{"id":32744,"date":"2020-09-19T05:52:07","date_gmt":"2020-09-19T05:52:07","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=32744"},"modified":"2024-04-24T20:03:34","modified_gmt":"2024-04-25T02:03:34","slug":"burity-el-pueblo-evangelico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/burity-el-pueblo-evangelico\/","title":{"rendered":"Evang\u00e9licos: constru\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica, disputas de minorias e rea\u00e7\u00e3o conservadora"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">A pol\u00edtica evang\u00e9lica latino-americana pode ser vista, em termos laclauianos, como uma constru\u00e7\u00e3o do povo. Mais precisamente, como a constru\u00e7\u00e3o do povo evang\u00e9lico, uma minoria com suas pr\u00f3prias demandas e voz em um continente cat\u00f3lico de estados seculares. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica do povo nacional em contextos em que os evang\u00e9licos j\u00e1 s\u00e3o considerados uma for\u00e7a sociopol\u00edtica com aspira\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas. No entanto, essa narrativa dupla se tornou mais complicada nos \u00faltimos anos nos mares agitados da chamada onda conservadora. No Brasil, uma not\u00e1vel alian\u00e7a entre a extrema direita pol\u00edtica, o neoliberalismo e a elite parlamentar e pastoral evang\u00e9lica est\u00e1 reverberando, problematizando seriamente as expectativas de um impacto pluralista da presen\u00e7a p\u00fablica evang\u00e9lica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\"><p class=\"no-indent\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/brasil\/\" rel=\"tag\">Brasil<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/elite-parlamentaria\/\" rel=\"tag\">elite parlamentar<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/elite-pastoral\/\" rel=\"tag\">elite pastoral<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/laclau\/\" rel=\"tag\">Laclau<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/politica\/\" rel=\"tag\">pol\u00edtica<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/pueblo-evangelico\/\" rel=\"tag\">povo evang\u00e9lico<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/religion\/\" rel=\"tag\">religi\u00e3o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\"><span class=\"small-caps\">O povo evang\u00e9lico: constru\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica, disputas de minorias e rea\u00e7\u00e3o conservadora<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-text no-indent\">A pol\u00edtica evang\u00e9lica latino-americana pode ser vista, em termos laclauianos, como uma constru\u00e7\u00e3o do povo. Mais precisamente, como a constru\u00e7\u00e3o do povo evang\u00e9lico, uma minoria com demandas e uma voz pr\u00f3pria em um continente \"cat\u00f3lico\" de Estados seculares. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica do povo de um pa\u00eds em contextos nos quais os evang\u00e9licos s\u00e3o considerados uma for\u00e7a sociopol\u00edtica com aspira\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas. No entanto, essa dupla narrativa se complicou nos \u00faltimos anos com os mares agitados da chamada onda conservadora. Uma alian\u00e7a proeminente entre a extrema direita pol\u00edtica, o neoliberalismo e a elite parlamentar e pastoral evang\u00e9lica reverbera no Brasil, o que cria s\u00e9rios problemas para as expectativas de um impacto pluralista da presen\u00e7a p\u00fablica evang\u00e9lica.Palavras-chave: Povo evang\u00e9lico, elite parlamentar e pastoral evang\u00e9lica, religi\u00e3o e pol\u00edtica, Brasil, Laclau.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">Este artigo tem como objetivo refletir sobre o processo de emerg\u00eancia evang\u00e9lica na vida p\u00fablica, com \u00eanfase no Brasil, e sua configura\u00e7\u00e3o recente, que parece apontar para uma nova etapa: uma hegemonia cultural evang\u00e9lica que tenta se tornar uma hegemonia pol\u00edtica, como projeto de dire\u00e7\u00e3o moral e pol\u00edtica da sociedade. Compreendendo a multidimensionalidade e a conting\u00eancia dessa experi\u00eancia, proponho focar a an\u00e1lise na oscila\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica e pol\u00edtica dos termos \"povo\"; nesse caso, \"o povo\" e sua qualifica\u00e7\u00e3o (\"evang\u00e9lico\") que remete aos debates recentes sobre o momento populista (Mouffe, 2018) da pol\u00edtica internacional, fortemente associado ao protagonismo religioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a destitui\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff em 2016 e a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro em 2018 efetivamente marquem um salto qualitativo nesses desenvolvimentos, n\u00e3o seria preciso muito esfor\u00e7o para encontrar semelhan\u00e7as com outros pa\u00edses latino-americanos, como a elei\u00e7\u00e3o de <em>Jimmy<\/em> Morales, na Guatemala, em 2015, ele pr\u00f3prio evang\u00e9lico; j\u00e1 havia notado, anos antes do Brasil, uma forte presen\u00e7a de militares da reserva na forma\u00e7\u00e3o do governo, como tamb\u00e9m ocorre com Bolsonaro, capit\u00e3o reformado do ex\u00e9rcito, com seu vice-presidente general, oito ministros de Estado e centenas de militares de diferentes patentes em cargos menores (Althoff, 2019:304-6; Pereira, 2020). Bolsonaro concorreu contra Marina Silva e Cabo Daciolo, ambos evang\u00e9licos, no primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es. Morales tamb\u00e9m concorreu em 2015 com evang\u00e9licos: Lu\u00eds Fernando P\u00e9rez, Mario Estrada e a filha do ditador Efra\u00edn R\u00edos Montt, Zury Mayte R\u00edos Sosa (Althoff, 2019: 307). Assim como no Brasil, o voto evang\u00e9lico na Guatemala n\u00e3o diferiu da tend\u00eancia geral da popula\u00e7\u00e3o. Embora a minoria evang\u00e9lica tenha se alinhado maci\u00e7amente com Morales e Bolsonaro, ela n\u00e3o poderia t\u00ea-los eleito sozinha (Althoff, 2019: 309; Cunha, 2017; Dary, 2019; Fonseca, 2018). Essa tend\u00eancia est\u00e1 se espalhando na regi\u00e3o: Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, M\u00e9xico, Nicar\u00e1gua e Peru t\u00eam sido palco de express\u00f5es semelhantes de protagonismo pol\u00edtico evang\u00e9lico (Kourliandsky, 2019; Am\u00e9rica Noticias, 2019; Ortega G\u00f3mez, 2019). <em>et al<\/em>2019; Lissardy, 2018; Mariano e Gerardi, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, esses eventos p\u00fablicos est\u00e3o longe de expressar plenamente o impacto da a\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica. Por um lado, a emerg\u00eancia pol\u00edtica tem sido acompanhada de uma not\u00e1vel ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os ao alcance da vida cotidiana, sobretudo nas comunidades mais pobres e perif\u00e9ricas, e de uma acirrada disputa pela hegemonia cultural (shows, passeatas, oferta de cursos, m\u00eddia e redes sociais, ensino universit\u00e1rio) (Machado, 2018a; Gooren, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, os evang\u00e9licos se tornaram um movimento social cada vez mais atraente para setores mais amplos do conservadorismo social e pol\u00edtico, religioso ou secular. Isso ocorreu paralelamente aos avan\u00e7os em uma estrat\u00e9gia escolhida de constru\u00e7\u00e3o de autorrepresenta\u00e7\u00e3o, em refor\u00e7o m\u00fatuo. Um dos efeitos foi, em total desacordo com a hist\u00f3ria das igrejas protestantes no Brasil e em outros pa\u00edses, o uso intensivo de templos e cultos para promover mobiliza\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios tipos, inclusive pol\u00edtico-eleitorais (apoio expl\u00edcito a \"candidatos evang\u00e9licos\" por meio dos \"conselhos pol\u00edticos\" de denomina\u00e7\u00f5es pentecostais e neopentecostais).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, seria precipitado, mesmo agora, inflar esse poder de fogo, como se fosse um<em> rolo compressor <\/em>fundamentalistas destruindo as liberdades e recriando uma \"era das trevas\". Os evang\u00e9licos s\u00e3o um <em>forma\u00e7\u00e3o discursiva<\/em> do campo protestante conservador, principalmente pentecostal, constru\u00eddo ao longo de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas com n\u00edveis variados de sucesso. Se o n\u00famero de evang\u00e9licos varia muito na Am\u00e9rica Latina, de 9% da popula\u00e7\u00e3o no M\u00e9xico a 41% na Guatemala e em Honduras, e o Brasil est\u00e1 no meio do caminho, com 26% (Bell, Sahgal e Cooperman, 2014), essa articula\u00e7\u00e3o se origina de um setor altamente profissionalizado e ativista, uma elite.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da heterogeneidade organizacional desse campo (composto por grandes denomina\u00e7\u00f5es, pequenas denomina\u00e7\u00f5es, igrejas independentes, comunidades individuais, organiza\u00e7\u00f5es para-igrejas, projetos etc.), tamb\u00e9m \u00e9 importante observar que o campo \u00e9 muito heterog\u00eaneo, <em>think tanks,<\/em> etc.), a terminologia usada por censos e pesquisas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o precisa. Ela \u00e9 de natureza agregativa e interpretativa. Se 65% dos evang\u00e9licos s\u00e3o pentecostais em toda a regi\u00e3o, isso n\u00e3o caracteriza uma unidade de lideran\u00e7a, identidade ou a\u00e7\u00e3o. Embora seja fato que nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas a visibilidade e o poder da mobiliza\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica tenham alcan\u00e7ado espa\u00e7os de ponta na vida cultural e pol\u00edtica, a agenda aparentemente comum dessas interven\u00e7\u00f5es \u00e9 contestada, implementada em diferentes propor\u00e7\u00f5es e com diferentes graus de sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, \u00e9 hora de come\u00e7ar a reunir a mir\u00edade de pesquisas e esfor\u00e7os para interpretar esses fen\u00f4menos como um todo, na tentativa de produzir uma teoriza\u00e7\u00e3o de sua trajet\u00f3ria e consolida\u00e7\u00e3o, mas sem perder de vista sua pluralidade e contestabilidade. N\u00e3o pretendo oferecer uma macroteoria, mas sim protocolos de an\u00e1lise que combinem um olhar sobre os dados que se inter-relacionam e os relacionam a uma multiplicidade de contextos. Esse \u00e9 um desafio para as ci\u00eancias sociais da religi\u00e3o latino-americana, muito pr\u00f3ximas de um empirismo localista e resistentes \u00e0 constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa perspectiva dupla, que pretendo ensaiar aqui, nos permite ver o surgimento do evangelicalismo como uma constru\u00e7\u00e3o de <em>a<\/em> <em>nova subjetividade pol\u00edtica<\/em> (Howarth, 2006; Glynos e Stavrakakis, 2008), ou seja, na constru\u00e7\u00e3o de um novo povo. Ou mesmo na rehegemoniza\u00e7\u00e3o do povo; n\u00e3o em sua origem, mas em seu destino. Primeiro, por meio da demanda por <em>para ser uma parte leg\u00edtima do povo da na\u00e7\u00e3o<\/em> (aqui o anticatolicismo e a reivindica\u00e7\u00e3o do l\u00e9xico dos direitos de cidadania s\u00e3o os principais movimentos). Depois, especialmente nos \u00faltimos cinco ou seis anos (este texto foi escrito no in\u00edcio de 2020), ao se assumir como um sujeito pol\u00edtico constitu\u00eddo, com a inten\u00e7\u00e3o de <em>redefinindo o povo-na\u00e7\u00e3o<\/em> <em>como um povo evang\u00e9lico<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sugestivamente, como P\u00e9rez Guadalupe afirmou recentemente ao comentar sobre o livro <em>Plano de pot\u00eancia<\/em>por Edir Macedo, l\u00edder da Igreja Universal do Reino de Deus (<span class=\"small-caps\">iurd<\/span>),<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Certamente n\u00e3o se tratava de um plano de governo ou algo semelhante, mas de uma releitura b\u00edblica de um suposto \"projeto pol\u00edtico de na\u00e7\u00e3o\" (a chamada \"na\u00e7\u00e3o crist\u00e3\") que Deus projetou para \"seu povo\" (antes Israel, agora o povo crist\u00e3o) e que deveria culminar na tomada do poder pelos \"crist\u00e3os evang\u00e9licos\" (P\u00e9rez Guadalupe, 2019: 14).<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Macedo, nesse livro, parece indicar uma continuidade entre a ativa\u00e7\u00e3o de uma identidade pol\u00edtica evang\u00e9lica - para al\u00e9m das barreiras hist\u00f3ricas, doutrin\u00e1rias e ideol\u00f3gicas que separariam os agentes dessa identidade - e sua tradu\u00e7\u00e3o em um projeto nacional: \"Nessa causa, as quest\u00f5es ideol\u00f3gicas e doutrin\u00e1rias das denomina\u00e7\u00f5es devem ser deixadas de lado; caso contr\u00e1rio, deixaremos de cumprir algo que \u00e9 comum a todos n\u00f3s, crist\u00e3os: executar o grande projeto de na\u00e7\u00e3o idealizado e buscado por Deus\" (Macedo, 2008, <em>apud<\/em> P\u00e9rez Guadalupe, 2019: 87).<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Rodrigues, ex-bispo da <span class=\"small-caps\">iurd<\/span> e grande articulador do modelo de pol\u00edtica (neo) pentecostal, faz a seguinte declara\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">O Senhor Jesus disse para dar a C\u00e9sar o que pertence a C\u00e9sar, mas a Deus o que pertence a Deus. \u00c9 bom saber que o lugar de C\u00e9sar pertence a Deus. Os primeiros crist\u00e3os anunciaram isso dizendo que \"somente Jesus \u00e9 o Senhor\". O <span class=\"small-caps\">iurd<\/span> A Igreja de Deus, em seu pa\u00eds, exibe com alegria em todos os seus templos a inscri\u00e7\u00e3o \"Jesus Cristo \u00e9 o Senhor\", proclamando ao mundo inteiro em quem deposita sua confian\u00e7a. \u00c9 hora de pensar nas elei\u00e7\u00f5es, o povo de Deus deve demonstrar que realmente deve estar no comando (<em>Apud<\/em> Santos, 2009: 15).<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, acredito que \u00e9 poss\u00edvel analisar essa dupla din\u00e2mica \u00e0 luz da problem\u00e1tica do populismo, conforme entendida por Laclau (2014; 2005), apesar de ser objeto de crescente produ\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o cr\u00edtica internacional, particularmente na \u00faltima d\u00e9cada. Proponho complementar essa abordagem caracterizando esse surgimento como um processo de <em>minoriza\u00e7\u00e3o<\/em> (Burity, 2017; Connolly, 2011). Se, por um lado, essa emerg\u00eancia come\u00e7a com a afirma\u00e7\u00e3o coletiva de um novo ator, por outro lado, ela deve ser entendida n\u00e3o como uma mera apar\u00eancia, mas como um evento que desloca o <em>status quo <\/em>dando visibilidade a novos atores, novas demandas e novas formas de configurar o poder e o v\u00ednculo social. Em torno dessas duas refer\u00eancias b\u00e1sicas, proponho uma gram\u00e1tica interpretativa para o fen\u00f4meno. Suspeito que ela n\u00e3o se restrinja ao caso brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7arei, portanto, com uma aprecia\u00e7\u00e3o geral desse surgimento como eventos, iniciando um di\u00e1logo com a teoria do populismo como forma pol\u00edtica, conforme proposto por Laclau e outros autores recentes, com diferentes consequ\u00eancias anal\u00edticas e com a categoria de minoriza\u00e7\u00e3o. Nas duas \u00faltimas se\u00e7\u00f5es, desenvolverei cada aspecto da proposta: uma luta por reconhecimento com um objetivo inclusivo (evang\u00e9licos como um povo nacional) e uma disputa hegem\u00f4nica sobre o povo nacional para defini-lo como \"evang\u00e9lico\".<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O momento populista evang\u00e9lico: do que se trata?<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">A mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos evang\u00e9licos conservadores refor\u00e7ou interpreta\u00e7\u00f5es deterministas e negativas, sejam elas associadas a esse grupo ou \u00e0 religi\u00e3o em geral. Os evang\u00e9licos s\u00e3o genericamente definidos como conservadores, reacion\u00e1rios, autorit\u00e1rios, fundamentalistas e assim por diante. Eles s\u00e3o vistos como obtusos, oportunistas ou amea\u00e7adores; como \u00edndices de uma doen\u00e7a da democracia, talvez anunciando uma revers\u00e3o autorit\u00e1ria (por meio de uma alian\u00e7a \"fundamentalista-fascista\": os termos s\u00e3o usados de forma vaga, para fins pol\u00eamicos, como se fossem descritivos).<\/p>\n\n\n\n<p>A novidade dos \u00faltimos anos foi o surgimento de um modelo de politiza\u00e7\u00e3o que parece realizar, em muitos pa\u00edses latino-americanos, um apelo geral ao povo, seja para a constru\u00e7\u00e3o de uma auto-representa\u00e7\u00e3o legislativa e de blocos parlamentares, seja para a coniv\u00eancia com meios autorit\u00e1rios ou golpistas de exercer o poder executivo, seja para uma alian\u00e7a inc\u00f4moda entre o neoliberalismo radical e o moralismo de base religiosa. Mas do que se trata essa trajet\u00f3ria de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas? Quem s\u00e3o esses atores? Ser\u00e1 que estamos voltando, neste momento, \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es mais c\u00e9ticas do passado que viam uma amea\u00e7a em qualquer rela\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o e pol\u00edtica?<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo, cujo resultado aparente nos alarma e nos deixa perplexos, nunca foi governado por um <em>telos<\/em>. Os movimentos mais recentes n\u00e3o coincidem exatamente com as expectativas ou previs\u00f5es de todos os atores envolvidos (considerando a origem do processo no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980 <a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a>), para o bem ou para o mal. N\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria de uma conspira\u00e7\u00e3o premeditada. Seu resultado (se \u00e9 que isso j\u00e1 aconteceu, o que \u00e9 uma suposi\u00e7\u00e3o infundada de muitos int\u00e9rpretes) n\u00e3o foi anunciado na origem, ou seja, na pr\u00f3pria identidade ou nos \"interesses\" predefinidos dos atores. N\u00e3o houve lideran\u00e7a de um \u00fanico lugar ou uma converg\u00eancia est\u00e1vel entre eles. A voz triunfante dos atores atuais parece tecer uma narrativa linear e homog\u00eanea de como eles chegaram at\u00e9 aqui. Mas n\u00e3o podemos usar essa suposi\u00e7\u00e3o como ponto de partida.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio considerar esse processo de politiza\u00e7\u00e3o como uma rede de iniciativas, projetos e rea\u00e7\u00f5es de indiv\u00edduos, grupos e institui\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas, tend\u00eancias macrossociais e conting\u00eancias da pol\u00edtica nacional, que se sobrep\u00f5em, se confrontam e se articulam, mas nunca tomam forma em um \u00fanico discurso ou projeto e nunca s\u00e3o definidos pelos evang\u00e9licos isoladamente. O julgamento sobre os conte\u00fados concretos desse processo, em diferentes circunst\u00e2ncias, deve ao menos considerar sua abertura e conting\u00eancia (mudan\u00e7as de atores-l\u00edderes, mudan\u00e7as na rota, incid\u00eancia de oponentes e aliados na identidade e na agenda dos sujeitos constitu\u00eddos, fracassos, sucessos inesperados, incertezas sobre o futuro, impossibilidade crescente de permanecer refrat\u00e1rio aos fluxos e rea\u00e7\u00f5es, articula\u00e7\u00f5es transnacionais recentes que mudam a agenda da politiza\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica latino-americana).<\/p>\n\n\n\n<p>Os evang\u00e9licos foram cada vez mais arrastados para fora do (auto) isolamento devido \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o do processo de abertura pol\u00edtica e a uma persistente crise econ\u00f4mica (d\u00e9cadas de 1980 e 1990) que atingiu duramente os setores populares, mas tamb\u00e9m abriu novas perspectivas de organiza\u00e7\u00e3o coletiva, conquista de direitos e amplia\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o (no fim dos autoritarismos). Tamb\u00e9m contabilizou a intensifica\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica global\/local desde os anos 1990 em termos culturais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos (Freston, 1993: 149-221; Burity, 2017; Mallimaci, 2015; Parker, 2016; Carbonelli e Jones, 2015; Barrera Rivera e P\u00e9rez, 2013; Oro, 2005; Pierucci, 1989).<\/p>\n\n\n\n<p>Os evang\u00e9licos emergem de um profundo processo de pluraliza\u00e7\u00e3o social e cultural que mudou a face das sociedades latino-americanas. Sua atual configura\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria \u00e9 mais o resultado de disputas dentro dessa ordem pluralizada do que do desenvolvimento de um plano. Como resultado dessa mesma pluraliza\u00e7\u00e3o e da expans\u00e3o de vozes, demandas e agendas que ela gerou nas sociedades latino-americanas que emergiram de experi\u00eancias ditatoriais ou autorit\u00e1rias, a politiza\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica logo se dividiu entre compartilhar ou reformular os espa\u00e7os p\u00fablicos e as estruturas legais constru\u00eddas para reconhecer e acomodar as vozes subalternas reveladas pela pluraliza\u00e7\u00e3o (ou seja, a minoria). E foi necess\u00e1rio derrotar segmentos moderados (\"progressistas\") do campo protestante, hist\u00f3rico e pentecostal para que surgisse a face francamente reacion\u00e1ria de uma poderosa elite parlamentar e pastoral. Essa \u00e9 uma hist\u00f3ria com dois cap\u00edtulos principais: a neutraliza\u00e7\u00e3o do evangelicalismo no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 e o <em>Tea-Partyisation<\/em> da lideran\u00e7a pentecostal na \u00faltima d\u00e9cada, <a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a>  para formar uma nova \"m\u00e1quina de resson\u00e2ncia evang\u00e9lica-capitalista\", como Connolly (2008) a chamou para os Estados Unidos. <a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha sugest\u00e3o, em uma tentativa de entender esses desenvolvimentos recentes, \u00e9 come\u00e7ar com a autopercep\u00e7\u00e3o de um <em>inconsist\u00eancia<\/em> entre o crescimento demogr\u00e1fico dos evang\u00e9licos (especialmente os pentecostais) e sua presen\u00e7a p\u00fablica desde o final da d\u00e9cada de 1970. Essa leitura <em>coincidiu com a abertura pol\u00edtica<\/em> do per\u00edodo, com a relativa normaliza\u00e7\u00e3o do jogo partid\u00e1rio (ou multipartid\u00e1rio) e eleitoral. Esse foi o tema de negocia\u00e7\u00f5es e articula\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. Houve uma resist\u00eancia maci\u00e7a da igreja \u00e0 participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que durou at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1990, que foi evitada por meio de iniciativas inicialmente modestas e de pouca visibilidade p\u00fablica (Santos, 2009: 14-63, especialmente 48-51).<\/p>\n\n\n\n<p>O esfor\u00e7o para construir uma voz pr\u00f3pria por meio de uma estrat\u00e9gia de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica diferenciada internamente e politicamente assim\u00e9trica continuou a afirmar o crescimento num\u00e9rico dos pentecostais, tanto interna quanto externamente. Somado a isso, havia uma disputa com o quase monop\u00f3lio de representa\u00e7\u00e3o dos protestantes hist\u00f3ricos. <a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a>. Essa emerg\u00eancia evang\u00e9lica contrastou com a politiza\u00e7\u00e3o dos anos 1950 e in\u00edcio dos anos 1960, que foi marcada por um forte engajamento em movimentos sociais urbanos e rurais, um di\u00e1logo com a esquerda marxista, um encontro de experi\u00eancias ecum\u00eanicas locais de d\u00e9cadas anteriores com o ecumenismo global recentemente institu\u00eddo (Conselho Mundial de Igrejas e o movimento Igreja e Sociedade na Am\u00e9rica Latina) e acompanhado por um debate teol\u00f3gico efervescente (Burity, 2011; Basti\u00e1n, 2013; Longuini Neto, 2002).<\/p>\n\n\n\n<p>A nova politiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 ancorada em um novo tema religioso, tem uma linguagem e uma agenda diferentes e \u00e9 fortemente voluntarista e pragm\u00e1tica. De fato, outro protestantismo surgiu no in\u00edcio dos anos 1980, depois de d\u00e9cadas \u00e0 margem da vida p\u00fablica, mas bastante integrado \u00e0 vida popular rural e urbana cotidiana. Diferentemente da leitura bastante bin\u00e1ria proposta por int\u00e9rpretes como Basti\u00e1n e atores ligados ao campo ecum\u00eanico, em parte assumida recentemente por P\u00e9rez Guadalupe em sua leitura panor\u00e2mica da experi\u00eancia evang\u00e9lica na pol\u00edtica latino-americana (Basti\u00e1n, 1993; P\u00e9rez Guadalupe, 2019: 31-33), a disputa se deu em diferentes frentes, que se cruzaram de forma imprevis\u00edvel e contingente. Teologicamente, al\u00e9m dos ecum\u00eanicos e fundamentalistas, os evang\u00e9licos (\"miss\u00e3o integral\") surgiram com alguma for\u00e7a na d\u00e9cada de 1980. Ideologicamente, os debates sobre socialismo, democracia, pluralismo democr\u00e1tico e o impacto da pol\u00edtica de identidade continuaram a permear o campo. Politicamente, destacam-se o confronto com o anticomunismo, o anticatolicismo, as lutas pela terra, a justi\u00e7a de g\u00eanero e a afirma\u00e7\u00e3o da diversidade sexual, o acesso \u00e0s pol\u00edticas sociais, a rea\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas de patrim\u00f4nio cultural e a igualdade racial (supostamente privilegiando a Igreja Cat\u00f3lica e as religi\u00f5es afro-brasileiras).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma linha cont\u00ednua de conservadorismo em todas essas dire\u00e7\u00f5es. Houve varia\u00e7\u00f5es e flutua\u00e7\u00f5es durante todo o per\u00edodo. Houve rea\u00e7\u00f5es e derrotas. O presente \u00e9 o produto de uma ag\u00eancia deliberada que n\u00e3o remonta a mais de dez anos, pelo menos no caso brasileiro. O anticomunismo e o anticatolicismo, que marcaram a chegada dos pentecostais \u00e0 pol\u00edtica na primeira d\u00e9cada e os levaram a apoiar a candidatura do populista de direita Fernando Collor de Melo, n\u00e3o os impediram de se aproximar do centro pol\u00edtico (Fernando Henrique Cardoso) e de apoiar de forma sustent\u00e1vel a esquerda democr\u00e1tica (Lu\u00eds In\u00e1cio <em>Lula <\/em>da Silva e Dilma Rousseff). Nunca se tratou de apoio incondicional. As estrat\u00e9gias envolviam candidaturas de diferentes partidos. Os \"assembleianos\" (membros das Assembleias de Deus) tenderam a convergir apenas para a esquerda depois de se aliarem aos candidatos de centro e de direita no primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es desde 2002. Os neopentecostais, liderados pelo <span class=\"small-caps\">iurd<\/span>selou uma alian\u00e7a com o Partido dos Trabalhadores (<span class=\"small-caps\">pt<\/span> ) em 2002, que s\u00f3 foi quebrado em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da aquisi\u00e7\u00e3o do j\u00e1 existente Partido Social Crist\u00e3o (<span class=\"small-caps\">psc<\/span>) pela Assembleia de Deus, e a cria\u00e7\u00e3o do Partido Republicano Brasileiro (<span class=\"small-caps\">prb<\/span>) pelo <span class=\"small-caps\">iurd<\/span>No caso dos pentecostais, eles nunca conseguiram unificar sua milit\u00e2ncia (Valle, 2018; Lacerda, 2017). Tampouco obtiveram sucesso eleitoral na maioria de suas candidaturas. Cada vez mais, desenvolveram estrat\u00e9gias interconfessionais e at\u00e9 inter-religiosas para aprovar pautas favor\u00e1veis aos seus interesses (P\u00e9rez Guadalupe, 2019: 13). Nesse sentido, a experi\u00eancia de v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos na cria\u00e7\u00e3o de partidos evang\u00e9licos nunca alcan\u00e7ou de fato o Brasil (Wynarczyk, Tadvald e Meirelles, 2016; Wynarczyk, 2006; Freston, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>A candidatura do Pastor Everaldo (Assembl\u00e9ias de Deus) para a <span class=\"small-caps\">psc<\/span> para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 2014 marcou uma derrota devastadora para os grupos que alimentavam, nas Assembleias de Deus, a ilus\u00e3o de eleger um presidente pentecostal (Gon\u00e7alves, 2015). Mas, do ponto de vista simb\u00f3lico, trouxe \u00e0 tona a primeira articula\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de um discurso neoconservador, no sentido da pol\u00edtica estadunidense p\u00f3s-Reagan e p\u00f3s-Bush (Connolly, 2008; 2017), articula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 envolvia uma aproxima\u00e7\u00e3o com Bolsonaro (Portinari, 2018). Em clara diverg\u00eancia com os rumos da pol\u00edtica de alian\u00e7as at\u00e9 ent\u00e3o, Everaldo Dias apresentou-se com uma proposta radicalmente neoconservadora em termos econ\u00f4micos, sociais e culturais. Essa articula\u00e7\u00e3o, ainda improvisada e inconsistente, progrediu at\u00e9 se tornar a posi\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da Frente Parlamentar Evang\u00e9lico \u00e0s v\u00e9speras do segundo turno das elei\u00e7\u00f5es de 2018 (Frente Parlamentar Evang\u00e9lica, 2018; Almeida, 2017; Burity, 2018a).<\/p>\n\n\n\n<p>A derrota eleitoral das principais for\u00e7as pol\u00edtico-partid\u00e1rias do pa\u00eds nas elei\u00e7\u00f5es que se seguiram \u00e0 destitui\u00e7\u00e3o da Presidente Dilma Rousseff em maio de 2016 deixou o campo aberto para movimentos minorit\u00e1rios de natureza diferente. O sentimento visceral instalado contra o governo de Dilma Rousseff foi o que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o.<span class=\"small-caps\">pt<\/span> A esquerda como um todo, tornando plaus\u00edvel a articula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que buscavam conciliar interesses neoliberais e padr\u00f5es morais conservadores. Abriram-se espa\u00e7os para uma tentativa de protagonismo por parte da direita evang\u00e9lica que, embora tenha colhido menos frutos do que almejava, proporcionou-lhe grande visibilidade e voz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o golpe do impeachment de 2016, os parlamentares foram transformados em ministros ou gerentes seniores, profissionais que assumiram a lideran\u00e7a de importantes \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, pastores sob os holofotes do poder (Pacheco, 2017; Ag\u00eancia Brasil, 2016; G1 Pol\u00edtica, 2016). Houve um desmonte de programas e pol\u00edticas e uma intensa agenda de reformas legais e constitucionais que aceleraram a tomada de poder pela direita. Tudo em nome de uma ret\u00f3rica religiosa de \"religa\u00e7\u00e3o\" da sociedade brasileira, como expressou Michel Temer ao assumir a presid\u00eancia (<span class=\"small-caps\">uol,<\/span> 2016; Ruffato, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Tal mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de pastores e parlamentares configurou um momento sem precedentes para a ascens\u00e3o dos evang\u00e9licos conservadores na pol\u00edtica brasileira: a prerrogativa de formular e executar pol\u00edticas p\u00fablicas nacionais e locais e de propor mudan\u00e7as legislativas, em outro n\u00edvel de autoridade pol\u00edtica; mais do que isso, uma tentativa deliberada de influenciar o debate p\u00fablico. Esse momento implica, portanto, a necessidade de a pol\u00edtica evang\u00e9lica ultrapassar os limites de uma f\u00e9 minorit\u00e1ria e se apresentar como detentora ou garantidora de uma restaura\u00e7\u00e3o de uma sociedade simultaneamente amea\u00e7ada por uma crise financeira, uma crise pol\u00edtica e uma crise moral. Em suma, os evang\u00e9licos se apresentam como mediadores de tais \"religa\u00e7\u00f5es\" sociais, morais e pol\u00edticas, unificando uma sociedade de cuja polariza\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o eles t\u00eam sido e continuar\u00e3o sendo os arquitetos not\u00e1veis!<\/p>\n\n\n\n<p>A campanha e a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 2018, apesar do alarme com que foi recebida, consagrou essa imagem de \"religa\u00e7\u00e3o\" em sentido ir\u00f4nico: ele ampliou a desconex\u00e3o com a hierarquia cat\u00f3lica e se ligou organicamente (\u00e0s vezes de forma claramente instrumental) ao campo religioso conservador, especialmente \u00e0 direita evang\u00e9lica, al\u00e9m de promover o retorno dos militares ao centro da pol\u00edtica (Pereira, 2020) e se \"converter\" dogmaticamente ao ultraliberalismo. Ao assumir o cargo no in\u00edcio de 2019, Bolsonaro convidou cinco evang\u00e9licos para seus minist\u00e9rios. Os evang\u00e9licos ocuparam muitos outros cargos na estrutura do governo. No entanto, a \"religa\u00e7\u00e3o\" bolsonarista n\u00e3o unificou os religiosos em geral, mas instituiu uma ret\u00f3rica agressiva e um incitamento \u00e0 divis\u00e3o social em todos os n\u00edveis, de acordo com a imagem da \"guerra cultural\" (Finguerut e Souza, 2018). Os efeitos destrutivos das mudan\u00e7as feitas no primeiro ano e a in\u00e9pcia do governo para reverter a situa\u00e7\u00e3o de recess\u00e3o e desemprego levaram muitos evang\u00e9licos de base a rever seu apoio \u00e0 coaliz\u00e3o (Fachin e Vital da Cunha, 2019; Fachin e Cunha, 2019).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Religi\u00e3o, o povo e as metamorfoses da democracia: entendendo os debates recentes sobre populismo<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">O surgimento de uma nova subjetividade pol\u00edtica \u00e9 um processo que de forma alguma termina em um <em>autopoiese<\/em>A exist\u00eancia de grupos, identidades, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos n\u00e3o os caracteriza automaticamente como agentes aut\u00f4nomos com um projeto previamente elaborado. A exist\u00eancia de grupos, identidades, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos n\u00e3o os caracteriza automaticamente como agentes aut\u00f4nomos com um projeto previamente elaborado. Embora sociodemograficamente exista h\u00e1 quase dois s\u00e9culos, a popula\u00e7\u00e3o protestante no continente latino-americano n\u00e3o teve uma trajet\u00f3ria cont\u00ednua, ascendente, social e politicamente ativa, nem se apresentou nas \u00faltimas d\u00e9cadas em pura continuidade com as express\u00f5es do passado. Houve um processo nunca alcan\u00e7ado na escala atual de estabelecimento de uma ag\u00eancia autoafirmativa, de emerg\u00eancia de uma minoria que hoje se apresenta como uma das principais for\u00e7as pol\u00edticas da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse surgimento correspondeu \u00e0 ativa\u00e7\u00e3o de outras identidades evang\u00e9licas, profundamente transformadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s gera\u00e7\u00f5es anteriores, mas, crucialmente, tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a outros atores, religiosos e n\u00e3o religiosos, e \u00e0s tend\u00eancias sociais. Anteriormente, n\u00e3o havia identidade de uma experi\u00eancia de antagonismo (amea\u00e7a, instabilidade, agress\u00e3o, medo, incerteza radical) ou de deslocamento (eventos imprevistos, a\u00e7\u00e3o de for\u00e7as macrossociais, incoer\u00eancia entre a autopercep\u00e7\u00e3o e a realidade). Toda identidade \u00e9 dividida.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 suficiente apontar a multiplicidade evang\u00e9lica. \u00c9 necess\u00e1rio admitir que n\u00e3o h\u00e1 um centro irradiador, seja de significado ou dire\u00e7\u00e3o, do que significa ser evang\u00e9lico. Temos uma l\u00f3gica (derridiana) de n\u00e3o totaliza\u00e7\u00e3o. Diversidade\" n\u00e3o \u00e9 tanto uma riqueza inesgot\u00e1vel ou irredut\u00edvel de posi\u00e7\u00f5es quanto a impossibilidade de fixar um centro normativo, irradiando os atributos de uma identidade comum. Existe um centro, mas ele est\u00e1 sujeito a <em>jogo<\/em>Ou seja, se ela desaparece em rela\u00e7\u00e3o a um exterior constitutivo, ela \u00e9 resistida a partir das margens e lacunas que n\u00e3o pode controlar, \u00e9 contestada por dentro e por fora. A posi\u00e7\u00e3o\/identidade\/cen\u00e1rio evang\u00e9lico \u00e9 intoc\u00e1vel e contingente (Derrida, 1995: 229-234; Burity, 2015a).<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de ativa\u00e7\u00e3o de uma identidade coletiva constitui o que chamei de subjetividade pol\u00edtica. De acordo com Glynos e Howarth, em vez de priorizar estruturas sociais totalizadas e deterministas, por um lado, ou sujeitos totalmente constitu\u00eddos, por outro, come\u00e7amos aceitando que os agentes sociais s\u00e3o sempre \"lan\u00e7ados\" em um sistema de pr\u00e1ticas significativas, uma imers\u00e3o que molda sua identidade e estrutura suas pr\u00e1ticas. Entretanto, tamb\u00e9m acrescentamos a cl\u00e1usula cr\u00edtica de que essas estruturas s\u00e3o ontologicamente incompletas. De fato, \u00e9 no \"espa\u00e7o\" ou na \"lacuna\" das estruturas sociais, onde elas se tornam vis\u00edveis em momentos de crise e deslocamento, que um sujeito pol\u00edtico pode emergir por meio de \"atos de identifica\u00e7\u00e3o\" espec\u00edficos. Al\u00e9m disso, como essas identifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o entendidas como ocorrendo em uma s\u00e9rie de ideologias ou discursos poss\u00edveis, alguns dos quais s\u00e3o exclu\u00eddos ou reprimidos, e como esses s\u00e3o sempre incompletos, qualquer forma de identifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 fadada a n\u00e3o cumprir sua promessa (Glynos e Howarth, 2007: 79; v. tb. 127-132; Mouffe, 2013: 5).<\/p>\n\n\n\n<p>A identidade evang\u00e9lica, portanto, n\u00e3o \u00e9 definida pela mera multiplicidade de grupos, comunidades e posi\u00e7\u00f5es. Ela \u00e9 internamente dividida e aberta. Tamb\u00e9m \u00e9 definida de forma relacional, ou seja, n\u00e3o tem um lugar fixo em alguma topografia social ou um n\u00facleo de identidade r\u00edgido e imut\u00e1vel. Nesse sentido, os evang\u00e9licos n\u00e3o \"entraram na pol\u00edtica\" porque lhes faltava algo ou porque tinham um projeto pronto para realizar. Eles entraram porque algo amea\u00e7ava sua integridade e \"raison d'\u00eatre\". E foram convencidos a entrar com argumentos que relacionavam um cen\u00e1rio de amea\u00e7a com um desafio \u00e0 a\u00e7\u00e3o obediente e respons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha hip\u00f3tese \u00e9 que essa constru\u00e7\u00e3o da identidade pentecostal como a identidade <em>geral<\/em> O fato de os protestantes brasileiros - \"os evang\u00e9licos\", \"o povo evang\u00e9lico\" - serem um efeito agon\u00edstico de uma situa\u00e7\u00e3o de ativa\u00e7\u00e3o de uma nova subjetividade pol\u00edtica (a partir dos anos 1980), um novo \"povo brasileiro\" p\u00f3s-ditadura. A dissemina\u00e7\u00e3o do discurso da guerra espiritual, a dif\u00edcil rela\u00e7\u00e3o com a esquerda, a intransig\u00eancia dogm\u00e1tica, o proselitismo irrefre\u00e1vel s\u00e3o indicativos dessa caracter\u00edstica agon\u00edstica no dom\u00ednio das pr\u00e1ticas religiosas pentecostais (Machado, 2015; Machado, 2018b; Mariz, 1999). A defini\u00e7\u00e3o da crise de valores, a amea\u00e7a da domina\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica ou a legitima\u00e7\u00e3o das religi\u00f5es afro-brasileiras, o enfrentamento da corrup\u00e7\u00e3o e do comunismo ateu, o reconhecimento dos evang\u00e9licos como cidad\u00e3os de pleno direito s\u00e3o elabora\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito de uma nova forma\u00e7\u00e3o discursiva dos evang\u00e9licos na pol\u00edtica. Elas correspondem \u00e0s demandas do coletivo evang\u00e9lico a partir de 1986.<\/p>\n\n\n\n<p>A constitui\u00e7\u00e3o de uma identidade coletiva, de uma subjetividade pol\u00edtica, pode ser vista como a constru\u00e7\u00e3o de <em>um povo.<\/em> Laclau afirma no t\u00edtulo de uma de suas obras que \"construir um povo \u00e9 a principal tarefa da pol\u00edtica radical\" (Laclau, 2014). O que define a unidade de um sujeito coletivo n\u00e3o \u00e9 sua posi\u00e7\u00e3o social ou seus atributos fixos compartilhados, mas a articula\u00e7\u00e3o de demandas (Laclau, 2005: 9 e 97-99). Essas demandas n\u00e3o se originam em um \u00fanico lugar de enuncia\u00e7\u00e3o, nem s\u00e3o iguais umas \u00e0s outras, mas s\u00e3o articuladas na medida em que s\u00e3o \"reconhecidas\" como solid\u00e1rias umas com as outras, ou equivalentes, porque est\u00e3o todas insatisfeitas e porque podem atribuir a fonte dessa insatisfa\u00e7\u00e3o a uma ordem existente, a um governo no poder ou a uma for\u00e7a externa superior. De acordo com Laclau, como o que unifica essas demandas \u00e9 muito mais <em>um nome<\/em> (uma demanda que se eleva \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de representante geral dos outros), \"a necessidade de uma base social que una os elementos heterog\u00eaneos... d\u00e1 centralidade \u00e0 <em>afeto<\/em> na constitui\u00e7\u00e3o social. Freud j\u00e1 havia entendido isso claramente: o v\u00ednculo social \u00e9 um v\u00ednculo libidinal\" (Laclau, 2005: 10).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse sujeito \u00e9 chamado de \"povo\" n\u00e3o porque coincide com os limites da na\u00e7\u00e3o (sociedade) ou do Estado (cidadania), mas porque \u00e9 definido como o conjunto dos \"de baixo\", os exclu\u00eddos, a parte do povo sem parte (Ranci\u00e8re, 1996), em confronto com um poder institu\u00eddo ou uma for\u00e7a antag\u00f4nica externa. De acordo com Laclau, \u00e9 somente quando esses exclu\u00eddos afirmam representar toda a ordem comunal que eles passam da condi\u00e7\u00e3o de <em>plebeus<\/em> a <em>populus<\/em>o povo do populismo. Ranci\u00e8re diz praticamente o mesmo (Ranci\u00e8re, 1996: 22-23).<\/p>\n\n\n\n<p>O populismo n\u00e3o \u00e9 uma ideologia, um movimento ou qualquer coisa com conte\u00fado especificamente defin\u00edvel (como na maior parte da hist\u00f3ria do conceito). O populismo \u00e9 um <em>l\u00f3gica pol\u00edtica<\/em>O povo, argumenta Ranci\u00e8re, \u00e9 uma l\u00f3gica de constru\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo social baseada na demarca\u00e7\u00e3o de uma fronteira que dicotomiza o social entre os que est\u00e3o na base e os que est\u00e3o no topo, o povo e a elite\/seus inimigos. O povo, como diz Ranci\u00e8re, \u00e9 uma parte que, tendo apenas o que os outros t\u00eam - liberdade - e, portanto, n\u00e3o tendo parte pr\u00f3pria, reivindica um lugar na comunidade em geral (como nos termos \"descamisados\", \"Los 99%\", \"todos somos <span class=\"small-caps\">x<\/span>\"). Como forma, o populismo e seu sujeito, o povo, assumir\u00e3o os mais diferentes conte\u00fados concretos. Em outras palavras, diz Laclau, \"uma determinada demanda, que a princ\u00edpio talvez fosse apenas uma entre muitas, adquire em um determinado momento uma centralidade inesperada e se torna o nome de algo que a excede, de algo que ela n\u00e3o pode controlar por si mesma e que, no entanto, se torna um 'destino' do qual ela n\u00e3o pode escapar\" (Laclau, 2005: 153). <a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo pelo qual uma determinada demanda \u00e9 convertida em uma <em>nome<\/em> (ou s\u00edmbolo) de algo mais abrangente do que ele mesmo, e n\u00e3o por sua pura vontade e iniciativa, corresponde ao processo pelo qual uma parte que \"encontrou seu lugar\" no todo (o que, evidentemente, n\u00e3o aconteceu, definindo-se precisamente porque o excluiu) se torna o nome de uma nova ordem, um novo horizonte a ser alcan\u00e7ado, em meio \u00e0s outras com as quais estava unida. A demanda deixa de ser privada e se torna hegem\u00f4nica (Laclau, 2005: 107). Essa passagem em Laclau n\u00e3o \u00e9 predeterminada nem garantida. Uma demanda pode vir a dar conte\u00fado geral a um novo sujeito pol\u00edtico, ou pode continuar a ser contestada por outra cadeia de equival\u00eancias. S\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es predominantes e o \"gerenciamento\" do antagonismo que definir\u00e3o o poss\u00edvel destino de uma demanda (ou conjunto de demandas).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, por um lado, \"ao conceber o 'povo' do populismo\", diz Laclau, \"precisamos de algo mais: precisamos de um <em>plebeus<\/em> afirmando ser o \u00fanico <em>populus<\/em> leg\u00edtimo\" (Laclau 2005: 108). Por outro lado, algumas dessas demandas\/diferen\u00e7as podem estar (e frequentemente est\u00e3o) ligadas a outras cadeias de equival\u00eancia existentes em um determinado momento na sociedade e ser objeto de disputas sobre sua hegemoniza\u00e7\u00e3o (ou seja, a fixa\u00e7\u00e3o parcial de sua identidade, de seu significado). Eles podem ser \"roubados\", \"atra\u00eddos\", \"neutralizados\" por outros discursos. Outros podem simplesmente n\u00e3o encontrar nenhuma possibilidade de inclus\u00e3o, ser considerados inassimil\u00e1veis, esp\u00farios, perigosos; em uma palavra: heterog\u00eaneos (Laclau, 2005:165-68 e 175-77).<\/p>\n\n\n\n<p>Como a \"religi\u00e3o\" ou identidades religiosas espec\u00edficas podem ser relacionadas \u00e0 l\u00f3gica populista? Primeiro, qualquer uma dessas formas de v\u00ednculo religioso pode articular demandas que s\u00e3o atendidas pela ordem existente \u00e0 qual se dirigem: demandas por isen\u00e7\u00e3o fiscal, por acesso a recursos de leis de incentivo \u00e0 cultura, por recebimento de recursos p\u00fablicos para presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os comunit\u00e1rios, por isen\u00e7\u00e3o do cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o antidiscrimina\u00e7\u00e3o no local de trabalho por motivos religiosos, por doa\u00e7\u00e3o de terrenos p\u00fablicos para a constru\u00e7\u00e3o de templos, por inclus\u00e3o de festividades ou espa\u00e7os religiosos em circuitos tur\u00edsticos promovidos pelo Estado, por atenua\u00e7\u00f5es na caracteriza\u00e7\u00e3o legal da homofobia em espa\u00e7os religiosos, e assim por diante. Pode acontecer de a linguagem religiosa se tornar um recurso ret\u00f3rico dentro do discurso hegem\u00f4nico ou mesmo na articula\u00e7\u00e3o da mensagem de uma lideran\u00e7a populista. Quando isso acontece, ela se torna diferente dentro de um sistema, torna-se simbolicamente inscrita e n\u00e3o oferece mais - como exige a satisfa\u00e7\u00e3o - qualquer potencial para desafiar a ordem.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as demandas religiosas tamb\u00e9m podem enfrentar v\u00e1rias formas de exclus\u00e3o: elas podem ser parcialmente atendidas, ignoradas ou rejeitadas, caso em que ser\u00e3o vistas entre outras demandas em condi\u00e7\u00f5es semelhantes, compondo cadeias de equival\u00eancia com elas. Elas podem ser recebidas com desconfian\u00e7a, desqualificadas como uma amea\u00e7a \u00e0 ordem democr\u00e1tica. Podem ser antagonizadas. Pode acontecer, a partir disso, que essas demandas se vejam como parte de um conjunto de outras n\u00e3o satisfeitas pela ordem institucional, formando com elas uma cadeia de equival\u00eancias. Dependendo das circunst\u00e2ncias, pode ser que uma dessas demandas religiosas (ou um conjunto limitado delas) assuma a fun\u00e7\u00e3o de representar uma dessas cadeias, contestando a ordem atual.<\/p>\n\n\n\n<p>As demandas podem, mais radicalmente, na discuss\u00e3o laclauiana, tornar-se inadmiss\u00edveis, inassimil\u00e1veis, insatisfeitas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 configura\u00e7\u00e3o existente do povo. Isso as define como heterog\u00eaneas em rela\u00e7\u00e3o ao povo, seja em termos gerais - \"religi\u00e3o\", em um discurso hegemonicamente secularista ou antirreligioso - ou em termos particulares, esta ou aquela pr\u00e1tica religiosa fundamentalista ou reacion\u00e1ria, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se posicionar sobre essas formas de rejei\u00e7\u00e3o, os atores religiosos envolvidos podem rejeitar a classifica\u00e7\u00e3o e a localiza\u00e7\u00e3o definidas pela ordem existente. <em>desidentifica\u00e7\u00e3o<\/em>como sugere Ranci\u00e8re. Isso pode se referir \u00e0s ordens institucionais e simb\u00f3licas dominantes ou \u00e0quelas correspondentes ao pr\u00f3prio campo religioso; exemplos s\u00e3o os argumentos de \"eles n\u00e3o nos representam\" ou a acusa\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o ou heresia da ordem religiosa. <em>maioria<\/em> ou ortodoxia religiosa. Essa desidentifica\u00e7\u00e3o \u00e9, de fato, <em>causada<\/em> por deslocamentos (Laclau, 2005) fora do controle desses atores religiosos dissidentes: crises internas, ataques externos ou efeitos subalternizados de pr\u00e1ticas dominantes. De acordo com Ranci\u00e8re, \"toda subjetiva\u00e7\u00e3o \u00e9 uma desidentifica\u00e7\u00e3o, o in\u00edcio da naturaliza\u00e7\u00e3o de um lugar, a abertura de um espa\u00e7o de sujeito onde qualquer um pode ser contado porque \u00e9 o espa\u00e7o de uma pessoa n\u00e3o contada, de uma rela\u00e7\u00e3o entre uma parte e uma parte da aus\u00eancia\" (Ranci\u00e8re, 1996: 53). <a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dos evang\u00e9licos como um povo: o surgimento de uma minoria<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Com base na discuss\u00e3o acima, proponho que a pol\u00edtica evang\u00e9lica latino-americana nas \u00faltimas d\u00e9cadas deve ser vista, em termos laclauianos, como uma constru\u00e7\u00e3o do povo, ampliando o argumento de publica\u00e7\u00f5es anteriores (Burity, 2016; 2017; 2020). Uma constru\u00e7\u00e3o discursiva do povo, no sentido te\u00f3rico dado por Laclau: configura\u00e7\u00e3o de um sistema de diferen\u00e7as\/identidades cujos elementos derivam seu significado das rela\u00e7\u00f5es que mant\u00eam com outros no sistema; um sistema aberto a intera\u00e7\u00f5es com outros sistemas (portanto, n\u00e3o autodeterminado ou autorreferente).<\/p>\n\n\n\n<p>Como afirmei na introdu\u00e7\u00e3o, os \"evang\u00e9licos\" s\u00e3o uma forma\u00e7\u00e3o discursiva do campo protestante conservador, sob a hegemonia pentecostal, constru\u00edda ao longo de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas com graus variados de sucesso. Como forma\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 constitutivamente m\u00faltipla e \u00e9 atravessada por disputas internas e externas. H\u00e1 protestantes hist\u00f3ricos conservadores, ecum\u00eanicos, evang\u00e9licos e pentecostais progressistas e sem igreja que continuam a orbitar o campo, acreditando sem pertencer (Davie, 2015: 78-80). H\u00e1 oponentes de v\u00e1rias naturezas. E h\u00e1 toda uma s\u00e9rie de processos de deslocamento que inclu\u00edram, entre outros, a grave crise econ\u00f4mica desde meados da d\u00e9cada de 1970; o surgimento de um movimento sindical feroz e de novos movimentos sociais em torno de demandas por uma vida digna, contra o racismo, bandeiras ecol\u00f3gicas, igualdade de g\u00eanero e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu chamei de \"minoriza\u00e7\u00e3o\", inspirado por William Connolly, o processo de surgimento de novos atores que questionam uma ordem excludente e exigem reconhecimento, inclus\u00e3o e justi\u00e7a. Nesse processo, o que se abre para alguns pode se abrir para outros, aumentando o medo de ser confrontado. A minoriza\u00e7\u00e3o pentecostal n\u00e3o foi a \u00fanica entre as religi\u00f5es organizadas, crist\u00e3s e n\u00e3o crist\u00e3s, e no crescimento de um grande segmento dos \"sem religi\u00e3o\". O processo tamb\u00e9m n\u00e3o se limitou \u00e0 religi\u00e3o, pois envolveu mulheres, negros, ind\u00edgenas, minorias sexuais, etc. No caso pentecostal, isso levou \u00e0 articula\u00e7\u00e3o de um discurso de mobiliza\u00e7\u00e3o eleitoral que teve um impacto profundo na pol\u00edtica do Brasil e de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina (Burity, 2016; 2017; 2015c; 2015b; Wynarczyk, Tadvald e Meirelles, 2016; Freston, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o avan\u00e7o da democratiza\u00e7\u00e3o continuasse a ser o horizonte geral dos grupos historicamente exclu\u00eddos e da igualdade pol\u00edtica de cada um com os demais, tivemos a vig\u00eancia de um momento \"liberal-democr\u00e1tico\" de politiza\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica. A demanda fundamental lan\u00e7ada na ordem democr\u00e1tica emergente foi a de que os \"evang\u00e9licos\" fossem reconhecidos como parte do povo democr\u00e1tico, parte da identidade \"multicultural\" ou \"plural\" do povo brasileiro. A minoriza\u00e7\u00e3o pentecostal corresponde, em grande parte, a essa dimens\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de um ator pol\u00edtico por meio da afirma\u00e7\u00e3o de pertencimento ao povo e, portanto, da reivindica\u00e7\u00e3o dos direitos que animavam o l\u00e9xico da democratiza\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, a minoriza\u00e7\u00e3o corresponde a essa <em>primeiro momento da politiza\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica<\/em>O momento de ser corporativista, pluralista e agon\u00edstico diante de outras demandas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma via dupla foi articulada da seguinte forma: (a) uma demanda para participar da identidade nacional, naturalizada como cat\u00f3lica, denunciando a discrimina\u00e7\u00e3o, a persegui\u00e7\u00e3o e as tentativas de instrumentalizar o apoio evang\u00e9lico \u00e0 pol\u00edtica tradicional e invocando o crescimento exponencial em andamento como um triunfo (Alves <em>et al<\/em>., 2017); (b) uma demanda por tratamento equitativo, como eu disse, na ordem pol\u00edtico-cultural emergente, que deu lugar a que o povo evang\u00e9lico se inserisse em correntes de equival\u00eancia que se opunham aos \"de baixo\", que surgiam como um \"projeto democr\u00e1tico-popular\", ao autoritarismo, \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0s desigualdades e \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es vivenciadas pela maioria da popula\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a primeira trilha foi ativada apenas por conservadores, a segunda trilha foi dividida de forma agon\u00edstica entre conservadores e \"progressistas\" evang\u00e9licos. <a class=\"anota\" id=\"anota7\" data-footnote=\"7\">7<\/a>. O primeiro caminho alimentou o aspecto particularmente simb\u00f3lico de um reconhecimento do lugar e do valor dos evang\u00e9licos na sociedade e o aspecto corporativista da politiza\u00e7\u00e3o. O segundo caminho foi mais contestado, dando origem a diferentes estrat\u00e9gias: os conservadores optaram por uma forma eleitoral de construir representa\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia pol\u00edtica; os progressistas, por um caminho a partir da sociedade civil organizada ou da milit\u00e2ncia de base em partidos de esquerda para construir um caminho de defesa p\u00fablica (Machado e Burity, 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>A articula\u00e7\u00e3o entre as duas vertentes nunca produziu uma fus\u00e3o e esteve sujeita a disputas internas ao longo do processo, com uma predomin\u00e2ncia crescente do bloco conservador (Burity, 2018a; 2016; Machado, 2018a: 61-63). Mas a intera\u00e7\u00e3o com o mundo da pol\u00edtica institucional e in\u00fameras outras formas de ag\u00eancia pol\u00edtica n\u00e3o religiosa socializaram cada vez mais os pentecostais\/evang\u00e9licos com uma \"linguagem secular\", dando origem a \"tradu\u00e7\u00f5es\" da linguagem religiosa nativa para a linguagem da pol\u00edtica e do debate p\u00fablico. Com o tempo, formas pentecostais de enuncia\u00e7\u00e3o foram incorporadas a esses espa\u00e7os, sinalizando o in\u00edcio da expans\u00e3o da autoridade evang\u00e9lica, um sinal da cont\u00ednua \"pentecostaliza\u00e7\u00e3o da sociedade\" (Gooren, 2010; Burity, 2017) que explorarei nas se\u00e7\u00f5es seguintes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rea\u00e7\u00e3o conservadora, crise da democracia e o bloco populista de direita <em>p\u00f3s-impeachment<\/em>as pessoas como evang\u00e9licas<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">O processo descrito na se\u00e7\u00e3o anterior foi atravessado por muitos outros. N\u00e3o sendo a express\u00e3o de um projeto preconcebido, tamb\u00e9m n\u00e3o foi desafiado por outros modelos de politiza\u00e7\u00e3o religiosa (Burity, 2018a: 34-39). A articula\u00e7\u00e3o produzida pela vit\u00f3ria de Lula para a presid\u00eancia trouxe consigo uma l\u00f3gica multicultural liberal (reconhecimento por meio de pol\u00edticas identit\u00e1rias), uma l\u00f3gica social-democrata (inclus\u00e3o por meio de pol\u00edticas distributivas) e uma l\u00f3gica democr\u00e1tico-radical (constru\u00e7\u00e3o da igualdade com \"respeito \u00e0s diferen\u00e7as\"), que representaram posi\u00e7\u00f5es contestadas dentro da pr\u00f3pria coaliz\u00e3o lulista. Em meio a essas l\u00f3gicas, marcando discretamente uma dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o a elas e apostando no jogo convencional da representa\u00e7\u00e3o de interesses, estava a minoria evang\u00e9lica.<\/p>\n\n\n\n<p>As disputas agon\u00edsticas entre essas l\u00f3gicas reduziram gradualmente as margens de atua\u00e7\u00e3o do povo evang\u00e9lico dentro do povo do lulismo (Burity, 2020b). V\u00e1rias conquistas de outras minorias, e at\u00e9 mesmo algumas de car\u00e1ter majorit\u00e1rio (ecol\u00f3gico, distributivo), impactaram em elementos <em>biopol\u00edtica<\/em> O trabalho da coaliz\u00e3o sobre a quest\u00e3o de g\u00eanero, sexualidade e reprodu\u00e7\u00e3o alarmou os l\u00edderes pentecostais e alienou os mais intransigentes ou agressivos. Surgiram antagonismos dentro da coaliz\u00e3o e em outros locais de enuncia\u00e7\u00e3o que reafirmaram posi\u00e7\u00f5es antisseculares, antiexperimentais e antipopulares.<\/p>\n\n\n\n<p>Naturalmente, trata-se de disputas de ambos os lados. O antagonismo \u00e9 um relacionamento. N\u00e3o se pode atribuir a ag\u00eancia antag\u00f4nica a apenas um lado (seja ele qual for). Mas nada previa que o anticomunismo tradicional da d\u00e9cada de 1980 voltaria com for\u00e7a a partir de 2016. Nada previu que as posi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas com alguma sensibilidade \u00e0 justi\u00e7a social que animaram os pol\u00edticos evang\u00e9licos desde ent\u00e3o dariam lugar a uma rendi\u00e7\u00e3o incondicional \u00e0 ret\u00f3rica ultraliberal da direita neoconservadora dos EUA. N\u00e3o se poderia prever que o \"p\u00e2nico\" em face das posi\u00e7\u00f5es feministas, comunit\u00e1rias e de justi\u00e7a social que os pol\u00edticos evang\u00e9licos vinham adotando desde ent\u00e3o daria lugar \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o incondicional \u00e0 ret\u00f3rica ultraliberal da direita neoconservadora dos EUA. <span class=\"small-caps\">lgbtq+<\/span>O novo governo, os negros, os povos ind\u00edgenas ou os \"marxistas culturais\" se tornariam apoio irrestrito \u00e0 militariza\u00e7\u00e3o da sociedade, \u00e0 espetaculariza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia policial, ao cinismo diante do crescimento descontrolado e novo de <br>pobreza, a defesa da destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos mecanismos <br>Os sistemas de prote\u00e7\u00e3o social constru\u00eddos com muita dificuldade desde a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, o descaso com a prote\u00e7\u00e3o ambiental, etc. O roteiro n\u00e3o \u00e9 novo, mas teve um requinte de desfigura\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es que faria corar os antigos coron\u00e9is pol\u00edticos e ditadores do s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xx<\/span>. Com a diferen\u00e7a de que os poderes do Estado foram profundamente afetados ap\u00f3s a <em>impeachment<\/em>Eles foram apresentados como guardi\u00f5es da legalidade e da imparcialidade jur\u00eddica e pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma nova frente contra-hegem\u00f4nica surgiu usando fragmentos do discurso do neoliberalismo em processo de rearticula\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a crise de 2008, de uma crescente circula\u00e7\u00e3o e reinterpreta\u00e7\u00e3o dos discursos da nova direita americana e europeia e de v\u00e1rias formas de revisionismo dos legados nazi-fascistas. Seria dif\u00edcil enumerar as v\u00e1rias vertentes do enredo. Especialmente porque eles n\u00e3o se juntaram naturalmente, nem foram obra de um grande arquiteto maligno. O que Connolly chamou de \"m\u00e1quina de resson\u00e2ncia evang\u00e9lica capitalista\" (Connolly, 2008: 38-67) estava tomando forma em meio a um cen\u00e1rio em que a visibilidade, a representa\u00e7\u00e3o e a dissemina\u00e7\u00e3o cultural do <em>ethos<\/em> A direita pentecostal se retroalimentou, gerando um efeito de enraizamento popular da nova direita e articulando a direita pol\u00edtica e a direita religiosa em um \u00fanico bloco.<\/p>\n\n\n\n<p>Os \"evang\u00e9licos\" estavam progredindo com fortes ra\u00edzes no cotidiano, especialmente na periferia social e cultural do povo nacional (onde o jogo derrideano era mais intenso). Na vida cotidiana das periferias (mas n\u00e3o s\u00f3 l\u00e1), a linguagem do pentecostalismo forneceu um vocabul\u00e1rio moral para enfrentar a viol\u00eancia, a pobreza, a perda de la\u00e7os comunit\u00e1rios, a nega\u00e7\u00e3o da dignidade e da autoestima das pessoas vulner\u00e1veis. A sociabilidade juvenil nas igrejas evang\u00e9licas articulava essa linguagem e todo o espectro de musicalidade dispon\u00edvel na cultura jovem brasileira, em eventos em pequenos e grandes est\u00e1dios. As classes m\u00e9dias tamb\u00e9m foram muito afetadas pela dissemina\u00e7\u00e3o dessa cultura pentecostal e pelos modelos de mobiliza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica que ela promoveu. A intensa ocupa\u00e7\u00e3o da grande m\u00eddia e das redes sociais e a persistente dissemina\u00e7\u00e3o de in\u00fameras articula\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas simplificadoras, al\u00e9m de uma rede de atividades de treinamento para o trabalho, o empreendedorismo e a autossufici\u00eancia, ajudaram a popularizar os valores do neoliberalismo ao lado de uma \u00e9tica aparentemente impositiva, mas inteiramente contextual e pragm\u00e1tica (Vital da Cunha, 2018; Machado, 2018b; 2013; Burity, 2018b).<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, no melhor estilo da guerra de territ\u00f3rio gramsciana, os evang\u00e9licos emprestaram sua singularidade comunit\u00e1ria, \u00e9tica e organizacional para nomear os problemas sociais e pol\u00edticos do pa\u00eds em termos da ado\u00e7\u00e3o da \"moralidade crist\u00e3 tradicional\". Esse processo, profundamente enraizado nas bases da sociedade e que se estende muito al\u00e9m do povo evang\u00e9lico (apesar de seu cont\u00ednuo crescimento demogr\u00e1fico), sofreu uma inflex\u00e3o no cen\u00e1rio p\u00f3s-eleitoral de 2014 no Brasil (mas, por raz\u00f5es diferentes, coincidiu com mudan\u00e7as semelhantes em muitos pa\u00edses da regi\u00e3o), em uma conjuntura de antagonismos emergentes em torno de uma crise pol\u00edtica combinada com uma crise econ\u00f4mica, que aumentava as tens\u00f5es entre as demandas das minorias por igualdade e justi\u00e7a e as constru\u00e7\u00f5es morais do discurso evang\u00e9lico\/pentecostal.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, foi tra\u00e7ada uma fronteira entre o povo e seus inimigos nos moldes laclauianos, confrontando o projeto democr\u00e1tico-popular (antilulismo e antipetismo) e articulando demandas para a reconforma\u00e7\u00e3o ultraliberal da pol\u00edtica e da economia e a reconstru\u00e7\u00e3o moral das disputas identit\u00e1rias (minorit\u00e1rias). As pessoas que emergem dessa disputa s\u00e3o chamadas de \"fam\u00edlia tradicional\", \"bons cidad\u00e3os\", \"pessoas honestas e trabalhadoras\", \"pessoas comuns\", \"empreendedores\". Esses significantes s\u00e3o articulados em uma promessa de ordem que claramente delineia uma desdemocratiza\u00e7\u00e3o, em um cen\u00e1rio que cada vez mais pode ser chamado de p\u00f3s-democracia. Dada a sua capilaridade, os pentecostais forneceram uma nova base de massa para um povo p\u00f3s-democr\u00e1tico, e os \"evang\u00e9licos\" nomeiam sua principal ag\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um processo n\u00e3o estabilizado. N\u00e3o temos um regime consolidado. Os atores ainda n\u00e3o est\u00e3o organicamente ligados. H\u00e1 uma forte disputa sobre o \"lado\" das novas pessoas. H\u00e1 diferentes cadeias de equival\u00eancia, que se cruzam, mas se sobrep\u00f5em apenas parcialmente e, em alguns casos, contestam os resultados alcan\u00e7ados at\u00e9 agora pela nova coaliz\u00e3o governante (pol\u00edtica e culturalmente). <br>O car\u00e1ter cr\u00edtico da devasta\u00e7\u00e3o ambiental, o aumento da discrimina\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia contra as minorias \u00e9tnicas e sexuais e contra as mulheres) caracterizam o cen\u00e1rio como de grande instabilidade e at\u00e9 mesmo de incerteza. Deslocamentos parciais podem ser observados nessa constru\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma crise org\u00e2nica, mas inconclusiva. H\u00e1 uma desmoraliza\u00e7\u00e3o das elites governantes: da direita tradicional, do centro e da esquerda desde 1990. H\u00e1 uma desfigura\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. H\u00e1 s\u00f3lidos avan\u00e7os de uma hegemonia cultural evang\u00e9lica - relativamente independente do tamanho da popula\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica em cada pa\u00eds - na disputa pela hegemonia pol\u00edtica, pois o colapso da hegemonia de centro e centro-esquerda das d\u00e9cadas anteriores aumentou a proximidade (equival\u00eancia) entre as demandas dos grupos evang\u00e9licos mais reacion\u00e1rios e as de outros grupos seculares que at\u00e9 ent\u00e3o estavam na oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o <em>momento populista do surgimento evang\u00e9lico<\/em>. Ainda n\u00e3o se trata de uma quest\u00e3o de hegemonia pol\u00edtica, pois a conjuntura continua sendo uma disputa acirrada pela estabiliza\u00e7\u00e3o de um novo bloco de poder. Nesse contexto, os \"evang\u00e9licos\" parecem, em parte, capazes de galvanizar outras demandas em uma frente conservadora. Sua linguagem \u00e9 nomeada e articulada para produzir identifica\u00e7\u00f5es populares muito al\u00e9m da religi\u00e3o (Burity, 2020a). Embora seja improv\u00e1vel que os evang\u00e9licos saiam desse desafio como uma lideran\u00e7a, sua visibilidade e for\u00e7a dentro do bloco de lideran\u00e7a s\u00e3o ineg\u00e1veis. Do lado da elite parlamentar e pastoral evang\u00e9lica, a inten\u00e7\u00e3o de transformar o povo brasileiro em <em>povo evang\u00e9lico<\/em> \u00e9 cada vez mais expl\u00edcito, intenso e determinado. Como Connolly comenta sobre o caso dos EUA, ainda na era Bush:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">A m\u00e1quina de resson\u00e2ncia resultante se infiltra na l\u00f3gica da percep\u00e7\u00e3o e influencia a compreens\u00e3o dos interesses econ\u00f4micos. Portanto, \u00e9 importante acabar com as afinidades espirituais que alimentam a m\u00e1quina por meio de diferen\u00e7as de cren\u00e7a, afinidades que traduzem os interesses econ\u00f4micos em gan\u00e2ncia corporativa e enchem os outros de intensidade religiosa, afinidades que transformam artigos de f\u00e9 religiosa em campanhas de vingan\u00e7a para se opor \u00e0queles que n\u00e3o pertencem \u00e0 f\u00e9 e anular nossa responsabilidade coletiva com o futuro (Connolly, 2008: 40).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Notas finais<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Neste ensaio, procurei refazer meus pr\u00f3prios caminhos de reflex\u00e3o, evitando a repeti\u00e7\u00e3o e tentando incorporar in\u00fameras outras interven\u00e7\u00f5es que, tratando ou n\u00e3o da dimens\u00e3o religiosa, tentam compreender as transforma\u00e7\u00f5es recentes. Embora seja indispens\u00e1vel dar conta de toda a capilaridade dos processos que exp\u00f5em com precis\u00e3o o car\u00e1ter <em>construtivo<\/em> No caso do estudo da emerg\u00eancia evang\u00e9lica na pol\u00edtica, a \u00eanfase est\u00e1 nas contesta\u00e7\u00f5es e defini\u00e7\u00f5es que ocorreram. N\u00e3o h\u00e1 como entender a textura do surgimento evang\u00e9lico sem refer\u00eancia \u00e0 cultura, \u00e0 vida cotidiana e \u00e0 natureza contingente dos passos dados e dos arranjos feitos. Mas aqui foi necess\u00e1rio, por raz\u00f5es de espa\u00e7o, priorizar um n\u00edvel de an\u00e1lise. E me propus a refletir sobre uma trajet\u00f3ria complicada de transforma\u00e7\u00e3o de uma minoria invis\u00edvel, mas crescente, em nome de uma figura da pr\u00f3pria ordem, mesmo que contestada. Apesar do desprezo e da raiva com que a categoria de populismo \u00e9 tratada, estou convencido de que ela ajuda a esclarecer o processo, mas n\u00e3o se pensarmos nela no registro que persistentemente associa o termo a uma ideologia ou movimento. Da\u00ed as refer\u00eancias a Laclau e seus interlocutores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os marcos do processo - que nunca foi cont\u00ednuo e de baixo para cima, como parece para muitos observadores - podem ser situados na d\u00e9cada de 1980 e, portanto, em um per\u00edodo de grande efervesc\u00eancia em grande parte da Am\u00e9rica Latina em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s possibilidades de avan\u00e7os democr\u00e1ticos profundos. Mas a tend\u00eancia de observa\u00e7\u00e3o \u00e9 considerar o resultado como <em>telos<\/em>. Tentei, de forma sint\u00e9tica e n\u00e3o sistem\u00e1tica, apresentar uma interpreta\u00e7\u00e3o que destacasse com precis\u00e3o a abertura desses processos - tanto para a identidade dos atores quanto para os projetos pol\u00edtico-institucionais resultantes - que s\u00e3o definidos e redefinidos com base em confrontos e articula\u00e7\u00f5es envolvendo grupos que nem sempre s\u00e3o id\u00eanticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde as chamadas \"jornadas de junho de 2013\", o trabalho incessante de certos grupos de militantes teologicamente ultraconservadores e politicamente ultrarreacion\u00e1rios tem multiplicado os locais de enuncia\u00e7\u00e3o, usando as igrejas para treinar empres\u00e1rios, mil\u00edcias e gestores de um novo Estado, oracularmente liderados por um ungido de Deus em um novo Estado. <em>governo dos justos<\/em>. O car\u00e1ter reativo da onda conservadora ainda prevalece. O antagonismo continua vivo, indicando que ainda estamos vivendo um momento de transi\u00e7\u00e3o para uma nova hegemonia, e n\u00e3o se sabe ao certo qual ser\u00e1 exatamente o seu conte\u00fado. H\u00e1 sinais claros de que a \"destrui\u00e7\u00e3o\" proposta pela nova direita visa a uma ordem p\u00f3s-democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda estamos na crise org\u00e2nica (Mouffe, 2018). O car\u00e1ter contestado das tend\u00eancias recentes ainda est\u00e1 muito vivo, apesar da apar\u00eancia de resigna\u00e7\u00e3o que \u00e0s vezes \u00e9 expressa entre os oponentes dos novos governos p\u00f3s-democr\u00e1ticos. A fronteira n\u00e3o se estabilizou. H\u00e1 uma <em>nomea\u00e7\u00e3o do povo<\/em>Mas n\u00e3o h\u00e1 institucionaliza\u00e7\u00e3o de um regime que - quem sabe - reuniria o neoliberalismo e a confessionaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica. Em meio \u00e0 nova centralidade da extrema direita, setores da esquerda religiosa est\u00e3o se rearticulando, fortalecendo la\u00e7os com movimentos sociais e ativistas de outras religi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, apesar dos muitos discursos sobre o passado e o presente desta crise, s\u00f3 posso concluir com perguntas. E elas s\u00e3o muitas. Ser\u00e1 que estamos em meio a um novo fascismo com a participa\u00e7\u00e3o direta da direita religiosa, liderada pelos pentecostais? Ser\u00e1 que estamos, no contexto do cristianismo, observando outra onda conservadora, como nos anos do integralismo (movimento fascista brasileiro da d\u00e9cada de 1930) e das ditaduras militares, com o surgimento de uma esp\u00e9cie de \"cristianismo nacional\", de triste mem\u00f3ria? Mas ser\u00e1 que isso \u00e9 realmente uma maioria? Se os pentecostais n\u00e3o ultrapassam os 65% de uma minoria de aproximadamente um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o brasileira (com composi\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis em outros pa\u00edses da regi\u00e3o), como podem receber a centralidade e a proemin\u00eancia t\u00e3o contestadas pelos liberais e pela esquerda, pela m\u00eddia, pela academia e pelos movimentos sociais?<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, como nunca houve e n\u00e3o h\u00e1 sinais de que o sujeito evang\u00e9lico - protestante hist\u00f3rico, carism\u00e1tico, pentecostal e os in\u00fameros h\u00edbridos existentes - se tornar\u00e1 homog\u00eaneo e convergente, ele pode realmente construir sua pr\u00f3pria maioria? N\u00e3o h\u00e1 elementos de dissid\u00eancia em seu interior que tamb\u00e9m se organizam transnacionalmente, mas com modalidades de interven\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica? N\u00e3o h\u00e1, na conting\u00eancia da articula\u00e7\u00e3o do povo como \"povo evang\u00e9lico\", uma car\u00eancia: incoer\u00eancias, disputas internas, exclus\u00f5es injustificadas, a inevit\u00e1vel ambival\u00eancia de um discurso religioso de poder sobre a matriz de uma f\u00e9 baseada em um rei derrotado e morto, cujo modelo de \"governo\" era o servi\u00e7o aos pobres e vulner\u00e1veis? Como uma f\u00e9 proselitista e rigorosa pode ser um canal para o constantinismo ou a rep\u00fablica dos santos, em sociedades pluralizadas e polic\u00eantricas? A hipervisibilidade da forma\u00e7\u00e3o discursiva evang\u00e9lica e as pr\u00e1ticas antidemocr\u00e1ticas e abertamente antag\u00f4nicas dos movimentos sociais dos quais ela participa cada vez mais n\u00e3o levar\u00e3o a uma eros\u00e3o e deslegitima\u00e7\u00e3o desses atores? Se a institucionaliza\u00e7\u00e3o da nova ordem p\u00f3s-democr\u00e1tica ocorrer, ela n\u00e3o \"domesticar\u00e1\" ou devorar\u00e1 a sede de poder dos pentecostais? <em>A ser visto...<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ag\u00eancia Brasil (2016, 12 de mayo). \u201cConhe\u00e7a os 23 ministros da equipe de Michel Temer\u201d, <em>Ag\u00eancia Brasil<\/em>. 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Londres: Verso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 (2018). <em>For a Left Populism<\/em>. Londres: Verso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Offutt, Stephen (2015). <em>New Centers of Global Evangelicalism in Latin America and Africa<\/em>. Nueva York: Cambridge University.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Oro, Ari Pedro (2005). \u201cReligi\u00e3o e pol\u00edtica no Brasil\u201d, <em>Cahiers des Am\u00e9riques latines<\/em>, n\u00fam. 48-49, pp. 204-22. https:\/\/doi.org\/10.4000\/cal.7951.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ortega G\u00f3mez, Bibiana Astrid, Guadalupe Lu\u00f1\u00f3n, Christhoper L. Carter y Misi\u00f3n de Observaci\u00f3n Electoral (2019). <em>Religi\u00f3n y pol\u00edtica: c\u00f3mo la religi\u00f3n est\u00e1 relacionada con la pol\u00edtica en cada uno de los pa\u00edses de Am\u00e9rica Latina<\/em>. Bogot\u00e1: Misi\u00f3n de Observaci\u00f3n Electoral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pacheco, Ronilso (2017, 22 de mayo). \u201cPara sustentar Temer, bancada evang\u00e9lica usa igrejas e rebanhos em meio ao caos\u201d, <em>The Intercept<\/em>. Recuperado de https:\/\/theintercept.com\/2017\/05\/22\/para-sustentar-temer-bancada-evangelica-usa-igrejas-e-rebanhos-em-meio-aos-caos\/, consultado el 15 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Parker, Cristi\u00e1n (2016). \u201cReligious Pluralism and New Political Identities in Latin America\u201d, <em>Latin American Perspectives,<\/em> vol. 43, n\u00fam. 3, pp. 15-30. https:\/\/doi.org\/10.1177\/0094582X15623771<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pereira, Roger (2020, 3 de enero). \u201cPresen\u00e7a de militares no poder \u00e9 recorde: um ano de governo Bolsonaro\u201d, <em>Gazeta do Povo<\/em>. Recuperado de https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/republica\/militares-governo-bolsonaro-participacao-recorde\/, consultado el 15 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">P\u00e9rez Guadalupe, Jos\u00e9 Luiz (2019). \u201c\u00bfPol\u00edticos evang\u00e9licos o evang\u00e9licos pol\u00edticos? Los nuevos modelos de conquista pol\u00edtica de los evang\u00e9licos en Am\u00e9rica Latina\u201d, en Jos\u00e9 Lu\u00eds P\u00e9rez Guadalupe y Sebastian Grundberger (ed.), <em>Evang\u00e9licos y poder en Am\u00e9rica Latina<\/em>. Lima: Konrad Adenauer Stiftung y Centro de Estudios Social Cristianos, pp. <br>13-191.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pierucci, Ant\u00f4nio Fl\u00e1vio (1989). \u201cRepresentantes de Deus em Bras\u00edlia: a bancada evang\u00e9lica na Constituinte\u201d, <em>Ci\u00eancias Sociais Hoje, <\/em>n\u00fam. 11, pp. 104-132.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Portinari, Nat\u00e1lia (2018, 19 de noviembre). \u201cA costura pol\u00edtica que uniu Bolsonaro aos evang\u00e9licos\u201d, <em>\u00c9poca<\/em>. Recuperado de https:\/\/epoca.globo.com\/a-costura-politica-que-uniu-bolsonaro-aos-evangelicos-23211834, consultado el 15 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ranci\u00e8re, Jacques (1996). <em>El desacuerdo &#8211; Pol\u00edtica y filosof\u00eda<\/em>. Buenos Aires: Nueva Visi\u00f3n.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ruffato, Lu\u00eds (2016, 8 de junio). \u201cTemer inaugura a rep\u00fablica evang\u00e9lica\u201d, <em>El Pa\u00eds Brasil<\/em>. Recuperado de https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/06\/08\/opinion\/1465385098_545583.html, consultado el 15 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Santos, Adriana Martins dos (2009). <em>A constru\u00e7\u00e3o do Reino: A Igreja Universal e as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas soteropolitanas, 1980-2002<\/em>. Tesis de maestr\u00eda en Historia Social. Salvador: Universidade Federal da Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Sem\u00e1n, Pablo (2019). \u201c\u00bfQui\u00e9nes son? \u00bfPor qu\u00e9 crecen? \u00bfEn qu\u00e9 creen? Pentecostalismo y pol\u00edtica en Am\u00e9rica Latina\u201d, <em>Nueva Sociedad<\/em>, n\u00fam. 280, pp. 26-46.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\"><span class=\"small-caps\">uol<\/span> (2016, 12 de mayo). \u201cCat\u00f3lico, Temer refor\u00e7a aceno a religiosos em seu discurso de posse\u201d, <span class=\"small-caps\">uol<\/span>. Recuperado de https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/ultimas-noticias\/2016\/05\/12\/catolico-temer-reforca-aceno-a-religiosos-em-seu-discurso-de-posse.htm, consultado el 15 de julio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Valle, Vinicius Saragiotto Magalh\u00e3es (2018). \u201cDireita religiosa e partidos pol\u00edticos no Brasil: os casos do <span class=\"small-caps\">prb<\/span> e do <span class=\"small-caps\">psc<\/span>\u201d, en <em>Teoria e Cultura<\/em>, vol. 13, n\u00fam. 2, pp. 85-100. https:\/\/doi.org\/10.34019\/2318-101X.2018.v13.12425.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Vital da Cunha, Christina (2018). \u201cPentecostal Cultures in Urban Peripheries: A Socio-Anthropological Analysis of Pentecostalism in Arts, Grammars, Crime and Morality\u201d, <em>Vibrant: Virtual Brazilian Anthropology<\/em>, vol. 15, n\u00fam. 1. https:\/\/doi.org\/10.1590\/1809-43412017v15n1a401.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Wynarczyk, Hilario (2006). \u201cPartidos pol\u00edticos evang\u00e9licos conservadores b\u00edblicos en la Argentina: formaci\u00f3n y ocaso 1991-2001\u201d, <em>Civitas &#8211; Revista de Ci\u00eancias Sociais<\/em>, vol. 6, n\u00fam. 2, pp. 11-41. https:\/\/doi.org\/10.15448\/1984-7289.2006.2.54<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u2014 Marcelo Tadvald y Mauro Meirelles (ed.) (2016). <em>Religi\u00e3o e pol\u00edtica ao sul da Am\u00e9rica Latina<\/em>. Porto Alegre: CirKula.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\"><em>Joanildo Burity <\/em>\u00e9 PhD em Ci\u00eancia Pol\u00edtica (University of Essex, Reino Unido), pesquisador e professor do Mestrado Profissional em Sociologia da Rede Nacional (Profsocio) da Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco e professor dos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia e Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, Brasil. Foi Diretor de Pesquisa Social e da Escola de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco. Foi professor e diretor do Mestrado em F\u00e9 e Globaliza\u00e7\u00e3o na Universidade de Durham. Seus principais interesses de pesquisa s\u00e3o religi\u00e3o e pol\u00edtica, religi\u00e3o e globaliza\u00e7\u00e3o, identidade e cultura, a\u00e7\u00e3o coletiva e redes transnacionais. <span class=\"small-caps\">orcid<\/span>: 0000-0002-2963-1979<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\" translation-block\"><span class=\"dropcap\">A pol\u00edtica evang\u00e9lica latino-americana pode ser vista, em termos laclauianos, como uma constru\u00e7\u00e3o do povo. Mais precisamente, como a constru\u00e7\u00e3o do povo evang\u00e9lico, uma minoria com suas pr\u00f3prias demandas e voz em um continente cat\u00f3lico de estados seculares. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica do povo nacional em contextos em que os evang\u00e9licos j\u00e1 s\u00e3o considerados uma for\u00e7a sociopol\u00edtica com aspira\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas. No entanto, essa narrativa dupla se tornou mais complicada nos \u00faltimos anos nos mares agitados da chamada onda conservadora. No Brasil, uma not\u00e1vel alian\u00e7a entre a extrema direita pol\u00edtica, o neoliberalismo e a elite parlamentar e pastoral evang\u00e9lica est\u00e1 reverberando, problematizando seriamente as expectativas de um impacto pluralista da presen\u00e7a p\u00fablica evang\u00e9lica.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":33011,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[597,651,652,649,29,647,264],"coauthors":[551],"class_list":["post-32744","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-33","tag-brasil","tag-elite-parlamentaria","tag-elite-pastoral","tag-laclau","tag-politica","tag-pueblo-evangelico","tag-religion","personas-burity-joanildo","numeros-627"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>El pueblo evang\u00e9lico: construcci\u00f3n hegem\u00f3nica &#8211; 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