{"id":31234,"date":"2019-09-23T13:50:34","date_gmt":"2019-09-23T13:50:34","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=31234"},"modified":"2023-11-17T18:53:09","modified_gmt":"2023-11-18T00:53:09","slug":"documental-centro-rehabilitacion-evangelico-tijuana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/documental-centro-rehabilitacion-evangelico-tijuana\/","title":{"rendered":"Construindo esperan\u00e7a: document\u00e1rio social participativo como metodologia de pesquisa em um centro de reabilita\u00e7\u00e3o evang\u00e9lico em Tijuana. Desafios e li\u00e7\u00f5es aprendidas"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Homens de Esperan\u00e7a: Reabilita\u00e7\u00e3o Evang\u00e9lica em Tijuana (Eng Sub)\" width=\"580\" height=\"326\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pt8yIlztuzo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sum\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">As metodologias de pesquisa que geram conhecimento cient\u00edfico social a partir da coleta de informa\u00e7\u00f5es emp\u00edricas se diversificaram gra\u00e7as aos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e \u00e0 transdisciplinaridade; por isso, \u00e9 importante refletir sobre como esses cruzamentos disciplinares nutrem e complexificam o papel da pesquisa sociocultural. Este artigo procura se aprofundar nos eventos, an\u00e1lises e aprendizados que surgiram durante a cria\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio social participativo Hombres de esperanza (2017) e suas v\u00e1rias exibi\u00e7\u00f5es para o p\u00fablico em geral, acad\u00eamicos e especialistas em artes visuais. Dessa forma, o objetivo \u00e9 estabelecer um di\u00e1logo entre o discurso art\u00edstico e o das ci\u00eancias sociais com base nos pontos em comum que convergem na cria\u00e7\u00e3o de um document\u00e1rio etnogr\u00e1fico, que foi feito em Tijuana e trata de um centro de reabilita\u00e7\u00e3o evang\u00e9lico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Palavras-chave: <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/antropologia-visual\/\" rel=\"tag\">antropologia visual<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/cine-etnografico\/\" rel=\"tag\">cinema etnogr\u00e1fico<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/documental-social-participativo\/\" rel=\"tag\">document\u00e1rio social participativo<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/droga\/\" rel=\"tag\">droga<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/masculinidades\/\" rel=\"tag\">masculinidades<\/a>, <a href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/tag\/religion\/\" rel=\"tag\">religi\u00e3o<\/a><\/p>\n\n\n<p class=\"en-title\">Construindo Esperan\u00e7a: Document\u00e1rio Social Participativo como M\u00e9todo de Pesquisa em um Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o Evang\u00e9lico de Tijuana; Desafios e Li\u00e7\u00f5es Aprendidas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">As metodologias de pesquisa que produzem conhecimento sociocient\u00edfico com base na coleta de evid\u00eancias emp\u00edricas expandiram-se recentemente gra\u00e7as aos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e \u00e0 interdisciplinaridade. Assim, \u00e9 pertinente refletir sobre como essas interse\u00e7\u00f5es disciplinares nutrem e acrescentam complexidade ao papel da pesquisa sociocultural. O artigo prop\u00f5e uma explora\u00e7\u00e3o profunda dos eventos, an\u00e1lises e li\u00e7\u00f5es aprendidas que surgiram da cria\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio social participativo <em>Hombres de esperanza <\/em>(<em>Homens de esperan\u00e7a<\/em>2017) e suas v\u00e1rias apresenta\u00e7\u00f5es para o p\u00fablico em geral, acad\u00eamicos e especialistas em artes visuais. Busca-se o di\u00e1logo entre os discursos art\u00edstico e das ci\u00eancias sociais, com base em pontos comuns que convergem na cria\u00e7\u00e3o de um document\u00e1rio etnogr\u00e1fico em Tijuana, que teve como tema um centro de reabilita\u00e7\u00e3o evang\u00e9lico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract en-text\">Palavras-chave: Antropologia visual, filme etnogr\u00e1fico, document\u00e1rio social participativo, drogas il\u00edcitas, masculinidades e religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">Provavelmente, de todos os nossos sentimentos, o \u00fanico que n\u00e3o \u00e9 verdadeiramente nosso \u00e9 a esperan\u00e7a. A esperan\u00e7a pertence \u00e0 vida, \u00e9 a pr\u00f3pria vida se defendendo.<br>Julio Cortazar, <em>Amarelinha<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">A pesquisa sociocultural geralmente envolve longos processos de apresenta\u00e7\u00e3o e troca de ideias entre professores, colegas e, ocasionalmente, membros interessados do p\u00fablico, no \u00e2mbito de confer\u00eancias e semin\u00e1rios. Dessa forma, um produto final \u00e9 gerado na forma de teses, artigos ou cap\u00edtulos em peri\u00f3dicos revisados por pares, e ser\u00e1 comentado e contrastado para gerar novos conhecimentos. Esse processo, usual em academias de pesquisa, adquire novas nuances ao integrar metodologias que buscam gerar conhecimento a partir de produtos que s\u00e3o alimentados por express\u00f5es art\u00edsticas e, portanto, os significados e o conhecimento gerados em torno das obras s\u00e3o alimentados tanto pelo processo de sua cria\u00e7\u00e3o quanto pelo impacto que podem ter sobre o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto a seguir \u00e9 um exerc\u00edcio incomum, pois se refere a eventos, an\u00e1lises, aprendizados e novas reflex\u00f5es que surgiram a partir da exibi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio social participativo. <em>Hombres de esperanza<\/em> (2017) para tr\u00eas p\u00fablicos diferentes: acad\u00eamico (por ser um documento relevante para a antropologia visual), festivais de cinema<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\">1<\/a> (especialistas em artes visuais) e apresenta\u00e7\u00f5es abertas ao p\u00fablico em geral. A sinopse oficial do v\u00eddeo \u00e9 a seguinte: as hist\u00f3rias que comp\u00f5em este document\u00e1rio foram dirigidas por membros do centro de reabilita\u00e7\u00e3o evang\u00e9lico La Esperanza. Para chegar a esse lugar, \u00e9 necess\u00e1rio ir at\u00e9 a periferia da cidade de Tijuana por uma estrada de terra no alto de uma colina; h\u00e1 uma s\u00e9rie de pequenos pr\u00e9dios delimitados por uma grade. Cerca de cem homens que, por meio da f\u00e9, buscam transformar sua identidade para deixar seus v\u00edcios para tr\u00e1s, est\u00e3o enclausurados nesse local.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o desse document\u00e1rio foi realizada em conjunto com a tese de mestrado em Estudos Culturais. <em>Homens de Esperan\u00e7a: Transformando a Identidade Masculina na Reabilita\u00e7\u00e3o Evang\u00e9lica da Depend\u00eancia de Drogas<\/em> (Gonz\u00e1lez-Tamayo, 2016), apresentado no El Colegio de la Frontera Norte. Os materiais audiovisuais usados para a pesquisa foram gerados em um workshop de fotografia e v\u00eddeo realizado no centro de reabilita\u00e7\u00e3o durante o segundo semestre de 2015 e analisados usando o m\u00e9todo de an\u00e1lise estrutural (<span class=\"small-caps\">mae<\/span>) (Su\u00e1rez, 2008).<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados detalhados dessa pesquisa podem ser encontrados como parte das publica\u00e7\u00f5es <em>Miradas multidisciplinarias a la diversidad religiosa mexicana<\/em> (Martinez e Zalpa, 2016) e <em>Eu deixo<\/em> <em>A ajuda de Deus para as drogas: experi\u00eancias de deten\u00e7\u00e3o em centros de reabilita\u00e7\u00e3o de fronteira<\/em> (Odgers e Olivas, 2018). O \u00faltimo trabalho \u00e9 particularmente relevante, pois compila a pesquisa de todos os membros do projeto de pesquisa. <em>A oferta terap\u00eautica dos Centros Evang\u00e9licos de Reabilita\u00e7\u00e3o para dependentes de drogas na regi\u00e3o da fronteira da Baixa Calif\u00f3rnia<\/em><a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reflex\u00f5es te\u00f3ricas sobre a cria\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios sociais participativos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A antropologia visual como uma busca de conhecimento etnogr\u00e1fico possibilitou a integra\u00e7\u00e3o de imagens, v\u00eddeos, sons e o contexto em que foram criados como uma ferramenta para a an\u00e1lise sociocultural, o que foi uma grande oportunidade para incorporar disciplinas relacionadas, como ci\u00eancias da comunica\u00e7\u00e3o e artes visuais, \u00e0 discuss\u00e3o. Com rela\u00e7\u00e3o ao exerc\u00edcio da etnografia de a\u00e7\u00e3o participativa (<span class=\"small-caps\">eap<\/span>)<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a>O objetivo era que ele pudesse ser inserido nos termos de uma investiga\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica, permitindo uma discuss\u00e3o te\u00f3rica de um problema social que precisa de muito mais aten\u00e7\u00e3o do que recebe, e de um documento audiovisual com valores art\u00edsticos, pois, apesar das limita\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas e das condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias do centro de reabilita\u00e7\u00e3o, os depoimentos que comp\u00f5em o document\u00e1rio etnogr\u00e1fico (Ziri\u00f3n, 2015) foram cuidadosa e criativamente planejados pelos detentos que os dirigiram. Como exemplo desse tipo de document\u00e1rio no M\u00e9xico, o antrop\u00f3logo Antonio Ziri\u00f3n dirigiu anteriormente <em>Voces de la Guerrero<\/em> (2004), um document\u00e1rio em que jovens de rua receberam c\u00e2meras para dar sua opini\u00e3o sobre sua realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de <em>Hombres de esperanza<\/em>O resultado desse processo art\u00edstico de cria\u00e7\u00e3o visual foi refletido em uma exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica no centro, dedicada \u00e0s suas fam\u00edlias, e em um document\u00e1rio social participativo (<span class=\"small-caps\">dsp<\/span>). Isso \u00e9 definido como<\/p>\n\n\n\n<p class=\"large-quote\">um v\u00eddeo document\u00e1rio que analisa a realidade social a partir de uma perspectiva cr\u00edtica, feito coletivamente por indiv\u00edduos ou organiza\u00e7\u00f5es sociais. Ao mesmo tempo, como os grupos e coletivos considerados geralmente n\u00e3o t\u00eam experi\u00eancia anterior em produ\u00e7\u00e3o audiovisual, o <span class=\"small-caps\">dsp<\/span> tamb\u00e9m consiste em um processo de treinamento e em uma s\u00e9rie de t\u00e9cnicas participativas que permitem que o grupo adquira o conhecimento te\u00f3rico e pr\u00e1tico necess\u00e1rio para produzir o document\u00e1rio (Mosangini, 2010: 10).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das preocupa\u00e7\u00f5es mais recorrentes na antropologia \u00e9 abordar os grupos de estudo de forma que o pesquisador tenha a menor influ\u00eancia poss\u00edvel em sua din\u00e2mica. No caso das metodologias de observa\u00e7\u00e3o participante, presume-se que a interven\u00e7\u00e3o do pesquisador influenciar\u00e1 qualquer din\u00e2mica resultante do trabalho de campo. Isso \u00e9 particularmente percept\u00edvel quando h\u00e1 c\u00e2meras envolvidas, pois em qualquer situa\u00e7\u00e3o um dispositivo de grava\u00e7\u00e3o influencia a din\u00e2mica estabelecida em um determinado grupo, o que pode ser intimidador na maioria dos casos. Al\u00e9m disso, os dispositivos de grava\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes levam os indiv\u00edduos a quererem ser notados, pois presumem que portar uma c\u00e2mera torna o pesquisador um agente de mudan\u00e7a com o qual podem se comunicar sobre quest\u00f5es sobre as quais querem ter um impacto.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o processo de desenvolvimento do plano de trabalho com os estagi\u00e1rios, foi levada em conta a poss\u00edvel desigualdade de poder impl\u00edcita no uso de ferramentas tecnol\u00f3gicas no contexto de uma popula\u00e7\u00e3o masculina com necessidades diversas, muitas vezes com pouca instru\u00e7\u00e3o. Essa problem\u00e1tica est\u00e1 embutida nos termos de descolonialidade problematizados por Chakravorty-Spivak (2003) quando ela perguntou \"pode o subalterno falar?\" Embora Spivak tenha abordado o caso das mulheres ind\u00edgenas, a ess\u00eancia de perguntar at\u00e9 que ponto esse envolvimento no campo pode ser uma extens\u00e3o de uma atitude colonizadora por parte do pesquisador nunca deve ser perdida de vista.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algum momento do feedback, perguntaram-me se a transmiss\u00e3o de conhecimentos sobre estrutura narrativa, tomadas e tipos de tomadas limitaria a criatividade dos estagi\u00e1rios. Isso \u00e9 relevante, pois os termos em que os estagi\u00e1rios falariam s\u00e3o vitais para n\u00e3o sacrificar seu estilo e criatividade. Sob essa l\u00f3gica de pensamento, \u00e9 poss\u00edvel chegar ao extremo de considerar o ensino da linguagem cinematogr\u00e1fica como uma imposi\u00e7\u00e3o colonialista. Essas perguntas s\u00e3o importantes porque nos levam a sugerir que as quest\u00f5es que as pessoas querem retratar t\u00eam mais peso do que os interesses tem\u00e1ticos do pesquisador, o que \u00e9 um exerc\u00edcio importante de humildade, respeito e confian\u00e7a do pesquisador-cineasta com seus informantes-parceiros de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A esse respeito, a pr\u00e1tica de campo mostrou que, em nenhuma circunst\u00e2ncia, os informantes deveriam ser subestimados, pois todos eles, por mais limitada que fosse sua situa\u00e7\u00e3o, conheciam o filme, estavam muito entusiasmados com o uso das c\u00e2meras e tinham vindo ao workshop para aprender, ou seja, compartilhamos as refer\u00eancias necess\u00e1rias para entender a import\u00e2ncia do conhecimento do workshop e como ele se refletiria no resultado final.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o desenvolvimento de um <span class=\"small-caps\">dsp<\/span> \u00e9 \u00fatil, pois o processo de ensino-aprendizagem ajuda os membros do grupo a se envolverem ativamente com as ferramentas dispon\u00edveis e a participarem delas de forma l\u00fadica. Isso \u00e9 extremamente \u00fatil em termos etnogr\u00e1ficos, pois o exerc\u00edcio ativo de aplicar o conhecimento adquirido revelou lideran\u00e7a, medos, agendas e esperan\u00e7as que n\u00e3o foram refletidos nas entrevistas aprofundadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aprendizados do trabalho de campo e da conceitualiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">A din\u00e2mica das oficinas de fotografia e v\u00eddeo envolveu a movimenta\u00e7\u00e3o de todos os membros em diferentes \u00e1reas do centro de reabilita\u00e7\u00e3o para capturar v\u00e1rias atividades no local. Alguns exemplos de eventos ocorridos em campo ser\u00e3o descritos a seguir, os quais, em retrospecto, mostram de forma sugestiva o n\u00edvel de envolvimento que pode ser alcan\u00e7ado com uma metodologia de interven\u00e7\u00e3o moderada e que, devido \u00e0 natureza do document\u00e1rio e aos objetivos da pesquisa, n\u00e3o foram inclu\u00eddos em documentos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o per\u00edodo de trabalho de campo no centro de reabilita\u00e7\u00e3o, um dos desafios mais importantes foi o estabelecimento de pap\u00e9is de trabalho cordiais, bem como regras que beneficiassem o anonimato daqueles que n\u00e3o queriam fazer parte do document\u00e1rio, apesar de estarem no centro e at\u00e9 mesmo fazerem parte da equipe de filmagem. As pessoas que desconfiavam das inten\u00e7\u00f5es do workshop foram imediatamente convidadas a participar da din\u00e2mica e v\u00e1rias tomadas foram improvisadas no local. As filmagens improvisadas nos diferentes espa\u00e7os do centro de reabilita\u00e7\u00e3o foram de grande ajuda para retratar \u00e1reas que n\u00e3o estavam dispon\u00edveis para o pesquisador. A partir desses documentos, foi poss\u00edvel ver atividades de constru\u00e7\u00e3o, murais e at\u00e9 mesmo espa\u00e7os de dif\u00edcil acesso, como o centro de desintoxica\u00e7\u00e3o (Detox).<\/p>\n\n\n\n<p>O testemunho mais dif\u00edcil de registrar foi o processo de interna\u00e7\u00e3o, pois o detento que dirigiu a cena estava em repouso devido a uma les\u00e3o na perna e a filmagem exigiu a coordena\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios detentos para montar uma encena\u00e7\u00e3o.<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> entrada da desintoxica\u00e7\u00e3o. Durante os minutos em que estivemos nessa sala, um preso ainda afetado por narc\u00f3ticos foi verbalmente agressivo com o preso que estava gravando. Essa cena se repetiu em duas ocasi\u00f5es, pois houve problemas com o \u00e1udio; em uma delas, excepcionalmente, peguei a c\u00e2mera para ter certeza de que a grava\u00e7\u00e3o n\u00e3o mostraria os rostos dos detentos na desintoxica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em duas ocasi\u00f5es, a refei\u00e7\u00e3o serviu como um meio de denotar a confian\u00e7a que foi criada entre os detentos e o pesquisador. A primeira ocasi\u00e3o ocorreu durante uma visita para dar continuidade aos preparativos para o workshop (especificamente buscando a assinatura do diretor do centro de reabilita\u00e7\u00e3o). Coincidentemente, a chegada foi na hora do almo\u00e7o e os detentos insistiram em compartilhar um prato de legumes. A princ\u00edpio, considerei a situa\u00e7\u00e3o dos detentos e relutei em concordar; no entanto, parecia rude n\u00e3o concordar. Enquanto comiam, um deles comentou comigo como o caldo era nutritivo para a dieta deles e como era uma b\u00ean\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m era comum eles se referirem ao meu tempo no centro como uma miss\u00e3o pessoal da qual eu n\u00e3o tinha conhecimento, mas que eles supunham que me aproximaria de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda ocasi\u00e3o ocorreu em um momento em que eu estava prestes a deixar o centro, mas fui chamado a uma das salas, onde estavam comendo uma pizza em segredo, e me ofereceram uma fatia. N\u00e3o era incomum que eu tivesse acesso \u00e0s salas, pois film\u00e1vamos em v\u00e1rias partes do centro, mas era incomum que eu fosse convidado de maneira casual, fora da c\u00e2mera. Com o passar das semanas, era percept\u00edvel que os detentos haviam se acostumado com a din\u00e2mica, pois faziam piadas de p\u00e9ssimo gosto na minha presen\u00e7a, inclusive com conota\u00e7\u00f5es sexuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante as filmagens, um estagi\u00e1rio me mostrou um <em>piercing <\/em>A filmagem de um testemunho teve de ser adiada devido ao estado de esp\u00edrito do diretor, pois ele estava pessoalmente afetado pela hist\u00f3ria que estava contando. Quando come\u00e7amos a gravar um testemunho, tivemos de adi\u00e1-lo devido ao estado de esp\u00edrito do diretor de plant\u00e3o, pois a hist\u00f3ria que ele estava contando o afetava pessoalmente. Em outra ocasi\u00e3o, presenciei a entrada de um detento alco\u00f3latra que, apesar de oferecer alguma resist\u00eancia \u00e0 sua entrada, estava com uma lata de cerveja na m\u00e3o durante todo o processo; por respeito ao novo detento, n\u00e3o liguei a c\u00e2mera naquele momento, pois, apesar da tenta\u00e7\u00e3o de obter material interessante para o espectador, isso trairia a vis\u00e3o que os detentos tinham do document\u00e1rio e daria um tom m\u00f3rbido e desnecess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>No final dos workshops, organizamos uma cerim\u00f4nia de encerramento para as fam\u00edlias dos internos, na qual foram exibidas fotografias deles. Gra\u00e7as \u00e0 Dra. Olga Odgers Ortiz, minha ent\u00e3o diretora de tese e produtora executiva do document\u00e1rio, conseguimos tomar as provid\u00eancias necess\u00e1rias, al\u00e9m de pagar pela impress\u00e3o de fotografias e certificados para os internos como parte do meu trabalho de campo. <em>Hombres de esperanza<\/em>. Para mim, a rea\u00e7\u00e3o dos participantes do workshop a esse conceito foi muito relevante, porque, como mencionei em outros textos, eu estava tentando unir dois conceitos que eles usam diariamente (homens do mundo e homens de f\u00e9); e, ao fazer isso, eu estava dando uma certa identidade ao seu processo de reabilita\u00e7\u00e3o; felizmente, os detentos receberam bem o conceito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Primeiro corte e vis\u00e3o dos detentos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O respeito pela vis\u00e3o do depoimento de cada detento foi uma quest\u00e3o particularmente importante durante o processo de edi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio. Como o centro de reabilita\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha luz el\u00e9trica (ocasionalmente usavam um motor a gasolina para a ilumina\u00e7\u00e3o) e n\u00e3o havia recursos t\u00e9cnicos para ensinar os detentos a editar, os depoimentos foram gravados de forma linear, com instru\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que foram respeitadas na edi\u00e7\u00e3o. Para respeitar a individualidade das vis\u00f5es, as imagens geradas em diferentes depoimentos n\u00e3o foram misturadas, e duas sequ\u00eancias foram inclu\u00eddas como imagens de bastidores para entender melhor o trabalho de campo realizado (em preto e branco), bem como uma sequ\u00eancia de cr\u00e9ditos com suas pr\u00f3prias imagens.<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A etapa mais importante para legitimar o document\u00e1rio foi quando um primeiro corte do document\u00e1rio foi apresentado no centro de reabilita\u00e7\u00e3o, pois os detentos tiveram que validar o trabalho realizado ou sugerir modifica\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que havia decis\u00f5es que eu n\u00e3o podia consultar no momento, como o uso de m\u00fasica e a ordem dos depoimentos; tamb\u00e9m eliminei v\u00e1rios agradecimentos ao pesquisador, pois eles desviavam o foco dos depoimentos. Como esse processo levou alguns meses, nem todos os detentos que participaram do document\u00e1rio estavam presentes, pois alguns haviam se retirado ou, em alguns casos, fugido. O document\u00e1rio foi exibido na capela, com a presen\u00e7a de familiares; foi interessante que, ao se sentarem, eles repetiram o costume evang\u00e9lico-pentecostal de os homens se sentarem de um lado e as mulheres de outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para assistir ao document\u00e1rio, trouxemos um alto-falante e um projetor, al\u00e9m de um len\u00e7ol que os detentos pegaram e pregaram na parede e na cruz do altar. O document\u00e1rio foi assistido com grande entusiasmo por parte dos detentos, que riram, aplaudiram e, enquanto ouviam os testemunhos, repetiam em voz alta: \"am\u00e9m\", como costumam fazer em seus cultos. Um dos informantes me disse que saiu da exibi\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o conseguia conter as l\u00e1grimas. No final do v\u00eddeo, houve uma sess\u00e3o de perguntas e respostas, na qual houve grande identifica\u00e7\u00e3o com o material exibido. Fui convidado a exibi-lo nas escolas e me pediram para dar mais \u00eanfase ao tema das fam\u00edlias. O coment\u00e1rio de uma jovem foi marcante, pois ela repreendeu os internos por terem rido em muitas partes do document\u00e1rio e n\u00e3o terem levado os depoimentos com mais solenidade e respeito. Os detentos responderam aplaudindo-a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Autoria do produto final<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">Uma das quest\u00f5es mais relevantes que surgiram quando come\u00e7amos a distribuir o document\u00e1rio foi a da autoria. Quando o exerc\u00edcio de transformar a quest\u00e3o da pesquisa em uma quest\u00e3o de autoria<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a> Nessa abordagem, o pesquisador ou l\u00edder do workshop se torna um artista que, como gerador da din\u00e2mica de trabalho, pode se apropriar de toda a autoria dos produtos, pois eles seriam seu pr\u00f3prio trabalho. Nessa abordagem, o pesquisador ou l\u00edder do workshop se torna um artista que, como gerador da din\u00e2mica de trabalho, pode se apropriar de toda a autoria dos produtos, pois eles seriam seu pr\u00f3prio trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao exposto, embora a din\u00e2mica de gera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado para o document\u00e1rio tenha sido claramente acordada desde o in\u00edcio do workshop, incluindo as permiss\u00f5es institucionais correspondentes, o exerc\u00edcio proposto pelas correntes de arte contempor\u00e2nea dentro dos modos de apropria\u00e7\u00e3o (Furi\u00f3 Vita, 2014) funciona como uma faca de dois gumes no caso da autoria desse document\u00e1rio. Al\u00e9m da compila\u00e7\u00e3o correta do material gerado, levando em conta as <span class=\"small-caps\">nom<\/span>-028, cartas de consentimento e transfer\u00eancia de direitos, considerar os detentos como elementos que comp\u00f5em o trabalho de um artista sacrifica a parte mais importante que a pesquisa busca destacar: a vis\u00e3o dos detentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos cinematogr\u00e1ficos, uma figura adequada para o pesquisador-cineasta \u00e9 a do produtor; apesar de muitas vezes ter a ideia original da obra, gerar os meios para a realiza\u00e7\u00e3o do produto audiovisual e deter os direitos sobre ele, n\u00e3o \u00e9 considerado autor, pois a autoria est\u00e1 nas decis\u00f5es do diretor. Entretanto, no caso deste document\u00e1rio, como editor, curador da antologia de depoimentos e articulador de alguns segmentos de bastidores que foram incorporados para dar coer\u00eancia narrativa ao document\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel negar que minha voz e vis\u00e3o est\u00e3o inseridas junto com as dos detentos; falar\u00edamos ent\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Per\u00edodo de exposi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O per\u00edodo de distribui\u00e7\u00e3o foi dif\u00edcil, pois envolveu negocia\u00e7\u00f5es com institui\u00e7\u00f5es e programadores em congressos, que foram realizados em locais que geralmente n\u00e3o estavam equipados para a exibi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos. O p\u00fablico externo, de modo geral, apreciou o tema do document\u00e1rio; entre os coment\u00e1rios mais instigantes estava uma grande empatia pelas hist\u00f3rias apresentadas, com alguns dos espectadores mencionando que seria dif\u00edcil para eles ignorar os sem-teto, pois agora estavam mais conscientes de que eles tendiam a ser homens doentes e desamparados.<a class=\"anota\" id=\"anota7\" data-footnote=\"7\">7<\/a> por causa de seus v\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica cr\u00edtica direta ao discurso dos detentos foi feita por um professor de m\u00eddia visual, que insistiu que o discurso dos detentos era hip\u00f3crita. A resposta a isso foi respeitosa, lembrando-nos de que os detentos t\u00eam o direito de contar sua perspectiva da situa\u00e7\u00e3o e que a pesquisa qualitativa usa os significados dos discursos em vez de sua verossimilhan\u00e7a. Um coment\u00e1rio muito reconfortante de um acad\u00eamico enfatizou que, no exerc\u00edcio criativo, os detentos tiveram a oportunidade de se representar e escolheram se representar com dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro da equipe que estudou os centros de reabilita\u00e7\u00e3o, um dos maiores reconhecimentos foi ter um registro que funciona como uma amostra de um problema que \u00e9 dif\u00edcil de apreender, devido ao fato de que o n\u00famero de homens que passam pelo centro de reabilita\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande e flutuante que \u00e9 dif\u00edcil ter provas de sua passagem. Por fim, o maior reconhecimento que o document\u00e1rio recebeu foi uma Men\u00e7\u00e3o Especial do j\u00fari do Festival Internacional de Cinema Cat\u00f3lico de Cali, que reconheceu o valor do document\u00e1rio \"por sua proposta audiovisual arriscada, gra\u00e7as \u00e0 qual os detentos de um centro de reabilita\u00e7\u00e3o em Tijuana se tornam os diretores de seu pr\u00f3prio document\u00e1rio, dando-nos um testemunho valioso, honesto e alegre do caminho que percorreram de m\u00e3os dadas com Jesus Cristo para nascer para uma nova vida livre de v\u00edcios, cheia de esperan\u00e7a\".<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar dos anos e durante algumas das visitas que fizemos ap\u00f3s a conclus\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es, percebi que o centro de reabilita\u00e7\u00e3o mudou, pois agora conta com outras pessoas e as condi\u00e7\u00f5es do pr\u00e9dio melhoraram. A maioria dos detentos com os quais trabalhei n\u00e3o voltei a ver depois do workshop; a popula\u00e7\u00e3o do centro \u00e9 muito flutuante e eles nem sempre fornecem dados de localiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\">O processo de cria\u00e7\u00e3o de um document\u00e1rio participativo como ferramenta de pesquisa sociocultural \u00e9 complexo em v\u00e1rios aspectos. Em primeiro lugar, faz\u00ea-lo em uma institui\u00e7\u00e3o que n\u00e3o considera esse tipo de produto resultante como parte da pr\u00f3pria pesquisa significa que o trabalho tem de ser duplicado para diferenciar a tese do document\u00e1rio. Os processos burocr\u00e1ticos, o comit\u00ea de \u00e9tica, o processo de convencer os gerentes e os detentos do centro de reabilita\u00e7\u00e3o, as cartas de consentimento informado, a prote\u00e7\u00e3o da identidade de pessoas que n\u00e3o deveriam aparecer, problemas t\u00e9cnicos, todos esses fatores s\u00e3o problem\u00e1ticos, mas elementos comuns nesses processos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante conhecer os informantes da melhor forma poss\u00edvel e projetar a metodologia de inser\u00e7\u00e3o com base nas necessidades do grupo e no que o pesquisador pode oferecer. O trabalho de campo realizado n\u00e3o deve levar apenas a uma compreens\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o; as metodologias de interven\u00e7\u00e3o buscam empatia, horizontalidade e rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a. Por isso, as inten\u00e7\u00f5es dos pesquisadores e as hierarquias de poder geradas devem ser claras, discutidas e acordadas. No caso de grupos vulner\u00e1veis, \u00e9 aconselh\u00e1vel usar conceitos te\u00f3ricos que ofere\u00e7am ag\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o estudada, a fim de complexificar a discuss\u00e3o em termos que n\u00e3o convidem \u00e0 reestigmatiza\u00e7\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Um fator que \u00e9 menos discutido \u00e9 o n\u00edvel de envolvimento<a class=\"anota\" id=\"anota8\" data-footnote=\"8\">8<\/a> A responsabilidade de colaborar com as pessoas com as quais voc\u00ea colabora e a responsabilidade de aceitar as hist\u00f3rias delas s\u00e3o particularmente evidentes na edi\u00e7\u00e3o. A montagem de tudo isso \u00e9 complexa, pois \u00e9 necess\u00e1rio respeitar as vozes, equilibrar as hist\u00f3rias, criar um v\u00eddeo divertido, obter m\u00fasicas originais ou livres de royalties, tudo em prol das hist\u00f3rias. No caso da vis\u00e3o dos detentos, era importante que sua hist\u00f3ria pudesse se conectar com outras pessoas com problemas semelhantes e que o testemunho de seu caso pudesse servir de exemplo para outras pessoas e alert\u00e1-las sobre o uso excessivo de narc\u00f3ticos. Apesar das dificuldades envolvidas nesse processo, recomenda-se que, na medida do poss\u00edvel, os grupos envolvidos participem da implementa\u00e7\u00e3o do produto final.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o, a falta de protocolos institucionais para documentos audiovisuais significa que, eventualmente, como cineasta e pesquisador, a pessoa enfrenta a dificuldade de encontrar um p\u00fablico e espa\u00e7os para divulga\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 particularmente complexo para pesquisadores que n\u00e3o tiveram contato com a din\u00e2mica de distribui\u00e7\u00e3o de filmes. Como resultado, a exposi\u00e7\u00e3o tende a se reduzir a f\u00f3runs, congressos ou publica\u00e7\u00f5es on-line, o que geralmente n\u00e3o compensa economicamente, devido \u00e0 natureza institucional desses espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de um produto audiovisual que pretende fazer parte de uma pesquisa cient\u00edfica social geralmente implica um caminho dif\u00edcil e solit\u00e1rio quando n\u00e3o h\u00e1 uma equipe de trabalho, o que \u00e9 comum nessas interse\u00e7\u00f5es entre a antropologia visual e o document\u00e1rio, pois n\u00e3o h\u00e1 uma ind\u00fastria que apoie o filme etnogr\u00e1fico, e as institui\u00e7\u00f5es muitas vezes n\u00e3o t\u00eam mecanismos para aproveitar ao m\u00e1ximo o document\u00e1rio. Portanto, n\u00e3o \u00e9 um modelo que beneficia a gera\u00e7\u00e3o de novos conte\u00fados. Entretanto, no caso do <em>Hombres de esperanza<\/em> O p\u00fablico que p\u00f4de assistir ao document\u00e1rio ficou muito grato pelo esfor\u00e7o realizado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Chakravorty-Spivak, Gayatry y S. Giraldo (2003). \u201c\u00bfPuede hablar el subalterno?\u201d, en <em>Revista Colombiana de Antropolog\u00eda<\/em>, vol. 39, pp. 297-364.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Festival Internacional de Cine de Guadalajara (2017). <em>Doculab.9: Los confines de la de-construcci\u00f3n, y re-conexi\u00f3n del recuerdo<\/em>. Guadalajara: <span class=\"small-caps\">ficg<\/span> 32.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Furi\u00f3 Vita, Dolores (2014). <em>Apropiacionismo de im\u00e1genes: Found Footage<\/em>. Valencia: Universidad Polit\u00e9cnica de Valencia. Disponible en http:\/\/hdl.handle.net\/10251\/37019, consultado el 23 de agosto de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Gonz\u00e1lez-Tamayo, Eduardo (2016). \u201cHombres de esperanza: transformaci\u00f3n de la identidad masculina en la rehabilitaci\u00f3n evang\u00e9lica a la f\u00e1rmacodependencia (Tijuana, B.C.)\u201d. Tijuana: El Colegio de la frontera Norte [tesis de maestria].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Gonz\u00e1lez-Tamayo, Eduardo (2017). <em>Hombres de esperanza<\/em>. Tijuana: El Colegio de la Frontera Norte [dvd].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Berraquero-D\u00edaz, F. Maya-Rodriguez y F. Escalera (2016). \u201cLa colaboraci\u00f3n como condici\u00f3n: la etnograf\u00eda participativa como oportunidad para la acci\u00f3n\u201d, en <em>Revista de Dialectolog\u00eda y Tradiciones Populares<\/em>, vol. 71, n\u00fam. 1, pp. 49-57. https:\/\/doi.org\/10.3989\/rdtp.2016.01.001.04<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Farrell, Warren (2000). <em>The Myth of Male Power<\/em>. Nueva York: Berkley Trade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mart\u00ednez, Luis y G. Zalpa (coord.) (2016). <em>Miradas multidisciplinarias a la diversidad religiosa mexicana<\/em>. Tijuana: El Colegio de la frontera Norte \/ Juan Pablos Editor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Mosangini, Giorgio (2010). <em>Documentales para la transformaci\u00f3n: gu\u00eda para la elaboraci\u00f3n de documentales sociales participativos<\/em>. Madrid: <span class=\"small-caps\">acsur<\/span>-Las Segovias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Niney, Fran\u00e7ois (2015). <em>El documental y sus falsas apariencias<\/em>. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">unam<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Odgers, Olga y O. Olivas (coord.) (2018). \u00bfDeja<em>r las drogas con ayuda de Dios? Experiencias de internamiento en centros de rehabilitaci\u00f3n fronterizos<\/em>. Tijuana: El Colegio de la Frontera Norte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Su\u00e1rez, Hugo Jos\u00e9 (coord.) (2008). <em>El sentido y el m\u00e9todo: sociolog\u00eda de la cultura y an\u00e1lisis de contenido<\/em>. Zamora: El Colegio de Michoac\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ziri\u00f3n, Antonio (2015). \u201cMiradas c\u00f3mplices: cine etnogr\u00e1fico, estrategias colaborativas y antropolog\u00eda visual aplicada\u201d, en <em>Iztapalapa<\/em>, n\u00fam 78, a\u00f1o 36, pp 45-70. https:\/\/doi.org\/10.28928\/revistaiztapalapa\/782015\/atc2\/zirionpereza<\/p>\n\n\n\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Ziri\u00f3n, Antonio, A. Adri\u00e1n y D. Rivera (2004). <em>Voces de la Guerrero<\/em>. M\u00e9xico: Homovidens [dvd].<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>T\u00edtulo:<\/strong> <em>Homens de esperan\u00e7a.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Endere\u00e7o: <\/strong>Detentos e equipe do centro de reabilita\u00e7\u00e3o La Esperanza, Eduardo Y. Glez Tamayo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>C\u00e2mera:<\/strong> Detentos e equipe do centro de reabilita\u00e7\u00e3o La Esperanza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Som direto:<\/strong> Eduardo Y. Glez. Tamayo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Produ\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o: <\/strong>Eduardo Y. Glez. Tamayo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Produtor executivo: <\/strong>Olga Odgers Ortiz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>Consultoria Dignicraft: <\/strong>Ana Paola Rodr\u00edguez, Jos\u00e9 Luis Figueroa, Omar Foglio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"abstract\"><strong>M\u00fasica: <\/strong>Alexis Alonso e Roel L\u00f3pez.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\" translation-block\"><span class=\"dropcap\">As metodologias de pesquisa que geram conhecimento cient\u00edfico social a partir da coleta de informa\u00e7\u00f5es emp\u00edricas se diversificaram gra\u00e7as aos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e \u00e0 transdisciplinaridade; por isso, \u00e9 importante refletir sobre como esses cruzamentos disciplinares nutrem e complexificam o papel da pesquisa sociocultural. Este artigo procura se aprofundar nos eventos, an\u00e1lises e aprendizados que surgiram durante a cria\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio social participativo Hombres de esperanza (2017) e suas v\u00e1rias exibi\u00e7\u00f5es para o p\u00fablico em geral, acad\u00eamicos e especialistas em artes visuais. Dessa forma, o objetivo \u00e9 estabelecer um di\u00e1logo entre o discurso art\u00edstico e o das ci\u00eancias sociais com base nos pontos em comum que convergem na cria\u00e7\u00e3o de um document\u00e1rio etnogr\u00e1fico, que foi feito em Tijuana e trata de um centro de reabilita\u00e7\u00e3o evang\u00e9lico.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[296,493,494,495,417,264],"coauthors":[551],"class_list":["post-31234","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-11","tag-antropologia-visual","tag-cine-etnografico","tag-documental-social-participativo","tag-droga","tag-masculinidades","tag-religion","personas-gonzalez-tamayo-eduardo-yael","numeros-439"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Construyendo esperanza: el documental social participativo como metodolog\u00eda de investigaci\u00f3n en un centro de rehabilitaci\u00f3n evang\u00e9lico en Tijuana. 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