{"id":30994,"date":"2019-03-21T15:02:14","date_gmt":"2019-03-21T15:02:14","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=30994"},"modified":"2024-04-24T11:42:53","modified_gmt":"2024-04-24T17:42:53","slug":"ver-con-los-otros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/ver-con-los-otros\/","title":{"rendered":"Vendo com os outros. Uma abordagem dial\u00f3gica e horizontal da pesquisa"},"content":{"rendered":"<p class=\"abstract translation-block\"><span class=\"dropcap\">V<\/span><em>Ser com os outros. Comunicaci\u00f3n intercultural<\/em> \u00e9 um trabalho de reflex\u00e3o, realizado gra\u00e7as a um cruzamento afortunado que se tornou uma amizade e cumplicidade intelectual entre Jes\u00fas Mart\u00edn Barbero e Sarah Corona Berkin. Quatro d\u00e9cadas depois, o cruzamento de perspectivas e trajet\u00f3rias nos oferece um trabalho importante e uma plataforma cr\u00edtica sobre: \"a hegemonia do Ocidente sobre as formas de ver, tanto por meio de sua ci\u00eancia, transformada em uma forma de conhecer-controlar, quanto por meio de sua tecnologia - fotografia, cinema, televis\u00e3o, v\u00eddeo - transformada em uma forma de ver-integrar os outros, as outras culturas\" (p. 9). Os referentes comuns s\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o sociocultural da imagem, as visualidades e os modos de ver. Barbero e Corona constroem uma proposta intercultural elaborada com as pessoas, evidenciando o lugar de onde elas olham e pretendem ser vistas, bem como as estruturas te\u00f3ricas a partir das quais (re)constroem sua interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>  A vigil\u00e2ncia epist\u00eamica e a dupla hermen\u00eautica estruturam o quadro dial\u00f3gico deste livro, constru\u00eddo com experi\u00eancias de pesquisa ressignificadas na horizontalidade, anedotas que marcam biografias intelectuais, discuss\u00f5es te\u00f3ricas e uma forte convic\u00e7\u00e3o de que a pesquisa \u00e9 realizada com solv\u00eancia e imagina\u00e7\u00e3o, prefigurando um mundo melhor. <em>Em\u00e9tico, <\/em> (Valenzuela, 2015), em que os limites entre etic e emic, dentro e fora, o pesquisador que investiga e o objeto de estudo, o eu normalizado e o outro ex\u00f3tico, o conhecimento legitimado e o conhecimento desvalorizado s\u00e3o violados e borrados.<\/p>\n<p>Os temas gerais definidos pelos pr\u00f3prios autores surgem do questionamento dos fatores que afetam e definem as imagens que temos e reproduzimos, bem como o tipo de comunica\u00e7\u00e3o que podemos ter com diferentes culturas e grupos. Ao fazer isso, eles examinam as perspectivas acad\u00eamicas afetadas pela <em>mau olhado<\/em>O mal incubado nos preconceitos que nos impedem de reconhecer e de nos reconhecermos nos outros, nos pobres, nos descendentes, nos nacos, nos ind\u00edgenas, nos setores populares. Como Barbero e Corona destacam, o mau-olhado, em suas v\u00e1rias vers\u00f5es, \u00e9 uma express\u00e3o de poder e..: \"uma met\u00e1fora do olhar que exclui e invisibiliza\" (p. 12).<\/p>\n<p>O livro \u00e9 composto de tr\u00eas cap\u00edtulos nos quais Barbero e Corona apresentam as trajet\u00f3rias, leituras e experi\u00eancias que lhes permitiram redirecionar seu olhar e seus lugares de interpela\u00e7\u00e3o para poder ver <em>com os outros<\/em>O objetivo \u00e9 modificar suas propostas te\u00f3ricas e metodol\u00f3gicas e, finalmente, redefinir os marcos que identificam as pr\u00e1ticas de pesquisa a partir de imagens e perspectivas inclusivas, dial\u00f3gicas e horizontais.<\/p>\n<p><em>Ver com os outros<\/em> \u00e9 uma obra que nos convida a desconstruir e reestruturar nosso ser com os outros, a sentir e explicar com eles, a (re)criar nossos olhares a partir dos outros que tamb\u00e9m nos olham, a deslocar nossos lugares habituais de observa\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o junto com aqueles que nos observam e interpretam, a <em>ser tocado<\/em> por eles, para realocar os m\u00faltiplos sentidos a partir dos quais eles nos nomeiam e s\u00e3o (re)significados quando os nomeamos. N\u00f3s somos eles e eles nos carregam de significado, convidando-nos a compartilhar seu olhar.<\/p>\n<p>Barbero e Corona nos convidam a nos desvincularmos para reinventar as imagens, o olhar e os modos de percep\u00e7\u00e3o; eles nos convidam a invocar o <em>mau olhado<\/em> atrav\u00e9s do que Barbero define como a transforma\u00e7\u00e3o dos modos de percep\u00e7\u00e3o, uma muta\u00e7\u00e3o constru\u00edda atrav\u00e9s de arrepios visuais e epistemol\u00f3gicos. Nesse desafio intelectual e emocional, s\u00e3o analisadas as media\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas, mas n\u00e3o s\u00f3 isso, os autores discutem as mudan\u00e7as nas interpreta\u00e7\u00f5es do cinema, da televis\u00e3o, da inf\u00e2ncia e das brincadeiras, do r\u00e1dio ou das telenovelas, onde, al\u00e9m do meio, Jes\u00fas Mart\u00edn Barbero destaca que o que acontece ali ajuda as pessoas a contar suas pr\u00f3prias vidas. Por sua vez, Corona Berkin direciona sua experi\u00eancia e trajet\u00f3ria de pesquisa para o encontro com o outro e a busca de outras formas de comunica\u00e7\u00e3o com base em seu trabalho sobre o jogo televisivo, a reciprocidade com o outro, o encontro com o outro na escrita e na oralidade, experi\u00eancias que o levam a concluir que: \"todo processo comunicativo implica uma forma de tradu\u00e7\u00e3o dos quadros de refer\u00eancia para os do outro\" (40).<\/p>\n<p>As agendas de pesquisa propostas pelos autores s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es situadas e processuais nas quais o di\u00e1logo rec\u00edproco define e \u00e9 definido pela horizontalidade do processo. Essa \u00e9 a base de sua proposta de comunica\u00e7\u00e3o intercultural com os outros, cuja possibilidade \u00e9 condicionada pelo fato de que essa comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica: \"isto \u00e9, como um empreendimento de reconhecimento do outro como ele deseja ser concebido no espa\u00e7o p\u00fablico, de escuta horizontal e de constru\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo em seu aspecto mais f\u00e9rtil: a miscigena\u00e7\u00e3o\" (p. 74).    A proposta conceitual de Corona inclui termos f\u00e9rteis e sugestivos, como: o conflito fundador, a autonomia do pr\u00f3prio olhar, a igualdade discursiva e a autoria entre vozes.<\/p>\n<p>Corona discute a produ\u00e7\u00e3o e o consumo de imagens assumidos nos postulados te\u00f3ricos sobre olhar, lembrar e fragmentar, usados na an\u00e1lise da fotografia e do filme, e o faz confrontando-os com seu pr\u00f3prio trabalho de pesquisa nas comunidades Wix\u00e1rikas de Nayarit e Jalisco. Depois de recuperar as imagens fotogr\u00e1ficas geradas pelos pr\u00f3prios Huicholes e suas interpreta\u00e7\u00f5es das fotos que tiraram, Corona enfatiza: \"A publicidade nos tornou especialistas em entender olhos sem rostos, pernas sem corpos, folhetos sem carros, at\u00e9 mesmo marcas e seus logotipos sem objetos. Os cen\u00e1rios fotogr\u00e1ficos que proporcionavam sonhos e fantasias nas fotos de est\u00fadio agora est\u00e3o desmodernizados. O que o retrato diz se limita ao rosto e ao gesto da pessoa e pouco do contexto \u00e9 exposto. As p\u00e1ginas sociais dos jornais ou do Facebook demonstram isso. Mas no olhar que n\u00e3o \u00e9 disciplinado pela imagem, a fotografia registra todos os elementos poss\u00edveis\". (121) E esses elementos poss\u00edveis se afastam da imagem fragmentada e das estruturas dominantes, legitimadas e padronizadas que enquadram o olhar nas sociedades ocidentais, optando pela ampla incorpora\u00e7\u00e3o de elementos contextuais, n\u00e3o considerados perif\u00e9ricos, mas constitutivos da identidade, n\u00e3o apenas dos Huicholes, mas de muitos povos e grupos nativos.<\/p>\n<p>As molduras destacadas por Corona definem o modo de ver, pois \u00e9 por meio do olhar que as cores que pintam o mundo s\u00e3o constru\u00eddas. Corona faz alus\u00e3o a essa rela\u00e7\u00e3o quando aponta: \"As cores s\u00e3o aprendidas com seu significado social. Entre os Huichols, as cores mais brilhantes s\u00e3o as preferidas, talvez porque sejam as que mais se assemelham \u00e0 vis\u00e3o com o peiote... Ver para os Huichols tem uma import\u00e2ncia fundamental para o conhecimento. Crian\u00e7as ou adultos que viajam para o mar pela primeira vez e 'v\u00e3o conhec\u00ea-lo' s\u00e3o vendados e descobertos at\u00e9 que estejam na praia, de frente para a imensid\u00e3o do Pac\u00edfico\" (p. 90). Essa informa\u00e7\u00e3o me faz lembrar de uma experi\u00eancia que tive h\u00e1 alguns anos e que agora incorporo para ilustrar a posi\u00e7\u00e3o do autor:<\/p>\n<p>Em outubro de 1994, a partir da Coordena\u00e7\u00e3o Regional Norte de Culturas Populares, co-organizamos com os grupos Yuman da Baixa Calif\u00f3rnia (Kiliwuas, K'miai, Paipai e Cucap\u00e1) o encontro <em>Auca Maj cuar cuar<\/em> (bom dia ou boa tarde, vamos conversar), do qual participaram todos os grupos ind\u00edgenas de ambos os lados da fronteira entre o M\u00e9xico e os Estados Unidos. Um encontro de culturas, sentimentos, idiomas, vozes e pontos de vista. Dos picos e ravinas da Sierra Madre Occidental viajaram mulheres e homens Rar\u00e1muri; pessoas que nunca haviam deixado seus lugares de origem, formados por aldeias e fazendas nos munic\u00edpios de Chihuahua de Balleza, Batopilas, Bocoyna, Carich\u00ed, Ch\u00ednipas, Guachochi, Guadalupe y Calvo, Guazaparez, Maguarichi, Morelos, Moris, Nonoava, Ocampo, Tem\u00f3sachi, Urique e Uruachi. Depois de uma longa jornada de v\u00e1rios dias, eles chegaram \u00e0 noite na cidade m\u00e1gica de Tecate, Baja California, a cidade anfitri\u00e3 da reuni\u00e3o. Fui ent\u00e3o informado de que as mulheres Rar\u00e1muri estavam pedindo para serem levadas para ver o mar. N\u00f3s as informamos que Tecate n\u00e3o tem praia, mas elas insistiram e argumentaram que nunca haviam sa\u00eddo de suas comunidades e nunca tinham visto o mar e sabiam que havia um perto de onde est\u00e1vamos. Diante de tal argumento, nos mobilizamos e conseguimos um \u00f4nibus para lev\u00e1-las naquela mesma noite a Rosarito, Baja California, para que pudessem ver o Oceano Pac\u00edfico, mas teriam de voltar logo pela manh\u00e3 para participar do trabalho da reuni\u00e3o. Na manh\u00e3 seguinte, as mulheres estavam profundamente impressionadas com as cores que observaram, cores vivas e intensas definidas a partir de outras estruturas culturais e de outras formas de olhar, e falaram dos tons policrom\u00e1ticos de um mar que, depois de ouvi-las, um lampejo de mem\u00f3ria me permitiu reconhecer que uma vez, em minha inf\u00e2ncia, eu podia perceber essas cores, mas eu as havia esquecido, ent\u00e3o incorporei novos quadros em minha forma de observar ou, simplesmente, parei de olhar para elas. As mulheres contaram que passaram a noite inteira acompanhando o mar e disseram, entusiasmadas: \"n\u00f3s perseguimos o mar e o mar nos perseguiu, e n\u00f3s perseguimos o mar e o mar nos perseguiu, e n\u00f3s perseguimos o mar e o mar nos perseguiu, e sabe de uma coisa, o mar nunca se cansa\". Desde ent\u00e3o, agu\u00e7o meu olhar tentando recuperar as policromias estridentes do mar que conheci em minha inf\u00e2ncia e imagino as narrativas que certamente marcaram a mem\u00f3ria do Rar\u00e1muri a partir da voz e do testemunho das mulheres que repetidamente contam com brilho nos olhos a experi\u00eancia inesquec\u00edvel do dia em que conheceram o mar.<\/p>\n<p>Barbero e Corona apresentam os riscos, as armadilhas e os perigos do trabalho de pesquisa e as apostas metodol\u00f3gicas, e alertam sobre as armadilhas pol\u00edticas, recuperando Ranciere, que distingue entre pol\u00edticas que buscam reproduzir a ordem social desigual e pol\u00edticas emancipat\u00f3rias. Nesse ponto, os autores definem sua posi\u00e7\u00e3o como sendo baseada na busca de \"melhores formas de conviv\u00eancia com base na express\u00e3o da diversidade em termos de igualdade\" (p. 136). Eles tamb\u00e9m alertam sobre os truques epist\u00eamicos, assumindo uma perspectiva que n\u00e3o apenas reflete sobre o conhecimento gerado, mas tamb\u00e9m sobre o processo cr\u00edtico de constru\u00e7\u00e3o desse conhecimento. Por fim, apresentam as armadilhas da pr\u00e1tica de pesquisa, em que questionam a rela\u00e7\u00e3o sujeito-objeto ou sujeito de pesquisa e sujeito pesquisado. Diante dessas rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas e desiguais, eles prop\u00f5em trabalhar em um di\u00e1logo horizontal, em que ambas as partes da rela\u00e7\u00e3o investigam e s\u00e3o investigadas. Nessa rela\u00e7\u00e3o, \u00e9 produzido um conhecimento comum. Corona expressa isso a partir de sua experi\u00eancia de trabalho com os povos Wix\u00e1rika dentro e fora de suas comunidades: \"Aprendi que <em>para ver com o outro<\/em>significa reconhecer uma dist\u00e2ncia entre algo que eles sabem e que eu n\u00e3o entendo\" (p. 140). Em seguida, ele acrescenta suas implica\u00e7\u00f5es: \"Ouvir, ver o outro, at\u00e9 mesmo ser emp\u00e1tico, se isso n\u00e3o me desestabiliza, n\u00e3o me transforma; meu conhecimento n\u00e3o deixa de ser iterativo em rela\u00e7\u00e3o ao meu pr\u00f3prio. Ver com os outros, compreender com os outros, exige que nos deixemos tocar pelos outros; quando nossa vis\u00e3o muda, isso significa nunca mais ver a mesma coisa\" (p. 140). Ver com os outros e ser tocado pelos outros, nessa perspectiva, implica um posicionamento expl\u00edcito a partir do qual os significados de ver, sentir, construir, compreender e explicar s\u00e3o redefinidos: \"Ser tocado significa ser sacudido, sofrer um calafrio, ser arrastado pelo outro para o seu lado. A experi\u00eancia de estar do outro lado n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem o outro. Ver com ele, entender com ele, construir com ele... Ver com os outros tem a ver com sentir e tamb\u00e9m com explicar\" (p. 141).<\/p>\n<p><em>Vendo com os outros. Comunica\u00e7\u00e3o intercultural<\/em> \u00e9 uma obra poderosa que abre novos caminhos nos debates acad\u00eamicos relacionados ao papel da academia na (re)produ\u00e7\u00e3o da ordem colonial e da desigualdade social. Tamb\u00e9m est\u00e1 comprometida com a pesquisa cr\u00edtica que visa transformar o mundo junto com aqueles que s\u00e3o subalternizados no processo de pesquisa e invisibilizados a partir de uma suposta condi\u00e7\u00e3o de objetos ou meros transmissores de conhecimento. A partir da proposta de pesquisa horizontal apresentada por Barbero e Corona, eles se tornam produtores de conhecimento que prefiguram mundos nos quais os problemas, as preocupa\u00e7\u00f5es, os conhecimentos e os sentimentos dos outros s\u00e3o realmente incorporados, uma cumplicidade que nos permitir\u00e1 entender que, al\u00e9m dos jogos de poder perif\u00e9ricos dos quais participamos, nas estruturas socioculturais que definem a condi\u00e7\u00e3o humana, n\u00f3s somos os outros e os outros somos n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Recomendo fortemente a leitura desse livro para qualquer pessoa com sensibilidade e interesse em quest\u00f5es sociais e culturais, especialmente para aqueles que trabalham nas \u00e1reas de ci\u00eancias sociais e humanas.<\/p>\n<h2>Bibliografia<\/h2>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  Valenzuela Arce, Jos\u00e9 Manuel  (coord.) (2015). <em>El Sistema es antinosotros. Cultura, movimientos y resistencias juveniles<\/em>. M\u00e9xico: edisa\/UAM\/El Colef, p. 508.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\" translation-block\"><em><span class=\"dropcap\">V<\/span>er con los otros. Intercultural Communication<\/em> \u00e9 uma obra poderosa que abre novos caminhos nos debates acad\u00eamicos relacionados ao papel da academia na (re)produ\u00e7\u00e3o da ordem colonial e da desigualdade social. Tamb\u00e9m est\u00e1 comprometida com a pesquisa cr\u00edtica que visa transformar o mundo juntamente com aqueles que s\u00e3o subalternizados no processo de pesquisa e tornados invis\u00edveis a partir de uma condi\u00e7\u00e3o assumida de objetos ou meros transmissores de conhecimento.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[296,329,295],"coauthors":[551],"class_list":["post-30994","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-10","tag-antropologia-visual","tag-imagen","tag-metodologia-colaborativa","personas-valenzuela-jose-manuel","numeros-362"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Ver con los otros. Una propuesta dial\u00f3gica y horizontal en la investigaci\u00f3n &#8211; Encartes<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/ver-con-los-otros\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Ver con los otros. Una propuesta dial\u00f3gica y horizontal en la investigaci\u00f3n &#8211; Encartes\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Ver con los otros. Comunicaci\u00f3n intercultural es una obra potente que abre nuevos caminos en los debates acad\u00e9micos preocupados por el papel de la academia en la (re)producci\u00f3n del orden colonial y la desigualdad social. Tambi\u00e9n apuesta por una investigaci\u00f3n cr\u00edtica que se proponga transformar el mundo en conjunto con aquellas y aquellos que son subalternizados en el proceso de investigaci\u00f3n, e invisibilizados desde una supuesta condici\u00f3n de objetos o meros transmisores de conocimiento.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/encartes.mx\/pt\/ver-con-los-otros\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Encartes\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2019-03-21T15:02:14+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-04-24T17:42:53+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"10 minutos\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label3\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data3\" content=\"Arthur Ventura\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/\"},\"author\":{\"name\":\"Arthur Ventura\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef\"},\"headline\":\"Ver con los otros. Una propuesta dial\u00f3gica y horizontal en la investigaci\u00f3n\",\"datePublished\":\"2019-03-21T15:02:14+00:00\",\"dateModified\":\"2024-04-24T17:42:53+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/\"},\"wordCount\":2315,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#organization\"},\"keywords\":[\"antropolog\u00eda visual\",\"imagen\",\"metodolog\u00eda colaborativa\"],\"articleSection\":[\"Rese\u00f1as cr\u00edticas\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/\",\"name\":\"Ver con los otros. Una propuesta dial\u00f3gica y horizontal en la investigaci\u00f3n &#8211; Encartes\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#website\"},\"datePublished\":\"2019-03-21T15:02:14+00:00\",\"dateModified\":\"2024-04-24T17:42:53+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/encartes.mx\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Ver con los otros. Una propuesta dial\u00f3gica y horizontal en la investigaci\u00f3n\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#website\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/\",\"name\":\"Encartes\",\"description\":\"Revista digital multimedia\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/encartes.mx\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#organization\",\"name\":\"Encartes Antropol\u00f3gicos\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Logo-04.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Logo-04.png\",\"width\":338,\"height\":306,\"caption\":\"Encartes Antropol\u00f3gicos\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef\",\"name\":\"Arthur Ventura\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/image\/8a45818ea77a67a00c058d294424a6f6\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g\",\"caption\":\"Arthur Ventura\"}}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Ver con los otros. Una propuesta dial\u00f3gica y horizontal en la investigaci\u00f3n &#8211; Encartes","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/ver-con-los-otros\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Ver con los otros. Una propuesta dial\u00f3gica y horizontal en la investigaci\u00f3n &#8211; Encartes","og_description":"Ver con los otros. Comunicaci\u00f3n intercultural es una obra potente que abre nuevos caminos en los debates acad\u00e9micos preocupados por el papel de la academia en la (re)producci\u00f3n del orden colonial y la desigualdad social. Tambi\u00e9n apuesta por una investigaci\u00f3n cr\u00edtica que se proponga transformar el mundo en conjunto con aquellas y aquellos que son subalternizados en el proceso de investigaci\u00f3n, e invisibilizados desde una supuesta condici\u00f3n de objetos o meros transmisores de conocimiento.","og_url":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/ver-con-los-otros\/","og_site_name":"Encartes","article_published_time":"2019-03-21T15:02:14+00:00","article_modified_time":"2024-04-24T17:42:53+00:00","author":"Arthur Ventura","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Arthur Ventura","Est. tempo de leitura":"10 minutos","Written by":"Arthur Ventura"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/"},"author":{"name":"Arthur Ventura","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef"},"headline":"Ver con los otros. Una propuesta dial\u00f3gica y horizontal en la investigaci\u00f3n","datePublished":"2019-03-21T15:02:14+00:00","dateModified":"2024-04-24T17:42:53+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/"},"wordCount":2315,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#organization"},"keywords":["antropolog\u00eda visual","imagen","metodolog\u00eda colaborativa"],"articleSection":["Rese\u00f1as cr\u00edticas"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/","url":"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/","name":"Ver con los otros. Una propuesta dial\u00f3gica y horizontal en la investigaci\u00f3n &#8211; Encartes","isPartOf":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#website"},"datePublished":"2019-03-21T15:02:14+00:00","dateModified":"2024-04-24T17:42:53+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/encartes.mx\/ver-con-los-otros\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/encartes.mx\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Ver con los otros. Una propuesta dial\u00f3gica y horizontal en la investigaci\u00f3n"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#website","url":"https:\/\/encartes.mx\/","name":"Encartes","description":"Revista digital multimedia","publisher":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/encartes.mx\/?s={search_term_string}"},"query-input":"required name=search_term_string"}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#organization","name":"Encartes Antropol\u00f3gicos","url":"https:\/\/encartes.mx\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Logo-04.png","contentUrl":"https:\/\/encartes.mx\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Logo-04.png","width":338,"height":306,"caption":"Encartes Antropol\u00f3gicos"},"image":{"@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/97215bba1729028a4169cab07f8e58ef","name":"Arthur Ventura","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/encartes.mx\/#\/schema\/person\/image\/8a45818ea77a67a00c058d294424a6f6","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8ff614b2fa0d91ff6c65f328a272c53?s=96&d=identicon&r=g","caption":"Arthur Ventura"}}]}},"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30994","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30994"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30994\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38856,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30994\/revisions\/38856"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30994"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30994"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30994"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=30994"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}