{"id":31277,"date":"2019-09-23T13:56:22","date_gmt":"2019-09-23T13:56:22","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=31277"},"modified":"2023-11-17T18:49:50","modified_gmt":"2023-11-18T00:49:50","slug":"pentecostalismo-desigualdad-social-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/pentecostalismo-desigualdad-social-america-latina\/","title":{"rendered":"O pentecostalismo e as desigualdades sociais na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O autor desenvolve tr\u00eas observa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas sobre as pr\u00e1ticas religiosas introduzidas pelo pentecostalismo no balan\u00e7o geral das desigualdades na Am\u00e9rica Latina, na tentativa de apontar a complexidade e a ambiguidade de sua atua\u00e7\u00e3o social de acordo com as dimens\u00f5es e os contextos de an\u00e1lise. S\u00e3o elas: as vicissitudes do catolicismo na regi\u00e3o; o crescimento do pentecostalismo na Am\u00e9rica Latina; e as caracter\u00edsticas da implanta\u00e7\u00e3o do pentecostalismo nos setores populares e a discuss\u00e3o de seu valor em termos da reprodu\u00e7\u00e3o de todos os tipos de desigualdades nas sociedades latino-americanas contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/america-latina\/\" rel=\"tag\">Am\u00e9rica Latina<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/desigualdades\/\" rel=\"tag\">desigualdades<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/pentecostalismo\/\" rel=\"tag\">Pentecostalismo<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/religion\/\" rel=\"tag\">religi\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/sectores-populares\/\" rel=\"tag\">setores populares<\/a><\/p>\n\n\n<p class=\"en-title\">Pentecostalismo e desigualdade social na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">O autor desenvolve tr\u00eas observa\u00e7\u00f5es-chave sobre as pr\u00e1ticas religiosas que o pentecostalismo acrescentou ao equil\u00edbrio geral da desigualdade na Am\u00e9rica Latina, apontando a complexidade e a ambiguidade de seus esfor\u00e7os sociais de acordo com as dimens\u00f5es e os contextos anal\u00edticos. Ele aborda especificamente os avatares regionais do catolicismo; o crescimento do pentecostalismo na Am\u00e9rica Latina; as caracter\u00edsticas de implanta\u00e7\u00e3o dessa religi\u00e3o entre as classes trabalhadoras; e uma discuss\u00e3o de seu valor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o de uma ampla variedade de desigualdades nas sociedades latino-americanas atuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: Religi\u00e3o, pentecostalismo, Am\u00e9rica Latina, desigualdade, classes trabalhadoras.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">M<\/span>e deve ser geralmente aceito que uma das realidades ineg\u00e1veis da Am\u00e9rica Latina, desde pelo menos a d\u00e9cada de 1980, \u00e9 a da multiplica\u00e7\u00e3o quase constante das desigualdades materiais e simb\u00f3licas, da perda de homogeneidade e de poder por parte dos setores populares. De norte a sul, de leste a oeste e incluindo per\u00edodos que poderiam ter sido concebidos, em algumas dimens\u00f5es, como uma recupera\u00e7\u00e3o da renda; e que foram contrabalan\u00e7ados pela volatilidade dessa recupera\u00e7\u00e3o e pelo fato de que em outras dimens\u00f5es (bens p\u00fablicos como transporte, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e moradia e a dimens\u00e3o do mercado de trabalho em sua evolu\u00e7\u00e3o quantitativa e qualitativa) a evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi t\u00e3o favor\u00e1vel e, muitas vezes, foi decepcionante. Tudo isso \u00e9 para afirmar sinteticamente que compartilhamos e, acima de tudo, aceitamos a estrutura geral de an\u00e1lise proposta por P\u00e9rez S\u00e1inz. E n\u00e3o o fazemos, como se diz em meu pa\u00eds, como uma simples \"sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 bandeira\", como a repeti\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica de um credo que j\u00e1 perdeu seu sentido, mas na mais profunda convic\u00e7\u00e3o de que a hist\u00f3ria que fez da Am\u00e9rica Latina a regi\u00e3o mais desigual do planeta tende a repetir, cada vez mais em vers\u00f5es piores, esse destino brutal.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, gostaria de fazer tr\u00eas observa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas sobre a dimens\u00e3o religiosa e, mais especificamente, sobre os efeitos das pr\u00e1ticas religiosas introduzidas pelo pentecostalismo no equil\u00edbrio geral das desigualdades na Am\u00e9rica Latina, em uma tentativa de apontar a complexidade e a ambiguidade de seu desempenho social de acordo com as dimens\u00f5es e os contextos de an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>I) O foco de minhas observa\u00e7\u00f5es \u00e9 o pentecostalismo, mas como o desenvolvimento do pentecostalismo depende em grande parte do que acontece com o catolicismo, e como o que acontece com o catolicismo tamb\u00e9m \u00e9 relevante, em um sentido incomum, para a quest\u00e3o das desigualdades, \u00e9 necess\u00e1rio fazer uma primeira observa\u00e7\u00e3o muito geral sobre as vicissitudes do catolicismo na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se lembrar que as transforma\u00e7\u00f5es originadas no Conc\u00edlio do Vaticano <span class=\"small-caps\">ii<\/span> teve o significado fundamental de promover um di\u00e1logo mais profundo entre o catolicismo e as circunst\u00e2ncias sociais e pol\u00edticas da modernidade. A teologia da liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 o exemplo mais claro da tend\u00eancia de uma parte das elites cat\u00f3licas de responder \u00e0s demandas impostas pela democratiza\u00e7\u00e3o, pelo engajamento social e pela transforma\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es institucionais de pertencimento religioso: da antiga ordem paroquial \u00e0s sociedades de massa transformadas pela m\u00eddia de massa, pela expans\u00e3o do sistema educacional, pelo capitalismo e pela realiza\u00e7\u00e3o de tend\u00eancias de exclus\u00e3o que logo se tornariam mais agudas. Resumiremos, talvez injustamente, essas express\u00f5es ao fato de que elas tentaram modernizar a religi\u00e3o com uma imagem que condensa essa etapa: a transforma\u00e7\u00e3o de Jesus em um sujeito hist\u00f3rico. Pessoalmente, direi que \u00e9 uma imagem que me agrada, mas analiticamente devo dizer que essa opera\u00e7\u00e3o, que tentou promover um sentido da experi\u00eancia crist\u00e3 como uma experi\u00eancia de solidariedade e compromisso pol\u00edtico, n\u00e3o s\u00f3 teve sucessos evangelizadores, mas tamb\u00e9m contrapontos negativos. Essa modula\u00e7\u00e3o do catolicismo, que se baseava na supera\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o no rep\u00fadio, no rep\u00fadio anal\u00edtico e teol\u00f3gico, da \"ingenuidade\" da f\u00e9 na provid\u00eancia e no milagre, justamente por isso deixou de lado a imagina\u00e7\u00e3o religiosa dos setores populares, que, em certa medida, se tornaram, se n\u00e3o o inimigo, o advers\u00e1rio do novo catolicismo. Aldo Buntig (1969), um cientista social e padre, argumentou, por exemplo, que a \u00eanfase em promessas, prociss\u00f5es e milagres denotava uma estagna\u00e7\u00e3o na fase oral do desenvolvimento, levando em conta uma combina\u00e7\u00e3o ent\u00e3o comum de marxismo e psican\u00e1lise. Assim, a f\u00e9 e os milagres deveriam ser lidos como met\u00e1foras para as atitudes e os eventos hist\u00f3ricos do povo de Deus emancipador, e n\u00e3o como eventos \"reais\" com um significado adicional a ser contextualizado e pedagogizado por um \"clero ampliado\", de padres a elites locais, por meio de uma mir\u00edade de mecanismos de promo\u00e7\u00e3o e coopta\u00e7\u00e3o que iam desde a ordena\u00e7\u00e3o de leigos at\u00e9 a presen\u00e7a de um <span class=\"small-caps\">ngo<\/span> ( Lehman 1992). Isso n\u00e3o apenas distanciou culturalmente o catolicismo de pelo menos parte do \"pobretariado\", um termo que Lowie (1989) tomou emprestado de alguns sindicalistas crist\u00e3os para designar os exclu\u00eddos, que era precisamente o que, em teoria, era considerado como o sujeito de uma hist\u00f3ria na qual a emancipa\u00e7\u00e3o e a salva\u00e7\u00e3o se fundiam, mas tamb\u00e9m aumentou o papel do clero ao refor\u00e7ar uma divis\u00e3o que sempre foi uma barreira entre os setores populares e o catolicismo. Assim, a partir da d\u00e9cada de 1960, o catolicismo desempenhou pelo menos dois pap\u00e9is na forma\u00e7\u00e3o dos setores populares. Primeiro, reciclou seu modo de influ\u00eancia social ao contribuir para a politiza\u00e7\u00e3o de uma parte frequentemente pequena, mas ativa, dos setores populares de v\u00e1rias maneiras, dependendo dos pa\u00edses da regi\u00e3o. Os efeitos do empoderamento decorrentes desse processo s\u00e3o desiguais: Se, por um lado, \u00e9 ineg\u00e1vel que a teologia da liberta\u00e7\u00e3o levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es capazes de ter algum impacto na defesa dos direitos de diferentes sujeitos subalternos, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que, em muitos casos, essa influ\u00eancia chegou a um limite e que, com base em pressupostos culturais e pol\u00edticos que dificilmente seriam generalizados nos setores populares, acabou enfraquecendo a capacidade de organiza\u00e7\u00e3o coletiva dos estratos sociais mais afetados pelas tend\u00eancias estruturalmente excludentes que se agravaram a partir de meados da d\u00e9cada de 1970. Em segundo lugar, nesse mesmo contexto, o fortalecimento do aspecto clerical do catolicismo, apesar de sua expans\u00e3o, criar\u00e1 um \"v\u00e1cuo\" que ser\u00e1 ocupado ou constru\u00eddo pelo pentecostalismo que cresce \u00e0s suas custas: a divis\u00e3o entre cat\u00f3licos mobilizados e n\u00e3o mobilizados pela teologia da liberta\u00e7\u00e3o ou pelas orienta\u00e7\u00f5es centrais do catolicismo influenciadas pelo Conc\u00edlio Vaticano II tamb\u00e9m tem as caracter\u00edsticas de um processo de diferencia\u00e7\u00e3o e confronto social enraizado e concretizado no plano religioso. Essas duas consequ\u00eancias das transforma\u00e7\u00f5es do catolicismo interagem com as caracter\u00edsticas do pentecostalismo, que descreverei a seguir, e resultam em um fato: o pentecostalismo \u00e9 a op\u00e7\u00e3o dos pobres, em oposi\u00e7\u00e3o ao catolicismo, que encarnava a op\u00e7\u00e3o pelos pobres.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>II) O crescimento do pentecostalismo na Am\u00e9rica Latina \u00e9 uma variante espec\u00edfica de um movimento que tem demonstrado uma capacidade de globaliza\u00e7\u00e3o sem precedentes nos \u00faltimos cem anos. O pentecostalismo produz convers\u00f5es e massas de fi\u00e9is na China, na Coreia do Sul, em Cingapura, nas Filipinas e em v\u00e1rios pa\u00edses do continente africano. Em todos esses casos, assim como na Am\u00e9rica Latina, h\u00e1 uma constante: o pentecostalismo tem uma grande capacidade de vincular sua mensagem \u00e0s espiritualidades de cada uma das paisagens culturais da regi\u00e3o, bem como de fomentar formas de organiza\u00e7\u00e3o, teologia e liturgia flex\u00edveis, variadas e facilmente apropri\u00e1veis, com as quais se difunde entre os mais variados segmentos da popula\u00e7\u00e3o em diferentes contextos nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro canal para a dissemina\u00e7\u00e3o do pentecostalismo foi a migra\u00e7\u00e3o de crentes que se mudaram com sua f\u00e9 e as miss\u00f5es pioneiras organizadas a partir de v\u00e1rios pa\u00edses, especialmente.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> Mais tarde, a partir das d\u00e9cadas de 1940 e 1950, as miss\u00f5es continuaram, mas o pentecostalismo tamb\u00e9m se desenvolveu a partir de l\u00edderes locais que o adaptaram \u00e0 situa\u00e7\u00e3o social e cultural end\u00f3gena. Um pentecostalismo aut\u00f4nomo, que privilegiava a salva\u00e7\u00e3o terrena e se baseava na \"cura divina\", sobrep\u00f4s-se ao pentecostalismo original que enfatizava a santifica\u00e7\u00e3o e o rep\u00fadio ao pecado. O pentecostalismo em expans\u00e3o dialogava com as necessidades e cren\u00e7as populares de uma forma que nenhuma outra denomina\u00e7\u00e3o religiosa jamais fez, da\u00ed seu sucesso diferenciado. Para os pentecostais, os milagres n\u00e3o eram sobrenaturais ou met\u00e1foras de necessidade, como eram para atores t\u00e3o diferentes quanto o aparato educacional, o protestantismo cl\u00e1ssico ou mesmo o catolicismo, que em muitos de seus aspectos, como j\u00e1 dissemos, os repudiava. Na d\u00e9cada de 1950, os pentecostais j\u00e1 formavam um contingente importante em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. No final da d\u00e9cada de 1960 e in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, capitalizando todos esses precedentes, iniciou-se uma terceira etapa, na qual se generalizaram dois caminhos de crescimento pentecostal: o do chamado \"neopentecostalismo\" e o das igrejas aut\u00f4nomas. O que alguns pesquisadores e atores religiosos chamam de \"neopentecostalismo\" exacerba caracter\u00edsticas do pentecostalismo cl\u00e1ssico, ao mesmo tempo em que produz inova\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas, lit\u00fargicas e organizacionais. As express\u00f5es relacionadas \u00e0 presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo foram pluralizadas e ganharam for\u00e7a (a aposta nos milagres foi aumentada e sistematizada) e a figura dos pastores como sujeitos privilegiados capazes de viabilizar essa b\u00ean\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, surgiram duas articula\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas fundamentais: a \"teologia da prosperidade\" e a \"doutrina da guerra espiritual\". Para nosso argumento, vale a pena considerar a primeira em alguns detalhes: a <em>teologia da prosperidade<\/em>O horror dos analistas moldados pela cultura secular ou observadores pr\u00f3ximos ao catolicismo, que santifica a pobreza diante da \"mistura\" do espiritual com o econ\u00f4mico, impediu-os de perceber que isso n\u00e3o \u00e9 um problema. O horror dos analistas moldados pela cultura secular ou observadores pr\u00f3ximos ao catolicismo, que santifica a pobreza diante da \"mistura\" do espiritual com o econ\u00f4mico, impediu-os de perceber que esse aspecto da oferta teol\u00f3gica pentecostal tem muito em comum com a dimens\u00e3o sacrificial que, nas aldeias camponesas, leva \u00e0 oferta de animais e colheitas aos deuses em troca de prosperidade. S\u00f3 que, como conv\u00e9m \u00e0 era do capitalismo, ela n\u00e3o pode ser materializada de outra forma a n\u00e3o ser por meio do equivalente geral de todas as mercadorias: o dinheiro. As igrejas neopentecostais usaram todas as inova\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o dispon\u00edveis e tamb\u00e9m aplicaram t\u00e9cnicas de \"crescimento de igrejas\" que haviam sido desenvolvidas com sucesso na Coreia do Sul. Entretanto, o neopentecostalismo designa cada vez mais uma nova fase no desenvolvimento do pentecostalismo e cada vez menos um tipo de igreja. Todas as igrejas pentecostais adotaram \u00eanfases e motivos \"caracter\u00edsticos do neopentecostalismo\" (Oro e Sem\u00e1n, 1999).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o mesmo per\u00edodo viu uma multiplica\u00e7\u00e3o de pequenas igrejas pentecostais. Esse fen\u00f4meno tem sido menos observado, mas n\u00e3o \u00e9 menos importante: a maioria dos convertidos ao pentecostalismo acaba se agrupando em pequenas igrejas aut\u00f4nomas em suas vizinhan\u00e7as ap\u00f3s uma passagem por igrejas maiores ou mais institucionalizadas. Muitos dos pastores de bairro obt\u00eam nessas igrejas maiores a <em>saber como<\/em> para estabelecer novas igrejas em suas \u00e1reas de resid\u00eancia, com cada grupo de crentes marcando-as com a particularidade de sua experi\u00eancia. Em uma din\u00e2mica semelhante \u00e0 da prolifera\u00e7\u00e3o de bandas musicais, as pequenas igrejas s\u00e3o a maioria silenciosa na qual a sensibilidade pentecostal \u00e9 decantada. Nessas pequenas igrejas, qualquer observador encontrar\u00e1 quase tudo o que se diz ser caracter\u00edstico do \"neopentecostalismo\", mas oferecido a partir de projetos aut\u00f4nomos e end\u00f3genos \u00e0s popula\u00e7\u00f5es de todas as periferias da Am\u00e9rica Latina, da Argentina ao M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento pentecostal se alimenta das vantagens organizacionais e discursivas dos evang\u00e9licos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 observamos no catolicismo: onde o catolicismo deixa de clamar por milagres, o pentecostalismo os renova; onde o catolicismo recria as dist\u00e2ncias entre o sacerdote e o povo de Deus, com uma l\u00f3gica burocr\u00e1tica, desencantada e at\u00e9 \"progressista\", o sacerd\u00f3cio universal reivindicado por esse protestantismo d\u00e1 origem a uma igreja em cada quarteir\u00e3o e, mais importante, a um pastor que nasceu, viveu e sofreu naquele quarteir\u00e3o. Isso est\u00e1 acontecendo em uma \u00e1rea onde as transforma\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas favorecem o crescimento pentecostal: naquelas \u00e1reas onde o catolicismo, com sua log\u00edstica lenta, n\u00e3o consegue acompanhar o processo de metropolitaniza\u00e7\u00e3o que caracteriza a regi\u00e3o, em cada novo bairro onde a Igreja Cat\u00f3lica planeja chegar por meio de processos lentos e regulamentados que passam pela par\u00f3quia, pela diocese e pelo pr\u00f3prio Vaticano, j\u00e1 existe uma ou v\u00e1rias igrejas evang\u00e9licas. Esse processo, al\u00e9m disso, ocorre do campo para a cidade e da periferia para o centro. E \u00e9 por essa raz\u00e3o que as observa\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas quase sempre confundem efeitos com causas: as grandes igrejas pentecostais, que s\u00e3o as mais vis\u00edveis, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o congregam necessariamente a maioria dos fi\u00e9is, como tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o o estopim do fen\u00f4meno, mas assumem esse papel aos olhos dos observadores \"metropolitanoc\u00eantricos\".<\/p>\n\n\n\n<p>Esse conjunto de fen\u00f4menos, que em breves linhas descreve o processo de crescimento do pentecostalismo, tem um duplo significado para a compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre setores populares, religi\u00e3o e desigualdade social. Em primeiro lugar, e embora a ideologia do pentecostalismo seja contestada, ele funciona como um processo social de redistribui\u00e7\u00e3o do poder de produzir religi\u00e3o, do qual o pentecostalismo \u00e9 a forma e a causa. Nesse sentido, embora cres\u00e7am outras assimetrias, h\u00e1 uma que se inverte: em termos de produ\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, os setores populares ganham poder e autonomia, como muito cedo observou Brand\u00e3o (1980). Por outro lado, em segundo lugar, e levando em conta as raz\u00f5es do crescimento do pentecostalismo, n\u00e3o se deve descartar outro efeito de empoderamento dos sujeitos subalternos. O pentecostalismo, como j\u00e1 dissemos, conquista os crentes promovendo milagres: a pacifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es familiares, a solu\u00e7\u00e3o do consumo problem\u00e1tico de drogas e \u00e1lcool, os \"desvios\" de jovens em organiza\u00e7\u00f5es violentas, uma s\u00e9rie de sofrimentos sociais e pessoais cuja revers\u00e3o tamb\u00e9m pode ser contabilizada como um avan\u00e7o dos sujeitos do mundo popular em situa\u00e7\u00f5es nas quais \u00e9 sempre mais poss\u00edvel piorar do que melhorar. N\u00e3o se trata mais apenas da \u00e1rea intang\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o de bens simb\u00f3licos, mas tamb\u00e9m dos fatos pesados e concretos da vida cotidiana de grupos que encontram nessa express\u00e3o religiosa uma possibilidade de melhoria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse ponto que devem ser discernidas as caracter\u00edsticas da implanta\u00e7\u00e3o do pentecostalismo nos setores populares e a discuss\u00e3o de seu valor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o de todos os tipos de desigualdades nas sociedades latino-americanas contempor\u00e2neas. Com base no que resumi e no que nos conta P\u00e9rez S\u00e1inz, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se perguntar se as solu\u00e7\u00f5es oferecidas ao sofrimento pessoal derivadas das caracter\u00edsticas da organiza\u00e7\u00e3o social, assim como as oferecidas ao sofrimento econ\u00f4mico por meio da j\u00e1 mencionada teologia da prosperidade, n\u00e3o implicam um refor\u00e7o do individualismo e do consumismo que faz os crentes convergirem com o esp\u00edrito do neoliberalismo que, por sua vez, \u00e9 respons\u00e1vel por uma grande onda de desigualdades e exclus\u00e3o que afeta os setores populares? N\u00e3o podemos dar uma resposta definitiva aqui, mas gostar\u00edamos de apresentar argumentos que nos permitam qualificar uma resposta positiva e absoluta a essa pergunta. De fato, as solu\u00e7\u00f5es promovidas pelo pentecostalismo por meio de rituais, ora\u00e7\u00f5es, doutrinas e orienta\u00e7\u00f5es morais s\u00e3o individualizantes em um sentido muito espec\u00edfico: muitas vezes implicam uma tomada de consci\u00eancia, uma revis\u00e3o cr\u00edtica das responsabilidades do sujeito, o que inevitavelmente implica individualiza\u00e7\u00e3o (Mariz, 1994 a, b). Mas esse termo, individualiza\u00e7\u00e3o, deve ser tomado com muita cautela se levarmos em conta que cr\u00edticas agudas na sociologia e na antropologia nos ensinaram que o que chamamos de \"no\u00e7\u00e3o de pessoa\", como um espa\u00e7o de constitui\u00e7\u00e3o do agente do qual o indiv\u00edduo do individualismo \u00e9 um caso espec\u00edfico, deve superar a oposi\u00e7\u00e3o grosseira entre individualismo e holismo, como pode ser encontrada formulada em Marcel Mauss ou Durkheim, para admitir a singularidade (o car\u00e1ter multivariado, digamos) das no\u00e7\u00f5es de pessoa e, especificamente, dos individualismos.<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em um n\u00edvel mais concreto, isso implica que n\u00e3o se pode dizer sem mais delongas que a individualiza\u00e7\u00e3o promovida pelo pentecostalismo implica necessariamente a ado\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o de comportamento ego\u00edsta, oposto a qualquer tipo de a\u00e7\u00e3o coletiva, um abandono da comunidade e dos la\u00e7os de pertencimento e proced\u00eancia social. Em parte como corol\u00e1rio do que foi dito acima, o que torna necess\u00e1rio distinguir os individualismos no singular. Mas tamb\u00e9m porque, do ponto de vista anal\u00edtico, \u00e0s vezes h\u00e1 uma confus\u00e3o entre o que o analista ouve no discurso dos pastores televisivos e o que se pode discernir nas apropria\u00e7\u00f5es dos fi\u00e9is na vida cotidiana e em uma s\u00e9rie de incr\u00edveis discursos mediadores que fazem com que o que se v\u00ea na televis\u00e3o n\u00e3o seja exatamente o que os fi\u00e9is ouvem, recebem e praticam diariamente nas pequenas igrejas de bairro onde se re\u00fane a maioria dos fi\u00e9is dos setores populares. A pesquisa emp\u00edrica revela que um discurso como o da prosperidade, que parece ter os maiores poderes individualizantes e mercantilistas, n\u00e3o \u00e9 traduzido nem apropriado como um est\u00edmulo ao enriquecimento, \u00e0 distin\u00e7\u00e3o e ao cada um por si: Em vez disso, ele \u00e9 tomado como um incitamento \u00e0 a\u00e7\u00e3o, confiando na retribui\u00e7\u00e3o da provid\u00eancia e em benef\u00edcio da fam\u00edlia e do indiv\u00edduo em termos de trabalho e obten\u00e7\u00e3o do sustento di\u00e1rio em situa\u00e7\u00f5es em que funciona como um ant\u00eddoto contra o fatalismo e a diminui\u00e7\u00e3o da autoestima. A jovem que todas as manh\u00e3s precisa encontrar for\u00e7as para sair para vender nas ruas, o pedreiro que sai em busca de trabalho, o motorista de t\u00e1xi que aluga seu carro por uma di\u00e1ria, n\u00e3o buscam nem sonham com milh\u00f5es, nem com viagens a Miami, nem com nenhuma das situa\u00e7\u00f5es com as quais as igrejas que compram espa\u00e7o na televis\u00e3o tentam atrair os fi\u00e9is, mas com pequenos triunfos para os quais essas palavras de encorajamento e de auto-encorajamento lhes d\u00e3o um impulso muito pequeno.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o implica necessariamente a ado\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o de a\u00e7\u00e3o ego\u00edsta, possessivo e competitivo, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se pode negar que tais apropria\u00e7\u00f5es podem favorecer intrinsecamente a ado\u00e7\u00e3o de cursos de a\u00e7\u00e3o coletivos para lidar com os males enfrentados por meio de ora\u00e7\u00e3o, aconselhamento pastoral, rituais de liberta\u00e7\u00e3o de esp\u00edritos negativos e assim por diante. Entretanto, nem todos os crentes definem todos os problemas que enfrentam em suas trajet\u00f3rias nos n\u00edveis de agrega\u00e7\u00e3o familiar, de vizinhan\u00e7a ou nacional como quest\u00f5es de solu\u00e7\u00e3o, procedimento ou valor exclusivamente individual. Isso, de fato, \u00e9 comprovado em outro n\u00edvel que \u00e9 objeto de in\u00fameras discuss\u00f5es: quando se observa que os pentecostais, ao contr\u00e1rio do que se esperava deles nas an\u00e1lises pioneiras que esperavam essa individualiza\u00e7\u00e3o de forma preestabelecida como um \"afastamento do mundo\" bem protestante, em vez de se refugiarem na religi\u00e3o, se organizam para transformar o mundo e participar da pol\u00edtica. \u00c9 comum argumentar <em>a priori <\/em>que essa participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 naturalmente \"pr\u00f3-direita\", e isso deixa de lado duas quest\u00f5es. Em primeiro lugar, se essa fosse sua orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, n\u00e3o se poderia mais dizer que eles rejeitam a a\u00e7\u00e3o coletiva. Mas, em segundo lugar, essa afirma\u00e7\u00e3o deixa de lado o fato de que eles assumem essa participa\u00e7\u00e3o com pragmatismo e singularidades que n\u00e3o nos permitem dizer que seus compromissos s\u00e3o ou t\u00eam que ser \"naturalmente neoliberais\" o tempo todo: se no Brasil, por exemplo, eles o fazem em favor de um candidato liberal e conservador em 2018, n\u00e3o devemos esquecer que antes disso, entre 2002 e 2015, eles apoiaram ativamente um candidato democr\u00e1tico e popular. E, de modo mais geral, n\u00e3o se deve esquecer que, em m\u00e9dia, na Am\u00e9rica Latina, eles t\u00eam uma sensibilidade dividida entre preocupa\u00e7\u00f5es sociais mais acentuadas do que no catolicismo como um todo e uma agenda que, em termos de g\u00eanero e diversidade sexual, \u00e9 hoje mais conservadora do que a dos cat\u00f3licos, embora em outras d\u00e9cadas isso possa n\u00e3o ter sido t\u00e3o claro (Machado, 1994).<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, em termos de sua participa\u00e7\u00e3o no jogo social, os pentecostais n\u00e3o s\u00e3o necessariamente individualistas ou neoliberais, e muitas vezes podem apoiar padr\u00f5es de comportamento e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contr\u00e1rios aos prefigurados por esses r\u00f3tulos. O pentecostalismo, com todas as suas determina\u00e7\u00f5es e ambiguidades, ainda \u00e9 um processo em disputa. E a disputa por projetos excludentes n\u00e3o deve ser contada apenas como parte das for\u00e7as que produzem a exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Brand\u00e3o, Carlos Rodrigues (1980). <em>Os deuses do povo: um estudo sobre a religi\u00e3o popular<\/em>. S\u00e3o Paulo: Brasiliense.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Buntig, Aldo (1969). <em>El catolicismo popular en la Argentina<\/em>. Buenos Aires: Bonum (Cuaderno <span class=\"small-caps\">i<\/span>, sociol\u00f3gico).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Burdick, John (1993). <em>Looking for God in Brazil: The Progressive Catholic Church in Urban Brazil\u2019s Religious Arena.<\/em> Berkeley: Univesity of California Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Bellah, Robert N. <em>et al<\/em>. (1996). <em>Habits of the Heart. Individualism and Commitment in American Life. <\/em>Londres: University of California Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Estrada Saavedra, Marco (2011). \u201cTeocracia para la <em>liberaci\u00f3n<\/em>: la disputa por la hegemon\u00eda estatal desde la fe. La experiencia de la di\u00f3cesis\u2028de San Crist\u00f3bal de las Casas\u2028y <em>el pueblo creyente <\/em>en la selva lacandona\u201d, en Sanchiz Agudo y A. Estrada Saavedra (ed.). <em>(Trans)formaciones del Estado en los m\u00e1rgenes de Latinoam\u00e9rica: imaginarios alternativos, aparatos, inacabados y espacios transnacionales<\/em>. M\u00e9xico: El Colegio de M\u00e9xico\/Universidad Iberoamericana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Goldman, Marcio (1999). \u201cUma Categoria do Pensamento Antropolo\u0301gico: A Noc\u0327a\u0303o de Pessoa\u201d, en Marcio Goldman (comp.),<em> Alguma Antropologi\u0301a<\/em>. Rio de Janeiro: Relume-Dumara\u0301.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lehman, David (1992). \u201cProleg\u00f3meno a las revoluciones religiosas en Am\u00e9rica Latina\u201d, pp. 35-41, <em>Punto de Vista<\/em>, n\u00fam. 43, Buenos Aires.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Lowie, Michel (1989). \u201cO catolicismo latino-americano radicalizado\u201d, en <em>Estudos Avan\u00e7ados<\/em>, vol. 3, n\u00fam. 5. https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0103-40141989000100005<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Machado, Mar\u00eda das Dores (1994). <em>Carism\u00e1ticos e Pentecostais: ades\u00e3o religiosa e seus efeitos na esfera privada.<\/em> Tesis doctoral. R\u00edo de Janeiro: <span class=\"small-caps\">iuperj<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mariz, Cecilia (1994a). <em>Coping with poverty: Pentecostals and Christian Base Communities in Brazil.<\/em> Filadelfia: Temple University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mariz, Cecilia (1994b). \u201cLiberta\u00e7\u00e3o e \u00c9tica. Uma an\u00e1lise do discurso de pentecostais que se recuperaram do alcoolismo\u201d, en Alberto Antoniazzi (coord.), <em>Nem Anjos nem Dem\u00f4nios<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Oro, Ari y P. Sem\u00e1n (1997). \u201cOs pentecostalismos no Cone-Sul: Panorama e Estudos\u201d, en <em>Religi\u00e3o e Sociedade<\/em>, vol.18, n\u00fam. 2, pp. 127-155.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Oro, Ari y P. Sem\u00e1n (1999). Neo-Pentecostalismo e conflitos \u00e9ticos. <em>Religi\u00e3o e Sociedade<\/em>, R\u00edo de Janeiro, vol. 20, n\u00fam.1, pp.39-54,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">P\u00e9rez Guadalupe, Jos\u00e9 Luis y S. Grundberger (ed.) (2018). <em>Evang\u00e9licos y poder en Am\u00e9rica Latina<\/em>. Lima: Instituto de Estudios Social Cristianos\/Konrad Adenauer Stiftung.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Pew Research Center (2014, 13 de noviembre). \u201cReligion in Latin America: Widespread Change in a Historically Catholic Region\u201d. Recuperado de: https:\/\/www.pewforum.org\/2014\/11\/13\/religion-in-latin-america\/, consultado el 09 de julio de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Sanchis, Pierre (1994). \u201cO Repto Pentecostal da Cultura Cat\u00f3lica Brasileira\u201d, en Alberto Antoniazzi (coord.), <em>Nem Anjos nem Dem\u00f4nios<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Sem\u00e1n, Pablo (2000). \u201cEl pentecostalismo y la religiosidad de los sectores populares\u201d, en M. Svampa (comp.), <em>Desde abajo: la transformaci\u00f3n de las identidades sociales<\/em>. Buenos Aires: Biblos.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O autor desenvolve tr\u00eas observa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas sobre as pr\u00e1ticas religiosas introduzidas pelo pentecostalismo no balan\u00e7o geral das desigualdades na Am\u00e9rica Latina, na tentativa de apontar a complexidade e a ambiguidade de sua atua\u00e7\u00e3o social de acordo com as dimens\u00f5es e os contextos de an\u00e1lise. S\u00e3o elas: as vicissitudes do catolicismo na regi\u00e3o; o crescimento do pentecostalismo na Am\u00e9rica Latina; e as caracter\u00edsticas da implanta\u00e7\u00e3o do pentecostalismo nos setores populares e a discuss\u00e3o de seu valor em termos da reprodu\u00e7\u00e3o de todos os tipos de desigualdades nas sociedades latino-americanas contempor\u00e2neas. <\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[361,523,476,264,524],"coauthors":[551],"class_list":["post-31277","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-34","tag-america-latina","tag-desigualdades","tag-pentecostalismo","tag-religion","tag-sectores-populares","personas-seman-pablo-federico","numeros-439"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Pentecostalismo y desigualdades sociales en Am\u00e9rica Latina &#8211; 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