{"id":31830,"date":"2020-03-23T01:45:23","date_gmt":"2020-03-23T01:45:23","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=31830"},"modified":"2023-11-17T18:40:54","modified_gmt":"2023-11-18T00:40:54","slug":"grimaldo-transeunte-cultura-trayectos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/grimaldo-transeunte-cultura-trayectos\/","title":{"rendered":"Rumo a um paradigma transit\u00f3rio: abordando a cultura por meio de jornadas cotidianas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">\"A consci\u00eancia \u00e9 apenas um incidente de locomo\u00e7\u00e3o\".<br>Robert E. Park, <em>A cidade e outros ensaios sobre ecologia urbana <\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">Este <em>dossi\u00ea<\/em> tem como objetivo discutir o papel sociocultural do tr\u00e2nsito na configura\u00e7\u00e3o de sujeitos sociais, atores pol\u00edticos, lugares simb\u00f3licos, a\u00e7\u00f5es coletivas e, em geral, a ordem social \u00e0 qual nos atribu\u00edmos por meio da pr\u00e1tica di\u00e1ria de nos deslocarmos entre diferentes pontos do espa\u00e7o geogr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, h\u00e1 algo fascinante no fluxo constante de corpos humanos ao longo de diferentes estradas. A soma total dessas viagens vistas do c\u00e9u \u00e9 muito semelhante aos maravilhosos fluxos que podem ser vistos na natureza: sangue, \u00e1gua ou esp\u00e9cies migrat\u00f3rias, por exemplo. No entanto, h\u00e1 uma grande diferen\u00e7a: os fen\u00f4menos do tr\u00e2nsito humano s\u00e3o culturais e, portanto, exigem um exerc\u00edcio complexo de reflex\u00e3o para entender seus efeitos em nossas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios autores abordaram o fen\u00f4meno do tr\u00e2nsito como uma entidade sociocultural eminentemente urbana (Joseph, 1988; Garc\u00eda, Castellanos, Rosas, 1996; Aguilar, 2006; Delgado, 2007; Lind\u00f3n, 2014), mas suas contribui\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o terminaram de posicionar essa pr\u00e1tica como protagonista da ordem urbana. Embora seja cada vez mais comum falar de tr\u00e2nsito em termos culturais, ainda se d\u00e1 maior valor anal\u00edtico \u00e0 pr\u00e1tica de habitar as cidades. A preemin\u00eancia da vis\u00e3o do habitar para explicar a vida urbana tem sido, em grande medida, respons\u00e1vel pelo fato de que parte dos estudos sociais considera o tr\u00e2nsito como uma atividade fugaz, passageira e an\u00f4nima, desprovida de significado estrutural e das virtudes identit\u00e1rias caracter\u00edsticas do habitar.<\/p>\n\n\n\n<p>O interesse pelo papel do tr\u00e2nsito na configura\u00e7\u00e3o cultural dos sujeitos que praticam a cidade n\u00e3o deve ser assimilado como algo conjuntural ao tempo presente. Essa condi\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente desde a forma\u00e7\u00e3o das cidades (Careri, 2009). A diferen\u00e7a \u00e9 que hoje a condi\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria se tornou mais relevante para entender a configura\u00e7\u00e3o de identidades, pr\u00e1ticas e imagin\u00e1rios urbanos devido ao recrudescimento das formas capitalistas de produ\u00e7\u00e3o e aos efeitos de segrega\u00e7\u00e3o, desgaste emocional, cultural, ambiental e at\u00e9 de sa\u00fade que elas geram entre a popula\u00e7\u00e3o das cidades.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O tr\u00e2nsito como a dan\u00e7a que invoca o urbano<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/El_transito_como_la_danza-Arturo_J_Martinez.mp4\"><\/video><figcaption>V\u00eddeo: Arturo J. Mart\u00ednez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A pr\u00e1tica de se movimentar pelo espa\u00e7o urbano \u00e9 a for\u00e7a motriz da vida urbana. Alguns autores optaram por reconhecer o espa\u00e7o p\u00fablico como a principal caracter\u00edstica das cidades, mas parecem se esquecer de que o espa\u00e7o p\u00fablico n\u00e3o adquire suas caracter\u00edsticas de forma inerente, mas sim quando as pessoas deixam seus locais privados e \u00edntimos de resid\u00eancia para se expor e interagir com outras pessoas por meio do tr\u00e2nsito cotidiano. O espa\u00e7o p\u00fablico existe e \u00e9 configurado em rela\u00e7\u00e3o ao tr\u00e2nsito e gra\u00e7as \u00e0 exist\u00eancia de transeuntes. Isso \u00e9 ilustrado pelo fato de que a complexidade da cultura urbana aumenta paralelamente ao surgimento de novas formas e tecnologias de locomo\u00e7\u00e3o. As tecnologias de tr\u00e2nsito introduzem vari\u00e1veis que modificam a din\u00e2mica do tempo e do espa\u00e7o que ordenam a vida das pessoas e o territ\u00f3rio urbano.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa qualidade do tr\u00e2nsito como uma pr\u00e1tica facilitadora do encontro reside a import\u00e2ncia de seu estudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 configura\u00e7\u00e3o social do transeunte. Pelo que foi dito at\u00e9 agora, pode-se perceber que, nas cidades, o tr\u00e2nsito representa mais do que a a\u00e7\u00e3o f\u00edsica de se deslocar entre dois pontos no plano terrestre. O que torna os habitantes das cidades urbanos \u00e9 a configura\u00e7\u00e3o cultural que eles adquirem devido \u00e0 necessidade de se deslocar por um territ\u00f3rio em constante mudan\u00e7a, por meio da qual eles: 1) percebem diversos edif\u00edcios, ve\u00edculos e corpos; 2) interagem com multid\u00f5es de pessoas an\u00f4nimas; 3) assumem normas que sustentam formas de ordem situacional; 4) internalizam s\u00edmbolos e significados que d\u00e3o sentido \u00e0s suas pr\u00e1ticas em p\u00fablico; e 5) adquirem propriedades que os distinguem entre diversos grupos. <em>Para ser<\/em> na cidade \u00e9 transitar nela.<\/p>\n\n\n\n<p>A dan\u00e7a \u00e9 uma analogia que serve para entender a maneira como o tr\u00e2nsito di\u00e1rio das pessoas pela cidade opera sobre a cultura e vice-versa. Manuel Delgado (2007) usa essa met\u00e1fora para destacar que, nos espa\u00e7os p\u00fablicos, nas ruas e cal\u00e7adas das cidades, as pessoas orientam nosso comportamento de acordo com c\u00f3digos culturais escritos e lidos durante nossas viagens. S\u00e3o predisposi\u00e7\u00f5es, externaliza\u00e7\u00f5es ou avisos emitidos por nossos corpos na forma de coreografias. Um tipo de linguagem de reciprocidades multiplicadas que a imagem da dan\u00e7a expressa perfeitamente:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">O corpo-energia-tempo do bailarino [transeunte] expressa todas as suas possibilidades em uma atividade cotidiana, em contextos urbanos nos quais as palavras costumam valer relativamente pouco, na rela\u00e7\u00e3o entre estranhos absolutos ou parciais e nos quais tudo parece depender de eloqu\u00eancias superficiais, n\u00e3o no sentido de triviais, mas como atos que ocorrem na superf\u00edcie, que funcionam por deslizamento (Delgado, 2007: 136).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de deslizamento proporciona uma ordem que \u00e9 constru\u00edda e reconstru\u00edda diariamente pelos moradores da cidade. Embora seja uma ordem baseada em c\u00f3digos comuns e institucionalizados, ela tamb\u00e9m tem um componente altamente vol\u00e1til que traz incerteza. O transeunte espera que a coreografia mude a qualquer momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao caminharmos pela cidade, somos uma esp\u00e9cie de son\u00e2mbulos suscet\u00edveis a um despertar repentino. Com rela\u00e7\u00e3o a essa ideia, Delgado (<em>idem<\/em>) acrescenta que \"as cal\u00e7adas, como espa\u00e7os urbanos por excel\u00eancia, devem, portanto, ser consideradas como o terreno de uma cultura din\u00e2mica e inst\u00e1vel, constantemente elaborada e retrabalhada pelas pr\u00e1ticas e discursos de seus usu\u00e1rios\".<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos dessas manifesta\u00e7\u00f5es, Henri Lefebvre fez uma distin\u00e7\u00e3o entre a cidade e o urbano como dois elementos que constroem um ao outro. A cidade entendida como um local ou lote de terra contendo um conjunto de infraestruturas onde vive uma grande popula\u00e7\u00e3o; o urbano visto como o conjunto de pr\u00e1ticas que o atravessam: \"o trabalho perp\u00e9tuo dos habitantes, eles pr\u00f3prios m\u00f3veis e mobilizados por e para esse trabalho\" (Lefebvre, 1972: 70-71).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O tr\u00e2nsito como um caminho metodol\u00f3gico alternativo<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/grimaldo_christian-introduccion_dossier-video_2.mp4\"><\/video><figcaption>V\u00eddeo: Christian O. Grimaldo-Rodr\u00edguez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Autores como Sheller e Urry (2006) argumentam que as ci\u00eancias sociais n\u00e3o apenas ignoraram o papel do movimento no estudo da ordem social, mas tamb\u00e9m o banalizaram. Embora tenha havido um aumento na an\u00e1lise espacial dos fen\u00f4menos sociais, evidente no surgimento de perspectivas que analisam a paisagem ou o territ\u00f3rio, continua a predominar um paradigma sedent\u00e1rio para a an\u00e1lise da realidade. Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, eles prop\u00f5em um paradigma de mobilidade que deve ser aplicado n\u00e3o apenas a quest\u00f5es de globaliza\u00e7\u00e3o ou desterritorializa\u00e7\u00e3o de estados-na\u00e7\u00e3o, identidades e pertencimentos, como se tem pretendido, mas tamb\u00e9m ao questionamento de quais sujeitos e objetos s\u00e3o apropriados para o interesse da pesquisa social. Isso significa que nos deparamos com o processo de reconhecimento de temas pol\u00edtico-culturais que est\u00e3o \u00e0 nossa frente, mas que deixamos emba\u00e7ados porque os consideramos de pouca relev\u00e2ncia social ou porque nossas pr\u00f3prias t\u00e9cnicas de pesquisa os tornam invis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de t\u00e9cnicas de pesquisa, B\u00fcscher e Urry (2009) distinguem entre aquelas que visam analisar o movimento e aquelas em que o pesquisador est\u00e1 em movimento. Entre as primeiras, por exemplo, est\u00e3o a entrevista semiestruturada, o grupo focal, a hist\u00f3ria de vida, as fontes documentais e a descri\u00e7\u00e3o de lugares, enquanto as \u00faltimas incluem a deriva, a observa\u00e7\u00e3o participante, a etnografia m\u00f3vel e a entrevista em movimento.<sup><a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>O paradigma transit\u00f3rio implica o desenvolvimento n\u00e3o apenas de novas quest\u00f5es de pesquisa, mas tamb\u00e9m de teoriza\u00e7\u00f5es e metodologias alternativas adaptadas \u00e0 problematiza\u00e7\u00e3o do tr\u00e2nsito e ao reconhecimento das ag\u00eancias que surgem a partir dele. Nesse contexto, os estudos que fazem parte deste <em>dossi\u00ea<\/em> tornam-se relevantes como forma de entender certos fen\u00f4menos m\u00f3veis e express\u00f5es urbanas. Precisamos adaptar nossos olhares anal\u00edticos \u00e0 l\u00f3gica do tr\u00e2nsito e precisamos urgentemente alimentar nossa curiosidade com as experi\u00eancias, os problemas, as t\u00e9cnicas e as conclus\u00f5es daqueles que aprenderam a observar a perman\u00eancia e as transforma\u00e7\u00f5es das sociedades. <em>em <\/em>e <em>de <\/em>tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O tr\u00e2nsito como um ato pol\u00edtico-cultural<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/grimaldo_christian-introduccion_dossier-video_3.mp4\"><\/video><figcaption>V\u00eddeo: Christian O. Grimaldo-Rodr\u00edguez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Se considerarmos o ve\u00edculo e a viagem como express\u00f5es pol\u00edticas e estruturantes da vida urbana, nas quais operam v\u00e1rias formas de institucionaliza\u00e7\u00e3o c\u00edvica e moral que moldam os sujeitos como atores pertencentes a diferentes comunidades, e n\u00e3o apenas como um dispositivo de transfer\u00eancia, entenderemos que a \u00eanfase tr\u00e1gica das posi\u00e7\u00f5es que assumem o tr\u00e2nsito como um fen\u00f4meno desestruturante \u00e9 equivocada. \u00c9 verdade que as cidades modernas s\u00e3o estruturadas por redes complexas de estradas e que, em muitos casos, o urbanismo contempor\u00e2neo tem a tend\u00eancia de conectar as pessoas em vez de encontr\u00e1-las, mas a experi\u00eancia etnogr\u00e1fica mostra que o tr\u00e2nsito n\u00e3o anula o encontro, mas o reconfigura.<\/p>\n\n\n\n<p>No ato de viajar, podemos identificar certas manifesta\u00e7\u00f5es em que o poder, as normas e seus correlatos coercitivos agem sobre n\u00f3s que viajamos pelas cidades. Dia ap\u00f3s dia, assumimos uma s\u00e9rie de formas estereotipadas de agir, pensar e sentir ao longo de nossos deslocamentos, seja por seguran\u00e7a, tradi\u00e7\u00e3o, prazer ou normatividade; segundo Wright (2014), \"a no\u00e7\u00e3o de cultura e fato social deve ser acompanhada pela de cidadania, pois consideramos que em cada gesto de estrada, por m\u00ednimo que seja, estamos performativamente colocando em a\u00e7\u00e3o nosso estado de cidadania\".<\/p>\n\n\n\n<p>Os transeuntes fazem coisas, n\u00e3o s\u00e3o pe\u00e7as inertes transportadas pelas avenidas como se fossem uma banda de produ\u00e7\u00e3o. Os transeuntes sentem, imaginam, nomeiam, lembram, recordam, desafiam; associam-se, entram em conflito, defendem, reclamam e admiram. Isso significa, em resumo, que os transeuntes s\u00e3o agentes da vida urbana e, portanto, atores pol\u00edticos nela.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com conceitualiza\u00e7\u00f5es como as de Michel de Certeau (2010), podemos agora falar do transeunte como uma categoria de usu\u00e1rios que praticam ou empregam o espa\u00e7o urbano fabricado (material, social e simbolicamente), onde a categoria de habitante era anteriormente predominante. Embora n\u00e3o seja poss\u00edvel argumentar que uma categoria anula ou substitui a outra, \u00e9 necess\u00e1rio analisar a maneira como as duas interagem e o modo como elas se relacionam. <em>formas de ser<\/em> na cidade que se originam da predomin\u00e2ncia do status do transeunte como usu\u00e1rio do espa\u00e7o p\u00fablico. Vale a pena esclarecer que nenhum dos tra\u00e7os culturais do tr\u00e2nsito surge no pr\u00f3prio tr\u00e2nsito. Quero dizer que o tr\u00e2nsito est\u00e1 articulado com o habitar, com o consumir, com o comunicar. O tr\u00e2nsito n\u00e3o \u00e9 uma fonte primordial de sociabilidade, mas faz parte de uma constela\u00e7\u00e3o de sociabilidade urbana que \u00e9 refor\u00e7ada e constitu\u00edda na vida cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quatro mudan\u00e7as em dire\u00e7\u00e3o ao paradigma do espectador<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Os artigos apresentados nesta edi\u00e7\u00e3o correspondem ao interesse em situar a perspectiva do e sobre o tr\u00e2nsito com base em diferentes fen\u00f4menos de estudo. Em todos os quatro casos, trata-se de esfor\u00e7os para problematizar o papel desempenhado pelo deslocamento na concep\u00e7\u00e3o e no ordenamento da vida urbana, considerando suas bordas pol\u00edtico-culturais e apresentando metodologias articuladas \u00e0 l\u00f3gica m\u00f3vel, desde o audiovisual at\u00e9 o (auto)etnogr\u00e1fico e o discursivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro artigo baseia-se em estudos sensoriais (Howes, 2014) para problematizar o papel dos sentidos na configura\u00e7\u00e3o social da rua e na experi\u00eancia psicossocial do tr\u00e2nsito. Para isso, Miguel \u00c1ngel Aguilar apresenta uma estrat\u00e9gia metodol\u00f3gica que envolve um trabalho etnogr\u00e1fico guiado por passeios e entrevistas em profundidade com uma pessoa cega na Cidade do M\u00e9xico. Desse modo, o autor nos mostra a constru\u00e7\u00e3o da ordem sensorial que prioriza determinados est\u00edmulos para gerar estrat\u00e9gias de orienta\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o na cidade, que, por sua vez, s\u00e3o centrais na configura\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia psicossocial do tr\u00e2nsito. <em>ser <\/em>urbano.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo trabalho adere ao que Pablo Wright chama de \"antropologia rodovi\u00e1ria\"; trata-se de uma proposta te\u00f3rico-conceitual para a compreens\u00e3o do tr\u00e2nsito que, nas palavras do autor, vincula as abordagens da <em>desempenho<\/em>Wright usa a prox\u00eamica, a fenomenologia e a economia pol\u00edtica da cultura para entender a g\u00eanese de nossos corpos como \"corpos de estrada\". Para alimentar suas reflex\u00f5es, Wright come\u00e7a com um exerc\u00edcio autoetnogr\u00e1fico, comparando diversas experi\u00eancias no que ele reconhece como \"culturas rodovi\u00e1rias\" na Inglaterra, nos Estados Unidos, no Uruguai e na Argentina, bem como os v\u00ednculos que suas respectivas culturas e ordens estatais estabelecem entre corpos, ruas e cal\u00e7adas para sustentar uma ordem social.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira proposta surge de um exerc\u00edcio audiovisual realizado por Lirba Cano e H\u00e9ctor Robledo, membros do coletivo Caracol Urbano. Trata-se de uma an\u00e1lise do papel da metodologia de pesquisa audiovisual na articula\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de colabora\u00e7\u00e3o entre os atores envolvidos na luta pela constru\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o de transporte p\u00fablico decente para a \u00e1rea metropolitana de Guadalajara. O texto de Cano e Robledo apresenta a peculiaridade de ser apenas uma das faces de sua proposta; por essa raz\u00e3o, \u00e9 acompanhado de sua outra face: o filme document\u00e1rio <em>El Hombre-Cami\u00f3n<\/em> (Caracol Urbano, 2013). O material audiovisual descreve a complexa estrutura pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural que sustenta o modelo de servi\u00e7o de transporte p\u00fablico em Guadalajara, enquanto o texto \u00e9 uma mem\u00f3ria do que deu sentido \u00e0 sua elabora\u00e7\u00e3o e a maneira como o material audiovisual foi entrela\u00e7ado com a luta dos operadores de transporte p\u00fablico e dos usu\u00e1rios pela melhoria do servi\u00e7o. \u00c9 aconselh\u00e1vel rever este trabalho em suas duas facetas para uma compreens\u00e3o mais completa de sua proposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, h\u00e1 a proposta de Christian O. Grimaldo-Rodr\u00edguez, que se concentra no estudo da geografia moral da \u00e1rea metropolitana de Guadalajara, analisando as estrat\u00e9gias de publicidade colocadas \u00e0 vista dos usu\u00e1rios de transporte p\u00fablico em suas viagens di\u00e1rias. Esse trabalho aproveita as metodologias m\u00f3veis mencionadas anteriormente e as metodologias aplicadas \u00e0 observa\u00e7\u00e3o em tr\u00e2nsito para problematizar o papel socialmente estruturante das estrat\u00e9gias comunicativas do mercado e sua tradu\u00e7\u00e3o em paisagens e corpos moralizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses quatro esfor\u00e7os se somam aos de outros especialistas que lan\u00e7aram um olhar cr\u00edtico sobre o tr\u00e2nsito para entender todos os aspectos que at\u00e9 agora nos foram ocultados pela premissa de que se trata de um fen\u00f4meno banal e at\u00e9 mesmo pernicioso para a sustentabilidade das culturas. Seus pontos de vista nos mostram que, na aparente insignific\u00e2ncia das viagens cotidianas, h\u00e1 um universo cultural que, no entanto, se move.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Aguilar, Miguel (2006). \u201cRecorridos e itinerarios urbanos: de la mirada a las pr\u00e1cticas\u201d, en Patricia Ram\u00edrez y Miguel Aguilar (coord). <em>Pensar y habitar la ciudad. Afectividad, memoria y significado en el espacio urbano contempor\u00e1neo<\/em>, pp. 131-144<em>. <\/em>Madrid: Anthropos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Aguilar, Miguel (2013). \u201cCiudad de interacciones: el cuerpo y sus narrativas en el metro de la ciudad de M\u00e9xico\u201d, en Miguel Aguilar y Paula Soto (coord.), <em>Cuerpos, espacios y emociones. 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Barcelona: Gustavo Gili.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Certeau, Michel de (2010). <em>La invenci\u00f3n de lo cotidiano<\/em>. <em>Artes de hace<\/em>r. M\u00e9xico y Guadalajara: Universidad Iberoamericana\/<span class=\"small-caps\">iteso<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Delgado, Manuel (2007). <em>Sociedades movedizas<\/em>. Barcelona: Anagrama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Garc\u00eda, N\u00e9stor, A. Castellanos y A. Rosas (1996). <em>La ciudad de los viajeros<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">uam<\/span>\/Grijalbo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Grimaldo-Rodr\u00edguez, Christian (2018). \u201cLa metodolog\u00eda es movimiento. 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Barcelona: Gedisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pellicer, Isabel, Jes\u00fas Rojas y Pep Vivas i Elias (2012). \u201cLa deriva: una t\u00e9cnica de investigaci\u00f3n psicosocial acorde con la ciudad contempor\u00e1nea\u201d, en <em>Bolet\u00edn de Antropolog\u00eda<\/em>, vol. 27, n\u00fam. 44, pp. 144-163.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Sheller, Mary y John Urry, (2006). \u201cThe New Mobilities Paradigm\u201d, en <em>Environment &amp; Planning A: Economy and Space<\/em>, vol. 38, n\u00fam. 2, pp. 207-226. https:\/\/doi.org\/10.1068\/a37268<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Watts, Laura y John Urry (2008). \u201cMoving Methods, Travelling Times\u201d, en <em>Environment &amp; Planning D: Society and Space, <\/em>vol. 26, n\u00fam. 5, pp. 860-874. https:\/\/doi.org\/10.1068\/d6707<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Wright, Pablo (2014). \u201cLa cultura en la calle. Exploraciones antropol\u00f3gicas\u201d, en <em>Ciencia con voz propia.<\/em> Argentina: <span class=\"small-caps\">conicet<\/span>. 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