{"id":33148,"date":"2020-09-19T21:35:55","date_gmt":"2020-09-19T21:35:55","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=33148"},"modified":"2023-11-17T18:31:01","modified_gmt":"2023-11-18T00:31:01","slug":"panotto-evangelico-fuerza-agonista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/panotto-evangelico-fuerza-agonista\/","title":{"rendered":"O evangelicalismo como for\u00e7a agon\u00edstica: disputas hegem\u00f4nicas diante da transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica latino-americana"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">O artigo a seguir busca reagir ao estudo de Joanildo Burity, intitulado \"El pueblo evang\u00e9lico: construcci\u00f3n hegem\u00f3nica, disputas minoritarias y reacci\u00f3n conservadora\", que trata da constru\u00e7\u00e3o da \"pol\u00edtica evang\u00e9lica\" a partir das no\u00e7\u00f5es de \"povo\" e \"l\u00f3gica populista\", a partir da obra de Ernesto Laclau. O objetivo \u00e9 destacar a relev\u00e2ncia de sua contribui\u00e7\u00e3o para a ressignifica\u00e7\u00e3o de algumas matrizes de an\u00e1lise sobre a identidade evang\u00e9lica e sua rela\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o p\u00fablico. Para tanto, a proposta de Burity ser\u00e1 complementada com o uso de outras categorias dentro do pr\u00f3prio arcabou\u00e7o de Laclau, juntamente com as contribui\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o do Cone Sul sobre o campo evang\u00e9lico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/agonismo\/\" rel=\"tag\">agonismo<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/campo-evangelico\/\" rel=\"tag\">acampamento evang\u00e9lico<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/identidad\/\" rel=\"tag\">identidade<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/logica-populista\/\" rel=\"tag\">l\u00f3gica populista<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/politica\/\" rel=\"tag\">pol\u00edtica<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\"><span class=\"small-caps\">o evang\u00e9lico como for\u00e7a agon\u00edstica: disputas hegem\u00f4nicas em face da transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica latino-americana<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">O artigo a seguir procura reagir ao estudo de Joanildo Burity, intitulado \"O povo evang\u00e9lico: constru\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica, disputas minorit\u00e1rias e rea\u00e7\u00e3o conservadora\", sobre a constru\u00e7\u00e3o da \"pol\u00edtica evang\u00e9lica\" a partir das no\u00e7\u00f5es de \"povo\" e de \"l\u00f3gica populista\" da obra de Ernesto Laclau. O objetivo \u00e9 destacar a relev\u00e2ncia de sua contribui\u00e7\u00e3o para ressignificar algumas matrizes de an\u00e1lise sobre a identidade evang\u00e9lica e sua rela\u00e7\u00e3o com os espa\u00e7os p\u00fablicos. Para tanto, a proposta de Burity ser\u00e1 complementada com o uso de outras categorias dentro do mesmo arcabou\u00e7o laclauano, complementando com contribui\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o no Cone Sul sobre o campo evang\u00e9lico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">Palavras-chave: Campo evang\u00e9lico, l\u00f3gica populista, agonismo, identidade, pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">A<\/span> crescente visibilidade dos grupos evang\u00e9licos na esfera p\u00fablica tem suscitado, como nunca antes, um forte interesse em tentar compreender o fen\u00f4meno representado pelo lugar que esse setor religioso vem conquistando dentro da ziguezagueante din\u00e2mica social da Am\u00e9rica Latina. Esse reposicionamento do evangelicalismo nos novos cen\u00e1rios do campo pol\u00edtico regional tem colocado em tens\u00e3o algumas das vis\u00f5es e conceitualiza\u00e7\u00f5es instaladas no campo, especialmente as que se referem \u00e0 secularidade, \u00e0 seculariza\u00e7\u00e3o, ao pluralismo religioso, entre outras. Quem s\u00e3o \"os evang\u00e9licos\"? De onde eles v\u00eam? Como eles alcan\u00e7aram tanto poder? Essas s\u00e3o perguntas frequentes e que demonstram n\u00e3o apenas o interesse em discernir essas din\u00e2micas, mas tamb\u00e9m os preconceitos, as generaliza\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo a falta de precis\u00e3o na hora de respond\u00ea-las.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto de Joanildo Burity, \"El pueblo evang\u00e9lico: construcci\u00f3n hegem\u00f3nica, disputas minoritarias y reacci\u00f3n conservadora\", nos ajuda a analisar criticamente v\u00e1rias abordagens da rela\u00e7\u00e3o entre o campo evang\u00e9lico e a pol\u00edtica. Baseando-se na abordagem de Ernesto Laclau sobre a constru\u00e7\u00e3o de identidades sociais com base no populismo como uma l\u00f3gica pol\u00edtica (Laclau, 2005), Burity emprega dois elementos significativos para destacar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s maneiras pelas quais o campo evang\u00e9lico \u00e9 analisado. Primeiro, a identidade evang\u00e9lica est\u00e1 longe de ser um n\u00facleo categ\u00f3rico com caracter\u00edsticas fixas; ao contr\u00e1rio, ela inscreve a conjun\u00e7\u00e3o de um aglomerado de express\u00f5es, narrativas, pr\u00e1ticas e determina\u00e7\u00f5es, muitas delas antag\u00f4nicas. O autor especifica que a diversidade de mem\u00f3rias relacionadas ao evang\u00e9lico n\u00e3o deve ser interpretada apenas como emana\u00e7\u00f5es de um \"centro irradiador\", mas deve ser entendido que \"o evang\u00e9lico\" incorpora um significante constitutivamente aberto e internamente dividido. Isso quer dizer que a pluralidade evang\u00e9lica n\u00e3o descreve simplesmente uma diversidade estrutural externa, mas uma caracteriza\u00e7\u00e3o constitutiva do evang\u00e9lico propriamente dito como uma identidade internamente fissurada. Em termos laclausianos (Laclau, 2005: 64), o campo evang\u00e9lico \u00e9 constru\u00eddo a partir de um <em>borda interna<\/em> que articula diversas cadeias equivalenciais que possibilitam constantes deslocamentos internos e, ao mesmo tempo, instituem inst\u00e2ncias de jun\u00e7\u00e3o com outros sujeitos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir deste \u00faltimo, o segundo elemento importante que Burity enfatiza \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 <em>telos<\/em> (hist\u00f3rica ou fenomenol\u00f3gica) na a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica evang\u00e9lica, como pode ser visto em uma frase como \"os evang\u00e9licos est\u00e3o entrando na pol\u00edtica\", que \u00e9 muito popular. Essa m\u00e1xima, na realidade, expressa n\u00e3o apenas uma imagem homogeneizadora da mobiliza\u00e7\u00e3o desse setor, mas tamb\u00e9m uma vis\u00e3o corporativista e institucionalista de sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>A Burity apresenta o conceito de <em>minoriza\u00e7\u00e3o <\/em>(um termo emprestado de Connolly, 2008) para explicar dois tipos de configura\u00e7\u00e3o que instituem a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica evang\u00e9lica: uma <em>rede de modos de institucionaliza\u00e7\u00e3o<\/em> (organiza\u00e7\u00f5es, igrejas, grupos, indiv\u00edduos) e um <em>l\u00f3gica contra-hegem\u00f4nica<\/em> Em outras palavras, as matrizes de mobiliza\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica n\u00e3o s\u00e3o an\u00e1logas, mas respondem a din\u00e2micas de articula\u00e7\u00e3o baseadas nos diversos agentes e discursos que habitam e circulam no campo. Em outras palavras, as matrizes de mobiliza\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica n\u00e3o s\u00e3o an\u00e1logas, mas respondem a din\u00e2micas de articula\u00e7\u00e3o baseadas nos diversos agentes e discursos que habitam e circulam no campo. Os grupos evang\u00e9licos entram no espa\u00e7o p\u00fablico com o objetivo de obter reconhecimento e legitimidade como atores sociais, al\u00e9m de disputar a hegemonia em torno de significantes como \"o povo\", \"a na\u00e7\u00e3o\", \"a pol\u00edtica\", \"a moral\", entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dois elementos da proposta de Burity contrastam, como j\u00e1 mencionamos, com alguns dos lugares comuns em que caem certas an\u00e1lises acad\u00eamicas, jornal\u00edsticas e pol\u00edticas do campo evang\u00e9lico, a saber a ideia de uma identidade religiosa homog\u00eanea (que ignora sua ampla diversifica\u00e7\u00e3o interna) e um tipo de identifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica limitada \u00e0 influ\u00eancia em espa\u00e7os de poder institucional, associada a uma ideologia conservadora e de direita (que tamb\u00e9m ignora as m\u00faltiplas pr\u00e1ticas e reapropria\u00e7\u00f5es pol\u00edticas presentes, bem como a tens\u00e3o entre as bricolagens ideol\u00f3gicas que existem em seu interior).<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos dizer que muitas dessas leituras e propostas anal\u00edticas j\u00e1 estavam presentes, de forma incipiente ou a partir de outras \u00e2ncoras te\u00f3ricas, nos estudos sobre o campo evang\u00e9lico no Cone Sul desde suas origens. Lembremos, por exemplo, a nomea\u00e7\u00e3o de Matt Marostica (1994), que no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 chamou o campo evang\u00e9lico de <em>um novo movimento social<\/em>O autor argumenta que essa express\u00e3o religiosa alcan\u00e7ou ent\u00e3o uma forte posi\u00e7\u00e3o em termos de \"identidade cultural\", ou seja, como um \"espa\u00e7o de express\u00e3o social\". Tamb\u00e9m vemos isso nos estudos de Hilario Wynarczyk (2009, 2010) com o conceito de <em>campo de for\u00e7a<\/em>Wynarczyk identifica as tens\u00f5es e os conflitos dentro do setor evang\u00e9lico, especialmente entre os dois polos que, segundo esse autor, comp\u00f5em esse grupo: o liberacionista hist\u00f3rico e o conservador b\u00edblico. Wynarczyk tamb\u00e9m fala dos grupos evang\u00e9licos como movimentos sociais cuja configura\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria se projeta na transi\u00e7\u00e3o de um setor exclu\u00eddo das esferas monopolistas sociais e eclesi\u00e1sticas para a cria\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o e visibilidade p\u00fablica, refletidas na forma\u00e7\u00e3o de partidos pol\u00edticos e na sua participa\u00e7\u00e3o em debates p\u00fablicos sobre quest\u00f5es socialmente sens\u00edveis, como a revis\u00e3o do projeto de liberdade religiosa e o registro de cultos na Argentina (Wynarczyk, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, encontramos uma extensa bibliografia que demonstra claramente que as pr\u00e1ticas pol\u00edticas evang\u00e9licas s\u00e3o extremamente heterog\u00eaneas, onde s\u00e3o identificadas e analisadas as muta\u00e7\u00f5es que instituem a ponte entre o religioso e o p\u00fablico (Algranti, 2010; Carbonelli, 2008, 2009, 2011; Carbonelli e Mosqueira, 2010; Frigerio, 1994; Bahamondes e Alarc\u00f3n, 2013; Burity, 2006, 2008a, 2008b, 2011, 2015, 2016, 2017; Fediakova, 2013; Mansilla e Orellana, 2018; M\u00edguez, 2000; Panotto, 2014, 2016a, 2016b; Parker, 2012; Sem\u00e1n, 2000, 2001, 2010, 2013; Wynarczyk, 2009, 2010, 2014, 2018). Essa produ\u00e7\u00e3o desenvolve, entre outros aspectos, a diversidade territorial e institucional dos processos de advocacy (setores urbanos e populares; munic\u00edpios, bairros e estados), a pluralidade de grupos e classes sociais envolvidos, os diferentes tipos de ag\u00eancia (lobby institucional, programas de bairro, filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, advocacia de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, presen\u00e7a em redes pol\u00edticas), os v\u00e1rios objetivos estabelecidos (interven\u00e7\u00e3o no tratamento de pol\u00edticas p\u00fablicas, abordagem de quest\u00f5es como leis de liberdade religiosa, aumento da visibilidade do lugar social da igreja), os diferentes campos de a\u00e7\u00e3o, demanda e rea\u00e7\u00e3o (secularismo, direitos sexuais e reprodutivos, pluralidade religiosa, estabilidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica, direitos humanos) e a <em>performances<\/em> e milit\u00e2ncia (ou seja, um impacto que vai do institucionalismo a uma \u00e9tica sociocultural). Tudo isso, por fim, se desdobra em express\u00f5es ideol\u00f3gicas muito variadas que habitam e convivem no mesmo cora\u00e7\u00e3o evang\u00e9lico: conservadorismo, neoconservadorismo e progressismo, direita e esquerda, al\u00e9m da extensa combina\u00e7\u00e3o entre todas elas e, ao mesmo tempo, a exist\u00eancia de muitas express\u00f5es que escapam a essas demarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Se contrastarmos esse amplo espectro de estudos (cobrindo um desenvolvimento de pelo menos quatro d\u00e9cadas) com as imagens, conceitualiza\u00e7\u00f5es e nomea\u00e7\u00f5es predominantemente estereotipadas que encontramos nas an\u00e1lises pol\u00edticas e jornal\u00edsticas atuais, nos perguntamos onde est\u00e1 a lacuna entre as abordagens rigorosas e complexas existentes e as generaliza\u00e7\u00f5es baseadas em um certo \"senso comum\" que circula em alguns espa\u00e7os. Como v\u00e1rios estudiosos t\u00eam afirmado em colunas anal\u00edticas recentes (Seman e Viotti, 2019; Panotto, 2019; Mosqueira, 2019; Bahamondes, 2020), a falta de an\u00e1lise aprofundada do campo evang\u00e9lico n\u00e3o s\u00f3 promove imprecis\u00f5es metodol\u00f3gicas como tamb\u00e9m formas err\u00f4neas de abordar as din\u00e2micas sociopol\u00edticas, tanto desse grupo em particular como do mundo religioso em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir daqui, \u00e9 importante focar em duas quest\u00f5es relacionadas a dois eixos subjacentes na proposta de Burity que nos fornecem alguns insumos para abordar essas discrep\u00e2ncias epist\u00eamicas identificadas, a saber: <em>o impacto das disputas internas no campo evang\u00e9lico sobre as formas de an\u00e1lise de suas identifica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas<\/em> e <em>os fatores em jogo na reapropria\u00e7\u00e3o do evangelicalismo pela esfera p\u00fablica e pelos diversos atores pol\u00edticos<\/em>. A primeira \u00e9: como a an\u00e1lise da constitui\u00e7\u00e3o da identidade do campo evang\u00e9lico pode se tornar mais complexa? Essa quest\u00e3o envolve algo que vem sendo discutido h\u00e1 algum tempo na \u00e1rea dos estudos religiosos e tem a ver com a cr\u00edtica \u00e0s formas est\u00e1ticas de compreens\u00e3o das identidades crentes baseadas em uma defini\u00e7\u00e3o essencialista da religi\u00e3o como um conceito sociol\u00f3gico, ou seja, como uma categoria com axiomas determinados e aplic\u00e1veis a todos os casos, mas, mais especificamente, que inscreve identifica\u00e7\u00f5es ontol\u00f3gicas im\u00f3veis (Ceriani, 2013). Nesse sentido, \"o evang\u00e9lico\" tamb\u00e9m corre o risco - como de fato acontece repetidamente com seu uso - de ser transformado em uma classifica\u00e7\u00e3o que homogene\u00edza coletivos, reduz os tipos de vincula\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o entre agentes (internos e externos) e limita sua a\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica a lugares comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso nos leva ao debate sobre a tens\u00e3o entre quadros de significa\u00e7\u00e3o e processos de identifica\u00e7\u00e3o, ou o que est\u00e1 impl\u00edcito no uso da categoria de identidade para estudos religiosos (<em>cfr<\/em>. Asad 1993: 27-54). Alejandro Frigerio (2007) fala sobre a import\u00e2ncia de diferenciar entre <em>a identidade pessoal dos indiv\u00edduos<\/em>, <em>suas identidades sociais<\/em> e <em>a identidade coletiva proposta pelo grupo<\/em>como inst\u00e2ncias de interse\u00e7\u00e3o que n\u00e3o apenas determinam como o sujeito crente se reapropria do religioso, mas, de fato, como o religioso (e todas as suas irradia\u00e7\u00f5es no social, no cultural e no pol\u00edtico) se torna uma pr\u00e1tica circulante, em vez de uma pr\u00e1tica objetivada ou objetificadora. Como afirmou Foucault (2003), n\u00e3o podemos falar de sujeitos em si, mas sim de posi\u00e7\u00f5es subjetivas que atravessam nossa identidade como um todo heterog\u00eaneo e que se manifestam como uma trama que nos divide e, ao mesmo tempo, nos localiza em diferentes territ\u00f3rios, de acordo com as conting\u00eancias, os espa\u00e7os, os momentos hist\u00f3ricos e as pr\u00e1ticas dentro de nossa <em>local <\/em>socioculturais.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo se aplica \u00e0 religi\u00e3o: esse universo pode ser assumido de m\u00faltiplas maneiras por cada sujeito (individual ou coletivo), de acordo com contextos, momentos, processos e conting\u00eancias. Portanto, no plano evang\u00e9lico (assim como em toda identifica\u00e7\u00e3o religiosa), devemos falar do que Benjamin Arditi (2009: 38) chama de <em>planos de identidade metaest\u00e1veis<\/em>As superf\u00edcies interpretativas, ou seja, superf\u00edcies interpretativas male\u00e1veis que s\u00e3o legitimadas com base em uma certa densidade hist\u00f3rica e discursiva adquirida ao longo do tempo e que s\u00e3o colocadas em jogo nos processos de identifica\u00e7\u00e3o. Essas superf\u00edcies n\u00e3o simbolizam defini\u00e7\u00f5es est\u00e1ticas, mas permitem a circula\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es at\u00e9 mesmo opostas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do campo evang\u00e9lico, podemos identificar pelo menos cinco superf\u00edcies que entram em jogo nesse processo, a saber: 1) genealogias denominacionais (pentecostal, luterana, batista, entre outras; acrescentando, al\u00e9m disso, diversifica\u00e7\u00f5es internas); 2) contextos s\u00f3cio-hist\u00f3ricos e ambientais; 3) correntes teol\u00f3gicas (reformada, calvinista, liberacionista, anabatista e todas as vertentes confessionais poss\u00edveis); 4) posi\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas (conservadora, neoconservadora, progressista, evang\u00e9lica cr\u00edtica, entre outras); e 5) processos geracionais (enquadrados nas tens\u00f5es entre diferentes grupos et\u00e1rios e conflitos institucionais sobre adapta\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-hist\u00f3rica). Todas essas superf\u00edcies se misturam de v\u00e1rias maneiras, pois \u00e9 imposs\u00edvel correlacionar uma genealogia denominacional com uma corrente teol\u00f3gica ou um contexto s\u00f3cio-hist\u00f3rico com um posicionamento sociopol\u00edtico. Posicionamentos metaest\u00e1veis podem existir, mas a partir de tantos pontos nodais quanto suas poss\u00edveis combina\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 minha inten\u00e7\u00e3o sistematizar esses eixos (que s\u00e3o, de fato, muito mais complexos e variados), mas sim destacar que o evangelicalismo diz respeito a uma estrutura identit\u00e1ria que, al\u00e9m das linhas hist\u00f3ricas que podemos encontrar (embora, voltando ao in\u00edcio, a oposi\u00e7\u00e3o original entre a Reforma Magisterial e a Reforma Radical j\u00e1 envolva uma ruptura constitutiva), tem fronteiras difusas, extremamente porosas e completamente flex\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>A isso devemos acrescentar que, quando falamos de setores evang\u00e9licos influenciando o espa\u00e7o p\u00fablico, n\u00e3o podemos simplesmente falar de \"a igreja\", como se essa institucionalidade - j\u00e1 altamente amb\u00edgua e diversa em si mesma - representasse todas as formas de apropria\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia evang\u00e9lica. Em outro artigo (Panotto, 2020), apresento a exist\u00eancia de diferentes inscri\u00e7\u00f5es institucionais que respondem ao espectro evang\u00e9lico no espa\u00e7o p\u00fablico, cada uma delas representando diferentes agentes e tipos de identifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Por exemplo, enquanto nos espa\u00e7os eclesiais os agentes (sujeitos crentes) s\u00e3o extremamente diversos (dependendo da configura\u00e7\u00e3o da comunidade) e os tipos de identifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais fluidos, plurais e at\u00e9 antag\u00f4nicos (j\u00e1 que \u00e9 imposs\u00edvel afirmar que uma igreja local responde a uma \u00fanica estrutura teol\u00f3gica e posi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica), nas Organiza\u00e7\u00f5es Baseadas na F\u00e9 (<span class=\"small-caps\">obf<\/span>) ou o que poder\u00edamos chamar de Redes Pol\u00edticas Religiosas (ou seja, organiza\u00e7\u00f5es regionais ou redes de <span class=\"small-caps\">obf<\/span> e igrejas cujo objetivo responde a uma agenda de defesa de pol\u00edticas p\u00fablicas nacionais ou dentro de organiza\u00e7\u00f5es multilaterais), nos deparamos com agentes muito mais homog\u00eaneos (n\u00e3o apenas leigos ou pastores, mas tamb\u00e9m crentes profissionais no campo da defesa pol\u00edtica, muitos deles com milit\u00e2ncia partid\u00e1ria espec\u00edfica) e agendas mais concretas, limitadas e ideologicamente direcionadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo outro termo fundamental da teoria laclausiana sobre a l\u00f3gica populista (Laclau, 1996: 69-86), o evang\u00e9lico como estrutura de identifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de ser um local suturado que sustenta sujeitos delimitados. Em vez disso, ele representa um <em>significante vazio<\/em>Em outras palavras, uma nomea\u00e7\u00e3o particular cujo poder de nomea\u00e7\u00e3o n\u00e3o reside precisamente em demarcar caracteriza\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, mas em possibilitar reapropria\u00e7\u00f5es flutuantes em termos discursivos, pr\u00e1ticos e contextuais dos mais variados tipos, nesse caso, processos de defesa pol\u00edtica, identifica\u00e7\u00e3o com ideologias sociais, releituras a partir de diferentes quadros ideol\u00f3gicos, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda pergunta - falando agora dos fatores que entram em jogo na reapropria\u00e7\u00e3o do evangelicalismo pelo espa\u00e7o p\u00fablico e por diferentes agentes pol\u00edticos - \u00e9 a seguinte: por que o \"evangelicalismo\" adquiriu tanta relev\u00e2ncia nas \u00faltimas d\u00e9cadas? Em outras palavras, quais s\u00e3o os fatores que levaram ao aumento da visibilidade das comunidades evang\u00e9licas nos \u00faltimos vinte anos, uma vez que essa express\u00e3o religiosa vem ganhando impulso em termos demogr\u00e1ficos h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas? Isso se deve apenas a fatores de transforma\u00e7\u00e3o interna ou extens\u00e3o num\u00e9rica, ou h\u00e1 outros componentes subjacentes no contexto atual?<\/p>\n\n\n\n<p>Para responder a isso, podemos abordar duas outras categorias dentro do arcabou\u00e7o laclauano: a rela\u00e7\u00e3o entre demanda e articula\u00e7\u00e3o. De acordo com Laclau (2005: 158ss), as demandas s\u00e3o o epicentro da constru\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o pol\u00edtico. O p\u00fablico n\u00e3o se origina do simples confronto de for\u00e7as particulares que competem pela legitimidade da identidade (no sentido de uma \"guerra de posi\u00e7\u00f5es\" antag\u00f4nica devido ao simples fato de uma contraposi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica), mas sim de <em>demandas<\/em>As demandas, ou seja, pontos de insufici\u00eancia ou necessidades dentro do campo social mais amplo, que convocam as diferentes vozes e perspectivas que comp\u00f5em o espectro pol\u00edtico com o objetivo de respond\u00ea-las. As demandas, al\u00e9m disso, n\u00e3o apenas incorporam necessidades concretas, mas tamb\u00e9m apontam para defici\u00eancias dentro das estruturas simb\u00f3licas hegem\u00f4nicas para ler e lidar com a realidade. Os deslocamentos que ocorrem na esfera social como resultado dessas demandas impulsionam a necessidade de encontrar novas cadeias equivalentes entre os significados e as pr\u00e1ticas estabelecidas, com o objetivo de se mobilizar em dire\u00e7\u00e3o a novas vis\u00f5es de mundo, pr\u00e1ticas e modos de institucionaliza\u00e7\u00e3o. Assim, as demandas n\u00e3o implicam uma mudan\u00e7a absoluta na forma como o espa\u00e7o social e seus agentes s\u00e3o compreendidos, mas mobilizam mudan\u00e7as que facilitam outras articula\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas e materiais dentro do mesmo espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Transformando esses elementos no tema que nos interessa, perguntamo-nos: quais foram, ent\u00e3o, as demandas que emergiram nos \u00faltimos anos e impulsionaram novos deslocamentos tanto no interior do campo evang\u00e9lico quanto dos agentes e sujeitos sociopol\u00edticos no espa\u00e7o p\u00fablico, que levaram \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de novos tecidos com essa express\u00e3o religiosa? Burity prop\u00f5e a hip\u00f3tese, no caso brasileiro, de que a constru\u00e7\u00e3o da identidade pentecostal como uma \"identidade geral dos protestantes\" respondeu a um \"efeito agon\u00edstico\" no contexto da emerg\u00eancia de novas subjetividades pol\u00edticas no processo p\u00f3s-ditadura, a partir da d\u00e9cada de 1980. Propostas semelhantes podem ser encontradas em outros pa\u00edses (Wynarczyk, 2009; Mansilla e Orellana, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fen\u00f4meno tamb\u00e9m pode ser transposto para outros momentos hist\u00f3ricos, especialmente para os processos de transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica regional que ocorreram entre o final da d\u00e9cada de 1990 e o in\u00edcio dos anos 2000, principalmente em duas \u00e1reas: as reconfigura\u00e7\u00f5es profundas do campo religioso (especialmente do monop\u00f3lio da Igreja Cat\u00f3lica) e as muta\u00e7\u00f5es nas agendas pol\u00edticas, com o surgimento de novos governos progressistas. Com rela\u00e7\u00e3o ao primeiro elemento, a Igreja Cat\u00f3lica, embora n\u00e3o tenha perdido sua hegemonia pol\u00edtica, tem sido desafiada n\u00e3o apenas pelo crescimento do evangelicalismo, mas tamb\u00e9m pela perda de confian\u00e7a social que enfrenta, devido tanto \u00e0s suas crises internas quanto \u00e0s tens\u00f5es que surgiram entre a intransig\u00eancia da ortodoxia eclesi\u00e1stica e as demandas sociais emergentes em termos de novos direitos e processos de inclus\u00e3o. A nova \"era Francisco\" moveu um pouco esse tabuleiro de xadrez, mas n\u00e3o foi capaz de mudar o curso do deslocamento (Renold e Frigerio 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o campo evang\u00e9lico emerge como um novo \"mediador da religi\u00e3o social\", como menciona Burity, diante de um novo conjunto de demandas populares, onde podemos identificar: 1) a necessidade de uma mudan\u00e7a na compreens\u00e3o do religioso e de seu lugar social, especialmente a partir dos crescentes processos de hibridiza\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-seculariza\u00e7\u00e3o e desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o do religioso; 2) uma reconfigura\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica micropol\u00edtica (ou \"pol\u00edtica cotidiana\", como Esteban de Gori a denomina), que responde \u00e0 crise das vis\u00f5es de mundo e pr\u00e1ticas pol\u00edticas institucionalistas tradicionais, e onde o evangelicalismo responde estrategicamente a partir de sua configura\u00e7\u00e3o din\u00e2mica (Sem\u00e1n, 2010); e 3) uma presen\u00e7a e <em>desempenho <\/em>participa\u00e7\u00e3o mais efetiva de grupos evang\u00e9licos em setores com fortes demandas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo elemento a ser destacado nesse contexto de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 o impacto da emerg\u00eancia, no espa\u00e7o p\u00fablico, de novas subjetividades pol\u00edticas e os debates que isso provocou em torno de demandas e quest\u00f5es como feminismo, diversidade sexual, liberdade religiosa e Estado laico, educa\u00e7\u00e3o sexual e direitos sexuais e reprodutivos e, com isso, o tratamento dado aos projetos de lei nessas \u00e1reas, que foram viabilizados pelos governos nesse per\u00edodo. Isso fez com que v\u00e1rios grupos ligados ao campo evang\u00e9lico se tornassem mais vis\u00edveis, em termos do que Jos\u00e9 Casanova (1994, 2012) chama de <em>religi\u00e3o p\u00fablica<\/em>O autor descreve tr\u00eas caracter\u00edsticas como: 1) mobiliza\u00e7\u00e3o de grupos religiosos como movimentos sociais, 2) <em>lobby <\/em>institucional nos n\u00edveis local, estadual e federal, e 3) mobiliza\u00e7\u00e3o eleitoral de setores religiosos e poss\u00edvel organiza\u00e7\u00e3o em torno de partidos pol\u00edticos. Isso levou a um ativismo focado em<em> a moraliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica<\/em> (Carbonelli, 2008), tanto em termos de uma agenda de valores que confronta essas \u00e1reas sens\u00edveis, quanto em termos do que \u00e9 entendido como um problema constitutivo no espectro pol\u00edtico institucional, comumente referido pelo significante \"corrup\u00e7\u00e3o\".<\/p>\n\n\n\n<p>Como afirma Burity (2016), as l\u00f3gicas de minoriza\u00e7\u00e3o do campo evang\u00e9lico - refletidas em estrat\u00e9gias de resist\u00eancia e envolvimento na arena p\u00fablica baseadas em l\u00f3gicas rizom\u00e1ticas a partir das reviravoltas possibilitadas pela pr\u00f3pria institucionalidade pol\u00edtica - transformaram \"o evang\u00e9lico\" em um significante que articula n\u00e3o apenas uma forma inovadora de experi\u00eancia religiosa (e seus efeitos na vida social), mas tamb\u00e9m novas milit\u00e2ncias, formas de reconfigurar a experi\u00eancia religiosa (e seus efeitos na vida social), transformaram o \"evangelicalismo\" em um significante que articula n\u00e3o apenas uma forma inovadora de experi\u00eancia religiosa (e seus efeitos na vida social), mas tamb\u00e9m uma nova milit\u00e2ncia, formas de reconfigurar os imagin\u00e1rios sociais (sob a contraposi\u00e7\u00e3o da universalidade da moralidade contra o \"relativismo nocivo\" que implica um posicionamento ideol\u00f3gico) e de <em>performances<\/em> As lideran\u00e7as carism\u00e1ticas e personalistas que est\u00e3o surgindo na regi\u00e3o se espelham, em grande parte, nas lideran\u00e7as pol\u00edticas carism\u00e1ticas e personalistas que est\u00e3o surgindo na regi\u00e3o. Assim, poder\u00edamos dizer, a t\u00edtulo de exemplo e em conson\u00e2ncia com Burity, que o empoderamento dos grupos evang\u00e9licos conservadores decorre dos processos de articula\u00e7\u00e3o desenvolvidos com a \"nova direita\" (ou seja, o conjunto de governos que surgiram nos \u00faltimos dez anos), como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 crise dos modelos progressistas que moldavam a pol\u00edtica regional, Esses governos se levantaram para se opor \u00e0s agendas p\u00fablicas das organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos e disputar a hegemonia pol\u00edtica, e encontraram no campo evang\u00e9lico um reservat\u00f3rio simb\u00f3lico para lutar n\u00e3o apenas por projetos e agendas, mas tamb\u00e9m por l\u00f3gicas pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A for\u00e7a com que o surgimento do evangelicalismo se manifesta hoje, portanto, deriva de sua capacidade de abordar um conjunto de demandas sociais em um contexto de agonismo (Mouffe, 2014) manifestado nas tens\u00f5es que o tratamento de novas agendas sociais despertou na sociedade civil e na classe pol\u00edtica. Nesse sentido, \u00e9 preciso entender que o tratamento dessas agendas n\u00e3o criou necessariamente um movimento pendular em termos de posi\u00e7\u00f5es na sociedade, mas sim um cen\u00e1rio de profundas tens\u00f5es, discrep\u00e2ncias e conflitos que nem mesmo os governos no poder foram capazes de resolver. Por essa raz\u00e3o, v\u00e1rios grupos evang\u00e9licos se levantaram como agentes de moraliza\u00e7\u00e3o, reestrutura\u00e7\u00e3o social e posicionamento pol\u00edtico diante de setores advers\u00e1rios, respondendo a esse v\u00e1cuo de sentido produzido nas formas simb\u00f3licas de enunciar e compreender a din\u00e2mica pol\u00edtica a partir de discursos e ag\u00eancias hegem\u00f4nicas, tanto progressistas quanto conservadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, deram origem \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de novos discursos, vis\u00f5es de mundo a partir do sagrado, mecanismos de articula\u00e7\u00e3o, recursos humanos e estrat\u00e9gias de advocacy para um novo \"interl\u00fadio\" entre as agendas em tens\u00e3o, que demandam outras formas de agir politicamente (diante da crise dos imagin\u00e1rios hegem\u00f4nicos) e outras formas de viver a f\u00e9 (diante da crise da ortodoxia cat\u00f3lica e da emerg\u00eancia de express\u00f5es religiosas diversas). Al\u00e9m disso, os diferentes setores evang\u00e9licos serviram para se articular com os sujeitos pol\u00edticos emergentes no contexto da disputa hegem\u00f4nica, como podemos ver em cada pa\u00eds, a partir de diferentes conjunturas: No Brasil, vemos a chamada \"bancada evang\u00e9lica\" de um lado, com uma forte agenda conservadora, junto com os setores monopolistas do pa\u00eds, e a Frente de Evang\u00e9licos pelo Estado de Direito como uma vertente cr\u00edtica e progressista; na Argentina, os governos priorizaram qual federa\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica abordar de acordo com sua agenda pol\u00edtica: enquanto os governos kirchneristas estiveram mais pr\u00f3ximos da Federaci\u00f3n Argentina de Iglesias Evang\u00e9licas (<span class=\"small-caps\">faie<\/span>), que re\u00fane comunidades mais abertas com perspectivas inclusivas e de direitos humanos, o governo Macrismo tinha uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima com a Alian\u00e7a Crist\u00e3 de Igrejas Evang\u00e9licas da Rep\u00fablica Argentina (Alianza Cristiana de Iglesias Evang\u00e9licas de la Rep\u00fablica Argentina (<span class=\"small-caps\">aciera<\/span>No Chile, o espectro de partidos pol\u00edticos est\u00e1 ligado a grupos evang\u00e9licos pela rejei\u00e7\u00e3o ou aprova\u00e7\u00e3o do processo constitucional, dependendo de sua agenda espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para concluir, poder\u00edamos dizer que, nesse per\u00edodo, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel falar apenas de formas <em>reativo<\/em> de fazer pol\u00edtica dentro do campo evang\u00e9lico, como formas de disputar e se opor ao surgimento de outras agendas pol\u00edticas opostas \u00e0s matrizes morais hist\u00f3ricas (cf. Vaggione, 2005). Em vez disso, devemos falar de processos muito mais complexos e profundos, em que as fronteiras antag\u00f4nicas n\u00e3o s\u00e3o mais apenas demarcadas, mas em que a constru\u00e7\u00e3o de um novo <em>ethos <\/em>socioculturais e morais, relacionados, por exemplo, ao que Burity menciona em seu artigo sobre a tradu\u00e7\u00e3o de um projeto nacional promovido pela Igreja Universal do Reino de Deus no Brasil, proposto mais especificamente por seu l\u00edder, Edir Macedo. Da\u00ed a relev\u00e2ncia de se falar em um <em>pol\u00edtica agonista<\/em>A ideia de uma estrutura que vai al\u00e9m da inscri\u00e7\u00e3o de antagonismos amigo-inimigo, mas sim, como diz Burity com refer\u00eancia \u00e0 ideia de <em>momento populista<\/em> (Mouffe 2018: 23-39), de uma l\u00f3gica que evidencia a bifurca\u00e7\u00e3o dentro do pr\u00f3prio espectro evang\u00e9lico e seus poss\u00edveis desdobramentos em termos de disputa hegem\u00f4nica sobre demandas constitutivas da sociedade: a na\u00e7\u00e3o, o povo, a ordem social, a educa\u00e7\u00e3o, a fam\u00edlia, entre muitos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso questiona a exist\u00eancia de um caminho unidirecional do <em>desempenho<\/em> pol\u00edtica evang\u00e9lica. S\u00e3o m\u00faltiplas vozes e orienta\u00e7\u00f5es, que, por sua vez, possibilitam uma diversidade de modos de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no campo social, com um espectro extremamente amplo de sujeitos, ideologias, conjunturas hist\u00f3ricas e projetos sociopol\u00edticos. Aqui reside, portanto, a import\u00e2ncia de tornar mais complexa a abordagem da configura\u00e7\u00e3o interna do evangelicalismo, de modo a compreender que sua relev\u00e2ncia pol\u00edtica n\u00e3o adv\u00e9m de um contra-ataque em bloco a um conjunto particular de discursos ou agentes, mas de sua capacidade de articula\u00e7\u00e3o, hibridismo, fluidez e maleabilidade para viabilizar e catalisar, a partir do significado polivalente que constitui o \"evangelicalismo\", diferentes demandas, pr\u00e1ticas e constru\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias antag\u00f4nicas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Algranti, Joaqu\u00edn (2010). <em>Pol\u00edtica y religi\u00f3n en los m\u00e1rgenes<\/em>. Buenos Aires: Ciccus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Arditi, Benjam\u00edn (2009). <em>La pol\u00edtica en los bordes del liberalismo. 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Una lectura sobre la producci\u00f3n cient\u00edfica acerca de la participaci\u00f3n pol\u00edtica evang\u00e9lica en la vida democr\u00e1tica argentina (1983-2010)\u201d, <em>Revista Cultura y Religi\u00f3n<\/em>, vol. 5, n\u00fam. 2, pp. 96-116.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Carbonelli, Marcos y Mariela Mosqueira (2010). \u201cMilitantes del Se\u00f1or: cosmolog\u00eda y praxis evang\u00e9lica sobre el espacio p\u00fablico\u201d, <em>Sociedad y religi\u00f3n<\/em>, vol. 20, n\u00fam. 32-33 , pp.108-123.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ceriani, Cesar (2013). \u201cLa religi\u00f3n como categor\u00eda social: encrucijadas sem\u00e1nticas y pragm\u00e1ticas\u201d, <em>Cultura y Religi\u00f3n<\/em>, vol. 7, n\u00fam. 1, pp.10-26.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Connolly, William (2008). <em>Capitalism and Christianity, American Style<\/em>. Durham: Duke University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Fediakova, Evguenia (2013). <em>Evang\u00e9licos, pol\u00edtica y sociedad en Chile: dejando \u201cel refugio de las masas\u201d. 1990-2010<\/em>. Santiago: <span class=\"small-caps\">ceep, idea <\/span>\/ Universidad de Santiago.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Frigerio, Alejandro (1994). \u201cEstudios recientes sobre el pentecostalismo en el Cono Sur: problemas y perspectivas\u201d, en Alejandro Frigerio (ed.), <em>El Pentecostalismo en Argentina<\/em>. Buenos Aires: Centro Editor de Am\u00e9rica Latina, Biblioteca Pol\u00edtica Argentina, pp. 10-28.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2007). \u201cRepensando el monopolio religioso del catolicismo en la Argentina\u201d, en Julia Carozzi y Cesar Ceriani (ed.), <em>Ciencias sociales y religi\u00f3n en Am\u00e9rica Latina<\/em>. 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Autor de <em>F\u00e9 que \u00e9 tornada p\u00fablica<\/em> (2019), <em>Descoloniza\u00e7\u00e3o do conhecimento teol\u00f3gico latino-americano<\/em> (2018), <em>Religi\u00f5es, pol\u00edtica e o estado secular na Am\u00e9rica Latina<\/em> (2017), <em>Religi\u00e3o, pol\u00edtica e p\u00f3s-colonialidade na Am\u00e9rica Latina<\/em> (2016), entre outros. <span class=\"small-caps\">orcid<\/span>: 0000-0002-0513-7175<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artigo a seguir busca reagir ao estudo de Joanildo Burity, intitulado \"El pueblo evang\u00e9lico: construcci\u00f3n hegem\u00f3nica, disputas minoritarias y reacci\u00f3n conservadora\", que trata da constru\u00e7\u00e3o da \"pol\u00edtica evang\u00e9lica\" a partir das no\u00e7\u00f5es de \"povo\" e \"l\u00f3gica populista\", a partir da obra de Ernesto Laclau. O objetivo \u00e9 destacar a relev\u00e2ncia de sua contribui\u00e7\u00e3o para a ressignifica\u00e7\u00e3o de algumas matrizes de an\u00e1lise sobre a identidade evang\u00e9lica e sua rela\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o p\u00fablico. Para tanto, a proposta de Burity ser\u00e1 complementada com o uso de outras categorias dentro do pr\u00f3prio arcabou\u00e7o de Laclau, juntamente com as contribui\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o do Cone Sul sobre o campo evang\u00e9lico.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[676,675,300,677,29],"coauthors":[551],"class_list":["post-33148","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-34","tag-agonismo","tag-campo-evangelico","tag-identidad","tag-logica-populista","tag-politica","personas-nicolas-panotto","numeros-627"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Lo evang\u00e9lico como fuerza agonista: disputas hegem\u00f3nicas &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"La fuerza evag\u00e9lica en la actualidad deriva de su capacidad de atender a un conjunto de demandas sociales en un contexto agonista.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/panotto-evangelico-fuerza-agonista\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Lo evang\u00e9lico como fuerza agonista: disputas hegem\u00f3nicas &#8211; 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