{"id":32823,"date":"2020-09-20T05:55:11","date_gmt":"2020-09-20T05:55:11","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=32823"},"modified":"2024-04-24T13:47:09","modified_gmt":"2024-04-24T19:47:09","slug":"jorge-alonso-resena-otras-globalizaciones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/jorge-alonso-resena-otras-globalizaciones\/","title":{"rendered":"Em face do colapso da globaliza\u00e7\u00e3o capitalista, a busca por globaliza\u00e7\u00f5es alternativas"},"content":{"rendered":"<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">Este \u00e9 um livro muito importante, pois re\u00fane a longa trajet\u00f3ria de um pesquisador profundo, com perspectivas novas e altamente sugestivas. Trata-se de uma pesquisa que destaca aspectos que poderiam permanecer invis\u00edveis e que s\u00e3o abordados com grande originalidade. Prevalece uma \u00eanfase alternativa, mas a predominante tamb\u00e9m \u00e9 estudada com grande acuidade. A pandemia de 2020 interrompeu o ritmo fren\u00e9tico da globaliza\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor nos mostra que a globaliza\u00e7\u00e3o se tornou um r\u00f3tulo para se referir a certas formas de relacionamento e entrela\u00e7amento de diferentes lugares, ag\u00eancias e agentes no mundo atual. Mas ela n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica, pois tem passado por constantes transforma\u00e7\u00f5es. O presente \u00e9 examinado, mas levando em conta a din\u00e2mica gerada desde que os europeus invadiram os territ\u00f3rios americanos. O autor \u00e9 influenciado por Wallerstein e seu sistema-mundo, no sentido de uma totalidade mundial. Foi observado que Wallerstein explorou tanto o sistema-mundo quanto os movimentos antissist\u00eamicos. Boaventura de Sousa Santos disse que seu principal m\u00e9rito foi deixar para tr\u00e1s a unidade de an\u00e1lise das sociedades nacionais e mergulhar no sistema mundial com suas crescentes depend\u00eancias e interdepend\u00eancias; ter questionado o pensamento ocidental euroc\u00eantrico e ter combinado a objetividade cient\u00edfica com um compromisso com os deserdados da terra (Santos, 2019). A partir de uma vis\u00e3o de mundo geopol\u00edtica, ele n\u00e3o apenas historicizou a rela\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o centro-periferia, mas tamb\u00e9m forneceu as premissas do que hoje \u00e9 conhecido como teoria da globaliza\u00e7\u00e3o (Dussel, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns acreditam que o termo \"globaliza\u00e7\u00e3o\" apareceu pela primeira vez em maio de 1983, em um artigo de Theodore Levitt (\"The Globalisation of Financial Markets\"), publicado na revista&nbsp;<em>Harvard Business Review<\/em>. Tamb\u00e9m foi observado que se trata de um conceito ideol\u00f3gico, cunhado e divulgado nos Estados Unidos durante a d\u00e9cada de 1980, que tenta descrever um fen\u00f4meno econ\u00f4mico do ponto de vista da teoria econ\u00f4mica convencional. Na d\u00e9cada de 1990, Alain Touraine enfatizou que se tratava de uma constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, pois observar o aumento das trocas globais, a multipolariza\u00e7\u00e3o do sistema de produ\u00e7\u00e3o e o papel das novas tecnologias era uma coisa, mas afirmar que se tratava de um sistema global autorregul\u00e1vel e argumentar que a economia deveria escapar dos controles pol\u00edticos era outra quest\u00e3o, pois uma descri\u00e7\u00e3o foi substitu\u00edda por uma interpreta\u00e7\u00e3o equivocada (Ramos, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Chama-se a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que n\u00e3o se trata de um termo inequ\u00edvoco, pois alguns o utilizam para investigar as principais mudan\u00e7as recentes, enquanto outros o veem como a ordem mundial. Embora tenha se tornado popular na d\u00e9cada de 1990, n\u00e3o se deve esquecer que, na d\u00e9cada de 1960, McLuhan usou a express\u00e3o \"aldeia global\" (Fazio, 1998). Ribeiro ressalta que a globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se reduz a novos fen\u00f4menos. H\u00e1 uma globaliza\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica caracterizada pelas iniciativas de atores multinacionais e transnacionais que querem atingir objetivos capitalistas neoliberais (fazer ajustes estruturais, privatizar o setor p\u00fablico, apoiar o capital e a iniciativa privada, redirecionar as economias nacionais para os mercados externos, promover o chamado livre com\u00e9rcio global, enfraquecer a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, diminuir e at\u00e9 abandonar o Estado de bem-estar social). Um mundo onde prevalecem o individualismo e o consumismo, onde prevalecem os algoritmos e as manipula\u00e7\u00f5es. Os oligop\u00f3lios est\u00e3o se tornando cada vez mais poderosos. O capitalismo tende \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o e \u00e0 centraliza\u00e7\u00e3o do capital. Estamos em um capitalismo globalizado em crise aguda, enfrentando uma forma social feroz, cruel e impiedosa do mesmo sistema mundial capitalista (Cam\u00edn, 2019). H\u00e1 quem diga que a globaliza\u00e7\u00e3o se desenvolveu em diferentes velocidades ao longo da hist\u00f3ria e teve, em menor grau, momentos de regress\u00e3o. Enfatiza-se que a globaliza\u00e7\u00e3o foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao transporte de longa dist\u00e2ncia, \u00e0s comunica\u00e7\u00f5es e aos fluxos de capital. Castells disse que a globaliza\u00e7\u00e3o ocorre quando todos os sistemas, em todos os pa\u00edses, funcionam com base em conex\u00f5es globais, de modo que vivemos em um mundo globalizado, e n\u00e3o apenas internacionalizado, e a globaliza\u00e7\u00e3o existe em todas as dimens\u00f5es da vida (Castells, 2019). Quanto ao est\u00e1gio atual, seria preciso pensar que nosso epis\u00f3dio atual de globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9, na verdade, uma fase breve, e que uma revers\u00e3o para uma forma mais localizada pode estar pr\u00f3xima, porque n\u00e3o \u00e9 garantido que as redes de energia e as comunica\u00e7\u00f5es globais possam ser sustentadas a longo prazo, j\u00e1 que os fluxos de energia e financeiros diminuem caoticamente. Embora essa regress\u00e3o tenha muitos tra\u00e7os da cultura globalizada e das tradi\u00e7\u00f5es do capitalismo de crescimento (Morassi, 2019). O economista Joseph Stiglitz publicou em novembro de 2019 que o neoliberalismo vinha minando a democracia h\u00e1 40 anos. Foi prometido algo que era pura fuma\u00e7a e espelhos, e esse enorme engano gerou desconfian\u00e7a nas elites e na ci\u00eancia econ\u00f4mica na qual o neoliberalismo se baseava (Stiglitz, 2019). Alguns autores preferem chamar o neoliberalismo de globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal. Eles insistem que o capitalismo \u00e9 o modo de produ\u00e7\u00e3o predominante em todo o mundo. Eles apontam que a deslocaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria e a desconcentra\u00e7\u00e3o dos processos de produ\u00e7\u00e3o est\u00e3o relacionadas \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o e \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o de mercados em pa\u00edses perif\u00e9ricos. Chamam a aten\u00e7\u00e3o para as rea\u00e7\u00f5es nacionalistas nos Estados Unidos e no Reino Unido \u00e0 perda de empregos e modos de vida, que s\u00e3o aspectos que t\u00eam a ver com a l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o capitalista atual, e as solu\u00e7\u00f5es s\u00f3 podem vir de um repensar profundo do pr\u00f3prio capitalismo (Dorado, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>O livro de Gustavo Lins Ribeiro nos leva a examinar a exist\u00eancia de outras globaliza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e acad\u00eamicas. N\u00e3o h\u00e1 apenas a globaliza\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica, mas tamb\u00e9m, devido \u00e0s m\u00faltiplas resist\u00eancias que ela gera, h\u00e1 tamb\u00e9m uma globaliza\u00e7\u00e3o popular, de baixo para cima. O livro nos leva a uma diversidade de processos e agentes alternativos nas esferas econ\u00f4mica, pol\u00edtica e cultural. O conceito de um sistema mundial n\u00e3o hegem\u00f4nico \u00e9 elaborado. H\u00e1 uma globaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que opera de baixo para cima e cujos principais atores s\u00e3o ativistas. Existem os movimentos anti e alter-globaliza\u00e7\u00e3o. Entre esses processos est\u00e1 o persistente F\u00f3rum Social Mundial. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma prolifera\u00e7\u00e3o de mercados populares, que s\u00e3o fluxos comerciais animados pelas pessoas e n\u00e3o pelas elites. O autor se aprofunda na c\u00f3pia de produtos da globaliza\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica. Ele nos diz que isso n\u00e3o \u00e9 algo que tenha acontecido recentemente, mas que vem ocorrendo h\u00e1 muito tempo. Ele nos apresenta alternativas aos modos predominantes de trabalho e com\u00e9rcio. Ele enfatiza que a globaliza\u00e7\u00e3o popular \u00e9 composta de redes em diferentes mercados que constituem os n\u00f3s do sistema mundial n\u00e3o hegem\u00f4nico. Muitas unidades em todo o mundo est\u00e3o conectadas por meio de fluxos de informa\u00e7\u00f5es, pessoas, bens e capital. Ele destaca como os centros de commodities do sistema mundial n\u00e3o hegem\u00f4nico surgiram em diferentes partes da \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de globaliza\u00e7\u00e3o alternativa, os acad\u00eamicos analisam a World Anthropologies Network. Embora prevale\u00e7a a hegemonia internacional da antropologia estadunidense, a rede se prop\u00f4s a estimular a articula\u00e7\u00e3o de diversas antropologias. H\u00e1 uma explora\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da diversidade da antropologia como discursos e pr\u00e1ticas dentro do campo nacional de poder. Houve um desenvolvimento de antropologias plurais, que incentivam o di\u00e1logo entre antrop\u00f3logos de diferentes partes do mundo, o que descentraliza, rehistoriciza e pluraliza. Ribeiro analisa corretamente a crise da antropologia hegem\u00f4nica. Em contrapartida, ele detecta muitos lugares onde o conhecimento sobre a diversidade est\u00e1 sendo produzido e onde um projeto diferente para a disciplina est\u00e1 sendo gerado. Um mundo globalizado \u00e9 o cen\u00e1rio perfeito para a antropologia florescer devido ao seu respeito pela diferen\u00e7a, seu elogio \u00e0 pluralidade e \u00e0 diversidade. A cosmopol\u00edtica imperial n\u00e3o problematiza a hegemonia dos c\u00e2nones ocidentais e naturaliza a universalidade da antropologia. <em>status quo<\/em> antropologia existente, e \u00e9 por isso que predominam as vis\u00f5es globais anglo-americanas. Mas as antropologias globais est\u00e3o criticando o eurocentrismo e a domina\u00e7\u00e3o anglo-americana. H\u00e1 uma troca horizontal entre as diferentes antropologias do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro \u00e9 rico em discuss\u00f5es. Ele explora o poder, as redes e a ideologia no campo do desenvolvimento. Ele lembra que Richard Adams apontou que o poder \u00e9 o controle que um coletivo tem sobre o ambiente de outro coletivo. Ribeiro analisa outras defini\u00e7\u00f5es e resume que o poder \u00e9 a capacidade de controlar o curso de a\u00e7\u00e3o dos eventos e de impedir que outros se tornem atores poderosos. Deve-se ter em mente que h\u00e1 quem tenha apontado que a ordem de domina\u00e7\u00e3o enfrenta a desordem causada pela rebeli\u00e3o plebeia (liderada pelos exclu\u00eddos pol\u00edtica, econ\u00f4mica, social e culturalmente) em todo o planeta sem sucesso total, porque o crescimento capitalista global tem sido orientado para o enriquecimento superlativo de poucos, a tal ponto que suas fortunas individuais excedem em muito os or\u00e7amentos combinados de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es. Na aus\u00eancia de um modelo econ\u00f4mico coerente para superar as crises recorrentes do sistema capitalista e para compensar as necessidades e dificuldades sofridas pelos setores populares, eles tendem \u00e0 autogest\u00e3o, por meio de suas pr\u00f3prias formas organizacionais articuladas entre si (Garc\u00e9s, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Ribeiro estuda o desenvolvimento como um campo de poder, mas tamb\u00e9m como ideologia e expans\u00e3o. Ele investiga quem \u00e9 o sujeito do desenvolvimento e mostra que h\u00e1 sujeitos ativos e passivos. Ele ressalta que, para avan\u00e7ar no mundo globalizado, \u00e9 preciso admitir que o desenvolvimento n\u00e3o \u00e9 o objeto de desejo de todos. Ele explora os fluxos globais de modelos de desenvolvimento. Ele insiste que o desenvolvimento \u00e9 uma forma de existir no mundo como um destino que \u00e9 apresentado como feliz para todos. Ele tem a ver com o crescimento econ\u00f4mico e a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que se acredita estarem avan\u00e7ando continuamente e em ascens\u00e3o. \u00c9 uma matriz discursiva na qual o progresso e os valores civilizados ocidentais s\u00e3o suas categorias. Mas eles s\u00e3o contestados. A ideologia dominante afirma que essas resist\u00eancias s\u00e3o absurdas. Ribeiro chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que as cr\u00edticas mais fortes foram levantadas por antrop\u00f3logos com base em seus estudos de outras realidades. L\u00f6wy lembrou que desde 1820, com Comte, a ideologia do progresso tornou-se uma apologia da ordem industrial e cient\u00edfica burguesa. Mas Walter Benjamin e Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui compartilhavam a rejei\u00e7\u00e3o do dogma do progresso na hist\u00f3ria. Benjamin descreveu o progresso como uma tempestade catastr\u00f3fica que re\u00fane ru\u00ednas e v\u00edtimas. Mari\u00e1tegui escreveu do ponto de vista dos povos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 vis\u00e3o colonialista europeia da hist\u00f3ria. Esses escritores convidaram a repensar em novos termos o curso da hist\u00f3ria, a rela\u00e7\u00e3o entre passado, presente e futuro, as lutas emancipat\u00f3rias dos oprimidos e a revolu\u00e7\u00e3o (L\u00f6wy, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Ribeiro desvenda a hegemonia do capitalismo eletr\u00f4nico-computacional, apresenta e analisa o que ele classifica como \"gogle\u00edsmo\". As mercadorias n\u00e3o s\u00e3o apenas objetos, mas as palavras foram transformadas em mercadorias. Entramos em uma nova era do setor de publicidade. Os usu\u00e1rios ignoraram o fato de terem sido despojados de si mesmos e das informa\u00e7\u00f5es que geram como mercadorias nas m\u00e3os de outros. O Google aproveita grandes quantidades de criatividade e trabalho livre tanto no mundo virtual quanto no real. As grandes empresas do capitalismo eletr\u00f4nico-computacional promoveram novos modelos de gerenciamento. Alguns pensaram que a Internet era o espa\u00e7o da liberdade, mas l\u00e1 ca\u00edram na rede humana, em um totalitarismo capitalista controlado pelas multinacionais capitalistas do setor (Lorca, 2019). A globaliza\u00e7\u00e3o de hoje tem muitas bordas conflitantes. Nessa globaliza\u00e7\u00e3o, alguns ganham e outros perdem. Para dar prest\u00edgio \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 apresentada como uma estrutura moderna alcan\u00e7ada pelo caminho do progresso. No entanto, a globaliza\u00e7\u00e3o significa apenas liberdade real para os mais fortes que se estabelecem como l\u00edderes da economia mundial. \u00c9 necess\u00e1rio abrir novos cen\u00e1rios com novos quadros, sem pedir permiss\u00e3o (Perales, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>O autor examina diferentes modalidades de c\u00f3pia. Ele se pergunta se a era digital pode estar testemunhando a morte do original. Ele argumenta que o espa\u00e7o p\u00fablico envolve o virtual e o real. Ele observa que a biotecnologia poderia tornar poss\u00edvel a clonagem humana. Sem c\u00f3pias, diz ele, n\u00e3o poderia haver economia. A revolu\u00e7\u00e3o industrial \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o acelerada de c\u00f3pias. Ele discute a rela\u00e7\u00e3o entre diversidade e globaliza\u00e7\u00e3o. Ele explora a tens\u00e3o universal\/particular. Argumenta que a pol\u00edtica da diferen\u00e7a evoluiu rapidamente, tornando as demandas por reconhecimento cultural e \u00e9tnico arenas importantes nas lutas pol\u00edticas contempor\u00e2neas. Ele mostra como a globaliza\u00e7\u00e3o aumenta a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 diferen\u00e7a e torna a diferencia\u00e7\u00e3o social mais complexa. A defesa da diversidade cultural faz parte da luta contra as tend\u00eancias centralistas do capital global; no entanto, chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que a defesa da diversidade cultural pode refletir a consci\u00eancia das corpora\u00e7\u00f5es transnacionais sobre a natureza global da economia pol\u00edtica em que operam. A descentraliza\u00e7\u00e3o, paradoxalmente, pode refor\u00e7ar o ac\u00famulo de poder. Os atores transnacionais querem organizar a diversidade. A diversidade pode ser uma ferramenta tanto para a reprodu\u00e7\u00e3o quanto para a luta contra a hegemonia. Ele considera que existem particularismos locais, particularismos transnacionais e particularismos cosmopolitas. Ele prop\u00f5e o conceito de cosmopol\u00edtica, que lhe permite explorar esses \u00faltimos particularismos como formas de discurso pol\u00edtico global, a fim de ir al\u00e9m da tens\u00e3o particular\/universal. Ele ressalta que as ag\u00eancias de governan\u00e7a global s\u00e3o centros de produ\u00e7\u00e3o cosmopol\u00edtica. Um campo \u00e9 hegemonizado por capitalistas transnacionais e suas elites associadas, que enaltecem um mundo neoliberal sem fronteiras em termos de mercados. A diversidade cultural e o respeito \u00e0 diferen\u00e7a s\u00e3o vistos como os meios para obter governan\u00e7a e uma estrat\u00e9gia de mercado. Mas h\u00e1 outro campo de ag\u00eancias intelectuais interessadas em outro tipo de globaliza\u00e7\u00e3o, postulando uma sociedade civil global para regular as elites hegem\u00f4nicas transnacionais. Ribeiro se aprofunda no que ele chama de \"discursos fraternos globais\", que poderiam coexistir com a realidade de um mundo conflituoso. Ele especifica que esses discursos fraternos globais s\u00e3o utopias que desempenham um papel importante na reprodu\u00e7\u00e3o da coes\u00e3o social e pol\u00edtica. Ele disseca alguns dos discursos globais mais influentes, como os de direitos humanos e desenvolvimento. Mas ele alerta para o fato de que regimes autorit\u00e1rios foram impostos em nome dos direitos humanos, da liberdade e da democracia. Ele lembra que a universalidade dos direitos humanos n\u00e3o tem sido uma quest\u00e3o consensual. Quanto maior a varia\u00e7\u00e3o cultural, maior a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 universalidade dos direitos humanos. A rela\u00e7\u00e3o entre direitos humanos e diversidade cultural \u00e9 muito propensa a gerar contradi\u00e7\u00f5es. Entretanto, apesar de suas origens ocidentais, os direitos humanos se tornaram uma categoria instrumental na luta dos povos ind\u00edgenas na Am\u00e9rica Latina. Ele encontra formas de desenvolvimento global dos direitos humanos tanto no particularismo transnacional quanto no particularismo cosmopolita, quando s\u00e3o levadas em conta as varia\u00e7\u00f5es dos direitos humanos de acordo com seus contextos sociais, pol\u00edticos e culturais. Ribeiro enfatiza que os direitos humanos e o desenvolvimento s\u00e3o exemplos das maneiras pelas quais alguns dos discursos globais mais importantes est\u00e3o sujeitos a conflitos de interpreta\u00e7\u00e3o relacionados \u00e0s caracter\u00edsticas dos campos sociopol\u00edticos em que est\u00e3o localizados. Seus postulados universalistas est\u00e3o, portanto, sujeitos a resist\u00eancia. Outro conceito examinado \u00e9 o do patrim\u00f4nio da humanidade, que compartilha v\u00e1rias caracter\u00edsticas dos direitos humanos e do desenvolvimento. \u00c9 um discurso de reconhecimento global que refor\u00e7a uma geografia cultural. Ele tem a ver com o que \u00e9 entendido como valor universal excepcional. \u00c9 o reconhecimento de estar entre os melhores exemplos de realiza\u00e7\u00f5es humanas ou maravilhas naturais. Ribeiro nos diz que a tens\u00e3o universal\/particular \u00e9 semelhante \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre o global e o local. Ele ressalta que \"globaliza\u00e7\u00e3o\" foi um neologismo criado para se referir \u00e0 tens\u00e3o entre o local e o global. Ele ressalta que, para que um discurso fraterno global seja eficaz no mundo contempor\u00e2neo, ele precisa renunciar a qualquer pretens\u00e3o de ser a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o universalmente v\u00e1lida e entrar em di\u00e1logo com diversas cosmopol\u00edticas que s\u00e3o formadas dentro do mesmo campo sem\u00e2ntico global. \u00c9 preciso se mover em um mundo globalizado em que o multiculturalismo \u00e9 cada vez mais uma quest\u00e3o de pol\u00edtica transnacional e \u00e9 preciso aceitar que a universaliza\u00e7\u00e3o de particularismos locais est\u00e1 fadada ao fracasso. Portanto, ele recomenda a promo\u00e7\u00e3o de vis\u00f5es que sejam sens\u00edveis a diferentes contextos globais, \u00e0 diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ribeiro est\u00e1 aberto a uma perspectiva p\u00f3s-imperialista, porque os p\u00f3s-colonialismos e a descolonialidade do poder n\u00e3o s\u00e3o suficientes. Ele argumenta que as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas se tornaram sujeitos de suas pr\u00f3prias lutas epistemol\u00f3gicas, o que teve repercuss\u00f5es no meio acad\u00eamico. H\u00e1 muitas formas de coexist\u00eancia e conflitos entre epistemologias, paradigmas e abordagens. N\u00e3o se deve perder de vista o fato de que a maioria das reivindica\u00e7\u00f5es de universalidade se baseia em efeitos de poder. Ele ressalta que, em um mundo globalizado, o problema \u00e9 a reivindica\u00e7\u00e3o imperial de hegemonia. Ele insiste que, em um mundo globalizado, devemos buscar consensualidades que abram canais de comunica\u00e7\u00e3o entre universos sem\u00e2nticos. Ele nos diz que precisamos de teorias itinerantes. Devemos aceitar criticamente as dimens\u00f5es de teorias como o p\u00f3s-colonialismo, que chegou \u00e0 Am\u00e9rica Latina depois de ser reformulado nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele recomenda que os defensores da cosmopol\u00edtica contra-hegem\u00f4nica precisam identificar suas equival\u00eancias m\u00fatuas para que possam ser articuladas politicamente. Ele especifica que a \u00eanfase no colonialismo, neocolonialismo, colonialismo interno<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a>O argumento do autor de que o p\u00f3s-colonialismo e a colonialidade do poder s\u00e3o bem-vindos, embora ele chame a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que a situa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-colonial e a colonialidade do poder coexistem. Ele diz que uma \u00eanfase exagerada no colonialismo poderia recriar o que ele procura criticar: uma explica\u00e7\u00e3o que naturaliza a subalternidade como o destino das ex-col\u00f4nias. Se a an\u00e1lise se concentrar no colonialismo em vez de no capitalismo, a import\u00e2ncia dos Estados-na\u00e7\u00e3o e de suas elites ser\u00e1 subestimada, o que n\u00e3o levar\u00e1 em conta as caracter\u00edsticas particulares das rela\u00e7\u00f5es de poder que medeiam entre os Estados-na\u00e7\u00e3o e o sistema mundial. Ribeiro enfatiza a necessidade de concentrar a cr\u00edtica no capitalismo produtor de desigualdade. A solu\u00e7\u00e3o dos problemas coloniais n\u00e3o acaba com a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o. O racismo \u00e9 um mecanismo capitalista que torna vulner\u00e1veis os segmentos de mercado etnicamente divididos, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. Talvez tivesse sido \u00fatil fazer refer\u00eancia tamb\u00e9m ao colonialismo interno.<sup><a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a><\/sup> Ele prop\u00f4s o conceito de p\u00f3s-imperialismo, para imaginar a vida ap\u00f3s o imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela mostra como a viol\u00eancia imperial \u00e9 exercida por meio da superioridade militar e tecnol\u00f3gica. A Am\u00e9rica Latina conhece os danos causados pelas diversas formas de imperialismo. Mas a perman\u00eancia dos povos ind\u00edgenas \u00e9 a prova de que \u00e9 poss\u00edvel resistir ao movimento do expansionismo capitalista euroc\u00eantrico, que \u00e9 poss\u00edvel ter uma experi\u00eancia n\u00e3o capitalista que n\u00e3o \u00e9 a persist\u00eancia de um passado, mas a express\u00e3o de um presente que impulsiona o futuro. Ribeiro nos diz que o <span class=\"small-caps\">ezln<\/span> mostrou que outro mundo j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 um livro que se afasta das abordagens usuais, que se atreve a olhar para fora e descobrir veias insuspeitas, mas existentes, e n\u00e3o se contenta com explica\u00e7\u00f5es gerais, mas sim as espreme, detecta suas tens\u00f5es e as explora a partir de uma vis\u00e3o aguda da complexidade. Ele deve ser lido, estudado, discutido e divulgado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Cam\u00edn, Eduardo (2019, 27 de julio). \u201cEl \u201ccontrato social de la globalizaci\u00f3n\u201d: \u00bfotra promesa sin ma\u00f1ana?\u201d, <em><span class=\"small-caps\">clae<\/span><\/em>. Recuperado de http:\/\/estrategia.la\/2019\/07\/21\/el-contrato-social-de-la-globalizacion-otra-promesa-sin-manana\/, consultado el 16 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Castells, Manuel (2019, 16 de noviembre). \u201cConsumimos medios no para informarnos, sino para confirmarnos\u201d, entrevista en <em>Perfil<\/em>. Recuperado de https:\/\/www.perfil.com\/noticias\/periodismopuro\/manuel-castells-consumimos-medios-no-para-informarnos-sino-para-confirmarnos.phtml, consultado el 16 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Dorado, Fernando, (2019, 4 de octubre).\u201cGlobalistas y nacionalistas del siglo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>\u201d, <em>Rebeli\u00f3n<\/em>. Recuperado de https:\/\/www.alainet.org\/es\/articulo\/202470, consultado el 16 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Dussel, Enrique (2019, 3 de septiembre).\u201cImmanuel Wallerstein (1930-2019), <em>La Jornada<\/em>. Recuperado de https:\/\/www.jornada.com.mx\/2019\/09\/03\/opinion\/035a1soc, consultado el 16 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Fazio, Hugo (1998). \u201cLa globalizaci\u00f3n: una aproximaci\u00f3n desde la historia\u201d, <em>Historia Cr\u00edtica<\/em>, n\u00fam. 17, pp. 71-77.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Garc\u00e9s, Homar (2019, 21 de septiembre). \u201cLa rebeli\u00f3n plebeya ante el capitalismo global\u201d, <em>Rebeli\u00f3n<\/em>. 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Recuperado de: http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=259820&amp;titular=la-globalizaci%F3n-una-premisa-falsa-, consultado el 16 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Romero, Ra\u00fal (2013, 11 de mayo). \u201cColonialismo interno y autonom\u00edas: las luchas de los pueblos originarios hoy\u201d, <em>Am\u00e9rica Latina en Movimiento<\/em>. Recuperado de https:\/\/www.alainet.org\/es\/active\/63934, consultado el 16 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Santos, Boaventura de Sousa (2019, 2 de septiembre). \u201cImmanuel Wallerstein\u201d, <em>Esquerda<\/em>. Recuperado de https:\/\/www.esquerda.net\/artigo\/immanuel-wallerstein-memoriam\/63069, consultado el 16 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Stiglitz, Joseph (2019, noviembre). \u201cEl fin del neoliberalismo y el renacimiento de la historia\u201d, <em>Nueva Sociedad<\/em>. Recuperado de: https:\/\/nuso.org\/articulo\/crisis-neoliberalismo-historia-elites-capitalismo-protestas\/, consultado el 16 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Torres Guill\u00e9n, Jaime (2014). \u201cEl car\u00e1cter anal\u00edtico y pol\u00edtico del concepto de colonialismo interno de Pablo Gonz\u00e1lez Casanova\u201d, <em>Desacatos<\/em>, n\u00fam. 45, pp. 85-98. https:\/\/doi.org\/10.29340\/45.1292<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\"><em>Jorge Alonso S\u00e1nchez<\/em> \u00e9 PhD em antropologia e professor em\u00e9rito de pesquisa na <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span> Oeste. Lecionou cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais na Universidade Ibero-Americana, na Escola Nacional de Antropologia e Hist\u00f3ria, na Universidade Aut\u00f4noma Metropolitana, na Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico, na Universidade de Guadalajara, na Faculdade de Jalisco, na Faculdade de Michoac\u00e1n e na Universidade de Michoac\u00e1n. <span class=\"small-caps\">ciesas<\/span>. Ele escreveu muitos livros e artigos de pesquisa. Durante dez anos, foi respons\u00e1vel pela revista <em>Desacatos<\/em>. Participa de comit\u00eas editoriais de v\u00e1rias revistas acad\u00eamicas nacionais e internacionais. \u00c9 membro da Academia Mexicana de Ci\u00eancias. No Sistema Nacional de Pesquisadores, ele \u00e9 Pesquisador Nacional Em\u00e9rito. <span class=\"small-caps\">orcid<\/span>: 0000-0003-1765-5559.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\" translation-block\"><span class=\"dropcap\">Este \u00e9 um livro muito importante, pois re\u00fane a longa trajet\u00f3ria de um pesquisador profundo, com perspectivas novas e altamente sugestivas. Trata-se de uma pesquisa que destaca aspectos que poderiam permanecer invis\u00edveis e que s\u00e3o abordados com grande originalidade. Prevalece uma \u00eanfase alternativa, mas a predominante tamb\u00e9m \u00e9 estudada com grande acuidade.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[699],"coauthors":[551],"class_list":["post-32823","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-10","tag-globalizaciones","personas-alonso-sanchez-jorge","numeros-627"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Ante la quiebra de la globalizaci\u00f3n capitalista, la b\u00fasqueda de globalizaciones alternativas &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"\u00c9ste es un libro muy importante, porque re\u00fane novedosas y muy sugerentes miradas sobre las globalizaciones.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/jorge-alonso-resena-otras-globalizaciones\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Ante la quiebra de la globalizaci\u00f3n capitalista, la b\u00fasqueda de globalizaciones alternativas &#8211; 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