{"id":31870,"date":"2020-03-23T01:18:05","date_gmt":"2020-03-23T01:18:05","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=31870"},"modified":"2024-04-24T13:37:49","modified_gmt":"2024-04-24T19:37:49","slug":"domenech-belanger-dolores-refugiados-politicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/domenech-belanger-dolores-refugiados-politicos\/","title":{"rendered":"Refugiados e refugiados"},"content":{"rendered":"<p class=\"abstract\"><span class=\"dropcap\">E<\/span>a \u00faltima d\u00e9cada, assistimos a acontecimentos sem precedentes em v\u00e1rias partes do mundo em rela\u00e7\u00e3o ao deslocamento for\u00e7ado de pessoas, muitas das quais deveriam ter acesso a mecanismos de prote\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses onde chegam. Apesar da exist\u00eancia de tratados e acordos internacionais que visam preservar a vida das pessoas, garantir seu acesso a direitos, bem como sua inser\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o nas localidades de acolhimento, o que temos visto \u00e9 um retrocesso nas pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es dos Estados diante da chegada de pessoas em busca de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, al\u00e9m da situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 escandalosa em termos humanit\u00e1rios (tanto em termos das condi\u00e7\u00f5es de expuls\u00e3o quanto de tr\u00e2nsito), foram acrescentadas posi\u00e7\u00f5es nacionais que transformaram o fen\u00f4meno em uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em escala internacional. \u00c9 interessante notar que o que vemos em pa\u00edses como Gr\u00e9cia, Alemanha, It\u00e1lia, Fran\u00e7a e Turquia tem express\u00f5es semelhantes tanto no cone sul do continente americano (Argentina, Chile, Peru) quanto no norte (Canad\u00e1, Estados Unidos, M\u00e9xico).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, as crises que estamos presenciando no Mediterr\u00e2neo, nas fronteiras norte e sul do M\u00e9xico ou na Am\u00e9rica do Sul, derivadas das mobiliza\u00e7\u00f5es maci\u00e7as de pessoas que fogem de seus pa\u00edses, nos obrigam a refletir sobre o papel que os Estados est\u00e3o adotando diante da chegada e\/ou do tr\u00e2nsito de pessoas deslocadas e refugiadas, diante do que parece ser uma pol\u00edtica global regressiva, baseada na externaliza\u00e7\u00e3o das fronteiras, na restri\u00e7\u00e3o e na seletividade.<\/p>\n\n\n\n    <div class=\"discrepancia tres\">\n        <h2>Quais s\u00e3o os fatores que ajudam a entender a mudan\u00e7a e\/ou a sobreposi\u00e7\u00e3o entre o fluxo de trabalhadores migrantes e deslocados\/refugiados?<\/h2>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"paris\">\n        <p class=\"nombre\">Dolores Paris<\/p>\n        <p class=\"llamada\">as pessoas n\u00e3o est\u00e3o apenas fugindo da viol\u00eancia pol\u00edtica ou do conflito armado pelo poder do Estado<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"domenech\">\n        <p class=\"nombre\">Eduardo Domenech<\/p>\n        <p class=\"llamada\">A figura do refugiado que prevalece hoje foi moldada no contexto da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"belanger\">\n        <p class=\"nombre\">Dani\u00e8le B\u00e9langer<\/p>\n        <p class=\"llamada\">o n\u00famero de refugiados e solicitantes de asilo aumentou em um ritmo mais r\u00e1pido do que o n\u00famero de outros tipos de migrantes<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta paris\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Atualmente, muitos deslocamentos populacionais decorrem de situa\u00e7\u00f5es insustent\u00e1veis nos locais de origem ou resid\u00eancia habitual, causadas por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores pol\u00edticos, econ\u00f4micos, sociais e ambientais, bem como pela intera\u00e7\u00e3o entre esses fatores: megaprojetos de desenvolvimento, desastres ambientais, fome, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e assim por diante. No subcontinente latino-americano e no Caribe, as pessoas tamb\u00e9m est\u00e3o fugindo da inseguran\u00e7a e da viol\u00eancia generalizada ligadas \u00e0 expans\u00e3o dos mercados criminosos: sistemas de extors\u00e3o e poder territorial de gangues e organiza\u00e7\u00f5es criminosas, o forte entrela\u00e7amento do crime organizado com institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, viol\u00eancia baseada em g\u00eanero e viol\u00eancia policial contra jovens. No per\u00edodo p\u00f3s-Guerra Fria, os fatores de expuls\u00e3o parecem, portanto, se multiplicar; as pessoas n\u00e3o est\u00e3o fugindo apenas da viol\u00eancia pol\u00edtica ou dos conflitos armados pelo poder do Estado, mas, acima de tudo, das \"novas guerras contra os pobres\" (Gledhill, 2015): das lutas sangrentas pelo controle dos recursos naturais e dos mercados legais e ilegais. Nesse sentido, o fim do desenvolvimentismo na Am\u00e9rica Latina deu lugar a um capitalismo de desapropria\u00e7\u00e3o (Harvey, 2004) que desloca grandes massas de pessoas para se apropriar dos recursos naturais e da terra. \u00c9 um sistema que nega direitos b\u00e1sicos (inclusive o direito \u00e0 vida) a grandes setores de trabalhadores por meio do que Saskia Sassen chama de processo de \"limpeza econ\u00f4mica\" (Sassen, 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Devido a essa multiplicidade e complexidade de fatores de press\u00e3o combinados, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, ag\u00eancias internacionais e acad\u00eamicos propuseram novas categorias, como \"migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada\" (Castles, 2003), migra\u00e7\u00e3o mista (ACNUR), migra\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia (Betts, 2013) e expuls\u00e3o (Sassen, 2014). Parece haver certo desconforto com a defini\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de refugiado fornecida pela Conven\u00e7\u00e3o sobre Refugiados de 1951, ou seja, uma pessoa que \"devido a um receio bem fundamentado de ser perseguida por motivos de ra\u00e7a, religi\u00e3o, nacionalidade, filia\u00e7\u00e3o a um determinado grupo social ou opini\u00e3o pol\u00edtica, se encontra fora do pa\u00eds de sua nacionalidade e n\u00e3o pode ou, devido a esse receio, n\u00e3o quer valer-se da prote\u00e7\u00e3o desse pa\u00eds\".<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, alguns estudiosos alertam que as categorias de \"migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada\" enfatizam o sistema e incentivam pol\u00edticas p\u00fablicas com uma perspectiva de \"governan\u00e7a migrat\u00f3ria\", enquanto a figura do refugiado continua sendo fundamental para defender a autonomia das pessoas como sujeitos de direitos (Hathaway, 2007). Em outras palavras, \u00e9 essencial preservar os fundamentos b\u00e1sicos do sistema internacional de refugiados, pois ele ainda permite que as pessoas perseguidas que fogem de conflitos armados tenham acesso aos direitos de refugiado reconhecidos por instrumentos jur\u00eddicos nacionais e internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta domenech\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Parece-me que<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> \u00c9 relevante perguntar sobre a maneira como a divis\u00e3o entre trabalhadores migrantes e refugiados foi institu\u00edda, bem como sobre as mudan\u00e7as de significados e sentidos que essas categorias adquiriram ao longo do tempo. Em minha opini\u00e3o, essa divis\u00e3o pode ser entendida como um efeito das pol\u00edticas e pr\u00e1ticas de regulamenta\u00e7\u00e3o internacional dos movimentos populacionais institu\u00eddas ao longo do s\u00e9culo XX. Nesse sentido, essas categorias s\u00e3o um produto hist\u00f3rico das lutas entre atores e institui\u00e7\u00f5es que buscavam obter autoridade sobre determinados \"problemas populacionais\", contestavam uma determinada esfera de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e\/ou competiam pelo dom\u00ednio pol\u00edtico, cultural e econ\u00f4mico sobre pa\u00edses, regi\u00f5es e movimentos migrat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, a divis\u00e3o entre trabalhadores migrantes e refugiados acabou constituindo esferas distintas de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com o estabelecimento de dois Pactos Globais, um para migra\u00e7\u00e3o e outro para refugiados, sob o monop\u00f3lio da OIM e do ACNUR, respectivamente. Essa separa\u00e7\u00e3o decorre das disputas e dos confrontos gerados em torno dos grandes movimentos populacionais durante o s\u00e9culo XX, que eram vistos como uma fonte de instabilidade social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica, especialmente em torno do que foi chamado de \"superpopula\u00e7\u00e3o\" na Europa do p\u00f3s-guerra. Como v\u00e1rios estudos hist\u00f3ricos mostraram (por exemplo, Karatani, 2005; Saunders, 2014), embora o \"regime internacional de refugiados\", de acordo com as defini\u00e7\u00f5es convencionais, tenha sido constitu\u00eddo durante a segunda metade do s\u00e9culo XX, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entender completamente o estabelecimento da divis\u00e3o entre \"migrantes\" e \"refugiados\" sem analisar o per\u00edodo entre guerras e o contexto da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>O confronto entre o governo dos EUA e as organiza\u00e7\u00f5es internacionais, como a OIT e as Na\u00e7\u00f5es Unidas, foi decisivo para moldar a estrutura institucional internacional que surgiu ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial para lidar com os movimentos migrat\u00f3rios: o ICem (atual OIM) e o ACNUR. Ao mesmo tempo, essas organiza\u00e7\u00f5es herdaram recursos institucionais e econ\u00f4micos, bem como ideias e disputas sobre como lidar com o \"problema dos refugiados\" e os deslocamentos em larga escala de pessoas que haviam ocorrido muito antes do fim da guerra. Por outro lado, como \u00e9 sabido, a figura do refugiado que prevalece hoje foi moldada no contexto da Segunda Guerra Mundial, com uma forte marca da defini\u00e7\u00e3o legal estabelecida na Conven\u00e7\u00e3o de 1951 e no Protocolo de 1967 e das a\u00e7\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es do ACNUR, criado em 1950. Mas \u00e9 importante lembrar, como indicam os estudos citados acima, que os componentes centrais da defini\u00e7\u00e3o oficial de refugiado, tais como as no\u00e7\u00f5es de persegui\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o, bem como a determina\u00e7\u00e3o de certos direitos exclusivos para os refugiados, tiveram origem em medidas tomadas durante as d\u00e9cadas de 1920 e 1930 no \u00e2mbito da Liga das Na\u00e7\u00f5es, nascida imediatamente ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial, em resposta aos movimentos de pessoas deslocadas naquela \u00e9poca; Posteriormente, a defini\u00e7\u00e3o de refugiados como v\u00edtimas de persegui\u00e7\u00e3o e necessitados de prote\u00e7\u00e3o internacional foi finalizada com a forma\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional de Refugiados (OIR) em meados da d\u00e9cada de 1940, no final da Segunda Guerra Mundial. Menos conhecido \u00e9 o fato de que a defini\u00e7\u00e3o oficial de refugiado tamb\u00e9m foi moldada pela rivalidade entre os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e pelas a\u00e7\u00f5es do governo dos EUA para excluir o bloco sovi\u00e9tico da OIR. Foi tamb\u00e9m durante o per\u00edodo entre guerras e nos anos seguintes que muitas das concep\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas que moldaram e ainda moldam as pol\u00edticas institucionais em rela\u00e7\u00e3o ao ref\u00fagio foram forjadas. No\u00e7\u00f5es centrais do Pacto Global para Refugiados, estabelecido em 2018, como \"compartilhamento de \u00f4nus\", j\u00e1 faziam parte das discuss\u00f5es sobre o \"problema dos refugiados\" na Liga das Na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta belanger\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">De acordo com os dados mais recentes da ONU sobre fluxos migrat\u00f3rios globais, sabemos que, nos \u00faltimos anos, o n\u00famero de refugiados e solicitantes de asilo aumentou em um ritmo mais r\u00e1pido do que o n\u00famero de outros tipos de migrantes. Entre 2010 e 2017, houve 13 milh\u00f5es de migrantes for\u00e7ados adicionais, representando cerca de um quarto do aumento total de migrantes internacionais. Durante esse per\u00edodo, os refugiados e os solicitantes de asilo aumentaram a uma taxa de 8% por ano, enquanto o total de todos os outros migrantes internacionais aumentou apenas a uma taxa de 2%. H\u00e1 in\u00fameros e complexos fatores que explicam essas tend\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que crises prolongadas, conflitos e inseguran\u00e7a em algumas regi\u00f5es, incluindo partes da \u00c1frica, do Oriente M\u00e9dio, do Sul da \u00c1sia e da Am\u00e9rica Central, pressionaram as pessoas a buscar sobreviv\u00eancia, prote\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a na migra\u00e7\u00e3o. Como mostra a pesquisa, pol\u00edticas de imigra\u00e7\u00e3o mais restritivas, especialmente em rela\u00e7\u00e3o a trabalhadores estrangeiros tempor\u00e1rios e pessoas com baixo capital humano, social e econ\u00f4mico, fizeram com que mais migrantes cruzassem as fronteiras por outros meios que n\u00e3o a migra\u00e7\u00e3o legal. Dadas as possibilidades limitadas de migra\u00e7\u00e3o legal, o setor de migra\u00e7\u00e3o prospera, como demonstram os casos do Mar Mediterr\u00e2neo, da rota dos B\u00e1lc\u00e3s, da fronteira EUA-M\u00e9xico e, mais recentemente e em menor escala, da fronteira EUA-Canad\u00e1. Assim, embora as situa\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses de emigra\u00e7\u00e3o de refugiados sejam cr\u00edticas, as mudan\u00e7as globais nas pol\u00edticas de migra\u00e7\u00e3o, impulsionadas pela concep\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria da migra\u00e7\u00e3o e sua constru\u00e7\u00e3o como uma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 estabilidade, contribu\u00edram para gerar mais solicitantes de asilo e refugiados. Essa tend\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 impulsionada por novos limites de categorias administrativas que afetam as taxas de crescimento de pessoas que se enquadram na categoria de solicitantes de asilo e refugiados.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Fran\u00e7a, por exemplo, antes da d\u00e9cada de 1970, os refugiados eram frequentemente tratados como outros trabalhadores migrantes, estavam sob as mesmas pol\u00edticas e se beneficiavam do mesmo conjunto de direitos. No entanto, o estudo hist\u00f3rico das categorias administrativas de migrantes indica como, ap\u00f3s um per\u00edodo de assimila\u00e7\u00e3o a outros grupos de trabalhadores estrangeiros, os refugiados gradualmente se distinguiram deles como estrangeiros com menos direitos, incluindo um direito limitado ao trabalho, o que levou \u00e0 sua hiperprecariedade. Por fim, as pol\u00edticas levaram \u00e0 subordina\u00e7\u00e3o do direito ao status de prote\u00e7\u00e3o para controlar a migra\u00e7\u00e3o e combater a migra\u00e7\u00e3o irregular. As mudan\u00e7as na constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das categorias administrativas fazem parte da tend\u00eancia que observamos hoje.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n    <\/div>\n    \n\n\n\n    <div class=\"discrepancia tres\">\n        <h2>A partir do seu contexto e de uma perspectiva anal\u00edtica cr\u00edtica, como voc\u00ea definiria as pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es do Estado em rela\u00e7\u00e3o a pessoas deslocadas e refugiados?<\/h2><br \/>\n\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"paris\">\n        <p class=\"nombre\">Dolores Paris<\/p>\n        <p class=\"llamada\">poucos estados legislaram sobre a prote\u00e7\u00e3o de pessoas deslocadas<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"domenech\">\n        <p class=\"nombre\">Eduardo Domenech<\/p>\n        <p class=\"llamada\">pol\u00edtica de hostilidade\" combinada com uma \"pol\u00edtica de hospitalidade seletiva\".<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"belanger\">\n        <p class=\"nombre\">Dani\u00e8le B\u00e9langer<\/p>\n        <p class=\"llamada\">as necessidades e o desespero humanos podem ser reduzidos a moeda de troca pol\u00edtica<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta paris\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">De acordo com o ACNUR, em 2018 havia 25,9 milh\u00f5es de refugiados, 3,5 milh\u00f5es de solicitantes de asilo e 41,3 milh\u00f5es de pessoas deslocadas internamente no mundo (ACNUR, 2019).<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> Embora v\u00e1rios instrumentos internacionais e regionais para a prote\u00e7\u00e3o de refugiados tenham sido desenvolvidos desde pelo menos a metade do s\u00e9culo XX, o deslocamento interno for\u00e7ado (FIDH) carece de uma estrutura normativa internacional.<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> A maioria dos pa\u00edses de destino tamb\u00e9m tem leis de refugiados, mas poucos estados legislaram para proteger pessoas deslocadas \u00e0 for\u00e7a em seus territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O M\u00e9xico tem uma taxa de reconhecimento relativamente alta em compara\u00e7\u00e3o com os principais pa\u00edses de destino, como os Estados Unidos: em 2019, o M\u00e9xico teve uma taxa de reconhecimento de refugiados de 74% (dos casos resolvidos naquele ano), enquanto os Estados Unidos tiveram uma taxa de reconhecimento de 31% naquele ano.<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o sistema de refugiados no M\u00e9xico sofre de problemas estruturais e institucionais relacionados principalmente \u00e0 falta de recursos e \u00e0 aus\u00eancia de uma pol\u00edtica para a integra\u00e7\u00e3o social dos refugiados. O crescimento incessante do n\u00famero de solicita\u00e7\u00f5es de ref\u00fagio fez com que, nos \u00faltimos anos, a Comiss\u00e3o Mexicana de Ajuda aos Refugiados (COMAR) - a institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel pelo processamento dessas solicita\u00e7\u00f5es - estivesse praticamente em colapso. Assim, em 2014, foram apresentadas 2.137 solicita\u00e7\u00f5es, enquanto em 2019 foram 70.302, com um crescimento de mais de 3.000% em cinco anos. Por outro lado, o or\u00e7amento dessa comiss\u00e3o estagnou entre 2015 e 2018 para diminuir em 2019 em cerca de 25%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dfi, o M\u00e9xico n\u00e3o tem uma lei sobre o assunto, nem qualquer institui\u00e7\u00e3o especificamente respons\u00e1vel pela prote\u00e7\u00e3o ou cuidado de pessoas deslocadas, embora a Lei Geral de V\u00edtimas (lgv 2013) estipule em v\u00e1rios de seus par\u00e1grafos direitos e garantias para essas pessoas. At\u00e9 o momento, n\u00e3o foram elaboradas pol\u00edticas p\u00fablicas para promover a aten\u00e7\u00e3o especializada \u00e0s pessoas deslocadas, o que tem levado \u00e0 revitimiza\u00e7\u00e3o frequente dessas pessoas por parte das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e das sociedades (CNDH 2016, CMPDDH <em>et al<\/em>., 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o problema do deslocamento no M\u00e9xico \u00e9 antigo, pois desde a d\u00e9cada de 1970 v\u00e1rios estudos relataram movimentos populacionais em massa por motivos pol\u00edticos, religiosos ou de posse de terra, principalmente em regi\u00f5es ind\u00edgenas (Paris, 2012). Atualmente, a dfi est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 extens\u00e3o do poder de fato das organiza\u00e7\u00f5es criminosas, \u00e0s pol\u00edticas de seguran\u00e7a do Estado e \u00e0 sua estrat\u00e9gia de combate ao tr\u00e1fico de drogas. Com base em um estudo sistem\u00e1tico dos processos de deslocamento no M\u00e9xico entre 2014 e 2017, a Comiss\u00e3o Mexicana de Defesa e Promo\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos (Comisi\u00f3n Mexicana de Defensa y Promoci\u00f3n de los Derechos Humanos, CMPDH <em>et al<\/em>2017) estima que existam pelo menos<br>329.917 pessoas deslocadas no pa\u00eds. Essa organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil realizou uma estimativa num\u00e9rica, estabeleceu tend\u00eancias e padr\u00f5es de deslocamento e demonstrou que a grande maioria das pessoas deslocadas subsiste em condi\u00e7\u00f5es de profunda vulnerabilidade e invisibilidade (p. 8).<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta domenech\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Acredito que o conceito de \"regime de migra\u00e7\u00e3o e fronteira\" tem grande potencial heur\u00edstico para compreender as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas no campo das pol\u00edticas de migra\u00e7\u00e3o e fronteira na Am\u00e9rica do Sul. O uso de \"regime de migra\u00e7\u00e3o\" ou \"regime de fronteira\" busca investigar e explicar os processos e as pr\u00e1ticas de controle e contesta\u00e7\u00e3o que geralmente s\u00e3o omitidos pelas an\u00e1lises que usam no\u00e7\u00f5es como \"regime internacional de refugiados\" ou \"novo regime internacional para o movimento ordenado de pessoas\" para se referir principalmente ao conjunto de regras, institui\u00e7\u00f5es e procedimentos que regulam os movimentos de \"migrantes\", \"refugiados\" ou \"pessoas deslocadas\". Com base nessas premissas, entendo que as pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es estatais em rela\u00e7\u00e3o a pessoas deslocadas e refugiados precisam ser compreendidas dentro da estrutura de um \"regime sul-americano de migra\u00e7\u00e3o e fronteiras\", em vez de isolar ou confinar a quest\u00e3o dos refugiados a um \"regime regional de refugiados\".<\/p>\n\n\n\n<p>Do meu ponto de vista, nos \u00faltimos anos, os Estados sul-americanos, em maior ou menor grau, realizaram, especialmente desde a chegada ao poder de governos neoconservadores e neoliberais, o que poder\u00edamos chamar de uma \"pol\u00edtica de hostilidade\" combinada com uma \"pol\u00edtica de hospitalidade seletiva\". Os diferentes Estados nacionais implementaram uma variedade de a\u00e7\u00f5es que respondem tanto \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es em n\u00edvel regional quanto a determinadas conjunturas no respectivo contexto nacional. Alguns grupos nacionais, como os venezuelanos, foram favorecidos com diferentes medidas destinadas a facilitar seu tr\u00e2nsito ou resid\u00eancia, sob o argumento humanit\u00e1rio. Essas medidas fazem parte do que eu chamaria de \"pol\u00edtica de temporariedade\". Em alguns momentos, os \u00f3rg\u00e3os estatais encarregados dos assuntos migrat\u00f3rios decidiram limitar as \"facilidades\" oferecidas, como, por exemplo, estabelecer certas restri\u00e7\u00f5es: conceder autoriza\u00e7\u00f5es de resid\u00eancia tempor\u00e1ria, tornar obrigat\u00f3rio o passaporte v\u00e1lido sem aceitar a carteira de identidade, solicitar um certificado de antecedentes criminais ou um registro judicial apostilado e estabelecer vistos especiais ou vistos consulares (vistos humanit\u00e1rios ou tur\u00edsticos). Entretanto, al\u00e9m do escopo nacional dessas pr\u00e1ticas, \u00e9 importante n\u00e3o perder de vista a constru\u00e7\u00e3o de uma \"resposta regional\" ao movimento massivo de venezuelanos. O Grupo de Lima, criado em 2017 e composto por v\u00e1rios Estados sul-americanos, representa atualmente a posi\u00e7\u00e3o regional assumida por governos de direita em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 migra\u00e7\u00e3o e ao ref\u00fagio. Nesse sentido, \u00e9 essencial levar em conta o desdobramento de a\u00e7\u00f5es conjuntas entre os governos nacionais, a OIM e o ACNUR. \u00c9 revelador que os governos nacionais tenham delegado a essas organiza\u00e7\u00f5es internacionais o plano de a\u00e7\u00e3o resultante da \"Declara\u00e7\u00e3o de Quito sobre a mobilidade humana dos cidad\u00e3os venezuelanos na regi\u00e3o\".<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta belanger\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Atualmente, as pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es relativas aos refugiados est\u00e3o eminentemente ligadas \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es eleitorais nacionais e aos processos geopol\u00edticos internacionais. A Turquia ilustra claramente esse \u00faltimo caso. Quando a guerra na S\u00edria come\u00e7ou em 2010, a Turquia estabeleceu uma pol\u00edtica de \"fronteiras abertas\" que permitia que os requerentes de asilo s\u00edrios cruzassem a fronteira e encontrassem seguran\u00e7a na Turquia. A l\u00f3gica por tr\u00e1s dessa pol\u00edtica era a cren\u00e7a de que o regime de Assad cairia rapidamente, dado o grande investimento militar dos aliados internacionais no conflito. A Turquia se posicionou como o vizinho ben\u00e9fico que protegeu temporariamente a vida dos oprimidos ao designar os s\u00edrios como \"h\u00f3spedes\". No entanto, em vez de humanit\u00e1ria, essa pol\u00edtica de portas abertas era eminentemente pol\u00edtica e econ\u00f4mica; fazia parte da pol\u00edtica neo-otomanista do governo Erdogan na regi\u00e3o, buscando construir politicamente os antigos territ\u00f3rios do Imp\u00e9rio Otomano como \u00e1reas de influ\u00eancia a serem reconquistadas. Mas o otimismo inicial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra na S\u00edria se esvaiu e, \u00e0 medida que o conflito se agravou e persistiu, a pol\u00edtica de portas abertas da Turquia resultou em 3,8 milh\u00f5es de requerentes de asilo s\u00edrios se estabelecendo no pa\u00eds, principalmente nas cidades, enquanto menos de 10% se estabeleceram em campos do governo localizados na fronteira entre a Turquia e a S\u00edria. Essa situa\u00e7\u00e3o, muitas vezes apresentada como uma crise migrat\u00f3ria, foi parcialmente o resultado da pol\u00edtica externa da pr\u00f3pria Turquia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 S\u00edria e seu posicionamento na regi\u00e3o. A esperan\u00e7a da Turquia de desempenhar um papel central na reconstru\u00e7\u00e3o da S\u00edria, enquanto os s\u00edrios poderiam se reintegrar rapidamente ao seu pa\u00eds de origem, se dissipou com o passar dos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Juntamente com essa crise internacional, a Turquia come\u00e7ou a usar os s\u00edrios e outros refugiados que viviam dentro de suas fronteiras como uma ferramenta diplom\u00e1tica, literalmente barganhando seus corpos nas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com a UE. Ao mesmo tempo, a posi\u00e7\u00e3o dividida e amb\u00edgua da UE nas negocia\u00e7\u00f5es com a Turquia durante o processo de ades\u00e3o \u00e0 UE, que come\u00e7ou em 2005, revelou suas contradi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas de migra\u00e7\u00e3o. Embora a UE tenha adotado uma decis\u00e3o n\u00e3o vinculativa de suspender as negocia\u00e7\u00f5es com a Turquia em novembro de 2016, n\u00e3o houve progresso nessa decis\u00e3o por medo de prejudicar as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com a Turquia. A determina\u00e7\u00e3o da UE em evitar a \"crise migrat\u00f3ria\" de 2015 exigiu a coopera\u00e7\u00e3o da Turquia. Em v\u00e1rios momentos de tens\u00e3o entre a UE e a Turquia, Erdogan amea\u00e7ou \"abrir os port\u00f5es\" e inundar a Europa com migrantes se a UE congelasse as negocia\u00e7\u00f5es de ades\u00e3o da Turquia. A negocia\u00e7\u00e3o do corpo de refugiados culminou no acordo de mar\u00e7o de 2016 entre a UE e a Turquia, pelo qual a Turquia concordou em manter os migrantes dentro de suas fronteiras em troca de seis bilh\u00f5es de euros. Esse acordo acalmou as ansiedades europeias e as fac\u00e7\u00f5es anti-imigra\u00e7\u00e3o e minou completamente a capacidade da UE de pressionar a Turquia a respeitar os padr\u00f5es europeus de direitos humanos e democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta an\u00e1lise dos jogos macropol\u00edticos complexos e anti\u00e9ticos que sustentam a estrutura da pol\u00edtica de refugiados na Turquia e na Uni\u00e3o Europeia exemplifica como as necessidades e o desespero humanos podem ser reduzidos a moedas de troca pol\u00edtica. Enquanto isso, milh\u00f5es de vidas s\u00e3o negligenciadas em prol da din\u00e2mica do macro poder. Embora n\u00e3o haja nada de novo sob o sol, o n\u00famero de seres humanos que buscam prote\u00e7\u00e3o hoje n\u00e3o tem precedentes e os jogos pol\u00edticos que impedem solu\u00e7\u00f5es eficazes exigem uma cr\u00edtica vigorosa.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n    <\/div>\n    \n\n\n\n    <div class=\"discrepancia tres\">\n        <h2>Que elementos ou considera\u00e7\u00f5es devem estar contidos em poss\u00edveis propostas para abordar essas quest\u00f5es em n\u00edvel local, nacional ou internacional?<\/h2><br \/>\n\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"paris\">\n        <p class=\"nombre\">Dolores Paris<\/p>\n        <p class=\"llamada\">o fortalecimento das institui\u00e7\u00f5es encarregadas n\u00e3o apenas de processar os pedidos de asilo, mas tamb\u00e9m de proteger os direitos humanos<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"domenech\">\n        <p class=\"nombre\">Eduardo Domenech<\/p>\n        <p class=\"llamada\">h\u00e1 muitas li\u00e7\u00f5es a serem aprendidas com a enorme heterogeneidade das experi\u00eancias de luta<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"belanger\">\n        <p class=\"nombre\">Dani\u00e8le B\u00e9langer<\/p>\n        <p class=\"llamada\">em n\u00edvel internacional, \u00e9 necess\u00e1ria uma despolitiza\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o humana<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta paris\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Os crit\u00e9rios para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de assist\u00eancia a refugiados ou pessoas deslocadas internamente devem se basear nos instrumentos internacionais de direitos humanos aos quais o Estado aderiu, bem como em uma perspectiva de integra\u00e7\u00e3o baseada em direitos humanos e princ\u00edpios de equidade de g\u00eanero. No M\u00e9xico, apesar do fato de que tanto a Lei de Migra\u00e7\u00e3o (2011) quanto a Lei de Refugiados, Prote\u00e7\u00e3o Complementar e Asilo Pol\u00edtico (2014) se baseiam em princ\u00edpios de direitos humanos, as pol\u00edticas para pessoas em um contexto de mobilidade regularmente contradizem e violam esses princ\u00edpios, priorizando a fun\u00e7\u00e3o de conten\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o e no\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a nacional ou seguran\u00e7a p\u00fablica. No que diz respeito \u00e0s pessoas deslocadas \u00e0 for\u00e7a, ainda n\u00e3o existe uma pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o ou inclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o problema do deslocamento for\u00e7ado deve ser observado em n\u00edvel regional, levando em conta a situa\u00e7\u00e3o geoestrat\u00e9gica da Am\u00e9rica Central e do M\u00e9xico. De fato, a regi\u00e3o mesoamericana constitui um corredor pelo qual transitam n\u00e3o apenas pessoas dessa regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m pessoas expulsas de regi\u00f5es t\u00e3o distantes quanto o Chifre da \u00c1frica e o Sudeste Asi\u00e1tico. A tend\u00eancia nos \u00faltimos cinco anos \u00e9 que, como as rotas de migra\u00e7\u00e3o do norte da \u00c1frica e do Mediterr\u00e2neo foram drasticamente fechadas, cada vez mais pessoas est\u00e3o percorrendo rotas extremamente longas por v\u00e1rios continentes, passando pela Am\u00e9rica Central e entrando no M\u00e9xico pela fronteira sul. A grande maioria dessas pessoas deslocadas pela viol\u00eancia tenta chegar ao territ\u00f3rio dos EUA, mas, devido \u00e0s pol\u00edticas de conten\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o e \u00e0 falta de alternativas de documenta\u00e7\u00e3o, elas ficam presas por meses no sul do M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, o M\u00e9xico n\u00e3o era um pa\u00eds de destino, se considerarmos que, ao longo do s\u00e9culo XX, a popula\u00e7\u00e3o nascida em outro pa\u00eds nunca ultrapassou 1%. Al\u00e9m disso, de acordo com o representante do ACNUR, em 2018 o M\u00e9xico nem sequer est\u00e1 entre os 100 principais pa\u00edses receptores de refugiados do mundo. No entanto, devido \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia econ\u00f4mica e pol\u00edtica com os Estados Unidos - o principal pa\u00eds de destino no mundo -, o M\u00e9xico formou um amplo cintur\u00e3o de conten\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria. A pol\u00edtica restritiva e punitiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas no contexto da mobilidade afetou drasticamente os direitos humanos dos solicitantes de asilo e refugiados.<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a> Milhares de pessoas que tentam chegar aos EUA para solicitar asilo nos EUA foram bloqueadas nas regi\u00f5es de fronteira no norte e no sul do M\u00e9xico e for\u00e7adas a solicitar status de refugiado nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, \u00e9 urgente fortalecer as institui\u00e7\u00f5es cuja miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas processar os pedidos de asilo, mas tamb\u00e9m proteger os direitos humanos das pessoas deslocadas internamente ou atrav\u00e9s das fronteiras. Da mesma forma, considerando que o M\u00e9xico est\u00e1 se tornando rapidamente um pa\u00eds de destino, \u00e9 urgente a elabora\u00e7\u00e3o e a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas para a integra\u00e7\u00e3o social das pessoas em um contexto de mobilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta domenech\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Acredito que uma investiga\u00e7\u00e3o cr\u00edtica sobre a produ\u00e7\u00e3o e os efeitos do \"regime internacional de refugiados\", bem como sobre as pr\u00e1ticas que o constituem ou dele derivam, pode ser uma abordagem produtiva para imaginar outras propostas poss\u00edveis. Nesse sentido, parece-me importante distinguir entre as cr\u00edticas t\u00e9cnicas que destacam a dist\u00e2ncia ou a contradi\u00e7\u00e3o entre a norma escrita e as formas pelas quais ela \u00e9 violada, e os pontos cr\u00edticos que problematizam e questionam as pol\u00edticas de refugiados sem tomar como certo o que Malkki (1995) chama de \"ordem nacional das coisas\" no campo de ref\u00fagio e asilo.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o texto do Pacto Global sobre Refugiados oferece muitos elementos para ampliar e aprofundar a discuss\u00e3o sobre pol\u00edticas alternativas em diferentes escalas. Para fins de imaginar pol\u00edticas e pr\u00e1ticas alternativas \u00e0 maneira dominante de pensar e agir em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \"migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada\", seria problem\u00e1tico que esse documento fosse tomado de forma prescritiva, ou seja, como algo a ser feito. O reconhecimento e a prote\u00e7\u00e3o de alguns poucos dentro do universo dos \"eleg\u00edveis\", aqueles que respondem \u00e0 figura do \"bom refugiado\", o verdadeiro ou genu\u00edno \"merecedor\" do status de refugiado, desacredita e priva o restante dos migrantes, em especial os ilegalizados, de qualquer princ\u00edpio, direito ou benef\u00edcio poss\u00edvel contemplado pelas \"pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o\". Esse \u00e9 o caso paradigm\u00e1tico do princ\u00edpio de non-refoulement (n\u00e3o devolu\u00e7\u00e3o). Essas quest\u00f5es devem levar a uma considera\u00e7\u00e3o cuidadosa da rela\u00e7\u00e3o entre ref\u00fagio, humanitarismo e prote\u00e7\u00e3o de fronteiras. A esse respeito, deve-se ter em mente que, como Didier Bigo j\u00e1 apontou h\u00e1 muito tempo, o discurso humanit\u00e1rio pode ser entendido como um subproduto do processo de \"securitiza\u00e7\u00e3o\": esse \u00e9 o caso, por exemplo, quando \u00e9 feita uma diferencia\u00e7\u00e3o entre os solicitantes de asilo genu\u00ednos e os migrantes \"ilegais\", sendo que os primeiros s\u00e3o ajudados enquanto os \u00faltimos s\u00e3o condenados, ao mesmo tempo em que essa diferencia\u00e7\u00e3o serve para justificar os controles de fronteira (Bigo, 2002).<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, acredito que h\u00e1 muitas li\u00e7\u00f5es a serem aprendidas com a enorme heterogeneidade de experi\u00eancias de luta, protesto, contesta\u00e7\u00e3o ou resist\u00eancia que os solicitantes de asilo e refugiados realizaram em diferentes partes do mundo. Se houver alguma inten\u00e7\u00e3o de transformar radicalmente o campo da pol\u00edtica de migra\u00e7\u00e3o (incluindo o refugiado), deve-se dar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 figura do \"refugiado ruim\" e ouvir mais os \"refugiados\" desobedientes, os \"hereges\".<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n      <div class=\"respuesta belanger\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"no-indent\">Uma \u00e1rea cr\u00edtica de interven\u00e7\u00e3o diz respeito aos refugiados como trabalhadores. Atualmente, os solicitantes de asilo e os refugiados em muitos pa\u00edses do mundo formam uma for\u00e7a de trabalho prec\u00e1ria, barata e vulner\u00e1vel que atende \u00e0s necessidades dos empregadores e dos propriet\u00e1rios capitalistas. Na Turquia, os 3,8 milh\u00f5es de refugiados s\u00edrios t\u00eam um status amb\u00edguo, produto das condi\u00e7\u00f5es do regime de prote\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria sob o qual est\u00e3o registrados. Os s\u00edrios na Turquia recebem uma permiss\u00e3o de resid\u00eancia tempor\u00e1ria, mas o acesso a uma permiss\u00e3o de trabalho \u00e9 praticamente imposs\u00edvel. Essa situa\u00e7\u00e3o empurra os s\u00edrios para o setor informal, onde s\u00e3o empregados como trabalhadores n\u00e3o autorizados, muitas vezes em condi\u00e7\u00f5es abusivas. Sobrevivendo com uma renda extremamente baixa, as fam\u00edlias da classe trabalhadora s\u00e3o obrigadas a enviar seus filhos e adolescentes para trabalhar. Essa situa\u00e7\u00e3o transforma os trabalhadores s\u00edrios em uma for\u00e7a de trabalho semelhante \u00e0 dos trabalhadores sem documentos nos pa\u00edses do norte global, pois a falta de autoriza\u00e7\u00e3o de trabalho cria um regime de deporta\u00e7\u00e3o em que os s\u00edrios temem ser presos e deportados. Isso tamb\u00e9m serve para disciplinar a for\u00e7a de trabalho e beneficia a economia turca, que est\u00e1 passando por uma grave crise. A transforma\u00e7\u00e3o desses refugiados em uma for\u00e7a de trabalho barata inesperada, mas bem-vinda, merece aten\u00e7\u00e3o e a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas voltadas para os s\u00edrios n\u00e3o mais como refugiados, mas como residentes de longo prazo que vivem com status prec\u00e1rio e exigem direitos trabalhistas plenos. As propostas recentes do Pacto Global da ONU sobre Refugiados podem abrir caminhos para a inser\u00e7\u00e3o legal no mercado de trabalho, mas para pa\u00edses como a Turquia, com um grande setor informal e nenhum programa de trabalho estrangeiro, elas podem ter uma relev\u00e2ncia muito limitada.<\/p>\n\n\n\n<p>Em n\u00edvel internacional, \u00e9 necess\u00e1ria uma despolitiza\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o humana para lidar com a situa\u00e7\u00e3o e proporcionar respeito e dignidade aos solicitantes de asilo que fogem dos conflitos no Oriente M\u00e9dio. As solu\u00e7\u00f5es de curto prazo poderiam incluir a troca do fluxo de refugiados criado pelos pr\u00f3prios pa\u00edses envolvidos no conflito, inclusive a UE. Em n\u00edvel nacional, v\u00e1rias iniciativas combatem e atenuam as condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e exploradoras de trabalho e de vida, mas elas precisam ser ampliadas. \u00c9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a ideol\u00f3gica radical para proporcionar dignidade e respeito \u00e0s popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis na regi\u00e3o e em outros lugares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <\/p>\n\n\n\n<p>\n    <\/div>\n    \n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Refugiados (<span class=\"small-caps\">acnur<\/span>) (2019, 19 de junio). \u201cEl desplazamiento global supera los 70 millones de personas y el Alto Comisionado de la <span class=\"small-caps\">onu<\/span> para los Refugiados pide m\u00e1s solidaridad\u201d, en <em><span class=\"small-caps\">acnur<\/span><\/em><span class=\"small-caps\">. <\/span>Recuperado de https:\/\/www.acnur.org\/es\/politica-de-privacidad.html, consultado el 26 de febrero de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Betts, Alexander (2013). <em>Survival Migration. Failed Governance and the Crisis of Displacement<\/em>. Ithaca: Cornell University Press. https:\/\/doi.org\/10.7591\/cornell\/9780801451065.001.0001<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Bigo, Didier (2002). \u201cSecurity and Immigration: Toward a Critique of the Governmentality of Unease\u201d, en <em>Alternatives<\/em>, vol. 27, n\u00fam 1, pp. 63-92. https:\/\/doi.org\/10.1177\/03043754020270S105<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Castles, Stephen (2003). \u201cTowards a Sociology of Forced Migration and Social Transformation\u201d, en<em> Sociology<\/em>, vol. 37, n\u00fam. 1, pp. 13-34. https:\/\/doi.org\/10.1177\/0038038503037001384<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Comisi\u00f3n Mexicana de Ayuda a Refugiados (<span class=\"small-caps\">comar<\/span>) (2020, 07 de enero). <em>Datos al cierre de Diciembre 2019<\/em>. Recuperado de https:\/\/www.gob.mx\/cms\/uploads\/attachment\/file\/522537\/CIERRE_DICIEMBRE_2019__07-ene_.pdf, consultado el 26 de febrero de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Comisi\u00f3n Mexicana de Defensa y Promoci\u00f3n de los Derechos Humanos (<span class=\"small-caps\">cmdpdh<\/span>) (2017), Fundaci\u00f3n Mexicana para el Desarrollo y Agencia de los Estados Unidos para el Desarrollo Internacional (<span class=\"small-caps\">usaid<\/span>) (2017).<em> Episodios de desplazamiento interno forzado masivo en M\u00e9xico. Informe 2017<\/em>. M\u00e9xico: El Recipiente. Recuperado de http:\/\/www.cmdpdh.org\/publicaciones-pdf\/ cmdpdh-episodios-de-desplazamiento-interno- forzado-en-mexico-informe-2017.pdf, consultado el 26 de febrero de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Comisi\u00f3n Nacional de los Derechos Humanos (<span class=\"small-caps\">cndh<\/span>) (2016). <em>Informe especial sobre desplazamiento forzado interno (<span class=\"small-caps\">dfi<\/span>) en M\u00e9xico<\/em>. Recuperado de http:\/\/informe.cndh.org.mx\/uploads\/menu\/15008\/2016_IE_DesplazadosD.pdf, consultado el 26 de febrero de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Gledhill, John (2015). <em>The New War on the Poor. The Production of Insecurity in Latin America<\/em>. Londres: Zed Books.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Harvey, David (2004). \u201cThe \u2018New\u2019 Imperialism: Accumulation by Dispossession\u201d, en <em>Socialist Register<\/em>, vol. 40, pp. 63-87.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Hathaway, James C. (2007). \u201cForced Migration Studies: Could We Agree Just to \u2018Date\u2019?\u201d, en <em>Journal of Refugee Studies<\/em>, pp. 349-369. https:\/\/doi.org\/10.1093\/jrs\/fem019<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Karatani, Rieko (2005). \u201cHow History Separated Refugee and Migrant Regimes: In Search of Their Institutional Origins\u201d, en <em>International Journal of Refugee Law<\/em>, vol. 17, n\u00fam. 3, pp. 517-541. https:\/\/doi.org\/10.1093\/ijrl\/eei019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Malkki, Liisa (1995). \u201cRefugees and Exile: From \u2018Refugee Studies\u2019 to the National Order of Things\u201d, en <em>Annual Review of Anthropology<\/em>, vol. 24, pp. 495-523. https:\/\/doi.org\/10.1146\/annurev.an.24.100195.002431<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Par\u00eds Pombo, Mar\u00eda Dolores (coord.) (2012). <em>La di\u00e1spora triqui. Violencia pol\u00edtica, desplazamiento forzado y migraci\u00f3n<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">uam<\/span>-Xochimilco\/\u00cdtaca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Sassen, Saskia (2014).<em> Expulsions. Brutality and Complexity in the Global Economy<\/em>. Harvard: Harvard University Press. https:\/\/doi.org\/10.4159\/9780674369818<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Saunders, Natasha (2014). \u201cParadigm Shift or Business as Usual? 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