{"id":31251,"date":"2019-09-23T13:51:43","date_gmt":"2019-09-23T13:51:43","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=31251"},"modified":"2023-11-17T18:52:03","modified_gmt":"2023-11-18T00:52:03","slug":"mujeres-indigenas-violencia-extractivismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/mujeres-indigenas-violencia-extractivismo\/","title":{"rendered":"Mulheres ind\u00edgenas em meio \u00e0 guerra: antigas e novas express\u00f5es de viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">A<\/span>ao longo da hist\u00f3ria, tem sido demonstrado que em um grande n\u00famero de conflitos h\u00e1 uma constante: a viol\u00eancia dirigida contra as mulheres, utilizando-as como despojos de guerra para denegrir e prejudicar os contendores, sejam eles povos, grupos ou indiv\u00edduos. Isso n\u00e3o \u00e9 diferente nos conflitos contempor\u00e2neos enfrentados pelas mulheres dos povos ind\u00edgenas, especialmente nos casos relacionados \u00e0 luta pela constru\u00e7\u00e3o, defesa e fortalecimento dos modelos aut\u00f4nomos de seus povos e comunidades, bem como naqueles relacionados \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o dos povos aos megaprojetos extrativistas que amea\u00e7am despoj\u00e1-los de seus territ\u00f3rios. Nesse cen\u00e1rio, as mulheres ind\u00edgenas est\u00e3o sendo submetidas a uma viol\u00eancia adicional, n\u00e3o apenas como despojos de guerra, mas tamb\u00e9m por causa de seu ativismo pol\u00edtico, seja como autonomistas, l\u00edderes de organiza\u00e7\u00f5es, sufragistas, feministas ou antiextrativistas. Nesse contexto, este artigo apresentar\u00e1 uma vis\u00e3o geral das diferentes interse\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, classe e etnia que, em um contexto extrativista neoliberal, violam homens e mulheres dos povos ind\u00edgenas, questionando o poder, a (in)justi\u00e7a e o modelo econ\u00f4mico atual, com foco nas continuidades e nas novas express\u00f5es de viol\u00eancia contra as mulheres ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/extractivismo-neoliberal\/\" rel=\"tag\">extrativismo neoliberal.<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/genero\/\" rel=\"tag\">g\u00eanero<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/interseccionalidad\/\" rel=\"tag\">interseccionalidade<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/mujeres-indigenas\/\" rel=\"tag\">mulheres ind\u00edgenas<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/violencia-contra-las-mujeres\/\" rel=\"tag\">Viol\u00eancia contra a mulher<\/a><\/p>\n\n\n<p class=\"en-title\">Mulheres ind\u00edgenas na guerra: express\u00f5es de viol\u00eancia, novas e antigas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\"><a id=\"post-31251-__DdeLink__2823_2442626947\"><\/a>A hist\u00f3ria revela uma constante em in\u00fameros conflitos: a viol\u00eancia contra as mulheres que as trata como despojos de guerra, como meio de denegrir e ferir advers\u00e1rios que podem ser povos, grupos ou indiv\u00edduos. A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente nos conflitos atuais que as mulheres das comunidades ind\u00edgenas devem enfrentar, principalmente nos casos relacionados \u00e0s lutas pela constru\u00e7\u00e3o, defesa e fortalecimento dos modelos de autonomia desses povos e comunidades, bem como nos relacionados \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o das comunidades aos megaprojetos extrativistas que amea\u00e7am desloc\u00e1-las de suas terras. Em tais cen\u00e1rios, as mulheres ind\u00edgenas s\u00e3o objetos de viol\u00eancia adicional, agora n\u00e3o apenas como despojos de guerra, mas como resultado direto de seu ativismo pol\u00edtico como defensoras da autonomia, l\u00edderes de organiza\u00e7\u00f5es, sufragistas, feministas ou antiextrativistas. O presente estudo oferece um panorama das in\u00fameras interse\u00e7\u00f5es - g\u00eanero, classe, etnia - que, no contexto extrativista neoliberal, violam homens e mulheres ind\u00edgenas que questionam o poder, a (in)justi\u00e7a e o modelo econ\u00f4mico atual. Tamb\u00e9m enfoco as continuidades e as novas express\u00f5es de viol\u00eancia contra as mulheres ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: Viol\u00eancia contra a mulher, insterseccionalidade, g\u00eanero, mulheres ind\u00edgenas, extrativismo neoliberal.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">A viol\u00eancia exercida contra as mulheres ind\u00edgenas nas \u00faltimas d\u00e9cadas tem algumas caracter\u00edsticas que \u00e9 importante destacar; come\u00e7aremos apontando que se trata de um problema antigo que se refere \u00e0 cultura patriarcal de longa data que atravessou a hist\u00f3ria do mundo. No entanto, em cada momento hist\u00f3rico, essa viol\u00eancia tem particularidades; portanto, neste artigo, gostaria de me concentrar na viol\u00eancia estrutural exercida contra as mulheres ind\u00edgenas que rompem com os \"mandatos de g\u00eanero\" (Segato, 2003), <a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\" target=\"_self\">1<\/a> mulheres ativistas que lutam n\u00e3o apenas contra a exclus\u00e3o e a discrimina\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m para exercer seus direitos de cidadania e sua identidade como membros de um povo ind\u00edgena. Vou me referir especificamente \u00e0 viol\u00eancia contra mulheres l\u00edderes e ativistas sociais que lutam com seus povos para defender sua autonomia e impedir o avan\u00e7o devastador dos projetos extrativistas que v\u00eam sendo promovidos em toda a Am\u00e9rica Latina h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Abordo a quest\u00e3o da viol\u00eancia contra as mulheres ind\u00edgenas a partir de duas perspectivas que s\u00e3o complementares para compreender as novas formas de viol\u00eancia que est\u00e3o afetando tanto o M\u00e9xico como o resto da Am\u00e9rica Latina. A primeira \u00e9 a perspectiva interseccional como uma proposta te\u00f3rica e metodol\u00f3gica ampla que nos permite compreender as diferentes dimens\u00f5es da domina\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o e viol\u00eancia exercidas contra as mulheres ind\u00edgenas por causa de sua etnia, g\u00eanero e classe em um ambiente social, econ\u00f4mico, pol\u00edtico e jur\u00eddico que alimenta e amplia a discrimina\u00e7\u00e3o. Recupero o debate empreendido por Mara Viveros quando ela afirma que a interseccionalidade se tornou a express\u00e3o utilizada para designar a perspectiva te\u00f3rica e metodol\u00f3gica que busca dar conta de uma realidade atravessada ou imbricada por rela\u00e7\u00f5es de poder, em um contexto e momento hist\u00f3rico espec\u00edficos (Viveros, 2016). Neste caso, o marco contextual que analiso \u00e9 o das novas express\u00f5es de viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas em geral, e contra as mulheres ind\u00edgenas em particular, neste per\u00edodo contempor\u00e2neo descrito por Harvey (2004) como um novo imperialismo, caracterizado por uma forma de acumula\u00e7\u00e3o baseada na explora\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas em pa\u00edses perif\u00e9ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a segunda perspectiva anal\u00edtica refere-se \u00e0s vis\u00f5es cr\u00edticas da virada extrativista que est\u00e1 deixando um rastro de devasta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, al\u00e9m de conflitos e novas exclus\u00f5es (Zibechi, 2015; Gudynas, 2009). Extrativismo, cuja express\u00e3o \u00e9 a multiplica\u00e7\u00e3o de atividades como petr\u00f3leo, minera\u00e7\u00e3o, hidr\u00e1ulica, agricultura ou turismo, que resultam na desapropria\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios, no deslocamento de popula\u00e7\u00f5es ou na gera\u00e7\u00e3o de conflitos inter\u00e9tnicos, e que est\u00e3o sendo contestados por vigorosos movimentos sociais e ind\u00edgenas no continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Interessa-me destacar como, apesar das cr\u00edticas expressas por acad\u00eamicos, bi\u00f3logos, ge\u00f3grafos, cientistas pol\u00edticos, antrop\u00f3logos, soci\u00f3logos, economistas, entre outros, bem como da prolifera\u00e7\u00e3o de amplos movimentos sociais contra esse modelo econ\u00f4mico, os Estados comemoram a chegada de milh\u00f5es de d\u00f3lares em investimentos, argumentando que isso criar\u00e1 empregos e reativar\u00e1 as economias nacionais, Ao mesmo tempo, tornam invis\u00edvel a viol\u00eancia que est\u00e1 gerando contra os povos ind\u00edgenas, os movimentos autonomistas e seus l\u00edderes, homens e mulheres, que denunciam as amea\u00e7as a seus territ\u00f3rios, suas culturas ancestrais, vis\u00f5es de mundo e modos de vida. Nesse sentido, o governo mexicano expressou com grande alarde o aumento do investimento estrangeiro, j\u00e1 que durante a atual administra\u00e7\u00e3o governamental (2012-2018), o investimento estrangeiro direto (<span class=\"small-caps\">ied<\/span>) foi da ordem de 156.194,3 milh\u00f5es de d\u00f3lares, 51,9% acima do valor registrado h\u00e1 seis anos. Desse total, 11,7% foram destinados \u00e0 minera\u00e7\u00e3o (<span class=\"small-caps\">em<\/span>, 2017). Embora o investimento em minera\u00e7\u00e3o pare\u00e7a modesto, h\u00e1 um grande interesse em expandir ainda mais esse setor, como pode ser visto no Programa de Desenvolvimento da Minera\u00e7\u00e3o 2013-2018 (<span class=\"small-caps\">dof<\/span>2014), que afirma que o M\u00e9xico tem recursos minerais comprovados em 70% de seu territ\u00f3rio, enquanto h\u00e1 uma \"evolu\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica positiva\" para considerar que essa atividade pode ser expandida, de modo que foi estabelecido um plano para continuar com a entrega de concess\u00f5es a investidores interessados.<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os n\u00fameros oficiais, a minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o maior contribuinte para o PIB. <span class=\"small-caps\">PIB<\/span>Ela n\u00e3o gera um n\u00famero significativo de empregos, nem lucros maiores para o pa\u00eds. No entanto, est\u00e1 causando um grande n\u00famero de conflitos socioambientais e minou a autonomia constitucionalmente reconhecida dos povos ind\u00edgenas, amea\u00e7ando sua sobreviv\u00eancia como povos cultural e politicamente diferenciados. Tudo parece indicar que essa ser\u00e1 a tend\u00eancia nos pr\u00f3ximos anos, j\u00e1 que a minera\u00e7\u00e3o tem sido posicionada como um setor estrat\u00e9gico para o desenvolvimento nacional. Nesse mesmo sentido, a atual lei de minera\u00e7\u00e3o (2014) declara, em seu artigo sexto, que a minera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma atividade <em>de utilidade p\u00fablica<\/em> e estabelece que a explora\u00e7\u00e3o, o aproveitamento e o benef\u00edcio dos minerais ou subst\u00e2ncias mencionados na lei s\u00e3o de utilidade p\u00fablica e ter\u00e3o preced\u00eancia sobre qualquer outro uso ou aproveitamento da terra, sujeito \u00e0s condi\u00e7\u00f5es estabelecidas pela lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois dados quantitativos ajudar\u00e3o a mostrar a escala do processo em andamento: de acordo com Eckart Boege (2013), a minera\u00e7\u00e3o afetou pelo menos 42 dos 62 povos ind\u00edgenas at\u00e9 cinco anos atr\u00e1s. Ele documentou que, entre 2000 e 2012, dos 28 milh\u00f5es de hectares identificados como o n\u00facleo duro dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, cerca de 2.173.141 hectares foram concessionados, principalmente para a minera\u00e7\u00e3o de metais. Isso significa que, nesses doze anos, os povos ind\u00edgenas perderam a jurisdi\u00e7\u00e3o sobre 7% de seu territ\u00f3rio somente para as concess\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o. Sua pesquisa mostra que a maioria das concess\u00f5es no territ\u00f3rio nacional foi concedida sob a lei de minera\u00e7\u00e3o aprovada em 1992, durante o mandato de seis anos de Carlos Salinas de Gortari (1988-1994). Somente entre 2000 e 2012, foram concedidas 2.814 concess\u00f5es para explorar ouro, 71 de prata e 25 de cobre. Sem d\u00favida, o processo de desapropria\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas est\u00e1 avan\u00e7ando em um ritmo vertiginoso como consequ\u00eancia da <em>boom <\/em>minera\u00e7\u00e3o que estava legal e fiscalmente preparada desde a d\u00e9cada de 1990, com a pol\u00edtica neoliberal em voga (L\u00f3pez e Eslava, 2011; L\u00f3pez, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Svampa (2012), na \u00faltima d\u00e9cada, a Am\u00e9rica Latina passou do Consenso de Washington, baseado na valoriza\u00e7\u00e3o financeira, para o consenso do <em>commodities<\/em>A estrat\u00e9gia de desenvolvimento da UE baseia-se na exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios em grande escala. Ele afirma, com raz\u00e3o, que embora a explora\u00e7\u00e3o e a exporta\u00e7\u00e3o de bens naturais n\u00e3o sejam atividades novas na regi\u00e3o, nos \u00faltimos anos do s\u00e9culo XX, elas se tornaram uma importante fonte de renda para a regi\u00e3o. <span class=\"small-caps\">xx<\/span> e em um contexto de mudan\u00e7a do modelo de acumula\u00e7\u00e3o, intensificou-se a expans\u00e3o de projetos voltados para o controle, a extra\u00e7\u00e3o e a exporta\u00e7\u00e3o de bens naturais, sem maior valor agregado. De tal forma que o consenso atual da<em> commodities <\/em>A nova ordem econ\u00f4mica e pol\u00edtica, sustentada pela <em>boom <\/em>Os pre\u00e7os internacionais de mat\u00e9rias-primas e bens de consumo, que est\u00e3o em alta demanda nas economias centrais e emergentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que esse modelo fosse imposto, era importante transmutar o Estado em um Estado de seguran\u00e7a, o que mudou a l\u00f3gica do Estado de bem-estar social para a defesa dos interesses econ\u00f4micos das corpora\u00e7\u00f5es transnacionais que lideram e controlam o setor extrativista. Para autores como Gledhill (2014), estamos nos movendo em dire\u00e7\u00e3o a um <em>securitiza\u00e7\u00e3o<\/em> de pol\u00edtica p\u00fablica, dentro da estrutura de um estado sombra, enquanto Giorgio Agamben (2016) fala da constitui\u00e7\u00e3o de um estado de seguran\u00e7a ou exce\u00e7\u00e3o. Por sua vez, o Tribunal Popular dos Povos (<span class=\"small-caps\">tpp<\/span>) chama esses Estados de Estados fracassados. Em outras palavras, h\u00e1 uma s\u00e9rie de fen\u00f4menos, processos, contextos e circunst\u00e2ncias que permitem falar de modelos pol\u00edticos e econ\u00f4micos violentos, que, para manter o modelo econ\u00f4mico e sob o argumento da seguran\u00e7a nacional e social, recorrem ao estabelecimento de estados de exce\u00e7\u00e3o, que criminalizam e reprimem o justo protesto de vastos setores sociais, gerando o que se chamou de novas v\u00edtimas do desenvolvimento, deixando um rastro de assassinatos, inclusive de mulheres, em todo o territ\u00f3rio nacional (Belausteguigoitia e Salda\u00f1a, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a viol\u00eancia gerada contra as mulheres ind\u00edgenas se intensificou, porque, embora tenha sido uma constante (Hern\u00e1ndez, 2015), vemos que, \u00e0 medida que elas se tornaram atores pol\u00edticos que se posicionam sobre os problemas de seus povos e lutam por seus direitos como mulheres, a viol\u00eancia se intensificou. Parece-me que agora elas n\u00e3o s\u00e3o atacadas apenas para punir e prejudicar seus homens, ou seja, seus povos e seus projetos pol\u00edticos, mas, como as mulheres desempenham um papel de lideran\u00e7a nessas lutas, seja como parte do movimento antiextrativista, como defensoras de direitos humanos, assessoras ou consultoras, elas s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia excessiva, como mostrarei a seguir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Viol\u00eancia sem limites: viol\u00eancia estrutural - viol\u00eancia baseada em g\u00eanero<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Dados oficiais mostram que a viol\u00eancia se estende por todo o continente contra mulheres que denunciam a desapropria\u00e7\u00e3o extrativista e\/ou a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos universais, sejam elas l\u00edderes, autoridades de vilarejos ou comunidades, jornalistas ou defensoras dos direitos humanos. Casos como o assassinato da advogada Digna Ochoa, em 19 de outubro de 2001, uma proeminente defensora dos direitos humanos e membro do Centro de Direitos Humanos Miguel Agust\u00edn Pro Ju\u00e1rez, indignaram o pa\u00eds. Outro dos casos mais chocantes foi o assassinato, em mar\u00e7o de 2016, da l\u00edder do povo ind\u00edgena Lenca de Honduras, Berta C\u00e1ceres, que liderava a campanha contra um pol\u00eamico projeto hidrel\u00e9trico de propriedade chinesa para construir a barragem de Agua Zarca, no nordeste do pa\u00eds, no rio Gualcarque, um territ\u00f3rio sagrado e local de reprodu\u00e7\u00e3o do povo Lenca. A campanha de protesto desse ativista social conseguiu fazer com que a maior construtora de barragens estatal chinesa do mundo, a Sinohydro, retirasse sua participa\u00e7\u00e3o; o mesmo aconteceu com o outro investidor, o Banco Mundial. Em reconhecimento \u00e0 sua luta incans\u00e1vel, ele recebeu o Pr\u00eamio Ambiental Goldman. Entretanto, esse reconhecimento e triunfo nada puderam fazer para evitar que ela fosse assassinada.<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> No contexto da resist\u00eancia ao extrativismo, duas outras mulheres ind\u00edgenas foram reconhecidas com o Pr\u00eamio Goldman: a peruana M\u00e1xima Acu\u00f1a, por sua feroz defesa de seu territ\u00f3rio, onde a empresa de minera\u00e7\u00e3o Yanacocha pretende explorar uma mina de ouro e cobre a c\u00e9u aberto nas terras altas do departamento de Cajamarca, no norte do pa\u00eds, destruindo fontes de \u00e1gua.<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> Este ano, o pr\u00eamio foi concedido a Francia M\u00e1rquez, ativista colombiana e l\u00edder comunit\u00e1ria da cidade de La Toma, no departamento de Cauca, no sudoeste do pa\u00eds, por sua luta contra a minera\u00e7\u00e3o legal e ilegal.<span class=\"small-caps\">ocmal<\/span>, 2018). No entanto, esses reconhecimentos n\u00e3o tiveram praticamente nenhum impacto para deter o turbilh\u00e3o de minera\u00e7\u00e3o que continua a semear terror e viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros colocam o M\u00e9xico como um dos pa\u00edses mais violentos da Am\u00e9rica Latina, uma situa\u00e7\u00e3o que piorou desde 2006, quando o governo federal declarou uma guerra frontal contra o narcotr\u00e1fico, o que fez com que, na \u00faltima d\u00e9cada (2006-2016), o n\u00famero de mortes de civis aumentasse para 175.000. O pior ano foi 2011, quando o n\u00famero subiu para 27.200 mortos, e em 2017 houve 26.502 mortos at\u00e9 novembro. N\u00fameros semelhantes foram registrados para este ano de 2018. Estamos falando de uma m\u00e9dia mensal de mais de 2.000 homic\u00eddios intencionais.<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a> No entanto, essa luta contra o narcotr\u00e1fico esconde outras dimens\u00f5es da viol\u00eancia que \u00e9 importante destacar, como a viol\u00eancia perpetrada pelo crime comum e organizado, expressa em roubos, assaltos e estupros, que colocam os cidad\u00e3os em situa\u00e7\u00e3o de risco diariamente. Vale ressaltar que, em um grande n\u00famero de casos, a viol\u00eancia est\u00e1 ligada n\u00e3o apenas \u00e0 impunidade judicial, mas tamb\u00e9m \u00e0 enorme desigualdade social que prevalece no pa\u00eds, o que leva muitos jovens a se juntarem \u00e0s fileiras do narcotr\u00e1fico ou de grupos criminosos na aus\u00eancia de oportunidades de emprego ou educa\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 paradoxal, pois, apesar da desigualdade predominante e dos altos n\u00edveis de corrup\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia, nosso pa\u00eds est\u00e1 em 15\u00ba lugar no mundo em termos do n\u00famero de jovens que se juntam ao tr\u00e1fico de drogas ou a grupos criminosos. <em>classifica\u00e7\u00e3o <\/em>das economias mundiais.<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a> Enquanto isso, em termos de \u00edndices de desigualdade, de acordo com os n\u00fameros fornecidos pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (<span class=\"small-caps\">eclac<\/span>2016), a m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de riqueza atinge um valor muito alto, pois 80% de ativos financeiros est\u00e3o concentrados em apenas 10% das fam\u00edlias, enquanto 10% das empresas do pa\u00eds concentram 93% de ativos f\u00edsicos.<a class=\"anota\" id=\"anota7\" data-footnote=\"7\">7<\/a> A essa viol\u00eancia, devemos acrescentar a criminaliza\u00e7\u00e3o, a persegui\u00e7\u00e3o, a priva\u00e7\u00e3o de liberdade e os assassinatos de l\u00edderes dos povos ind\u00edgenas, homens e mulheres, que lideram lutas contra a desapropria\u00e7\u00e3o ou a amea\u00e7a de desapropria\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Desigualdade, diferen\u00e7a, racializa\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia baseada em g\u00eanero e feminic\u00eddios s\u00e3o categorias e fen\u00f4menos que se cruzam e desenham as novas formas de viol\u00eancia a que muitas mulheres ativistas sociais do continente est\u00e3o sendo submetidas. Como sinal de criminaliza\u00e7\u00e3o, uma declara\u00e7\u00e3o recente da Anistia Internacional observou que, somente nos \u00faltimos dois anos (2016-2017), 437 ativistas de direitos humanos foram mortos em 22 pa\u00edses, sendo que 751 desses casos ocorreram na Am\u00e9rica Latina e estavam diretamente relacionados a atividades extrativistas (<span class=\"small-caps\">ai<\/span>, 2017).<a class=\"anota\" id=\"anota8\" data-footnote=\"8\">8<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos dados dispon\u00edveis para acessar os n\u00fameros oficiais sobre a viol\u00eancia contra a mulher, durante o m\u00eas de novembro de 2017, foi estabelecida a desagrega\u00e7\u00e3o em diferentes categorias relacionadas \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero. O Minist\u00e9rio do Interior divulgou uma lista com a discrimina\u00e7\u00e3o de 31 novos crimes, contabilizados durante os anos de 2014 a 2017. Com essa nova classifica\u00e7\u00e3o, foi anunciado que 1.500 investiga\u00e7\u00f5es foram abertas por feminic\u00eddio (Tabela 1).<\/p>\n\n\n<div class=\"image-slider\">\n                <div class=\"frame\">\n                    <div class=\"picture\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageGallery\">\n                        <figure itemprop=\"associatedMedia\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\" class=\"slider-element\">\n                              <a href=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol2num4\/tab_laura_valladares_mujeres_indigenas_entre_guerras_1.png\" itemprop=\"contentUrl\" data-size=\"1515\u200a\u00d7\u200a384\" data-index=\"0\" data-caption=\"Tabla 1. Investigaciones abiertas por las autoridades judiciales relacionadas con la violencias contra las mujeres en M\u00e9xico 2014-2017. Fuente: ADN40 2017.\" >\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/archive.org\/download\/encartesvol2num4\/tab_laura_valladares_mujeres_indigenas_entre_guerras_1.png\" itemprop=\"thumbnail\">\n                                <i class=\"fa fa-expand expand\" aria-hidden=\"true\"><\/i>\n                            <\/a>\n                            <\/figure>                    <\/div>    \n                <\/div>\n                    <div class=\"caption\">Tabela 1. Investiga\u00e7\u00f5es abertas por autoridades judiciais relacionadas \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher no M\u00e9xico, 2014-2017. Fonte: ADN40 2017.<\/div><div class=\"image-analysis\"><\/div>                <div class=\"bullets\"><\/div>\n            <\/div>\n\n\n\n<p>Entre os dados desagregados, o n\u00famero de den\u00fancias registradas por viol\u00eancia dom\u00e9stica tamb\u00e9m se destaca, com mais de 40.000, mais do que qualquer uma das outras se\u00e7\u00f5es nos tr\u00eas anos em quest\u00e3o. Outros crimes para os quais os n\u00fameros j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis s\u00e3o: crimes cometidos por funcion\u00e1rios p\u00fablicos (36.478), corrup\u00e7\u00e3o de menores (5.489), crimes eleitorais (1.840), aborto (1.540), tr\u00e1fico de pessoas (1.034), tr\u00e1fico de menores (467) e incesto (76).<a class=\"anota\" id=\"anota9\" data-footnote=\"9\">9<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Embora esses n\u00fameros sejam preocupantes por si s\u00f3, eles se referem a casos relatados para os quais foi iniciada uma investiga\u00e7\u00e3o; no entanto, de acordo com os dados fornecidos pelo&nbsp;<em>Ombudsman<\/em>&nbsp;De acordo com o diretor do Instituto Nacional da Mulher (Inmujeres), Luis Ra\u00fal Gonz\u00e1lez P\u00e9rez, h\u00e1 uma tend\u00eancia de aumento da viol\u00eancia feminicida nos \u00faltimos anos. Nesse caminho, dados apresentados pelo Instituto Nacional da Mulher (Inmujeres) indicam que os feminic\u00eddios subiram para 12.811 somente em 2017. Afirma-se que se trata de \"mortes de mulheres presumidas como homic\u00eddios\", o que fez de 2017 o ano mais violento contra as mulheres (<span class=\"small-caps\">adn<\/span>40: 2017). N\u00e3o se sabe, entretanto, qual a propor\u00e7\u00e3o de mulheres ind\u00edgenas que foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio e desaparecimento for\u00e7ado, pois os dados n\u00e3o s\u00e3o segregados por etnia.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, os n\u00fameros da viol\u00eancia contra defensores dos direitos humanos, ambientalistas e l\u00edderes sociais e ind\u00edgenas s\u00e3o igualmente alarmantes no M\u00e9xico e no restante da Am\u00e9rica Latina, por exemplo, em Honduras, Chis Moye (<span class=\"small-caps\">bbc<\/span> News, 2016), a Global Witness informou que, entre 2002 e 2014, cento e onze ativistas ambientais foram assassinados em Honduras, oitenta deles em apenas tr\u00eas anos (2012-2014). No M\u00e9xico, entre 2010 e 2016, quarenta e uma mulheres defensoras de direitos humanos foram assassinadas, de acordo com dados fornecidos pela Rede Nacional de Mulheres Defensoras de Direitos Humanos no M\u00e9xico, das quais onze eram jornalistas (<span class=\"small-caps\">rnddhm<\/span>, 2014). Esse \u00e9 o cen\u00e1rio em que os l\u00edderes e as organiza\u00e7\u00f5es de mulheres ind\u00edgenas est\u00e3o lutando para deter a viol\u00eancia e a desapropria\u00e7\u00e3o de seus corpos-territ\u00f3rios, como veremos a seguir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A resist\u00eancia das mulheres ind\u00edgenas ao extrativismo na Am\u00e9rica Latina<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A partir desse amplo cen\u00e1rio de viol\u00eancia generalizada contra as mulheres ind\u00edgenas, gostaria de apresentar alguns dados sobre o M\u00e9xico e a Am\u00e9rica Latina. Gostaria de enfatizar que as mulheres lutam ao lado de seus povos, como v\u00edtimas diretas, como atores pol\u00edticos e n\u00e3o apenas como acompanhantes; em muitos casos, elas demonstraram sua ag\u00eancia pol\u00edtica liderando movimentos de resist\u00eancia, desmascarando injusti\u00e7as e construindo organiza\u00e7\u00f5es primeiro com seus povos e, paralelamente, criando organiza\u00e7\u00f5es de mulheres, consolidando posi\u00e7\u00f5es, reflex\u00f5es e propostas epistemol\u00f3gicas. Esse ativismo, como mostraremos, colocou-as no centro da viol\u00eancia preferencial e direcionada, em a\u00e7\u00f5es que v\u00e3o da criminaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia sexual (Hern\u00e1ndez, 2015) e do deslocamento ao assassinato.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que as mulheres politicamente organizadas expressam em suas agendas uma s\u00e9rie de demandas que v\u00e3o desde a defesa de seus direitos como mulheres at\u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica conhecida como feminismo culturalmente situado (S\u00e1nchez, 2005); tamb\u00e9m podemos falar de um feminismo antiextrativista e de feminismos territoriais (Ulloa, 2016a e 2016b). Algumas est\u00e3o situadas em feminismos populares e comunit\u00e1rios, outras partem de ecofeminismos e muitas n\u00e3o se reconhecem explicitamente como feministas. Mas todas elas, em sua diversidade, compartilham o horizonte de uma luta antiextrativista ou p\u00f3s-extrativista, descolonizadora e antipatriarcal, e s\u00e3o empoderadas no \u00e2mbito da resist\u00eancia. Sua principal contribui\u00e7\u00e3o, de acordo com Miriam Gartor (2014), foi tornar vis\u00edveis os v\u00ednculos estreitos entre o extrativismo e o patriarcado.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as organiza\u00e7\u00f5es de mulheres contra o extrativismo, destaca-se na Am\u00e9rica Central a rede de Mulheres Latino-Americanas Tecendo Territ\u00f3rios, que realizou uma caravana entre 7 e 17 de janeiro de 2018 pela Guatemala, Honduras e El Salvador para denunciar os efeitos das ind\u00fastrias extrativas sobre as mulheres, e declarou que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Como mulheres participantes desse esfor\u00e7o, confirmamos que em nossos pa\u00edses a l\u00f3gica extrativista est\u00e1 amea\u00e7ando seriamente os territ\u00f3rios e as popula\u00e7\u00f5es que neles vivem (Gartor, 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, os membros da Rede de Comunidades Afetadas pela Minera\u00e7\u00e3o em Honduras, na voz de Xiomara Gait\u00e1n, afirmam que \"a maioria dos projetos extrativistas promove um contexto de viol\u00eancia, estigmatiza\u00e7\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o contra os l\u00edderes comunit\u00e1rios, especialmente as mulheres que lutam nos territ\u00f3rios da Am\u00e9rica Central, onde s\u00e3o cometidas m\u00faltiplas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos\" (Gartor, 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Na mesma linha, eles se uniram em redes e organiza\u00e7\u00f5es continentais, por exemplo, a reuni\u00e3o mais recente ocorreu em Montreal, Canad\u00e1, em abril de 2018, sob o nome de <em>Encontro Internacional \"Mulheres em resist\u00eancia contra o extrativismo\".<\/em>Elas denunciaram as agress\u00f5es sofridas pelos povos ind\u00edgenas e pelas mulheres em particular em seus etnoterrit\u00f3rios. Falaram sobre os enclaves petrol\u00edferos na Amaz\u00f4nia equatoriana, a explora\u00e7\u00e3o mineira de Cajamarca no Peru ou a rota da soja na Argentina, denunciando que est\u00e3o sofrendo os impactos causados pela chegada maci\u00e7a de trabalhadores, o que levou a um aumento do mercado sexual. O \u00e1lcool, a viol\u00eancia e o tr\u00e1fico de mulheres e meninas para fins de explora\u00e7\u00e3o sexual est\u00e3o estabelecidos na vida cotidiana das pessoas como express\u00e3o da viol\u00eancia machista (Gastor, 2014; Comunicaciones Aliadas, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas reuni\u00f5es, outras dimens\u00f5es e impactos da chegada das empresas foram destacados, como a militariza\u00e7\u00e3o que acompanha certas regi\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 um problema que est\u00e1 presente h\u00e1 v\u00e1rios anos; por exemplo, em 2011, no \u00e2mbito da<em> Encontro Latino-Americano de Mulheres e Minera\u00e7\u00e3o<\/em>mulheres de trinta e quatro organiza\u00e7\u00f5es, redes, comit\u00eas e associa\u00e7\u00f5es de Bogot\u00e1, Col\u00f4mbia, denunciaram que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">A megaminera\u00e7\u00e3o \u00e9 acompanhada por bases militares, maior presen\u00e7a de todos os atores armados e maior vigil\u00e2ncia privada, o que torna as mulheres mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">A sa\u00fade de mulheres e meninas tamb\u00e9m \u00e9 afetada de forma agressiva pelos megaprojetos. As doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis (DSTs) est\u00e3o aumentando (<span class=\"small-caps\">ets<\/span>), doen\u00e7as respirat\u00f3rias, mentais e de pele, audi\u00e7\u00e3o e todas aquelas derivadas de atividades de minera\u00e7\u00e3o extrativa e fumiga\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, houve um aumento de abortos, malforma\u00e7\u00f5es, c\u00e2ncer e gravidez na adolesc\u00eancia, entre outros problemas de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Com dor e indigna\u00e7\u00e3o, afirmamos a permanente demanda por servi\u00e7os sexuais por parte de funcion\u00e1rios e trabalhadores da ind\u00fastria de minera\u00e7\u00e3o e energia, a servid\u00e3o, o tr\u00e1fico de pessoas, a migra\u00e7\u00e3o de mulheres, bem como a estigmatiza\u00e7\u00e3o das mulheres no trabalho sexual promovido por esse tipo de atividade econ\u00f4mica (Acci\u00f3n Ecol\u00f3gica, \"The demand for sexual services by officials and workers in the mining and energy industry, servitude, human trafficking, migration of women, as well as the stigmatisation of women in sex work promoted by this type of economic activity\"). <em>et al<\/em>., 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>Sob essa perspectiva, tanto a terra quanto o corpo das mulheres s\u00e3o concebidos como territ\u00f3rios de sacrif\u00edcio. Com base nesse paralelismo, os movimentos feministas contra os projetos extrativistas constru\u00edram um novo discurso e uma nova luta pol\u00edtica que se concentra nos corpos das mulheres como o primeiro territ\u00f3rio a ser defendido. A recupera\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio-corpo como um primeiro passo insepar\u00e1vel da defesa do territ\u00f3rio-terra. Trata-se de uma reinterpreta\u00e7\u00e3o em que o conceito de soberania e autodetermina\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios \u00e9 ampliado e vinculado aos corpos das mulheres. A partir dessa perspectiva, podemos aludir ao feminismo comunit\u00e1rio das mulheres Xinka em resist\u00eancia contra a minera\u00e7\u00e3o na montanha Xalap\u00e1n (Guatemala), que argumentam que defender um territ\u00f3rio-terra contra a explora\u00e7\u00e3o sem levar em conta os corpos das mulheres que est\u00e3o sendo violados seria inadequado. Por exemplo, em junho de 2008, Gregoria Crisanta P\u00e9rez e outras sete mulheres da comunidade de Agel, em San Miguel Ixtahuac\u00e1n, sabotaram o fornecimento de eletricidade para a empresa de minera\u00e7\u00e3o Montana Exploradora, uma subsidi\u00e1ria da empresa canadense Goldcorp Inc. Finalmente, em maio de 2012, as acusa\u00e7\u00f5es criminais foram retiradas e as mulheres conseguiram recuperar parte da terra de Gregoria, que havia sido usada irregularmente pela empresa, obtendo assim uma importante vit\u00f3ria.<a class=\"anota\" id=\"anota10\" data-footnote=\"10\">10<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os encontros e redes de mulheres latino-americanas contra o extrativismo s\u00e3o de enorme import\u00e2ncia, tanto por serem espa\u00e7os de den\u00fancia quanto pela cria\u00e7\u00e3o e interc\u00e2mbio de estrat\u00e9gias de luta e resist\u00eancia. S\u00e3o espa\u00e7os a partir dos quais as mulheres est\u00e3o propondo formas alternativas de vida comunit\u00e1ria em harmonia com a natureza, suas culturas e cosmovis\u00f5es, bem como pensando em novos acordos entre os g\u00eaneros, com l\u00f3gicas que rompem com o atual modelo capitalista. Nessa dire\u00e7\u00e3o, as propostas expressas no <em>Encontro Regional de Feminismos e Mulheres Populares<\/em> realizada no Equador em junho de 2013, onde os participantes propuseram outra forma de organizar a vida econ\u00f4mica. Uma economia baseada na gest\u00e3o de bens comuns que garanta a reprodu\u00e7\u00e3o cotidiana da vida; em outras palavras, n\u00e3o se trata apenas de lutas de resist\u00eancia, mas tamb\u00e9m de buscas e constru\u00e7\u00f5es voltadas para o exerc\u00edcio de novas economias solid\u00e1rias e sustent\u00e1veis com uma nova l\u00f3gica tanto em termos de identidade \u00e9tnica quanto socioambiental e, portanto, em defesa de seus territ\u00f3rios, de suas vidas como comunidades e como povos (Su\u00e1rez, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Os custos da resist\u00eancia a esse modelo econ\u00f4mico de desapropria\u00e7\u00e3o foram altos, demorados e onerosos em termos econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m geraram novos e vigorosos processos de constru\u00e7\u00e3o organizacional, bem como reflex\u00f5es te\u00f3ricas e a constru\u00e7\u00e3o de paradigmas alternativos; ao longo do caminho, alguns triunfos foram alcan\u00e7ados contra as grandes empresas extrativistas e contra os Estados que as apoiam. Esse \u00e9 o caso, por exemplo, do povo Sarayaku no Equador, onde as mulheres desempenharam um papel importante na luta contra a empresa Yanacocha, que adquiriu o projeto de minera\u00e7\u00e3o Conga em 2001. Como \u00e9 amplamente conhecido, as mulheres do povo Sarayaku na Amaz\u00f4nia equatoriana lideraram a resist\u00eancia contra a empresa petrol\u00edfera argentina Compa\u00f1\u00eda General de Combustibles (<span class=\"small-caps\">cgc<\/span>), que eles conseguiram expulsar de suas terras em 2004. Nesse caso, o Estado equatoriano havia concedido 60% de seu territ\u00f3rio \u00e0 empresa, sem realizar nenhum processo de informa\u00e7\u00e3o ou consulta pr\u00e9via aos povos afetados. Foram as mulheres que, desde o in\u00edcio, tomaram a iniciativa. Quando o ex\u00e9rcito invadiu seu territ\u00f3rio, militarizando a \u00e1rea em favor da empresa petrol\u00edfera, elas apreenderam suas armas. O ex\u00e9rcito at\u00e9 quis negociar a devolu\u00e7\u00e3o das armas em segredo. O povo de Sarayaku, pressionado pelas mulheres, convocou a imprensa equatoriana para levar o caso ao conhecimento p\u00fablico. Finalmente, em 2012, ap\u00f3s uma d\u00e9cada de lit\u00edgio, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (<span class=\"small-caps\">cidh<\/span>) declarou a responsabilidade do Estado equatoriano na viola\u00e7\u00e3o dos direitos do povo Sarayaku (Gartor, 2014).<a class=\"anota\" id=\"anota11\" data-footnote=\"11\">11<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No caso do extrativismo, pesquisadores como Eduardo Gudynas (2009) falam da exist\u00eancia de um modelo p\u00f3s-extrativista para se referir a pa\u00edses \"progressistas\" como Venezuela, Equador e Bol\u00edvia, que se posicionaram como p\u00f3s-neoliberais e empreenderam a constru\u00e7\u00e3o de novas constitui\u00e7\u00f5es multi\u00e9tnicas e plurinacionais, reconhecendo os direitos de seus povos ind\u00edgenas, inclusive, no caso da Bol\u00edvia, os direitos da natureza; No entanto, ainda h\u00e1 grandes desafios para alcan\u00e7ar uma rela\u00e7\u00e3o equitativa e respeitosa com os direitos desses povos.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso da minera\u00e7\u00e3o \u00e9 eloquente porque nos permite ver as coincid\u00eancias ou continuidades com o modelo neoliberal. Talvez a maior diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao resto dos pa\u00edses do mundo seja o papel muito mais ativo desempenhado pelos Estados progressistas na condu\u00e7\u00e3o do modelo econ\u00f4mico, o que se expressa, por exemplo, na imposi\u00e7\u00e3o de altas taxas de impostos e no fato de que grande parte desses recursos \u00e9 investida em diferentes \u00e1reas e programas sociais. No entanto, os danos ecol\u00f3gicos, a viola\u00e7\u00e3o de direitos e a resist\u00eancia dos povos e de suas mulheres, bem como a criminaliza\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia que desencadeiam, s\u00e3o uma constante compartilhada em todo o continente, independentemente do Estado que os promova.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomo como exemplo o caso do Arco Mineiro na Venezuela, que remonta a 2016, quando o governo de Nicol\u00e1s Maduro entregou concess\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o em 112.000 quil\u00f4metros quadrados, cobrindo parte da regi\u00e3o norte do estado de Bol\u00edvar e Amazonas, ao sul do rio Orinoco. Nesse territ\u00f3rio, empresas nacionais e estrangeiras podem explorar legalmente o coltan, o ouro e os diamantes. Isso significa que o governo venezuelano abriu as portas para o desenvolvimento da minera\u00e7\u00e3o em 12% do territ\u00f3rio nacional, com a inten\u00e7\u00e3o de que essa atividade substitu\u00edsse o petr\u00f3leo e se tornasse uma nova fonte de renda para o Estado (Mongabay Latam, 2018). Desde o in\u00edcio, ambientalistas e cientistas se opuseram a essa decis\u00e3o, apontando que o governo venezuelano n\u00e3o cumpriu com um estudo de impacto ambiental, nem com a consulta livre, pr\u00e9via e informada aos povos ind\u00edgenas, conforme exigido pela Constitui\u00e7\u00e3o e por instrumentos de direito internacional, como a Conven\u00e7\u00e3o 169 da ONU. <span class=\"small-caps\">ilo<\/span>. No processo de oposi\u00e7\u00e3o, um dos grupos mais ativos tem sido o das mulheres ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia, que fazem parte da organiza\u00e7\u00e3o Wanaaleru, que denunciaram que est\u00e1 ocorrendo um ecoc\u00eddio nessa regi\u00e3o, pois milhares de hectares de floresta amaz\u00f4nica est\u00e3o sendo destru\u00eddos, com a concomitante contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas causada pela oxida\u00e7\u00e3o de minerais sulfetados. Eles tamb\u00e9m denunciaram o projeto como etnocida, pois houve pris\u00f5es, persegui\u00e7\u00e3o e assassinato de l\u00edderes ind\u00edgenas. Em termos de efeitos sobre a sa\u00fade e o bem-estar das mulheres amaz\u00f4nicas, elas denunciaram a viol\u00eancia causada pelo aumento do tr\u00e1fico de mulheres e a expans\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o, bem como os danos \u00e0 sa\u00fade materna e infantil causados pelo abandono de culturas tradicionais, migra\u00e7\u00e3o e aumento de mortes infantis, bem como altas concentra\u00e7\u00f5es de produtos qu\u00edmicos no sangue que causam abortos espont\u00e2neos (Wanaaleru, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, estamos diante de um panorama extremamente preocupante de viol\u00eancia, decomposi\u00e7\u00e3o social e faccionalismo que as opera\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o geram entre os povos ind\u00edgenas, al\u00e9m de novos cen\u00e1rios de agress\u00e3o contra as mulheres. Infelizmente, esse modelo parece que vai continuar nos pr\u00f3ximos anos, porque praticamente todos os pa\u00edses latino-americanos continuam apostando na chegada de grandes investimentos de empresas nacionais e estrangeiras, apesar do desastre social e ambiental que deixam em seu rastro. Por exemplo, no caso do Equador, o ex-presidente Rafael Correa afirmou que n\u00e3o era poss\u00edvel ter um povo pobre sentado sobre sacos de ouro, aludindo \u00e0 riqueza mineral do pa\u00eds que precisava ser explorada para desencadear o desenvolvimento econ\u00f4mico. Ou seja, seu projeto p\u00f3s-neoliberal baseava-se em um modelo neoextrativista que buscava \"transformar o padr\u00e3o de especializa\u00e7\u00e3o da economia para conseguir uma inser\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e soberana no mundo\".<a class=\"anota\" id=\"anota12\" data-footnote=\"12\">12<\/a> Parece que todos os pa\u00edses latino-americanos adotaram aquela antiga declara\u00e7\u00e3o expressa no s\u00e9culo passado <span class=\"small-caps\">xix<\/span> pelo naturalista, ge\u00f3grafo e explorador italiano Antonio Raimondi, cuja pesquisa o levou a afirmar que \"o Peru \u00e9 um mendigo sentado em um banco de ouro\" (Villacorta, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse modelo econ\u00f4mico, eufemisticamente chamado de \"desenvolvimento\", avan\u00e7a apesar de dezenas de estudos que apontaram que o reposicionamento como exportadores de mat\u00e9rias-primas n\u00e3o gera bem-estar, mas, ao contr\u00e1rio, gera depend\u00eancias econ\u00f4micas e desigualdades regionais com a cria\u00e7\u00e3o de enclaves extrativistas. Em termos pol\u00edticos, isso implica uma diminui\u00e7\u00e3o da soberania nacional, pois o destino econ\u00f4mico de nossos pa\u00edses \u00e9 cedido \u00e0 l\u00f3gica das grandes empresas extrativistas. Tamb\u00e9m \u00e9 preocupante o fato de que as dezenas de processos de contesta\u00e7\u00e3o, seja por meios legais ou por meio de vigorosas mobiliza\u00e7\u00f5es e protestos sociais, n\u00e3o consigam interromper os processos de expropria\u00e7\u00e3o ou desapropria\u00e7\u00e3o de vastos territ\u00f3rios ricos em recursos bioenerg\u00e9ticos. Como j\u00e1 salientei, as mulheres est\u00e3o desempenhando um papel central no ativismo contra a minera\u00e7\u00e3o, em que diferentes organiza\u00e7\u00f5es e coletivos est\u00e3o documentando, denunciando e mapeando esses processos. <em>Atlas da Justi\u00e7a Ambiental<\/em>que tem como objetivo mostrar as diferentes maneiras pelas quais as pessoas e as mulheres est\u00e3o sendo afetadas pela minera\u00e7\u00e3o e seu papel na constru\u00e7\u00e3o de alternativas a esse modelo econ\u00f4mico devastador.<a class=\"anota\" id=\"anota13\" data-footnote=\"13\">13<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Encerro este relato de resist\u00eancia contra o extrativismo com um testemunho da express\u00e3o mais recente que ocorreu no M\u00e9xico, em 11 e 12 de outubro de 2018, na cidade de Oaxaca, onde foi realizado um \"julgamento popular comunit\u00e1rio contra o Estado e as empresas de minera\u00e7\u00e3o\", que havia sido acordado durante o <em>Segundo Encontro Estadual de Povos, Comunidades e Organiza\u00e7\u00f5es \"aqui dizemos sim \u00e0 vida, n\u00e3o \u00e0 minera\u00e7\u00e3o\".<\/em>realizada na comunidade zapoteca de Magdalena Teitipac em 23 e 24 de fevereiro de 2018. Cerca de 60 comunidades e 36 organiza\u00e7\u00f5es participaram da reuni\u00e3o (Colectivo Oaxaque\u00f1o en Defensa de los Territorios, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o julgamento popular, foram apresentados 22 casos de empresas que est\u00e3o violando os direitos dos povos ind\u00edgenas no estado. Tamb\u00e9m foram coletados, documentados e divulgados depoimentos de v\u00e1rias comunidades e organiza\u00e7\u00f5es. Gostaria de destacar os apresentados pelas organiza\u00e7\u00f5es de mulheres ind\u00edgenas em defesa de seus territ\u00f3rios, que produziram um pequeno v\u00eddeo para relatar a situa\u00e7\u00e3o de seus direitos; esses s\u00e3o os casos das mulheres defensoras da terra de San Jos\u00e9 del Progreso<a class=\"anota\" id=\"anota14\" data-footnote=\"14\">14<\/a> e o das Defensoras del Territorio de San Mart\u00edn de los Cansecos,<a class=\"anota\" id=\"anota15\" data-footnote=\"15\">15<\/a> que constituem um testemunho das lutas dos povos ind\u00edgenas, onde as mulheres, juntamente com os homens, est\u00e3o desempenhando um papel importante.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Defensoras del Territorio: San Mart\u00edn de los Cansecos\" width=\"580\" height=\"326\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3DsUmK3qbVo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Os casos foram apresentados a um j\u00fari composto por ativistas sociais proeminentes, defensores dos direitos humanos e advogados de ampla experi\u00eancia e reconhecimento: Blanca Chancoso, vice-presidente da Ecuarunari no Equador;<a class=\"anota\" id=\"anota16\" data-footnote=\"16\">16<\/a> Jakeline Romero Epiayu, membro da organiza\u00e7\u00e3o Fuerza de Mujeres Wayuu e vencedora do Pr\u00eamio Nacional de Direitos Humanos da Col\u00f4mbia;<a class=\"anota\" id=\"anota17\" data-footnote=\"17\">17<\/a> Daniel Cerqueira, advogado brasileiro e especialista em direitos ind\u00edgenas da Due Process of Law Foundation (<span class=\"small-caps\">dplf<\/span>); Ignacio Henr\u00edquez, mestre em administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica com experi\u00eancia na coopera\u00e7\u00e3o da Oxfam em El Salvador; Miguel \u00c1lvarez, presidente da <span class=\"small-caps\">serapaz<\/span> e Pr\u00eamio Nacional de Direitos Humanos do M\u00e9xico; Abel Barrera, diretor do Centro de Direitos Humanos de Tlachinollan, M\u00e9xico; Beatriz Guti\u00e9rrez, Defensora Comunit\u00e1ria do Povo Ikoots de San Mateo del Mar, Oaxaca; Carmen Herrera Garc\u00eda, da Abogados y Abogadas por la Justicia de los Derechos Humanos A.C.; Francisco L\u00f3pez B\u00e1rcenas, advogado mixteco e especialista em direitos ind\u00edgenas. O j\u00fari foi apoiado pelos especialistas Ana de Ita, diretora do Centro de Estudios para el Cambio del Campo Mexicano (<span class=\"small-caps\">ceccam<\/span>); Sa\u00fal Rosado Zaidi, do Colectivo Multidisciplinario por las Alternativas Locales (<span class=\"small-caps\">comal<\/span>) e a Assembleia Nacional de Pessoas Afetadas pelo Meio Ambiente (<span class=\"small-caps\">anaa<\/span>), e Sa\u00fal Aquino, um cidad\u00e3o de Capul\u00e1lpam de M\u00e9ndez.<a class=\"anota\" id=\"anota18\" data-footnote=\"18\">18<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Blanca Chancosa: por una educaci\u00f3n con identidad\" width=\"580\" height=\"326\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NrP1FJI4Y44?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>O j\u00fari, depois de ouvir os testemunhos e analisar a documenta\u00e7\u00e3o enviada pelos povos e pelas autoridades comunit\u00e1rias, emitiu um veredicto final de nove pontos, no qual conclama o Estado mexicano a respeitar os direitos de autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas, a declarar o Estado de Oaxaca livre de projetos de minera\u00e7\u00e3o e a cancelar as concess\u00f5es que foram concedidas em flagrante viola\u00e7\u00e3o dos direitos dos povos ind\u00edgenas e camponeses.<a class=\"anota\" id=\"anota19\" data-footnote=\"19\">19<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Jakeline Romero - Fuerza de Mujeres Way\u00fau (Entrevista em espanhol\/ingl\u00eas)\" width=\"580\" height=\"326\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zh7NRj0xVSo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Embora seja uma decis\u00e3o n\u00e3o vinculante, ela ser\u00e1 enviada \u00e0s autoridades mexicanas a fim de aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre esse problema e defender a ado\u00e7\u00e3o de medidas para p\u00f4r fim \u00e0 desapropria\u00e7\u00e3o territorial e \u00e0 viola\u00e7\u00e3o de direitos que est\u00e3o se multiplicando em todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reflex\u00f5es finais sobre a viol\u00eancia contra as mulheres ind\u00edgenas no contexto extrativista<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O estudo da situa\u00e7\u00e3o das mulheres ind\u00edgenas v\u00edtimas de v\u00e1rias formas de viol\u00eancia tem sido abordado a partir de diferentes perspectivas, sendo que uma das mais sugestivas \u00e9 a que prop\u00f5e o conceito de <em>interseccionalidade<\/em>cunhado pela ativista e acad\u00eamica afro-americana Kimberle Crenshaw em 1991. Em seu artigo \"Mapping the margins: Intersectionality, Identities Politics and Violence against Women of Color\", ela reflete sobre a marginalidade das mulheres de cor, que est\u00e1 presente tanto no movimento antirracista, cujo sujeito de enuncia\u00e7\u00e3o \u00e9 o homem negro, quanto no movimento feminista, cujo referente (sujeito) de enuncia\u00e7\u00e3o \u00e9 a mulher branca. Portanto, apela para a import\u00e2ncia de tornar vis\u00edvel como as m\u00faltiplas formas de viol\u00eancia est\u00e3o conectadas de forma interseccional e visa repensar as margens que v\u00e3o da viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e0 viol\u00eancia estrutural, que, por sua vez, \u00e9 atravessada pela constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica racializada de identidades \u00e0 margem da sociedade mais ampla (De Marinis, no prelo).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, as feministas latino-americanas levantaram as m\u00faltiplas formas de opress\u00e3o sofridas pelas mulheres ind\u00edgenas por causa de sua classe, g\u00eanero e etnia, e a maneira como essas m\u00faltiplas formas de opress\u00e3o foram negadas pelos movimentos de esquerda e ind\u00edgenas no M\u00e9xico (Espinosa, 2010). Essas foram as principais contribui\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina. Como afirma Natalia de Marinis (no prelo), situar o conceito de interseccionalidade por meio da colonialidade e da abordagem do territ\u00f3rio e dos direitos coletivos torna-se um elemento importante a ser incorporado para se pensar a realidade das mulheres ind\u00edgenas. Na mesma linha, Mara Viveros (2016) nos convida a analisar as teias de viol\u00eancia a partir de abordagens hist\u00f3ricas e politicamente situadas para n\u00e3o perder seu potencial pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro elemento que \u00e9 importante destacar no atual contexto extrativista que viola os direitos coletivos de homens e mulheres ind\u00edgenas \u00e9 a mudan\u00e7a pol\u00edtica na Am\u00e9rica Latina, na qual governos conservadores de direita est\u00e3o sendo perigosamente instalados, reprimindo fortemente os movimentos sociais cr\u00edticos ao neoliberalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que podemos observar \u00e9 que, com a expans\u00e3o do capital extrativista, o discurso e as pr\u00e1ticas neocoloniais que prejudicam as terras e os territ\u00f3rios dos povos ind\u00edgenas e, com isso, as condi\u00e7\u00f5es de vida de seus membros, est\u00e3o sendo renovados. O estabelecimento de ind\u00fastrias extrativistas trouxe maior viol\u00eancia \u00e0s regi\u00f5es ind\u00edgenas e afrodescendentes e tem maior impacto na vida das mulheres, seja pela chegada de grupos paramilitares que buscam inibir o protesto social, seja porque sua opera\u00e7\u00e3o leva \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios, legais e ilegais, como bares, bord\u00e9is, prostitui\u00e7\u00e3o e tr\u00e1fico de pessoas, atividades que afetam a vida e os direitos de meninas e mulheres, como v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es, inclusive a Anistia Internacional, v\u00eam denunciando (Damiano, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher no M\u00e9xico, assim como no resto do continente, seus pr\u00f3prios testemunhos mostram que ela abrange um amplo espectro social, pois n\u00e3o afeta apenas as mulheres ind\u00edgenas, embora elas estejam entre os setores mais vulner\u00e1veis. Todos os dias, os n\u00fameros de assassinatos por \u00f3dio aumentam diante da incapacidade da sociedade de conter esse flagelo. A impunidade com que os criminosos agem, muitas vezes em cumplicidade com as autoridades, fala de um Estado falido, corro\u00eddo pela corrup\u00e7\u00e3o e infiltrado pelo crime. Um \"Estado sombra\", como Gledhill (2000) o chamou, que cresceu sob a prote\u00e7\u00e3o de reformas neoliberais. Por isso, A\u00edda Hern\u00e1ndez (2010: 95-96) argumenta que as an\u00e1lises de g\u00eanero em regi\u00f5es militarizadas, como as realizadas por Diana Nelson (1999) na Guatemala, Davida Wood (1995) na Palestina ou Dette Denich (1995) em Sarajevo, indicam que, em contextos de conflito pol\u00edtico-militar, a sexualidade feminina tende a se tornar um espa\u00e7o simb\u00f3lico de luta pol\u00edtica e o estupro \u00e9 instrumentalizado como uma forma de demonstrar poder e dom\u00ednio sobre o inimigo. Casos como os dos estados mexicanos de Chiapas, Atenco, Guerrero e Oaxaca n\u00e3o foram exce\u00e7\u00e3o; a militariza\u00e7\u00e3o e a paramilitariza\u00e7\u00e3o afetaram especificamente as mulheres em uma guerra suja n\u00e3o declarada. A partir de uma ideologia patriarcal, que continua a considerar as mulheres como objetos sexuais e como deposit\u00e1rias da honra da fam\u00edlia, o estupro, a tortura sexual e a mutila\u00e7\u00e3o corporal s\u00e3o um ataque a todos os membros do grupo inimigo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 lament\u00e1vel que, embora exista uma enorme quantidade de informa\u00e7\u00f5es sobre a Am\u00e9rica Latina que mostram os impactos da virada extrativista, pouco tenha sido feito para det\u00ea-la. Basta dizer que a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (<span class=\"small-caps\">cidh<\/span>) emitiu dezessete relat\u00f3rios sobre o m\u00e9rito entre 2000 e 2016, apontando o Estado mexicano por viola\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios instrumentos interamericanos. Entre 2007 e 2014, 39 medidas cautelares foram adotadas para indiv\u00edduos e comunidades cujos direitos est\u00e3o em risco. Por sua vez, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (<span class=\"small-caps\">cidh<\/span>) emitiu sete condena\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao M\u00e9xico, tr\u00eas das quais envolvendo mulheres.<a class=\"anota\" id=\"anota20\" data-footnote=\"20\">20<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>E, finalmente, no \u00faltimo relat\u00f3rio da Relatora Especial da ONU sobre sua visita ao M\u00e9xico em 2017, observou-se que o M\u00e9xico contribuiu muito para o avan\u00e7o da agenda ind\u00edgena em n\u00edvel internacional, incluindo a ado\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o da ONU sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas. Em n\u00edvel nacional, o reconhecimento dos direitos dos povos ind\u00edgenas \u00e0 autonomia e \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o no artigo 2 da Constitui\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 um desenvolvimento importante, assim como as iniciativas destinadas a facilitar sua participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">No entanto, \u00e9 preciso fazer mais para tornar essas iniciativas eficazes e abordar as causas fundamentais da marginaliza\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Durante a visita ao pa\u00eds, o Relator Especial observou situa\u00e7\u00f5es graves de exclus\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o contra os povos ind\u00edgenas [e afirmou que] as atuais pol\u00edticas de desenvolvimento, que promovem \"megaprojetos\" nos setores de extra\u00e7\u00e3o, energia, turismo, agroneg\u00f3cios e outros, representam um grande obst\u00e1culo para que os povos ind\u00edgenas desfrutem de seus direitos humanos. Houve um aumento significativo desses projetos de investimento, que s\u00e3o implementados nas terras e territ\u00f3rios dos povos ind\u00edgenas sem consulta adequada para obter seu consentimento livre, pr\u00e9vio e informado. Essa situa\u00e7\u00e3o resultou em desapropria\u00e7\u00e3o de terras, impactos ambientais negativos, conflitos sociais e criminaliza\u00e7\u00e3o de membros da comunidade ind\u00edgena que se op\u00f5em aos projetos. Al\u00e9m disso, ao tentar acessar a justi\u00e7a para denunciar viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos relacionadas a esses projetos de investimento, os povos ind\u00edgenas enfrentam s\u00e9rios obst\u00e1culos, como a dist\u00e2ncia f\u00edsica das institui\u00e7\u00f5es de administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, barreiras lingu\u00edsticas, falta de assist\u00eancia jur\u00eddica adequada, medo de repres\u00e1lias se uma queixa for apresentada e falta de mecanismos de prote\u00e7\u00e3o adequados (<span class=\"small-caps\">onu<\/span>, 2018: 9).<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessa viol\u00eancia, homens e mulheres ind\u00edgenas lideraram diversos processos de defesa dos territ\u00f3rios e da natureza, exigindo o reconhecimento do direito de tomar decis\u00f5es por meio do consentimento livre, pr\u00e9vio e informado, ou gerando novos espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o, como os processos de consulta aut\u00f4noma, comunit\u00e1ria ou popular (Ulloa, 2016a e 2016b), como o julgamento popular realizado no estado de Oaxaca. Tamb\u00e9m \u00e9 importante destacar que, por meio dos protestos e das a\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia empreendidas por mulheres ind\u00edgenas, afrodescendentes e camponesas, s\u00e3o apresentadas cr\u00edticas e propostas alternativas em rela\u00e7\u00e3o aos territ\u00f3rios e s\u00e3o posicionadas outras vis\u00f5es de desenvolvimento (alternativas ao desenvolvimento), bem como constru\u00e7\u00f5es culturais de g\u00eanero no contexto do extrativismo, como a \u00e9tica do cuidado e a justi\u00e7a ambiental. Astrid Ulloa chamou de \"feminismos territoriais\" essas din\u00e2micas pol\u00edticas que as mulheres est\u00e3o liderando n\u00e3o apenas na Col\u00f4mbia, mas tamb\u00e9m na Am\u00e9rica Latina, na medida em que s\u00e3o lutas territoriais e ambientais que se concentram na defesa do cuidado com o territ\u00f3rio, o corpo e a natureza, e na cr\u00edtica aberta aos processos de desenvolvimento e ao extrativismo. Diante desses cen\u00e1rios, continuar\u00e1 sendo fundamental combinar estrat\u00e9gias para a defesa dos territ\u00f3rios, desde a press\u00e3o social, os protestos coletivos, incorporando uma perspectiva de g\u00eanero que torne vis\u00edvel o impacto diferencial da viol\u00eancia contra as mulheres ativistas sociais ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas, bem como manter uma vigorosa luta jur\u00eddica: diante dos horrores, a lei; diante da deteriora\u00e7\u00e3o ambiental, a constru\u00e7\u00e3o de projetos alternativos que busquem recuperar ou construir sociedades harmoniosas onde prevale\u00e7am os direitos humanos, os direitos coletivos e os direitos de g\u00eanero. Todos n\u00f3s merecemos isso como cidad\u00e3os comprometidos com a constru\u00e7\u00e3o de mundos melhores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Acci\u00f3n Ecol\u00f3gica <em>et al<\/em>. 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M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">unam<\/span>, pp 1-17. https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.df.2016.09.005<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Wanaaleru (2016, 23 de julio). \u201cEl costo del arco minero para los pueblos indios\u201d. Recuperado de https:\/\/wanaaleru.wordpress.com\/ 2016\/07\/23\/el-costo-del-arco-minero-para-los-pueblos-indigenas\/, consultado el 3 de octubre de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Zibechi, Ra\u00fal (2015, 2 de diciembre). \u201cLa miner\u00eda, un mal negocio\u201d, en <em>America Latina en Movimiento.<\/em> Recuperado de http:\/\/www.alainet.org\/es\/articulo\/173976, consultado el 26 de junio de 2019.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\" translation-block\"><span class=\"dropcap\">A<\/span>ao longo da hist\u00f3ria, tem sido demonstrado que em um grande n\u00famero de conflitos h\u00e1 uma constante: a viol\u00eancia dirigida contra as mulheres, utilizando-as como despojos de guerra para denegrir e prejudicar os contendores, sejam eles povos, grupos ou indiv\u00edduos. Isso n\u00e3o \u00e9 diferente nos conflitos contempor\u00e2neos enfrentados pelas mulheres dos povos ind\u00edgenas, especialmente nos casos relacionados \u00e0 luta pela constru\u00e7\u00e3o, defesa e fortalecimento dos modelos aut\u00f4nomos de seus povos e comunidades, bem como naqueles relacionados \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o dos povos aos megaprojetos extrativistas que amea\u00e7am despoj\u00e1-los de seus territ\u00f3rios. Nesse cen\u00e1rio, as mulheres ind\u00edgenas est\u00e3o sendo submetidas a uma viol\u00eancia adicional, n\u00e3o apenas como despojos de guerra, mas tamb\u00e9m por causa de seu ativismo pol\u00edtico, seja como autonomistas, l\u00edderes de organiza\u00e7\u00f5es, sufragistas, feministas ou antiextrativistas. Nesse contexto, este artigo apresentar\u00e1 uma vis\u00e3o geral das diferentes interse\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, classe e etnia que, em um contexto extrativista neoliberal, violam homens e mulheres dos povos ind\u00edgenas, questionando o poder, a (in)justi\u00e7a e o modelo econ\u00f4mico atual, com foco nas continuidades e nas novas express\u00f5es de viol\u00eancia contra as mulheres ind\u00edgenas.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[503,315,336,485,502],"coauthors":[551],"class_list":["post-31251","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-9","tag-extractivismo-neoliberal","tag-genero","tag-interseccionalidad","tag-mujeres-indigenas","tag-violencia-contra-las-mujeres","personas-valladares-de-la-cruz-laura-r","numeros-439"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Mujeres ind\u00edgenas entre guerras: viejas y nuevas expresiones de la violencia &#8211; 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