{"id":31273,"date":"2019-09-23T13:55:29","date_gmt":"2019-09-23T13:55:29","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=31273"},"modified":"2023-11-17T18:50:14","modified_gmt":"2023-11-18T00:50:14","slug":"desigualdad-social-experiencias-cotidianas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/desigualdad-social-experiencias-cotidianas\/","title":{"rendered":"Desigualdade social na Am\u00e9rica Latina. Explica\u00e7\u00f5es estruturais e experi\u00eancias cotidianas"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Como parte do col\u00f3quio interdisciplinar proposto pela revista Encartes, e com base no texto de Juan Pablo P\u00e9rez S\u00e1inz, este texto busca complementar e ampliar o debate sobre a desigualdade social na Am\u00e9rica Latina. Com o objetivo de ir al\u00e9m de uma vis\u00e3o estritamente econ\u00f4mica do tema, o autor prop\u00f5e, por um lado, incorporar dimens\u00f5es sociais e culturais \u00e0 an\u00e1lise e, por outro, assumir a desigualdade como uma experi\u00eancia de classe. Essa \u00e9 a origem de seu conceito de fragmenta\u00e7\u00e3o social. Inicialmente, o artigo analisa os dados mais recentes sobre a distribui\u00e7\u00e3o de renda prim\u00e1ria e secund\u00e1ria na Am\u00e9rica Latina nos \u00faltimos 15 anos. Fica claro que esses indicadores n\u00e3o correspondem necessariamente \u00e0 experi\u00eancia das diferentes classes sociais, que est\u00e3o vivenciando uma crescente fragmenta\u00e7\u00e3o e distanciamento de suas experi\u00eancias de vida, o que imp\u00f5e a necessidade de uma abordagem etnogr\u00e1fica da desigualdade. Essa fragmenta\u00e7\u00e3o dificilmente pode ser compreendida sem uma an\u00e1lise dos mecanismos e processos sociais de classifica\u00e7\u00e3o social, que legitimam as hierarquias e as lacunas entre as classes sociais. Para o autor, a disparidade na distribui\u00e7\u00e3o de renda e riqueza \u00e9 fundamental para a g\u00eanese da fragmenta\u00e7\u00e3o social, da\u00ed a centralidade que ele atribui ao papel que o Estado pode desempenhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/america-latina\/\" rel=\"tag\">Am\u00e9rica Latina<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/clase-social\/\" rel=\"tag\">classe social<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/desigualdad\/\" rel=\"tag\">desigualdade<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/experencia-de-la-desigualdad\/\" rel=\"tag\">experi\u00eancia de desigualdade<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/fragmentacion-social\/\" rel=\"tag\">fragmenta\u00e7\u00e3o social<\/a><\/p>\n\n\n<p class=\"en-title\">Desigualdade social na Am\u00e9rica Latina: explica\u00e7\u00f5es estruturais e experi\u00eancias cotidianas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Resumo: <a id=\"post-31273-__DdeLink__5583_2442626947\"><\/a>Como parte do col\u00f3quio interdisciplinar <em>Encartes <\/em>Com base em um texto seminal de Juan Pablo P\u00e9rez S\u00e1inz, o presente estudo busca complementar e ampliar o debate sobre a desigualdade social na Am\u00e9rica Latina. Buscando ir al\u00e9m de uma perspectiva estritamente econ\u00f4mica, o autor prop\u00f5e, ao mesmo tempo, a incorpora\u00e7\u00e3o de dimens\u00f5es sociais e culturais nas an\u00e1lises, bem como a abordagem da desigualdade como uma experi\u00eancia baseada em classes que leva \u00e0 sua no\u00e7\u00e3o de fragmenta\u00e7\u00e3o social. O artigo come\u00e7a com uma an\u00e1lise dos dados mais recentes sobre a distribui\u00e7\u00e3o de renda prim\u00e1ria e secund\u00e1ria na Am\u00e9rica Latina nos \u00faltimos quinze anos. Fica claro que esses indicadores n\u00e3o correspondem necessariamente \u00e0s experi\u00eancias de diferentes classes sociais, agora sujeitas a n\u00edveis crescentes de fragmenta\u00e7\u00e3o e distanciamento em suas experi\u00eancias de vida, o que implica a necessidade de uma abordagem etnogr\u00e1fica da desigualdade. Al\u00e9m disso, ser\u00e1 dif\u00edcil entender essa fragmenta\u00e7\u00e3o sem uma an\u00e1lise dos mecanismos e processos de classifica\u00e7\u00e3o social que legitimam a hierarquia e as lacunas entre as classes. As disparidades na distribui\u00e7\u00e3o de renda e riqueza, escreve o autor, s\u00e3o fundamentais para as origens da fragmenta\u00e7\u00e3o social, o que leva \u00e0 centralidade que ele confere ao papel que o Estado pode desempenhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: Desigualdade, Am\u00e9rica Latina, fragmenta\u00e7\u00e3o social, classe social, a experi\u00eancia da desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">Nos \u00faltimos quinze anos, a quest\u00e3o da desigualdade tornou-se altamente vis\u00edvel na opini\u00e3o p\u00fablica, bem como na agenda de organiza\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais. Maior ainda tem sido a centralidade e a relev\u00e2ncia atribu\u00eddas a ela na esfera acad\u00eamica, especialmente em estudos sobre quest\u00f5es sociais contempor\u00e2neas. A pobreza e a exclus\u00e3o social, dois temas e conceitos que sucessivamente dominaram essa discuss\u00e3o em momentos anteriores, s\u00e3o hoje ressignificados e reproblematizados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desigualdade. A desigualdade se acentua e permeia m\u00faltiplas e diferentes esferas da vida social e subjetiva, reconfigurando os fundamentos da ordem social e as experi\u00eancias cotidianas dos indiv\u00edduos, raz\u00e3o pela qual sua problematiza\u00e7\u00e3o \u00e9 de particular interesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo n\u00e3o foi espont\u00e2neo ou aleat\u00f3rio. Est\u00e1 claro que esse n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno novo. Tamb\u00e9m \u00e9 \u00f3bvio que houve in\u00fameros estudos sobre desigualdade no passado, principalmente associados \u00e0 estratifica\u00e7\u00e3o social. Mas a centralidade contempor\u00e2nea da desigualdade social se deve fundamentalmente \u00e0 sua estreita associa\u00e7\u00e3o com a globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal. Sem entrar em detalhes sobre um t\u00f3pico amplamente discutido, o que \u00e9 certo \u00e9 que um conjunto de transforma\u00e7\u00f5es estruturais (da economia e dos regimes de bem-estar), tecnol\u00f3gicas e culturais que coincidiram a partir do \u00faltimo quarto do s\u00e9culo passado levou gradualmente a um aprofundamento das lacunas sociais e econ\u00f4micas entre os diferentes setores sociais e, especialmente, a uma irritante concentra\u00e7\u00e3o (e ostenta\u00e7\u00e3o) de riqueza em uma elite global. Assim, a desigualdade tornou-se uma caracter\u00edstica essencial da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que surge um amplo interesse no assunto: suas ra\u00edzes hist\u00f3ricas, suas causas e efeitos, sua medi\u00e7\u00e3o e, n\u00e3o menos importante, sua conceitua\u00e7\u00e3o. As publica\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos anos t\u00eam sido numerosas e diversificadas. No caso de nossa regi\u00e3o, a literatura tamb\u00e9m \u00e9 extremamente rica; destacam-se dois trabalhos que compartilham a mesma perspectiva hist\u00f3rica e tentam fornecer uma interpreta\u00e7\u00e3o hol\u00edstica da desigualdade na Am\u00e9rica Latina. Refiro-me ao estudo de Luis Reygadas (2008). <em>Apropria\u00e7\u00e3o<\/em>e para <em>Una historia de la desigualdad en Am\u00e9rica Latina<\/em> por Juan Pablo P\u00e9rez S\u00e1inz (2016), ambos, al\u00e9m disso, fortemente influenciados pelo trabalho pioneiro de Charles Tilly (2000).<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo de P\u00e9rez S\u00e1inz, em torno do qual este f\u00f3rum de discuss\u00e3o est\u00e1 organizado, \u00e9 precisamente uma deriva\u00e7\u00e3o da abordagem que pode ser encontrada, desenvolvida com muito mais detalhes, no trabalho mencionado acima. Mais especificamente, esse texto nos oferece uma s\u00edntese do que o autor chama de abordagem \"cr\u00edtico-radical\" da desigualdade e uma reflex\u00e3o sobre os fatores de desempoderamento das classes subalternas e suas respostas em um per\u00edodo espec\u00edfico: o da \"moderniza\u00e7\u00e3o globalizada\", que coincide com o in\u00edcio da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal e at\u00e9 os dias atuais. Tomando o artigo de P\u00e9rez S\u00e1inz como refer\u00eancia e ponto de partida, proponho-me a refletir aqui sobre um conjunto de elementos ou \u00e1reas cinzentas que, embora resultem de uma sele\u00e7\u00e3o relativamente arbitr\u00e1ria, permitem-me mostrar a multidimensionalidade da desigualdade social e, especialmente, a complexidade de sua express\u00e3o nas sociedades latino-americanas contempor\u00e2neas. Estou interessado em enfatizar n\u00e3o tanto um discurso prescritivo (pol\u00edtico e\/ou econ\u00f4mico), mas sim as poss\u00edveis contribui\u00e7\u00f5es da sociologia e da antropologia para a an\u00e1lise das consequ\u00eancias da desigualdade social na experi\u00eancia cotidiana e, portanto, para a compreens\u00e3o da sociedade em que vivemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, vou me referir \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e secund\u00e1ria ou, mais especificamente, \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o funcional e \u00e0 redistribui\u00e7\u00e3o de renda, uma distin\u00e7\u00e3o fundamental para a abordagem cr\u00edtica radical. Considero importante come\u00e7ar com um problema de medi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de reflex\u00e3o sobre suas implica\u00e7\u00f5es em termos do meu interesse na experi\u00eancia cotidiana e na sociedade. Em seguida, argumentarei sobre a relev\u00e2ncia de se pensar na desigualdade econ\u00f4mica como uma manifesta\u00e7\u00e3o, determinante, mas uma, da desigualdade social e, a partir da\u00ed, sugerirei a hip\u00f3tese de uma fragmenta\u00e7\u00e3o social emergente. Em uma terceira se\u00e7\u00e3o, estou interessado em introduzir dimens\u00f5es que foram subestimadas na an\u00e1lise, mas que s\u00e3o de interesse crescente, e que se referem ao cultural, ao social e ao subjetivo, e que, em minha opini\u00e3o, s\u00e3o fundamentais para a compreens\u00e3o da desigualdade social. Finalmente, o lugar das conclus\u00f5es \u00e9 ocupado por uma breve reflex\u00e3o final sobre os paradoxos da desigualdade atual e suas implica\u00e7\u00f5es anal\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ricos e pobres ou capital e trabalho<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O artigo de P\u00e9rez S\u00e1inz come\u00e7a com um questionamento direto e contundente da vis\u00e3o atual predominante da desigualdade, que privilegia a distribui\u00e7\u00e3o de renda entre fam\u00edlias e\/ou indiv\u00edduos como uma dimens\u00e3o de an\u00e1lise e medi\u00e7\u00e3o. De fato, a maioria dos estudos contempor\u00e2neos, bem como os \u00edndices usados para medi-los, baseia-se na desigualdade de renda entre fam\u00edlias ou indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesses crit\u00e9rios, a Am\u00e9rica Latina, embora ainda seja uma regi\u00e3o profundamente desigual, experimentou uma diminui\u00e7\u00e3o mais ou menos significativa da desigualdade entre o in\u00edcio do novo s\u00e9culo e 2015. Com exce\u00e7\u00e3o da Costa Rica e de Honduras, os dados da <span class=\"small-caps\">cepal<\/span> mostram que, entre 2002 e 2013, o \u00cdndice de Gini diminuiu em todos os outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina (<span class=\"small-caps\">cepal<\/span>, 2014). C\u00e1lculos posteriores mostram que, entre 2012 e 2015, esse indicador estagnou um pouco (com redu\u00e7\u00f5es m\u00ednimas em alguns pa\u00edses e aumentos em outros), o que significa que, em termos gerais, o decl\u00ednio na desigualdade de renda que come\u00e7ou no novo s\u00e9culo foi mantido.<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essa tend\u00eancia coincide temporariamente com o ressurgimento de partidos progressistas (tamb\u00e9m chamados de partidos populistas na regi\u00e3o) com capacidade eleitoral e que obtiveram acesso ao governo em v\u00e1rios casos. Entretanto, a queda na desigualdade n\u00e3o ocorreu somente nesses pa\u00edses, mas tamb\u00e9m em outros que mantiveram governos explicitamente neoliberais, como a Col\u00f4mbia ou o M\u00e9xico. N\u00e3o \u00e9 de surpreender que isso tenha levantado muitas quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma primeira resposta \u00e9 questionar as fontes de informa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tanto o indicador ou a conceitua\u00e7\u00e3o em si. A quest\u00e3o \u00e9 que as pesquisas domiciliares geralmente subnotificam ou subdeclaram as rendas dos setores privilegiados, ou at\u00e9 mesmo n\u00e3o conseguem captar as elites nas quais a renda est\u00e1 concentrada. A alternativa tem sido usar dados fiscais para compensar essas defici\u00eancias na capta\u00e7\u00e3o dos setores mais ricos ou de suas rendas nas pesquisas. N\u00e3o h\u00e1 muitos exerc\u00edcios desse tipo em nossa regi\u00e3o, mas, entre os poucos pa\u00edses em que foram realizados, encontramos estudos no M\u00e9xico e no Brasil que representam, para o per\u00edodo de an\u00e1lise, modelos de desenvolvimento precisamente contrastantes: em ambos os casos, verifica-se que a desigualdade \u00e9 muito mais profunda do que sugerem os dados baseados em pesquisas domiciliares, e at\u00e9 mesmo se questiona se realmente ocorreu alguma diminui\u00e7\u00e3o (Esquivel, 2015; Salama, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Outras interpreta\u00e7\u00f5es sugerem que o decl\u00ednio da desigualdade tem a ver com a redu\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a salarial e, mais especificamente, entre m\u00e3o de obra qualificada e n\u00e3o qualificada (Lustig, 2003). <em>et al<\/em>., 2013). Pierre Salama (2015) refere-se a uma esp\u00e9cie de efeito tesoura no mercado de trabalho entre a demanda por trabalhadores mais qualificados e a oferta de empregos menos qualificados. A quest\u00e3o aqui \u00e9, como diz o pr\u00f3prio P\u00e9rez S\u00e1inz (2013), se a redu\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a \u00e9 \"ao estilo brasileiro\" (os menos qualificados alcan\u00e7am os mais qualificados) ou \"ao estilo mexicano\" (uma precariza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores qualificados); obviamente, no \u00faltimo caso, o indicador de desigualdade pode diminuir, mas, ao mesmo tempo, o mundo do trabalho pode sofrer uma piora em suas condi\u00e7\u00f5es. Em outras palavras, o mesmo indicador pode ter significados diferentes em contextos diferentes.<\/p>\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol2num4\/tab_4_gonzalo_saravi_la_desigualdad_social_en_al_1.png\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1022x804\" data-index=\"0\" data-caption=\"Tabla 1. Indicadores de distribuci\u00f3n del ingreso y distribuci\u00f3n funcional en Am\u00e9rica Latina. Fuente: Elaboraci\u00f3n propia con base en los datos de CEPAL (2018), cuadros ia.1.1 y ia.1.2.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol2num4\/tab_4_gonzalo_saravi_la_desigualdad_social_en_al_1.png\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Tabela 1. Indicadores de distribui\u00e7\u00e3o de renda e distribui\u00e7\u00e3o funcional na Am\u00e9rica Latina. Fonte: Elaborado pelos autores com base em dados da CEPAL (2018), tabelas ia.1.1 e ia.1.2.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Uma quest\u00e3o mais fundamental \u00e9 que essa (re)distribui\u00e7\u00e3o de renda \u00e9 o resultado de uma distribui\u00e7\u00e3o anterior da renda nacional entre os fatores de produ\u00e7\u00e3o, basicamente entre trabalho e capital (e renda), ou, em outras palavras, entre sal\u00e1rios e lucros (Lindenboim, 2008). Em outras palavras, entre sal\u00e1rios e lucros (Lindenboim, 2008). Para simplificar: muito do que \u00e9 distribu\u00eddo posteriormente depende dessa primeira distribui\u00e7\u00e3o e, enquanto ela n\u00e3o mudar, tudo permanecer\u00e1 mais ou menos igual. A proposta de P\u00e9rez S\u00e1inz, alinhada com an\u00e1lises mais estruturais, \u00e9 concentrar-se nessa esfera. De fato, como destaca Atkinson (2009), ap\u00f3s uma longa aus\u00eancia na ci\u00eancia econ\u00f4mica dominada pela perspectiva neocl\u00e1ssica, na \u00faltima d\u00e9cada houve um interesse renovado na an\u00e1lise estrutural da distribui\u00e7\u00e3o do produto nacional entre capital e trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conson\u00e2ncia com esse ressurgimento da abordagem estrutural, os relat\u00f3rios mais recentes do <span class=\"small-caps\">cepal<\/span> (2016 e 2018) incluem uma se\u00e7\u00e3o sobre a chamada distribui\u00e7\u00e3o funcional de renda. A primeira observa\u00e7\u00e3o importante que emerge desses dados \u00e9 que, assim como a redistribui\u00e7\u00e3o de renda, a distribui\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho tamb\u00e9m faz da Am\u00e9rica Latina uma regi\u00e3o altamente desigual. O indicador usado nesse caso \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no Produto Interno Bruto (<span class=\"small-caps\">PIB<\/span>); de um total de onze pa\u00edses latino-americanos inclu\u00eddos em uma an\u00e1lise da ONU, sete est\u00e3o no ter\u00e7o inferior dos pa\u00edses com a menor massa salarial (com menos de 40% do PIB) e um no ter\u00e7o inferior dos pa\u00edses com a menor massa salarial (com menos de 40% do PIB). <span class=\"small-caps\">PIB<\/span> capturados pelos sal\u00e1rios); outros tr\u00eas em uma situa\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria (entre 40% e 45% do <span class=\"small-caps\">PIB<\/span>) e apenas a Costa Rica no ter\u00e7o superior (um pouco acima de 50%). Vale a pena observar, como ponto de refer\u00eancia, que a Su\u00ed\u00e7a est\u00e1 no topo da lista nessa s\u00e9rie, com uma participa\u00e7\u00e3o salarial de 59% de <span class=\"small-caps\">PIB<\/span>seguido pelos Estados Unidos, com um valor de cerca de 55% (dados extra\u00eddos de <span class=\"small-caps\">cepal<\/span>, 2016). \u00c9 interessante observar que os pa\u00edses com alta desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria de renda, como os Estados Unidos ou o Reino Unido, ao mesmo tempo t\u00eam uma alta participa\u00e7\u00e3o da parcela salarial na massa salarial total. <span class=\"small-caps\">PIB<\/span> muito alto no primeiro caso e relativamente alto no segundo (um paradoxo a ser lembrado).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma s\u00e9rie de dados produzida por <span class=\"small-caps\">cepal<\/span> exclusivamente para a Am\u00e9rica Latina nos permite observar o que aconteceu com a evolu\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o funcional no mesmo per\u00edodo que estamos considerando, ou seja, desde 2002. Se considerarmos todo o per\u00edodo (2002-2016), o comportamento da participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios na renda m\u00e9dia dos trabalhadores na Am\u00e9rica Latina \u00e9 muito diferente. <span class=\"small-caps\">PIB<\/span> n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea: em oito dos quinze pa\u00edses considerados, ela aumenta (especialmente no Cone Sul); ou seja, em metade deles, a desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o funcional diminui e, na outra metade, aumenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as tend\u00eancias em n\u00edvel geral mostram uma infinidade de nuances que dificultam tirar conclus\u00f5es apenas com base nesses indicadores. Especialmente se considerarmos diferentes intervalos de tempo ou se pararmos para analisar o que aconteceu em cada pa\u00eds. No \u00faltimo caso, por exemplo, poder\u00edamos encontrar pelo menos um pa\u00eds que representa cada uma das quatro combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis nas tend\u00eancias dessas duas medidas, o que torna imposs\u00edvel fazer afirma\u00e7\u00f5es conclusivas. Mas, al\u00e9m disso, os mesmos indicadores de <span class=\"small-caps\">cepal<\/span> em seus relat\u00f3rios de 2016 e 2018 apresentam varia\u00e7\u00f5es significativas para o mesmo pa\u00eds e ano. Com todas essas ressalvas, embora a distribui\u00e7\u00e3o funcional seja fundamental e prim\u00e1ria, ela n\u00e3o parece determinar totalmente o comportamento da distribui\u00e7\u00e3o de renda entre as fam\u00edlias e\/ou indiv\u00edduos, embora tamb\u00e9m valha a pena observar que, em alguns pa\u00edses do Cone Sul que implementaram pol\u00edticas ativas do mercado de trabalho (especialmente aumentando o sal\u00e1rio m\u00ednimo e intensificando a formaliza\u00e7\u00e3o do emprego), houve uma diminui\u00e7\u00e3o tanto da desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o funcional quanto da redistribui\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De medi\u00e7\u00f5es a experi\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que precisamos considerar ambas as estimativas e que \u00e9 importante vincular a distribui\u00e7\u00e3o de renda no n\u00edvel macroecon\u00f4mico e no n\u00edvel familiar (Atkinson, 2009). Mas, mesmo assim, uma ou outra ou ambas as medidas est\u00e3o longe de ser um reflexo autom\u00e1tico da experi\u00eancia da desigualdade. Em um artigo recente, Gabriel Kessler argumentou que \"a conjun\u00e7\u00e3o e a tradu\u00e7\u00e3o de indicadores e tend\u00eancias divergentes em experi\u00eancias qualitativas \u00e9 uma tarefa pendente quando se trata de avaliar em nossas disciplinas o que aconteceu com a desigualdade na regi\u00e3o\" (2019: 89). Sem d\u00favida, esse \u00e9 um grande desafio do qual compartilho plenamente. Em minha opini\u00e3o, isso n\u00e3o significa que uma experi\u00eancia possa ter um equivalente num\u00e9rico, mas, acima de tudo, a disposi\u00e7\u00e3o de ressignificar a desigualdade como uma experi\u00eancia (coletiva e subjetiva).<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que as medi\u00e7\u00f5es da desigualdade e as conceitualiza\u00e7\u00f5es que as sustentam nem sempre coincidem com a forma como as pessoas a vivenciam no dia a dia ou com os processos sociais que se desenrolam no local, em termos etnogr\u00e1ficos. Ao pedir uma an\u00e1lise figurativa nas ci\u00eancias sociais, Elias e Scotson (2016) apontaram que a signific\u00e2ncia estat\u00edstica n\u00e3o coincide necessariamente com a signific\u00e2ncia sociol\u00f3gica, o que, segundo os pr\u00f3prios autores, \u00e9 atribu\u00edvel \u00e0 diferen\u00e7a entre uma an\u00e1lise de dados isolada e uma que privilegia sua inser\u00e7\u00e3o em uma configura\u00e7\u00e3o social mais ampla.<\/p>\n\n\n\n<p>A medi\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o funcional entre os fatores de produ\u00e7\u00e3o tem seus pr\u00f3prios problemas. O primeiro deles, e talvez o mais \u00f3bvio no caso da Am\u00e9rica Latina, \u00e9 que a massa salarial n\u00e3o representa o total do mundo do trabalho; de fato, em nossa regi\u00e3o, a porcentagem de atividades informais ou n\u00e3o salariais \u00e9 muito alta, de modo que a parcela salarial subestima a parcela do trabalho. Mas h\u00e1 ainda duas outras quest\u00f5es mais significativas em termos de nosso interesse na experi\u00eancia da desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma delas \u00e9 que a distribui\u00e7\u00e3o entre os fatores n\u00e3o coincide necessariamente com a distribui\u00e7\u00e3o entre as pessoas: a mesma pessoa pode receber renda por meio de um sal\u00e1rio, de um neg\u00f3cio do qual \u00e9 s\u00f3cia ou do aluguel de propriedades nas quais investiu. A outra \u00e9 que a distribui\u00e7\u00e3o funcional n\u00e3o nos permite capturar as desigualdades dentro de cada categoria; por exemplo, as desigualdades salariais, que em nossa regi\u00e3o, vale lembrar, costumam ser muito altas e, em alguns casos, extremas; por exemplo, entre um funcion\u00e1rio de uma empresa de limpeza subcontratada por uma transnacional ou um escrit\u00f3rio do governo e os gerentes ou altos funcion\u00e1rios que trabalham neles.<\/p>\n\n\n\n<p>Se estivermos interessados em examinar a desigualdade entre as elites mais ricas, digamos, o 1% mais rico e o restante da popula\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o essas sutilezas podem n\u00e3o ser relevantes. Certamente, nesse 1% (que concentra cerca de metade da riqueza total nacional e globalmente) encontraremos a melhor personifica\u00e7\u00e3o do capital. Mas, na Am\u00e9rica Latina, a desigualdade cotidiana n\u00e3o \u00e9 exclusivamente em rela\u00e7\u00e3o a esse 1% (essa elite est\u00e1 extremamente distante do resto). Ela tamb\u00e9m ocorre entre os 15% ou 20% que se seguem e os 80% restantes, com alguns saltos mais e outros menos profundos nas lacunas.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> Na pesquisa sobre o M\u00e9xico, na qual, entre outras coisas, examinamos as vis\u00f5es rec\u00edprocas de pobreza e riqueza, os setores populares, quando perguntados sobre as classes privilegiadas, deram a entender que n\u00e3o estavam pensando em Slim ao dar suas opini\u00f5es, mas nas condi\u00e7\u00f5es de vida de profissionais bem-sucedidos, executivos de empresas e bancos, pol\u00edticos ou at\u00e9 mesmo acad\u00eamicos bem posicionados (Sarav\u00ed, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade social na Am\u00e9rica Latina tem uma dimens\u00e3o econ\u00f4mica determinante. O principal aspecto dessa dimens\u00e3o, al\u00e9m dos altos e baixos e das combina\u00e7\u00f5es conjunturais de uma ou ambas as medidas, \u00e9 sua persist\u00eancia e profundidade. Mas, al\u00e9m das brechas econ\u00f4micas, de renda e de riqueza, elas tamb\u00e9m se traduzem e se reproduzem em muitas outras \u00e1reas da vida social mais mundana, por assim dizer, pela qual passa 99% da popula\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, se h\u00e1 uma caracter\u00edstica que define ou marca a experi\u00eancia cotidiana da desigualdade social, acredito que seja uma fragmenta\u00e7\u00e3o social crescente e, em alguns casos, consolidada. Essa intui\u00e7\u00e3o ou hip\u00f3tese n\u00e3o \u00e9 um fato isolado. Pouco antes de concluir este texto, o prestigioso jornal brit\u00e2nico <em>The Guardian <\/em>publicou uma nota intitulada \"Tackling Inequality means addressing divisions that go way beyond income\" (Combater a desigualdade significa abordar divis\u00f5es que v\u00e3o muito al\u00e9m da renda), que come\u00e7ou perguntando por que as pessoas est\u00e3o convencidas de que a desigualdade est\u00e1 aumentando, enquanto as estat\u00edsticas parecem sugerir o contr\u00e1rio.<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> \u00c9 nesse campo que n\u00f3s, das ci\u00eancias sociais, temos um grande potencial de contribui\u00e7\u00f5es a fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>No n\u00edvel da experi\u00eancia, a desigualdade social tornou-se cada vez mais multidimensional e coletiva. N\u00e3o estou me referindo apenas ao fato de que h\u00e1 mais de uma vari\u00e1vel ou eixo de desigualdade, mas, mais importante, ao fato de que na experi\u00eancia da desigualdade essas diferentes dimens\u00f5es tendem a convergir e se sobrepor (nas mesmas classes e espa\u00e7os). Estamos diante de profundas desigualdades nas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de vida dos diferentes setores sociais, mas tamb\u00e9m e ao mesmo tempo de processos marcantes de segrega\u00e7\u00e3o residencial e espacial nas cidades, da segmenta\u00e7\u00e3o do sistema educacional em circuitos escolares desiguais, da universaliza\u00e7\u00e3o estratificada dos sistemas de sa\u00fade com benef\u00edcios e n\u00edveis amplamente diferenciados, de m\u00faltiplas fraturas nos estilos e espa\u00e7os de consumo e entretenimento e at\u00e9 mesmo de padr\u00f5es sociodemogr\u00e1ficos, doen\u00e7as evit\u00e1veis e expectativas de vida que diferem substancialmente entre os setores. As classes se tornam mais heterog\u00eaneas em sua composi\u00e7\u00e3o, mas mais homog\u00eaneas e distantes em suas experi\u00eancias cotidianas. Esses s\u00e3o precisamente os espa\u00e7os que nos permitem compreender a classe como experi\u00eancia, uma conceitua\u00e7\u00e3o de classe como experi\u00eancia. <em>ex post<\/em> A classe que pode ser mais rica em termos anal\u00edticos e mais pr\u00f3xima da realidade do capitalismo atual.<\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade de renda n\u00e3o implica necessariamente fragmenta\u00e7\u00e3o; ela ocorre quando diferentes espa\u00e7os de desigualdade na cidade (escola, sa\u00fade, consumo, expectativa de vida, para dar apenas alguns exemplos) coincidem e se sobrep\u00f5em. A fragmenta\u00e7\u00e3o social se expressa na coexist\u00eancia de espa\u00e7os de inclus\u00e3o desigual que se excluem mutuamente (Sarav\u00ed, 2015). Cada um desses espa\u00e7os representa microcosmos social, cultural e economicamente homog\u00eaneos, nos quais os indiv\u00edduos s\u00e3o socializados e suas subjetividades s\u00e3o constru\u00eddas desde a primeira inf\u00e2ncia. As experi\u00eancias sociais compartilhadas e entre classes s\u00e3o reduzidas ao m\u00ednimo e os respectivos repert\u00f3rios socioculturais s\u00e3o distanciados a ponto de se tornarem incomensur\u00e1veis em alguns casos. Esse \u00e9 um processo que, al\u00e9m das flutua\u00e7\u00f5es na medi\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o funcional ou da redistribui\u00e7\u00e3o de renda, estamos observando nas sociedades latino-americanas desde o in\u00edcio da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal, sem mudan\u00e7as substanciais e, sim, com uma clara acentua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa express\u00e3o experimental da desigualdade, mas que representa um salto qualitativo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua conceitua\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica (raz\u00e3o pela qual prefiro cham\u00e1-la de fragmenta\u00e7\u00e3o), exige, por um lado, um repensar das dimens\u00f5es anal\u00edticas e, por outro, uma reavalia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas que permitiriam revert\u00ea-la. A diminui\u00e7\u00e3o do \u00edndice de Gini ou o aumento da participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios na renda familiar \u00e9 um fen\u00f4meno que pode ser visto como um fen\u00f4meno de longo prazo. <span class=\"small-caps\">pbi<\/span> Isso resultou em uma redu\u00e7\u00e3o da segmenta\u00e7\u00e3o educacional, da segrega\u00e7\u00e3o residencial, da desigualdade experiencial nos termos de Therborn (2015), da fragmenta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os ou da seguran\u00e7a do cidad\u00e3o? Para responder a essa pergunta, talvez seja necess\u00e1rio analisar cada caso e, em particular, prestar aten\u00e7\u00e3o ao papel desempenhado pelo Estado. Alguns autores consideram que a pol\u00edtica fiscal pode representar um fator fundamental (Barry, 2002), outros s\u00e3o c\u00e9ticos quanto ao seu alcance (Lindenboim, 2008), mas, al\u00e9m da disputa, vale a pena observar que, se h\u00e1 um elemento comum na Am\u00e9rica Latina, mesmo nesses anos de prosperidade, \u00e9 que em nenhum pa\u00eds da regi\u00e3o foi realizada uma reforma tribut\u00e1ria substancial e verdadeiramente progressiva.<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> Em poucas palavras, isso tem um efeito duplo em termos de equidade, pois reduz a capacidade de mercado das elites (um aspecto que geralmente \u00e9 subestimado) e fornece recursos para uma cidadania social mais universal. Talvez a raiz dessa resist\u00eancia exija, como eu disse anteriormente, que observemos outras dimens\u00f5es anal\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dimens\u00f5es sociais e culturais da desigualdade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Ao repensar as dimens\u00f5es anal\u00edticas, quero dizer complementar ou confrontar a perspectiva econ\u00f4mica, prestando aten\u00e7\u00e3o \u00e0s dimens\u00f5es socioculturais presentes na constru\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da desigualdade. O trabalho de Charles Tilly (2000) foi particularmente influente na identifica\u00e7\u00e3o de dois mecanismos fundamentais da desigualdade categ\u00f3rica: explora\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o de oportunidades. De fato, h\u00e1 um amplo consenso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 centralidade desses dois mecanismos, cuja sistematiza\u00e7\u00e3o \u00e9 retomada em muitos outros estudos posteriores, inclusive o do pr\u00f3prio P\u00e9rez S\u00e1inz.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora essa seja uma contribui\u00e7\u00e3o fundamental que merece aten\u00e7\u00e3o, a desigualdade categ\u00f3rica \u00e9 sustentada por dois processos que precedem esses mecanismos: a aloca\u00e7\u00e3o de pessoas em diferentes categorias sociais e a institucionaliza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas que alocam recursos de forma desigual para essas categorias. Como Douglas Massey (2007) aponta, ao longo do tempo, esses dois processos t\u00eam sido o substrato que sustenta o acesso diferenciado das pessoas a recursos materiais, simb\u00f3licos e emocionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa reorienta\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es de Tilly nos permite pensar em um conjunto de dimens\u00f5es anal\u00edticas socioculturais que foram pouco exploradas, mas que s\u00e3o importantes para entender a experi\u00eancia cotidiana da desigualdade al\u00e9m de sua dimens\u00e3o econ\u00f4mica: a constru\u00e7\u00e3o e a intera\u00e7\u00e3o de categorias. Em termos mais simples: como as categorias de desigualdade s\u00e3o constru\u00eddas, como atribu\u00edmos diferentes pessoas e grupos uns aos outros, que atributos e avalia\u00e7\u00f5es atribu\u00edmos a eles, como s\u00e3o expressos em hierarquias sociais e rela\u00e7\u00f5es de poder? Os processos de classifica\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de fronteiras simb\u00f3licas, de hierarquias e avalia\u00e7\u00f5es sociais, intera\u00e7\u00f5es diferenciadas ou a hegemonia de um discurso neoliberal que se traduz em pr\u00e1ticas e padr\u00f5es de pensamento s\u00e3o algumas das muitas outras dimens\u00f5es que nos permitem uma abordagem mais direta da experi\u00eancia vivida da desigualdade. Muitas dessas dimens\u00f5es operam de forma rotineira e despercebida na produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de desigualdades categ\u00f3ricas, tornando-as pr\u00f3prias mesmo naqueles mais afetados pelas disparidades estruturais (Lamont <em>et al<\/em>., 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas recentes exploram as ra\u00edzes cognitivas e os usos das categorias; isso n\u00e3o significa que elas sejam esquemas neutros de representa\u00e7\u00e3o. A constru\u00e7\u00e3o (social) dessas categorias est\u00e1 imbu\u00edda de cargas emocionais e avalia\u00e7\u00f5es que formam a base de preconceitos e hierarquias sociais. Os diferentes espa\u00e7os em que as sociedades latino-americanas est\u00e3o fragmentadas seriam insustent\u00e1veis sem limites simb\u00f3licos que estabelecem fronteiras entre grupos de pessoas, coisas e lugares, e que constituem a base para a estigmatiza\u00e7\u00e3o e a desqualifica\u00e7\u00e3o de alguns e a valoriza\u00e7\u00e3o e o prest\u00edgio de outros (Bay\u00f3n, 2016). A base da desigualdade n\u00e3o s\u00e3o os capitais em si, mas sua valoriza\u00e7\u00e3o (Jodhka <em>et al<\/em>., 2018). No sistema educacional, nos espa\u00e7os p\u00fablicos, nas \u00e1reas residenciais ou nos centros de consumo, a desigualdade na aloca\u00e7\u00e3o de recursos materiais e simb\u00f3licos se baseia nesse poder de classifica\u00e7\u00e3o social que estabelece hierarquias e dist\u00e2ncias sociais que transcendem e coincidem com a renda (Camus, 2019; Bay\u00f3n e Sarav\u00ed, 2019b; M\u00e1rquez, 2003, Carman, 2001). <em>et al<\/em>., 2013).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas categorias, socialmente constru\u00eddas e depois constitu\u00eddas como instrumentos cognitivos dos indiv\u00edduos, se traduzem em julgamentos e emo\u00e7\u00f5es como medo e desconfian\u00e7a, desprezo, reconhecimento, supervaloriza\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo a estetiza\u00e7\u00e3o de um ou de outro. Mas tamb\u00e9m, e em parte como consequ\u00eancia desses sentimentos, em um conjunto de pr\u00e1ticas que marcam os padr\u00f5es de intera\u00e7\u00e3o e sociabilidade cotidianas: de evita\u00e7\u00e3o ou encontro, de rejei\u00e7\u00e3o ou empatia, de desprezo ou admira\u00e7\u00e3o, para citar alguns exemplos. A desigualdade \u00e9, portanto, produzida e reproduzida, expl\u00edcita e inadvertidamente, pelos pr\u00f3prios indiv\u00edduos por meio de suas rela\u00e7\u00f5es sociais na vida cotidiana. Por meio de pr\u00e1ticas espont\u00e2neas de \"associa\u00e7\u00e3o diferencial\" (Bottero, 2007), as pessoas com quem estamos e nos sentimos mais pr\u00f3ximos tendem a ser semelhantes tamb\u00e9m em muitas outras dimens\u00f5es da desigualdade. Vivemos em col\u00f4nias, frequentamos escolas e consumimos nos mercados em que nos sentimos mais confort\u00e1veis e \u00e0 vontade, e evitamos aqueles em que nos sentimos deslocados ou dos quais somos exclu\u00eddos (Bay\u00f3n e Sarav\u00ed, 2018). Essas n\u00e3o s\u00e3o prefer\u00eancias inatas ou simples escolhas de estilo de vida, mas o resultado de um processo de decanta\u00e7\u00e3o (que precisamos aprofundar) pelo qual a desigualdade d\u00e1 origem a um distanciamento sociocultural que remodela os padr\u00f5es de conviv\u00eancia e sociabilidade (\u00c1lvarez Rivadulla, 2019; Bay\u00f3n e Sarav\u00ed, 2019a; Segura, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade que nos preocupa corresponde ao per\u00edodo da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal. Nesse sentido, \u00e9 necess\u00e1rio considerar uma caracter\u00edstica do neoliberalismo que permeia e molda a desigualdade contempor\u00e2nea. N\u00e3o se trata apenas do neoliberalismo como uma ordem econ\u00f4mica (cujos aspectos s\u00e3o abordados no texto de P\u00e9rez S\u00e1inz), mas tamb\u00e9m como um processo que gera uma s\u00e9rie de discursos, linguagens e disposi\u00e7\u00f5es com capacidade disciplinar. O que, seguindo Leal (2016), poder\u00edamos definir como um senso comum neoliberal que, inclusive, transcende projetos pol\u00edticos de uma ou outra orienta\u00e7\u00e3o, e cujos tra\u00e7os distintivos s\u00e3o a conceitua\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos como sujeitos aut\u00f4nomos, respons\u00e1veis por si mesmos e empreendedores (uma exalta\u00e7\u00e3o da individualiza\u00e7\u00e3o). Sob esse discurso, \"a desigualdade \u00e9 despolitizada e a classe parece ser reduzida a uma quest\u00e3o de car\u00e1ter e esfor\u00e7o\" (Bay\u00f3n, 2019). A pobreza de alguns e a riqueza de outros s\u00e3o legitimadas como resultado de falhas e virtudes pessoais (inclusive morais), dissociando a desigualdade de suas ra\u00edzes estruturais e fundamentos materiais. Esse senso comum permeia a sociedade como um todo - n\u00e3o necessariamente toda, mas claramente em toda a estratifica\u00e7\u00e3o social - e condiciona nossa experi\u00eancia social e subjetiva cotidiana da desigualdade. As formas assumidas hoje pela legitima\u00e7\u00e3o e toler\u00e2ncia das desigualdades, o senso do que \u00e9 justo ou injusto, os sentimentos de frustra\u00e7\u00e3o e ressentimento, os julgamentos morais sobre priva\u00e7\u00e3o e privil\u00e9gio ou o reconhecimento social atribu\u00eddo a diferentes atores s\u00e3o inintelig\u00edveis sem a hegemonia de um discurso neoliberal.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez em todas essas dimens\u00f5es (e em algumas outras, como o ac\u00famulo de vantagens e desvantagens) encontremos a explica\u00e7\u00e3o para alguns dos paradoxos da desigualdade social contempor\u00e2nea na Am\u00e9rica Latina. Suas bases materiais s\u00e3o inquestion\u00e1veis, mas tamb\u00e9m \u00e9 inquestion\u00e1vel a participa\u00e7\u00e3o dessas dimens\u00f5es sociais e culturais em sua produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o, bem como na experi\u00eancia social e subjetiva cotidiana da desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O texto de Juan Pablo P\u00e9rez S\u00e1inz come\u00e7a com um questionamento do atual imagin\u00e1rio hegem\u00f4nico da desigualdade, baseado na renda, e nos oferece um novo olhar que se desloca para a esfera da distribui\u00e7\u00e3o fatorial e para a din\u00e2mica do desempoderamento. Com esta reflex\u00e3o, eu queria levar o desafio do autor um passo adiante e oferecer algumas chaves e novas abordagens para entender a experi\u00eancia da desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>As desigualdades sociais v\u00e3o muito al\u00e9m de uma quest\u00e3o de renda. Elas s\u00e3o expressas diariamente em divis\u00f5es profundas na qualidade das escolas e dos centros de sa\u00fade, em diferen\u00e7as na expectativa de vida entre setores da mesma sociedade, na forma\u00e7\u00e3o de enclaves de pobreza e \u00e1reas residenciais exclusivas, bem como no surgimento de novos padr\u00f5es de sociabilidade e reconhecimento social, entre outros. Esses processos de fragmenta\u00e7\u00e3o social s\u00e3o dif\u00edceis de mensurar no momento, e os indicadores atuais de desigualdade econ\u00f4mica, considerados isoladamente, n\u00e3o conseguem dar conta deles.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dimens\u00f5es sociais e culturais que merecem ser levadas em conta e exploradas se quisermos abordar a experi\u00eancia da desigualdade e sua transforma\u00e7\u00e3o. Essas dimens\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o muito mais persistentes e resistentes do que as mudan\u00e7as na renda (o que pode explicar a resist\u00eancia, por exemplo, a reformas tribut\u00e1rias progressivas). Isso n\u00e3o significa que elas sejam inamov\u00edveis, mas que exigem nossa aten\u00e7\u00e3o. Em muitos casos, elas s\u00e3o o substrato da naturaliza\u00e7\u00e3o da desigualdade. A repolitiza\u00e7\u00e3o da desigualdade exige que as ci\u00eancias sociais a tornem evidente para possibilitar novas pol\u00edticas de solidariedade e equidade. Se a desigualdade \u00e9 multidimensional, as pol\u00edticas para combat\u00ea-la tamb\u00e9m devem ser multidimensionais; nesse sentido, ao violar momentaneamente o compromisso inicial de evitar prescri\u00e7\u00f5es, o Estado tem um papel fundamental a desempenhar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u00c1lvarez Rivadulla, Mar\u00eda J. (2019). \u201c\u00bfLos becados con los becados y los ricos con los ricos? Interacciones entre clases sociales distintas en una universidad de elite\u201d, en <em>Desacatos<\/em>, n\u00fam. 59, pp. 50-67. https:\/\/doi.org\/10.29340\/59.2049<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Atkinson, Anthony (2009). \u201cFactor Shares: the Principal Problem of Political Economy\u201d, en<em> Oxford Review of Economic Policy<\/em>, vol. 25, n\u00fam. 1, pp. 3-16. https:\/\/doi.org\/10.1093\/oxrep\/grp007<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Barry, Brian (2002). \u201cSocial Exclusion, Social Isolation, and the Distribution of Income\u201d, en John Hills, Julian Le Grand y David Piachaud (ed.), <em>Understanding Social Exclusion<\/em>. Londres: Oxford University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Bay\u00f3n, Mar\u00eda C. (2019). \u201cIntroducci\u00f3n. La construcci\u00f3n social de la desigualdad. 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Santiago de Chile: <span class=\"small-caps\">cepal<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Comisi\u00f3n Econ\u00f3mica para Am\u00e9rica Latina y el Caribe (<span class=\"small-caps\">cepal<\/span>)(2016). <em>Panorama Social de Am\u00e9rica Latina 2016<\/em>. Santiago de Chile: <span class=\"small-caps\">cepal<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Comisi\u00f3n Econ\u00f3mica para Am\u00e9rica Latina y el Caribe (<span class=\"small-caps\">cepal<\/span>)(2014). <em>Panorama Social de Am\u00e9rica Latina 2014<\/em>. Santiago de Chile: <span class=\"small-caps\">cepal<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Elias, Norbert y J. Scotson (2016). <em>Establecidos y marginados. 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Fica claro que esses indicadores n\u00e3o correspondem necessariamente \u00e0 experi\u00eancia das diferentes classes sociais, que est\u00e3o vivenciando uma crescente fragmenta\u00e7\u00e3o e distanciamento de suas experi\u00eancias de vida, o que imp\u00f5e a necessidade de uma abordagem etnogr\u00e1fica da desigualdade. Essa fragmenta\u00e7\u00e3o dificilmente pode ser compreendida sem uma an\u00e1lise dos mecanismos e processos sociais de classifica\u00e7\u00e3o social, que legitimam as hierarquias e as lacunas entre as classes sociais. Para o autor, a disparidade na distribui\u00e7\u00e3o de renda e riqueza \u00e9 fundamental para a g\u00eanese da fragmenta\u00e7\u00e3o social, da\u00ed a centralidade que ele atribui ao papel que o Estado pode desempenhar.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[361,521,420,522,520],"coauthors":[551],"class_list":["post-31273","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-34","tag-america-latina","tag-clase-social","tag-desigualdad","tag-experencia-de-la-desigualdad","tag-fragmentacion-social","personas-saravi-gonzalo-a","numeros-439"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>La desigualdad social en Am\u00e9rica Latina. 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