{"id":33154,"date":"2020-09-19T21:53:05","date_gmt":"2020-09-19T21:53:05","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=33154"},"modified":"2023-11-17T18:36:11","modified_gmt":"2023-11-18T00:36:11","slug":"zires-filmar-abriendo-senderos-de-justicia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/zires-filmar-abriendo-senderos-de-justicia\/","title":{"rendered":"Onde nos situamos para filmar a abertura de caminhos para a justi\u00e7a. A senten\u00e7a e a comiss\u00e3o de Ayotzinapa?"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Abrindo caminhos para a justi\u00e7a. Senten\u00e7a e Comiss\u00e3o de Ayotzinapa\" width=\"580\" height=\"326\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FWpb1eSSJVs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">Este texto apresenta uma an\u00e1lise de como a pesquisa e a produ\u00e7\u00e3o do filme document\u00e1rio Abriendo senderos de justicia. A senten\u00e7a e a comiss\u00e3o de Ayotzinapa. Mostra as perspectivas anal\u00edticas e as abordagens narrativas que foram adotadas em diferentes est\u00e1gios de sua cria\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, procura mostrar o processo de envolvimento subjetivo ou o compromisso \u00e9tico-pol\u00edtico dos pesquisadores e produtores no Movimento Ayotzinapa. Tamb\u00e9m explica a import\u00e2ncia de uma senten\u00e7a in\u00e9dita e encorajadora para esse movimento por sua criatividade jur\u00eddica no campo da luta pelos direitos humanos em nosso pa\u00eds, bem como de uma comiss\u00e3o que recupera essa criatividade na conjuntura do governo de L\u00f3pez Obrador, al\u00e9m das dificuldades enfrentadas.<\/p>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/ayotzinapa\/\" rel=\"tag\">Ayotzinapa<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/comision-de-ayotzinapa\/\" rel=\"tag\">Comiss\u00e3o Ayotzinapa<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/compromiso-politico\/\" rel=\"tag\">compromisso pol\u00edtico<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/padres-de-los-43\/\" rel=\"tag\">Pais do 43<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/reflexividad-antropologica\/\" rel=\"tag\">reflexividade antropol\u00f3gica<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/sentencia-de-ayotzinapa\/\" rel=\"tag\">Veredicto de Ayotzinapa<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\"><span class=\"small-caps\">Onde estamos para atirar <\/span><em><span class=\"small-caps\">abrindo caminhos para a justi\u00e7a. o veredicto e a comiss\u00e3o de ayotzinapa<\/span><\/em><span class=\"small-caps\">?<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">Este texto apresenta uma revis\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio Abriendo Senderos de Justicia (Abrindo Caminhos da Justi\u00e7a. A Senten\u00e7a e a Comiss\u00e3o de Ayotzinapa). Ele mostra as perspectivas anal\u00edticas e as abordagens narrativas adotadas nos diferentes est\u00e1gios de sua cria\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, procura mostrar os pesquisadores e cineastas no processo de envolvimento subjetivo ou compromisso pol\u00edtico e \u00e9tico do Movimento Ayotzinapa. Al\u00e9m disso, explica a import\u00e2ncia de uma senten\u00e7a in\u00e9dita e edificante para esse movimento devido \u00e0 sua criatividade jur\u00eddica no campo da luta pelos direitos humanos em nosso pa\u00eds, bem como de uma comiss\u00e3o que recupera essa criatividade durante o governo de L\u00f3pez Obrador, al\u00e9m das dificuldades que enfrentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">Palavras-chave: Ayotzinapa, senten\u00e7a de Ayotzinapa, comiss\u00e3o de Ayotzinapa, Pais do 43, reflexividade antropol\u00f3gica, compromisso pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\"><span class=\"dropcap\">L<\/span>maneira como n\u00f3s, pesquisadores, analistas e videomakers, estamos envolvidos nas quest\u00f5es que analisamos e documentamos \u00e9 cada vez mais reconhecida como um elemento esclarecedor no processo de gesta\u00e7\u00e3o do conhecimento social. Neste texto, fa\u00e7o uma breve revis\u00e3o de algumas passagens da trajet\u00f3ria que percorri junto e dentro do Movimento Ayotzinapa, que me levou a investig\u00e1-lo, bem como a dirigir e produzir, junto com outros colegas e alunos, o document\u00e1rio <em>Abrindo caminhos para a justi\u00e7a. A senten\u00e7a e a comiss\u00e3o de Ayotzinapa<\/em>. O foco de aten\u00e7\u00e3o ser\u00e1, sobretudo, um julgamento in\u00e9dito por sua grande imagina\u00e7\u00e3o jur\u00eddica no campo da luta pelos direitos humanos em nosso pa\u00eds, bem como uma comiss\u00e3o que recupera essa imagina\u00e7\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o atual, para al\u00e9m de suas vicissitudes. Revisitar essas passagens exige que eu recupere aspectos subjetivos de toda a trajet\u00f3ria, em um giro de 180 graus, para olhar para tr\u00e1s e refletir sobre o lugar em que venho me situando nesse processo de quase seis anos de luta do Movimento Ayotzinapa; esse giro exige explicitar para mim e para um leitor as posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e as perspectivas anal\u00edticas adotadas no processo de pesquisa. Isso tamb\u00e9m nos obriga a reconhecer as abordagens narrativas, os \u00e2ngulos de grava\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo e a edi\u00e7\u00e3o de filmes que toda a equipe de pesquisa e produ\u00e7\u00e3o problematizou em conjunto, o que gerou perspectivas particulares que assumi como diretor de forma mais consciente, embora n\u00e3o sem desconforto e contradi\u00e7\u00f5es nessa jornada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, este texto \u00e9 um breve exerc\u00edcio de reflexividade (Guber, 2012) que tenta demonstrar esse processo de pesquisa e cria\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios como um conhecimento situado e concreto, distante de qualquer pretens\u00e3o de universalidade, neutralidade e assepsia afetiva, pol\u00edtica ou metodol\u00f3gica (Haraway, 1988; Cruz, 2012). <em>et al<\/em>., 2012), marcada por nossa subjetividade e a de nossos interlocutores permanentes no Movimento. Busca-se olhar para certos fatores condicionantes de qualquer produ\u00e7\u00e3o\/exposi\u00e7\u00e3o de conhecimento social, para sua parcialidade, com a ideia de que assumi-la garantir\u00e1 o rigor cient\u00edfico e \u00e9tico (Clifford, 1986).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A luta dos 43 e o Movimento Ayotzinapa - uma batalha pr\u00f3pria<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Algumas semanas ap\u00f3s o in\u00edcio da grande mobiliza\u00e7\u00e3o contra o desaparecimento for\u00e7ado de 43 alunos da escola rural de Ayotzinapa e o assassinato de seis pessoas em 26 e 27 de setembro de 2014 em Iguala, Guerrero, comecei a participar dela. O aumento dos casos de desaparecimentos for\u00e7ados no M\u00e9xico que ficaram impunes nas \u00faltimas d\u00e9cadas foi uma preocupa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para mim. Isso foi ajudado pelo fato de que logo se soube que os estudantes haviam sido sequestrados pela pol\u00edcia, o que despertou em mim, assim como nos cidad\u00e3os mobilizados, uma indigna\u00e7\u00e3o e uma raiva gigantescas. Essa raiva foi compartilhada mundialmente nas ruas e nas redes sociodigitais (Rovira, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento gerou uma comunidade pol\u00edtica ou comunidade em disputa, nos termos de Ranci\u00e8re (1996), um espa\u00e7o sem precedentes para a enuncia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em torno da quest\u00e3o dos desaparecimentos for\u00e7ados no M\u00e9xico, da corrup\u00e7\u00e3o e da impunidade. Essa comunidade n\u00e3o era formada apenas pelas m\u00e3es e pais dos 43, pelos movimentos dos desaparecidos, pelo movimento de direitos humanos, mas por m\u00faltiplos setores sociais, estudantes, professores e colegas como eu, funcion\u00e1rios, profissionais, donas de casa, entre outros, que se colocaram no lugar dos desaparecidos, de seus parentes, no lugar de uma repara\u00e7\u00e3o fundamental para exigir justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns meses depois, em janeiro de 2015, o Gabinete do Procurador-Geral (<span class=\"small-caps\">pgr<\/span>) fabricou uma vers\u00e3o dos fatos. Afirmou que os 43 estudantes foram detidos pela pol\u00edcia local e entregues a um grupo do crime organizado e concluiu que os estudantes foram executados e queimados no dep\u00f3sito de lixo de Cocula e depois jogados no rio San Juan. A vers\u00e3o foi chamada de \"verdade hist\u00f3rica\" pelo pr\u00f3prio Procurador-Geral Murillo Karam, para eliminar quaisquer d\u00favidas. Essa narrativa circunscreveu o evento a uma cidade e culpou o crime organizado local e as autoridades locais. Ela n\u00e3o reconheceu o envolvimento de outras pol\u00edcias estaduais, federais ou militares. Tratava-se de um sequestro e n\u00e3o de um desaparecimento for\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pais dos estudantes rejeitaram imediatamente a informa\u00e7\u00e3o por falta de provas, e a equipe argentina de antropologia forense tamb\u00e9m confirmou que os 43 anos n\u00e3o haviam sido incinerados naquele lix\u00e3o. <span class=\"small-caps\">giei<\/span> (Grupo Interdisciplinar de Peritos Independentes) da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos. Esses \u00f3rg\u00e3os confirmaram ainda que houve envolvimento da pol\u00edcia estadual e federal no desaparecimento for\u00e7ado, bem como presen\u00e7a ou participa\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante todo esse per\u00edodo, as mobiliza\u00e7\u00f5es nas ruas e nas redes sociodigitais n\u00e3o pararam. Poucos meses depois da forma\u00e7\u00e3o desse movimento e dessa grande comunidade da qual eu me sentia parte, tornou-se uma esp\u00e9cie de ritual para mim ir \u00e0 passeata que partia do Anjo da Independ\u00eancia at\u00e9 o Hemiciclo a Ju\u00e1rez e, \u00e0s vezes, at\u00e9 o Z\u00f3calo, aproximadamente todo dia 26 de cada m\u00eas, para exigir justi\u00e7a para os 43 estudantes desaparecidos. Antes de ir \u00e0s passeatas, eu conversava com meu pai: ele expressava sua alegria por eu estar indo, como se dessa forma ele tamb\u00e9m pudesse me acompanhar e, assim, apoiar diretamente a luta dos 43 estudantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca me juntei aos contingentes universit\u00e1rios, nos quais eu claramente teria me encaixado por ser professor universit\u00e1rio. Percorri a marcha do in\u00edcio ao fim, como se fosse uma esp\u00e9cie de rep\u00f3rter ou pesquisador em busca de um objeto de estudo, tirando fotos dos contingentes, das lonas, reproduzindo o que havia feito em outras investiga\u00e7\u00f5es de outros movimentos que estudei: o da Atenco (Frente de Pueblos en Defensa de la Tierra) e o da <span class=\"small-caps\">aplicativo<\/span> (Asamblea Popular de los Pueblos de Oaxaca), em que pesquisei os s\u00edmbolos que carregavam, os nomes dos contingentes que marcharam, suas palavras de ordem, entre outros (Zires, 2006 e 2017). Raramente carregava as fotos nas redes sociais como outros colegas, devido \u00e0 minha falta de experi\u00eancia, embora as repassasse a amigos, pois considerava importante ajudar a dar visibilidade ao movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso Ayotzinapa foi e ainda \u00e9 emblem\u00e1tico para mim por causa do que ele permitiu e nos permite ver: o entrela\u00e7amento \u00edntimo de interesses entre o Estado e o crime organizado. Fiz do slogan, com suas frases repetitivas que surgiram desde o in\u00edcio do movimento, o meu pr\u00f3prio slogan: \"\u00c9 um crime de Estado\", \"Foi o Estado\". A luta das m\u00e3es e dos pais dos 43 que lideraram o movimento de Ayotzinapa me tocou e me desafiou de muitas maneiras: como parte, ainda que pequena, desse ativismo global, como estudiosa dos movimentos sociais e como analista, desde a d\u00e9cada de 1990, da apropria\u00e7\u00e3o do s\u00edmbolo de Guadalupan em diferentes ambientes culturais e contextos de luta social, como professora de alunos com idade pr\u00f3xima \u00e0 dos de Ayotzinapa, como m\u00e3e de tr\u00eas filhos e av\u00f3 de netos que eu n\u00e3o gostaria que vivessem em um ambiente pol\u00edtico em que o desaparecimento tende a ser normalizado, dada a sua quase total impunidade. Estar presente nas marchas foi bom para mim. Para mim, n\u00e3o foi um ato de solidariedade com os pais, mas um ato de gratid\u00e3o a eles por defenderem todos os mexicanos que n\u00e3o concordam que essa ordem social de impunidade se estenda ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Encontrando \"um objeto de estudo\": as marchas-processos para a Villa e a luta dos 43<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Pouco depois de participar das marchas das m\u00e3es e dos pais do 43, fiquei impressionado com a falta de s\u00edmbolos religiosos, sabendo que muitos deles eram cat\u00f3licos. No entanto, logo fiquei sabendo que havia uma liga\u00e7\u00e3o menos \u00f3bvia entre a luta pol\u00edtica dos pais dos 43 e o s\u00edmbolo da Guadalupana por meio de outras pessoas que haviam estado na Escola Normal Rural de Ayotzinapa: havia um altar com s\u00edmbolos religiosos e a imagem da Guadalupana e algumas velas no p\u00e1tio da escola, o que falava de pr\u00e1ticas religiosas realizadas em frente a ela, sobre as quais os pr\u00f3prios pais e m\u00e3es me contaram. Al\u00e9m disso, a partir de 26 de dezembro de 2014, a marcha come\u00e7ou a ser realizada todo dia 26 de dezembro, da rotat\u00f3ria de Peralvillo at\u00e9 a Bas\u00edlica de Guadalupe, em uma esp\u00e9cie de ritual que misturava protesto e prociss\u00e3o, um ritual que eles v\u00eam realizando at\u00e9 2019. Comecei a ir a essas marchas-processos em 2015 em um plano mais investigativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecei a fazer contato com eles, com seus porta-vozes; comecei a me tornar um rosto reconhec\u00edvel para alguns deles. Isso provocou uma certa mudan\u00e7a em meu relacionamento com o movimento de pais. Meu interesse em fazer pesquisa desde meu primeiro envolvimento estava ganhando for\u00e7a e me levou a fazer uma exig\u00eancia a alguns dos pais e m\u00e3es: falar sobre a hist\u00f3ria de sua religiosidade e o uso de alguns s\u00edmbolos religiosos na luta, a exist\u00eancia de alguns rituais religiosos coletivos durante sua longa luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa quest\u00e3o, embora muito relevante para mim em minhas investiga\u00e7\u00f5es passadas, presentes e certamente futuras, ficou em segundo plano em rela\u00e7\u00e3o ao surgimento de uma decis\u00e3o inovadora que revolucionou a maneira como abordamos os casos de desaparecimento for\u00e7ado em nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Surpresa com a decis\u00e3o in\u00e9dita a favor do caso Ayotzinapa<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">No final de maio de 2018, os magistrados de um tribunal de Tamaulipas (Primer Tribunal Colegiado de Circuito del D\u00e9cimo Noveno Circuito)<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> emitiu uma decis\u00e3o sem precedentes em rela\u00e7\u00e3o ao caso Ayotzinapa, ordenando a cria\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o para a Investiga\u00e7\u00e3o da Verdade e da Justi\u00e7a, devido a uma liminar solicitada por alguns dos r\u00e9us que supostamente confessaram sua culpa sob tortura. Pouco antes, em mar\u00e7o de 2018, o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas tamb\u00e9m havia denunciado a tortura no caso Ayotzinapa. Eu estava muito animado, mas acima de tudo surpreso. N\u00e3o conseguia acreditar. Imediatamente espalhei a not\u00edcia em um grupo de <em>whatsapp <\/em>de solidariedade para com \"Ayotzi\" para perguntar se a not\u00edcia era verdadeira ou falsa. Alguns membros ficaram positivamente chocados, mas demonstraram d\u00favidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ficou claro que os magistrados n\u00e3o se limitaram ao caso de tortura e assinalaram que havia muitas irregularidades em todo o processo de investiga\u00e7\u00e3o; a investiga\u00e7\u00e3o, segundo eles, n\u00e3o havia sido nem imediata, nem efetiva, nem independente, nem imparcial, o que os levou a questionar a vers\u00e3o oficial e ordenar a cria\u00e7\u00e3o dessa comiss\u00e3o para a Investiga\u00e7\u00e3o da Verdade e da Justi\u00e7a, que deveria ser composta por 1) as fam\u00edlias e representantes das fam\u00edlias dos 43; 2) a Comiss\u00e3o Nacional de Direitos Humanos; 3) organiza\u00e7\u00f5es internacionais de direitos humanos; e 4) o Minist\u00e9rio P\u00fablico, que deveria responder \u00e0s propostas das fam\u00edlias e dos representantes das fam\u00edlias dos 43. <br>linhas de investiga\u00e7\u00e3o dos outros \u00f3rg\u00e3os. Ele foi colocado no centro <br>da comiss\u00e3o para as v\u00edtimas e seus defensores. Isso transformou a maneira como as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos devem ser tratadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A senten\u00e7a foi baseada na Constitui\u00e7\u00e3o e nos tratados internacionais de direitos humanos assinados pelo M\u00e9xico. Era revolucion\u00e1rio, ainda est\u00e1vamos sob o regime do Partido Revolucion\u00e1rio Institucional, o governo do presidente Pe\u00f1a Nieto, no qual essa inf\u00e2mia dos 43 foi cometida, mas j\u00e1 havia um vislumbre de uma poss\u00edvel vit\u00f3ria do candidato L\u00f3pez Obrador, uma janela para outro horizonte. Considerei, na \u00e9poca, e ainda considero agora, que esse contexto contribuiu para sua possibilidade de estar em um interregno.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m deve ser enfatizado que essa Comiss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma Comiss\u00e3o da Verdade, como as que existiram em outras regi\u00f5es da Am\u00e9rica Latina, como as comiss\u00f5es emblem\u00e1ticas do Cone Sul ou as mais recentes, como a da Col\u00f4mbia ap\u00f3s os Acordos de Paz de 2016 (Doran, 2020: 54-55) e que estavam sendo propostas por inst\u00e2ncias do governo eleito no M\u00e9xico em 2018 (que n\u00e3o est\u00e3o necessariamente ligadas \u00e0 justi\u00e7a). A Comiss\u00e3o proposta pela Senten\u00e7a do Tribunal de Tamaulipas \u00e9 uma Comiss\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o da Verdade e da Justi\u00e7a e, portanto, tem implica\u00e7\u00f5es legais criminais.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando conversei sobre isso com uma amiga especialista em comiss\u00f5es da verdade na Am\u00e9rica Latina, Marie-Christine Doran (professora e pesquisadora da Universidade de Ottawa), ela imediatamente recebeu a not\u00edcia com satisfa\u00e7\u00e3o. Ficou claro que a decis\u00e3o poderia ter um grande potencial para o M\u00e9xico, gerando jurisprud\u00eancia para outros casos de graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos no M\u00e9xico e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Marie-Christine e eu ficamos interessados em transform\u00e1-la em um objeto de estudo acad\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a decis\u00e3o gerou imediatamente v\u00e1rias contesta\u00e7\u00f5es do regime de Pe\u00f1a Nieto, aproximadamente 200 recursos contra ela (da Procuradoria Geral da Rep\u00fablica (<span class=\"small-caps\">pgr<\/span>), o Executivo, o Legislativo, as For\u00e7as Armadas, etc.), argumentando que ela era inconstitucional e imposs\u00edvel de ser implementada ou aplicada. Uma das raz\u00f5es mais fortes que eles argumentaram foi que isso tiraria do Minist\u00e9rio P\u00fablico o monop\u00f3lio da investiga\u00e7\u00e3o criminal (<em>Animal<br>Politicista<\/em>, 2018)<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a>. Esse recurso foi aceito pelo Terceiro Tribunal Unit\u00e1rio de Tamaulipas, que, embora hierarquicamente inferior, declarou que a senten\u00e7a n\u00e3o poderia ser cumprida. No entanto, muitos dos recursos contra a senten\u00e7a foram esclarecidos e rejeitados pelo Primeiro Tribunal Colegiado, que mais uma vez ratificou e ampliou a senten\u00e7a em setembro de 2018, declarando que ela pode ser cumprida e n\u00e3o \u00e9 inconstitucional. No entanto, a <span class=\"small-caps\">pgr<\/span> novamente apelou da senten\u00e7a e, por esse motivo, foi encaminhado \u00e0 Suprema Corte de Justi\u00e7a da Na\u00e7\u00e3o, que, at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o deste artigo, ainda est\u00e1 analisando o caso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Demanda dos pais e de seus defensores para apoiar a forma\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Nesse contexto, o Movimento dos Pais dos 43 se posicionou imediatamente a favor da decis\u00e3o de Tamaulipas de criar a Comiss\u00e3o de Inqu\u00e9rito para a Verdade e a Justi\u00e7a no in\u00edcio de junho de 2018, como tamb\u00e9m declararam em seus discursos p\u00fablicos e com\u00edcios durante suas marchas subsequentes no dia 26 de cada m\u00eas. Vidulfo Morales, advogado do Centro de Direitos Humanos de Tlachinollan e defensor do movimento, acompanhado por um dos pais, Emiliano Navarrete, convoca os estudantes e acad\u00eamicos em uma sala do <span class=\"small-caps\">uam<\/span> Xochimilco em 27 de setembro de 2018 para demonstrar solidariedade: \"Repetimos, vamos assumir essa Comiss\u00e3o da Verdade, e essa Comiss\u00e3o de Inqu\u00e9rito pela Verdade e Justi\u00e7a \u00e9 importante para n\u00f3s, pedimos que acompanhem os pais da fam\u00edlia, para promover e impulsionar essa Comiss\u00e3o da Verdade\".<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado dessa solicita\u00e7\u00e3o, alguns dos alunos que organizaram o evento (Aldo Cicardi, Estefan\u00eda Galicia, Jennifer Nieves e Arturo V\u00e1zquez), bem como Marie-Christine Doran e eu, interpretamos a solicita\u00e7\u00e3o como uma urg\u00eancia pol\u00edtica que nos comprometeu e nos entusiasmou de duas maneiras: realizar uma pesquisa acad\u00eamica e fazer um document\u00e1rio amplamente distribu\u00eddo para divulgar essa senten\u00e7a in\u00e9dita. Decidimos, ent\u00e3o, realizar uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a senten\u00e7a, sobre a comiss\u00e3o que ela propunha, o contexto em que surgiu, as rea\u00e7\u00f5es que gerou, o significado e a interpreta\u00e7\u00e3o que as m\u00e3es e os pais deram a ela, bem como a maneira como se apropriaram dela em sua luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, os alunos que organizaram o evento estavam na fase final da gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o Social com um conhecido colega de videodocument\u00e1rio independente, Cristian Cal\u00f3nico, com Diego Vargas e comigo. Eles tamb\u00e9m estavam prestando servi\u00e7o social com Cristian, produzindo audiovisuais. A pedido do advogado dos pais, eles ficaram muito interessados em participar da produ\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio. Eles se sentiram comprometidos com a causa.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, professores, pudemos obter o material de produ\u00e7\u00e3o nas Oficinas de Comunica\u00e7\u00e3o da <span class=\"small-caps\">uam-x<\/span>Mas todos n\u00f3s (alunos e professores) ainda pod\u00edamos colaborar, emprestando nossas pr\u00f3prias c\u00e2meras e meios de cria\u00e7\u00e3o audiovisual quando necess\u00e1rio, como aconteceu. Era uma equipe de produ\u00e7\u00e3o horizontal, na qual, embora eu assumisse a dire\u00e7\u00e3o e as despesas mais caras de produ\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o, essa dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o era vertical, mas resultado de di\u00e1logo e responsabilidade compartilhada; algumas despesas eram divididas com Marie-Christine, e outras, embora aparentemente menores, eram absorvidas pelos alunos, o que mostrava o envolvimento deles; os graduados (Cyntia Kent e Erik Medina) que mais tarde se juntaram a mim reduziram seus or\u00e7amentos tamb\u00e9m por causa do compromisso deles. Nesse sentido, o projeto para eles estava se tornando um ato combativo, um pequeno apoio \u00e0 imensa luta liderada por m\u00e3es, pais e defensores.<\/p>\n\n\n\n<p>Imediatamente entramos em contato com o Centro de Direitos Humanos Agust\u00edn Pro, que tamb\u00e9m estava cuidando do caso dos 43 junto com o Centro Tlachinollan e conhecia a senten\u00e7a em detalhes. Entrevistamos seu diretor, na \u00e9poca Mario Patr\u00f3n, e muitos dos pais e m\u00e3es. Todos eles estavam entusiasmados. O fato de um de seus defensores, Vidulfo, ter expressado publicamente seu interesse em nosso apoio em sua luta para que a senten\u00e7a fosse ratificada e a comiss\u00e3o criada deu-lhes confian\u00e7a em n\u00f3s. Fizemos entrevistas extensas com um pequeno grupo de pais e entrevistas mais curtas que foram gravadas em v\u00eddeo com um grupo maior de 22 pais para o document\u00e1rio, onde eles falaram sobre a import\u00e2ncia da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m entrevistamos um dos alunos sobreviventes da escola rural (Omar Garc\u00eda) e o magistrado de Tamaulipas que criou a senten\u00e7a (Mauricio Fern\u00e1ndez de la Mora), que tamb\u00e9m estava entusiasmado. A ideia era explicar a senten\u00e7a, sua import\u00e2ncia, os ataques que ela sofreu e as esperan\u00e7as que ela trazia, com base nas vozes e palavras dos envolvidos, evitando a voz dos envolvidos no caso.<em> off <\/em>ou voz onisciente, na medida do poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos significados mais importantes do v\u00eddeo era pressionar pela ratifica\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, tornando-a conhecida. Achamos apropriado usar uma estrat\u00e9gia narrativa convencional, na qual as marcas da produ\u00e7\u00e3o e dos produtores do document\u00e1rio foram apagadas, seguindo o padr\u00e3o tradicional de hist\u00f3rias que parecem se contar sozinhas. Em poucas semanas, t\u00ednhamos a maior parte do material gravado; no entanto, n\u00e3o sab\u00edamos como finaliz\u00e1-lo, pois est\u00e1vamos a poucas semanas da posse do novo governo de L\u00f3pez Obrador e n\u00e3o sab\u00edamos se ele iria acelerar a ratifica\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, que poderia ser retomada no mesmo v\u00eddeo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo de pesquisa e a\u00e7\u00e3o de dissemina\u00e7\u00e3o nos colocou em outro lugar: me colocou tanto como parte de uma equipe acad\u00eamica, junto com Marie-Christine, quanto como parte de uma equipe de produ\u00e7\u00e3o, junto com os alunos e colegas da universidade, em uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima com a luta do 43.<\/p>\n\n\n\n<p>O \"objeto de estudo\" \u00e9 transformado, ampliado. Nas entrevistas prolongadas que se transformaram em longas conversas com as m\u00e3es e os pais, tanto Marie-Christine quanto eu retomamos nossas preocupa\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas que iam al\u00e9m da senten\u00e7a: a criminaliza\u00e7\u00e3o do protesto e a religiosidade das m\u00e3es e dos pais, suas visitas \u00e0 Bas\u00edlica, o papel dos diferentes setores da Igreja e seu movimento, juntamente com os temas pr\u00f3prios e permanentes das m\u00e3es e dos pais; sua dor e seu sofrimento, suas d\u00favidas sobre o caminho que haviam percorrido, suas esperan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 senten\u00e7a, em um clima de di\u00e1logo maior do que o que eu havia estabelecido antes. A rela\u00e7\u00e3o se tornou mais horizontal: seus nomes apareciam n\u00e3o s\u00f3 na minha lista de contatos telef\u00f4nicos, como eu na deles, e come\u00e7ou uma troca mais afetiva com alguns deles: Cristina, Mario, Mar\u00eda, Mar\u00eda de Jes\u00fas, Hilda e Hilda, Felipe, Melit\u00f3n, Emiliano e outros nomes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que o tempo passa e meu pai morre, percebo o que significava para mim ir a cada dia 26 do m\u00eas e ligar para meu pai como parte desse ritual. Em 26 de novembro de 2019, cheguei \u00e0 marcha totalmente triste, meu pai n\u00e3o estava mais l\u00e1 para conversar e \"outros vinte\" de sua aus\u00eancia \"ca\u00edram sobre mim\". Quando Mario Gonz\u00e1lez, pai de C\u00e9sar Manuel Gonz\u00e1lez Hern\u00e1ndez, me perguntou como eu estava, expliquei e comecei a chorar; ele me abra\u00e7ou com for\u00e7a e me consolou com algumas palavras, dando-me a entender que eu podia entend\u00ea-lo, assim como eu entendia o que eles estavam passando; senti um abra\u00e7o coletivo infinito, uma verdadeira reciprocidade que posso sentir novamente enquanto escrevo estas palavras. Depois do com\u00edcio, tamb\u00e9m pedi outros bra\u00e7os a Cristina Bautista, Hilda Legide\u00f1o e Mar\u00eda Mart\u00ednez, que selaram aquele primeiro abra\u00e7o. Voltei para casa, sem d\u00favida, com mais paz. Percebi que n\u00e3o era apenas o horizonte da luta e a busca por outra justi\u00e7a que me unia a elas. Al\u00e9m de nossas realidades socioecon\u00f4micas e culturais muito diferentes, havia algo afetivo e caloroso que \u00e9 dif\u00edcil de descrever e que eu n\u00e3o pretendia comunicar aqui quando comecei a escrever.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Novo governo, nova Comiss\u00e3o de Inqu\u00e9rito e senten\u00e7a no limbo<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Tr\u00eas dias ap\u00f3s a posse do novo governo, o presidente L\u00f3pez Obrador decretou a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o, a ser instalada em 15 de janeiro de 2019, intitulada Comiss\u00e3o da Verdade e Acesso \u00e0 Justi\u00e7a no caso Ayotzinapa, presidida por Alejandro Encinas, subsecret\u00e1rio de Direitos Humanos do Minist\u00e9rio do Interior, cuja composi\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante \u00e0 decretada na decis\u00e3o de Tamaulipas. Tamb\u00e9m coloca as v\u00edtimas, os pais dos 43, no centro da comiss\u00e3o, e seus defensores, os centros de direitos humanos que os acompanharam, e prop\u00f5e o retorno de uma comiss\u00e3o de especialistas internacionais ligados ao caso. Os Minist\u00e9rios das Finan\u00e7as e das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores tamb\u00e9m participam. Desde o momento em que a comiss\u00e3o foi criada, foi proposto que todas as linhas de investiga\u00e7\u00e3o propostas pelos \u00f3rg\u00e3os internacionais de especialistas independentes e aquelas que haviam sido truncadas pelo judici\u00e1rio fossem seguidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a declara\u00e7\u00e3o de Encinas foi contundente: \"N\u00e3o queremos nos casar com a verdade hist\u00f3rica. Partimos de uma ideia, a \u00fanica verdade \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 verdade sobre o caso Ayotzinapa, e temos que descobri-la, temos que saber quais foram os fatos e o que aconteceu com os meninos e, nesse sentido, todas as linhas est\u00e3o novamente abertas\".<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a comiss\u00e3o, de origem presidencial, n\u00e3o tinha os mesmos poderes criminais e o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o participou. Em sua instala\u00e7\u00e3o, foi mencionada a necessidade de criar uma promotoria especializada para o caso, que dependeria da nova Procuradoria Geral, que levou seis meses para ser instalada. Apesar disso, deve-se reconhecer que foi selecionado um promotor que foi considerado pelo Interior e pela opini\u00e3o p\u00fablica como muito adequado para o cargo devido ao seu profundo conhecimento do caso, tendo trabalhado com a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).<span class=\"small-caps\">cidh<\/span>): Omar Trejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante todo esse tempo, algumas m\u00e3es e pais demonstram sinais de impaci\u00eancia, deixam claro em suas marchas e em conversas comigo que a chegada dos especialistas internacionais n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel sem a ajuda dos especialistas internacionais.<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> Estava demorando muito e, em geral, a comiss\u00e3o presidencial estava fazendo muito pouco progresso. Por esse motivo, nove meses ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o e cinco anos ap\u00f3s a trag\u00e9dia do desaparecimento de seus filhos, h\u00e1 um forte sentimento de desespero entre eles, alternado com a sensa\u00e7\u00e3o positiva de se sentirem ouvidos pelo Presidente em algumas reuni\u00f5es com ele e pelo Secret\u00e1rio do Interior.<\/p>\n\n\n\n<p>O foco de ataque das m\u00e3es e pais em seus com\u00edcios \u00e9 a Procuradoria Geral da Rep\u00fablica, com exig\u00eancias claras para que as investiga\u00e7\u00f5es sejam aceleradas, para que aqueles que obstru\u00edram as investiga\u00e7\u00f5es no governo anterior e produziram \"a verdade hist\u00f3rica\" sejam presos; para que o Ex\u00e9rcito forne\u00e7a as informa\u00e7\u00f5es que sabe sobre o que aconteceu em 26 e 27 de setembro de 2014; para que a liga\u00e7\u00e3o entre alguns elementos do 27\u00ba Batalh\u00e3o e a hierarquia dos Guerreros Unidos seja investigada, entre outras quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante todo esse tempo, a decis\u00e3o de Tamaulipas e a busca por sua ratifica\u00e7\u00e3o permaneceram em uma esp\u00e9cie de limbo. Em mar\u00e7o de 2019, os membros da Comiss\u00e3o se reuniram com o presidente da Suprema Corte de Justi\u00e7a da Na\u00e7\u00e3o, Arturo Zald\u00edvar, e foi sugerido que a Presid\u00eancia e a Procuradoria Geral da Rep\u00fablica poderiam retirar os recursos que haviam apresentado contra a senten\u00e7a para permitir sua execu\u00e7\u00e3o.<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a>. Mas essa possibilidade n\u00e3o \u00e9 mencionada novamente, nem na m\u00eddia, nem por m\u00e3es e pais em com\u00edcios. De acordo com o mesmo magistrado relator, n\u00e3o houve retirada at\u00e9 junho de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o nos colocou em uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil: a equipe de produ\u00e7\u00e3o, que havia planejado terminar o v\u00eddeo em quatro ou cinco meses, caiu em uma letargia, uma certa inquieta\u00e7\u00e3o, sem saber o que estava acontecendo com a comiss\u00e3o e qual era o significado do document\u00e1rio na nova etapa. \u00c9 claro que ainda n\u00e3o pod\u00edamos terminar o v\u00eddeo; o foco da investiga\u00e7\u00e3o e da documenta\u00e7\u00e3o tinha de ser estendido da senten\u00e7a para a comiss\u00e3o presidencial, j\u00e1 que esse era o caminho seguido pelo processo de luta dos pais. O tempo estava se arrastando e n\u00e3o havia certeza de quanto tempo duraria. Os estudantes cinegrafistas, produtores e editores (Aldo, Estefan\u00eda, Jennifer e Arturo) tiveram que terminar suas teses, e outros graduados da universidade entraram para trabalhar mais nas partes de anima\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o (Cyntia Kent), bem como no som (Erik Medina). Pelo menos t\u00ednhamos um primeiro esqueleto editado por Aldo. Em seguida, come\u00e7amos a \"enfeitar\" o v\u00eddeo, como se diz, com milhares de detalhes; o document\u00e1rio precisava ter uma linguagem audiovisual m\u00ednima que lhe desse unidade e se encaixasse no significado que quer\u00edamos dar a ele. A imagem que Jennifer desenhou, representando as m\u00e3es e os pais, tornou-se uma esp\u00e9cie de s\u00edmbolo, que Cyntia animou, juntamente com os p\u00e1ra-choques articulados para as diferentes se\u00e7\u00f5es do v\u00eddeo. A isso se somou a assessoria pontual de Luis Miguel Carriedo e Primavera T\u00e9llez.<\/p>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima que Marie-Christine e eu tivemos inicialmente com os defensores dos pais dos 43 foi dilu\u00edda, por v\u00e1rias raz\u00f5es, em um determinado momento da produ\u00e7\u00e3o, o que me fez sentir particularmente desorientado. Por outro lado, havia uma incerteza crescente em mim sobre se havia alguma possibilidade real de chegar \u00e0 verdade e \u00e0 justi\u00e7a com essa comiss\u00e3o e essa administra\u00e7\u00e3o, uma preocupa\u00e7\u00e3o que surgiu ao perceber as d\u00favidas e o desespero em algumas das express\u00f5es das m\u00e3es e dos pais quando parecia que nada estava acontecendo com a comiss\u00e3o por meses. Isso nos obrigou a refletir sobre o significado do v\u00eddeo, caso a senten\u00e7a ou a comiss\u00e3o n\u00e3o atingisse seu objetivo, que seria saber o paradeiro dos meninos, saber a verdade sobre o que aconteceu e que a justi\u00e7a fosse feita aos culpados. Conclu\u00edmos que, mesmo que isso n\u00e3o fosse alcan\u00e7ado, a senten\u00e7a e a comiss\u00e3o mereciam ser documentadas: eram esfor\u00e7os sem precedentes de imagina\u00e7\u00e3o jur\u00eddica na Am\u00e9rica Latina e estavam relacionados a uma luta que era emblem\u00e1tica em nosso pa\u00eds e que quer\u00edamos documentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o surgiu ao pensarmos no final do document\u00e1rio: como ele deveria terminar, quando o processo de luta continua e a comiss\u00e3o ainda enfrenta todos os tipos de problemas devido \u00e0 falta de investiga\u00e7\u00f5es e resultados legais sobre o paradeiro dos meninos; consideramos que seria apropriado terminar com algumas tomadas dram\u00e1ticas, em que as m\u00e3es e os pais exigem em frente \u00e0 Promotoria tudo o que est\u00e1 faltando no processo de investiga\u00e7\u00e3o, um ponto clim\u00e1tico importante, antes das \u00faltimas tomadas de agradecimento. Isso poderia permitir que o v\u00eddeo permanecesse atual at\u00e9 que grande parte da verdade sobre o caso fosse esclarecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de reflex\u00e3o que realizamos durante toda a produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio nos levou a assumir que ele n\u00e3o nos pertencia inteiramente e que n\u00e3o \"sa\u00edmos por conta pr\u00f3pria\" para dizer o que pens\u00e1vamos como produtores do v\u00eddeo sem consultar as m\u00e3es e os pais. Embora tiv\u00e9ssemos tomado a decis\u00e3o de como abordar as entrevistas e escolhido como estruturar o document\u00e1rio, o que contar de forma mais ou menos extensa, quais vozes incluir e como editar o filme, ele precisava receber a aprova\u00e7\u00e3o dos pais e de seus defensores no final. Sem isso, n\u00e3o o transmitir\u00edamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi muito reconfortante enviar alguns dos cortes quase finais do v\u00eddeo para v\u00e1rios dos pais e obter a aprova\u00e7\u00e3o deles; que al\u00edvio; uma das m\u00e3es, Hilda Legide\u00f1o, nos enviou anota\u00e7\u00f5es claras de dois erros espec\u00edficos. Tamb\u00e9m foi muito chocante, pelo menos para mim, ouvir Hilda Hern\u00e1ndez dizer que havia ficado chocada ao ver todo o processo de luta na tela, com a voz embargada, e que seu marido, ap\u00f3s a exibi\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo na <span class=\"small-caps\">uam<\/span> Xochimilco nos convidar\u00e1 a \"fazer uma segunda parte\".<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o momento, o document\u00e1rio foi traduzido para tr\u00eas idiomas e est\u00e1 pronto para embarcar em viagens para outros horizontes e tornar conhecidos \"os novos caminhos da justi\u00e7a\" abertos pelas lutas do caso dos 43.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Clifford, James (1986). \u201cIntroduction: Partial Truths\u201d, en James Clifford y George Marcus (eds.), <em>Writing Culture. The poetics and politics of ethnography<\/em>. 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M\u00e9todo, campo y reflexividad<\/em>. Buenos Aires: Siglo xxi, pp. 15-68.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Haraway, Donna (1988). \u201cSituated Knowledges: the Science Question in Feminism and the Privilege of Partial Perspective\u201d, <em>Feminist Studies<\/em>, vol. 14, n\u00fam. 3, pp. 575-599. https:\/\/doi.org\/10.2307\/3178066<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\"><em>Heraldo de M\u00e9xico<\/em> (2020). \u201cFortalecen Comisi\u00f3n de la Verdad para seguimiento de Ayotzinapa\u201d, <em>El Heraldo de M\u00e9xico.<\/em> Recuperado de https:\/\/heraldodemexico.com.mx\/pais\/fortalecen-comision-de-la-verdad-para-seguimiento-de-ayotzinapa\/, consultado el 26 de agosto de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ranci\u00e8re, Jacques (1996). <em>El desacuerdo. Pol\u00edtica y filosof\u00eda<\/em>. 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Recuperado de https:\/\/www.animalpolitico.com\/2018\/06\/tribunal-ordena-creacion-comision-de-la-verdad-caso-iguala\/consultado el 26 de agosto de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Zires, Margarita (2006). \u201cEl discurso del milagro y la pol\u00edtica\u201d, <em>Versi\u00f3n<\/em>, n\u00fam. 17, pp. 131-160. Recuperado de http:\/\/version.xoc.uam.mx\/tabla_contenido.php?id_fasciculo=143, consultado el 26 de agosto de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2017). \u201cImaginarios religiosos y acci\u00f3n pol\u00edtica en la appo: El Santo Ni\u00f1o de la appo y la Virgen de las Barrikadas\u201d, en Eva Alc\u00e1ntara, Yissel Arce y Rodrigo Parrini, (comp.), <em>Lo complejo y lo transparente. Investigaciones transdisciplinarias en ciencias sociales<\/em>. M\u00e9xico: Universidad Aut\u00f3noma Metropolitana-Xochimilco \/ Imagia Comunicaci\u00f3n, pp. 301-340.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">T\u00edtulo: <em>Abrindo caminhos para a justi\u00e7a. Senten\u00e7a e comiss\u00e3o de Ayotzinapa.<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Dura\u00e7\u00e3o: 37 minutos; cor; M\u00e9xico, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Diretora: Margarita Zires Rold\u00e1n, Universidad Aut\u00f3noma Metropolitana-Xochimilco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Pesquisa: Marie-Christine Doran, University of Ottawa, Canad\u00e1 e Margarita Zires Rold\u00e1n, Universidad Aut\u00f3noma Metropolitana Xochimilco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Roteiro e produ\u00e7\u00e3o coletiva: Margarita Zires Rold\u00e1n, Aldo Cicardi Gonz\u00e1lez, Marie-Christine Doran, Cristian Cal\u00f3nico Lucio, Estefan\u00eda Galicia Argumedo, Jennifer Nieves Garc\u00eda, Diego Vargas Ugalde, Arturo V\u00e1zquez Flores, Cyntia Kent Vida\u00f1os&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Edi\u00e7\u00e3o: Aldo Cicardi Gonz\u00e1lez, Cyntia Kent Vida\u00f1os&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Design gr\u00e1fico e anima\u00e7\u00e3o: Cyntia Kent Vida\u00f1os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">O document\u00e1rio foi selecionado para competir no Independent Film Festival de 2020: <em>11\u00aa edi\u00e7\u00e3o de Against the Silence All Voices (Contra o sil\u00eancio, todas as vozes)<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\" translation-block\"><span class=\"dropcap\">Este texto apresenta uma an\u00e1lise de como a pesquisa e a produ\u00e7\u00e3o do filme document\u00e1rio Abriendo senderos de justicia. A senten\u00e7a e a comiss\u00e3o de Ayotzinapa. Mostra as perspectivas anal\u00edticas e as abordagens narrativas que foram adotadas em diferentes est\u00e1gios de sua cria\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, procura mostrar o processo de envolvimento subjetivo ou o compromisso \u00e9tico-pol\u00edtico dos pesquisadores e produtores no Movimento Ayotzinapa. Tamb\u00e9m explica a import\u00e2ncia de uma senten\u00e7a in\u00e9dita e encorajadora para esse movimento por sua criatividade jur\u00eddica no campo da luta pelos direitos humanos em nosso pa\u00eds, bem como de uma comiss\u00e3o que recupera essa criatividade na conjuntura do governo de L\u00f3pez Obrador, al\u00e9m das dificuldades enfrentadas.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[678,680,683,681,682,679],"coauthors":[551],"class_list":["post-33154","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-11","tag-ayotzinapa","tag-comision-de-ayotzinapa","tag-compromiso-politico","tag-padres-de-los-43","tag-reflexividad-antropologica","tag-sentencia-de-ayotzinapa","personas-margarita-zires","numeros-627"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u00bfD\u00f3nde situarnos para filmar abriendo senderos de justicia. 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