{"id":31680,"date":"2020-03-23T01:42:26","date_gmt":"2020-03-23T01:42:26","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=31680"},"modified":"2023-11-17T18:42:06","modified_gmt":"2023-11-18T00:42:06","slug":"robledo-cano-hombre-camion-documental-guadalajara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/robledo-cano-hombre-camion-documental-guadalajara\/","title":{"rendered":"De \"The Man-truck\" para a frente comum de usu\u00e1rios e operadores. Relat\u00f3rio de uma pesquisa com uma metodologia audiovisual colaborativa"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O document\u00e1rio <em>El Hombre-Cami\u00f3n<\/em> (2013) \u00e9 o produto de uma pesquisa realizada pelo coletivo Caracol urbano sobre os problemas do transporte p\u00fablico na \u00e1rea metropolitana de Guadalajara (M\u00e9xico).<span class=\"small-caps\">amg<\/span>). Mostramos como o <em>metodologia audiovisual colaborativa<\/em> O trabalho que desenvolvemos nos permitiu promover rela\u00e7\u00f5es de colabora\u00e7\u00e3o entre diferentes atores sociais, favorecendo a forma\u00e7\u00e3o da Frente Comum de Usu\u00e1rios e Operadores, bem como a convoca\u00e7\u00e3o de sucessivas a\u00e7\u00f5es coletivas organizadas para a melhoria do transporte p\u00fablico na regi\u00e3o. <span class=\"small-caps\">amg. <\/span>Um dos principais slogans dessas a\u00e7\u00f5es tem sido a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos motoristas de caminh\u00e3o do transporte p\u00fablico, como um fator essencial para a melhoria do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/area-metropolitana-de-guadalajara\/\" rel=\"tag\">\u00c1rea metropolitana de Guadalajara.<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/metodologia-audiovisual-colaborativa\/\" rel=\"tag\">metodologia audiovisual colaborativa<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/transporte-publico\/\" rel=\"tag\">transporte p\u00fablico<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\">Do caminh\u00e3o-homem \u00e0 Frente Unida de Usu\u00e1rios e Operadores: Anais da Pesquisa de Metodologia Audiovisual Colaborativa<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">O document\u00e1rio intitulado <em>O caminh\u00e3o-homem<\/em> (2013) \u00e9 o resultado da pesquisa realizada pelo coletivo Caracol Urbano com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 problem\u00e1tica do transporte p\u00fablico na \u00c1rea Metropolitana de Guadalajara (acr\u00f4nimo em espanhol): <span class=\"small-caps\">amg<\/span>). Mostramos como a metodologia audiovisual colaborativa que desenvolvemos nos permitiu impulsionar um relacionamento colaborativo entre v\u00e1rios agentes sociais, como forma de construir a Frente Unida de Usu\u00e1rios e Operadores, bem como sucessivas a\u00e7\u00f5es coletivas organizadas para melhorar a <span class=\"small-caps\">amg<\/span>s de transporte p\u00fablico. Uma no\u00e7\u00e3o importante foi a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos motoristas de \u00f4nibus de transporte p\u00fablico como um fator necess\u00e1rio para melhorar o servi\u00e7o geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: transporte p\u00fablico, metodologia audiovisual colaborativa, \u00c1rea Metropolitana de Guadalajara.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/el_hombre-camion.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Contexto e reflex\u00f5es conceituais sobre a produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios <em>El Hombre-Cami\u00f3n<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">Em 2011, o coletivo Caracol urbano assumiu a tarefa de realizar uma investiga\u00e7\u00e3o utilizando a <em>metodologia audiovisual colaborativa<\/em> para aprofundar as causas do mau servi\u00e7o de transporte p\u00fablico (\u00f4nibus de transporte urbano de passageiros) na \u00e1rea metropolitana de Guadalajara. Durante o per\u00edodo em que desenvolvemos o document\u00e1rio e at\u00e9 recentemente, destacou-se o ativismo de coletivos de cidad\u00e3os para a melhoria da mobilidade urbana, cujo principal slogan era a melhoria da infraestrutura e das pol\u00edticas p\u00fablicas para o uso de bicicletas (S\u00e1nchez Barbosa, 2015). Apesar da necessidade \u00f3bvia de utilizar e promover alternativas de transporte n\u00e3o motorizado, como a bicicleta, somente o transporte p\u00fablico tem a capacidade de mobilizar os mais de 1,6 milh\u00e3o de pessoas que o utilizam diariamente na <span class=\"small-caps\">amg,<\/span> por se tratar de uma gigantesca expans\u00e3o urbana de 2.734 quil\u00f4metros quadrados. De acordo com Juan Carlos Villarreal Salazar, presidente da Frente Unida de Subrogatarios y Concesionarios del Estado de Jalisco (<span class=\"small-caps\">fuscej<\/span>), o servi\u00e7o de transporte p\u00fablico de caminh\u00f5es perdeu mais de um milh\u00e3o de viagens di\u00e1rias na primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo, devido, segundo sua perspectiva, \u00e0 falta de investimento e de gest\u00e3o adequada por parte do governo estadual (Caracol urbano, 2013).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, os caminh\u00f5es de transporte p\u00fablico continuam a ser o meio mais comum de mobilidade urbana na cidade: 54,9% da popula\u00e7\u00e3o da cidade usa o transporte p\u00fablico. <span class=\"small-caps\">amg<\/span> os utilizam (incluindo o macrobus) em seus deslocamentos para o trabalho, escola e outras atividades di\u00e1rias (Jalisco C\u00f3mo Vamos, 2019: 68), e \u00e9 nos munic\u00edpios de Tonal\u00e1, Tlaquepaque e El Salto, nas periferias metropolitanas, onde \u00e9 mais utilizado (<em>ibid<\/em>.: 70). Um grande n\u00famero desses usu\u00e1rios trabalha no n\u00facleo central da <span class=\"small-caps\">amg<\/span>As longas dist\u00e2ncias e o congestionamento do tr\u00e2nsito (causado pelos carros, que representam 98% da frota de ve\u00edculos da cidade) consomem grande parte de seu tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o per\u00edodo em que realizamos o document\u00e1rio, come\u00e7amos a coordenar o Laborat\u00f3rio Urbano En Ruta, um projeto de treinamento profissional em psicologia social com alunos da <span class=\"small-caps\">iteso<\/span>. Esse projeto levou \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o com estudantes universit\u00e1rios que contribu\u00edram para investigar a situa\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico entrevistando usu\u00e1rios e motoristas do servi\u00e7o. Entre suas descobertas, eles relataram, por exemplo, que Luc\u00eda, que mora em uma das subdivis\u00f5es adjacentes \u00e0 capital municipal de Tlajomulco e trabalha no centro de Guadalajara, tinha de pegar o \u00f4nibus todos os dias \u00e0s 4h30 para chegar antes das 6h50 e, \u00e0 noite, tinha de levar mais duas horas para voltar (Gonz\u00e1lez R\u00edos, \"The bus is the only way to get to Guadalajara\"). <em>et. al<\/em>., 2015). Javier, que mora na mesma \u00e1rea, trabalha na estrada para Colotl\u00e1n e precisa pegar o \u00f4nibus \u00e0s 5:00 para chegar \u00e0s 9:00. Parte desse tempo \u00e9 gasto esperando por um \u00f4nibus que tenha lugar, pois os \u00f4nibus que v\u00e3o para Tlajomulco enchem muito rapidamente e n\u00e3o passam com frequ\u00eancia. Por esse motivo, muitas pessoas na situa\u00e7\u00e3o de Luc\u00eda e Javier optam por n\u00e3o sair de casa, exceto para trabalhar e por outros motivos, o que limita o cultivo de suas rela\u00e7\u00f5es sociais e as possibilidades de socializa\u00e7\u00e3o em espa\u00e7os recreativos. N\u00e3o \u00e9 por acaso que Tlajomulco \u00e9 um dos munic\u00edpios com o maior n\u00famero de casas desabitadas do pa\u00eds: 57.000, aproximadamente um ter\u00e7o das casas que comp\u00f5em um total de 251 conjuntos habitacionais (Mendiburu, 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>O servi\u00e7o de transporte p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 apenas insuficiente nas \u00e1reas perif\u00e9ricas da cidade, mas tamb\u00e9m em toda a cidade. <span class=\"small-caps\">amg<\/span> tem sido caracterizado como inadequado e inseguro. Os maus-tratos dos usu\u00e1rios por parte dos motoristas s\u00e3o a queixa mais comum: eles s\u00e3o rudes, n\u00e3o respeitam as paradas, n\u00e3o abordam aqueles que tentam pagar com \"transvale\" e n\u00e3o pagam com \"transvale\".<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> e dirigem em velocidades excessivas. Mas, principalmente, a reclama\u00e7\u00e3o \u00e9 que o transporte p\u00fablico coletivo tem ceifado a vida de aproximadamente cinquenta pessoas por ano na \u00faltima d\u00e9cada e ferido mais de mil pessoas anualmente (Governo do Estado de Jalisco, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel, portanto, que o uso de caminh\u00f5es de transporte p\u00fablico na <span class=\"small-caps\">amg<\/span> n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o atraente e tentam evit\u00e1-la o m\u00e1ximo poss\u00edvel, seja usando o carro ou n\u00e3o saindo de casa. \u00c9 assim que o transporte p\u00fablico se torna uma <em>novo<\/em> <em>compartimento<\/em> dentro da cidade. Os <em>gabinetes<\/em> s\u00e3o os processos socioecon\u00f4micos que definiram as sociedades capitalistas desde o desmantelamento dos feudos no final da Idade M\u00e9dia at\u00e9 os dias atuais, operando contra o controle comunit\u00e1rio dos meios de subsist\u00eancia (Midnight Notes Collective, 1990).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os empres\u00e1rios do setor de transportes, na d\u00e9cada de 1980, o modelo \"homem-caminh\u00e3o\" de gest\u00e3o do transporte p\u00fablico, segundo o qual um indiv\u00edduo privado n\u00e3o pode possuir mais do que tr\u00eas unidades com a concess\u00e3o para prestar o servi\u00e7o, teve seu auge. Desde a d\u00e9cada de 1980, o governo do estado concedeu concess\u00f5es a centenas de pessoas que dirigiam seus pr\u00f3prios caminh\u00f5es, sendo assim donos de seu pr\u00f3prio sustento. No entanto, esse modelo promovido pela administra\u00e7\u00e3o estadual e por aqueles que hoje fazem parte dele n\u00e3o contemplou a organiza\u00e7\u00e3o e o gerenciamento coletivos do sistema geral de caminh\u00f5es urbanos na cidade, e baseou sua renda na competi\u00e7\u00e3o acirrada entre caminh\u00f5es e rotas, cujos efeitos infelizes s\u00e3o dezenas de mortes e centenas de feridos todos os anos, um fen\u00f4meno id\u00eantico ao que na cidade de Bogot\u00e1, Col\u00f4mbia, na mesma \u00e9poca, foi chamado de \"a guerra dos centavos\" (Dur\u00e1n, 1985). Uma das caracter\u00edsticas dos novos cercamentos \u00e9 justamente o aumento dr\u00e1stico da concorr\u00eancia entre os trabalhadores (Midnigth Notes Collective, 1990). As administra\u00e7\u00f5es do governo de Jalisco t\u00eam insistido desde 2010 que o modelo \"homem-caminh\u00e3o\" deve se transformar em um modelo \"rota-empresa\", o que implica a regulamenta\u00e7\u00e3o de todas as rotas e unidades de transporte p\u00fablico sob as mesmas regras operacionais e por meio da associa\u00e7\u00e3o de todas as concession\u00e1rias que operam cada uma das rotas, um processo que come\u00e7ou formalmente em 2013 com o ent\u00e3o governador Arist\u00f3teles Sandoval e continua com o atual governador Enrique Alfaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, existem no <span class=\"small-caps\">amg<\/span> Em 1985, a Alianza - como \u00e9 coloquialmente conhecida - boicotou o plano elaborado pelo engenheiro Matute Remus com base em um diagn\u00f3stico das necessidades e possibilidades de mobilidade da cidade. Em 1985, a Alianza - como \u00e9 coloquialmente conhecida - boicotou o plano elaborado pelo engenheiro Matute Remus com base em um diagn\u00f3stico das necessidades e possibilidades de mobilidade da cidade, do qual foram tiradas algumas conclus\u00f5es que n\u00e3o foram consideradas at\u00e9 hoje, por exemplo: que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que todas as rotas passem pelo centro da cidade (atualmente a 80% passa); que devem ser estabelecidos locais precisos para as paradas; que \u00e9 necess\u00e1rio deixar as unidades em repouso para coloc\u00e1-las em opera\u00e7\u00e3o durante os hor\u00e1rios de pico de tr\u00e1fego, entre outros. No plano de Matute Remus, as rotas foram estruturadas de acordo com um sistema ortogonal com v\u00e1rios eixos, o que permitiu a cobertura de acordo com as necessidades de mobilidade dos habitantes da cidade, com a possibilidade de se adaptar \u00e0 expans\u00e3o de novas col\u00f4nias (Mart\u00ednez Fuentes, 1996). O boicote das concession\u00e1rias da Alianza consistiu em n\u00e3o informar os usu\u00e1rios sobre o novo desenho antes de sua implementa\u00e7\u00e3o, rompendo o compromisso assumido com o Governo do Estado e deixando a maioria de suas unidades ociosas at\u00e9 que o governador \u00c1lvarez del Castillo ordenou que as rotas voltassem a ser como eram antes (<em>ibidem<\/em>). Desde ent\u00e3o, a Alian\u00e7a tem se caracterizado por obstruir a regulamenta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, organizar greves de caminhoneiros para obter aumentos de tarifas e, acima de tudo, receber favores de governos estaduais, como foi o caso da concess\u00e3o do sistema. <span class=\"small-caps\">brt<\/span> -\u00f4nibus que circulam em faixas exclusivas - conhecidos na <span class=\"small-caps\">amg<\/span> como o Macrobus, e como \u00e9 atualmente o caso do <span class=\"small-caps\">sitran<\/span>como o novo modelo de rota-empresa est\u00e1 sendo chamado. Dessa forma, a Alianza de Camioneros de Jalisco mant\u00e9m sua hegemonia hist\u00f3rica sobre a gest\u00e3o e a administra\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de transporte p\u00fablico (Arellano R\u00edos, 2018).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/robledo_hector_cano_lirba-transporte_publico_1.jpg\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1168x925\" data-index=\"0\" data-caption=\"Plan ortogonal de Matute Remus, 1985\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/robledo_hector_cano_lirba-transporte_publico_1.jpg\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Plano ortogonal Matute Remus, 1985<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o servi\u00e7o de transporte p\u00fablico de caminh\u00f5es tem sido administrado por muitos pequenos empres\u00e1rios com regulamenta\u00e7\u00e3o m\u00ednima do Estado, regido, em vez disso, por rela\u00e7\u00f5es competitivas. No entanto, o \"polvo dos caminhoneiros\", como esse sistema \u00e9 coloquialmente conhecido, especialmente a Alianza de Camioneros de Jalisco, tem operado diretamente contra as necessidades daqueles que vivem e viajam pela cidade. Esse sistema \u00e9 bastante fragmentado e privatizado em torno dos interesses de cerca de cinco mil pequenos empres\u00e1rios que administram o servi\u00e7o como bem entendem, o que \u00e9 especialmente evidente na forma como pagam e exigem que seus motoristas trabalhem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O estigma do motorista de transporte p\u00fablico como um enclausuramento psicossocial<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">No sistema descrito acima, os motoristas de caminh\u00e3o da <span class=\"small-caps\">amg<\/span> t\u00eam sido responsabilizados pelas defici\u00eancias do servi\u00e7o pela opini\u00e3o p\u00fablica, sem considerar que trabalham em turnos de mais de dez horas cont\u00ednuas ao volante em meio ao tr\u00e1fego saturado de ve\u00edculos, sem tempo adequado para descansar, comer e ir ao banheiro, expostos \u00e0 extors\u00e3o por agentes de tr\u00e2nsito e assaltos por trazerem dinheiro, e submetidos \u00e0 press\u00e3o para cumprir as voltas estabelecidas em seu itiner\u00e1rio (Caracol urbano, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Um em cada cinco motoristas de transporte p\u00fablico corre o risco de sofrer de doen\u00e7as cardiovasculares e ataques card\u00edacos fatais. Eles comem mal e quando podem. N\u00e3o t\u00eam tempo para ir ao banheiro. Passam o dia todo sentados e, portanto, correm um risco maior de desenvolver obesidade, hipertens\u00e3o, s\u00edndrome metab\u00f3lica, doen\u00e7a cardiovascular e diabetes mellitus tipo 2. <span class=\"small-caps\">ii<\/span>(Universidade de Guadalajara, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>A press\u00e3o vem da forma como s\u00e3o cobertos os custos do servi\u00e7o, os lucros dos indiv\u00edduos que o administram e a remunera\u00e7\u00e3o dos motoristas que o operam. Para obter o m\u00e1ximo benef\u00edcio econ\u00f4mico do neg\u00f3cio, \u00e9 preciso ser o melhor concorrente. Infelizmente, a concorr\u00eancia n\u00e3o \u00e9 para oferecer um servi\u00e7o melhor, mas para vencer no terreno, empiricamente falando, no espa\u00e7o urbano. Ganha quem privatiza mais rapidamente os espa\u00e7os da cidade: quem ocupa primeiro o ponto de \u00f4nibus, quem consegue entrar na faixa, quem come\u00e7a primeiro nos sem\u00e1foros, quem vende menos transvales, quem perde menos tempo para entrar no \u00f4nibus para idosos e crian\u00e7as. Por sua vez, de acordo com alguns motoristas, os motoristas incentivam seus funcion\u00e1rios a competir entre si para embarcar o maior n\u00famero poss\u00edvel de passageiros.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, essa competi\u00e7\u00e3o pela privatiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano tamb\u00e9m envolve carros e autoridades rodovi\u00e1rias: quem consegue chegar primeiro, quem consegue se livrar dos caminh\u00f5es que est\u00e3o parados, quem consegue encontrar o melhor espa\u00e7o para estacionar, quem consegue o maior n\u00famero de picadas, e assim por diante. Assim como os chefes que tentam obter o maior n\u00famero de passageiros ao custo de penalizar os caminh\u00f5es que n\u00e3o cumprem o hor\u00e1rio, os grupos que competem para obter o maior n\u00famero de rotas e o maior n\u00famero de rotas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que apenas o motorista \u00e9 \"culpado\" pelo mau servi\u00e7o e pelos acidentes, perguntamos a n\u00f3s mesmos diante da evid\u00eancia de corpos submetidos diariamente por muitas horas ao tr\u00e2nsito, \u00e0s amea\u00e7as de extors\u00e3o e viol\u00eancia, ao sol e \u00e0 polui\u00e7\u00e3o, cujos efeitos s\u00e3o altos n\u00edveis de estresse. A quest\u00e3o tamb\u00e9m pode ser colocada em um sentido positivo, se estabelecermos como premissa que qualquer fen\u00f4meno ou fato da cidade-realidade, qualquer objeto e qualquer ator social s\u00f3 se configura diante do nosso olhar como uma forma emergente de uma rede de rela\u00e7\u00f5es entre outros objetos: \"Como coproduzimos os sistemas de transporte urbano e a cidade?\" (Valderrama Pineda, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o estigma, de acordo com a explica\u00e7\u00e3o de Goffman (1963), \u00e9 um mecanismo que se op\u00f5e \u00e0 corresponsabilidade pelas quest\u00f5es complexas do transporte p\u00fablico no Brasil. <span class=\"small-caps\">amg<\/span>. Os r\u00f3tulos \"porcos\" e \"gado\" dados aos motoristas nos impedem de responsabilizar outros atores sociais por esses problemas. Os motoristas, por exemplo, costumam reclamar da forma como os caminhoneiros dirigem, do espa\u00e7o que ocupam, do tr\u00e2nsito que geram, dos acidentes que provocam, sem se dar conta de que a massa de carros na cidade e seus efeitos nas ruas s\u00e3o muito mais sens\u00edveis e perniciosos do que os do transporte p\u00fablico: os caminh\u00f5es urbanos de passageiros representam apenas 2% da frota de ve\u00edculos que circulam nas vias da cidade. <span class=\"small-caps\">amg<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>O estigma tem um car\u00e1ter performativo, ou seja, acrescenta uma expectativa \u00e0s rela\u00e7\u00f5es que produz o fen\u00f4meno que antecipa; ele n\u00e3o descreve, mas prescreve o comportamento da realidade e de seus atores (Butler, 2011). Tanto Goffman quanto Butler enfatizam que os tra\u00e7os sinalizados pelos r\u00f3tulos, depreciativos nesse caso, tornam-se naturalizados e aparecem como atributos dos sujeitos estigmatizados em tra\u00e7os inerentes \u00e0 sua personalidade (violentos, mal-educados). O estigma n\u00e3o se origina apenas nos comportamentos do sujeito estigmatizado, mas em sua rela\u00e7\u00e3o com a diferencia\u00e7\u00e3o estabelecida com ele por uma maioria: \"Um atributo que estigmatiza um tipo de possuidor pode confirmar a normalidade de outro e, portanto, n\u00e3o \u00e9 nem honroso nem ignominioso em si mesmo\", explica novamente Goffman (1963).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Relat\u00f3rio metodol\u00f3gico de um projeto de pesquisa colaborativa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Metodologicamente, nossa pesquisa teve como precedente uma investiga\u00e7\u00e3o que realizamos na cidade de Barcelona, na Espanha, que resultou no document\u00e1rio em v\u00eddeo <em>Latinas Nou Barris<\/em> (Cano e Robledo, 2010), al\u00e9m do documento <em>Bastidores do document\u00e1rio Latinas Nou Barris<\/em>uma mem\u00f3ria metodol\u00f3gica do processo de pesquisa, na qual coletamos experi\u00eancias e implica\u00e7\u00f5es da realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas sociais com uma metodologia audiovisual (Cano e Robledo, 2009).<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nessa experi\u00eancia, entendemos o <em>metodologia audiovisual<\/em> <em>colaborativo <\/em>como uma forma de fazer perguntas sobre a realidade social que se baseia no trabalho de liga\u00e7\u00e3o com as pessoas sob investiga\u00e7\u00e3o e seu envolvimento na forma como essas pessoas desejam apresentar sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o. Trata-se, portanto, de uma metodologia que parte da investiga\u00e7\u00e3o da realidade, atendendo \u00e0s vozes de coletividades que normalmente s\u00e3o exclu\u00eddas dos problemas que as afetam diretamente, levando a uma pesquisa que se posiciona politicamente a favor da coloca\u00e7\u00e3o dessas vozes na arena do debate p\u00fablico, o que nos permite atender ao modo como as pessoas que participam da realidade investigada - inclusive aquelas que fazem a pesquisa - desejam encenar seu discurso, seus motivos e suas intera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Como parte dessa metodologia, usamos tecnologias audiovisuais n\u00e3o apenas para registrar depoimentos em entrevistas e eventos, mas tamb\u00e9m para promover situa\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es abordadas, espa\u00e7os intersubjetivos (Robledo, 2017). Na pr\u00e1tica, abordamos os atores sociais que identificamos como diretamente envolvidos no problema, com o pedido de conhecer suas atividades relacionadas a ele, com o compromisso de tornar seu ponto de vista conhecido no contexto de um videodocument\u00e1rio. Um processo de coexist\u00eancia e di\u00e1logo \u00e9 ent\u00e3o gerado em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Ap\u00f3s as grava\u00e7\u00f5es audiovisuais com diferentes atores sociais, o material gravado \u00e9 constantemente observado para reconhecer os principais efeitos do problema, identificando as vozes que expressam seus aspectos mais cr\u00edticos. Uma vez identificadas essas vozes, o acompanhamento, a conviv\u00eancia e os registros audiovisuais s\u00e3o intensificados com aqueles que as possuem. Posteriormente, o material gravado \u00e9 visto junto com essas pessoas, observando a maneira como ele as desafia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como s\u00e3o apresentadas no registro, e s\u00e3o feitos acordos sobre a narrativa que tomar\u00e1 forma no document\u00e1rio. Subjacente a esse exerc\u00edcio est\u00e1 uma an\u00e1lise inicial do material, que continua com a edi\u00e7\u00e3o e a montagem do v\u00eddeo-document\u00e1rio, com base na premissa de que os formatos audiovisuais n\u00e3o apenas representam objetos e situa\u00e7\u00f5es da realidade, mas que, em seu processo de produ\u00e7\u00e3o e em suas imagens, fazem com que diferentes atores dessa realidade apare\u00e7am, modificando at\u00e9 mesmo o que \u00e9 representado e envolvendo o observador.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da implementa\u00e7\u00e3o de <em>El Hombre-Cami\u00f3n<\/em>Essa metodologia audiovisual colaborativa nos permitiu comunicar as quest\u00f5es do transporte p\u00fablico em contextos sociais muito mais amplos do que a esfera acad\u00eamica. Levar a c\u00e2mera para fazer um v\u00eddeo-document\u00e1rio nos permitiu, nesse caso, explicar aos empres\u00e1rios do transporte e aos motoristas do transporte p\u00fablico que nosso objetivo era mostrar depoimentos daqueles que prestam o servi\u00e7o, ou seja, apresentamos nossa pesquisa com um uso pr\u00e1tico de comunica\u00e7\u00e3o que poderia servir \u00e0queles que participaram da pesquisa, esclarecendo que seus depoimentos seriam intercalados com depoimentos de outros atores que poderiam nos oferecer uma vis\u00e3o ampla das quest\u00f5es a partir de diferentes vozes.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo para abordar os atores sociais foi o da \"bola de neve\", com alguns informantes nos levando a outros. Come\u00e7amos com os contatos que pessoas que conhec\u00edamos nos forneceram com pessoas que administravam algumas unidades de transporte p\u00fablico, transportadoras, que por sua vez nos contataram com motoristas, alguns dos quais eram funcion\u00e1rios dessas transportadoras ou frequentavam a Escola de Transporte P\u00fablico promovida pela Frente Unida de Sub-rogados e Concession\u00e1rios do Transporte do Estado de Jalisco (Frente Unido de Subrogatarios y Concesionarios del Transporte del Estado de Jalisco).<span class=\"small-caps\">fusca<\/span>), uma organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane a maioria dos trabalhadores em transportes que, na \u00e9poca, eram sub-rogados. Realizamos v\u00e1rias entrevistas com e sem c\u00e2mera, nas quais perguntamos sobre os principais problemas do transporte p\u00fablico em Guadalajara e suas causas. Participamos de v\u00e1rias sess\u00f5es dos cursos de treinamento ministrados para motoristas e trabalhadores do transporte na Escola, onde pudemos encontrar e conhecer v\u00e1rias pessoas interessadas em dar seu testemunho diante da c\u00e2mera.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o per\u00edodo em que participamos de cursos de treinamento de motoristas no local, sentimos que o treinamento de motoristas era uma estrat\u00e9gia que poderia ser eficaz para melhorar o servi\u00e7o, fornecendo a eles conhecimentos pr\u00e1ticos, como primeiros socorros, al\u00e9m de conscientiz\u00e1-los sobre os efeitos prejudiciais da m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o e do abuso de \u00e1lcool e outras drogas em seu trabalho. No entanto, \u00e0 medida que convers\u00e1vamos com mais motoristas em outros ambientes, como seu espa\u00e7o de trabalho, ou seja, o caminh\u00e3o, aprendemos sobre outros aspectos da experi\u00eancia dos motoristas que apontavam as respostas em uma dire\u00e7\u00e3o diferente: o problema n\u00e3o est\u00e1 tanto no treinamento quanto nas condi\u00e7\u00f5es gerais de trabalho. Isso nos levou a focar na grava\u00e7\u00e3o de conversas durante as viagens dos motoristas a bordo do caminh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante as sess\u00f5es da Transport School, realizamos a observa\u00e7\u00e3o participante e fizemos grava\u00e7\u00f5es audiovisuais das atividades. Observamos que muitos motoristas participaram com entusiasmo, at\u00e9 mesmo compartilhando com orgulho experi\u00eancias de sua profiss\u00e3o na escola de seus filhos. \"O motorista sente que o que ele faz \u00e9 um trabalho digno e importante\", disse o diretor da escola. No entanto, alguns n\u00e3o estavam muito felizes por terem de passar parte do s\u00e1bado na escola em vez de descansar, ou porque estavam perdendo dinheiro por n\u00e3o estarem na estrada. Alguns deles concordaram em se encontrar conosco e nos mostrar \"a realidade do transporte\" a bordo do caminh\u00e3o. \"De que adiantam esses cursos se continuamos a ser tratados da mesma forma: os hor\u00e1rios, as corretizas, os abusos\", reclamou Hernando.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra abordagem que foi fundamental como parte de nossa metodologia foi participar de reuni\u00f5es p\u00fablicas em que o transporte foi discutido. A grava\u00e7\u00e3o em v\u00eddeo das interven\u00e7\u00f5es dos diferentes atores nessas ocasi\u00f5es nos permitiu identificar tanto <em>in situ<\/em> como <em>a posteriori <\/em>outros atores envolvidos na estrutura do transporte p\u00fablico, n\u00e3o apenas na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, mas tamb\u00e9m nos discursos que promoviam certas formas de entend\u00ea-lo e analis\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi em um F\u00f3rum Estadual de Transporte P\u00fablico que conhecemos Jos\u00e9 S\u00e1nchez, que havia sido recentemente demitido de seu emprego como motorista na rota 619 por exigir que seus direitos trabalhistas fossem respeitados e por promover a organiza\u00e7\u00e3o entre seus colegas na mesma situa\u00e7\u00e3o. Jos\u00e9 nos contou sobre as circunst\u00e2ncias em que a maioria dos motoristas de transporte p\u00fablico trabalha no pa\u00eds. <span class=\"small-caps\">amg<\/span>A \u00e9tica da pesquisa, que responde aos seus poss\u00edveis efeitos pol\u00edticos, nos levou a estabelecer um v\u00ednculo de colabora\u00e7\u00e3o e acompanhamento com aqueles que lutam por seus direitos trabalhistas, o que tem um impacto direto na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o. Desde ent\u00e3o, temos acompanhado Jos\u00e9 em suas a\u00e7\u00f5es di\u00e1rias: procurando seus ex-colegas nos pontos de \u00f4nibus, entrando nos \u00f4nibus para conversar com os passageiros a bordo sobre sua situa\u00e7\u00e3o e a de seus colegas, distribuindo um boletim informativo que ele produziu em troca de coopera\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, participando de f\u00f3runs sobre transporte p\u00fablico e, seguindo nossa recomenda\u00e7\u00e3o, encontrando e tentando estabelecer alian\u00e7as com grupos da sociedade civil organizados em torno das quest\u00f5es de mobilidade e do direito a espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>A justificativa para concentrar a pesquisa nas vozes dos motoristas, apesar de a abertura inicial ter vindo de seus empregadores de transporte, foi a constata\u00e7\u00e3o de que muito se fala sobre os motoristas, mas pouco se ouve deles. Tanto os estudos anteriores quanto a pesquisa realizada pelos alunos do Laboratorio Urbano En Ruta apoiaram a necessidade de abordar as condi\u00e7\u00f5es em que os motoristas de caminh\u00e3o de transporte p\u00fablico geralmente trabalham.<\/p>\n\n\n\n<p>O caminh\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas o palco no qual as intera\u00e7\u00f5es e vicissitudes do motorista se desenrolam enquanto ele realiza seu trabalho (Aguilar Nery, 2000), mas tamb\u00e9m \u00e9 um dos atores que constr\u00f3i, transforma e determina o espa\u00e7o urbano enquanto ele faz suas viagens e, por esse motivo, deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o como tal. \"O caminh\u00e3o \u00e9 como um ser vivo\", comentou Raymundo, um dos motoristas que entrevistamos, \"um ser vivo que \u00e9 infectado pelo humor do motorista. Se voc\u00ea est\u00e1 de mau humor, o caminh\u00e3o sente isso\". Raymundo estava se referindo ao grande n\u00famero de jovens motoristas na cidade atualmente: \"eles n\u00e3o sabem como tratar o caminh\u00e3o e o caminh\u00e3o reage, comporta-se como uma fera\".<\/p>\n\n\n\n<p>Quando nos aproximamos e conversamos com os motoristas a bordo do caminh\u00e3o - ou com um pouco mais de calma nas bases -, a primeira coisa que descobrimos foi um grande interesse da parte deles em divulgar sua perspectiva, pois consideram que ningu\u00e9m os ouve (Caracol urbano, 2015). Uma de suas queixas e preocupa\u00e7\u00f5es mais recorrentes \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico sobre eles, que a m\u00eddia estigmatiza os motoristas como assassinos ao volante. \"Na verdade, \u00e0s vezes a m\u00eddia s\u00f3 se interessa por acidentes de tr\u00e2nsito se um motorista de transporte p\u00fablico estiver envolvido e parecer ser o culpado\", ele compartilhou conosco. <em>o Rato<\/em>que est\u00e1 na estrada h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas (Hermosillo e Moreno, 2012). Esse estigma associado aos motoristas atingiu seu auge em 2012, quando onze motoristas foram assassinados no estado de Jalisco, a maioria deles no <span class=\"small-caps\">amg<\/span>por suposta vingan\u00e7a por mortes causadas por caminh\u00f5es de transporte p\u00fablico (Caracol urbano, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco foi dito na m\u00eddia sobre os diferentes m\u00e9todos de ganhos aos quais os motoristas est\u00e3o sujeitos, que geralmente dependem do valor das tarifas que arrecadam e n\u00e3o de um sal\u00e1rio fixo por completarem suas horas de servi\u00e7o. \"N\u00e3o \u00e9 do interesse do governo que trabalhemos por um sal\u00e1rio fixo, porque se trabalh\u00e1ssemos por um sal\u00e1rio fixo n\u00e3o estar\u00edamos rodando e n\u00e3o haveria motivo para os agentes rodovi\u00e1rios nos pararem, pois eles ficariam sem dinheiro\", continuou. <em>o Rato<\/em> (Hermosillo e Moreno, 2012), que tamb\u00e9m reclamaram que os motoristas n\u00e3o eram inclu\u00eddos nos acordos de trabalho, como o hor\u00e1rio de trabalho:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Eles n\u00e3o pedem votos, n\u00e3o pedem nada... o que a gente briga com eles \u00e9 por que eles n\u00e3o nos fazem participar do planejamento deles, porque voc\u00ea \u00e9 quem est\u00e1 dirigindo, voc\u00ea \u00e9 quem conhece a realidade, eles s\u00f3 fazem matem\u00e1tica, mas nunca est\u00e3o na pr\u00e1tica; n\u00f3s tivemos pelo menos quinze anos com o mesmo papel de trabalho.... Voc\u00ea n\u00e3o tem o direito de ir ao banheiro nem de comer nada, ou seja, voc\u00ea entra, come\u00e7a a trabalhar e Deus te livre do que voc\u00ea trouxer, do que te atingir, do que te atingir, do que te atingir (Hermosillo e Moreno, 2012: 4).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses depoimentos nos deram pistas para as perguntas: Por que os motoristas n\u00e3o se organizam para p\u00f4r fim a essa situa\u00e7\u00e3o? Porque qualquer ind\u00edcio de organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 imediatamente recebido com amea\u00e7as:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">Se voc\u00ea continuar com ele ou se eu o vir conversando com ele, vou expuls\u00e1-lo, eles nos dizem; ent\u00e3o, se houver muitos de n\u00f3s, ficamos sem nada novamente, por qu\u00ea? Porque os chefes amea\u00e7am os trabalhadores, ent\u00e3o, se voc\u00ea \u00e9 um trabalhador que tem muitos membros da fam\u00edlia, o que voc\u00ea diz? N\u00e3o, bem, eu vou me comportar bem e continuar a sustentar minha fam\u00edlia, se eu ainda estiver na grilagem e for demitido, o que eu fa\u00e7o? Aqui na rota, houve tr\u00eas vezes em que eles quiseram formar um sindicato e os chefes os viram e eles foram expulsos e os outros n\u00e3o quiseram, por isso nada pode ser feito e porque o governo n\u00e3o nos apoia (Hermosillo e Moreno, 2012: 4).<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 S\u00e1nchez foi demitido da Rota 619 em janeiro de 2012, ap\u00f3s vinte anos de servi\u00e7o, por exigir que seu empregador fornecesse os benef\u00edcios estipulados pela Lei Federal do Trabalho. Um de seus colegas foi espancado por ordem do chefe depois de tentar se organizar com os colegas, mas Jos\u00e9 continuou tentando convencer os colegas de sua rota a agir para pressionar os chefes e fundar um sindicato independente, pois o sindicato oficial n\u00e3o aceitava as demandas dos motoristas. Como nos disse um dos empres\u00e1rios do setor de transportes: \"o que esperamos dos sindicatos \u00e9 que eles mantenham os trabalhadores calmos, que n\u00e3o causem problemas\".<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas das press\u00f5es instigadas por Jos\u00e9 e pelos companheiros que acabaram apoiando-o surtiram efeito imediato. Alguns deles receberam f\u00e9rias. Mesmo assim, poucos foram aqueles que acompanharam Jos\u00e9 \u00e0 Dire\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho, \u00e0 Comiss\u00e3o Estadual de Direitos Humanos, ao Minist\u00e9rio da Mobilidade, \u00e0 m\u00eddia e a outros \u00f3rg\u00e3os para levar reclama\u00e7\u00f5es, assinaturas, comunicados e outros recursos para conseguir melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para os motoristas de transporte p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante todo aquele ano, acompanhamos Jos\u00e9, com a c\u00e2mera de v\u00eddeo na m\u00e3o, \u00e0s bases de diferentes rotas, onde ele tentou descobrir as condi\u00e7\u00f5es de trabalho de outros companheiros e contar-lhes sobre sua luta. Quando os transportadores descobriram o que Jos\u00e9 estava fazendo, porque alguns de seus funcion\u00e1rios de \"check-in\" lhes contaram, imediatamente exigiram que ele fosse embora, amea\u00e7ando seus pr\u00f3prios funcion\u00e1rios de perder o emprego se os vissem com ele, amea\u00e7as que em alguns casos se tornaram efetivas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, outra estrat\u00e9gia surgiu do trabalho colaborativo com Jos\u00e9: n\u00e3o era necess\u00e1rio abordar apenas outros motoristas para que se juntassem a n\u00f3s, mas tamb\u00e9m outros cidad\u00e3os organizados com impacto na m\u00eddia e nas institui\u00e7\u00f5es. Juntos, entramos em contato com coletivos de cidad\u00e3os interessados em quest\u00f5es urbanas, onde expressamos a necessidade de reconhecer os motoristas n\u00e3o apenas como autores de viol\u00eancia nas vias p\u00fablicas, mas tamb\u00e9m como sujeitos que s\u00e3o violados pelo pr\u00f3prio sistema e, portanto, a necessidade de se juntar \u00e0 demanda por condi\u00e7\u00f5es legais de trabalho para os motoristas se quis\u00e9ssemos um transporte digno. Muitos desses grupos j\u00e1 vinham se manifestando h\u00e1 alguns anos contra os governos locais por continuarem a favorecer obras que beneficiam e estimulam o uso de carros e a colocar a quest\u00e3o da \"mobilidade\" na agenda p\u00fablica, tendo a bicicleta como ponta de lan\u00e7a. O transporte p\u00fablico pouco apareceu, al\u00e9m da exibi\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas que confirmavam o que qualquer usu\u00e1rio sabe: que o servi\u00e7o \u00e9 deficiente e p\u00e9ssimo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse talvez tenha sido o in\u00edcio de um dos caminhos mais frut\u00edferos em nossa luta pelo transporte p\u00fablico: tornar vis\u00edvel a rela\u00e7\u00e3o entre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos motoristas de caminh\u00e3o urbanos e as condi\u00e7\u00f5es inadequadas do servi\u00e7o de transporte p\u00fablico, mas tamb\u00e9m colocar os problemas do transporte p\u00fablico na agenda p\u00fablica metropolitana em termos de mobilidade, que tem sido dominada pela \"mobilidade n\u00e3o motorizada\" h\u00e1 alguns anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reflex\u00f5es conceituais emergentes<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O t\u00edtulo do document\u00e1rio em v\u00eddeo <em>El Hombre-Cami\u00f3n<\/em> O modelo administrativo sob o qual o sistema de caminh\u00f5es de transporte p\u00fablico ainda opera no estado de Jalisco, por um lado, mas tamb\u00e9m faz alus\u00e3o ao <em>montagem<\/em> (Far\u00edas, 2011) entre o ator humano que opera o servi\u00e7o e as tecnologias semi\u00f3tico-materiais com as quais se associa para faz\u00ea-lo: o caminh\u00e3o em todas as suas dimens\u00f5es e engenharias; os usu\u00e1rios e suas corporeidades multiformes; o sistema de registro de passageiros com bilhetes e barras \u00f3pticas; o sistema de controle de tempo com rel\u00f3gio e \"checkers\"; as infraestruturas vi\u00e1rias que incluem ruas, avenidas, paradas, bases, sem\u00e1foros, lombadas, etc.; as dobras espaciais espont\u00e2neas como barracas de comida e outros vendedores ambulantes; os outros ve\u00edculos com os quais o homem-caminh\u00e3o deve disputar o espa\u00e7o urbano, a come\u00e7ar pelos pr\u00f3prios companheiros de rota com os quais compete.As dobras espaciais espont\u00e2neas, como barracas de comida e outros vendedores ambulantes; os outros ve\u00edculos com os quais o homem-caminh\u00e3o deve disputar o espa\u00e7o urbano, a come\u00e7ar por seus pr\u00f3prios companheiros de rota, com os quais compete pela passagem. A combina\u00e7\u00e3o dessas formas violentas de associa\u00e7\u00e3o gera uma tens\u00e3o que se condensa e explode na rela\u00e7\u00e3o entre motoristas e usu\u00e1rios, cujos efeitos s\u00e3o tanto os ferimentos e mortes de usu\u00e1rios e transeuntes causados anualmente pelos caminh\u00f5es quanto os dez motoristas assassinados em Jalisco em 2012 - um evento sem precedentes no pa\u00eds - como suposta vingan\u00e7a pelos acidentes e mortes que causam.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensar no motorista dessa forma, tamb\u00e9m como uma coprodu\u00e7\u00e3o de redes e montagens em que o estigma o posiciona como o vil\u00e3o do filme, n\u00e3o significa isent\u00e1-lo dos graves problemas do transporte p\u00fablico, nem negar sua ag\u00eancia, mas sim assumir, junto com os motoristas de caminh\u00e3o e outros atores, uma ag\u00eancia coletiva em rela\u00e7\u00e3o ao transporte p\u00fablico. A metodologia utilizada tamb\u00e9m nos leva a um processo de reconhecimento das necessidades que temos em comum com outros atores envolvidos na opera\u00e7\u00e3o, no uso e no impacto do transporte p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o com Jos\u00e9 S\u00e1nchez, com o objetivo definido de acompanhar com a c\u00e2mera sua trajet\u00f3ria de luta durante suas atividades pol\u00edticas e no encontro com outros atores sociais, definiu a agenda de pesquisa subsequente, Depois de um ano de filmagens, isso nos levou \u00e0 linha de edi\u00e7\u00e3o audiovisual com uma s\u00e9rie de depoimentos e grava\u00e7\u00f5es de viagens a bordo de diferentes rotas que foram organizadas em torno do que os diferentes atores envolvidos com o transporte p\u00fablico reconheciam como as causas das defici\u00eancias do servi\u00e7o, priorizando as vozes e experi\u00eancias daqueles que o conhecem por dentro, daqueles que tornam poss\u00edvel o seu funcionamento di\u00e1rio, e mostrando as situa\u00e7\u00f5es em que o racioc\u00ednio desses atores correspondia ao que foi expresso. O resultado obtido ap\u00f3s o processo de edi\u00e7\u00e3o teve como objetivo alcan\u00e7ar a identifica\u00e7\u00e3o do sindicato dos motoristas com as situa\u00e7\u00f5es que eles vivenciam no dia a dia e sua percep\u00e7\u00e3o dos problemas do transporte p\u00fablico, o que foi verificado com a visualiza\u00e7\u00e3o por v\u00e1rios motoristas antes da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da pesquisa audiovisual \u00e0 a\u00e7\u00e3o coletiva<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Durante 2013, o document\u00e1rio <em>El Hombre-Cami\u00f3n<\/em> foi apresentado em diferentes f\u00f3runs no in\u00edcio da administra\u00e7\u00e3o do governo estadual de Arist\u00f3teles Sandoval, com a mudan\u00e7a da Secretaria de Estradas para a Secretaria de Mobilidade, assumindo o discurso promovido por cidad\u00e3os organizados e convocando publicamente a apresenta\u00e7\u00e3o de propostas para uma nova Lei de Mobilidade que promoveria a transforma\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico. O document\u00e1rio foi visto e discutido por pessoas de diferentes organiza\u00e7\u00f5es sociais, estudantes, trabalhadores do transporte, usu\u00e1rios, acad\u00eamicos, motoristas e funcion\u00e1rios p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>As rea\u00e7\u00f5es ao document\u00e1rio variaram em nuances, levando em conta as diferentes posi\u00e7\u00f5es a partir das quais o document\u00e1rio foi visto. Uma vers\u00e3o preliminar foi apresentada no Segundo Congresso Estadual de Mobilidade e Transporte (dezembro de 2012), co-organizado pela <span class=\"small-caps\">fusca<\/span>N\u00f3s hav\u00edamos abordado a organiza\u00e7\u00e3o para documentar o trabalho da Transport School. Os trabalhadores do transporte que compartilharam suas impress\u00f5es conosco naquele dia certamente ficaram chateados com o rumo que o document\u00e1rio tomou, concentrando-se nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos motoristas e n\u00e3o no trabalho de treinamento que eles estavam fazendo. Entretanto, eles reconheceram que as opini\u00f5es do document\u00e1rio (inclusive as deles) sobre as mudan\u00e7as urgentemente necess\u00e1rias no sistema de transporte p\u00fablico estavam corretas.<\/p>\n\n\n\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o da filmagem final do document\u00e1rio foi feita no F\u00f3rum \"Better Truck, Better City\" (Caminh\u00e3o Melhor, Cidade Melhor) na <span class=\"small-caps\">iteso<\/span>em 23 de abril de 2013. A exibi\u00e7\u00e3o foi seguida por um painel de discuss\u00e3o com o transportador que \u00e9 o diretor da Escola de Transporte e dois motoristas, sendo Jos\u00e9 S\u00e1nchez um deles. Embora j\u00e1 tivesse assistido ao document\u00e1rio no congresso em dezembro, o representante dos trabalhadores em transportes estava obviamente nervoso, pois sabia que, depois de assisti-lo, os espectadores estavam come\u00e7ando a perceber que parte da responsabilidade pelo servi\u00e7o de transporte p\u00fablico ruim estava sendo transferida dos motoristas para as concession\u00e1rias. No f\u00f3rum \"O caminh\u00e3o que queremos\" (maio de 2013),<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> organizado pela Plataforma Metropolitana de Sustentabilidade, o document\u00e1rio foi visto por Mauricio Gudi\u00f1o, ent\u00e3o Secret\u00e1rio de Mobilidade, que reconheceu a necessidade, mas tamb\u00e9m as dificuldades, de regulamentar o transporte p\u00fablico, come\u00e7ando pelas condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos motoristas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas foi em 8 de maio de 2013 que Jos\u00e9 S\u00e1nchez deixou claro publicamente quais s\u00e3o as necessidades trabalhistas dos motoristas que devem ser atendidas para garantir um servi\u00e7o de transporte p\u00fablico decente, no F\u00f3rum de Consulta para o Novo Modelo de Transporte P\u00fablico convocado pelo Governo do Estado de Jalisco, organizado com o compromisso expl\u00edcito de levar em conta as propostas apresentadas para a iniciativa da Lei de Mobilidade a ser discutida no Congresso Estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>O slogan de Jos\u00e9, de fazer uma frente comum de usu\u00e1rios e operadores, revertendo um confronto hist\u00f3rico, estava come\u00e7ando a aparecer na imagina\u00e7\u00e3o coletiva de como enfrentar o mau servi\u00e7o de transporte p\u00fablico como um confinamento urbano e recuper\u00e1-lo como um bem comum. Mas foi no final daquele ano que ele come\u00e7ou a tomar forma. Depois que o Congresso Estadual aprovou a \"nova\" Lei de Mobilidade e Transporte do Estado de Jalisco em meados do ano, que foi fortemente questionada por n\u00e3o priorizar o transporte p\u00fablico em detrimento de outras formas de mobilidade (Civitas, 2013), em 21 de dezembro de 2013, foi decretado o t\u00e3o esperado aumento da tarifa de 6 para 7 pesos para caminh\u00f5es de transporte p\u00fablico e trens leves.<\/p>\n\n\n\n<p>A rejei\u00e7\u00e3o de muitas pessoas que usam esse meio de transporte diariamente n\u00e3o demorou a chegar. Nenhuma nova lei ou decreto oficial poderia magicamente apagar as defici\u00eancias do transporte p\u00fablico, portanto o aumento n\u00e3o se justificava. Cidad\u00e3os indignados se organizaram espontaneamente e convocaram uma reuni\u00e3o em 27 de dezembro no Parque de la Revoluci\u00f3n, pr\u00f3ximo ao centro de Guadalajara, com o slogan <em>#PosNoMeSubo<\/em>tamb\u00e9m inspirado na recente rejei\u00e7\u00e3o do aumento da tarifa do metr\u00f4 da Cidade do M\u00e9xico, com o slogan <em>#PosMeSalto<\/em>. A\u00e7\u00f5es como a cria\u00e7\u00e3o de alternativas de mobilidade, ciclovias e at\u00e9 mesmo um \"caminh\u00e3o do cidad\u00e3o\" foram acordadas. Organiza\u00e7\u00f5es como a Federa\u00e7\u00e3o de Estudantes Universit\u00e1rios, o partido Movimiento Ciudadano e o <span class=\"small-caps\">coparmex<\/span> Eles contestaram o decreto de aumento da tarifa, que foi posteriormente revogado. Jos\u00e9 Sanchez participou das reuni\u00f5es convocadas como resultado dessas iniciativas, deixando claro para os usu\u00e1rios indignados que o aumento da tarifa n\u00e3o beneficiava realmente os motoristas e que ele tamb\u00e9m n\u00e3o concordava com ele. O discurso de Jos\u00e9 convidando motoristas e usu\u00e1rios a unirem for\u00e7as foi bem recebido pelas pessoas reunidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esteira de iniciativas ef\u00eameras de convite \u00e0 desobedi\u00eancia civil e de outras propostas de autogest\u00e3o da mobilidade que se esvaziaram nas semanas seguintes, bem como de um debate p\u00fablico sobre o transporte p\u00fablico preso \u00e0 quest\u00e3o de aumentar ou n\u00e3o as tarifas enquanto as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o e os \u00edndices de acidentes permaneciam sem solu\u00e7\u00e3o, nasceu, em janeiro de 2014, a Frente Comum de Usu\u00e1rios e Operadores do Transporte P\u00fablico. <span class=\"small-caps\">amg<\/span> que reivindicou o transporte p\u00fablico como um bem comum, superando os recintos erguidos em torno de uma rela\u00e7\u00e3o inescap\u00e1vel de interdepend\u00eancia; uma luta na qual convergem a organiza\u00e7\u00e3o pelos direitos trabalhistas e o direito \u00e0 cidade (Harvey, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p>O document\u00e1rio <em>El Hombre-Cami\u00f3n<\/em>que, no in\u00edcio de 2014, foi visto por pessoas preocupadas com quest\u00f5es de transporte p\u00fablico, ajudou Jos\u00e9 a divulgar a situa\u00e7\u00e3o dos motoristas e a ser reconhecido como um ator pol\u00edtico por outros cidad\u00e3os que queriam se organizar em torno desse servi\u00e7o. No contexto das convoca\u00e7\u00f5es e mobiliza\u00e7\u00f5es contra o aumento da tarifa, Jos\u00e9 conheceu usu\u00e1rios de transporte p\u00fablico com os quais fundou a Frente Com\u00fan de Usuarios y Operadores, \u00e0 qual logo se juntaram o coletivo Caracol Urbano e o Laboratorio Urbano En Ruta.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, a Frente tem realizado uma s\u00e9rie de chamadas e a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que t\u00eam como um de seus principais eixos a demanda por condi\u00e7\u00f5es de trabalho dignas para os motoristas de transporte p\u00fablico como condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a melhoria do servi\u00e7o. Esse slogan foi baseado na narrativa oferecida pelo filme document\u00e1rio <em>El Hombre-Cami\u00f3n<\/em>baseado na luta de Jos\u00e9 S\u00e1nchez. A Frente convocou exibi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do document\u00e1rio, ap\u00f3s as quais o p\u00fablico teve a oportunidade de falar sobre as quest\u00f5es e foi convidado a participar da Frente Comum de Usu\u00e1rios e Operadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, os alunos que fizeram parte do laborat\u00f3rio urbano En Ruta produziram o document\u00e1rio <em>Vozes na estrada<\/em>que investiga como as condi\u00e7\u00f5es de trabalho afetam a sa\u00fade dos motoristas e a qualidade de vida de suas fam\u00edlias. Entre 2015 e 2016, a Frente organizou Di\u00e1logos pelo Transporte Decente em espa\u00e7os p\u00fablicos nos munic\u00edpios de Guadalajara e Tlajomulco, reunindo usu\u00e1rios, motoristas e funcion\u00e1rios p\u00fablicos municipais e estaduais para ouvir as perspectivas de outros atores sociais e compartilhar as suas pr\u00f3prias. Por sua vez, em 2017, o Laborat\u00f3rio Urbano En Ruta convocou os Encontros de Estudantes pelo Transporte Decente em diferentes universidades, o que permitiu que os estudantes conhecessem sua experi\u00eancia como usu\u00e1rios de transporte p\u00fablico e os convidou a participar.<\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa sobre a complexidade dos problemas do transporte p\u00fablico conseguiu reunir outros coletivos de estudantes e cidad\u00e3os para convergir em iniciativas para melhorar o transporte p\u00fablico, o que levou a novos exerc\u00edcios de a\u00e7\u00e3o coletiva. Entre eles, o<em> Avalia\u00e7\u00e3o integral da Rota T02 Artes\u00e3os da a\u00e7\u00e3o civil organizada<\/em>projetado e implementado por cerca de 60 pessoas e diferentes coletivos de cidad\u00e3os, como o Comparte la Ciudad, <span class=\"small-caps\">gdl<\/span> en Bici, Movilidad Revoluci\u00f3n Jalisco e a Red Universitaria de Movilidad, bem como a Frente Com\u00fan de Usuarios y Operadores e o laborat\u00f3rio urbano En Ruta, em outubro de 2017, e apresentada publicamente em novembro, na iniciativa denominada Movi\u00e9ndonos. O objetivo da avalia\u00e7\u00e3o era avaliar as condi\u00e7\u00f5es em que o modelo de gest\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico conhecido como Ruta-Empresa, que deveria oferecer uma solu\u00e7\u00e3o para os problemas hist\u00f3ricos do servi\u00e7o, come\u00e7aria a operar.<\/p>\n\n\n\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o consistiu na elabora\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de guias de observa\u00e7\u00e3o sobre as condi\u00e7\u00f5es das unidades, os tempos de passagem e de espera dos usu\u00e1rios, bem como pesquisas de percep\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios. Al\u00e9m disso, incorporou uma pesquisa com motoristas, da qual os motoristas tamb\u00e9m participaram, para levar em conta suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho no novo modelo. O documento de avalia\u00e7\u00e3o concluiu que, embora haja melhorias nas condi\u00e7\u00f5es dos caminh\u00f5es, elas n\u00e3o s\u00e3o as estabelecidas pelo padr\u00e3o oficial. A rota tamb\u00e9m n\u00e3o atendeu aos padr\u00f5es de intermodalidade e acessibilidade universal. Embora os motoristas pesquisados tenham reconhecido melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho em compara\u00e7\u00e3o com o modelo Man-Truck, eles ainda n\u00e3o tinham todos os benef\u00edcios legais (Movi\u00e9ndonos, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas experi\u00eancias nos permitem afirmar que o <em>pesquisa audiovisual colaborativa<\/em> com as caracter\u00edsticas que apresentamos aqui contribui para a apropria\u00e7\u00e3o coletiva de uma narrativa sobre o transporte p\u00fablico que questiona o estigma e envolve e convida diferentes atores sociais a participarem das mudan\u00e7as no servi\u00e7o, promovendo novas formas de v\u00ednculo, colabora\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o coletiva. \u00c9 claro que esses s\u00e3o apenas os primeiros passos para transformar o sistema a fim de imaginar melhorias, com usu\u00e1rios e motoristas, um fator humano fundamental na opera\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, em primeiro plano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"small-caps\">Bibliografia<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Aguilar Nery, Jes\u00fas (2000). \u201cLas culturas al volante, aproximaci\u00f3n etnogr\u00e1fica a los choferes de transporte p\u00fablico\u201d, en <em>Estudios sobre la Cultura Contempor\u00e1nea<\/em>, vol. 6, n\u00fam. 12, pp. 85-110.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Arellano R\u00edos, Alberto (2018). \u201cEl transporte p\u00fablico en el \u00c1rea Metropolitana de Guadalajara: agenda, proyectos y gatopardismo\u201d, en <em>Revista Mexicana de An\u00e1lisis Pol\u00edtico y Administraci\u00f3n P\u00fablica<\/em>, vol. 7, n\u00fam. 1, <br>pp. 11-32.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Butler, Judith (2011). \u201cCuerpos en alianza y las pol\u00edticas de la calle\u201d, en <em>Transversales<\/em>, n\u00fam. 26, junio 2012. 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