{"id":32653,"date":"2020-09-19T06:02:25","date_gmt":"2020-09-19T06:02:25","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=32653"},"modified":"2024-04-24T13:47:50","modified_gmt":"2024-04-24T19:47:50","slug":"campos-ramirez-resena-las-elites-ciudad-blanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/campos-ramirez-resena-las-elites-ciudad-blanca\/","title":{"rendered":"Din\u00e2mica \u00e9tnico-racial no M\u00e9xico: uma abordagem dos discursos racistas entre a elite de Yucatecan"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"no-indent\"><span class=\"dropcap\">M<\/span>M\u00e9xico continua a ter uma d\u00edvida hist\u00f3rica no estudo do racismo, suas diversas express\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es na sociedade, na cultura e na pol\u00edtica. A independ\u00eancia do M\u00e9xico n\u00e3o resolveu os problemas de racismo no pa\u00eds; De fato, desde o levante zapatista em Chiapas (1994), a antropologia mexicana come\u00e7ou a falar de um \"ressurgimento do racismo\", que na realidade come\u00e7a a questionar, por um lado, as alian\u00e7as entre as elites pol\u00edticas e acad\u00eamicas para manter pr\u00e1ticas racistas na forma social de entender as rela\u00e7\u00f5es humanas e, por outro lado, as pr\u00e1ticas etnocidas que estavam sendo realizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma breve vis\u00e3o geral sobre a quest\u00e3o do racismo no M\u00e9xico, Eugenia Iturriaga destaca a contribui\u00e7\u00e3o de Jorge G\u00f3mez Izquierdo (2002), que dedicou mais de uma d\u00e9cada ao estudo do racismo, tornando vis\u00edvel a discrimina\u00e7\u00e3o contra os chineses e mostrando, em suas contribui\u00e7\u00f5es posteriores, a forma invis\u00edvel com que o racismo \u00e9 praticado pelas elites. Outra \u00e1rea importante no estudo do racismo no M\u00e9xico \u00e9 liderada por Claudio Lomnitz (1995), que come\u00e7ou a relacionar as ideologias raciais ao nacionalismo mexicano. Al\u00e9m desses dois autores, tamb\u00e9m \u00e9 importante destacar a contribui\u00e7\u00e3o de Olivia Gall (2004), que, assim como G\u00f3mez Izquierdo (2002), se dedica a contribuir para a an\u00e1lise do racismo de 1998 a 2014, e cujas principais contribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o os estudos de identidades e a gera\u00e7\u00e3o de alteridade com o racismo. Por fim, destacamos o trabalho de Alicia Castellanos (2001), que, entre outras contribui\u00e7\u00f5es, aborda duas propostas: primeiro, entender a rela\u00e7\u00e3o entre o racismo e a forma\u00e7\u00e3o nacional e regional e, segundo, propor metodologias que contribuam para o estudo do racismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta de Eugenia Iturriaga faz parte dessa corrente de estudos sobre o racismo no M\u00e9xico e gera uma proposta cr\u00edtica que aborda uma interlocu\u00e7\u00e3o entre a elite branca e a alteridade na cidade e no espa\u00e7o p\u00fablico. Iturriaga iniciou seus estudos antropol\u00f3gicos sobre o indigenismo no M\u00e9xico, a constru\u00e7\u00e3o do Estado nacional e o papel dos antrop\u00f3logos. Atualmente, como professora pesquisadora da Faculdade de Ci\u00eancias Antropol\u00f3gicas da Universidade Aut\u00f4noma de Yucat\u00e1n (Universidad Aut\u00f3noma de Yucat\u00e1n) (<span class=\"small-caps\">uady<\/span>), busca contribuir para as discuss\u00f5es sobre racismo e elites.<\/p>\n\n\n\n<p>A autora recebeu o pr\u00eamio Fray Bernardino de Sahag\u00fan do Instituto Nacional de Antropologia e Hist\u00f3ria por sua tese de doutorado em 2011. Com esse trabalho, a autora lan\u00e7a um profundo desafio \u00e0 antropologia mexicana para que assuma a d\u00edvida hist\u00f3rica da disciplina e amplie o foco da pesquisa sobre o racismo, compreendendo tamb\u00e9m as din\u00e2micas e os rituais gerados pelas elites tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu trabalho, Eugenia Iturriaga apresenta uma an\u00e1lise profunda na qual desvela din\u00e2micas que as sociedades em espa\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o se atrevem a mencionar ou tornar vis\u00edveis, din\u00e2micas raciais que est\u00e3o imbricadas na vida cotidiana e s\u00e3o refor\u00e7adas pelas elites das cidades. Por meio de sua an\u00e1lise, apresenta um trabalho profundo e complexo sobre a din\u00e2mica racial da cidade yucateca de M\u00e9rida, um espa\u00e7o que, para a antropologia mexicana, tem uma peculiaridade importante em termos de rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais e dos povos maias.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um contexto de pol\u00edticas multiculturalistas e movimentos sociais, \u00e9 relevante tirar de foco o olhar da alteridade. \u00c9 muito comum que, ao falar de racismo, discrimina\u00e7\u00e3o ou alteridade, a an\u00e1lise se concentre em grupos racializados e exclu\u00eddos; no entanto, na chamada \"cidade branca\", como o racismo \u00e9 entendido e vivenciado pelas elites? Elas est\u00e3o cientes da din\u00e2mica racial gerada pelas elites? Como elas leem sua cidade branca? Essas s\u00e3o perguntas que surgem da leitura de Iturriaga.<\/p>\n\n\n\n<p><em>As elites da cidade branca <\/em>representa a investiga\u00e7\u00e3o do autor sobre os espa\u00e7os que geram, fortalecem e disseminam discursos racistas a partir da vida cotidiana, e tenta se aprofundar no racismo e na forma como ele estrutura as elites tradicionais de Meridiano. O livro \u00e9 composto por sete cap\u00edtulos e um importante pr\u00f3logo escrito por Alicia Castellanos, que destaca a relev\u00e2ncia e a grande contribui\u00e7\u00e3o desse trabalho para uma \u00e1rea que tem sido muito pouco observada na antropologia mexicana: as elites. Castellanos afirma que se trata de uma contribui\u00e7\u00e3o importante para a an\u00e1lise, a fim de neutralizar a constante nega\u00e7\u00e3o do racismo e do classismo, por parte do Estado e da sociedade, a exist\u00eancia manifesta de din\u00e2micas raciais e classistas em todos os espa\u00e7os cotidianos privados e p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos procuram situar o leitor em termos metodol\u00f3gicos, te\u00f3ricos e hist\u00f3ricos. Na inten\u00e7\u00e3o do autor de refletir sobre <em>os m\u00faltiplos racismos<\/em> e as estrat\u00e9gias para seu estudo, apresenta uma proposta te\u00f3rico-metodol\u00f3gica que busca dar conta das din\u00e2micas racistas nas pr\u00e1ticas cotidianas, nos discursos p\u00fablicos e nos discursos ocultos. O autor dialoga com Taguieff (2001), Wieviorka (1992), Todorov (2007) e Balibar (1988), cada um com uma proposta multidimensional para a an\u00e1lise do racismo que serve de base para a proposta do autor.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nessa perspectiva, ele prop\u00f5e trabalhar em conjunto com tr\u00eas dimens\u00f5es gerais: ideologia, doxa e pr\u00e1ticas. Ele tamb\u00e9m se baseia em Austin (1990) e Judith Butler (2002) para vincular as dimens\u00f5es anteriores \u00e0 gera\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de discursos, \u00e0 performatividade e \u00e0 cita\u00e7\u00e3o de ideias e palavras. Essa proposta multidimensional \u00e9 a que oferece uma abordagem mais profunda e complexa da din\u00e2mica \u00e9tnico-racial das elites, suas estrat\u00e9gias de reprodu\u00e7\u00e3o, distin\u00e7\u00e3o, privil\u00e9gio, poder e legitima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a autora tamb\u00e9m retoma as reflex\u00f5es te\u00f3ricas sobre elites e classes sociais de Jorge Alonso (1976) e Pareto (1980), que abordam a dial\u00e9tica entre classes sociais e elites, estabelecendo uma composi\u00e7\u00e3o heterog\u00eanea entre, nas palavras de Pareto, os condutores e os conduzidos; ambos se aprofundam na din\u00e2mica das elites e nas estrat\u00e9gias de equil\u00edbrio social, econ\u00f4mico e pol\u00edtico. O autor retomar\u00e1 essa proposta ao incluir tamb\u00e9m a vari\u00e1vel \u00e9tnica e o capital simb\u00f3lico de pertencer a uma elite tradicional em Yucat\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, ele faz um passeio hist\u00f3rico pela antropologia e hist\u00f3ria mexicanas, destacando o uso do conceito de \"ra\u00e7a\" como um fio condutor. Passa pelas posi\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XIX sobre a exist\u00eancia e a classifica\u00e7\u00e3o de \"ra\u00e7as\", as refer\u00eancias darwinistas, biol\u00f3gicas e culturais que resultaram na funda\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es eug\u00eanicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia desse processo para a leitura \u00e9 entender como os crit\u00e9rios cient\u00edficos e sociais evolu\u00edram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o e aos valores atribu\u00eddos \u00e0s diferentes popula\u00e7\u00f5es de europeus, crioulos, mesti\u00e7os, ind\u00edgenas e afrodescendentes, aprofundando-se, assim, nas representa\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas racistas que estavam construindo as alteridades no M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma importante contribui\u00e7\u00e3o de Iturriaga \u00e9 fazer um panorama hist\u00f3rico das responsabilidades das diferentes ci\u00eancias e, especialmente, identificar a antropologia e a hist\u00f3ria como ferramentas fundamentais no estabelecimento da ordem social, nas pr\u00e1ticas de evangeliza\u00e7\u00e3o e na dissemina\u00e7\u00e3o da ideologia de uma \"ra\u00e7a pura\", ou uma \"ra\u00e7a c\u00f3smica\" nos termos de Vasconcelos (1948). O autor escreve: \"A antropologia, com a ajuda de outras ci\u00eancias, foi um instrumento crucial no processo de constru\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o objetivo final era a integra\u00e7\u00e3o das culturas indianas \u00e0 modernidade\" (p. 83). Mais adiante, nas conclus\u00f5es, ele destaca a d\u00edvida da antropologia mexicana em termos de romper a abordagem cient\u00edfica e biologicista com a qual os povos ind\u00edgenas s\u00e3o concebidos.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 do cap\u00edtulo <span class=\"small-caps\">iv<\/span> at\u00e9 o cap\u00edtulo <span class=\"small-caps\">vii<\/span> \u00e9 o foco da discuss\u00e3o. Ele come\u00e7a localizando espacialmente a sociedade de Meridian e identifica uma distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica segregada entre as elites tradicionais e os povos ind\u00edgenas. As ferramentas metodol\u00f3gicas usadas para esse mapeamento geogr\u00e1fico s\u00e3o muito interessantes. Foi realizada uma an\u00e1lise dos sobrenomes na lista telef\u00f4nica de M\u00e9rida, na qual ele afirma que \"os de origem maia predominam nos n\u00fameros atribu\u00eddos \u00e0s col\u00f4nias do sul da cidade, enquanto os de origem espanhola ou estrangeira predominam entre os n\u00fameros das col\u00f4nias do norte\" (p. 138).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante analisar essa distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica identificada pela autora, pois, se tamb\u00e9m levarmos em conta as ideologias geradas sobre a distribui\u00e7\u00e3o mundial, podemos ver a conforma\u00e7\u00e3o do sul, ou o sul empobrecido e subdesenvolvido, com o norte ou o nordeste como pot\u00eancias econ\u00f4micas e pa\u00edses de primeiro mundo. Por outro lado, ela tamb\u00e9m identifica lugares como espa\u00e7os-chave para a gera\u00e7\u00e3o e a experi\u00eancia de discursos raciais: escolas, clubes recreativos, compartilhamento de datas festivas e caracter\u00edsticas diacr\u00edticas, como linguagem e vestimenta. Para essas an\u00e1lises, a autora usa o conceito de <em>habitus<\/em>O objetivo \u00e9 entender as pr\u00e1ticas e as condi\u00e7\u00f5es sociais nas quais as elites tradicionais de M\u00e9rida foram constru\u00eddas, compreendendo seus esquemas hist\u00f3ricos e grupais acoplados na vida cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p>As escolas demarcam o tipo de treinamento e as rela\u00e7\u00f5es sociais geradas pelas elites tradicionais; nas palavras do autor, \"as escolas frequentadas pelos filhos da elite s\u00e3o muito importantes porque \u00e9 l\u00e1 que come\u00e7a a tecer redes, o processo de socializa\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ado e as posi\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o definidas. As escolas deixam claro o grupo de pertencimento\" (p. 153). De quem \u00e9 o filho\/filha?\" \u00e9 relevante para as fam\u00edlias da elite; o mesmo se aplica aos clubes recreativos exclusivos para determinadas fam\u00edlias; o sobrenome torna-se relevante para o acesso a escolas e clubes. \u00c9 nesses espa\u00e7os que tanto o capital cultural quanto o social s\u00e3o predominantemente instalados para gerar um senso de pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Destaca tamb\u00e9m os rituais que s\u00e3o inamov\u00edveis por uma quest\u00e3o de status e que correspondem aos marcos sociais das elites, como o baile de debutantes, os bailes de carnaval, as miss\u00f5es cat\u00f3licas e \"a temporada\". O papel da mulher nesses espa\u00e7os de transmiss\u00e3o cultural e ideol\u00f3gica das elites meridionais \u00e9 muito marcante; a autora o menciona em alguns momentos e abre uma interessante discuss\u00e3o sobre a mulher e seu papel na reprodu\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias e na perpetua\u00e7\u00e3o de din\u00e2micas de segrega\u00e7\u00e3o, que promovem a manuten\u00e7\u00e3o do c\u00edrculo fechado das elites.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o papel da mulher nessas fam\u00edlias est\u00e1 ligado \u00e0 din\u00e2mica patriarcal que a coloca dentro do lar, da fam\u00edlia e de seus cuidados. Nessas fam\u00edlias, o cuidado n\u00e3o se limita apenas \u00e0 sa\u00fade ou \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m inclui o cuidado com a posi\u00e7\u00e3o social da fam\u00edlia nas elites, o cuidado com as escolas de elite, os clubes de elite, as alian\u00e7as matrimoniais fechadas entre as fam\u00edlias de elite e at\u00e9 mesmo os bares e boates que seus filhos podem frequentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m surge uma ambiguidade interessante sobre os recursos diacr\u00edticos; por exemplo, a rela\u00e7\u00e3o da elite meridiana com suas ra\u00edzes do idioma maia, com aspectos fon\u00e9ticos como entona\u00e7\u00e3o, sotaque e at\u00e9 mesmo a incorpora\u00e7\u00e3o de palavras inteiras em maia. Pode-se afirmar que h\u00e1 orgulho dessas ra\u00edzes maias e de seu modo de falar \"bombardeado\"; no entanto, h\u00e1 tamb\u00e9m uma profunda discrimina\u00e7\u00e3o contra os falantes de maia, o que fica evidente por meio da deprecia\u00e7\u00e3o dos sobrenomes maias, da deprecia\u00e7\u00e3o, subordina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de bab\u00e1s e enfermeiras, a maioria das quais \u00e9 falante de maia.<\/p>\n\n\n\n<p>A autora tamb\u00e9m contrasta essas din\u00e2micas com estere\u00f3tipos e preconceitos baseados no fen\u00f3tipo das pessoas, realizando um exerc\u00edcio de fotointerpreta\u00e7\u00e3o com jovens estudantes de escolas das elites tradicionais de M\u00e9rida, que consiste em apresentar imagens de pessoas em diferentes locais e com diferentes fen\u00f3tipos, e convidando os alunos a recriar a hist\u00f3ria das fotografias, que ela ent\u00e3o contrasta com a hist\u00f3ria \"verdadeira\" dos perfis do pesquisador. A an\u00e1lise re\u00fane os estere\u00f3tipos e preconceitos que se desenvolvem com base no fen\u00f3tipo, na etnia e na classe. Os perfis de pele clara s\u00e3o associados a sucesso, superioridade, profiss\u00f5es importantes e posi\u00e7\u00f5es na sociedade, enquanto os corpos de \"pele escura\" s\u00e3o associados a v\u00edcios como alcoolismo e viol\u00eancia, pobreza e marginaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A autora tamb\u00e9m realiza um extenso trabalho de arquivo na m\u00eddia local, na tentativa de identificar a dimens\u00e3o ideol\u00f3gica do racismo por meio de representa\u00e7\u00f5es da maia. Ela aborda os canais de televis\u00e3o de acesso aberto e se concentra especialmente em dois programas de televis\u00e3o: <em>Os Pechs, uma fam\u00edlia de verdade<\/em> e <em>Cozinhar \u00e9 cultura<\/em>e, no aspecto jornal\u00edstico, analisa as quest\u00f5es da <em>Jornal de Yucatan<\/em>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m aborda o uso de fotografias e o discurso usado nos editoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise mostra uma profunda contradi\u00e7\u00e3o no relacionamento com o povo maia. Por um lado, \u00e9 socializada uma imagem de prote\u00e7\u00e3o da cultura maia ancestral; de certa forma, os respons\u00e1veis pela sobreviv\u00eancia da cultura e das origens maias ao longo do tempo tamb\u00e9m s\u00e3o compreendidos de forma a-hist\u00f3rica; e, por outro lado, tamb\u00e9m s\u00e3o destacados o desprezo, a humilha\u00e7\u00e3o e a profunda discrimina\u00e7\u00e3o, naturalizados dos discursos para a din\u00e2mica cotidiana. Os discursos oscilam entre o orgulho idealizado e essencialista das origens maias da elite iucateca e a rejei\u00e7\u00e3o dos corpos ind\u00edgenas, a rejei\u00e7\u00e3o de suas l\u00ednguas, sobrenomes, pr\u00e1ticas culturais e corpos racializados.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio dessa obra, Eugenia Iturriaga mostra a multidimensionalidade do racismo nos discursos e nas pr\u00e1ticas, demonstrando como a interpreta\u00e7\u00e3o racial continua sendo um filtro que determina as rela\u00e7\u00f5es sociais, a inclus\u00e3o e a exclus\u00e3o em determinados espa\u00e7os, e se estabelece como refer\u00eancia para a leitura do fen\u00f3tipo e das diferen\u00e7as culturais. S\u00e3o refor\u00e7adas as teorias de poder e seu uso pelas elites tradicionais para perpetuar e naturalizar estere\u00f3tipos e estigmas que racializam os grupos ind\u00edgenas; a complexidade das rela\u00e7\u00f5es de poder \u00e9 compreendida fora de uma rela\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica entre poder e pol\u00edtica ou governo, entendendo o poder como uma rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que \u00e9 exercida em todas as rela\u00e7\u00f5es sociais, em todas as sociedades constru\u00eddas com base na desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, tamb\u00e9m se entende que, apesar de manter \"o maia\" como parte essencial do legado yucateco, os corpos ind\u00edgenas, \u00edndios e maias s\u00e3o racializados, empobrecidos e menosprezados. Nesse sentido, o autor refor\u00e7a que \"a discrimina\u00e7\u00e3o contra os povos ind\u00edgenas no M\u00e9xico \u00e9 colonial, de subordina\u00e7\u00e3o, \u00e9 discrimina\u00e7\u00e3o racial e cultural, embora a discrimina\u00e7\u00e3o por classe social muitas vezes torne o racial invis\u00edvel\" (p. 326). A an\u00e1lise de classe tamb\u00e9m \u00e9 abordada em profundidade, historicizando a localiza\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento das classes m\u00e9dia e alta em Yucat\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os estere\u00f3tipos e estigmas que continuam a ser naturalizados nos discursos das elites iucatecas est\u00e3o o alcoolismo, a falta de moral e dec\u00eancia, o comportamento violento e selvagem, a pregui\u00e7a e a ociosidade. Esses elementos foram respostas constantes nas estrat\u00e9gias metodol\u00f3gicas usadas pelo autor. Da mesma forma, foram identificados os s\u00edmbolos e c\u00f3digos estabelecidos pela elite yucateca para determinar o pertencimento e o status dos sujeitos na sociedade. Entre eles, a localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica no estado se destaca de forma definitiva: o norte \u00e9 necessariamente aquele protegido para as elites, as escolas de prest\u00edgio, os clubes sociais, os rituais de status, as miss\u00f5es cat\u00f3licas e os sobrenomes espanh\u00f3is.<\/p>\n\n\n\n<p>O papel das mulheres da elite \u00e9 fundamental para garantir que esses c\u00f3digos sejam mantidos e perdurem ao longo das gera\u00e7\u00f5es. As esposas controlam todos os aspectos sociais e simb\u00f3licos das gera\u00e7\u00f5es mais jovens a fim de manter o poder, o respeito e os relacionamentos nos espa\u00e7os fechados da elite. Muito tem a ver com uma an\u00e1lise de g\u00eanero e poder, que, sem d\u00favida, est\u00e1 aberta para abordagens futuras. Outros estudos sobre os povos afrodescendentes e asi\u00e1ticos, que aparentemente n\u00e3o s\u00e3o observados pela elite de Yucat\u00e1n, tamb\u00e9m est\u00e3o pendentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a autora menciona no final de seu trabalho, \"somente conhecendo como as elites operam \u00e9 que se pode entender uma sociedade\" (p. 334), refor\u00e7ando o que foi mencionado no in\u00edcio do texto. Tamb\u00e9m \u00e9 importante problematizar a forma como as pesquisas sobre racismo, racializa\u00e7\u00e3o e \"ra\u00e7a\" t\u00eam sido orientadas, olhando apenas para a alteridade, por um lado, e sua liga\u00e7\u00e3o com as classes sociais, por outro (Jorge Alonso, 1976). Nesse sentido, a contribui\u00e7\u00e3o do autor abre um importante campo de an\u00e1lise e constru\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, que tamb\u00e9m \u00e9 pensado a partir da perspectiva dos grupos que se mantiveram no poder e que, em geral, s\u00e3o os principais geradores e perpetuadores dos discursos raciais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Alonso, Jorge (1976). <em>La dial\u00e9ctica clases-elites en M\u00e9xico<\/em>. M\u00e9xico: La Casa Chata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Austin, John (1920). <em>C\u00f3mo hacer cosas con palabras<\/em>. Barcelona: Paid\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Balibar, \u00c9tienne (1988). \u201c\u00bfExiste el neorracismo?\u201d, en Immanuel Wallerstein y \u00c9tienne Balibar<em>, Raza, naci\u00f3n y clase<\/em>. Madrid: <span class=\"small-caps\">iepala<\/span>, pp. 31-48.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Butler, Judith (2002). <em>Cuerpos que importan: sobre los l\u00edmites materiales y discursivos del \u201csexo\u201d<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Castellanos, Alicia (2001). \u201cNotas para estudiar el racismo hacia los indios en M\u00e9xico\u201d. <em>Papeles de Poblaci\u00f3n<\/em> 28: 165-179.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Gall, Olivia (2004). \u201cIdentidad, exclusi\u00f3n y racismo: reflexiones te\u00f3ricas y sobre M\u00e9xico\u201d. <em>Revista Mexicana de Sociolog\u00eda<\/em> 2: 221-259.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">G\u00f3mez, Jos\u00e9 (2002). <em>Estudios sobre el racismo en M\u00e9xico: enfoques preexistentes, antecedentes y estado de la investigaci\u00f3n<\/em>. Puebla: <span class=\"small-caps\">buap<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lomnitz-Adler, Claudio (1995). <em>Las salidas del laberinto<\/em>. M\u00e9xico: Joaqu\u00edn Mortiz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pareto, Vilfrido (1980). <em>Forma y equilibrio sociales. Extracto del Tratado de Sociolog\u00eda General<\/em>. Madrid: Alianza Universidad.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Taguieff, Pierre-Andr\u00e9 (2001). \u201cEl racismo\u201d. <em>Debate Feminista<\/em> 12 (24): 3-14.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Todorov, Tzvetan (2007). <em>Nosotros y los otros<\/em>. Madrid: Siglo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Vasconcelos, Jos\u00e9 (1948). <em>La raza c\u00f3smica. Misi\u00f3n de la raza iberoamericana<\/em>. Buenos Aires: Espasa Calpe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Wieviorka, Michel (1992). <em>El espacio del racismo<\/em>. Barcelona: Paid\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\"><em>Angie Edell Campos Lazo<\/em> \u00e9 doutoranda em Ci\u00eancias Sociais com especializa\u00e7\u00e3o em Antropologia Social pela ciesas-Occidente (M\u00e9xico), mestre em Desenvolvimento Comunit\u00e1rio pela Universidade Estadual do Centro Oeste do Paran\u00e1 unicentro (Brasil) e graduada em Servi\u00e7o Social pela Universidad Nacional Federico Villarreal (Peru), com mais de oito anos de experi\u00eancia com jovens afro-peruanos e como membro do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Ashanti Peru - Rede Peruana de Jovens Afrodescendentes. Seus interesses de pesquisa incluem g\u00eanero, interculturalidade e direitos humanos. Suas publica\u00e7\u00f5es incluem o livro <em>Mulheres afrodescendentes no sul do Brasil: percep\u00e7\u00f5es sob as dimens\u00f5es da justi\u00e7a<\/em>. E-mail: angieedell@gmail.com. <span class=\"small-caps\">orcid<\/span>: 0000-0002-8488-4610.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\"><em>Jorge Rafael Ram\u00edrez<\/em> \u00e9 doutorando em Ci\u00eancias Sociais pela Universidad Aut\u00f3noma de Nayarit (M\u00e9xico), mestre em Pol\u00edtica Social pela Universidade Estadual de Londrina (Brasil) e graduado em Servi\u00e7o Social pela Universidad Nacional Federico Villarreal (Peru), com mais de dez anos de experi\u00eancia com jovens afroperuanos e como membro do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Ashanti Peru - Red Peruana de J\u00f3venes Afrodescendientes (Rede Peruana de Jovens Afrodescendentes). Ele publicou artigos com \u00eanfase na participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos afrodescendentes e \u00e9 autor do livro<em> Participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de jovens afrodescendentes no Peru<\/em>. E-mail: jorafaelramirez@gmail.com. <span class=\"small-caps\">orcid<\/span>: 0000-0002-8488-4610<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As maneiras pelas quais a racializa\u00e7\u00e3o atravessa a vida cotidiana e, portanto, as formas de analisar o racismo e os fen\u00f4menos sociais relacionados \u00e0 categoria raz, variam de acordo com o contexto. 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