{"id":31279,"date":"2019-09-23T13:57:33","date_gmt":"2019-09-23T13:57:33","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=31279"},"modified":"2023-11-17T18:49:30","modified_gmt":"2023-11-18T00:49:30","slug":"desigualdad-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/desigualdad-politica\/","title":{"rendered":"A desigualdade \u00e9 sempre pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent\">Essa reflex\u00e3o sobre a proposta de Juan Pablo P\u00e9rez S\u00e1inz a respeito das consequ\u00eancias e das respostas dos grupos subalternos \u00e0 desigualdade - que ele explora na migra\u00e7\u00e3o, na viol\u00eancia, na religiosidade e na a\u00e7\u00e3o coletiva - \u00e9 valiosa porque coloca a discuss\u00e3o sobre a desigualdade social na Am\u00e9rica Latina novamente no centro. Reygadas prop\u00f5e v\u00e1rias reflex\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a\u00e7\u00f5es sociais e desigualdade. Ele ressalta que as disparidades sociais n\u00e3o s\u00e3o suficientes para explicar as respostas nas quais P\u00e9rez S\u00e1inz se concentra. \u00c9 necess\u00e1rio conceber que a reprodu\u00e7\u00e3o das desigualdades persistentes ocorre em longo prazo, enquanto a a\u00e7\u00e3o social tem um impacto de curto prazo e, al\u00e9m disso, s\u00e3o necess\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es em outros elos dessa cadeia de reprodu\u00e7\u00e3o. Por fim, ele qualifica a \u00eanfase de P\u00e9rez S\u00e1inz na distribui\u00e7\u00e3o dos mercados b\u00e1sicos (terra, trabalho e capital), pois, na perspectiva de Reygadas, o locus da desigualdade tamb\u00e9m se encontra na redistribui\u00e7\u00e3o, por meio de estruturas fiscais progressivas, na economia e na pol\u00edtica, nos mercados, na sociedade e nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, bem como na distribui\u00e7\u00e3o material e nas configura\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/accion-social\/\" rel=\"tag\">a\u00e7\u00e3o social<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/desigualdad-social\/\" rel=\"tag\">Desigualdade social<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/distribucion\/\" rel=\"tag\">distribui\u00e7\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/poder\/\" rel=\"tag\">pot\u00eancia<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/politica\/\" rel=\"tag\">pol\u00edtica<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/redistribucion\/\" rel=\"tag\">redistribui\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n\n\n<p class=\"en-title\">A desigualdade \u00e9 sempre pol\u00edtica<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Essa reflex\u00e3o sobre a proposta de Juan Pablo P\u00e9rez S\u00e1inz a respeito das consequ\u00eancias e respostas relacionadas \u00e0 desigualdade dos grupos secund\u00e1rios - que aborda a migra\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia, a religiosidade e a a\u00e7\u00e3o coletiva - defende a necessidade de se centralizar novamente as discuss\u00f5es sobre as desigualdades sociais latino-americanas. Reygadas prop\u00f5e uma s\u00e9rie de reflex\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a\u00e7\u00f5es sociais e desigualdade. Ele afirma que as disparidades sociais n\u00e3o s\u00e3o suficientes para explicar as respostas enfatizadas por P\u00e9rez S\u00e1inz. Devemos entender que a reprodu\u00e7\u00e3o persistente da desigualdade ocorre a longo prazo, enquanto as a\u00e7\u00f5es sociais exercem impactos a curto prazo e, al\u00e9m disso, exigem transforma\u00e7\u00f5es em outros elos da cadeia de reprodu\u00e7\u00e3o. Em \u00faltima an\u00e1lise, o ensaio matiza a \u00eanfase de P\u00e9rez S\u00e1inz na distribui\u00e7\u00e3o do mercado b\u00e1sico (terra, trabalho e capital); da perspectiva de Reygadas, o local da desigualdade tamb\u00e9m est\u00e1 na redistribui\u00e7\u00e3o, por meio de estruturas tribut\u00e1rias progressivas, na economia e nas pol\u00edticas p\u00fablicas, nos mercados, na sociedade e nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e, n\u00e3o menos importante, na distribui\u00e7\u00e3o material e nas configura\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: Desigualdade social, poder, pol\u00edtica\/pol\u00edtica, a\u00e7\u00e3o social, distribui\u00e7\u00e3o e redistribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><span class=\"dropcap\">L<\/span>desigualdade \u00e9 inevitavelmente uma quest\u00e3o pol\u00edtica. Como disse Gerhard Lenski (1969), as desigualdades sociais est\u00e3o entrela\u00e7adas com as rela\u00e7\u00f5es de poder.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> As assimetrias nas rela\u00e7\u00f5es de poder s\u00e3o um componente essencial da desigualdade social e s\u00e3o uma chave fundamental para entender a desigualdade entre g\u00eaneros, etnias e outros grupos sociais. Dois autores que foram os pilares de muitas teorias modernas de desigualdade, Karl Marx e Max Weber, explicam as diferen\u00e7as sociais com base em fatores pol\u00edticos: Marx fala das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o entre capitalistas e trabalhadores, que s\u00e3o mediadas pelo poder, e Weber introduz as ideias de monop\u00f3lios e fechamentos sociais, que tamb\u00e9m envolvem o exerc\u00edcio do poder (Marx, 1974; Weber, 1996). Em um registro mais contempor\u00e2neo, dois ganhadores do Pr\u00eamio Nobel de Economia introduziram dimens\u00f5es de poder no estudo das desigualdades econ\u00f4micas: Amartya Sen fala da pobreza em termos de capacidades diferenciais dos indiv\u00edduos, e Joseph Stiglitz menciona as assimetrias de informa\u00e7\u00e3o como um dos aspectos cruciais que explicam os resultados do mercado (Sen, 1999; Stiglitz, 2002).<\/p>\n\n\n\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o de vantagens e desvantagens em uma sociedade \u00e9 objeto de constantes disputas sobre quem fica com o qu\u00ea. A riqueza \u00e9 produzida socialmente (pelo menos a grande maioria dela), mas \u00e9 suscet\u00edvel \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o privada, portanto, h\u00e1 tens\u00f5es e negocia\u00e7\u00f5es constantes sobre qual parte da riqueza pertence a quem, e o conflito de interesses \u00e9 frequente. Essa oposi\u00e7\u00e3o, aliada \u00e0 heterogeneidade social e \u00e0 diversidade cultural, significa que h\u00e1 interpreta\u00e7\u00f5es muito diferentes sobre qual \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o mais justa da riqueza. \"Propriedade \u00e9 roubo\", disse Proudhon no s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xix<\/span> (Proudhon, 1993: 13), enquanto para muitos outros ela \u00e9 perfeitamente leg\u00edtima (Nozick, 1974). Qualquer distribui\u00e7\u00e3o de recursos tem um car\u00e1ter essencialmente contestado. H\u00e1 pontos de vista contrastantes sobre qualquer distribui\u00e7\u00e3o; o que para alguns \u00e9 uma apropria\u00e7\u00e3o justa, para outros \u00e9 uma expropria\u00e7\u00e3o abusiva. A parcela da riqueza social que cada pessoa obt\u00e9m pode ser contestada por outros; \u00e9 sempre o resultado de negocia\u00e7\u00f5es, lutas, acordos ou trocas que expressam rela\u00e7\u00f5es de poder e diferentes interpreta\u00e7\u00f5es da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O entrela\u00e7amento inevit\u00e1vel das assimetrias sociais e das rela\u00e7\u00f5es de poder \u00e9 destacado no artigo de Juan Pablo P\u00e9rez S\u00e1inz \"Inequalities and the re-politicisation of the social in Latin America\", publicado nesta edi\u00e7\u00e3o da <em>Encartes<\/em>. P\u00e9rez S\u00e1inz destaca que, desde a d\u00e9cada de 1980, o neoliberalismo tem procurado eludir o v\u00ednculo entre a riqueza de poucos e a mis\u00e9ria de muitos, evitado a reflex\u00e3o sobre as desigualdades e enfatizado a pobreza como se fosse um problema t\u00e9cnico, deixando de lado a natureza pol\u00edtica e relacional das desigualdades sociais: \"na compreens\u00e3o da priva\u00e7\u00e3o, toda refer\u00eancia ao poder e ao conflito foi eliminada. Dessa forma, a quest\u00e3o social na regi\u00e3o foi despolitizada por v\u00e1rias d\u00e9cadas\" (P\u00e9rez S\u00e1inz, esta edi\u00e7\u00e3o). No entanto, essa tentativa de enterrar a dimens\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o foi bem-sucedida, pois a exacerba\u00e7\u00e3o das desigualdades, a persist\u00eancia da pobreza e o surgimento de novas desigualdades no per\u00edodo neoliberal fizeram com que o car\u00e1ter pol\u00edtico da quest\u00e3o social ressurgisse na regi\u00e3o, talvez com mais for\u00e7a do que nunca.<\/p>\n\n\n\n<p>Juan Pablo P\u00e9rez Sainz fez enormes contribui\u00e7\u00f5es para a compreens\u00e3o das desigualdades sociais na Am\u00e9rica Latina. Seu extenso livro <em>Mercados y b\u00e1rbaros. La persistencia de las desigualdades de excedente en Am\u00e9rica Latina<\/em> (2014) \u00e9 uma das investiga\u00e7\u00f5es mais s\u00f3lidas sobre os fatores que explicam por que a regi\u00e3o tem sido a mais desigual do mundo h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos. Nesse e em outros trabalhos (P\u00e9rez S\u00e1inz, 2012; P\u00e9rez S\u00e1inz e Mora, 2009), ele se prop\u00f4s a analisar a din\u00e2mica do poder<\/p>\n\n\n\n<p>que operam nos mercados de terra, capital e trabalho como a fonte das maiores desigualdades. Ao contr\u00e1rio das abordagens liberais que priorizam as desigualdades de renda entre indiv\u00edduos, ele insistiu em estudar as rela\u00e7\u00f5es entre classes sociais, grupos e pares categ\u00f3ricos (g\u00eanero, racial, \u00e9tnico, territorial etc.). A combina\u00e7\u00e3o dessa abordagem sociol\u00f3gica com a explora\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica permitiu que ele examinasse a evolu\u00e7\u00e3o da desigualdade na Am\u00e9rica Latina em diferentes per\u00edodos e, em particular, compreendesse a situa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s v\u00e1rios anos de pesquisa sobre as causas da desigualdade, P\u00e9rez S\u00e1inz volta sua aten\u00e7\u00e3o para suas consequ\u00eancias e as respostas a elas. O artigo \"Inequalities and the re-politicisation of the social in Latin America\" (Desigualdades e a repolitiza\u00e7\u00e3o do social na Am\u00e9rica Latina) \u00e9 consistente com a tese de que as desigualdades s\u00e3o sempre pol\u00edticas. Portanto, em primeiro lugar, descreve quatro processos de desempoderamento que levaram a um aumento das disparidades sociais na Am\u00e9rica Latina nas \u00faltimas d\u00e9cadas: a precariedade do trabalho assalariado, a exclus\u00e3o dos pequenos propriet\u00e1rios da globaliza\u00e7\u00e3o, a fragilidade dos processos de individualiza\u00e7\u00e3o para os setores subalternos e o fato de que o processamento das diferen\u00e7as (\u00e9tnicas, de g\u00eanero) continua a produzir desigualdades, apesar de terem sido implementadas pol\u00edticas de reconhecimento. Sua an\u00e1lise confirma que as mudan\u00e7as na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes dominantes e os setores subalternos no contexto da globaliza\u00e7\u00e3o deram origem a novas desigualdades e \u00e0 persist\u00eancia de velhas desigualdades. Mas a parte mais inovadora do texto (e, portanto, a mais arriscada) \u00e9 quando ele abandona o terreno familiar das causas das disparidades e procura entender v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es de grupos subalternos como respostas \u00e0 desigualdade. Primeiro, ele localiza uma resposta de sa\u00edda, que seria a migra\u00e7\u00e3o. Em segundo lugar, ele descreve uma resposta cheia de contradi\u00e7\u00f5es, que \u00e9 a viol\u00eancia. Em terceiro lugar, ele discute uma resposta m\u00e1gica, que \u00e9 a religiosidade. Por fim, ele discute uma resposta de a\u00e7\u00e3o coletiva, que \u00e9 a dos movimentos sociais. Ele aponta as limita\u00e7\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es das tr\u00eas primeiras respostas, enquanto v\u00ea uma alternativa mais promissora nos movimentos sociais, porque eles criticam a inferioriza\u00e7\u00e3o dos setores populares e questionam as causas da desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que o artigo consegue mostrar que os setores populares n\u00e3o vivenciam passivamente a desigualdade e a marginaliza\u00e7\u00e3o, mas que se envolvem em buscas individuais e coletivas para enfrentar as desvantagens da exclus\u00e3o. Sem d\u00favida, o aprofundamento da desigualdade tem um impacto no aumento da migra\u00e7\u00e3o interna e transnacional, na intensifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, em novas religiosidades e na prolifera\u00e7\u00e3o de movimentos sociais na regi\u00e3o. No entanto, \u00e9 necess\u00e1rio refletir com mais cuidado sobre as articula\u00e7\u00f5es entre as a\u00e7\u00f5es sociais e a desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, as respostas populares descritas por P\u00e9rez S\u00e1inz t\u00eam a ver com a desigualdade, mas tamb\u00e9m com muitos outros processos; a desigualdade \u00e9 apenas um dos muitos fatores que devem ser levados em conta para entender essas respostas. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso lembrar que somente em alguns casos elas tiveram o objetivo de reduzir a desigualdade; a grande maioria teve outros objetivos: buscar novas oportunidades de vida, reduzir a pobreza, explorar maneiras r\u00e1pidas de enriquecer, aumentar o emprego, melhorar a situa\u00e7\u00e3o pessoal ou familiar, obter meios de subsist\u00eancia, promover uma pol\u00edtica econ\u00f4mica ou social, opor-se a ela, defender certos direitos, processar crises existenciais e familiares etc. Na realidade, pouqu\u00edssimas a\u00e7\u00f5es tiveram o objetivo de reduzir a desigualdade. Na realidade, pouqu\u00edssimas a\u00e7\u00f5es visam explicitamente \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da desigualdade. As disparidades sociais s\u00e3o um fator que precisa ser considerado para entender a migra\u00e7\u00e3o, as convers\u00f5es religiosas, a viol\u00eancia e os movimentos sociais, mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para explicar totalmente esses fen\u00f4menos. N\u00e3o quero dizer que P\u00e9rez S\u00e1inz esteja tentando reduzir a explica\u00e7\u00e3o desses processos \u00e0 desigualdade - em nenhum momento ele afirma isso -, mas vale a pena fazer essa observa\u00e7\u00e3o, porque aqueles de n\u00f3s que estudam a desigualdade h\u00e1 v\u00e1rios anos geralmente tendem a superestimar sua incid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda mais complexa \u00e9 a quest\u00e3o do impacto das respostas populares sobre a desigualdade. A rela\u00e7\u00e3o entre a\u00e7\u00e3o social e desigualdade \u00e9 complexa e indireta, pois a desigualdade \u00e9 um fen\u00f4meno agregado e est\u00e1 inscrita mais no longo e m\u00e9dio prazo, enquanto a a\u00e7\u00e3o social \u00e9 espec\u00edfica, localizada no espa\u00e7o e no evento imediato. A desigualdade \u00e9 o resultado de m\u00e9dio e longo prazo de in\u00fameras a\u00e7\u00f5es, mediadas por pol\u00edticas, estruturas, intera\u00e7\u00f5es, sistemas de rela\u00e7\u00f5es, processos, institui\u00e7\u00f5es e redes culturais. A desigualdade n\u00e3o est\u00e1 separada da ag\u00eancia e da a\u00e7\u00e3o; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 um produto da ag\u00eancia e da a\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de um indiv\u00edduo, de um grupo ou de um governo em um determinado momento, mas das pr\u00e1ticas agregadas de v\u00e1rios agentes durante longos per\u00edodos de tempo. Os efeitos l\u00edquidos iguais ou desiguais de uma a\u00e7\u00e3o individual ou coletiva ou de um programa governamental podem ser muito diferentes do que se esperava, pois h\u00e1 muitos fatores envolvidos e consequ\u00eancias n\u00e3o intencionais.<\/p>\n\n\n\n<p>A longa dura\u00e7\u00e3o da desigualdade fica mais evidente se levarmos em conta os aspectos mais profundos das disparidades sociais, como habitus, padr\u00f5es de intera\u00e7\u00e3o assim\u00e9tricos, desigualdades em capacidades, assimetrias em infraestrutura, educa\u00e7\u00e3o, capital cultural e capital social. A desigualdade \u00e9 reproduzida por meio de longas cadeias de dispositivos que envolvem estruturas e institui\u00e7\u00f5es sedimentadas ao longo da hist\u00f3ria de uma sociedade e capacidades e dota\u00e7\u00f5es individuais e de grupo adquiridas ao longo da vida. Uma mudan\u00e7a duradoura nos n\u00edveis e tipos de desigualdade em uma sociedade \u00e9 impens\u00e1vel sem uma transforma\u00e7\u00e3o das estruturas mais profundas e das rela\u00e7\u00f5es de poder que organizam a distribui\u00e7\u00e3o das capacidades e dos meios de acesso aos recursos. Essas estruturas podem mudar, mas somente por meio de uma combina\u00e7\u00e3o de muitos fatores, durante per\u00edodos de tempo relativamente longos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil identificar o impacto que determinados processos sociais ter\u00e3o no aumento ou na redu\u00e7\u00e3o da desigualdade. Os movimentos sociais em si podem ter pouco impacto sobre a estrutura social, como o pr\u00f3prio Juan Pablo P\u00e9rez S\u00e1inz aponta:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Das quatro respostas, [a mobiliza\u00e7\u00e3o social] \u00e9, sem d\u00favida, a que apresenta o desafio mais radical para superar a marginaliza\u00e7\u00e3o social, pois aborda diretamente as causas que a geram. Mas suas conquistas s\u00e3o condicionadas pela assimetria do conflito. Justamente por questionar a ordem vigente, ela precisa enfrentar atores poderosos que tentam neutralizar esse tipo de movimento social por meio do isolamento, da repress\u00e3o ou da coopta\u00e7\u00e3o (P\u00e9rez S\u00e1inz, esta edi\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Sob essa perspectiva, o paradoxo latino-americano apontado por Adelman e Hershberg, que \u00e9 o fato de a Am\u00e9rica Latina continuar altamente desigual na distribui\u00e7\u00e3o de renda, apesar do maior reconhecimento dos povos ind\u00edgenas e afrodescendentes e dos poderosos movimentos sociais (Adelman e Hershberg 2007), talvez n\u00e3o seja t\u00e3o surpreendente. A mobiliza\u00e7\u00e3o social tem o potencial de transforma\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente para produzir efeitos positivos na redu\u00e7\u00e3o das desigualdades. Em outras palavras, o aumento da participa\u00e7\u00e3o dos exclu\u00eddos e a cr\u00edtica \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o suficientes para reverter a desigualdade secular; s\u00e3o necess\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es em outros elos da cadeia de reprodu\u00e7\u00e3o das desigualdades persistentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece-me que n\u00e3o devemos tirar conclus\u00f5es precipitadas sobre as consequ\u00eancias de determinadas a\u00e7\u00f5es sociais em termos de redu\u00e7\u00e3o ou aumento da desigualdade. Embora seja verdade que alguns movimentos sociais questionam privil\u00e9gios e exigem inclus\u00e3o, isso n\u00e3o leva necessariamente a uma maior igualdade. Tamb\u00e9m n\u00e3o se pode descartar a priori que a migra\u00e7\u00e3o, as transforma\u00e7\u00f5es religiosas ou a viol\u00eancia possam ter efeitos equalizadores. Thomas Piketty observa que a destrui\u00e7\u00e3o do capital durante as duas guerras mundiais, combinada com reformas tribut\u00e1rias progressivas e o subsequente fortalecimento do estado de bem-estar social, levou a uma redu\u00e7\u00e3o significativa da desigualdade em v\u00e1rios pa\u00edses (Piketty, 2014). Alguns processos de migra\u00e7\u00e3o levaram \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das desigualdades, enquanto outros n\u00e3o. Certas transforma\u00e7\u00f5es religiosas contribu\u00edram para desafiar as desigualdades, enquanto outras as refor\u00e7aram. Isso depende n\u00e3o apenas das caracter\u00edsticas de cada a\u00e7\u00e3o social ou da ideologia dos envolvidos, mas tamb\u00e9m da maneira como a estrutura social como um todo processa essas a\u00e7\u00f5es e se os mecanismos institucionais para combater as desigualdades s\u00e3o consolidados ou enfraquecidos. Por exemplo, a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana de 1910-1917 implicou um profundo questionamento das disparidades sociais inerentes ao modelo de exporta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e \u00e0 estrutura olig\u00e1rquica que se consolidou no final do s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xix<\/span> e cedo <span class=\"small-caps\">xx<\/span>mas isso n\u00e3o se traduziu em uma redu\u00e7\u00e3o imediata das desigualdades. Foi somente v\u00e1rias d\u00e9cadas mais tarde que se iniciou um processo de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, ocorreu a reforma agr\u00e1ria e foram criadas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade que reduziram algumas das desigualdades do M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o dos mecanismos institucionais para combater a desigualdade nos permite discutir outra das afirma\u00e7\u00f5es centrais de P\u00e9rez S\u00e1inz sobre as causas das desigualdades. Ele insistiu que a explica\u00e7\u00e3o das desigualdades e a chave para sua redu\u00e7\u00e3o devem ser buscadas na distribui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o na redistribui\u00e7\u00e3o, no funcionamento dos mercados b\u00e1sicos (terra, trabalho e capital) e n\u00e3o em disputas sobre a redistribui\u00e7\u00e3o de renda para indiv\u00edduos e fam\u00edlias. Concordo com ele que a distribui\u00e7\u00e3o desigual da terra, a polariza\u00e7\u00e3o e a segmenta\u00e7\u00e3o dos mercados de trabalho e a escandalosa concentra\u00e7\u00e3o de capital s\u00e3o quest\u00f5es fundamentais para explicar as desigualdades latino-americanas. Ele tamb\u00e9m tem raz\u00e3o quando diz que a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 na redistribui\u00e7\u00e3o de renda concentrada nas fam\u00edlias mais pobres; s\u00e3o necess\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es estruturais para gerar empregos de qualidade e melhores oportunidades de vida para a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Mas isso n\u00e3o significa que o problema e a solu\u00e7\u00e3o estejam exclusivamente na \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o. Por exemplo, em alguns pa\u00edses com taxas de desigualdade mais baixas do que na Am\u00e9rica Latina, a distribui\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria nos mercados n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente da da Am\u00e9rica Latina, a diferen\u00e7a \u00e9 que eles t\u00eam estruturas tribut\u00e1rias progressivas, mecanismos redistributivos e estados sociais mais fortes. A redistribui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece-me que o local de produ\u00e7\u00e3o das desigualdades n\u00e3o est\u00e1 apenas na configura\u00e7\u00e3o da propriedade e do emprego, mas em toda a estrutura social; ele est\u00e1 localizado tanto na distribui\u00e7\u00e3o quanto na redistribui\u00e7\u00e3o, na economia e na pol\u00edtica, nos mercados, bem como na sociedade e nas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, na distribui\u00e7\u00e3o material e nas configura\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas. Da mesma forma, \u00e9 preciso buscar alternativas para reduzir as desigualdades em muitas \u00e1reas, inclusive na distribui\u00e7\u00e3o e redistribui\u00e7\u00e3o, envolvendo medidas econ\u00f4micas, pol\u00edticas e culturais.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo de P\u00e9rez S\u00e1inz tem a virtude de mostrar as profundas consequ\u00eancias econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas do aumento da desigualdade na Am\u00e9rica Latina. Ao destacar as dimens\u00f5es pol\u00edticas da desigualdade, ele a desnaturaliza e permite que ela seja colocada no centro da discuss\u00e3o. Se durante as duas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX <span class=\"small-caps\">xx<\/span> Embora a quest\u00e3o da desigualdade tenha se destacado por sua aus\u00eancia em an\u00e1lises acad\u00eamicas e debates p\u00fablicos na regi\u00e3o, at\u00e9 agora, neste s\u00e9culo, as pesquisas sobre esse tema se multiplicaram e ele foi reintroduzido nas agendas governamentais e n\u00e3o governamentais. Como diz P\u00e9rez S\u00e1inz, as quest\u00f5es sociais foram repolitizadas na Am\u00e9rica Latina. Felizmente, porque a desigualdade \u00e9 sempre pol\u00edtica e deve ser discutida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Adelman, Jeremy y E. Hershberg (2007). \u201cDesigualdades parad\u00f3jicas: ciencias sociales, sociedad e instituciones en Am\u00e9rica Latina\u201d, en <em>Working Papers Series<\/em>, n\u00fam. 2. Miami: Universidad de Miami\/Observatory on Structures and Institutions of Inequality in Latina America<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Campbell, Tom (2002). <em>La justicia. Los principales debates contempor\u00e1neos<\/em>. Barcelona: Gedisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lenski, Gerhard (1969). <em>Poder y privilegio. Teor\u00eda de la estratificaci\u00f3n social<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Marx, Carlos (1974) [1867]. <em>El capital. Cr\u00edtica de la econom\u00eda pol\u00edtica<\/em>, vol. 1. 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Londres: Allen Lane-The Penguin Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Tezanos, Jos\u00e9 F\u00e9lix (2001). <em>La sociedad dividida. Estructuras de clases y desigualdades en las sociedades tecnol\u00f3gicas<\/em>. Madrid: Biblioteca Nueva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Weber, Max (1996) [1922]. <em>Econom\u00eda y sociedad. Ensayo de sociolog\u00eda comprensiva<\/em>. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa reflex\u00e3o sobre a proposta de Juan Pablo P\u00e9rez S\u00e1inz a respeito das consequ\u00eancias e das respostas dos grupos subalternos \u00e0 desigualdade - que ele explora na migra\u00e7\u00e3o, na viol\u00eancia, na religiosidade e na a\u00e7\u00e3o coletiva - \u00e9 valiosa porque coloca a discuss\u00e3o sobre a desigualdade social na Am\u00e9rica Latina novamente no centro. Reygadas prop\u00f5e v\u00e1rias reflex\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a\u00e7\u00f5es sociais e desigualdade. Ele ressalta que as disparidades sociais n\u00e3o s\u00e3o suficientes para explicar as respostas nas quais P\u00e9rez S\u00e1inz se concentra. \u00c9 necess\u00e1rio conceber que a reprodu\u00e7\u00e3o das desigualdades persistentes ocorre em longo prazo, enquanto a a\u00e7\u00e3o social tem um impacto de curto prazo e, al\u00e9m disso, s\u00e3o necess\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es em outros elos dessa cadeia de reprodu\u00e7\u00e3o. Por fim, ele qualifica a \u00eanfase de P\u00e9rez S\u00e1inz na distribui\u00e7\u00e3o dos mercados b\u00e1sicos (terra, trabalho e capital), pois, na perspectiva de Reygadas, o locus da desigualdade tamb\u00e9m se encontra na redistribui\u00e7\u00e3o, por meio de estruturas fiscais progressivas, na economia e na pol\u00edtica, nos mercados, na sociedade e nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, bem como na distribui\u00e7\u00e3o material e nas configura\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[527,525,528,526,29,529],"coauthors":[551],"class_list":["post-31279","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-34","tag-accion-social","tag-desigualdad-social","tag-distribucion","tag-poder","tag-politica","tag-redistribucion","personas-reygadas-luis","numeros-439"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>La desigualdad siempre es pol\u00edtica &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Reygadas propone varias reflexiones sobre la relaci\u00f3n de las acciones sociales con la desigualdad. 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