{"id":33145,"date":"2020-09-22T05:10:36","date_gmt":"2020-09-22T05:10:36","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=33145"},"modified":"2023-11-17T18:33:32","modified_gmt":"2023-11-18T00:33:32","slug":"olvera-populismo_religion_brasil_mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/olvera-populismo_religion_brasil_mexico\/","title":{"rendered":"Populismo e religi\u00e3o no Brasil e no M\u00e9xico. Uma breve reflex\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">A rela\u00e7\u00e3o entre populismo, religi\u00e3o e pol\u00edtica \u00e9 analisada, tanto em n\u00edvel te\u00f3rico quanto nos casos do Brasil e do M\u00e9xico. Come\u00e7a com uma cr\u00edtica ao artigo de Joanildo Burity sobre \"o povo pentecostal\" no Brasil e a relev\u00e2ncia de usar a teoria do populismo de Laclau para explicar esse fen\u00f4meno. Em seguida, os mesmos argumentos s\u00e3o usados para analisar, em contraste, o populismo mexicano contempor\u00e2neo, encarnado pelo presidente Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador, destacando sua origem religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/brasil\/\" rel=\"tag\">Brasil<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/mexico\/\" rel=\"tag\">M\u00e9xico<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/pentecostalismo\/\" rel=\"tag\">Pentecostalismo<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/populismo\/\" rel=\"tag\">populismo<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/pueblo\/\" rel=\"tag\">aldeia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\"><span class=\"small-caps\">populismo e religi\u00e3o no brasil e no m\u00e9xico. uma breve reflex\u00e3o<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">Resumo: Este texto analisa a rela\u00e7\u00e3o entre populismo, religi\u00e3o e pol\u00edtica, tanto em um plano te\u00f3rico quanto nos casos do Brasil e do M\u00e9xico. Inicia-se com uma cr\u00edtica ao artigo de Joanildo Burity sobre o \"povo pentecostal\" no Brasil e sobre a pertin\u00eancia de se utilizar a teoria do populismo de Laclau para explicar esse fen\u00f4meno. Em seguida, os mesmos argumentos s\u00e3o usados para analisar, em contraste, o populismo mexicano contempor\u00e2neo, personificado pelo presidente Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador, destacando sua forma\u00e7\u00e3o religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">Palavras-chave: Populismo, povo, pentecostalismo, Brasil, M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">A<\/span>apelar para uma teoria do populismo para explicar a forma\u00e7\u00e3o de grandes movimentos pol\u00edticos em tempos de crise \u00e9 tentador, sugestivo e at\u00e9 mesmo necess\u00e1rio. V\u00e1rios te\u00f3ricos da democracia h\u00e1 muito tempo falam que a democracia est\u00e1 sempre se movendo entre dois extremos: f\u00e9 e ceticismo (Oakeshott, 1998), ou reden\u00e7\u00e3o e pragmatismo (Canovan, 1999). O extremo crente \u00e9 muito pr\u00f3ximo da religi\u00e3o, na medida em que atribui \u00e0 vontade popular uma capacidade instituinte que cria uma ordem pol\u00edtica cujas bases morais, na modernidade, se assentam no princ\u00edpio da dignidade e da autonomia humana (liberalismo) - j\u00e1 pressuposto no cristianismo - ou, expresso de forma mais categ\u00f3rica, na igualdade essencial dos homens (e, mais recentemente, tamb\u00e9m das mulheres). Em correntes pol\u00edticas mais contempor\u00e2neas, o princ\u00edpio da justi\u00e7a substantiva\/distributiva (socialismo) complementou o princ\u00edpio moral da igualdade com um preceito material. A esperan\u00e7a de emancipa\u00e7\u00e3o preside as grandes narrativas pol\u00edticas, uma expectativa mais pr\u00f3xima da f\u00e9 do que da realidade. Os grandes discursos pol\u00edticos sempre postulam algum tipo de refunda\u00e7\u00e3o, e quanto mais grandiosa a a\u00e7\u00e3o, maior o poder simb\u00f3lico de seus portadores (os l\u00edderes partid\u00e1rios, os l\u00edderes). No extremo pragm\u00e1tico est\u00e1 a maioria dos pol\u00edticos e cidad\u00e3os das democracias consolidadas. A dura realidade da inevitabilidade do capitalismo (mesmo que regulamentos melhores ou piores possam ser impostos a ele) e a precariedade e a necessidade permanente de renova\u00e7\u00e3o da ordem pol\u00edtica democr\u00e1tica os for\u00e7am a assumir uma atitude pragm\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o a realidades que se recusam a ser \"refundadas\" pela vontade do soberano. Nessa perspectiva, a democracia \u00e9 vista como uma negocia\u00e7\u00e3o permanente dentro de uma estrutura estreita de op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 l\u00f3gico que, em tempos de crise na ordem pol\u00edtica, \u00e9 necess\u00e1rio considerar uma grande renova\u00e7\u00e3o. \u00c9 o momento ideal para o surgimento de l\u00edderes que ofere\u00e7am solu\u00e7\u00f5es grandiosas, \u00e0s vezes m\u00e1gicas, para os problemas urgentes do presente. E \u00e9 por isso que os estudos sobre formas extraordin\u00e1rias de lideran\u00e7a e, especialmente, sobre o populismo como forma de pol\u00edtica, t\u00eam uma longa genealogia, assim como o pr\u00f3prio fen\u00f4meno.<sup><a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre populismo e religi\u00e3o \u00e9 de afinidade eletiva, como diria Weber. Os l\u00edderes populistas prop\u00f5em grandes feitos e apelam para princ\u00edpios identit\u00e1rios primordiais, quase sempre baseados na religi\u00e3o, entendida como a base da cultura nacional e\/ou como o fundamento moral para a recupera\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica (Arato, 2017). Portanto, as igrejas estabelecem uma rela\u00e7\u00e3o peculiar com os populistas: apreciam sua f\u00e9, apoiam sua causa, permitem o uso de tropos religiosos na linguagem pol\u00edtica e buscam vantagens para seu rebanho, mas, quando se trata do exerc\u00edcio do poder, enfrentam dilemas \u00e9ticos e situa\u00e7\u00f5es desconfort\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>O populismo est\u00e1 situado na \"periferia\" da democracia, em seu extremo redentor. Est\u00e1 em constante tens\u00e3o com ela, est\u00e1 em seus limites. Ele nasce na democracia, mas suas institui\u00e7\u00f5es o atrapalham. O populismo tem uma rela\u00e7\u00e3o semelhante com a religi\u00e3o: ele apela para seu imagin\u00e1rio, para seus princ\u00edpios, mas n\u00e3o aceita a interfer\u00eancia das igrejas nos assuntos terrenos.<\/p>\n\n\n\n<p>O eixo simb\u00f3lico do populismo \u00e9 justamente \"o povo\". Sua defini\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial, pois estabelece distin\u00e7\u00f5es entre amigos e inimigos na arena pol\u00edtica. S\u00e3o os l\u00edderes populistas que definem quem \u00e9 o povo. Mas em certos processos pol\u00edticos, a constru\u00e7\u00e3o de uma identidade pol\u00edtica a partir do campo religioso pode envolver o uso da categoria do povo (De la Torre, 2015). Vale a pena perguntar se a autodescri\u00e7\u00e3o de um grupo social como \"povo\" a partir de uma base religiosa tamb\u00e9m \u00e9 um exerc\u00edcio v\u00e1lido do ponto de vista sociol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo aborda essa discuss\u00e3o e tenta contribuir para a compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre populismo, religi\u00e3o e pol\u00edtica, tanto em n\u00edvel te\u00f3rico quanto aplicando a reflex\u00e3o aos casos do Brasil e do M\u00e9xico. Obviamente, esse breve exerc\u00edcio \u00e9 muito b\u00e1sico e \u00e9 mais uma provoca\u00e7\u00e3o do que qualquer outra coisa. O texto est\u00e1 dividido em duas partes. Na primeira, uma leitura cr\u00edtica do artigo principal do<em> dossi\u00ea <\/em>O tema principal desta edi\u00e7\u00e3o \u00e9 o de Joanildo Burity sobre \"o povo pentecostal\" no Brasil. Como o autor se baseia na teoria do populismo de Laclau, a discuss\u00e3o nos obriga a considerar as interpreta\u00e7\u00f5es do populismo e sua relev\u00e2ncia para explicar o caso dos movimentos pentecostais no Brasil. A segunda parte usa os argumentos apresentados na primeira parte para analisar, por meio de contraste, o populismo mexicano contempor\u00e2neo, encarnado pelo presidente Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador, destacando seu hist\u00f3rico religioso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\"Povo pentecostal\" no Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">O artigo de Joanildo Burity \u00e9 uma excelente an\u00e1lise do processo de forma\u00e7\u00e3o de um grupo de seitas evang\u00e9licas em uma esp\u00e9cie de \"aldeia pol\u00edtica\". Burity se baseia na teoria do populismo de Ernesto Laclau para explicar a trajet\u00f3ria complexa e contradit\u00f3ria de igrejas evang\u00e9licas m\u00faltiplas e politicamente plurais que, ao longo de v\u00e1rias d\u00e9cadas, se tornaram um movimento social. Esse processo conseguiu criar uma identidade coletiva compartilhada que, em circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas extraordin\u00e1rias, como a crise do governo do Partido dos Trabalhadores em 2016, levou, pelo menos parcialmente, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um senso coletivo de fazer parte de um \"povo\". Certamente, Burity n\u00e3o afirma que os pentecostais s\u00e3o <em>em<\/em> pessoas, mas uma parte de uma entidade mais abstrata que, por enquanto, se expressou principalmente em termos negativos por meio da rejei\u00e7\u00e3o aberta da elite pol\u00edtica brasileira como um todo nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2018 e no apoio arriscado a um l\u00edder completamente improv\u00e1vel e fortuito como Jair Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Burity situa o surgimento e a consolida\u00e7\u00e3o das igrejas evang\u00e9licas na Am\u00e9rica Latina dentro do contexto mais amplo da imposi\u00e7\u00e3o do neoliberalismo na regi\u00e3o e da pluraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica provocada pela democratiza\u00e7\u00e3o. Essas igrejas avan\u00e7aram lado a lado com a crise social e moral criada pela nova ordem econ\u00f4mica e pol\u00edtica. Por um lado, o neoliberalismo rompeu as antigas formas de solidariedade popular horizontal e criou uma nova crise social e moral. <em>demonstra\u00e7\u00f5es<\/em> fragmentada, cuja express\u00e3o sociodemogr\u00e1fica m\u00e1xima est\u00e1 nas ca\u00f3ticas favelas urbanas que caracterizam as cidades latino-americanas. \u00c9 nesses contextos sociais, onde as pessoas vivem em condi\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias e sofrem a ruptura das rela\u00e7\u00f5es tradicionais de solidariedade, que as igrejas pentecostais conseguiram prosperar, oferecendo um espa\u00e7o para a ajuda m\u00fatua coletiva, a constru\u00e7\u00e3o de redes de solidariedade interpessoal - ainda que moment\u00e2nea ou fugaz - e uma ideologia que revaloriza atitudes e princ\u00edpios conservadores como base para o sucesso na vida. Essa explica\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica aborda a parte do problema que se refere \u00e0s causas do crescimento dessas igrejas em contextos democr\u00e1ticos nos quais h\u00e1, hipoteticamente, uma oferta pol\u00edtica m\u00faltipla dispon\u00edvel e redes clientelistas que s\u00e3o ativadas pelo menos a cada elei\u00e7\u00e3o. De fato, embora as condi\u00e7\u00f5es objetivas sejam favor\u00e1veis \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es alternativas que produzem solidariedade e identidade coletiva, como as igrejas pentecostais, isso n\u00e3o \u00e9 suficiente para explicar seu gigantesco desenvolvimento no Brasil e em alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica Central, onde alcan\u00e7aram grande poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>No artigo, h\u00e1 um reconhecimento desse crescimento, mas nenhuma explica\u00e7\u00e3o para ele. O fato de que em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina as igrejas pentecostais n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o centrais implica que deve haver fatores espec\u00edficos em cada pa\u00eds que explicam a natureza desse processo. Pelo menos neste artigo, n\u00e3o encontramos tal explica\u00e7\u00e3o, que tem a ver tanto com a presen\u00e7a territorial de certos atores quanto com a aus\u00eancia de outros, como o Estado e a Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p>Burity analisa a crescente politiza\u00e7\u00e3o das igrejas evang\u00e9licas, ou seja, a maneira pela qual elas se incorporaram progressivamente \u00e0 arena pol\u00edtica at\u00e9 se tornarem uma for\u00e7a quase hegem\u00f4nica dentro do campo conservador, pelo menos na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o presidencial no Brasil. O autor sup\u00f5e que o empoderamento dessas igrejas pode ser explicado por seu sucesso na constitui\u00e7\u00e3o de um \"povo evang\u00e9lico\", na \"emerg\u00eancia evang\u00e9lica como constru\u00e7\u00e3o de um <em>nova subjetividade pol\u00edtica<\/em>\"isto \u00e9, na constru\u00e7\u00e3o de um novo povo. Ou mesmo na rehegemoniza\u00e7\u00e3o do povo. N\u00e3o em sua origem, mas em seu destino. Primeiro, por meio da exig\u00eancia de ser uma parte leg\u00edtima do povo-na\u00e7\u00e3o (o anticatolicismo e a reivindica\u00e7\u00e3o do l\u00e9xico dos direitos de cidadania s\u00e3o os principais movimentos nesse caso). Depois, especialmente nos \u00faltimos cinco ou seis anos (este texto foi escrito no in\u00edcio de 2020), ao assumir-se como um sujeito pol\u00edtico constitu\u00eddo, com a inten\u00e7\u00e3o de redefinir o povo-na\u00e7\u00e3o como um <em>povo evang\u00e9lico<\/em> (Burity).<\/p>\n\n\n\n<p>Para os leitores n\u00e3o familiarizados com a hist\u00f3ria brasileira, \u00e9 dif\u00edcil entender o tamanho e a diversidade das igrejas evang\u00e9licas, sua distribui\u00e7\u00e3o territorial e penetra\u00e7\u00e3o social al\u00e9m das \u00e1reas populares das cidades brasileiras (Kingstone e Power, 2017). Na realidade, o mercado pentecostal \u00e9 fragmentado e competitivo, pois essas igrejas n\u00e3o t\u00eam uma autoridade central e uma doutrina unificada. Portanto, \u00e9 dif\u00edcil entender como \u00e9 poss\u00edvel chegar a um ponto em que as v\u00e1rias igrejas parecem convergir para o mesmo projeto pol\u00edtico e se tornar parte de um governo de extrema direita cujo presidente contradiz em cada palavra e a\u00e7\u00e3o os princ\u00edpios religiosos que sustentam a identidade pentecostal.<\/p>\n\n\n\n<p>Para explicar esse aparente paradoxo, que n\u00e3o \u00e9 exclusivo do Brasil, mas tamb\u00e9m pode ser observado nos Estados Unidos de Donald Trump e na \u00cdndia de Narendra Modi, o autor recorre a Laclau (2005) para explicar como um projeto comum \u00e9 constru\u00eddo discursivamente a partir de elementos d\u00edspares e logicamente inconsistentes. De fato, a teoria de Laclau oferece uma explica\u00e7\u00e3o dos fundamentos psicol\u00f3gicos, sociol\u00f3gicos e pol\u00edticos nos quais o populismo se baseia. De acordo com Laclau, o populismo \u00e9 uma forma t\u00e3o b\u00e1sica e difundida de pol\u00edtica atualmente que o fil\u00f3sofo argentino acaba considerando que o populismo \u00e9 <em>o<\/em> pol\u00edtica de nosso tempo. O argumento \u00e9 que, diante do colapso da legitimidade dos partidos pol\u00edticos e dada a fragmenta\u00e7\u00e3o da sociedade capitalista contempor\u00e2nea, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel desenvolver uma pol\u00edtica democr\u00e1tica por meio da representa\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. A fragmenta\u00e7\u00e3o do social s\u00f3 pode ser superada por meio de uma condensa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica constru\u00edda por meios discursivos e pela a\u00e7\u00e3o no campo pol\u00edtico de um l\u00edder forte que unifique o campo popular. Essa unidade fict\u00edcia \u00e9 constru\u00edda com base em uma demanda real ou em um conjunto de demandas de uma parte da sociedade e, em seguida, por meio de um processo discursivo, transforma essa particularidade em uma generalidade, ou seja, converte essa parte em um todo. Esse mecanismo discursivo requer a exist\u00eancia de um \"significante vazio\", ou seja, uma demanda ou express\u00e3o pol\u00edtica que canalize e sintetize todas as parcialidades, que resuma o sentimento da maioria em uma express\u00e3o concreta. Para isso, esse significante vazio \u00e9 articulado por meio de uma \"cadeia de equival\u00eancias\" com as demandas e os discursos particulares de cada grupo ou setor. Esse significante vazio pode ser qualquer demanda, dependendo das circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas dadas: o resgate da na\u00e7\u00e3o, o orgulho patri\u00f3tico, a justi\u00e7a social, a luta contra a corrup\u00e7\u00e3o, a rejei\u00e7\u00e3o das elites, o resgate e a defesa dos princ\u00edpios morais tradicionais etc. Uma vez definido o significante vazio, constr\u00f3i-se um campo pol\u00edtico de amigos e inimigos. Os primeiros s\u00e3o aqueles que comp\u00f5em o povo, os segundos s\u00e3o aqueles que se op\u00f5em ao seu sucesso e constituem o inimigo a ser derrotado.<sup><a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a><\/sup> O problema \u00e9 que algu\u00e9m deve enunciar esse significante vazio. E para que esse enunciador seja ao mesmo tempo o representante da unidade dos diversos, ele precisa estar ligado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o dispersa por meios emotivos, estabelecendo um v\u00ednculo afetivo que substitua a concess\u00e3o racional da representa\u00e7\u00e3o. Assim, o l\u00edder se torna a personifica\u00e7\u00e3o de um tipo de vontade popular difusa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa teoria tem um efeito negativo sobre a democracia. Por um lado, seu diagn\u00f3stico da pol\u00edtica a reduz a um exerc\u00edcio discursivo de enunciar uma ou algumas frases\/demandas que sintetizam a complexidade das necessidades sociais apelando n\u00e3o \u00e0 raz\u00e3o, mas \u00e0 emo\u00e7\u00e3o. O v\u00ednculo representativo, a base da democracia e, em geral, da associa\u00e7\u00e3o e da participa\u00e7\u00e3o, ou seja, da democracia e da pol\u00edtica a partir da sociedade, \u00e9 abandonado com base em uma esp\u00e9cie de obsolesc\u00eancia em nossas democracias tardias. A representa\u00e7\u00e3o implica um exerc\u00edcio de autoriza\u00e7\u00e3o limitada (algu\u00e9m \u00e9 eleito para fazer algo por um determinado per\u00edodo de tempo) e um mecanismo de supervis\u00e3o ou presta\u00e7\u00e3o de contas, mesmo que seja <em>postfactum<\/em>Esse \u00faltimo pode ser alcan\u00e7ado por meio de elei\u00e7\u00f5es ou pela ativa\u00e7\u00e3o de outros mecanismos de controle (desde a divis\u00e3o de poderes at\u00e9 a press\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica (Pitkin, 1967). Urbinati (2014), por exemplo, define a democracia representativa como uma articula\u00e7\u00e3o de vontades (<em>vontade<\/em>), expressa por meio da decis\u00e3o eleitoral, e a opini\u00e3o, ou seja, as maneiras pelas quais os governantes eleitos s\u00e3o examinados criticamente. A chave aqui \u00e9 a exist\u00eancia de um equil\u00edbrio de poder e de uma esfera p\u00fablica cr\u00edtica. A teoria de Laclau dispensa a opini\u00e3o, declarando que a pol\u00edtica \u00e9 apenas vontade, e que essa vontade \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, a do l\u00edder que incorpora a vontade popular que somente ele \u00e9 capaz de expressar.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, Laclau retorna \u00e0s cr\u00edticas de Carl Schmitt (1991) \u00e0 Rep\u00fablica de Weimar, ao seu conceito de pol\u00edtica como a defini\u00e7\u00e3o de amigos e inimigos, e \u00e0 sua ideia de que a identidade entre l\u00edder e povo \u00e9 a pr\u00f3pria ess\u00eancia da democracia. Laclau acrescenta uma teoria do discurso articulado \u00e0 sua teoria p\u00f3s-gramsciana da hegemonia a fim de reciclar Schmitt, dando-lhe um v\u00e9u \"racional\". Ao fazer isso, ele acredita estar lan\u00e7ando as bases para uma nova pol\u00edtica \"radical\", o que s\u00f3 \u00e9 verdade na medida em que o efeito l\u00edquido mais prov\u00e1vel dessa pol\u00edtica \u00e9 a pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o da democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Laclau destaca o potencial inclusivo do populismo e, nesse sentido, seu car\u00e1ter democratizante. Os l\u00edderes populistas d\u00e3o voz aos que n\u00e3o t\u00eam voz, falam por aqueles que ningu\u00e9m ouve. O que distingue o populismo contempor\u00e2neo \u00e9 que ele surge dentro da democracia, \u00e9 um de seus produtos, uma esp\u00e9cie de corretivo para seus excessos ou d\u00e9ficits (Canovan, 2005; Urbinati, 2019). Arditti (2014) diz que o populismo est\u00e1 situado \"nas bordas do liberalismo\", para observar que esse tipo de pol\u00edtica est\u00e1 nos limites da democracia. Ele surge nela, vive nela, mas de alguma forma entra em conflito com ela e, em casos extremos, a coloca em risco, como confirmado pelos casos da Venezuela (onde o populismo chavista resultou em uma ditadura destrutiva) e da Hungria, onde V\u00edktor Orb\u00e1n anulou o parlamento e o judici\u00e1rio, perseguiu atores da sociedade civil e instituiu o governo de um homem s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa perspectiva te\u00f3rica, poder\u00edamos pensar, em primeiro lugar, que as igrejas evang\u00e9licas n\u00e3o podem ser o ve\u00edculo para a forma\u00e7\u00e3o de um discurso que consiga articular outros discursos e atores. Seus valores religiosos n\u00e3o s\u00e3o, de forma alguma, um significante vazio suficiente para criar uma frente social politicamente unificada, pelo menos n\u00e3o nas sociedades ocidentais contempor\u00e2neas, onde h\u00e1 certa pluralidade religiosa e pol\u00edtica e que, em geral, s\u00e3o bastante seculares. Houve momentos hist\u00f3ricos e h\u00e1 pa\u00edses em que uma religi\u00e3o pode se tornar um elemento central de uma esp\u00e9cie de significante vazio, como o hindu\u00edsmo fundamentalista de Narendra Modi ou o catolicismo conservador dos l\u00edderes pol\u00edticos poloneses. Mas, em ambos os casos, estamos falando de religi\u00f5es verdadeiramente hegem\u00f4nicas, historicamente constitu\u00eddas no territ\u00f3rio e na cultura nacionais. O pentecostalismo n\u00e3o \u00e9 hegem\u00f4nico no Brasil e talvez n\u00e3o seja hegem\u00f4nico em nenhum outro pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>A teoria de Laclau \u00e9 uma teoria da hegemonia, ou seja, uma teoria que pressup\u00f5e que uma determinada articula\u00e7\u00e3o discursiva consiga ser reconhecida como o eixo da moralidade p\u00fablica e de um projeto pol\u00edtico majorit\u00e1rio. O pentecostalismo como express\u00e3o religiosa n\u00e3o pode ser o eixo articulador de um discurso hegem\u00f4nico nas sociedades latino-americanas atuais. Burity n\u00e3o tenta nos convencer disso, mas sim de que os pentecostais \"se tornaram um povo\", o que ele entende mais como um movimento identit\u00e1rio com uma representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Mas na teoria populista n\u00e3o h\u00e1 lugar para muitos povos, apenas um. \u00c9 exatamente disso que se trata o populismo. Portanto, falar de um \"povo pentecostal\" na teoria de Laclau parece uma contradi\u00e7\u00e3o l\u00f3gica. Em um determinado momento, os pentecostais podem ser parte do povo e suas demandas podem ter sido parcialmente expressas como parte da cadeia de equival\u00eancias dentro de um significante vazio constru\u00eddo por outra pessoa. A participa\u00e7\u00e3o ativa dos pentecostais, por meio de suas v\u00e1rias forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, no movimento que levou Jair Bolsonaro \u00e0 presid\u00eancia do Brasil \u00e9 um ato circunstancial, produto de uma conjuntura pol\u00edtica peculiar, que justamente por ser assim n\u00e3o \u00e9 uma base firme para uma potencial nova hegemonia.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, como o pr\u00f3prio autor explica, foi a crise hegem\u00f4nica do Partido dos Trabalhadores que abriu uma conjuntura pol\u00edtica que levou a um v\u00e1cuo de lideran\u00e7a e a uma crise org\u00e2nica do sistema pol\u00edtico. Em 2013, as gigantescas manifesta\u00e7\u00f5es de cidad\u00e3os brasileiros em todas as principais cidades do pa\u00eds j\u00e1 anunciavam o esgotamento das capacidades hegem\u00f4nicas do <span class=\"small-caps\">pt<\/span>. O partido hist\u00f3rico da esquerda brasileira, o maior partido de massas da Am\u00e9rica Latina, o partido que promoveu a mais ampla experimenta\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica na regi\u00e3o, foi, a partir daquele momento, rejeitado por uma propor\u00e7\u00e3o crescente da popula\u00e7\u00e3o por n\u00e3o ter correspondido \u00e0s expectativas de melhoria cont\u00ednua das condi\u00e7\u00f5es de vida das classes populares e m\u00e9dias e, em vez disso, ter institucionalizado um sistema pol\u00edtico baseado na troca de favores e na corrup\u00e7\u00e3o sist\u00eamica. Deve-se dizer que esse sistema foi tolerado por d\u00e9cadas, pois era a \u00fanica maneira de construir estabilidade pol\u00edtica em um pa\u00eds onde as elites regionais mantinham poder de veto sobre todos os governos federais (Avritzer, 2016). Paradoxalmente, a pr\u00f3pria democratiza\u00e7\u00e3o da vida p\u00fablica promovida pelo <span class=\"small-caps\">pt<\/span> permitiu o uso pol\u00edtico dos intermin\u00e1veis esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o para construir gradualmente a imagem do <span class=\"small-caps\">pt<\/span> como o promotor de tudo o que os conservadores consideravam \"pecados pol\u00edticos\": corrup\u00e7\u00e3o, multiculturalismo, toler\u00e2ncia \u00e0 diversidade sexual, o pr\u00f3prio empoderamento relativo das mulheres. Nas classes m\u00e9dias, a incoer\u00eancia de um discurso baseado na justi\u00e7a e na participa\u00e7\u00e3o com uma pr\u00e1tica pol\u00edtica baseada na corrup\u00e7\u00e3o, que, por mais antiga e tradicional que fosse, tinha de continuar a ser tolerada (Avritzer e Filgueiras, 2012; Power e Taylor, 2011), pesava muito sobre as classes m\u00e9dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, h\u00e1 v\u00e1rios fatores que explicam essa crise estrutural do sistema pol\u00edtico brasileiro, que n\u00e3o foi apenas uma crise do <span class=\"small-caps\">pt<\/span>Os partidos pol\u00edticos que compunham o regime democr\u00e1tico disfuncional e seu pr\u00f3prio projeto constitucional tamb\u00e9m foram afetados. Justamente por ser o fim de uma era, abriu-se uma conjuntura em que era f\u00e1cil articular uma cr\u00edtica \u00e0 ordem existente do tipo populista tradicional: \"morte \u00e0 oligarquia pol\u00edtica que nos governa; fora com a elite corrupta; chega de subverter os princ\u00edpios morais da sociedade\". Em outras palavras, um inimigo identific\u00e1vel poderia ser facilmente constru\u00eddo: a elite pol\u00edtica como um todo e seus aliados intelectuais e culturais, em contraste com um povo bom que era o reposit\u00f3rio das reservas morais destru\u00eddas pela pol\u00edtica. Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, a guerra civil interna da classe pol\u00edtica brasileira entre 2015 e 2018 terminou em sua autodestrui\u00e7\u00e3o, o que abriu a porta para um l\u00edder oportunista vindo de dentro da pr\u00f3pria classe pol\u00edtica, mas sempre marginal dentro dela, que soube aproveitar o enorme v\u00e1cuo de lideran\u00e7a e articular politicamente um movimento de protesto antipol\u00edtico, desprovido de um programa, que representava apenas um sentimento de ennui, uma rejei\u00e7\u00e3o quase irracional da pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pentecostais n\u00e3o desempenharam um papel central nesse processo, mas se juntaram ao governo que emergiu dessa elei\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria. H\u00e1 muitos anos o Brasil tem tido prefeitos, deputados, senadores, ministros e governadores pentecostais. A inser\u00e7\u00e3o dessas igrejas na pol\u00edtica tem quase tr\u00eas d\u00e9cadas e vem crescendo \u00e0 medida que a crise pol\u00edtica se agrava. Lembre-se de que no Brasil se diz que as principais bancadas parlamentares podem ser classificadas da seguinte forma <em>tr\u00eas b<\/em>A coaliz\u00e3o era formada pelo boi (pecuaristas), a B\u00edblia (pentecostais) e a bala (militares). Essa coaliz\u00e3o ultraconservadora vetou as iniciativas mais ousadas de um governo um tanto arriscado e muito pragm\u00e1tico. <span class=\"small-caps\">pt<\/span> e abriu as portas para o populismo de Bolsonaro ao conspirar para dar um golpe de estado duvidosamente legalizado contra a presidente Dilma Rousseff, promovendo a pris\u00e3o do ex-presidente Lula, alimentando a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds e destruindo as salvaguardas institucionais que protegiam a constitui\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de 1988 (Avritzer, 2016). Ao longo desse processo, os pentecostais atuaram politicamente n\u00e3o como \"povo\", mas guiados pelos mesmos l\u00edderes pragm\u00e1ticos que outrora apoiaram e participaram dos governos de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma a partir do parlamento e que, nas novas circunst\u00e2ncias, acharam por bem passar para o lado oposto, primeiro por conveni\u00eancia pol\u00edtica e, segundo, por certa afinidade ideol\u00f3gica com Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>O populismo de Jair Bolsonaro \u00e9 tudo menos parecido com o pentecostalismo, exceto em sua defesa do patriarcado e sua oposi\u00e7\u00e3o ao aborto e ao casamento igualit\u00e1rio. Bolsonaro est\u00e1 tentando abertamente destruir a Rep\u00fablica, pedindo o fechamento do Congresso, onde sua bancada tem apenas 10% dos assentos; a destitui\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal de Justi\u00e7a, pois teme que um dia ele processe seus filhos (suspeitos do assassinato de uma vereadora negra e l\u00e9sbica do Rio de Janeiro) e a si mesmo; e est\u00e1 pedindo abertamente um golpe militar, reinterpretando a ditadura militar de 1964-1986 como uma \"era de ouro\". Ele j\u00e1 se casou v\u00e1rias vezes e demonstrou um desprezo pelas mulheres, pelos \u00edndios, pela natureza e pela vida dos pobres que ningu\u00e9m no Brasil jamais ousou articular como um discurso p\u00fablico. Esse ex-l\u00edder golpista militar e protofascista pode ser o l\u00edder de um \"povo pentecostal\"? O \"significante vazio\" que Bolsonaro usou para ganhar a presid\u00eancia da Rep\u00fablica foi um conjunto bem conhecido de valores antielitistas e moralmente conservadores: \"morte aos corruptos\", \"abaixo as elites pol\u00edticas\", \"ordem moral e fim da toler\u00e2ncia com os <em>gays<\/em>\"Primeiro o Brasil, depois o mundo\", \"Deus e for\u00e7a para acabar com o crime\". De forma perform\u00e1tica, Bolsonaro desempenhou o papel de l\u00edder machista, militarista e provocador que passa por cima de tudo e de todos. \u00c9 muito dif\u00edcil atribuir uma aur\u00e9ola celestial a um l\u00edder assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais importante ainda, do ponto de vista da teoria de Laclau, o \"povo pentecostal\" n\u00e3o tem a lideran\u00e7a unificada que daria um senso de miss\u00e3o ao seu empreendimento. De fato, h\u00e1 pastores muito poderosos. Um deles \u00e9 dono de uma gigantesca rede de televis\u00e3o, e muitos outros t\u00eam sua pr\u00f3pria m\u00eddia, especialmente esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio. Os pastores pentecostais entenderam melhor do que ningu\u00e9m a import\u00e2ncia da m\u00eddia na era da \"democracia da audi\u00eancia\", como Manin (1998) a caracteriza. Mas nenhum deles se reconheceria em um \u00fanico l\u00edder. E se o l\u00edder viesse de fora, ele ou ela transcenderia as fronteiras do \"povo pentecostal\". Mais importante ainda, os pentecostais n\u00e3o s\u00e3o forasteiros no sistema pol\u00edtico. Seus pastores seniores t\u00eam sido pol\u00edticos profissionais por muitos anos e possuem empresas pr\u00f3speras. Eles criaram escolas, universidades, hospitais e empresas alavancando seu poder pol\u00edtico. Eles criaram n\u00e3o apenas redes religiosas, mas um vasto imp\u00e9rio de patroc\u00ednio. E, nesse processo, h\u00e1 muito tempo deixaram de ser marginalizados. Em termos mais convencionais, os pentecostais se tornaram uma rede de grupos de press\u00e3o com alta capacidade de representa\u00e7\u00e3o e defesa pol\u00edtica. Por esse motivo, falta um estudo sobre as lideran\u00e7as religiosas pentecostais e seu papel como mediadores entre o espa\u00e7o religioso privado e o espa\u00e7o p\u00fablico-pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais cedo ou mais tarde, os pentecostais ter\u00e3o de se separar desse l\u00edder, Jair Bolsonaro, que se ofereceu para colocar Deus em primeiro lugar apenas para criar o inferno na terra. E, ao fazer isso, o \"povo pentecostal\" ter\u00e1 de transcender a esfera privada como fonte de sua a\u00e7\u00e3o p\u00fablica (dec\u00eancia, busca do sucesso econ\u00f4mico, defesa do patriarcado etc.) para agir em defesa do interesse p\u00fablico na esfera p\u00fablica: respeito \u00e0 lei, aos direitos humanos e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e0 democracia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Para um contraste: o populismo de L\u00f3pez Obrador e seus tons religiosos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Parto aqui de uma linha de argumenta\u00e7\u00e3o apresentada por Andrew Arato em v\u00e1rios textos (Arato, 2013; Arato e Cohen, 2017). Em primeiro lugar, \u00e9 preciso lembrar que a democracia \u00e9, simbolicamente, uma ruptura com a antiga ordem pr\u00e9-moderna, que baseava sua legitimidade no car\u00e1ter divino da investidura dos monarcas. Claude Lefort (1990) parte de uma cr\u00edtica \u00e0 concep\u00e7\u00e3o medieval dos \"dois corpos do rei\" (Kantorowicz, 1981). Um deles era a representa\u00e7\u00e3o divina (teol\u00f3gica), dada pela b\u00ean\u00e7\u00e3o papal e pela sucess\u00e3o nobili\u00e1rquica adequada, e o outro era o humano f\u00edsico, governante e terreno que herdava o trono (secular). O poder era mantido por um homem (ou mulher) que n\u00e3o prestava contas a ningu\u00e9m. A dessacraliza\u00e7\u00e3o do poder provocada pela democracia pressup\u00f5e que o poder se torne um lugar \"vazio\". Ele n\u00e3o \u00e9 mais ocupado por um soberano absoluto, n\u00e3o h\u00e1 mais legitimidade divina, n\u00e3o h\u00e1 mais perman\u00eancia indefinida no trono. O poder \u00e9 temporariamente ocupado por um homem ou uma mulher que tem diversos controles e capacidades limitadas jur\u00eddica e politicamente. Simbolicamente, o reconhecimento da pluralidade e a divis\u00e3o da sociedade s\u00e3o institu\u00eddos. N\u00e3o h\u00e1 mais uma sociedade org\u00e2nica, mas uma sociedade composta de sujeitos e corpora\u00e7\u00f5es semiaut\u00f4nomas. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel localizar um \"povo\" unificado pelo corpo duplo do rei, mas um povo diverso e disperso que se governa por meio de mecanismos que implicam uma representa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, sempre em fluxo. Esse \u00e9 o ideal, t\u00e3o ilus\u00f3rio quanto o do poder absoluto do monarca, que tamb\u00e9m nunca existiu. Mas o princ\u00edpio moral e legal da democracia \u00e9 adequadamente descrito pelo tropo da vacuidade do poder.<\/p>\n\n\n\n<p>A democracia nunca funcionou muito bem em lugar algum, mas, como os mexicanos sabem bem por experi\u00eancia pr\u00f3pria, de uma forma ou de outra todos n\u00f3s aspiramos a aproxim\u00e1-la pelo menos um pouco mais do ideal. A longa luta pela democracia em todos os pa\u00edses e as incessantes den\u00fancias de autoritarismo em todas as suas formas refletem o fato de que a aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade, ao bem-estar e \u00e0 justi\u00e7a exige a constru\u00e7\u00e3o de controles sobre o poder, sendo o mais b\u00e1sico deles a possibilidade de se livrar de um l\u00edder em um per\u00edodo de tempo perempt\u00f3rio. Portanto, elei\u00e7\u00f5es competitivas s\u00e3o essenciais. Mas a democracia \u00e9 mais do que isso, pois pressup\u00f5e uma s\u00e9rie de controles e equil\u00edbrios formais e informais, o que implica a exist\u00eancia de outros poderes e espa\u00e7os p\u00fablicos para que os cidad\u00e3os expressem sua discord\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>A cr\u00edtica populista \u00e0 democracia baseia-se nas limita\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas dessa ordem: de uma forma ou de outra, as elites econ\u00f4micas acomodam ou colonizam o poder pol\u00edtico; os pr\u00f3prios pol\u00edticos se tornam uma elite separada das massas, uma \"casta privilegiada\" (De la Torre e Peruzzotti, 2008). At\u00e9 mesmo funcion\u00e1rios p\u00fablicos profissionais seniores, intelectuais e artistas se beneficiam das migalhas que as elites lhes oferecem para comprar seu sil\u00eancio e obter sua aquiesc\u00eancia. Somente o poder de um povo unificado pode combater o poder dessas \"m\u00e1fias extrativistas\". E para construir esse poder, \u00e9 necess\u00e1rio um l\u00edder para unificar, representar os exclu\u00eddos, falar por eles, ir al\u00e9m dos limites que as elites querem impor a eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme mencionado acima, estamos vivendo hoje, em n\u00edvel global, uma era populista, t\u00edpica do fim de um ciclo hist\u00f3rico. H\u00e1 anos, a globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal tem acentuado a desigualdade a n\u00edveis intoler\u00e1veis, sem que os governos democr\u00e1ticos tenham feito nada para p\u00f4r fim \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da natureza, \u00e0 demoli\u00e7\u00e3o da vida rural e \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o de um modo de vida urbano que \u00e9 uma prova\u00e7\u00e3o di\u00e1ria para a maioria. Os sujeitos da competi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, os partidos pol\u00edticos, perderam sua legitimidade e sua autonomia relativa em rela\u00e7\u00e3o aos poderes constitu\u00eddos. N\u00e3o \u00e9 de surpreender que, nos \u00faltimos dez anos, o mundo tenha vivido uma onda sem precedentes de protestos e movimentos sociais. Na aus\u00eancia de respostas na esfera pol\u00edtica formal, abriu-se um vasto espa\u00e7o, um verdadeiro v\u00e1cuo patol\u00f3gico que foi preenchido por l\u00edderes populistas em todo o mundo (Rosanvallon, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses l\u00edderes compartilham uma l\u00f3gica que tem quatro componentes essenciais (Arato, 2017: 288): uma concep\u00e7\u00e3o do povo como uma unidade (h\u00e1 apenas um povo, n\u00e3o uma pluralidade de atores); a parte (o bom povo) substitui o todo como sujeito\/objeto simb\u00f3lico da pol\u00edtica; a l\u00f3gica amigo\/inimigo \u00e9 a regra da pol\u00edtica (n\u00e3o h\u00e1 cr\u00edtica tolerada ou alian\u00e7as parciais, n\u00e3o h\u00e1 negocia\u00e7\u00e3o, apenas subordina\u00e7\u00e3o ou exclus\u00e3o); a recupera\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica da personifica\u00e7\u00e3o do poder, neste caso no l\u00edder, que representa o todo do povo, o que lhe confere uma aura semi-sagrada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 essa \u00faltima caracter\u00edstica que institui uma compreens\u00e3o teol\u00f3gica da pol\u00edtica. Os populismos variam no grau de teologiza\u00e7\u00e3o, mas todos t\u00eam como base simb\u00f3lica de sua miss\u00e3o um bem maior, seja a defesa da verdadeira religi\u00e3o, seja a prote\u00e7\u00e3o da pureza da cultura e dos valores nacionais contra a invas\u00e3o de imigrantes e outras for\u00e7as externas, seja a recupera\u00e7\u00e3o da antiga grandeza imperial, destru\u00edda por incompetentes e incompetentes, seja a recupera\u00e7\u00e3o da dec\u00eancia e da moralidade republicana contra o descaramento e a frivolidade da corrup\u00e7\u00e3o generalizada e dos privil\u00e9gios indevidos, e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<p>No M\u00e9xico, a crise econ\u00f4mica, moral e pol\u00edtica do regime neoliberal semidemocr\u00e1tico permitiu <span class=\"small-caps\">amlo<\/span> vencendo de forma decisiva uma elei\u00e7\u00e3o presidencial plebiscit\u00e1ria em 2018 (Olvera, 2020). Em sua longa campanha presidencial, ele construiu uma oposi\u00e7\u00e3o amigo\/inimigo muito simples e realista: as \"pessoas de bem\", os pobres, os trabalhadores mal pagos, desprezados e n\u00e3o representados por ningu\u00e9m - nem na arena pol\u00edtica nem na sociedade civil - contra a \"elite no poder\", uma alus\u00e3o a um conjunto vago de empres\u00e1rios, pol\u00edticos e elites intelectuais e da m\u00eddia. Ele desenvolveu o \"significante vazio\" mais elementar: a \"quarta transforma\u00e7\u00e3o\", que sintetizava o gesto hist\u00f3rico, a mudan\u00e7a radical, o esp\u00edrito de justi\u00e7a e a vontade pol\u00edtica. A partir da\u00ed, qualquer demanda concreta poderia ser incorporada \u00e0 cadeia de equival\u00eancias. Ele tinha a vantagem de que sua lideran\u00e7a j\u00e1 estava consolidada, pois era sua terceira campanha presidencial e ele havia criado seu partido pessoal, o Morena, em 2013. Sua credibilidade e legitimidade eram inquestion\u00e1veis, pois ele sempre criticou o neoliberalismo, a corrup\u00e7\u00e3o e denunciou os privil\u00e9gios dos \"que est\u00e3o no topo\". E, sem nunca ceder sua lideran\u00e7a, mas, ao contr\u00e1rio, afirmando-a, teve a habilidade e o pragmatismo de criar uma frente eleitoral oportunista, liderada por seus poucos fi\u00e9is, mas que recolheu as sobras dos outros partidos e as utilizou para criar, em um tempo muito curto, uma rede nacional de operadores pol\u00edticos (Olvera, 2020). Seu triunfo foi inquestion\u00e1vel e ele conquistou a maioria para seu partido e seus aliados no congresso federal e na maioria dos congressos estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez no poder, o presidente L\u00f3pez Obrador construiu um projeto que se baseia em uma \"vers\u00e3o pol\u00edtica teol\u00f3gica de um imagin\u00e1rio prof\u00e9tico secularizado\" (Arato, 2017: 288). <span class=\"small-caps\">amlo<\/span> tem seu pante\u00e3o de santos seculares, incluindo Ju\u00e1rez, Madero e C\u00e1rdenas, presidentes her\u00f3icos \u00e0 sua maneira e em seu tempo, dos quais ele extrai, respectivamente, a mod\u00e9stia, a abnega\u00e7\u00e3o e o nacionalismo. Ele pr\u00f3prio incorpora esses valores: abandonou a luxuosa resid\u00eancia presidencial de Los Pinos e mudou-se para o Pal\u00e1cio Nacional (ainda mais luxuoso); viaja em avi\u00f5es comerciais e, por algum tempo, dirigiu carros modestos; reduziu seu sal\u00e1rio e for\u00e7ou todos os altos funcion\u00e1rios da administra\u00e7\u00e3o a admitir redu\u00e7\u00f5es substanciais em suas rendas, al\u00e9m de retirar seus privil\u00e9gios de gastos, auxiliares e capacidade de distribui\u00e7\u00e3o de empregos; est\u00e1 resgatando, acima de qualquer l\u00f3gica econ\u00f4mica, o <span class=\"small-caps\">pemex<\/span> e para o <span class=\"small-caps\">cfe<\/span> para restaurar a centralidade econ\u00f4mica do Estado, como nos tempos irrecuper\u00e1veis do desenvolvimentismo estatista. Ele est\u00e1 mudando as regras ou cancelando os contratos estabelecidos pela administra\u00e7\u00e3o passada com as grandes empresas de energia e acha que a equipe de comando em todas as \u00e1reas do Estado e quase todos os empres\u00e1rios s\u00e3o culpados pelo pecado da corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00f3pez Obrador est\u00e1 empreendendo uma tarefa tit\u00e2nica: realizar uma \"Quarta Transforma\u00e7\u00e3o\" do M\u00e9xico, equivalente aos feitos hist\u00f3ricos de independ\u00eancia, reforma e revolu\u00e7\u00e3o. E isso implica n\u00e3o apenas punir os corruptos, apoiar os pobres e reconverter os bandidos (para ele, os criminosos s\u00e3o v\u00edtimas da injusti\u00e7a), mas tamb\u00e9m mudar as mentalidades coletivas, capturadas por um capitalismo selvagem e consumista e pela cultura perversa da corrup\u00e7\u00e3o. A miss\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande que o pr\u00f3prio presidente disse que \"n\u00e3o pertence mais a si mesmo\", dando a entender que seu ser material agora pertence a todos os mexicanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste <span class=\"small-caps\">amlo<\/span> difere de Trump e, \u00e9 claro, de Bolsonaro. Embora, como eles, ele tenha como horizonte ut\u00f3pico a reconstru\u00e7\u00e3o de um passado mitologizado (<em>tornar a Am\u00e9rica grande novamente<\/em>A ditadura militar, o progresso e a ordem, o desenvolvimentismo estatista e paternalista, respectivamente), L\u00f3pez Obrador investiu sua miss\u00e3o com uma aura religiosa. Ele \u00e9 um evangelista, n\u00e3o apenas um justiceiro. Ele precisa mudar a mentalidade dos mexicanos. Para isso, em um ato de grande intelig\u00eancia comunicativa, ele instituiu as \"ma\u00f1aneras\", suas confer\u00eancias de imprensa com as quais se comunica diariamente com seu povo, metade das quais s\u00e3o dedicadas a denunciar os maus atos do passado e a instru\u00ed-los sobre boas maneiras; ele faz viagens semanais pelo pa\u00eds para estar em contato direto com seu povo, receber reclama\u00e7\u00f5es e peti\u00e7\u00f5es e entregar magnanimamente v\u00e1rios bens e servi\u00e7os; ele repreende e corrige seus funcion\u00e1rios e sempre imp\u00f5e a \u00faltima palavra em todos os assuntos. Ele \u00e9 um pai para os mexicanos, no duplo sentido de uma figura paterna que protege, recompensa e castiga e mant\u00e9m mulheres e crian\u00e7as em seus devidos lugares, e de um padre ou pastor, que ouve os pecadores e os perdoa, pune os infi\u00e9is que n\u00e3o acreditam na causa e prega a bondade da dec\u00eancia e das boas maneiras (crist\u00e3s), al\u00e9m de trazer a boa not\u00edcia de um futuro melhor se nos comportarmos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por todos esses motivos que <span class=\"small-caps\">amlo<\/span> retorna de alguma forma ao princ\u00edpio dos dois corpos do rei. Ele tem um componente quase divino e transcendental, pois \u00e9 portador de uma miss\u00e3o hist\u00f3rica; e um componente f\u00edsico, sua investidura como presidente, que o autoriza legal e legitimamente a comandar. Seu poder \u00e9 duplo: simb\u00f3lico e pol\u00edtico. E, embora n\u00e3o pretenda permanecer no poder indefinidamente, ele quer deixar uma marca indel\u00e9vel no curto prazo de seu mandato.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 esse desejo de transcender que torna seu governo arriscado. Embora as regras de conviv\u00eancia n\u00e3o tenham sido violadas at\u00e9 o momento, a polariza\u00e7\u00e3o induzida por sua concep\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica amigo-inimigo, alimentada por seus seguidores mais radicais, reduz os espa\u00e7os de di\u00e1logo pr\u00f3prios da democracia a ponto de quase desaparecerem; Sua pressa em resgatar empresas paraestatais, promover suas obras fara\u00f4nicas no sul do pa\u00eds e distribuir assist\u00eancia social e apoio paternal aos pobres (jovens, idosos, camponeses) coloca em risco as finan\u00e7as p\u00fablicas e for\u00e7a uma redu\u00e7\u00e3o radical (neoliberal) do Estado, o que j\u00e1 levou \u00e0 perda de capacidades estatais.<sup><a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a><\/sup> em todas as \u00e1reas, especialmente sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><span class=\"small-caps\">amlo<\/span>Como todo bom populista, ele sente que o aparato estatal, as regras, as leis e as institui\u00e7\u00f5es existentes s\u00e3o uma gaiola que o impede de se mover \u00e0 vontade e acelerar sua miss\u00e3o. \u00c9 por isso que elas precisam ser contornadas, o que significa enfraquec\u00ea-las, coloniz\u00e1-las (como est\u00e1 sendo feito com a Suprema Corte, a Comiss\u00e3o Nacional de Energia, etc.), anul\u00e1-las politicamente (como foi feito com a Comiss\u00e3o Nacional de Direitos Humanos) ou destru\u00ed-las completamente, como foi feito com a Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Como um l\u00edder encarnado, <span class=\"small-caps\">amlo<\/span> n\u00e3o precisa de media\u00e7\u00f5es entre ele e as pessoas. A representa\u00e7\u00e3o direta torna a media\u00e7\u00e3o de todos os tipos sup\u00e9rflua, desnecess\u00e1ria e at\u00e9 mesmo arriscada. Da\u00ed sua cr\u00edtica aos atores da sociedade civil, que representam interesses particulares, n\u00e3o os do povo; aos intermedi\u00e1rios clientelistas e corporativos, t\u00e3o b\u00e1sicos para a <span class=\"small-caps\">pri<\/span> por d\u00e9cadas e com quem ele aprendeu a conviver. <span class=\"small-caps\">p\u00e3o<\/span>Os \u00fanicos que realmente se apropriaram dos recursos que deveriam ir para os trabalhadores e camponeses foram as associa\u00e7\u00f5es e os \u00f3rg\u00e3os representativos dos empregadores, que s\u00f3 cuidam dos interesses setoriais. <span class=\"small-caps\">amlo<\/span> se dirige diretamente \u00e0s pessoas, \u00e9 para isso que servem suas turn\u00eas e suas \"manh\u00e3s\". Se as pessoas precisam ser questionadas sobre algo, elas s\u00e3o \"consultadas\". <em>ad hoc<\/em>A falta de regulamenta\u00e7\u00e3o legal adequada ou mesmo a viola\u00e7\u00e3o das poucas existentes. H\u00e1 uma exalta\u00e7\u00e3o da democracia direta, que, em sua opini\u00e3o, \u00e9 a que melhor expressa a vontade do povo (Olvera, no prelo).<\/p>\n\n\n\n<p>O problema de <span class=\"small-caps\">amlo<\/span>que \u00e9 o de todos os populistas, \u00e9 o fato de n\u00e3o ter uma proposta alternativa de governo (Peruzzotti, 2017). O programa de <span class=\"small-caps\">amlo<\/span> \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o colorida e desarticulada de ideias do <span class=\"small-caps\">pri<\/span> A \"Quarta Transforma\u00e7\u00e3o\" \u00e9, na verdade, um projeto para retornar a uma era supostamente id\u00edlica (desenvolvimento estabilizador), na qual o Estado controlava o desenvolvimento econ\u00f4mico e n\u00e3o havia separa\u00e7\u00e3o entre o Estado e a sociedade (como era o caso do desenvolvimento estabilizador). A \"Quarta Transforma\u00e7\u00e3o\" \u00e9, na realidade, um projeto para retornar a uma era supostamente id\u00edlica (desenvolvimento estabilizador), na qual o Estado controlava o desenvolvimento econ\u00f4mico e n\u00e3o havia separa\u00e7\u00e3o entre o Estado e a sociedade (tal era a ideia do PRI de fus\u00e3o entre Estado e sociedade) (Olvera, 2003). O problema \u00e9 que n\u00e3o s\u00f3 o desenvolvimentismo estava longe de ser id\u00edlico,<sup><a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a><\/sup> \u00c9 imposs\u00edvel voltar a ele, pois o capitalismo mexicano est\u00e1 totalmente integrado ao dos Estados Unidos, e o Estado n\u00e3o pode recuperar a centralidade econ\u00f4mica, ainda mais quando a empresa estatal de petr\u00f3leo est\u00e1 tecnicamente falida (Shields, 2020) e o governo \u00e9 monumentalmente fraco do ponto de vista fiscal.<sup><a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a><\/sup> E a fus\u00e3o do Estado e da sociedade \u00e9 uma ideia organicista\/corporativista inaceit\u00e1vel em uma democracia moderna, que tamb\u00e9m \u00e9 incompat\u00edvel com o princ\u00edpio da identidade l\u00edder\/povo.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia do coronav\u00edrus complicou ainda mais a viabilidade da \"Quarta Transforma\u00e7\u00e3o\". Al\u00e9m de a gravidade do problema n\u00e3o ter sido reconhecida a tempo, uma tentativa fracassada de reorganizar o setor de sa\u00fade no final de 2019 o deixou em uma situa\u00e7\u00e3o de incerteza jur\u00eddica e operacional, com um financiamento extremamente insuficiente e, para todos os efeitos pr\u00e1ticos, sem dire\u00e7\u00e3o. Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, a crise econ\u00f4mica tamb\u00e9m n\u00e3o foi reconhecida e o M\u00e9xico \u00e9 hoje um dos poucos pa\u00edses do mundo sem uma pol\u00edtica antic\u00edclica e sem programas de apoio aos desempregados, micro e mesoempres\u00e1rios ou \u00e0 economia informal. As perspectivas n\u00e3o s\u00e3o boas e a consequ\u00eancia pode ser um agravamento da polariza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 o risco de o presidente perder sua aura m\u00e1gico-religiosa se o pa\u00eds mergulhar em uma crise prolongada. Ent\u00e3o, esse regime populista ter\u00e1 de definir se est\u00e1 disposto a ultrapassar os limites da democracia ou a se ater \u00e0s suas regras fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">O uso da categoria de pessoas \u00e9 problem\u00e1tico, como fica evidente nos muitos tratados sobre o assunto. O conceito \u00e9 poliss\u00eamico e controverso. Na fase atual da crise da pol\u00edtica em escala global, em que o populismo como forma de pol\u00edtica atingiu uma dimens\u00e3o mundial, o conceito de povo \u00e9 definido no campo discursivo como um marcador de identidade vari\u00e1vel e elusivo. Nesse sentido, o conceito de povo n\u00e3o se refere a uma realidade sociol\u00f3gica, pol\u00edtica ou cultural, mas a uma constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica para fins pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Observamos as dificuldades de usar o conceito de \"povo\" para falar de um povo em particular, como o \"povo pentecostal\", especialmente a partir da perspectiva de Laclau. Embora seja verdade que a constru\u00e7\u00e3o de uma identidade pol\u00edtico-religiosa pentecostal tenha sido o produto de muitos anos de constru\u00e7\u00e3o discursiva, mas acima de tudo organizacional e pol\u00edtica no Brasil, isso n\u00e3o significa que as pr\u00f3prias igrejas pentecostais ou seus l\u00edderes tenham conseguido se identificar como \"o povo\" ou ser reconhecidos como tal por outros. Outros conceitos e abordagens parecem necess\u00e1rios para estudar o poder pol\u00edtico dessas igrejas. Sua integra\u00e7\u00e3o \u00e0 coaliz\u00e3o pol\u00edtica e ao governo de Bolsonaro n\u00e3o implica um passo a mais em sua constitui\u00e7\u00e3o como \"o povo\", mas mais uma decis\u00e3o estrat\u00e9gica de seus l\u00edderes, que ter\u00e1 grandes custos no m\u00e9dio prazo. Em todo caso, elas se integraram temporariamente a um \"povo\" reacion\u00e1rio e fascista, seguindo um l\u00edder imprevis\u00edvel, sem alcan\u00e7ar um efeito simb\u00f3lico de legitima\u00e7\u00e3o, mas, ao contr\u00e1rio, colocando em risco sua pr\u00f3pria legitimidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do M\u00e9xico, o argumento de Laclau \u00e9, paradoxalmente, mais aplic\u00e1vel. L\u00f3pez Obrador de fato construiu um povo com todas as caracter\u00edsticas que a teoria sugere. H\u00e1 um significante vazio, a \"Quarta Transforma\u00e7\u00e3o\", que sintetiza um vasto conjunto de cadeias de equival\u00eancia, que v\u00e3o desde a luta contra a corrup\u00e7\u00e3o, a primazia dos pobres, a austeridade franciscana do governo, at\u00e9 o resgate da na\u00e7\u00e3o, equiparando-a \u00e0s empresas de energia paraestatais. <span class=\"small-caps\">amlo<\/span> definiu um campo pol\u00edtico com inimigos e amigos, joga com a polariza\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua e demonstra total desd\u00e9m pela negocia\u00e7\u00e3o e pelo reconhecimento de outros atores. Seu governo unipessoal assume um car\u00e1ter m\u00edstico-religioso, pois o presidente \u00e9 o portador\/sujeito de uma miss\u00e3o hist\u00f3rica superior a todas as vontades e capacidades individuais, uma miss\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 apenas pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m moral e moralizadora.<\/p>\n\n\n\n<p>O populismo no Brasil e no M\u00e9xico mostra sinais autorit\u00e1rios perigosos. Certamente, Bolsonaro \u00e9 mais radical e, de fato, protofascista, o que L\u00f3pez Obrador n\u00e3o \u00e9. Mas isso n\u00e3o significa que <span class=\"small-caps\">amlo<\/span> em um referente de \"esquerda\". O paternalismo estatal, o estatismo desenvolvimentista, a centraliza\u00e7\u00e3o do poder, a nega\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica como debate e participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o caracter\u00edsticas da pol\u00edtica de esquerda no mundo contempor\u00e2neo. Trata-se de um retorno doloroso e anacr\u00f4nico a um passado remoto e felizmente extinto nas lutas pela democracia dos \u00faltimos trinta anos. Isso n\u00e3o impede o surgimento de um novo tipo de autoritarismo populista no M\u00e9xico. Veremos se a sociedade permite isso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Aguilar Cam\u00edn, H\u00e9ctor (1988). <em>Despu\u00e9s del milagro<\/em>. 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Histoire, th\u00e9orie, critique. <\/em>Par\u00eds: Seuil<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Shields, David (2020, 12 de mayo). \u201cpemexproa a la vista\u201d, <em>Reforma<\/em>. Recuperado de https:\/\/www.reforma.com\/pemexproa-a-la-vista-2020-05-12, consultado el 27 de agosto de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Schmitt, Carl (1991). <em>El concepto de lo pol\u00edtico<\/em>. Madrid: Alianza (publicado originalmente en 1932).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Torre, Carlos de la, y Enrique Peruzzotti (ed.) (2008). <em>El Retorno del Pueblo<\/em>. Quito: flacso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (ed.) 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Doutor em Sociologia pela New School for Social Research. Membro do Sistema Nacional de Pesquisadores e da Academia Mexicana de Ci\u00eancias. Seu trabalho inclui <em>Sociedade Civil, Espa\u00e7os P\u00fablicos e Democratiza\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina: M\u00e9xico<\/em>, <span class=\"small-caps\">fce<\/span> e <span class=\"small-caps\">uv<\/span>, 2003; <em>Democratiza\u00e7\u00e3o, responsabilidade e sociedade civil<\/em>, Porr\u00faa \/ <span class=\"small-caps\">ciesas \/ uv<\/span>2006 (com Ernesto Isunza); <em>A disputa sobre a constru\u00e7\u00e3o da democracia na Am\u00e9rica Latina<\/em>, <span class=\"small-caps\">fce<\/span> \/ <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span> \/ <span class=\"small-caps\">uv<\/span>2006 (com Evelina Dagnino e Aldo Panfichi); <em>Democratiza\u00e7\u00e3o frustrada<\/em>, <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span> \/ <span class=\"small-caps\">uv<\/span>, 2010. Publicou mais de uma centena de artigos e cap\u00edtulos de livros em v\u00e1rios pa\u00edses, al\u00e9m de livros populares. Foi professor visitante nas Universidades da Calif\u00f3rnia San Diego, York, Federal de Minas Gerais, Nacional da Col\u00f4mbia e na Universidade da Calif\u00f3rnia San Diego. <span class=\"small-caps\">flacso<\/span>-M\u00e9xico. <\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo A rela\u00e7\u00e3o entre populismo, religi\u00e3o e pol\u00edtica \u00e9 analisada, tanto em n\u00edvel te\u00f3rico quanto nos casos do Brasil e do M\u00e9xico. 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