{"id":31195,"date":"2019-09-23T13:46:11","date_gmt":"2019-09-23T13:46:11","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=31195"},"modified":"2024-04-24T11:46:54","modified_gmt":"2024-04-24T17:46:54","slug":"religion-conservadurismo-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/religion-conservadurismo-america-latina\/","title":{"rendered":"Tradicionalismos, fundamentalismos, fascismos? O avan\u00e7o do conservadorismo na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">A consolida\u00e7\u00e3o de projetos conservadores apoiados por atores pol\u00edticos e religiosos na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o \u00e9 novidade: o continente tem assistido a avan\u00e7os e crises de governos populares, ditaduras sangrentas, discursos violentos e processos de expans\u00e3o de direitos que se realizam com intensidade vari\u00e1vel e temporalidades desacopladas em diferentes pa\u00edses. O casamento heterossexual, o controle dos pais sobre a educa\u00e7\u00e3o dos filhos e o papel central da mulher como base da estrutura familiar est\u00e3o no centro do pensamento desses projetos conservadores e os levam a desenvolver a\u00e7\u00f5es concretas na esfera p\u00fablica, relacionadas \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s leis de educa\u00e7\u00e3o sexual, \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o do aborto e \u00e0 extens\u00e3o do direito ao casamento aos homossexuais.<\/p>\n<p>As formas de nomear essa tend\u00eancia s\u00e3o objeto de discuss\u00e3o nesta se\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o nome em si \u00e9 um problema: s\u00e3o express\u00f5es formadas por setores social e at\u00e9 politicamente diversos, que pedem transforma\u00e7\u00f5es de diferentes espessuras, dependendo do contexto. A imprensa progressista tende a rotul\u00e1-los de tradicionalistas porque exaltam a ordem e a mem\u00f3ria das sociedades pr\u00e9-modernas, de fascistas por causa de seu gosto por hierarquias e sua predile\u00e7\u00e3o por s\u00edmbolos militares e, no entanto, caracterizam-se pelo uso de tecnologias, pela constru\u00e7\u00e3o de comunidades com base em elementos organizacionais inspirados em desenvolvimentos de gest\u00e3o empresarial e pelo uso da m\u00eddia e de sua gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Com base nessas ideias, organizamos nossa discuss\u00e3o em torno de tr\u00eas perguntas, que os autores responderam com base na experi\u00eancia de cada pa\u00eds.<\/p>\n\n    <div class=\"discrepancia tres\">\n        <h2>Qual \u00e9 o contexto hist\u00f3rico e social em que surgem as express\u00f5es de direita\/fascistas\/conservadoras?<\/h2><br \/>\n\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"burity\">\n        <p class=\"nombre\">Joanildo Burity<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Ainda n\u00e3o \u00e9 noite. H\u00e1 at\u00e9 mesmo muita luz<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"romero\">\n        <p class=\"nombre\">Catalina Romero<\/p>\n        <p class=\"llamada\">A Igreja Cat\u00f3lica no Peru estava criando novas ra\u00edzes<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"mansilla\">\n        <p class=\"nombre\">Miguel \u00c1ngel Mansilla<\/p>\n        <p class=\"llamada\">A crise da esquerda evang\u00e9lica veio da pr\u00f3pria centro-esquerda.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"lozano\">\n        <p class=\"nombre\">Fabio Lozano<\/p>\n        <p class=\"llamada\">As vit\u00f3rias das iniciativas autorit\u00e1rias t\u00eam sido apoiadas por um n\u00famero cada vez maior de partid\u00e1rios.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"toniol\">\n        <p class=\"nombre\">Rodrigo Toniol<\/p>\n        <p class=\"llamada\">O Brasil n\u00e3o seria mais o pa\u00eds do futuro, mas uma realidade do presente<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"torre\">\n        <p class=\"nombre\">Ren\u00e9e de la Torre<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Estamos vivendo o desgaste das democracias modernas<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><br \/>\n\n      <div class=\"respuesta burity\"><br \/>\n<p class=\"no-indent\"><span class=\"dropcap\">N<\/span>ossa posi\u00e7\u00e3o pode ser descrita pela express\u00e3o hegeliana sobre o conhecimento de que a coruja de Minerva s\u00f3 levanta voo ao cair da noite. Ainda n\u00e3o \u00e9 noite. H\u00e1 ainda muita luz, o ofuscamento do que acontece sem esperar por n\u00f3s e o grito cacof\u00f4nico das vozes que anunciam uma nova prociss\u00e3o dos poderosos. Assim, a for\u00e7a de nossas interpreta\u00e7\u00f5es ainda est\u00e1 muito misturada com rea\u00e7\u00f5es e apostas, <em>na m\u00eddia res<\/em>. O que ainda fazemos s\u00e3o relacionamentos <em>ad hoc<\/em> entre eventos pontuais ou gerais e fragmentos de an\u00e1lise de \u00e9pocas passadas em que \"o pior\" aconteceu. H\u00e1 uma tend\u00eancia de considerar os conservadores religiosos como <em>proxies<\/em> da \"religi\u00e3o\" como tal e inflar seu poder de determinar eventos, apresentando-a como a pr\u00f3pria personifica\u00e7\u00e3o da amea\u00e7a aos \"nossos\" valores liberais e\/ou democr\u00e1ticos. O que muitos de n\u00f3s conseguimos fazer at\u00e9 agora foi participar da estrutura antag\u00f4nica criada e, portanto, permanecemos como <em>atores<\/em> da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria ideia de que a hist\u00f3ria j\u00e1 nos forneceu modelos ou gabaritos que nos poupar\u00e3o o trabalho de produzir uma estrutura de entendimento. Vamos come\u00e7ar nos livrando da ideia de contexto como um legado de experi\u00eancias passadas e questionando a <em>especificidade<\/em> de nossa situa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. Ainda teremos que falar de contexto, mas em dois sentidos fundamentais: como prioriza\u00e7\u00e3o do <em>evento<\/em> na tradi\u00e7\u00e3o herdada e como parte de nossa pr\u00f3pria <em>localiza\u00e7\u00e3o relacional<\/em> como analistas nessa leitura do real. O contexto \u00e9 <em>constru\u00e7\u00e3o<\/em> aberto, contest\u00e1vel e relacional. N\u00e3o \u00e9 um dado adquirido, n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 fora.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, precisamos ouvir a situa\u00e7\u00e3o, falar menos e ouvir com aten\u00e7\u00e3o e humildade o que as pessoas dizem, sem perder a perspectiva de que a fala dos atores sociais n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, a chave para entender o que eles fazem e pensam. Se a ideia de contexto chama nossa aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de refor\u00e7ar o v\u00ednculo com \"o que acontece\", n\u00e3o h\u00e1 contexto sem refer\u00eancia a estruturas mais amplas de inteligibilidade: teorias, metodologias, narrativas e projetos de a\u00e7\u00e3o. Aqui, acredito que, mais do que os termos mobilizados pela pergunta, \u00e9 importante incorporar a quest\u00e3o da crise da democracia como um regime e como uma proposta para a gest\u00e3o do social em sociedades cada vez mais assoladas pela ideia do mercado capitalista como a medida de todas as coisas.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta romero\"><br \/>\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">S<\/span>Se pensarmos na d\u00e9cada de 1970 a 1980, o Peru tinha um governo militar reformista que, embora autorit\u00e1rio e nacionalista, realizou uma reforma agr\u00e1ria que afetou seriamente as elites olig\u00e1rquicas; uma reforma educacional que renovou os m\u00e9todos de ensino e aprendizagem, bem como outras medidas de v\u00e1rios tipos que refor\u00e7aram seu car\u00e1ter ditatorial, como a expropria\u00e7\u00e3o da imprensa e o controle da liberdade de express\u00e3o, expulsando jornalistas do pa\u00eds, e a demiss\u00e3o de milhares de trabalhadores ap\u00f3s uma greve, o que, juntamente com a crise econ\u00f4mica que se iniciava, acelerou a mudan\u00e7a de regime para a democracia.<\/p>\n<p>Essa foi uma \u00e9poca em que a Igreja Cat\u00f3lica no Peru estava criando novas ra\u00edzes em seu relacionamento com os pobres do campo e das cidades, que estavam passando por um processo acelerado de urbaniza\u00e7\u00e3o. Vivendo com os novos habitantes do que eles chamavam de Pueblos J\u00f3venes, eles compartilhavam suas lutas e esperan\u00e7as. Participando como alde\u00f5es, eles contribu\u00edram para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida dos novos moradores das favelas, muitas vezes em conex\u00e3o com outras igrejas e organiza\u00e7\u00f5es sociais, incluindo as igrejas e organiza\u00e7\u00f5es sociais.<br \/>\npartidos pol\u00edticos, que juntos fortaleceram uma sociedade civil capaz de resistir \u00e0s medidas de controle do regime e aproveitar os espa\u00e7os de mudan\u00e7a que se abriam. Essa \u00e9poca foi muito marcada pela pr\u00e1tica das comunidades crist\u00e3s de base, pela teologia da liberta\u00e7\u00e3o, pela op\u00e7\u00e3o pelos pobres, pelo protagonismo popular que respeita as identidades sociais, culturais e pol\u00edticas dos cidad\u00e3os de todas as classes sociais e, mais tarde, pelos direitos humanos. Os problemas econ\u00f4micos foram enfrentados quando houve demiss\u00f5es em massa, e foram feitas panelas comuns e, de forma mais est\u00e1vel, foram formados refeit\u00f3rios para combater a fome e a pobreza causadas pelo desemprego e pela infla\u00e7\u00e3o, por iniciativa de cidad\u00e3os leigos e solid\u00e1rios.<\/p>\n<p>Observando o per\u00edodo democr\u00e1tico que se abriu em 1980 com as elei\u00e7\u00f5es e as possibilidades da pol\u00edtica no Peru, v\u00e1rios fatores coincidiram para gerar um contexto no qual as for\u00e7as conservadoras, que at\u00e9 hoje consideram que o governo militar est\u00e1 do lado dos movimentos que promovem os direitos humanos e dos cidad\u00e3os, come\u00e7aram a estar mais presentes de diferentes maneiras.<\/p>\n<p>Analisando a economia, a crise de 1980 que atingiu a Am\u00e9rica Latina afetou o Peru a partir do governo de Fernando Bela\u00fande Terry entre 1980 e 1985, que conseguiu negociar a crise, o que n\u00e3o foi o caso das pol\u00edticas de Alan Garc\u00eda (1985-1990), que desencadeou uma hiperinfla\u00e7\u00e3o que consistiu em maxidesvaloriza\u00e7\u00f5es da taxa de c\u00e2mbio e um maxi-aumento dos pre\u00e7os p\u00fablicos (Dancourt, 1995), com consequ\u00eancias tremendas para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O governo que se seguiu foi o de Alberto Fujimori, cuja elei\u00e7\u00e3o levou ao virtual desaparecimento dos partidos pol\u00edticos em 1990, quando ele derrotou Mario Vargas Llosa, com seu partido Frente Democr\u00e1tica, que liderou no primeiro turno, mas n\u00e3o obteve votos suficientes para ser eleito, no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es, e o <span class=\"small-caps\">apra<\/span>que ficou em terceiro lugar.<\/p>\n<p>Fujimori fechou o Congresso dois anos ap\u00f3s o in\u00edcio de seu governo e foi for\u00e7ado pelo <span class=\"small-caps\">oas<\/span> convocou novas elei\u00e7\u00f5es para um Congresso Constituinte Democr\u00e1tico. Ele se dedicou \u00e0 assist\u00eancia social para se aproximar das massas populares que o haviam eleito, teve o apoio do ex\u00e9rcito e conseguiu ser reeleito presidente em 1995 contra Javier P\u00e9rez de Cuellar, ex-secret\u00e1rio geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, apoiado por um partido de centro-esquerda, e depois em 2000, em elei\u00e7\u00f5es que foram altamente questionadas pela oposi\u00e7\u00e3o, em meio a esc\u00e2ndalos pol\u00edticos e de corrup\u00e7\u00e3o, levaram \u00e0 ren\u00fancia de Fujimori fora do pa\u00eds, o que deu in\u00edcio \u00e0 transi\u00e7\u00e3o para um novo governo.<\/p>\n<p>Na primeira elei\u00e7\u00e3o, Fujimori contou com Carlos Garc\u00eda y Garc\u00eda, pastor de uma igreja batista, como seu primeiro vice-presidente e com o apoio de outras igrejas evang\u00e9licas que confiavam nele. Mas ap\u00f3s o fechamento do Congresso, Garc\u00eda y Garc\u00eda se distanciou de outros evang\u00e9licos. Desde ent\u00e3o, ele tem sido apoiado por outros grupos mais conservadores que buscam acesso ao poder para expandir suas igrejas e alcan\u00e7ar a igualdade religiosa, bem como a defesa da fam\u00edlia e da vida. Sua proximidade com o <span class=\"small-caps\">apra<\/span> tamb\u00e9m \u00e9 not\u00e1vel e formaram seus pr\u00f3prios partidos pol\u00edticos, como o Pastor Lay, que, ap\u00f3s fazer parte da Comiss\u00e3o da Verdade e Reconcilia\u00e7\u00e3o, foi candidato e eleito congressista e \u00e9 membro do Partido Restauraci\u00f3n, que o apoiou em sua candidatura presidencial.<\/p>\n<p>Fujimori tamb\u00e9m tinha um relacionamento muito pr\u00f3ximo com o Monsenhor Juan Luis Cipriani enquanto ele era arcebispo de Ayacucho, o centro da lideran\u00e7a do Sendero Luminoso e de seus ataques \u00e0 popula\u00e7\u00e3o civil, onde houve muitas viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta mansilla\"><br \/>\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">No Chile, o mundo evang\u00e9lico, principalmente em sua linha protestante, come\u00e7ou a participar da pol\u00edtica no \u00faltimo quarto do s\u00e9culo XIX em partidos liberais e radicais. Essa participa\u00e7\u00e3o foi retomada na d\u00e9cada de 1930, quando os pentecostais se juntaram gradualmente, embora n\u00e3o tenham conseguido chegar ao n\u00edvel de deputados, mas fizeram parte de sindicatos e governos municipais e regionais, tanto por elei\u00e7\u00e3o popular quanto por cargos de confian\u00e7a. Em contrapartida, os evang\u00e9licos protestantes (anglicanos e luteranos) conseguem eleger v\u00e1rios deputados em partidos de centro-esquerda. Essa rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-evang\u00e9lica, em seu v\u00ednculo com a centro-esquerda, durou at\u00e9 1973 (Mansilla e Orellana, 2018), rela\u00e7\u00e3o que foi rompida com o in\u00edcio da ditadura, mas essa ruptura come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n<p>A crise da esquerda evang\u00e9lica veio da pr\u00f3pria centro-esquerda. Esta \u00faltima questionou a legitimidade social dos evang\u00e9licos em sua rela\u00e7\u00e3o com os setores populares e tamb\u00e9m seu compromisso pol\u00edtico com as quest\u00f5es nacionais e latino-americanas, como demonstrado pelo catolicismo desde o Vaticano II e pela Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Eles questionaram seu v\u00ednculo com os Estados Unidos quando estes se aproximaram do mundo pentecostal chileno, que sempre foi econ\u00f4mica e ideologicamente independente, para oferecer-lhes ajuda humanit\u00e1ria. Houve uma mercantiliza\u00e7\u00e3o da solidariedade com a cria\u00e7\u00e3o da Ayuda Social Evang\u00e9lica (<span class=\"small-caps\">ase<\/span>), mercantilizada em 1958 pelo Church World Service, foi instrumentalizada pelo governo dos EUA por meio do programa Alian\u00e7a para o Progresso (d'Epinay, 1968). Essa instrumentaliza\u00e7\u00e3o tornou-se muito vis\u00edvel durante o mega-terremoto no sul do Chile na d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n<p>Assim, tanto os padres cat\u00f3licos quanto os intelectuais de esquerda destacaram a mercantiliza\u00e7\u00e3o da solidariedade e o perigo real de constituir uma \"alternativa\" \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. <span class=\"small-caps\">eua<\/span> como o \"modelo de sociedade\". Paralelamente a isso, a chegada de evangelistas americanos tamb\u00e9m foi vis\u00edvel, profetizando sobre o perigo do espectro marxista, que incentivava a seguir o modelo capitalista dos Estados Unidos. Eles dividiram o mundo em dois: a esquerda pol\u00edtica, que era do dem\u00f4nio, e a direita, que era do dem\u00f4nio. <span class=\"small-caps\">eua<\/span> que ele estava do lado de Deus. Nesse apologismo pol\u00edtico-religioso, eles negaram que houvesse inten\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas. Tampouco usavam a palavra capitalismo. Essa \"guerra fria religiosa\" dividiu o mundo evang\u00e9lico em, no m\u00ednimo, os evang\u00e9licos astutos (conservadores) e os ing\u00eanuos, autoproclamados apol\u00edticos, que viam um modelo de Deus na sociedade de <span class=\"small-caps\">eua<\/span> e, por outro lado, os progressistas e ecum\u00eanicos, incluindo a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e o Conselho Mundial de Igrejas. Esses \u00faltimos instaram os crist\u00e3os latino-americanos a se libertarem das amarras dos patr\u00f5es e do imperialismo. No entanto, os primeiros eram apoiados pelos patr\u00f5es (militares, empres\u00e1rios e pol\u00edticos), enquanto os \u00faltimos, extasiados com a liberta\u00e7\u00e3o dos patr\u00f5es e imaginando a chegada do reino dos c\u00e9us na terra para o benef\u00edcio dos pobres, acreditavam que os l\u00edderes econ\u00f4micos e pol\u00edticos nacionais apoiariam sua utopia e as esperan\u00e7as milenares dos oprimidos, mas, no final, o milenarismo dos opressores venceu.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta lozano\"><br \/>\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">P<\/span>Para o caso colombiano, a inclina\u00e7\u00e3o da balan\u00e7a de poder em dire\u00e7\u00e3o a regimes autorit\u00e1rios, xen\u00f3fobos, homof\u00f3bicos, racistas, discriminat\u00f3rios e patriarcais observada no mundo e, especificamente, na Am\u00e9rica Latina nas \u00faltimas d\u00e9cadas n\u00e3o \u00e9 uma mudan\u00e7a ou uma emerg\u00eancia, mas uma express\u00e3o da hegemonia predominante. E, embora muitas pessoas estejam otimistas com o avan\u00e7o do apoio a certas propostas divergentes (o aumento do n\u00famero de eleitores de partidos pol\u00edticos n\u00e3o tradicionais e certas exig\u00eancias constitucionais por parte das mulheres e das minorias \u00e9tnicas ou sexuais), tamb\u00e9m est\u00e1 claro que as vit\u00f3rias das iniciativas autorit\u00e1rias t\u00eam sido cada vez mais apoiadas e que seu alcance, sua for\u00e7a e a paix\u00e3o social que as caracteriza est\u00e3o se tornando cada vez mais radicais. Isso levou a uma maior polariza\u00e7\u00e3o e a uma sociedade mais tensa, apesar e precisamente por causa das conversa\u00e7\u00f5es realizadas em Havana e finalizadas com o chamado \"Acordo Final para o T\u00e9rmino do Conflito e a Constru\u00e7\u00e3o de uma Paz Est\u00e1vel e Duradoura\".<a class=\"anota\" id=\"anota1\" data-footnote=\"1\" target=\"_self\">1<\/a><\/p>\n<p>V\u00e1rios eventos nos mostram essa tens\u00e3o e os triunfos dos setores cujas caracter\u00edsticas j\u00e1 mencionei e que, por conveni\u00eancia, chamarei de ultradireita. A t\u00edtulo de exemplo, vamos mencionar quatro eventos emblem\u00e1ticos: o plebiscito pela paz, as elei\u00e7\u00f5es presidenciais, a consulta contra a corrup\u00e7\u00e3o e a continuidade da viol\u00eancia sociopol\u00edtica expressa no aumento dos assassinatos de l\u00edderes sociais e defensores dos direitos humanos.<\/p>\n<p>O plebiscito foi o mecanismo escolhido pelo governo de Santos para endossar os acordos firmados nas longas e dif\u00edceis negocia\u00e7\u00f5es com os guerrilheiros. <span class=\"small-caps\">farc<\/span> em Havana por quase seis anos. O resultado do plebiscito, que surpreendeu o governo e milhares de observadores em todo o mundo, foi de 50.21% contra o acordo e 49.79% a favor. A oposi\u00e7\u00e3o, liderada pela extrema direita, obteve essa vit\u00f3ria, embora por muito poucos votos,<a class=\"anota\" id=\"anota2\" data-footnote=\"2\">2<\/a> por meio de uma campanha religiosa centrada em alega\u00e7\u00f5es de que os acordos continham a chamada \"ideologia de g\u00eanero\", que o pa\u00eds estava sendo entregue ao comunismo ate\u00edsta \"Castro-Chavista\" e que os criminosos n\u00e3o seriam punidos.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2018 mostraram, no primeiro turno, um setor majorit\u00e1rio inclinado a favor da implementa\u00e7\u00e3o dos acordos de paz, da luta contra a corrup\u00e7\u00e3o e da ado\u00e7\u00e3o de medidas favor\u00e1veis a uma maior igualdade social.<a class=\"anota\" id=\"anota3\" data-footnote=\"3\">3<\/a> No entanto, para o segundo turno, setores da elite preferiram ratificar sua ades\u00e3o ao bloco hegem\u00f4nico, aliando-se ao candidato da ultradireita, at\u00e9 antes das elei\u00e7\u00f5es desconhecido, em vez de apoiar a candidatura de Gustavo Petro. Os argumentos de \"Castro-Chavismo\", ex-guerrilheiro ateu, amea\u00e7a \u00e0 propriedade e \u00e0 fam\u00edlia, tiveram forte impacto e levaram aos resultados conhecidos.<a class=\"anota\" id=\"anota4\" data-footnote=\"4\">4<\/a> Alguns setores liberais tamb\u00e9m promoveram uma consulta plebiscit\u00e1ria com base na afirma\u00e7\u00e3o institucionalista de que o pa\u00eds est\u00e1 em m\u00e1 situa\u00e7\u00e3o porque suas entidades foram cooptadas ou subjugadas pela corrup\u00e7\u00e3o e, \u00e9 claro, os esc\u00e2ndalos nacionais e internacionais forneceram combust\u00edvel devastador para esse argumento. No entanto, o plebiscito, apesar de ter recebido muito mais votos do que os votos com os quais o presidente foi eleito, n\u00e3o alcan\u00e7ou o n\u00famero necess\u00e1rio de votos de acordo com a lei. O que \u00e9 interessante para nossa an\u00e1lise \u00e9 que a proposta n\u00e3o foi apoiada pela lideran\u00e7a das igrejas, nem a cat\u00f3lica nem outras denomina\u00e7\u00f5es, apesar do \u00f3bvio argumento \u00e9tico por tr\u00e1s dela. Essa falta de apoio se deveu, entre outros motivos, ao fato de que a pessoa que estava \u00e0 frente da proposta era l\u00e9sbica.<\/p>\n<p>Um sil\u00eancio semelhante envolve o massacre sistem\u00e1tico de l\u00edderes sociais e defensores de direitos humanos, que se intensificou desde a assinatura dos acordos de paz. Esse fato, por um lado, deixa clara a rela\u00e7\u00e3o com a hist\u00f3ria trai\u00e7oeira dos acordos de paz no pa\u00eds, cuja express\u00e3o mais recente foi o assassinato de mais de cinco mil pessoas ligadas ao <span class=\"small-caps\">para cima<\/span> ap\u00f3s os acordos de cessar-fogo estabelecidos em mar\u00e7o de 1984 entre o governo de Belisario Betancurt e o <span class=\"small-caps\">farc<\/span>Por outro lado, mostra claramente as verdadeiras dimens\u00f5es e inten\u00e7\u00f5es da guerra que vem sendo travada, n\u00e3o apenas na Col\u00f4mbia, mas em escala planet\u00e1ria, contra povos e popula\u00e7\u00f5es desarmados (Lozano, 2018).<a class=\"anota\" id=\"anota5\" data-footnote=\"5\">5<\/a> por complexos interesses financeiros e extrativistas.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta toniol\"><br \/>\n<p class=\"no-indent\"><span class=\"dropcap\">E<\/span>m novembro de 2009, a capa da revista <em>The Economist<\/em> tornou expl\u00edcito o entusiasmo do mundo pelo Brasil. Em termos econ\u00f4micos, ap\u00f3s a desconfian\u00e7a de alguns com a inclus\u00e3o do pa\u00eds como um dos <span class=\"small-caps\">brics<\/span>A decis\u00e3o se mostrou acertada. Al\u00e9m do crescimento m\u00e9dio de <span class=\"small-caps\">PIB<\/span> 5% por ano, segundo uma das reportagens da revista, o Brasil se destacou no bloco: \"Ao contr\u00e1rio da China, \u00e9 uma democracia. Ao contr\u00e1rio da \u00cdndia, n\u00e3o tem insurgentes, conflitos religiosos ou \u00e9tnicos ou vizinhos hostis. Ao contr\u00e1rio da R\u00fassia, exporta mais do que petr\u00f3leo e armas e trata os investidores estrangeiros com respeito\". O entusiasmo n\u00e3o era apenas estrangeiro. Havia um reconhecimento generalizado no pa\u00eds da enorme mudan\u00e7a na capacidade de consumo das classes mais baixas, e os indicadores de pobreza e mortalidade infantil estavam atingindo n\u00fameros nunca antes alcan\u00e7ados. No final da primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>Parecia que o Brasil finalmente deixaria de ser o pa\u00eds do futuro e se tornaria uma realidade do presente.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, Lula, um ex-l\u00edder sindical que ocupou posi\u00e7\u00f5es de destaque na pol\u00edtica brasileira desde a d\u00e9cada de 1980, nomeou Dilma Rousseff, eleita por dois mandatos consecutivos, em 2010 e 2014, como sua sucessora na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Dilma, uma figura muito mais t\u00e9cnica do que pol\u00edtica, teria a oportunidade de ampliar ainda mais a visibilidade do pa\u00eds no cen\u00e1rio internacional. Ela tamb\u00e9m teve a oportunidade de sediar tr\u00eas dos maiores megaeventos do mundo: a Jornada Mundial da Juventude em 2013, a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e os Jogos Ol\u00edmpicos em 2016.<\/p>\n<p>No entanto, o \"padr\u00e3o Brasil\" teve que ser apresentado no notici\u00e1rio mundial. Em junho de 2013, uma s\u00e9rie de protestos, inicialmente contra o aumento das tarifas de \u00f4nibus, tomou propor\u00e7\u00f5es inesperadas. Em um per\u00edodo de um m\u00eas, a sequ\u00eancia de cinco manifesta\u00e7\u00f5es em diferentes cidades do pa\u00eds levou milh\u00f5es de pessoas \u00e0s ruas. As palavras de ordem eram difusas. O que come\u00e7ou com o pre\u00e7o do transporte p\u00fablico acabou reunindo as mais variadas demandas, desde a exig\u00eancia de reforma pol\u00edtica at\u00e9 a democratiza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia. Era o sinal de um descontentamento difuso e generalizado que, em um de seus \u00faltimos atos, voltou-se contra a classe pol\u00edtica e, simb\u00f3lica e literalmente, levou uma multid\u00e3o a ocupar a frente do Congresso Nacional e outros pr\u00e9dios emblem\u00e1ticos da administra\u00e7\u00e3o federal em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Em 2013, as pessoas foram para as ruas. Nos anos que se seguiram, a multid\u00e3o se dividiu e passou a ocupar os dois lados da rua. Os debates p\u00fablicos se polarizaram, as disputas pol\u00edticas dividiram o pa\u00eds, Lula est\u00e1 preso, Dilma sofreu impeachment e o pa\u00eds mergulhou em uma crise da qual ainda est\u00e1 tentando sair.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o da sequ\u00eancia e da relev\u00e2ncia de cada um desses eventos varia muito, mas dois aspectos parecem ter algum consenso. Em primeiro lugar, os elementos-chave para entender o Brasil de 2019 est\u00e3o nas transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais pelas quais o pa\u00eds passou desde 2001, quando Lula foi eleito presidente. Ou seja, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 uma hist\u00f3ria cujos personagens n\u00e3o s\u00e3o apenas ativos e protagonistas de diferentes batalhas, mas tamb\u00e9m a narrativa de como se deu esse intenso e breve processo de ascens\u00e3o e queda do pa\u00eds. O segundo aspecto \u00e9 que junho de 2013 foi um ponto de virada na vida p\u00fablica do pa\u00eds. Novos atores entraram em cena naquele momento e contribu\u00edram para a forma\u00e7\u00e3o do quadro polarizado que se estabilizaria e serviria de m\u00e9trica para a leitura da posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de cada um. Foi a partir desse momento que, na disputa sobre a narrativa da hist\u00f3ria recente do pa\u00eds, o vocabul\u00e1rio de an\u00e1lise e conten\u00e7\u00e3o incorporou \"direita\", \"conservadorismo\", \"fascismo\" e \"fundamentalismo\" como palavras frequentes.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta torre\"><br \/>\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">O contexto hist\u00f3rico e social que alimenta o surgimento de express\u00f5es conservadoras \u00e9 de incerteza. Por um lado, estamos vivendo o colapso do neoliberalismo, como pa\u00eds vizinho da na\u00e7\u00e3o mais poderosa do mundo. Se com a crise do socialismo o Muro de Berlim caiu, a crise do neoliberalismo busca se sustentar construindo um muro que divide os Estados Unidos e a Am\u00e9rica Latina. O presidente Donald Trump est\u00e1 determinado a emparedar os medos produzidos pelo \u00eaxodo das sociedades que foram saqueadas pelo mercado global. A met\u00e1fora do muro \u00e9 multiplicada no territ\u00f3rio, na pol\u00edtica, nas subdivis\u00f5es privadas, nos lugares de exclusividade, na linguagem da alteridade. O muro \u00e9 uma forma de viver protegida do outro e do exterior. \u00c9 uma forma de n\u00e3o reconhecer suas fraquezas, de n\u00e3o enfrentar riscos internos e de estender seus medos para os outros, os extermin\u00e1veis. Esse \u00e9, sem d\u00favida, um princ\u00edpio das racionalidades fascistas. O muro tamb\u00e9m \u00e9 parte do que define o M\u00e9xico e do que ele reproduz em seu relacionamento com a Am\u00e9rica Central e suas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Por outro lado, estamos vivenciando a eros\u00e3o das democracias modernas. No M\u00e9xico, a viol\u00eancia e, com ela, a inseguran\u00e7a cresceram em um ritmo sem precedentes. Al\u00e9m de roubos, extors\u00f5es, sequestros, sequestros expressos e desaparecimentos, todos os dias lemos not\u00edcias assustadoras sobre a descoberta de sepulturas clandestinas onde milhares de pessoas foram enterradas e das quais nada se sabe. No M\u00e9xico, a can\u00e7\u00e3o vernacular \u00e9 verdadeira: \"a vida n\u00e3o vale nada\". As sociedades criminosas (para as quais o termo \"narco\" j\u00e1 \u00e9 muito pequeno) constantemente colocam o Estado em xeque e mant\u00eam a sociedade civil ref\u00e9m de seu poder (por exemplo, o roubo de gasolina conhecido como \"guachicoleo\"). Essa situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a generalizada \u00e9 explicada como o efeito da corrup\u00e7\u00e3o e da impunidade e, portanto, exige justi\u00e7a, puni\u00e7\u00e3o e pulso firme. Isso incentiva os setores de direita que expressam a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Por outro lado, grande parte da sociedade apoia o novo presidente Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador, um pol\u00edtico formado no autoritarismo do Partido Revolucion\u00e1rio Institucional, que implementa discursos de esquerda com dogmas crist\u00e3os conservadores e que busca constantemente implementar projetos nacionais desvalorizando os procedimentos democr\u00e1ticos e a constru\u00e7\u00e3o de consensos. A urg\u00eancia de corrigir o pa\u00eds est\u00e1 permitindo o enfraquecimento das institui\u00e7\u00f5es e da democracia, o que pode levar a um novo estado autorit\u00e1rio que fortalece a presen\u00e7a do ex\u00e9rcito em todas as \u00e1reas e reduz a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n    <\/div>\n    \n\n    <div class=\"discrepancia tres\">\n        <h2>Como pensamos sobre os impactos do avan\u00e7o do conservadorismo e da nova direita em nossos pa\u00edses?<\/h2><br \/>\n\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"burity\">\n        <p class=\"nombre\">Joanildo Burity<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Surgiram formas empreendedoras e competitivas de espiritualidade.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"romero\">\n        <p class=\"nombre\">Catalina Romero<\/p>\n        <p class=\"llamada\">O conservadorismo no Peru n\u00e3o tem uma conota\u00e7\u00e3o estritamente liberal.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"mansilla\">\n        <p class=\"nombre\">Miguel \u00c1ngel Mansilla<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Hoje em dia, os evang\u00e9licos nem sequer produzem suas pr\u00f3prias m\u00fasicas: tudo \u00e9 importado dos EUA.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"lozano\">\n        <p class=\"nombre\">Fabio Lozano<\/p>\n        <p class=\"llamada\">O neoconservadorismo capitalista tem habilmente movido um discurso p\u00fablico manipulador<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"toniol\">\n        <p class=\"nombre\">Rodrigo Toniol<\/p>\n        <p class=\"llamada\">A direita ganhou as ruas<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"torre\">\n        <p class=\"nombre\">Ren\u00e9e de la Torre<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Os setores conservadores espalharam o medo moral<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><br \/>\n\n      <div class=\"respuesta burity\"><br \/>\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">L<\/span>as \u00faltimas d\u00e9cadas viram um ac\u00famulo de eventos que, se isolados, n\u00e3o pareciam apontar na dire\u00e7\u00e3o de um <em>retrocesso conservador<\/em>, por outro lado produziram uma eros\u00e3o persistente das estruturas sobre as quais a ordem do p\u00f3s-guerra e as p\u00f3s-ditaduras da Am\u00e9rica Latina foram constru\u00eddas. O avan\u00e7o da pluraliza\u00e7\u00e3o, com seu inevit\u00e1vel impacto sobre as representa\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas da na\u00e7\u00e3o, identidade cultural (e religiosa), identidades coletivas e la\u00e7os familiares, ocorreu em meio a um ac\u00famulo de for\u00e7as que o momento de democratiza\u00e7\u00e3o permitiu. As for\u00e7as conservadoras ficaram na defensiva. Mas o social \u00e9 um relacionamento e n\u00e3o uma estrutura fechada. E a tradu\u00e7\u00e3o das aspira\u00e7\u00f5es de democratiza\u00e7\u00e3o e pluraliza\u00e7\u00e3o em plataformas de governos e movimentos foi incompleta: houve muita negocia\u00e7\u00e3o com o inimigo e foi permitida a conhecida estrat\u00e9gia de acumular for\u00e7as para pequenos e grandes ataques.<\/p>\n<p>No Brasil, sob o signo da conflu\u00eancia perversa entre as demandas por uma esfera p\u00fablica expandida do Estado para o n\u00e3o-Estado e o discurso da liberdade de mercado, surgiram formas empresariais e competitivas de espiritualidade que s\u00e3o adversas ao pacto sincr\u00e9tico constru\u00eddo pelo catolicismo. O pentecostalismo \u00e9 a forma mais popular e articulada dessas espiritualidades. Mas o pentecostalismo em si foi mais uma forma de <em>local<\/em> O que se v\u00ea \u00e9 uma matriz dessa conflu\u00eancia no campo religioso, com reflexos diretos na esfera pol\u00edtica. O que come\u00e7ou como a \"minoriza\u00e7\u00e3o\" pentecostal brasileira da d\u00e9cada de 1980 n\u00e3o levou de forma linear ao atual conjunto de igrejas pentecostais.<br \/>\nneoliberalismo, autoritarismo pol\u00edtico e conservadorismo moral. Houve disputas internas e as tend\u00eancias mais reacion\u00e1rias levaram a melhor. Mas coisas semelhantes tamb\u00e9m aconteceram com o catolicismo, o protestantismo hist\u00f3rico e o espiritismo.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta romero\"><br \/>\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">Se j\u00e1 discutimos o contexto em que o conservadorismo surge, \u00e9 hora de explicar o que queremos dizer com conservadorismo pol\u00edtico e religioso e como ele est\u00e1 presente no Estado e na sociedade.<\/p>\n<p>Pego uma primeira ideia central do livro de Alberto Vergara, chamado <em>Cidad\u00e3os sem Rep\u00fablica. Da precariedade institucional ao desastre pol\u00edtico<\/em> (2018: 14-15) para explicar que ele diferenciaria entre duas grandes vis\u00f5es pol\u00edticas do pa\u00eds: o \"hortelanismo\" (do ingl\u00eas \"dog of the hortelano, who neither eat nor lets others eat\") e o \"republicanismo\". A primeira vis\u00e3o \u00e9 desenvolvida por Alan Garc\u00eda, a segunda por Valent\u00edn Paniagua, o presidente da transi\u00e7\u00e3o em 2001, e eles o fazem do \"\u00e1pice do poder\", como presidentes da Rep\u00fablica. Os objetivos do \"hortelanismo\", para Garc\u00eda, est\u00e3o centrados na moderniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds por meio do investimento privado, contra os cidad\u00e3os que est\u00e3o atrasando o pa\u00eds, e em uma economia aberta. Os do \"republicanismo\", para Paniagua, s\u00e3o resumidos em \"autogoverno e legitimidade da pol\u00edtica p\u00fablica\" e incluem a lealdade \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, a necessidade de reinstitucionalizar o pa\u00eds e \"que ningu\u00e9m se sinta exclu\u00eddo\" (Vergara, 2018: 15).<\/p>\n<p>Se, como diz Javier Igu\u00ed\u00f1iz (entrevistado), \"o neoliberalismo \u00e9 entendido como autoritarismo pol\u00edtico combinado com liberalismo econ\u00f4mico\", o conservadorismo no Peru n\u00e3o tem uma conota\u00e7\u00e3o estritamente liberal. O car\u00e1ter mercantilista da economia e o rentismo que a caracteriza s\u00e3o combinados com o j\u00e1 mencionado autoritarismo na pol\u00edtica e a captura do Estado. Nesse contexto, o conservadorismo na pol\u00edtica, relacionado ao mercantilismo na economia, n\u00e3o \u00e9, portanto, expresso em termos de fascismo, ou seja, nacionalismo econ\u00f4mico, porque os mercados continuam a ser abertos \u00e0 concorr\u00eancia estrangeira, mantendo, ao mesmo tempo, a estreita associa\u00e7\u00e3o entre empresas e Estado. E no aspecto pol\u00edtico, a democracia est\u00e1 resistindo \u00e0s tentativas autorit\u00e1rias dos chefes pol\u00edticos e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o generalizada.<\/p>\n<p>Os governos seguintes a Fujimori (Toledo, Garc\u00eda, Humala e Kuczynski), j\u00e1 em 2001, apesar das reformas do breve governo de transi\u00e7\u00e3o de Valent\u00edn Paniagua, conseguiram manter a altern\u00e2ncia democr\u00e1tica pela primeira vez em dois s\u00e9culos de Rep\u00fablica do Peru (em 2017, Kuczynski renunciou por press\u00e3o do Congresso e foi substitu\u00eddo por seu vice-presidente Mart\u00edn Vizcarra). Ainda estamos em uma situa\u00e7\u00e3o em que h\u00e1 uma grande fragilidade nas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e na lideran\u00e7a, com a consequente expans\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o e a continua\u00e7\u00e3o do poder corporativo sobre o Estado. N\u00e3o se trata, portanto, de uma situa\u00e7\u00e3o em que a democracia se transforma em ditadura, nem de uma situa\u00e7\u00e3o em que a abertura do mercado \u00e0s importa\u00e7\u00f5es e ao investimento estrangeiro leva ao desaparecimento do mercantilismo e ao aumento da concorr\u00eancia econ\u00f4mica sob as regras do mercado.<\/p>\n<p>O conservadorismo tem uma presen\u00e7a fraca no Peru, mas sua resist\u00eancia \u00e0 exist\u00eancia de liberdades pessoais em \u00e1reas como a fam\u00edlia, a sa\u00fade reprodutiva e outras demandas promovidas por cidad\u00e3os e organiza\u00e7\u00f5es internacionais das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u00e9 importante.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta mansilla\"><br \/>\n<p class=\"no-indent\"><span class=\"dropcap\">P<\/span>No caso do Chile, apenas os evang\u00e9licos de classe m\u00e9dia, que eram muito poucos (enquanto a grande maioria estava na pobreza), fizeram causa comum com o ecumenismo, enquanto a grande maioria foi atr\u00e1s do \"p\u00e3o e peixe\" entregue e prometido pelas igrejas americanas. Mas, para isso, tiveram que se distanciar do \"irm\u00e3o de classe\" socialista, porque para os pregadores e evangelistas, influenciados pelo McCarthyismo, era a serpente que acabaria tomando conta do Chile e transformando os templos em tabernas e bord\u00e9is. Diante desse medo e dessa amea\u00e7a, os pastores evang\u00e9licos pediram a seus paroquianos que se distanciassem da esquerda, dos sindicatos e de todas as organiza\u00e7\u00f5es populares e de bairro. No entanto, o \"p\u00e3o e o peixe\" eram apenas a isca, pois o que importava era tirar a autonomia ideol\u00f3gica dos evang\u00e9licos e torn\u00e1-los dependentes da ideologia religiosa conservadora e capitalista dos EUA por meio da literatura, das b\u00edblias e dos hin\u00e1rios. Foi isso que finalmente cativou os evang\u00e9licos, n\u00e3o apenas os chilenos, mas tamb\u00e9m os latino-americanos. Hoje, os evang\u00e9licos nem mesmo produzem suas pr\u00f3prias m\u00fasicas: tudo \u00e9 importado de <span class=\"small-caps\">eua<\/span> E a globaliza\u00e7\u00e3o ajuda muito nisso. Os pregadores e salmistas latinos, para terem sucesso, migram para os Estados Unidos e de l\u00e1 pregam, cantam e profetizam o sonho capitalista neoliberal.<\/p>\n<p>Por outro lado, os setores de esquerda, em vez de se aproximarem do mundo evang\u00e9lico, acusaram-no e lan\u00e7aram publica\u00e7\u00f5es deslegitimando o papel popular do pastor evang\u00e9lico. Criticaram e desprezaram seus s\u00edmbolos sagrados. Ent\u00e3o os evang\u00e9licos se perguntaram: se eles eram assim em uma democracia, quanto mais em um governo marxista? Esse temor cresceu com a chegada do governo Allende, que aumentou a iconoclastia e a seculariza\u00e7\u00e3o da esquerda, alienando e excluindo o mundo evang\u00e9lico, antes colega de classe, agora considerado o \"bra\u00e7o religioso dos ianques\". Depois veio a ditadura militar, que convocou os evang\u00e9licos a serem parceiros na constru\u00e7\u00e3o de uma nova p\u00e1tria, um novo Chile segundo o modelo de Deus, mas para isso era necess\u00e1rio eliminar todo o c\u00e2ncer marxista das igrejas evang\u00e9licas. O teste era: aqueles que apoiavam o governo militar estavam do lado de Deus, e aqueles que n\u00e3o apoiavam eram considerados inimigos do pa\u00eds e de Deus.<\/p>\n<p>Dessa forma, a luta e a busca pela democracia se tornaram um princ\u00edpio esperan\u00e7oso e ut\u00f3pico que uniu diferentes setores chilenos: quem n\u00e3o gosta de democracia? O slogan era \"a alegria est\u00e1 chegando\": quem n\u00e3o gosta de viver feliz? At\u00e9 os pr\u00f3prios evang\u00e9licos o pregam usando o sin\u00f4nimo de alegria e bem-aventuran\u00e7a. Por que procurar evang\u00e9licos, se eles deveriam vir e se juntar \u00e0 luta pela democracia, porque seus resultados beneficiar\u00e3o a todos? Consequentemente, a esquerda pecou pelo excesso de otimismo e por uma pol\u00edtica de gabinete que exclu\u00eda e exclui o di\u00e1logo com os evang\u00e9licos. Consequentemente, a esquerda em seu retorno \u00e0 democracia, mais secularizada do que era no final dos anos 1960 e in\u00edcio dos anos 1970, concebe que a religi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 importante, \u00e9 apenas um recurso e uma ilus\u00e3o de pessoas submissas e manipuladas. Para o preconceito de esquerda, ser \"canuto\" e ser \"peitudo\" \u00e9 uma quest\u00e3o de conservadores que usam a religi\u00e3o para manter muitos em submiss\u00e3o, ou \u00e9 uma quest\u00e3o de pessoas submissas que n\u00e3o foram educadas pelo discurso social-democrata.<\/p>\n<p>Por outro lado, os pastores s\u00e3o desprezados por seus discursos. No passado, as igrejas evang\u00e9licas e seus p\u00falpitos eram considerados escolas para l\u00edderes populares, enquanto hoje os l\u00edderes pastorais evang\u00e9licos s\u00e3o politicamente incorretos, dizem o que pensam, falam como se estivessem orando. No Chile, n\u00e3o \u00e9 preciso dizer o que se pensa, \u00e9 preciso esconder o racismo, o classismo e o carreirismo: \u00e9 preciso pensar, mas n\u00e3o dizer; \u00e9 preciso pratic\u00e1-lo sutilmente, mas com fios de ferro invis\u00edveis. Se voc\u00ea diz e faz isso de forma grosseira, voc\u00ea \u00e9 discriminado pelos pr\u00f3prios discriminadores. Eles o discriminam n\u00e3o por causa do conte\u00fado do discurso, mas por causa da forma discursiva. Por outro lado, os p\u00falpitos evang\u00e9licos n\u00e3o se atualizaram, n\u00e3o aprenderam a ser politicamente corretos, n\u00e3o aprenderam a arte da pol\u00edtica: a conviv\u00eancia negociada, baseada na consci\u00eancia e na aceita\u00e7\u00e3o da diversidade, do pluralismo e da toler\u00e2ncia.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta lozano\"><br \/>\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">Para entender ativamente essa situa\u00e7\u00e3o e, especificamente, o significado do jogo religioso nesses eventos, \u00e9 necess\u00e1rio, em primeiro lugar, desconstruir explica\u00e7\u00f5es bastante difundidas sobre os conflitos armados recentes e, em segundo lugar, determinar com base suficiente os fatores incidentais ao seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>As afirma\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias escolas de pensamento que abordam os conflitos armados ap\u00f3s a mal chamada Guerra Fria se difundiram no Ocidente, a maioria das quais generaliza posi\u00e7\u00f5es com base em eventos locais ou regionais, ignora as articula\u00e7\u00f5es planet\u00e1rias e obscurece os pap\u00e9is das entidades e pot\u00eancias mundiais em sua gesta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, observando apenas o papel dos atores rebeldes locais. \u00c9 bem conhecida a an\u00e1lise de Samuel Huntington (1996) de que as guerras est\u00e3o sendo produzidas por um confronto planet\u00e1rio entre civiliza\u00e7\u00f5es e que a imigra\u00e7\u00e3o latina para os Estados Unidos \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 identidade e \u00e0 estabilidade nacionais. A inadequa\u00e7\u00e3o dessas categorias para explicar o conflito na Col\u00f4mbia (e na maioria das na\u00e7\u00f5es) \u00e9 evidente, mas sua perspectiva traz \u00e0 tona o fato de que h\u00e1 uma complexidade no conflito e que, dentro dessa complexidade, h\u00e1 diferen\u00e7as radicais nas vis\u00f5es de mundo em jogo. H\u00e1, por outro lado, abordagens mais recentes que se baseiam especialmente no car\u00e1ter \u00e9tnico, religioso e autonomista dos confrontos, considerando-os como guerras sem ideologias, fragmentadas, retr\u00f3gradas, excludentes, travadas contra a popula\u00e7\u00e3o e economicamente baseadas em pilhagem e extors\u00e3o.<a class=\"anota\" id=\"anota6\" data-footnote=\"6\">6<\/a> Aqui, novamente, o aspecto religioso \u00e9 levado em conta para ver as diferen\u00e7as, n\u00e3o como uma virtude e uma caracter\u00edstica necess\u00e1ria da vitalidade universal, mas como a raz\u00e3o explicativa das guerras na ruptura da homogeneidade totalit\u00e1ria que pareceria ser almejada. A explica\u00e7\u00e3o da pilhagem e da extors\u00e3o \u00e9 um recurso amplamente utilizado por v\u00e1rios analistas e depois por manipuladores da linguagem, que destacam os interesses econ\u00f4micos por tr\u00e1s das guerras, mas os colocam apenas no caso dos grupos rebeldes e curiosamente ocultam o papel das pot\u00eancias mundiais. Essas explica\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o geradas no Norte global, s\u00e3o, no entanto, amplamente utilizadas no contexto colombiano. Por tr\u00e1s dessas an\u00e1lises est\u00e1 o fato de que as grandes corpora\u00e7\u00f5es multinacionais travaram uma feroz guerra de conquista e domina\u00e7\u00e3o para garantir a disponibilidade de mat\u00e9rias-primas e fontes de energia, m\u00e3o de obra cada vez mais barata e o consumo maci\u00e7o de seus produtos, incluindo, \u00e9 claro, produtos financeiros. Em resumo, a pilhagem e o saque s\u00e3o um fato indiscut\u00edvel e planet\u00e1rio, mas seus principais atores, em vez de pequenos grupos rebeldes, s\u00e3o os grandes empres\u00e1rios transnacionais, incluindo os chefes da m\u00e1quina de guerra. E o fator \u00e9tnico-religioso desempenha um papel importante, n\u00e3o por causa das diversidades, mas, ao contr\u00e1rio, por causa das for\u00e7as que visam \u00e0 homogeneiza\u00e7\u00e3o e ao totalitarismo.<\/p>\n<p>Esse papel do fato religioso deve, a meu ver, ser elucidado em duas esferas: a esfera dos imagin\u00e1rios e mentalidades religiosas ou, como j\u00e1 chamei em outras ocasi\u00f5es (Lozano, 2014), as placas tect\u00f4nicas do dinamismo sociorreligioso, ou seja, aquelas constru\u00e7\u00f5es coletivas que foram tecidas ao longo dos s\u00e9culos e que permanecem como substrato social de \"longas pris\u00f5es\" ao longo da hist\u00f3ria; e a esfera das express\u00f5es imediatas que manifestam a ag\u00eancia de diferentes atores em uma conjuntura espec\u00edfica.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito das placas tect\u00f4nicas, \u00e9 necess\u00e1rio mencionar, mesmo que apenas enumerativamente, dadas as limita\u00e7\u00f5es de espa\u00e7o que temos nesta interven\u00e7\u00e3o, a) o dualismo bem\/mal e sua correspondente a\u00e7\u00e3o diluviana contra o mal; b) a ideia do povo escolhido que recebeu a revela\u00e7\u00e3o da verdade, que, portanto, se torna \u00fanica e inquestion\u00e1vel e que leva n\u00e3o apenas ao desprezo, mas \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o contra qualquer grupo \u00e9tnico, cultura ou comportamento social que n\u00e3o esteja em conformidade com os protocolos e estruturas hegem\u00f4nicos; c) a esperan\u00e7a e a confian\u00e7a no rei messi\u00e2nico que agir\u00e1 como um grande inquisidor, derrotando o mal pela raiz, o que leva, por um lado, a que todos se sintam como pequenos inquisidores e, por outro, a que sigam cegamente aquele que de repente aparece com vestes messi\u00e2nicas; d) o patriarcalismo, que leva \u00e0 defesa de formas particulares de \"tradi\u00e7\u00e3o, fam\u00edlia e propriedade\" e \u00e0 desconsidera\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o apaixonada de formas alternativas de rela\u00e7\u00f5es familiares ou de g\u00eanero; e) o medo da puni\u00e7\u00e3o executada pelo inquisidor supremo, que \u00e9 grafado na imagem do inferno e atua como um dos mecanismos de poder mais radicais e intensamente usados. A essas placas que v\u00eam agindo e se reproduzindo h\u00e1 cinco s\u00e9culos na Am\u00e9rica Latina e que t\u00eam uma hist\u00f3ria mais longa nas guerras, na viol\u00eancia e na legitima\u00e7\u00e3o do poder no cosmos europeu, \u00e9 necess\u00e1rio acrescentar o argumento civilizat\u00f3rio crist\u00e3o que \u00e9 apresentado de v\u00e1rias formas como a chegada da modernidade, do progresso, da verdade e da luz, arrasando, subjugando e saqueando os \"n\u00e3o civilizados\". Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio acrescentar o anticomunismo apaixonado disseminado entre os crentes crist\u00e3os desde a segunda metade do s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xix<\/span>.<\/p>\n<p>Sobre essas placas tect\u00f4nicas, j\u00e1 no n\u00edvel da superf\u00edcie social, a ultradireita ou o neoconservadorismo capitalista tem habilmente movido um discurso p\u00fablico manipulador de luta contra a pilhagem e a delinqu\u00eancia, demonizando os oponentes com slogans e discursos como \"a amea\u00e7a castro-chavista\", \"ideologia de g\u00eanero\", \"a ru\u00edna da fam\u00edlia\", \"subdesenvolvimento\" e \"atraso\", em outras palavras, a amea\u00e7a contra a \"b\u00ean\u00e7\u00e3o da prosperidade\". Curiosamente, esse discurso p\u00fablico esconde uma pr\u00e1tica privada de enorme corrup\u00e7\u00e3o, enriquecimento il\u00edcito e viola\u00e7\u00e3o de normas nacionais e internacionais, especialmente no campo dos direitos humanos, que tamb\u00e9m busca a impunidade.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta toniol\"><br \/>\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">Se os eventos descritos acima comp\u00f5em o quadro da hist\u00f3ria mais recente que estabeleceu o pano de fundo no qual ocorreram as disputas pol\u00edticas brasileiras, dois acontecimentos intensificaram ainda mais os processos que ali se estruturaram. O primeiro deles foi a Lava-Jato, uma opera\u00e7\u00e3o investigativa conduzida pela Pol\u00edcia Federal que revelou den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o entre o governo e empreiteiras. Como parte dessa investiga\u00e7\u00e3o, dezenas de pol\u00edticos e empres\u00e1rios foram presos, al\u00e9m do pr\u00f3prio Lula. O segundo fato foi o impeachment de Dilma Rousseff em agosto de 2016. Ambas as situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o complexas e multiplicam em torno de si processos paralelos com desdobramentos ainda desconhecidos e, portanto, dif\u00edceis de descrever. No entanto, \u00e9 poss\u00edvel reconhecer v\u00e1rias ocasi\u00f5es em que o tema da religi\u00e3o adquiriu alguma centralidade nos desdobramentos desses dois eventos.<\/p>\n<p>O impeachment de Dilma Rousseff foi apoiado por manifesta\u00e7\u00f5es populares que, ao longo de 2015 e 2016, mais uma vez levaram milh\u00f5es de pessoas \u00e0s ruas. O padr\u00e3o dos eventos, com algumas varia\u00e7\u00f5es, foi centrado na destitui\u00e7\u00e3o de Dilma, na pris\u00e3o de Lula e na demanda difusa pelo \"fim da corrup\u00e7\u00e3o\". Esses protestos s\u00e3o importantes para entender o processo pol\u00edtico que vem ocorrendo no Brasil. Eles mostram uma novidade nada trivial: pela primeira vez na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds, as ruas foram tomadas por atores pol\u00edticos n\u00e3o ligados a entidades de classe, movimentos estudantis ou representantes de partidos pol\u00edticos associados ao espectro ideol\u00f3gico da esquerda. A direita ganhou as ruas e entrou com for\u00e7a na disputa pela narrativa das demandas populares do pa\u00eds. Durante essas manifesta\u00e7\u00f5es, o notici\u00e1rio nos acostumou a ver como os termos \"direita\" e \"conservador\" deixaram de funcionar como categoria de acusa\u00e7\u00e3o e passaram a ser usados como elementos de autoidentifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Parte das interpreta\u00e7\u00f5es desse novo fen\u00f4meno de protestos em massa no Brasil se baseia na ideia de que foi em 2013 que pessoas at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o acostumadas a movimentos pol\u00edticos se reconheceram como atores de um coletivo mais amplo. Nesse caso, 2013 lhes ensinou um modelo de divulga\u00e7\u00e3o de eventos (via internet), uma forma de ocupar as ruas (grandes protestos) e uma poss\u00edvel identidade pol\u00edtica (conservadora e anticorrup\u00e7\u00e3o). Embora relevante em muitos aspectos, essa interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o considera o fato de que todos os anos, desde o in\u00edcio dos anos 2000, entre as maiores manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas no Brasil est\u00e1 a Marcha para Jesus.<\/p>\n<p>Todos os anos, igrejas evang\u00e9licas organizam essas manifesta\u00e7\u00f5es nas principais cidades brasileiras; S\u00e3o Paulo se destaca onde, por exemplo, tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas se reuniram em 2009. A import\u00e2ncia de reconhecer a Marcha para Jesus como um evento que comp\u00f5e o processo de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos atores que v\u00eam ocupando as ruas no Brasil desde 2013 se baseia em dois argumentos. Primeiro, embora possa ter servido como um elemento acelerador do processo, 2013 faz parte de uma sequ\u00eancia e n\u00e3o \u00e9 um evento inaugural. E segundo, ao analisar a Marcha para Jesus, identificaremos o surgimento de uma est\u00e9tica e de s\u00edmbolos que se consolidariam nos protestos contra o impeachment. Na Marcha para Jesus, por exemplo, pela primeira vez os manifestantes usaram a camisa da sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol como s\u00edmbolo da defesa dos valores familiares e da luta contra a corrup\u00e7\u00e3o. Est\u00e9tica que foi a marca registrada das manifesta\u00e7\u00f5es contra Dilma e Lula.<a class=\"anota\" id=\"anota7\" data-footnote=\"7\">7<\/a><br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta torre\"><br \/>\n<p class=\"no-indent\"><span class=\"dropcap\">P<\/span>o caso do M\u00e9xico, prefiro falar do avan\u00e7o do conservadorismo (e n\u00e3o do conservadorismo de direita) para abordar essa franja que cruza e vincula setores da esquerda e da direita, e que gera novas alian\u00e7as entre diferentes grupos religiosos que eram vistos como advers\u00e1rios em termos teol\u00f3gicos, mas que s\u00e3o capazes de estabelecer alian\u00e7as compartilhando a ideia de um inimigo comum a ser enfrentado. Se na d\u00e9cada de 1960 o inimigo dos conservadores era o comunismo, atualmente ele foi substitu\u00eddo pela chamada \"ideologia de g\u00eanero\". Como diz \u00c1vila Gonz\u00e1lez (2018), \"o conceito de g\u00eanero tornou-se o fantasma e o eixo unificador do mal, equiparado ao terrorismo; um mal que ataca a ordem natural ao promover uma cultura de caos e morte (antifam\u00edlia, anti-homem, anti-heterossexualidade, imoralidade etc.)\". Isso se manifestou recentemente (durante 2017) nas cruzadas realizadas pela Frente Nacional pela Fam\u00edlia, que se op\u00f4s ao reconhecimento legal das uni\u00f5es entre pessoas do mesmo sexo. Os setores conservadores espalharam o medo moral que amea\u00e7a a fam\u00edlia, a ordem patriarcal, o casamento. Eles espalharam mentiras nas redes sociais para incentivar esse medo e mobilizar a sociedade, como o boato de que os livros did\u00e1ticos n\u00e3o reconheceriam mais as diferen\u00e7as biol\u00f3gicas entre um menino e uma menina, ou a entrega do <em>KIT GAY<\/em> nas escolas. Eles conseguiram estabelecer um bloco interdenominacional que se distingue por se opor ao reconhecimento da exist\u00eancia do \"outro\" e por manter a validade p\u00fablica de princ\u00edpios dogm\u00e1ticos que s\u00e3o impostos ao restante da sociedade como verdades inquestion\u00e1veis. E, por fim, diferentes crist\u00e3os conservadores (evang\u00e9licos e cat\u00f3licos) optaram por assumir posi\u00e7\u00f5es de poder para influenciar as pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o do conservadorismo n\u00e3o \u00e9 exclusivo da direita, ele tamb\u00e9m anda de m\u00e3os dadas com o populismo adotado pelo novo presidente Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador (<span class=\"small-caps\">amlo<\/span>). Isso pode ser visto no fato de que: 1) Embora a sociedade em geral valorize a divis\u00e3o de atividades entre as igrejas e o Estado (veja os dados da <span class=\"small-caps\">encreer<\/span>),<a class=\"anota\" id=\"anota8\" data-footnote=\"8\">8<\/a> Essa \u00faltima \u00e9 constantemente questionada por alguns grupos religiosos (cat\u00f3licos e evang\u00e9licos) que argumentam que a regulamenta\u00e7\u00e3o vai contra o direito \u00e0 liberdade religiosa. Por outro lado, <span class=\"small-caps\">amlo<\/span> tem constantemente desqualificado o princ\u00edpio do secularismo, apelando para princ\u00edpios b\u00edblicos e usando s\u00edmbolos religiosos para legitimar atividades pol\u00edticas. O secularismo representa um valor constitucional conquistado no M\u00e9xico desde o s\u00e9culo XX. <span class=\"small-caps\">xix<\/span>A alian\u00e7a entre o Estado e o setor religioso, que regula a interfer\u00eancia religiosa em alguns setores p\u00fablicos estrat\u00e9gicos para manter a autonomia do Estado, como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e propriedade da m\u00eddia. 2) A alian\u00e7a entre <span class=\"small-caps\">moreia<\/span> (Movimiento Regeneraci\u00f3n Nacional, o partido que levou ao <span class=\"small-caps\">amlo<\/span> \u00e0 presid\u00eancia) com o Partido do Encontro Social (<span class=\"small-caps\">pes<\/span>) foi um evento que deu aos evang\u00e9licos uma voz na pol\u00edtica governamental. O <span class=\"small-caps\">pes<\/span> \u00e9 um partido evang\u00e9lico que, gra\u00e7as a votos garantidos, conquistou assentos no Senado e na C\u00e2mara dos Deputados. Os evang\u00e9licos, embora sejam uma minoria no M\u00e9xico, tornaram-se um novo protagonista na pol\u00edtica nacional e, como fizeram em outros pa\u00edses (Brasil, Col\u00f4mbia, Costa Rica), est\u00e3o tentando impor leis pr\u00f3-vida e uma campanha para se opor ao novo inimigo que, junto com os cat\u00f3licos conservadores, eles chamam de \"ideologia de g\u00eanero\". 3) H\u00e1 alguns anos, quando ocorreu a altern\u00e2ncia pol\u00edtica no M\u00e9xico, temos visto o uso de s\u00edmbolos religiosos para legitimar pol\u00edticos e suas pol\u00edticas. L\u00f3pez Obrador n\u00e3o est\u00e1 alheio a esse uso da religi\u00e3o para ganhar popularidade e legitimar projetos. Exemplos disso foram a cerim\u00f4nia no dia de sua posse em que ele recebeu o bast\u00e3o de comando dos povos ind\u00edgenas e a cerim\u00f4nia \"maia\" que ele realizou para legitimar o projeto do Trem Maia, que n\u00e3o foi consultado pelas comunidades ind\u00edgenas da regi\u00e3o afetada. 4) Seu an\u00fancio reiterado de instituir um <em>Cartilha moral<\/em> para ser distribu\u00eddo \u00e0s igrejas evang\u00e9licas.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n    <\/div>\n    \n\n    <div class=\"discrepancia tres\">\n        <h2>Que atores est\u00e3o envolvidos, que resist\u00eancia eles geram, como eles se relacionam com as institui\u00e7\u00f5es estatais e religiosas?<\/h2><br \/>\n\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"burity\">\n        <p class=\"nombre\">Joanildo Burity<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Podemos perceber o surgimento de novos ecumenismos.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"romero\">\n        <p class=\"nombre\">Catalina Romero<\/p>\n        <p class=\"llamada\">O conservadorismo surge como uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"mansilla\">\n        <p class=\"nombre\">Miguel \u00c1ngel Mansilla<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Os pastores buscam reconhecimento e inclus\u00e3o no governo do dia<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"lozano\">\n        <p class=\"nombre\">Fabio Lozano<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Trata-se da escalada da guerra contra a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"toniol\">\n        <p class=\"nombre\">Rodrigo Toniol<\/p>\n        <p class=\"llamada\">Bolsonaro \u00e9 fundamental para a nova pol\u00edtica do Brasil<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button>\n    <button class=\"discrepante-btn\" data-slug=\"torre\">\n        <p class=\"nombre\">Ren\u00e9e de la Torre<\/p>\n        <p class=\"llamada\">O M\u00e9xico \u00e9 um pa\u00eds polarizador<\/p>\n        <p class=\"open-content\"><span class=\"on\">ver resposta completa<\/span><span class=\"off\">resposta pr\u00f3xima<\/span><\/p>\n    <\/button><br \/>\n\n      <div class=\"respuesta burity\"><br \/>\n<p class=\"no-indent\"><span class=\"dropcap\">L<\/span>s desenvolvimentos est\u00e3o saindo do controle e apontam para coisas diferentes e at\u00e9 mesmo contradit\u00f3rias. A pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o de uma ag\u00eancia articuladora, a constru\u00e7\u00e3o de uma contra-hegemonia para a democratiza\u00e7\u00e3o e a pluraliza\u00e7\u00e3o social da d\u00e9cada de 1980 faz parte desses desenvolvimentos. No contexto espec\u00edfico do campo religioso, encontramos uma crise da fam\u00edlia, uma relut\u00e2ncia em assumir o discurso do secularismo por medo de que os espa\u00e7os pudessem ser reduzidos \u00e0 minoria pentecostal do per\u00edodo, o efeito da ret\u00f3rica anticomunista que ecoa e se aproxima da nova direita crist\u00e3 americana e sua express\u00e3o neoliberal radical do <em>Tea Party<\/em>. Se nos Estados Unidos os evang\u00e9licos conservadores que est\u00e3o dando lastro \u00e0 direita crist\u00e3 da era Bush, a \"m\u00e1quina de resson\u00e2ncia evang\u00e9lico-capitalista\" de que fala William Connolly (2008), t\u00eam sido liderados por igrejas hist\u00f3ricas e carism\u00e1ticas, no Brasil s\u00e3o as igrejas pentecostais que constituem a principal base de recrutamento. Essa \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um bloco hegem\u00f4nico formado por neoliberais, autorit\u00e1rios, pol\u00edticos e moralistas religiosos de v\u00e1rios calibres. Ainda n\u00e3o \u00e9 uma m\u00e1quina bem lubrificada, finamente ajustada. E o processo est\u00e1 ocorrendo em um terreno intensamente contestado, levando em conta que o quadro democr\u00e1tico, embora enfraquecido pelo golpe de 2016 e pela vit\u00f3ria eleitoral de 2018, ainda permite a express\u00e3o da dissid\u00eancia.<\/p>\n<p>Dentro dessa estrutura, podemos perceber o surgimento de <em>novos ecumenismos<\/em>. Por um lado, no caso brasileiro, os pentecostais conseguiram se articular com grande habilidade com os cat\u00f3licos e at\u00e9 com setores da hierarquia cat\u00f3lica, mas tamb\u00e9m com um arco de for\u00e7as em que a \"religi\u00e3o crist\u00e3\" se tornou um significante mestre, um <em>ponto de partida<\/em> Um ecumenismo de direita, hegemonizado n\u00e3o pelo catolicismo majorit\u00e1rio, mas por uma minoria religiosa ativa! Por outro lado, os setores progressistas e de esquerda das igrejas evang\u00e9licas uniram for\u00e7as com os movimentos sociais, <span class=\"small-caps\">ngo<\/span>Um ecumenismo de esquerda, sem uma lideran\u00e7a clara e \u00fanica e mobilizado em torno de ideias de resist\u00eancia!<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta romero\"><br \/>\n<p class=\"no-indent\"><span class=\"dropcap\">C<\/span>onservadorismo na sociedade, confinado \u00e0 fam\u00edlia, da esfera econ\u00f4mica \u00e0 pol\u00edtica. Nesse contexto, as religi\u00f5es interv\u00eam a partir de posi\u00e7\u00f5es conservadoras. Ligadas ao movimento \"N\u00e3o interfira com meus filhos\", elas interv\u00eam para impedir a educa\u00e7\u00e3o familiar e sexual nas escolas. Realizam marchas anuais lideradas por bispos, padres e pastores cat\u00f3licos e protestantes contra o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e institui\u00e7\u00f5es civis que promovem informa\u00e7\u00e3o e cultura sobre essas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>O individualismo familiar e patrimonial \u00e9 o substrato popular do conservadorismo que atravessa as classes sociais, desde as antigas fam\u00edlias olig\u00e1rquicas at\u00e9 a burguesia de classe m\u00e9dia e at\u00e9 mesmo os setores populares. Elites ligadas a grupos religiosos como Opus Dei, Pro Ecclesia Santa, congrega\u00e7\u00f5es conservadoras, fam\u00edlias conservadoras. Estreitamente ligadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o escolar e universit\u00e1ria, elas est\u00e3o preparando novas gera\u00e7\u00f5es conservadoras, tanto na vida privada quanto na p\u00fablica.<\/p>\n<p>Assim, o conservadorismo aparece como uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia e aos direitos dos cidad\u00e3os que avan\u00e7am contra o racismo e v\u00e1rias formas de discrimina\u00e7\u00e3o, inclusive de g\u00eanero, entre suas v\u00e1rias dimens\u00f5es. Tamb\u00e9m \u00e9 destacada a import\u00e2ncia da m\u00eddia na democratiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico, da opini\u00e3o p\u00fablica e da cidadania como atores na luta contra a corrup\u00e7\u00e3o, o autoritarismo e o sigilo no governo. Os pol\u00edticos n\u00e3o podem privatizar o espa\u00e7o p\u00fablico.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta mansilla\"><br \/>\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">O mundo evang\u00e9lico no Chile est\u00e1 em crise desde pelo menos a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI. Ele tem uma crise de esperan\u00e7a: uma crise de promessas, de expectativas e do futuro. Isso porque o discurso evang\u00e9lico, especialmente o pentecostal, concentrava-se no c\u00e9u, no inferno, no diabo e nos dem\u00f4nios. Sua oferta mais pr\u00f3xima era a reabilita\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica, a supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia dom\u00e9stica e o recebimento de recursos sociais e simb\u00f3licos para ser um bom trabalhador. Ao passo que hoje as pol\u00edticas p\u00fablicas t\u00eam sido mais eficientes e sem a necessidade de convers\u00e3o. O trabalhador perdeu sua relev\u00e2ncia e centralidade e foi substitu\u00eddo pelo empres\u00e1rio e pelo profissional, o que a universidade e, novamente, a pol\u00edtica p\u00fablica fazem melhor. Portanto, os discursos pastorais n\u00e3o s\u00e3o eficientes e suas igrejas crescem ilusoriamente, porque s\u00e3o corredores de fi\u00e9is de outras igrejas. Consequentemente, os pastores hoje s\u00e3o administradores do carisma e guardi\u00f5es da tradi\u00e7\u00e3o religiosa. Nessa l\u00f3gica, os pastores, especialmente nas grandes igrejas e denomina\u00e7\u00f5es, juntam-se \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o do pol\u00edtico, do alto funcion\u00e1rio p\u00fablico, do grande empres\u00e1rio e dos funcion\u00e1rios da <span class=\"small-caps\">ffaa<\/span> e da Ordem: extrair o m\u00e1ximo de lucro poss\u00edvel de seu status social e econ\u00f4mico. Isso se manifesta no uso e abuso dos d\u00edzimos, o que gerou agita\u00e7\u00e3o social e aumentou a rejei\u00e7\u00e3o social aos l\u00edderes religiosos. Portanto, a eros\u00e3o, a deslegitima\u00e7\u00e3o e a rejei\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o beneficiam as igrejas evang\u00e9licas como em outros pa\u00edses, mas as afetam negativamente. A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas rejeita a Igreja Cat\u00f3lica, mas tamb\u00e9m toda religi\u00e3o institucional, porque a institui\u00e7\u00e3o sufocou o carisma. Portanto, o conservadorismo do pastor \u00e9 <em>per se<\/em> sua realidade sociorreligiosa. Isso gera uma dupla crise de crescimento: os novos crentes n\u00e3o se convertem ou, se o fazem, n\u00e3o perseveram e, por outro lado, as novas gera\u00e7\u00f5es deixam as igrejas. Consequentemente, esse discurso essencialista se torna intolerante com os discursos feministas, das minorias sexuais e das religi\u00f5es ancestrais. Por qu\u00ea? Porque esses s\u00e3o os discursos eficientes e eficazes atualmente. S\u00e3o eles que se apossaram das sensibilidades sociais. Suas demandas se tornam plaus\u00edveis e coerentes e, portanto, inclu\u00eddas nas pol\u00edticas p\u00fablicas. Em contrapartida, os evang\u00e9licos e suas reivindica\u00e7\u00f5es s\u00e3o rejeitados e ileg\u00edtimos, porque buscam seu pr\u00f3prio benef\u00edcio e n\u00e3o o da sociedade como um todo e, por isso, n\u00e3o s\u00e3o inclu\u00eddos e, portanto, aderem \u00e0 pol\u00edtica conservadora na busca de ganhos clientelistas.<\/p>\n<p>Por fim, o discurso conservador do mundo evang\u00e9lico \u00e9 reafirmado pelo conservadorismo pol\u00edtico. Os pastores buscam reconhecimento e inclus\u00e3o no governo da \u00e9poca. Os l\u00edderes evang\u00e9licos conservadores n\u00e3o est\u00e3o interessados em ter suas demandas denominacionais inclu\u00eddas, mas sim em serem inclu\u00eddos em cargos de confian\u00e7a no governo, j\u00e1 que n\u00e3o conseguem isso nas elei\u00e7\u00f5es populares. Nesse sentido, s\u00e3o os partidos e grupos pol\u00edticos de direita que v\u00e3o atr\u00e1s do voto evang\u00e9lico. Isso n\u00e3o ocorre porque os pol\u00edticos de direita interessam aos evang\u00e9licos ou porque seus discursos coincidem, mas porque eles garantem um setor com uma parcela importante de votos. Eles n\u00e3o s\u00e3o inclu\u00eddos em cargos importantes de confian\u00e7a no governo, mas em cargos irrelevantes e invis\u00edveis, e lhes atribuem valor simb\u00f3lico ao inclu\u00ed-los em protocolos governamentais. O pragmatismo imediatista da nova direita lhes permite essa coexist\u00eancia, transformando os direitos humanos e sociais em parte de sua agenda pol\u00edtica, n\u00e3o porque os considerem relevantes, mas porque lhes permitem canalizar a inquieta\u00e7\u00e3o social e se eleger, mas, uma vez no governo, s\u00f3 legislam os direitos que coincidem com a l\u00f3gica neoliberal. Assim, por exemplo, Pi\u00f1era promete aos evang\u00e9licos n\u00e3o aprovar leis que favore\u00e7am as minorias sexuais ou o aborto, mas no final ainda as aprova, porque sabe que o que compartilha com o conservadorismo religioso e pol\u00edtico \u00e9 a avers\u00e3o \u00e0s ideias progressistas. E, diante da crise das ideias pol\u00edticas e religiosas e do projeto do pa\u00eds, eles permanecer\u00e3o unidos nos pr\u00f3ximos anos, mesmo que os pol\u00edticos traiam os religiosos.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta lozano\"><br \/>\n<p class=\"no-indent translation-block\"><span class=\"dropcap\">Os impactos dessa reafirma\u00e7\u00e3o da ultradireita no poder est\u00e3o sendo sentidos em fatos como a j\u00e1 mencionada intensifica\u00e7\u00e3o dos assassinatos de l\u00edderes, que chegaram a 110 durante 2018, de acordo com o relat\u00f3rio da <span class=\"small-caps\">un<\/span>, aos quais se soma o aumento dos massacres (em 164%), o aumento do n\u00famero de homic\u00eddios, que em algumas \u00e1reas chegou a 1.473%, a continuidade das execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais ou falsos positivos, dos quais onze foram registrados durante o ano, o assassinato de 85 ex-membros da <span class=\"small-caps\">farc<\/span> e outros sinais dessa verdadeira cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria (Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos, 2019). Em resumo, trata-se da escalada da guerra contra a popula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, houve um movimento em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 interven\u00e7\u00e3o militar colombiana em outras express\u00f5es dessa guerra na arena internacional, e agora h\u00e1 a amea\u00e7a de interven\u00e7\u00e3o militar na Venezuela.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses atos de viol\u00eancia armada, h\u00e1 s\u00e9rios retrocessos em rela\u00e7\u00e3o aos acordos de paz, especialmente nos freios que est\u00e3o sendo colocados na implementa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios acordos, entre os quais se destacam os referentes \u00e0 reforma rural e \u00e0 verdade e justi\u00e7a. Os compromissos relativos ao ponto 1, \"Rumo a um novo campo colombiano\", est\u00e3o paralisados. De acordo com o relat\u00f3rio do Instituto Krock da Universidade de Notre Dame, Indiana, Estados Unidos, s\u00f3 houve progresso significativo em 5% dos respectivos itens em maio de 2018 (Krock, 2018).<a class=\"anota\" id=\"anota9\" data-footnote=\"9\">9<\/a> A pulveriza\u00e7\u00e3o com glifosato foi retomada; o Presidente Duque acaba de levantar obje\u00e7\u00f5es \u00e0 lei sobre Jurisdi\u00e7\u00e3o Especial para a Paz. Amea\u00e7as s\u00e9rias tamb\u00e9m s\u00e3o vistas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s decis\u00f5es constitucionais j\u00e1 emitidas sobre a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto (Decis\u00e3o C-355 de 2006) e o casamento igualit\u00e1rio (SU214 de 2016).<\/p>\n<p>Agora, obviamente, os impactos depender\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios atores a esses eventos e, portanto, vale a pena perguntar sobre o papel das ci\u00eancias humanas a esse respeito. Para al\u00e9m de seu registro e an\u00e1lise como observadores supostamente neutros, e para al\u00e9m da heran\u00e7a moderna que nos coloca no quadro do di\u00e1logo com o Estado secular e a sociedade secularizada e que baseia nossa vis\u00e3o de mundo no antropocentrismo individualista, ser\u00e1 necess\u00e1rio interpretar ativamente as espiritualidades com base no reconhecimento e na afirma\u00e7\u00e3o das autonomias comunit\u00e1rias, questionando os dogmatismos, portanto, em favor do reconhecimento das diversidades e articula\u00e7\u00f5es, e revalorizando o crit\u00e9rio da sacralidade da vida que essas espiritualidades prop\u00f5em. A an\u00e1lise e as categorias emergentes relativas \u00e0s epistemologias e ontologias do sentir-pensar com a terra, o compromisso transformador, a reflex\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o em redes e no lugar, a perspectiva territorial e o Sumak Kawsay podem ser um terreno f\u00e9rtil.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta toniol\"><br \/>\n<p class=\"no-indent\"><span class=\"dropcap\">L<\/span>sequ\u00eancia de eventos descrita at\u00e9 agora teve sua apoteose em 2018. Naquele ano, Lula foi preso e Jair Mesias Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil. Bolsonaro \u00e9 um militar da reserva e pol\u00edtico com uma longa carreira no Congresso Nacional brasileiro, tendo sido eleito por sete mandatos consecutivos como deputado federal. Apesar de ter ocupado por tanto tempo uma cadeira na C\u00e2mara dos Deputados, at\u00e9 2015 permaneceu um parlamentar desconhecido da maioria da popula\u00e7\u00e3o e de pouca relev\u00e2ncia, inclusive na articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Era, em suma, um deputado do \"baixo clero\". A partir de 2015, no entanto, tornou-se uma figura cada vez mais presente no notici\u00e1rio e nas redes sociais, marcando presen\u00e7a nos protestos contra Dilma e exigindo a pris\u00e3o de Lula em v\u00eddeos veiculados no Facebook. Filiado a um partido com pouco reconhecimento e com apenas nove segundos de propaganda na televis\u00e3o durante o primeiro turno da disputa eleitoral, e contra as expectativas de muitos analistas, conseguiu ser eleito.<\/p>\n<p>Bolsonaro afirma ser cat\u00f3lico, mas fez importantes aberturas para a popula\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica durante a campanha eleitoral. Viajou para ser batizado por um pastor pol\u00edtico brasileiro no Rio Jord\u00e3o, adotou como slogan de campanha \"Brasil acima de tudo, Deus acima de todos\", repetiu incansavelmente alguns vers\u00edculos b\u00edblicos nas sabatinas de que participou durante a disputa e, ao ser eleito, em uma delas, entre seus primeiros atos, fez uma ora\u00e7\u00e3o no estilo pentecostal, conduzida por um pol\u00edtico que tamb\u00e9m era pastor evang\u00e9lico. A presen\u00e7a evang\u00e9lica na pol\u00edtica brasileira certamente n\u00e3o \u00e9 uma novidade. O que se consolidou mais recentemente foi a mudan\u00e7a na forma de atua\u00e7\u00e3o desses atores, que, pelo menos desde 2010, consolidou a frente parlamentar evang\u00e9lica, assumindo uma forma de atua\u00e7\u00e3o que extrapola os partidos e coloca a identidade religiosa como principal elemento de identifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Esse processo j\u00e1 vinha se estabelecendo ao longo dos governos Lula e Dilma, quando pol\u00edticos-religiosos foram al\u00e7ados ao alto escal\u00e3o do governo e ocuparam cargos de ministros e secret\u00e1rios seniores. A partir da presid\u00eancia de Bolsonaro, no entanto, a presen\u00e7a evang\u00e9lica e o discurso em defesa dos valores crist\u00e3os e da fam\u00edlia adquiriram, pelo menos nesse primeiro momento, um valor decisivo para a elei\u00e7\u00e3o do n\u00facleo duro do governo.<\/p>\n<p>Bolsonaro \u00e9 uma figura central para a nova pol\u00edtica brasileira. Ainda \u00e9 muito cedo para identificar seu efeito no continente. O mais importante agora n\u00e3o \u00e9 tanto olhar para Bolsonaro em si, mas para o fen\u00f4meno que o tornou presidente do Brasil. De certa forma, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 reconhecer que o fato social mais importante aqui n\u00e3o \u00e9 Bolsonaro, mas o bolsonarismo. \u00c9 certamente tentador atribuir um car\u00e1ter inovador ao bolsonarismo. Mas, para concluir, buscando afastar essa tenta\u00e7\u00e3o, recorro a um texto do soci\u00f3logo da religi\u00e3o Fl\u00e1vio Pierucci, publicado em 1987, intitulado \"Os fundamentos de uma nova direita\". O texto analisava o contexto da elabora\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988. Pierucci reconhecia ali que a chamada nova direita era reativa ao catolicismo da teologia da liberta\u00e7\u00e3o, mas, ao mesmo tempo, projetava quase profeticamente como essa nova direita poderia encontrar eco no pentecostalismo emergente na m\u00eddia: \"A penetra\u00e7\u00e3o [do moralismo] nas massas \u00e9 grandemente facilitada por sua dupla e vantajosa alian\u00e7a: com a extrema-direita da m\u00eddia policial e com a extrema-direita evang\u00e9lica, esta \u00faltima igualmente midi\u00e1tica (...) Esse novo espa\u00e7o sociocultural da extrema-direita, representado pelas denomina\u00e7\u00f5es crist\u00e3s fundamentalistas, converge em seu anticlericalismo espec\u00edfico com o outro, o anticlericalismo-do-caserone e da delega\u00e7\u00e3o, para acusar a arquidiocese de S\u00e3o Paulo de pactuar com criminosos por meio da pol\u00edtica de direitos humanos\".<a class=\"anota\" id=\"anota10\" data-footnote=\"10\">10<\/a> A cita\u00e7\u00e3o de Pierucci poderia ser a de uma an\u00e1lise da conjuntura atual do Brasil, mas aqui serve para nos lembrar que a \"nova direita\" pode n\u00e3o ser t\u00e3o nova assim.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n      <div class=\"respuesta torre\"><br \/>\n<p class=\"no-indent\"><span class=\"dropcap\">M<\/span>O M\u00e9xico \u00e9 um pa\u00eds que est\u00e1 se polarizando. Isso \u00e9 visto na linguagem e no uso de novos r\u00f3tulos estigmatizantes para os outros. Por um lado, o presidente define constantemente todos aqueles que n\u00e3o est\u00e3o com ele como inimigos, m\u00e1fia do poder e, muitas vezes, como \"fifis\". Os fifis s\u00e3o todos a burguesia, mas tamb\u00e9m est\u00e3o articulados com os valores dos oponentes da na\u00e7\u00e3o. Por outro lado, os setores de direita que veem no <span class=\"small-caps\">amlo<\/span> um risco para o pa\u00eds e para a economia, ampliaram sua percep\u00e7\u00e3o de alteridade perigosa chamando de \"chairos\" os setores populares e todos aqueles identificados com a esquerda ou simpatizantes da esquerda. <span class=\"small-caps\">amlo<\/span>. Uma express\u00e3o muito ofensiva que vai al\u00e9m da pol\u00edtica e come\u00e7a a estereotipar os mexicanos como pessoas indesej\u00e1veis por causa de suas defici\u00eancias econ\u00f4micas. Os limites entre fifis e chairos s\u00e3o vividos nas redes sociais, mas j\u00e1 foram expressos em marchas de cidad\u00e3os em que os setores econ\u00f4micos da sociedade se confrontam. Esses r\u00f3tulos s\u00e3o contr\u00e1rios a uma cultura que promove um pluralismo capaz de acompanhar a crescente diversidade religiosa, a inclus\u00e3o multicultural de um pa\u00eds diversificado em grupos \u00e9tnicos, com a presen\u00e7a de novas minorias raciais que chegaram junto com a migra\u00e7\u00e3o e as segmenta\u00e7\u00f5es marcantes de classe social. Esses r\u00f3tulos tamb\u00e9m s\u00e3o usados para desqualificar as manifesta\u00e7\u00f5es religiosas. Esses r\u00f3tulos incentivam os conflitos de classe e podem gerar perigosas culturas fascistas. Deve-se prestar aten\u00e7\u00e3o em como as religi\u00f5es desempenham um papel no refor\u00e7o desses r\u00f3tulos discriminat\u00f3rios que levam a confrontos e conflitos de classe.<br \/>\n<div class=\"close-content\">resposta pr\u00f3xima<\/div>\n      <\/div>\n      <br \/>\n\n    <\/div>\n    \n<h2>Bibliografia<\/h2>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Alto Comisionado de Naciones Unidas (2019). Informe sobre la situaci\u00f3n de Derechos Humanos en Colombia durante el a\u00f1o 2018.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\u00c1vila Gonz\u00e1lez, Yanina (2018). \u201c\u00bfQui\u00e9n le teme al g\u00e9nero? La lucha por el poder interpretativo\u201d, en Carlos Garma, Mar\u00eda del Rosario Ram\u00edrez y Ariel Corpus (coord.), Familias, iglesias y Estado laico. M\u00e9xico: <span class=\"small-caps\">uam<\/span>.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Cece\u00f1a, Ana E. (2002). La guerra infinita. Hegemon\u00eda y terror mundial. Buenos Aires: <span class=\"small-caps\">clacso<\/span>.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Cece\u00f1a, Ana E. (2013, 30 de septiembre). \u201cEl proceso de ocupaci\u00f3n de Am\u00e9rica Latina en el siglo <span class=\"small-caps\">xxi<\/span>\u201d. En Rebeli\u00f3n. Recuperado de https:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=174715, consultado el 25 de junio de 2019.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Comisi\u00f3n Hist\u00f3rica (2016). Contribuci\u00f3n al entendimiento del conflcito armado en Colombia. Bogot\u00e1: Ediciones Desde Abajo.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Connolly, William (2008).&nbsp;Capitalism and Christianity, American Style. Durham: Duke University Press.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Dancourt, Oscar (1995). \u201cDeuda externa: estabilizaci\u00f3n y perspectivas\u201d, en Gonzalo Portocarrero y Marcel Varc\u00e1rcel (ed.), El Per\u00fa frente al siglo XXI. Lima: Fondo Editorial &#8211; Pontificia Universidad Cat\u00f3lica del Per\u00fa. Recuperado de: http:\/\/files.pucp.edu.pe\/departamento\/economia\/LDE-1995-01-05.pdf, consultado el 25 de junio de 2019.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">D\u2019 Epinay, Christian (1968). El refugio de las masas: estudio sociol\u00f3gico del protestantismo chileno. Santiago: Pac\u00edfico.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Garc\u00eda P\u00e9rez, Alan (2007, 28 de octubre). \u201cEl s\u00edndrome del perro del hortelano\u201d, en El Comercio. 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Campinas: Editora da Unicamp.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Red de Investigadores del Fen\u00f3meno Religioso en M\u00e9xico (<span class=\"small-caps\">rifrem<\/span>) (2016). Encuesta nacional sobre creencias y pr\u00e1cticas religiosas (<span class=\"small-caps\">encreer<\/span>). Recuperado de: http:\/\/rifrem.mx\/encreer, consultado el 25 de junio de 2019.<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">Vergara, Alberto (2018) Ciudadanos sin Rep\u00fablica. De la precariedad institucional al descalabro pol\u00edtico. 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