micas alternativas emergentes em Guadalajara. Ao mesmo tempo, foram documentados os casos de seis participantes de diferentes iniciativas, com o objetivo de conhecer o grau de incorpora\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas econ\u00f4micas consideradas alternativas e analisar o tipo de satisfa\u00e7\u00e3o obtida com elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a pesquisa de campo - realizada entre a primavera de 2017 e o ver\u00e3o de 2018 - foi poss\u00edvel identificar e mapear as diferentes iniciativas, os atores e as rela\u00e7\u00f5es nas quais eles est\u00e3o envolvidos. Isso foi inspirado na etnografia do ativismo pol\u00edtico (<span class=\"small-caps\">pae)<\/span> proposto por Gary Kingsman (2006), que tamb\u00e9m aborda a identifica\u00e7\u00e3o de capacidades, poderes e conflitos, bem como alian\u00e7as, pontos fracos e mediadores. Al\u00e9m de representar um sistema de conhecimento local e possibilitar a localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de processos e a\u00e7\u00f5es alternativas, esse mapa permite analisar poss\u00edveis articula\u00e7\u00f5es entre iniciativas e a configura\u00e7\u00e3o de uma rede dentro de uma vis\u00e3o sist\u00eamica e din\u00e2mica. Em termos subjetivos, a localiza\u00e7\u00e3o, a identifica\u00e7\u00e3o e a delimita\u00e7\u00e3o envolvidas em exerc\u00edcios dessa natureza s\u00e3o opera\u00e7\u00f5es que t\u00eam influ\u00eancia decisiva na forma\u00e7\u00e3o de subjetividades pessoais e pol\u00edticas (Harvey, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui apresentamos o que consideramos ser uma rede emergente de alternativas econ\u00f4micas na cidade de Guadalajara, especialmente no que diz respeito aos locais que constituem os cen\u00e1rios de participa\u00e7\u00e3o onde as pr\u00e1ticas fazem sentido. Isso, por si s\u00f3, constitui uma descoberta importante em escala local, onde, dada a import\u00e2ncia das atividades, organiza\u00e7\u00f5es e tend\u00eancias econ\u00f4micas convencionais, parece que o fen\u00f4meno \u00e9 inexistente. Isso se deve ao fato de que, como uma das principais cidades do pa\u00eds em termos de popula\u00e7\u00e3o - 5,26 milh\u00f5es de habitantes (<span class=\"small-caps\">inegi<\/span>No caso da produ\u00e7\u00e3o industrial - ind\u00fastria manufatureira, tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, automotiva, alimentos processados - e das trocas econ\u00f4micas, as pr\u00e1ticas econ\u00f4micas alternativas passam despercebidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Guadalajara come\u00e7ou a crescer rapidamente desde sua funda\u00e7\u00e3o em 1541, tanto em atividades econ\u00f4micas quanto em popula\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xx<\/span> O crescimento do setor comercial permitiu o ac\u00famulo de capital local e estimulou a ind\u00fastria de pequena escala. Os setores de cal\u00e7ados e vestu\u00e1rio foram os mais importantes na economia local, a ponto de Guadalajara se tornar um dos principais distribuidores do mercado nacional durante a Segunda Guerra Mundial. O maior boom ocorreu com a industrializa\u00e7\u00e3o da economia nacional na d\u00e9cada de 1940 e a consequente migra\u00e7\u00e3o de um grande n\u00famero de pessoas em busca de emprego nas v\u00e1rias ind\u00fastrias estrangeiras que se estabeleceram na cidade (Arias, 1980; Venegas Herrera, 1980).<em> et al.<\/em>2016; Guti\u00e9rrez Gonz\u00e1lez, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>O modelo ent\u00e3o vigente de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es teve um impacto local, pois foram feitas tentativas de adaptar o territ\u00f3rio \u00e0s exig\u00eancias das atividades industriais emergentes e, no final da d\u00e9cada de 1950, foi criada a Zona Industrial de Guadalajara, onde grandes empresas se estabeleceram. A industrializa\u00e7\u00e3o da cidade melhorou o poder aquisitivo da popula\u00e7\u00e3o, especialmente da classe m\u00e9dia, a principal consumidora de bens e servi\u00e7os. Desde ent\u00e3o, a cidade se consolidou como uma das cidades mais importantes do pa\u00eds em termos de popula\u00e7\u00e3o, economia e ind\u00fastria, mas essa capacidade diminuiu com a crise da d\u00e9cada de 1990, a entrada em vigor do Tratado de Livre Com\u00e9rcio e a entrada de novas empresas com novos sistemas de produ\u00e7\u00e3o e concorr\u00eancia. Ent\u00e3o, devido ao grande influxo de mercadorias de diferentes partes do pa\u00eds, o com\u00e9rcio se expandiu, o que fortaleceu o crescimento da cidade e de seus mercados (Arias, 1980; Venegas Herrera, 1980).<em> et al<\/em>2016; Guti\u00e9rrez Gonz\u00e1lez, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Logo depois vieram os servi\u00e7os, que hoje s\u00e3o um dos setores mais importantes em termos do n\u00famero de empregos que geram e de sua influ\u00eancia na organiza\u00e7\u00e3o urbana da cidade. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a transi\u00e7\u00e3o de uma economia altamente intervencionista do Estado para uma economia neoliberal influenciou a perda de ind\u00fastrias locais, o crescimento da pobreza urbana e a ocupa\u00e7\u00e3o intensiva do territ\u00f3rio para fins especulativos (Arias, 1980; Venegas Herrera, 1980). <em>et al<\/em>2016; Guti\u00e9rrez Gonz\u00e1lez, 2017). Como muitas cidades latino-americanas, Guadalajara reproduziu um crescimento econ\u00f4mico desigual, distribui\u00e7\u00e3o desigual de instala\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, polariza\u00e7\u00e3o de renda e baixa capacidade de gerar empregos socialmente protegidos, est\u00e1veis e remunerados (Rom\u00e1n e Siqueiros em Rodr\u00edguez G\u00f3mez <em>et al<\/em>., 2009).<\/p>\n\n\n\n<p>No campo, grandes empresas estrangeiras e nacionais, principalmente produtoras de agave e abacate, <em>bagas<\/em>O uso de estufas agroindustriais e monoculturas, especialmente nos \u00faltimos dez anos, levou \u00e0 invas\u00e3o da paisagem e das comunidades por meio da instala\u00e7\u00e3o de grandes estufas agroindustriais e monoculturas. Essas atividades geraram desmatamento e desflorestamento significativos, degrada\u00e7\u00e3o do solo, escassez e contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e doen\u00e7as na popula\u00e7\u00e3o devido \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a agroqu\u00edmicos. Elas tamb\u00e9m desencadearam pr\u00e1ticas ilegais, como a perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os de \u00e1gua clandestinos, o a\u00e7ambarcamento desse recurso ou o uso de canh\u00f5es antigranizo. Em muitos casos, isso significou aumento da pobreza, explora\u00e7\u00e3o, deslocamento e polui\u00e7\u00e3o (Chaparro e Peredo, 2019).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rede de alternativas econ\u00f4micas em Guadalajara<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Embora a discuss\u00e3o sobre alternativas econ\u00f4micas ainda esteja em andamento e as defini\u00e7\u00f5es e os conceitos ainda estejam em constru\u00e7\u00e3o, algumas ideias sobre o que \u00e9 alternativa e o que s\u00e3o pr\u00e1ticas econ\u00f4micas alternativas s\u00e3o \u00fateis e contribu\u00edram para refinar a identifica\u00e7\u00e3o e a classifica\u00e7\u00e3o das iniciativas apresentadas aqui. Resgatam-se as no\u00e7\u00f5es desenvolvidas por Ricardo M\u00e9ndez Guti\u00e9rrez del Valle (2018) e Jos\u00e9 Luis S\u00e1nchez Hern\u00e1ndez (2017) em seus respectivos avan\u00e7os de pesquisa sobre \"Espa\u00e7os e pr\u00e1ticas econ\u00f4micas alternativas para a constru\u00e7\u00e3o da resili\u00eancia em cidades espanholas\", projeto do qual participam em conjunto com outros pesquisadores de diferentes universidades daquele pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu trabalho, o primeiro define pr\u00e1ticas econ\u00f4micas alternativas como \"um conjunto de pr\u00e1ticas relacionadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, troca, consumo ou financiamento, que de alguma forma questionam a racionalidade hegem\u00f4nica e prop\u00f5em uma vis\u00e3o cr\u00edtica da realidade atual\" (M\u00e9ndez Guti\u00e9rrez del Valle, 2018: 8). A segunda, de uma perspectiva mais sist\u00eamica, as entende como<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">modelos de coordena\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica cujos participantes tentam ser regidos por princ\u00edpios como autonomia, reciprocidade e democracia e promovem valores n\u00e3o competitivos; operam em n\u00edvel local com espa\u00e7os f\u00edsicos de encontro coletivo e afirmam buscar a supera\u00e7\u00e3o, a transforma\u00e7\u00e3o ou a elimina\u00e7\u00e3o da variedade do capitalismo hegem\u00f4nico em sua estrutura geogr\u00e1fica de a\u00e7\u00e3o (S\u00e1nchez Hern\u00e1ndez, 2017: 43).<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as modalidades mais comuns est\u00e3o as hortas comunit\u00e1rias e caseiras, as feiras de produtores agroecol\u00f3gicos, os mercados locais e de zero quil\u00f4metro, as cooperativas de consumidores e de habita\u00e7\u00e3o, os bancos de tempo, as redes de troca ou as moedas alternativas. Todas elas s\u00e3o consideradas pr\u00e1ticas econ\u00f4micas alternativas, desde que expressem a inten\u00e7\u00e3o de mudar o que \u00e9 rejeitado nos mercados convencionais (Luengo Gonz\u00e1lez, 2014: 7), que geralmente s\u00e3o aspectos pol\u00edticos, econ\u00f4micos, sociais, ambientais ou relacionados \u00e0 sa\u00fade, como a desvaloriza\u00e7\u00e3o do trabalho feminino, o aumento do custo de bens e servi\u00e7os, as grandes lacunas de desigualdade entre as classes sociais, a superexplora\u00e7\u00e3o dos ecossistemas ou o consumo de alimentos geneticamente modificados e contaminados, para citar apenas alguns.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o trabalho de campo, foram encontradas cerca de 40 iniciativas desse tipo na cidade de Guadalajara, incluindo mercados sociais, locais e org\u00e2nicos, cooperativas de consumo consciente, moedas sociais, redes de troca e hortas comunit\u00e1rias.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> Elas foram consideradas com base nas refer\u00eancias testemunhais dos participantes e na continuidade de suas atividades, que foram corroboradas em visitas de observa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas. No Mapa 1: Rede de economias alternativas em Guadalajara, as propostas atuais s\u00e3o mostradas georreferenciadas com a inten\u00e7\u00e3o de oferecer uma perspectiva mais refinada e visual do fen\u00f4meno.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\"><strong>Mapa 1: Rede de economias alternativas em Guadalajara<\/strong><\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/embed?mid=1sGxcLR5A77I8LEmb-CJ7NjhZWrA\" width=\"640\" height=\"480\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>A categoriza\u00e7\u00e3o feita responde ao tipo de atividades promovidas, mas tamb\u00e9m aos seus referentes discursivos e \u00e0s suas propostas organizacionais, recuperadas por meio de documentos, entrevistas e conversas, mas tamb\u00e9m em publica\u00e7\u00f5es no Facebook e mensagens em grupos do WhatsApp. Assim, sabe-se que a maioria das iniciativas identificadas foi desenvolvida em ambientes socioecon\u00f4micos de classe m\u00e9dia, entre um setor profissionalizado e informado no processo de superar a desilus\u00e3o representada pela perda das certezas oferecidas durante d\u00e9cadas por um estado de bem-estar social extinto, al\u00e9m da decep\u00e7\u00e3o ambiental das sociedades de consumo em que cresceram.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo geral, pode-se dizer que, em Guadalajara, os mercados locais e org\u00e2nicos tiveram o maior aumento nos \u00faltimos dez anos; entretanto, apenas oito dos mais de 20 identificados foram considerados mercados sociais. A principal diferen\u00e7a entre eles \u00e9 que os mercados locais tendem a se especializar na venda de produtos manufaturados da regi\u00e3o, geralmente feitos \u00e0 m\u00e3o e oferecidos por seus produtores. Embora, \u00e0s vezes, eles tamb\u00e9m sejam locais comerciais estabelecidos, onde um intermedi\u00e1rio concentra os produtos e faz o trabalho de marketing, sem nenhuma perspectiva cr\u00edtica ou transformadora. Em contrapartida, os mercados sociais re\u00fanem e articulam diferentes atores e produtos da regi\u00e3o, representando processos de transforma\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas e rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas em diferentes escalas.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora nem todos os mercados org\u00e2nicos e ecol\u00f3gicos tenham um perfil social, justo ou comunit\u00e1rio, eles podem ser considerados alternativas por aqueles que buscam alimentos e cuidados pessoais mais seguros e saud\u00e1veis. Mas os que nos interessam s\u00e3o os mercados sociais que promovem rela\u00e7\u00f5es e princ\u00edpios de colabora\u00e7\u00e3o, solidariedade e confian\u00e7a por meio de sistemas de troca, consumo cooperativo, certifica\u00e7\u00e3o participativa, visitas a produtores etc., que fazem parte de circuitos econ\u00f4micos solid\u00e1rios mais amplos \"que fazem parte de um circuito econ\u00f4mico mais amplo\", que fazem parte de circuitos econ\u00f4micos solid\u00e1rios mais amplos \"que podem abranger \u00e1reas mais amplas de atividade econ\u00f4mica, necessidades e espa\u00e7o\" (Moreno Izquierdo, 2014: 302-303), e cujo territ\u00f3rio de influ\u00eancia se estende al\u00e9m de sua localiza\u00e7\u00e3o e atividades, e at\u00e9 mesmo transcende o espa\u00e7o virtual e as necessidades sociais, afetivas, intelectuais ou de prote\u00e7\u00e3o (Max Neef, 2014: 302-303). <em>et al<\/em>., 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso das redes de permuta, elas facilitam a troca direta de bens e servi\u00e7os entre os membros, sem a intermedia\u00e7\u00e3o de dinheiro. As que existem na cidade s\u00e3o abertas, embora tamb\u00e9m existam aquelas entre comunidades espec\u00edficas - como artistas pl\u00e1sticos ou poetas - ou especializadas - plantas, sementes, roupas ou arte -, enquanto aquelas em que circulam favores s\u00e3o chamadas de redes de ajuda m\u00fatua, em que h\u00e1 troca de trabalho, conhecimento, cuidados e servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de consumo consciente acompanha implicitamente todas as propostas de economia alternativa, mas \u00e9 o princ\u00edpio orientador de algumas delas, como a Cooperativa de Consumo Milpa, o Mercado Alternativo Flor de Luna ou a Cooperativa Comalli, organiza\u00e7\u00f5es dedicadas \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos frescos e preparados, bem como itens de cuidados pessoais e dom\u00e9sticos. Tanto em suas atividades principais quanto em sua din\u00e2mica operacional, elas enfatizam o consumo local, seguro, ecol\u00f3gico, organizado, autogerenciado e respons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da Milpa, a din\u00e2mica do consumo colaborativo pode ser complementada pelo uso da moeda comunit\u00e1ria, que \u00e9 gerada a partir do trabalho da organiza\u00e7\u00e3o em tarefas e serve como um meio para os membros da cooperativa complementarem seu pagamento. Essas moedas s\u00e3o meios de troca aut\u00f4nomos, criados e legitimados pela mesma comunidade que as utiliza. Elas costumam ser usadas como catalisadores de projetos sociais e econ\u00f4micos locais, bem como facilitadores de transa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que, de outra forma, dificilmente ocorreriam. E, embora n\u00e3o estejamos falando de condi\u00e7\u00f5es de escassez de moeda oficial, a capacidade dessas ferramentas de manter o fluxo de bens e servi\u00e7os nessas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 mais do que conhecida, como aconteceu na Argentina durante a crise de 2001 ou na Espanha em 2008-2009.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio das alternativas documentadas neste artigo, n\u00e3o foi poss\u00edvel observar todo o potencial pr\u00e1tico e social dessas moedas, principalmente devido \u00e0 fragilidade e intermit\u00eancia de suas manifesta\u00e7\u00f5es; no entanto, reconhece-se sua utilidade na troca de produtos e servi\u00e7os, mas tamb\u00e9m na gera\u00e7\u00e3o de relacionamentos que contribuem para o desenvolvimento de empatia, confian\u00e7a e reciprocidade entre os membros de uma comunidade (Santana Echeagaray, 2011). Um precedente relevante de algo semelhante na cidade foi o Itacate, uma moeda social que circulou entre os produtores do ent\u00e3o Corredor Cultural Expiatorio (Chaparro e Peredo, 2014) e que foi acompanhada pela Red Tl\u00e1loc, pioneira e l\u00edder na \u00e1rea em n\u00edvel nacional. Embora essa iniciativa tenha sido experimental, did\u00e1tica e de curta dura\u00e7\u00e3o, ela foi o precedente para algumas outras tentativas de repeti-la, como o Xal, que circulou nas edi\u00e7\u00f5es de 2018 e 2019 do Festival de la Tierra em Zapopan.<\/p>\n\n\n\n<p>A Grati Feria, ou feira dos livres, surgiu em 2017 e manteve atividades por alguns meses at\u00e9 2018. Seu formato itinerante foi apresentado em Guadalajara e Zapopan, na forma de bazares gratuitos que buscavam promover valores como doa\u00e7\u00e3o, ajuda e desapego. At\u00e9 o momento, suas atividades foram suspensas, embora em seu perfil no Facebook eles continuem compartilhando algumas publica\u00e7\u00f5es de tempos em tempos, especialmente sobre t\u00f3picos como inclus\u00e3o, minimalismo, reciclagem e a agenda alternativa local. Embora durante um dia da Grati Feria tenha sido poss\u00edvel ver pessoas sem-teto, migrantes ou jovens estudantes se beneficiando de roupas, sapatos, alimentos, material escolar, entre outras coisas, a experi\u00eancia n\u00e3o teve nenhum sentido filantr\u00f3pico, altru\u00edsta ou de caridade, e respondeu mais a uma l\u00f3gica de circula\u00e7\u00e3o e melhor uso de bens materiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Indiscutivelmente, o precedente mais imediato para as iniciativas identificadas aqui s\u00e3o as organiza\u00e7\u00f5es de economia social e solid\u00e1ria, especificamente aquelas que surgiram no estado de Jalisco durante a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>. Entre as entidades mais representativas desse per\u00edodo est\u00e3o a Rede de Alternativas Sustent\u00e1veis e Agropecu\u00e1rias de Jalisco (Red de Alternativas Sustentables y Agropecuarias de Jalisco).<span class=\"small-caps\">rasa<\/span> em 2005-, formado por fam\u00edlias de produtores agroecol\u00f3gicos em todo o estado; Maizud -2007 em Cuqu\u00edo-, dedicado \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de milho na \u00e1rea metropolitana de Guadalajara; ou a Alian\u00e7a dos Cidad\u00e3os para o Desenvolvimento Regional Alternativo no sul do estado-.<span class=\"small-caps\">acdra<\/span>\/<span class=\"small-caps\">sruja<\/span>-composto por diferentes cooperativas e grupos de cidad\u00e3os. Alguns deles estavam vinculados ao Sistema de Financiamento Rural Alternativo.<span class=\"small-caps\">sifra<\/span>-O projeto \u00e9 o resultado de uma colabora\u00e7\u00e3o entre o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Rural e o Instituto Tecnol\u00f3gico de Estudios Superiores de Occidente (<span class=\"small-caps\">iteso)<\/span>O objetivo do projeto era financiar os agricultores pobres do estado e promover formas cooperativas de associa\u00e7\u00e3o (D\u00edaz-Mu\u00f1oz, 2008).<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2006 e 2007, o processo de aquisi\u00e7\u00e3o da empresa de produ\u00e7\u00e3o de pneus Continental pelos trabalhadores foi conclu\u00eddo e a empresa se tornou uma cooperativa. <span class=\"small-caps\">tradoc<\/span> (Trabajadores Democr\u00e1ticos de Occidente), localizado em El Salto, Jalisco; talvez um dos casos mais emblem\u00e1ticos de cooperativismo contempor\u00e2neo na regi\u00e3o, e tamb\u00e9m acompanhado pelo <span class=\"small-caps\">iteso<\/span>. Mais atr\u00e1s, encontramos refer\u00eancias aos Produtores de San Pedro Tlaquepaque - milho em 1992 - ou \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Camponesa Independente de Jalisco - Organizaci\u00f3n Campesina Independiente de Jalisco.<span class=\"small-caps\">oicj<\/span>A principal caracter\u00edstica dessas empresas era sua capacidade de reunir um grande n\u00famero de produtores e de competir abertamente nos mercados capitalistas. Isso aparentemente as levou a adotar pr\u00e1ticas contr\u00e1rias aos princ\u00edpios do cooperativismo e da economia solid\u00e1ria, e mais semelhantes \u00e0s de qualquer empresa capitalista neoliberal; um tipo de pseudoeconomia solid\u00e1ria que recorre \u00e0 <em>terceiriza\u00e7\u00e3o<\/em>O uso de modelos de neg\u00f3cios em pir\u00e2mide ou agiotagem (D\u00edaz Mu\u00f1oz, 2008).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora esses \u00faltimos casos nos remetam a um movimento cooperativo de tipo sindical, sindical e corporativo, e n\u00e3o \u00e0s experi\u00eancias identificadas nesta pesquisa, sua relev\u00e2ncia \u00e9 reconhecida, levando-se em conta que no estado de Jalisco n\u00e3o h\u00e1 muita tradi\u00e7\u00e3o do movimento cooperativo e que, na \u00e9poca, eles representavam uma alternativa ao modelo convencional de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. A hist\u00f3ria da economia social e solid\u00e1ria \u00e9 recente e tamb\u00e9m est\u00e1 ligada \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de bancos de poupan\u00e7a desenvolvidos pela Igreja Cat\u00f3lica e a algumas cooperativas de pesca, m\u00fatuas, sociedades rurais e ejido geradas por institui\u00e7\u00f5es governamentais (D\u00edaz Mu\u00f1oz, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de propostas cidad\u00e3s alternativas, destaca-se a Rede de Economia Solid\u00e1ria de Guadalajara (2011), que em seu auge teve quatro projetos diferentes: o Clube de Troca (troca de mercadorias), a Troca Agroecol\u00f3gica (troca de plantas e sementes), a Escola de Habilidades e Conhecimentos Compartilhados (troca de conhecimentos) e o Banco de Tempo (troca de servi\u00e7os). No entanto, este \u00faltimo n\u00e3o conseguiu se tornar autogerenciado e se desintegrou em 2013, quando a equipe organizadora de estudantes universit\u00e1rios se desintegrou. A maioria desses projetos continuou de forma independente com alguma regularidade, com exce\u00e7\u00e3o do Banco de Horas, que n\u00e3o conseguiu ser reativado apesar de v\u00e1rias tentativas nos \u00faltimos anos. Parece que seu gerenciamento exige mais recursos financeiros e humanos que n\u00e3o puderam ser reunidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras iniciativas, como o Mercadito Agroecol\u00f3gico no Caf\u00e9 Benito e o Corredor Cultural Alternativo na esplanada Expiatorio, tiveram seu auge em 2012 e 2013, quando cada um desses projetos envolveu aproximadamente 40 produtores e expositores, e centenas de pessoas compareceram nos fins de semana. Entre os produtores do Corredor, tamb\u00e9m circulava o itacate, uma moeda comunit\u00e1ria que se extinguiu junto com o projeto de tianguis solid\u00e1rios; isso n\u00e3o impediu que alguns continuassem a participar do projeto, agora de natureza gastron\u00f4mica e cultural, que continua a ser realizado no mesmo espa\u00e7o. Outros casos, como o El Mercadito, em Chapultepec, e o Victoria Eco-Tianguis, que tiveram vida muito curta, s\u00e3o exemplos de projetos que, como muitos outros, surgem e desaparecem sem deixar rastros.<\/p>\n\n\n\n<p>O universo de atores que convergem para essas iniciativas \u00e9 formado por consumidores e comerciantes, <em>prosumidores<\/em>,<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> produtores, promotores e gerentes, comerciantes e intermedi\u00e1rios, coletivos e organiza\u00e7\u00f5es, juntamente com outros atores, como professores, pesquisadores e a m\u00eddia. H\u00e1 uma diversidade de relacionamentos entre todos eles, al\u00e9m dos econ\u00f4micos de natureza comercial, pois, ao se encontrarem em espa\u00e7os semelhantes com voca\u00e7\u00e3o comercial, geram v\u00ednculos de troca, colabora\u00e7\u00e3o, ajuda e doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os diferentes atores encontrados v\u00eam de contextos muito diferentes, mas suas motiva\u00e7\u00f5es, interesses e objetivos s\u00e3o semelhantes; em seus respectivos campos de compet\u00eancia, todos eles est\u00e3o procurando maneiras de realizar valores e formas de solidariedade alternativos. Ao mesmo tempo, todos eles nasceram e foram educados na sociedade capitalista moderna, fazem parte de institui\u00e7\u00f5es e participam de todos os tipos de institui\u00e7\u00f5es, t\u00eam empregos, consomem e geram bens e servi\u00e7os, fazem empr\u00e9stimos, seguem tend\u00eancias, competem em v\u00e1rias esferas e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro de cada categoria, h\u00e1 diferen\u00e7as decorrentes de nuances na participa\u00e7\u00e3o, na orienta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, na natureza das pr\u00e1ticas, na apropria\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, etc. Assim, foi poss\u00edvel distinguir, entre os produtores, os agricultores ecol\u00f3gicos, os agricultores org\u00e2nicos, os produtores artesanais e cooperativos, os que prestam servi\u00e7os, os pequenos empres\u00e1rios ou os jovens empreendedores. Enquanto isso, entre os comerciantes, \u00e9 poss\u00edvel distinguir aqueles que s\u00e3o solid\u00e1rios, mas tamb\u00e9m aqueles que s\u00e3o mais utilitaristas ou mais libert\u00e1rios; e entre os consumidores, h\u00e1 aqueles que enfatizam a responsabilidade e a colabora\u00e7\u00e3o - organiza\u00e7\u00e3o para o consumo - mas tamb\u00e9m os combativos que, em todas as oportunidades, procuram deslegitimar o modo de pensar dominante. Da mesma forma, a diversidade de pr\u00e1ticas, t\u00e9cnicas e significados diferencia as formas de ser um prosumidor, gerente, intermedi\u00e1rio etc.<\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno local assume um car\u00e1ter muito mais complexo se levarmos em conta os ranchos, fazendas e lotes que alimentam as feiras, mercados e cooperativas de consumo, que nesse caso eram mais de 30; ainda mais se levarmos em conta os outros atores externos envolvidos, como universidades locais, coletivos, m\u00eddia, centros de pesquisa, etc., que influenciam a forma como essas propostas s\u00e3o percebidas pela sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel observar o escopo e os limites socioterritoriais da potencial rede de economia alternativa que est\u00e1 tomando forma em Guadalajara, na qual colaboram cerca de 350 produtores e comerciantes, aproximadamente 65 promotores e gerentes e mais de 1.200 participantes,<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> o que nos permite pensar na gesta\u00e7\u00e3o paralela de um tipo de circuito de solidariedade econ\u00f4mica.<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a> voca\u00e7\u00e3o regional para apoi\u00e1-lo. No entanto, embora ainda n\u00e3o seja poss\u00edvel falar de um projeto de tal magnitude nesta cidade, \u00e9 essencial come\u00e7ar reconhecendo os esfor\u00e7os que est\u00e3o sendo feitos agora e direcion\u00e1-los para um projeto local comum no qual a voca\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o seja resgatada e os processos de inclus\u00e3o necess\u00e1rios sejam gerados, aspectos que n\u00e3o s\u00e3o observados no cen\u00e1rio local atual.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de geografias econ\u00f4micas refere-se \u00e0s caracter\u00edsticas espaciais e geogr\u00e1ficas do capitalismo, suas constru\u00e7\u00f5es e paisagens materiais, circuitos de consumo, troca e produ\u00e7\u00e3o, suas redes, fluxos e formas de associa\u00e7\u00e3o; ao mesmo tempo, s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas moldadas por rela\u00e7\u00f5es sociais e de poder em v\u00e1rias escalas (Zademach e Hillebrand, 2013). O surgimento de formas mais justas de relacionamento e associa\u00e7\u00e3o, de aspira\u00e7\u00f5es materiais menos impactantes ao meio ambiente e de circuitos econ\u00f4micos mais rec\u00edprocos e sustent\u00e1veis fazem parte da constitui\u00e7\u00e3o de novas geografias econ\u00f4micas alternativas,<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a> moldado por locais, contextos, escalas e espa\u00e7os nos quais formas, rela\u00e7\u00f5es e meios de subsist\u00eancia tentam romper com os padr\u00f5es dominantes de comportamento econ\u00f4mico capitalista (Zademach e Hillebrand, 2013).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os resultados apresentados aqui, considera-se poss\u00edvel falar de futuras novas geografias econ\u00f4micas na cidade ou de circuitos solid\u00e1rios de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na regi\u00e3o, mas, por enquanto, podemos apenas reconhecer como as poucas e pequenas iniciativas existentes, apresentadas no Mapa 1, representam espa\u00e7os de altern\u00e2ncia e solidariedade para seus participantes. Al\u00e9m de serem op\u00e7\u00f5es de troca e consumo de bens e servi\u00e7os, representam uma oportunidade de expressar descontentamento e posicionamento pol\u00edtico; s\u00e3o elementos de distin\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica em rela\u00e7\u00e3o a outros setores sociais e um investimento para um futuro pessoal e familiar melhor, mas tamb\u00e9m coletivo e global.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, Mariana, que participa todos os meses do Tianguis del Trueque, que acontece no Parque del Refugio, em Guadalajara, reconhece que gosta de conversar com pessoas que, como ela, \"sabem que o sistema n\u00e3o funciona mais e est\u00e3o procurando outras formas de viver\", e \u00e9 por isso que ela tenta se envolver no maior n\u00famero poss\u00edvel de iniciativas. Dessa forma, ela busca informa\u00e7\u00f5es e feedback sobre seu papel como consumidora e poss\u00edvel produtora de servi\u00e7os. Fernando, um professor de 49 anos, se reconhece entre os participantes do clube de troca e de outras organiza\u00e7\u00f5es de economia solid\u00e1ria, porque s\u00e3o pessoas que, como ele, \"pensam e veem o mundo de forma diferente, s\u00e3o pessoas que acreditam que \u00e9 poss\u00edvel viver de forma diferente\", diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>E embora o horizonte em que se inserem suas utopias pare\u00e7a extremamente distante, pois implica a transforma\u00e7\u00e3o profunda das l\u00f3gicas e dos paradigmas que regem atualmente, o que se destaca entre a rede emergente de alternativas econ\u00f4micas em Guadalajara s\u00e3o os esfor\u00e7os daqueles que acreditam na constru\u00e7\u00e3o do que consideram desej\u00e1vel. Essa utopia e esses esfor\u00e7os est\u00e3o se proliferando e se repetindo em outras cidades do pa\u00eds e do mundo, como M\u00e9xico, Quer\u00e9taro, Madri, Bristol ou Detroit, o que pode significar a populariza\u00e7\u00e3o gradual das propostas e a expans\u00e3o do movimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Caminhando para outro mundo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Entre as iniciativas e os participantes, o horizonte que d\u00e1 sentido \u00e0s pr\u00e1ticas consideradas alternativas \u00e9 a possibilidade de construir, por meio delas, outro mundo regido pelos princ\u00edpios de solidariedade, justi\u00e7a, sustentabilidade etc. A compreens\u00e3o das principais caracter\u00edsticas que comp\u00f5em esse outro mundo poss\u00edvel tem sido poss\u00edvel principalmente por meio do di\u00e1logo direto com os diferentes atores que o concebem, da participa\u00e7\u00e3o nas iniciativas que o promovem e do voluntariado em tarefas operacionais. A seguir, apresentamos os principais aspectos que se destacam no imagin\u00e1rio dos envolvidos em iniciativas de economia alternativa e outros projetos transformadores, que contribuem para esbo\u00e7ar uma ideia do que esse outro mundo representa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses pontos s\u00e3o mostrados de forma simples, embora tenham justificativas profundas que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel detalhar aqui. Por meio de suas pr\u00e1ticas econ\u00f4micas cotidianas, das iniciativas \u00e0s quais aderem e das rela\u00e7\u00f5es sociais que geram por meio delas, os participantes entrevistados apostam no mundo que consideram vi\u00e1vel e alcan\u00e7\u00e1vel, que \u00e9 parcialmente esbo\u00e7ado a seguir por ainda estar em constru\u00e7\u00e3o. No entanto, os elementos que conseguem emergir nos permitem pensar sobre onde um projeto dessa natureza e escopo poderia tomar forma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Consci\u00eancia social, participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, milit\u00e2ncia pol\u00edtica e engajamento<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Para os entrevistados, a participa\u00e7\u00e3o social e cidad\u00e3 \u00e9 uma parte fundamental da vida pessoal, essencial para desencadear mudan\u00e7as nas representa\u00e7\u00f5es da vida cotidiana, na mobiliza\u00e7\u00e3o para a defesa dos direitos humanos e ambientais, no monitoramento e na presta\u00e7\u00e3o de contas dos governos e na influ\u00eancia sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas. Ambos s\u00e3o considerados mecanismos importantes para a forma\u00e7\u00e3o de l\u00edderes e representantes leais capazes de colaborar com outros atores, intervir em assuntos de interesse comum e influenciar decis\u00f5es que beneficiem utopias.<\/p>\n\n\n\n<p>E, embora entre os apoiadores de economias alternativas muitas vezes haja cr\u00edticas compartilhadas e opini\u00f5es negativas sobre as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e os governos, as rela\u00e7\u00f5es com eles s\u00e3o cada vez mais concebidas a partir de uma l\u00f3gica estrat\u00e9gica de ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os institucionais, n\u00e3o para obter poder, mas para ganhar influ\u00eancia ideol\u00f3gica e aliados, bem como para poder canalizar recursos e voz para as causas sociais que lhes interessam. \"Aposto em todas as trincheiras\", diz \u00c9rika, uma assistente social de 32 anos, que \u00e9 funcion\u00e1ria p\u00fablica no munic\u00edpio e, ao mesmo tempo, ativista apaixonada em mais de sete iniciativas e organiza\u00e7\u00f5es anarco-eco-feministas diferentes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Articula\u00e7\u00e3o do ecossistema de movimentos sociais e alternativas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Entre aqueles que promovem pr\u00e1ticas e organiza\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas alternativas, \u00e9 urgente articular o ecossistema emergente de iniciativas e coletivos sob uma agenda comum, o que significaria o in\u00edcio de um processo de organiza\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o que desencadearia a constru\u00e7\u00e3o de projetos comuns e a coes\u00e3o social. Com base nas tend\u00eancias de outras cidades do mundo, onde podemos observar a cria\u00e7\u00e3o de bairros, \u00e1reas ou distritos de solidariedade que concentram diversos projetos, neg\u00f3cios e empreendimentos alternativos, como empresas sociais, cooperativas de todos os tipos, mercados alternativos, bazares livres, centros sociais, moradias autogerenciadas, entre outros, podemos ver a possibilidade de desenvolver cen\u00e1rios semelhantes em Guadalajara e arredores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mudan\u00e7a de representa\u00e7\u00f5es e posicionamento de outros imagin\u00e1rios, modos de vida e coexist\u00eancia.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Al\u00e9m de contribuir para o atendimento de algumas necessidades espec\u00edficas de alimenta\u00e7\u00e3o, cuidados pessoais ou sa\u00fade, a participa\u00e7\u00e3o em iniciativas de economia alternativa contribui para a forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os cr\u00edticos e proativos, bem como para a transforma\u00e7\u00e3o das representa\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas por meio do posicionamento de diferentes imagin\u00e1rios a respeito das rela\u00e7\u00f5es sociais, das formas de produzir, trocar, consumir, viver, organizar e conviver (Cameron e Gibson, 2005). Os participantes aspiram ganhar a vida e ainda ter tempo para passar com os amigos, a fam\u00edlia e a comunidade, para realizar atividades que complementem seu trabalho, consumo e produ\u00e7\u00e3o di\u00e1rios, como o cultivo de alimentos agroecol\u00f3gicos, a produ\u00e7\u00e3o e a troca de produtos artesanais dom\u00e9sticos ou a troca de conhecimentos e servi\u00e7os profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que alguns est\u00e3o comprometidos com uma educa\u00e7\u00e3o hol\u00edstica, integral, inclusiva e human\u00edstica para seus filhos, que incorpora a influ\u00eancia de formas de conviv\u00eancia tradicionais, populares e sociofamiliares. Ao mesmo tempo, eles reconhecem a import\u00e2ncia de uma perspectiva hol\u00edstica. <em>decolonial<\/em>Para alguns, o feminismo, a cr\u00edtica e o pensamento complexo s\u00e3o mecanismos para detonar rupturas nas l\u00f3gicas e formas de organiza\u00e7\u00e3o existentes. Para alguns, o feminismo <br>e a perspectiva de g\u00eanero cont\u00eam compet\u00eancia suficiente para monitorar a cr\u00edtica permanente do modelo patriarcal de civiliza\u00e7\u00e3o, bem como para tornar vis\u00edvel o papel das mulheres na reprodu\u00e7\u00e3o social da vida, nas lutas por sua defesa e na constru\u00e7\u00e3o de alternativas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e do meio ambiente<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Uma parte importante dos discursos e pr\u00e1ticas alternativos enfatiza o car\u00e1ter estrutural da crise e d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o especial aos seus efeitos ambientais e na sa\u00fade, denotando a esperan\u00e7a de poder influenciar a recupera\u00e7\u00e3o e a conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais ou a aplica\u00e7\u00e3o efetiva de leis, regulamentos e san\u00e7\u00f5es para crimes contra o meio ambiente e a sa\u00fade. Entretanto, \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o das formas de <br>A ind\u00fastria de alimentos e a agroind\u00fastria poderiam reduzir os efeitos do agroneg\u00f3cio e da ind\u00fastria de alimentos sobre a sa\u00fade das pessoas e o meio ambiente em que vivem.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos lares em que pr\u00e1ticas econ\u00f4micas alternativas s\u00e3o incorporadas, \u00e9 comum que a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e0 sa\u00fade seja administrada em casa, especialmente por meio de uma cultura de boa nutri\u00e7\u00e3o e do uso preventivo da medicina tradicional e alternativa. Essas pr\u00e1ticas precedem e complementam o atendimento oferecido nos diferentes sistemas de sa\u00fade p\u00fablicos e privados e, no futuro, aquelas gerenciadas de forma coletiva, cooperativa e aut\u00f4noma poder\u00e3o ser integradas a eles. Em outro mundo poss\u00edvel, todas as pessoas teriam a op\u00e7\u00e3o de ter acesso a um atendimento de sa\u00fade de qualidade e gratuito, seja por meio de suas redes sociofamiliares ou por meio de sistemas p\u00fablicos, sociais ou alternativos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Inova\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">A inova\u00e7\u00e3o social, econ\u00f4mica, pol\u00edtica, urbana e tecnol\u00f3gica \u00e9 extremamente importante para a consolida\u00e7\u00e3o de novos projetos econ\u00f4micos, ambientais, de sa\u00fade e sociopol\u00edticos englobados na ideia de um outro mundo poss\u00edvel. Sabe-se que, para isso, s\u00e3o necess\u00e1rios governos vision\u00e1rios e inovadores que promovam pol\u00edticas p\u00fablicas e marcos legais que protejam a diversidade econ\u00f4mica e a gest\u00e3o sustent\u00e1vel das sociedades. Por sua vez, na esfera social, as pessoas organizadas poderiam autogerenciar alguns dos recursos e satisfa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rios por meio da coordena\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o entre produtores e consumidores em um territ\u00f3rio, possibilitando assim a cria\u00e7\u00e3o de novos modelos eficazes de desenvolvimento urbano e rural projetados em pequena escala.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados apresentados aqui sugerem o in\u00edcio de uma transforma\u00e7\u00e3o social gradual que est\u00e1 permeando cada vez mais setores da sociedade. Algumas das iniciativas mencionadas j\u00e1 t\u00eam trajet\u00f3rias e experi\u00eancias importantes que podem ser consideradas exemplares em termos da maneira como articulam pr\u00e1ticas, discursos e utopias. Embora tenha havido aqui uma tentativa de integrar todas as apostas e expectativas em torno da ideia de um outro mundo poss\u00edvel, na realidade cada iniciativa e organiza\u00e7\u00e3o projeta um cen\u00e1rio particular de acordo com suas pr\u00f3prias causas e prioridades, sejam elas quest\u00f5es de g\u00eanero, ruralidade, consumo consciente etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Os esfor\u00e7os para criar alternativas em qualquer n\u00edvel ou escala s\u00e3o not\u00e1veis; no entanto, um dos aspectos mais fracos no cen\u00e1rio local \u00e9 a identidade pol\u00edtica de seus participantes, pois poucas iniciativas buscam atividades exclusivas de reflex\u00e3o, di\u00e1logo e organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A maioria delas se limita a expressar algumas posi\u00e7\u00f5es por meio de suas disposi\u00e7\u00f5es, discurso impresso ou redes sociais, deixando as pessoas se informarem e se educarem politicamente. Com exce\u00e7\u00e3o de algumas organiza\u00e7\u00f5es dos movimentos agroecol\u00f3gicos ou feministas regionais, h\u00e1 pouca atividade entre as iniciativas de economia alternativa para ajudar a desenvolver uma perspectiva cr\u00edtica mais profunda e engajada entre os participantes, o que se reflete nos baixos n\u00edveis de ativismo e voluntariado.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma falta significativa de modelos inovadores que transformem processos, relacionamentos e formas de promover alternativas. Nesse sentido, apenas algumas iniciativas demonstram familiaridade com ferramentas como a Internet, redes sociais e <em>software<\/em> para a comunica\u00e7\u00e3o e a dissemina\u00e7\u00e3o de propostas. Embora a reciclagem e a imita\u00e7\u00e3o de modelos e formas de organiza\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o sejam comuns, isso parece afetar a capacidade de inovar com base nas necessidades espec\u00edficas das pessoas e da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora ainda haja um longo caminho a percorrer, pode-se contar com um enorme progresso; cada vez mais pessoas est\u00e3o indo aos mercados locais e \u00e0s feiras de produtores, cada vez mais estabelecimentos est\u00e3o se recusando a manusear pl\u00e1sticos de uso \u00fanico ou os supermercados t\u00eam ilhas de produtos locais. Mas n\u00e3o podemos nos esquecer de como isso pode facilmente levar a outras pr\u00e1ticas poluentes, exploradoras ou extrativistas se n\u00e3o tomarmos cuidado para que a melhor op\u00e7\u00e3o seja tamb\u00e9m a menos poluente, a mais socialmente justa, a mais economicamente vi\u00e1vel etc.; se n\u00e3o cuidarmos do h\u00e1bito de reflex\u00e3o e do desenvolvimento da conscientiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Embora a busca por modelos de produ\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o alternativos ao capitalismo n\u00e3o seja recente, as condi\u00e7\u00f5es em que essas iniciativas surgem s\u00e3o, al\u00e9m dos recursos tecnol\u00f3gicos e comunicacionais com que podem contar, fortemente vinculadas a lutas ambientais, de direitos humanos, de defesa territorial e de perspectiva de g\u00eanero, entre outras. E embora o fen\u00f4meno seja conhecido e estudado academicamente h\u00e1 d\u00e9cadas, no caso de Guadalajara ele parece permanecer em uma fase prolongadamente incipiente e desarticulada, que experimentou um certo boom nos \u00faltimos dez ou doze anos, mas ainda n\u00e3o se consolidou.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido aos princ\u00edpios que as orientam, \u00e0s pr\u00e1ticas e aos relacionamentos que promovem, as iniciativas de economia alternativa s\u00e3o consideradas por alguns participantes e estudiosos como ilhas de reciprocidade que surgem como resist\u00eancia aos efeitos da globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. A interconex\u00e3o entre elas, seus componentes e atores, formam redes colaborativas locais que, quando conectadas a outras redes locais, podem gerar circuitos regionais de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica a partir de uma perspectiva de solidariedade (M\u00e9ndez Guti\u00e9rrez del Valle, 2018), que s\u00e3o relevantes nos dias de hoje, quando n\u00e3o h\u00e1 muitos espa\u00e7os para a diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>E, embora ainda n\u00e3o seja poss\u00edvel falar de um projeto dessa magnitude na cidade, \u00e9 importante come\u00e7ar reconhecendo os esfor\u00e7os que est\u00e3o sendo feitos agora, para gerar canais para sua orienta\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a um projeto comum em escala local, no qual a voca\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o seja resgatada e os processos de inclus\u00e3o necess\u00e1rios sejam gerados, aspectos que n\u00e3o s\u00e3o observados no cen\u00e1rio local atual. No entanto, pode-se dizer que h\u00e1 dois aspectos em que o progresso se destaca: um \u00e9 o esfor\u00e7o feito em v\u00e1rias frentes (como gestores, produtores, universidades, entre outros) para conseguir uma maior e melhor articula\u00e7\u00e3o do ecossistema alternativo e seus diferentes componentes, e o outro \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o e a vincula\u00e7\u00e3o de iniciativas nos esfor\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e do meio ambiente em n\u00edvel local.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, \u00e9 not\u00e1vel a capacidade de colabora\u00e7\u00e3o entre atores de diferentes organiza\u00e7\u00f5es para atingir objetivos concretos. Um exemplo disso \u00e9 o comit\u00ea de cidad\u00e3os para a certifica\u00e7\u00e3o participativa do mercado agroecol\u00f3gico El Jilote, em que membros de diferentes coletivos de consumidores participam ao lado de acad\u00eamicos, promotores e produtores. Ou o mercado alternativo Flor de Luna, que faz parte de uma rede de redes de mulheres organizadas defensoras do meio ambiente e produtoras sustent\u00e1veis, especialmente no sul de Jalisco.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse \u00faltimo caso, o mercado e os produtos nele comercializados s\u00e3o o resultado de processos de organiza\u00e7\u00e3o, empoderamento e resist\u00eancia, com forte perspectiva de g\u00eanero, em v\u00e1rias regi\u00f5es do estado e do pa\u00eds; um bom exemplo da necess\u00e1ria articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre os atores. Essa experi\u00eancia mostra como o trabalho coordenado em todo um territ\u00f3rio e a colabora\u00e7\u00e3o com outros setores - universidades, centros de pesquisa e igrejas - podem resultar, por exemplo, na influ\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas ou na mudan\u00e7a de paradigmas da pr\u00e1tica na base social, ambas contribui\u00e7\u00f5es muito valiosas.<\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de mudar as formas pelas quais a vida se reproduz e se organiza n\u00e3o pode ser adiada, a recupera\u00e7\u00e3o de florestas, rios e praias durante as primeiras semanas de confinamento do mundo pelo v\u00edrus \u00e9 uma quest\u00e3o de urg\u00eancia. <span class=\"small-caps\">sars<\/span>&#8211;<span class=\"small-caps\">c<\/span>o<span class=\"small-caps\">v<\/span>2 reflete claramente o impacto das pr\u00e1ticas e dos modos de vida humanos sobre o meio ambiente. Como esse v\u00edrus entrou na realidade de todos, ele destacou a falta de padr\u00f5es \u00e9ticos em muitas das maneiras pelas quais grande parte da atividade humana \u00e9 conduzida, como a produ\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio de alimentos ou medicamentos, a sa\u00fade p\u00fablica, o turismo de massa, a pol\u00edtica, a economia etc. Embora cada vez mais pessoas estejam se conscientizando disso, poucas sabem realmente como isso as afeta, o que fazer ou que medidas tomar, e \u00e9 por isso que qualquer tipo de esfor\u00e7o para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o e refletir sobre isso \u00e9 essencial.<\/p>\n\n\n\n<p>A possibilidade de ver um n\u00famero significativo de organiza\u00e7\u00f5es e empresas de economia alternativa na \u00e1rea metropolitana \u00e9 ainda mais esperan\u00e7osa em face da profunda crise econ\u00f4mica p\u00f3s-pandemia que se aproxima. Os benef\u00edcios do com\u00e9rcio e consumo locais na economia de m\u00e9dia escala e os benef\u00edcios dos alimentos org\u00e2nicos para a sa\u00fade est\u00e3o sendo destacados agora. Em escala global, essas experi\u00eancias est\u00e3o tomando forma e t\u00eam cada vez mais simpatizantes, mais e mais pessoas est\u00e3o convencidas de que a produ\u00e7\u00e3o alternativa, a autoprodu\u00e7\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o da pegada de carbono, o consumo consciente etc. s\u00e3o os melhores. Esses s\u00e3o processos que est\u00e3o ocorrendo em todo o mundo e que merecem destaque porque fazem parte de uma mudan\u00e7a maior que pode ser vista de longe.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Arias, Patricia. (1980) \u201cEl proceso de industrializaci\u00f3n en Guadalajara, Jalisco: siglo <span class=\"small-caps\">xx<\/span>\u201d. <em>Relaciones<\/em>, n\u00fam. 3, vol. 1, pp. 9-47.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Cameron, Jenny y Katherine Gibson (2005). \u201cAlternative Pathways to Community and Economic Development: The Latrobe Valley Community Partnering Project\u201d. <em>Geographical Research<\/em>, vol. 43, n\u00fam. 3, pp. 274-85. https:\/\/doi.org\/10.1111\/j.1745-5871.2005.00327.x<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Chaparro y Peredo, Elizabeth (2019) Relator\u00eda del foro \u201cMujeres por una agricultura para la vida\u201d. Copia en posesi\u00f3n de la autora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2014). \u201cMonedas comunitarias en contextos solidarios. Una aproximaci\u00f3n al sentido del uso del itacate\u201d. Tesis para la obtenci\u00f3n de la maestr\u00eda en Estudios Cient\u00edficos y Sociales. Guadalajara: Instituto Tecnol\u00f3gico de Estudios Superiores de Occidente, Estudios Cient\u00edficos y Sociales.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">D\u00edaz Mu\u00f1oz, Jos\u00e9 G. (2015). <em>Econom\u00edas solidarias en Am\u00e9rica Latina<\/em>. Guadalajara: <span class=\"small-caps\">iteso<\/span>. https:\/\/doi.org\/10.2307\/j.ctvjhzqj5<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">D\u00edaz Mu\u00f1oz, Jos\u00e9 G. (2008) \u201cMiradas a las econom\u00edas solidarias: descentralizaci\u00f3n y regionalismos emergentes en Jalisco\u201d. Guadalajara: <span class=\"small-caps\">iteso<\/span>, Seminario Interdisciplinario del Doctorado en Estudios Cient\u00edfico-Sociales. Recuperado de https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/292158001_Miradas_a_las_economias_solidarias_descentralizacion_y_regionalismos_emergentes_en_Jalisco, consultado el 25 de enero de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Eusko Ikaskunta (2016). <em>La(s) transici\u00f3n(es) hacia otra(s) econom\u00eda(s)<\/em> Recuperado de http:\/\/www.eusko-ikaskuntza.eus\/files\/eremu_nagusiak\/dokumentuak\/ekonomia\/SEE_ekonomia-bat(zu)erako_trantsizioa(k)_es.pdf, consultado el 5 de febrero de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Guti\u00e9rrez Gonz\u00e1lez, Edmundo (2017). \u201cIntervenciones al paisaje urbano hist\u00f3rico de Guadalajara para el desarrollo econ\u00f3mico\u201d. <em>Gremium<\/em>, vol. 4, n\u00fam. 8, pp. 58-68.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Harvey, David (2007). <em>Espacios del capital. Hacia una geograf\u00eda cr\u00edtica.<\/em> Madrid: Akal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Healy, Stephen (2008). \u201cAlternative Economies\u201d, en Rob Kitchin y Nigel Thrift (ed.). <em>International Encyclopedia of Human Geography<\/em>, vol. 3. Oxford: Elsevier, pp. 338-344. https:\/\/doi.org\/10.1016\/B978-0080 <br>44910-4.00132-2<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Instituto Nacional de Estad\u00edstica y Geograf\u00eda (<span class=\"small-caps\">inegi<\/span>) (2020). <em>Censo de Poblaci\u00f3n y Vivienda 2020<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">inegi<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Kingsman, Gary (2006). \u201cMapping Social Relations of Struggle: Activism, ethnography, social organization\u201d, en Caelie Frampton <em>et al<\/em>. (ed.), <em>Sociology for Changing the World: social movements\/social research<\/em>. 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Recuperado de http:\/\/www.ub.edu\/geocrit\/XV-Coloquio\/RicardoMendez.pdf, consultado el 25 de enero de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Moreno Izquierdo, Jos\u00e9 \u00c1ngel (2014). \u201cSemillas de econom\u00eda alternativa: \u00bfconstruyendo otro mundo?\u201d <em>Mediterr\u00e1neo Econ\u00f3mico<\/em>, n\u00fam. 26, pp. 291-307. Recuperado de: https:\/\/dialnet.unirioja.es\/servlet\/articulo?codigo=5194400, consultado el 5 de febrero de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Reygadas, Jos\u00e9 L. <em>et al<\/em>. (coord.) (2014). <em>Econom\u00edas alternativas. Utop\u00edas, desencantos y procesos emergentes<\/em>. M\u00e9xico: Universidad Aut\u00f3noma Metropolitana y Juan Pablos Editor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rodr\u00edguez G\u00f3mez, Guadalupe<em> et al<\/em>. 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Bielefeld: Transcript. https:\/\/doi.org\/10.14361\/transcript.9783839424988.9<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\"><em>Elizabeth Chaparro e Peredo<\/em> \u00e9 graduado no programa de doutorado em <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span> Ela \u00e9 formada em Sociologia pela Universidade de Guadalajara e tem mestrado em comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e cultural pela Universidade de Guadalajara. <span class=\"small-caps\">iteso<\/span>tem se interessado pelo estudo da economia social e solid\u00e1ria e por formas, pr\u00e1ticas e rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas alternativas. Isso inclui moedas comunit\u00e1rias, troca e consumo consciente. Ela participou de projetos de desenvolvimento comunit\u00e1rio e educa\u00e7\u00e3o popular com mulheres e jovens em condi\u00e7\u00f5es marginalizadas, especialmente por meio de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil.\n<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo O contexto de crise estrutural que se agravou em escala global nas \u00faltimas tr\u00eas ou quatro d\u00e9cadas levou ao surgimento de pr\u00e1ticas e organiza\u00e7\u00f5es sociais dedicadas a gerenciar a satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades fora dos mercados convencionais, em uma tentativa de gerar comunidade e autonomia por meio da recupera\u00e7\u00e3o [...].<\/p>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[279],"tags":[736,301,735,737],"coauthors":[704],"class_list":["post-33762","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-279","tag-economias-alternativas","tag-guadalajara","tag-mapeo","tag-red-local","personas-chaparro-y-peredo-elizabeth","numeros-705"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Un mapeo de la escena local en Guadalajara &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"El contexto de crisis estructural que se ha agudizado a escala global en las \u00faltimas d\u00e9cadas ha propiciado el surgimiento de organizaciones sociales\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/chaparro-paredo-economia-alternativa-guadalajara\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Un mapeo de la escena local en Guadalajara &#8211; Encartes\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"El contexto de crisis estructural que se ha agudizado a escala global en las \u00faltimas d\u00e9cadas ha propiciado el surgimiento de organizaciones sociales\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/chaparro-paredo-economia-alternativa-guadalajara\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Encartes\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-03-18T20:16:02+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2023-11-18T00:21:14+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Sergio Vel\u00e1zquez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Sergio Vel\u00e1zquez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"39 minutos\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label3\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data3\" content=\"Sergio Vel\u00e1zquez\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/en\/chaparro-paredo-economia-alternativa-guadalajara\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/en\/chaparro-paredo-economia-alternativa-guadalajara\/\"},\"author\":{\"name\":\"Sergio Vel\u00e1zquez\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/5be8636bb6a3e2486cf548bf3c500765\"},\"headline\":\"Alternativas econ\u00f3micas hacia la construcci\u00f3n de otros mundos posibles. 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