{"id":31622,"date":"2020-03-23T01:43:53","date_gmt":"2020-03-23T01:43:53","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/?p=31622"},"modified":"2023-11-17T18:41:39","modified_gmt":"2023-11-18T00:41:39","slug":"aguilar-desplazmientos-persona-ciega-mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/aguilar-desplazmientos-persona-ciega-mexico\/","title":{"rendered":"Centralidade dos sentidos: os movimentos de uma pessoa cega pelo centro da Cidade do M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O campo dos estudos sensoriais ainda \u00e9 um campo acad\u00eamico em desenvolvimento, mas as contribui\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias ci\u00eancias sociais come\u00e7aram a formar um conjunto de conhecimentos relevantes. Ao pensar na vida nas cidades como uma experi\u00eancia sensorial, surgem v\u00e1rias quest\u00f5es sobre a preponder\u00e2ncia de um sentido sobre os outros ou sobre a maneira como os sentidos s\u00e3o socialmente estruturados e, a partir disso, surgem quest\u00f5es sobre a diferencia\u00e7\u00e3o em seu uso e significado. Este texto explora esse tema com base em uma entrevista em profundidade e em uma caminhada pelo centro da Cidade do M\u00e9xico com uma pessoa cega. Esse testemunho destaca a import\u00e2ncia do mundo sens\u00edvel pelo qual eles caminham. As estrat\u00e9gias de orienta\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria sens\u00edvel e a elabora\u00e7\u00e3o de mapas mentais sequenciais s\u00e3o fundamentais para o movimento, assim como as texturas, os cheiros e os sons. Portanto, \u00e9 poss\u00edvel pensar na exist\u00eancia de uma ordem sensorial com base na qual as rotas e as intera\u00e7\u00f5es s\u00e3o estruturadas. A narrativa do movimento tamb\u00e9m \u00e9 importante na medida em que molda a experi\u00eancia, torna-a comunic\u00e1vel e define o narrador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/centralidad-urbana\/\" rel=\"tag\">centralidade urbana<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/distancias-fisicas-y-sociales\/\" rel=\"tag\">dist\u00e2ncias f\u00edsicas e sociais<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/espacio-publico\/\" rel=\"tag\">espa\u00e7o p\u00fablico<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/narrativas-sociales\/\" rel=\"tag\">narrativas sociais<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/uso-social-de-los-sentidos\/\" rel=\"tag\">uso social dos sentidos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"en-title\">Centralidade dos sentidos: os movimentos de um sujeito cego pelo centro da Cidade do M\u00e9xico<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">O campo dos estudos sensoriais \u00e9 uma disciplina acad\u00eamica ainda em desenvolvimento; dito isso, v\u00e1rias contribui\u00e7\u00f5es de diversas ci\u00eancias sociais come\u00e7aram a configurar um corpo de conhecimento relevante. Quando imaginamos a vida na cidade como uma experi\u00eancia sensorial, surgem v\u00e1rias quest\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preponder\u00e2ncia de um sentido sobre os outros ou, de fato, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maneira como os sentidos s\u00e3o socialmente estruturados; essas quest\u00f5es, por sua vez, d\u00e3o origem a perguntas sobre a diferencia\u00e7\u00e3o no uso e na significa\u00e7\u00e3o dos sentidos. O presente texto explora essa tem\u00e1tica com base em uma entrevista em profundidade e passeios com uma pessoa cega no centro da Cidade do M\u00e9xico. A partir desse testemunho, descobrimos a import\u00e2ncia do mundo sens\u00edvel no qual os movimentos ocorrem. As estrat\u00e9gias de orienta\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria sens\u00edvel e a cria\u00e7\u00e3o de mapas mentais sequenciais s\u00e3o fundamentais para o movimento, assim como as texturas, os cheiros e os sons. Portanto, podemos acreditar na exist\u00eancia de uma ordem sensorial sobre a qual os passeios e as intera\u00e7\u00f5es s\u00e3o estruturados. As narrativas de locomo\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o importantes na medida em que d\u00e3o forma \u00e0 experi\u00eancia, tornam-na comunic\u00e1vel e definem seu narrador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: usos sociais dos sentidos, espa\u00e7o p\u00fablico, centralidade urbana, narrativas sociais, dist\u00e2ncias f\u00edsicas e sociais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">Neste texto, procuramos abordar o deslocamento na cidade a partir da perspectiva dos estudos sensoriais ou sens\u00edveis. Esse \u00e9 um campo em desenvolvimento nos estudos sociais e surge das preocupa\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias disciplinas (sociologia, antropologia, geografia humana) para abordar a maneira pela qual o mundo sensorial, em sua estrutura\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o, fornece elementos de compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos e o mundo social.<\/p>\n\n\n\n<p>A explora\u00e7\u00e3o de deslocamentos e atmosferas sensoriais \u00e9 composta de duas partes. A primeira parte apresentar\u00e1 propostas significativas sobre a abordagem do mundo sensorial nas ci\u00eancias sociais, enfatizando como essas contribui\u00e7\u00f5es iluminam diferentes maneiras de se relacionar com os ambientes urbanos por meio dos sentidos. A segunda parte consistir\u00e1 em uma abordagem explorat\u00f3ria do tema dos sentidos na cidade com base em uma leitura dos sentidos na cidade. <em>sensorial<\/em> do deslocamento de uma pessoa cega pelo centro hist\u00f3rico da Cidade do M\u00e9xico. Essa pessoa foi submetida a uma entrevista em profundidade e, em seguida, a duas entrevistas nas quais foi acompanhada em rotas cotidianas e preferidas. Essa estrat\u00e9gia de pesquisa combina falar e caminhar. A evoca\u00e7\u00e3o de lugares e sua valoriza\u00e7\u00e3o, bem como a caminhada e o relato de experi\u00eancias e sensa\u00e7\u00f5es, permitiram que atmosferas ligadas ao movimento e aos sentidos emergissem plenamente, atmosferas que s\u00e3o um recurso para a elabora\u00e7\u00e3o de marcas definidoras do lugar e mapas mentais de orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"small-caps\">Sensorial e sociocultural<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Para situar a discuss\u00e3o sobre os sentidos nas ci\u00eancias sociais, deve-se observar desde o in\u00edcio que \u00e9 consistentemente reconhecido que, embora os sentidos tenham uma dimens\u00e3o individual em princ\u00edpio, j\u00e1 que \u00e9 a pessoa que v\u00ea, ouve e assim por diante com os outros sentidos comumente reconhecidos, a maneira como os usamos, categorizamos as sensa\u00e7\u00f5es com eles e lhes damos significado \u00e9 eminentemente cultural. Howes e Classen afirmam: \"a maneira como usamos nossos sentidos e a maneira como criamos e entendemos o mundo sensorial s\u00e3o moldadas pela cultura\" (2014: 1). Le Breton tamb\u00e9m aponta na mesma dire\u00e7\u00e3o quando postula que \"a percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a impress\u00e3o de um objeto em um \u00f3rg\u00e3o sensorial passivo, mas uma atividade de conhecimento dilu\u00edda em evid\u00eancias ou fruto de reflex\u00e3o. O que as pessoas percebem n\u00e3o \u00e9 o real, mas j\u00e1 \u00e9 um mundo de significados\" (2007: 22).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a dimens\u00e3o sensorial abordada a partir de uma perspectiva ampla nas ci\u00eancias sociais situa o processo de percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o mais no indiv\u00edduo, mas no campo da elabora\u00e7\u00e3o social dos usos e significados dados a um conjunto de est\u00edmulos que t\u00eam uma exist\u00eancia baseada em seu reconhecimento coletivo. Como sugere Sabido (2016), nesse campo tamb\u00e9m \u00e9 importante indagar sobre a dimens\u00e3o interativa (percep\u00e7\u00e3o m\u00fatua de uma forma e n\u00e3o de outra) e a dimens\u00e3o disposicional (como se aprende a perceber de uma forma e n\u00e3o de outra) como forma de aproximar o tema de uma necess\u00e1ria an\u00e1lise sociol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Dada a diversidade social e cultural que pode ser abordada pelas ci\u00eancias sociais, uma \u00e1rea de pesquisa tem sido a dos modos sociais e culturais de classifica\u00e7\u00e3o e nomea\u00e7\u00e3o de significado. Isso levou a descobertas sobre a grande diversidade de maneiras pelas quais os sentidos s\u00e3o concebidos fora do mundo ocidental. A partir disso, foram fornecidos elementos, com base em uma estrat\u00e9gia etnogr\u00e1fica, para enfatizar as ordens sensoriais de diferentes culturas. Howes (2014) observa, por exemplo, que na filosofia indiana cl\u00e1ssica \u00e9 sugerida uma lista de oito sentidos, incluindo um sentido de pensamento e mente (<em>mana<\/em>), o que sinaliza uma oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o ocidental de diferenciar nitidamente mente e corpo. Essa ilustra\u00e7\u00e3o m\u00ednima serve para apontar a grande diversidade de maneiras de conceituar o mundo sensorial e postular, seguindo Howes, que cada ordem dos sentidos \u00e9 uma ordem social, pois marca implicitamente uma ordem hier\u00e1rquica \u00e0 qual s\u00e3o atribu\u00eddos grupos ou atividades sociais. Assim, h\u00e1 sentidos \"altos ou nobres\", como a vis\u00e3o, e sentidos \"baixos\", como o olfato e o tato; isso permite diferenciar grupos sociais de acordo com o uso ou n\u00e3o uso de um determinado sentido nas atividades cotidianas. Para citar um caso, a \u00eanfase no feminino a partir da ideia de suavidade e tato delicado anda de m\u00e3os dadas com a ideia de que o dom\u00e9stico \u00e9 o espa\u00e7o para o exerc\u00edcio dessas atividades (ver Goffman, 1991), ou que no carro particular o corpo est\u00e1 protegido do contato imprevisto com os outros e, portanto, no transporte p\u00fablico \u00e9 necess\u00e1rio \"suportar\" o contato com os outros (Capron e P\u00e9rez L\u00f3pez, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m deve ser observado que os sentidos n\u00e3o est\u00e3o isolados uns dos outros, como universos perceptuais aut\u00f4nomos e diferenciados. O conceito de sinestesia busca recuperar o am\u00e1lgama dos sentidos em um \u00fanico ato perceptivo. Voltemos a Le Breton (2007: 46): \"a todo momento a exist\u00eancia pede a unidade dos sentidos. A percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma soma de dados, mas uma apreens\u00e3o global do mundo\". Howes e Classen (2014: 5) apontam na mesma dire\u00e7\u00e3o quando postulam que \"as sensa\u00e7\u00f5es se complementam, se op\u00f5em e, \u00e0s vezes, se contradizem, como quando algo que parece pesado parece leve... Elas fazem parte de uma rede interativa de experi\u00eancias, em vez de estarem localizadas em compartimentos separados em uma caixa sensorial\". Portanto, um ponto de interesse n\u00e3o \u00e9 apenas documentar o que acontece no n\u00edvel do uso de um \u00fanico sentido, mas o que surge no am\u00e1lgama de sentidos, quando e como isso acontece, e quais s\u00e3o os usos sociais dessas intera\u00e7\u00f5es quase infinitas.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, no campo das rela\u00e7\u00f5es sensoriais, tamb\u00e9m temos outra \u00e1rea a ser sistematizada, na qual os est\u00edmulos sensoriais est\u00e3o ligados \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o espacial e \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de elementos materiais e sociais presentes na estrutura de um mundo perceptual. Assim, a dimens\u00e3o sensorial \u00e9 fundamental para experimentar o espa\u00e7o a partir de uma dimens\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 apenas abstrata, mas tamb\u00e9m vivida. Abordaremos esse ponto mais adiante em rela\u00e7\u00e3o ao som e \u00e0 cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de tudo o que foi dito acima, abre-se um grande campo, que \u00e9 o da estrutura\u00e7\u00e3o social dos mundos sensoriais. Se pensarmos nisso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o espacial do social, fica claro que diferentes tipos de espa\u00e7os correspondem a um conjunto de habilidades sensoriais que nos permitem estar neles. Para dar um exemplo contrastante, uma floresta requer habilidades diferentes para habit\u00e1-la do que uma praia. A identifica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 importante (sons, cheiros, dire\u00e7\u00e3o do vento) muda de lugar para lugar. Al\u00e9m disso, a mesma estrutura\u00e7\u00e3o material torna poss\u00edvel dar mais \u00eanfase a um sentido do que a outro para se movimentar e realizar atividades nesse espa\u00e7o. \"Diante da infinidade de sensa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis a cada momento, uma sociedade define formas particulares de fazer escolhas, estabelecendo entre si e o mundo o crivo de significados, valores, fornecendo a cada um as orienta\u00e7\u00f5es para existir no mundo e se comunicar com seu ambiente\" (Le Breton, 2006: 23).<\/p>\n\n\n\n<p>Os elementos sensoriais tornam-se sinais, sinais que marcam o que um determinado lugar, por assim dizer, espera de n\u00f3s. Sejam movimentos corporais, aten\u00e7\u00e3o aos odores, audi\u00e7\u00e3o atenta em salas de concerto. Da mesma forma, h\u00e1 elementos sensoriais que servem para antecipar o que est\u00e1 por vir: o som do trem do metr\u00f4 chegando \u00e0 esta\u00e7\u00e3o, o cheiro da comida a ser consumida, um sino marcando o fim de alguma atividade. E h\u00e1 todo o resto, aquilo que faz parte de uma situa\u00e7\u00e3o social que pode n\u00e3o ter um uso instrumental em si, algo que convoca uma atividade, mas faz parte de sua defini\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 o que podemos englobar na defini\u00e7\u00e3o de atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 antropologia do lugar, Abilio Vegara (2013: 47) destaca que \"a <em>local<\/em>r tem seu pr\u00f3prio discurso, seus pr\u00f3prios objetos e sujeitos, sua pr\u00f3pria sonoridade, que juntos geram uma <em>atmosfera<\/em> e um <em>ritmo<\/em> Essa linguagem m\u00faltipla, em sua articula\u00e7\u00e3o experiencial e significativa, cria a <em>ambiente<\/em> do lugar, \u00e9 o que o fortalece na mem\u00f3ria, quando, por exemplo, a evoca\u00e7\u00e3o na aus\u00eancia surge de uma palavra, um cheiro ou uma cor... que juntos formam - e se referem - \u00e0quela atmosfera espec\u00edfica\". Sujeito a retornar mais tarde \u00e0 ideia de atmosfera, deve-se observar que ela \u00e9 \u00fatil para abranger a concorr\u00eancia sensorial, a maneira como os sentidos interagem uns com os outros cria um dom\u00ednio particular em que nenhum elemento isolado \u00e9 o mais relevante para sua defini\u00e7\u00e3o; talvez seja na mistura de dom\u00ednios sensoriais que repousa a incompreens\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O sensorial na cidade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Em seu cl\u00e1ssico ensaio sobre <em>A vida do esp\u00edrito nas grandes cidades<\/em>Georg Simmel (1986) estabelece a primazia do olhar na vida urbana. A necessidade de orienta\u00e7\u00e3o nos deslocamentos urbanos, aliada a uma vida social intensa, mas fr\u00e1gil, faz com que o morador da cidade dependa da vis\u00e3o como recurso para o posicionamento social e espacial. Ao olhar para os outros, a pessoa encontra seu lugar social no contexto de microintera\u00e7\u00f5es estruturadas pela apar\u00eancia; ao olhar para os ambientes urbanos, ela distingue rotas e sinais que a orientam.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, o olhar n\u00e3o desempenha apenas uma fun\u00e7\u00e3o instrumental em termos de permitir a orienta\u00e7\u00e3o. A partir dos preceitos do interacionismo simb\u00f3lico, ele tamb\u00e9m pode ser considerado um dispositivo para definir a si mesmo aos olhos dos outros, incorporando \u00e0 defini\u00e7\u00e3o do eu os efeitos que a apar\u00eancia gera aos olhos dos outros em situa\u00e7\u00f5es de contato cotidiano (Blumer, 1982). Da mesma forma, ao caminhar pelas ruas ou usar o transporte p\u00fablico, o olhar localiza o sujeito espacialmente e, ao mesmo tempo, indica aos outros participantes da situa\u00e7\u00e3o o tipo de disposi\u00e7\u00e3o individual em que ele se encontra (pressa, concentra\u00e7\u00e3o, d\u00favida, desvio). Assim, aquele que olha tamb\u00e9m \u00e9 olhado por outras pessoas ao seu redor ou por dispositivos tecnol\u00f3gicos que, em nome da efici\u00eancia e da seguran\u00e7a, dissolvem o anonimato urbano e buscam total transpar\u00eancia e visibilidade. Talvez isso tenha como consequ\u00eancia um olhar em que os cidad\u00e3os se tornam objetos m\u00f3veis com trajet\u00f3rias e a dimens\u00e3o do significado do urbano se torna secund\u00e1ria, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 apreci\u00e1vel nos monitores de controle e rastreamento. O olhar, ent\u00e3o, como um exerc\u00edcio da rela\u00e7\u00e3o urbana, oscila entre a intensidade ef\u00eamera dos encontros face a face e sua anula\u00e7\u00e3o expressiva diante dos dispositivos tecnol\u00f3gicos onipresentes. Talvez, no entanto, a pr\u00e1tica generalizada do <em>selfie<\/em> em locais p\u00fablicos da cidade tem o efeito de revalorizar a perambula\u00e7\u00e3o urbana, embora ao pre\u00e7o de interagir expressivamente apenas na frente de dispositivos digitais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, um exemplo da maneira como os sentidos s\u00e3o empregados para enfatizar uma localiza\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica \u00e9 fornecido por Urry (2008) em rela\u00e7\u00e3o ao uso da varanda nas cidades, que permite olhar para os outros sem ser tocado, ouvir ou sentir o cheiro dos transeuntes. Essa dist\u00e2ncia sensorial marca a cidade como preeminentemente visual ao desconectar outros sentidos do olhar; mais tarde, os arranha-c\u00e9us participam do mesmo processo, assim como certos \u00f4nibus tur\u00edsticos nos quais a cidade \u00e9 conhecida apenas pela vis\u00e3o, sem descer do transporte para tocar, cheirar ou ouvir.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o do som na cidade, v\u00e1rios estudos apontam para seu car\u00e1ter problem\u00e1tico, ou seja, ele \u00e9 abordado quando, em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es, sua presen\u00e7a se torna inc\u00f4moda e causa danos \u00e0 sa\u00fade. Um caso ilustrativo \u00e9 o do ru\u00eddo, um som inc\u00f4modo e prejudicial que deu origem a perguntas sobre como \u00e9 poss\u00edvel toler\u00e1-lo em ambientes residenciais ou de trabalho. No caso da Cidade do M\u00e9xico, h\u00e1 abordagens emp\u00edricas (consulte Dom\u00ednguez, 2013) que concluem que a habitua\u00e7\u00e3o ao ru\u00eddo \u00e9 recorrente, embora n\u00e3o sem deixar rastros na sa\u00fade auditiva, seja no caso dos habitantes de uma \u00e1rea adjacente ao aeroporto da cidade ou em ambientes de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o som n\u00e3o tem apenas um car\u00e1ter perturbador, ele tamb\u00e9m \u00e9 capaz de fornecer elementos de identifica\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o em que ocorre. Ou seja, h\u00e1 sons que s\u00e3o espec\u00edficos de um lugar e seu conhecimento e identifica\u00e7\u00e3o remetem imediatamente ao ambiente em que s\u00e3o produzidos. Assim, \u00e9 poss\u00edvel falar de uma paisagem sonora na medida em que a experi\u00eancia do lugar, baseada em tudo o que acontece nele, \u00e9 insepar\u00e1vel da dimens\u00e3o auditiva. Dom\u00ednguez afirma: \"o som como atributo de identidade inclui todas as experi\u00eancias sonoras que s\u00e3o consideradas nossas, seja porque as produzimos ou porque s\u00e3o uma voz coletiva da qual nos sentimos parte; essa identifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m engendra a diferen\u00e7a, ou seja, o reconhecimento de um mundo sonoro que \u00e9 estranho ao nosso e com o qual tamb\u00e9m nos vinculamos\" (2015).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante considerar o atributo de dispers\u00e3o do som, que atinge \u00e1reas diferentes daquelas em que \u00e9 produzido devido \u00e0 sua natureza expansiva. \u00c9 assim que ele pode tecer rela\u00e7\u00f5es entre diferentes espa\u00e7os, sejam eles p\u00fablicos ou privados, e quando isso \u00e9 socialmente valorizado, \u00e9 chamado de paisagem sonora, e quando o som \u00e9 sentido como invasivo, surgem conflitos de todos os tipos (vizinhos barulhentos, atividades de trabalho com sons irruptivos).<\/p>\n\n\n\n<p>Outros elementos sens\u00edveis t\u00eam sua pr\u00f3pria linguagem e l\u00f3gica expressiva (olfato, tato, sensa\u00e7\u00f5es sinest\u00e9sicas); entretanto, em vez de explicar suas caracter\u00edsticas e como poderiam ser articulados em rela\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o urbano, parece pertinente pensar na maneira como esses elementos se articulam entre si. A no\u00e7\u00e3o de ambiente mencionada anteriormente tem a capacidade de integrar um universo sens\u00edvel ligado a um determinado espa\u00e7o, onde n\u00e3o se trata de isolar diferentes elementos sensoriais, mas de contempl\u00e1-los como um todo. Essa no\u00e7\u00e3o coloca em jogo a \"rela\u00e7\u00e3o sens\u00edvel de um conjunto de sujeitos percebedores, ... um m\u00ednimo de express\u00e3o e ... n\u00e3o pode ocorrer independentemente de uma temporalidade viva da qual nasce e que a faz desaparecer\" (Amphoux, 2003). Essa perspectiva tamb\u00e9m afirma a ideia de intersensorialidade em um duplo sentido: os ambientes existem n\u00e3o apenas como uma fun\u00e7\u00e3o de serem percebidos pelos sentidos, mas tamb\u00e9m porque um significado culturalmente compartilhado \u00e9 atribu\u00eddo a eles. Assim, os dados sensoriais e a interpreta\u00e7\u00e3o comum s\u00e3o fundamentais para a identifica\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de uma atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base no argumento desenvolvido at\u00e9 agora, \u00e9 poss\u00edvel propor a exist\u00eancia de uma ordem sensorial urbana composta pela rela\u00e7\u00e3o entre espa\u00e7os e pr\u00e1ticas. Isso significaria que \u00e9 poss\u00edvel pensar que um determinado tipo de espa\u00e7o corresponde a um universo sensorial gen\u00e9rico. Ou seja, em uma determinada disposi\u00e7\u00e3o material existente em uma determinada tipologia de espa\u00e7os na cidade (ruas comerciais, \u00e1reas residenciais populares, setores m\u00e9dios ou usos mistos) \u00e9 poss\u00edvel encontrar uma regularidade nos elementos sensoriais. Isso tamb\u00e9m aponta para uma distribui\u00e7\u00e3o ou estrutura\u00e7\u00e3o social da experi\u00eancia sensorial, j\u00e1 que em uma cidade socialmente heterog\u00eanea, os universos sensoriais n\u00e3o s\u00e3o apenas diversos, mas s\u00e3o configurados e apelam para diferentes tipos de sensibilidades que s\u00e3o valorizadas de forma diferente com base em descri\u00e7\u00f5es sociais. Assim, haveria atividades e descri\u00e7\u00f5es nas quais a intensidade dos est\u00edmulos sensoriais faz parte de um habitus social espec\u00edfico. Pense, por exemplo, na atividade comercial em \u00e1reas populares que ocorre em uma atmosfera de agita\u00e7\u00e3o na qual convergem sons, cheiros e contatos interpessoais inevit\u00e1veis e, por outro lado, em ambientes comerciais regidos pela ideia de ordem visual, em que tudo deve ser reconhec\u00edvel pelo olhar e em que outros est\u00edmulos sensoriais s\u00e3o controlados por estrat\u00e9gias de <em>marketing<\/em> (ilumina\u00e7\u00e3o, sons, temperatura, etc.). Tudo isso nos permite pensar na presen\u00e7a de est\u00edmulos espacial e socialmente diferenciados, nos quais o que para alguns \u00e9 t\u00edpico e habitual e \u00e9 dado como certo, para outros pode gerar estranheza e a sensa\u00e7\u00e3o de irrup\u00e7\u00e3o e deslocamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, \u00e9 necess\u00e1rio pensar na rua como um espa\u00e7o de m\u00faltiplos est\u00edmulos sensoriais, em muitos casos fracamente regulado em termos formais e, em outros, objeto de pol\u00edticas que regulam tanto os aspectos materiais quanto os sensoriais. Em todo caso, a experi\u00eancia do habitante de grandes \u00e1reas da cidade latino-americana remete, como apontam Duhau e Giglia (2008), a uma ordem urbana em cont\u00ednua negocia\u00e7\u00e3o, na qual os regulamentos costumam ser objeto de interpreta\u00e7\u00e3o vantajosa para aqueles que se situam dentro de seus limites. Assim, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio nos perguntarmos sobre as condi\u00e7\u00f5es urbanas, em termos de normatividades sociais, que permitem a conforma\u00e7\u00e3o de ambientes sensoriais particulares e como eles podem ser a express\u00e3o de dimens\u00f5es culturais positivamente valorizadas ou sinalizar uma deteriora\u00e7\u00e3o baseada em interesses particulares que s\u00e3o impostos a partir de condi\u00e7\u00f5es de poder e hierarquia.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se deve esquecer que h\u00e1 tamb\u00e9m a ordem social a partir da qual os transeuntes abordam, em termos de processos de categoriza\u00e7\u00e3o, outros transeuntes. Aqui se destaca que a ordem em que colocamos os outros revela sutilmente a ordem \u00e0 qual pertencemos: os estranhos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o facilmente localizados pelos nativos de um lugar e isso d\u00e1 origem ao jogo de reconhecimentos e negocia\u00e7\u00f5es sobre a ordem em que os relacionamentos se desenvolvem (ver Grimaldo, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, tamb\u00e9m \u00e9 relevante observar que os universos sensoriais est\u00e3o fortemente associados aos modos de deslocamento urbano. A maneira de viajar pelo espa\u00e7o p\u00fablico \u00e9 uma exposi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica a um determinado mundo sensorial. Assim, o transporte p\u00fablico \u00e9 sensorialmente diferente do carro particular, da bicicleta ou da caminhada. Cada um deles tem sua pr\u00f3pria complexidade ao expor o viajante a um mundo sensorial m\u00faltiplo, seja o exterior\/interior do carro ou do \u00f4nibus, a concentra\u00e7\u00e3o sensorial do viajante do metr\u00f4 ou a intensidade diferente de est\u00edmulo para o ciclista ou o caminhante. J\u00e1 E.T. Hall em seu conhecido livro <br><em>La dimensi\u00f3n oculta<\/em> (1995) tamb\u00e9m observou a percep\u00e7\u00e3o diferenciada do espa\u00e7o para quem viaja de carro e para quem caminha; no primeiro caso, \u00e9 a do olhar no centro e das constru\u00e7\u00f5es e objetos se movendo para os lados, e no segundo \u00e9 a de uma percep\u00e7\u00e3o mais rica, com a possibilidade de mudar continuamente a aten\u00e7\u00e3o do olhar e focar os sentidos cuidadosamente em um ponto espec\u00edfico. Podemos ent\u00e3o apontar que a an\u00e1lise de um espa\u00e7o que envolve os sentidos nos permite ter uma perspectiva mais complexa do que est\u00e1 em jogo, para dar a ele um car\u00e1ter particular al\u00e9m da mera visualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, uma quest\u00e3o relevante nesse contexto \u00e9 como analisar as experi\u00eancias sensoriais ligadas ao fato de estar e frequentar lugares na cidade. Tim Cresswell (2004: 11) sugere de forma bastante sugestiva que um lugar n\u00e3o \u00e9 apenas uma coisa no mundo, mas uma maneira de entender o mundo. Ele ressalta que \"quando olhamos para o mundo como um mundo de lugares, vemos coisas diferentes. Vemos v\u00ednculos e conex\u00f5es entre pessoas e lugares. Vemos mundos de significado e experi\u00eancia\". Isso levanta a possibilidade de perguntar como os lugares s\u00e3o moldados pelas experi\u00eancias sensoriais e como o sensorial n\u00e3o \u00e9 apenas um dado experimentado corporalmente, mas se torna uma maneira de entender e interpretar o mundo, ou pelo menos um determinado mundo social com o qual se est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o. Uma proposta muito \u00fatil dentro da perspectiva que propomos \u00e9 abordar o sensorial a partir de uma abordagem etnogr\u00e1fica. Isso permite recuperar a experi\u00eancia sensorial do ponto de vista de quem est\u00e1 ou circula em algum lugar, bem como abordar essa experi\u00eancia com base em pr\u00e1ticas significativas e n\u00e3o apenas como um conjunto de evoca\u00e7\u00f5es ou relatos descontextualizados. Essa ideia \u00e9 expressa no projeto de uma antropologia dos sentidos, que, de acordo com Sarah Pink, \u00e9 caracterizada por tr\u00eas temas principais: \"explora a quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre percep\u00e7\u00e3o sensorial e cultura, envolve-se com quest\u00f5es sobre o status da vis\u00e3o e sua rela\u00e7\u00e3o com outros sentidos, e busca uma forma de reflexividade que vai al\u00e9m de como a cultura \u00e9 \"escrita\" para examinar locais de conhecimento incorporado\" (2015: 13). Isso tamb\u00e9m implica uma etnografia situada que contemple o tema da experi\u00eancia, observando as rela\u00e7\u00f5es entre corpos, mentes e a materialidade e sensorialidade do ambiente (2015: 28). Dessa forma, a abordagem etnogr\u00e1fica, sob essa perspectiva, pressup\u00f5e o reconhecimento de diversos ambientes, sejam eles sociais, materiais, discursivos ou sensoriais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Caminhando no centro da Cidade do M\u00e9xico como uma pessoa cega<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Nesta se\u00e7\u00e3o, procuramos abordar um caso espec\u00edfico de an\u00e1lise da dimens\u00e3o sensorial da caminhada. O toque especial que ser\u00e1 dado \u00e0 an\u00e1lise \u00e9 recuperar a experi\u00eancia de uma pessoa cega em sua jornada pelo Centro Hist\u00f3rico da Cidade do M\u00e9xico e seu relato, por meio de uma entrevista em profundidade e duas entrevistas durante as caminhadas, sobre as diferentes estrat\u00e9gias de mobilidade e a dimens\u00e3o sensorial presente nelas. A entrevista em profundidade abordou quest\u00f5es como a valoriza\u00e7\u00e3o da caminhada pela cidade, experi\u00eancias e eventos ocorridos durante as viagens e uma explora\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o biogr\u00e1fica em rela\u00e7\u00e3o aos deslocamentos. Tamb\u00e9m foram realizadas duas caminhadas pelo centro da cidade, nas quais os participantes foram solicitados a comentar sobre seus movimentos habituais, o que lhes chamava a aten\u00e7\u00e3o e quais formas de orienta\u00e7\u00e3o eram exibidas em diferentes ambientes. A combina\u00e7\u00e3o de passos e palavras possibilitou abordar os sentidos em movimento e sua rela\u00e7\u00e3o com lugares, situa\u00e7\u00f5es e marcadores territoriais. Este trabalho de pesquisa busca, com base nas entrevistas realizadas e na metodologia empregada, abrir diretrizes para interpretar a forma como s\u00e3o concebidos os deslocamentos na cidade; \u00e9 uma tentativa de dizer algo sobre o que est\u00e1 presente nos passos e nos movimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A escolha de analisar a dimens\u00e3o sensorial com base em uma pessoa cega tem o objetivo de explicitar o universo sensorial urbano quando o olhar est\u00e1 ausente, dada a \u00eanfase nessa dimens\u00e3o na experi\u00eancia da cidade. Assim, sem o olhar, outros elementos sensoriais emergem com for\u00e7a, enquanto o uso dos sentidos como mecanismo de orienta\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o de locais urbanos se torna evidente. Caminhar tamb\u00e9m pode ser visto como \"uma maneira de criar lugares (<em>cria\u00e7\u00e3o de lugares<\/em>) considerando a dimens\u00e3o corporal do pedestre e a participa\u00e7\u00e3o multissensorial no ambiente\" (Pink, 2015: 112). Recuperando a cita\u00e7\u00e3o anterior de Cresswell, temos que caminhar \u00e9 ensaiar maneiras de entender o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se observar que a an\u00e1lise do movimento de pessoas cegas na cidade tamb\u00e9m foi abordada a partir da perspectiva de ambientes incapacitantes, ou seja, aqueles que apresentam barreiras f\u00edsicas para pessoas com algum tipo de defici\u00eancia, um projeto arquitet\u00f4nico que exclui aqueles que n\u00e3o conseguem usar escadas ou ma\u00e7anetas e meios de transporte que presumem que todas as pessoas t\u00eam as mesmas capacidades de mobilidade (consulte Hern\u00e1ndez, 2012). De fato, a Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos das Pessoas com Defici\u00eancia patrocinada pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas prop\u00f5e o direito \u00e0 acessibilidade, ao transporte p\u00fablico e ao que \u00e9 definido como o direito ao planejamento urbano, entendido como \"que os edif\u00edcios e locais p\u00fablicos tenham instala\u00e7\u00f5es adequadas e acess\u00edveis para pessoas com defici\u00eancia. Dessa forma, eles permitir\u00e3o que as pessoas com defici\u00eancia desenvolvam plenamente suas atividades laborais, educacionais, culturais e recreativas. Exemplos de adapta\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas e urban\u00edsticas s\u00e3o rampas, portas largas, elevadores, corrim\u00e3os, banheiros adaptados, entre outros\". (<span class=\"small-caps\">cndh<\/span>n.d.). Aqui podemos ver uma tens\u00e3o persistente entre as caracter\u00edsticas dos espa\u00e7os e projetos que impedem a mobilidade das pessoas com defici\u00eancia e os direitos aos quais elas t\u00eam acesso. Como veremos a seguir, essa tens\u00e3o \u00e9 resolvida por meio de estrat\u00e9gias individuais para superar obst\u00e1culos e um uso escasso de a\u00e7\u00f5es de design ou funcionamento de equipamentos derivados da exist\u00eancia desses direitos (como no caso de sinais t\u00e1teis na cal\u00e7ada e sem\u00e1foros sonoros).<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 mencionado, partimos da ideia da exist\u00eancia de uma ordem sensorial que, no caso de certas \u00e1reas do centro da cidade, se traduz no uso intenso do espa\u00e7o p\u00fablico para atividades comerciais, estruturado a partir da rela\u00e7\u00e3o conflituosa dos atores que s\u00e3o membros das associa\u00e7\u00f5es de vendedores ambulantes, que mant\u00eam uma disputa constante por sua presen\u00e7a nas ruas tanto com as autoridades locais quanto com os comerciantes estabelecidos. Isso resulta em um espa\u00e7o \"inst\u00e1vel\", no sentido de uma normatividade geralmente negociada, que se expressa em uma intensa atividade comercial informal nas vias p\u00fablicas, produzindo diversas atmosferas sensoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise ser\u00e1 baseada no caso de uma pessoa que foi entrevistada e acompanhada em sua jornada pelas ruas do centro hist\u00f3rico da Cidade do M\u00e9xico. Vamos cham\u00e1-lo de Juan Antonio, ele tem 32 anos e mora na Escola Nacional para Cegos, localizada no centro da cidade, h\u00e1 doze anos. De manh\u00e3, ele estuda Pedagogia e, \u00e0 tarde, trabalha no metr\u00f4 cantando ou vendendo <span class=\"small-caps\">cd<\/span>Isso o posiciona de uma maneira particular, como veremos a seguir, em rela\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio de rua. Ele se movimenta bastante pela cidade, tanto por transporte p\u00fablico quanto a p\u00e9. Como um ponto adicional, vale a pena mencionar que suas descri\u00e7\u00f5es de rotas e seus coment\u00e1rios durante a caminhada s\u00e3o muito detalhados, revelando uma consci\u00eancia agu\u00e7ada do mundo ao seu redor. Tamb\u00e9m \u00e9 digno de nota o uso da linguagem para \"traduzir\" experi\u00eancias. H\u00e1 um uso extensivo de linguagem popular, trocadilhos e humor, o que atesta uma grande criatividade baseada na experi\u00eancia sensorial.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a><\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F1.JPG\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000x667\" data-index=\"0\" data-caption=\"Centralidad en movimiento\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F1.JPG\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Centralidade em movimento<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Para come\u00e7ar, vale a pena observar que Juan Antonio faz uma distin\u00e7\u00e3o muito clara entre as viagens para o trabalho ou para a escola e as viagens agrad\u00e1veis. Na rota prazerosa, h\u00e1 um ponto de chegada altamente valorizado (um lugar para tomar caf\u00e9), ouvindo o som da \u00e1gua em uma parede com vegeta\u00e7\u00e3o e o som do vento movendo as plantas. Esse percurso prazeroso \u00e9 configurado a partir do que ele chama de \"lugares secretos\", cantos, paredes, lugares delimitados, que t\u00eam uma dimens\u00e3o sensorial particular que se manifesta pelo uso concentrado dos sentidos, como o cheiro do caf\u00e9, o vento que move a vegeta\u00e7\u00e3o. Isso revela um tema que aparecer\u00e1 em diferentes momentos da entrevista: a capacidade aguda de reconhecer dados sens\u00edveis como um elemento de diferencia\u00e7\u00e3o positiva em rela\u00e7\u00e3o a outros usu\u00e1rios da rua. At\u00e9 mesmo a pr\u00f3pria ideia de \"lugar secreto\" expressa refere-se n\u00e3o tanto ao lugar em si, mas \u00e0 capacidade de acess\u00e1-lo sensivelmente, uma capacidade n\u00e3o possu\u00edda por outros transeuntes; o segredo estaria ent\u00e3o relacionado \u00e0 exclusividade do acesso.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, vale a pena lembrar a afirma\u00e7\u00e3o de Tim Ingold (2011: 46) sobre o valor do movimento no conhecimento do ambiente: \"o ponto de partida para o estudo da atividade perceptiva \u00e9 a locomo\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a cogni\u00e7\u00e3o\". Essa abordagem retoma e expande a ideia do psic\u00f3logo J. Gibson de que a percep\u00e7\u00e3o come\u00e7a a partir de um \"caminho de observa\u00e7\u00e3o\"; se for assim, ent\u00e3o vale a pena refletir que, como a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o do movimento, ent\u00e3o devemos perceber, mesmo que apenas parcialmente, dependendo de como nos movemos. Portanto, isso permite pensar que a \"rota de observa\u00e7\u00e3o\" de Gibson pode ser transformada em uma \"rota sens\u00edvel\", a partir da qual obtemos uma multiplicidade de experi\u00eancias sensoriais que derivam do movimento. Com isso, o mundo sens\u00edvel de uma pessoa cega \u00e9 moldado n\u00e3o apenas pelas informa\u00e7\u00f5es do ambiente, mas tamb\u00e9m por essas informa\u00e7\u00f5es em movimento (perto-distante, para baixo-para cima) e como o corpo \u00e9 capaz de perceb\u00ea-las (para cima-para baixo, textura rochosa-lisa).<\/p>\n\n\n\n<p>Para abordar o relato de Juan Antonio, derivado de uma entrevista em profundidade e, posteriormente, de outra entrevista realizada enquanto caminhava com ele pelas ruas do centro, as dimens\u00f5es tem\u00e1ticas mais relevantes presentes nos depoimentos ser\u00e3o sistematizadas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Emo\u00e7\u00f5es e afetos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Embora as viagens feitas possam ter um prop\u00f3sito instrumental, para ir ao metr\u00f4 ou para voltar ao local onde se vive, elas t\u00eam uma dimens\u00e3o afetiva que as acompanha. A possibilidade do inesperado, um obst\u00e1culo que causa um trope\u00e7o, est\u00e1 fortemente associada \u00e0 ideia de medo e cautela. A tradu\u00e7\u00e3o do que foi dito acima \u00e9 lentid\u00e3o e cautela nos passos, pois a velocidade \u00e9 um risco. No movimento lento, os sentidos est\u00e3o em sincronia, a capacidade de decifrar o que est\u00e1 ao redor e o movimento do corpo garantem a firmeza dos passos. A seguran\u00e7a \u00e9, portanto, uma sensa\u00e7\u00e3o de lentid\u00e3o; o medo, de rapidez e inesperado.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F2.JPG\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000x667\" data-index=\"0\" data-caption=\"Continuidad interrumpida\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F2.JPG\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F3.JPG\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000x667\" data-index=\"0\" data-caption=\"Aceras de obst\u00e1culos\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F3.JPG\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Continuidade interrompida<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Pavimentos com obst\u00e1culos<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Dados sensoriais<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Na entrevista, os dados sensoriais s\u00e3o m\u00faltiplos e v\u00e3o desde o reconhecimento do lugar a partir de elementos particulares at\u00e9 o inesperado, que \u00e9 mostrado com dureza. Os postes da rua s\u00e3o reconhecidos ao toc\u00e1-los, a \u00e1gua na cal\u00e7ada \u00e9 identificada como proveniente do derretimento do gelo, os cheiros dos alimentos e o som do \u00f3leo em que alguns deles s\u00e3o fritos s\u00e3o facilmente percebidos. O barulho de carros e micro-\u00f4nibus \u00e9 reconhec\u00edvel e distingu\u00edvel. H\u00e1 uma igreja que tem um cheiro caracter\u00edstico: antigo. H\u00e1 elementos sensoriais que s\u00e3o f\u00e1cil e rapidamente decifrados ou ent\u00e3o por meio de um aprendizado lento. A cita\u00e7\u00e3o a seguir ilustra isso:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">No meu caso, como pessoa cega, gosto de parar e tocar a parede como refer\u00eancia para ver que caracter\u00edstica ela tem, se \u00e9 robusta, se \u00e9 \u00e1spera, se \u00e9 uma parede grossa ou se \u00e9 um pouco reduzida, se tem uma sali\u00eancia, se tem abas para n\u00e3o bater na minha testa ou na minha cabe\u00e7a? E essa ideia de poder verificar esses pontos de refer\u00eancia me permite perceber esses tipos de constru\u00e7\u00f5es por meio do tato, da audi\u00e7\u00e3o e do olfato, porque eu posso perceb\u00ea-las; mesmo que voc\u00ea n\u00e3o acredite, eu posso fazer isso.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, tamb\u00e9m h\u00e1 sensa\u00e7\u00f5es que aparecem repentinamente e se referem \u00e0 dor. H\u00e1 objetos em movimento, caixas, mercadorias na rua, bicicletas estacionadas, que s\u00e3o esbarradas. Objetos e situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o podem ser previstos mostram a dureza do deslocamento.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F4.JPG\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000x667\" data-index=\"0\" data-caption=\"Texturas y rugosidades\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F4.JPG\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F5.JPG\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000x667\" data-index=\"0\" data-caption=\"Texturas y rugosidades\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F5.JPG\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F6.JPG\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000x667\" data-index=\"0\" data-caption=\"Texturas y rugosidades\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F6.JPG\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Texturas e rugosidade<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Texturas e rugosidade<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Texturas e rugosidade<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Recursos cognitivos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O movimento n\u00e3o ocorre apenas na superf\u00edcie material da rota, ruas, pra\u00e7as, mas tamb\u00e9m tem uma dimens\u00e3o cognitiva altamente relevante. A elabora\u00e7\u00e3o de mapas mentais permite organizar o deslocamento a partir de um espa\u00e7o que \u00e9 figurativo da experi\u00eancia sens\u00edvel. Com base na localiza\u00e7\u00e3o e na orienta\u00e7\u00e3o cardinal da pessoa cega, \u00e9 poss\u00edvel antecipar a rota. No caso de Juan Antonio, o mapa \u00e9 predominantemente composto de sequ\u00eancias, a identifica\u00e7\u00e3o das ruas com base em sua rela\u00e7\u00e3o entre si comp\u00f5e esse mapa (veja a an\u00e1lise dos tipos de mapas cognitivos em Varela e Vidal, 2005). O valor instrumental desse mapa cognitivo est\u00e1 em sua estabilidade, no fato de que as ruas podem ser percorridas de acordo com a ordem em que est\u00e3o dispostas na mente da pessoa. No entanto, para uma pessoa cega, a grande dificuldade em seguir o mapa \u00e9, como j\u00e1 mencionado, o aparecimento do inesperado, o fato de algum elemento material ter sido transformado: novos objetos nas ruas, como cercas, mesas, bueiros abertos, s\u00e3o uma fonte de deslocamento nas rotas. Como reconhece Hern\u00e1ndez, \"as percep\u00e7\u00f5es, avalia\u00e7\u00f5es e representa\u00e7\u00f5es espaciais n\u00e3o s\u00e3o simplesmente meios neutros usados para registrar, analisar, comunicar e conceber o espa\u00e7o, mas constituem poderosos instrumentos de controle espacial\" (2012: 80).<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, a experi\u00eancia acumulada em v\u00e1rios deslocamentos torna-se mem\u00f3ria. O reconhecimento de lugares com base em cheiros e texturas torna a mem\u00f3ria tamb\u00e9m sens\u00edvel. O reconhecimento de determinados atributos (sons, desn\u00edveis no asfalto) tamb\u00e9m permite a orienta\u00e7\u00e3o e a atualiza\u00e7\u00e3o do mapa cognitivo, localizando a pessoa em um determinado ponto do percurso. Na transfer\u00eancia, a mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 apenas um armazenamento de informa\u00e7\u00f5es abstratas, \u00e9, acima de tudo, uma capacidade que \u00e9 vivenciada a partir do corpo e em harmonia com os outros elementos sens\u00edveis presentes na rua. Haveria, ent\u00e3o, uma capacidade de vivenciar o ambiente f\u00edsico circundante a partir da coordena\u00e7\u00e3o de uma grande quantidade de informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis, bem como de recursos cognitivos. A aus\u00eancia do olhar como princ\u00edpio de ordena\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o de elementos de orienta\u00e7\u00e3o faz com que todas as outras formas de vivenciar o ambiente recaiam na possibilidade de reconhecimento e movimento. Nesse processo, entretanto, o corpo e a mem\u00f3ria desempenham um papel ativo na cria\u00e7\u00e3o de uma entidade sens\u00edvel por meio da qual \u00e9 poss\u00edvel mover-se com seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F7.JPG\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000x667\" data-index=\"0\" data-caption=\"Mapear con el olfato\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F7.JPG\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Mapeamento com cheiro<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Estrat\u00e9gias de movimento<\/h3>\n\n\n\n<p>Com base no exposto acima, reconhece-se que o deslocamento pelas ruas lotadas do centro da cidade coloca em jogo uma multiplicidade de elementos sens\u00edveis. A aus\u00eancia do olhar significa que esses elementos n\u00e3o s\u00e3o suficientes para permitir a movimenta\u00e7\u00e3o. Por um lado, \u00e9 necess\u00e1rio o apoio da bengala e, por outro, a ajuda de outras pessoas. A bengala \u00e9 uma extens\u00e3o do tato e permite identificar texturas no asfalto, a exist\u00eancia de rampas e buracos, al\u00e9m de obst\u00e1culos na pista. \u00c9, portanto, uma ferramenta essencial, assim como identifica para os outros pedestres a cegueira da pessoa que a carrega. O entrevistado geralmente pede apoio a quem estiver por perto para atravessar as ruas, mesmo que \u00e0s vezes sua voz n\u00e3o seja ouvida devido ao barulho ao redor. Quando n\u00e3o h\u00e1 resposta, eles recorrem aos gritos como segunda op\u00e7\u00e3o, em uma luta franca com o barulho dos carros e a m\u00fasica das barracas de rua. Quando recebem aten\u00e7\u00e3o, pedem permiss\u00e3o para pegar a pessoa que est\u00e1 oferecendo ajuda pelo bra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F8.JPG\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000x667\" data-index=\"0\" data-caption=\"Gu\u00eda para bast\u00f3n (o podot\u00e1ctil)\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F8.JPG\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F9.JPG\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000x667\" data-index=\"0\" data-caption=\"Gu\u00eda para bast\u00f3n (o podot\u00e1ctil)\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F9.JPG\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F10.JPG\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000x667\" data-index=\"0\" data-caption=\"Camino tomado\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F10.JPG\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure><figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F11.JPG\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000x667\" data-index=\"0\" data-caption=\"Descifrar los cruceros\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F11.JPG\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Guia de bengala (ou podot\u00e1til)<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Guia de bengala (ou podot\u00e1til)<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Caminho percorrido<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div><div class=\"caption\">Decifrando os cruzeiros<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Vale a pena observar que o ritmo de movimenta\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas comerciais em \u00e1reas urbanas populares \u00e9 semelhante ao da \u00e1rea dos vendedores ambulantes no centro. Diante da grande quantidade de mercadorias colocadas na cal\u00e7ada nos hor\u00e1rios de pico, sobra muito pouco espa\u00e7o para os pedestres se movimentarem, por isso \u00e9 necess\u00e1rio caminhar evitando obst\u00e1culos, movimentando o corpo para n\u00e3o colidir com pessoas e objetos. A pessoa cega ent\u00e3o procura a melhor maneira de se mover em uma pequena coreografia por um espa\u00e7o residual sinuoso e variado. H\u00e1 um uso do corpo que, apesar das diferen\u00e7as impostas pela situa\u00e7\u00e3o de cegueira, \u00e9 compartilhado com outros habitantes e espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra situa\u00e7\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o com as pessoas ao seu redor ocorre quando ele pede ajuda para localizar uma rua. Isso obviamente gera confus\u00e3o, pois Juan Antonio sup\u00f5e que a pessoa est\u00e1 estendendo o bra\u00e7o para apontar alguma dire\u00e7\u00e3o, sem considerar sua incapacidade de ver para onde a m\u00e3o est\u00e1 apontando, bem como as indica\u00e7\u00f5es de \"para a esquerda\" ou \"para a direita\", pois ele n\u00e3o sabe a posi\u00e7\u00e3o da pessoa que est\u00e1 indicando a rota. Em outros casos, o pedido de apoio n\u00e3o \u00e9 para atravessar a rua, mas para localizar um ponto de refer\u00eancia que o ajude a continuar seu caminho. \u00c0s vezes, as respostas s\u00e3o precisas e correspondem \u00e0 no\u00e7\u00e3o que a pessoa tem de onde ir. Entretanto, tamb\u00e9m pode acontecer de as respostas estarem completamente erradas e n\u00e3o corresponderem ao conhecimento que o entrevistado tem da \u00e1rea. Isso provoca o coment\u00e1rio sarc\u00e1stico: \"algumas pessoas s\u00e3o mais cegas do que eu\". Tamb\u00e9m ocorrem colis\u00f5es imprevistas com outras pessoas, para as quais \u00e9 recebida a reclama\u00e7\u00e3o \"voc\u00ea n\u00e3o consegue ver para onde est\u00e1 indo\", e a resposta \u00e9 \"n\u00e3o\".<\/p>\n\n\n\n<p>Nas rela\u00e7\u00f5es com os outros, portanto, h\u00e1 um uso do corpo diferente das normas usuais de conviv\u00eancia entre estranhos na rua. Pedir ajuda levantando a voz em um ambiente sonoro saturado e pedir permiss\u00e3o para pegar os outros pelo bra\u00e7o talvez sejam os elementos mais caracter\u00edsticos. Os pactos de anonimato no tr\u00e2nsito pela cidade s\u00e3o transgredidos; por meio de gritos e toques, estabelece-se um v\u00ednculo com o espa\u00e7o ao redor, agora em sua dimens\u00e3o interpessoal. Faz-se uso dos outros, apesar dos mal-entendidos que isso possa gerar. Os recursos de deslocamento, portanto, v\u00e3o desde a dimens\u00e3o sensorial do ambiente material at\u00e9 a corporeidade dos transeuntes pr\u00f3ximos. Isso coloca as pessoas cegas em uma ordem espec\u00edfica de intera\u00e7\u00e3o, na qual s\u00e3o poss\u00edveis diferentes formas de relacionamento com as dominantes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Prefer\u00eancias ambientais<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">As rotas e os locais preferidos em rela\u00e7\u00e3o a outros, o que \u00e9 apreciado ao caminhar, comp\u00f5em essa dimens\u00e3o das prefer\u00eancias ambientais e \u00e9 relevante consider\u00e1-los, pois isso mostra a situa\u00e7\u00e3o em que os sentidos n\u00e3o est\u00e3o alertas na expectativa de algum contratempo ou extravio, mas sim sob a ideia de relaxamento e prazer. Para Juan Antonio, as viagens de domingo \u00e0 tarde s\u00e3o as mais agrad\u00e1veis. O centro da cidade perde um pouco de sua intensidade habitual, a densidade de objetos e pessoas \u00e9 menor, o ritmo das atividades \u00e9 mais lento. Nesse contexto, o entrevistado gosta de ouvir os gritos dos vendedores ambulantes: \"p\u00e1sele g\u00fcerita y m\u00e9tale mano ... a la mercanc\u00eda\". Ele reconhece que isso o encoraja e lhe d\u00e1 um esp\u00edrito positivo (lembre-se de que ele tamb\u00e9m \u00e9 vendedor ambulante \u00e0 tarde). Da mesma forma, ele tamb\u00e9m menciona que vai a algumas ruas onde h\u00e1 vendedores ambulantes para comprar roupas em uma situa\u00e7\u00e3o em que pode toc\u00e1-las, sentir sua textura, perguntar sobre suas cores e experiment\u00e1-las ali mesmo, algo que ele n\u00e3o pode fazer quando passa em frente a grandes lojas de departamentos que s\u00f3 t\u00eam vidros como fronteiras para as ruas. H\u00e1, ent\u00e3o, uma intera\u00e7\u00e3o direta tanto com os objetos quanto com os vendedores nas lojas de rua que faz parte de sua maneira habitual de se relacionar com o ambiente; ele participa de uma ordem sensorial que reconhece e considera como sua.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra rota que o entrevistado aprecia \u00e9 a da Rua Regina, que foi convertida em uma passarela para pedestres e onde os cheiros e a possibilidade de caminhar em paz e tranquilidade s\u00e3o para ele a principal fonte de atra\u00e7\u00e3o. Durante a entrevista, conforme mencionado no in\u00edcio deste texto, Juan Antonio leva a entrevistadora a um muro coberto de vegeta\u00e7\u00e3o nessa mesma rua e pergunta a ela \"voc\u00ea ouve alguma coisa\" e, quando ela responde que n\u00e3o, ele insiste: \"preste aten\u00e7\u00e3o e voc\u00ea perceber\u00e1. Voc\u00ea \u00e9 guiada por sua vis\u00e3o e perdeu algo, ou\u00e7a\". Por fim, o entrevistador reconhece o som da \u00e1gua como parte do sistema de irriga\u00e7\u00e3o da parede verde. Por fim, o entrevistado ressalta: \"\u00e9 a \u00e1gua que passa por essa parede, por essas plantas... esse \u00e9 um lugar maravilhoso e eu tenho muita inveja porque nem todo mundo \u00e9 convidado para vir aqui, eu gosto de vir sozinho, n\u00e3o tenho interesse em vir com ningu\u00e9m, gosto da tranquilidade, gosto da paz e do sossego. Gosto da paz e do sossego, aqui eu fico com os olhos cruzados. Paradoxalmente, a parede verde, constru\u00edda principalmente para ser vista, agora constitui uma paisagem sonora inesperada capaz de abrir novas dimens\u00f5es sensoriais e simb\u00f3licas para uma pessoa cega. A \u00e1gua como uma evoca\u00e7\u00e3o de tranquilidade \u00e9 combinada com a ideia de um lugar secreto, que s\u00f3 pode ser acessado por meio de um uso espec\u00edfico dos sentidos. A aus\u00eancia do olhar \u00e9 mostrada aqui como a possibilidade de acessar outras caracter\u00edsticas do mundo material da rua, insuspeitadas pelo transeunte habitual, e que configuram um discurso de que, mesmo em condi\u00e7\u00f5es de desvantagem social, \u00e9 poss\u00edvel ter algum aspecto positivo, como o acesso a essa esfera sonora.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F12.JPG\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1000x667\" data-index=\"0\" data-caption=\"Muro de sonidos\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol3num5-multimedia\/aguilar_miguel_angel-centralidad_de_los_sentidos_F12.JPG\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Parede de som<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Narrativa de andar como uma pessoa cega<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Os sentidos n\u00e3o est\u00e3o apenas relacionados \u00e0 linguagem em termos de l\u00e9xis e nomea\u00e7\u00f5es para se referir \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m podemos encontrar uma narrativa sobre como os sentidos s\u00e3o empregados em determinadas situa\u00e7\u00f5es, como em contextos de trabalho ou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade, para citar algumas delas. O conceito de narrativa \u00e9 usado no sentido de Daiute e Lightfoot (2004): <span class=\"small-caps\">xi<\/span>): \"Os discursos narrativos s\u00e3o significados e interpreta\u00e7\u00f5es culturais que orientam a percep\u00e7\u00e3o, o pensamento, a intera\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o... A maneira como as pessoas contam hist\u00f3rias influencia a forma como elas percebem, lembram e antecipam eventos futuros\". A ideia de narrativa aqui envolve n\u00e3o apenas um relato de eventos, mas sua organiza\u00e7\u00e3o em um enredo que j\u00e1 \u00e9 um princ\u00edpio interpretativo. No caso de que estamos tratando aqui, a percep\u00e7\u00e3o sens\u00edvel do ambiente pelo qual se caminha, o centro hist\u00f3rico, \u00e9 enquadrada em uma estrutura narrativa, culturalmente acess\u00edvel e reconhec\u00edvel, sobre caminhar como uma pessoa cega. A trama narrativa identific\u00e1vel \u00e9 aquela que se refere \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de sua situa\u00e7\u00e3o, \u00e0 necessidade de n\u00e3o se deixar derrotar por circunst\u00e2ncias adversas e de encarar as dificuldades que aparecem com humor. Nesse caso, pode-se pensar que o posicionamento narrativo resulta em uma estrat\u00e9gia de enfrentamento da situa\u00e7\u00e3o de cegueira.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, essa trama narrativa, que foi constru\u00edda ao longo da entrevista em profundidade e durante a caminhada com Juan Antonio, pode ser encontrada na cita\u00e7\u00e3o a seguir:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">... quando entrei no metr\u00f4, estava indo muito r\u00e1pido e n\u00e3o percebi que havia uma peneira aberta; quando me lembrei, estava descendo; era o \u00faltimo dia de pr\u00e1tica na Escola Normal. Eu estava bem e tudo, pensei, e sa\u00ed todo sujo de lama, porque n\u00e3o sabia que havia \u00e1gua no fundo da peneira, \u00e1gua preta e de outras cores! Da melhor maneira que pude, sa\u00ed e parei para meditar um pouco e me senti todo enlameado e triste com o que havia acontecido comigo. Eu disse: de jeito nenhum, j\u00e1 superei isso e estou indo para a escola assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa cita\u00e7\u00e3o se refere a um caso extremo de dificuldade com o ambiente material em que, apesar de tudo, o humor, a linguagem metaf\u00f3rica e o esp\u00edrito de supera\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o est\u00e3o presentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, na narrativa que foi expressa e formulada durante a entrevista, tanto o narrador quanto sua avalia\u00e7\u00e3o do mundo sens\u00edvel pelo qual ele viaja foram constru\u00eddos mutuamente. O narrador se constr\u00f3i como algu\u00e9m ativo, e a cidade \u00e9 um terreno a ser percorrido com a ast\u00facia de algu\u00e9m que sabe decifrar os elementos sensoriais ao seu alcance. \u00c9 importante considerar que o humor \u00e9 um elemento fundamental nessa narrativa, como forma de desdramatizar a situa\u00e7\u00e3o da cegueira e as dificuldades que ela imp\u00f5e \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o cotidiana. O uso da linguagem popular, principalmente de met\u00e1foras e analogias, tamb\u00e9m revela uma forma de enfrentar as adversidades cotidianas e um recurso cultural do qual ele faz amplo uso. Um exemplo \u00e9 o seguinte, em que ele fala sobre o retorno ao internato ap\u00f3s o caf\u00e9 da manh\u00e3 em um mercado pr\u00f3ximo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"verse\">No caminho de volta, h\u00e1 mais lojas abertas e elas est\u00e3o limpando, e ou eu pego o balde, a vassoura ou qualquer coisa entre meus p\u00e9s ou esbarro na porta da loja que eles deixam aberta, e isso realmente me incomoda, mas tamb\u00e9m digo \"essas pessoas n\u00e3o t\u00eam culpa de eu n\u00e3o enxergar, certo, tenho que ir junto com elas\", e sigo em frente. Eu vejo as coisas pelo lado positivo, como disse Chimoltrufia, eu apenas as esfrego se o golpe foi muito forte, ou dou risada, j\u00e1 que n\u00e3o tenho outra escolha...<\/p>\n\n\n\n<p>Na mesma linha, tamb\u00e9m h\u00e1 v\u00e1rias refer\u00eancias na entrevista aos cheiros da comida de rua nas ruas por onde ele anda, como se ele pudesse olhar pelo olfato. Nesse relato, os cheiros correspondem a um ponto espec\u00edfico no espa\u00e7o: em tal e tal rua h\u00e1 tal e tal loja ou tal e tal tipo de produto e, ao mesmo tempo, sua enumera\u00e7\u00e3o (tortas, tamales, churros...), <em>waffles<\/em>O efeito disso \u00e9 a inser\u00e7\u00e3o de uma dimens\u00e3o l\u00fadica na hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A linguagem dos sentidos e da jornada assume uma forma cultural, a narrativa da supera\u00e7\u00e3o da adversidade, empregando um l\u00e9xico e figuras ret\u00f3ricas t\u00edpicas de um meio cultural urbano popular.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">No texto, o objetivo foi apontar, por um lado, a relev\u00e2ncia do estudo dos sentidos nas ci\u00eancias sociais e, por outro, exemplificar esse campo por meio de um exerc\u00edcio de etnografia dos sentidos. O objetivo era ir al\u00e9m de pensar nos movimentos cotidianos em termos instrumentais, como um acesso a mundos sens\u00edveis nos quais os dados dos sentidos se tornam recursos indispens\u00e1veis para a mobilidade. O centro da cidade provou ser um cen\u00e1rio frut\u00edfero para essa abordagem, pois a vida intensa nas ruas representa o que poder\u00edamos chamar de uma atmosfera sensorial total. A no\u00e7\u00e3o de atmosfera re\u00fane o grande n\u00famero de est\u00edmulos sensoriais com os quais o transeunte urbano entra em contato e que formam uma rela\u00e7\u00e3o sens\u00edvel com o ambiente. A fluidez do mundo sensorial, passando facilmente do que \u00e9 ouvido para o que \u00e9 cheirado, do que \u00e9 degustado para a sensa\u00e7\u00e3o corporal, fornece elementos para recuperar uma fenomenologia da percep\u00e7\u00e3o na qual o sujeito participa ativamente da elabora\u00e7\u00e3o de atmosferas transit\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Valeria a pena explorar a no\u00e7\u00e3o de atmosfera na medida em que ela traz \u00e0 tona a rela\u00e7\u00e3o entre os dados sensoriais e seus contextos, bem como as associa\u00e7\u00f5es provocadas pelos est\u00edmulos e mem\u00f3rias gerados nesses lugares que s\u00e3o incessantemente atualizados em cada passeio. A abordagem sensorial mostra um mundo social que \u00e9 constitu\u00eddo no momento em que se toca, em que se experimenta com o corpo. Os objetos com os quais se esbarra n\u00e3o est\u00e3o ali por acaso, falar e tocar outros transeuntes \u00e9 feito a partir dos limites das regras de intera\u00e7\u00e3o em locais p\u00fablicos, os sinais t\u00e1teis invadidos apontam para transgress\u00f5es n\u00e3o refletidas; o mundo material e sensorial percorrido corresponde a uma ordem de pr\u00e1ticas situadas em um contexto particular. Seu conhecimento permite o deslocamento e, ao mesmo tempo, define a pessoa que o faz como parte dele.<\/p>\n\n\n\n<p>As entrevistas e o tour realizado com Juan Antonio mostram a exist\u00eancia de uma ordem sensorial altamente heterog\u00eanea na qual se combinam estrat\u00e9gias de deslocamento, reconhecimento de dados sensoriais, as capacidades do corpo em movimento e o discurso no qual tudo isso \u00e9 inserido para ser comunic\u00e1vel e criar um efeito de reconhecimento e compreens\u00e3o. As sensa\u00e7\u00f5es que podemos chamar de urbanas surgem do movimento pr\u00f3prio e do movimento de outras pessoas, da interpreta\u00e7\u00e3o e do arranjo dado a elas, tudo isso levando a formas de mobilidade orientadas por sensa\u00e7\u00f5es. Nesse tipo de faixa de Moebius, em que as sensa\u00e7\u00f5es e o movimento s\u00e3o os dois lados da experi\u00eancia, eles se moldam e se confundem. Quando Juan Antonio diz que em seu lugar secreto, a parede verde, \"ele pega um taco de ojo\", as no\u00e7\u00f5es sensoriais se dissolvem em um festival de sinestesia: o som \u00e9 deslocado para o olhar, o olhar para o sentido do paladar, o que \u00e9 ingerido est\u00e1 relacionado \u00e0s dificuldades de vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o trabalho de campo realizado confirma a capacidade da abordagem etnogr\u00e1fica de articular v\u00e1rias fontes de informa\u00e7\u00e3o. A concorr\u00eancia metodol\u00f3gica do verbal, da abordagem narrativa, da imagem e da observa\u00e7\u00e3o forneceu v\u00e1rios elementos para abordar as facetas do mundo sens\u00edvel e sua inter-rela\u00e7\u00e3o. Os deslocamentos envolvem um grande n\u00famero de a\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao mundo material e social, e esse conjunto de situa\u00e7\u00f5es delicadas \u00e9 totalmente expresso em linguagens que conduzem \u00e0 descoberta dos elementos centrais de seu significado pessoal e cultural. As experi\u00eancias dos entrevistados, configuradas a partir de sua articula\u00e7\u00e3o narrativa, mostram como os cheiros, os sons e as texturas da rua podem ser pe\u00e7as de um quebra-cabe\u00e7a que toma sua forma final quando montado em um enredo social e biograficamente orientado, um enredo que, \u00e9 claro, nunca \u00e9 definitivo, ele muda situacional e contextualmente. O importante \u00e9 que se trata de uma informa\u00e7\u00e3o sensorial que se torna muito mais do que isso quando usada e significada em rela\u00e7\u00e3o ao deslocamento.<\/p>\n\n\n\n<p>A vulnerabilidade da pessoa cega \u00e9 evidente, assim como os amplos recursos pessoais para lidar com ela. Nos depoimentos coletados, chama a aten\u00e7\u00e3o a aus\u00eancia de refer\u00eancias a pol\u00edticas urbanas que permitam a acessibilidade segura aos recursos de mobilidade (rampas, sinaliza\u00e7\u00e3o auditiva e de textura material), o que acentua a fragilidade social das pessoas com algum tipo de defici\u00eancia. As pol\u00edticas urbanas que se traduzem em elementos de design (faixas de pedestres t\u00e1teis ou sem\u00e1foros sonoros), embora representem um reconhecimento dos direitos de mobilidade das pessoas com defici\u00eancia, tamb\u00e9m demonstram suas dificuldades de uso efetivo em contextos de satura\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos sensoriais e ac\u00famulo de sinaliza\u00e7\u00e3o e mobili\u00e1rio urbano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Amphoux, Pascal (2003). \u201cAmbiances urbaines et espaces publics\u201d, en Gu\u00e9nola Capron y Nadine Haschar-No\u00e9 (ed.), <em>L\u2019espace public en question: usages, ambiances et participation citoyenne<\/em>. Toulouse: Universit\u00e9 Toulouse-Le Mirail.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Blumer, Herbert (1982). <em>Interaccionismo simb\u00f3lico: perspectiva y m\u00e9todo<\/em>. 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Buenos Aires: Nueva Visi\u00f3n.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Le Breton, David (2006). \u201cLa conjugaison des sens: essais\u201d, en <em>Anthropologie et Societ\u00e9s<\/em>, vol. 30, n\u00fam. 3, pp. 19-28. https:\/\/doi.org\/10.7202\/014923ar<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pink, Sarah (2015<em>). Doing Sensory Ethnography<\/em>. Londres: Sage.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Sabido, Olga (2016). \u201cCuerpo y sentidos: el an\u00e1lisis sociol\u00f3gico de la percepci\u00f3n\u201d, en <em>Debate Feminista<\/em>, n\u00fam. 51, pp. 63-80. https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.df.2016.04.002<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Simmel, Georg (1986). \u201cLas grandes urbes y la vida del esp\u00edritu\u201d, en Georg Simmel, <em>El individuo y la libertad<\/em>. <em>Ensayos de cr\u00edtica de la cultura<\/em>. Barcelona: Pen\u00ednsula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Urry, John, (2008). \u201cCity Life and the Senses\u201d, en Gary Bridge y Sophie Watson (ed.), <em>A Companion to the City<\/em>. Oxford: Blackwell.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Valera, Sergi y Tomeu Vidal (2005). \u201cAplicaciones de la psicolog\u00eda ambiental\u201d, en Pep Vivas, Mora Mart\u00edn <em>et al<\/em>., <em>Ventanas en la ciudad. Observaciones sobre las urbes contempor\u00e1neas<\/em>. Barcelona: <span class=\"small-caps\">uoc<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Vergara, Abilio, (2013). <em>Etnograf\u00eda de los lugares. Una gu\u00eda antropol\u00f3gica para estudiar su concreta complejidad<\/em>. M\u00e9xico: Escuela Nacional de Antropolog\u00eda e Historia.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O campo dos estudos sensoriais ainda \u00e9 um campo acad\u00eamico em desenvolvimento, mas as contribui\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias ci\u00eancias sociais come\u00e7aram a formar um conjunto de conhecimentos relevantes. Ao pensar na vida nas cidades como uma experi\u00eancia sensorial, surgem v\u00e1rias quest\u00f5es sobre a preponder\u00e2ncia de um sentido sobre os outros ou sobre a maneira como os sentidos s\u00e3o socialmente estruturados e, a partir disso, surgem quest\u00f5es sobre a diferencia\u00e7\u00e3o em seu uso e significado. Este texto explora esse tema com base em uma entrevista em profundidade e em uma caminhada pelo centro da Cidade do M\u00e9xico com uma pessoa cega. Esse testemunho destaca a import\u00e2ncia do mundo sens\u00edvel pelo qual eles caminham. As estrat\u00e9gias de orienta\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria sens\u00edvel e a elabora\u00e7\u00e3o de mapas mentais sequenciais s\u00e3o fundamentais para o movimento, assim como as texturas, os cheiros e os sons. Portanto, \u00e9 poss\u00edvel pensar na exist\u00eancia de uma ordem sensorial com base na qual as rotas e as intera\u00e7\u00f5es s\u00e3o estruturadas. 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