{"id":32868,"date":"2020-09-19T01:16:53","date_gmt":"2020-09-19T01:16:53","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=32868"},"modified":"2023-11-17T18:34:34","modified_gmt":"2023-11-18T00:34:34","slug":"aceves-cultura-ciudadana-ciudadania-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/aceves-cultura-ciudadana-ciudadania-cultural\/","title":{"rendered":"Culturas cidad\u00e3s e cidadania cultural. Uma explora\u00e7\u00e3o dos termos"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">Este texto analisa a rela\u00e7\u00e3o entre cidadania e cultura. A explora\u00e7\u00e3o de textos de ci\u00eancias sociais que tratam desses termos para analisar determinados sujeitos sociais, tanto em sua a\u00e7\u00e3o quanto em sua conceitua\u00e7\u00e3o, leva-nos a considerar que as cidadanias s\u00e3o diversas, heterog\u00eaneas e com posi\u00e7\u00f5es desiguais em rela\u00e7\u00e3o a outros grupos de cidad\u00e3os e em sua rela\u00e7\u00e3o com a esfera estatal. Cada conjunto de cidad\u00e3os vive e molda sua a\u00e7\u00e3o social com base em suas pr\u00f3prias configura\u00e7\u00f5es de identidade, c\u00f3digos e disposi\u00e7\u00f5es culturais, todos eles afetados por rela\u00e7\u00f5es de poder e g\u00eanero, classe e etnia. Por meio de suas a\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es e pensamentos, os cidad\u00e3os expressam a pluralidade social, pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural de nossas conflituosas sociedades contempor\u00e2neas. Duas reflex\u00f5es s\u00e3o desenvolvidas neste ensaio: primeiro, a discuss\u00e3o \u00e9 abordada do ponto de vista das pr\u00e1ticas de cidadania; em um segundo olhar, destaca-se a dimens\u00e3o cultural que essas pr\u00e1ticas manifestam dos direitos espec\u00edficos de cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/ciudadania\/\" rel=\"tag\">cidadania<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/cultura\/\" rel=\"tag\">cultura<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/derechos\/\" rel=\"tag\">direitos<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/globalizacion\/\" rel=\"tag\">globaliza\u00e7\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/politica\/\" rel=\"tag\">pol\u00edtica<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\">Culturas cidad\u00e3s e cidadania cultural. Uma explora\u00e7\u00e3o dos termos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">Este texto analisa a rela\u00e7\u00e3o entre cidadania e cultura. A explora\u00e7\u00e3o da literatura das ci\u00eancias sociais sobre esses termos para analisar determinados sujeitos sociais, tanto em sua a\u00e7\u00e3o quanto em sua conceitua\u00e7\u00e3o, levou-nos a considerar que as cidadanias s\u00e3o diversas, heterog\u00eaneas e com posi\u00e7\u00f5es desiguais em rela\u00e7\u00e3o a outros cidad\u00e3os e em sua rela\u00e7\u00e3o com a esfera do Estado. Cada grupo de cidad\u00e3os vive e modela sua a\u00e7\u00e3o social com base em suas pr\u00f3prias configura\u00e7\u00f5es de identidade, c\u00f3digos e disposi\u00e7\u00f5es culturais, todos eles afetados pelas rela\u00e7\u00f5es de poder, g\u00eanero, classe e etnia. Os cidad\u00e3os expressam - por meio de suas a\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es e pensamentos - a diversidade social, pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural de nossas sociedades conflituosas contempor\u00e2neas. Duas considera\u00e7\u00f5es se desenvolvem neste texto: primeiro, a discuss\u00e3o \u00e9 abordada a partir das pr\u00e1ticas dos cidad\u00e3os; um segundo olhar destaca a dimens\u00e3o cultural que essas pr\u00e1ticas expressam sobre os direitos espec\u00edficos dos cidad\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent en-text\">Palavras-chave:<strong> <\/strong>cidadania, cultura, pol\u00edtica, direitos, globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A rela\u00e7\u00e3o entre cidadania(s) + cultura(s)<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">C<\/span>Iniciar com a distin\u00e7\u00e3o entre cidadania e cultura \u00e9 um passo necess\u00e1rio, mas incerto, j\u00e1 que ambos os termos implicam defini\u00e7\u00f5es poliss\u00eamicas, cujo dinamismo em sua caracteriza\u00e7\u00e3o tem sido evidente nos \u00faltimos anos entre os analistas que investigam os processos de mudan\u00e7a sociocultural. N\u00e3o ser\u00e1 a mesma coisa come\u00e7ar com a combina\u00e7\u00e3o mais conhecida dos conceitos da chamada \"cultura c\u00edvica\" do que com uma alternativa te\u00f3rico-metodol\u00f3gica mais recente para a descri\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise da cidadania em sua dimens\u00e3o cultural (Miller, 2002; Hermes, 2006; Niv\u00f3n, 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o se reduz a uma ordem de fatores conceituais, mas refere-se a posicionamentos e prioridades na concep\u00e7\u00e3o da realidade social e nas formas de conhec\u00ea-la e intervir nela. Da mesma forma, acrescentar a cada conceito a qualidade plural modifica a conota\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a ele, de modo que a refer\u00eancia a \"culturas\" e \"cidadanias\" acrescenta uma qualidade pouco percept\u00edvel, mas que certamente afeta a dureza relativa das defini\u00e7\u00f5es <em>a priori<\/em>A cidadania do Estado \u00e9 uma cidadania fechada, fechada e est\u00e1tica, se n\u00e3o limitada. Isso nos leva \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o e ao pressuposto te\u00f3rico de que as cidadanias s\u00e3o diversas, heterog\u00eaneas e est\u00e3o em posi\u00e7\u00f5es desiguais em rela\u00e7\u00e3o a outros conjuntos de cidad\u00e3os e em sua rela\u00e7\u00e3o com a esfera estatal. Cada conjunto de cidad\u00e3os vive e molda sua a\u00e7\u00e3o social com base em suas pr\u00f3prias configura\u00e7\u00f5es de identidade e disposi\u00e7\u00f5es culturais, todas elas afetadas por rela\u00e7\u00f5es de poder e g\u00eanero, classe e etnia. As cidadanias expressam a pluralidade social, pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural de nossas sociedades contempor\u00e2neas (Heater, 2007; Emmerich, 2009; Escalante, 2014). Da mesma forma, expressam suas contradi\u00e7\u00f5es, seus v\u00edcios e medos, suas limita\u00e7\u00f5es e obst\u00e1culos; n\u00e3o apenas o lado luminoso da a\u00e7\u00e3o criativa e positiva, mas tamb\u00e9m o lado negativo, sombrio e retr\u00f3grado da vida social.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o coletiva dos cidad\u00e3os tem v\u00e1rias dimens\u00f5es (pol\u00edtica, social, econ\u00f4mica), mas a cultura \u00e9 uma das que se tornou relevante para a an\u00e1lise dessas dimens\u00f5es, pois funciona como uma plataforma para orientar a a\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os. Modelos de participa\u00e7\u00e3o na vida social, sistemas de cren\u00e7as, argumentos sobre a ordem social e concep\u00e7\u00f5es sobre o mundo e o papel que desempenham nele s\u00e3o f\u00f3rmulas, esquemas e mapas que orientam o pensamento e as a\u00e7\u00f5es dos cidad\u00e3os. Essas a\u00e7\u00f5es ocorrem tanto em espa\u00e7os p\u00fablicos convencionais quanto em novos espa\u00e7os p\u00fablicos, como as redes sociais na Internet, onde tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel exercer a cidadania. Espa\u00e7os p\u00fablicos diversos que permitem uma fun\u00e7\u00e3o convivial, integradora e expressiva das aspira\u00e7\u00f5es dos cidad\u00e3os no exerc\u00edcio e na reivindica\u00e7\u00e3o de seus direitos (Borja, 2014: 239-242) e que geralmente s\u00e3o objetivados em territ\u00f3rios espec\u00edficos de paisagens urbanas\/rurais em processos que nem sempre conseguem se consolidar completamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O l\u00e9xico em torno das qualifica\u00e7\u00f5es de cidadania \u00e9 extenso; a maioria dos termos apresenta extens\u00f5es de direitos existentes e alguns outros s\u00e3o projetos potenciais e, at\u00e9 certo ponto, associados a um horizonte ut\u00f3pico, mas, sem d\u00favida, orientam e animam a a\u00e7\u00e3o de cidadanias ativas. Na lista a seguir, poderemos explorar defini\u00e7\u00f5es e argumentos sobre as novas e diversas categorias de cidadania. <em>Cidadania cultural<\/em> (Rosaldo, 1994 e 2000; Kymlicka, 1996; <span class=\"small-caps\">unesco<\/span>1999; Garc\u00eda Canclini, 1999; Safa, 1999 e 2001; Bonilla, 1999; Turner, 2001; Calder\u00f3n, Assies e Salman, 2002; Joppke, 2002; Miller, 2002; Hermes, 2006; Niv\u00f3n, 2014; Florescano e Coss\u00edo, 2014; Gavil\u00e1n, 2018). <em>Cidadania \u00e9tnica<\/em> (Calder\u00f3n, Assies e Salman, 2002; Kabeer, 2007; De la Pe\u00f1a, 2008; Garz\u00f3n, 2010; Cerda, 2010). <em>et al<\/em>2011; Cerda, 2012; Ortiz, 2012). <em>Cidadania digital\/m\u00eddia<\/em> (Winocur, 2002; P\u00e9rez Lu\u00f1o, 2003; Hermes, 2006; Galindo, 2009; Robles, 2009; Merino e Vega, 2011; Natal, Ben\u00edtez e Ortiz, 2014; Adame, 2015; Richter, 2018). <em>Cidadania mundial\/global<\/em> (Cortina, 1997; Garc\u00eda Canclini, 2001; Caletti, 2003; Ram\u00edrez Saiz, 2006 e 2014). <em>Cidadania cosmopolita<\/em> (Hannerz, 1998; Linklater, 2002 e 2007; Norris, 2005; Aguilera, 2010; Abrahamian, 2015). <em>Cidadania de jovens\/crian\u00e7as<\/em> (Mu\u00f1oz, 2008; Padilla e Flores, 2011; Earls, 2011; Reguillo, 2003 e 2017). <em>Cidadania verde<\/em> (Steenbergen, 1994; Riechmann e Fern\u00e1ndez, 1994; Aceves, 1997 e 2011; Curtin, 2002; Aguilera, 2010). <em>Cidadania prec\u00e1ria<\/em> (Moreno, 2000; Caletti, 2003). <em>Cidadania neoliberal<\/em> (Kabeer, 2007; Zamorano, 2008). <em>Cidadania moderna<\/em> (Turner, 1994; Kabeer, 2005; Zamorano, 2008). <em>Cidadania m\u00faltipla<\/em> (Mateos, 2015). <em>Cidadania de imigrante<\/em> (Ansley, 2007; Rubio, 2010; Hern\u00e1ndez L\u00f3pez, 2010). <em>et al<\/em>., 2018) <em>G\u00eanero e cidadania sexual<\/em> (Gonz\u00e1lez Luna, 1997; Richardson, 2001; Lister, 2002). <em>Cidadania na vizinhan\u00e7a <\/em>(Safa, 1999). <em>Cidadania flex\u00edvel<\/em> (Ong, 2008). <em>Cidadania inclusiva<\/em> (Kabeer, 2005). <em>Cidadania ampla<\/em> (Calder\u00f3n, Assies e Salman, 2002; Aceves, 2011; Hern\u00e1ndez Gonz\u00e1lez, 2015). <em>Cidadania democr\u00e1tica<\/em> (Rubio, 2007). <em>Cidadania multilateral<\/em> (Santiago, 2012); <em>Cidadania ativa <\/em>(Lechner, 2000)<em>. Cidadania emergente<\/em> (Jel\u00edn, 1994; Isin e Turner, 2002; Reigadas e Cullen, 2003). Embora n\u00e3o tenha a pretens\u00e3o de ser uma lista exaustiva, ela nos permite dar conta de uma variedade pluritem\u00e1tica e de campos de a\u00e7\u00e3o de configura\u00e7\u00f5es cidad\u00e3s espalhadas pelo planeta e que se desenvolveram especialmente a partir da d\u00e9cada de 1980. <span class=\"small-caps\">xx<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Primeiro olhar: cidadania \u00f7 pr\u00e1ticas culturais = culturas c\u00edvicas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Sem cair na defini\u00e7\u00e3o simplista de conceber a cultura como express\u00e3o do folclore de um determinado povo ou reduzir seu conte\u00fado aos padr\u00f5es expressivos das belas artes e aos modos cultos da criatividade humana, deve-se adotar uma defini\u00e7\u00e3o mais complexa e antropol\u00f3gica de cultura (Niv\u00f3n, 2014), que \u00e9 basicamente definida como a configura\u00e7\u00e3o de um conjunto de s\u00edmbolos, concep\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas significativas inter-relacionadas que estruturam e dinamizam uma sociedade, em um determinado espa\u00e7o e contexto s\u00f3cio-hist\u00f3rico. A estrutura ampla para o exerc\u00edcio da cidadania ser\u00e1, ent\u00e3o, a da atual sociedade da informa\u00e7\u00e3o, da comunica\u00e7\u00e3o e do conhecimento. As culturas se mover\u00e3o em um contexto de globaliza\u00e7\u00e3o ou, se preferirmos, de globaliza\u00e7\u00e3o impulsionada pela transforma\u00e7\u00e3o e reestrutura\u00e7\u00e3o do capitalismo avan\u00e7ado (Garc\u00eda Canclini, 1999; Linklater, 2002 e 2007; Castells, 2000 e 2009).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas mudan\u00e7as globais aceleradas desde as d\u00e9cadas de 1970 e 1980 levaram ao surgimento e ao desenvolvimento de um grande n\u00famero de grupos e institui\u00e7\u00f5es de cidad\u00e3os muito diversos, que exercem sua atividade pol\u00edtica nas diferentes dimens\u00f5es da realidade social (pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural) e n\u00e3o apenas em rela\u00e7\u00e3o ao Estado, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a seus concidad\u00e3os e \u00e0s v\u00e1rias comunidades emergentes, com base na a\u00e7\u00e3o coletiva. A a\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 assume muitas formas de express\u00e3o, seja como sociedade civil organizada, seja em formas concretas de associa\u00e7\u00f5es civis (<span class=\"small-caps\">osc<\/span>), organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (<span class=\"small-caps\">ong<\/span>), organiza\u00e7\u00f5es do terceiro setor, organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos e muitas outras formas concretas de a\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 n\u00e3o convencional, ou seja, muito distantes de organiza\u00e7\u00f5es sindicais ou partidos pol\u00edticos, por exemplo<\/p>\n\n\n\n<p>As culturas cidad\u00e3s e suas formas espec\u00edficas de concretiza\u00e7\u00e3o envolvem um conjunto de elementos que contribuem para sua configura\u00e7\u00e3o: a maneira como nos concebemos como cidad\u00e3os, as imagens que temos sobre a maneira de viver e interagir em nossa sociedade; a responsabilidade que temos em rela\u00e7\u00e3o a outros membros da sociedade e vice-versa, o que esperamos dos outros em seu relacionamento conosco (Arredondo, 1996). Cultura cidad\u00e3\" - no singular - \u00e9 o conjunto de valores, motiva\u00e7\u00f5es e comportamentos que exercemos diariamente em nossas inter-rela\u00e7\u00f5es nos contextos sociais em que vivemos. Embora se conceba que a cultura c\u00edvica seja a maneira pela qual os direitos e as obriga\u00e7\u00f5es s\u00e3o compreendidos e exercidos como parte de uma determinada comunidade, n\u00e3o seria conveniente reduzir seu escopo a essa defini\u00e7\u00e3o (Valderrama, 2007). Existe uma oportunidade hist\u00f3rica de enfatizar a a\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 mais para a dimens\u00e3o dos deveres do que para a dos direitos do cidad\u00e3o (Arredondo, 2000: 16), em que a a\u00e7\u00e3o coletiva constr\u00f3i, no di\u00e1logo e no confronto, os novos perfis de cidadania, que n\u00e3o ser\u00e3o mais enquadrados e contidos apenas pela l\u00f3gica da atribui\u00e7\u00e3o e da concess\u00e3o de reconhecimento de direitos pelo Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, argumenta-se que as culturas c\u00edvicas s\u00e3o as formas plurais de exerc\u00edcio coletivo em quest\u00f5es que dizem respeito ao indiv\u00edduo e ao seu ambiente local, sem negligenciar os problemas mais relevantes do contexto nacional e at\u00e9 mesmo internacional. \u00c9 tamb\u00e9m um exerc\u00edcio coletivo, n\u00e3o apenas um ato individualista, que \u00e9 modelado e orientado nas pr\u00e1ticas de intera\u00e7\u00e3o com outros atores sociais, n\u00e3o apenas na esfera da pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m no espectro mais amplo da estrutura social. As culturas cidad\u00e3s se desenvolvem e est\u00e3o localizadas em contextos s\u00f3cio-hist\u00f3ricos espec\u00edficos e, portanto, s\u00e3o din\u00e2micas, adaptando-se e reconfigurando-se de acordo com os padr\u00f5es de intera\u00e7\u00e3o e as possibilidades de a\u00e7\u00e3o. Elas s\u00e3o enquadradas e afetadas pelas circunst\u00e2ncias e eventos do mundo cotidiano, com expectativas e horizontes de a\u00e7\u00e3o que s\u00e3o sustentados em relacionamentos face a face e em contextos que limitam ou expandem suas capacidades de intera\u00e7\u00e3o. Nos contextos pol\u00edticos de sociedades democr\u00e1ticas, como a que temos em nosso pa\u00eds, at\u00e9 certo ponto, o conceito de democracia n\u00e3o pode ser reduzido ao mero fato de operar processos eleitorais para definir elites pol\u00edticas e lideran\u00e7as formais. As iniciativas dos cidad\u00e3os exigem uma democracia menos formal e mais alternativa que expresse um processo vivo de a\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, de constru\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Assim, as culturas cidad\u00e3s confrontam as tradi\u00e7\u00f5es e formas convencionais de exercer a democracia e participar da vida pol\u00edtica da sociedade (Rodr\u00edguez, 2005: 13-15). Ao pensar nos processos de forma\u00e7\u00e3o da cidadania como um requisito para melhorar a qualidade da vida democr\u00e1tica, o termo cultura c\u00edvica se torna uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, na medida em que \u00e9 concebido e descrito, nas palavras de Antanas Mockus (ex-prefeito de Bogot\u00e1), como \"o conjunto de costumes, a\u00e7\u00f5es e regras m\u00ednimas compartilhadas que geram um sentimento de pertencimento, facilitam a conviv\u00eancia urbana e levam ao respeito pelo patrim\u00f4nio comum e ao reconhecimento dos direitos e deveres dos cidad\u00e3os\" (citado em Escobedo e Camargo, 2006, p. 92): 92); um conjunto valioso de ideias que alimentou pol\u00edticas p\u00fablicas em diferentes geografias da Am\u00e9rica Latina. As pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura c\u00edvica, que buscam \"transformar comportamentos espec\u00edficos da cidadania\", devem conter um exerc\u00edcio de focaliza\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica nos problemas que afetam a vida da comunidade (Mockus <em>et al<\/em>2012: 26) a fim de promover o bem-estar dos cidad\u00e3os e a democratiza\u00e7\u00e3o das cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>A cidadania como express\u00e3o de uma pr\u00e1tica social, como um exerc\u00edcio de constru\u00e7\u00e3o, op\u00f5e-se \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de um sujeito passivo que possui certos direitos e cumpre acriticamente certos deveres (Krotz e Winocur, 2007). O potencial dos cidad\u00e3os para empregar sua iniciativa \u00e9 uma parte central da vida na democracia, na medida em que evidencia a capacidade de ser o sujeito do processo de seu desenvolvimento humano. Essa ag\u00eancia se manifesta em sua liberdade de escolher e determinar os fins de sua a\u00e7\u00e3o, tanto no processo de interven\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o das esferas social e pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Norbert Lechner (2015) expressou que a qualidade da democracia estava amplamente associada a qu\u00e3o democr\u00e1tica era a conviv\u00eancia social, uma quest\u00e3o que dependia dos contextos sociais, dos mapas mentais ou dos c\u00f3digos de interpreta\u00e7\u00e3o dispon\u00edveis para orientar os cidad\u00e3os na defini\u00e7\u00e3o das alternativas de a\u00e7\u00e3o. Para que os cidad\u00e3os fossem sujeitos efetivos de a\u00e7\u00e3o (individual e coletiva), eles deveriam ter um conjunto de capacidades sociais e direitos b\u00e1sicos que ajudassem a sustentar sua a\u00e7\u00e3o e a atingir seus fins imaginados. Assim, quanto maiores forem as capacidades de ser um sujeito, melhores ser\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es e as possibilidades de a\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a quais capacidades ele se referiu para aprimorar a a\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os? Foram cinco: a) capacidades organizacionais, b) capacidades cognitivas para determinar o que \u00e9 poss\u00edvel, c) capacidades morais no sentido de uma estrutura normativa, d) capacidade de simbolizar as rela\u00e7\u00f5es sociais e e) capacidade de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o emocional e afetiva com a democracia. No entanto, n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil desenvolv\u00ea-las, levando em conta os obst\u00e1culos dos atuais contextos sociais, econ\u00f4micos, pol\u00edticos e culturais que n\u00e3o apenas limitam sua cria\u00e7\u00e3o, mas, mais ainda, seu empoderamento (Lechner, 2015: 319-325). Al\u00e9m disso, ele afirmou que a cidadania tem a ver com a for\u00e7a do v\u00ednculo social, pois, na aus\u00eancia desse v\u00ednculo, o desacordo pol\u00edtico prevalecer\u00e1 (Castel, 2010). Portanto, fortalecer a cidadania implica melhorar a vida social e a democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade, ampliando a esfera p\u00fablica em que se favorece a multiplica\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos de confian\u00e7a e a coopera\u00e7\u00e3o c\u00edvica, espa\u00e7os que permitem a possibilidade de compartilhar experi\u00eancias por meio de \u00e1reas de conversa\u00e7\u00e3o e encontros de cidad\u00e3os. Isso n\u00e3o depender\u00e1 de pol\u00edticas institucionais, mas sim da iniciativa e da a\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os (Lechner, 2000: 27-28).<\/p>\n\n\n\n<p>Como um sujeito historicamente contextualizado, a cidadania tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00edda a culturas concretas igualmente identific\u00e1veis, a universos simb\u00f3licos a partir dos quais seu v\u00ednculo e sua rela\u00e7\u00e3o significativa com o mundo ao seu redor s\u00e3o legitimados normativa e cognitivamente (Valderrama, 2007: 220). Isso tamb\u00e9m nos leva a pensar que o pertencimento do sujeito a uma comunidade n\u00e3o se d\u00e1 apenas por ser uma comunidade pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m por ser uma comunidade de comunica\u00e7\u00e3o, ou o que tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como uma comunidade de interpreta\u00e7\u00e3o compartilhada. As culturas cidad\u00e3s orientam a comunica\u00e7\u00e3o intercultural no sentido de promover processos de compreens\u00e3o das converg\u00eancias e diverg\u00eancias entre as interpreta\u00e7\u00f5es que pessoas de diferentes culturas atribuem a determinados eventos ou processos sociais. O exerc\u00edcio da cidadania, aponta Valderrama, \u00e9, portanto, direcionado para operar como um empreendimento hermen\u00eautico, em que certas linguagens, pr\u00e1ticas e s\u00edmbolos s\u00e3o decodificados e interpretados (2007: 221).<\/p>\n\n\n\n<p>Como um exerc\u00edcio dessa comunica\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o, as novas culturas cidad\u00e3s imaginam e configuram novos espa\u00e7os p\u00fablicos que exploram novas formas de comunica\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o e conhecimento, que produzem pr\u00e1ticas culturais diferentes e, \u00e0s vezes, contradit\u00f3rias. Por exemplo, as esferas p\u00fablicas virtuais, os espa\u00e7os dos cidad\u00e3os desenvolvidos na Internet (redes sociais, f\u00f3runs de discuss\u00e3o tem\u00e1ticos, salas de bate-papo e v\u00e1rias plataformas de informa\u00e7\u00e3o\/linkage). O surgimento e o desenvolvimento desses novos espa\u00e7os comunicativos produzem as condi\u00e7\u00f5es tecno-simb\u00f3licas para o exerc\u00edcio da cidadania em uma esfera p\u00fablica de alcance global, de grande autonomia, com opera\u00e7\u00e3o e fluxo de informa\u00e7\u00f5es permanentes, relativamente desterritorializada e desvinculada da censura e das exclus\u00f5es dos espa\u00e7os pol\u00edticos convencionais (Castells, 2012; Natal, 2012).<em> et al<\/em>., 2014; Abrahamian, 2015; Reguillo, 2017). A amplia\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio da cidadania \u00e9 potencializada pelo acesso a esses novos cen\u00e1rios globais de comunica\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o significa o esquecimento das plataformas anteriores, como tem sido regularmente o caso do r\u00e1dio (Winocur, 2002). No entanto, esse acesso continua sendo desigual, com usos contradit\u00f3rios e efeitos perniciosos, e \u00e9 antidemocr\u00e1tico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de a\u00e7\u00e3o da maioria dos cidad\u00e3os. A supera\u00e7\u00e3o da chamada exclus\u00e3o digital, ou seja, a exclus\u00e3o do acesso a essas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o (<span class=\"small-caps\">assinale<\/span>), faz parte da agenda poss\u00edvel e desejada de novas culturas c\u00edvicas (Robles, 2009; Merino e Vega, 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse espa\u00e7o p\u00fablico emergente est\u00e1 em sintonia com as formas de exerc\u00edcio da cidadania, ou seja, os v\u00ednculos e as rela\u00e7\u00f5es por meio das redes sociais, agora tamb\u00e9m como redes sociais virtuais, que organizam e concretizam os processos de comunica\u00e7\u00e3o entre os cidad\u00e3os em diferentes escalas sociais e at\u00e9 geopol\u00edticas. Manuel Castells (2000: 165-166) afirma, nesse sentido, que a a\u00e7\u00e3o coletiva dos cidad\u00e3os por meio das redes hospedadas na Internet possibilitar\u00e1 a promo\u00e7\u00e3o de processos de reconstru\u00e7\u00e3o do mundo atual, mas a partir de baixo, do ch\u00e3o e dos espa\u00e7os locais das sociedades. A Internet fornece as bases materiais e tecnol\u00f3gicas que possibilitam o desenvolvimento de resist\u00eancias locais interessadas em transformar as sociedades injustas e desiguais de hoje. H\u00e1 tamb\u00e9m riscos latentes nas tentativas de construir cidadanias baseadas exclusivamente em plataformas de comunica\u00e7\u00e3o\/informa\u00e7\u00e3o. A chamada cibercidadania tem sua contrapartida em processos de manipula\u00e7\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos virtuais por poderes locais e translocais, como a indu\u00e7\u00e3o e a orienta\u00e7\u00e3o do voto eletr\u00f4nico, por exemplo (P\u00e9rez Lu\u00f1o, 2003). Sem mencionar os usos perversos das esferas p\u00fablicas virtuais que generalizam o discurso de \u00f3dio e espalham boatos falsos e julgamentos discriminat\u00f3rios sem controle.<\/p>\n\n\n\n<p>As culturas cidad\u00e3s n\u00e3o podem restringir sua vis\u00e3o de a\u00e7\u00e3o ou sua utopia de sociedade aos poss\u00edveis contornos concedidos pelos \u00f3rg\u00e3os pol\u00edtico-normativos das forma\u00e7\u00f5es estatais onde elas existem. Os novos espa\u00e7os p\u00fablicos acess\u00edveis \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os s\u00e3o recursos necess\u00e1rios que requerem processos formativo-educativos que promovam modos alternativos de acesso e incentivem o uso livre e a apropria\u00e7\u00e3o permanente dos recursos e das possibilidades oferecidas pelos novos espa\u00e7os p\u00fablicos. <span class=\"small-caps\">assinale<\/span>. \u00c9 um desafio que transcende o treinamento c\u00edvico e \u00e9tico tradicional dado \u00e0s crian\u00e7as nas escolas (Aguilera, 2010); uma tarefa pequena, mas n\u00e3o imposs\u00edvel em contextos t\u00e3o injustos quanto as sociedades latino-americanas atuais (Eckholt e Lerner, 2009). Os desafios para a pesquisa e o surgimento de novos campos de estudo est\u00e3o surgindo em torno da chamada cibercultura e das diversas pr\u00e1ticas dos usu\u00e1rios, inclusive aquelas desenvolvidas para fins pol\u00edticos pelos cidad\u00e3os que as utilizam (Escobar, 2005).<\/p>\n\n\n\n<p>Falar de culturas c\u00edvicas nos remete a processos de forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica, a processos de educa\u00e7\u00e3o para a cidadania, a diversas pedagogias cidad\u00e3s (Gonz\u00e1lez, 2012). De acordo com o exposto, tamb\u00e9m implica o desenvolvimento de habilidades e compet\u00eancias comunicativas articuladas com as condi\u00e7\u00f5es e os ambientes comunicativos da \u00e9poca atual (Valderrama, 2007: 226-227). Tudo isso com o objetivo de construir cidadanias capazes de reconhecer os contextos culturais e sociopol\u00edticos dentro dos quais constroem seu significado e sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nas diversas escalas e n\u00edveis sociais do exerc\u00edcio da cidadania; onde existe a possibilidade de pensar utopicamente, porque a cr\u00edtica e a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica s\u00e3o insepar\u00e1veis de certas imagens emergentes da sociedade (Beck e Lemus, 2018: 14). Uma cidadania que prop\u00f5e alternativas de conviv\u00eancia, op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para orientar a mudan\u00e7a e formas de interven\u00e7\u00e3o para resolver os problemas mais importantes que sobrecarregam nossas sociedades (Leyva <em>et al<\/em>2015; Stephen, 2016; Reguillo, 2017; Nasioka, 2017; Voices from Below, 2018; Dur\u00e1n e Moreno, 2018). Os resultados dessas iniciativas de a\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 ser\u00e3o o desenvolvimento de pr\u00e1ticas e experi\u00eancias que mudam profundamente as estruturas institucionais estabelecidas, os sistemas de cren\u00e7as autorit\u00e1rias e a hierarquia de valores que os sustentam (Calder\u00f3n, Assies e Salman, 2002; Rodr\u00edguez, 2005; Baronnet, Mora e Stahler-Sholk, 2012; Sandoval, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Cultura + cidadania \u00e9, portanto, enunciar um conjunto de pr\u00e1ticas sociais dos cidad\u00e3os que modificam e reconfiguram as formas de ser, estar e interpretar os diversos fatos e eventos dos quais participam ativamente. Rafael Rodr\u00edguez escreve que a cidadania \u00e9 \"um instrumento, uma t\u00e9cnica para exercer a democracia... n\u00e3o \u00e9 um t\u00edtulo de pertencimento; \u00e9 o meio, a t\u00e9cnica, o instrumento que nos ajudar\u00e1 a construir as esferas de pertencimento e a\u00e7\u00e3o\" (2005: 175-176). Ter cidadania implica uma concep\u00e7\u00e3o din\u00e2mica: a pessoa a tem para fazer algo, n\u00e3o apenas para se ver refletida nela. Ela tamb\u00e9m tem uma qualidade criativa e defensiva, pois leva \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es que tendem ao autogoverno e \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos abertos e democr\u00e1ticos. A cidadania nessa estrutura reflexiva n\u00e3o \u00e9 considerada, diz Rodr\u00edguez, \"como um mero status ontol\u00f3gico ou como o recept\u00e1culo de uma s\u00e9rie de direitos concedidos dentro da estrutura de um Estado-na\u00e7\u00e3o; em vez disso, a cidadania deve ser concebida a partir de um horizonte complexo que a redimensiona como um conjunto de processos pol\u00edticos, econ\u00f4micos e simb\u00f3licos que constroem o real\" (2005: 181).<\/p>\n\n\n\n<p>A concep\u00e7\u00e3o liberal de cidadania, que consiste em enfatizar o v\u00ednculo \u00fanico e exclusivo entre o indiv\u00edduo e o Estado, deixou de ser a vis\u00e3o predominante e deu lugar a uma vis\u00e3o mais abrangente que a enriquece, pois enfatiza n\u00e3o apenas as cidadanias diferenciadas, mas, em especial, o multilateralismo trazido pelos processos de globaliza\u00e7\u00e3o (Emmerich, 2009). A cidadania multilateral seria uma conceitua\u00e7\u00e3o de maior alcance explicativo sobre as transforma\u00e7\u00f5es nos Estados nacionais e nos v\u00ednculos que os indiv\u00edduos estabelecem com essas entidades pol\u00edticas. Essa concep\u00e7\u00e3o de cidadania multilateral tamb\u00e9m pode ser entendida como \"a possibilidade de possuir simultaneamente v\u00e1rias cidadanias (...) podendo exerc\u00ea-las com maior ou menor intensidade de acordo com os sentimentos de cada cidad\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a cada uma dessas comunidades pol\u00edticas\" (P\u00e9rez Lu\u00f1o, 2003: 54). O sucesso depende do desenvolvimento de uma cultura pol\u00edtica c\u00edvica ampla, que proporcione maturidade e forma\u00e7\u00e3o s\u00f3lida aos cidad\u00e3os que possuem, por exemplo, dupla cidadania (Mateos, 2015).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Segunda vis\u00e3o: cidadania + direitos culturais = cidadania cultural<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Transitar para o bin\u00f4mio Cidadania + Cultura n\u00e3o \u00e9 apenas desarranjar os pontos de refer\u00eancia e a ordem da rela\u00e7\u00e3o conceitual, \u00e9 tamb\u00e9m complexificar e abrir a discuss\u00e3o em conson\u00e2ncia com as mudan\u00e7as das sociedades atuais, afetadas e desafiadas pelos processos globais em suas diversas dimens\u00f5es: econ\u00f4mica, pol\u00edtica, tecnol\u00f3gica e cultural. Os processos de inclus\u00e3o e reconhecimento de novas cidadanias s\u00e3o, portanto, quest\u00f5es atuais que est\u00e3o claramente ligadas \u00e0s reflex\u00f5es sobre esse bin\u00f4mio conceitual (Lachenal e Pirker, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto atual da globaliza\u00e7\u00e3o, Jordi Borja (2010) apresenta v\u00e1rios elementos sobre cidadania que devem ser destacados: \"\u00e9 um status, ou seja, um reconhecimento social e legal pelo qual uma pessoa tem direitos e deveres de pertencer a uma comunidade que quase sempre tem base territorial e cultural. Os cidad\u00e3os s\u00e3o iguais entre si e, em teoria, n\u00e3o se pode fazer distin\u00e7\u00e3o entre cidad\u00e3os de primeira, segunda ou outras categorias. No mesmo territ\u00f3rio, sujeitos \u00e0s mesmas leis, todos devem ser iguais. A cidadania aceita a diferen\u00e7a, n\u00e3o a desigualdade\" (2010: 282-283). A cidadania tem sua a\u00e7\u00e3o e desenvolvimento em contextos conflituosos, seja de confronto ou de di\u00e1logo social; est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 democracia representativa e participativa; seu cen\u00e1rio privilegiado de a\u00e7\u00e3o tem sido historicamente a cidade. N\u00e3o h\u00e1 progresso na cidadania sem conflitos sociais e culturais com efeitos pol\u00edticos ou jur\u00eddicos. A cidadania, conclui Borja, \u00e9 \"um conceito evolutivo e dial\u00e9tico: entre direitos e deveres, entre status e institui\u00e7\u00f5es, entre pol\u00edticas p\u00fablicas e interesses corporativos ou privados. A cidadania \u00e9 um processo de conquista permanente de direitos formais e de demandas por pol\u00edticas p\u00fablicas que os tornem efetivos\" (2010: 285).<\/p>\n\n\n\n<p>O conflito sociocultural e o dinamismo das mudan\u00e7as experimentadas pela cidadania nos processos de globaliza\u00e7\u00e3o deram origem a novas demandas (Norris, 2005). Por exemplo, os processos de migra\u00e7\u00e3o internacional tiveram um forte impacto sobre as pol\u00edticas de reconhecimento e os direitos humanos dos imigrantes, sejam eles indocumentados ou n\u00e3o. Crises migrat\u00f3rias recentes, como as da Am\u00e9rica Central e do Caribe, desafiaram os Estados nacionais e abriram debates fortes e cont\u00ednuos sobre os direitos de cidadania em tr\u00e2nsito e a criminaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o sofridas por essas popula\u00e7\u00f5es migrantes (Ansley, 2007; Hern\u00e1ndez, 2007).<em> et al<\/em>., 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Novos direitos surgiram em conson\u00e2ncia com os processos de globaliza\u00e7\u00e3o no \u00faltimo ter\u00e7o do s\u00e9culo. <span class=\"small-caps\">xx<\/span> que, de acordo com Pelfini, contribuiu para \"estender a cidadania para al\u00e9m dos limites do Estado-na\u00e7\u00e3o: direitos humanos, prote\u00e7\u00e3o ambiental e patrim\u00f4nio cultural, entre outros, nos apresentam os contornos difusos do cosmopolitismo. Essa \u00e9 uma nova dimens\u00e3o da cidadania ... que alude a um elemento cultural ou comunicacional\" (2007: 25). Essa dimens\u00e3o permitir\u00e1 que os cidad\u00e3os tenham acesso a um conjunto diversificado de bens culturais, \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o e \u00e0 express\u00e3o de sua diversidade e, ao terem maior acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, ter\u00e3o a capacidade de fazer valer sua voz. Fazer parte da cidadania \u00e9, portanto, uma quest\u00e3o de pertencimento, de atribui\u00e7\u00e3o de identidade, uma quest\u00e3o n\u00e3o isenta de conflitos e de uma grande e diversa complexidade (Tamayo, 2010: 28-33).<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, ligados ao complexo processo de globaliza\u00e7\u00e3o, surgem os direitos culturais e comunicacionais, bem como os direitos \u00e0 identidade que podem ser expressos por meio do idioma, da hist\u00f3ria e da terra, juntamente com uma s\u00e9rie diversificada de direitos \"conectivos\" que se referem ao acesso e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria cultural e no amplo e complexo campo da comunica\u00e7\u00e3o (Le\u00f3n e Mora, 2006; Pelfini, 2007: 28). Assim, a figura da \"cidadania digital\" est\u00e1 sendo discutida atualmente em rela\u00e7\u00e3o aos direitos e obriga\u00e7\u00f5es das pessoas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o (Champeau e Innerarity, 2012; Adame, 2015). N\u00e3o apenas como indiv\u00edduos capacitados em suas capacidades tecnol\u00f3gicas e comunicativas, mas tamb\u00e9m como participantes de v\u00e1rios movimentos sociais contempor\u00e2neos que empregam estrategicamente tecnologias e redes sociais (Adame, 2015: 123).<\/p>\n\n\n\n<p>Foi apontado que os jovens s\u00e3o os principais usu\u00e1rios desses suportes de m\u00eddia, como a Internet, uma plataforma de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o que teve um impacto nas pr\u00e1ticas de cidadania (Reguillo, 2017; Padilla e Flores, 2011). O uso e a apropria\u00e7\u00e3o da Internet levaram \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de comunidades entre os pr\u00f3prios cidad\u00e3os, guiados por seu pertencimento a diferentes forma\u00e7\u00f5es de identidade. Essas pr\u00e1ticas cidad\u00e3s na era da Internet s\u00e3o compreens\u00edveis, considerando a dimens\u00e3o cultural que permite o reconhecimento de diversas identidades e estruturas de a\u00e7\u00e3o compartilhadas. A transforma\u00e7\u00e3o evidente est\u00e1 localizada nas pr\u00e1ticas de cidadania em rela\u00e7\u00e3o ao uso e ao significado dado \u00e0s novas plataformas de m\u00eddia digital. O termo cidadania cultural nos leva naturalmente a reconhecer a diversidade de pr\u00e1ticas e os novos significados atribu\u00eddos a quest\u00f5es de interesse p\u00fablico e \u00e0 esfera pol\u00edtica. A considera\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o cultural das pr\u00e1ticas de cidadania pol\u00edtica nos leva a considerar os pertencimentos e as atribui\u00e7\u00f5es que entram em jogo nas formas emergentes de participa\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o p\u00fablico e na arena da pol\u00edtica (Reguillo, 2003: 5). A Internet, o campo de a\u00e7\u00e3o das comunidades digitais emergentes, est\u00e1 ancorada e \u00e9 afetada pelas l\u00f3gicas de identidade e pelas formas culturais de atua\u00e7\u00e3o da cidadania (Champeau e Innerarity, 2012). A prolifera\u00e7\u00e3o dessas novas plataformas de <span class=\"small-caps\">assinale<\/span> n\u00e3o necessariamente melhoram e fortalecem a pr\u00e1xis cidad\u00e3; h\u00e1 muitas evid\u00eancias de que o oposto tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro: desmobiliza\u00e7\u00e3o, desorienta\u00e7\u00e3o, desinforma\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o de discursos de \u00f3dio, medo e terror (casos como as contas falsas do Twitter em apoio ao golpe na Bol\u00edvia; as a\u00e7\u00f5es da Cambridge Analytica no M\u00e9xico, ou a propaga\u00e7\u00e3o abundante de cr\u00edticas racistas, de g\u00eanero, classistas e discriminat\u00f3rias em v\u00e1rios aspectos a favor e contra as a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas do atual regime governante no M\u00e9xico).<\/p>\n\n\n\n<p>A vis\u00e3o global dos atores sociais mudou pelo menos desde a d\u00e9cada de 1990. Na d\u00e9cada de 1970, a quest\u00e3o da democracia e da participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 ainda estava centrada na discuss\u00e3o sobre partidos pol\u00edticos e processos eleitorais (Hall e Held, 1989; Heater, 2007). A luta pelo controle do aparato estatal era crucial, e a discuss\u00e3o sobre o caminho e a estrat\u00e9gia para a tomada do poder permeava todas as pol\u00eamicas e todos os projetos. Em compara\u00e7\u00e3o com os atores hist\u00f3ricos, como camponeses e trabalhadores, outros atores sociais eram fracos ou \"invis\u00edveis\". A sociedade tinha muito pouco espa\u00e7o para a participa\u00e7\u00e3o direta nessa estrutura de a\u00e7\u00e3o. Nas democracias, a participa\u00e7\u00e3o foi ent\u00e3o reduzida \u00e0 competi\u00e7\u00e3o entre partidos pol\u00edticos, elei\u00e7\u00f5es livres e liberdade de imprensa e de opini\u00e3o. Mas esses processos de democratiza\u00e7\u00e3o das sociedades deixaram de lado ou assumiram apenas ligeiramente a promo\u00e7\u00e3o da igualdade socioecon\u00f4mica, o acesso a bens p\u00fablicos e a participa\u00e7\u00e3o em decis\u00f5es coletivas importantes. A cidadania foi reduzida \u00e0 esfera pol\u00edtica e sem desenvolver ou considerar os direitos sociais associados (Pelfini, 2007: 30). Os desejos de autodetermina\u00e7\u00e3o e autoafirma\u00e7\u00e3o eram, na melhor das hip\u00f3teses, utopias distantes. A necessidade de vincular os movimentos e as a\u00e7\u00f5es de cidadania \u00e0 esfera cultural foi vista como um campo emergente de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, onde as disputas sobre a identidade cultural se tornaram necess\u00e1rias (Lara\u00f1a, 1999; Alonso, 1999). <em>et al<\/em>1999; Cerda <em>et al<\/em>2011; Regalado, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, isso foi transformado pela irrup\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, tanto na teoria quanto na pr\u00e1tica cotidiana, de novos atores sociais, como, por exemplo, ativistas de movimentos de direitos humanos, feminismo, ambientalismo ou as lutas de comunidades e povos ind\u00edgenas (Jel\u00edn, 1994; Curtin, 2002; Joppke, 2002; De la Pe\u00f1a, 2008; Cerda, 2008). <em>et al<\/em>2011; Cerda, 2012; Gonz\u00e1lez Casanova, 2017). Para o caso dos latinos nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, Renato Rosaldo se refere ao conceito de cidadania cultural como \"o direito de ser diferente (em termos de ra\u00e7a, etnia ou l\u00edngua materna) das normas da comunidade nacional dominante, sem prejudicar o direito de pertencer, no sentido de participar, dos processos democr\u00e1ticos do Estado-na\u00e7\u00e3o\" (1994: 67).<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do avan\u00e7o do neoliberalismo e do pensamento tecnocr\u00e1tico, essas novas a\u00e7\u00f5es coletivas aparecem como uma alternativa para a democratiza\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses latino-americanos. Talvez uma das respostas mais interessantes dessas formas de organiza\u00e7\u00e3o \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o e aos complexos processos de globaliza\u00e7\u00e3o seja a cria\u00e7\u00e3o de redes de rela\u00e7\u00f5es sociais em diferentes n\u00edveis e dimens\u00f5es, tanto em escala local quanto internacional (Stennbergen, 1994; Riechmann e Fern\u00e1ndez, 1994; Rubio, 2007; Borja, 2010; Stephen, 2016; Street, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Na esfera internacional, por mais de vinte anos, surgiram e se fortaleceram redes de ajuda internacional das pot\u00eancias do Norte para os pa\u00edses do Sul, com a inten\u00e7\u00e3o de intervir em contextos de exclus\u00e3o econ\u00f4mica e opress\u00e3o pol\u00edtica. Embora algumas dessas redes sejam assim\u00e9tricas, j\u00e1 que as ag\u00eancias de financiamento geralmente definem as quest\u00f5es e escolhem os destinat\u00e1rios e os canais de implementa\u00e7\u00e3o no Sul, h\u00e1 outras que manifestam maior reciprocidade, se n\u00e3o em termos de fluxo de recursos, ent\u00e3o em termos de ideias e prioridades. Os campos de direitos humanos, quest\u00f5es femininas e sa\u00fade e doen\u00e7a s\u00e3o os mais difundidos, seguidos pelo movimento ambientalista, popula\u00e7\u00f5es deslocadas e processos de migra\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses e continentes (Eckholt e Lerner, 2009). As redes nacionais e internacionais t\u00eam uma estrutura organizacional desenvolvida, com suas pr\u00f3prias regras de opera\u00e7\u00e3o e legitimidade progressiva em rela\u00e7\u00e3o aos governos. Muitas vezes, essas redes de organiza\u00e7\u00f5es tornam-se porta-vozes de minorias discriminadas, representando-as perante os poderes constitu\u00eddos. Esses processos podem produzir situa\u00e7\u00f5es inesperadas, como abrigar movimentos democratizantes ou, ao contr\u00e1rio, apenas reproduzir formas paternalistas, populistas ou autorit\u00e1rias de rela\u00e7\u00f5es entre as classes subordinadas e o poder (Casas e Carton, 2012; Lechenal e Pirker, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p>A expans\u00e3o e o fortalecimento da cidadania s\u00e3o uma tarefa e um desafio para o processo de consolida\u00e7\u00e3o das democracias (Emmerich, 2009). A democracia, em uma defini\u00e7\u00e3o ampla, \u00e9 considerada \"uma forma de organiza\u00e7\u00e3o do poder que implica a exist\u00eancia e o bom funcionamento do Estado; tem no regime eleitoral um elemento fundamental, mas n\u00e3o se reduz \u00e0s elei\u00e7\u00f5es; implica o exerc\u00edcio de uma cidadania integral (...); \u00e9 uma experi\u00eancia hist\u00f3rica particular na regi\u00e3o, que deve ser compreendida e valorizada em sua especificidade\" (<span class=\"small-caps\">oea<\/span> e <span class=\"small-caps\">pnud<\/span>, 2010: 31-33). A democracia seria, ent\u00e3o, uma forma de organiza\u00e7\u00e3o do poder na sociedade com o objetivo de estender permanentemente os direitos dos cidad\u00e3os para al\u00e9m de seus elementos b\u00e1sicos: civis, pol\u00edticos e sociais, de modo a incluir as dimens\u00f5es econ\u00f4mica e cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>O regime democr\u00e1tico \u00e9 o espa\u00e7o onde os diferentes projetos de ordem social produzidos pela sociedade civil s\u00e3o expressos e confrontados. A democracia \u00e9 um processo de constru\u00e7\u00e3o permanente, envolve os cidad\u00e3os, contribui para gerar uma cultura de legalidade e, ao mesmo tempo, o Estado de Direito (Cisneros, 2018: 25-26). Portanto, do ponto de vista da sociedade, a consolida\u00e7\u00e3o da cidadania implica o funcionamento normal do Estado de Direito, que se expressa na elimina\u00e7\u00e3o de formas arbitr\u00e1rias e de abuso do poder do Estado e na exist\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es \u00e0s quais se pode recorrer para resolver conflitos sociais; significa tamb\u00e9m um controle efetivo sobre as pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de vida e um certo grau de previs\u00e3o na vida cotidiana (Jel\u00edn, 1994: 106). O Estado, no contexto atual, n\u00e3o necessariamente promover\u00e1 a extens\u00e3o da cidadania; parece que a cidadania agora s\u00f3 pode ser promovida por meio de atividades e demandas iniciadas e patrocinadas por organiza\u00e7\u00f5es de cidad\u00e3os e movimentos da sociedade civil (Casas e Carton, 2012; Bastos, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p>Os atores sociais e os movimentos emergentes s\u00e3o sistemas coletivos de reconhecimento social, expressando identidades coletivas, antigas e novas, com importante conte\u00fado cultural e simb\u00f3lico. Mas tamb\u00e9m s\u00e3o intermedi\u00e1rios pol\u00edticos n\u00e3o partid\u00e1rios que levantam as demandas de vozes n\u00e3o articuladas na esfera p\u00fablica e as vinculam aos aparatos institucionais do Estado. Essa fun\u00e7\u00e3o \"expressiva\" na constru\u00e7\u00e3o de identidades coletivas e reconhecimento social, bem como seu papel \"instrumental\", al\u00e9m de representar um desafio \u00e0s estruturas institucionais existentes, tamb\u00e9m deve ser vista como \"uma garantia de um tipo de consolida\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que inclui um mecanismo de autoexpans\u00e3o de suas fronteiras e autoperpetua\u00e7\u00e3o, o que assegura uma consolida\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica din\u00e2mica\" (Jel\u00edn, 1994: 106). S\u00e3o movimentos que manifestam uma riqueza de desafios simb\u00f3licos ao poder do Estado e aos processos predominantes de hegemonia cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a an\u00e1lise dessas a\u00e7\u00f5es coletivas emergentes, \u00e9 poss\u00edvel usar a no\u00e7\u00e3o de \"redes de a\u00e7\u00e3o ou movimento\", que se refere ao conjunto de grupos e indiv\u00edduos que compartilham um cen\u00e1rio e uma cultura conflitantes e uma identidade coletiva. Essas redes s\u00e3o caracterizadas por: a) permitir m\u00faltiplas ades\u00f5es, b) milit\u00e2ncia apenas parcial, c) envolvimento pessoal e solidariedade afetiva como pr\u00e9-requisito para a participa\u00e7\u00e3o, d) s\u00e3o pequenos grupos imersos na vida cotidiana, conectados por meio de certas redes e condutas sociais aparentemente invis\u00edveis. A not\u00f3ria contribui\u00e7\u00e3o dessas formas de a\u00e7\u00e3o coletiva \u00e9 sua contribui\u00e7\u00e3o para a democratiza\u00e7\u00e3o da vida cotidiana e a cria\u00e7\u00e3o de novos espa\u00e7os p\u00fablicos, bem como para o fortalecimento da sociedade civil e sua capacidade de autodetermina\u00e7\u00e3o. Esses fen\u00f4menos sociais realmente constituem uma mensagem, uma afronta simb\u00f3lica ou um desafio aos modelos socioculturais dominantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre cultura e identidade \u00e9 direta, pois no centro de todo processo cultural est\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de uma identidade coletiva, uma vez que a cultura molda a identidade dos grupos sociais ao funcionar internalizada nos sujeitos como uma l\u00f3gica de representa\u00e7\u00f5es socialmente compartilhadas; essa identidade \u00e9 formada por refer\u00eancia a um universo simb\u00f3lico (Mata, Ballesteros e Gil, 2014). Assim, a identidade coletiva tem um impacto sobre a reprodu\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o da cultura e, ao atuar como um impulsionador da a\u00e7\u00e3o coletiva, um dos efeitos \u00e9 a inova\u00e7\u00e3o cultural. O movimento de cidadania cultural expressa a constitui\u00e7\u00e3o de uma determinada identidade coletiva baseada em uma vis\u00e3o de mundo compartilhada, que se expressa em comportamentos e externaliza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, bem como na delimita\u00e7\u00e3o de oposi\u00e7\u00f5es sociais mais ou menos definidas, como \"n\u00f3s\" e um ou mais \"eles\" (Miller, 2002; Niv\u00f3n, 2014). A rela\u00e7\u00e3o entre cidadania e alteridade torna-se central tanto para o reconhecimento dos processos de constru\u00e7\u00e3o da identidade social quanto para os desafios e dificuldades multidimensionais no processo de reconhecimento das diferen\u00e7as sociais e das diversidades culturais (Castel, 2010: 287-300; Rubio, 2007: 93-95; Escalante, 2014: 227-230).<\/p>\n\n\n\n<p>A cidadania cultural, de acordo com a Comiss\u00e3o Delors (<span class=\"small-caps\">unesco<\/span>1999), orienta sua a\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento de processos de autoforma\u00e7\u00e3o e aprendizagem ao longo da vida em torno de quatro eixos: 1) Aprender a Ser (o direito \u00e0 autoidentifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 autodefini\u00e7\u00e3o); 2) Aprender a Saber (o direito de conhecer a si mesmo); 3) Aprender a Fazer (o direito ao autodesenvolvimento); 4) Aprender a Viver Juntos (o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o). Esses eixos para a a\u00e7\u00e3o da cidadania efetivamente ampliam e complexificam os modos de inter-rela\u00e7\u00e3o social e as formas de comunica\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. S\u00e3o uma expans\u00e3o da diversidade, em um claro distanciamento dos processos homogeneizadores e integracionistas dos modelos hegem\u00f4nicos de a\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o. Essa demanda por reconhecimento da diferen\u00e7a tamb\u00e9m exige inclus\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o efetivas na vida democr\u00e1tica do pa\u00eds (Garc\u00eda Canclini, 2004; Casas e Carton, 2012). A cidadania cultural se sustenta na certeza de que n\u00e3o avan\u00e7ar\u00e1 em suas demandas se n\u00e3o promover seus direitos \u00e0 cultura plena (Aguilera, 2010; Vich, 2014) e a uma vida digna na cidade (Trevi\u00f1o e De la Rosa, 2009; Olvera e Olvera, 2015). O caminho n\u00e3o seria a reprodu\u00e7\u00e3o condicionada e refuncionalizada dos modos degradados da cidadania oficial massificada (Lomnitz, 2000), mas as formas e representa\u00e7\u00f5es para a a\u00e7\u00e3o coletiva que orientam novas maneiras de viver bem e experimentar a cidade e o campo, como t\u00eam sido os movimentos reivindicat\u00f3rios plurais dos povos ind\u00edgenas e camponeses em todo o M\u00e9xico (Baronnet, Mora e Stahler-Sholk, 2012; Bastos, 2012; Hern\u00e1ndez e Mart\u00ednez, 2013; Leyva, 2015).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">A rela\u00e7\u00e3o entre cidadania e cultura \u00e9 complexa, como foi mencionado nas se\u00e7\u00f5es desenvolvidas acima e nas muitas refer\u00eancias utilizadas. Para concluir esta revis\u00e3o, que tenta explorar as transforma\u00e7\u00f5es atuais da cidadania em sociedades como a nossa, vou destacar alguns dos pontos levantados. Ao nos referirmos \u00e0s pr\u00e1ticas diversas e complexas das \"culturas cidad\u00e3s\", n\u00f3s as qualificamos com um conjunto de atributos e tra\u00e7os que as caracterizam, tais como os seguintes: \u00e9 uma cultura adjetiva, \u00e9 exercida com base em direitos reconhecidos, tem um dinamismo pragm\u00e1tico, suas habilidades s\u00e3o aprendidas na intera\u00e7\u00e3o social, suas formas de competi\u00e7\u00e3o s\u00e3o regulamentadas, inventa e retoma tradi\u00e7\u00f5es de ativismo social, exige o que \u00e9 concedido por lei, busca em sua a\u00e7\u00e3o ser inclusiva, sua filia\u00e7\u00e3o \u00e9 ampla, embora o indiv\u00edduo esteja no centro de seu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, ao refletir sobre o surgimento de configura\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00e3o social do chamado \".<em>cidadania cultural<\/em>\"Podemos listar algumas caracter\u00edsticas marcantes: que s\u00e3o promotores ativos de projetos e discursos orientados \u00e0 utopia; buscam a amplia\u00e7\u00e3o, a defini\u00e7\u00e3o e a busca de novos direitos; seu perfil de a\u00e7\u00e3o social \u00e9 multidimensional, com identidades flex\u00edveis e din\u00e2micas; percebem-se como coletividades em cont\u00ednuo aprendizado, dado seu perfil emergente, criando pedagogias pr\u00f3prias voltadas \u00e0 defesa da inova\u00e7\u00e3o cultural e \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas relevantes para seu mundo de vida, mobilizadas pelo reconhecimento, pela igualdade e pela diferen\u00e7a; desenvolvem esfor\u00e7os para ampliar os conte\u00fados da cidadania e a defesa do direito a ter direitos. Apesar das diferen\u00e7as e complementaridades, a dimens\u00e3o cultural das a\u00e7\u00f5es cidad\u00e3s retira das disposi\u00e7\u00f5es culturais o que \u00e9 estrat\u00e9gico para seus objetivos, e da imagina\u00e7\u00e3o o que n\u00e3o existe ou \u00e9 invisibilizado pelas rela\u00e7\u00f5es de poder e determinado por contextos e estruturas s\u00f3cio-hist\u00f3ricas espec\u00edficas. H\u00e1 o uso e a apropria\u00e7\u00e3o do conhecimento acumulado e tamb\u00e9m a gera\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias para imaginar e desejar novos direitos e possibilidades de autogest\u00e3o e autodetermina\u00e7\u00e3o como sujeito social, em um cen\u00e1rio em permanente transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Abrahamian, Atossa Araxia (2015). <em>The Cosmopolites: The Coming of the Global Citizen<\/em>. 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M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">uam<\/span> \/ Juan Pablos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Niv\u00f3n Bol\u00e1n, Eduardo (2014) \u201cCiudadan\u00eda y cultura\u201d, en Enrique Florescano y Jos\u00e9 R. Coss\u00edo, <em>Hacia una naci\u00f3n de ciudadanos<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">conaculta<\/span> \/ <span class=\"small-caps\">fce<\/span>, pp. 297-324.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Norris, Pipa (2005). \u201cGlobal Governance and Cosmopolitan Citizens\u201d, en David Held y Anthony McGrew (ed.), <em>The Global Transformation Reader. An Introduction to the Globalization Debate<\/em>. Madden: Polity Press, pp. 287-297.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Olvera Garc\u00eda, Jorge y Julio C\u00e9sar Olvera Garc\u00eda (coord.) (2015). <em>Ciudad y ciudadan\u00eda. Hacia una resignificaci\u00f3n desde el contexto mexicano<\/em>. Toluca: <span class=\"small-caps\">uaem<\/span> \/ Porr\u00faa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ong, Aihwa (2008). \u201cFlexible Citizenship: The Cultural Logics of Transnationality\u201d, en Sanjeev Khagram y Peggy Levitt (ed.), <em>The Transnational Studies Reader. Intersections &amp; Innovations)<\/em>. Londres y Nueva York: Routledge<em>, <\/em>pp. 446-458.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ortiz Crespo, Santiago (2012). \u00bfComuneros k<em>ichwas o ciudadanos ecuatorianos? La ciudadan\u00eda \u00e9tnica y los derechos pol\u00edticos<\/em>. Quito: <span class=\"small-caps\">flacso<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Padilla De la Torre, Mar\u00eda Rebeca y Dorismilda Flores M\u00e1rquez (2011). \u201cEl estudio de las pr\u00e1cticas pol\u00edticas de los j\u00f3venes en internet\u201d, <em>Comunicaci\u00f3n y Sociedad<\/em>, Nueva \u00c9poca, n\u00fam. 15, pp. 101-122.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pelfini, Alejandro (2007). \u201cEntre el temor al populismo y el entusiasmo autonomista. La reconfiguraci\u00f3n de la ciudadan\u00eda en Am\u00e9rica Latina\u201d, <em>Nueva Sociedad<\/em>, n\u00fam. 212, pp. 22-34.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pe\u00f1a, Guillermo de la (2008). \u201cDerechos ind\u00edgenas y ciudadan\u00eda \u00e9tnica\u201d, en Jos\u00e9 L. Calva (coord.). <em>Agenda para el desarrollo.<\/em> <em>Derechos y pol\u00edticas sociales<\/em>, vol. 12. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">unam<\/span> \/ Porr\u00faa \/ C\u00e1mara de Diputados <span class=\"small-caps\">lx<\/span> Legislatura, pp.142-156.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">P\u00e9rez Lu\u00f1o, Antonio Enrique (2003). \u00bfC<em>iberciudadan\u00eda@ o ciudadan@. Com?<\/em> Barcelona: Gedisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo y Secretar\u00eda General de la Organizaci\u00f3n de los Estados Americanos (2010). <em>Nuestra democracia<\/em>. M\u00e9xico, <span class=\"small-caps\">fce<\/span> \/ <span class=\"small-caps\">oea<\/span> \/ <span class=\"small-caps\">pnud<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ram\u00edrez Saiz, Juan Manuel (2014). \u201cFundamentos de la construcci\u00f3n de ciudadan\u00eda mundial\u201d, en Enrique Florescano y Jos\u00e9 R. Coss\u00edo, <em>Hacia una naci\u00f3n de ciudadanos<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">conaculta<\/span> \/ <span class=\"small-caps\">fce,<\/span> pp.377-392.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2006). <em>Ciudadan\u00eda mundial<\/em>. Guadalajara, Le\u00f3n y M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">iteso<\/span> \/ <span class=\"small-caps\">uia<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Regalado, Jorge (coord.) (2017). <em>Pensamiento cr\u00edtico, cosmovisiones y epistemolog\u00edas otras, para enfrentar la guerra capitalista y construir autonom\u00edas<\/em>. Guadalajara: C\u00e1tedra Jorge Alonso &#8211; Universidad de Guadalajara \/ <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Reguillo, Rossana (2017). <em>Paisajes insurrectos: j\u00f3venes, redes y revueltas en el oto\u00f1o civilizatorio<\/em>. Barcelona y Guadalajara: Ned Ediciones \/ <span class=\"small-caps\">iteso<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2003). \u201cCiudadan\u00edas juveniles en Am\u00e9rica Latina\u201d, <em>\u00daltima D\u00e9cada<\/em>, vol. 11, n\u00fam.19, pp. 1-20. https:\/\/doi.org\/10.4067\/S0718-22362003000200002<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Reigadas, Mar\u00eda Cristina y Carlos A. Cullen (comp.) (2003). <em>Globalizaci\u00f3n y nuevas ciudadan\u00edas<\/em>. Mar del Plata: Su\u00e1rez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Richardson, Diane (2001). \u201cExtending Citizenship: Cultural Citizenship and Sexuality\u201d, en Nick Stevenson (ed.), <em>Culture &amp; Citizenship<\/em>. Londres, Thousand Oaks y Nueva Delhi: <span class=\"small-caps\">sage<\/span> Publications, pp. 153-166. https:\/\/doi.org\/10.4135\/9781446217665.n10<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Richter Morales, Ulrich (2018). <em>El ciudadano digital. <\/em>Fake news<em> y posverdad en la era del internet.<\/em> M\u00e9xico: Oc\u00e9ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Riechmann, Jorge y Francisco Fern\u00e1ndez (1994). <em>Redes que dan libertad. Introducci\u00f3n a los nuevos movimientos sociales<\/em>. Barcelona: Paid\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Robles, Jos\u00e9 Manuel (2009). <em>Ciudadan\u00eda digital: una introducci\u00f3n a un nuevo concepto de ciudadano<\/em>. Barcelona: Universitat Oberta de Catalunya.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Rodr\u00edguez Prieto, Rafael (2005). <em>Ciudadanos y soberanos. 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San Luis Potos\u00ed, El Colegio de San Luis, 2018 (Cuadernos del Centro).<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\" translation-block\"><span class=\"dropcap\">Este texto analisa a rela\u00e7\u00e3o entre cidadania e cultura. A explora\u00e7\u00e3o de textos de ci\u00eancias sociais que tratam desses termos para analisar determinados sujeitos sociais, tanto em sua a\u00e7\u00e3o quanto em sua conceitua\u00e7\u00e3o, leva-nos a considerar que as cidadanias s\u00e3o diversas, heterog\u00eaneas e com posi\u00e7\u00f5es desiguais em rela\u00e7\u00e3o a outros grupos de cidad\u00e3os e em sua rela\u00e7\u00e3o com a esfera estatal. Cada conjunto de cidad\u00e3os vive e molda sua a\u00e7\u00e3o social com base em suas pr\u00f3prias configura\u00e7\u00f5es de identidade, c\u00f3digos e disposi\u00e7\u00f5es culturais, todos eles afetados por rela\u00e7\u00f5es de poder e g\u00eanero, classe e etnia. Por meio de suas a\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es e pensamentos, os cidad\u00e3os expressam a pluralidade social, pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural de nossas conflituosas sociedades contempor\u00e2neas. Duas reflex\u00f5es s\u00e3o desenvolvidas neste ensaio: primeiro, a discuss\u00e3o \u00e9 abordada do ponto de vista das pr\u00e1ticas de cidadania; em um segundo olhar, destaca-se a dimens\u00e3o cultural que essas pr\u00e1ticas manifestam dos direitos espec\u00edficos de cidadania.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[563,426,654,243,29],"coauthors":[551],"class_list":["post-32868","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-9","tag-ciudadania","tag-cultura","tag-derechos","tag-globalizacion","tag-politica","personas-aceves-jorge-e-aceves-lozano","numeros-627"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Culturas ciudadanas y ciudadan\u00eda cultural. Una exploraci\u00f3n de los t\u00e9rminos &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/aceves-cultura-ciudadana-ciudadania-cultural\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Culturas ciudadanas y ciudadan\u00eda cultural. Una exploraci\u00f3n de los t\u00e9rminos &#8211; Encartes\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"En este texto se hace una revisi\u00f3n acerca de la relaci\u00f3n entre ciudadan\u00eda y cultura. Explorar textos de ciencias sociales que tratan de estos t\u00e9rminos para analizar determinados sujetos sociales, tanto en su acci\u00f3n como en su conceptualizaci\u00f3n, nos lleva a considerar que las ciudadan\u00edas son diversas, heterog\u00e9neas y con posiciones desiguales respecto a otros conjuntos de ciudadanos\/as y en su relaci\u00f3n con la esfera estatal. Cada conjunto de ciudadanos\/as vive y modela su acci\u00f3n social con base en sus propias configuraciones identitarias, c\u00f3digos y disposiciones culturales, afectados todos ellos por relaciones de poder y g\u00e9nero, de clase y etnia. Las ciudadan\u00edas expresan \u2013a trav\u00e9s de sus acciones, emociones y pensamientos\u2013 la pluralidad social, pol\u00edtica, econ\u00f3mica y cultural de nuestras conflictivas sociedades contempor\u00e1neas. Dos reflexiones se desarrollan en este ensayo: primero se aborda la discusi\u00f3n desde las pr\u00e1cticas ciudadanas; en una segunda mirada se resalta la dimensi\u00f3n cultural que dichas pr\u00e1cticas manifiestan de derechos ciudadanos espec\u00edficos.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/aceves-cultura-ciudadana-ciudadania-cultural\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Encartes\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-09-19T01:16:53+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2023-11-18T00:34:34+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"42 minutos\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label3\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data3\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/aceves-cultura-ciudadana-ciudadania-cultural\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/aceves-cultura-ciudadana-ciudadania-cultural\/\"},\"author\":{\"name\":\"Arthur Ventura\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef\"},\"headline\":\"Culturas ciudadanas y ciudadan\u00eda cultural. 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