{"id":30991,"date":"2019-03-21T15:04:31","date_gmt":"2019-03-21T15:04:31","guid":{"rendered":"https:\/\/encartesantropologicos.mx\/wordpress\/?p=30991"},"modified":"2024-04-24T11:42:23","modified_gmt":"2024-04-24T17:42:23","slug":"cultura-mexico-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/encartes.mx\/pt\/cultura-mexico-genero\/","title":{"rendered":"Cultura, pol\u00edtica e vida cotidiana no M\u00e9xico a partir de uma perspectiva de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"<p class=\"abstract\">\n  <span class=\"dropcap\">E<\/span>m 1854, Jules Michelet publicou <em>Mulheres da revolu\u00e7\u00e3o<\/em>Em seu livro, ele argumentou que a capacidade das mulheres de participar de atividades pol\u00edtico-sociais era intermitente, pois elas perdiam a cabe\u00e7a a cada 28 dias devido \u00e0 \"doen\u00e7a\" peri\u00f3dica a que sua pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica as condenava.<\/p>\n<p>  Apesar da pol\u00eamica iniciada por Stuart Mill contra os argumentos de Michelet, seus pontos de vista prevaleceram por quase um s\u00e9culo, at\u00e9 1949, quando Simone de Beauvoir publicou <em>O segundo sexo<\/em>Esse trabalho destruiu do zero a soberba biologicista micheletiana na qual se baseava a irracionalidade gen\u00e9tica das mulheres, uma ideia que, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, ainda sobrevive at\u00e9 hoje em muitos homens e n\u00e3o poucas mulheres de todos os grupos sociais.<\/p>\n<p>Por outro lado, e tamb\u00e9m a partir de meados do s\u00e9culo XIX, Karl Marx e Friedrich Engels, por meio do arcabou\u00e7o conceitual do materialismo hist\u00f3rico, fizeram da sociedade o centro do processo hist\u00f3rico, uma mudan\u00e7a de assunto que at\u00e9 hoje exerce grande influ\u00eancia no pensamento que fundamenta muitas das formas de conceber o trabalho historiogr\u00e1fico. Mas, al\u00e9m disso, esses mesmos pensadores deram \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas o status de trabalho e, consequentemente, de produtos sociais, e n\u00e3o apenas de talento e g\u00eanio individuais.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o direta com a linguagem e, portanto, com o pensamento, a literatura adquiriu um valor especial, principalmente o romance, pois, segundo Marx e Engels, nesse g\u00eanero de escrita \u00e9 poss\u00edvel observar as rela\u00e7\u00f5es inter-humanas estabelecidas em uma determinada \u00e9poca, apesar das diferen\u00e7as entre os meios social, pol\u00edtico, econ\u00f4mico, religioso e cultural, raz\u00e3o pela qual eles afirmavam que o conhecimento da hist\u00f3ria social oferecido por um romance - os de Honor\u00e9 de Balzac, em sua \u00e9poca - \u00e9 muito mais profundo, rico e variado do que um tratado historiogr\u00e1fico sobre o assunto.<\/p>\n<p>Menciono isso com o \u00fanico prop\u00f3sito de destacar a coincid\u00eancia no tempo, por um lado, da consolida\u00e7\u00e3o da origem biol\u00f3gica dos obst\u00e1culos sociais que se opuseram ao pleno desenvolvimento das mulheres, como um grupo que constitui a metade ligeiramente maior da ra\u00e7a humana, e, por outro lado, a origem dos esfor\u00e7os que foram feitos a partir das ci\u00eancias sociais e humanas, que foram mais bem armadas com s\u00f3lidos fundamentos te\u00f3ricos e metodol\u00f3gicos para desmantelar esses preconceitos.<\/p>\n<p>Portanto, a primeira coisa que eu gostaria de afirmar \u00e9 que o trabalho coletivo <em>G\u00eanero na encruzilhada da hist\u00f3ria social e cultural do M\u00e9xico<\/em> \u00e9, antes de mais nada, uma luta frontal contra os preconceitos, biol\u00f3gicos, sociais, religiosos ou de qualquer outro tipo, que historicamente impediram, e alguns ainda impedem, a plena participa\u00e7\u00e3o das mulheres na vida p\u00fablica, ao mesmo tempo em que \u00e9 um esfor\u00e7o para penetrar profundamente na profundidade hist\u00f3rica que lhes corresponde em seu pr\u00f3prio direito.<\/p>\n<p>Susie Porter e Mar\u00eda Teresa Fern\u00e1ndez Aceves merecem sinceras felicita\u00e7\u00f5es pela sabedoria de procurar cuidadosamente e encontrar a colabora\u00e7\u00e3o de Marie Francois, Laura Ch\u00e1zaro, Sonia Hern\u00e1ndez, Sonia Robles, Elissa Rashkin, Isabel Arredondo e Sara Minerva Luna Elizarrar\u00e1s na produ\u00e7\u00e3o do volume de 360 p\u00e1ginas cujo t\u00edtulo apresentei acima.<\/p>\n<p>Para isso, esses intelectuais se dedicaram a analisar as diferentes facetas que contribuem para moldar o que chamamos de sociedade em abstrato, \u00e0s quais foram respons\u00e1veis por dar forma concreta ao nomear cada personagem individual ou coletivo que a comp\u00f5e, ao mesmo tempo em que reconstru\u00edram o tecido hist\u00f3rico-social que esses personagens ajudaram a tecer por meio de suas a\u00e7\u00f5es efetivas.<\/p>\n<p>Esse esfor\u00e7o comum significa um grande passo para a plena incorpora\u00e7\u00e3o das mulheres, n\u00e3o na hist\u00f3ria como fatos concretos, j\u00e1 que elas sempre participaram deles, mas na hist\u00f3ria escrita que aspira \u00e0 categoria de social, mas que s\u00f3 come\u00e7ou a conseguir isso quando o eixo narrativo se concentrou nas mulheres e nas aspira\u00e7\u00f5es femininas, uma perspectiva que evita, por um lado, que elas apare\u00e7am como um ap\u00eandice dos homens e, por outro, que seja uma segrega\u00e7\u00e3o dos homens; ao contr\u00e1rio, permite que ambos os sexos apare\u00e7am em uma rela\u00e7\u00e3o de igualdade.<\/p>\n<p><em>G\u00eanero na encruzilhada da hist\u00f3ria social e cultural do M\u00e9xico<\/em> \u00e9 um produto maduro de mais de meio s\u00e9culo de insist\u00eancia na necessidade de superar o baixo status das mulheres na historiografia tradicional, cuja produ\u00e7\u00e3o era geralmente regida por modelos impostos pelos homens, circunst\u00e2ncia que levou Simone de Beauvoir a afirmar que \"n\u00e3o foi a inferioridade das mulheres que determinou sua insignific\u00e2ncia hist\u00f3rica: foi sua insignific\u00e2ncia hist\u00f3rica que as destinou \u00e0 inferioridade\" (Beauvoir, 1990: 223).<\/p>\n<p>Por \"insignific\u00e2ncia hist\u00f3rica\" deve-se entender a escassez, beirando a aus\u00eancia, de registros documentais, vest\u00edgios escritos de todos os tipos, que atestem a participa\u00e7\u00e3o efetiva das mulheres na vida p\u00fablica e social e, em \u00faltima an\u00e1lise, sua corresponsabilidade na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Aqui \u00e9 necess\u00e1rio enfatizar que \"para expressar um fato e transform\u00e1-lo em um evento, a media\u00e7\u00e3o da linguagem \u00e9 essencial. <em>Parece que o evento est\u00e1 sendo constru\u00eddo em duas frentes<\/em>. N\u00e3o apenas pelo historiador... mas tamb\u00e9m pelo grupo ou indiv\u00edduo que se expressa na \u00e9poca dos eventos e, assim, cria a fonte de eventos a ser usada pelo historiador\" (Riot-Sarcey, 1988).<\/p>\n<p>Essa cria\u00e7\u00e3o e busca de fontes para nutrir a escrita da hist\u00f3ria a partir de uma perspectiva de g\u00eanero \u00e9 evidenciada pelo esmagador aparato cr\u00edtico reunido nesta obra. Devo advertir os leitores em potencial de que \u00e9 essencial ler atentamente a \"Introdu\u00e7\u00e3o\" para compreender plenamente n\u00e3o apenas os problemas que a irrup\u00e7\u00e3o do conceito de g\u00eanero colocou nas formas pelas quais, at\u00e9 o \u00faltimo ter\u00e7o do s\u00e9culo passado, a pesquisa e a escrita nas ci\u00eancias sociais e humanas eram praticadas, mas tamb\u00e9m as solu\u00e7\u00f5es propostas para esses problemas que emergem da aplica\u00e7\u00e3o do conceito de g\u00eanero como uma categoria de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Embora esta se\u00e7\u00e3o, assim como cada um dos nove cap\u00edtulos da obra, forne\u00e7a um relato das fontes que sustentam os argumentos apresentados neles, \u00e9 muito \u00fatil consultar a bibliografia geral para ver o n\u00famero impressionante de reposit\u00f3rios, livros, artigos e documentos que sustentam todo o volume. \u00c9 aqui que encontramos a explica\u00e7\u00e3o da congru\u00eancia interna do conte\u00fado, o que nos permite concluir que n\u00e3o se trata de um livro composto por uma s\u00e9rie de textos sem grande articula\u00e7\u00e3o entre si, mas de uma obra coerente, produto de um longo e profundo trabalho te\u00f3rico, metodol\u00f3gico e emp\u00edrico que, como pode ser confirmado pela leitura do livro, os autores desenvolveram em conjunto.<\/p>\n<p>Esse arsenal de dados, aparentemente d\u00edspares, mas analisados sob a perspectiva de g\u00eanero, possibilitou a supera\u00e7\u00e3o do conceito de mulheres excepcionais, utilizado para descrever aquelas que conseguiram superar os preconceitos sociais e se destacaram em campos da vida p\u00fablica que a tradi\u00e7\u00e3o pretendia atribuir exclusivamente aos homens: guerra, pol\u00edtica, pr\u00e1ticas profissionais e at\u00e9 art\u00edsticas, para citar apenas alguns. Em resumo, as conquistas de algumas s\u00f3 eram reconhecidas porque sua conduta nesses campos era semelhante \u00e0 dos homens, de modo que \u00e0s mulheres que se destacavam em suas atividades era negado o reconhecimento de suas motiva\u00e7\u00f5es femininas, e as outras, ocupadas com as tarefas b\u00e1sicas e cotidianas que a tradi\u00e7\u00e3o social caolha lhes atribu\u00eda, permaneciam \u00e0 margem da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o se tinha percebido que, como Georg Luk\u00e1cs estabeleceu, a vida cotidiana \u00e9 a camada que constitui o solo nutritivo para os avan\u00e7os cient\u00edficos, bem como para as obras art\u00edsticas, pois elas se alimentam dele e retornam a ele para enriquecer a cultura da humanidade em todas as suas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Foi a partir da aparente suavidade da vida cotidiana que os autores de <em>G\u00eanero na encruzilhada<\/em>... desenterrou coletividades femininas como lavadeiras, cat\u00f3licas, trabalhadoras, oper\u00e1rias e cantoras, bem como indiv\u00edduos como Bel\u00e9n de S\u00e1rraga, uma livre-pensadora ou ateia, segundo alguns, e a cineasta Juliette Barrett Rublee, para apresent\u00e1-las a n\u00f3s sob uma luz diferente, com novas texturas e qualidades.<\/p>\n<p>Dito dessa forma, a lista acima n\u00e3o \u00e9 mais do que uma lista insignificante sem v\u00ednculos \u00f3bvios entre eles. Mesmo assim, \u00e9 preciso ter em mente que a hist\u00f3ria \u00e9 uma disciplina relacional e, portanto, uma de suas tarefas essenciais \u00e9 encontrar rela\u00e7\u00f5es onde aparentemente n\u00e3o h\u00e1 nenhuma.<\/p>\n<p>Por isso, decidi encerrar esta resenha com uma men\u00e7\u00e3o \u00e0 pertin\u00eancia do t\u00edtulo. Embora um pouco longo para o meu gosto, n\u00e3o havia como dar conta do conte\u00fado geral do volume, no qual se entrela\u00e7am pol\u00edtica, economia e arte, elementos cujo progresso harm\u00f4nico \u00e9 indispens\u00e1vel para o desenvolvimento saud\u00e1vel do que chamamos de cultura e que \u00e9 o que distingue uma determinada sociedade e lhe d\u00e1 sua identidade coletiva, da qual o livro nos d\u00e1 um exemplo. <em>G\u00eanero na encruzilhada da hist\u00f3ria social e cultural do M\u00e9xico<\/em>.<\/p>\n<h2>Bibliografia<\/h2>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  Beauvoir, Simone de (1990). <em>Le deuxi\u00e9me sexe<\/em>, vol.1. Par\u00eds: Gallimard (Publicado originalmente en 1949).<\/p>\n<p class=\"bibliography\" data-no-auto-translation=\"\">\n  Riot-Sarcey, Mich\u00e9le (1988). \u201cLes sources du pouvoir: L\u2019\u00e9v\u00e8nement en question\u201d, <em>Les Cahiers du Grif. Le genre de l\u2019histoire<\/em>, trimestral, primavera, n\u00fams. 37-38. Par\u00eds: Editions Tierce, pp. 30.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\" translation-block\"><span class=\"dropcap\">A<\/span> obra coletiva G\u00eanero na encruzilhada da hist\u00f3ria social e cultural do M\u00e9xico visa, acima de tudo, combater frontalmente os preconceitos biol\u00f3gicos, sociais, religiosos ou de qualquer outro tipo que historicamente impediram, e alguns ainda impedem, a plena participa\u00e7\u00e3o das mulheres na vida p\u00fablica, ao mesmo tempo em que \u00e9 um esfor\u00e7o para penetrar profundamente na profundidade hist\u00f3rica que lhes corresponde por direito pr\u00f3prio.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[427,426,315,24],"coauthors":[551],"class_list":["post-30991","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-10","tag-cotidiano","tag-cultura","tag-genero","tag-mexico","personas-vaca-agustin","numeros-362"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Cultura, pol\u00edtica y vida cotidiana en M\u00e9xico desde la perspectiva de g\u00e9nero &#8211; 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