{"id":33151,"date":"2020-09-19T21:55:33","date_gmt":"2020-09-19T21:55:33","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=33151"},"modified":"2023-11-17T18:32:03","modified_gmt":"2023-11-18T00:32:03","slug":"pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil\/","title":{"rendered":"A ascens\u00e3o pol\u00edtica de atores religiosos conservadores. Quatro li\u00e7\u00f5es do caso brasileiro"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Atores religiosos conservadores assumiram uma proemin\u00eancia pol\u00edtica crescente no Brasil e contribu\u00edram para a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro. Complementando as li\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dessa ascens\u00e3o, este artigo se concentra em quatro li\u00e7\u00f5es anal\u00edticas. A primeira se\u00e7\u00e3o desafia a ideia de um \"voto evang\u00e9lico\". Embora a maioria dos evang\u00e9licos tenha votado em Bolsonaro, eles n\u00e3o votaram como um bloco, e a polariza\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira se refletiu em diferentes ramos do evangelicalismo. A segunda parte contesta a relev\u00e2ncia da afilia\u00e7\u00e3o religiosa como uma categoria anal\u00edtica central para apreender o fen\u00f4meno. Por tr\u00e1s de uma aparente oposi\u00e7\u00e3o entre cat\u00f3licos e evang\u00e9licos, a batalha \u00e9 entre correntes conservadoras e progressistas que atravessam cada religi\u00e3o. A terceira parte lembra que um fator central nessa ascens\u00e3o pol\u00edtica pode ser encontrado em uma mudan\u00e7a escatol\u00f3gica, que favorece o envolvimento dos paroquianos na arena pol\u00edtica. A quarta se\u00e7\u00e3o questiona a oposi\u00e7\u00e3o radical entre governos progressistas e atores religiosos conservadores e enfatiza a consolida\u00e7\u00e3o desses \u00faltimos na arena pol\u00edtica durante as presid\u00eancias do Partido dos Trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/brasil\/\" rel=\"tag\">Brasil<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/conservadurismo\/\" rel=\"tag\">conservadorismo<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/evangelicos\/\" rel=\"tag\">evang\u00e9licos<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/neopentecostales\/\" rel=\"tag\">Neopentecostais<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/religion-y-politica\/\" rel=\"tag\">religi\u00e3o e pol\u00edtica<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/voto-evangelico\/\" rel=\"tag\">voto evang\u00e9lico<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\"><span class=\"small-caps\">Evang\u00e9licos conservadores e pol\u00edtica: algumas li\u00e7\u00f5es no caso do Brasil<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">Este artigo argumenta que as categorias anal\u00edticas relevantes para entender o protagonismo pol\u00edtico de atores religiosos conservadores no Brasil n\u00e3o s\u00e3o a ades\u00e3o a uma igreja, mas sim as tend\u00eancias conservadoras e progressistas que passam por obedi\u00eancias religiosas. O argumento \u00e9 sustentado por uma an\u00e1lise da distribui\u00e7\u00e3o dos eleitores das elei\u00e7\u00f5es presidenciais por religi\u00e3o, vencida por Jair Bolsonaro e que destaca a import\u00e2ncia da mudan\u00e7a escatol\u00f3gica operada pelos evang\u00e9licos conservadores no Brasil. Eles assumiram o compromisso pol\u00edtico como uma ferramenta para a transforma\u00e7\u00e3o moral e cultural da sociedade. Esse projeto de longo prazo passou pela consolida\u00e7\u00e3o do protagonismo pol\u00edtico dos evang\u00e9licos conservadores durante os mandatos dos presidentes progressistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">Palavras-chave: Conservadorismo, evang\u00e9licos, Brasil, neopentecostais, pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">Em 2016, no que muitos analistas consideram um \"golpe de Estado institucional\" (Jinkings Murilo, 2016), 52 dos 513 deputados federais brasileiros que votaram no processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff declararam que o fizeram em nome de Deus e por motivos religiosos (Almeida, 2017). Dois anos depois, o presidente de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro, se beneficiou do forte apoio de l\u00edderes evang\u00e9licos conservadores durante a campanha eleitoral de 2018. Cat\u00f3lico, \"batizado\" na Jord\u00e2nia por um pastor neopentecostal (Oualalou, 2019), ele adotou como slogan de sua campanha \"Brasil acima de tudo. Deus acima de tudo\", e intitulou seu programa de governo \"o caminho da prosperidade\", em refer\u00eancia direta \u00e0 \"teologia da prosperidade\" professada por pastores neopentecostais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses dois epis\u00f3dios-chave da pol\u00edtica brasileira contempor\u00e2nea, os atores religiosos conservadores desempenharam um papel fundamental e invocaram explicitamente sua f\u00e9 como motiva\u00e7\u00e3o para seu voto e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Em seu artigo \"O povo evang\u00e9lico: constru\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica, disputa de minorias e rea\u00e7\u00e3o conservadora\", o proeminente cientista pol\u00edtico e soci\u00f3logo da religi\u00e3o Joanildo Burity analisa alguns dos principais mecanismos do crescente protagonismo dos evang\u00e9licos conservadores no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro. Ele mostra a necessidade de situ\u00e1-los em um processo hist\u00f3rico que, desde a d\u00e9cada de 1980, tem dado crescente proemin\u00eancia a atores religiosos conservadores na arena pol\u00edtica brasileira. A relev\u00e2ncia de seu artigo e de sua an\u00e1lise vai al\u00e9m do caso do Brasil. Atores religiosos conservadores t\u00eam adquirido crescente influ\u00eancia pol\u00edtica em v\u00e1rios pa\u00edses das Am\u00e9ricas e do mundo. Para aqueles que n\u00e3o moram no Brasil e n\u00e3o s\u00e3o especialistas nesse pa\u00eds, o artigo de Joanildo Burity \u00e9 um convite para aprender as li\u00e7\u00f5es de um processo religioso, pol\u00edtico, cultural e social que levou um pol\u00edtico menor de extrema direita \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica do maior pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa perspectiva, esta contribui\u00e7\u00e3o combina uma an\u00e1lise do \"voto evang\u00e9lico\" nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2018 no Brasil com an\u00e1lises de evolu\u00e7\u00f5es religiosas, pol\u00edticas e culturais de maior alcance que constituem fatores importantes na crescente influ\u00eancia pol\u00edtica de atores religiosos conservadores. Desde a an\u00e1lise do voto dos paroquianos evang\u00e9licos em 2018 at\u00e9 as evolu\u00e7\u00f5es escatol\u00f3gicas implementadas por uma parte dos l\u00edderes evang\u00e9licos no Brasil, mostra que os evang\u00e9licos n\u00e3o t\u00eam comportamentos pol\u00edticos e eleitorais uniformes. Portanto, argumento que \u00e9 necess\u00e1rio rejeitar os \"evang\u00e9licos\" como uma categoria anal\u00edtica relevante em termos de comportamento eleitoral e relacionamento com a pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>O apoio dos evang\u00e9licos foi decisivo para a vit\u00f3ria eleitoral do l\u00edder da extrema direita brasileira. Entretanto, os evang\u00e9licos n\u00e3o agiram como um bloco por tr\u00e1s de sua candidatura. Pelo contr\u00e1rio, a polariza\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira se refletiu nos diferentes ramos do evangelicalismo e, em particular, entre os paroquianos das igrejas neopentecostais. Com base nas pesquisas eleitorais, argumento que a polariza\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira se reflete entre os correligion\u00e1rios neopentecostais, pois eles adotaram atitudes contrastantes em rela\u00e7\u00e3o aos dois candidatos nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o significa negar que a religi\u00e3o seja um fator importante no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro. Entretanto, como sugere a segunda se\u00e7\u00e3o do artigo, as categorias anal\u00edticas relevantes n\u00e3o s\u00e3o a ades\u00e3o ao catolicismo ou a uma igreja evang\u00e9lica, mas a orienta\u00e7\u00e3o conservadora ou progressista dos paroquianos. A batalha que est\u00e1 ocorrendo no Brasil, como em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo, n\u00e3o coloca cat\u00f3licos de um lado contra evang\u00e9licos de outro, mas sim correntes religiosas conservadoras e progressistas que atravessam diferentes denomina\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na terceira se\u00e7\u00e3o, argumento que o principal fator por tr\u00e1s da crescente presen\u00e7a pol\u00edtica dos neopentecostais e dos evang\u00e9licos conservadores \u00e9 uma mudan\u00e7a escatol\u00f3gica. Os l\u00edderes das igrejas pentecostais e neopentecostais difundiram uma nova maneira de interpretar as Escrituras no Brasil, que se traduz em uma mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o entre a religi\u00e3o e o mundo, especialmente nos assuntos econ\u00f4micos e pol\u00edticos. A quarta se\u00e7\u00e3o aponta para uma li\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do caso brasileiro: os atores religiosos conservadores se consolidaram e se tornaram atores pol\u00edticos importantes no cen\u00e1rio brasileiro durante os mandatos de presidentes progressistas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os evang\u00e9licos na elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2018<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">A contribui\u00e7\u00e3o dos evang\u00e9licos para a vit\u00f3ria eleitoral de Jair Bolsonaro em 2018 tornou-se uma refer\u00eancia frequentemente citada entre cientistas pol\u00edticos e soci\u00f3logos para ilustrar a for\u00e7a que os evang\u00e9licos ganharam no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a afilia\u00e7\u00e3o religiosa do eleitor n\u00e3o \u00e9 indicada nos resultados das elei\u00e7\u00f5es, os analistas brasileiros se baseiam na pesquisa pr\u00e9-eleitoral nacional, realizada pelo Instituto Datafolha em 24 e 25 de outubro de 2018, tr\u00eas dias antes das elei\u00e7\u00f5es de 28 de outubro de 2018. Os resultados da pesquisa foram revelados como muito pr\u00f3ximos da vota\u00e7\u00e3o no segundo turno e t\u00eam a vantagem de mostrar a distribui\u00e7\u00e3o das inten\u00e7\u00f5es de voto por afilia\u00e7\u00e3o religiosa. Ela mostra que os evang\u00e9licos deram a Bolsonaro 11,55 milh\u00f5es de votos a mais do que o candidato do Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad. Isso \u00e9 mais do que os 10,72 milh\u00f5es de votos que separaram os dois candidatos no segundo turno da elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa pesquisa continua sendo um dos dados mais usados entre os analistas para afirmar o apoio maci\u00e7o dado pelos evang\u00e9licos a Bolsonaro (veja, por exemplo, Diniz, 2018; Oualalou, 2019; Almeida, 2019) e para provar o peso dos evang\u00e9licos nessa elei\u00e7\u00e3o, bem como seu peso crescente como ator na pol\u00edtica brasileira. Portanto, \u00e9 apresentado como um caso ideal para testar a validade de \"evang\u00e9licos\" como uma categoria anal\u00edtica de comportamento pol\u00edtico e eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, al\u00e9m da contribui\u00e7\u00e3o decisiva dos evang\u00e9licos para a vit\u00f3ria de Bolsonaro, essa mesma tabela tamb\u00e9m aponta para outras li\u00e7\u00f5es que, embora menos espetaculares, n\u00e3o s\u00e3o menos relevantes para a compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o e pol\u00edtica no Brasil (e em outros pa\u00edses). Dois n\u00fameros em particular questionam a homogeneidade interna das denomina\u00e7\u00f5es religiosas em termos de suas prefer\u00eancias eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num6-multimedia\/pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil-tabla_1.png\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"661x277\" data-index=\"0\" data-caption=\"Tabla 1\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num6-multimedia\/pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil-tabla_1.png\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Tabela 1<\/div><div class=\"image-analysis\"><p>Distribui\u00e7\u00e3o do eleitorado por religi\u00e3o. Diniz Alves (2018), com base na pesquisa Datafolha de 24-25 de outubro de 2018.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a><\/p>\n<\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Cerca de um ter\u00e7o dos evang\u00e9licos (31.74%) votou contra Bolsonaro e a favor de Haddad. Embora Bolsonaro tenha obtido apoio majorit\u00e1rio entre os evang\u00e9licos, eles n\u00e3o agiram como um bloco \u00fanico. Apesar do clima \"anti-PT\" que dominou o palco e a m\u00eddia brasileira (Bringel e Domingues, 2018), mais de dez milh\u00f5es de evang\u00e9licos votaram no candidato do PT.<\/li><li>Se os evang\u00e9licos n\u00e3o foram un\u00e2nimes, os cat\u00f3licos foram ainda menos. Seus votos foram divididos em propor\u00e7\u00f5es quase iguais entre os dois candidatos, com uma leve vantagem para Bolsonaro. Sem os 50.14% de cat\u00f3licos que votaram nele, ele n\u00e3o teria vencido a elei\u00e7\u00e3o.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>A categoria de \"evang\u00e9licos\" agrupa uma grande diversidade de igrejas e denomina\u00e7\u00f5es. De fato, os dados da mesma pesquisa mostram diferen\u00e7as significativas entre seus v\u00e1rios ramos. A Tabela 2 revela que o padr\u00e3o de vota\u00e7\u00e3o dos evang\u00e9licos neopentecostais (49% a favor de Bolsonaro) est\u00e1 muito mais pr\u00f3ximo dos cat\u00f3licos (44%) do que de outras denomina\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas, particularmente os pentecostais (62%).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num6-multimedia\/pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil-tabla_2.png\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"803x328\" data-index=\"0\" data-caption=\"Tabla 2\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num6-multimedia\/pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil-tabla_2.png\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Tabela 2<\/div><div class=\"image-analysis\"><p>Pergunta: No pr\u00f3ximo domingo, haver\u00e1 um segundo turno das elei\u00e7\u00f5es para Presidente da Rep\u00fablica. Se o segundo turno das elei\u00e7\u00f5es fosse hoje, em quem voc\u00ea votaria? (Resposta estimulada e \u00fanica, em %). Fonte: Datafolha, 2018: 31.<\/p>\n<\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Outra li\u00e7\u00e3o importante dessa pesquisa est\u00e1 nos resultados de outra pergunta, muito menos comentada do que a anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o pa\u00eds sempre tenha sido dividido entre diferentes posi\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas e caracterizado pelo racismo e pela viol\u00eancia institucional (Costa de Almeida, 2019), ele foi seguido por um processo de polariza\u00e7\u00e3o crescente ap\u00f3s os protestos de junho de 2013 (Bringel e Pleyers, 2015). Essa polariza\u00e7\u00e3o aumenta a divis\u00e3o da sociedade brasileira em posi\u00e7\u00f5es marcadas por uma rejei\u00e7\u00e3o radical do campo pol\u00edtico advers\u00e1rio. Nessa pesquisa eleitoral, a polariza\u00e7\u00e3o se reflete nos altos n\u00fameros de rejei\u00e7\u00e3o absoluta aos dois candidatos no turno final das elei\u00e7\u00f5es de 2018. Assim, 44% dos pesquisados n\u00e3o votariam em Bolsonaro por nenhum motivo, percentual que cresce ainda mais em rela\u00e7\u00e3o a Haddad (52%).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num6-multimedia\/pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil-tabla_3.png\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"805x480\" data-index=\"0\" data-caption=\"Tabla 3\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num6-multimedia\/pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil-tabla_3.png\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Tabela 3<\/div><div class=\"image-analysis\"><p>\"Entre esses candidatos \u00e0 presid\u00eancia, gostaria que o(a) sr(a) me dissesse se votaria com certeza, talvez votasse ou n\u00e3o votaria de jeito nenhum.\" (Resposta \u00fanica, em %). Fonte: Datafolha, 2018: 43.<\/p>\n<\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>A campanha de Bolsonaro foi tanto um resultado quanto uma intensifica\u00e7\u00e3o dessa polariza\u00e7\u00e3o, a ponto de ele ter mediatizado sua proximidade com as igrejas pentecostais e neopentecostais, beneficiando-se do apoio de seus principais l\u00edderes pol\u00edticos, religiosos e da m\u00eddia durante essa campanha t\u00e3o conflituosa. As an\u00e1lises apontam para o impacto decisivo do voto evang\u00e9lico em favor de Bolsonaro, que n\u00e3o teve um apoio t\u00e3o claro entre os paroquianos de nenhuma outra denomina\u00e7\u00e3o. Os dados pareciam comprovar o cen\u00e1rio de uma polariza\u00e7\u00e3o entre as igrejas evang\u00e9licas (mais a minoria judaica) e o restante da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>O que essa pesquisa indica \u00e9 uma realidade muito diferente. Ela mostra a polariza\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira, <em>n\u00e3o est\u00e1 ativo apenas entre diferentes afilia\u00e7\u00f5es religiosas, mas tamb\u00e9m dentro de cada uma delas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A divis\u00e3o dos cat\u00f3licos contra Bolsonaro, vista na Tabela 1, revela uma primeira lacuna nesse cen\u00e1rio, com uma propor\u00e7\u00e3o id\u00eantica e muito alta rejeitando ambos os candidatos. Assim, 48% dos cat\u00f3licos declaram que n\u00e3o votariam em Bolsonaro por nenhum motivo, porcentagem que se repete para Haddad (Tabela 3).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o que quebra o cen\u00e1rio de polariza\u00e7\u00e3o entre diferentes afilia\u00e7\u00f5es religiosas \u00e9 o caso dos neopentecostais. A forte proemin\u00eancia de seus l\u00edderes durante a campanha eleitoral de Bolsonaro, juntamente com a promo\u00e7\u00e3o de temas morais conservadores na pol\u00edtica e na m\u00eddia brasileiras, sugeriu um apoio maci\u00e7o ao candidato entre seus paroquianos.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa mostra o contr\u00e1rio, sendo um dos ramos mais divididos em rela\u00e7\u00e3o ao candidato conservador. Quando pesquisados tr\u00eas dias antes das elei\u00e7\u00f5es, 44% dos neopentecostais escolheram a op\u00e7\u00e3o \"n\u00e3o votaria de jeito nenhum\" em Jair Bolsonaro, a mesma porcentagem dos que votariam com certeza nele (outros 9% talvez votassem nele, e 3% n\u00e3o sabiam). J\u00e1 no caso de Fernando Haddad, 331 PT3T votariam \"com certeza\" nele (371 PT3T de cat\u00f3licos), e 521 PT3T sem motivo (a mesma porcentagem entre os cat\u00f3licos) (<em>Datafolha<\/em>, 2018: 43).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, as atitudes dos neopentecostais em rela\u00e7\u00e3o a Bolsonaro e Haddad confirmam uma proximidade muito maior com os eleitores cat\u00f3licos (46% com certeza e 44% de forma alguma), com n\u00fameros quase id\u00eanticos, em rela\u00e7\u00e3o aos outros ramos evang\u00e9licos. De fato, os n\u00fameros sugerem que uma categoria ainda mais relevante, e que revelaria o impacto da afilia\u00e7\u00e3o religiosa nas atitudes de forte apoio ou rejei\u00e7\u00e3o aos candidatos, seria separar os neopentecostais dos demais evang\u00e9licos (tradicionais, pentecostais e outros evang\u00e9licos), que t\u00eam prefer\u00eancias muito mais semelhantes (Tabela 4).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num6-multimedia\/pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil-tabla_4.png\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"661x392\" data-index=\"0\" data-caption=\"Tabla 4\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num6-multimedia\/pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil-tabla_4.png\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Tabela 4<\/div><div class=\"image-analysis\"><p>Diferen\u00e7as entre evang\u00e9licos neopentecostais, cat\u00f3licos, outros evang\u00e9licos e a popula\u00e7\u00e3o nacional. Composi\u00e7\u00e3o do autor com base nos n\u00fameros do Datafolha (2018: 43) retirados da tabela 3 e considerando as pondera\u00e7\u00f5es entre os ramos evang\u00e9licos.<\/p>\n<\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Provavelmente, a descoberta mais surpreendente dessa pesquisa \u00e9 que, entre todas as categorias religiosas, a atitude dos neopentecostais em rela\u00e7\u00e3o aos dois candidatos \u00e9 a mais pr\u00f3xima da m\u00e9dia brasileira. Em outras palavras, os paroquianos neopentecostais eram t\u00e3o polarizados entre si quanto a sociedade brasileira como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa polariza\u00e7\u00e3o interna dos neopentecostais contrasta com a forte mobiliza\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios l\u00edderes religiosos e pol\u00edticos em favor de Bolsonaro. Durante toda a campanha eleitoral, o candidato de extrema direita p\u00f4de contar com as redes sociais, a experi\u00eancia e o apoio material das igrejas conservadoras, incluindo o terceiro maior canal de televis\u00e3o do Brasil (<em>Intervozes<\/em>, 2019), TV Record. Esse canal faz parte de um conglomerado de propriedade do fundador e l\u00edder da maior igreja neopentecostal do Brasil, o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. Embora seja prov\u00e1vel que a mobiliza\u00e7\u00e3o desses l\u00edderes religiosos tenha tido um impacto em parte do eleitorado, os resultados dessa pesquisa sugerem que eles n\u00e3o conseguiram unificar seus fi\u00e9is em torno de seu candidato e que seu efeito foi bastante limitado, tanto entre eles quanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos qualitativos e quantitativos para explicar e aprofundar essa impressionante polariza\u00e7\u00e3o interna entre os neopentecostais brasileiros e o contraste com a imagem dada por l\u00edderes religiosos, pol\u00edticos e da m\u00eddia dessas igrejas como uma base eleitoral s\u00f3lida e inquestion\u00e1vel para Bolsonaro. Uma hip\u00f3tese cr\u00edvel que vale a pena testar \u00e9 que essa ruptura entre afilia\u00e7\u00e3o religiosa e voto entre os neopentecostais brasileiros pode ser vista como uma extens\u00e3o em outra esfera de um fen\u00f4meno demonstrado por uma longa s\u00e9rie de estudos sobre religi\u00e3o na Am\u00e9rica Latina (De la Torre e Mart\u00edn, 2016): a ruptura da falsa singularidade entre cren\u00e7a e pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os atores da batalha<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">A elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2018 \u00e9 amplamente usada para ilustrar a for\u00e7a dos evang\u00e9licos no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro. Uma an\u00e1lise aprofundada dessa pesquisa n\u00e3o nega o impacto dos evang\u00e9licos conservadores na vit\u00f3ria eleitoral de Bolsonaro, nem a for\u00e7a que adquiriram no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro, mas questiona a relev\u00e2ncia de \"evang\u00e9licos\" como unidade de an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>Dada sua estrutura descentralizada, a aus\u00eancia de uma autoridade moral comum para interpretar as escrituras e a autonomia de suas igrejas, a heterogeneidade interna dos \"evang\u00e9licos\" \u00e9 vasta em quase todas as quest\u00f5es e prefer\u00eancias. Joanildo Burity insiste na heterogeneidade dos evang\u00e9licos, \"\u00e9 preciso admitir que n\u00e3o h\u00e1 um centro irradiador, nem de sentido nem de dire\u00e7\u00e3o, do que significa ser evang\u00e9lico. Ele se tornou uma afilia\u00e7\u00e3o que reagrupa correntes muito diversas, em termos de sua interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia, sua maneira de se conectar com o mundo e a pol\u00edtica ou suas pr\u00e1ticas\". No entanto, muitas an\u00e1lises e estat\u00edsticas dispon\u00edveis sobre participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica continuam a apontar os \"evang\u00e9licos\" como unidade anal\u00edtica, indicando, por exemplo, quem vota e como se distingue dos cat\u00f3licos, quantos participam como candidatos em cada partido pol\u00edtico (Gerardi Dirceu, 2016: 16) ou o n\u00famero de \"evang\u00e9licos\" eleitos para o parlamento em elei\u00e7\u00f5es sucessivas (Tadvald, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>A ado\u00e7\u00e3o de afilia\u00e7\u00f5es religiosas como as principais categorias anal\u00edticas leva a ocultar a heterogeneidade interna de cada confiss\u00e3o. Tamb\u00e9m leva a ocultar outras divis\u00f5es e tens\u00f5es que t\u00eam maior relev\u00e2ncia anal\u00edtica para a compreens\u00e3o dos atores religiosos brasileiros e sua rela\u00e7\u00e3o com a pol\u00edtica. Esse \u00e9 particularmente o caso da divis\u00e3o entre correntes conservadoras e progressistas que atravessa as religi\u00f5es e os ramos do evangelicalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A batalha que est\u00e1 sendo travada no Brasil, assim como em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo, n\u00e3o coloca cat\u00f3licos de um lado contra evang\u00e9licos do outro, mas correntes conservadoras e progressistas que atravessam essas religi\u00f5es e suas igrejas. Os fi\u00e9is de ambos os lados se dividiram na vota\u00e7\u00e3o de Bolsonaro, e est\u00e3o divididos em in\u00fameras quest\u00f5es. A batalha que mais uma vez assume grande import\u00e2ncia no campo pol\u00edtico, cultural e social op\u00f5e atores hist\u00f3ricos que n\u00e3o correspondem precisamente a igrejas ou organiza\u00e7\u00f5es, mas que as atravessam. Esses atores religiosos progressistas e conservadores podem ser interpretados como movimentos sociais no sentido dado por Alain Touraine (1981): atores hist\u00f3ricos que t\u00eam uma vis\u00e3o de mundo e contestam as orienta\u00e7\u00f5es culturais de uma sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento religioso progressista que Michael L\u00f6wy (1997) identificou como \"cristianismo de liberta\u00e7\u00e3o\" \u00e9 acompanhado por outro movimento conservador e reacion\u00e1rio que ganhou for\u00e7a no Brasil e em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo, tanto entre os evang\u00e9licos quanto entre os cat\u00f3licos. De fato, at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 2000, as correntes cat\u00f3licas conservadoras eram mais proeminentes do que as neopentecostais na vida social e pol\u00edtica brasileira. Brenda Carranza e Christina Vital da Cunha (2018) mostram, por exemplo, como, durante a d\u00e9cada de 1990, os representantes neopentecostais operaram como uma for\u00e7a de apoio aos cat\u00f3licos conservadores em torno de causas comuns, como a oposi\u00e7\u00e3o ao aborto. Vale lembrar tamb\u00e9m que a \"ideologia de g\u00eanero\" n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o neopentecostal, mas cat\u00f3lica (Junqueira, 2017). Ela surgiu em meados da d\u00e9cada de 1990, no Pontif\u00edcio Conselho para a Fam\u00edlia e na Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9. Em 1997, o Cardeal Ratzinger publicou o livro <em>A agenda de g\u00eanero<\/em>que continua sendo uma refer\u00eancia essencial entre os fundamentalistas cat\u00f3licos e neopentecostais para uma agenda moral centrada em quest\u00f5es como a oposi\u00e7\u00e3o ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, est\u00e1 claro que nem todos os evang\u00e9licos s\u00e3o conservadores. Os paroquianos luteranos, metodistas e presbiterianos que formam a maioria dos \"evang\u00e9licos hist\u00f3ricos\" t\u00eam se envolvido em correntes progressistas, como a teologia da liberta\u00e7\u00e3o, em propor\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s dos cat\u00f3licos no Brasil (L\u00f6wy, 1997, cap\u00edtulo 8). De fato, v\u00e1rios representantes desses \"evang\u00e9licos hist\u00f3ricos\" optaram por n\u00e3o se juntar \u00e0 influente \"frente evang\u00e9lica\" ou \"bancada evang\u00e9lica\" que re\u00fane deputados e senadores evang\u00e9licos conservadores de diferentes partidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as li\u00e7\u00f5es de Alain Touraine (1981) para o estudo dos movimentos sociais mais relevantes para a compreens\u00e3o dos atores religiosos no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro est\u00e1 a de evitar a confus\u00e3o entre um movimento social (considerado como um ator hist\u00f3rico) e uma organiza\u00e7\u00e3o concreta. Da mesma forma, no Brasil, <em>As categorias anal\u00edticas relevantes n\u00e3o s\u00e3o as igrejas ou a ades\u00e3o ao catolicismo ou a uma igreja evang\u00e9lica, mas as correntes religiosas conservadoras e progressistas que permeiam essas igrejas. <\/em>A batalha entre os atores religiosos conservadores e progressistas n\u00e3o coloca a Igreja Cat\u00f3lica contra as igrejas evang\u00e9licas. Pelo contr\u00e1rio, ela \u00e9 transversal a essas organiza\u00e7\u00f5es religiosas. Como Joanildo Burity explica em seu artigo, \"foi necess\u00e1rio derrotar segmentos moderados ('progressistas') do campo evang\u00e9lico, hist\u00f3rico e pentecostal para que surgisse a face francamente reacion\u00e1ria de uma poderosa elite parlamentar e pastoral\". Da mesma forma, a virada conservadora no Vaticano, que se fortaleceu com Jo\u00e3o Paulo II, traduziu-se em uma luta contra a teologia da liberta\u00e7\u00e3o, juntamente com a marginaliza\u00e7\u00e3o de padres e bispos pr\u00f3ximos a essa corrente na Igreja Cat\u00f3lica brasileira e latino-americana (Houtart, 2006; Pleyers, 2020).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma mudan\u00e7a escatol\u00f3gica<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">No Brasil, assim como na maioria dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e do Sul, novas igrejas evang\u00e9licas est\u00e3o atraindo um n\u00famero crescente de paroquianos. Em 1980, o Brasil tinha 89% cat\u00f3licos e era uma das principais \u00e1reas do cristianismo progressista. No \u00faltimo censo dispon\u00edvel (<em>Datafolha<\/em>2016), apenas 50% da popula\u00e7\u00e3o se identifica como cat\u00f3lica e a propor\u00e7\u00e3o de \"evang\u00e9licos hist\u00f3ricos\" permaneceu est\u00e1vel nos \u00faltimos 40 anos: 6,6% em 1980 e 7% em 2016. Enquanto isso, o n\u00famero de fi\u00e9is nas novas igrejas evang\u00e9licas disparou. Quase inexistentes no Brasil em 1980, eles representam 22% da popula\u00e7\u00e3o nacional em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero cada vez maior de evangelistas e o crescente impacto pol\u00edtico das igrejas pentecostais e neopentecostais parecem ser um fator fundamental para a crescente proemin\u00eancia desses atores na arena pol\u00edtica. O aumento do n\u00famero de paroquianos em suas igrejas proporcionou uma base mais ampla para que os pastores e candidatos dessas igrejas divulgassem seus discursos e reunissem mais recursos. No entanto, a principal raiz da mudan\u00e7a na influ\u00eancia pol\u00edtica dos neopentecostais est\u00e1 menos na mudan\u00e7a quantitativa representada pelo n\u00famero crescente de paroquianos do que em uma mudan\u00e7a qualitativa: uma nova forma de interpretar as Escrituras, que se traduz em uma mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o entre a religi\u00e3o e o mundo, especialmente nos assuntos econ\u00f4micos e pol\u00edticos. Essa escatologia foi desenvolvida no Brasil por l\u00edderes de igrejas pentecostais e neopentecostais e prop\u00f5e, entre outras coisas, uma vis\u00e3o do papel que a f\u00e9, as igrejas e os crentes devem ter na vida pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, a maioria dos evang\u00e9licos rejeitou explicitamente o mundo e a pol\u00edtica, motivados por uma \u00e9tica asc\u00e9tica e puritana orientada para a conquista da salva\u00e7\u00e3o extramundana (Algranati, 2010). No Brasil, at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, a maioria das igrejas pentecostais se opunha \u00e0 participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nos processos eleitorais (Mariano, 2011). E, ainda hoje, muitos evang\u00e9licos separam o pol\u00edtico do religioso e evitam ser protagonistas no cen\u00e1rio pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o protestantismo convidou os crentes a fugir dos valores mundanos para ganhar a salva\u00e7\u00e3o na vida eterna, novas interpreta\u00e7\u00f5es das Escrituras surgiram nas igrejas pentecostais e neopentecostais no Brasil e ganharam impulso a partir da d\u00e9cada de 1990, como aconteceu anteriormente nos Estados Unidos. Elas combinam duas interpreta\u00e7\u00f5es das Escrituras. Por um lado, a \"teologia da prosperidade\" n\u00e3o exorta os paroquianos a rejeitarem os valores mundanos; pelo contr\u00e1rio, ela v\u00ea no sucesso material os sinais da b\u00ean\u00e7\u00e3o divina e a recompensa por atos virtuosos (e pelo cumprimento do pagamento do d\u00edzimo \u00e0 igreja). De acordo com essa interpreta\u00e7\u00e3o, se Deus aben\u00e7oa um de seus fi\u00e9is, ele lhe d\u00e1 uma \"b\u00ean\u00e7\u00e3o total\" e deseja que ele seja feliz nas diferentes \u00e1reas de sua vida, desde a sa\u00fade at\u00e9 o sucesso profissional e sua situa\u00e7\u00e3o financeira. Por outro lado, a \"teoria do reino\" convida os fi\u00e9is a \"trabalhar ativamente para a restaura\u00e7\u00e3o do reino de Deus na Terra\" (P\u00e9rez Guadalupe, 2018: 38; Algranti, 2010). Os paroquianos devem contribuir para a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade como um todo e n\u00e3o apenas da comunidade de crentes, como \u00e9 o caso das comunidades evang\u00e9licas hist\u00f3ricas, conforme explicado pelo bispo fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, em seu influente livro <em>Plano de poder. Deus, crist\u00e3os e pol\u00edtica<\/em> (2008).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Li\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do sucesso de atores religiosos conservadores durante os governos do PT<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Como Joanildo Burity lembra em sua contribui\u00e7\u00e3o, a ascens\u00e3o de Bolsonaro \u00e0 presid\u00eancia do Brasil com o apoio de v\u00e1rias igrejas evang\u00e9licas neopentecostais e conservadoras \u00e9 a culmina\u00e7\u00e3o de um longo processo que come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1980. J\u00e1 em 1986, doze neopentecostais foram eleitos para o Congresso Federal. Nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xx<\/span>gradualmente se envolveram na esfera p\u00fablica. Seus membros se filiaram a diferentes partidos pol\u00edticos e contribu\u00edram para a funda\u00e7\u00e3o de alguns (Machado e Burity, 2014). Durante essas quatro d\u00e9cadas, os atores religiosos conservadores, e em particular os neopentecostais, demonstraram uma extraordin\u00e1ria capacidade de adapta\u00e7\u00e3o ao sistema pol\u00edtico brasileiro e \u00e0s sucessivas mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7as no cen\u00e1rio pol\u00edtico do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma importante li\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do caso brasileiro est\u00e1 na consolida\u00e7\u00e3o desses atores e seu impacto pol\u00edtico, cultural e social durante os mandatos dos presidentes progressistas Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Se hoje os atores pol\u00edticos reacion\u00e1rios acusam o Partido dos Trabalhadores de todos os pecados do Brasil, em sua \u00e9poca os representantes conservadores neopentecostais e evang\u00e9licos se acomodaram aos governos do <span class=\"small-caps\">pt<\/span> e conseguiu refor\u00e7ar sua presen\u00e7a e peso ao longo desses 13 anos (Tadvald, 2015). A Igreja Universal do Reino de Deus, a principal igreja neopentecostal do Brasil, entrou no governo petista em 2003, primeiramente por meio do Partido Liberal (PL).<span class=\"small-caps\">pl<\/span>) e depois pelo Partido Republicano Brasileiro (<span class=\"small-caps\">prb)<\/span>. Ele permaneceu no governo at\u00e9 poucas semanas antes do impeachment da Presidente Dilma Roussef (Almeida, 2019). Marcello Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Cristo e sobrinho de seu fundador, participou da funda\u00e7\u00e3o do Partido Republicano Brasileiro (<span class=\"small-caps\">prb),<\/span> que atuou como aliado de Lula durante dois de seus mandatos presidenciais; em seguida, atuou como Ministro da Pesca e Agricultura no governo de Dilma Rousseff entre 2012 e 2014, antes de se tornar prefeito do Rio de Janeiro em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma ferramenta importante para a consolida\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia dos evang\u00e9licos no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro \u00e9 a Frente Parlamentar Evang\u00e9lica, formada em 2003, no in\u00edcio do primeiro mandato presidencial de Lula. Trata-se de um agrupamento de deputados e senadores de v\u00e1rias igrejas evang\u00e9licas eleitos por diferentes partidos pol\u00edticos (Trevisan, 2013). A influ\u00eancia dessa frente cresceu consideravelmente durante as presid\u00eancias de <span class=\"small-caps\">pt<\/span>. Ela se destacou por sua grande efic\u00e1cia nas negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com o governo nacional (Machado, 2012). A composi\u00e7\u00e3o altamente fragmentada das c\u00e2maras de deputados e do senado significa que o governo tem de buscar alian\u00e7as com diferentes fra\u00e7\u00f5es para a ado\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas e leis que promove. Os governos de coaliz\u00e3o sob as presid\u00eancias dos <span class=\"small-caps\">pt<\/span> encontrou na frente evang\u00e9lica um aliado necess\u00e1rio para apoiar v\u00e1rias leis sociais em favor das popula\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias. Por outro lado, o <span class=\"small-caps\">pt<\/span> cederam em quest\u00f5es que eram centrais para a agenda dos atores religiosos conservadores. Durante seus mandatos, os presidentes progressistas usaram as quest\u00f5es de g\u00eanero como moeda de troca para negociar com os conservadores. Eles abriram m\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas de g\u00eanero para manter o apoio dos evang\u00e9licos em outras \u00e1reas (Mattos, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as principais conquistas da frente evang\u00e9lica est\u00e1 o cancelamento de uma cartilha anti-homofobia para escolas p\u00fablicas em maio de 2011. Em conflu\u00eancia com os ataques de atores religiosos conservadores contra o que eles designaram como \"ideologia de g\u00eanero\", o ent\u00e3o deputado Jair Bolsonaro descreveu o programa anti-homofobia iniciado pelo governo como \"ideologia de g\u00eanero\". <span class=\"small-caps\">pt<\/span> em 2004 como <em>Kit-gay<\/em>. Em 2011, parlamentares evang\u00e9licos e cat\u00f3licos conservadores amea\u00e7aram bloquear as pol\u00edticas econ\u00f4micas e sociais do governo se a cartilha fosse distribu\u00edda nas escolas. Embora a cartilha tenha sido aprovada como material educacional e j\u00e1 tenha sido impressa, o presidente teve de ceder \u00e0 press\u00e3o. Outra vit\u00f3ria da bancada evang\u00e9lica foi a nomea\u00e7\u00e3o de Marco Feliciano, pastor da igreja neopentecostal \"Catedral do Avivamento\", conhecido por suas declara\u00e7\u00f5es homof\u00f3bicas, para a Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Minorias da C\u00e2mara dos Deputados em 2013 (Tadvald, 2015). Al\u00e9m das vit\u00f3rias legislativas mais not\u00e1veis da frente evang\u00e9lica, seu destaque est\u00e1 em in\u00fameros projetos de lei e emendas parlamentares formulados por evang\u00e9licos. Como apontam Brenda Carranza e Christina Vital da Cunha (2018: 489), esses projetos de lei n\u00e3o devem ser avaliados apenas em termos de efic\u00e1cia na aprova\u00e7\u00e3o dessas propostas, mas como um modo de a\u00e7\u00e3o baseado na produ\u00e7\u00e3o de fatos pol\u00edticos para colocar quest\u00f5es relacionadas ao \"Reino de Deus\" no centro do debate p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>O fortalecimento das igrejas neopentecostais e de outros atores religiosos conservadores nunca foi o objetivo dos governos dos Estados Unidos. <span class=\"small-caps\">pt<\/span>. Ao contr\u00e1rio, Lula pertenceu durante d\u00e9cadas e at\u00e9 hoje a uma pastoral oper\u00e1ria, um grupo de fi\u00e9is cat\u00f3licos do movimento da teologia da liberta\u00e7\u00e3o. No entanto, a consolida\u00e7\u00e3o desses atores ocorreu durante os mandatos dos l\u00edderes progressistas e continua sendo parte de seu legado. Sem compartilhar a agenda moral conservadora, os presidentes progressistas iniciaram colabora\u00e7\u00f5es com as igrejas evang\u00e9licas, incluindo seus ramos mais conservadores, para implementar programas sociais e abriram espa\u00e7os para que elas fossem protagonistas na implementa\u00e7\u00e3o de programas governamentais ou ocupassem um n\u00famero crescente de canais de r\u00e1dio e televis\u00e3o. Eles negociaram e aproveitaram todas as oportunidades para fortalecer sua influ\u00eancia pol\u00edtica e colocar sua agenda moral no centro do debate p\u00fablico e do espa\u00e7o pol\u00edtico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Por causa de sua hist\u00f3ria, tamanho, cultura, peso internacional e idioma, o Brasil tem sido um pa\u00eds \u00e0 parte na Am\u00e9rica Latina. Assim, \u00e9 importante levar em conta as especificidades do pa\u00eds para entender o sucesso dos atores religiosos conservadores e, em particular, de algumas igrejas pentecostais e neopentecostais, como atores culturais, sociais e agora pol\u00edticos. Entretanto, em termos da crescente influ\u00eancia dos neopentecostais na arena pol\u00edtica, o Brasil est\u00e1 longe de ser um caso isolado no hemisf\u00e9rio americano (P\u00e9rez Guadalupe, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, as igrejas neopentecostais brasileiras fazem muito mais do que participar de uma tend\u00eancia continental e global. Elas se tornaram um ator importante nesse processo em n\u00edvel internacional. As principais igrejas neopentecostais brasileiras t\u00eam se espalhado por v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, bem como pelos Estados Unidos, Portugal e outros pa\u00edses europeus e africanos. Assim como na d\u00e9cada de 1990 os analistas se referiam \u00e0 \"exporta\u00e7\u00e3o do evangelho americano\", as igrejas neopentecostais brasileiras se tornaram um ator importante nesse processo em n\u00edvel internacional.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> Na esteira do bem-sucedido proselitismo internacional dos novos evang\u00e9licos norte-americanos, existe hoje uma din\u00e2mica semelhante e em expans\u00e3o para \"exportar o evangelho brasileiro\". Junto com pastores neopentecostais, bispos e fluxos financeiros, h\u00e1 tamb\u00e9m m\u00e9todos para convencer os fi\u00e9is, a m\u00eddia e uma forma de interpretar as Escrituras que os incentiva a apoiar seus correligion\u00e1rios, tanto nas elei\u00e7\u00f5es quanto na pol\u00edtica institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Tirar li\u00e7\u00f5es do sucesso pol\u00edtico, social e cultural dos atores religiosos conservadores no Brasil \u00e9, portanto, uma tarefa relevante que vai muito al\u00e9m dos c\u00edrculos de especialistas brasileiros ou estudiosos do fen\u00f4meno religioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo Joanildo Burity, \u00e9 essencial complexificar a an\u00e1lise para al\u00e9m do fen\u00f4meno eleitoral que foi a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro. Este artigo concentrou-se em fatores explicativos em quatro \u00e1reas que fornecem uma perspectiva mais complexa e multidimensional sobre a ascens\u00e3o pol\u00edtica de uma se\u00e7\u00e3o de atores religiosos conservadores no Brasil. Ele desafiou quatro perspectivas anal\u00edticas que frequentemente presidem as interpreta\u00e7\u00f5es do processo que levou os atores evang\u00e9licos conservadores a assumir uma forte proemin\u00eancia pol\u00edtica no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esfera eleitoral, a relev\u00e2ncia das an\u00e1lises em termos do \"voto evang\u00e9lico\" foi questionada. Embora a maioria dos evang\u00e9licos tenha votado em Bolsonaro, uma an\u00e1lise mais refinada da principal pesquisa eleitoral mostra que a polariza\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira se reflete menos no contraste de posi\u00e7\u00f5es entre neopentecostais e cat\u00f3licos do que nos diferentes ramos do evangelicalismo e, em particular, entre os paroquianos das igrejas neopentecostais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esfera pol\u00edtica, a relev\u00e2ncia da afilia\u00e7\u00e3o religiosa como categoria anal\u00edtica central para a compreens\u00e3o do impacto crescente dos atores religiosos conservadores foi questionada. Por tr\u00e1s do que muitas vezes \u00e9 apresentado como uma luta entre cat\u00f3licos e evang\u00e9licos, est\u00e1 sendo travada uma batalha entre correntes conservadoras e progressistas que atravessam cada religi\u00e3o e suas diferentes igrejas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m vale a pena lembrar que a interpreta\u00e7\u00e3o das Escrituras \u00e9 um elemento fundamental para a compreens\u00e3o desses atores. Nessa perspectiva, a mudan\u00e7a escatol\u00f3gica ocorrida em v\u00e1rias igrejas evang\u00e9licas brasileiras, que incentivou o compromisso pol\u00edtico dos fi\u00e9is com a implementa\u00e7\u00e3o de suas convic\u00e7\u00f5es, constitui um fator-chave na ascens\u00e3o pol\u00edtica de atores religiosos conservadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a consolida\u00e7\u00e3o dos atores religiosos reacion\u00e1rios na arena pol\u00edtica durante as presid\u00eancias do Partido dos Trabalhadores desafia a oposi\u00e7\u00e3o radical entre os atores religiosos conservadores e os governos progressistas e representa uma li\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para os governos progressistas. Os presidentes Lula e Dilma Rousseff firmaram parcerias com atores religiosos reacion\u00e1rios para realizar seus programas sociais. Eles abriram espa\u00e7os para eles como protagonistas nas arenas social, pol\u00edtica e midi\u00e1tica, a ponto de a consolida\u00e7\u00e3o dos atores religiosos conservadores como um dos principais atores na pol\u00edtica e na sociedade brasileira continuar sendo um legado das presid\u00eancias do Partido dos Trabalhadores. Os atores conservadores aproveitaram cada espa\u00e7o e cada oportunidade pol\u00edtica para divulgar sua agenda moral e pol\u00edtica, consolidando sua influ\u00eancia e proemin\u00eancia com um sucesso que poucos previram.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Algranti, Joaqu\u00edn (2010). Pol\u00edtica y religi\u00f3n en los m\u00e1rgenes. Nuevas formas de participaci\u00f3n social de las mega-iglesias evang\u00e9licas en la Argentina. 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Cambridge: Cambridge University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Trevisan, Janine (2013). \u201cA frente parlamentar evang\u00e9lica: for\u00e7a pol\u00edtica no estado laico brasileiro\u201d, Numen: revista de estudos e pesquisa em religi\u00e3o, vol. 16, n\u00fam. 1, pp. 581-609.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\"><em>Geoffrey Pleyers<\/em> \u00e9 pesquisador do <span class=\"small-caps\">fnrs<\/span> e professor de sociologia na Universidade Cat\u00f3lica de Leuven, onde \u00e9 chefe do grupo de pesquisa <span class=\"small-caps\">smag<\/span> - Social Movements in the Global Era e o grupo de pesquisa interdisciplinar sobre a Am\u00e9rica Latina (<span class=\"small-caps\">Graal<\/span>). Ele \u00e9 vice-presidente de pesquisa da International Sociological Association. Suas principais publica\u00e7\u00f5es incluem os livros <em>Alter-Globaliza\u00e7\u00e3o. Tornando-se atores na era global<\/em> (Cambridge, Polity Press, 2011) e <em>Movimentos sociais no s\u00e9culo XXI <span class=\"small-caps\">xxi<\/span><\/em> (Buenos Aires, <span class=\"small-caps\">clacso<\/span>, 2018) e artigos como \"A guerra dos deuses no Brasil. Da teologia da liberta\u00e7\u00e3o \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro\" (<em>Educa\u00e7\u00e3o e sociedade<\/em>, 2020) e \"A pandemia \u00e9 um campo de batalha. Movimentos sociais durante a <span class=\"small-caps\">covid<\/span>-19 lockdown\" (<em>Revista da Sociedade Civil<\/em>, 2020). Ele coordenou quinze livros ou edi\u00e7\u00f5es de peri\u00f3dicos, incluindo, com Breno Bringel, <em>Alerta Global. Pol\u00edtica e movimentos em face da pandemia<\/em> (<span class=\"small-caps\">clacso<\/span>, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atores religiosos conservadores assumiram uma proemin\u00eancia pol\u00edtica crescente no Brasil e contribu\u00edram para a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro. Complementando as li\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dessa ascens\u00e3o, este artigo se concentra em quatro li\u00e7\u00f5es anal\u00edticas. A primeira se\u00e7\u00e3o desafia a ideia de um \"voto evang\u00e9lico\". A segunda parte contesta a relev\u00e2ncia da afilia\u00e7\u00e3o religiosa como categoria anal\u00edtica central para a compreens\u00e3o do fen\u00f4meno. A terceira parte lembra que um fator central nessa ascens\u00e3o pol\u00edtica pode ser encontrado em uma mudan\u00e7a escatol\u00f3gica. A quarta se\u00e7\u00e3o questiona a oposi\u00e7\u00e3o radical entre governos progressistas e atores religiosos conservadores.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[597,464,475,687,686,688],"coauthors":[551],"class_list":["post-33151","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-34","tag-brasil","tag-conservadurismo","tag-evangelicos","tag-neopentecostales","tag-religion-y-politica","tag-voto-evangelico","personas-geoffrey-pleyers","numeros-627"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>El ascenso pol\u00edtico de los actores religiosos conservadores &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Este texto anlisa el rol de los religiosos conservadores en la elecci\u00f3n de 2020 en Brasil, que llev\u00f3 Jair Bolsonaro al poder.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"El ascenso pol\u00edtico de los actores religiosos conservadores &#8211; Encartes\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Este texto anlisa el rol de los religiosos conservadores en la elecci\u00f3n de 2020 en Brasil, que llev\u00f3 Jair Bolsonaro al poder.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Encartes\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-09-19T21:55:33+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2023-11-18T00:32:03+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"28 minutos\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label3\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data3\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/pleyers-ascenso_politico_religiosos_conservadores_brasil\/\"},\"author\":{\"name\":\"Arthur Ventura\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef\"},\"headline\":\"El ascenso pol\u00edtico de los actores religiosos conservadores. 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