{"id":33128,"date":"2020-09-19T20:07:42","date_gmt":"2020-09-19T20:07:42","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=33128"},"modified":"2023-11-17T18:32:44","modified_gmt":"2023-11-18T00:32:44","slug":"birman-comentario_joanildo_burity","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/birman-comentario_joanildo_burity\/","title":{"rendered":"Coment\u00e1rios ao texto de Joanildo Burity: desafios para os tempos atuais"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">O objetivo do texto \u00e9 promover um di\u00e1logo com o artigo \"O povo evang\u00e9lico: constru\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica, disputas minorit\u00e1rias e rea\u00e7\u00e3o conservadora\", de Joanildo Burity. Ao avaliar positivamente as hip\u00f3teses do artigo relacionadas ao crescimento do evangelicalismo no Brasil, busca-se dialogar com elas a partir de uma perspectiva antropol\u00f3gica. Para tanto, explora quest\u00f5es relacionadas \u00e0 difus\u00e3o da cultura evang\u00e9lica, sua heterogeneidade e suas afinidades com pr\u00e1ticas culturais perif\u00e9ricas. Convida o leitor a considerar a import\u00e2ncia do militarismo que se desenvolve nos centros urbanos brasileiros como parcialmente respons\u00e1vel pelo papel mediador das igrejas evang\u00e9licas e, consequentemente, como importante para sua constru\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica. Sugere tamb\u00e9m que a reflex\u00e3o sobre as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero pode contribuir para uma melhor compreens\u00e3o das formas pol\u00edticas atualmente assumidas pelo projeto populista de construir o pa\u00eds como uma na\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/conservadurismo\/\" rel=\"tag\">conservadorismo<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/diferenciacion-de-genero\/\" rel=\"tag\">diferencia\u00e7\u00e3o de g\u00eanero<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/evangelicos\/\" rel=\"tag\">evang\u00e9licos<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/militarizacion\/\" rel=\"tag\">militariza\u00e7\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/periferias\/\" rel=\"tag\">periferias<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\"><span class=\"small-caps\">coment\u00e1rios sobre o texto de joanildo burity: desafios para os tempos atuais<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">O objetivo deste texto \u00e9 promover um di\u00e1logo com o artigo \"O povo evang\u00e9lico: constru\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica, disputas de minorias e rea\u00e7\u00e3o conservadora\", de Joanildo Burity. Ao valorizar positivamente as hip\u00f3teses do artigo, em rela\u00e7\u00e3o ao crescimento evang\u00e9lico no Brasil, busca-se dialogar com elas a partir de uma perspectiva antropol\u00f3gica. Com isso em mente, explora quest\u00f5es relacionadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da cultura evang\u00e9lica, sua heterogeneidade e suas afinidades com pr\u00e1ticas culturais perif\u00e9ricas. Convida o leitor a considerar a import\u00e2ncia do militarismo que se desenrola nos centros urbanos brasileiros como parcialmente respons\u00e1vel pelo papel de mediador desempenhado pelas igrejas evang\u00e9licas e, consequentemente, como importante para sua constru\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica. Sugere tamb\u00e9m que a reflex\u00e3o sobre as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero pode contribuir para uma melhor compreens\u00e3o das formas pol\u00edticas agora adotadas pelo projeto populista de construir o pa\u00eds como uma na\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">Palavras-chave: Evang\u00e9licos, militariza\u00e7\u00e3o, conservadorismo, diferencia\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, periferias.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">C<\/span>discutir esse texto de Joanildo com os leitores n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. De fato, foi um grande desafio que aumentou ainda mais no quadro imposto pela <span class=\"small-caps\">covid<\/span>-19. Mais no Brasil do que na Argentina, a pandemia est\u00e1 gerando um n\u00famero crescente e assustador de mortes, aliada \u00e0 fal\u00eancia do servi\u00e7o p\u00fablico, bem como ao comportamento amea\u00e7ador e autorit\u00e1rio do presidente da Rep\u00fablica. E a cada dia a crise se agrava. Aqui no Brasil, aprendemos que o inimagin\u00e1vel de hoje est\u00e1 sendo superado pelo de amanh\u00e3, com o aprofundamento de um regime autorit\u00e1rio e mort\u00edfero, que se aproveita da crise sanit\u00e1ria em que estamos mergulhados. Mas n\u00e3o perderemos a esperan\u00e7a. Portanto, dialogar com Joanildo Burity a partir de um texto brilhante, original e consistente tamb\u00e9m nos levar\u00e1, apesar das dificuldades, a outro plano de vida, em que o trabalho intelectual \u00e9 importante e nos permite refletir sobre poss\u00edveis sa\u00eddas para situa\u00e7\u00f5es como essa.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um trabalho de reflex\u00e3o denso e estimulante. Apresenta um quadro hist\u00f3rico do crescimento do pentecostalismo no Brasil e, em certa medida, na Am\u00e9rica Latina, considerando-o por meio de instrumentos te\u00f3ricos que, em s\u00edntese, seriam: a no\u00e7\u00e3o de <em>aldeia<\/em> e <em>populismo<\/em>de <em>minoriza\u00e7\u00e3o<\/em>constru\u00eddo por meio do conceito de pol\u00edtica de Ranci\u00e8re (1996), operando como um <em>l\u00f3gica populista<\/em>Laclau (2005). Uma nova hegemonia nacional por meio dos horizontes abertos pelos grupos evang\u00e9licos est\u00e1 agora na ordem do dia. Joanildo Burity, neste artigo como em outros, n\u00e3o se permite solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis e se coloca distante de qualquer quadro determinista e de interpreta\u00e7\u00f5es previamente estabelecidas (Burity, 2006, 2018). A abertura de caminhos poss\u00edveis, por um lado, e a combina\u00e7\u00e3o de interesses e perspectivas, em determinados momentos hist\u00f3ricos, por outro, deram origem ao predom\u00ednio da perspectiva pentecostal conservadora, combinada com um projeto autorit\u00e1rio de cunho nacional, engendrado como um <em>l\u00f3gica populista<\/em> que ganhou hegemonia entre os setores religiosos e outros setores da sociedade. Esse projeto est\u00e1 agora contestando, em n\u00edvel nacional, a constitui\u00e7\u00e3o do pa\u00eds como um <em>na\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto \u00e9 convincente, o que n\u00e3o foi surpreendente, de fato, conhecendo o trabalho anal\u00edtico do autor. Concordando com sua tese, meus coment\u00e1rios v\u00e3o no sentido de ampliar certas quest\u00f5es, provocando novos questionamentos a partir de uma leitura associada a uma perspectiva antropol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele argumenta que o crescimento evang\u00e9lico conservador foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um modelo de desenvolvimento sustent\u00e1vel. <em>l\u00f3gica populista<\/em>. Este <em>l\u00f3gica<\/em> que teve como protagonista central o ator evang\u00e9lico, mostrou-se capaz de ultrapassar os limites do campo religioso e agregar demandas heterog\u00eaneas, social, religiosa e politicamente. Foram os conservadores que conseguiram, a partir da d\u00e9cada de 1980 no Brasil, construir-se como um povo que gradualmente ganhou legitimidade e protagonismo na esfera pol\u00edtica e religiosa. Burity chama a aten\u00e7\u00e3o para a alian\u00e7a que se formou entre a elite evang\u00e9lica e as for\u00e7as pol\u00edticas de extrema direita que hoje governam o pa\u00eds. O conservadorismo de ontem flerta com o autoritarismo de hoje. Vale registrar que o per\u00edodo p\u00f3s-eleitoral privilegiou a elimina\u00e7\u00e3o de direitos, al\u00e9m de promover uma enorme crise nas estruturas democr\u00e1ticas conquistadas pela Constitui\u00e7\u00e3o de 88.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto aborda uma quest\u00e3o de suma import\u00e2ncia, que interessa a todos n\u00f3s neste momento: ser\u00e1 que o ator evang\u00e9lico, que surgiu como principal sujeito desse populismo, juntamente com todas as for\u00e7as pol\u00edticas que o apoiam (e s\u00e3o apoiadas por ele), conseguir\u00e1 fazer valer suas aspira\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas antidemocr\u00e1ticas e construir o pa\u00eds como um <em>na\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica<\/em>Esse projeto pode ser vencido e estabilizado? N\u00e3o h\u00e1 como prever o resultado dos confrontos em andamento. E o autor nos convida a refletir sobre o jogo e as possibilidades que est\u00e3o abertas.<\/p>\n\n\n\n<p>O foco deste artigo \u00e9 o processo de constitui\u00e7\u00e3o desse <em>l\u00f3gica populista<\/em>. Ao fazer isso, ele explora v\u00e1rios momentos hist\u00f3ricos, diferentes contextos pol\u00edticos e algumas de suas disputas. O surgimento dos \"evang\u00e9licos\" como um \"povo\", por meio da derrota dos protestantes hist\u00f3ricos e do catolicismo atual, a transforma\u00e7\u00e3o dos pentecostais de \"indiv\u00edduos fora do mundo\" em protagonistas da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na esfera p\u00fablica levou a processos eleitorais com crescente participa\u00e7\u00e3o desse grupo religioso e, finalmente, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma bancada parlamentar evang\u00e9lica no Congresso Nacional. Como \u00e9 sabido, essa \u00faltima ganhou mais poder na esfera pol\u00edtica e social. A descri\u00e7\u00e3o dessa trajet\u00f3ria pol\u00edtico-religiosa deixa claro como os vencedores dessas lutas e manobras pol\u00edticas foram capazes de constituir um <em>Evang\u00e9licos<\/em> como sujeitos pol\u00edticos por meio da <em>l\u00f3gica populista<\/em>. <em>Evang\u00e9licos<\/em> Os evang\u00e9licos foram assim constitu\u00eddos como aqueles que vieram para encarnar o povo, \"os exclu\u00eddos\" da na\u00e7\u00e3o. Cada vez mais os evang\u00e9licos, em nome da <em>povo evang\u00e9lico<\/em>Eles se manifestaram como atores pol\u00edtico-religiosos que forjaram um novo processo de subjetividade pol\u00edtica. N\u00e3o venceram simplesmente dentro de uma esfera pol\u00edtica restrita, no Congresso Nacional, nem se limitaram ao campo das igrejas hegem\u00f4nicas. Mas os atores passaram a fazer parte desse tecido, imersos na capilaridade que as pequenas igrejas t\u00eam nos bairros populares. Assim, com o alcance significativo de seu papel pol\u00edtico, conseguiram se forjar como mediadores, com alcance variado, entre as pol\u00edticas p\u00fablicas e aqueles cuja experi\u00eancia de vida historicamente os levou a se verem como \"os exclu\u00eddos\" de todos os matizes.<\/p>\n\n\n\n<p>O <em>l\u00f3gica populista<\/em>como instrumento te\u00f3rico mobilizado por Joanildo Burity, pressup\u00f5e uma rela\u00e7\u00e3o de antagonismo entre os \"exclu\u00eddos\" e os \"outros\". A realiza\u00e7\u00e3o, ainda que moment\u00e2nea, de um v\u00ednculo entre \"os evang\u00e9licos\" como \"povo\" e \"os de baixo\" tornou-se um processo de transforma\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o que passou a incluir \"os evang\u00e9licos\" como \"povo\". O artigo relaciona a l\u00f3gica pol\u00edtica do populismo com a no\u00e7\u00e3o de <em>pol\u00edtica<\/em> proposta por Jacques Ranci\u00e8re (1996). N\u00e3o pretendo reproduzir o trabalho te\u00f3rico desses autores, mas chamar a aten\u00e7\u00e3o para um aspecto valorizado, qual seja, a ruptura que a no\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica adquire com Jacques Ranci\u00e8re e \u00e9 refor\u00e7ada na an\u00e1lise de Burity. Para o fil\u00f3sofo franc\u00eas, quando a desigualdade \u00e9 desnaturalizada, ela coloca em xeque aqueles que n\u00e3o contam nessa ordem; eles exigem <em>seu<\/em> <em>parte<\/em>o <em>parte daqueles que n\u00e3o t\u00eam parte<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, os evang\u00e9licos surgiram como um povo da <em>nenhuma parte<\/em>O <em>de baixo para cima<\/em> o que, de forma difusa e com diferentes contornos, tem uma forte rela\u00e7\u00e3o com os antagonismos de classe que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis nem considerados na esfera p\u00fablica. At\u00e9 certo ponto, suas formas de filia\u00e7\u00e3o poderiam ser combinadas com diferentes movimentos pol\u00edticos e associativos, como aponta Burity. Em resumo, os movimentos do <em>nenhuma parte<\/em>Os estruturalmente dominados na vida social eram e s\u00e3o aqueles que, em muitas pequenas circunst\u00e2ncias, se encontravam em antagonismo com grupos dominantes, como o patr\u00e3o, o bispo, o capataz, por exemplo, ou mesmo com os traficantes de drogas, a pol\u00edcia corrupta e o prefeito, etc., todos integrados de diferentes maneiras em um s\u00f3 <em>Na\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica<\/em> (Novaes, 1985; Boyer, 2008). Entre esses atores <em>Evang\u00e9licos<\/em> tornou-se progressivamente presente como uma for\u00e7a motriz para as demandas e os desejos de igualdade. O antagonismo como <em>pol\u00edtica<\/em>no sentido atribu\u00eddo a ela por Jacques Ranci\u00e8re, faz com que o movimento do <em>povo evang\u00e9lico<\/em> uma manifesta\u00e7\u00e3o entre muitas enraizadas na vida social que passa pelo corpo, pelos afetos, pelo cotidiano e pela mem\u00f3ria de lutas e sofrimentos. Como resultado, ressalta Burity, h\u00e1 a gera\u00e7\u00e3o de <em>cadeias de equival\u00eancia<\/em> entre evang\u00e9licos e diferentes grupos heterog\u00eaneos e associa\u00e7\u00f5es em muitos n\u00edveis de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica relacionados aos \"desprivilegiados\".<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a pol\u00edtica est\u00e1 presente em muitas situa\u00e7\u00f5es no jogo de for\u00e7as em escala local, como uma micropol\u00edtica, geralmente restrita a pequenos espa\u00e7os, associada ao papel de pessoas pouco vis\u00edveis na esfera p\u00fablica. Seus movimentos, que articulam diversos coletivos, basicamente n\u00e3o exclu\u00edam, e ainda n\u00e3o excluem, os religiosos evang\u00e9licos. Burity ressalta que o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds favoreceu o surgimento de movimentos pluralistas que n\u00e3o deixaram de conviver com os evang\u00e9licos. A condi\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, evidentemente, agregou, em grande medida, qualidades espec\u00edficas, um estilo, uma moralidade nem sempre acionada, mas reconhecida. Um repert\u00f3rio pol\u00edtico em torno de \"direitos\", identificado tanto por evang\u00e9licos quanto por n\u00e3o-evang\u00e9licos, passou a incluir, com outras conota\u00e7\u00f5es, os discursos emanados das igrejas. Burity est\u00e1 certo ao apontar a abertura dessa identidade religiosa, sua capacidade de ser produzida e reproduzida em um n\u00famero infinito de movimentos e significados heterog\u00eaneos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos avaliar as consequ\u00eancias do surgimento do \"povo evang\u00e9lico\" como categoria e for\u00e7a pol\u00edtica. Observo que se trata do crescimento de uma elite religiosa que come\u00e7ou a participar cada vez mais organicamente dos mecanismos de gerenciamento da vida social. De fato, os evang\u00e9licos se entrincheiraram nas m\u00e1quinas e tecnologias do Estado e, ao faz\u00ea-lo, produziram novas formas de participa\u00e7\u00e3o, express\u00e3o cultural e pol\u00edtica na sociedade. Isso significa que o envolvimento das igrejas e de seus representantes pol\u00edticos em muitas frentes governamentais aumentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Refor\u00e7amos o argumento de Joanildo que aponta para duas tend\u00eancias pol\u00edtico-religiosas com rela\u00e7\u00e3o ao surgimento do \"povo evang\u00e9lico\" como \"exclu\u00eddo\". Uma tend\u00eancia est\u00e1 mais ligada aos interesses corporativos das igrejas e a outra est\u00e1 mais associada \u00e0 ativa\u00e7\u00e3o dos evang\u00e9licos como um povo em converg\u00eancia com os \"de baixo\".<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia corporativa, de fato, \u00e9 a mais capaz de gerenciar o comportamento dos religiosos. A partir do momento em que foram reconhecidos como leg\u00edtimos protagonistas dos \"exclu\u00eddos da na\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica\", eles passaram a acumular meios de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social, cultivando formas de governo. De fato, elegeram representantes para o Congresso Nacional, estruturaram uma frente parlamentar, fizeram alian\u00e7as pol\u00edticas com partidos de direita, centro e esquerda no Congresso Nacional e conseguiram defender os interesses de suas igrejas nas esferas econ\u00f4mica e social, associando-se a fazendeiros, empres\u00e1rios e banqueiros em diferentes governos. Joanildo Burity, ao destacar essa frente pol\u00edtica como a face corporativa da constru\u00e7\u00e3o do \"povo evang\u00e9lico\", nos faz pensar sobre as rela\u00e7\u00f5es que se formaram com a outra face evang\u00e9lica, aquela mais claramente associada aos \"exclu\u00eddos\", aos \"sem-parte\", aos \"de baixo\".<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil apontar que os protagonistas dessa elite evang\u00e9lica se beneficiaram de poderosos c\u00edrculos financeiros e empresariais e acumularam cada vez mais riqueza e poder. Por meio das alian\u00e7as que cultivaram, tamb\u00e9m avan\u00e7aram muito no dom\u00ednio da m\u00eddia, obtendo concess\u00f5es de r\u00e1dio e televis\u00e3o em escala nacional. \u00c9 poss\u00edvel dizer que os evang\u00e9licos aqui, ou seja, os l\u00edderes das grandes igrejas, seus parlamentares e suas empresas, conseguiram se integrar \u00e0 chamada elite nacional de forma est\u00e1vel? A an\u00e1lise de Burity indica como os evang\u00e9licos conquistaram um lugar significativo tanto no campo estritamente religioso quanto nas esferas do poder estatal, comercial e da m\u00eddia. Eles superaram o monop\u00f3lio cat\u00f3lico com uma poderosa m\u00e1quina pol\u00edtico-econ\u00f4mica-religiosa, exclu\u00edram os protestantes progressistas e se estabeleceram na esfera p\u00fablica, operando a todo vapor. Assim nasceram as modalidades para a elabora\u00e7\u00e3o de <em>uma nova subjetividade pol\u00edtica<\/em> com base na religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma quest\u00e3o importante surge, portanto, da inser\u00e7\u00e3o do <em>evang\u00e9licos<\/em> na elite pol\u00edtica dominante e as conex\u00f5es que eles mant\u00eam com a linguagem da ruptura evang\u00e9lica, t\u00e3o fundamental para a afirma\u00e7\u00e3o do <em>evang\u00e9licos<\/em> como <em>Vila <\/em>de <em>aqueles que n\u00e3o t\u00eam participa\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A subjetividade pol\u00edtica de que fala Joanildo Burity, portanto, tamb\u00e9m \u00e9 desenvolvida pela associa\u00e7\u00e3o dos evang\u00e9licos com a m\u00e1quina governamental. Eles passaram a funcionar em muitos campos como instrumento de governan\u00e7a a partir de uma perspectiva conservadora e normativa. O sujeito pol\u00edtico evang\u00e9lico teria surgido, ent\u00e3o, enfatizo, com uma dupla marca: a decorrente da revolta e da ruptura, ou seja, da promo\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, e tamb\u00e9m a tecida pelo compromisso com a pol\u00edcia (no sentido atribu\u00eddo por Ranci\u00e8re [1996], ou seja, que se confunde com o trabalho de gest\u00e3o e governo da <em>status quo<\/em>) por meio da aceita\u00e7\u00e3o obediente das conveni\u00eancias que emanam dos acordos pol\u00edticos hegem\u00f4nicos. O modo conservador de agir combina-se, creio eu, com a aceita\u00e7\u00e3o naturalizada de pr\u00e1ticas autorit\u00e1rias que regulam a vida social, cujos efeitos nefastos recaem principalmente sobre a inseguran\u00e7a e a precariedade dos territ\u00f3rios populares que tamb\u00e9m re\u00fanem evang\u00e9licos associados \u00e0 defesa de \"direitos\", como mencionado acima.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ponto importante a ser observado: as igrejas evang\u00e9licas conservadoras nunca se opuseram \u00e0 militariza\u00e7\u00e3o da vida social (ver Telles, 2019; Birman e Leite, 2018). Pelo contr\u00e1rio, elas a aplaudiram e tamb\u00e9m a transformaram em uma forma de a\u00e7\u00e3o. Pr\u00e1ticas de viol\u00eancia, como assassinatos, tortura e encarceramento em massa por meio de interven\u00e7\u00f5es das for\u00e7as armadas (ex\u00e9rcito e pol\u00edcia militar), permitiram que as igrejas administrassem a acomoda\u00e7\u00e3o conservadora, em conson\u00e2ncia com as pr\u00e1ticas militarizadas atuais.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> Eles aceitaram uma \"guerra\" contra os pobres e se colocaram \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para salvar suas v\u00edtimas da morte, os moradores das periferias, por meio de v\u00e1rios projetos de assist\u00eancia social (Birman e Machado, 2012; Machado, 2013). Em outras palavras, a a\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica criou importantes v\u00ednculos comunit\u00e1rios por meio do trabalho de media\u00e7\u00e3o envolvendo situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas e amea\u00e7adoras dos moradores das periferias. Esses v\u00ednculos s\u00e3o altamente dimensionados pelo trabalho de divulga\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, o que lhes confere um poder peculiar (Machado, 2013). Embora haja uma heterogeneidade de valores no campo evang\u00e9lico, ela \u00e9 de certa forma encoberta pelo ativismo estridente e avassalador das igrejas conservadoras, que tamb\u00e9m ganham prote\u00e7\u00e3o estatal e paraestatal. Os resultados dessa nova hegemonia s\u00e3o apontados por Burity no campo da cultura e da vida social em localidades perif\u00e9ricas. A cultura da m\u00eddia que se desenvolveu no final do s\u00e9culo passado (ver Appadurai, 2001) levou ao surgimento de novas formas de media\u00e7\u00e3o, incluindo a media\u00e7\u00e3o religiosa (<em>cf<\/em>. Giumbelli, Rickli e Toniol, 2019), o que impulsionou a presen\u00e7a evang\u00e9lica na esfera p\u00fablica e contribuiu para a ampla dissemina\u00e7\u00e3o de seus valores e linguagens.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Burity, \"a linguagem do pentecostalismo forneceu um vocabul\u00e1rio moral para lidar com a viol\u00eancia, a pobreza, a perda de la\u00e7os comunit\u00e1rios, a nega\u00e7\u00e3o da dignidade e da autoestima de pessoas vulner\u00e1veis\". Resta a quest\u00e3o de sua efic\u00e1cia: o uso e o conhecimento socialmente compartilhado dessa linguagem implicam a ades\u00e3o e a submiss\u00e3o aos valores religiosos que circulam em seu vocabul\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 que ponto o \"povo evang\u00e9lico\" responde adequadamente \u00e0s exig\u00eancias normativas das igrejas conservadoras e se distancia das manifesta\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica, nos termos de Ranci\u00e8re? Como a linguagem do pentecostalismo \u00e9 usada por pessoas \"comuns\", sem igreja? E, por fim, como essas duas faces constitutivas do \"povo evang\u00e9lico\", a pol\u00edtica e a pol\u00edcia, efetivamente se uniram nas periferias?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel considerar que o processo eleitoral imp\u00f4s aos evang\u00e9licos (e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o) uma \"desfilia\u00e7\u00e3o\" da pol\u00edtica, considerada pelos conservadores como o lugar de todos os males? Ser\u00e1 que os religiosos (como lemos no texto) almejam a filia\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica da na\u00e7\u00e3o como meio de tornar a pol\u00edcia o principal instrumento (religioso) para governar o pa\u00eds, excluindo os inimigos de Deus que est\u00e3o por toda parte? (Sant'ana, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever o futuro, como sabemos. Ao n\u00e3o aceitar nenhuma perspectiva teleol\u00f3gica, o texto nos direciona a discutir as lacunas inerentes a uma sociedade heterog\u00eanea como a brasileira: as fissuras, as formas de resist\u00eancia, as pequenas e grandes desobedi\u00eancias que podem ser valorizadas para nos ajudar a refletir sobre os agenciamentos, por vezes inusitados, que elas potencializam (Cortes, 2014; Vital da Cunha, 2009, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>A vida cotidiana nas cidades revela a onipresen\u00e7a da cultura evang\u00e9lica que se expressa muito al\u00e9m dos espa\u00e7os de suas igrejas. Se entendermos a no\u00e7\u00e3o de cultura nos termos de Geertz (2011), ou seja, como a constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas, s\u00edmbolos e vis\u00f5es de mundo que moldam a realidade, percebemos que a cultura evang\u00e9lica conseguiu se espalhar e se disseminar na sociedade. Aproxima-se do que, em outros tempos, era considerado o catolicismo impregnado na vida social, marcando o curso do tempo, as manifesta\u00e7\u00f5es c\u00edvicas, as rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, as estruturas jur\u00eddicas, os valores nacionais e familiares de forma quase invis\u00edvel, no tecido social. A cultura secular nacional foi historicamente constitu\u00edda como cat\u00f3lica, e agora, em tempos mais recentes, \u00e9 disputada pelos evang\u00e9licos.<\/p>\n\n\n\n<p>E agora? As observa\u00e7\u00f5es de Joanildo sobre a difus\u00e3o evang\u00e9lica nos levam a questionar como se produz essa poss\u00edvel ades\u00e3o religiosa e com que consequ\u00eancias: estar\u00edamos diante de um fen\u00f4meno equivalente, como observou Pierre Sanchis (2001) h\u00e1 algum tempo, de um setor de evang\u00e9licos \"n\u00e3o praticantes\"? Quais seriam as diferentes formas e graus de ades\u00e3o daqueles que vivem de alguma forma no tecido naturalizado da cultura evang\u00e9lica? Ser\u00e1 que o sucesso da m\u00fasica <em>evangelho<\/em>programas de televis\u00e3o, o <span class=\"small-caps\">dj<\/span>Ser\u00e1 que o predom\u00ednio da linguagem evang\u00e9lica, para usar a express\u00e3o de Burity, revela uma ades\u00e3o significativa das popula\u00e7\u00f5es aos preceitos autorit\u00e1rios e conservadores que fazem parte da gest\u00e3o do governo? N\u00e3o podemos ignorar uma sintonia dos fi\u00e9is com o comportamento doutrinariamente exigido de suas igrejas. Isso n\u00e3o significa afirmar, em primeiro lugar, que n\u00e3o existam outras tend\u00eancias minorit\u00e1rias e, em segundo lugar, que as franjas das igrejas se orientem com a mesma fidelidade aos preceitos religiosos que certamente conhecem.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora possa haver uma ades\u00e3o e fidelidade majorit\u00e1ria entre os evang\u00e9licos aos princ\u00edpios morais e sociais que lhes s\u00e3o indicados, isso n\u00e3o deve ser confundido com formas de apropria\u00e7\u00e3o de seu l\u00e9xico sem ades\u00e3o \u00e0s normas. A l\u00f3gica pol\u00edtica ligada \u00e0 morte, como pol\u00edtica naturalizada nas periferias do pa\u00eds h\u00e1 mais de trinta anos, criou dispositivos governamentais para gerir o cotidiano, mas ser\u00e1 capaz de garantir a reprodu\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica da conformidade \u00e9tica e pol\u00edtica nos tempos dif\u00edceis em que vivemos? Houve apoio no per\u00edodo eleitoral; resta saber por quanto tempo ele persistir\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Se h\u00e1 novas formas de subjetiva\u00e7\u00e3o nessa forma de governo \"da pol\u00edcia\", n\u00e3o parece poss\u00edvel separ\u00e1-las de outros condicionantes que v\u00e1rios antrop\u00f3logos j\u00e1 apontaram, a saber, aqueles que a proximidade do trabalho de campo em diferentes momentos e com diferentes pessoas e coletivos apontam como os marcadores de g\u00eanero, classe e ra\u00e7a, presentes nessas rela\u00e7\u00f5es. O sofrimento, a esperan\u00e7a, o afeto, as situa\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis diferenciam as formas de agir e sentir. Por que \u00e9 preciso aceitar que um filho foi condenado \u00e0 morte pelo administrador da droga sem poder reagir abertamente? O que fazer com as dan\u00e7as? <em>funk<\/em> que os jovens n\u00e3o abandonam a escola e s\u00e3o uma fonte de viol\u00eancia, sexo e drogas, segundo suas m\u00e3es possivelmente evang\u00e9licas?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tem sido dif\u00edcil perceber que os marcadores de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe s\u00e3o fundamentais para entender os diferentes movimentos diferenciados que abundam nos modos de vida atravessados por pr\u00e1ticas e princ\u00edpios diferentes, mas entrela\u00e7ados (Brah, 2006). Gostaria de dar dois exemplos extra\u00eddos de descri\u00e7\u00f5es etnogr\u00e1ficas feitas por colegas. Martijn Oosterban (2006) relatou uma cena que presenciou em uma favela do Rio de Janeiro, onde um grupo de jovens, conhecidos participantes do tr\u00e1fico de drogas local, chegou perto de uma igreja, localizada na pra\u00e7a da comunidade. Quando os jovens chegaram com suas metralhadoras e fuzis em frente \u00e0 porta da igreja, baixaram as armas para receber uma b\u00ean\u00e7\u00e3o de um pastor visitante. Depois que o l\u00edder evang\u00e9lico colocou as m\u00e3os sobre suas cabe\u00e7as, o que foi observado em sil\u00eancio pelos moradores da pra\u00e7a, os jovens desapareceram r\u00e1pida e furtivamente por um arbusto. Esses jovens n\u00e3o pertenciam \u00e0 igreja, mas eram evang\u00e9licos.<em>s<\/em> n\u00e3o participantes, de alguma forma integrados em seus valores, imersos nos ambientes culturais em que essa cultura est\u00e1 presente, mas sem obedecer a seus preceitos normativos. O segundo exemplo, da obra de mestrado de Nat\u00e2nia Lopes (Lopes, 2011: 104-105), relata uma situa\u00e7\u00e3o que ela acompanhou em um baile <em>funk<\/em> que reproduzo a seguir:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">A interven\u00e7\u00e3o de um pastor em um baile <em>funk<\/em>Achei muito curioso o fato de a m\u00fasica ter sido substitu\u00edda pela prega\u00e7\u00e3o no baile (<em>funk<\/em>). Os evang\u00e9licos pediram permiss\u00e3o aos bandidos para fazer isso. Foram eles que autorizaram. A plateia ouvia com mais ou menos aten\u00e7\u00e3o. O crente falou sobre a import\u00e2ncia de evitar o dem\u00f4nio e suas sedu\u00e7\u00f5es. Que o dem\u00f4nio era o maior inimigo da humanidade. Que ele sempre tra\u00eda as pessoas que o seguiam. Que ele era como Judas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s seu breve discurso (que durou pouco mais de cinco minutos), o <span class=\"small-caps\">dj <\/span>voltou a usar o microfone. E fez a seguinte conex\u00e3o entre o rein\u00edcio da festa e a prega\u00e7\u00e3o ouvida: \"Sim, meus amigos... ele traiu Jesus por dez moedas de prata. Quem n\u00e3o gosta de X9s [delatores] levante a m\u00e3o!\" O sil\u00eancio foi quebrado por uma explos\u00e3o de gritos. A massa de pessoas pulou com as m\u00e3os para o alto. E a m\u00fasica que come\u00e7ou a tocar dizia: \"O X9 delatou. Ele o entregou, ele encontrou um problema. Ele est\u00e1 amarrado, voc\u00ea sabe onde? No porta-malas de um Sienna [carro da Fiat]. O chamado da pris\u00e3o [o chamado para reunir a quadrilha] veio para acabar com o problema. O X9 deu... [queimamos] ou n\u00e3o queimamos? Todos responderam com um grito: \"Queimamos!\" \"Queimamos ou n\u00e3o?\" \"Queimamos!\"<\/p>\n\n\n\n<p>Um relacionamento de conv\u00edvio com os pastores facilitou para o l\u00edder local de dan\u00e7a e jovens do tr\u00e1fico permitir que a palavra de Deus ressoasse no sal\u00e3o. O discurso do bandido utilizou de forma imaginativa o l\u00e9xico evang\u00e9lico para afirmar a obedi\u00eancia devida pelos moradores. Os exemplos de relacionamentos como os descritos acima s\u00e3o infinitos (Vital da Cunha, 2009, 2015; Machado da Silva, 2008). A rela\u00e7\u00e3o entre esses componentes morais e materiais da vida cotidiana pode ser evocada como um problema: ser\u00e1 que a porosidade das fronteiras entre os evang\u00e9licos e aqueles vistos como senhores da vida e da morte nas periferias n\u00e3o pode nos ajudar a entender a sintonia entre os padr\u00f5es religiosos que privilegiam a guerra como um importante fator social e cultural? Afinal, as cidades, assim como seus representantes pol\u00edticos e sua m\u00eddia, est\u00e3o, ap\u00f3s trinta anos, convivendo com a crescente militariza\u00e7\u00e3o da sociedade (Leite <em>et al<\/em>. 2018; Graham, 2016). Essa perspectiva conservadora (e mortal) sobre os pobres localizados na periferia n\u00e3o desempenha um papel importante na atual conjuntura? Como a militariza\u00e7\u00e3o da vida social e a convers\u00e3o moral do pa\u00eds pelas igrejas evang\u00e9licas se tornaram fatores cruciais nas elei\u00e7\u00f5es de 2018?<\/p>\n\n\n\n<p>Burity menciona o surgimento de um p\u00e2nico moral nesse processo. Eu gostaria de discutir seu significado como um tema final a ser mencionado. O ataque armado e o esp\u00edrito de guerra que j\u00e1 se naturalizaram no pa\u00eds foram combinados com o valor do cuidado e da moralidade como uma atividade evang\u00e9lica, envolvendo principalmente as mulheres. \u00c9 uma afinidade cultivada pelo conservadorismo das igrejas evang\u00e9licas que podemos entender melhor pelo papel que os marcadores de g\u00eanero e ra\u00e7a desempenham nessa conjun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante observar que, no processo eleitoral, o valor da masculinidade branca hegem\u00f4nica foi ativado como solu\u00e7\u00e3o para combater os inimigos do pa\u00eds. Essa masculinidade elevou a virilidade guerreira como um valor ideal, o que aconteceu em grande parte durante a campanha eleitoral (Braz, 2020). E se somou \u00e0 defesa da maternidade como um ideal feminino que est\u00e1 confrontando a pol\u00edtica de g\u00eanero defendida pela \"esquerda\". As mulheres de esquerda foram amplamente acusadas de profanar a maternidade e os valores morais b\u00e1sicos, e de cumplicidade com a pedofilia. Mulheres drogadas foram mostradas profanando igrejas, ataques sexuais e ped\u00f3filos a crian\u00e7as foram sugeridos como pr\u00e1tica comum da esquerda no Brasil e no mundo. A viol\u00eancia b\u00e9lica do futuro presidente da Rep\u00fablica, por outro lado, foi exaltada por ter um perfil ideal para liderar: algu\u00e9m que sabe matar e n\u00e3o hesita em exterminar inimigos comunistas, amorais e corruptos para defender o pa\u00eds em nome de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um artigo recente (Birman, 2020), enfatizei o mesmo argumento: \"Destacamos a elabora\u00e7\u00e3o de um repert\u00f3rio de gestos, corpos e imagens gramaticalmente associados \u00e0 viol\u00eancia masculina, ao mesmo tempo conhecidos e renovados. O agente dessa viol\u00eancia, o sujeito desses enunciados, confunde-se com a figura do homem \"incolor\" e heterossexual, ou seja, aquele cuja brancura \u00e9 afirmada porque ele se define como antag\u00f4nico aos agredidos: negros, ind\u00edgenas, <em>gays<\/em>N\u00e3o \u00e9 esse o modelo do indiv\u00edduo\/cidad\u00e3o, ao mesmo tempo familiar e naturalizado, e agora fortemente impulsionado a construir as novas bases do Estado-na\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Camilo Braz (2020), em seus coment\u00e1rios sobre o valor da virilidade branca demonstrada pelo presidente, nos leva a crer que seu relacionamento com a <span class=\"small-caps\">covid<\/span>-O projeto de governo da biopol\u00edtica \u00e9 de natureza pol\u00edtica, mas a viol\u00eancia extrema \u00e9 a principal causa da morte dos inimigos, dos fracos e dos vulner\u00e1veis. Ela estaria ligada, na perspectiva foucaultiana da biopol\u00edtica, \u00e0s pol\u00edticas governamentais relacionadas ao governo da vida, por um lado, e, por outro, ao exerc\u00edcio de um poder distribu\u00eddo entre m\u00faltiplas for\u00e7as na sociedade que faz da morte e do exerc\u00edcio da guerra um dos meios de governar os pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a m\u00eddia e as pesquisas de opini\u00e3o sugerem que o apoio pol\u00edtico ao seu projeto diminuiu, embora com uma flutua\u00e7\u00e3o muito leve. De fato, n\u00e3o h\u00e1 dados confi\u00e1veis que mostrem uma mudan\u00e7a efetiva no apoio a Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciei este coment\u00e1rio em um momento em que a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil era ainda mais ca\u00f3tica e convulsiva do que quando Joanildo Burity escreveu. Embora o quadro geral n\u00e3o tenha se alterado substancialmente, o curto espa\u00e7o de tempo entre a reda\u00e7\u00e3o do texto comentado e a do meu coment\u00e1rio indica um r\u00e1pido agravamento da situa\u00e7\u00e3o, o que reitera a relev\u00e2ncia anal\u00edtica do texto. A pandemia evidenciou at\u00e9 que ponto o atual governo utiliza a destrui\u00e7\u00e3o letal como for\u00e7a motriz. Dizemos isso porque, al\u00e9m de minimizar os efeitos da pandemia, a fim de priorizar a manuten\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas - que resultaram em mais de 110 mil mortes at\u00e9 agosto -, o governo Bolsonaro apoia e incentiva a luta militar armada contra a popula\u00e7\u00e3o considerada inimiga, como j\u00e1 mencionamos. As mortes relacionadas \u00e0 falta de aten\u00e7\u00e3o direcionada \u00e0 pandemia se devem a procedimentos biopol\u00edticos historicamente consolidados na sociedade brasileira. Como se sabe, os dispositivos m\u00e9dicos e assistenciais s\u00e3o fabricados priorizando seus benefici\u00e1rios (e, portanto, s\u00e3o sempre prec\u00e1rios para os setores mais pobres e vulner\u00e1veis da sociedade).<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> No caso das mortes por homic\u00eddio, chamamos a aten\u00e7\u00e3o para o processo de militariza\u00e7\u00e3o em curso que criminaliza as camadas populares, os moradores das periferias, especialmente os negros e os pobres, transformando-os em seres \"mat\u00e1veis\". Destaca-se aqui o entrela\u00e7amento das rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe.<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta final do texto sobre uma poss\u00edvel \"domestica\u00e7\u00e3o\" ou apaziguamento da sede de poder dos pentecostais n\u00e3o pode ser facilmente respondida. Joanildo pergunta com muita precis\u00e3o: \"Ser\u00e1 que a hipervisibilidade da forma\u00e7\u00e3o discursiva evang\u00e9lica e as pr\u00e1ticas antidemocr\u00e1ticas e abertamente antag\u00f4nicas em rela\u00e7\u00e3o aos movimentos sociais dos quais ela participa cada vez mais n\u00e3o levar\u00e3o a uma eros\u00e3o e deslegitima\u00e7\u00e3o desses atores? Caso a institucionaliza\u00e7\u00e3o da nova ordem p\u00f3s-democr\u00e1tica ocorra, ela n\u00e3o \"domesticar\u00e1\" ou devorar\u00e1 a sede de poder dos pentecostais? A desigualdade social e o autoritarismo n\u00e3o nasceram com o governo de Bolsonaro, eles est\u00e3o enraizados na hist\u00f3ria do pa\u00eds. Entretanto, n\u00e3o h\u00e1 nada que preveja que o atual cen\u00e1rio negativo continuar\u00e1. Acredito que a maioria dos religiosos das camadas populares, em raz\u00e3o das m\u00faltiplas perdas que est\u00e3o sofrendo, poder\u00e1 abandonar, como j\u00e1 aconteceu em outras ocasi\u00f5es, sua ades\u00e3o \u00e0 extrema direita que esse governo encarna. As camadas populares, reagindo \u00e0s perdas, podem \"domar\" os at\u00e9 ent\u00e3o hegem\u00f4nicos e poderosos grupos evang\u00e9licos, que, por enquanto, est\u00e3o bem estabelecidos nas esferas do poder.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Appadurai, Arjun (2001). <em>Apr\u00e8s le colonialisme. Les cons\u00e9quences culturelles de la globalisation.<\/em> Par\u00eds: Payot.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Bay, Gabriela (2015). \u201cGovernamentalidade e paradigma imunit\u00e1rio: reflex\u00f5es e aproxima\u00e7\u00f5es entre Michel Foucault e Roberto Esp\u00f3sito\u201d, Peri, vol. 2, n\u00fam. 2, pp. 155-167.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Birman, Patricia y M\u00e1rcia Pereira Leite (2018). \u201cRio e S\u00e3o Paulo: categor\u00edas emaranhadas e a relativiza\u00e7\u00e3o de seus sentidos nos estudos sobre (as chamadas) periferias\u201d, en Joana Barros, Andr\u00e9 Dal\u2019B\u00f3 da Costa y Cibele Rizek,<em> Os limites da acumula\u00e7\u00e3o, movimentos e resist\u00eancia nos territ\u00f3rios<\/em>. S\u00e3o Carlos: <span class=\"small-caps\">iau\/usp,<\/span> pp 27-39. https:\/\/doi.org\/10.11606\/9788566624267<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2020). \u201cGuerra, religi\u00e3o, secularismo e alguns sujeitos sens\u00edveis: reflex\u00f5es preliminares a partir de Talal Asad\u201d, <em>Revista Exilium<\/em>, vol. 1, n\u00fam 1, pp. 75-101.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 y Carly Machado (2012). \u201cA viol\u00eancia dos justos: evang\u00e9licos, m\u00eddia e periferias da metr\u00f3pole\u201d, <em>Revista Brasileira de Ci\u00eancias Sociais<\/em>, vol. 27, n\u00fam. 80, pp. 55-69. https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0102-69092012000300004<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Boyer, V\u00e9ronique (2008). <em>La renaissance des perdants. \u00c9vangelistes et migrations en Amazonie br\u00e9silienne<\/em>. Paris: Karthala.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Brah, Avtar (2006). \u201cDiferen\u00e7as, diversidade, diferencia\u00e7\u00e3o\u201d, <em>Cadernos Pagu<\/em>, vol. 26, pp. 329-376. https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0104-83332006000100014<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Braz, Camilo y Luiz Mello (2020). \u201cMasculinidades e androcracia e tempos de <span class=\"small-caps\">covid<\/span>-19\u201d, <em>Boletim Cientistas Sociais<\/em>, n\u00fam. 39, pp. 4-8. Recuperado de http:\/\/anpocs.com\/images\/stories\/boletim\/boletim_CS\/Boletim_n39.pdf, consultado el 28 de agosto de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Burity, Joanildo y Maria das Dores Machado (orgs.) (2006). <em>Os votos de Deus: Evang\u00e9licos, pol\u00edtica e elei\u00e7\u00f5es no Brasil<\/em>. Recife: Massangana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2018). \u201cA onda conservadora na pol\u00edtica brasileira traz o fundamentalismo ao poder?\u201d, en Ronaldo Almeida y Rodrigo Toniol (org.),<em> Conservadorismos, fascismos e fundamentalismos: an\u00e1lises conjunturais.<\/em> Campinas: Editora da Unicamp, pp. 15-66. https:\/\/doi.org\/10.7476\/9788526815025.0002<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Cortes, Mariana (2014). \u201cO mercado pentecostal de prega\u00e7\u00f5es e testemunhos: formas de gest\u00e3o do sofrimento\u201d, <em>Religi\u00e3o e Sociedade<\/em>, vol. 34, n\u00fam. 2, pp.184-209. https:\/\/doi.org\/10.1590\/S1984-04382014000200010<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Foucault, Michel (2004). <em>Naissance de la Biopolitique.<\/em> Par\u00eds: Gallimard\/Seuil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Geertz, Clifford (2011). <em>A interpreta\u00e7\u00e3o das Culturas.<\/em> R\u00edo de Janeiro: Editora <span class=\"small-caps\">ltc<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Giumbelli, Emerson, Jo\u00e3o Rickli y Rodrigo Toniol (org.) (2019). <em>Como as coisas importam. Uma abordagem material da religi\u00e3o. Textos de Birgit Meyer<\/em>. Porto Alegre: Editora da <span class=\"small-caps\">ufrgs<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Graham, Stephen (2016). <em>Cidades situadas. O novo urbanismo militar.<\/em> Sao Paulo: Boitempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Laclau, Ernesto (2005). <em>La raz\u00f3n populista<\/em>. M\u00e9xico y Buenos Aires: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Leite, Marcia Pereira, Lia Rocha, Juliana Farias y Monique Carvalho (org.) (2018). <em>Militariza\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro: de pacifica\u00e7\u00e3o \u00e0 interven\u00e7\u00e3o.<\/em> R\u00edo de Janeiro: M\u00f3rula Editorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lopes, Nat\u00e2nia (2011). <em>Os bandidos da Cidade \u2013 formas de criminalidade da pobreza e processo de criminaliza\u00e7\u00e3o dos pobres<\/em> [Tesis de maestr\u00eda]<em>.<\/em> R\u00edo de Janeiro: <span class=\"small-caps\">ppcis, ufrj<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Machado, Carly (2013). \u201c\u00c9 muita mistura: projetos religiosos, pol\u00edticos, sociais, midi\u00e1ticos, de sa\u00fade e seguran\u00e7a p\u00fablica no Rio de Janeiro\u201d, <em>Religi\u00e3o e Sociedade<\/em>, vol. 33, n\u00fam. 2, pp. 13-35. https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0100-85872013000200002<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Machado da Silva, Luis A. (org.) (2008). <em>Vida sob cerco. Viol\u00eancia e rotina nas favelas do Rio de Janeiro. <\/em>R\u00edo de Janeiro: Editora Nova Fronteira\/ Faperj.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Novaes, Regina (1985). <em>Os escolhidos de Deus: pentecostais, trabalhadores e cidadania<\/em>. R\u00edo de Janeiro: Marco Zero e <span class=\"small-caps\">iser<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Oosterban, Martijn (2006). <em>Divine Meditations, Pentecostalism, Politics and Mass Media in a Favela in Rio de Janeiro <\/em>[Tesis de doctorado]. \u00c1msterdam: Universidad de \u00c1msterdam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ranci\u00e8re, Jacques (1996). <em>O desentendimento. Pol\u00edtica e Filosofia<\/em>. Sao Paulo: Ed34.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Sanchis, Pierre (2001). \u201cReligi\u00f5es, religi\u00e3o\u2026 Alguns problemas do sincretismo no campo religioso brasileiro\u201d, en Pierre Sanchis (org.), <em>Fi\u00e9is e cidad\u00e3os: percursos de sincretismo no Brasil. <\/em>R\u00edo de Janeiro: Eduerj, pp. 9-58.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Sant\u2019ana, Rachel (2017). <em>A na\u00e7\u00e3o cujo Deus \u00e9 o Senhor e a imagina\u00e7\u00e3o de uma nova coletividade evang\u00e9lica\u201d a partir da Marcha para Jesus<\/em> [Tesis de doctorado]. R\u00edo de Janeiro: <span class=\"small-caps\">ppcis<\/span>, <span class=\"small-caps\">ufrj<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Telles, Vera (2019). \u201cApresenta\u00e7\u00e3o: figura\u00e7\u00f5es da \u201cguerra urbana\u201d\u201d, <em>Novos Estudos <span class=\"small-caps\">cebrap<\/span><\/em>, vol. 38, n\u00fam. 3, pp. 521-527. https:\/\/doi.org\/10.25091\/S01013300201900030001<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Vital da Cunha, Christina (2009). <em>Evang\u00e9licos em a\u00e7\u00e3o nas favelas cariocas: um estudo s\u00f3cio-antropol\u00f3gico sobre redes de prote\u00e7\u00e3o, tr\u00e1fico de drogas e religi\u00e3o no Complexo de Acari<\/em> [Tesis de doctorado]<em>. <\/em>R\u00edo de Janeiro: <span class=\"small-caps\">ppcis<\/span>, <span class=\"small-caps\">ufrj<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2015). <em>Ora\u00e7\u00e3o de Traficante. Uma etnografia.<\/em> R\u00edo de Janeiro: Garamond.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\"><em>Patricia Birman<\/em> Possui gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia (1976), mestrado em Antropologia Social (1980) e doutorado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1988). Recebeu uma bolsa de p\u00f3s-doutorado (1995\/1996) na \u00c9cole des Hautes \u00c9tudes en Sciences Sociales, Paris, e leciona Antropologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Como antrop\u00f3loga, especializou-se no campo dos estudos religiosos. Pesquisou cultos afro-brasileiros, pentecostalismo no Brasil e religi\u00f5es no espa\u00e7o p\u00fablico. Sua pesquisa atual se concentra no entrela\u00e7amento de pr\u00e1ticas religiosas e seculares na gest\u00e3o da pobreza. Desenvolve pesquisas sobre a produ\u00e7\u00e3o de territorialidades perif\u00e9ricas em espa\u00e7os urbanos.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O objetivo do texto \u00e9 promover um di\u00e1logo com o artigo \"O povo evang\u00e9lico: constru\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica, disputas minorit\u00e1rias e rea\u00e7\u00e3o conservadora\", de Joanildo Burity. Ao avaliar positivamente as hip\u00f3teses do artigo relacionadas ao crescimento do evangelicalismo no Brasil, busca-se dialogar com elas a partir de uma perspectiva antropol\u00f3gica. Para tanto, explora quest\u00f5es relacionadas \u00e0 difus\u00e3o da cultura evang\u00e9lica, sua heterogeneidade e suas afinidades com pr\u00e1ticas culturais perif\u00e9ricas. Convida o leitor a considerar a import\u00e2ncia do militarismo que se desenvolve nos centros urbanos brasileiros como parcialmente respons\u00e1vel pelo papel mediador das igrejas evang\u00e9licas e, consequentemente, como importante para sua constru\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica. Sugere tamb\u00e9m que a reflex\u00e3o sobre as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero pode contribuir para uma melhor compreens\u00e3o das formas pol\u00edticas atualmente assumidas pelo projeto populista de construir o pa\u00eds como uma na\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[464,689,475,257,690],"coauthors":[551],"class_list":["post-33128","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-34","tag-conservadurismo","tag-diferenciacion-de-genero","tag-evangelicos","tag-militarizacion","tag-periferias","personas-patricia-birman","numeros-627"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Comentarios al texto de Joanildo Burity &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"El objetivo del texto es promover un di\u00e1logo con el art\u00edculo titulado \u201cEl pueblo evang\u00e9lico\u201d, de Joanildo Burity.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/birman-comentario_joanildo_burity\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Comentarios al texto de Joanildo Burity &#8211; 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