{"id":33140,"date":"2020-09-19T21:23:15","date_gmt":"2020-09-19T21:23:15","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=33140"},"modified":"2023-11-17T18:32:58","modified_gmt":"2023-11-18T00:32:58","slug":"fediakova-evangelicos_chilenos_ciudadania_cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/fediakova-evangelicos_chilenos_ciudadania_cultural\/","title":{"rendered":"Os evang\u00e9licos chilenos como cidadania cultural"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Desde o retorno da democracia, o mundo evang\u00e9lico chileno passou por mudan\u00e7as importantes, como a reconsidera\u00e7\u00e3o de suas rela\u00e7\u00f5es com o regime militar, o aumento do n\u00edvel socioecon\u00f4mico e educacional e a consolida\u00e7\u00e3o de seu status como um ator reconhecido na vida pol\u00edtico-social do pa\u00eds. Essas transforma\u00e7\u00f5es determinaram a forma\u00e7\u00e3o dos evang\u00e9licos como uma \"cidadania cultural\" que estava claramente consciente de suas demandas, direitos espec\u00edficos e novo ativismo pol\u00edtico. Ao mesmo tempo, o campo religioso chileno est\u00e1 em um processo permanente de diversifica\u00e7\u00e3o, desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o e individualiza\u00e7\u00e3o, dando origem a m\u00faltiplas formas n\u00e3o tradicionais de express\u00e3o de cren\u00e7as: movimentos intranacionais, centros de estudos crist\u00e3os, \"crist\u00e3os sem religi\u00e3o\". Essas novas formas de cristianismo n\u00e3o cat\u00f3lico e seus v\u00ednculos com os interesses e as necessidades da popula\u00e7\u00e3o mostram que suas caracter\u00edsticas e identidades v\u00e3o al\u00e9m da divis\u00e3o usual dos atores sociais em direita e esquerda e exigem a elabora\u00e7\u00e3o de um aparato conceitual mais amplo.<\/p>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/ciudadania-cultural\/\" rel=\"tag\">cidadania cultural<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/cristianos-sin-religion\/\" rel=\"tag\">Crist\u00e3os sem religi\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/derecha-critiana\/\" rel=\"tag\">direito cr\u00edtico<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/evangelicos-y-politica\/\" rel=\"tag\">evang\u00e9licos e pol\u00edtica<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\"><span class=\"small-caps\">Os evang\u00e9licos chilenos como cidad\u00e3os culturais<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">Desde o retorno \u00e0 democracia, o mundo evang\u00e9lico chileno passou por mudan\u00e7as importantes, como a reconsidera\u00e7\u00e3o de sua rela\u00e7\u00e3o com o regime militar, o aumento dos n\u00edveis socioecon\u00f4micos e educacionais e a consolida\u00e7\u00e3o de seu status como um ator reconhecido na vida pol\u00edtica e social do pa\u00eds. Essas transforma\u00e7\u00f5es determinaram a forma\u00e7\u00e3o de evang\u00e9licos como \"cidad\u00e3os culturais\", plenamente conscientes de suas demandas, de seus direitos espec\u00edficos e do novo ativismo pol\u00edtico. Ao mesmo tempo, o campo religioso chileno est\u00e1 passando por um processo permanente de diversifica\u00e7\u00e3o, desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o e individualiza\u00e7\u00e3o, dando origem a muitas formas n\u00e3o tradicionais de expressar cren\u00e7as: movimentos intradenominacionais, centros de estudos crist\u00e3os, \"crist\u00e3os sem religi\u00e3o\". Essas novas formas de cristianismo n\u00e3o cat\u00f3lico e seus v\u00ednculos com os interesses e as necessidades da popula\u00e7\u00e3o mostram que suas caracter\u00edsticas e identidades v\u00e3o al\u00e9m da divis\u00e3o usual dos atores sociais em esquerda e direita e exigem a cria\u00e7\u00e3o de um aparato conceitual mais amplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">Palavras-chave: Evang\u00e9licos e pol\u00edtica, direita crist\u00e3, cidad\u00e3os culturais, crist\u00e3os sem religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\"><span class=\"dropcap\">L<\/span>leitura do artigo do Dr. Joanildo Burity sugere que, com toda a diversidade de contextos e particularidades teol\u00f3gicas, pol\u00edticas e sociais que diferenciam os \"povos evang\u00e9licos\" em diferentes pa\u00edses latino-americanos, n\u00e3o podemos descartar a exist\u00eancia de certas tend\u00eancias comuns entre os movimentos evang\u00e9lico-pentecostais no Brasil, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia, Argentina e Chile. Da mesma forma, pode-se observar que, durante os \u00faltimos dez anos, em diferentes contextos nacionais, sob diferentes circunst\u00e2ncias sociopol\u00edticas, surgiu uma esp\u00e9cie de \"despertar\" pol\u00edtico de um evangelicalismo iliberal que, em alian\u00e7a com cat\u00f3licos, leigos conservadores e partidos pol\u00edticos de direita, consegue influenciar a agenda pol\u00edtica e jur\u00eddica em seus respectivos pa\u00edses e tenta expandir seu suposto monop\u00f3lio da \"verdade moral absoluta\" para todos os n\u00edveis da sociedade. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que a chegada de J. Bolsonaro \u00e0 presid\u00eancia no Brasil, apoiado por um certo setor de evang\u00e9licos, n\u00e3o s\u00f3 atraiu muita aten\u00e7\u00e3o de seus correligion\u00e1rios chilenos, mas tamb\u00e9m deu origem a algumas tentativas de imitar e talvez repetir a experi\u00eancia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Compartilhamos a observa\u00e7\u00e3o do autor de que \"os evang\u00e9licos se tornaram um movimento cada vez mais atraente para setores mais amplos do conservadorismo social e pol\u00edtico, religioso ou secular\". No entanto, quando o pesquisador fala dos evang\u00e9licos latino-americanos como um povo, um \"povo-na\u00e7\u00e3o evang\u00e9lico\", que parece ser um ator s\u00f3lido, homog\u00eaneo e unido, ele p\u00f5e em d\u00favida essa afirma\u00e7\u00e3o. No mesmo texto, o Dr. Burity argumenta que \"os evang\u00e9licos emergem de um profundo processo de pluraliza\u00e7\u00e3o social e cultural que mudou a face das sociedades latino-americanas\". Acreditamos que o processo de constante \"movimento religioso\", nos termos de Hervieu-L\u00e9ger (2004), divis\u00e3o e pluraliza\u00e7\u00e3o do mundo evang\u00e9lico latino-americano nos permite referir a esse setor n\u00e3o como um \"povo\", mas como uma \"cidadania cultural\".<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, gostar\u00edamos de relembrar a defini\u00e7\u00e3o de R. Rosaldo, segundo a qual a cidadania n\u00e3o \u00e9 necessariamente um conceito universal, mas muitas vezes um conceito excludente: a cidadania hoje n\u00e3o se refere apenas \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo e o Estado, mas tamb\u00e9m \u00e0 rela\u00e7\u00e3o cidad\u00e3o-cidad\u00e3o (1999). Para Rosaldo, a principal demanda da cidadania cultural \u00e9 a demanda por respeito: \"A cidadania cultural aborda n\u00e3o apenas as exclus\u00f5es e marginaliza\u00e7\u00f5es dominantes, mas tamb\u00e9m as aspira\u00e7\u00f5es determinadas pelas defini\u00e7\u00f5es de direitos dos cidad\u00e3os, ou seja, as necessidades de ser vis\u00edvel, de ser ouvido, de ter um senso de pertencimento\" (2006: 260).<\/p>\n\n\n\n<p>Na mesma perspectiva est\u00e1 a reflex\u00e3o de E. Dagnino, que redefine o conceito de cidadania a partir da dimens\u00e3o cultural, argumentando que ele deve incorporar as \"preocupa\u00e7\u00f5es\" contempor\u00e2neas de novos grupos sociais e minorias: subjetividade, identidades e o direito \u00e0 diferen\u00e7a. Nesse sentido, em total conson\u00e2ncia com o texto acima mencionado, as demandas das minorias pelo direito ao reconhecimento tamb\u00e9m podem ser consideradas como um ato pol\u00edtico de \"n\u00e3o-cidad\u00e3os\", em sua luta para construir a cidadania \"de baixo para cima\" (Dagnino, 2006: 89). Quando o Dr. Burity fala que os evang\u00e9licos t\u00eam suas pr\u00f3prias \"demandas, vozes e agendas\", ele concorda claramente com a defini\u00e7\u00e3o dessa minoria religiosa como \"cidadania cultural\".<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o retorno da democracia (1990), o mundo evang\u00e9lico e pentecostal chileno passou por importantes transforma\u00e7\u00f5es sob a influ\u00eancia de pelo menos tr\u00eas tend\u00eancias. Por um lado, ele passou por um processo de <em>mea culpa<\/em> A maioria das igrejas permaneceu em sil\u00eancio sobre as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos durante a ditadura militar. Por outro lado, os n\u00edveis socioecon\u00f4micos e educacionais dos evang\u00e9licos aumentaram significativamente. Por fim, a tend\u00eancia de aumento da pluraliza\u00e7\u00e3o, fragmenta\u00e7\u00e3o, individualiza\u00e7\u00e3o e desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o das igrejas, formas de cren\u00e7a e maneiras de expressar religiosidade cresceu, se expandiu e se aprofundou. Por sua vez, esses processos determinaram o surgimento de pelo menos dois fen\u00f4menos que s\u00e3o importantes para a an\u00e1lise do comportamento pol\u00edtico-social dos evang\u00e9licos. Primeiro, a forma\u00e7\u00e3o de um grande debate sobre o que significa ser um verdadeiro crist\u00e3o. Segundo, a impossibilidade de fazer todo tipo de generaliza\u00e7\u00e3o em estudos sobre evang\u00e9licos. Como o Dr. J. Burity argumenta em seu artigo, \"a identidade evang\u00e9lica \u00e9 intoc\u00e1vel\".<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, os pentecostais chilenos (a maioria dos evang\u00e9licos) permaneceram \"fora da sociedade\", sendo um dos setores mais pobres, discriminados e invis\u00edveis do pa\u00eds. Eles consideravam o mundo pol\u00edtico falso, corrupto e pecaminoso, amea\u00e7ando \"contaminar\" os \"verdadeiros crist\u00e3os\" com sua amoralidade; tinham posi\u00e7\u00f5es apol\u00edticas e antipol\u00edticas, escondendo-se em seu pr\u00f3prio \"ref\u00fagio\" social e politicamente passivo. Por sua vez, a sociedade chilena n\u00e3o queria \"ver\" os pentecostais, discriminando-os, e eles rejeitaram a sociedade, discriminando e condenando os \"chilenos mundanos\" de seu esconderijo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o mudou ap\u00f3s o golpe de 1973. Um setor importante de pastores evang\u00e9licos e pentecostais, em sua carta a Pinochet em 1974, expressou sua gratid\u00e3o por \"ter salvado o Chile do comunismo\" e declarou seu apoio ao regime militar. Como a Igreja Cat\u00f3lica se distanciou da ditadura, esse segmento evang\u00e9lico, liderado pelo Conselho de Pastores, preencheu o v\u00e1cuo de legitima\u00e7\u00e3o, permitindo que, pela primeira vez, recebesse visibilidade no espa\u00e7o p\u00fablico e fosse ouvido pelo governo para reivindicar os mesmos direitos e status da Igreja Cat\u00f3lica. A carta de apoio a Pinochet tornou-se a primeira express\u00e3o p\u00fablica dos evang\u00e9licos chilenos como cidad\u00e3os culturais, conscientes de suas demandas e de seus direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>O apoio dado pelo Conselho de Pastores ao governo militar permitiu que todo o mundo evang\u00e9lico ganhasse seu lugar no espa\u00e7o p\u00fablico. As igrejas evang\u00e9licas e pentecostais alcan\u00e7aram seu objetivo comum: obter o mesmo status legal do catolicismo. Isso foi alcan\u00e7ado em 1999, quando a Lei de Liberdade Religiosa foi aprovada, permitindo que as igrejas evang\u00e9licas obtivessem personalidade jur\u00eddica de direito p\u00fablico. Outro sinal do reconhecimento dos evang\u00e9licos como uma cidadania cultural foi a declara\u00e7\u00e3o do dia 31 de outubro como o Dia Nacional das Igrejas Evang\u00e9licas e Protestantes (desde 2008).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o maior reconhecimento e a maior presen\u00e7a na esfera p\u00fablica aumentaram as ambi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de certos l\u00edderes evang\u00e9licos. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, alguns deles expressaram a opini\u00e3o de que havia um nicho no mundo pol\u00edtico atual para representar e defender os interesses evang\u00e9licos. Para preencher esse \"vazio\", eles insistiam na necessidade de \"mudar nossa mentalidade\", \"pensar que podemos participar ativamente das elei\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de apenas votar\" e chegar ao parlamento com v\u00e1rios deputados e senadores, como \u00e9 o caso do Brasil, conforme argumentado pelo <em>Revista Evang\u00e9lica<\/em> em 1993 (Fediakova, 2004).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas ambi\u00e7\u00f5es provocaram v\u00e1rios sinais de uma \"mudan\u00e7a de mentalidade\", desde tentativas de formar seu pr\u00f3prio partido pol\u00edtico confessional (seguindo os exemplos do Brasil e do Peru), at\u00e9 o lan\u00e7amento de candidatos evang\u00e9licos em elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Esse foi o caso em 1995, quando a Alian\u00e7a Crist\u00e3 Nacional (<span class=\"small-caps\">anc<\/span>) foi declarado um partido pol\u00edtico evang\u00e9lico, cujo principal objetivo era obter a aprova\u00e7\u00e3o da Lei de Liberdade Religiosa. Entretanto, nas elei\u00e7\u00f5es municipais e parlamentares, o <span class=\"small-caps\">anc<\/span> n\u00e3o atuou como um partido pol\u00edtico aut\u00f4nomo, pois apresentou suas candidaturas em alian\u00e7a com o partido de centro-direita National Renewal.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a>. Em 1999, a <span class=\"small-caps\">anc<\/span> tentou apresentar o Pastor Salvador Pino como candidato evang\u00e9lico \u00e0 presid\u00eancia, mas, depois de perceber a inviabilidade dessa candidatura<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a>O apoio do partido ao candidato de direita, Joaqu\u00edn Lav\u00edn, foi transferido.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas experi\u00eancias pol\u00edticas fracassadas mostraram que o mundo evang\u00e9lico estava muito dividido para formar um partido confessional que representasse a totalidade das correntes e igrejas que compunham essa minoria religiosa. O individualismo e as ambi\u00e7\u00f5es personalistas dos pastores e candidatos leigos foram outro obst\u00e1culo \u00e0 unidade evang\u00e9lica e \u00e0 sua transforma\u00e7\u00e3o em um ator pol\u00edtico aut\u00f4nomo e consolidado. A pr\u00f3pria diversidade das igrejas dificultou a obten\u00e7\u00e3o de uma lideran\u00e7a \u00fanica e o desenvolvimento de um programa consensual. A aprova\u00e7\u00e3o da Lei de Liberdade de Religi\u00e3o em 1999 tirou a raz\u00e3o de ser da Igreja Evang\u00e9lica. <span class=\"small-caps\">anc<\/span> Ao mesmo tempo, essa n\u00e3o era mais a \u00fanica fonte de unifica\u00e7\u00e3o dos evang\u00e9licos. Por outro lado, naquela d\u00e9cada, a particularidade do sistema pol\u00edtico chileno, com partidos s\u00f3lidos e com uma longa trajet\u00f3ria hist\u00f3rica, n\u00e3o deixava espa\u00e7o para a forma\u00e7\u00e3o de novas refer\u00eancias pol\u00edticas que n\u00e3o tivessem experi\u00eancia ou reconhecimento. Por fim, os candidatos evang\u00e9licos em campanhas eleitorais em todos os n\u00edveis n\u00e3o conseguiram convencer a opini\u00e3o p\u00fablica chilena de que tinham um projeto nacional amplo que transcendia as fronteiras confessionais e agiram apenas em defesa de seus limitados interesses corporativos (Basti\u00e1n, 1994, 1997; Cleary e Sep\u00falveda, 1998). Desde a aprova\u00e7\u00e3o da t\u00e3o sonhada Lei, o mundo evang\u00e9lico permaneceu muito dividido, sem l\u00edderes legitimados em geral e, fundamentalmente, sem a capacidade de formar um polo, uma ideia, um projeto comum.<em>.<\/em> Eles n\u00e3o eram um \"povo\" com demandas e agendas definidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo mudou quando um novo fator apareceu na agenda nacional, capaz de impulsionar a eventual unidade evang\u00e9lica: o debate sobre valores. Em 2004, foi aprovada a lei do div\u00f3rcio. A partir dessa data, cresceu a controv\u00e9rsia sobre as mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o chilena em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do direito ao casamento para pessoas do mesmo sexo, \u00e0 descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto, aos direitos comunit\u00e1rios e ao direito a uma vida sem casamento. <span class=\"small-caps\">lgbt<\/span>entre outros. Essa \"liberaliza\u00e7\u00e3o\" legislativa n\u00e3o apenas levou a uma maior consolida\u00e7\u00e3o do mundo evang\u00e9lico contra o \"inimigo comum\" da \"amoralidade\", mas tamb\u00e9m provocou uma politiza\u00e7\u00e3o sem precedentes nos \u00faltimos 15 anos dos setores evang\u00e9licos mais conservadores, especialmente os pentecostais e neopentecostais, e sua aproxima\u00e7\u00e3o com os atores pol\u00edticos cat\u00f3licos e seculares de direita mais radicais.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena mencionar que o \"debate \u00e9tico\" dividiu todo o mundo crist\u00e3o nacional, tanto cat\u00f3lico quanto evang\u00e9lico. Mas, como j\u00e1 dissemos, estes \u00faltimos finalmente encontraram uma causa comum para agir em conjunto: lutar contra as novas leis, \"incompat\u00edveis\" com o imperativo de ser \"verdadeiro crist\u00e3o\" e p\u00f4r fim \u00e0 \"crise moral\" desencadeada no pa\u00eds. Da\u00ed surgiu a nova possibilidade de construir sua pr\u00f3pria identidade pol\u00edtica, elaborando o programa do conservadorismo crist\u00e3o e, possivelmente, formando novas refer\u00eancias pol\u00edticas, diferentes dos partidos tradicionais. Esse contexto lembra o cen\u00e1rio pol\u00edtico dos Estados Unidos em 1979, quando os l\u00edderes do fundamentalismo protestante diagnosticaram uma \"profunda crise moral\" no pa\u00eds e romperam com seu apoliticismo para formar o movimento pol\u00edtico Moral Majority. O l\u00edder do movimento, o pastor Jerry Falwell, faz dele a pedra angular da Direita Crist\u00e3 mais ampla, a ala mais din\u00e2mica e radical do Partido Republicano. Considerando a influ\u00eancia da teologia pentecostal americana sobre os evang\u00e9licos nacionais e a semelhan\u00e7a do diagn\u00f3stico dos evang\u00e9licos conservadores sobre a situa\u00e7\u00e3o moral no Chile, surge a pergunta: existe a possibilidade de forma\u00e7\u00e3o de uma direita crist\u00e3 semelhante no pa\u00eds?<\/p>\n\n\n\n<p>A agenda de \"valores\" repercutiu na configura\u00e7\u00e3o dos grupos pol\u00edticos chilenos e no processo de pluraliza\u00e7\u00e3o do sistema partid\u00e1rio, atingindo sua express\u00e3o m\u00e1xima na campanha presidencial de 2017. Nesse processo, os evang\u00e9licos tentaram formar pelo menos quatro partidos pol\u00edticos: Nuevo Tiempo, no norte do pa\u00eds, Partido Cristiano Ciudadano e Unidos en la Fe, em Santiago, e Partido Unidad Cristiana Nacional, no sul, cada um com a inten\u00e7\u00e3o de concorrer \u00e0 presid\u00eancia. Nenhum desses projetos eleitorais prosperou e os grupos pol\u00edticos evang\u00e9licos n\u00e3o conseguiram se registrar. Ao mesmo tempo, mais de vinte candidaturas evang\u00e9licas para o Congresso Nacional e uma pr\u00e9-candidatura presidencial foram apresentadas, todas com programas de valores conservadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme mencionado acima, houve uma aproxima\u00e7\u00e3o crescente entre o conservadorismo evang\u00e9lico e a<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a>Pol\u00edticos de direita com esp\u00edrito cat\u00f3lico, como a Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Independente (<span class=\"small-caps\">udi)<\/span> e a ala conservadora da Democracia Crist\u00e3 (<span class=\"small-caps\">dc)<\/span>Os evang\u00e9licos tamb\u00e9m conseguiram se apoiar em uma forte agenda de valores tradicionais. Como na d\u00e9cada de 1990, os candidatos evang\u00e9licos estabeleceram alian\u00e7as com partidos de direita, como o Renovaci\u00f3n Nacional e o <span class=\"small-caps\">udi,<\/span> e conquistaram tr\u00eas cadeiras no parlamento, onde formaram, sempre levando em conta a experi\u00eancia brasileira, a chamada \"bancada evang\u00e9lica\". Ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da descriminaliza\u00e7\u00e3o da Lei de Identidade de G\u00eanero (12 de setembro de 2018), esse setor se declarou \"profundamente insatisfeito\" com a agenda legislativa do Executivo, rejeitando todas as mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o sobre quest\u00f5es \u00e9ticas. De forma semelhante \u00e0 situa\u00e7\u00e3o no Brasil, os evang\u00e9licos, pela primeira vez na hist\u00f3ria do Chile, podem obter a possibilidade de \"adiar mudan\u00e7as legislativas\", atuando em outro n\u00edvel de autoridade pol\u00edtica e influenciando o debate p\u00fablico nacional (Ram\u00edrez, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje (julho de 2020) a situa\u00e7\u00e3o nacional \u00e9 mais complexa. A explos\u00e3o social de 18 de outubro de 2019 mostrou que as divis\u00f5es e os velhos conceitos pol\u00edticos n\u00e3o funcionam nem para a sociedade chilena em geral, nem para a an\u00e1lise de grupos religiosos em particular. Os termos \"esquerda\" e \"direita\" n\u00e3o eram mais suficientes para explicar a escala da crise transversal desencadeada no pa\u00eds, a dimens\u00e3o das desigualdades sociais e a desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o de todas as estruturas tradicionais: partidos pol\u00edticos, igrejas, sindicatos, parlamento. A ess\u00eancia fundamental da explos\u00e3o de outubro foi expressa em uma palavra pouco usada pela ci\u00eancia pol\u00edtica: Dignidade. Um conceito que acabou sendo exclu\u00eddo do sistema econ\u00f4mico neoliberal e trouxe de volta as demandas por justi\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso nos leva a analisar outras mudan\u00e7as que est\u00e3o ocorrendo no mundo evang\u00e9lico chileno e que v\u00e3o al\u00e9m da dicotomia esquerda-direita.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 mencionamos que uma das principais transforma\u00e7\u00f5es pelas quais os evang\u00e9licos e pentecostais passaram foi o not\u00f3rio aumento em seu n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o. Se d\u00e9cadas atr\u00e1s no pentecostalismo chileno predominava a avers\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e a universidade era chamada de \"o dem\u00f4nio\", agora os pastores enviam seus filhos para fazer estudos universit\u00e1rios e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no Chile e no exterior; 40% dos estudantes evang\u00e9licos s\u00e3o a primeira gera\u00e7\u00e3o de universit\u00e1rios em suas fam\u00edlias. Isso tem consequ\u00eancias importantes tanto para a vida interna das igrejas quanto para as maneiras pelas quais as novas gera\u00e7\u00f5es de evang\u00e9licos e pentecostais expressam sua religiosidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Entrar na universidade \u00e9 um choque duro para um jovem \"religioso\". Nesse mundo diverso e pluralista, os evang\u00e9licos aprendem a falar e a debater a realidade n\u00e3o apenas a partir de uma perspectiva b\u00edblica, mas de toda a gama de narrativas anal\u00edticas, ideol\u00f3gicas e filos\u00f3ficas que existem na academia. Assim, ao contr\u00e1rio de seus pais e pastores, os jovens n\u00e3o t\u00eam mais problemas para \"traduzir a linguagem religiosa\" para a linguagem secular, o que os ajuda a defender e explicar sua identidade religiosa e seus projetos de vida. Ao mesmo tempo, a pr\u00f3pria din\u00e2mica da vida universit\u00e1ria incentiva os evang\u00e9licos a fortalecerem sua participa\u00e7\u00e3o na sociedade, a expressarem suas reivindica\u00e7\u00f5es nas passeatas estudantis (embora nem todos as apoiem) e a aprenderem a dialogar com outros atores sociais, pol\u00edticos e religiosos. No mundo universit\u00e1rio, eles participam de centros estudantis, de movimentos interdenominacionais e aprendem que a sociedade fora de sua igreja \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, \"interdenominacional\".<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o surgimento de primeiras gera\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas \"esclarecidas\" pode criar problemas dentro das igrejas. Os estudantes universit\u00e1rios evang\u00e9licos podem expressar insatisfa\u00e7\u00e3o com o clima paternalista em sua comunidade, questionar o sistema de autoridade em sua institui\u00e7\u00e3o religiosa, o papel das mulheres evang\u00e9licas, o estilo de vida de seu pastor e poss\u00edveis quest\u00f5es de probidade. \u00c0s vezes, as mudan\u00e7as educacionais levam a mudan\u00e7as nas igrejas e nas posi\u00e7\u00f5es dos pastores, mas geralmente levam a conflitos, rompimentos e expuls\u00f5es dos acad\u00eamicos que protestam de suas comunidades. Como j\u00e1 mencionamos, a terceira grande tend\u00eancia no desenvolvimento do mundo evang\u00e9lico chileno \u00e9 sua crescente fragmenta\u00e7\u00e3o, individualiza\u00e7\u00e3o e multiplica\u00e7\u00e3o de formas de expressar sua religiosidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio conceito de \"templo\" est\u00e1 come\u00e7ando a mudar seu significado. As paredes, as estruturas s\u00f3lidas est\u00e3o sendo desafiadas por outras formas de construir o espa\u00e7o religioso: mais suaves, mais flex\u00edveis, esteticamente diferentes. O templo continua de p\u00e9, mas o espa\u00e7o interno n\u00e3o \u00e9 mais suficiente, assim como n\u00e3o \u00e9 mais suficiente ter apenas uma linguagem religiosa. As novas gera\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas buscam \"rejeitar\" sua religi\u00e3o para renovar sua f\u00e9 e ir al\u00e9m dos limites estabelecidos pelas paredes do edif\u00edcio sagrado. A igreja n\u00e3o \u00e9 mais a \u00fanica forma de expressar a f\u00e9, e os evang\u00e9licos e pentecostais est\u00e3o cada vez mais envolvidos em centros de estudos crist\u00e3os, na <span class=\"small-caps\">ngo<\/span>redes sociais, movimentos multirreligiosos e revistas eletr\u00f4nicas. Por enquanto, no processo de constante multiplica\u00e7\u00e3o e diversifica\u00e7\u00e3o de todas as institui\u00e7\u00f5es tradicionais, a igreja continua sendo o principal conceito que identifica a identidade religiosa, mas agora a igreja n\u00e3o \u00e9 mais um edif\u00edcio, mas o mundo inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que essas tend\u00eancias renovadoras s\u00e3o muito recentes e minorit\u00e1rias para transformar seus adeptos em atores sociais importantes entre os pr\u00f3prios evang\u00e9licos. As igrejas tradicionais e seus agrupamentos continuam a predominar no mundo evang\u00e9lico-pentecostal chileno e s\u00e3o os principais canais de di\u00e1logo entre o protestantismo e as esferas pol\u00edtico-governamentais. No entanto, acreditamos que o pentecostalismo tradicional precisa enfrentar o desafio de responder \u00e0 pergunta sobre a natureza do \"verdadeiro cristianismo\" se quiser manter sua lideran\u00e7a, obter maior aprova\u00e7\u00e3o p\u00fablica e conservar seu status de cidad\u00e3o cultural capaz de expressar e defender suas pr\u00f3prias demandas. Entretanto, com o fortalecimento pol\u00edtico dos setores evang\u00e9licos conservadores, quando no contexto \"p\u00f3s-democr\u00e1tico\" a pr\u00f3pria democracia \u00e9 questionada por seu \"amoralismo\", as cidadanias culturais religiosas podem levar n\u00e3o tanto a uma pluraliza\u00e7\u00e3o enriquecedora e ao respeito pelas minorias, mas a uma maior fragmenta\u00e7\u00e3o, isolamento cultural e ruptura do tecido social.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Bastian, Jean Pierre (1994). <em>Protestantismo y modernidad latinoamericana. Historia de unas minor\u00edas religiosas activas en Am\u00e9rica Latina<\/em>. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (1997). <em>La mutaci\u00f3n religiosa en Am\u00e9rica Latina. Para una sociolog\u00eda de cambio social en la modernidad perif\u00e9rica<\/em>. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Cleary, Edward y Juan Sep\u00falveda (1998). \u201cChilean Pentecostalism: Coming of Age\u201d, en Edward Cleary y H. Stewart-Gambino (ed.), <em>Power, Politics and Pentecostalism in Latin America<\/em>. Boulder: Wextview Press, pp. 97-122. https:\/\/doi.org\/10.4324\/9780429498077-6<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Dagnino, Evelina (2006). \u201cConcepciones de la ciudadan\u00eda en Brasil: proyectos pol\u00edticos en disputa\u201d, en Isidoro Cherevsky (comp.), <em>Ciudadan\u00eda, sociedad civil y participaci\u00f3n pol\u00edtica<\/em>. Buenos Aires: Mi\u00f1o y D\u00e1vila, pp. 387-410.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Fediakova, Evguenia (2004). \u201cSomos parte de esta sociedad: evang\u00e9licos y pol\u00edtica en el Chile postautoritario\u201d, <em>Pol\u00edtica<\/em>, n\u00fam. 43, pp. 253-284.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Hervieu-L\u00e9ger, Dani\u00e8le. (2004) <em>El peregrino y el convertido. La religi\u00f3n en movimiento<\/em>. M\u00e9xico: Ediciones del Hel\u00e9nico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ram\u00edrez, Pedro (2019). \u201cRadiograf\u00eda a la red que impulsa la arremetida pol\u00edtica de los evang\u00e9licos chilenos\u201d, <em>ciper-Chile<\/em>, Recuperado de https:\/\/ciperchile.cl\/2019\/07\/22\/radiografia-a-la-red-que-impulsa-la-arremetida-politica-de-los-evangelicos-en-chile\/, consultado el 25 de agosto del 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rosaldo, Renato (1999, 19 de febrero). \u201cCiudadan\u00eda cultural, desigualdad, multiculturalidad\u201d, <em>El Bordo Magazine<\/em>, Conferencia magistral dictada en el Seminario \u201cEl Derecho a la Identidad Cultural\u201d, uia-Noroeste, Tijuana, Baja California. Recuperado de https:\/\/uia-foundation.org\/wp-content\/el-bordo\/03\/Multiculturalidad-01.php, consultado el 25 de agosto de 2020.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o retorno da democracia, o mundo evang\u00e9lico chileno passou por mudan\u00e7as importantes, como a reconsidera\u00e7\u00e3o de suas rela\u00e7\u00f5es com o regime militar, o aumento do n\u00edvel socioecon\u00f4mico e educacional e a consolida\u00e7\u00e3o de seu status como um ator reconhecido na vida pol\u00edtico-social do pa\u00eds. Essas transforma\u00e7\u00f5es determinaram a forma\u00e7\u00e3o de evang\u00e9licos como uma \"cidadania cultural\" que estava claramente ciente de suas demandas, direitos espec\u00edficos e novo ativismo pol\u00edtico. 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